domingo, julho 31, 2005

O «EXPRESSO» e o aeroporto da OTA


À semelhança da Visão, ontem foi o «Expresso» que no suplemento de Economia cometeu o mesmo erro, divulgando uma interpretação errónea do administrador delegado da TAP.

Na coluna «EM ALTA», pg. 5, Jorge Fiel enaltece o gestor porque «não fez cerimónia a explicar o que pensa sobre a polémica do novo aeroporto: A Ota fica longe. Nunca vi um estudo que o justificasse».

Acontece que das duas últimas curtas frases a primeira não é da autoria de Fernando Pinto e a segunda baseia-se num erro de interpretação.

Com um jornalismo assim, é difícil ter uma opinião pública esclarecida.

A verdade é o que Fernando Pinto quis dizer.

Lisboa

Os portugueses, em geral, e os lisboetas, em particular, sabem o que foi o descalabro da gestão Santana Lopes/Carmona Rodrigues com a cumplicidade de Paulo Portas.

O actual executivo camarário foi um sorvedouro inútil de dinheiro, responsável pelo gigantesco endividamento contraído, face aos recursos de que a Câmara podia dispor. A vereação foi uma mera comissão de propaganda eleitoral para a candidatura de Santana Lopes à presidência da República, antes do naufrágio no palácio de S. Bento.

Da gestão improvisada, ruinosa e sem rumo, pretende o PSD absolver o dedicado cireneu que ajudou a levar a cruz de Santana Lopes – Carmona Rodrigues –, que procura agora camuflar a cumplicidade de seu braço direito e convencer o eleitorado de que o único responsável foi o seu presidente agora caído em desgraça.

O Túnel do Marquês e o Parque Mayer são os casos emblemáticos da incompetência da candidatura populista, mas a gestão de Lisboa foi uma responsabilidade colectiva que culminou com a cedência gratuita de terrenos e a assunção de mais encargos pela CML para a construção de uma nova Sé de Lisboa.

É essa imensa trapalhada e o descontrolo do último mandato autárquico que Maria José Nogueira Pinto, candidata do CDS/PP, procura denunciar – e bem –, nas entrevistas, nas várias aparições públicas e em todas as oportunidades que lhe surgem para denunciar a gestão PSD/CDS.

Nogueira Pinto desanca a aliança de Santana / Portas mas o eleitorado já tem a noção de que, desde o terramoto de 1755, Lisboa não tinha sido vítima de uma desgraça assim.

Notas Soltas - Julho/2005

Irão – A vitória do candidato mais radical Mahmoud Ahmadinejad é o prenúncio do regresso à instabilidade que o defunto Ayatolah Khomeiny gerou em 1979. O Irão demencialmente fanatizado é um estorvo à democratização do Médio Oriente.

EUA – Em 4 de Julho, dia da independência, mais uma grande vitória da ciência celebrou a data – a colisão programada de uma sonda da NASA contra um cometa. Que grande avanço para a humanidade num país que tanto retrocede.

Madeira – As afirmações de A. João Jardim, relativas a chineses e indianos, são uma manifestação boçal de racismo e xenofobia que ignora milhões de compatriotas emigrados, muitos deles madeirenses.

Co-incineração – Os testes efectuados com resíduos industriais na cimenteira Secil corroboraram a conclusão da «Comissão Independente». É um método quase inócuo, de valorização energética e que respeita as exigências ambientais. Que dizem o PSD e o CDS a três anos perdidos, sem nada terem feito?

Reino Unido – O fanatismo religioso reaparece no cobarde atentado que semeou a morte e a desolação em Londres. Os dementes de Deus são capazes de todos os crimes a troco do Paraíso. Urge quebrar os ímpetos assassinos do fascismo islâmico.

Luxemburgo – A vitória do SIM no referendo é uma débil esperança para a Constituição Europeia e uma vitória pessoal do primeiro-ministro Jean-Claude Juncker, que, por respeito ao eleitorado, recusou o convite para presidir à Comissão Europeia.

Coreia do Norte – No último Estado estalinista correm o risco de morrer à fome centenas de milhares de pessoas. A troco de negociações sobre o programa nuclear, a Coreia do Sul disponibilizou 500 mil toneladas de arroz.

Autárquicas – Quem defendeu as alterações que permitiram listas independentes tem os exemplos de Isaltino, Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras, Ferreira Torres e outros, para reflectir e apreciar o caciquismo na sua máxima apoteose.

Assembleia da República – A redução do número de deputados e a criação de círculos uninominais é uma concessão ao populismo que esmaga os pequenos partidos e empobrece as opções eleitorais. A oposição faz-se no Parlamento. Ou na rua.

Iraque – Estima-se que cerca de 25 mil civis foram mortos desde a invasão, um terço dos quais por terroristas autóctones. Na contabilidade macabra, os agressores vão largamente à frente. E a Constituição «democrática» vai ter o Islão como referência.

Ministério das Finanças – A demissão do titular ao fim de quatro meses não é um bom prenúncio para o futuro mas a rapidez da substituição e a credibilidade do novo ministro mostram a grande margem de manobra de que Sócrates dispõe.

Ass. Portuguesa de Escritores – A atribuição do Grande Prémio do Romance a Vasco Graça Moura é o justo galardão a um dos mais fecundos e estimulantes escritores da língua portuguesa, que se distinguiu na poesia, ensaio, tradução e, agora, no romance.

Chão da Lagoa – É a arena onde, todos os anos, o líder do PSD/Madeira investe contra o Continente e a comunicação social e exibe a falta de educação e de princípios. Este ano, depois de afrontar Marques Mendes, atacou a Constituição.

Autárquicas – Inquinadas pelas restrições orçamentais, acabam por julgar mais o Governo e menos os candidatos, reflectindo interesses urdidos por caciques locais sem ponderação do mérito de quem se submete a sufrágio.

Presidenciais – São previsíveis acidentes de percurso até ao veredicto final, mas – a confirmarem-se os candidatos que se anunciam –, regressa a discussão política e a incerteza quanto aos resultados eleitorais.

Londres – O brasileiro Jean Charles de Menezes, morto por engano pela polícia britânica, foi atingido com oito tiros, sete na cabeça e um no ombro –, admitiram as autoridades. Depois da guerra preventiva, chegaram os fuzilamentos preventivos.

Durão Barroso – O Financial Times, um dos mais conceituados jornais em todo o mundo, avalia o desempenho do presidente da Comissão Europeia como um «show de horror» e é ainda mais severo do que os portugueses para com o antigo primeiro-ministro.

Ota e TGV – O regresso dos projectos é uma esperança para a economia e para a absorção de mão de obra que, de há três anos a esta parte, só vê crescer o desemprego, mas os inimigos querem reservar-lhe a maldição da barragem do Alqueva.

Holanda – A condenação de Mohammed Bouyeri, de 27 anos, a prisão perpétua, pelo assassínio de Theo van Gogh, o realizador que denunciou a crueldade de que as mulheres são vítimas no islão, impede o terrorista de reincidir na aplicação do Corão.

Irlanda do Norte – O IRA renunciou finalmente à luta armada. É uma auspiciosa notícia, após um passado de violência que dilacerou católicos e protestantes e sacrificou três mil mortos no altar do ódio, nos últimos quarenta anos.

sábado, julho 30, 2005

A escola e o presépio (crónica)

Bem crucificado e suavemente chagado, numa cruz de madeira dependurada na parede, penava um Cristo de bronze em resignada agonia, ladeado à direita por uma fotografia de um homem de bigode, fardado, conhecido por marechal Carmona, e à esquerda por um eterno seminarista, com ar de gato-pingado, que infundia terror – o Professor Salazar.

Na mesma parede, em frente dos alunos, a razoável distância e muitos fungos depois, quedava-se a Senhora de Fátima, poisada numa mísula, alheada da conversão da Rússia e da salvação do mundo. Mais abaixo, à esquerda, ficava o quadro preto e o mapa do corpo humano e, à direita, rasgados, um mapa de Portugal Continental, outro das Ilhas Adjacentes e das Colónias e o mapa-múndi.

O soalho resistia aos buracos, numerosos e amplos, que a humidade e o uso se encarregavam de alargar. As carteiras alinhavam-se em rigorosa geometria com lugares destinados a cerca de quarenta garotos de ambos os sexos distribuídos pela primeira, segunda e quarta classes. Entre quinze a vinte estavam na sala oposta a frequentar a terceira, confiados à senhora Noémia, regente escolar.

Nos dias de chuva subvertia-se a ordem, numa complexa gincana de carteiras, para evitar que os pingos de água que escorriam do tecto acertassem nos tinteiros e salpicassem de azul a roupa das crianças e os tampos de madeira.

No intervalo, meninos e meninas, em amplas correrias e direcções opostas, procuravam os quintais próximos para se aliviarem dos fluidos que os apoquentavam.

À entrada da escola o presépio anunciava todos os anos o Natal. Na armação de tábuas e pedras cobertas de musgos, um menino de barro, seminu e de perna alçada, jazia em decúbito dorsal sobre uma caminha de palha centeeira. Era o Menino Jesus. De um lado uma virgem colorida, moderadamente recatada e com pouco uso, substituía a que se partira, interessada na companhia do filho que herdara. Do outro, um S. José, a quem a corrosão deixara em pior estado do que o dogma da Imaculada Conceição, parecia um erro de casting, indiferente ao aspecto, perdidas as cores, diluídas as formas, conformado com os olhares e as súplicas, incapaz de operar milagres, resignado com o frio de Dezembro.

O burro e a vaca comportavam-se a preceito, facilmente se adivinhando o gosto por erva se eles e esta fossem verdadeiros.

Os reis magos, eternos almocreves com ar de ladrões de camelos, virados para uma estrela recortada em papel colorido, permaneciam imóveis na lendária caminhada, quais amoladores de tesouras, à espera de fregueses para ganharem o sustento e um presente para o Menino.

As ovelhas que placidamente decoravam a montanha eram figurantes experientes, desinteressadas da importância que acrescentavam ao quadro e do exemplo de submissão que transmitiam. Nem um só carneiro as acompanhava, talvez para lembrar que é na renúncia ao prazer que se encontra a redenção da alma. Apenas um cão e o pastor.

Reflicto hoje sobre a predilecção por musgos, muitos musgos, para cobrir o chão do presépio. Na religião tudo se deve cobrir ou, no mínimo, disfarçar. Talvez esteja na ocultação dos órgãos de reprodução, característica das plantas criptogâmicas, a razão da preferência, a funcionar como metáfora.

Ah! Já me esquecia, pintados de branco, anjos de barro, junto ao caminho de serradura que conduzia à manjedoura, voavam baixinho, com asas quebradas, incapazes de regressar ao Céu. E o algodão em rama imitava os flocos de neve que lá fora rodopiavam ao sabor do vento. Eu gostava do Presépio. Não era o catecismo a aterrorizar-me com o Inferno onde as almas que ali frigiam, em perpétua flutuação no azeite fervente, eram mergulhadas com um garfo de três dentes empunhado pelo diabo.

A minha escola caiu, pelo Natal, ficando de pé uma única parede e a fé das pessoas que atribuíram à protecção divina a ausência de aulas durante a derrocada.

sexta-feira, julho 29, 2005

A «Visão» e o aeroporto da Ota

A revista «Visão», na sua habitual rubrica «Tendências», pg. 23, felicita Fernando Pinto – administrador-delegado da TAP, pela coragem em condenar o aeroporto da OTA.

Sobre o assunto vale a pena ler o que o próprio escreveu em carta ao DN e que consta da reclamação que eu fiz para a Visão:

Em relação à entrevista publicada no caderno Negócios do DN, Fernando Pinto escreveu uma carta que aparece destacada na pg. 12 de 26 de Julho, cujas transcrição faço na parte que interessa:

(...)
«Apenas uma leve crítica à forma como tiraram partido da vulnerabilidade do meu português de brasileiro recém-“nacionalizado”.
É que quando eu disse que nunca tinha visto «um estudo que justificasse a Ota», não me dei totalmente conta do aproveitamento (sobretudo para os títulos) que as minhas palavras podiam ter...
Quero deixar bem claro, em abono da verdade e no respeito pelos leitores do DN, que nunca vi um estudo sobre a localização, pelo que não estou em condições de participar nessa discussão». Fernando Pinto, Administrador-delegado da TAP.
(...)

Apostila 1 – Durão Barroso prometeu em campanha eleitoral renunciar à construção do aeroporto da Ota enquanto houvesse uma criança à espera de cirurgia. Logo a seguir foi prometida a construção pelo seu ministro das Obras Públicas, negada pelo seu ministro seguinte, e reiterada pelo que veio a seguir.

Apostila 2 – Para quem, como eu, não tem capacidade técnica para apreciar o projecto, apenas pergunto: Onde estavam os economistas que agora condenam o aeroporto da Ota, quando Durão, por duas vezes (número igual às que o negou) se comprometeu a executar as obras.

Apostila 3 – Quem desconfia dos políticos não terá razões acrescidas para desconfiar dos técnicos?

Limitação de mandatos autárquicos

Com os votos do PS, PSD e BE, foi finalmente dado um passo importante para impedir a perpetuação dos autarcas e das cumplicidades que as fomentam.

O PSD, refém dos seus autarcas, só consentiu que a lei entrasse em vigor em 2006, o que significa ter efeitos práticos a partir de 2013. Mas mais vale tarde do que nunca.

Quanto aos presidentes dos Governos Regionais e primeiros-ministros, o pânico de enfrentar Alberto João Jardim tolheu o PSD . Ninguém gosta de ser tratado por bastardo, filho da puta e outros mimos que o «cavalheiro» debita contra os adversários.

Cada partido tem os militantes que merece. Todos os partidos, e os próprios presidentes da República, foram responsáveis pela excessiva autonomia que foi consentida a quem mingua sentido de Estado e cultura democrática.

De qualquer modo o PS está de parabéns.

quinta-feira, julho 28, 2005

Cavaco Silva e as presidenciais

Palácio de Belém
Cavaco Silva é um cidadão respeitável, merecedor da consideração dos portugueses. Exceptuando Guterres, foi o melhor primeiro-ministro de Portugal.

É um homem íntegro, académico ilustre e um patriota. Não merece que o desrespeitem, ponham em dúvida a dedicação ao serviço público ou a capacidade para ser presidente da República.

Se viesse a ser eleito não seria nenhuma tragédia nem a democracia correria perigo. Não é homem para jurar a Constituição com intenção de traí-la.

Portugal tem o privilégio de dispor dele para a pugna eleitoral. Cavaco tem qualidades, perfil e percurso para o exercício do cargo de Presidente da República.

A eventual eleição traria, aliás, alguns benefícios de que só ele seria capaz:

- O eclipse político de Paulo Portas;
- O remoção de Santana Lopes e da sua corte para fora da área do poder;
- A progressiva extinção do CDS;
- O fim das veleidades de alguns barões do PSD, Jardim incluído;
- A exigência de um PSD melhor frequentado.

Todavia, não por culpa sua, podia tornar-se um agente perturbador do regime. A par de respeitáveis cidadãos, atrelar-se-ão à candidatura numerosos ressentidos com a derrota das legislativas, ansiosos por uma desforra.

Já há meses, no Diário de Notícias, Vasco Graça Moura, o mais indefectível almocreve do cavaquismo, escrevia que era necessário eleger Cavaco para correr com Sócrates que tinha, nessa altura, escassas semanas de Governo. É essa instabilidade que a economia e o País tem de evitar. É esse risco que os eleitores têm de ponderar.

Cavaco dificilmente renunciaria a impor a liderança do economista António Borges ao PSD, por quem quis substituir Durão Barroso, apesar da sua notória falta de preparação política.

Quanto à mais valia que se aponta à formação académica de Cavaco é pura falácia. Não se procura um futuro ministro da área económica para um Governo do PSD. Estão em causa eleições presidenciais.

Mário Soares (formado em direito, história e filosofia) provou com o seu desempenho exemplar que é de um político que o País precisa para o palácio de Belém.

Criação de empresas "na hora". [2]

No seguimento do artigo "postado" acerca do titulo supra, que se refere ao DL 111/2005, de 08 de Julho de 2005, que entrou em vigor no dia seguinte, parece que aconteceu algo muito semelhante ao meu vaticínio: é que a 1ª empresa constituída na hora,....não se constituiu, porque o legislador “esqueceu” que o acto de inscrição tributária carece de ser assinado pelo TOC que tem de colocar, qual médico, a respectiva vinheta.....
A Câmara dos TOC terá recebido mais de meio milhar de chamadas só nessa tarde, o “Povo TOC” estava perplexo, mas muito atento.
Não fosse o homem dos 25 mil euros [Sr Director-Geral das Contribuições e Impostos] a intervir, por telefone, para o CFE de Coimbra, a chamar a atenção para tal ilegalidade e a desgraça estava consumada.

A nova Constituição do Iraque

Eis o caminho que leva a democracia que os EUA prometeram implantar no Iraque:

A nova Constituição terá por base a lei islâmica - um monstruoso conjunto de prescrições religiosas que retira às mulheres os direitos que tinham conquistado em 1959, reconhecidos por Saddam, no campo do casamento, divórcio e heranças.

A obrigação de respeitar os «princípios democráticos» e os «direitos fundamentais» foi postergada pelo projecto constitucional já divulgado, que assume que «o islão é a religião oficial do Estado, a principal fonte de legislação e nenhuma lei pode entrar em contradição com o Islão».

Enfim, as sentenças de Maomé em vias de transitarem em julgado.

Fonte: Diário de Notícias de 27-07-2005.

A palavra dos leitores. Eleições presidenciais



A candidatura presidencial decorre antes de mais da vontade individual de um cidadão quando este entende poder servir o Pais naquela posição unipessoal e intransmissível de mais alto Magistrado da Nação, Chefe Supremo das Forças Armadas, ultimo garante das instituições.

Respaldados por esta justificação, ao sabor das sucessivas conveniências eleitorais, e fruto da ainda pouca consistência política dos lideres recém empossados, os partidos nucleares da democracia lusitana foram adiando as suas posições, não suscitando o interesse devido a este acto eleitoral.

Chegamos ao que chegamos, estamos em fins de julho e apenas se perfilam três certezas, Cavaco será candidato, os comunistas terão o seu campeão derrotado na primeira volta, e Soares reflecte numa mais que provável candidatura.

Do Bloco não ha sinais vitais, so pode ter uma de duas posições: estrebucha mas engole o candidato dos socialistas ou desencanta o velho professor Rosas (o Miguel-pau-para-toda-a- obra é improvável). Num suposto colectivo em crescimento serão sempre os mesmos rostos umbilicais, será sempre mau.

Dos populares, em tempo de seca, nem agua vem, pequeno clube com um líder a part time só parece possível a candidatura de Damásio ou Vilarinho, de resto afinam pelo diapasão cavaquista, será sempre mau.

Os comunistas correm não para a classificação, mas apenas para mostrar que estão vivos depois de Cunhal morrer, vão cair à primeira, será, como de costume, sempre mau.

Marques Mendes tem nas presidenciais a oportunidade de unir e engrandecer um partido que teima em fugir-lhe da mão, enredado que anda, depois da saída de Cavaco, em lutas intestinas sucessivas. Pode constituir este, um momento chave, redentor, congregacionista, para o regresso a dinâmicas antigas que catapulte os laranjas para um protagonismo mais consentâneo com os seus pergaminhos, o mais certo é vir a ser bom.

José Sócrates pouco poderá ganhar com as presidenciais e o PS perderá com certeza. Sócrates porque não consegue um candidato, todos se afastam para actividades mais comezinhas e os que se oferecem sabemos não serem socialistas. Restava Manuel Alegre, mas esse, Sócrates não queria. Quanto ao PS é altura de nos questionarmos, onde estão os barões? onde estão os notáveis camaradas? para que servem no partido, se não servem para o pais? será sempre mau.

Mário Soares entra na corrida e, se por um lado nos garante qualidade no debate, vigor no combate e categoria no desempenho do cargo para o qual será eleito, por outro lado indicia a orfandade do PS, a incapacidade para gerar quadros efectivamente reconhecidos e admirados, o deserto que continua a ser a participação política de elementos de outras áreas da sociedade neste tipo de missões. Será bom mas também é mau.

Marcelo Rebelo de Sousa é a excepção a este último considerando, com uma brilhante carreira profissional no mundo universitário, cultor de uma destreza comunicacional ímpar, apresenta-se como a única reserva da área não politicamente activa para esta candidatura. Mau, muito mau, não poder ir ate ao fim já que tem a sua base sociopolítica já ocupada.

Abraço a todos os que no vosso blogue discutem o importante.

Autor: Zeu s

quarta-feira, julho 27, 2005

Cúmplice e refém



Sob o título em epígrafe, Vasco Graça Moura (VGM), no seu habitual artigo das quartas feiras no Diário de Notícias (site indisponível), desfere hoje um ataque violento a Mário Soares.

Com a truculência e os níveis basais de desonestidade intelectual que o caracterizam, VGM destila o rancor habitual contra todos os que se situem à esquerda ou à direita do PSD, o que constitui a sua imagem de marca.

Pressente-se uma central de intoxicação da direita de que são indício, entre outras, as graves acusações que a imprensa classificou como conspiração santanista.

Esta central, que conspurca, persegue, denigre e assassina caracteres, funciona de forma difusa contra figuras de esquerda, por células independentes, um pouco à semelhança da Al-qaeda, felizmente sem o recurso ao terrorismo armado.

VGM, sozinho, é uma célula a descoberto, a disparar adjectivos, calúnias e disparates.

Neste artigo, VGM passa a esponja sobre os últimos e desastrosos três anos de Governo PSD/CDS com a mesma ligeireza e forma expedita com que o CDS se desembaraçou da foto de Freitas do Amaral.

VGM foi o primeiro a dizer de Cavaco Silva que era «o PR ideal para convocar novas eleições e correr com os socialistas do Governo, na primeira oportunidade». É preciso denunciar as ameaças e combater o arrieiro, não deixando impunes os dislates, nem abandonando o combate democrático que nos espera.

Durão Barroso


O Financial Times, um dos mais prestigiados jornais de todo o mundo, fazendo o balanço do primeiro ano à frente da Comissão Europeia, descreve o desempenho de Durão Barroso como um «show de horror» - anuncia a SIC Online.

Acusa-o de falta de liderança em relação aos comissários e na relação com os governos dos Estados-membros, opinião que desde o chanceler alemão ao comissário britânico Peter Mandelson, começa a generalizar-se.

A insistência no impensável comissário Rocco Butiglione, que o Parlamento Europeu obrigou a despedir, as férias com um magnate grego que recebeu apoios financeiros da Comissão Europeia e o facto de o presidente Chirac lhe proibir qualquer intervenção na campanha para o referendo europeu em França, são algumas das muitas críticas que o FT faz a José Manuel Barroso.

O conceituado jornal é ainda mais severo para o presidente da Comissão Europeia do que o povo português para o seu desempenho como primeiro-ministro.

Infelizmente para a Europa.

Página de Aníbal Cavaco Silva >>

Eis o resultado dos meus esforços para me documentar sobre o provável candidato da direita à Presidência da República:

http://www.ptvip.com/notaveis/cavacosilva

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Experimente o seguinte:
Se tiver escrito o endereço da página na barra 'Endereço', certifique-se de que este está escrito correctamente.
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terça-feira, julho 26, 2005

O propagandista Marcelo na RTP



Marcelo Rebelo de Sousa faz há muito a pré-campanha de Cavaco Silva esperando que, num golpe de sorte, pudesse substituí-lo, o que não acontece porque Cavaco avança e apenas tem gerido o tabu de acordo com as conveniências.

Marcelo é um especialista a julgar pessoas e Governos, inteligente, vivo e demolidor, naturalmente ressabiado por não ter grandes notas na popularidade que o guinde aos cargos que ambiciona.

É bom a desfazer Governos mas a sua maior mágoa é nunca ter conseguido fazer um.

Agora é a vez de atacar Mário Soares no desejo de que, depois de Cavaco, possa chegar a sua vez. Até descobriu que para Presidente da República era útil ser economista, como se Mário Soares (formado em direito e em história) não tenha sido excelente PR.

Marcelo, ao enaltecer a formação económica de Cavaco, está a indigitá-lo para um lugar de ministro de uma pasta económica quando a direita voltar ao poder. Esqueceu-se de que estava a falar de eleições presidenciais. No fundo, pôs o dedo na ferida, Cavaco tem o perfil de executivo, mas não é isso que se exige a um PR.

Há dez anos Soares saiu de PR e nunca abandonou a política activa. Cavaco perdeu as eleições contra Sampaio e não mais foi achado na defesa dos interesses do País.

Sabe-se apenas que Durão o desiludiu e que Santana lhe causa brotoeja.

segunda-feira, julho 25, 2005

O bailinho da Madeira

No último domingo, o Chão da Lagoa foi palco do circo anual do PSD/Madeira. O soba autóctone, mais sóbrio do que o costume, atacou a Constituição e deixou a parte mais suja para o seu homem de mão, Jaime Ramos.

Foi a este que coube reiterar as sórdidas manifestações de racismo contra os chineses e defender a bondade das iníquas afirmações recentes de Alberto João Jardim.

Já hoje, AJJ aproveitou para desconsiderar Cavaco e Soares.

Não é cavalheiro que aprecie, só lhe invejo o fígado.

Um pequeno desafio

A polícia inglesa não deu qualquer hipótese a um pacato cidadão brasileiro, que se preparava para apanhar o Metro.
É de repudiar qualquer atitude violenta, principalmente vindo das autoridades policiais. Os policias britânicos têm ordens para atirar a matar (e logo para a cabeça). É a guerra total em ambiente urbano.
Hoje, Toni Blair veio pedir desculpa à familia do cidadão brasileiro, mas afiançou que as ordens dadas à policia são para manter. Reina a insegurança ( a dobrar - agora já nem na policia se pode confiar!) no reino de sua majestade.
Agora pergunto eu: suponha o caro leitor que 3 autocarros dos SMTUC, mais um comboio vindo da Figueira da Foz, todos carregados de passageiros, dormentes cidadãos, tinham ido pelos ares em atentado terrorista; Suponha ainda que, não satisfeitos, novos atentados tinham sido preparados; suponha ainda que as autoridades e a comunicação social diariamente lhe diziam que novos atentados são esperados, ao mesmo tempo que através da Internet ou da Al Jazeera, uns encapuçados numa lingua perfeitamente ininteligivel (traduzida, claro) lhe diziam que não esperasse pela demora, que ainda não estavam satisfeitos.
Suponha isto e muito mais (tropas nacionais no Iraque, apoio ao governo americano, etc.), ainda assim, acha exagerada a actuação da policia inglesa?

O artigo do JN a que se refere CE

Está em: JN

A discussão desnecessária.

Na sexta-feira lembrei-me que Manuel Alegre, nesta conjuntura, daria um bom presidente da República. No fim de semana, as notícias viraram a agulha da discussão, dando especial enfoque no duelo Mário Soares e Cavaco Silva.

Por mim, mantenho o que disse: Manuel Alegre (MA) para presidente, pelas seguintes razões:

1- É o único político que é capaz de reunir a esquerda;
2- É o político que não geriu de facto pasta alguma;
3- MA é homem de cultura, descomprometido com os poderes estabelecidos, incluindo com o SG do seu próprio partido;
4- MA consegue, melhor que ninguém, contar o fascínio da luta pela liberdade. É um exemplo a seguir.


Também é certo que enquanto se discutirem estas matérias estéreis para o desenvolvimento económico da país, não se discute o gasóleo a 1 euro, nem as mordomias do Banco de Portugal, nem mesmo os 5 mil contos do salário do director dos impostos, etecetera....

MASP III



Quem conhece Mário Soares sabe que deseja e aceita enfrentar Cavaco e Silva.

Apresento-me para o apoiar no seu último combate.

Soares é fixe.

domingo, julho 24, 2005

Que fazer com a prostituição?



Marcos Júlio, no seu artigo «Porque há vida para além da politiquice», levantou um problema inquietante e que não pode ser ignorado – a prostituição –, uma praga social e um grave problema de saúde pública.

Não me parece que haja respostas diferentes de acordo com o quadrante ideológico. Pode acontecer que a direita, ciosa de públicas virtudes, seja mais relutante a admitir a sua existência e a esquerda esteja mais atenta às causas que lançam uma imensa quantidade de mulheres na prostituição, numa manifesta supremacia da prostituição feminina sobre a masculina.

Tenho dificuldade em encarar a prostituição como indústria, tributada como qualquer outra actividade, como sucede na Holanda, mas com direitos sociais iguais. Recordo-me bem da perseguição legal que, no auge da ditadura fascista, era levada a cabo pelos esbirros do salazarismo, que efectuavam prisões por «vadiagem» e exerciam sevícias nas esquadras.

Não podemos fechar os olhos aos empresários que exploram mulheres a troco de alegada protecção, de violenta coacção física e psicológica, com recurso à ameaça e à chantagem, numa miserável e aviltante exploração da miséria e da fragilidade, nem às redes criminosas que pululam em torno do negócio. Então, em ditadura, hoje, em democracia.

A prostituição foi legal até 31 de Dezembro de 1962, exercida em casas cujos alvarás, transaccionáveis, eram concedidos pelos Governos Civis, sendo os locais objecto de constantes rusgas policiais e as meretrizes alvo frequente de extorsão pelos agentes.

A Igreja católica, após uma intensa campanha moralista, que mobilizou o clero, as forças vivas, virtuosas senhoras e a «melhor sociedade», logrou o cancelamento dos alvarás, a interdição das casas e a ilegalização da profissão, enquanto corria o boato de que uma piedosa proprietária de bordéis deixou a fortuna ao Patriarcado de Lisboa, incluindo numerosos alvarás.

Foi um decreto-lei de 19 de Junho de 1962 que determinou o encerramento dos bordéis. Era ministro do Interior Alfredo dos Santos Júnior, um obscuro médico de Gouveia em cujo consulado a PIDE assassinou o general Humberto Delgado e a repressão conheceu um dos períodos mais violentos.

Acabaram, assim, as revistas semanais feitas pelos delegados de Saúde de cujo atestado sanitário dependia a autorização que as habilitava para o exercício de funções. O estado sanitário da prostituta era averbado na caderneta individual sem a qual não podia exercer o múnus.

Nesse tempo a sífilis, a tuberculose, a blenorragia e outras doenças venéreas eram as principais causas que punham de quarentena as prostitutas matriculadas. Depois o controlo acabou e, quatro décadas passadas, com a SIDA, o problema de saúde pública atinge proporções dramáticas. Acresce que a criminalidade dura gera e gere, hoje, redes de difícil contenção e repressão à custa da indústria do sexo.

À míngua de uma posição definitiva, entendo que a discussão deve fazer-se com urgência e procurar uma resposta. O pior, como sempre, é ignorar a realidade.

ao que isto chegou

Sócrates empurrou Mário Soares para a presidência da República!
Em 1985, lá na minha terra, em Trás-os-Montes, quando Coimbra para mim não passava ainda de um sonho, a minha casa foi mesmo a sede de campanha de Mário Soares. Posso até quase afiançar que assegurei grande parte do funcionamneto da sede do MASP no concelho de Mirandela, numa altura em que muitos socialistas locais resolveram, antes, apoiar Salgado Zenha. Lutei mais pela sua vitória do que muitos que agora se acobertam à sua sombra.
Aqueles que me conhecem desde novo, sabem bem que MS era como que um ídolo para mim. É ele, aliás, o grande responsável de eu me ter tornado socialista.
Este "puxar de galões" que aqui deixo, não é para pedir ou reclamar nada, mas antes para que me deixem invocar alguma legitimidade no que aqui vou escrever.
É que o homem já tem 81 anos!!
E nem a sombra ameaçadora de uma candidatura bem sucedida de Cavaco Silva justifica o acto de desespero do PS! Pensava eu que estas coisas só se passavam em África ou na América Latina.
Mário Soares é, sem dúvida, o candidato que melhor unifica o eleitorado nacional. Imbatível à esquerda e á direita, não dá hipóteses a qualquer outro candidato. Foi um bom presidente (para além de ter sido também um bom governante), mas o seu tempo já passou.
A posição de Sócrates ( logo seguida de todo o PS) demonstra bem o vazio de alternativas e, acima de tudo, o medo de defrontar Cavaco. Com Guterres e Vitorino fora da corrida, o apelo a Soares é o reconhecimento da vitória antecipada de Cavaco, e a impossibilidade de encontrar alternativa à esquerda.
Significa isto que depois de Sócrates tenhamos de apelar a Guterres para vir novamente a ser primeiro ministro? ou depois de Soares, novamente Sampaio?
E Almeida Santos novamente para presidente da AR; e Manuel Machado novamente para presidente da Câmara? mas não há renovação neste partido??!!.
Parece quase a Madeira, que não tem quem suceda a Alberto João Jardim.
No momento em que escrevo estas linhas todos os órgãos de comunicação social o dão já certo como candidato. Espero bem que Mário Soares tenha o bom senso e o discernimento de dizer não.
PS: Apesar do que escrevi, é claro que se ele for candidato, terá o meu voto e o meu apoio; não só porque ainda o admiro, mas também, contra Cavaco, tudo.

Agradecimento

Após escassos quatro dias, passados num concelho raiano que, depois da ditadura, só conheceu câmaras do CDS ou do PSD, eis-me de regresso.

Comecei por publicar de rajada alguns textos que trazia numa disquete, escritos num velho PC portátil.

Depois li os artigos dos meus colegas que me deram a certeza de que não faço falta para que o «Ponte Europa» se mantenha vivo.

Finalmente abri as caixas de comentários onde gozo de uma popularidade exagerada e de uma relevância que não mereço.

Agradeço as críticas, provavelmente justas, os insultos, certamente merecidos, e as palavras solidárias, excessivas e injustificadas, que revelam o calor humano que nasce entre quem escreve e quem lê. Se uns me desvanecem pela solidariedade, outros entristecem-me pelo rancor, sem deixar de agradecer a todos os comentários. Ninguém gosta dos outros quando se odeia a si próprio.

O artigo do Marcos Júlio «Aos anónimos que por aí uivam» resume de forma lapidar o que eu podia escrever. Por isso, agradeço-lhe e não preciso de alongar-me.

sábado, julho 23, 2005

Freitas do Amaral

Freitas do Amaral (FA) é a personalidade de maior dimensão da direita portuguesa, hoje com posições que o colocam ao centro. A sua inteligência, cultura, percurso de vida, experiência política e independência de espírito tornam-no uma das maiores referências da vida política portuguesa.

Freitas não espera para ver de que lado sopra o vento para tomar posições. Foi assim na forma engenhosa que procurou, sob o ponto de vista legal, para contornar a condenação das mulheres que abortam, na posição corajosa que o opôs à invasão do Iraque e na sólida argumentação que usou. Continuou a ser assim na magnífica entrevista que recentemente deu ao Diário de Notícias.

Para além disso, Freitas do Amaral tem uma notável concepção de serviço público que o levou a aceitar o lugar de ministro dos Negócios Estrangeiros, lugar que o seu prestígio internacional e dimensão política valorizam. É, sem dúvida, um excelente ministro ao serviço de Portugal e um europeu de grande projecção e sólidas convicções.

Claro que a direita que se reviu em Santana Lopes e Paulo Portas não tem inteligência nem sagacidade para ver nele a personalidade mais destacada e a que melhor podia fazer esquecer o seu passado de compromisso com posições autoritárias e aventuras populistas.

Dito isto, para além da admiração e respeito que o seu patriotismo e dedicação ao serviço público me merecem, Freitas do Amaral não é da minha família política e nunca teria o meu voto.

Sendo uma personalidade demasiado grande para merecer a solidariedade de uma direita provinciana e mesquinha, não é uma personalidade de esquerda em quem os socialistas se possam rever.

Excepção feita à posição tomada em relação ao Iraque e ao seu europeísmo sincero, nada me identifica com FA.

É por isso que aguardo serenamente um homem ou mulher de esquerda que mobilize o meu afecto e, sobretudo, interprete as minhas convicções. Para já qualquer dos nomes com que se especula mereceriam o meu apoio, mas a procissão ainda vai no adro, embora não possa ficar parada muito mais tempo.

RTP – A entrevista de Marques Mendes

Quinta-feira previa uma boa entrevista do novel presidente do PSD a Margarida Marante. Marques Mendes é um adversário que respeito e considero.

No Congresso de Viseu revelou-se superior a Durão Barroso e Santana Lopes, embora perdendo. Não é demagogo e considero-o um político sério. Foi um excelente líder parlamentar no consulado de Marcelo. Tem experiência política, provas dadas como governante e instinto político.

Tudo parecia a seu favor, menos o PSD. E assim foi. O grande ataque ao PS foi pela promessa não cumprida de não aumentar impostos, tendo aumentado o IVA em 2%. Tinha razão, mas o último governo que integrou tinha prometido um choque fiscal, com redução de impostos, e fizera exactamente o mesmo: aumentou o IVA em 2%.

A sugestão ao Governo para vender património não convenceu. Estão frescos os negócios ruinosos de Manuela Ferreira Leite e o impensável orçamento de Bagão Félix. Quanto às SCUTS até tem, a meu ver, razão. Mas o PSD não iniciou em três anos as obras necessárias à colocação de portagens e o PS tomou uma opção política diferente.

Depois veio o facto de ter retirado a confiança política a Valentim Loureiro e Isaltino de Morais. Foi um acto de coragem e um exemplo que outros partidos deviam aproveitar. Andou bem a justificar o saneamento dos dois autarcas. Foi hábil e elegante para com Santana Lopes, que despediu da Câmara de Lisboa.

O azar foi Judite de Sousa trazer à colação Alberto João Jardim. Aí, Marques Mendes começou a derrapar, parecia um Ford antigo a patinar no gelo. O companheiro Jardim tem coisas com que nem sempre está de acordo.

O pior é que a gravidade do seu caso ultrapassa a dos outros. Judite insistiu e Marques Mendes parecia um náufrago que não encontrava a tábua de salvação.

Foi patética a incapacidade de afrontar Jardim, que já o humilhou. Faltou-lhe o golpe de asa para o desmascarar, minguou-lhe a coragem de o desautorizar perante o País e o PSD. Perdeu a oportunidade de se impor. A partir daí outros lhe vão faltar ao respeito e disputar-lhe o lugar.

Após esse momento lembrou-me o candidato a um emprego que exigia o domínio de três línguas, informática e gestão. O candidato não preenchia uma só condição e o entrevistador perguntou-lhe:

- Então o que veio cá fazer?
- Só vim dizer que não contasse comigo.

Foi o que Marques Mendes acabou por dizer ao País. Subentendeu-se.

Lei eleitoral autárquica

A revisão da lei eleitoral autárquica no que concerne à dispensa de funções profissionais dos candidatos, dos actuais 30 dias para 12, era uma medida urgente e de higiene cívica que há muito se impunha.

Continua a não fazer sentido que gozem dessa regalia os elementos que excedam os anteriores eleitos por cada partido com o acréscimo de um, no máximo dois. Foi, no entanto, um bom princípio.

As eleições são um acto que exige dos cidadãos, por obrigação cívica, sacrifícios. Não podem tornar-se num expediente para benefício pessoal nem numa forma ínvia de prejudicar os serviços públicos e as empresas.

Estou ansioso por conhecer as razões da abstenção do PSD e do CDS.

Há anos houve os que se prestaram à desonestidade de integrar nas listas pilotos da Força Aérea para lhes permitir a passagem à reserva e a transferência para companhias de aviação civil, com graves prejuízos para o Estado.

Nem todos os partidos são entidades respeitáveis.

Lei do referendo ao aborto

As alterações aprovadas pelo PS e BE na especialidade, em sede da Comissão dos Assuntos Parlamentares, vai permitir a votação da lei no próximo dia 28, último dia de trabalhos da A. R..

O voto contra do PCP compreende-se perfeitamente pelo facto de a lei do aborto ser da competência da Assembleia da República, sede donde nunca devia ter saído. No entanto, após um referendo, embora sem carácter deliberativo por participação escassa, é um risco político não voltar a consultar o eleitorado.

Já os votos contra do PSD e do CDS, embora refugiados em questões formais, revelam a insensibilidade com que os deputados encaram a legislação anacrónica e o drama de imensas mulheres a que dá origem.

Para além do problema de saúde pública que é a questão do aborto, só a total insensibilidade e os preconceitos religiosos podem condescender com os numerosos julgamentos que têm perseguido mulheres cujos dramas são agravados com a devassa pública e a ameaça de prisão.

Apostila – Os que hoje se opõem à revisão da lei são os mesmos que se opuseram à versão, ainda em vigor, com o desejo mórbido de obrigarem as mulheres a levar até ao fim as gravidezes com malformações fetais, fruto de violação ou que pusessem em risco a vida da grávida.

Ministério das Finanças

Quando quarta-feira saí de Coimbra não adivinhava que, menos de 24 horas depois, haveria um novo titular no ministério das Finanças.

Não se pode dizer que a queda do ministro, ao fim de quatro meses, seja uma boa notícia para o Governo do PS e, muito menos, para o País, tanto mais que a situação de crise económica e de aperto orçamental não permitem alterações substanciais à política seguida nem margem para aventuras.

Também o PS não pode estranhar o aproveitamento que a oposição fez. É isso que se espera das oposições e um direito que lhes assiste. Com mais ou menos razão é um contributo democrático. Só em ditadura se escondem os problemas e se reprime a sua discussão.

Claro que a oposição de direita, com dois líderes a tentarem afirmar-se perante os adversários internos e o eleitorado, que nem as dificuldades sentidas leva a confiar nela, disfarça com agressividade a sua própria impotência.

A rapidez e consistência da solução encontrada, para substituir Campos e Cunha, deixaram a oposição sem margem de manobra para especulações e o nome escolhido tem prestígio nos meios financeiros e densidade política que ajudam a minimizar os danos.

O futuro deste Governo depende mais da solidariedade de quem sabe que as alternativas são escassas do que da agitação social, que se avizinha e compreende.

Além disso, todos sabemos que a direita, que até há quatro meses foi o Governo mais incompetente e trapalhão das últimas décadas, seria a perigosa alternativa onde todos os sacrifícios se manteriam e a mais leve preocupação social desapareceria.

É por isso que o PSD e o CDS esperam que das profundezas de Boliqueime regresse o salvador que os redima do passado recente e lhes augure um futuro promissor.

Jornal de Notícias

Num artigo da responsabilidade do jornalista João Luís Campos, sob o título «Insultos e revelações ao alcance de todos», o JN de 20 de Julho dedica a pág. 3 aos blogues de Coimbra.

A referência ao «Ponte Europa» surge na sequência de um breve telefonema que o referido jornalista me fez na véspera e que contém algumas imprecisões que sinto o dever de corrigir:

1 – É-me atribuída a gestão actual do Ponte Europa, o que não corresponde à verdade nem foi por mim referido. Qualquer dos colaboradores pode publicar os artigos que entender, sem necessidade de os submeter à apreciação prévia de quem quer que seja. Este esclarecimento destina-se apenas aos leitores, pois quem colabora no Ponte Europa conhece a liberdade de que goza.

2 – Nunca fiz um comentário anónimo. E nunca apaguei qualquer comentário, ao contrário do que, por lapso, afirma o jornalista. Referi que um colega apagou, uma vez, um comentário que me era dirigido, pelo seu carácter obsceno e insultuoso.

3 – No resto, no que se refere ao «Ponte Europa», as afirmações fazem parte das que foram objecto do telefonema.

sexta-feira, julho 22, 2005

Manuel Alegre à presidência!

O Manuel Alegre deve ser o candidato da esquerda à presidência.
Tem o meu voto e o meu empenho.

quinta-feira, julho 21, 2005

Porque há vida para além da politiquice

Transmitiu a SIC Noticias, creio que na passada Terça-feira, uma reportagem, seguida de debate, sobre a prostituição.
Também esta semana o diário "As Beiras", na sua coluna diária de inquérito de rua perguntava ao cidadão anónimo se era a favor da legalização da prostituição (e, curiosamente, as respostas não foram maioritariamente contra, com as próprias mulheres a não serem opositoras à legalização).
Ainda esta semana no Público e, ontem, no DN Sarsfield Cabral, tomaram posição sobre este assunto.
Portugal, em especial a zona norte, assistiu, nos últimos meses, à saga persecutória a casas de alterne e prostituição, com o seu consequente encerramento.
Por razões profissionais, acompanhei recentemente um dos casos que a comunicação social em devido tempo noticiou, criando a oportunidade para eu próprio reflectir sobre o assunto. E então cá vai:
A prostituição é comumente reconhecida como a profissão mais velha do mundo. Perseguidas ao longo dos anos e séculos da nossa história, as prostitutas viram-se sempre relegadas para a clandestinidade, para o ostracismo e desprezo, para a injúria e para a vergonha.
Como disse na reportagem da SIC a freira responsável das Irmãs Oblatas (que acompanham as prostitutas de rua) em resposta à pergunta do repórter: "até Jesus disse a Maria Madalena que ela não era mais pecadora que os outros".
Até no tempo de Salazar, a que Sarsfield Cabral se refere no seu artigo, a prostituição era proibida, mas tolerada (e utilizada por proeminentes figuras do Estado).
E em todos os países (incluindo muçulmanos) onde a prostituição é proibida, ela existe; escondida, envergonhada, secreta; mas está lá.
Em Coimbra, basta passar a partir das 22:00 horas pela Rua Fernão de Magalhães, ou consultar as páginas de classificados dos diários locais para a sentir.
Em Bragança, o célebre movimento persecutório às casas da especialidade, provocou simplesmente que "as garotas de programa" mudassem de local de exercício da actividade: arrendaram apartamentos e passaram a "receber em casa". Ironicamente, para as "mães de Bragança" ( e, reparem no pormenor, que se intitularam mães e não esposas ou mulheres) deixaram de ter um local isolado onde (é verdade) se praticava o sexo, para passarem a ter essas práticas na porta ao lado. É verdade, as "garotas" passaram a ser vizinhas das "mães" -virou-se o feitiço...
Por outro lado, e é isto que verdadeiramente me motiva, a prática da prostituição na rua, seja na Rua Fernão de Magalhães, em Monsanto ou no Choupal, levanta questões de salubridade e saúde pública.
As casas de alterne fomentavam (fomentam) rigorosas práticas de higiene entre as raparigas e os clientes, com recurso obrigatório não só ao preservativo, mas a packs assépticos e outras medidas higiénicas (não se ponham a pensar coisas... eu sei porque li a sentença).
Falta incrementar estas boas práticas e conjugá-las com obrigatório acompanhamento médico, para enfrentarmos condignamente as doenças sexualmente trasnmissiveis, com a sida à cabeça.
Ora, foi isso que a Holanda fez há imenso tempo: em vez de ignorar a questão ou escondê-la, enfrentou-a e assumiu que a melhor maneira de lidar com ela era torná-la o menos perniciosa possivel; outros paises (essencialmente os nórdicos - excluindo a Suécia) parecem caminhar neste sentido, com a Bélgica, capital do "reino" europeu, na linha da frente. E as prostitutas organizaram-se e defendem os seus direitos e reinvindicam regalias. O melhor de tudo: até têm direito a segurança social - são pessoas, não animais.
E assim combate-se também o tráfico de carne humana, a escravatura sexual, os maus tratos de que tantas e tantas mulheres são vítimas. A perseguição e a opressão têm o efeito contrário ao pretendido e facilitam a actividade criminosa.
Claro que a questão moral é pertinente: posso eu dispor do meu corpo conforme a minha vontade?
A lei ainda não o permite (veja-se, além deste, o exemplo da eutanásia); todavia, não o consegue evitar. E, em meu humilde entendimento, cada um deve poder dispor do seu corpo conforme entender, desde que isso não contenda com a liberdade e autonomia dos outros.
Por isso, respondendo a Sarsfield Cabral, não vejo porque, desejando-o, não possa ele tornar-se escravo.
Sou, por isso, favorável à legalização da prostituição.

São os primeiros a protestar

Regina Oliveira é a nova veradora da Câmara Municipal de Coimbra, por substituição de Teresa Violante, conforme é público e foi discutido neste e noutros blogues locais.
A nova vereadora diz que a sua colaboração irá ocorrer “a tempo inteiro".
Mas o que "as beiras" deixou de fora e o "Diário de Coimbra" acrescentava, é que esta senhora está há um ano de baixa do local onde presta serviço (o IDT).
A ser verdade esta notícia, ou Carlos Encarnação vai ter uma vereadora a muito pouco tempo, ou então este é mais um daqueles casos de exemplar dedicação ao funcionalismo público.

Campos e Cunha

Campos e Cunha demitiu-se.
Esta vai ser a notícia que ocupará hoje os comentadores do costume.
A Oposição, que tanto o cruxificou durante os últimos dias, vem agora criticar e exigir explicações. Para estes, o Ministro passou de besta a bestial.
Realço que Campos e Cunha invocou motivos pessoais - claramente aquele não era o lugar que ele esperava (desejava) encontrar: desgastante e extenuante (e é por isso que eu não invejo os ministros).
Para os críticos do costume, recordo que todos os Governos tiveram situações semelhantes, desde Cavaco e Guterres (os Governos mais estáveis) até Durão e Santana Lopes.
E antes que comecem a atirar pedras, já esqueceram o "bailarico" que foi o Governo de Santana Lopes?

aos anónimos que por aí uivam

O Carlos Esperança transmite neste blogue a sua opinião.
Quando eu quero e posso, expresso a minha.
Confesso que não concordo na totalidade com as opiniões do Esperança, nem ele deve concordar com tudo o que eu digo.
Na verdade é para isso que serve este blogue, para que cada um expresse a sua opinião pessoal e a discuta abertamente com todos os que gostem de uma boa discussão.
Este blogue pretende ser ainda um espaço de democracia e cidadania. Por isso defendo, ao contrário de alguns colegas bloguistas, que se mantenha o blogue nestes termos, sem constrangimentos nem censuras.
Infelizmente, há muitos cobardes e imbecis, que sobre a capa do anonimato (que, repito, aceito) utilizam este espaço para o insulto e o dislate. A estes, não é sensato responder. Não o merecem. Deve sempre ignorar-se os cães que ladram, porque quanto mais atenção se lhes dá, mais eles ladram ( mas não mordem).
Àqueles que quiserem utilizar este espaço para uma boa discussão, as nossas boas vindas são permanentes.
Aos outros, vão fazer lixo para outro lado.
Ao Esperança, força, porque ainda bem que há quem expresse a democracia.

quarta-feira, julho 20, 2005

Picasso



A arte para esquecer a apagada e vil tristeza dos dias que correm.

Parabéns Nelson Mandela

Nelson Mandela com Bill Clinton

Fez ontem 87 anos um paladino da liberdade e o grande obreiro da transição pacífica de um regime racista e colonialista para um país multicultural e multirracial – a África do Sul.

São homens da têmpera de Nelson Mandela, cuja inteligência e sensibilidade os distancia do comum dos dirigentes, que nos levam a ter esperança num mundo onde não seja possível a discriminação por razões de raça, religião, sexo ou convicções políticas.

Nelson Mandela, o prisioneiro 46 664, é o símbolo dos que não desistem de transformar o Mundo e deixar um país que não seja coutada só de alguns.

O velho prisioneiro e primeiro presidente da África do Sul livre, condenado a prisão perpétua, resistiu ao cativeiro 27 anos e ao ódio e à vingança o resto da sua vida. Foi distinguido com o Prémio Nobel da Paz e foi maior o prestígio para o Prémio do que para o premiado.

Parabéns, Nelson Mandela. Obrigado.

Carlos Esperança

terça-feira, julho 19, 2005

A vereadora despedida por Carlos Encarnação

Teresa Violante

Despedida de forma «indecorosa, ofensiva e danosa» segundo a própria.

Carlos Esperança

Câmara Municipal de Coimbra

A ruptura entre Carlos Encarnação e a vereadora Teresa Violante é o corolário de um mandato em que a cidade nada ganhou mas as feridas dentro do executivo camarário se abriram e acabaram por infectar.

Entre a JSD e Teresa Violante, por um lado, e Carlos Encarnação por outro medra o rancor e crescem as acusações.

A vereadora acusa Carlos Encarnação de a ter tratado de forma «indecorosa, ofensiva e danosa» - segundo se lê no «Diário as Beiras». «Fui brutalmente atacada» queixa-se a despedida vereadora do Ambiente, Juventude e Desporto.

Carlos Encarnação, a ensaiar a recondução à presidência da Câmara, não podia ignorar a adjudicação de dois espectáculos musicais para a reabertura do Jardim da Sereia à empresa «Biovent» de que faz parte o namorado da vereadora despedida, Filipe Nascimento, dirigente do PSD.

Carlos Esperança

CDS faz acto de contrição

Ontem, a entrevista televisiva de Maria José Nogueira Pinto, candidata do CDS/PP à Câmara de Lisboa, conduzida por Maria João Avilez, foi um acto de humor pela cerimónia, delicadeza e tratamento senhoril usado entre as duas manas. Gente fina é outra coisa!

A entrevista serviu para revelar o aspecto catastrófico em que se encontra, sob o ponto de vista financeiro, a principal Câmara do País, desastre que, segundo a candidata, se deve à gestão Santana Lopes/Carmona Rodrigues, situação que era bem diferente no anterior executivo (PS/PCP), conforme revelou em números.

Curiosamente, o líder que conduziu o Governo ao desastre, Santana Lopes, e o vereador que, entretanto, o substituiu, Carmona Rodrigues, estão na origem do descalabro que levaram a cabo com o apoio do CDS/PP.

A referência ao CDS/PP foi a acusação que faltou à demolidora demonstração dos prejuízos causados por um executivo preparado para lidar com a comunicação social mas incompetente para administrar um município com a importância e os problemas de Lisboa.

Carlos Esperança

segunda-feira, julho 18, 2005

Reconhecimento tardio

«Durão Barroso foi uma decepção».


Ainda há pouco tempo tinha reconhecido que a Direita não estava preparada para Governar após as eleições que levaram a dupla Durão Barroso /Paulo Portas ao poder.

Foi difícil reconhecer o óbvio.

Terrorismo religioso (2)


Washinton Times

Tradução do artigo de Diana West (July 15, 2005)

«Apenas uma fé na terra pode parecer mais messiânica do que o islão...o multiculturalismo

Sem ele - e sem os fanáticos que acreditam que todas as civilizações são idênticas- este motor que projecta o islão para o desprotegido coração da civilização ocidental irá falhar e parar. É tão simples como isto.

Conviver entre os crentes- os Multiculturalistas- é observar o assalto, a jihad (guerra santa), tomar lugar, sem ser repudiada pelas nossas sociedades suicidas. Estas sociedades estão condenadas a se submeter: ou antes eles estão prontos para o fazer em nome de uma tolerância masoquista que, á falta de medidas drásticas é terminal.

Eu não estou a falar dos nossos policias, soldados, ...e agora, mesmo condutores de comboios que heroicamente e rapidamente arriscam as suas vidas pela sociedade no estrangeiro e aqui em casa. Eu estou a pensar naquilo que somos como sociedade neste algo avançado ponto da guerra.

É estranho, em que civilização nos tornámos, com lideres que prometem "sem rendição" mesmo quando tentam desviar a identificação do inimigo. 4 anos depois do 11 de setembro, nós continuamos a esconder o terror, mesmo quando nos referimos a "uma ideologia do ódio" é um argumento de um filme que está mais próximo de fantasia cientifica que de realpolitik (política real?), e não existem efeitos especiais que poderão anular o terror e ódio no metro de Londres, mais do que aconteceu no terraço do WTC. Ou no clube em Bali, Ou no 1º dia de aulas em Beslan. Ou em qualquer disco, autocarro ou centro comercial em Israel.

Sacos de plástico (para mortos), mascaras de queimadura e próteses não são melhores protecções que o sonhar.. Mas estas armas, segundo alguns poderes são suficientes. Estes e uma multitude de miras telescópicas, scanners desenhados para identificar retinas e impressões digitais, ou para detectar explosivos e metais

- ultimamente, eu penso, quando nos introduzimos na porta automática do supermercado:
"Que estranho, embora nós arranjamos maneiras de nos vermos por dentro nos nossos elementos mais básicos, nós prevenimos a nós próprios de olhar directamente para o risco posto pelo islão."

Tomem nota que eu não disse islamistas ou islamistas fascistas ou extremistas fundamentalistas eu tentei usar estes termos no passado, mas eu achei estes artificiais e confusos, e talvez é de propósito. por causa da impressão que estes de dar uma pequena amplitude a um grande problema:

A grande incompatibilidade do islão
- A força religiosa que diminui a liberdade, esta nossa liberdade permite uma moderada ou extremista jihad. Estou certa? quem o pode dizer?
O tópico fundamental da islamização é proibido aqui e muito proximamente na Europa - (não poderemos falar sobre este tópico um dia destes)

Uma fuga de um report (trabalho dos serviços secretos) inglês diz que o Tony Blair foi avisado no ano passado com frases do esitlo:
"expressões de preocupação com o fundamentalismo islâmico" ((outra dos tais termos amorfos e sem significado) porque muitos muçulmanos moderados seguem ensinamentos tradicionais muçulmanos e podem julgar essas expressões como algo de negativo na sua abordagem á sua fé

Melhor observar túneis subterrâneos cheios de partes corporais em silencio. Como Simon Jenkins do «London Times» escreveu:
"a resposta sã é observar o terrorismo urbano como um acidente que não podemos escapar."

Eu não estou a discutir das raízes do terror islâmico...

em não aprender os porquês, o clérigo multicultural (exemplo a nossa media) que educam os nossos lideres previnem a gente de fazer algo sobre o problema, esta é a chave, porque qualquer acção séria...

exemplo:
PARAR A EMIGRAÇÂO DE NAÇÔES APOIANTES DA JIHAD, fechar mesquitas que pregam violência, expulsar os imãs.

Isto significava renunciar ao credo multiculturalista no ocidente, isso é o maior pecado. e enquanto a penalidade não é a morte- Como o é abandonar o islão na lei islamica- a crise existencial é para ser evitada a todo o custo..mesmo com extinção!

Esta é a lição nas atrocidade de londres. E não me parece que este sec 21 irá se lembrar que o novo ocidente encruzilhada da jihad mundial foi outrora casa de churchill, piccadilly e sherlock holmes. mas...quem reparará nisso?

A TV BBC retirou a palavra terrorista da cobertura do ataque, o porta voz da policia de Londres declarou:
"islão e terrorismo não andam juntos"
E com algum trabalho de pesquisa no lixo deixado um padre anglicano preveniu o seu rebanho como o repórter do «Guardian” noticiou:
"para vibrar na capital da riqueza de culturas, tradições e grupos étnicos e fés" mas não lhes chames de muçulmanos”. »


(Traduzido por DINIS)
Nota:
1 - Esta tradução que se deve a um amável leitor do «Ponte Europa» é um ponto de vista que serve para o confronto dialéctico das várias posições. Já Demóstenes, há mais de 24 séculos, dizia «devem ouvir-se igualmente ambas as partes».

2 – Limitei-me a corrigir gralhas insignificantes.

3 - O leitor deixou de ser anónimo.

Expresso - 1.ª página

Gastos milionários na GALP

«UM QUADRO superior contratado pela Galp quando António Mexia assumiu a administração, em 2002, recebeu uma indemnização de 290 mil euros para sair da empresa, apenas dois anos depois de ter entrado. Este quadro acompanhava Mexia desde que este era responsável pela Gás de Portugal - e negociou o contrato com vários anos de antiguidade, que acabaram por lhe dar direito ao elevado montante. Poucos dias depois de Mexia sair da Galp para o Governo, o mesmo quadro foi admitido (com a indemnização no bolso) na Refer, uma empresa tutelada pelo seu ex-patrão».
Gastos milionários na GALP

Infelizmente não posso remeter os leitores para a 2.ª página (link indisponível), onde o artigo de Graça Rosendo e Valentim Marcelino denuncia o estado a que o nepotismo e as «regalias de luxo» conduziram as empresas com capitais públicos - um antro de prebendas e sinecuras onde o cúmulo é um contrato em que o feliz contemplado no primeiro dia de serviço já conta com quinze anos de antiguidade.

É natural que em 10 anos possa haver quadros, com nomes sonantes, que acumulem dois séculos de trabalho.

Não aceito que o actual Governo permita que o regabofe continue. É da sua coragem a pôr cobro a semelhantes enormidades que depende a confiança e o apoio que lhe prodigalizo.

Sei que uma legislatura é curta para corrigir os três anos de PSD/CDS e dessantanizar as injustiças de que Portas e Bagão Félix foram largamente cúmplices.

domingo, julho 17, 2005

O Exorcismo da Celeste (Crónica)

Libertação de uma possuída, detalhe do "Retábulo de São Volfango", de Michel Pacher.

Em terras da Beira, depois da guerra, a gratidão para com a senhora de Fátima, pela afeição a Portugal, estendia-se ao senhor presidente do Conselho que nos livrara do conflito. No Cume sobrava piedade e faltava comida. Estavam no fim os anos quarenta e os portugueses longe de começarem a ser gente.

A Celeste morava ao cimo do povo, sozinha, e cismava que se matava. Via-se que não regulava bem da cabeça e adivinhava-se a fome que a apoquentava. Suspeitaram os vizinhos de mau olhado e a ti Catrina, calhada nas benzeduras para tal moléstia, já a tinha ido visitar com outras mulheres embiocadas no xaile e os rostos sumidos na copa de enormes lenços pretos. Das conversas delas nada se disse mas ouviu-se na rua a ladainha:

«Dois to deram, três to tirarão,
foi S. Pedro e S. Paulo e o apóstolo S. João
Sant'Ana pariu Maria, Maria pariu Jesus,
assim como isto é verdade,
livre este corpo de ares, olhares e todo o mal
em louvor de Sant'Ana e Santa Iria...
padre nosso, ave-maria...»

Muitos padre-nossos e ave-marias depois, sem abrandar o mal, as mulheres mais velhas concluíram que deviam ser espíritos que atenazavam a bendita alma da Celeste, tão temente a Deus que ela era, mas nestas coisas de espíritos ruins são estes que escolhem a morada e, embora a oração lhes dificulte a entrada, está provado que não é intransponível a barreira.

A adensar a suspeita ouvia-se na habitação, durante a noite, o barulho de máquina de costura, que não havia, a trabalhar, a perturbar o sono e a aumentar a angústia. À porta juntavam-se pessoas vindas da igreja a ouvir o som que os espíritos produziam. Os poucos que não ouviram, apesar da atenção e do silêncio, conformaram-se com a deficiência auditiva e renderam-se à maioria.

O senhor padre pode ter desconfiado do diagnóstico, o sr. António Bernardo dizia que ela não batia bem da bola, podia até ser dos espíritos, a senhora professora aconselhou um médico, que disparate, o que sabe um médico destas coisas e onde é que o há, mas o povo na sua infinita sabedoria já tinha o veredicto, eram espíritos, só podia ser, falava-se de uma avó falecida há muitos anos, a voz tinha sido reconhecida, faltaram-lhe algumas missas ao trintário na encomendação da alma, não se perde nada em benzer a casa e deixar algum latim – conformou-se, acossado, o padre Pires –, dizem-se as missas em dívida e logo se verá.

A Celeste é mulher e o destino das mulheres serem possuídas, os espíritos malignos aproveitam e, depois de entrarem, são difíceis de expulsar. É um combate para senhores párocos, ou mesmo para um reverendíssimo bispo se as posses da vítima e a malignidade o aconselham. Pouco avezado a tais pelejas, mas com habilitações canónicas e compleição adequada à luta, bem se esforça o padre a desalojá-los. Quem julgue que a força da cruz e do divino devem bastar não conhece os espíritos e o furor que transmitem às mulheres possuídas, levando à exaustão o exorcista que não raro precisa de várias tentativas para se fazer obedecer. Fracassa e fica extenuado, à primeira, o padre Pires, valendo-lhe a gemada que o aguarda com vinho e açúcar, enquanto a ceia e o breviário lhe não retemperam as forças e devolvem a serenidade.

A Celeste não melhora. Continua a ouvir vozes que desconhece, definha. Alguns dias após, no regresso do Carapito, onde tinha ido levar o viático a um moribundo, volta o padre Pires à peleja com o maligno. Pode ser que na vez anterior se tenha entupido o hissope, avariado o crucifixo ou faltado à água a bendição, quem sabe, o senhor prior não costuma partilhar as dúvidas, se dúvidas assaltam o ministro de Deus, isto é um incréu a pensar, a força da fé move montanhas, sempre ouvi dizer, a Celeste pode ter perdido a fé com a fraqueza, e sem fé não adianta, é um esforço inglório, o certo é que o senhor padre volta a entrar naquela casa, se pode chamar-se assim ao sítio, mal nunca faz, senhor eu não sou digna de que entreis na minha morada, isto é uma forma de dizer, a Celeste refere-se a Deus que está em toda a parte, mas quando vem acompanhado do seu representante há-de infundir maior respeito, as pessoas humildes dizem estas coisas, o senhor padre mergulha bem o hissope, asperge-o com vigor, desenha cruzes, vai-se ao demo com o latim e as mãos, põe as pessoas a rezar o terço que a irmã Lúcia recomenda contra o comunismo, que também resulta com os espíritos, tudo obra do demo, deixa a reza para os paroquianos e sai da refrega exausto à procura da gemada com vinho, açúcar e nódoas para a batina, sem saber se os espíritos encurralados no corpo frágil obedeceram à ordem de expulsão, onde resistiam acossados à parafernália de alfaias sagradas e pias intimações.

As pessoas esperam na rua alheias ao perigo de serem apanhadas para refúgio dos espíritos em fuga. Nessa noite a máquina de costura inexistente permanece silenciosa e quieta, calam-se as vozes das almas penadas, a Celeste dorme bem pela primeira vez em muitos dias, depois da canja que lhe levaram. Se os espíritos não saíram estão debilitados.

A Celeste, com pouco alento, é certo, volta à horta e à igreja, o exorcismo resulta.

Finou-se algumas semanas depois, completamente curada e liberta de espíritos malignos.

Carlos Esperança

sábado, julho 16, 2005

Terrorismo religioso

Os assassinos de Deus não são um epifenómeno islâmico. O crime é o corolário de uma fé radical, insere-se na matriz genética dos esfomeados do Paraíso.

Pode alertar-se os cidadãos para ideias deletérias, objectivos perversos e execráveis representantes de um determinado partido político ou de uma corrente filosófica, mas é difícil advertir os crentes da falsidade do seu livro sagrado, da maldade dos seus ensinamentos ou da demência dos seus clérigos.

Os verdadeiros criminosos não são os beatos que morrem matando, são os clérigos que exaltam as virtudes do seu Deus e exultam com os crimes dos seus crentes.

Os partidos políticos e os movimentos ideológicos que apelam à violência, ao racismo e ao crime caem sob a alçada da lei e sujeitam-se ao veredicto judicial. A ETA foi ilegalizada em Espanha, as Brigadas Revolucionárias interditas em Portugal, as Brigadas Vermelhas banidas em Itália.

As religiões que fanatizam crentes, semeiam ódios e alimentam o terrorismo, encontram sempre quem lhes ache virtudes e veja nos erros da interpretação a origem dos crimes.

As Cruzadas e a Inquisição resultaram da falsa interpretação da Bíblia; os massacres islâmicos devem-se à deficiente compreensão do Corão; a ocupação da Palestina baseia-se na leitura apressada da Tora. Tudo isto é absolutamente falso.

E os homens, vítimas de Deus, joguetes do clero, hão-de continuar a carregar a palavra revelada a boçais iluminados por deuses cuja origem se deve ao pior que os homens eram no tempo em que tais deuses criaram?

Se o clero se comporta mal é preciso bani-lo das sociedades onde a tolerância, a liberdade e a diversidade ideológica se tornaram paradigmas, contra a sua vontade e perante o desespero dos famintos de Deus.

Perante a barbárie do terrorismo religioso não podemos concluir que há uma guerra de civilizações. Há, sim, um ataque sistemático e desesperado contra a civilização.

A urgência em pôr cobro ao terror obriga a que as religiões (todas) sejam tratadas como qualquer outra organização ou empresa.

Post scriptum - Com este artigo respondo aos leitores que me acusam de ser tolerante com o terrorismo. Intolerante sou, de facto, com o racismo e a xenofobia.

sexta-feira, julho 15, 2005

Guerra Fria do Sec. XXI



O mundo deparou-se mais uma vez com os atentados recentes perpetrados em Londres.
Condenar apenas, é uma evidência, que me escuso de repetir.

Também não tenho dúvidas de que o que se pretende é uma guerra à escala global, em que o Islão e o mundo Ocidental finalmente se confrontem para aniquilar o planeta.
Essa alegria obviamente o mundo ocidental nunca poderá dar aos terroristas.

Mas será esta, uma contenda que tem causas políticas e portanto negociável?
Não, esta é uma disputa civilizacional que assenta na pretensa superioridade da cultura islâmica ou pelo menos numa certa cultura Islâmica e em última análise no ódio.

Não tenho dúvidas de que grande parte das ditaduras Islâmicas com vestes de democracia, Teocracia, Monarquia etc., assentam no poder do petróleo é este o sustentáculo financeiro que as suporta. E o que é grave é que ao longo dos anos, o poder do petróleo não serviu para democratizar aquelas sociedades, ou no mínimo para esbater o fosso entre pobres e ricos ou ainda para uma maior humanização daquelas sociedades, muito pelo contrário.

Sem este suporte, estes regimes tornar-se-iam frágeis, sem alternativa que não seja a de um poder popular, forte, lúcido e concorrencial, e por isso sem pretensões de imposição de uma determinada cultura.

A questão da energia é assim uma questão política com imensa acuidade, venham por isso os híbridos, os motores eléctricos ou a hidrogénio, venham todas as formas de energia alternativa.

Há uns dias atrás fui surpreendido com a notícia da nova energia nuclear (energia termonuclear), baseada agora não na cisão do átomo mas na fusão do seu núcleo, dizem os especialistas que tem vantagens incomensuravelmente maiores relativamente à "velha energia nuclear", quer do ponto de vista dos riscos (não emite radioactividade) , quer do ponto vista estritamente ambiental.
Há no entanto um óbice importante, a primeira central Termonuclear que será construída em França, só estará pronta daqui a dez anos.

Uma nova Guerra-fria precisa-se, a Europa/Eua devem reagir com "conta peso e medida" e a longo prazo.

Banco de Portugal

O Independente de hoje vem desenvolver um tema que há algum tempo já aqui tinha aflorado.
A ser tudo verdade, só há um caminho para Constâncio: a porta da rua.

A decisão do PSD da paróquia do Funchal

«A Assembleia Legislativa da Madeira aprovou, ontem, um voto de protesto contra o ministro dos Negócios Estrangeiros. No documento, Freitas do Amaral é acusado de "cobardia política" e de "bajulação" à China, por ter pedido desculpas ao Governo de Pequim, quando Alberto João Jardim disse não querer chineses na região» - lê-se hoje no «Jornal de notícias».

Na impossibilidade de julgar Alberto João Jardim pelos prejuízos causados ao bom nome de Portugal e ao respeito que os portugueses merecem, não se poderia extraditá-lo para a China ou, melhor ainda, entregá-lo a uma tríade chinesa?

quinta-feira, julho 14, 2005

Férias judiciais.

O governo pode reduzir as férias judiciais. É um direito que deve ser exercido sem constrangimentos intoleráveis. Porém, a decidir assim, vai pelo caminho errado.

Fátima Felgueiras volta em Outubro

Nada me move contra Fátima Felgueiras. Do ponto de vista pessoal tem características que facilmente inspiram simpatia. É mulher, tem presença agradável, é determinada e corajosa. Suspeito mesmo que foi uma autarca competente.

Mas seria uma enorme miopia ver nas acusações de que é alvo uma cabala ou um erro judiciário. A suspeita de que os crimes de que é arguida são frequentes em muitos municípios não atenua a gravidade dos factos nem a recomenda para o cargo.

Fátima Felgueiras promete voltar em Outubro, ao abrigo da imunidade que lhe confere a candidatura autárquica, mas espero que se limite a vir cumprimentar Isaltino Morais, Avelino Ferreira Torres e Valentim Loureiro, saudar Isabel Damasceno, em Leiria, e desejar felicidades a Alberto João Jardim.

Seria lamentável que reconquistasse a Câmara de Felgueiras. O PS fez bem em retirar-lhe a confiança política tal como o fez, em idênticas circunstâncias, Marques Mendes com uma coragem e atitude cívica exemplares. Até onde pôde.

Estas observações vêm a propósito da campanha, em tempos desencadeada, contra o monopólio dos partidos nas candidaturas autárquicas. A tímida cedência satisfez a comunicação social e os caciques e as candidaturas independentes puderam avançar.

Acham que o País ficou melhor servido? O caso da Madeira não devia servir de aviso?

As candidaturas que os partidos vetaram podem ganhar. Quem responsabilizaremos politicamente pelos desmandos e agravamento do caciquismo que estimulam? Não podemos julgar o eleitorado que preza mais o bairrismo do que a virtude dos edis, mais entusiasta do clube de futebol local do que da ética republicana.

A democracia, a transparência e o País ganharam com o fim do monopólio dos partidos?

Carlos Esperança

Vergonha ou caso de polícia?

Caricatura de Valentim Loureiro

Os motivos infamantes que levaram o capitão Valentim Loureiro à expulsão das Forças Armadas Portuguesas (F.A.P.) impedi-lo-iam, noutro país europeu, talvez com a excepção da Itália, de prosseguir qualquer carreira pública.

Foi a situação de desespero económico da viúva e de filhos menores de outro capitão, expulso pelo mesmo motivo, que deu origem a um acto de misericórdia que levou à reintegração do referido oficial, a título póstumo, com uma pena mais suave, situação que foi sancionada pelo gen. Eanes, então CEMGE.

Foi essa esmola à família do camarada falecido que Valentim Loureiro reivindicou para exigir a reintegração e ascender ao posto de major que a antiguidade entretanto permitia.

Depois disto, só a falta de vergonha do próprio e do PSD, em que um protegeu o outro, mútua e reciprocamente, permitiu ao oficial que recebia uma comissão nas batatas compradas para as Forças Armadas, desempenhar funções relevantes.

Só um eleitorado que não castiga o carácter venal dos seus eleitos e um partido que se conforma com o passado inquietante dos seus quadros, puderam permitir que Valentim Loureiro ocupasse os mais altos cargos da hierarquia partidária, presidisse a uma Câmara, colocasse homens da sua confiança no Governo, incluindo um seu vereador, dirigisse o futebol nacional e presidisse à Empresa do Metro do Porto em representação dos autarcas.

O gesto corajoso e nobre de Marques Mendes, de lhe retirar a confiança política, não o impede de apresentar de novo a sua candidatura à Câmara de Gondomar no próximo dia 22.

Antes disso, «assinou ontem um protocolo com os párocos de 14 freguesias do concelho de Gondomar, com vista à distribuição de uma verba camarária de cerca de 136.500 euros» - segundo revela o Correio da Manhã de 13 do corrente.

«Valentim Loureiro distribui dinheiro por párocos». É a apoteose do caciquismo no seu máximo esplendor.

Carlos Esperança

quarta-feira, julho 13, 2005

Os trabalhos de Carmona Rodrigues

Paços do Concelho de Lisboa

Sob o título em epígrafe, Vasco Graça Moura (VGM) publicou hoje o habitual artigo das quartas-feiras no Diário de Notícias (omisso, talvez por vergonha do DN, na edição Online).

VGM é um escritor excelente, na prosa, na poesia e na tradução. É um intelectual com grande densidade cultural. Infelizmente para ele é um sofrível cidadão, um medíocre político e um execrável almocreve partidário.

VGM palra, coaxa e crocita hoje sobre as eleições autárquicas à Câmara de Lisboa. Diz do vereador de Santana Lopes, Carmona Rodrigues, que «tem não só as qualidades dos seus adversários, mas ainda um prestígio e uma credibilidade reconhecidos por toda a gente» [sic].

No entanto refere que a candidatura é difícil porque os candidatos têm grandes qualidades e enumera-os, por esta ordem:

- Maria José Nogueira Pinto;
- Ruben de Carvalho e
- José Sá Fernandes.

Quem ler o artigo pensa que se esgotam nos 4 nomes referidos as candidaturas à Câmara de Lisboa. Aposto que julgará que o PS não apresentou candidatura.

VGM lembrou-me um padre que dizia que os quatro grandes evangelistas foram três: Lucas e Mateus.

VGM mostrou a honestidade intelectual que politicamente o exorna.

VGM voltou a ser o troglodita que queria afundar as gravuras de Foz-Côa, a que chamou garatujas horrendas.

VGM não me deixa esquecer que é o bárbaro que defende a pena de morte.

Apostila – Através da TV tive conhecimento num jornal das 20:00, de hoje, que uma sondagem da Universidade Católica coloca Manuel Maria Carrilho em primeiro lugar nas intenções de voto para a Câmara de Lisboa. Quem lesse VGM julgaria que não era candidato.

Carlos Esperança

ainda a proposito dos 180 deputados, das centenas de concelhos..

O desafio que está colocado ao País é o de conseguir consolidar, internamente uma estrutura regional com escala apropriada, competências, autoridade e poder de decisão que permita, verdadeiramente, pensar e perspectivar Portugal como um todo, o que significa que o que se tem que abandonar definitivamente a perspectiva de desenvolver o país a duas velocidades, de um lado, os territórios que desorganizadamente se sobrepovoam e aqueles que apresentam preocupantes taxas demográficas é necessário acabar com a litoralização do país, é necessário uma nova política de desenvolvimento regional que traga consigo uma discriminação positiva pela igualdade de oportunidades. O anterior governo com o modelo de “descentralização” assente em áreas metropolitanas e comunidades urbanas, que pouco mais são, em termos de competências, que associações de municípios e as quais falta legitimidade democrática, destrutorou o território em cerca de duas dezenas de unidades Sub-regionais, perdeu o controlo do processo, na medida que não assegurou a “função de salvaguarda” para o estado.

É essencial garantir que para um cidadão o estar em Bragança ou em Lisboa é indiferente em termos de rapidez de acesso aos serviços da Administração Pública, em termos de igualdade de oportunidades, em termos de educação, de desenvolvimento profissional e de acesso à justiça, este desígnio só será possível com a efectivação da descentralização, através de um processo de regionalização gradualista política e administrativa que dê inicio ao principio do fim de um administração pública pesada, ineficiente, dispendiosa e pouco amiga do cidadão, que potencie os valores intrínsecos das regiões, assente nas actuais estruturas administrativas e na divisão territorial das CCDRS.

Na minha opinião esta regionalização política deve em primeiro lugar passar pela eleição directa do governo da região, passando o presidente da CCDR a ser eleito pelos eleitores da região e formando-se um assembleia regional com poder legislativo e pela transferência de poderes da actual administração central, ou seja pela descentralização administrativa, possibilitando a futuras regiões congregar um conjunto de poderes administrativos/políticos próprios, que actualmente apenas são executados pela administração central, desde da simples emissão de um Bilhete de Identidade, passando pela criação de empresas, até à definição das política de saúde, educativa de determinada região, esta última exercida dentro do quadro político- financeiro nacional, isto é pressupondo a existência de uma linha condutora que balize a capacidade de intervenção ao nível de certas áreas políticas que são, claramente desígnios nacionais e cujas as linhas de orientação devem ser definidas a nível nacional

Esta restruturação política do país implica necessariamente o repensar da actual divisão administrativa do mesmo, como já começou a ser feito pelo Governo Socialista, cada vez mais temos que nos questionar se faz sentido manter um conjunto de concelhos sem capital humano suficiente, sem capacidade de gerar receita que garante os níveis mínimos de autosustentação do seu desenvolvimento.

Este processo de regionalização tem que ser acompanhado, pela redução do número de municípios congregando-os de forma mais racional quer em termos populacionais, quer em termos económicos, garantido, assim, uma maior coerência territorial., com todas as vantagens que daí advêm em termos de coordenação regional das políticas.

Nuno Moita da Costa

A propósito dos 180 deputados, das centenas de concelhos e dos milhares de freguesias

A propósito dos 180 deputados, das centenas de concelhos e das milhares de freguesias

180 deputados não me parece de menos! Pode ser um número razoável.
A representação dos pequenos partidos pode advir do círculo nacional e de terem verdadeira força em algumas circunscrições.
É necessário pensar, também na governabilidade. Se o Sócrates não tivesse conseguido uma maioria absoluta (fora do normal em 30 anos de democracia), andaríamos por aí aos caídos com acordos com o BE, o PCP, o PSD e - quantas vezes! - com o CDS!
Entre a representatividade e a governamentalidade tem de haver um equilíbrio. A situação actual não é – a meu ver – a melhor.
Não esqueçamos que as franjas do eleitorado têm ainda outros espaços de intervenção: os media, os sindicatos, os movimentos cívicos, etc.

Uma limpeza da mini-freguesias (rurais ou urbanas, com critérios populacionais diferenciados) e dos micro-concelhos. Esse sim, é um passo necessário e que urge começar já em Outubro. Vamos a isso!

Criação de empresas "na hora".

Amanhã, dia 14 de Julho, o Sr. Primeiro Ministro estará entre nós para oficiar o novo regime de constituição de sociedades comerciais e civis sob a forma comercial do tipo por quotas e anónima.
A Conservatória do Registo Comercial de Coimbra é uma das quatro, a nível nacional, a lançar a título experimental o regime.
Tal desiderato encontra razão no objectivo de "desenvolvimento da economia nacional em torno do plano tecnológico e da investigação e desenvolvimento", conforme consta do programa deste governo.
As intenções são sempre boas, no entanto, a constituição de uma pessoa jurídica nova deveria ter, qual casamento, um período de reflexão, onde fossem ponderadas todas as consequências de tal acto.
Ora, sem querer ser paladino da desgraça, creio ser esta uma "armadilha", em que muitos jovens, com as melhores das intenções, tombarão.
Há, nesta matéria, um profundo desconhecimento da realidade, até porque a sociedade comercial não é o meio ideal de atingir tais objectivos. Vejam, por exemplo o papel das associações e das cooperativas noutros países do primeiro mundo.
Com a constituição de uma csociedade comercial só há uma entidade que começa logo a ganhar dinheiro, mesmo com facturação zero: o Estado.
Gostava de estar completamente enganado.

PSD quer redução do Parlamento

A redução do número de deputados é uma medida popular com fortes apoios nos dois maiores partidos – O PS e o PSD.

Este projecto e um outro para a criação de círculos uninominais de candidaturas nas eleições legislativas vão ser apresentadas por Marques Mendes à Assembleia da República, já em Setembro, prevendo a redução de 230 para 180 deputados.

Não me surpreenderia que estes projectos fossem convertidos em lei perante o aplauso da população portuguesa. E, no entanto, são injustos e demagógicos, no meu ponto de vista.

Reduzir cinquenta deputados é uma forma de eliminar, na secretaria, os partidos mais pequenos (PCP, BE e CDS), reduzindo o espectro partidários e empobrecendo as diversidade democrática.

Os círculos uninominais não farão mais do que agravar o ataque contra os pequenos partidos que ficarão impossibilitados de eleger representantes, ao mesmo tempo que o caciquismo instalado no poder autárquico se estenderá ao poder legislativo.

Os deputados, eleitos pelos actuais círculos distritais, têm sido um factor de decadência da Assembleia da República onde a origem se sobrepõe ao mérito, onde o voto étnico ainda conta, onde o bairrismo é factor de instabilidade e prejudicial ao ordenamento do território e à sua adequada gestão.

Para obviar aos riscos que se avizinham, defendo um círculo nacional único com majoração a estabelecer para o partido mais votado a fim de facilitar a governabilidade sem extinguir as vozes que, sendo dispensáveis no Governo, são imprescindíveis na sociedade.

Carlos Esperança

Europa! E Agora? - em notícia

http://www.asbeiras.pt/?area=coimbra&numero=25099&ed=13072005
In Diário As Beiras de 12-07-2005
António Alves
"DEBATE - Que futuro para a Europa?As dúvidas que pairam sobre o futuro da Europa marcaram o primeiro debate organizado pelo AGIR - Clube de Política. O socialista Vital Moreira e o social–democrata Barbosa de Melo foram os oradores de uma sessão que contou com a presença de Francisco Gorjão Henriques.Para o constitucionalista Vital Moreira, uma das soluções para a crise europeia é “não fazer nada e esperar sentado”, isto apesar do sim luxemburguês ter dado um sinal positivo para sair da situação. Mesmo que não altere o rumo dos acontecimentos, a resposta dada no passado fim–de–semana significa “que há países que não abdicam de ter a sua posição própria e o facto de ter havido dois países a dizer não, isso não impediu os outros de dizerem sim”. “Mesmo que a posição francesa e holandesa se venha a confirmar no futuro, no seguimento há–de haver uma revisão da matéria”, disse.Desta forma, o constitucionalista defendeu que Portugal e os restantes países devem tomar uma posição “o mais rapidamente possível e retomar a discussão após o prazo dado na último Conselho Europeu”. Caso os restantes países respondam sim, “o poder da França e Holanda é muito menor para refazer tudo”. “É tudo uma questão de correlação de forças políticas”, afirmou.Na opinião de Vital Moreira, o não foi aproveitado pelos franceses e holandeses para expressarem “o que lhes ia na alma e votaram contra a crise social, a Índia, China e a imigração”. “O tratado Constitucional foi o bode expiatório, mas não podemos desvalorizar essa crise”, lembrou.Como tal, o docente universitário defendeu que a União Europeia deve encontrar políticas “que satisfaçam o sentido de crise dos cidadãos”. A solução, segundo Vital Moreira, será “parar para pensar; essa será uma decisão prudente mas não deve levar ao abandono da Constituição”.Barbosa de Melo também é da opinião de que a resposta negativa não influenciará o rumo da Europa. Na sua opinião, “a locomotiva não ia bem orientada, agora entrou de novo nos carris”. Sobre a necessidade de uma nova constituição, essa situação demorará uns anos a ser apurado. Apesar de não querer fazer futurologia, Barbosa de Melo defendeu uma revisão desse texto “pois está abaixo da racionalidade europeia”. "

Um fascista grotesco

Sobo título em epígrafe, o jornalista Baptista Bastos publicou no «Jornal de Negócios», no dia 8 p.p., um artigo cuja qualidade literária e sentido crítico o tornam credodor da transcrição que aqui fica:

«Alberto João Jardim não é inimputável, não é um jumento que zurra desabrido, não é um matóide inculpável, um oligofrénico, uma asneira em forma de humanóide, um erro hilariante da natureza.

Alberto João Jardim é um infame sem remissão, e o poder absoluto de que dispõe faz com que proceda como um canalha, a merecer adequado correctivo.

Em tempos, já assim alguém o fez. Recordemos. Nos finais da década de 70, invectivando contra o Conselho da Revolução, Jardim proclamou: «Os militares já não são o que eram. Os militares efeminaram-se». O comandante do Regimento de Infantaria da Madeira, coronel Lacerda, envergou a farda número um, e pediu audiência ao presidente da Região Autónoma da Madeira. Logo-assim, Lacerda aproximou-se dele e pespegou-lhe um par de estalos na cara. Lamuriou-se, o homenzinho, ao Conselho da Revolução. Vasco Lourenço mandou arrecadar a queixa com um seco: «Arquive-se na casa de banho».

A objurgatória contra chineses e indianos corresponde aos parâmetros ideológicos dos fascistas. E um fascista acondiciona o estofo de um canalha. Não há que sair das definições. Perante os factos, as tímidas rebatidas ao que ele disse pertencem aos domínios das amenidades. Jardim tem insultado Presidentes da República, primeiros-ministros, representantes da República na ilha, ministros e outros altos dignitários da nação. Ninguém lhe aplica o Código Penal e os processos decorrentes de, amiúde, ele tripudiar sobre a Constituição. Os barões do PSD babam-se, os do PS balbuciam frivolidades, os do CDS estremecem, o PCP não utiliza os meios legais, disponentes em assuntos deste jaez e estilo. Desculpam-no com a frioleira de que não está sóbrio. Nunca está sóbrio?

O espantoso de isto tudo é que muitos daqueles pelo Jardim periodicamente insultados, injuriados e caluniados apertam-lhe a mão, por exemplo, nas reuniões do Conselho de Estado. Temem-no, esta é a verdade. De contrário, o que ele tem dito, feito e cometido não ficaria sem a punição que a natureza sórdida dos factos exige. Velada ou declaradamente, costuma ameaçar com a secessão da ilha. Vicente Jorge Silva já o escreveu: que se faça um referendo, ver-se-á quem perde.

A vergonha que nos atinge não o envolve porque o homenzinho é o que é: um despudorado, um sem-vergonha da pior espécie. A cobardia do silêncio cúmplice atingiu níveis inimagináveis. Não pertenço a esse grupo.

APOSTILA 1 - José Sócrates foi extremamente convincente na entrevista de terça-feira à SIC. Ricardo Costa e José Gomes Ferreira apenas titubearam. Nota vinte para Sócrates. Os dois interlocutores estiveram a ver a banda passar.

APOSTILA 2 - Por falta de apoios o Ciberdúvidas, consultório de língua portuguesa na Inbternet, pode encerrar a sua notabilíssima tarefa. Fundado por João Carreira Bom e por José Mário Costa, dois excelentes jornalistas que nunca atropelaram o verbo nem se estatelaram na preposição, aquele consultório cumpre, averiguadamente, uma função desprezada pelos poderes. O número de respostas e os textos de apoio que o Ciberdúvidas tem inserido no «sítio», é volumoso e mais do que significativo, impositivo da sua especial importância. Animador desta iniciativa fundamental, depois da morte de Carreira Bom, o jornalista José Mário Costa tocou no batente de pujante instituições, como a Caixa Geral de Depósitos, a Galp, BPI, CTT e PT. Em vão. Aquele que é o «único prestador de serviço público gratuito e universal na divulgação da língua e da literatura portuguesas» está seriamente ameaçado. Dilectos: vamos à carga!

APOSTILA 3 - Na net corre um risonho comentário sobre o português ideal. Assim: tem uma pensão de 1600 contos por mês; tem dois meses de férias como os juízes; reforma-se aos 57 anos como os enfermeiros; acumula um lugar de vogal na Fundação Luso-Americana com o seu emprego, como o dr. Vítor Constâncio; tem o sistema de saúde dos polícias; tem uma verruga mais uma dioptria no olho esquerdo, e mais outro achaque qualquer para chegar aos 80 por cento de deficiência, e quase não paga impostos; tem a esposa na TAP e viaja com descontos; tem um pai militar e faz as compras na Manutenção Militar; tem a mãe médica e não paga consultas, ao abrigo do estatuto deontológico da Ordem dos Médicos; e possui um cartão do PS e outro do PSD pelo que arranja sempre um «tacho».»

Nota: O «Ponte Europa» não costuma transcrever artigos publicados em órgãos da comunicação social. A leitura do texto justifica a excepção.