quarta-feira, agosto 31, 2005

MASP 3 - Não há duas sem três

Mário Soares é um lutador que nunca se reforma. Nos últimos dez anos não se furtou a dar a cara e a tomar posições, tendo intervindo sempre nas grandes questões internacionais.

Condenou a guerra do Iraque quando outros se calaram ou, pior, se atolaram num apoio vergonhoso.

Bem-vindo à luta pela eleição presidencial.

«O caminho faz-se caminhando». Soares é fixe.

Espaço reservado aos leitores

Por se ter virado a página com o espaço dos leitores, aqui fica uma nova caixa de comentários para quem nos visita.

Notas Soltas - Agosto/2005

Arábia Saudita – Abdullah Bin al-Saud, governante de facto há uma década, é o delegado da oligarquia feudal da família Saud com 10 mil príncipes à espera de disputar a sucessão no país mais rico em petróleo e à beira da explosão do delírio islâmico.

Mauritânia – O presidente Ahmed Ould Taya saiu do país para ir ao funeral do rei Fahd e foi destituído, 20 anos após o golpe que o levou ao poder, por outro golpe. Os ditadores não podem afastar-se. Salazar só uma vez foi a Badajoz. E em segredo.

Terrorismo – A eficiência da polícia britânica na perseguição e desmantelamento de células terroristas é uma esperança no combate pela sobrevivência da civilização, mas não há benzina que desencarda a nódoa do brasileiro fuzilado no Metro.

Incêndios – Parece que há em nós uma vocação pirómana e uma incúria fatal que vai reduzindo Portugal sistematicamente a cinzas. Nos escombros de um país ardido há ainda lugar para a prevenção ou esta é a forma cruel de ordenamento do território?

Lisboa – Os desacertos entre Carmona Rodrigues e a distrital do PSD, presidida pelo impoluto deputado António Preto, denunciaram a oferta de lugares em empresas municipais e o lugar de provedor do munícipe para compensar afastamentos da lista. Uma vergonha PSD/PND/PPM.

Japão – Há 60 anos o terror dilacerou Hiroxima e Nagasáqui, cidades mártires do horror nuclear. A tragédia não vacinou a humanidade, o clube nuclear não cessa de crescer e os japoneses esqueceram a agressão imperialista que perpetraram.

Israel – A demissão de Benjamin Netanyahou, perante o desmantelamento dos colonatos, revelou um extremista que rejeita soluções políticas. Terá lugar destacado na alteração do xadrez partidário, inevitável se o processo de paz falhar.

Palestina – O Hamas ao anunciar que não renuncia à luta armada, após a devolução de Gaza e da Cisjordânia, altera a correlação de forças favorável à Palestina. Faz pelo seu povo o que Bush fez pelo dos EUA – atrair a hostilidade.

Pontal – A tentativa de reabilitar a outrora pujante festa laranja foi um fiasco. Os barões que atraem a clientela e os fregueses do costume só aprecem quando pressentem a iminência da vitória e a proximidade do poder. Tal como noutros partidos.

Luís Filipe Meneses – Está a preparar o ataque a Marques Mendes. Tem o apoio do pior que o PSD foi capaz de gerar, de Valentim Loureiro e Isaltino Morais a A. J. Jardim. É a política no seu pior, a apoteose da mediocridade.

Aeroporto da Ota – Não sei se a localização é a melhor, mas imagino o que teria sucedido se o avião que aterrou (mal) em Toronto se tivesse feito à pista em Lisboa e ardesse no Campo Grande ou na avenida de Roma.

Ferro Rodrigues – O posto de embaixador junto da OCDE é um lugar digno para o antigo líder do PS, mas a tentativa de assassinato político de que foi alvo, por uma das mais ignóbeis canalhices de sempre, é um crime que não pode ficar impune.

Alemanha – A CDU, partido da Direita, com fortes hipóteses de uma arrasadora vitória, tem cometido gafes tão graves que já foi considerada a Direita mais estúpida da Europa. Nestas coisas, a comunicação social esquece Portugal.

Taizé – Roger Schutz, fundador da comunidade em 1940, foi assassinado aos 90 anos, enquanto rezava. O velho monge era defensor sincero do diálogo ecuménico e da paz. Perdeu-se um homem bom, às mãos de uma demente.

Colónia – A cidade alemã, de religiosidade reduzida, foi palco do primeiro banho de multidão a Bento XVI. A encenação correspondeu aos esforços de numerosas dioceses empenhadas no êxito do evento.

Crueldade – A OMS e a UNICEF afirmam que há 130 milhões de mulheres vítimas de mutilações genitais. A tradição justifica práticas atrozes. Egipto, Iémen e África sub-sahariana lideram a tradição e o número de mortes associadas.

Iraque – O projecto de Constituição prevê uma teocracia, institui a sharia, anula os direitos das mulheres, divide o País e prepara uma obscura ditadura que reforça o vizinho Irão, à beira de concretizar a aventura nuclear.

Porto – O vice-presidente da Câmara, Paulo Morais, fez denúncias tão graves, sobre tentativas de corrupção e atropelos urbanísticos, que pôs as autarquias sob suspeita e o financiamento dos partidos em xeque. A entrevista à «Visão» não pode ser ignorada.

Manuel Alegre – Sem espaço político, desistiu da corrida presidencial. Fica o exemplo da sua disponibilidade, a abnegação do cidadão de todos os combates e o pundonor de um republicano e socialista fiel a si próprio e aos seus ideais.

Katrina – A violência do furacão que levou a morte e a destruição à cidade de Nova Orleães não é apenas uma cíclica catástrofe natural, é fruto do efeito de estufa que o actual modelo de desenvolvimento não para de agravar.

Monumento ao 25 de Abril em Almeida – A decisão não ultrapassará o ano que decorre. As responsabilidades terão de ser assumidas.

O maior inimigo do PS é o próprio PS

Se Mário Soares avançar para o terceiro mandato em Belém, cava, inevitavelmente, o principio do fim desta fase alta do PS e da própria governação. Nestes últimos anos o PS tem sido afastado do poder, pela sua própria vontade. O maior exemplo é o de Guterres.
O sufrágio só marginalmente tem legitimado essas saídas. Porque será assim?
No tempo de Guterres, as "guerrilhas" nas federações cansaram-no. Por exemplo, nessa altura muitos que estiveram contra VB são agora os seus mais aguerridos apoiantes, etc. Aliás, essa "guerrilha" acabou por ficar bem estampada nas cenas tristes por ocasião do falecimento de Sousa Franco.
A ideia de renovação é colocada definitivamente na gaveta.

Por outro lado, o próprio Mário Soares disse de modo peremptório que nunca mais, e afinal de contas, como é? Onde fica a palavra?

Será que é para proteger e manter à tona a família Soares ou é para a afastar definitivamente?

Se perder o PS é menos prejudicado?

Onde estão outros ilustres socialistas que devem esse passo ao PS? Cobardia política?

terça-feira, agosto 30, 2005

“Da Ota ao TGV” - Opinião de um leitor

Sem os estudos supostos de existirem no governo, com algumas abalizadas opiniões de técnicos, estudiosos e académicos surgidos na imprensa, procuro recorrer a algum sentido de estratégia e táctica inseridos numa visão espacial resultante de alguma cultura aeronáutica. Um pouco de vistas largas talvez.

NAL: indubitável, que Portugal precisa de um novo aeroporto em Lisboa e da modernização da rede ferroviária. Tomemos uma posição elevada sobre o mapa do país e à vertical da capital – um rectângulo com a capital no centro, a grande área metropolitana de Lisboa, um pólo portuário internacional em Sines, Alqueva a leste, no futuro uma importante zona turística em Tróia. Na década de sessenta e com os planos de fomento do anterior regime, o NAL iria ficar em Rio Frio/Montijo – Dez69, parecer do Conselho Aeronáutico sobre estudo do Gabinete do NAL.

Destino alterado pelo governo em exercício no final da década de noventa – Jul99, despacho da Ministra do Ambiente (?) sobre parecer de Comissão de Avaliação de Impacto Ambiental (?).
Sem necessidade de repetir opiniões e pareceres, acrescento uma perspectiva – a da geografia e do espaço.

Desviar o NAL do RF para norte, alarga o campo de manobra ao aeroporto internacional de Badajoz. Espanha e as Juntas da Estremadura/Andaluzia agradecem. Interessa-nos? Reduz o peso do aeroporto do Porto relativamente ao centro do país e Lisboa. Afasta e encarece seriamente os acessos da AML ao NAL. Á partida, encarece desmesuradamente os trabalhos de engenharia nos terrenos envolvidos. Mantém o Campo de Tiro de Alcochete, extensa área transferível para Santa Margarida. País rico o nosso.

TGV: não sendo técnico de transportes nem economista, muito me espanta continuarmos a debitar opiniões sobre as futuras linhas de TGV. Com a linha do norte em breve integralmente renovada, um investimento colossal ainda não terminado, eis que meia inteligência nacional se debate interminavelmente com linhas e traçados. Se não é loucura, tanto pior.

Indubitável, que Portugal deve ligar-se à rede europeia de grande velocidade. Com uma linha de Lisboa a Madrid e via Badajoz, ponto final. Cuja implementação devia começar já. O resto é alimentar discursos estéreis num país pobre e em risco de deixar alargar o atraso que o domina, discutir o sexo dos anjos enquanto os outros constróem.

Obs: Conferência na Sociedade de Geografia/ General engº da FA Eduardo Koll de Carvalho (8Dez03) - «Aeroporto de Lisboa, a iminência do desastre técnico e económico»; TGV a ligar à Ota: «Abyssus Abyssum Invocat» (in Boletim da AFAP).
Mais que um «défice financeiro», um «défice de estratégia», comprovado por este verão de fogo. Até quando?

PS: convém conhecer o terreno, não é? Da Ota/BA2, onde dei um COM em 75/76. Do Rio Frio/BA6, zona de saltos sobrevoada a 4 mil metros de altitude nos anos 70/80.

Adit: no DN 29Ago, uma pérola de João Cravinho: “Fachada atlântica, Ota e TGV» -. TGV Lisboa-Porto, criando uma «metrópole polinucleada» de dimensão europeia com mais de seis milhões habitantes. Inovação sociológica pura.
Quem falou em «decoro»? Que mil estádios floresçam.
B. Monteiro, Lisboa.
30Ago05

Quando se começa mal o dia...

Às vezes não consigo perceber o que certas pessoas ilustres querem dizer. E não estou a falar do Sr. Presidente da República, que em matéria de florestas e incêndios mais valia estar calado.

O que estes Senhores pretendem, em última instância é a expropriação das florestas aos particulares. A ser assim é muito grave.

Se querem um bom exemplo de gestão das florestas importem o modelo dos Açores que é eficiente.

segunda-feira, agosto 29, 2005

Canas de Senhorim:


Entre Carregal do Sal e Nelas fica uma simpática vila que, à semelhança de outras, já foi concelho.

Vários ingredientes explosivos se juntaram para tornar a pacífica povoação num barril de pólvora: o bairrismo exacerbado, a perda de importância pelo encerramento dos Fornos eléctricos, que o primeiro choque petrolífero inviabilizou, e a rivalidade mórbida com a sede de Concelho – Nelas. Para além da ambição desmedida de um cacique local.

Para agravar a situação, um deputado de Viseu prometeu-lhes a elevação, votada ainda na AR, ao arrepio da lei e do bom senso, para cumprir uma promessa de Durão Barroso em época de caça ao voto.

Não interessa repetir que todos os partidos aproveitam a coutada da caça ao voto para prometer o que não devem nem podem cumprir. Valeu-nos a sensatez do Presidente da República para evitar que de um pequeno concelho (Nelas) tivesse nascido outro.

Os cortes de estrada e de caminho de ferro ficaram impunes. Depois vieram insultos ao Governo, ao P.R., aos políticos, em geral, boicotes eleitorais e outros dislates que um cacique local se encarrega de perpetuar.

Neste momento há quem queira romper com este passado pouco edificante e prejudicial ao desenvolvimento de Canas mas o medo, a chantagem e as ameaças demovem os que querem integrar-se na normalidade democrática.

A leitura do «Público» de hoje, que lhe consagra a quase totalidade da pg. 9, agrava a sensação de que a falta de autoridade democrática conduziu Canas à coutada de um cacique que desafia a lei e subverte a democracia – um território onde o exercício dos direitos, liberdade e garantias estão suspensos.

A escalada do preço do petróleo


Há quem apressadamente tenha visto no neoliberalismo a receita para os amanhãs que sorriem, depois do fracasso dos amanhãs que cantam.

Há quem, sabendo pouco de história, tenha decretado que o marxismo morreu, que o imenso material que Engels carreou para a análise económica foi puro desperdício e que a valiosa contribuição de Marx e Engels merece o caixote do lixo.

As crises cíclicas do capitalismo continuam a acontecer. Só a sua intensidade, duração e frequência são difíceis de prever.

Hoje o barril de petróleo ultrapassou os US $70 em Nova Iorque, com o furacão Katrina a servir de ajuda e de pretexto, com um milhão de pessoas evacuadas de Nova Orleães.

A energia baseada nos combustíveis fósseis tem os dias contados. Apenas os interesses das petrolíferas e a leviana postura dos governos se mantêm.

Vivemos tempos em que apenas interessa o dia de hoje e os nossos privilégios. Os nossos filhos vão pagar amargamente a nossas incúria e irresponsabilidade.

domingo, agosto 28, 2005

Incontinência verbal

«Quero avisar Lisboa, porque se eles forem para alguma aventura Ibérica, nós não vamos. Porque já estamos preparados para isso!»

(Alberto João Jardim, em férias, em Porto Santo)

É altura de seguir o seu caminho e aliviar os cofres da República.

Confissões do vice-presidente da Câmara do Porto


«Nas mais diversas Câmaras Municipais do País há projectos imobiliários que só podem ter sido aprovados por corruptos ou atrasados mentais».
Paulo Morais, vice-presidente da Câmara do Porto com pelouro do urbanismo «Visão», 25-8-05.

«(No Porto) tive pressões ilegítimas de todos os níveis do PSD, de outros partidos, dos mais diversos lados». Idem, Ibidem.

«(Chumbámos) um edifício no Parque da Cidade, da empresa Rodrigues Gomes, para a qual recebi pressões e cunhas de dezenas de pessoas, da forma mais ostensiva, a nível governamental» Idem, ibidem.

«O urbanismo é, na maioria das Câmaras, a forma mais encapotada e sub-reptícia de transferir bem s públicos para a mão de privados. A palavra para isto é ‘roubo’». Idem, ibidem.

'FRASES' do «Expresso» de 27/8/05.

A ética e as eleições autárquicas

«Carmona Rodrigues declarou (numa entrevista) que comprou votos, não com lugares, mas com consultorias, com mensalidades. Isto é uma nova forma de ‘mensalão’».

Maria José Nogueira Pinto – SIC-Notícias, 25/8/05. (citação do «Expresso», 27/8/05)

sábado, agosto 27, 2005

O foral de Barrancos


Amanhã há touros de morte em Barrancos.

A legislação que excluiu Barrancos do ordenamento jurídico nacional, autorizando a crueldade dos touros de morte, é absolutamente inaceitável no plano jurídico, ético e civilizacional:

A autorização para uma prática cruel, desde que ininterrupta há mais de 50 anos veio legitimar a desobediência legal que o Estado de Direito não conseguiu evitar.

A promoção da violência contra animais é um atentado à dignidade e um exemplo – mau – para as relações entre as pessoas.

O argumento da tradição é o mais idiota e injusto de todos. Desde a escravatura aos autos de fé, da discriminação da mulher à criminalização do adultério, da proibição do divórcio à tortura dos animais.

Perante os touros de morte, e a cultura marialva e reaccionária que lhe está associada, tenho profundo repúdio e vergonha.

- Nas pegas, sou pelo touro – ao lado da inteligência, contra a força;

- Quando serram os cornos aos touros, para os embolarem, sinto que os aficcionados não gostariam que lhes fizessem o mesmo.

Memória do fascismo - excerto (crónica)

(...) O do Correio era o sr. António Bernardo a cuja casa eu ia levar as cartas e perguntar diariamente pelo correio. Era um camponês que tinha um braço aleijado a que devia uma pequena reforma e o retrato de um jovem de vinte e poucos anos vestido de sargento, como compensação do ferimento na primeira grande guerra. Era o único lavrador da aldeia com três vacas, integralmente pagas, uma burra e algumas ovelhas. Presidia por tradição, que o alvará da Câmara sempre confirmava, aos actos eleitorais.

Um dia acompanhei a minha mãe ao sufrágio durante uma forte chuvada, o que levou o sr. António Bernardo a perguntar respeitosamente por que se tinha incomodado, com um tempo daqueles, coitado do menino, se até já a tinha descarregado, informação cujo alcance me escapou, limitando-se a recolher o voto e a pousá-lo sobre a mesa.

Percebi que já não era preciso introduzi-lo pois já lá estava, não aquele, que era impossível introduzir antes de chegar, mas outro igual, que tinha o mesmo valor e igual intenção. Disse mesmo que já estavam descarregados todos os eleitores mas que a lei obrigava a manter a porta aberta, e a lei é a lei, não acha Sr.ª professora, e para a respeitar e fazer respeitar ali estava ele, ninguém melhor que ele, até já fora presidente da Junta antes do José Simão, por isso só quando a hora canónica chegasse é que se fechava a porta e, nessa altura, é que pediria à Sr.ª professora para preencher uns papéis que era preciso, que ele não se ajeitava e os que estavam com ele ainda menos, no tempo deles não havia escola, o trabalho não era muito, todos tinham votado, graças a Deus, mesmo o Germano que Deus tem, se fosse vivo também não deixaria de votar ou, se o tempo estivesse assim e andasse com o gado, não se importava que nós o descarregássemos.
Era um bom homem, a quem o sr. Prior confiava a orientação do terço, designado por mês de Maria, que em Maio todos os dias tinha lugar na aldeia, a mando de Nossa Senhora e a rogo da irmã Lúcia, pela conversão da Rússia. Devia ser por igual delegação de poderes que lhe cabia a orientação da novena que todos os anos, quando a canícula fustigava o renovo, despovoava a aldeia para ser rezada junto a uma pia que ficava a mais de um quilómetro, na quinta do sr. Morgado.

Lembro-me bem dessas peregrinações, que acompanhei várias vezes com devoção, e da eficácia demolidora de uma dessas novenas que transformou o normal pedido de chuva numa trovoada devastadora com os crentes a queixarem-se do excesso de fé, da molha e dos prejuízos. (...)

Correio dos leitores. O caso Ota

Convidam-me a escrever sobre o futuro novo aeroporto de Lisboa (NAL), numa conjuntura polémica derivada de dois projectos do governo com o PIIP – Ota e TGV.

Mas para escrever algo sobre isso, é quanto a mim necessário dispor de uma condição essencial e fundamental – ter uma ideia para Portugal, ter «uma ideia de País». Como terá sucedido com o responsável político pelo renascimento da França após a II GM, general De Gaulle.

Supostamente, uma condição que supus enformar os altos dirigentes políticos nacionais. Ingenuidade minha. Desfeita pelo miserável exercício de abandono do PM do verão de 2004, alimentada pela errática prática do que lhe sucedeu, de algum modo recuperada pelas primeiras impressões do actual PM, nem por isso se divisa ainda «uma ideia de País». Ora sem ter «uma ideia de País», da sua história, da sua geografia humana e económica, do futuro, que fazer? Como começar?

Poderia ter sido cumprindo a expressão de Aristóteles para o discípulo Adamanto: «...a educação da juventude».

Um País limpo e arrumado, uma juventude e população saudáveis de mente sã em corpo são. Juventude cuja formação sabemos as escolas públicas ou privadas pouco asseguram.

Se três décadas de regime democrático serviram para de algum modo modernizar o território, este verão quente de 2005 parece pronunciar uma fase de decadência aguda, dos incêndios florestais a bastantes dos actores políticos que elegemos. Admito que pior à direita, como é aliás costume e apesar de alguns honestos amigos desta área.

Portanto, serve isto para de algum modo justificar a não resposta ao caso Ota até agora.
Tendo amadurecido uma ideia sobre o caso, dentro de dias aí chegará.
PS: o texto tem já um par de semanas. Falta o outro.
BMonteiro - Cor. (R)

sexta-feira, agosto 26, 2005

Por ocasião da tomada de posse do João Paredes como Delegado Regional do IPJ [Hoje]




Preocupação do presidente da Associação de Municípios

Perante graves acusações do vice-presidente da Câmara do Porto, em entrevista à Visão, face à promiscuidade entre as autarquias e a construção civil, bem como à origem do financiamento dos partidos, Fernando Ruas quer que o autor, Paulo Morais, esclareça as declarações, denuncie as pressões que sofreu e as autarquias que cedem a interesses imobiliários.

Ora, isso tudo foi o que fez o ainda vice-presidente da Câmara do Porto, Paulo Morais.

A sanha com que é visado revela mais do que uma ferida que sangra, dá conta do mal estar que os autarcas começam a sentir.

Claro que, entre os muitos que são honestos, há certamente os venais cuja dificuldade é, como afirmou o tribunal de Águeda, fazer prova.

O curioso é que, talvez injustamente, há a convicção generalizada de que as declarações de Paulo Morais correspondem à verdade, um mau sintoma para o poder autárquico.

quinta-feira, agosto 25, 2005

Novo sistema de reformas

A medida hoje tomada em Conselho de Ministros é a mais corajosa e a pior para o PS. É desolador perder direitos, ver a situação piorar, gorarem-se as expectativas.

Os estados de alma não contam mas sinto que a mulher, que julgava ao pé de mim daqui a três anos, só daqui a 12 se aposentará, quando eu possivelmente já não for vivo ou o estado de saúde seja precário.

Mas pergunto: - alguém acredita que o sistema de aposentações seria viável com a manutenção das actuais regras?

Aos que diziam que só após as eleições autárquicas seria tomada esta medida, se o fosse, aqui têm a resposta, com as consequências que se adivinham, perante o silêncio dos correligionários e o ruído ululante dos adversários.

Parabéns ao Dr. João Paredes

Felicidades e votos de um bom trabalho.

Do Amigo de sempre, mas atento ao desempenho do cargo.

Se a memória não fosse curta

«Dizer que a prevenção é a mais importante das questões relativas às calamidades que são os incêndios é um lugar comum. Fundamental é levar a prevenção à prática». (Carlos Encarnação)

Uma viagem para recordar aos munícipes.

Carlos Esperança

Espaço reservado aos leitores

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quarta-feira, agosto 24, 2005

A candidatura de Cavaco


Cavaco Silva gere o tabu enquanto os avençados do costume transmitem o que interessa à candidatura da direita.

A «confidência», em letras garrafais, destacada ao cimo da primeira página do Diário de Notícias, anuncia que «O ex-primeiro-ministro vai contar com apoios à esquerda».

Os trânsfugas habituais, os desejosos de consideração social e os que se intitulam de esquerda sempre que apoiam a direita, sem nunca terem apoiado a esquerda, lá estarão a mostrar-se na apresentação da candidatura.

Medina Carreira, Ernâni Lopes e, quiçá, António Barreto aparecerão como é seu direito cívico, com a falta de vergonha de se apresentarem como de esquerda.

Concentração de monóxido de carbono [NASA]

Imagem de satélite do dia 21 de Agosto (ESA)

terça-feira, agosto 23, 2005

Coimbra é uma ilha debruada a negro

Quando, há tempos, o Dr. Carlos Encarnação andou a passear no jipe dos bombeiros por Vale de Canas, para mostrar à comunicação social e dizer ao munícipes que estava tudo preparado para os incêndios, muitos julgaram que se referia à prevenção.

Tinha a crédito o facto de ter sido secretário de Estado da pasta que tutela os bombeiros e, por isso, foi levado a sério. Afinal tudo estava preparado para os incêndios, mas para arder, não para os evitar.

Neste momento, em que o fumo e o cheiro ainda empestam as casas, depois de horas de aflição, medo e angústia, vividos nas últimas noites, penso como as catástrofes são fruto da incúria de todos. O dono da vivenda que deixou o quintal cobrir-se de mato, o fiscal que não aplicou a coima a quem não protegeu a casa, quem ergueu a moradia no meio de pinheiros, quem autorizou a construção dentro da floresta, todos são culpados.

Vale de Canas era um pulmão da cidade e o jardim do meu apartamento. Agora é um cemitério de árvores ardidas e a visão lúgubre da catástrofe.

Fazer política, nestas alturas, aproveitar a desolação e a raiva para a luta partidária, é uma atitude pusilânime. É tempo de solidariedade e de assumir culpas, os cidadãos e os governantes.

Mas quem vê e ouve Carlos Encarnação na televisão, não pode deixar de sentir revolta pelo aproveitamento que faz, pelas responsabilidades que enjeita, pela forma como desvia as atenções para os gestos de civismo da população que acorre com leite e água para os bombeiros.

É um político hábil. Está longe de ser um autarca dedicado e um presidente exemplar. Até parece que as autarquias nada têm a ver com o ordenamento florestal e territorial.

segunda-feira, agosto 22, 2005

As culpas dos fogos e a propriedade da terra

Em declarações à televisão, Carlos Encarnação, referindo-se aos trágicos incêndios que cercam a cidade, acusou a retirada de meios aéreos como responsáveis pela propagação dos fogos ao concelho de Coimbra.

No ar pareceu ficar uma insinuação. Nas declarações, nem uma ideia para que a tragédia não se repita.

As Câmara Municipais estão isentas de culpas?

Não há ordenamento territorial possível nem prevenção eficaz dos fogos se não se mexer na propriedade da terra.

Sob a iminência de um país que se reduz a pedras calcinadas, o Governo será capaz de mexer na propriedade dos solos? Ou manter-se-á sagrada?

Quem autoriza a construção de casas no meio da floresta?

As imagens da tarde.









Como será isto possível?

O fogo cerca Coimbra, imagens de hoje.



domingo, agosto 21, 2005

Alegre e as eleições presidenciais

Sinto-me mais próximo de Manuel Alegre do que de José Sócrates. A idade, a memória e os afectos identificam-me irremediavelmente com um dos mais sólidos intelectuais portugueses, escritor de primeira água e resistente sem mácula - um herói civil de Abril.

Não recordar o exílio, não apreciar o poeta da liberdade, não estimar o tribuno das grandes causas e o soldado de todas as batalhas, é injustiça e falta de sensibilidade.

Dito isto, não apoio, neste momento, a candidatura de Manuel Alegre à Presidência. Com pena. Com raiva. Com mágoa.

A política é o que é. Apoiar Manuel Alegre, depois da decisão tomada pelo secretário-geral do PS, é afrontar o líder do partido e o primeiro-ministro.

Há nas movimentações a favor de Manuel Alegre quem se mova por princípios de ética, solidariedade e coerência. Mas há também quem queira ressarcir-se da derrota interna no PS, quem procure ganhar na secretaria o que perdeu nas directas, quem pretenda fazer tábua rasa de uma vitória com mais de 70% dos votos dos militantes.

Sendo as coisas o que são, não há melhor forma de combater o Governo do que através de candidaturas alternativas.

E não digam que as candidaturas não são partidárias. Cavaco Silva aparece pela mão do PSD, com a capitulação resignada do CDS, o apoio folclórico do PPM (partido com mais militantes do que eleitores) e a irrelevante solidariedade do PND.

Manifestação nazi em Lisboa

Ontem, uma multidão de cerca de 50 manifestantes pretendeu homenagear Rudolf Hess – um dos mais próximos colaboradores de Hitler.

O grupo neo-nazi da Frente Nacional , conhecido por «cabeças rapadas», procedeu a uma manifestação não autorizada. A existência do bando é, em si mesmo, uma violação da Constituição e um ultraje à democracia.

Conhecidos pelo ódio aos imigrantes, os díscolos de extrema-direita, quando dispersos pela polícia, gritavam que «deviam prender os pretos que fazem arrastões».

Hoje são um pequeno grupo, amanhã podem tornar-se uma praga. Não pode haver contemplações para quem professa a ideologia nazi, cultivando o racismo e a xenofobia.

sábado, agosto 20, 2005

Viagem à Grécia - Recordações

Há destinos mais interessantes para fazer roer de inveja e deslumbrar os amigos com a nossa prosperidade, mas poucos são tão decisivos para apaziguar a consciência com o tributo que devemos à nossa cultura.

É por isso que a Grécia e a sua capital macrocéfala são destinos obrigatórios. São para os europeus o que Meca e a Arábia Saudita representam para os árabes, lugares que remetem para as origens das respectivas civilizações e que, no caso da Grécia, inspiraram a cultura judaico-cristã e a humanizaram.

Não sei se ainda a habitam filósofos, artistas e escritores ou se jazem definitivamente sob as ruínas de uma civilização que entranhou a nossa.

O casario imenso, de salubridade duvidosa, mostra um irreprimível mimetismo com o passado na ânsia desesperada de transformar-se em ruínas. Atenas não é a cidade sonhada, é um espaço em que os subúrbios tomaram conta da burgo, uma imensa e catastrófica sequência de habitações degradadas que abrigam quatro milhões de pessoas, ruas pejadas de automóveis à beira de se desmantelarem, enorme quantidade de lixo a aguardar remoção e multidões de turistas a caminho da Acrópole. A Grécia, entre a glória do passado e a incúria do presente, parece ter parado no tempo e hesita nos caminhos do futuro.

A Acrópole é a bela jóia que a cidade arruinada exibe para provar a nobreza da origem. O Pártenon ainda homenageia Atena, filha de Zeus, deusa das Artes, das Ciências e das Indústrias, a quem os seus imponentes frontões e admiráveis frisos foram dedicados. Sucessivamente templo pagão, igreja, mesquita e paiol, foi nesta qualidade gravemente danificado por uma explosão no séc. XVII que lhe feriu o mármore e o orgulho, mas manteve a majestade e elegância. O Erecteu, sublime, respira dignidade e exibe o Pórtico na cópia honesta das Cariátides.

De resto só nos museus sobra ainda o testemunho de Fídias que mais de quatro séculos antes de Cristo guiou o cinzel, com rigor e volúpia, desgastando a pedra até descobrir as formas femininas que a habitam, apetecidas e perfeitas, percorridas por um manto diáfano que as afaga numa glorificação da beleza e exaltação do desejo.

Nos templos, pouco frequentados, entram crentes apressados, num périplo osculatório de ícone em ícone, indiferentes aos vírus, que se persignam à chegada e à partida. Deixam uma vela acesa e uma prece, antes de alcançarem de novo a rua, enquanto outros acompanham a liturgia e a desgarrada mística em que clérigos se envolvem atacando o cantochão.

Nas ruas, padres fardados a preceito, gozam a isenção de impostos, a opulência e o prestígio, namoram de mãos dadas e evitam castamente manifestações de impetuoso afecto. Uma mole imensa de turistas extasia-se no Museu Nacional com a apoteose da forma e a beleza sensual que percorre o mármore. Nos restaurantes aguarda-se que os empregados terminem o cigarro, a bebida e a conversa, antes de atenderem os fregueses.

Em Agosto, zarpam diariamente do Pireu luxuosos paquetes atulhados de gente que foge ao fumo, ao calor abrasador e aos gregos, a caminho do mar Egeu e da costa da Ásia Menor, peregrinos em busca dos lugares sagrados onde predicaram Paulo e João ou turistas à procura de praias e de sol. Uns, muito vestidos, procuram a eterna salvação da alma; outros, despidos, o bronzeado efémero do corpo. Entre o êxtase místico e a excitação dos sentidos todos gozam, mergulhando na História que percorre a orla de três continentes e povoa centenas de ilhas.

Quem fizer a viagem, e for acompanhado, não se esqueça de preencher no boletim de registo de embarque o espaço da data de casamento e atribuí-la a um dos dias a bordo. Casais que fruam uma feliz união, ainda que sazonal, não se arrependerão. Nessa noite serão presenteados com um belo bolo de aniversário e uma garrafa de bom champanhe enquanto violinos vibram parabéns junto à sua mesa, empunhados com segurança por músicos da orquestra privativa.

Depois, basta-lhes manter a compostura face aos numerosos desconhecidos que se associam às felicitações.

Sentido das proporções

A revista Visão, no seu último número, pg. 24, «EM FOCO» traz a seguinte informação:

REFORMA MILIONÁRIA

«O provedor de Justiça vai receber uma reforma de 4.529, 97 euros, aproveitando as antigas condições para requerer a aposentação. Nascimento Rodrigues reunia os requisitos anteriormente previstos na lei para requerer a reforma, ou seja, 60 anos de idade e 36 anos de serviço. (...)»

Não sei que mais admirar no jornalista, se a mesquinhez da notícia ou a dimensão da ignorância.

Em Portugal não há nenhum notário, nenhum conservador do registo civil ou predial, nenhum juiz, nenhum magistrado do ministério público, entre outros, que se aposente com menos de 5 mil e tal euros.

Henrique Nascimento Rodrigues, 65 anos de idade, antigo ministro, desempenhou elevados cargos do Estado e é, há vários anos, Provedor de Justiça, um cargo da maior relevância, equiparado (salvo erro) a secretário de Estado.

Será razoável noticiar a reforma de Nascimento Rodrigues quando funcionários sem relevância pública auferem pensões muito superiores?

Post scriptum – Entendo que nenhuma reforma da função pública ou de empresas do Estado deveria ultrapassar a do Presidente da República. E acho um escândalo a disparidade das reformas, entre a mínima e a máxima.

sexta-feira, agosto 19, 2005

A laicidade do Estado defende a liberdade religiosa e a paz

Enquanto os judeus ortodoxos se agarram à bíblia e à faixa de Gaza, os muçulmanos debitam o Corão e se viram para Meca e os cristãos evangélicos dos EUA ameaçam o Irão e a teoria evolucionista, os conflitos religiosos e o terrorismo regressam à Europa.

A emancipação do Estado face à religião iniciou-se em 1648, após a guerra dos 30 anos, com a Paz da Vestfália e ampliou-se com as leis de separação dos séc. XIX e XX, sendo paradigmática a lei de 1905, em França, que instituiu a laicidade do Estado.

A libertação social e cultural do controle das instituições e símbolos religiosos foi um processo lento e traumático que se afirmou no séc. XIX e conferiu à modernidade ocidental a sua identidade.

A secularização libertou a sociedade do clericalismo e fez emergir direitos, liberdades e garantias individuais que são apanágio da democracia. A autonomia do Estado garantiu a liberdade religiosa, a tolerância e a paz civil.

Não há religiões eternas nem sociedades seculares perpétuas. As três religiões do livro, ou abraâmicas, facilmente se radicalizam. O proselitismo nasce na cabeça do clero e medra no coração dos crentes.

Os devotos crêem na origem divina dos livros sagrados e na verdade literal das páginas vertidas da tradição oral com a crueza das épocas em que foram impressas.

Os fanáticos recusam a separação da Igreja e do Estado, impõem dogmas à sociedade e perseguem os hereges. Odeiam os crentes das outras religiões, os menos fervorosos da sua e os sectores laicos da sociedade.

Em 1979, a vitória do ayatollah Khomeni, no Irão, deu início a um movimento radical de reislamização que contagiou Estados árabes, largas camadas sociais do Médio Oriente e sectores árabes e não árabes de países democráticos.

Por sua vez o judaísmo, numa atitude simétrica, viu os movimentos ultra-ortodoxos ganharem dinamismo, influência e armas, empenhando-se numa luta que tanto visa os palestinianos como os sectores sionistas laicos.

O termo «fundamentalismo» teve origem no protestantismo evangélico norte-americano do início do séc. XX. Exprimiu o proselitismo, recusa da distinção entre o sagrado e o profano, a difusão do deus apocalíptico, cruel, intolerante e avesso à modernidade, saído da exegese bíblica mais reaccionária. Esse radicalismo não parou de expandir-se e já contamina o aparelho de Estado dos EUA.

O catolicismo, desacreditado pela cumplicidade com regimes obsoletos (monarquias absolutas, fascismo, ditaduras várias), debilitou-se na Europa e facilitou a secularização. O autoritarismo e a ortodoxia regressaram com João Paulo II (JP2), que arrumou o concílio Vaticano II e recuperou o Vaticano I e o de Trento.

João Paulo II transformou a Igreja católica num instrumento de luta contra a modernidade, o espírito liberal e a tolerância das modernas democracias. Tem sido particularmente feroz na América latina e autoritária e agressiva nos Estados onde o poder do Vaticano ainda conta, através de movimentos sectários de que Bento XVI foi herdeiro e protector, se é que não esteve na sua génese.

A recente chegada ao poder de líderes políticos que explicitam publicamente a sua fé, em países com fortes tradições democráticas (EUA e Reino Unido), foi um estímulo para os clérigos e um perigo para a laicidade do Estado. Por outro lado constituem um exemplo perverso para as populações saídas de velhas ditaduras (Portugal, Espanha, Polónia, Grécia, Croácia), facilmente disponíveis para outras sujeições.

A interferência da religião no Estado deve ser vista, tal como a intromissão militar, a influência tribal ou as oligarquias - uma forma de despotismo que urge erradicar.

A competição religiosa voltou à Europa. As sotainas regressam. Os pregadores do ódio sobem aos púlpitos. A guerra religiosa é uma questão de tempo a que os Estados laicos têm de negar a oportunidade. Só o aprofundamento da laicidade nos pode valer.

Espaço aberto aos leitores

Por sugestão de um leitor que se intitula «chato», fica aberto o espaço da caixa dos comentários deste «post» para os leitores escreverem sobre o que entenderem. Evita-se, deste modo, que apareçam comentários sem relação com os artigos publicados.

Escusado será dizer que não serão consentidos ataques pessoais, calúnias, insultos ou intrigas.

São igualmente interditas manifestações de racismo, xenofobia ou incitamento à violência. Em suma, a Constituição da República Portuguesa será a referência que os democratas que nos visitam certamente respeitarão.

Post scriptum – Promover-se-á a renovação semanal deste espaço. Bons artigos. O Ponte Europa reserva-se o direito de os publicar na página principal.

quinta-feira, agosto 18, 2005

Visão, Expresso, DN e Marcelo Rebelo de Sousa

Alguns leitores lembrar-se-ão da queixa que fiz aos órgãos da comunicação social sobre o facto de publicarem uma mentira quanto à opinião de Fernando Pinto, director da TAP, a respeito do aeroporto da OTA. Estão publicadas aqui no «Ponte Europa».

O referido gestor desmentiu uma vez, depois nunca mais reclamou contra a mentira que lhe atribuía uma opinião negativa quanto ao previsto aeroporto.

Face à falta de ética das referidas publicações, reclamei para a Alta Autoridade para a Comunicação Social.

Aqui fica a resposta que recebi e que deixo à consideração dos leitores e dos partidos políticos. Fiquei mais esclarecido juridicamente e muito decepcionado. A mentira compensa.



Exmo. Senhor Carlos Esperança,
aesperança@mail.telepac.pt


Ofício nº 1734 /AACS/2005 AGO05PI211


Assunto: Queixa contra órgãos de comunicação social.


Em referência à queixa formulada por V. Exª. contra os órgãos de comunicação social "Visão", "Expresso" e "Diário de Notícias", cumpre esclarecer que, nos termos do nº 1 do art. 25º da Lei nº 2/99, de 13 de Janeiro (Lei de Imprensa), o direito de rectificação deve ser exercido pelo próprio titular (neste caso, o Senhor Dr. Fernando Pinto), ou pelo seu representante legal, mas não por terceiros. Nestes termos, não sendo V. Exª. representante legal do titular, não se aplica à situação em apreço a figura do direito de rectificação.

Quanto à carta enviada ao Director do "Diário de Notícias", mais se esclarece que, nos termos da lei, constitui direito deste último determinar o conteúdo do periódico que dirige e, nesta medida, publicar, ou não, as cartas que lhe são remetidas.

Com os melhores cumprimentos,

Lisboa, 17 de Agosto 2005


O Presidente

Armando Torres Paulo
Juiz-Conselheiro

A constituição iraquiana

O adiamento da votação da Constituição Iraquiana foi um péssimo prenúncio.

A resignação dos EUA à transformação do Iraque numa república islâmica não é apenas a confirmação do fracasso, é a admissão da falsidade dos argumentos que justificaram a invasão.

Que é feito dos cristãos que, sob a ditadura de Saddam, gozavam de liberdade religiosa e eram, no Iraque, anteriores ao Islão? Onde está a liberdade prometida, a democracia anunciada, a igualdade entre os sexos, com uma constituição que tem o Corão como referência principal?

A impotência e a hipocrisia emergiram depois de dois mil soldados inutilmente mortos, perante a devastação de um país, o acirrar dos ódios tribais, o aumento da influência do clero e o horror e o ódio a atingirem o seu máximo esplendor.

O mundo não esquecerá a arrogância de Bush e Blair nos Açores, a conivência dos lacaios e a expectativa dos falcões dos EUA. A cimeira da guerra, associada de forma trágica e vergonhosa ao território português, deu origem à catástrofe que fez regressar o Iraque à Idade Média e transformou o Médio Oriente de zona perigosa em barril de pólvora.

A tragédia suplementar reside agora na dificuldade e falta de credibilidade dos autores morais e materiais de uma agressão ao arrepio da ONU e do Direito internacional, com base em mentiras e artifícios, para conter as ambições nucleares do Irão ou responder com determinação ao regime demencial da Coreia do Norte.

Quem não respeita as normas internacionais carece de legitimidade para celebrar a paz, impor o Direito, promover a democracia e defender a liberdade.

Medicamentos de venda livre (cont.)

Na cruzada pela defesa do monopólio das farmácias o Bastonário da Ordem dos farmacêuticos alerta joje no Jornal de Notícias para o facto de que «o paracetamol , por exemplo, é a arma de suicídio mais utilizada no Reino Unido».

Fraco argumento. A linha do combóio, os poços e o veneno contra o escaravelho da batata eram os meios mais procurados para os desesperados rurais, durante a minha infância.

Para os ratos só os gatos e as ratoeiras existiam. O raticida só mais tarde entrou nos circuitos suicidas do arsenal químico.

quarta-feira, agosto 17, 2005

Iraque – Todos de acordo (2)

Os xiitas, os curdos e os sunitas estiveram todos de acordo em recusar a Constituição Iraquiana, até ao fim do prazo.

Assim, o presidente da Assembleia Nacional do Iraque, Hashim al-Hassani, submeteu a votação um prolongamento do prazo por sete dias.

Foi aprovado por unanimidade.

Medicamentos de venda livre

O Governo, este governo, acaba de dar um passo que nenhum outro tinha ousado. Foi ontem publicado no Diário da República o decreto-lei que retira às farmácias a venda exclusiva de medicamentos e que entra em vigor a 16 de Setembro.

Quem não conhece a força das corporações e dos grupos de interesse que dominam o sector, dificilmente poderá avaliar a importância do precedente e o acto de coragem que tal decisão implica.

A chantagem com a saúde pública vai ao ponto de assustar com riscos terríveis a venda de produtos, que não carecem de receita médica, sem que um farmacêutico tenha uma conversa prévia com o cliente, para eventualmente tentar dissuadi-lo da compra.

Recentemente a comunicação social noticiou a venda de duas farmácias por preços de 5 e 7 milhões de euros, respectivamente (em moeda antiga, 1 e 1,4 milhões de contos). Vale a pena escrever por extenso «1.000.000.000$00 e «1.400.000.000$00».

Isto é quanto vale o alvará de uma farmácia – o valor bruto das vendas anuais a multiplicar por 2 – um poder imenso que a Associação Nacional de Farmácias controla, um absurdo que se deve à não liberalização do sector.

Alguém aceitaria que o dono de um talho só pudesse ser um veterinário? Mas o dono de uma farmácia só pode ser um farmacêutico. Um laboratório farmacêutico ou de análises, um consultório médico ou um hospital pode ser propriedade de qualquer cidadão ou empresa. Uma farmácia só pode pertencer a um farmacêutico. Com que justificação?

Esperemos que este pequeno passo seja o início do caminho que conduza à liberalização do comércio farmacêutico, uma decisão que terá ferozes opositores em vários partidos.

Brasil – Um país sob suspeita


Os partidos da oposição afastaram a hipótese, para já, de pedir o «impeachment» de Lula da Silva, face à ausência de provas contra ele e aos elevados níveis de popularidade de que ainda goza.

No entanto, o velho operário metalúrgico sai ferido de um esquema de corrupção que é a lepra que corrói as democracias, com especial propensão para os países latinos. Nas ditaduras a corrupção costuma ser ainda maior mas a censura e as perseguições políticas encarregam-se de limitar os efeitos.

O Brasil não esqueceu ainda o trauma de Collor de Mello.

Quando a economia cresce a bom ritmo, a luta contra a fome conhece êxito e um velho operário é a esperança de milhões de deserdados, a corrupção veio ensombrar o sonho brasileiro e lançar o desânimo nas forças progressistas que acreditam na justiça social.

Faço votos para que o Presidente seja definitivamente ilibado e se liberte dos crápulas que o cercam. Há muitas forças e grandes países apostados no seu fracasso.

O crescimento brasileiro e a sua capacidade para se tornar o grande motor da América do Sul são uma preocupação para os EUA e um desafio para cujo êxito são o principal garante a perseverança, determinação e carisma de Lula da Silva.

Adenda - O PT (Partido dos Trabalhadores) pede desculpa à nação pela primeira vez e iliba Lula.

terça-feira, agosto 16, 2005

Sobre Marques Mendes

«É um pequeno ditador».
(Valentim Loureiro, conselheiro Nacional do PSD e candidato à Câmara de Gondomar, em declarações à RTP)

«Ainda eu hei-se ser presidente da Câmara e já ele terá deixado de ser líder do partido.»
idem IBIDEM

Madeira inaugurou estátua a Carlos de Áustria

O cardeal português Saraiva Martins, da Cúria Romana, deslocou-se à Madeira a fim de descerrar a estátua do Beato Carlos de Áustria, um dos numerosos bem-aventurados a quem João Paulo II elevou aos altares.

Na homilia o cardeal referiu que «é dever dos governantes procurar a santidade».

Alberto João Jardim não comentou tal afirmação.

A Postura

Autarca de Coimbra contra fusão do CEFA e do INA

O Governo pensa em fundir o INA e o CEFA num só instituto, tendo enviado a proposta para apreciação da Associação Nacional de Municípios Portugueses. O documento é levado hoje à reunião do executivo por Carlos Encarnação. O autarca já garantiu que «Coimbra não vai patrocinar esta ideia absurda» e, mesmo sem querer fazer alarmismos, adverte que a fusão poderá implicar a saída do CEFA de Coimbra.-Diario de Coimbra.


Independentemente das razões que levam o Governo a ponderar esta possibilidade só tenho pena que o Dr. Carlos Encarnação não tenha tido a mesma postura quando o Governo PSD/PP resolveu, em Outubro de 2002, extinguir o ICERR- Instituto de Conservação e Exploração da Rede Rodoviária com sede em Coimbra e que tinha a seu cargo a conservação da rede rodoviária Nacional. Face ao actual empenhamento uma dúvida persiste- Será que a sua postura teria sido a diferente caso o governo fosse PS? Nessa altura o Dr. Carlos Encarnação não se preocupou com a transferência para Lisboa das competências acometidas ao ICERR, foi pena pois talvez o desfecho fosse diferente.

Nuno Moita da Costa

segunda-feira, agosto 15, 2005

Iraque - Todos de acordo

Finalmente, todos de acordo.

Curdos, americanos, sunitas, ingleses e xiitas chegaram a acordo quanto à Constituição.

Excepto quanto à religião de Estado, federalismo e distribuição da riqueza.

Os japoneses consideravam-se um povo superior

Lembra hoje a comunicação social que o imperador Hiro-Hito nunca foi julgado pelos crimes de Guerra.

Conhecem-se os destinos que marcaram Hitler e Mussolini. O carrasco visível da impenetrável corte nipónica não respondeu pelos crimes de que foi responsável e sobreviveu à barbárie que alimentou, à tentativa expansionista e aos massacres que perpetrou.

Japão, Alemanha e Itália foram, há 60 anos, o «Eixo» que dilacerou o mundo, alimentou preconceitos racistas e promoveu a xenofobia. Como todos os regimes totalitários, o Japão teve quem se sacrificasse voluntariamente ao serviço de objectivos criminosos.

Muitos dos que se imolaram como torpedos humanos, que dirigiam mini-submarinos contra navios de guerra aliados ou que dirigiam caças assassinos, num suicídio ritual contra alvos inimigos, souberam que a guerra estava perdida. Ainda assim os Kamikaze, cerca de quatro mil, quiseram pôr termo à vida em nome de um deus vivo – o Imperador –, algoz que nunca foi julgado.

Após a derrota do Japão os Kamikaze desapareceram. É este fenómeno que alimenta o meu optimismo quanto aos suicidas islâmicos, que desaparecerão quando as condições que os criam (fanatismo religioso, apoio logístico, incitamento social) se alterarem.

Post scriptum – A actual Constituição japonesa foi imposta pelos americanos. Entre as coisas boas conta-se a imposição do direito de voto das mulheres.

domingo, agosto 14, 2005

Rendição japonesa

Faz hoje 60 anos que o Japão anunciou a rendição, contra a vontade de tropas rebeldes que cercaram o Palácio Imperial com o intuito de impedir o anúncio da rendição.

A operação fracassou e a gravação foi para o ar. O imperador Hiro-Hito foi forçado a aceitar a rendição incondicional – recorda hoje o DN (site indisponível, pg. 48).

O general Mac Arthur obrigou o Imperador Hiro-Hito a negar que fosse Deus, embora os japoneses soubessem que era.

Assim terminou a maior tragédia mundial que a loucura do nazi-fascismo levou a todos os continentes.

Recordar a história é uma forma de advertir para os riscos dos regimes totalitários e para a loucura dos que pensam que há uma única forma justa de pensar, um Deus único, uma só forma de organização do Estado.

E, pior que tudo, acreditar que há raças superiores.

Infelizmente, o Japão continua, até hoje, sem exorcizar os fantasmas do passado e sem reconhecer o crime da sua agressão. O martírio de Hiroxima e Nagasaki, cruel, injusto e desnecessário, não absolve o Japão do passado belicista, imperialista e expansionista.

sábado, agosto 13, 2005

A festa de Santa Filomena (Crónica)

No início da década de sessenta um brasileiro bem sucedido voltou ao Cume para rever amigos e embasbacar os autóctones com o sucesso. Trouxe presentes, distribuiu pentes e rebuçados, lançados aos garotos à rebatina e, à igreja, ofereceu um guião e dois pendões que mandou vir do Porto, uns paramentos a estrear e dinheiro suficiente para a festa de Santa Filomena.

A bem-aventurada tinha provas dadas na cura de animais, designadamente ovelhas, que a gripe dizimava e estropiava no inverno e, quanto maior a desgraça, mais crescia o pasmo pelas que escapavam e maior era a devoção. Tinha sido o caso, nesse ano, por causa das chuvas e dos sempre insondáveis desígnios divinos. Era a primeira homenagem pública, a augurar o início de uma tradição e de um amparo ainda maior. A festa há muito que a santa a merecia , mas os proventos da arrematação dos pés e orelhas de porco, de duas ou três dúzias de ovos e de alguns enchidos provenientes do pagamento de promessas, mal chegavam para lhe pagar a missa e comprar algum adorno.

Valera a generosidade do brasileiro que pôs os paroquianos em excitação, com recados enviados a parentes e amigos e data da festa anunciada.

Com farinha peneirada, ovos guardados e açúcar comprado, apalavrada a banda da Parada e encomendado o foguetório no Porto da Carne, a uma semana da festa, veio o pároco anunciar, durante a missa, que Sua Santidade tinha declarado falsa a santa, sacrílega a devoção e, assim, era impossível a festa. Manifestou tristeza suficiente, por solidariedade para com os paroquianos, que da decisão papal não cabia recurso. Ainda propôs outro santo, com certificado de garantia, de sexo diferente e idêntica virtude, para a substituir nos festejos. Deixou à reflexão dos paroquianos. E do brasileiro, subentendia-se. Qual quê? Goradas as expectativas, enxovalhada a crença, arruinadas as orações cuja permuta de intenções não admitia retroactividade, só restava um vago ressentimento e uma sensação de injustiça e impotência.

O brasileiro a quem a generosidade assegurara lugar cativo na primeira fila da igreja ficou lívido, primeiro, a vacilar na fé e nas pernas, ressentido depois e a remoer vingança.
Impediu-o o medo do Inferno e a inutilidade de demandar o papa de exigir a devolução do óbolo, ficando-se pela desolação e algumas obscenidades com sotaque, enquanto os paroquianos se dividiram entre o brasileiro e os sacramentos, a devoção e o padre, o papa e a santa, acabando por regressar ao redil e à fé dirigida de Roma. Apenas o brasileiro, por brio, passou a frequentar a missa em Vila Fernando, com outro padre, no tempo em que ainda se demorou. Manteve a devoção mas trocou de corretor.

Ninguém percebeu porque se demitiu do altar uma santa que lograra prestígio igual ao de santa Bárbara a amainar trovoadas e maior que o de S. Sebastião que, para além de mártir, não se lhe conhecia na paróquia outro feito que o recomendasse, não desfazendo, é claro, na seta que o trespassava em perpétuo sofrimento. Era difícil rezar a santos que não faziam milagres quando se apeava quem os fazia.

Creio que ao medo do castigo divino e à falta de alternativas se ficou a dever a persistência na fé, posta em causa de forma demolidora por motivos insuficientemente explicados e com despesas já feitas.

Não estralejaram foguetes, não se ouviram os acordes da banda, não se provaram as guloseimas. A imagem, ferida na estimação e na virtude, foi parar à sacristia, por decreto, condenada à solidão e ao esquecimento, à espera de que algumas gerações de crentes se finassem para reaparecer, quem sabe, com outro nome e renovados poderes. Assim a fé e a sociedade o consintam ainda. Os mordomos ficaram designados para as próximas festividades conservando o prestígio e as prerrogativas.

A santa e o brasileiro nunca foram ressarcidos da desgraça.

sexta-feira, agosto 12, 2005

Autárquicas em Lisboa

Ouvi há pouco na rádio que Carmona Rodrigues persiste na promessa de lugares em troca de votos. Desta vez o negócio é com o PPM.

Procuro a notícia na NET mas, por enquanto, não encontro confirmação nas agências noticiosas.

A ser verdade, estamos perante um caso de polícia. Já não é um problema político.

Depois de lugares em empresas municipais seguiu-se a sinecura de provedor do munícipe - o que já foi confirmado -, sem desmentido do vereador Carmona Rodrigues nem do incorruptível líder da distrital laranja, António Preto.

Que empregos estarão a saque na Câmara de Lisboa, a troco do apoio eleitoral ao PSD?

Valentim Loureiro oferecia electrodomésticos . Estamos no terceiro-mundo.

Marques Mendes não tem uma palavra a dizer?

Adenda: A notícia é de «O Independente»

A DEPENDÊNCIA

Factura do petróleo cresceu 541 milhões de euros até Maio 12.08.2005 - 08h16 Lurdes Ferreira

A importação de petróleo pela economia portuguesa, nos primeiros cinco meses do ano, terá custado efectivamente mais 541 milhões de euros do que em igual período do ano passado, devido à escalada de preços nos mercados internacionais. Se o ritmo se mantiver, o país prepara-se para suportar este ano um sobrecusto próximo dos 1340 milhões de euros só na compra de petróleo, sem contar que o agravamento de preços do gás natural e do carvão irá também inflacionar a factura energética dos portugueses em 2005.-“In Publico”

Esta é a nossa grande dependência, pela diversificação das fontes de energia passa o futuro da economia Portuguesa.
Este é o grande desafio político que o país vai enfrentar durante a próxima década, o investimento previsto por este Governo em termos de energia eólica é um passo no caminho certo.


Cuidado com os números de telefone...

Será possível que um cidadão seja constituído arguido porque alguém ao fazer compras indicou o número de telefone dessa pessoa, mesmo que se não conheçam, vivam em cidades diferentes, etc.
E se for possível uma coisa destas?

Sabem onde fica e para que serve?

O Terreiro da Erva às 9h50m

A construção do Forum onde antes funcionava uma têxtil

Imagens de Coimbra, em meados de Agosto de 2005.



A Rua da Sofia às 9h45m

quinta-feira, agosto 11, 2005


[Ver posta infra, IIª GG]

Aos nossos leitores:

Até à próxima reunião dos colaboradores do «Ponte Europa» tomo a liberdade de apagar todos os comentários que excedam, no meu falível critério, o mínimo de dignidade que se exige a quem frequenta este blog.

Ataques pessoais, calúnias e insultos serão apagados sem qualquer explicação.

Comentários que não se relacionem com o texto, que tenham em vista mera propaganda ou intuitos ofensivos, serão igualmente removidos.

Críticas aceitam-se, ataques pessoais não.

Abre-se excepção para quem queira identificar-se.

Fim da IIª Guerra Mundial

Por estes dias faz anos que o mundo se libertava.
Não podemos esquecer estas datas.

Coimbra e as eleições municipais

Coimbra - Imagem de o «Diário as Beiras»
Há em Coimbra uma direita sonsa e impotente que se refugia no anonimato e encontra na calúnia a sua arma predilecta.

Perante a qualidade das listas de esquerda, encontrando-se Vítor Baptista no centro dos ataques por pertencer ao partido com mais probabilidades de presidir aos destinos do município, a direita arqueológica e a direita dos interesses partem para uma cruzada de insultos, ataques pessoais e calúnias.

A direita julga que o poder é uma espécie de doação de Constantino que lhe cabe por direito divino. É incapaz de ver ideias, cotejar projectos, estudar estratégias. Basta-lhe denegrir pessoas que se batem por Coimbra e pretendem melhorar a cidade.

Não interessa à direita o futuro, interessa-lhe a vitória do presente e o gáudio de juntar uma promíscua associação de interesses em vez de defender um programa partidário.

Que unirá o PSD ao CDS a não ser migalhas de um partido residual e mal frequentado? O que é hoje o CDS que Freitas do Amaral e Lucas Pires abandonaram por questões de assepsia e Manuel Monteiro com um projecto ainda mais abertamente reaccionário?

O CDS não é um partido, é uma agência de devolução de retratos.

Enquanto o PCP, o PS e o BE disputam a Câmara com base nos seus projectos, a direita não tem projecto, procura votos numa promíscua associação: PSD/CDS/PPM e em alguns nostálgicos do passado dispersos por grupelhos pouco recomendáveis.

Listas do PS

Lista de Victor Baptista com três independentes

Os independentes que aparecem nos cinco primeiros lugares da lista para a Câmara de Coimbra - onde o PS está representado por quatro vereadores, todos eles militantes do partido -, são o dirigente associativo e ex-militar Álvaro Seco, a jurista Fernanda Maçãs e a sindicalista Fátima Carvalho, em segundo, terceiro e quinto postos, respectivamente. O primeiro lugar pertence ao próprio Baptista, deputado à Assembleia da República e presidente da Federação Distrital de Coimbra do PS, e o quarto a Luís Vilar, vereador e presidente da concelhia socialista.Nos três primeiros postos da lista para a Assembleia Municipal (a composição dos seguintes ainda não está decidida – ver caixa), que é encabeçada pelo militante socialista Reis Marques, aparecem os independentes Martim Portugal e Isabel Vargues, ambos professores universitários. “In Diário de Coimbra”

Excelente lista, com todas as condições para ganhar a Câmara, e uma resposta clara para quem dizia que o PS é um partido fechado. Nuno Moita da Costa

Volcano 2005

Diz hoje o "Calinas" que é um sucesso as acções de prevenção e vigilância das matas por parte do exército. Ainda bem. Pena é que a nível nacional só estejam afectos à missão 500 soldados. Muitos mais seriam necessários. Parece que finalmente em vez do recurso ao aluguer se vai adquirir material aéreo de combate aos incêndios.
Estes governantes andam a ler o que todos nós por aqui dizemos. Sejam bem-vindos.

quarta-feira, agosto 10, 2005

Esposa de Pinochet processada

Lúcia Hiriart, esposa do ditador Augusto Pinochet, acaba de ser processada por um juiz chileno na sequência da investigação de contas milionárias secretas que o ex-presidente mantinha ilegalmente no estrangeiro.

O juiz Sérgio Muñoz processou a mulher do torcionário por presumível cumplicidade no delito de fraude tributária e ordenou a sua reclusão no Hospital Militar, tendo em conta a avançada idade e o estado de saúde da detida.

O filho mais novo deste sinistro casal está a ser interrogado pelo mesmo magistrado, sendo provável que venha igualmente a ser processado.

No Chile, com muitos anos de atraso, a ditadura começa a ser julgada.

Fonte: El Periódico -- última hora.

Caixa Geral de Depósitos

Agora que a poeira se tornou lodo barrento, já posso vir aqui chapinar um pouco sobre as estórias das trocas de cadeiras na CGD. Não posso é deixar de discordar com a nomeação de ARMANDO VARA. Parece que a experiência dele na banca não passou em bom rigor de um período de estágio. Que eu saiba sempre foi político e essa parece ser a experiência que conta.
Talvez seja é um prémio pela Fundação de Prevenção e Segurança!!!
O Governo apoiado pelo meu partido decidiu mal.

Vale tudo...

Carmona Rodrigues recusa responder a acusações de favorecimento.

A oferta de colocações em empresas municipais ou outros cargos na autarquia, em troca de apoios, tem contornos cada vez mais preocupantes e um âmbito ainda mais alargado.

Depois da oferta de colocação numa empresa municipal a um elemento da Nova Democracia, denunciada pelo próprio Manuel Monteiro, aparece agora outro caso denunciado pelo assessor do vereador do Desporto, Moreira Marques, ao «Público».

Trata-se da oferta do cargo de provedor do munícipe em compensação pela exclusão da lista – lê-se no Jornal de Notícias.

Que diz a isto Marques Mendes?

Política e carácter

Alguns leitores, na ânsia de encontrarem pontos frágeis em candidatos do PS, pouco habituados à discussão de ideias, preferem o assassinato de carácter à discussão de programas, ao estudo de projectos e à avaliação das equipas.

Basta que no «Ponte Europa» alguém ponha em causa a idoneidade de um candidato do PS para rejubilarem os beatos do PSD e entrar em êxtase a franja política de CDS que viaja à boleia do PSD.

Apreciem estes comportamentos:

Marcelo Rebelo de Sousa – Citou Fernando Pinto (RTP, reproduzido pelo DN) como opositor ao aeroporto da Ota, após o desmentido do Director da TAP. Alertado para o facto, o que revela o seu silêncio a esse respeito nesta semana?

Carmona Rodrigues – Propôs para n.º 2 alguém que há 8 anos foi candidato do CDS, há 4 do PS e agora do PSD. A estrutura moral do n.º 2 diz bem das exigências éticas do n.º 1. Quanto à promessa, não desmentida, de lugar/es em Empresas Municipais a troco do apoio do PND não é falta de carácter, é suborno e, provavelmente, crime. Ponho ainda à consideração a forma como aceitou substituir PSL, a quem deve a sua ascensão política.

Santana Lopes – As peripécias que levaram às acusações de falta de carácter por Henrique Chaves, quando se demitiu do Governo, ou são falsas ( o que PSL não desmentiu) ou são verdadeiras. Que devemos pensar de PSL e de Henrique Chaves?

Autarcas do PSD do grande Porto – Quem consente e sustenta Valentim Loureiro na presidência do Conselho de Administração do Metro do Porto, conhecendo o negócio das batatas que o levou à demissão das Forças Armadas, tem, de facto, défice de ética, excesso de cobardia política e enorme confiança na regeneração do «gestor».

Carlos Encarnação – Quem fez depender a sua recandidatura do lançamento do Metro de Coimbra, avançando como se a nada se tivesse comprometido, é um político. Se fosse do PS seria acoimado de faltar à verdade ou de ser mentiroso. Quem prometeu no primeiro mandato «mais e melhor emprego» e conseguiu transformar o seu concelho no que mais emprego perdeu, ou esquece as promessas ou despreza os munícipes.

Post scriptum – Escusado será dizer que repudio os trânsfugas de qualquer partido. É diferente os que renunciam a posições anteriores e cumprem períodos de nojo. É injusto acusar Durão Barroso de ter sido do MRPP, por exemplo. Tem defeitos que cheguem para necessitar de outros.

terça-feira, agosto 09, 2005

Discovery aterrou em segurança

É esta fascinante capacidade que alimenta a esperança na humanidade. Após vários adiamentos, momentos de dúvida e mudança de local de aterragem, o Discovery aterrou na base aérea de Edwards, na Califórnia.

Ver as imagens é sentir um frémito de emoção, após a angústia e o medo do fracasso.

É esta América que nos maravilha, o País que lidera o progresso e a investigação especial. É a América que merecia um Presidente melhor e devia proteger-se do conservadorismo evangélico que entrou numa escalada de proselitismo e demência.

Desmentido de Carrilho


• PRESIDENCIAIS Carrilho nega apoio a Manuel Alegre

Manuel Maria Carrilho desmente categoricamente a notícia de um apoio pessoal a Manuel Alegre. O candidato socialista à Câmara de Lisboa é citado pelo «Diário de Notícias», dizendo que uma eventual candidatura de Soares à Presidência da República seria um mau sinal do sistema político.

Espero que a versão de Carrilho se confirme. Caso contrário reitero tudo o que escrevi.
Se o jornal mentiu, deixarei de comprar o DN. Aguardemos.

A reincidência de Carrilho



O Diário de Notícias abre com um título de caixa alta : «Carrilho critica a recandidatura de Soares».

Carrilho foi um excelente ministro da Cultura. Deve-o à inteligência, cultura e capacidade de realização. Deve-o ainda, e sobretudo, ao primeiro-ministro que o indigitou, à sua visão estratégica e ao orçamento que lhe disponibilizou.

Carrilho teve o mérito e a sorte de ser ministro na 1.ª legislatura de Guterres, o melhor Governo que Portugal teve.

Na segunda legislatura Carrilho não se limitou a discordar das opções políticas do primeiro-ministro, fez do combate pessoal e do afrontamento a Guterres o instrumento da sua sobrevivência mediática. Foi petulante e deixou dúvidas quanto ao seu carácter.

Agora, ao discordar da candidatura de Mário Soares, exerce um direito de cidadão mas esquece que é candidato ao lugar mais importante antes das eleições presidenciais. Não é apenas a eventual candidatura de Mário Soares que prejudica é o primeiro-ministro que apunhala. Aceitando o convite de Sócrates para o lugar que vai disputar ficou-lhe vedado o direito de se colocar na fila para futuro secretário-geral.

Esquece que foi escolhido por Sócrates para disputar a Câmara de Lisboa quando Ferro Rodrigues deveria ser a opção óbvia; fez tábua rasa da votação arrasadora do primeiro-ministro nas eleições directas internas e pretende agora, na secretaria, distorcer a opção dos militantes em que foi derrotado; pretende assumir uma liderança para que carece de legitimidade.

Espero que ganhe as eleições de Lisboa. Tem perfil e competência para o cargo. Falta-lhe carácter para mais altos voos.

Incêndios, um problema que ninguém resolve.

Os incêndios em Portugal assumem em cada ano que passa proporções cada vez mais avassaladoras. Ao longo destes anos os responsáveis disseram que se ia desencadear isto, fazer aqueloutro, propor outro tanto, etc. O resultado desagua irremediavelmente na abertura dos telejornais. Eu tenho para mim que, aquilo que era essencial fazer nunca foi feito. O nosso exército deveria ter unidades especialmente treinadas para o combate a incêndios, quer tropas, quer esquadrilhas da força aérea. Não é esta a nossa guerra, não são os incêndios o nosso maior inimigo e terrorista de eleição?
As Câmaras Municipais que têm competência em matéria de queimadas, de fiscalização dos perímetros de segurança e de licenciamento de construção têm negligenciado tarefas essenciais a este propósito.
Por outro lado as declarações do Ministro António Costa quanto às “ordens” a dar ao MP, são típicas dos estados autoritários. Sendo certo que quem manda nestas matérias não conhece o terreno, nem nunca sentiu na pele tal fenómeno.
Vejam as imagens de satélite dos incêndios.

A tolerância da monarquia britânica

O príncipe Carlos autorizou o filho Guilherme a viver com a noiva Kate Middletonnum no apartamento em Clarence House, residência oficial do príncipe de Gales.

Segundo o Daily Express, a própria Raínha e o marido, duque de Edimburgo, também aprovam a iniciativa dos dois jovens de 23 anos.

A monarquia já não é o que era. Apesar do carácter anacrónico da instituição, o facto de autorizar membros da família real a viverem em união de facto na residência oficial da família britânica, é um avanço que se saúda e um facto que se regista.

A Igreja anglicana, que deve obediência à Rainha, não deverá ter voz activa para se pronunciar.

Fonte: El Periódico - última hora, segunda-feira, 8

segunda-feira, agosto 08, 2005

A obra...em 2006

Projecto para Coimbra B pronto em Setembro.

O projecto definitivo de loteamento da zona envolvente à Estação de Coimbra B será entregue à Câmara Municipal de Coimbra durante o próximo mês de Setembro e, se tudo correr como previsto, as obras começam até Junho de 2006. Um espaço para espectáculos e convenções, um hotel, uma residência para universitários e outra para seniores, um complexo de saúde e áreas de serviços e comercias serão os equipamentos a construir- “In Diário de Coimbra”

Sem pôr em causa a utilidade da obra para Coimbra, tenho que referir que nesta altura (Eleitoral) é só obras, até parece que a Câmara de Coimbra liderada pelo Dr. Carlos Encarnação tem feito muito pela cidade, a obra é tanta que até tenho dificuldades em enumera-la.....

Maus Exemplos

FIGUEIRA DA FOZ – Cenas de pancadaria envolvem candidatos

O fim-de-semana foi particularmente fértil em cenas de pancadaria envolvendo candidatos autárquicos. Dois do PS, um do PSD e outro do BE afirmam terem sido agredidos.Sábado à noite, no recinto da feira de exposições Expondas, Marinha das Ondas, três candidatos estiveram envolvidos em cenas de pancadaria. Manuel Raimundo e de Rodrigues Nada, candidatos do PS à Junta, afirmam ter sido agredidos pelo presidente da junta e candidato do PSD, Eduardo São Pedro. E já nas Urgência do Hospital da Figueira, Raimundo assegura que São Pedro lhe deu mais “dois ou três estalos no pescoço”.Os candidatos socialistas denunciaram que São Pedro os ameaçou de morte. Entretanto, ontem, Victor Sarmento, candidato do PS à câmara, deslocou–se a Marinha das Ondas, para “repudiar, veementemente, estes actos bárbaros”. E adiantou que vai solicitar protecção policial para os seus candidatos e uma reunião com o presidente da câmara e candidato do PSD, Duarte Silva.....” in Diário as Beiras”

Quando o bom senso e o equilíbrio não existem temos este tipo de situações, que só contribuem para o desprestigio da política e para o afastamento das pessoas dos partidos. Este tipo de situação não pode acontecer.

domingo, agosto 07, 2005

Escândalo autárquico em Lisboa

Enquanto Carmona Rodrigues e a distrital do PSD/Lisboa se encontram em guerra, sem fim à vista, os bastidores das negociatas começam a ser conhecidos.

Ontem, numa pequena aldeia da Beira Alta, comecei a ler o Expresso. Na última página do caderno principal, chamou-me a atenção um pequeno, artigo a três colunas, sob o título «PSD veta Monteiro». Comecei aí a leitura do semanário, tendo ficado a saber:

1 – Houve um acordo entre Carmona Rodrigues (CR) e Manuel Monteiro MM) em que a Nova Democracia (PND) – partido pessoal de Manuel Monteiro –, indicava para a Assembleia Municipal um indefectível apoiante de MM, Jorge Ferreira;

2 – A distrital do PSD/Lisboa, presidida pelo impoluto deputado António Preto, pressionou para que o acordo não fosse avante e – segundo afirma Manuel Monteiro –, «foi feita a sugestão de que fosse substituído por futuras presenças de uma pessoa da Nova Democracia em empresas municipais» (sic).

3 – Já não bastam os acordos políticos (esses, legítimos), avança-se para promessas de emprego em empresas municipais. É uma espécie de carta de condução para o Conselho de Administração de uma empresa que, mesmo deficitária, paga generosamente aos administradores.

4 – A desconfiança com que olho a criação de empresas municipais, já aqui referida a propósito das «Águas de Coimbra», aumentou agora com a despudorada denúncia de que, em Lisboa, o PSD não faz acordos de incidência política, promete empregos bem remunerados como recompensa de apoios partidários.

5 – As empresas municipais podem tornar-se um instrumento de corrupção política e uma forma de pagamento de fidelidades, pouco transparentes e em flagrante contradição com os mais elementares princípios de boa gestão dos bens públicos.

Pobre democracia.

sexta-feira, agosto 05, 2005

Dívidas fiscais


Dívidas fiscais

Mais de oito mil administradores penhorados



As Finanças vão penhorar os bens a mais de 8 mil administradores e gestores de empresas portuguesas. A notícia é avançada pelo Semanário económico de hoje.-
De acordo com o jornal, os processos de penhora vão atingir os administradores porque as empresas não têm bens suficientes para garantir o pagamento das dívidas fiscais. No total, todas estas penhoras representam mais de 160 milhões de euros. O fisco está nesta altura a identificar os bens pessoais dos responsáveis da empresas para depois avançar de imediato com as penhoras. -“In siconline


È caso para dizer finalmente, esta é uma medida moralizadora e essencial para acabar de vez com a “descapitalização” das empresa e fuga ao fisco. Pode ser que assim acabem os Mercedes e os BMW dos senhores empresários que devem milhares ao fisco.

Recordando Jorge Amado



Há quatro anos, este foi o último dia inteiro de Jorge. Amado e lido por tantos. Acabou o curso de Direito sem nunca procurar o diploma, num país onde se vai sempre buscá-lo mesmo sem frequentar o curso. Partiu da vida sem querer caixão. Quis ser apenas cinza à sombra de uma mangueira, no seu quintal.

A seis de Agosto deu à eternidade os quatro dias que ainda eram seus até aos 89 anos.

Apreenderam-lhe e queimaram-lhe livros na praça pública. Sofreu a prisão e o exílio mas nunca deixou que lhe aprisionassem a alma ou lhe roubassem os sentidos que guardou para o sortilégio do amor, a vertigem do desejo e a paixão da escrita.

Levou o país do carnaval às terras do sem fim, ao mundo todo, nas páginas dos seus livros. A sua vida foi navegação de cabotagem circum-navegando o povo brasileiro para quem foi, também ele, um cavaleiro da esperança a sonhar searas vermelhas nos subterrâneos da liberdade.

Percorreu a vida, cumprindo-se. Amou. Amou profundamente. O corpo feminino. As mulheres. A vida. Capitão de longo curso a navegar a língua portuguesa através dos livros a que aportou. Viajou com meninos pobres, capitães da areia, ladrões, bêbados, prostitutas, bandidos, em repetidas viagens pelo sertão infestado de coronéis, donos de fazendas e de gente, de cacau e de café, de jagunços e honrarias, de garimpo e engenhos.

Jorge sabia o valor da mestiçagem, sabia que no amor, como na vida, é boa a diferença e sabe bem. Alimentou-o o desejo, ardente fixação no corpo feminino, desejo de que ainda tinha fome quando já não podia amar.

Em Salvador vinha-lhe da baía o cheiro a mar que o inebriava e da terra a força telúrica que o acompanhou. Foi lá que tantas vezes fez da palavra arma e dos seus livros a carabina que empunhou ao serviço das causas que defendeu. Foi lá que a tocaia grande o apanhou. Ao grande Obá.

Levou do banquete da vida um quinhão largo mas deixou abundantes e gostosas vitualhas na mesa da literatura, 44 livros sobre a toalha.

Partiu feito cinza para a sombra da árvore que plantou. Iemanjá ficou com ciúmes no mar de S. Salvador da Baía de Todos os Santos. Vestida de água, disponível para ele. Jorge preferiu a terra do porto a que o ligavam as amarras da vida. E por lá ficou. A imaginar os negros da Baía a dançar candomblé à volta da mangueira. Com Orixás a velar. À espera de Zélia. Faz quatro anos.

Actividade editorial

«A Dom Quixote confirma a intenção de publicar o livro de Alberto Silva Lopes sobre a eleição que ditou a derrota autárquica de João Soares em Lisboa, em 2001.

O autor, encontrado morto na quinta-feira, 28, apresentara uma queixa-crime por alegada fraude naquelas eleições, cuja responsabilidade atribuiu à candidatura de Pedro Santana Lopes.

O MP arquivou a queixa, em Junho, apesar de confirmar os indícios de fraude.

Silva Lopes dedicou os dois últimos anos de vida a preparar o livro sobre aquela eleição.

Apesar de ter sido aberta uma investigação, uma fonte da PJ disse que a morte do simpatizante socialista se deveu a causas naturais».

Fonte: Visão N.º 648 – 4 a 10 de Agosto de 2005, pg.22.

quinta-feira, agosto 04, 2005

"Washington Post" denuncia soldados dos EUA

«Soldados norte-americanos praticaram, por iniciativa própria, abusos "brutais" sobre prisioneiros e em interrogatórios a suspeitos de terrorismo no Iraque, Afeganistão e Guantanamo, noticiou hoje o Washington Post» - lê-se na SIC Online.

O que distingue um Estado de direito da barbárie, o que separa a democracia da ditadura, o que distancia um Estado laico de uma teocracia é o respeito pelos direitos, liberdades e garantias que a Constituição de um país livre consagra.

Quando os soldados do país mais poderoso do mundo se comportam como os mais fanáticos e dementes seguidores de Maomé, a alegada superioridade da civilização cristã e ocidental fica comprometida.

Estes exemplos trazem à memória o pior da guerra colonial do regime fascista português, em África.

Colocação de professores

«O número de pedidos de destacamento por doença apresentados pelos professores diminuiu, este ano, para menos de um terço do registado em 2004» - informa a TSF.

Curiosamente este ano a colocação de professores não foi notícia.

Haverá quem se lembre da bagunça e do atraso no começo das aulas no anterior ano lectivo? E sabem quem estava no Governo? E quem era a ministra?

República Islâmica da Mauritânia

O presidente Ahmed Ould Taya saiu da Mauritânia para ir ao funeral do rei Fahd, em Riad, e foi destituído ontem. Vinte anos após o golpe de Estado que o levou ao poder em Dezembro de 1984, foi afastado por outro golpe militar, perpetrado pelo Exército, na maioria com elementos da sua própria Guarda Presidencial.

Os 53 países da União Africana condenaram o golpe, enquanto nas ruas da capital milhares de populares celebraram a queda do ditador.

O novo Conselho Militar prometeu dotar o País de «verdadeiras instituições democráticas», um saudável objectivo declarado pelo director da polícia, o coronel Ely Uld Mohamed Vall, que preside ao Conselho e governará dois anos.

O presidente destituído, depois de lhe ter sido negado o regresso, refugiou-se no Níger.

Os ditadores nunca podem afastar-se do poder.

Salazar só uma vez foi a Badajoz. E em segredo.

CDS/PP exige explicações sobre a CGD

O presidente do CDS, José Ribeiro e Castro, exige ao ministro das Finanças explicações sobre as alterações na administração da CGD.

De facto, com a diminuição de dois administradores, não se compreende a manutenção de Celeste Cardona que, sem experiência no sector bancário, foi premiada por Bagão Félix com a sinecura.

O Flagelo

Santa Comba Dão, Arganil, Soure e Cantanhede
Chamas voltaram a atacar Sessenta e sete homens, dezassete viaturas, dois aviões ligeiros e dois helicópteros combaterem ontem ao final da tarde um incêndio de grandes proporções nos concelhos de Cantanhede e Mealhada.” in Diário de Coimbra.

Espero que este flagelo não seja uma vez mais esquecido durante o próximo inverno é urgente ter a coragem política para actuar no caminho de uma melhor e mais eficaz prevenção. Mais dos que os meios (equipamentos) é preciso recuperar a “velha cultura” de limpeza dos pinhais, nem que seja através da concessão de incentivos financeiros, sempre é mais bem empregue (o dinheiro público) do que em carros ou sucedâneos para um qualquer Instituto Público ou Ministério

quarta-feira, agosto 03, 2005

A estrada, os acidentes, os culpados e a confirmação.

Quando o Código da Estrada entrou em vigor disse aqui que estava contra todas as medidas repressivas como instrumento de combate à sinistralidade em Portugal.

Neste conspecto, mercê das reclamações feitas e do trabalho das associações envolvidas, temos uma Recomendação do Provedor de Justiça que abre as portas à necessária alteração da Lei.

Por outro lado os ingleses, amigos como sempre, não tiveram dúvidas em dizer que o IP5 é das vias mais perigosas do mundo.

Ver a notícia no original em TIMES ONLINE (Digite ip5 em search)

As críticas do CDS e do PSD a Jorge Sampaio

Ontem, a direita criticou a ida de Mário Soares a Belém. O PSD usou de alguma prudência. O CDS esteve à altura do radicalismo que Ribeiro e Castro, actual presidente, procura atenuar.

O deputado António Pires de Lima, cuja truculência e falta de senso fazem parte do seu código genético, destacou-se pela severidade das acusações que fez ao Presidente da República por ter recebido Mário Soares.

Até parece que uma audiência de Jorge Sampaio a um conselheiro de Estado, antigo primeiro-ministro e ex-Presidente da República é um acto indigno ou uma manobra conspirativa.

Para o exaltado deputado do CDS, a audiência do PR a Mário Soares, na tarde de ontem, foi um «gesto político ridículo». Hábil na calúnia e a urdir processos de intenção, acrescentou que o Presidente da República, ao ter concordado receber o protocandidato à Presidência, «está a deixar-se usar».

Mal sabia o infeliz deputado, aprendiz da intriga e mestre na calúnia, que Jorge Sampaio tinha recebido, nessa mesma manhã, o «protocandidato» Cavaco Silva.

terça-feira, agosto 02, 2005

Marcelo Rebelo de Sousa e o aeroporto da Ota, na RTP e no DN

Na impossibilidade de ser ele próprio o candidato presidencial, colocando-se na reserva, Marcelo (MRS) é a voz da oposição ao PS na RTP e no DN, assumindo semanalmente o fato de comentador e o desígnio de promotor de Cavaco Silva à presidência da República.

MRS, antigo presidente do PSD e destacado militante, comenta a política, aliás com inexcedível brilho, e sempre a zurzir o PS.

Os ataques impiedosos a Guterres só abrandaram quando teve a certeza de que ele se colocara fora da corrida presidencial. Tratava-se de um massacre semanal tendo em vista atingir o então mais prestigiado e sólido candidato presidencial da esquerda.

Nada disto é de admirar. MRS finge independência, com os ódios de estimação que acumulou, a denegrir Durão Barroso e, sobretudo, Santana Lopes, sabendo que quase faz o pleno da opinião nacional, sobretudo no último caso.

É lamentável que ao entusiasmo da luta política não corresponda sempre a verdade dos factos.

Em relação à opinião sobre os grandes investimentos públicos, MRS afirma no primeiro parágrafo da pg. 13 do Diário de Notícias de hoje o seguinte:

«Esta semana, sobretudo a propósito da Ota, pronunciaram-se vários responsáveis. O presidente da TAP, o da Portugália e o da Air Luxor e. Que diabo, são três especialistas na matéria e todos acham que é um disparate rematado, para utilizar a expressão de há dois meses de Mário Soares sobre a sua candidatura presidencial - é uma verdadeira “loucura”».

Não se pronunciou assim quando o mesmo projecto foi sucessivamente recusado e anunciado (duas vezes cada decisão) sob a responsabilidade de Durão Barroso. Além disso cita de forma incorrecta o presidente da TAP, o que poderia ter evitado com a leitura atenta do DN de 26 de Julho.

Em relação à entrevista publicada no caderno Negócios do DN, Fernando Pinto escreveu uma carta que aparece destacada na pg. 12 de 26 de Julho, cujas transcrição faço na parte que interessa:

(...)«Apenas uma leve crítica à forma como tiraram partido da vulnerabilidade do meu português de brasileiro recém-“nacionalizado”.É que quando eu disse que nunca tinha visto «um estudo que justificasse a Ota», não me dei totalmente conta do aproveitamento (sobretudo para os títulos) que as minhas palavras podiam ter...Quero deixar bem claro, em abono da verdade e no respeito pelos leitores do DN, que nunca vi um estudo sobre a localização, pelo que não estou em condições de participar nessa discussão». Fernando Pinto, Administrador-delegado da TAP.(...)

Apostila: Esta mentira já foi repetida pela Visão, Expresso e, agora, por MRS na RTP e no próprio DN.

Autocrítica de Alberto João Jardim

«A geração que hoje está no poder em Portugal é a geração dos falhados».
(Alberto João Jardim, PÚBLICO, citado pelo DN, de hoje. In «Lido», pg.8).

Trata-se de uma autocrítica tardia.

Ou aquele bastardo, para não lhe chamar o que os leitores sabem, já pensa que a Madeira não é Portugal?!

Vital Moreira

Além de estimulante, é imprescindível seguir Vital Moreira na destreza intelectual e sagacidade com que acompanha a vida política nacional.

A não perder:

- Resposta a Mário Pinto, referente a um artigo seu sobre a escola pública.


- Por que se espera para liberalizar o estabelecimento de farmácias?

A luta das caras.

Em plena portagem estão neste momento imagens dos rostos de VB e CE, em suportes de iguais dimensões. O primeiro a ser colocado foi o de VB. Reparei ontem que o de CE foi colocado do lado contrário, em pose de confronto. Verifiquei que colocaram a estrutura de suporte da imagem de CE dentro dos canteiros do jardim, com manifesto dano. Quem explica isto? Isto é gestão? Isto é seriedade? Isto é respeito para aqueles que nos visitam?

segunda-feira, agosto 01, 2005

Eis uma excelente decisão do Governo Sócrates.

O Conselho de Ministros de 29 de Julho de 2005, aprovou um Decreto-Lei que estabelece a obrigatoriedade de disponibilização do livro de reclamações a todos os fornecedores de bens ou prestadores de serviços que tenham contacto com o público em geral

Assim, passam a estar sujeitos à obrigatoriedade de existência e disponibilização do livro de reclamações, nomeadamente, postos de abastecimento de combustíveis, lavandarias, salões de cabeleireiro, institutos de beleza, estabelecimentos de tatuagens e colocação de piercings, estabelecimentos de venda e de reparação de automóveis novos e usados, estabelecimentos de manutenção física, recintos de espectáculos de natureza artística, parques de estacionamento, farmácias, prestadores de serviços de transporte rodoviários, ferroviários, marítimos, fluviais, aéreos, de comunicações electrónicas e postais, estabelecimentos das instituições particulares de segurança social em relação aos quais existam acordos de cooperação celebrados com os centros regionais de segurança social, como creches e lares para idosos, sucursais das empresas de seguros, instituições de crédito e estabelecimentos de ensinos básico, secundário e superior, particular e cooperativo.

Por outro lado, o diploma, que cria um regime comum a todos os livros de reclamações, estabelece que o dever de remeter a queixa recai sobre o prestador de serviços ou o fornecedor do bem. No entanto, com o objectivo de assegurar que a reclamação chegue, de facto, à entidade competente, permite-se que o consumidor envie ele próprio a reclamação. Para tanto, é reforçado o direito à informação do consumidor, quer através da identificação no letreiro da entidade competente quer na própria folha.

Esperam-se medidas de protecção do consumidor na área do sistema bancário, seguros, energia e telecomunicações, com urgência.