sexta-feira, setembro 30, 2005

A queda da folha

A queda da folha.

A campanha eleitoral, apesar de há muito ter começado, dá agora, oficialmente, os primeiros passos. Os candidatos mostram o sorriso, esforçam-se por parecer simpáticos, prometem ser tolerantes, abrangentes e fingem dar ouvidos a quem ousa discordar; a encenação não fica completa se não distribuírem sacos de plástico, aventais, brindes e papel cuché, com a sua cara maquilhada, para convencer os incautos de que a pose é sinónimo de competência.

O país está farto destes embustes, actores de subúrbio sem lugar nas piores companhias de teatro. O povo continua sem dinheiro, o desemprego aumenta, mas as promessas evoluem exponencialmente para captar votos. Urge erguer a voz, em nome de uma cidadania responsável, denunciar a falta de seriedade que graça na boca de alguns candidatados autárquicos. O povo pode e deve votar contra aqueles que julgam que ele não pensa e não sabe, como escreveu Sophia de Mello Breyner.

Coimbra é uma cidade onde a presença da sua Universidade condiciona todas as estratégias: ou a integram ou a excluem. E o sucesso depende da capacidade que os actores tiverem para perceber que, sem massa crítica e sem competência técnica, as soluções políticas perdem credibilidade.

Era altura de Coimbra ter uma estratégia cultural, que a afirmasse na região e no país mas, para isso, era necessária, também, uma oferta de qualidade, com captação de novos públicos, onde coexistisse uma modernidade que desse vida a uma tradição que corre o risco de ser uma teia no baú da memória.

É preciso conhecer o que se faz nas cidades intermédias, para não falar das capitais culturais: Barcelona, Madrid, Munique, Londres, Paris ou Viena, só para citar algumas, onde é o obrigatório ir beber o néctar da programação.


Que cidade se pode orgulhar de ter tão grande património ao nível da literatura?, da história das ideias?, do património monumental e, principalmente, de ter uma matriz musical conhecida em todo o mundo?

A cidade de Coimbra vai continuar a navegar à mercê dos ventos e sem estratégia cultural? Senhores políticos, os conimbricences querem e têm o direito de saber o que pensam. Continuaremos a ter uma oferta cultural de garagem e a assistir à queda da folha?

António Vilhena

Sondagem DN/TSF/Marktest


«É a vida».

Cavaco Silva e as presidenciais


Segundo várias sondagens ganha peso a possibilidade de Cavaco Silva ganhar as eleições presidenciais à primeira volta.

«De acordo com o Barómetro DN/TSF/Marktest, o antigo líder do PSD recolheria 48,6 por cento dos votos, contra 14,5 de Mário Soares, 10,9 de Manuel Alegre, seis de Francisco Louçã e quatro de Jerónimo de Sousa» - diz a TSF.

Como ainda não anunciou a sua candidatura vê-se o tipo de campanha eficaz que os indefectíveis de sempre e os arrivistas de ocasião estão a fazer.

Esperemos que apareça para o combate onde tem fortes probabilidades de acordar rancores antigos e despertar memórias adormecidas, começando a descer nas sondagens.

No entanto, se ganhar – eu desejo que não – não é uma catástrofe para o País, é uma óptima oportunidade para assistirmos ao funeral político de Paulo Portas e Santana Lopes.

Autárquicas – picardias do PSD

«Marques Mendes, líder do PSD, pede a José Sócrates que vá a Felgueiras dizer o que pensa sobre o «espectáculo montado em torno do» regresso de Fátima Felgueiras a Portugal e da sua candidatura às autárquicas» - lê-se na TSF.

Penso que será lamentável que ganhem as eleições os autarcas cujo comportamento cívico e ético é reprovável e obsceno. Por isso fui e sou contra a lei que permite candidaturas independentes.

Agora, perante uma pessoa que foi expulsa do PS, não compreendo o desafio de Marques Mendes, a menos que ele próprio queira fazer o mesmo em Gondomar e vá à Madeira recuperar o défice democrático que ali se instalou sob a égide do sátrapa autóctone.

quinta-feira, setembro 29, 2005

Autárquicas – Oeiras

Citações

«Hoje todos os candidatos reclamam uma paixão por Oeiras, mas num momento capital para o concelho um candidato que agora se apresenta trocou-o pelo amor pessoal ao Terreiro do Paço».

«...o mérito foi de quem cá ficou, de quem cumpriu, não de quem saiu»

(Marques Mendes numa sessão de apoio a Teresa Zambujo)

1 – Era uma crítica a Isaltino;

2 – Não visou a saída de Carmona Rodrigues da Câmara de Lisboa para o Governo;

3 – Não era uma censura à saída de Durão Barroso para Bruxelas.

Autárquicas - Coimbra

Judiciária investiga urbanismo municipal

«Averiguações sobre a actividade de José Eduardo Simões como director municipal do urbanismo e presidente da Académica envolvem investimentos do grupo Amorim e do promotor da Urbanização Jardins do Mondego» - informa o Diário de Coimbra.

Autárquicas – Porto

Ponte D. Luís

1 – É lamentável a falta de civismo e espírito antidemocrático com que as eleições têm decorrido no Porto merecendo especial repúdio a má-criação, os insultos e ameaças de que Rui Rio tem sido alvo. É um caso de polícia que não pode ficar impune.

2 – Rui Rio é o único presidente que conheço que cortou com o futebol e as relações promíscuas que se sabe haver em numerosos municípios. É motivo da particular admiração que me merece. É um exemplo para os outros autarcas.

3 – O aproveitamento político que faz das intoleráveis manifestações de falta de civismo, podem render-lhe votos mas nada acrescentam à consideração que merece.

4 – As acusações ao PS nas provocações de que tem sido alvo, se não forem provadas, coloca-o ao nível de numerosos biltres que não hesitam na calúnia ao serviço de objectivos eleitorais.

As rotundas de Coimbra

A substituição das rotundas por granito foi uma decisão esteticamente duvidosa, perigosa para o trânsito rodoviário e financeiramente injustificável.

Se alguém lucrou, não foram certamente os munícipes.

PRESIDENTES PENSIONISTAS

Santana Lopes (Lisboa) - 3178,47 euros

Narciso Miranda (Matosinhos) - 3273,01 euros

Raul dos Santos (Ourique) - 2368,06 euros

Carlos Pinto (Covilhã) - 3099,03 euros

Armando P. Lopes (Figueira de Castelo R.) - 2537,89 euros

Joaquim Céu (Alpiarça) - 2537,89 euros

Rui Silva (Arganil) - 2855,12 euros

António Solheiro (Melgaço) - 2729,81 euros

Francisco Tavares (Valpaços) - 2702,85 euros

Francisco Ribeiro (Stª Marta de Penaguião) - 2537,89 euros

Hernâni Pinto (Armamar) - 2437,78 euros

Luís Mourinha (Estremoz) - 1438,15 euros

Luís Azevedo (Alcanena) - 2855,12 euros

António Fernandes (Maia) - 2247,65 euros

António Godinho (Aljustrel) - 2537,89 euros

Júlio Sarmento (Trancoso) - 2412,58 euros

Mário Ferreira (Tarouca) - 1845,87 euros

António R. Costa (Ribeira Grande) - 2662,91 euros

Filhos e enteados


O jornalista Licínio Lima conta-nos a lancinante desilusão de Manuel Pinto, 63 anos, que, após 31 anos de trabalho nas secretarias dos tribunais de Lisboa, resolve reformar-se como represália pelo fim das regalias «conquistadas ao longo dos anos» pelos «Serviços Sociais do Ministério da Justiça» que ele próprio ajudara a criar.

Não compreende como o Governo o manda para a ADSE. Em vez de se interrogar sobre a legitimidade dos privilégios de que beneficiava, vocifera por perder o que o Estado abusivamente deu aos que tiveram mais força reivindicativa em detrimento dos outros funcionários. O que está mal é o tratamento desigual que o Estado consentiu.

«Se vão agora cortar-me regalias adquiridas, então vou-me embora...» - disse ao jornalista o zeloso funcionário que «tem estado destacado nestes últimos anos» na Associação dos Oficiais de Justiça, pago pelo erário público em funções estritamente sindicais.

Os Governos (PS ou PSD ou ambos) merecem, de facto, uma crítica veemente por conceder regalias que não puderam tornar extensivas a todos.

É fácil compreender o desânimo de quem perde benefícios mas é altura de avaliar a justiça social de tais medidas numa altura que a situação económica e financeira não suporta regalias.

Apreciem os leitores as queixas ao Diário de Notícias e façam o seu juízo.

Apostila – Se este funcionário estivesse numa empresa privada tinha de aguardar mais dois anos e reformar-se-ia, nessa altura, com 66% da média dos melhores 10 dos últimos 15 anos.

quarta-feira, setembro 28, 2005

Marques Mendes


Na sequência do comício de apoio à candidata do PSD, em Oeiras, Marques Mendes condenou de forma frontal e inequívoca a greve dos juizes e dos magistrados do Ministério Público.

Sem prejuízo da oposição dura que vem fazendo ao Governo, revelou que tem sentido de Estado e não confunde interesses partidários com os nacionais.

As afirmações – ouvidas no noticiário das 20H00 da RTP-1 – são de bom augúrio para um líder que parece querer interromper o ciclo de mediocridade protagonizado pelos dois últimos presidentes do PSD.

Autárquicas - Lisboa

Carmona tem 309 medidas na manga

«O candidato do PSD impõe compromisso e diz querer prestar contas em seis meses».

Carmona Rodrigues, com conversas dúbias e compromissos suspeitos com o Partido da Nova Democracia e uma agremiação marialva e fadista que dá pelo nome de PPM, afirma que tem 309 medidas para Lisboa.

Parece mais o anúncio do modelo de uma marca de automóveis do que um conjunto de medidas para a capital do País.

Por que motivo se esqueceu do casaco, em cuja manga tinha as medidas, durante os últimos quatro anos?

Bush em maré de azar

Líder republicano da Câmara dos Representantes dos EUA acusado de conspiração

O líder da maioria republicana na Câmara dos Representantes norte-americana, Tom DeLay, foi hoje acusado no Texas de conspiração num caso de financiamento de campanha eleitoral e anunciou que se afastará "temporariamente" do cargo, noticiaram as estações televisivas norte-americanas - informa a RTP-1.

No mesmo dia em que o antigo presidente Jimmy Carter déclare qu’Albert Gore a été élu président des États-Unis en 2000 é mais um revés para George W. Bush, que os interesses petrolíferos, o neoconsevadorismo evangélico e o Tribunal da Flórida fizeram presidente, para desgraça dos EUA e do mundo.

**Que futuro para Coimbra?* *

**Conselho da Cidade de Coimbra e Pro Urbe organizam debate público com
candidatos autárquicos de Coimbra* *


29 de Setembro, Quinta-feira, 21,00 horas

Auditório da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra

O Conselho da Cidade de Coimbra e a Pro Urbe – Associação Cívica de Coimbra tem o prazer de anunciar que os principais candidatos autárquicos à Câmara Municipal de Coimbra confirmaram a sua presença no debate do próximo dia 29 de Setembro, quinta-feira, a partir das 21 horas, no Auditório da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

Este será o único debate público entre os candidatos à Câmara Municipal de Coimbra, nas eleições autárquicas de 9 de Outubro, podendo ajudar desde já a esclarecer algumas dúvidas no espírito dos cidadãos de Coimbra.

Espera-se, deste modo, que se possa repetir os debates de sucesso, realizados aquando das duas últimas eleições autárquicas, onde a participação de largas centenas de pessoas permitiu discutir e clarificar alguns dos assuntos mais estruturantes para a cidade de Coimbra.

As temáticas a abordar serão muitas e variadas. Contudo, é entendimento das associações promotoras que os candidatos à liderança possam responder a algumas das preocupações que nos parecem mais importantes.

Entre elas, destacamos as seguintes:
1 – Transparência e democraticidade da vida municipal – mecanismos de participação dos cidadãos e associações na condução da política municipal, nos seus variados aspectos;

2 – Sustentabilidade do concelho de Coimbra – grau de exigência de qualidade urbana, de forma multifacetada, onde interagem o modelo urbanístico, a qualidade do ar e da água (saneamento básico, abastecimento e poupança de água), a eficiência energética, a recolha e tratamento de resíduos e os espaços públicos ao dispor dos cidadãos. A juntar a estas preocupações, importa saber as prioridades e métodos de eficaz gestão na reformulação do Plano Director Municipal, bem como a criação de uma rede de espaços verdes e definição de corredores ecológicos;

3 – Mobilidade e transportes – que política de transportes para a cidade de Coimbra, numa visão integrada em termos regionais e nacionais e qual o papel que o Metropolitano Ligeiro do Mondego ocupa nessa definição. Acresce a importância que o Metropolitano pode conferir à requalificação urbana do centro da cidade;

4 – Modelo de desenvolvimento económico – quais as políticas ao nível da manutenção e criação de emprego, no estímulo de projectos empresariais, ao licenciamento comercial e à fixação de jovens (apoio ao empreendorismo);

5 – Políticas sociais – qual o papel que o município deve desempenhar a neste nível, em especial no que se refere aos idosos, aos jovens e aos desempregados?

6 – Política cultural – que projecto cultural para a cidade ao nível da gestão dos espaços culturais, na promoção de uma rede de agentes culturais e na definição dos mecanismos de apoio à formação, produção e divulgação cultural?

7 – Parque judiciário – perante o actual parque judiciário, dispendioso, distante e organizado de uma forma caótica e indigna, importa saber como pensam os candidatos resolver, junto do Governo, a situação dos actuais tribunais em Coimbra. Além disso, na sequência da "novela" iniciada à volta de uma nova penitenciária, torna-se crucial conhecer a estratégia defendida, e a forma de a concretizar, por parte dos candidatos. E qual o apoio que o município pretende dar, para reforçar o papel do Gabinete de Consulta Jurídica, em conjunto com a Ordem dos Advogados?

Estes são, apenas, alguns dos temas que achamos merecer a atenção dos candidatos à liderança da autarquia de Coimbra. Esperemos pelo debate para obtermos alguns esclarecimentos. A metodologia do debate será semelhante aos verificados noutros debates autárquicos, com a ordem das intervenções a ser sorteada inicialmente, tendo os candidatos uma primeira intervenção de 15 minutos, seguido de um período de cerca de 45 minutos de perguntas por parte do público.

No final, por ordem inversa à inicial, será dada a oportunidade, em cerca de 10 minutos, para os
candidatos responderem às perguntas que considerarem ser mais importantes.

Apelamos, assim, à participação dos cidadãos neste evento tão importante, para que a sua opinião seja tida em consideração pelos candidatos à Câmara Municipal de Coimbra, num debate que esperamos venha a ser esclarecedor sobre o projecto que cada um dos candidatos tem para
a cidade de Coimbra nos próximos quatro anos.

Cordiais saudações cívicas

Conselho da Cidade de Coimbra Pro Urbe – Associação Cívica de Coimbra

Coimbra, 28 de Setembro de 2005

Nota: Pelo interesse do debate, o «Ponte Europa» divulga o programa e apela à participação dos seus leitores.

Greve - uma faca de dois gumes


A greve é um direito inalienável que distingue as democracias, que o defendem, das ditaduras, que o proíbem. É, naturalmente, uma arma de que os trabalhadores se servem para compensar a desproporção de forças que favorece, em regra, a entidade patronal.

Há, no entanto, na agitação social que grassa em Portugal, reflexões a fazer, sem contar com o exotismo de um órgão de soberania fazer greve, o que salpica de lama os juizes, bizarria que desde o saudoso almirante Pinheiro de Azevedo, então primeiro-ministro, nunca mais tinha acontecido.

A primeira reflexão prende-se com as classes que se destacam no anúncio do recurso à greve, normalmente as que auferem rendimentos mais altos e gozam de regalias extras que, num período de aperto orçamental, se tornam obscenas e revelam um egoísmo flagrante para com a imensa maioria de trabalhadores com baixos rendimentos.

Outro argumento tem a ver com a disparidade de remunerações praticadas pelo Estado, disparidades que se acentuaram à sorrelfa e criaram situações de profunda injustiça e motivo de ressentimento.

Finalmente, é onde a opacidade das regalias e a sua exorbitância mais se acentuam que os beneficiários reagem com mais virulência e menor sentido de solidariedade social.

Penso que a divisão esquerda/direita passa pelo modelo de sociedade que se deseja e pelo sentido de solidariedade entre os que estão no mundo do trabalho e aqueles que dele foram excluídos ou nem sequer a ele conseguem aceder.

terça-feira, setembro 27, 2005

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS



A campanha para as autárquicas começou oficialmente hoje mas há muito que as promessas impossíveis de cumprir e os inventários criativos da obra feita começaram a ser debitados pelos concorrentes, enquanto as máquinas partidárias se dedicaram a fazer ruído de fundo e a desviar a atenção do essencial para o acessório.

Não se apreciam os programas, não se avalia a qualidade das equipas nem se compara o que foi prometido há quatro anos com o que, entretanto, se realizou.

Interessa mais o assassínio de carácter do adversário do que a divulgação das virtudes do candidato que se apoia.

A campanha é especialmente difícil para o Governo cujas medidas, duras e necessárias, vão pesar na balança eleitoral. À esquerda o PCP e o BE testam o peso relativo; o PSD e o CDS jogam, à direita, o futuro dos seus líderes.

É num ambiente crispado, incerto quanto ao futuro da economia, que em 308 concelhos e mais de 4 mil freguesias se constrói a contabilidade de que depende o futuro do actual Governo. Mais do que a liderança das autarquias é a estabilidade política que vai a sufrágio.

Fiel às minhas convicções e afectos desejo que ganhe a esquerda, certo de que a decisão popular, por má que seja, é sempre melhor do que outra qualquer.

Rui Rio, candidato à Câmara do Porto, fez a mais interessante das sugestões que ouvi: «As eleições autárquicas deviam coincidir com as legislativas» para não serem inquinadas pelos problemas nacionais, com manifesto prejuízo da serena apreciação dos candidatos.

Apostila – Não se justificam 308 concelhos e mais de 4 mil freguesias.

Apelo da Amnistia Internacional

Em 2001, na sequência dos ataques de 11 de Setembro em que milhares de pessoas perderam a vida, iniciou-se a chamada “guerra ao terrorismo”. No entanto esta parece ter-se tornado mais eficaz na erosão da estrutura internacional dos princípios dos Direitos Humanos do que em combater a ameaça do “terrorismo” internacional, e tem sido agravada pelo uso e aceitação da tortura e outros tratamento cruéis, desumanos e degradantes.

Em nome desta “guerra”, centenas de pessoas são deslocadas à força, são vítimas de ”desaparecimentos”, são detidas em regime de incomunicabilidade em lugares secretos ou continuam detidas sem acusação ou julgamento. Estas condições facilitam e propagam o uso da tortura e constituem elas próprias violações dos Direitos Humanos.

A AI conhece há demasiado tempo os efeitos da tortura para permitir que a situação se mantenha inalterável.

Por isso lançou uma campanha no dia 26 de Junho de 2005, dia Internacional de Apoio às Vitimas da Tortura, que decorrerá até final de Dezembro.

ACTUE JÁ!

Com esta campanha a AI pede aos governos e grupos de todo o mundo para porem termo à tortura e aos maus tratos de uma vez por todas! E pede aos EUA que abram o caminho, estabelecendo uma investigação completa e independente às suas políticas de detenção e interrogatório aplicadas pelo mundo.

Junte-se à nossa Campanha para acabar com a tortura e os maus tratos no contexto da “guerra contra o terrorismo”

Nos dias 26 e 27 de Setembro, escreva ao Presidente Bush apelando para que apoie o estabelecimento de uma investigação completa e independente às políticas de detenção e interrogatório no contexto da “guerra contra o terrorismo” e a criação de um tribunal especial para julgar os oficiais envolvidos nas práticas de tortura e maus tratos.

Para saber mais sobre esta campanha visite www.amnesty.org/torture.

Pode copiar este modelo de carta para enviar por email ou imprimir e enviar por correio.
Por favor envie os seus apelos para

The Honourable George W. Bush The President of the United States 1600 Pennsylvania Avenue NW Washington DC 20500 United States of America
E-mail: president@whitehouse.gov

Nota: A versão em inglês encontra-se nos comentários, para os interessados.

Assim não (2)

Ainda bem que as razões do crime de Vila Franca das Naves não se prendem com o momento político das eleições autárquicas.

Afinal são as questiúnculas que na minha infância levavam ao crime, quando era difícil a sobrevivência e os instintos primários não eram mitigados pela educação.

Infelizmente o rego de água e o marco que delimita as estremas são ainda motivo para o ódio que não cansa e o crime que acontece.

Parece que o mundo rural, analfabeto e pobre, persiste no código genético de um país cujo interior ficou à margem do progresso e da civilização.

Assim não

O candidato à Junta de freguesia de Vila Franca das Naves, concelho de Trancoso, foi assassinado a tiro, durante uma acção de campanha eleitoral.

Chamava-se Miguel Madeira e deixa um rasto de sangue a manchar o processo eleitoral autárquico.

Não há palavras.

Sindicalista da Nestlé assassinado nas Filipinas

Sacco e Vanzetti
Diosdado Fortuna, líder da greve realizada na multinacional Nestlé, foi assassinado com dois tiros, por desconhecidos, quando regressava a casa, de moto.

A vítima, presidente da União dos Empregados Filipinos, desde 1988, substituiu Meliton Roxas, morto em circunstâncias semelhantes.

Os trabalhadores do sindicato acusam a multinacional suíça de estar por trás do crime, para pôr fim à greve.

Mais uma vítima da longa lista de trabalhadores que pagaram com a vida a luta em prol dos companheiros, depois de Sacco e Vanzetti que entraram na história das lutas operárias com a auréola dos primeiros mártires.

Fonte: Agência Pulsar

EUA - Contestação à guerra do Iraque

A mãe de um soldado dos EUA morto no Iraque, Cindy Sheehan, famosa pelo protesto justo ao rancho de George W. Bush foi ontem detida com outros manifestantes junto à Casa Branca, por desobediência civil.

Esta mãe - militante símbolo da contestação à guerra do Iraque -, e várias dezenas de manifestantes sentaram-se junto à residência presidencial, na Av. da Pensilvânia, onde estão proibidas as manifestações, após ordens da pollícia para dispersar.

Mais de 100 mil manifestantes desfilaram no último sábado frente à Casa Branca, numa manifestação encabeçada pela senhora Sheehan.

Enquanto a popularidade de Bush vai descendo, a contestação à guerra do Iraque – a louca aventura para que o presidente arrastou os EUA –, intensifica-se.

segunda-feira, setembro 26, 2005

IRA desarmou

O desarmamento completo do IRA, reconhecido por peritos internacionais, segundo informa a comunicação social, é uma excelente notícia para a paz, após 35 anos de martírio.

A vitória das democracias perante grupos terroristas, por mais persistentes e violentos que se afigurem, é um precioso capital de esperança para o futuro da civilização.

Polónia

Os conservadores polacos não se limitaram a vencer as eleições, arrasaram a esquerda.

Nesta vitória anunciada a esquerda teve mérito. Envolveu-se em escândalos, governou mal e foi vítima da conjuntura.

Agora é tempo de a direita mostrar o que vale. Depois de ter dado a vitória aos ex-comunistas em 2001, o eleitorado revela alguma dificuldade de adaptação à moderação e à autonomia da forte influência eclesiástica.

Para já é uma Polónia com forte ressentimento à Rússia, profundamente conservadora e católica, altamente céptica em relação à Europa, que saiu destas eleições.

Os regimes autoritários marcam de tal modo os povos que a aprendizagem democrática se faz de forma lenta e traumática com oscilações bruscas e de curta duração.

A direita e o ressentimento

A dolorosa e fracassada experiência governativa da direita, durante três anos e dois primeiros-ministros, tornou-a agressiva e ressentida, menos preocupada com os destinos do País do que com a desforra para a qual sabe não ter alternativa.

António Pires de Lima reconheceu em entrevista o que a direita sabe e diz em privado. Referindo-se ao Governo PSD/CDS chefiado por Durão Barroso, afirmou: «nós não estávamos preparados para governar». O que veio depois, pior só o dilúvio.

Esse truísmo banal, tautologicamente demonstrado, não foi interiorizado pela direita que vê a política como um duelo desportivo, com ressentimentos e tiques que são vulgares em doentes do futebol nas manhãs de segunda-feira.

É esse estado de alma, desalentado e pusilânime, que levou os entusiastas da calúnia, especialistas da difamação, a embrenhar-se em ataques cobardes que atingiram a honra de Ferro Rodrigues e quiseram chamuscar a de José Sócrates.

A política faz-se de forma vigorosa, entusiasta e empenhada, mas nunca com mentiras, trafulhice e conspirações. Em democracia a alternância é uma certeza e a pressa pode levar ao poder os piores, nas piores condições, com as piores consequências.

A direita podia e devia reflectir sobre os seus últimos Governos e o estado lastimável a que conduziu o País. Podia e devia fazer uma autocrítica pela deplorável situação em que deixa a cidade de Lisboa.

Em ambos os casos Marques Mendes retirou conclusões, afastando quem num e noutro cargo foi protagonista do descalabro e autor das maiores trapalhadas. Mas ao partido, ansioso por vitórias, não lhe interessa o futuro, só pensa no resultado do próximo jogo.

É com este estado de alma que parte para as eleições autárquicas.

Foi assim que perdeu o último campeonato.

domingo, setembro 25, 2005

Greve dos juizes


A greve dos juizes anunciada para 26 e 27 de Outubro é mais uma acha na fogueira em que se imola o poder judicial.

Há tempos, dizia sensatamente em entrevista ao «Público» o juiz conselheiro do STJ, Fernando José Pinto Monteiro: «Quanto mais nós [juizes] nos comportarmos como funcionários, mais seremos tratados como tal».

A vertigem em que se envolveram os juizes com alma de sindicalistas arrastam para um beco sem saída uma corporação cujos privilégios escandalosos se começam a conhecer e arrasam a dignidade de uma classe cuja isenção e serenidade deviam ser o garante do Estado de direito.

O pretexto alegado, «política de hostilização e demagogia do Governo», é uma sentença que os desacredita, uma acusação irreflectida e demagógica, quiçá uma calúnia gratuita que o Governo não pode deixar transitar.

Não se dão ao respeito os juizes que ameaçam o Governo e fazem chantagem sobre ele. Tal como os que na ditadura se prestaram a exercer funções nos Tribunais Plenários e perderam o respeito que aos juizes é devido, também agora os que protestam contra decisões legais perdem a consideração que deviam preservar.

A bizarra greve dos juizes, possivelmente com os magistrados do ministério público, é um acto de rebelião cívica cujo exotismo ultrapassa o imaginável.

É aceitável que o sindicato dos empregados de escritório, cuja degradação das condições de vida tem sido mais devastadora, se associe à greve dos juizes e magistrados do ministério público.

Julguem os leitores

A ética da Porta Aviões vê-se por este naco de prosa publicado num dos seus «posts»:


O exterminador
Com a devida vénia, transcrevemos um comentário colocado ontem à noite no blog "Ponte Europa", vulgo Ponte Rainha Santa Isabel:

"Anonymous said...

Caro Camarada,
o que me preocupa são as relações dentro do nosso Partido. O pior estava para vir: o nosso camarada Eng. Guinapo abandonou a direcção de campanha do Victor Baptista. Diz quem sabe que o Victor tratava como um garoto um homem que tem idade para ser pai. Com exemplos destes o Victor tem muito que pensar depois da derrota dia 9.

"COMUNICAÇÃO INTERNA DO Contramestre ÀS 10:34 AM 11 comments

A técnica consiste em vir ao Ponte Europa e, sob anonimato, colocar um comentário cuja autoria pareça ser de um militante socialista. Aproveita-se para insultar e caluniar pessoas sob a capa de falsos correligionários. Depois é só copiar e colar.

Eis a dimensão ética de quem escolhe o anonimato, tem como fim a intriga e como objectivo uma gamela à mesa do orçamento municipal.

Dizer que é pusilânime a atitude, infantil a fraude e imbele o autor, é um lugar-comum
.

sábado, setembro 24, 2005

Manuel Alegre - Candidato


O anúncio da candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República é um acto de coragem de quem, não contando com apoios partidários, tem a vontade e determinação de se empenhar em mais um combate cívico.

A força com que resistiu ao fascismo, a coerência de uma vida e o seu apego à liberdade só podem merecer a reverência e admiração dos que, não se revendo na sua candidatura, estimam o político, admiram o intelectual e respeitam o cidadão.

Para Manuel Alegre nem a recolha de assinaturas será fácil. Aliás, nunca foi fácil a vida de quem o exílio foi o preço da sua grandeza moral e da nobreza de carácter.

Não há na candidatura de Manuel Alegre, há pouco anunciada, um combate contra Mário Soares. Há, sim, uma luta comum contra uma direita cujo ressentimento parece aumentar todos os dias e para quem as presidenciais são um pretexto para derrubar o Governo.

Para os socialistas não há nesta dupla candidatura da mesma área qualquer embaraço, embora não seja cómoda para o PS. Na segunda volta estaremos todos unidos para derrotar a direita.

Autárquicas - Coimbra

Há quatro anos, no discurso de posse, Carlos Encarnação pediu «ajuda divina» para concretizar a transformação com que pretendia «refazer o ideal de Coimbra».

«Que Deus nos ajude» - foi a frase com que o pio edil terminou o discurso de posse. A opção foi cancelada, como ora se vê, e, na sua imensa piedade, limitou-se a avançar como padrinho do crisma da bela Ponte Europa.

Os munícipes não viram «refazer o ideal de Coimbra», o que quer que isso fosse, mas viram subir o preço da água, obrigados a pagar a embalagem «Águas de Coimbra». Viram o desemprego aumentar, não por culpa do edil, mas no mandato de quem dizia querer «mais e melhor emprego, mais e melhores empresas» e se limitou a criar Empresas Municipais de manifesto interesse para administradores, nulo benefício para os trabalhadores e farto ónus para os munícipes.

Há quatro anos os munícipes confundiram desejos com promessas, agora é tempo de confundir promessas com realidades.

sexta-feira, setembro 23, 2005

Santana Lopes reformado


«Pedro Santana Lopes vai passar a receber já a partir do mês de Outubro uma pensão da Caixa Geral de Aposentações no valor de 3 178,47 euros por mês como presidente de câmara. Aos 49 anos, o ex-líder do PSD vai assim beneficiar do regime especial de reforma, que permite que alguém que exerça funções no poder local, possa aposentar-se com 30 anos de descontos, independentemente da idade» - informa o «Correio da Manhã» e a generalidade da comunicação social.

Não censuro Santana Lopes pelo exercício de um direito, condeno a lei que consente e felicito o Governo que lhe põe cobro.

quinta-feira, setembro 22, 2005

O Metro de Coimbra


A transladação do monumento de homenagem a Luís de Camões para a Av. Sá da Bandeira, numa operação com pompa e propaganda, no dia 14 deste mês, pode ter ficado – segundo o Diário de Coimbra, de hoje –, no itinerário do Metro de superfície de cuja construção Carlos Encarnação fazia depender a sua candidatura.

Uma vez que renunciou à promessa de , nas actuais circunstâncias, não se recandidatar, é natural que se tenha esquecido do metropolitano, a ponto de lhe tapar a passagem. Vá lá que não autorizou ainda nenhum prédio de dez andares no referido trajecto cujo traçado é, há muito, conhecido.

A confirmar-se a suspeita do Diário de Coimbra, não significa que o presidente da Câmara se esquecu do Metro, apenas lhe escapou a cidade onde se encontra.

Enquanto o monumento não muda outra vez de local, todos os que visitarem Coimbra, candidatos presidenciais incluídos, sempre podem lembrar Camões e aprender o número de cantos d’Os Lusíadas.

Nomeações e contradições

Sob o título em epígrafe, escreve hoje na «Visão» José Carlos de Vasconcelos»:

«Cada partido faz no Governo o que criticou na Oposição, e critica na Oposição o que fez quando estava no Governo. Assim não vamos lá».

No alvo.

Coimbra - Que futuro?

A proliferação de parquímetros, o aumento da vigilância policial (não à marginalidade, mas aos automóveis sem talão) e a explosão de Auxiliares de Acção Arrumativa (vulgo arrumadores), com o desenvolvimento, a jusante, da indústria dos reboques, fazem de Coimbra uma cidade com grande ocupação de mão de obra, neste ramo, e o preço mais elevado por metro quadrado de estacionamento para quem trabalha.

Juntem-se os Centros Comerciais faraónicos onde são baixas as remunerações, precário o trabalho e incerta a viabilidade económica, para se ter ideia do modelo de crescimento numa cidade cuja Universidade devia ser a alavanca do progresso e desenvolvimento.

O edil das três pontes e dois estádios, como lhe chamou um embevecido fã, não deixará para o futuro mais do que as Empresas Municipais de nulo interesse público e prováveis interesses privados, à custa do aumento do custo de vida dos munícipes.

É esta gestão que está em apreço. Se os munícipes a sufragarem é porque sou eu que estou errado e o caminho seguido é para continuar. Nesse caso não percebo porque se desfez Carlos Encarnação da equipa do primeiro mandato.

quarta-feira, setembro 21, 2005

Brasil – Crise política

O presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, acossado por denúncias de corrupção, renunciou ao mandato.

No discurso de renúncia negou as acusações, comprometeu-se a provar a falsidade na justiça e asseverou que «empobreceu com a política».

Além de estar acusado de extorsão ao dono do bar do Congresso, o até agora presidente da Câmara de Deputados também está acusado de ter recebido subornos do PT.

Cavalcanti, dirigente conservador, presidiu à Câmara Baixa durante sete meses, tendo sido um aliado do presidente Lula.

A sua renúncia abre a presidência ao vice-presidente José Thomás Nonó, do Partido da Frente Liberal, de direita e oposicionista.

A situação no Brasil, que teve sob o Governo de Lula da Silva uma impressionante recuperação económica, degrada-se e ameaça tornar-se intolerável, com uma feroz oposição à sua esquerda e uma direita que não perdoa o sucesso do antigo operário metalúrgico.

Fonte: Agência «Pulsar»

Afonso Moura Guedes

Faleceu hoje um velho advogado e destacado militante do PSD.

Foi um homem inquieto toda a vida. Anarquista na sua juventude, presidente da Associação Académica de Coimbra (pró-fascista), sucessivamente ateu, católico praticante, democrata convicto, social-democrata há mais de quarenta anos.

Em 1963 e em anos seguintes distribuía os folhetos «direito à informação» por baixo das portas das casas na vila da Lourinhã. Era um oposicionista convicto à ditadura, um amante da liberdade e um advogado com uma oratória brilhante.

Poeta de mérito, melómano e cinéfilo, foi um dos fundadores da SEDES e, mais tarde, do PPD. Governador civil de Lisboa, deputado, líder parlamentar, nunca abandonou o cravo vermelho nas sessões comemorativas do 25 de Abril, data que viveu com particular entusiasmo e felicidade.

Quando, há pouco, a televisão deu a notícia recordei as tardes e noites de conspiração, o convívio exaltante de quem sempre acreditou no fim da guerra colonial e no advento da democracia.

Foi o primeiro subscritor da lista pró-rotativa do jornal «República» no concelho da Lourinhã. Inutilizou o voto da União Nacional nas eleições fantoches de 1965.

Foi um homem de bem, casado com uma mulher notável, Filomena Moura Guedes, notária, de invulgar cultura e distinção.

É com emoção que presto homenagem a um homem fraterno, culto, generoso e bom.

Fátima regressou a Felgueiras


O porta-voz do CDS, José Paulo Carvalho, criticou hoje vigorosamente Fátima Felgueiras, acabada de se entregar à justiça, por falta de respeito pelo Estado de direito.

Subscrevo as palavras do responsável do CDS.

Só me admira que não explique a ausência de candidatura do CDS nas autárquicas de Amarante e o silêncio sobre essa referência ética e política – Avelino Ferreira Torres.

A estratégia cavaquista

Cavaco Silva

Convenhamos que há no tabu de Cavaco Silva uma dose de hipocrisia e uma falta de respeito pelo eleitorado que compromete a imagem de seriedade que dele têm vindo a construir os vassalos do costume e os arrivistas de ocasião.

Ninguém duvida da candidatura, que se aplaude e deseja (imagine-se que poderíamos ter Santana Lopes como PR ou Valentim Loureiro como primeiro-ministro).

Não estão em causa as qualidades e a capacidade para o desempenho do cargo. É bom para Portugal que sejam os melhores a disputar os mais altos cargos do Estado (e não se vê no PSD melhor que Cavaco).

Refugiar-se no silêncio, quando há mais de um ano Marcelo lhe prepara a candidatura nos diversos canais televisivos onde debita a homilia semanal, quando a máquina do PSD, com raiva e ressentimento, a exigir desforra das legislativas, anda a promovê-lo, é pouco honroso adiar o combate.

Nos últimos dez anos apenas sabemos que foi contra a invasão do Iraque, que não nutre especial afecto por Durão Barroso e que Santana lhe causa brotoeja. É pouco para quem pretende submeter-se a sufrágio para o mais alto cargo da República.

Neste momento Cavaco Silva já sabe quantos cantos tem «Os Lusíadas» e já mastiga com mais subtileza as fatias de bolo rei. É tempo de aparecer.

terça-feira, setembro 20, 2005

Autárquicas - Figueira da Foz



FIGUEIRA DA FOZ – Deputado “põe a nu” negócio da Católica

O deputado socialista João Portugal revelou ontem documentos sobre a venda de um terreno da Universidade Católica para a construção de um hotel – lê-se no «Diário as Beiras», no caderno «Região Centro».

Sendo o presidente da Câmara da Figueira da Foz, Duarte Silva, uma pessoa honesta (digo-o com respeito e consideração), compreende-se mal a ingenuidade com que foi ludibriado pelas pias intenções da Universidade Católica.

O eventual encaixe de mais valias (1,25 milhões de euros, quiçá, isentas do respectivo imposto) pela UC é um acto de enriquecimento ilegítimo que a incúria autárquica permitiu.

A Câmara Municipal da Figueira da Foz não zelou pelo interesse público que lhe cabe acautelar.
As autarquias estão a saque.

Alemanha: E agora?

Precisamos de uma Alemanha forte. Sem dúvida!
Mas o neo-liberalismo radical foi derrotado nas urnas. A direita, mesmo com tudo a seu favor, não chegou aos 45%. Essa é a única leitura que se pode fazer.
Os alemães não confiaram em Merkel para a Chancelaria.
E este é mais um exemplo da confusão e falta de governabilidade a que os sistemas proporcionais conduzem.
Tony Blair com os mesmos 34-35% consegue fazer um governo por 4 anos.
Pensem nisso...

Autárquicas - Coimbra


Sondagem IPAM/Diário de Coimbra

Encarnação deixa Baptista a 14,6%

Se as eleições autárquicas se realizassem hoje, a coligação PSD/CDS-PP/PPM, liderada por Carlos Encarnação, obteria 36,4% dos votos, contra 21,8% da candidatura socialista, encabeçada por Victor Baptista – informa o «Diário de Coimbra» na primeira página.

segunda-feira, setembro 19, 2005

Comissão Europeia

José Manuel Barroso

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, afirmou, esta segunda-feira em Bruxelas, que «a Europa precisa de uma Alemanha dinâmica para se reorganizar».

Uma declaração destas é um verdadeiro truísmo.

Durão Barroso (como é conhecido pelos autóctones) procura pressionar os dirigentes alemães para encontrarem, o mais rapidamente possível, uma situação estável.

Espera-se que o presidente da Comissão Europeia, depois do fracasso e abuso da sua participação nos tempos de antena de Santana Lopes, nas últimas eleições legislativas, em Portugal, nunca mais manifeste qualquer preferência pelas opções eleitorais dos Estados membros.

Eleições autárquicas

Palácio Seteais

Em véspera de eleições autárquicas, o presidente da Câmara de Sintra, Fernando Seara, andou hoje a oferecer manuais escolares a alunos das escolas do ensino básico.

Somos definitivamente um país com autarcas do terceiro mundo.

domingo, setembro 18, 2005

Eleições alemãs

Alemanha

O resultado das eleições legislativas na Alemanha são um verdadeiro quebra-cabeças para a formação de um governo e um enorme balde água fria para uma direita que pensava arrasar o SPD do chanceler Gerhard Schroeder.

O eleitorado está muito zangado (lá como cá) com as medidas de austeridade, mas desconfia demasiado dos partidos de direita CDU/CSU para lhes conceder a maioria.

Recordando...


«Quero para Coimbra mais e melhor emprego».

Carlos Encarnação, em campanha eleitoral, há quatro anos.

sábado, setembro 17, 2005

Viva o Chile

O golpista Pinochet e o presidente Salvador Allende

A nova constituição, promulgada hoje, Sábado, pelo Presidente do Chile Ricardo Lagos, encerra a era Pinochet.

O acto solene teve lugar no Palácio La Moneda com o Presidente a afirmar que o Chile merecia e merece uma Constituição democrática, de acordo com as normas internacionais.

A nova Constituição suprime as leis em vigor desde a ditadura do general Augusto Pinochet. Terminam os cargos vitalícios e a tutela das Forças Armadas e o mandato presidencial passa de seis para quatro anos, não renovável.

As eleições presidenciais, parlamentares e municipais passam a ser simultâneas.

Fonte: Bafafa On line

O regresso do recavaquismo

Para grande surpresa dos portugueses, Cavaco Silva vai anunciar a sua recandidatura à presidência da República. O tabu será desfeito em data a anunciar, próximo do evento, para não quebrar o efeito surpresa – depreende-se da notícia de primeira página do «Expresso», de hoje.

Até Vasco Graça Moura, que, após a derrota de Cavaco frente a Jorge Sampaio, declarou nunca ter sido cavaquista, já apanhou o combóio do Professor, depois de ter sido barrosista e santanista.

Esperam-se muitas desilusões. Cavaco Silva é um homem sério e, se ganhar as eleições, é incapaz de trair a Constituição, que terá de jurar.

Dias Loureiro critica Borges

O empresário de sucesso Dias Loureiro criticou hoje, em declarações ao «Expresso», a «inoportuna» entrevista de António Borges, protegido de Cavaco e Balsemão, medíocre político aqui referido no Ponte Europa, anteontem.

Um ex-ministro que só andava em aviões de luxo

António Martins da Cruz - foto oficial do ex- Governo

«Acho que a política externa está a ser conduzida pelos Directores Gerais do MNE».

António Martins da Cruz, ex-MNE de Durão Barroso, pai da Diana - «O Independente», 16/9/05, citado pelo expresso de hoje, in «FRASES»

A isenção da RDP

Espaço autárquico da RDP/Antena 1 só conhece municípios "laranja".

Nos últimos 3 meses, em 14 emissões, 12 foram dedicadas a concelhos onde manda o PSD. Apenas 2 visitaram autarquias liderada pelo PS. As restantes forças políticas, foram simplesmente ignoradas!!!


Em vésperas de Autárquicas, a RDP/Antena 1 não hesita perante um grosseiro (e grave) exercício de manipulação político-partidária: nos últimos 3 meses, o espaço semanal que aquela rádio dedica aos municípios foi quase exclusivamente preenchido com autarquias onde o PSD é a força maioritária, com especial incidência nalgumas que os social-democratas poderiam correr o risco de perder.

Luís Marques e Gonçalo Reis: os "pulsos" do PSD, o poder de Morais Sarmento. O primeiro ainda recentemente foi "estrela" principal no "Passeio Público" em Pombal, donde é natural.

Junho 19 Batalha PSD

Junho 26 Ribeira Brava PSD

Julho 03 Mação PSD

Julho 10 Cascais PSD

Julho 17 Alijó PS

Julho 24 Cantanhede PSD

Julho 31 Pombal PSD

Agosto 07 Peniche PS

Agosto 14 Arruda dos Vinhos PSD

Agosto 21 Ribeira de Pena PSD

Agosto 28 Castro Marim PSD

Setembro 04 Caminha PSD

Setembro 11 Águeda PSD

Setembro 18 Arcos de Valdevez PSD

Nota: Informação de leitor devidamente identificado.

Eleições municipais


Se Vítor Baptista fizesse depender a sua candidatura à Câmara de Coimbra do metro de superfície e, depois, se candidatasse, era um aldrabão.

Espaço para os leitores

O prometido é devido.

PSD vs PS

O ano lectivo 2005/2006 começou sem incidentes.

sexta-feira, setembro 16, 2005

O PAÍS DOS MORTOS

Segue o texto publicado no Público de hoje da autoria de António Vilhena:

O 11 de Setembro será sempre um dia que a humanidade recordará pelas piores razões – o fanatismo e a intolerância. Ao recordar as imagens desse dia trágico ainda é possível imaginar o inferno vivido pelos que se encontravam cativos nas Torres Gémeas. Passados quatro anos, à mesma hora, num jardim da cidade de Coimbra, é perpetuada a vida do poeta Manuel Alegre. Há nesta coincidência um misto de tragédia e de beleza. A poucas dezenas de metros, dessa obra do escultor Francisco Simões, está outra estátua, a do poeta da Geração de 70, Antero de Quental, quiçá mentor de muitas ideias do poeta da Praça da Canção. Talvez metam conversa, troquem algumas ideias sobre os dias tristes de Portugal, a cultura de verniz, a civilização, a liberdade, o bom senso e, também, o bom gosto.
A conspiração de um número significativo de amigos do Poeta desencadeou uma turbulência na escala da inveja, optando a grande maioria dos que sempre o mimaram por se ausentarem da cidade com receio das consequências de tão grande tragédia - os mitos nascem por bem menos. Qual Peste de Albert Camus?! A estátua de Manuel Alegre, segundo fundadas opiniões científicas, irradia palavras perigosas que podem contaminar a liberdade de opinião.
As palavras dos Poetas têm essa quilha que rasga a alma e metamorfoseia o silêncio na mais audível melodia da floresta. Sempre foi assim ao longo da história. A mordaça não é um véu de noiva, nem um perfume paralisante, é um processo cognitivo treinado com fins de extermínio. Este método já foi ensaiado em muitas latitudes e com diferentes objectivos. Haja sempre alguém que diz não!
Não estive mais de cinco minutos na minha vida com Manuel Alegre, nem o apoiei na última disputa interna do PS, mas li os seus livros; o meu pai falava-me da sua voz, ícone da resistência ao fascismo, que chegava pela rádio à casa de tantos portugueses. Os seus discursos traziam sempre palavras diferentes mesmo quando falava das mesmas coisas que outros, de cujos os nomes hoje já não me lembro. Manuel Alegre confunde-se com Coimbra, são duas faces da mesma moeda. Não é possível falar da cidade do Mondego sem evocar o seu nome, que chega através da poesia que emprestou à canção de Coimbra.
Há uns meses, não me imaginava a redigir estas linhas, porque há uns meses, não pensava que Manuel Alegre se transformasse num cidadão tão perigoso. O crime do Poeta é ter voz própria, é ser livre, mesmo quando o cerceiam, é ser incómodo, mesmo quando o ameaçam, é ser destemido, mesmo quando erguem uma barragem.
Manuel Alegre, eu sei que não precisas das minhas palavras, a tua grandeza não está na estátua que os amigos incentivaram por ocasião dos teus quarenta anos de vida literária; aquela estátua é pequena para uma vida tão cheia, mas é um gesto que exalta a vida, a poesia, a liberdade e a tolerância. Eu sei que há homens que não pensam assim, mas eu respeito-os.
Uma estátua em vida? Questionarão alguns ilustres vaidosos anónimos. Responderei, simplesmente, que é merecida. Quem é que se arroga a preterir A ou B do direito a uma estátua, porque ainda não morreu? Eu quero dizer olhos nos olhos às pessoas de que gosto, que as admiro, que me sinto honrado por elas existirem. Sociologicamente somos um povo que tem vergonha de dizer aos vivos que gosta deles, prefere dizê-lo aos mortos.
Aqueles que viram fantasmas na inauguração da estátua de Manuel Alegre serão os primeiros a estarem na fila da frente no dia do seu funeral a comentarem: era uma pessoa fantástica, uma grande figura da democracia, um ilustre cidadão, e outras pacóvias futilidades de circunstância.
Somos um país que trata melhor os mortos que os vivos.

António Vilhena

Miguel Sousa Tavares

Até parece que Miguel Sousa Tavares lê o Ponte Europa...

Partido e Estado
Miguel Sousa Tavares
O que está mal na nomeação de Guilherme d"Oliveira Martins para presidente do Tribunal de Contas não é, como toda a gente já sublinhou, a figura do próprio. Excelente seria se, emergindo da sociedade civil, onde sempre se destacou pela sua competência, seriedade, cultura e civismo, este ou qualquer outro governo o tivesse ido buscar para o Tribunal de Contas. Porém, onde o Governo o foi buscar foi à bancada parlamentar do seu partido, de que é vice-presidente, depois de ter sido ministro da Educação e das Finanças do anterior governo PS. Esta funcional diferença faz toda a diferença política: um homem do PS foi nomeado presidente de um órgão cuja principal função nos próximos anos vai ser a de vigiar a legalidade das contas públicas do Governo PS. À luz deste simples enunciado dos factos, só podemos ficar tranquilos porque ao Governo não assiste a faculdade de poder nomear os presidentes do Supremo Tribunal Administrativo, do Supremo Tribunal de Justiça ou do Tribunal Constitucional. Felizmente, não vivemos ainda na América de Bush, mas roça quase os limites da desonestidade intelectual pretender ver nesta nomeação de Oliveira Martins um acto corrente de gestão e uma garantia de acrescida independência do Tribunal de Contas. Não que ele não venha a ser, como se espera e deseja, um presidente independente de um órgão que deve ser ferozmente independente. Mas a questão não é de subjectividade, mas de objectividade: quebrou-se mais uma barreira na fronteira que devia separar o que é do Estado do que é do partido. Para já, e a apalpar terreno, quebrou-se a fronteira escolhendo alguém que, por si, não merece críticas; mas, uma vez aberta a porta e quebrado o principio da separação de águas, ninguém sabe o que se poderá seguir.Simultaneamente, ficámos a saber que também António Vitorino foi escolhido para representar interesses do Estado na Galp e o escritório de advogados de que faz parte escolhido para ser consultor permanente da Galp. De novo, não é a competência do escolhido que está em causa, mas sim a compatibilidade dessas funções com as de deputado da nação e, acima de tudo, os efeitos de mais um exemplo da nefasta promiscuidade de interesses cruzados dos advogados-políticos. Seria altamente esclarecedor para a opinião pública termos acesso à lista dos escritórios de advogados que, neste e nos mais recentes governos, beneficiaram de contratos de consultadoria, avenças, ou patrocínio de causas, de ministérios, empresas públicas e governos regionais. Lá encontraríamos desde o maoísta Garcia Pereira ao serviço do Governo de Alberto João Jardim, até aos mais prestigiados escritórios de advocacia de Lisboa - em alguns casos, cuidadosamente organizados de forma a abrangerem todo o leque partidário do poder, de modo a estarem sempre em condições de oferecerem os seus serviços a qualquer governo, qualquer empresa pública ou qualquer autarquia. Eles representam uma despesa pública anual que alguém já estimou num mínimo de 25 milhões de euros. Mas representam muito mais e muito mais caro do que isso: tráfico de influências nos grandes contratos de fornecimento ou obras públicas, seja para construir uma auto-estrada, comprar material militar ou adquirir novos aviões para a TAP; doutos "pareceres" que legitimam, a favor das autarquias e dos interesses imobiliários, aberrações urbanísticas em tudo contrárias à lei; consultadoria em negócios celebrados por empresas públicas, bastas vezes ruinosos e muitas vezes sem que se chegue a entender o interesse da consultadoria. Depois, os senhores políticos-advogados, saem do governo ou dos centros de poder onde estavam e vão parar aos escritórios de advogados com quem negociaram em nome do Estado, e outros senhores advogados saem do escritório e vão parar ao governo ou às administrações das empresas públicas, e assim o circuito nunca se interrompe, a benefício de todos. É facto que não são muitos os casos, nem as pessoas envolvidas. São uns happy few, cujo número e importância será apenas uma rubrica despicienda nos males de que o país sofre. Portugal não se torna ingovernável porque o Governo Sócrates descobriu em Fernando Gomes um especialista em petróleos africanos ou porque reconverteu Armando Vara de director da segurança da Caixa Geral de Depósitos em administrador responsável pelo crédito às empresas. Mas é o que essas nomeações significam, o sinal que elas enviam de partidarização completa dos interesses do Estado, que são claramente entendidas por todos como o estabelecimento das regras do jogo. E o jogo é sujo e as regras são inaceitáveis numa democracia limpa. Na minha maneira de ver as coisas, é justamente nestas "pequenas" questões que a influência do Presidente da República deveria ser determinante, estabelecendo logo à partida, regras de jogo aceitáveis com o primeiro-ministro em funções. Mas - e a seu tempo voltarei a este assunto - foi aqui, exactamente, na capacidade de estabelecer um clima saudável na vida pública e política do país, que Jorge Sampaio falhou rotundamente, assistindo e, de facto, presidindo a dez anos de degradação sistemática da vida democrática em Portugal.E é por isso também que, num momento em que todos os portugueses compreenderam já que o sequestro da democracia levado a cabo pelos partidos - no governo, nas autarquias, nos organismos públicos - é, talvez, o mal principal do país, se torna desmoralizante que estejamos a avançar para umas eleições presidenciais totalmente abafadas pelos directórios partidários. Foi isso, por exemplo, que Mário Soares não compreendeu e daí que, em lugar de suscitar um sobressalto de esperança, a sua candidatura e as circunstâncias em que foi lançada, tenham, sim, dado origem a um agravar do descrédito e da esperança. Pena que tenha confundido cortesões com conselheiros e que agora se veja na pior das situações: a caminho de um combate sem sentido nem grandeza e de uma derrota sem remissão. Jornalista

Fátima e política

O presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão é tão casca grossa que só pode ter saído da escola de civismo onde leccionam Alberto João Jardim, Valentim Loureiro e Avelino Ferreira Torres.

Na proximidade das eleições autárquicas, o pelouro de Acção Social da Câmara de Municipal, em articulação com as 49 juntas de freguesia, aliciou 10.200 idosos do concelho para participarem na eucaristia das 11H00, no próximo dia 17 de Setembro, em Fátima.

O evento terá lugar no Recinto da Oração e será presidido pelo Reitor do Santuário, Monsenhor Luciano Guerra.

A disponibilização de 196 autocarros para uma manifestação de carácter particular é um acto vergonhoso, politicamente pusilânime, que viola a ética republicana e assume contornos de fraude eleitoral.

Voltámos aos tempos de Fátima, futebol e fados.


Presidente da Câmara: Armindo Costa (PSD/CDS-PP) - Foto no canto superior esquerdo.

quinta-feira, setembro 15, 2005

O candidato de Cavaco e Balsemão

O primeiro-ministro desejado por Cavaco, já diversas vezes empurrado para a liderança do PSD com o apoio prestimoso do grupo IMPRESA, de Francisco Balsemão, dá hoje uma entrevista à Visão.

O homem deve ser um bom economista e um prestigiado professor, a avaliar pelas funções desempenhadas até hoje. Como político é medíocre e perderia a presidência de qualquer concelhia do PSD, excepto em concelhos rurais.

A reincidência com que aparece como D. Sebastião não ilude a imensa ambição e uma enorme falta de preparação. A entrevista, cheia de lugares-comuns, não representa um perigo para Marques Mendes.

António Borges revela estar à altura de gerir uma grande empresa mas falta-lhe talento para ser um político de primeira grandeza.

Financiamento Autarquico

BE QUER ALTERAE LEI FINANÇAS LOCAIS PARA EVITAR PRESSÕES DO SECTOR.
O BE propõe que os impostos municipais sejam atribuídos de acordo com a população residente e a área da autarquia”- In Público

Excelente iniciativa é absolutamente necessário reduzir a pressão imobiliária sobre as autarquias e a dependência destas do IMI e do IMT (Imposto Municipal sobre as Transacções Imobiliárias), a esta proposta de projecto –lei ,no meu entender, só falta “deflectir” essa redistribuição com factores de ordem social, como o índice de desenvolvimento humano e social.

Os apertos de Bush


Bush a Condoleezza en la ONU: "Creo que necesito ir al baño ¿Es posible?"

Fonte: El Periódico - última hora 15:25 h. Hoje.

Perguntas sem resposta

Há algum candidato dos partidos de esquerda às próximas eleições autárquicas que tenha prometido cargos a outras forças políticas, irrelevantes e pouco recomendáveis, em troca de apoio eleitoral?

Em Lisboa, o PSD prometeu empregos nas Empresas Públicas Municipais e o lugar de Provedor do Munícipe ao Partido da Nova Democracia e a uma associação folclórica e marialva que dá pelo nome de PPM.

Que dizem a isto os habituais críticos do «Ponte Europa»?

Post Scriptun – Alguém explica quem beneficiou com a criação da Empresa municipal «Águas de Coimbra»? A minha factura passou a ser maior.

É só fumaça

A central de intoxicação que quer tolher a actividade governativa é demasiado rápida a fazer acusações e excessivamente lenta a desmentir os erros, a pedir desculpa pelas calúnias, a mostrar arrependimento pelas precipitações.

A ser verdade a notícia, – dizia ponderadamente Marcos Júlio aqui no «Ponte Europa» sobre António Vitorino –, a escolha da entidade a que Antonio Vitorino se encontra ligado é tudo menos inocente.

Curiosamente parece não ser verdade. O Governo já desmentiu. O ministro da Economia, Manuel Pinho, negou esta quarta-feira que o Governo tenha entregue o dossier da Galp Energia ao ex-comissário europeu António Vitorino.

O PCP vai desistir de pedir parecer à comissão de ética?

Marques Mendes continua a considerar abuso a escolha de Vitorino? E não pede desculpa?

Ou isto é uma cortina de fumo para criar as melhores condições para surgir, de Boliqueime, o salvador da Pátria?

Os amigos são para as ocasiões

Depois dos dois posts que aqui coloquei, não posso deixar de acrescentar mais qualquer coisinha sobre a nossa governação.
Sócrates tem sido uma agradável surpresa para mim enquanto governante. Reconheço-lhe a coragem de ter tomado decisões necessárias e que bulem com muitos dos interesses instalados; Por isso é que temos tantas manifestações - ninguém quer perder as regalias e as alcavalas que detém.
Numa palavra, tem procurado esbater as diferenças que existem na nossa sociedade, aproximando o subsistema público do privado, criando uma verdadeira situação de igualdade. Ninguém, a não ser por egoísmo, pode criticar esta actuação.
Mas logo "borra" a pintura toda... Não tem conseguido escapar às logicas clientelares e de amiguismo na distribuição de alguns cargos públicos.
E abre, assim, o flanco, permitindo que os seus detractores desvalorizem o que de bem tem feito.
Eu compreendo que para certos cargos e para fazer cumprir os seus propósitos governativos necessita de pessoas de confiança; mas nalguns casos parece que é antes o pagamento de favores e de solidariedades antigas (e, na verdade, não somos todos assim? seríamos incapazes de pretender colocar um amigo num emprego melhor?).
Não me parece que seja isto que vai colocar em causa a sua (boa) governação. Mas não deve abusar neste tipo de soluções, pois mais facilmente será recordado pelas coisas más que pelas boas.

À mulher de César não basta ser séria ... 2

A ser verdade a notícia, a escolha da entidade a que Antonio Vitorino se encontra ligado é tudo menos inocente.
António Vitorino pode(poderia) ser quase tudo na vida política portuguesa: Presidente, Primeiro Ministro, Ministro do que quisesse, ou (como preferiu) apenas deputado (pelo menos, as oportunidades não lhe faltaram). Tudo recusou. Optou por uma carreira na iniciativa privada, sem deixar a vida pública (política). Com um enorme poder de influência - não esquecer que esteve sentado na mesa das "Novas Fronteiras" do pretérito Sábado-, não pode desconhecer esse seu imenso poder; Nem pode ignorar a exposição mediática que ele próprio não renega. Prestar serviços ao Governo (não colhe esse argumento que estão a pensar - não foi, por acaso, o Governo quem nomeou Fernando Gomes para a GALP?!), ainda que de forma indirecta, poderá dever-se à sua (imensa) competência. Mas não deixa de ser verdade que estas coincidências nos fazem torcer o nariz.
Falta só saber se a Gonçalves Pereira, Castelo Branco & Associados vai receber os mesmos 200 mil contos que a sociedade doJúdice recebeu no tempo doPSD...

quarta-feira, setembro 14, 2005

À mulher de César não basta ser séria ...

Vem isto a propósito da recente indigitação de Guilherme de Oliveira Martins (GOM) para presidente doTribunal de Contas.
Não consigo encontrar decisão mais errada. GOM será mesmo a pessoa menos indicada para ocupar tal cargo, e um erro estratégico do Governo.
Começo por dizer que considero GOM dotado de uma cultura e de uma inteligência admirável (os olhinhos saltitando por detrás daquelas grossas lentes, não enganam). Possuidor de um discurso fácil, rico e bem estruturado, assisti por duas vezes a intervenções suas que me deixaram plenamente convencido. Qualidades, aliás, de que já o meu amigo Linhares de Castro me havia informado. Presidente do Centro Nacional de Cultura, foi Ministro da Educação e das Finanças (entre outros), sem, todavia (corrijam-me se estiver enganado), se ter filiado no PS (o que só acentua a sua inteligência:-)). Nada me faz duvidar da sua completa isenção e independência. Mais ainda, estou convicto da sua competência.
Mas ao aceitar este cargo desfere um tiro fatal em si próprio. Com efeito, naquelas funções, não deixará de ser permanentemente confrontado com actuações dos seus tempos de governação (e logo como Ministro das Finanças!!). Quando procurar corrigir, apontar ou denunciar qualquer acto menos claro da Administração Pública, não faltará quem lhe relembre as suas próprias decisões (isto, se não acontecer ele próprio fiscalizar os tempos em que foi Ministro). Por outro lado, não deixará de ser colocado permanentemente perante o dilema de ter de parecer isento nas suas atitudes: se tiver de tomar decisões que não agradem ao PS, não deixará de ser acusado por este de estar a pretender demonstrar a sua isenção, prejudicando com isso o partido que o indicou (já para não falar naqueles que não deixarão de o acusar de traidor); se tomar decisões que não agradem à (actual) oposição, lá estarão estes para lhe lembrar quem o colocou naquele lugar.
Para sustentar esta minha tese basta lembrar os recentes ataques desferidos contra Vítor Constâncio e Jorge Sampaio, quer por correligionários, quer por opositores (a que não faltou por diversas vezes o tal apodo de traidor, ora de parcial).
Faltará agora que o Presidente da República (um militante socialista) concorde com a proposta do Governo, a acentuar assim a velha teoria dos "malefícios" de "colocar todos os ovos no mesmo cesto".
Será?

Gonçalo Capitão

Regressou ao convívio dos leitores do «Diário as Beiras» o desiludido santanista Gonçalo Capitão, que, sem quebra de coerência, veio terçar armas pelo Dr. Encarnação. Reconheço, aliás, no político de Coimbra, exilado em Lisboa nos últimos anos, coragem e independência que falta a muitos dos seus correligionários. Não o conhecendo pessoalmente, tributo-lhe consideração e estima pelas polémicas que tivemos, graças à benevolência do «Diário as Beiras».

Ao ler hoje o seu artigo laudatório de Carlos Encarnação (site indisponível), lembrei-me de um texto meu, não publicado, talvez para pôr termo à polémica, pois o Diário as Beiras sempre foi generoso para com as cartas dos seus leitores. Aqui o deixo para os leitores do «Ponte Europa».

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Reporto-me ao artigo de As Beiras que, sob o título de fino recorte literário “As palavras que estou careca de te dizer”, Gonçalo Capitão publicou no dia 8 de Novembro.

Que faça a apologia do Dr. Encarnação para protagonizar o pesadelo do regresso da direita à gestão autárquica de Coimbra, é um direito e uma obrigação para provar a existência do PSD no concelho, existência afirmada numa coligação que engloba um partido localmente residual – o CDS/PP – e uma ficção a nível nacional, o PPM. Mas nem podia ser de outra forma para um partido que se demitiu da oposição autárquica nos últimos quatro anos.

Aliás, encarnação é um substantivo feminino que o dicionário [BE1] define como “preparação especial para colar loiça partida”, e não havia outro nome capaz de se prestar para a função. Mas não são os problemas internos da direita que me interessam. É a prosa do plumitivo que me interpela.

Depois de desejar que o pretendido sucessor do Dr. Machado seja politicamente mais viril, afirma que “... nos sentimos carentes de um político com as medidas (autárquicas) no sítio.”

Contrariamente a Gonçalo Capitão não me interessa a virilidade dum Presidente da Câmara, interessa-me o seu programa político. Não quero saber como se pode comportar na cama, quero saber como é capaz de comportar-se com o poder. Para governar um município os espermatozóides não são importantes. Importantes são os neurónios e o estado das meninges do candidato. E, a esse respeito, não nos elucida.
Penso, pois, que é um exagero admitir que haja muitos munícipes “carentes de um político com as medidas (autárquicas) no sítio”. Cada um fale por si.

Post scriptum – Chegou-me à caixa do correio um apelo ao voto no Dr. Encarnação, com versos de Miguel Torga. Sei do poeta e da sua obra o suficiente para ter a certeza de que nunca lhe confiaria o voto.

Coimbra, 10 de Novembro de 2001

[BE1] Grande dicionário electrónico da Língua Portuguesa – Cândido de Figueiredo

Vasco Graça Moura

No Diário de Notícias (site indisponível), de hoje, VGM escreve:

«Cavaco Silva é de uma seriedade, de uma coerência, de uma isenção e de uma competência que são indiscutíveis e relegam quaisquer atributos invocáveis pelo Dr. Doares para o museu das bizarrias históricas do socialismo».

Observações:

1 – Cavaco Silva merecia que o panegírico fosse feito por alguém que tivesse crédito.

2 – O saprófita de serviço não precisava de atacar Soares depois de ter defendido a sua dama.

3 – VGM é o almocreve destacado para o trabalho sujo das eleições presidenciais.

Encarnação - o demolidor

Veja mais Coimbra em MANOS METRALHAS

terça-feira, setembro 13, 2005

Noruega virou à esquerda


«O primeiro-ministro democrata-cristão da Noruega, Kjell Magne Bondevik, anunciou esta terça-feira a demissão do Governo, em Outubro».

A decisão deve-se à derrota eleitoral ontem averbada pela direita, pelo que a esquerda será poder.

Estranhas relações

Com este título a JS de Coimbra denuncia o aproveitamento da candidatura de Carlos Encarnação do Estádio de Coimbra e do jogo Académica/Vitória de Setúbal., como se pode ver pela imagem que retirámos do respectivo blog.

Vale a pena ler o texto da JS.

A Formação

Portugal é o país da OCDE onde os jovens passam menos anos a estudar

"Portugal é o país da OCDE onde os jovens passam menos tempo no sistema de ensino, com apenas oito anos de estudos, menos quatro do que a média dos países da organização, segundo revela um estudo internacional-Publico"

Este é um dos problemas do nosso país , sem uma aposta clara na formação e qualificação técnica nunca poderemos aspirar a ser um país verdadeiramente desenvolvido e andaremos sempre na “cauda” da europa.

Greve dos juizes?

Salvo o respeito que é devido aos meritíssimos juizes, venerandos desembargadores ou excelsos conselheiros, respeito que a Associação Sindical de Juizes Portugueses (ASJP) se esforça por esbanjar, a ameaça de greve coloca-os ao nível de funcionários.

A bizarra ASJP defende interesses corporativos de juizes e coloca os seus filiados na delicada situação de ameaçar outro órgão igualmente legítimo – o Governo.

E se o Presidente da República, o Governo ou a Assembleia da República, que não merecem menos respeito nem detêm menor legitimidade, anunciassem uma greve?

Depois de o presidente do tribunal da Relação de Lisboa ter usado linguagem de almocreve e ameaçado agredir um jornalista, na TV, e de o juiz do multibanco ser indigitado conselheiro do Supremo Tribunal Constitucional (pelo CDS), já não se estranha a linguagem sindical do presidente da ASJP.

Alexandre Baptista Coelho é certamente um magistrado respeitável, mas avilta a função com ameaças ao Governo e lança a confusão entre o juiz que nos cabe respeitar e um sindicalista que condenamos, por defender privilégios injustos, imorais e indignos. Eis alguns exemplos:

- A extensão das férias;

- A aposentação por inteiro, em caso de doença, independente do tempo de serviço;

- As regalias que a equidade e as dificuldades orçamentais não consentem.

A contestação das decisões legítimas do Conselho de Ministros é um acto de rebeldia que compromete o respeito e a consideração que os juizes devem preservar.

segunda-feira, setembro 12, 2005

Exercício de prestidigitação

(...)
«Não. Foi preciso mobilizar recursos, muito avultados, planear com critério e executar com esforço. Foi preciso escolher.Quem visita Coimbra descobre três pontes construídas, três complexos com seis piscinas prontos, um pavilhão multidesportos, dois estádios, quilómetros de novas vias, um parque de campismo, áreas verdes, parques infantis. E surpreende a azáfama das obras em construção um pouco por todo o lado, desde reabilitação urbana a outras vias essenciais e a intervenções de saneamento.Vê, certamente, muito dinheiro investido e percebe para onde ele foi».
(...)

Carlos Encarnação, Diário as Beiras, de hoje.

Manuel Alegre

Canção tão simples
Quem poderá domar os cavalos do vento
quem poderá domar este tropel
do pensamento
à flor da pele?

Quem poderá calar a voz do sino triste

que diz por dentro do que não se diz

a fúria em riste
do meu país?
Quem poderá proibir estas letras de chuva
que gota a gota escrevem nas vidraças
pátria viúvaa
dor que passa?
Quem poderá prender os dedos farpas
que dentro da canção fazem das brisas
as armas harpas
que são precisas?
Manuel Alegre
Nota - Ontem não estive lá. Não acompanhei a Teresa, que bem merecia. Vou hoje ver-te. Vale mais, só.

Juizes – greve desnecessária

Homicida libertado hoje – anuncia o «Correio da Manhã».

O gerente bancário de Coimbra condenado a 18 anos de prisão por homicídio qualificado pode teoricamente retomar hoje o trabalho, como gerente da agência Solum do Banco Totta & Açores, depois de ter assassinado um cliente a quem, por abuso de confiança, se tinha apropriado de 216 mil euros.

A apropriação da elevada quantia e a tentativa de ocultação estiveram, aliás, na origem do crime.
Os prazos da prisão preventiva chegaram ao fim, pelo que sairá em liberdade até estar finalizado o processo burocrático, que permitirá efectivar o cumprimento da decisão dos juizes (18 anos, reduzidos para 17 no Supremo Tribunal).

A vítima, António Mateo, proprietário dos Laboratórios Lux, em Coimbra, era muito conhecido pelo que o crime, as circunstâncias e o autor mereceram grande relevância na comunicação social.

Por ter excedido o prazo máximo de 30 meses de prisão preventiva o assassino saiu ontem em liberdade. Com uma justiça assim, o cidadão comum só pode dizer mal dos políticos?

domingo, setembro 11, 2005

EUA. Quatro anos após o 11 de Setembro.


«O nosso primeiro inimigo não é Bin Laden nem Al Zarqawi, mas o Corão, o livro que os intoxicou». (Oriana Fallaci, jornalista italiana).

Há quatro anos não foi agredida apenas a América, a civilização foi posta à prova. O ódio religioso é a lepra que alastra e corrói a base dos sistemas democráticos e põe em risco a civilização.

Chile. A evocação de um crime


Faz hoje 32 anos, um obscuro general derrubou o Presidente eleito do Chile, Salvador Allende, e deu início a uma longa e sinistra ditadura que permanece como paradigma da crueldade, do arbítrio e da barbárie.

Em homenagem aos muitos milhares de desaparecidos, torturados, presos e assassinados o «Ponte Europa» publica a foto do frio torcionário Augusto Pinochet.

Para que não se esqueçam os algozes.

A Europa e o modelo social

A Alemanha e a Polónia podem, a curto prazo, mudar a orientação económica no sentido de um liberalismo exaltado que, sobretudo no primeiro caso, pode levar à pasta das Finanças o juiz Paul Kirchhof que pretende converter numa «taxa única» as taxas progressivas que a justiça social, o tempo e o modelo europeu há muito consagraram.

A Polónia, com dificuldades de adaptação ao sistema democrático, hesita entre um modelo social-democrata e a aventura ultra-liberal. Avizinha-se a vitória dos populistas do partido da Lei e Justiça, coligados com a Plataforma Cívica, refúgio de militantes do desacreditado Solidariedade, cujo programa eleitoral preconiza igualmente a famigerada «taxa única».

O modelo social europeu, que a direita democrática tolerava, está em risco, com a senhora Angela Merkel, seduzida por Bush e a procurar imitar a senhora Thatcher.

Com o exemplo dos EUA e a ofensiva liberal do primeiro-ministro japonês Junichiro Koizumi que conseguiu afastar os elementos moderados do seu partido e vai levar avante a privatização dos correios nipónicos – um colosso empresarial que é também o maior banco mundial –, as preocupações sociais começam a ficar arredadas da agenda política dos governantes europeus. No dia de hoje o Japão está a sufragar a política liberal proposta e as sondagens à boca das urnas asseguram-lhe uma estrondosa vitória.

A transferência de empresas para paraísos onde a protecção social é precária ou inexistente, é um contributo para a submissão dos trabalhadores à violência da economia liberal chantageados pelo espectro do desemprego e pela cada vez maior facilidade dos despedimentos, a que os profetas do neoliberalismo chamam «flexibilização».

Nós, portugueses, atordoados com slogans e mal refeitos dos três desastrosos anos de aliança do PSD com os destroços do salazarismo reunidos à volta de Paulo Portas, hesitamos entre o liberalismo desenfreado que a direita nos promete como Paraíso e uma tímida social-democracia de que o PS é o garante, depois de arrumar a casa que lhe deixaram hipotecada.

TVI e o grupo Prisa

A Direita tem feito um enorme alarido pela venda eventual da TVI ao grupo espanhol Prisa.

É surpreendente que quem mais defende a liberdade de negociação entre empresas privadas pretenda que o Governo impeça um negócio que, a realizar-se, não apresenta contornos fraudulentos, não infringe normas comunitárias nem a legislação portuguesa.

Finalmente, tem como destinatário um grupo da comunicação social de reconhecida idoneidade, proprietário de um jornal de referência a nível europeu – o El País.

Talvez seja a má consciência de Marques Mendes cujo Governo, que integrava, deu à Igreja católica a TVI, em detrimento de uma candidatura protagonizada por Proença de Carvalho, apesar de ser o projecto menos consistente técnica, económica e financeiramente, como se sabia e rapidamente ficou demonstrado.

Razão teve o saudoso Mário Castrim – o melhor crítico de televisão, de sempre –, que afirmou: «A TVI nasceu na sacristia e desaguou na sarjeta».

sábado, setembro 10, 2005

Cada coisa no seu lugar

Sob o título «Alunos interrompem cena de sexo em sala de aula», o «Correio da Manhã» noticia que:

«Ao abrir a porta de uma sala onde iria decorrer uma aula, um grupo de alunos de uma escola profissional de Felgueiras nem queria acreditar no que acabara de interromper: uma alegada cena de sexo, entre um director e uma professora do estabelecimento de ensino».

Espera-se que os dois docentes se transfiram para outro local mais recomendado e onde o entusiasmo e a performance sejam mais apreciados.

Nota: Não sei porquê, esta notícia recorda-me a resposta de um padre aos noivos que lhe perguntaram se podiam fazer amor antes do casamento.

«Desde que não atrasem a cerimónia...» - respondeu o compreensivo sacerdote.

Constituição Europeia

No princípio de Setembro, Durão Barroso declarou a um obscuro jornal polaco que, «num futuro próximo, não teremos constituição [europeia]». Pronunciando-se sobre matéria que não é, aliás, da sua competência, o presidente da Comissão Europeia disse o óbvio, que os líderes europeus no seu conjunto – os responsáveis – evitam admitir.

A comunicação social, ocupada com a tragédia de Nova Orleães e a fragilidade da América, ignorou a declaração. O silêncio dos líderes europeus é bem eloquente quanto à incapacidade para resolverem a situação.

O Tratado de Nice, que parecia esgotado e era dado como obsoleto, permanece como derradeira âncora a que os governantes europeus se agarram para evitar o fracasso da mais fecunda experiência colectiva do pós-guerra.

A rejeição francesa visou mais o próprio Governo do que a Constituição Europeia e reflectiu sobretudo o estado de espírito do eleitorado. Na Holanda os resultados foram influenciados pelo assassinato do cineasta Theo van Gogh e pelo terrorismo islâmico, com a consequente rejeição da adesão turca. Os referendos facilmente se transformam, de genuínos instrumentos democráticos, em oportunidade de punição ao Governo.

A experiência portuguesa mostra que o referendo é um meio pouco mobilizador do eleitorado, usado para manifestar estados de alma com alheamento dos objectivos para que foi convocado.

Vai ser difícil pôr de acordo o eleitorado de 25 países e fazer aprovar o tratado da Constituição Europeia, instrumento essencial para a integração política, aprofundamento da coesão e definição de uma estratégia europeia comum.

Só a conjugação de um ciclo económico favorável, líderes carismáticos e uma evolução positiva do sentimento de cidadania europeia, é capaz de permitir o salto em frente, de que o velho continente carece, para fazer frente às potências emergentes e rivalizar com os EUA de quem será aliado sem necessidade de ser satélite.

Espaço dos leitores

Aqui se renova o prometido espaço.

Coimbra – autárquicas

Os novos cartazes do Dr. Carlos Encarnação são, de facto, muito mais sedutores.

A tocar violino.

sexta-feira, setembro 09, 2005

Economia a Crescer

“As contas trimestrais do INE mostram que o PIB português cresceu 0,5 por cento no segundo trimestre de 2005 em relação ao ano anterior. Um valor que surpreendeu os economistas pela positiva”.
- In Público

Apesar deste crescimento ter sido motivado mais pelo aumento do consumo do que pelo aumento sustentado das exportações, não deixa de ser uma excelente notícia depois do descalabro que foi a governação do governo PSD/CDS, durante a qual o crescimento económico mais não foi que uma “miragem”.

terça-feira, setembro 06, 2005

Dicionário Político da fé

Abrilismo – Crença partilhada por todos os que se revêem no regime democrático e não esquecem que a liberdade viajou na coragem e determinação dos capitães de Abril.

Barrosismo – Culto sem crentes, apenas alguns clientes. Nasceu no aparelho de Estado, sem chama nem convicção e acabou em Bruxelas sem glória nem futuro.

Cavaquismo – Seita onde coexistem a nostalgia autoritária e o desejo de progresso. Os crentes julgam o ícone avatar de Sá Carneiro e não gostam de coligações. Muitos anseiam pelo seu regresso, mais unidos pelo ressentimento do que pela devoção.

Centrismo – Projecto de direita civilizada frequentado por beatos do fascismo e cépticos da União Europeia.

Comunismo – Utopia profetizada por videntes e outras pessoas de virtude que deu maus resultados e encheu de boas intenções o inferno do socialismo real.

Cunhalismo – Uma das mais desveladas e intensas devoções surgidas no Portugal de Abril, por respeito pelo taumaturgo e fascínio pela sua inteligência, cultura e coerência.

Eanismo – Honesta devoção que teve um tempo próprio e duração adequada – útil, moderada e fugaz.

Fundamentalismo – Pandemia perigosa. No Afeganistão destruiu o património, nos EUA impõe o criacionismo, na Arábia Saudita elimina as liberdades. O cristianismo gerou o Opus Dei, o islão a Al-Qaeda e o judaísmo os ortodoxos com tranças à Dama das Camélias.

Gonçalvismo – São poucos os fiéis mas é ternurenta a devoção. Sem hipótese de se tornar culto oficial resiste como sinal de pureza num espaço de saudade em que as ideologias deram lugar ao pragmatismo e ao oportunismo.

Guterrismo – Projecto honesto e pio manchado pelos resíduos de uma fábrica de queijos e dissolvido nas águas revoltas de Entre os Rios. Uma devoção consolidada nos melhores 4 anos do século passado com a descrença a instalar-se nos dois anos seguintes.

Marcelismo – Degenerescência do salazarismo que converteu a PIDE em DGS, a censura em exame prévio e a ditadura num cadáver.

Marcelismo RS – Versão conciliada com a democracia, inteligente e culta, aparecida em momento errado e responsável por uma sucessão catastrófica. Reduziu-se à existência virtual através da telepregação dominical.

Monteirismo – Misto de populismo e sebastianismo. Culto praticado pelos que têm saudades muito antigas e ressentimentos demasiado recentes, com homilias públicas de amor à democracia e orações privadas pelo regresso ao passado.

Portismo – Espécie de cruzada moralista que terminou com a descoberta de esqueletos encontrados no armário do fundador (Paulo). Paira como espectro com medo do exorcismo cavaquista.

Sá-Carneirismo – Versão civilizada e aglutinadora da direita que entusiasmou fiéis e criou amanhãs de esperança nos remorsos do passado. Pereceu em Camarate nos escombros de um acidente que os crentes atribuem a anjos maus.

Salazarismo – Arremedo autóctone e rural do fascismo, não resistiu ao caruncho de uma cadeira e, muito menos, ao fim de um anacrónico império. Os fiéis são vistos como seguidores de um culto exótico, sem qualquer perigo ou necessidade de internamento.

Sampaismo – Sentimento difuso de fé, respeito e esperança. Catalisador de afectos e referência ética, garantiu o respeito pela Constituição e evitou desmandos e atropelos da exaltada dupla Santana/Portas.

Santanismo – Culto pelo ilusionismo que provoca Ah! Ah! nos homens e ais nas meninas. A versão feminina tem como paradigma a Lili Caneças. Três meses de Governo destruíram o mito.

Soarismo – Culto antigo que vive do prestígio do ídolo e da fé dos crentes. Caracteriza-se por larga difusão em diversos quadrantes, pouca coerência ideológica, amplos afectos e ódios de estimação. Tem a última batalha aprazada para o início do próximo ano.

Social-democracia – Projecto político de esquerda cujo nome foi apropriado pela direita portuguesa para fazer esquecer a origem e confundir os crentes.

Socialismo – Culto social-democrata com roupagem de esquerda para alargar a base de apoio. Uma bênção quando tirado da gaveta.