quinta-feira, junho 30, 2005

Notas Soltas - Junho/2005

Notas Soltas – Num programa homónimo, António Vitorino exibe às segundas-feiras os seus conhecimentos e poder de comunicação, em entrevista a Judite de Sousa. Eis um bom contrapeso às «As Escolhas de Marcelo».

União Europeia – A solidariedade entre países da Europa regrediu com o NÃO francês e holandês. A paz e o desenvolvimento que três gerações de europeus gozaram (excepção feita à região balcânica) estão cada vez mais em risco.

Madeira – O desatino verbal em que o sátrapa autóctone reincide, atinge as raias da demência com sonoras obscenidades. Há um referendo urgente a fazer – perguntar aos portugueses do Continente se querem tornar-se independentes da Madeira.

PSD – O prazo de validade do líder, Marques Mendes, pode ser curto, porque Jardim, Valentim Loureiro, Filipe Meneses e Isaltino, entre outros, o põem em causa. Mas o inverso é cada vez mais provável, para bem da higiene política.

Vasco Gonçalves – Ícone maior da Revolução de Abril, suscitou ódios, calúnias torpes e afectos profundos. Com a sua morte Portugal perdeu o revolucionário generoso a cuja coragem e patriotismo se devem as mais profundas transformações.

Álvaro Cunhal
- Faleceu aos 91 anos o carismático líder do PCP e um dos mais respeitados comunistas mundiais. A coerência, invulgar cultura e perspicácia política, aliadas a uma coragem e determinação ímpares, foram os traços dominantes de uma personalidade singular.

Eugénio de Andrade – O poeta que usou as palavras com musicalidade e rigor, grande referência da poesia do séc. XX, em Portugal, acompanhou na morte duas figuras ímpares da História portuguesa.

Luto Nacional
– A falta de critério, que contemplou Carlos Paredes e a freira Lúcia de Jesus, baniu da distinção os antigos primeiros-ministros Vasco Gonçalves e Lurdes Pintasilgo. Não há rigor de Estado, apenas caprichos da roleta populista.

OE/2005 – Bagão Félix, sofrível cidadão e medíocre governante, procurou abafar o seu desastroso Orçamento ridicularizando as previsões até às centésimas do Banco de Portugal (6,83%). O Governo que integrou corrigiu, em Setembro de 2003, a previsão anterior do défice até às milésimas, para 2,944%.

Frente Nacional – A manifestação da extrema-direita, dia 18, reuniu um bando de malfeitores, possessos de violência, turvos de ódio, capazes de novas aventuras alimentadas pelo racismo e a xenofobia que urge combater.

CDS/PP – A vitória absoluta de Ribeiro e Castro nas primeiras eleições internas foi considerada um êxito pela liderança do CDS e fraude pelos adversários internos, por sinal menos recomendáveis. Fraudes havia no salazarismo. Sobraram especialistas?

PS – A conjuntura e a impossibilidade de manter direitos adquiridos e regalias intoleráveis a alguns funcionários públicos são a desgraça de um partido que chegou ao poder na altura errada, quando o PSD/CDS estavam num beco sem saída.

Espanha – A manifestação contra a legalização dos casamentos gay, em Madrid, contou com a presença de 18 bispos, centenas de padres e freiras e o apoio do Vaticano. Foi a maior procissão de sempre organizada contra o Governo espanhol.

Espanha 2 – A manifestação contra a fome, em Madrid, contou com a presença de Monsenhor Juan José Omella, catalão, único bispo presente. O apoio do clero variou na razão inversa da bondade das causas.

Petróleo – A progressiva carência dos combustíveis fósseis, que colocou o barril do petróleo acima dos 60 dólares, põe um grave dilema às sociedades modernas e vai enfraquecer rapidamente as objecções contra a energia nuclear.

Iraque – A violência não pára e a tragédia agrava-se graças ao erro de Bush e de Blair e à subserviência de outros comparsas. A caminho da teocracia, onde se prometeu uma democracia, o País transformou-se num imenso campo de treino para terroristas.

Guantánamo – A sítio onde estão internados presumíveis terroristas islâmicos, ficará na história como local onde um país dito civilizado levou longe o desprezo pelos direitos humanos. Os EUA humilharam a chamada civilização cristã e ocidental.

Galiza – Os votos da população rural, do clero e dos emigrantes foram escassos para adiar a agonia do velho cacique franquista, Fraga Iribarne. O PP vai, pela primeira vez, para a oposição. Em Madrid, Zapatero averbou uma nova vitória.

Emídio Guerreiro – A morte foi injusta para Portugal neste mês de Junho. Partiu mais um antifascista, que combateu a tirania em Portugal, Espanha e França, quase a completar 106 anos. Foi presidente do PSD e era um social-democrata coerente.

Monumento ao 25 de Abril em Almeida – Continuamos a aguardar as soluções que a Câmara e o IPPAR procuram.

Vamos combater a crise 7

Este texto circula na Net:

Orçamento 2005, (...)

Em relação aos postais anteriores, relativos às dotações orçamentais dos gabinetes dos ministros, quando soube desta notícia, fiquei chocado, mas com uma dúvida:200 milhões de euros, é muito dinheiro, e não consigo imaginar quanto, sem possuir um termo de comparação. Tentei por isso comparar estes gastos com outros de caráter similar.

O primeiro que escolhi, e que me deu a primeira luz sobre o assunto, foi a dotação orçamental da presidência da republica para o ano de 2005.

Esta dotação que cobre os gastos de Sampaio, o seu staff, a manutenção do Palácio de Belêm, as viagens e os vestidos de Maria José Rita é de 13.325 milhões de euros.

O valor atribuí­do à presidência da república para 2005, pode-se considerar até espartano quando comparado com as dotações orçamentais dos ministros da república dos Açores e Madeira que é “ mais de 200 milhões de euros para cada um, e com a dotação orçamental do gabinete do ministro da defesa que é de 159 milhões de euros, dotação essa, que o sucessor de Paulo Portas, presumo que tenha herdado sem questionar.

Mas esta comparação não me deixou satisfeito, precisava de arranjar mais um termo de comparação. Tentei saber quanto custa Chirac ao estado Francês, mas a busca foi infruti­fera.
A mesma busca porém, direccionou-me para o
relatório de contas da Real Casa de Windsor, chefiada por Sua Majestade Fidelí­ssima Isabel II.

Fiquei logo a pensar que a minha depressão ia desaparecer, pois ao ler os gastos de Isabel II, pensei (lírico) que iria passar a considerar os nossos ministros da republica da Madeira e Açores, como uns pobres pedintes de pé descalço.
Da leitura do relatório de contas reais “ Royal Public Finances 2003-2004", fiquei a saber que:

A famí­lia real britânica possui 5 tipos de rendimentos:

- Lista Civil* Salários dos funcionários reais - 303 funcionários (2004)- Subvenções do Estado (Grants-in-aid)* Destinados à manutenção dos palácios reais, salários dos respectivos funcionários - 111 funcionários (2004) - e viagens de estado -- Privy Purse Rendimentos das propriedades particulares da Casa de Windsor- Riqueza pessoal e outros rendimentos- Despesas pagas directamente pelo estado*

* - Fundos públicos

Quando li os valores envolvidos o queixo caiu ao chão, eram verdadeiramente inacreditáveis, mas não no sentido em que estava a pensar:Em 2004, os gastos com dinheiros públicos foram os seguintes (Milhões de Libras):Lista Civil - 9.953Subvenções do Estado - 21.645Despesas pagas pelo Estado - 4.872Total de fundos públicos - 36.470
(53.993 milhões de euros)

NOTAS: As despesas das subvenções do estado destinam-se aos paácios reais ocupados, que são:- Palácio de Buckingham;- Palácio de St. James;- Clarence House;- Marlborough House;- Palácio de Kesington;- Palácio de Hampton Court;- Castelo de Windsor, seu parque e edifi­cios nele existentes.

Não acreditando no que estava a ver, pensei que tinha lido mal os números, faltam de certeza dois ou três zeros. Não! Afinal os meus olhos não me tinham enganado, lido e relido o relatório, os valores estão todos expressos em Milhões de Libras, aplicando a taxa de câmbio do dia de ontem (1£=1.4804945 €) verifiquei que toda a Monarquia Britânica custa ao erário público do Reino Unido uns módicos 53.993, ou seja 54 milhões de euros.

Resumindo, aquilo que o Reino Unido gasta com toda a famí­lia real, chega apenas para "alimentar" um gabinete do ministro da república, das nossas regiões autónomas, por um mí­sero trimestre e quatro meses do Gabinete do ministro da defesa.

Gostaria de saber como é que os Srs. Ministros da república dos Açores e da Madeira, justificam gastos anuais 4 vezes superiores aos da Sua Majestade a Rainha Isabel II.
É certo que viajam muito de avião, é certo que moram em palácios, mas estes palácios estão para Buckingham, tal como uma barraca da Cova da Moura está para os duplex da Torre de São Gabriel. E a Rainha de Inglaterra tem mais 6 palácios. A presidência da república representa apenas um quarto de rainha de Inglaterra.
Como cidadão, exijo uma explicação! Uma explicação por parte de quem elaborou este orçamento, por parte de quem obrigou à sua aprovação e por parte de quem tem, neste momento, a obrigação de o aplicar. Se esta explicação não for dada, o acto de fugir aos impostos não pode mais, ser considerado um crime, deve ser considerado um dever patriótico.
Para os mais cépticos, deixo aqui os links, para verem com os seus próprios olhos:"

CORREIO DO LEITOR

Com esta secção “Correio do Leitor” que iniciamos hoje pretendemos dar expressão a quem queira participar e exprimir a sua opinião neste espaço de liberdade e tolerância que é o Ponte Europa.

“Ao ler este blog lembrei-me de uma notícia que ouvi na rádio durante o fim-de-semana.
A notícia era sobre a apresentação do candidato social democrata por Soure que é como já todos sabem Carlos Páscoa.
Curiosa e instintivamente quando comecei a ouvir a notícia não foi esse nome que logo me ocorreu foi sim o do, não sei se ainda poderei chamá-lo assim, Marco Paulo de Soure, nem foi o nome João Gouveia foi sim o do, e repito, Marco Paulo de Soure, tal como me ensinaram a chamá-lo tanto os Sourenses como os camaradas do partido e demais pessoas que o conheciam.
O terrível processo de cisão dentro da concelhia de Soure, levou a divisões profundas dentro do PS em Soure, que levaram ao fim da governação socialista na Câmara de Soure e ao início do reinado do Marco Paulo de Soure, bem como a algumas candidaturas falhadas por serem mais por sacrifício do que por vocação.
Durante estes anos fui-me dando tanto, com pessoas do concelho, como com pessoas que apenas lá trabalhavam. Algumas exerciam a sua profissão em instituições que dependiam directamente da câmara e elas iam-me dando pistas sobre o que era o reinado PSD, nessa câmara, que tentava "afogar quaisquer outros pólos de poder que não o laranja instituído.

Sei que isso, infelizmente, é habitual e praticado por muitos inclusive, por camaradas do PS.
Mas o que me chocou na altura e me choca ainda hoje, foi a mudança de cor do Marco Paulo e seus associados que ele irá impor nas listas. Pessoas essas, cujo o único interesse é a perpetuação no poder e alimentar todos os concubinatos que tal implica.
Mas, ainda admito isso ao Marco Paulo, pois é uma pessoa na qual não me revejo minimamente, agora não percebo é a atitude do meu partido e das pessoas que o comandam ao aceitar, ou melhor a provocar (sim porque segundo o próprio terá dito já não seria a primeira vez que esta aproximação, ou melhor tentativa de compra, era feita), uma situação destas.
José Sócrates, que tanto fala em transparência, que quer dar a imagem de ser recto e honesto, em princípios e convicções, quererá ele aparecer ao lado de Marco Paulo? Quererá ele compactuar com este "modus operandi" da política?
Gostava de pensar que não! Gostava de pensar que esta mudança na vida política portuguesa teria provocado algumas mudanças e que estas deveriam também vir de cima.
Não perdemos tudo afinal, dirão alguns, e contabilisticamente falando até terão razão, é mais uma câmara para a contabilidade distrital e nacional...

Mas a que custo? Mas com que honra? Mas com que dignidade?

Decerto não será este o tipo de política nem de pessoas que Torga teria em mente quando escreveu a frase que encima este Blog.”

José Serrano- Coimbra

PS: Peço desculpa ao verdadeiro Marco Paulo.

quarta-feira, junho 29, 2005

Faleceu Emídio Gurreiro

Emídio Guerreiro

Com quase 106 anos faleceu um velho revolucionário de todos os combates pela liberdade. Foi um verdadeiro herói civil do 25 de Abril.

Combateu na guerra civil de Espanha ao lado da República, integrou a Resistência em França contra o Governo traidor de Vichy, dirigiu e integrou as lutas que tentaram derrubar a ditadura em Portugal.

Emídio Guerreiro, professor universitário, capitão de muitos combates, faleceu hoje. Portugal perde uma grande referência ética, uma figura de enorme dimensão política e um genuíno lutador da liberdade.

O antigo presidente do PSD, cuja fotografia procurei no site do partido, mas que, à boa maneira estalinista, desapareceu do lugar de antigo presidente, era um social-democrata consequente e um paladino da democracia.

Por sua vontade expressa, segue para o Palácio Maçónico em Lisboa, onde lhe será prestada homenagem.

Era o único sócio honorário vivo da Associação 25 de Abril.

Carlos Esperança


Quem defende privilégios?

Palácio de S. Bento
Penso que só por demagogia se pode ignorar o estado lamentável das finanças públicas e a necessidade de corrigir uma perigosa trajectória capaz de inviabilizar o pagamento de reformas e outras prestações sociais.

Só por maniqueísmo ou facciosismo partidário se pode admitir que o único caminho é o que o seu próprio partido preconiza, mas não são muitas as opções, nem demasiado divergentes as soluções possíveis.

O PS arriscou o capital de simpatia com as medidas que resolveu tomar. Não foi certamente por masoquismo ou por gosto de se arriscar a perder as várias eleições que se avizinham. Creio que há uma boa dose de generosidade e uma manifestação de patriotismo que é justo enaltecer.

Claro que as medidas preconizadas teriam de atingir os políticos, sobretudo os privilégios, já que os vencimentos são, de facto, baixos. O fim das pensões vitalícias e o subsídio de reintegração a quem, quase sempre, tem à espera o anterior posto de trabalho ou uma sinecura que o vai ressarcir dos eventuais prejuízos, é uma atitude de moralização absolutamente necessária e urgente e é uma decisão do PS.

Tenho lido nos jornais que o PS se opõe a essas medidas do seu próprio Governo. Talvez seja verdade mas o importante é que sejam tomadas, para legitimar as outras que a todos nos atingem.

Surpreendente é que o PSD se oponha à proposta e acuse de «demagogia» o Governo, por se propor acabar com as pensões vitalícias e subsídios de reintegração. Enquanto o PCP apresenta um projecto ainda mais radical, o PSD, pela voz do seu vice-presidente, Montalvão Machado, dirigiu uma forte crítica ao PS, considera as medidas demagógicas e acusa o Governo de «ataque ao Parlamento e aos políticos».

Afinal quem defende a manutenção dos privilégios?

Carlos Esperança

E a Galiza aqui tão perto



1 - É de assinalar a expressiva progressão do Partido Socialista da Galiza que passou de 17 para 25 deputados.


2 - As manifestações de rua, organizadas em Madrid, e a contestação contra as medidas progressistas em relação ao direito de família não prejudicaram os socialistas.


3 - O primeiro-ministro José Luís Zapatero ganhou todas as batalhas contra Aznar de quem Mariano Rajoy, seu sucessor, não consegue livrar-se.


4 - A imagem autoritária e excessivamente de direita de Aznar continuará a criar desconfiança no PP.


5 - A primeira vez que os socialistas chegam ao poder na Galiza é motivo de esperança para todos os que querem enterrar definitivamente a tenebrosa herança franquista.


Carlos Esperança

terça-feira, junho 28, 2005

Miguel Almeida e o caso Freeport

Se um deputado se esconde na Assembleia da República para se furtar ao julgamento de um crime comum é um caso de cobardia e uma fraude às instituições democráticas.

A imunidade parlamentar é um direito que protege os deputados para legitimamente exercerem o seu direito de crítica política sem risco de represálias. Não serve para refúgio de réus do delito comum.

Foi uma vergonha da última legislatura o refúgio do então deputado Cruz e Silva, acusado de peculato e outros crimes, para se furtar ao julgamento no tribunal de Águeda.

O mesmo se pode dizer de António (?) Preto, presidente da distrital do PSD de Lisboa, acusado de cumplicidade num processo de cartas de condução falsas, em Tábua.

Agora é o cidadão Miguel de Almeida que, após a acusação de uma grave urdidura contra o actual primeiro-ministro, a fim de o prejudicar eleitoralmente, se refugia na Assembleia da República em vez de provar a sua inocência como faria uma pessoa de bem.

Que respeito merece um partido que acoita um arguido de um crime eticamente grave, de conspiração contra a democracia, acoitando-o na Assembleia da República?

É este PSD que pretende ser alternativa ao PS?

P.S. Paulo Pedroso pediu a suspensão do mandato para se entregar à prisão. Que diferença ética, que abismo separa dois cidadãos, ambos a contas com a justiça, ambos inocentes até trânsito em julgado da respectiva sentença!

Apostila - Miguel Almeida foi chefe de gabinete de Santana Lopes, numa parte da curta e infeliz passagem de PSL pelo Governo.

Alternativa Energética

França vai acolher primeiro reactor experimental de fusão nuclear–Público 28/06/2005

É essencial que a humanidade comece seriamente a pensar em formas alternativa de produção energética, embora sejam necessários anos de experiências para se chegar à produção comercial de electricidade desta forma, o processo apresenta-se como uma das alternativas mais fiáveis para enfrentar a crise energética resultante do previsível esgotamento das reservas de combustíveis convencionais, como o petróleo, o gás e o carvão .

Com a vantagem de este processo que se baseia na fusão e (não na fissão nuclear como por exemplo as centrais nucleares), ser inofensivo em termos ambientais libertando no processo apenas hélio, um gás inerte e inofensivo, e não resíduos perigosos.

Há muitos anos que existe tecnologia para iniciar processos alternativos de produção de energia, no entanto o “status quo” do lucro fácil associado aos “lobbys” do petróleo e a fraqueza política dos lideres dos países mais ricos e desenvolvidos tem vindo, sucessivamente, a impedir a aparecimento de novas formas, não poluentes de produção energética, não se investindo seriamente por exemplo, na energia Eólica (que de acordo com os últimos estudos pode produzir energia suficiente para garantir 1/5 das necessidades globais).

Espero sinceramente que este projecto, que engloba um conjunto de países e criado sobre a égide do Organismo Internacional de Energia Atómica (OIEA) não se fique pelas boas intenções e contribua de facto para que se encontra uma alternativa aos “ combustíveis fósseis”, desejando, por último, que neste particular também o governo português não se esqueça das condições favoráveis que o país oferece para a utilização, por exemplo, da energia solar e eólica

Águas de Coimbra

Com o logotipo da Empresa e o respectivo nome «Águas de Coimbra», o Diários as Beiras insere hoje, na página 3, no canto inferior direito, o seguinte anúncio:

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CONVITE À POPULAÇÃO

AMEAL E ARZILA

ÁGUA E QUALIDADE DE VIDA EM COIMBRA

O Presidente do Conselho de Administração da AC, Águas de Coimbra, E.M. Horácio Pina Prata, e os serviços técnicos, gostariam de contar com a sua presença na acção de informação sobre «Água e qualidade de Vida da População nas Freguesias de Ameal e Arzila».

Esta acção realiza-se HOJE dia 28 de Junho, terça-feira, pelas 21h30, nas instalações do Grupo de Folclore de Arzila, em Arzila.


O FUTURO ESTÁ A PASSAR POR AQUI.
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Este anúncio, certamente pago pela Empresa Municipal «Águas de Coimbra», é uma descarada acção de propaganda política do PSD, com total falta de respeito pelos consumidores e com omissão do aumento do preço da água.

Felizmente que o Governo PS apresenta, depois de amanhã, uma proposta de lei em que os autarcas não podem somar ao salário mais de «um terço do vencimento base», quando «exercem funções em entidades do sector público empresarial participadas pelo respectivo município».

Era bom que a acção de informação (propaganda) referida no anúncio do Diário as Beiras, desse conta do fim do regabofe a que o Governo se propõe pôr termo.

A Crise.

Ontem na RTP1 discutiu-se, uma vez mais, a desgraça da crise. Daqueles arautos, quantos "comem" à mesa do ESTADO?

Galiza - Vitória da esquerda

A Esquerda acaba de averbar mais uma vitória em Espanha.

Finalmente, à quinta vez, o velho cacique franquista Manuel Fraga perdeu o poder vitalício que pretendia exercer.

Aos 82 anos, enquanto o PP ainda tenta manobras desesperadas, a esquerda galega tem, pela primeira vez, condições para ascender ao poder.

Estas eleições, muito participadas, com um empenhamento eclesiástico superior ao habitual, alimentado pelo ódio à legislação progressista que Zapatero defendeu em Madrid, acabaram por alterar o xadrez político numa das zonas mais conservadoras e de mais forte influência clerical em Espanha.

Assim, após a contagem dos votos da emigração, caiu o eterno presidente Fraga Iribarne e a presidência da Junta da Galiza será confiada ao socialista Emílio Pérez Touriño, grande vencedor, em coligação com o Partido Nacionalista Galego.

A vitória histórica da esquerda abre uma nova página na Galiza.

Carlos Esperança

segunda-feira, junho 27, 2005

Coimbra – Capital mundial do livro

«Já agora, não deixem passar outra situação. Cito (do Causa Nossa) :" Depois do "estardalhaço" que o executivo municipal de Coimbra fez com a candidatura da cidade a Capital Mundial do Livro 2007 (evento promovido pela UNESCO), com lugar a grande destaque na comunicação social, seria bom que agora essa mesma comunicação social divulgasse que Coimbra perdeu para... Bogotá!!!" Diz-se que a candidatura foi feita em cima do joelho, em duas semanas, e que nada tem sido feito a favor do livro. Não acredito ! Afinal, numa dessas sondagens tão faladas, Encarnação (Chaves e Castro ...) é considerado competente por 70% dos inquiridos. O melhor que se fez pelo livro em Coimbra, nos últimos tempos, foi a Bertrand no Dolce Vita ... !!! »


Este comentário de um leitor do Ponte Europa, que assina «Desanimado» é, de facto, pertinente. Refere-se a um texto de uma «bloguista devidamente identificada», que Vital Moreira publicou no «Causa Nossa». Vale a pena ver como o executivo do Dr. Carlos Encarnação se alimenta de casos virtuais e esconde as sucessivas derrotas.

Enquanto o Governo foi o da infeliz coligação PSD/CDS, Carlos Encarnação lá foi arranjando uns malabarismos para manter a esperança dos munícipes. Agora que o Governo é do PS encontrou um bode expiatório que começou a usar no dia seguinte ao das eleições, para explicar os seus próprios fracassos.

Apostila - O Dr. Carlos Encarnação desculpou-se com a alternância de continentes. Talvez se candidate à Câmara de Bogotá, depois do espectáculo mediático em que se envolveu na promoção do evento. Isto não era tarefa para amadores. 28-06-2005

domingo, junho 26, 2005

Um problema de ética

Imagem de origem desconhecida, recebida por e-mail
Carlos Esperança
Apostila - 1 - Esta imagem foi ontem publicada pelo blog politicaehouse

2 - Faça clic na imagem, para aumentá-la.

Eu é que sou... (Crónica)

Ia adiantado em dias o mês de Dezembro desse ano de 1982. O frio, habitual na época, ainda não se tinha feito sentir, mais um sinal demolidor a descaracterizar o Natal que dois mil anos de cristianismo se tinham esforçado por erguer sobre as festas pagãs do solstício de inverno.

Fiéis à tradição e ao apelo ao consumo, que os mais sofisticados meios de propaganda se esforçam por desenvolver, o casal levava já os subsídios de Natal a caminho da exaustão e ainda faltava contemplar com inutilidades e lembranças alguns parentes e amigos devotados.

Regressavam duma pequena incursão por lojas pejadas de pessoas afadigadas em nada deixarem para outras comprarem. Traziam numerosos sacos, dois filhos, outros tantos guarda-chuvas e a preocupação de terem de voltar a percorrer os mesmos sítios, a observar as mesmas inutilidades, a hesitar de novo, para voltarem sempre à livraria habitual em busca dos livros que receavam terem sido já comprados por amigos que elegeram para destinatários.

A mesa da cozinha desaparecera literalmente sob embrulhos coloridos, um molho de chaves, dois sacos de roupa vindos da creche, uma carteira de melhor qualidade que aspecto, guloseimas diversas e vitualhas.

O miúdo dava corda ao carrinho e usava as cordas vocais para conferir mais rotações ao motor imaginado. Ouviam-se os dois, carro e miúdo, no corredor, numa corrida desenfreada e interminável, sem concorrentes nem meta.

A miúda tinha ficado a dar fé do inventário e a seguir todos os gestos, interessada, a percorrer com o olhar todos os objectos, a ouvir com atenção os desabafos e as conversas dos progenitores.

Por entre a chuva miudinha que continuava a fustigar os vidros da janela adivinhava-se a noite cuja escuridão crescia por entre as luzes da cidade. E o jantar ainda por começar e um último balanço por fazer!

Nisto, a miúda interrompeu a conversa dos pais para dizer:
- Mãe, dá-me um chocolate.
- Agora, não.
- Filha da puta, disse resignada a criança perante a estupefacção e o riso reprimido dos pais. Estes, fingindo não ter ouvido, olhavam cúmplices um para o outro e procuravam o pretexto para retomarem a conversa interrompida e cujo fio de todo se perdera por causa da inopinada expressão tão bem pronunciada num desabafo convicto e convincente. Olharam de soslaio a criança que continuava atenta aos gestos dos pais.

A mãe tinha já arrumado o grosso das encomendas, começara a pôr o jantar ao lume e ameaçara com o banho, para daí a pouco, as crianças. A ordem regressara ao apartamento e a paz aguardava que a chama do gás, os temperos e o tempo propiciassem a refeição.

O pai já mergulhara na leitura do jornal. Enquanto a mãe se desdobrava nas numerosas tarefas domésticas e o irmão continuava a acelerar o motor do carrinho de corda, a menina veio de mansinho por detrás da mãe, puxou-lhe suavemente a saia e disse-lhe com ternura e sincero arrependimento:

– Mãe, tu não és filha da puta. Eu é que sou.

sábado, junho 25, 2005

Moçambique – 30 anos de independência

Norte de Moçambique

Trinta anos após a independência de Moçambique, que hoje se comemora, vêm-me à memória os povos do Norte com quem convivi 26 longos e dolorosos meses.

Recordo os que apareciam debilitados, a errarem pelo mato, receosos da FRELIMO e das Forças Armadas Portuguesas. Lembro as aldeias rodeadas de arame farpado para impedir os contactos entre guerrilheiros e as suas famílias. Evoco os olhos tristes das crianças subnutridas vítimas de uma guerra de que eram vítimas.

Regressei há 36 anos e nunca mais esqueci os crimes que se cometeram em nome da civilização cristã e ocidental, o ódio que crescia entre o exército ocupante e as vítimas inocentes de uma guerra que a ditadura portuguesa teimosamente insistiu em prolongar.

É ainda cedo para falar dos horrores que conheci. Talvez seja melhor calá-los. Mas, quando vejo um largo com o nome de «Heróis do Ultramar» ou se homenageiam os que defenderam a pátria, tenho a certeza de que está em marcha um ensaio para branquear os crimes da ditadura salazarista.

Ao povo de Moçambique que suportou a guerra injusta e iníqua, que procura vencer as sequelas do colonialismo, a fome, a doença, o subdesenvolvimento, a pobreza e as rivalidades tribais, desejo neste 30.º aniversário da sua independência um futuro de paz e progresso.

O Niassa será sempre uma dolorosa recordação a lembrar-me a solidariedade que devo ao povo de Moçambique.


Carlos Esperança

sexta-feira, junho 24, 2005

Debate do Clube Agir: EUROPA: E AGORA?

DIVULGAÇÃO DO Debate do Clube Agir: EUROPA: E AGORA?
Com:
Prof. Dr. Barbosa de Melo, Professor de Direito (Moderador)
Prof. Doutor Vital Moreira, Professor de Direito (Palestrante)
Mestre Miguel Gorjão-Henriques, Professor de Direito (Palestrante)
Dr. Fausto Correia, Eurodeputado. (por confirmar)

No dia 11 de Julho, pelas 21.30 na Casa da Cultura.

A EUROPA PRECISA DO EMPENHAMENTO DE TODOS OS CIDADÃOS: PARTICIPE

O futuro energético de Portugal

Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto - CNAAA - Brasil

A enorme dependência energética de Portugal, particularmente de combustíveis fósseis cuja exaustão está por décadas, e os sucessivos aumentos de preço que levaram ontem o barril a transpor o preço de US $60, não pode deixar de interrogar os portugueses sobre as medidas a tomar.

Sei que a energia nuclear é um assunto tabu e uma ideia maldita, que os amigos do ambiente e os politicamente correctos se preparam para crucificar a ideia e os seus proponentes, que os partidos políticos vão falar da energia eólica, dos recursos hídricos, das ondas do mar e da energia solar.

Não duvido da possibilidade de um melhor aproveitamento das energias alternativas, incluindo a solar, o hidrogénio e o gás natural.

Infelizmente, até hoje ainda ninguém me deu uma alternativa que permita manter os níveis de conforto actuais sem hipoteca à dependência do petróleo.

Será chegada a altura de discutir seriamente a energia nuclear, sem anátemas nem recriminações?

Carlos Esperança

quinta-feira, junho 23, 2005

Eufemismos

Perante a unanimidade sobre a necessidade de controlo das contas públicas, todos têm uma receita mas raramente apresentam propostas concretas que permitam ao povo português optar.

«Importa adequar o Estado à capacidade de produzir riqueza» - Lobo Xavier (CDS) – Quadratura do Círculo.

«O problema resolve-se actuando pelo lado da despesa e não pelo lado da receita, como erradamente faz o Governo» - Marques Mendes (PSD) à RTP.

Não seria mais corajoso pedirem o despedimento dos funcionários públicos?

Conspiração santanista?

O último «Expresso», a propósito do «Caso Freeport/Sócrates» titulava na primeira página, em letras garrafais: «PJ segue conspiração santanista».

As suspeitas, avolumaram-se com a constituição, como arguido, de Miguel Almeida, assessor do então primeiro-ministro e líder do PSD.

A possibilidade de instrumentalização de jornalistas, com o objectivo de produzir efeitos políticos em plena campanha eleitoral, envolvem inspectores da PJ e o advogado Bello Dias, ligado ao ex-ministro do PSD Rui Gomes da Silva.

Segundo o «Expresso», os encontros entre jornalistas, inspectores da PJ de Setúbal, o referido Miguel Almeida e o advogado Bello Dias, estão documentadas por escutas e fotografias recolhidas pela PJ.

Hoje, a revista «Visão» volta ao tema e dá-nos uma visão apocalíptica do que pode ter sido uma sinistra urdidura de uma associação de malfeitores, ligada ao PSD.

A ser verdade, o PSD não pode ficar em silêncio perante um dos mais ignóbeis ataques ao regime democrático, através do constrangimento da liberdade dos agentes políticos da oposição.

Quando parece esquecida a canalhice urdida contra Ferro Rodrigues, a República não pode deixar de investigar, até às últimas consequências, as patifarias de que altos quadros do Estado possam ter sido capazes.

quarta-feira, junho 22, 2005

António Damásio



António Damásio, célebre neurologista português, foi hoje distinguido com o Prémio Príncipe das Astúrias de Investigação Científica e Técnica.


O prestigiado médico é professor catedrático de Neurologia e director do departamento de Neurologia da Universidade de Iowa e é o neurologista conhecido por ser um dos pais das teorias sobre o «cérebro emocional».

Ponte Europa congratula-se por mais este prémio a um cientista português com um percurso singular e exemplar comportamento ético e cívico.
Carlos Esperança

terça-feira, junho 21, 2005

Venha o sindicato dos deputados

Não sei se é um exclusivo bizarro de Portugal a existência de estruturas sindicais para titulares de órgãos de soberania nem se a linguagem vigorosa dos sindicalistas assenta bem à serenidade e estabilidade emocional que se espera de quem exerce a função de aplicar a justiça.

Esqueço o juiz da Relação que tentou agredir um jornalista e proferiu palavras plagiadas do léxico de Alberto João Jardim, bem como «o juiz do multibanco» que viria a ser Conselheiro do Tribunal Constitucional, indigitado pelo CDS, e aqueles que, dirigindo a PJ, violaram o segredo de justiça.

Sem perda do respeito e consideração que aos juizes são devidos, repudio a chantagem que o sindicalista Baptista Coelho, da Associação Sindical dos Juizes Portugueses (ASJP) fez ao Governo com a ameaça de greve.

Por sua vez o sindicalista António Cluny alinha pelo mesmo diapasão, com mandato do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) para coordenar as formas de luta contra o Governo «com as que os juizes, advogados e funcionários judiciais venham a desenvolver no mesmo sentido».

Uma democracia só existe com magistrados independentes do poder político, com altíssima preparação técnica e irrepreensível conduta cívica. O prestígio do órgão de soberania que integram exige que sejam bem remunerados e respeitados.

A moral e a justiça recusa-lhes, todavia, privilégios obscenos. E o múnus, formas desajustadas de comportamento.

Não é aceitável que haja estatutos especiais que confiram vencimentos de fim de carreira a quem, por razões de saúde a não possa prosseguir.

Não dignificou a magistratura judicial o desembargador aposentado por motivos do foro psiquiátrico, com a reforma por inteiro, ao regressar à função pública como Director da PSP no Governo PSD/CDS, interinamente chefiado por Santana Lopes.

Não é aceitável que aos magistrados sejam mantidas regalias que os outros titulares dos órgãos de soberania perdem. Não é legítimo que, num período de contenção orçamental e aperto financeiro de funcionários modestos, haja quem mantenha o direito a sinecuras e ameace o regular funcionamento das instituições democráticas a partir do aparelho de Estado.

E se os deputados e os membros do Governo se organizam em sindicatos?

segunda-feira, junho 20, 2005

Exposição ao M.A.I.

Sr. Ministro de Estado e da Administração Interna
Dr. António Costa – Lisboa

Excelência:

Carlos Esperança, residente na Freguesia de Santo António dos Olivais, em Coimbra, eleitor n.º 1675, vem expor e solicitar o seguinte:

1 – Grassa na cidade de Coimbra uma onda de tal santidade que levou o presidente da Câmara, Carlos Encarnação, a baptizar a Ponte Europa com o nome de Rainha Santa Isabel;

2 – Uma procissão católica recente (creio que do Corpo de Deus) contou com a presença e terminou com uma homilia do dito autarca, temendo eu que, de futuro, em vez da gestão do Concelho, que lhe cabe, passe o pio edil a dedicar-se a tarefas religiosas e à salvação da alma;

3 – Nada tenho contra a presença particular nos actos litúrgicos mas vejo a laicidade do Estado ameaçada quando o autarca participa na qualidade das funções que exerce;

4 – Agora, a Junta de Freguesia passou a exibir um imenso painel na ampla parede que dá para a via pública com uma enorme imagem de Santo António e encimada com os seguintes dizeres: «António, cidadão de Coimbra». Ao fundo destacam-se as letras
garrafais de «Junta de Freguesia de Santo António dos Olivais».

Em face do exposto, venho solicitar a V. Excelência, senhor ministro António Costa, o seguinte:

a) Que peça à diocese de Coimbra para colocar numa das paredes da Igreja de Santo António, sita no lado oposto do largo que a separa da Junta de Freguesia, um painel de dimensões equivalentes onde se leia: «Afonso Costa, Lente da Universidade de Coimbra», com a foto de igual tamanho à do santo.

b) Na impossibilidade de se prestar homenagem ao antigo primeiro-ministro nas paredes da Igreja, que seja mandado retirar o painel do Santo, da Junta de Freguesia, para evitar a promiscuidade entre a autarquia e a sacristia.

Certo de que o País não deve menos ao estadista do que ao Santo, confio no ministério da Administração Interna para exigir o respeito pela laicidade do Estado e preservar o pudor republicano.

Apresento-lhe respeitosos cumprimentos e saudações laicas e republicanas.

Quinta-feira, Junho 16, 2005

Carlos Esperança

domingo, junho 19, 2005

Tony Blair: O Novo Líder Europeu

Tony Blair: O Novo Líder Europeu

Quem se lembra dos anos 80 e 90 com uma tripla forte e progressista Miterrand-Köhl-Dellors, só pode sorrir ao lembrar-se do que já cheira a passado: a dupla Schröder-Chirac. Honra seja feira a Schröder que com Blair e Prodi conseguiram o alargamento à Europa central. Uma justiça histórica e um passo de gigante para um Continente mais harmonioso.

Estas últimas semanas vieram mostrar que a França desapareceu do palco político europeu e mundial: é um jogador ao nível de uma Itália ou de uma Espanha. Não mais.

Chirac perdeu em casa para a xenofobia, o medo e o folclore – palavras que já aqui usei e que sempre repetirei. Agora perdeu em Bruxelas por ir defender exactamente o mesmo folclore, o mesmo medo e a mesma xenofobia.

O folclore de uma PAC de proprietários ricos, de consumidores usurpados e de um orçamento medieval. Quem imagina que um Estado moderno gaste 40% na Agricultura!!! Porque há-de ser diferente na UE?!

O medo do mercado global, da China, da Índia, dos outros tigres asiáticos e do Brasil onde dezenas de milhões de pessoas foram tiradas da miséria nos últimos 10 anos e onde centenas de milhões de seres humanos são educados e têm vontade de construir uma sociedade mais desenvolvida e de deixar uma herança melhor aos seus filhos. Ou ainda não sabem que a Índia “produz” mais engenheiros que os Estados Unidos?!

Xenofobia porque no fundo parece estar implícito nas mentes de muitos que a Europa ‑ a pequena Europa, a dos 15, onde Portugal e a Grécia entram porque têm uma História respeitável e até veneram a cruz do Senhor – tem o direito natural a ser rica, a dominar política, económica e culturalmente o mundo. Pois se é assim desde Vasco da Gama e Cristóvão Colombo!? Sim, mas a História é essa espiral com asas de vento, que voa rápido e muda de direcções…

Tony Blair compreendeu a nova ordem mundial e está a desenhá-la de feição aos interesses da hegemonia cultural anglo-saxónica. É um bom Primeiro-Ministro do Reino Unido. Resta saber se será um bom líder da Europa.

Os derrotados de Bruxelas tentaram denegrir a sua imagem. Mas a imprensa mais atenta compreendeu que mais vale um não-acordo que um mau acordo.

O próprio “Le Monde” explica aos seus leitores franceses que Chirac anda a vender o impossível: uma PAC obsoleta. Um não-investimento na Nova Economia; numa palavra um não cumprimento da Estratégia de Lisboa, que a Presidência Portuguesa de Guterees tão bem preparou! Mais a mais, o próprio “Le Monde”, com algum cinismo e humor explica a quem votou Não no referendo de Maio: “Le seul plan B qui existe n’est pas celui qu’annonçaient les défenseurs du non de gauche. C’est bien de plan Blair” – que apelida de “social-libéral”.

Blair tem agora uma responsabilidade histórica. Depois de ter conseguido o perdão da dívida dos países mais pobres do mundo, será um líder europeu – da Europa da solidariedade, do desenvolvimento sustentado, da cooperação com os outros povo – se conseguir impor regras de justiça no comércio agrícola. Essa guerra terá que a travar com os franceses, mas também com os seus amigos americanos.

Por outro lado, terá a possibilidade de conseguir um orçamento típico do século XXI. Em que o público apoia as Universidades, a Investigação, a Ciência e Tecnologia. Em que a UE cumpra a “Agenda de Lisboa”! Que mantenha a UE como um espaço de desenvolvimento e de cultura, um pólo mundial de progresso humano.

O Estado social europeu não pode viver no proteccionismo nem no imobilismo. O socialismo democrático exige uma visão progressista, com optimismo global, para enfrentar as questões do ambiente, do são convívio entre os povos e culturas, da imigração e da cultura.

Isso passa por uma Europa alargada, que abra um horizonte de esperança à Turquia e à Ucrânia! E por uma Europa de coesão regional, de coesão social, com Estados que prestem serviços públicos eficientes e por uma Europa mais democrática, em que o princípio da subsidiariedade seja respeitado. Esse princípio que é um dos pilares, a par com a Carta dos Direitos Fundamentais da Constituição Europeia.

Blair tem agora os dados na mão.

André Pereira

Concordamos

"Fios eléctricos cortados e descarnados, lâmpadas que desapareceram, dois projectores de alta voltagem furtados. Actos de vandalismo e perigos à espreita de quem utiliza a passagem pedonal da Ponte Rainha Santa, que foi encerrada."

Assim sendo e com os maus ventos no velho continente, que tal rebaptizá-la de Ponte Europa?

Retirado do Porta Aviões

Curiosidade

O Campeão das Províncias costuma ser o jornal do distrito que mais acompanha o que se vai fazendo nos blogs cá do burgo.
É pois com alguma surpresa que não o vimos citar nas "vinagretas" nenhum artigo publicado no politicaehouse.
A leitura do blog não lhes trazia nada de novo?
Bem que o post sobre Fausto e Campos alimentaria umas boas vinagretas, principalmente quando se sabe de onde vem a informação ao bloguista.

Pensem nisso

Uma sondagem ontem publicada no semanário "Expresso" dava a Rio uma vantagem de sete pontos sobre Francisco Assis, o candidato socialista á autarquia do Porto. Este estudo não teria qualquer relevância para além daquela que se deve dar a 4 meses das eleições não fora o facto de Assis ser o líder da federação do Porto do PS. E a importância aqui resulta do facto do líder da federação socialista de Coimbra ter sondagens que o dão a 1 e a 4 pontos do actual presidente da cãmara de Coimbra, Carlos Encarnção.
Bem sabemos que no Porto, como em Coimbra, enquanto os candidatos não unirem ( ou satisfizerem? ) os seus opositores internos haverá sempre uma mensagem derrotista no ar. Mas Vitor Baptista estar a 4 pontos de Encarnação, quando este concorre em coligação e se encontra em primeiro mandato, depois de ter juntado mais de 2000 pessoas num jantar realizado longe do fervor da campanha eleitoral ( já descontamos 300 ou 400 pessoas ) só pode ser lido como um sinal de preocupação para a coligação psd/pp.
E também para alguns que internamente teimam em "queimar" o candidato socialista, como aliás vão fazendo com tudo o que mexe.

Praia da Caparica (Crónica)

A vida é difícil em Lisboa na década de sessenta do século que foi. Sofrem-se os dias no inferno do trânsito, na bicha para o bitoque e na desenfreada tentativa de despachar as crianças a tempo de chegar ao emprego antes do patrão. Acumulam-se tensões, teme-se a doença, remói-se a angústia das prestações por pagar, da televisão, do frigorífico e do carro e vive-se o medo da guerra que nunca mais acaba.

À segunda já se deseja a tarde de sábado e, então, teme-se o princípio da semana que virá. No inverno maldiz-se a chuva, no verão impreca-se o calor.

No Verão o destino provável da fuga à canícula que apoquenta a grande urbe é o mar. Aos fins de semana a Caparica é Lisboa em fato de banho que se vai reduzindo a caminho da Fonte da Telha ou dele se liberta, de todo, já no Meco.
Procura-se à chegada o espaço que se reservava com a manta rodeada de toalhas a marcar o terreno da tribo e a confiscar o espaço do bando familiar. Guardam-se vitualhas à sombra de um guarda-sol que evita o ranço aos fritos que jazem nas marmitas e a ebulição do tinto que aguarda no garrafão.

Os garotos divertem-se a jogar à bola, chapinham na água ou modelam com areia molhada sonhos esculpidos no intervalo dos tabefes, conquistados por cortarem conversas, reclamarem gelados ou pedirem um chichi.
Ao longe, açapado nas dunas, há quem expila líquidos ingeridos em excesso, quem alivie sólidos urgentes que as salmonelas fluidificam, enquanto outros, aos pares, aliviam a roupa e os preconceitos, compram entusiasmos e pecados, vivem sonhos e fabricam pesadelos ou, tão só, franqueiam a janela da oportunidade acidental enquanto esquecem a guerra que os espera ou os traumas que trouxeram.

Há sempre jovens que têm como destino um corpo para viajar e um par para amar. Saboreiam a boca, os olhos e o mais que aparece, em busca da anatomia do prazer. Detêm-se nas orelhas, esquecem a língua no calor da boca alheia. Partem dali em sôfrega correria de beijos húmidos e ásperos afagos, navegando um oceano de pele que ora eriça ora se acalma, caminhos sinuosos à espera do semeador que a cada gesto recebe o troco, em cada investida colhe frutos. Percorrem-se devagar, das colinas até ao mar, avançam e recuam, sem cuidar se os caminhos se repetem ou vão dar a sítios já navegados, se as ondas que sulcam são as mesmas onde já mergulharam. Partem lentamente sem querer chegar, chegam depressa e querem voltar. E há o cheiro, fragrância discreta que inebria, o sabor que prende e vicia e o sorriso que desconcerta. Nem se dão conta de que a claridade é a roupagem a que se reduzem e o vento a sua única protecção. Nem sequer ouvem aquela voz que sussurra, que pouca vergonha, a fingir indignação onde transparece alguma inveja.

Por toda a parte assam corpos com quilos a mais e protector solar a menos. Aqui e ali derruba-se a ditadura que envelhece e cochicha-se sobre as mortes da guerra colonial. Exulta-se com os últimos escândalos da política e os primeiros de certas figuras públicas. Os ódios clubistas e as rivalidades de bairro sobem de tom e avivam, na face, a cor das queimaduras solares.

Os velhos agarram os raios de sol com que apaziguam o reumatismo e as moléstias da coluna, sorvem na concha da mão a água salgada com que anseiam aliviar a asma e o catarro e coçam na areia a micose que todos os estios recidiva.

Os novos fruem a vida serenamente – belos genomas com todos os genes possíveis ao sol, quase sempre bem distribuídos, agradáveis à vista e certamente ao tacto, quiçá ao paladar, rolando aos pares na areia das dunas em sôfregos beijos com sabor a sal e desejos iodados à espera.

A água acolhe os corpos abrasados, liberta-os das areias, percorre-lhes a geografia, afeiçoa-se à geometria que varia ao sabor dos movimentos. Quando os últimos raios de sol espreitam e acariciam os corpos lânguidos vêm abendiçoá-los depois das últimas abluções rituais que a liturgia dos dias cálidos impõe nos fins de tarde.

Foi há tantos anos. Podia ser agora.

sábado, junho 18, 2005

Autárquicas.

Sabem qual a opinião do anterior Governador Civil de Leiria, Professor da Universidade [cujo filho é um destacado líder da JS], ao tempo do Eng. Guterres [na altura colega do Dr. Vítor Batista], para as próximas eleições autárquicas?

Depois não digam que "viro a casaca".

A qualidade de militante não deve cegar nem tolher a capacidade de "problematizar" no melhor estilo de Voltaire.

Capital Humano.

O PS não aproveita nem fomenta a carreira de quadros oriundos da sua área ideológica. Pelo contrário, o PSD tem quadros, e esses, assim que terminam funções governativas, encontram funções privadas onde essa mais valia é útil.
Está de parabéns uma pessoa jurídica associativa de Coimbra.

sexta-feira, junho 17, 2005

Quem reclama?

«O PSD acusou o Governo de ter iniciado o mais populista e violento ataque à actividade política desde o 25 de Abril. Em causa está o fim das subvenções vitalícias dos deputados e não só» - lê-se na TSF.

A comunicação social dizia que eram os deputados do PS que não aceitavam a decisão governamental.

Não me pronuncio sobre a bondade da medida mas, perante, a dureza dos sacrifícios que estão a ser pedidos aos portugueses, o Governo não pode deixar de dar um sinal de que os sacrifícios são para todos.

Nota: Isto não invalida que os ataques aos políticos sejam a arma dos que odeiam a democracia e se julgam eticamente superiores a quem presta serviço público.

O que se passa nos H. U. C.?

A notícia do Diário de Coimbra, de hoje, é mais inquietante nas omissões do que nas afirmações.

Coimbra – sabem-no os leigos –, tornou-se um centro de excelência em transplantes. Linhares Furtado é uma referência que o limite de idade afastou quando os outros cirurgiões lhe reconhecem ainda uma qualidade e uma capacidade ímpares.

Poderia continuar ou é de todo impossível? Há interesses ocultos que o afastaram?

Que se passará com os transplantes hepáticos onde, caso único no mundo, se aproveitam fígados transplantados dos doentes com paramiloidose? Que futuro terão os transplantes em pediatria, que só Coimbra faz, depois do que se lê no Diário de Coimbra?

Enquanto a Câmara Municipal só se preocupa em atacar a oposição, Coimbra corre o risco de perder o saber acumulado de uma plêiade de médicos que Linhares Furtado preparou e deixou em condições de prosseguirem o seu trabalho.

Quem deve ser responsabilizado por delapidar o legado de Linhares Furtado e pôr em risco a continuidade da referida Unidade de Transplantes?

Dr.a Manuela Leite e o pudor

Falta o pudor e a honestidade poítica a esta Senhora.
Afirmou ontem, com o desplante que já lhe conhecíamos, que as medidas do governo só aumentam a receita, não afectando a despesa....
Mais vociferou que a utilização feita do relatório do Banco de Portugal sobre o défice descredibiliza o esforço e discurso de exigência: os sacrifícios de 3 anos. Assim, "as pessoas vão concluir que não vale a pena fazer sacrifícios, já que no fim fica tudo ainda pior!" (Pois ficou!) E consegue completar o seu raciocínio afirmando que o défice apresentado é ilógico!
Repudio em absoluto a conduta política da ex-Ministra das Finanças. Sem humildade para assumir o fracasso. Mantendo uma arrogância desmesurada. Sem pudor!
É mais um episódio a acrescentar a tantos no curriculum da já famosa "Minsitra da Recessão" (1993-1995 e 2002-2004).

Professor Corino de Andrade faleceu

«O professor Corino de Andrade, um dos mais destacados neurologistas nacionais, responsável pela descoberta da paramiloidose, mais conhecida por "doença dos pezinhos", morreu esta quinta-feira, aos 99 anos de idade» - informa a TSF.

Este mês de Junho leva-nos grandes referências da política, da cultura e da ciência.
Poucos tiveram o privilégio de viver tanto, mas Corino de Andrade foi dos portugueses que mais prestigiou a ciência e mais longe levou o nome de Portugal.

Mesmo aos 99 anos é uma grande perda, uma referência científica que se apaga e um democrata que se perde. A participação cívica na luta contra a ditadura caminhou a par da investigação neurológica onde se distinguiu.

quinta-feira, junho 16, 2005

Portugal - o regresso do Inferno

Para avaliação do ex-ministro da Defesa, transcrevo um artigo do prestigiado coronel J. B. Barroca Monteiro, que apreciou criticamente os desvarios decisórios de Paulo Portas.

«Portugal continua a arder - Porque arde Portugal? ... Após o terrível ano de 2003 em que o país viu arder metade da sua floresta e queimar um dos seus maiores recursos naturais, não se pode dizer que a segurança nacional tenha sido efectivamente acautelada.

Quanto aos condicionalismos do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, imagine-se quantos destacamentos, que equipamentos, não poderiam estar assegurados com uma pequena parcela das dezenas de milhões de contos de uma 2º esquadra de F-16 perfeitamente inútil, ou de um desnecessário terço que se vai gastar com 300 viaturas blindadas, algo como 25 (vinte e cinco) milhões de contos! Verbas na Lei de Programação Militar deste Governo, para equipamentos nos anos 2003 e 2004: 357,2 milhões de euros (71,6 milhões de contos). Com a devida parcela de desperdício, obviamente.

PS - Culpa deste MD? Quanto aos políticos, que tão criticados são nas salas de oficiais e mesmo entre os generais, ou em cartas abertas, a cada um as suas responsabilidades. Que em última instância, são efectivamente do Governo - PM e MDN.

Obs: de artigo enviado ao Jornal de Fundão, zona de início dos incêndios (Jan04 - não publicado). JB Barroca Monteiro Lisboa, 9 Jun 05.»

quarta-feira, junho 15, 2005

António Guterres

Guterres
António Guterres é o novo Alto Comissário da ONU para os Refugiados.

O ex-primeiro ministro português, nomeado em 24 de Maio, será, a partir de hoje, responsável por milhões de desalojados em todo o mundo.

Nunca tantos precisaram tanto de alguém. Dificilmente outrem teria melhor perfil ou maior qualificação para o desempenho de tão exigente cargo.

António Guterres, com enorme sentido de Estado e notável espírito humanista, é o homem certo para dirigir a principal agência humanitária do mundo, capaz de levar alívio a cerca de vinte milhões de pessoas, em mais de uma centena de países.

O novo Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados tem competência, abnegação e vontade para exercer as funções. Assim disponha dos meios.

Felicidades, António Guterres. Democrata. Socialista. Português.

Carlos Esperança

O verniz começa a estalar: crise no Clube dos Ricos

Duas vitórias da xenofobia, do medo e do folclore em dois dos países mais ricos do mundo e o verniz começa a estalar.
Vejam esta notícia do Público:
Blair fala de "desacordo profundo" com Chirac sobre orçamento europeu
http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1225825&idCanal=11

Destaco esta frase:
“Chirac reclama uma revisão do desconto no orçamento da UE de que o Reino Unido beneficia, tendo Blair contra-atacado com a exigência de revisão da Política Agrícola Comum, recusada por França.”

Pois é: o Reino Unido goza do privilégio do “cheque-reembolso”, a França goza de uma PAC que enche os seus proprietários de subvenções, e depois fala em defesa de África e do Terceiro Mundo contra o imperialismo americano!

Meus senhores: duas ideias:
1. Os “países da coesão” (entre os quais Portugal) não são os que mais lucram deste orçamento comunitário, ao contrário do que a propaganda dos nossos amigos ricos repetidamente propaga.
2. Fim (gradual) desta PAC! Em nome dos interesses dos consumidores europeus e dos produtores e trabalhadores sul-americanos e africanos!

N.B: Só com uma Europa com instituições mais fortes e mais democráticas se pode mudar as políticas na Europa e no Mundo. A Constituição Europeia em debate é o passo certo para um mundo melhor!

André Pereira

Álvaro Cunhal

Álvaro Cunhal era um homem de inteligência e cultura. Um artista dotado. Um político tenaz e persistente. Liderou o único movimento organizado de luta contra o fascismo em Portugal durante décadas. Preso, torturado, exilado, regressou à sua Pátria após a revolução dos cravos. Adoptou a estratégia de Lenine: após a revolução burguesa, seguir-se-ia o "putsch" da vanguarda, da "ditadura do proletariado", para libertar os oprimidos e implantar uma "verdadeira democracia". Felizmente falhou! Graças a Mário Soares, aos nossos amigos europeus e americanos e a grande parte das Forças Armadas! Felizmente falhou o projecto político de Álvaro Cunhal. Honra lhe seja feita: desde 1976 tem jogado as regras da democracia liberal, lutando pela protecção dos direitos dos trabalhadores e adoptando frequentemente posições progressistas.
Respeitemos a memória de um homem que marca o século XX em Portugal. Ele é o símbolo da resistência contra o fascismo e da utopia soviética não concretizada.
Foi um homem do seu tempo, mas isso não justifica a teimosia, a persistência no erro de julgamento político e ideológico: aquilo a que tantos – sobretudo à Direita! – apelidam de “coerência”.
A “coerência” não é um valor que deva ser enaltecido quando ela revela um persistente erro: Fidel Castro é coerente; Pinochet é coerente; mesmo Hitler e Stalin foram coerentes: isso não faz deles políticos ou líderes admiráveis. Antes pelo contrário…

André Pereira

Nomeações governamentais

«O primeiro-ministro português considera que as nomeações feitas até ao momento pelo seu Executivo são naturais, de confiança política e dentro do previsto na lei. Segundo o Jornal de Negócios, o Governo de Sócrates já fez 1094 nomeações, contra as 1034 feitas pelo governo anterior»- lê-se na TSF.

Aqui está uma comparação ingénua ou tendenciosa. Como assinalou Vital Moreira no «Causa Nossa»: «O governo de Santana Lopes era dos mesmos partidos do governo precedente (Durão Barroso), sendo vários membros do Governo os mesmos. Por isso nem estes precisaram de nomear novos gabinetes, nem o Governo teve de substituir a maior parte dos cargos de confiança política, como governadores civis, directores-gerais, dirigentes de institutos públicos, directores de serviços regionais do Estado, etc. As duas situações não são portanto comparáveis. Comparação relevante seria com o Governo de Durão Barroso».

O fogo a que o Governo está a ser submetido vem de vários quadrantes mas revela o desespero de quem vê ameaçados os privilégios sem ter uma alternativa a propor para manter sustentáveis o sistema de reformas e os encargos sociais do Estado.

Suspeito é o silêncio dos militantes do PS em questões que o honram e a falta de solidariedade para com o seu Governo.

Luto Nacional

Sei que cabe ao Governo fazer a proposta e ao Presidente da República aprová-la ou não.

É pena que não haja critérios estabelecidos. Sinto que o esquecimento foi injusto para Maria de Lurdes Pintasilgo e Vasco Gonçalves, discutível a lembrança para Amália Rodrigues e um abuso para a freira carmelita – Irmã Lúcia.

Neste último caso o decreto governamental de Santana Lopes chegou ao ponto de confirmar a veracidade das visões. Melhor fora que tivesse previsto a dimensão do défice.

terça-feira, junho 14, 2005

O Portugal pacífico e de bons costumes...

O "arrastão" como forma de actuar dos marginais chegou a Portugal.
Pelas televisões internacionais tal facto não passou despercebido.
O MAI disse que tal ocorrência foi imprevisível.
Então para que existe o SIS?
Porque existe um blog que ostensivamente ofende os nossos valores constitucionais e anuncia as acções que vimos acontecer?
Em:
http://www.irmandadenegra.blogspot.com

Apertar o cinto

Tenho dúvidas de que Sócrates consiga levar até ao fim a campanha de moralização que se propôs contra injustificadas acumulações de vencimentos e pensões. Há enorme resistência do próprio PS onde a sofreguidão de lugares supera a firmeza de convicções.

No entanto, mal seria que os sacrifícios atingissem apenas os do costume e que as disparidades de remunerações na função pública continuassem a acentuar-se. O País ficou a saber que sub-repticiamente se criaram vencimentos milionários, regalias obscenas e sinecuras vergonhosas.

Nos corpos especiais da função pública até cabem os funcionários dos matadouros das Regiões Autónomas. Conviria saber quem foi responsável.

Terminar com a iniquidade é uma atitude de esquerda e um acto de higiene política. Aguardemos, pois, o desenrolar dos acontecimentos e o comportamento dos que se dizem socialistas quando já todos interiorizámos que não pode continuar o regabofe.

Posto isto, há alguns comentários a fazer:

– A campanha contra o ministro das Finanças é vergonhosa. É injusta a reforma milionária que seis anos de Banco de Portugal podem conferir. É inaceitável que não haja um tecto às acumulações do Estado de tal modo que, em nenhuma circunstância, possam ultrapassar o vencimento do P.R.. A denúncia da situação é legítima mas corre o risco de servir apenas para desacreditar a moralização que se impõe e de constranger o ministro que pretende pôr-lhes cobro.

– A menção ao Presidente da República é pusilânime. Uma reforma particular, a expensas próprias, da Caixa de Previdência dos Advogados e Solicitadores, nada tem a ver com dinheiro do Estado. É semelhante ao PPR feito numa companhia de seguros ou a rendimentos prediais, por exemplo. A alusão ao PR é o patamar normal da canalhice.

– As referências depreciativas ao Banco de Portugal e ao seu Governador, por quem conhece o funcionamento dos bancos centrais, revela uma tentativa de subversão das instituições do Estado e uma forma velhaca de lançar o descrédito sobre uma das mais prestigiadas.

– O recente artigo de Bagão Félix, no Público, procurou abafar o seu desastroso Orçamento ridicularizando as previsões até às centésimas do Banco de Portugal (6,83%), quando o Governo que integrou corrigiu, em Setembro em 2003, a previsão anterior do défice até às milésimas, para 2,944%.

– No entanto, Bagão Félix teve o mérito de, indirectamente, confirmar que enganou a Assembleia da República sobre as contas públicas, atitude que noutros países levaria à demissão e à desonra do sofrível cidadão e medíocre governante.

O actual Governo, ao tentar pôr ordem nas contas públicas, vai criar situações difíceis a muitos portugueses que legitimamente têm direito a revoltar-se, mas faz justiça e acaba com privilégios a outros que podem e devem suportá-los.

Carlos Esperança

segunda-feira, junho 13, 2005

Eugénio de Andrade

(Foto do Público de 18-03-90)

Poema XVIII
Impetuoso, o teu corpo é como um rio
onde o meu se perde.
Se escuto, só oiço o teu rumor.
De mim, nem o sinal mais breve.

Imagem dos gestos que tracei,
irrompe puro e completo.
Por isso, rio foi o nome que lhe dei.
E nele o céu fica mais perto.

Eugénio de Andrade


Faleceu hoje, aos 82 anos, um dos grandes poetas da língua portuguesa que viveu em Coimbra e a cuja memória se manteve sempre fiel.
Carlos Esperança

Faleceu Álvaro Cunhal

O maior dos líderes históricos da democracia portuguesa faleceu hoje. O 25 de Abril fez emergir uma plêiade de políticos onde, no campo partidário, se destacaram quatro grandes personalidades: Álvaro Cunhal, Mário Soares, Sá Carneiro e Freitas do Amaral.

Cunhal era já um vulto do comunismo internacional quando a ditadura, que tão corajosa e coerentemente combateu, foi derrubada pelos capitães de Abril.

Preso, torturado, exilado e caluniado, Álvaro Cunhal foi um intelectual destacado e um dos espíritos mais brilhantes do século que passou. Destacado escritor neo-realista, exímio desenhista e pintor, crítico literário e de arte, foi um político de uma dimensão ímpar e de uma obstinada coerência.

Faleceu aos 91 anos o mais carismático líder do PCP e um dos mais respeitados comunistas de sempre.

Dos quatro vultos de há 30 anos, Mário Soares foi o maior do Portugal que somos. Álvaro Cunhal foi um dos maiores do Mundo que deixou de ser.

Carlos Esperança

domingo, junho 12, 2005

O S. Roque (Crónica)

Ficou-me de criança a impressão de que a ermida do S. Roque, na margem esquerda do Côa, estava alcandorada num monte enorme e que ao sacrifício da subida se deveria a recompensa dos milagres.

Hoje, ao passar no IP 5, sobre a ponte rodoviária, surpreende-me lá em baixo uma capela exígua abandonada num pequeno cabeço, com a vegetação a apropriar-se da área da devoção e dos negócios. Onde está um chaparro negociava burros um cigano, onde a Lurdes começava às dez a aviar copos de meio quartilho, para terminar às 3 da tarde com o pipo e a paciência devastados, medram giestas e tojos e o abandono tomou conta do espaço onde estava sediada a feira e se realizava a festa.

Onde os solípedes e as pessoas alcançavam não sobem ainda os automóveis.

Eu gostei, ainda gosto, de romarias. Mesmo com milagres cada vez mais raros, a acontecerem na razão inversa dos louvores, encontramos sempre caras que atraem afectos e nos devolvem memórias. Às vezes não são quem pensámos, os anos passam, são filhos, mas vale a pena, falam-nos do que nós sabíamos, são da terra que julgámos.

Há mais de cinquenta anos o Rasga foi ao S. Roque com a mulher, ela cheia de fé, ele com muita sede, como sempre, até a cirrose o consumir. A feira e a romaria partilhavam a data e o espaço. Não sei das promessas dela, as mulheres lá tinham contratos com os santos, não era costume explicitá-los, ele tinha as mãos cheias de cravos, coisa de rapaz, julgava que era feitio. A mulher dissera-lhe que havia de ir ao S. Roque, o Maravilhas curou-se, o Ti Velho também, pelas outras aldeias ia a mesma devoção, os resultados eram de monta. O Rasga até tinha pensado no ferrador, não para ferrar o macho, ele queimava os cravos, mas eram grandes as dores, ficavam as mãos com marcas piores que a cara do Medo com as bexigas, e a febre, às vezes, levava a gente. Já se acostumara, não valia a pena ralar-se, o pior era a mulher a azucrinar-lhe os ouvidos, tens de ir ao S. Roque, se trabalhasses em vez de beberes havias de ver o incómodo, eu faço-te companhia, és um herege, uma oração, uma pequena esmola, dois cruzados, um quartinho no máximo, o S. Roque não é interesseiro, vens de lá bom, levas a burra que já mal pega em erva, enjeita os nabos, não temos feno, há-de morrer-nos em casa, além do prejuízo vais ser tu a enterrá-la, podias vendê-la.

E lá foram os três, que a burra também contava, partiram quando a Lurdes e a Purificação já levavam uma légua de avanço, tinham bestas lestas e levantavam-se cedo, era mister que se antecipassem aos homens que quando chegavam logo queriam matar o bicho e os negócios não podiam fazer-se sem haver onde pagar o alboroque.

O Rasga, mal chegou, pediu três notas pela burra a um da Parada que lhe ofereceu duas, a mulher do da Parada ainda o puxou, homem para que queres a burra, o rachador do Monte meteu-se logo, isto não é assunto de mulheres, tinham que fazer negócio, tem que tirar alguma coisa, não tiro, dou-lhe mais uma nota de vinte, tiro-lhe essa nota, nem mais um tostão, e o do Monte a dizer racha-se, vários a apoiar, fica por duas notas e meia, o rachador a agarrar-lhes as mãos, estranha união, e a fazer com a sua um corte simbólico, deram as mãos estava feito o negócio, um tirou cinquenta o outro deu mais cinquenta, consumada a liturgia logo assomou meia nota de sinal, faltavam duas que apareceriam quando lhe entregasse o rabeiro, vai uma rodada, paga o vendedor que recebeu o dinheiro, primeiro um copo para o comprador, o rachador a seguir, depois para todas as testemunhas, outra rodada paga o comprador, outra ainda, esta pago eu, diz um da Cerdeira, não quero mais diz o de Pailobo, morra quem se negue, praguejou um da Mesquitela, olha vem ali o Proença da Malta, grande negociante, como está, disseram todos, uma rodada, pago eu, diz o Proença, mas a minha primeiro, exigiu o da Cerdeira com agrado geral, e ali ficaram a seguir os negócios, os foguetes e a festa, e a tirar o chapéu e a agradecer ao Proença quando este foi dar a volta pelo sítio do gado onde já se encontrava o Serafim dos Gagos a disputar-lhe o vivo e a pôr a fasquia aos preços.

Findas a feira e a festa, esta terminou primeiro, um dos padres ainda tinha de levar o viático a um moribundo de Pínzio, o Rasga e a mulher vinham consolados, ela com a missa e a procissão, ele com duas notas e meia no bolso e o buxo cheio de vinho, ela a pensar na vida e ele a cambalear.

Algum tempo depois perguntei ao Rasga o que era feito dos cravos. Ficaram no S. Roque, menino, ficaram no S. Roque.

sábado, junho 11, 2005

Vasco Gonçalves

Não há divergências ideológicas que ofusquem a figura do revolucionário, patriota e homem de bem que foi Vasco Gonçalves.

Ícone maior da Revolução de Abril, com o seu desaparecimento Portugal perde uma referência de quem suscitou os ódios mais inclementes, as calúnias mais torpes e os afectos mais profundos.

A morte de Vasco Gonçalves, ocorrida hoje, deixa uma amarga saudade de quem foi um actor privilegiado das mudanças profundas ocorridas no Portugal de Abril.

Até sempre, companheiro Vasco.

Carlos Esperança

Ao Luís Almeida Henriques:

Não, não me esqueci de ti, querido amigo. Ontem estava longe de Coimbra. E recordei-te. Fez três anos que nos deixaste. Muitos recordam o médico, o democrata, o socialista e o homem de bem. Os que te conheceram hão-de recordar-te sempre. Não sei se o PS, em Viseu, se lembrou de ti.

Deixo aqui as palavras que te dediquei há três anos - a oração fúnebre que precedeu a tua descida à cova.


Luís:

Só as lágrimas amaciam esta revolta que sentimos. A tua ausência é chumbo derretido na ferida da saudade que abriste com o gume do teu enorme afecto.

A tua partida, Amigo, obriga-nos a uma dolorosa viagem à memória. E como pode ser tão sofrida essa viagem onde tropeçamos na esperança que transmitias, na alegria contagiante, na ternura com que nos envolvias!

Tu eras o rio impetuoso que não suportava as margens. Eras a voz irreverente de quem não se conforma com as injustiças, de quem acredita no homem e na sua capacidade de transformar o mundo. Foste voz de Abril antes da liberdade conquistada, para seres a consciência crítica dos que tão depressa se acomodaram. Sonhaste cravos antes de florirem. Não deixaste de os regar quando lhes quiseram roubar o viço ou desejaram vê-los murchar.

E nunca, mas nunca, foste neutral. Marginal, muitas vezes. Rebelde, sempre. Havia em ti um gosto irreprimível pela liberdade, tão intenso como o prazer da transgressão. E é nesse exemplo cuja memória guardamos que havemos de rever-nos nos dias que ainda tivermos, no tempo que ainda formos, nos tempos que nos desafiam a lutar pelos ideais que sempre foram teus e que serão sempre nossos.

Se há um paradigma de livre-pensador conseguiste-o. Empenhado em todos os movimentos cívicos em que te reviste, apoiante de todas as causas que julgaste justas, foste dos homens mais solidários e nobres que conhecemos. E dos mais fraternos. Foste excessivo a dar, sem nada querer de volta.

Amaste a Pátria por cuja liberdade arriscavas a tua. Amaste a família, os amigos, Viseu. À tua volta nascia uma tertúlia em cada mesa de café, em cada banco de jardim, em cada esquina onde paravas rodeado de afectos, em cada ágape que eras o primeiro a promover.

Há talvez uma década, num jantar de anos do Dr. Fernando Vale, maravilhado pela frescura do seu discurso, disseste que, enquanto vivesses, não lhe faltarias com o teu abraço em cada aniversário. E cumpriste. Não o farás pela primeira vez no próximo dia 30 de Julho, quando completar 102 anos.

Luís, tu não tinhas ainda que partir. Nem esperaste pelo solstício que se avizinha.
Não podias ter esperado um pouco mais? Não podias, ao menos, transferir a força do teu entusiasmo, a coragem e determinação que eram teu apanágio, para nos ajudares a defender as causas e os princípios que nos irmanaram?

Não. Claro que não. Tu já não vês sequer as lágrimas que as flores que te cobrem escondem nos nossos rostos. Dizem que é feio chorar. O raio que os parta, Luís. Feio seria não chorar um homem como tu, não sofrer a partida de um irmão destes, não sentir a perda de um amigo assim.

Fica em paz amigo, companheiro, camarada, irmão. Nós ficamos desolados.

Viseu, 10 de Junho de 2002

quinta-feira, junho 09, 2005

Um Condecorado de Amanhã

Um dia acordou ás 6 da manhã, no seu quatro do já antigo prédio cinquentenário na R. Guerra Junqueiro e saltando repentinamente da cama gritou: “Vou ser político!! Político!!”.

A correr qual bombeiro em direcção à mangueira certeira, dirigiu-se para a casa de banho para tomar o seu duche de água bem quente, como habitualmente gosta, quer seja Inverno ou Verão. Durante o banho, foi reflectindo sobre a sua intenção e talvez devido à temperatura foi murmurando: “ Não sou capaz! Nunca o conseguirei! Todos se vão rir de mim!”.

Ainda meio moribundo das ideias agora imbuídas de dúvidas, de incertezas e de medos sai porta fora de uma independência há dois anos conquistada e corre em direcção à paragem do Mercado dos SMTUC. Apanha um 29, apinhado de gente, em direcção ao seu local de trabalho. “Lá, vou encontrar o meu amigo apaixonado por política que me dará a força que necessito, pois sozinho não sou capaz!” pensa não reparando nos olhares de espanto perante o seu aspecto, que prontamente lhe possibilita um lugar sentado. Umas vezes, até aceita qual malandro aproveitando-se da generosidade alheia, mas naquele dia mais consciencioso de que realmente não precisa disse amavelmente: “obrigado mas vou bem de pé. A melhor ajuda que me podem dar é perguntar se e como quero ser ajudado”.

Chegado ao destino, ao entrar pela porta principal dos HUC, colegas e utentes deram-lhe os bons dias aos quais respondeu com a mesma simpatia. Excepto aquele ali, escondido por detrás do placar informativo, o de sempre: o parolo de canadianas que parece que não tem espelho em casa: “Oh meu, já te viste hoje ao espelho? Para cima! Onde está essa auto-estima?” disse humoristicamente.

Orgulhosamente já em frente ao elevador chama-o carregando no botão posicionado a meio metro acima do chão. Sai no 3º piso e dirige-se para o seu gabinete. Senta-se em frente ao seu computador e à sua linda colega Mafalda. Feliz da vida vai fazendo etiquetas para colar nos processos dos utentes já falecidos, antes de irem para o arquivo.
Entretanto, aparece o amigo apaixonado pela política mas sem filiação partidária: o Dr. João cirurgião mãos de alicate, como carinhosamente lhe chama, para o convidar para um café e um dedo de conversa. “Vou-lhe perguntar o que tenho de fazer para ser político”, foi pensando enquanto se dirigiam para o fim do corredor onde se encontra a máquina de café, muito solicitada uma vez que o bar fica no piso -1. O Dr. lá lhe foi explicando, querendo sempre saber mais detalhes da sua intenção, pois nunca lhe ouviu tamanha façanha, mas obteve como resposta apenas um silencioso sorriso.

Passados os 15 minutos consentidos por si para descontrair e conviver, voltou às suas etiquetas e com rasgos mentais bem iluminados foi reflectindo sobre o seu futuro: “Gosto de aqui estar, o ordenado é pouquinho, é verdade... não é por isso que quero mudar mas sim porque acho que tenho vocação, sempre o quis e se os outros conseguem eu também consigo! Se analisar bem as coisas, desde os cinco anos que faço intervenções políticas, embora tenham sido apenas na minha rua. Aos seis na APPC continuei... e não é que tinha quorum: os médicos, os terapeutas, os auxiliares, os pais e os meus colegas deficientes. Aos oito na Escola Primária de Celas apesar de alguns cépticos, também consegui conquistá-los. E no José Falcão? Fui braço direito do Presidente da Associação de Estudantes... oh já lá vão uns anitos! E pá, se os meus amigos deficientes e não-deficientes não me apoiarem? É que no futuro também precisarei dos seus votos! Mas agora tenho de salvaguardar o meu lugar aqui, pois ainda não estou no quadro. Embora hoje não seja garantia de nada e com o desemprego que graça em pessoas na minha condição... não sei não!”.


Se quiserem terminem esta estória.

Digo-vos que este homem tem um milhão de nomes em Portugal.

Tem limitações físicas, mentais, sensoriais, auditivas e visuais, no entanto age e pensa sem as incapacidades e handicaps que os considerados “normais” por vezes têm.

Enfrenta diariamente a discriminação, o preconceito e os estereótipos que conduzem à desvalorização da sua Pessoa e Cidadania.

QUER:

- Os mesmos direitos e aspirações que os não-deficientes;
- Acesso à educação e formação bem como a resolução de problemas nas escolas de ensino especial e regular, contemplando as suas necessidades específicas;
- A possibilidade de sair de casa e de se movimentar na via pública;
- Ver descer a desvantagem em relação ao acesso ou manutenção do seu emprego;
- Adaptação dos postos de trabalho, remunerações e lugares justo de acordo com as suas competências;
- Intervir na formulação das políticas e programas que directamente o afectam;
- Transportes adaptados e acessíveis à sua condição;
- Ver as barreiras arquitectónicas à sua locomoção destruídas;
- O acesso à informação e comunicação para deficientes visuais e auditivos;
- Ver baixar o nº de violência física, sexual e psicológica junto dos seus pares;
- Ver encorajamento á sua descoberta sexual;
- Ver centros de Saúde com acessos, que combatam as sua dificuldades de orientação e locomoção;
- Centros de Reabilitação com condições mínimas quer técnicas quer humanas;
- Ver muitos medicamentos que não se enquadram no lote de produtos medicamentosos beneficiarem de comparticipação.

Quer e espera que a esta “crise silenciosa” que o afecta bem como à sua família seja invertida. Considera que pode contribuir para o desenvolvimento económico e social da sua comunidade. Adianta que é muito mais oneroso para a sociedade, do ponto de vista moral e económico, manter inúmeros cidadãos dependentes e isolados. Sente e acredita que é uma força produtiva e participativa tal como os não-deficientes!

quarta-feira, junho 08, 2005

Integração de Minorias Étnicas

Integração de Minorias Étnicas

As pessoas que pertencem a Minorias étnicas podem ser nacionais, não nacionais mas residentes ou mesmo não documentados. Cada um destes sub-grupos apresenta problemas específicos.
Os não-documentados, desde logo, por estarem em situação ilegal, estão privados de direitos básicos de cidadania, como o de exigir os cumprimentos de contratos de trabalho que realizem com entidades patronais sem escrúpulos, ou de acesso ao sistema de saúde (salvo para as crianças) e de segurança social. A precariedade da sua situação é de tal forma grave que leva ao desenvolvimento de máfias internacionais de tráfico de pessoas, homens e mulheres, nomeadamente para a prostituição. Uma sociedade que se dê ao respeito não pode cruzar os braços ou olhar para o lado perante uma afronta hedionda como esta.

Aos residentes são ainda negados direitos políticos fundamentais. Á excepção dos cidadãos comunitários para as eleições autárquicas e europeias, as largas comunidades de cidadãos residentes, trabalhadores que contribuem decisivamente para a riqueza nacional, não têm uma palavra a dizer sobre a condução dos destinos do país que adoptaram para viver. É preciso rever esta situação e abrir as portas das associações, dos partidos, dos órgãos autárquicos e do Parlamento a estes concidadãos.
Outra linha de reforma que se impõe, prende-se com a Lei da Nacionalidade. O ius solium deve ganhar primazia face ao ius sanguinius. Sem entrar no detalhe, apenas gostaria de dar a minha concordância à tese segundo a qual quem reside num país e quem nasce num país deve, em regra, adquirir a nacionalidade desse mesmo país. É uma forma de integrar esses cidadãos, de lhes oferecer a plenitude dos direitos fundamentais e consequentemente de os responsabilizar pelo cumprimento dos sues deveres de cidadania.

Finalmente, entre os nacionais encontramos também muitos excluídos por razões étnicas ou culturais. Um exemplo claro é o da comunidade dos “ciganos”. Cidadãos portugueses desde a Constituição de 1822, permanecem contudo isolados e são frequentemente discriminados.
Dizem os especialistas que se deveria por fim ao conceito de “minorias”. A labelização, o rótulo, implica sempre uma discriminação implícita. Por outro lado, o simples apoio social no plano do rendimento garantido não é suficiente. Os cidadãos portugueses ou residentes em Portugal devem gozar de igualdade de direitos e de deveres. Assim, todos – por igual – temos o dever de participar na vida escolar, na educação das crianças ser produtivos em termos culturais e económicos para a sociedade que nos acolhe. Em termos práticos, quero com isto significar que dou o meu apoio àqueles que defendem que as crianças, sejam de que origem forem, devem frequentar a Escola e caso não o façam o Estado, através dos seus órgãos adequados, deve intervir. A idade mínima do casamento deve ser de 16 anos, etc. Isto não significa menosprezo ou desrespeito por culturas minoritárias: a expressão cultural genuína desses grupos (dança, música, rituais sociais) é uma riqueza deles próprios e do país pelo que deve ser apoiada e respeitada. Da mesma forma, a vida nómada que alguns ainda levam deve ser respeitada e podem ser criadas condições legais para o exercício da profissão e do comércio em diversas localidades por parte destes concidadãos. Não me resigno a ver mais de 40.000 compatriotas fora do “sistema”, por vezes tendo que fazer vida através de actividades ilegais.

André Pereira
(apontamentos de uma intervenção no debate “A Voz das Minorias Étnicas em Portugal”, dia 24 de Maio de 2005)

Bolonha – O Futuro da Universidade de Coimbra

Bolonha – O Futuro da Universidade de Coimbra

O projecto de futuro da Universidade de Coimbra passa pela Europa. Os Professores devem estar presentes, em termos científicos e de ensino, nos fora europeus. Os Estudantes devem estar preparados para enfrentar as oportunidades de trabalho e de formação académica no Continente europeu. Os funcionários precisam de ter competências que os permitam auxiliar na angariação de fundos e estabelecer contactos internacionais.

Desta forma proponho algumas ideias a esta Assembleia da Universidade.

Os Estudantes devem apostar na circulação no espaço europeu de ensino superior. Para tanto devem exigir à Universidade que lhes seja ministrado o ensino de línguas, paralelamente à sua formação académica. O reconhecimento de diplomas ECTS é uma prioridade, com vista a fomentar a realização de cursos de verão, a frequência de cursos intensivos e o acesso ao programa ERASMUS noutros países.
Porque acredito na igualdade de oportunidades, penso que a União Europeia e a Universidade de Coimbra, na medida das suas possibilidades, devem apoiar os Estudantes sem recursos económicos e com mérito que concorram a estes programas de forma mais intensa.
Por outro lado, o “Suplemento ao Diploma”, no qual seja reconhecido pela Instituição o papel formador das actividades associativas, desportivas, culturais e, porventura, profissionais, é outra grande aposta, e deve ser reivindicada pelos estudantes.

No que respeita ao 1.º e 2.º ciclo, penso que devemos estar vigilantes e exigir do governo central que mantenha intocado o nível do apoio estadual ao ensino superior nos dois ciclos. A proposta que vi ser apresentada pelo Ministro Mariano Gago, no sentido de o Estado apoiar o curso de Medicina e Arquitectura, ou mesmo os cursos em que o 2.º ciclo (“Mestrado”) seja condição de exercício da profissão (como o Direito), de forma semelhante ao que acontece no 1.º ciclo, mas deixar a definição do valor das propinas dos outros mestrados a cargo das Universidades, é perniciosa. Pode ter a consequência de um curso de Medicina ser mais barato que um curso de Economia ou de História! O que seria estranho… Por outro lado, poderia ser motivo para desconfiar que esta harmonização exigida Pela Declaração de Bolonha tem em vista aumentar os encargos das famílias no ensino superior, diminuindo a contribuição do Estado.

No que diz respeito ao curso de Direito, e querendo partilhar alguma experiência trazida de contactos internacionais e das Universidades onde tenho tido o privilégio de ensinar (na Áustria, na Estónia e na Inglaterra), a Declaração de Bolonha tem vindo a ser implementada. Com alguma mudança no projecto pedagógico, com a semestralização do curso e a adopção de um sistema de créditos (ECTS). Por outro lado, para o acesso a profissões forenses (Advocacia, Magistratura) é necessária a conclusão do segundo ciclo (“Mestrado”), o que corresponde, em regra, a 10 semestres. Em Portugal não deveremos chegar a resultados diferentes. O 1.º ciclo, o diploma de “licenciado”, pode ser suficiente para outras profissões, como Solicitador, Funcionário Judicial ou apenas um ponto de partida para quem, querendo fazer uma carreira ligada às empresas ou à Banca, procure posteriormente uma especialização em Economia ou Gestão ou em Tradução jurídica ou em Relações Internacionais. Assim sendo, as cadeiras de Direito Processual, Registral, de Metodologia e de Conflitos de leis, sendo especialidades forenses, devem ser transferidas para o segundo ciclo, o qual também deve ter uma orientação mais prática.
Uma grande Faculdade de Direito, como a de Coimbra, pode oferecer múltiplos “Mestrados” na área económica, internacional, comunitária, entre muitas outras ou vocacionados para quem pretende iniciar a carreira académica.
Importante é que ao mesmo número de anos de formação e ao mesmo nível de conhecimentos seja reconhecido a um português um nível igual, ou melhor equiparável, a um colega espanhol, inglês ou sueco! É isso que se pretende com a Declaração de Bolonha.

Relativamente aos Professores, gostaria de deixar algumas propostas. É necessário continuar a apoiar e incrementar a mobilidade de docentes, quer a nível financeiro – recorrendo a programas comunitários – quer a nível de facilitação dessa mesma mobilidade por parte dos órgãos dirigentes.
Outro aspecto decisivo é o apoio à divulgação da cultura científica portuguesa. Nesse sentido, proponho a criação de um Gabinete de Tradução na Universidade de Coimbra. Um Professor Universitário não tem a obrigação de dominar, na perfeição, uma língua estrangeira, mesmo o inglês, nem deve ser obrigado a suportar os encargos de uma revisão ou tradução para poder participar numa publicação internacional.
Por outro lado, a Universidade deveria reger-se por critérios de produtividade e dedicação à carreira. Assim, à semelhança do que acontece pelo menos em Espanha e na Áustria, as publicações, o empenho e as aulas que o docente realiza deveriam ter reflexos não apenas científicos, mas também no ordenado.

Por fim, uma palavra de esperança quanto a este processo, no que se refere à Faculdade de Direito em particular.
A Faculdade conta hoje com um número menor de alunos (2.000, para 3.000 há 10 anos) e com tendência a diminuir. Por outro lado, tem muito mais Professores doutorados, com uma preparação superior e uma dedicação mais intensa às actividades lectivas e científicas. Só precisamos de vontade de mudança e … de mais salas de aula. Mas quanto a estas, basta aproveitar a generosidade dos vizinhos da Física e da Matemática e ocupar alguns corredores desses grandes edifícios. Espaço não faltará para ministrar um ensino mais moderno e mais próximo do aluno!

André Pereira

(apontamentos da intervenção na Assembleia da Universidade, no dia 18 de Maio de 2005)

Banco de Portugal. Vamos combater a crise 6.

O que é que o Dr. Vítor Constâncio andou a fazer estes anos todos que não foi capaz de ter na ponta da língua o valor do défice?

Afinal de contas, não fez nada daquilo para o qual foi nomeado.

Essa atitude é merecedora de ter direito a um BMW 530 D, no valor de 67400 euros (13400contos) para se fazer deslocar?

Alguém demita este homem, não precisamos dele.

Vamos combater a crise 5

Passou pelo meu email, um texto que gostaria de partilhar convosco.

"Caro Sr. Primeiro-Ministro :

Venho por meio desta comunicação manifestar meu total apoio ao se esforço de modernização do nosso país. Como cidadão comum, não tenho muito mais a oferecer além do meu trabalho, mas já que o tema da moda é Reforma Tributária, percebi que posso definitivamente contribuir mais.

Vou explicar: Na actual legislação, pago na fonte 31% do meu salário (20 para o IRS e 11 para a Segurança Social).

Como pode ver, sou um cidadão afortunado. Cada vez que eu, no supermercado, gasto o que o meu patrão me pagou, o Estado, e muito bem, fica com 19% para si (31+19P). Sou obrigado a concordar que é pouco dinheiro para o governo fazer tudo aquilo que promete ao cidadão em tempo de campanha eleitoral. Mas o meu patrão é obrigado a dar ao Estado, e muito bem, mais 23,75% daquilo que me paga para a Segurança Social. E ainda 33% para o Estado (50+23,75+336,75).

Além disso quando compro um carro, uma casa, herdo um quadro, registo os meus negócios ou peço uma certidão, o Estado, e muito bem, fica com quase metade das verbas envolvidas no caso. Minha sugestão, é invertermos as percentagens. A partir do próximo mês autorizo o Governo a ficar com 100% do meu salário.

Funcionaria assim: Eu fico com 6,75% limpinhos, sem qualquer ónus mas o Governo fica com as contas de:

- Despesas Escolares,
- Seguro de Saúde,
- Despesas com médicos,
- Medicamentos,
- Materiais escolares,
- Condomínio,
- Água,
- Luz,
- Telefone,
- Energia,
- Supermercado,
- Gasolina,
- Vestuário,
- Lazer,
- Portagens,
- Cultura,
- Contribuição Autárquica,
- IVA,
- IRS,
- IRC,
- Imposto de Circulação
- Segurança Social,
- Seguro do carro,
- Inspecção Periódica,
- Taxas do Lixo, reciclagem, esgotos e saneamento
- E todas as outras taxas que nos impinge todos os dias.
- Previdência privada e qualquer taxa extra que por ventura seja repentinamente criada por qualquer dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Um abraço Sr. Primeiro-Ministro e muito boa sorte, do fundo do meu coração!

Ass: Um trabalhador que já não mais sabe o que fazer para conseguir sobreviver com dignidade.

PS: Podemos até negociar a percentagem!!!"