domingo, julho 31, 2005

Notas Soltas - Julho/2005

Irão – A vitória do candidato mais radical Mahmoud Ahmadinejad é o prenúncio do regresso à instabilidade que o defunto Ayatolah Khomeiny gerou em 1979. O Irão demencialmente fanatizado é um estorvo à democratização do Médio Oriente.

EUA – Em 4 de Julho, dia da independência, mais uma grande vitória da ciência celebrou a data – a colisão programada de uma sonda da NASA contra um cometa. Que grande avanço para a humanidade num país que tanto retrocede.

Madeira – As afirmações de A. João Jardim, relativas a chineses e indianos, são uma manifestação boçal de racismo e xenofobia que ignora milhões de compatriotas emigrados, muitos deles madeirenses.

Co-incineração – Os testes efectuados com resíduos industriais na cimenteira Secil corroboraram a conclusão da «Comissão Independente». É um método quase inócuo, de valorização energética e que respeita as exigências ambientais. Que dizem o PSD e o CDS a três anos perdidos, sem nada terem feito?

Reino Unido – O fanatismo religioso reaparece no cobarde atentado que semeou a morte e a desolação em Londres. Os dementes de Deus são capazes de todos os crimes a troco do Paraíso. Urge quebrar os ímpetos assassinos do fascismo islâmico.

Luxemburgo – A vitória do SIM no referendo é uma débil esperança para a Constituição Europeia e uma vitória pessoal do primeiro-ministro Jean-Claude Juncker, que, por respeito ao eleitorado, recusou o convite para presidir à Comissão Europeia.

Coreia do Norte – No último Estado estalinista correm o risco de morrer à fome centenas de milhares de pessoas. A troco de negociações sobre o programa nuclear, a Coreia do Sul disponibilizou 500 mil toneladas de arroz.

Autárquicas – Quem defendeu as alterações que permitiram listas independentes tem os exemplos de Isaltino, Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras, Ferreira Torres e outros, para reflectir e apreciar o caciquismo na sua máxima apoteose.

Assembleia da República – A redução do número de deputados e a criação de círculos uninominais é uma concessão ao populismo que esmaga os pequenos partidos e empobrece as opções eleitorais. A oposição faz-se no Parlamento. Ou na rua.

Iraque – Estima-se que cerca de 25 mil civis foram mortos desde a invasão, um terço dos quais por terroristas autóctones. Na contabilidade macabra, os agressores vão largamente à frente. E a Constituição «democrática» vai ter o Islão como referência.

Ministério das Finanças – A demissão do titular ao fim de quatro meses não é um bom prenúncio para o futuro mas a rapidez da substituição e a credibilidade do novo ministro mostram a grande margem de manobra de que Sócrates dispõe.

Ass. Portuguesa de Escritores – A atribuição do Grande Prémio do Romance a Vasco Graça Moura é o justo galardão a um dos mais fecundos e estimulantes escritores da língua portuguesa, que se distinguiu na poesia, ensaio, tradução e, agora, no romance.

Chão da Lagoa – É a arena onde, todos os anos, o líder do PSD/Madeira investe contra o Continente e a comunicação social e exibe a falta de educação e de princípios. Este ano, depois de afrontar Marques Mendes, atacou a Constituição.

Autárquicas – Inquinadas pelas restrições orçamentais, acabam por julgar mais o Governo e menos os candidatos, reflectindo interesses urdidos por caciques locais sem ponderação do mérito de quem se submete a sufrágio.

Presidenciais – São previsíveis acidentes de percurso até ao veredicto final, mas – a confirmarem-se os candidatos que se anunciam –, regressa a discussão política e a incerteza quanto aos resultados eleitorais.

Londres – O brasileiro Jean Charles de Menezes, morto por engano pela polícia britânica, foi atingido com oito tiros, sete na cabeça e um no ombro –, admitiram as autoridades. Depois da guerra preventiva, chegaram os fuzilamentos preventivos.

Durão Barroso – O Financial Times, um dos mais conceituados jornais em todo o mundo, avalia o desempenho do presidente da Comissão Europeia como um «show de horror» e é ainda mais severo do que os portugueses para com o antigo primeiro-ministro.

Ota e TGV – O regresso dos projectos é uma esperança para a economia e para a absorção de mão de obra que, de há três anos a esta parte, só vê crescer o desemprego, mas os inimigos querem reservar-lhe a maldição da barragem do Alqueva.

Holanda – A condenação de Mohammed Bouyeri, de 27 anos, a prisão perpétua, pelo assassínio de Theo van Gogh, o realizador que denunciou a crueldade de que as mulheres são vítimas no islão, impede o terrorista de reincidir na aplicação do Corão.

Irlanda do Norte – O IRA renunciou finalmente à luta armada. É uma auspiciosa notícia, após um passado de violência que dilacerou católicos e protestantes e sacrificou três mil mortos no altar do ódio, nos últimos quarenta anos.

4 Comments:

At domingo jul 31, 10:02:00 da manhã, Anonymous Anónimo said...

"Madeira – As afirmações de A. João Jardim, relativas a chineses e indianos, são uma manifestação boçal de racismo e xenofobia que ignora milhões de compatriotas emigrados, muitos deles madeirenses"

hum?
ou seja se os maderenses já estão subcarregados de imigrantes chineses então venha mais porque há milhões de portugueses no exterior?

Racismo, Xenofobia?
ele só disse que os chineses não eram bem vindos...porque estes vinham competir com os madeirenses.
digam onde está racismo.

Enfim.
O alberto se fosse candidato a PR ainda ganhava.

 
At domingo jul 31, 02:43:00 da tarde, Blogger Mano 69 said...

«Ass. Portuguesa de Escritores – A atribuição do Grande Prémio do Romance a Vasco Graça Moura é o justo galardão a um dos mais fecundos e estimulantes escritores da língua portuguesa, que se distinguiu na poesia, ensaio, tradução e, agora, no romance.»

Um sapo por dia afasta o médico! Ou então, não à nada como separar o homem politico do homem escritor…

 
At domingo jul 31, 06:06:00 da tarde, Anonymous Carlos Esperança said...

Mano 69:

Não confundo o escritor sensível e culto com o almocreve do cavaquismo e arrieiro do PSD.

 
At domingo jul 31, 09:58:00 da tarde, Blogger Mano 69 said...

Carlos Esperança tenha dó (assim como outras notas)!

É verdade que não é preciso ser de esquerda para se ser «culto», agora como é que um gajo «sensível» consegue ser o recoveiro do PSD?

Aliás arrieiro e almocreve são ambos substantivos que designam condutores de bestas de carga.
Logo o condutor é VGM, a besta de carga o PSD e a carga (himself) é Portugal. Como há-de supor não se trata de um fardo delicado…

 

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