segunda-feira, outubro 31, 2005

Por que razão Cavaco Silva não é um político profissional?

Por que razão Cavaco Silva não é um político profissional?
Não é político?
Não é profissional?
Não é político profissional?
Isso é um argumento favorável à sua candidatura?
É um defeito de que ele se lamenta?
É um cínico?
É brincalhão?
Mas... ele foi Ministro das Finanças de Sá Carneiro (1980)! Começou aí a levar Portugal à bancarrota de que Soares nos livrou em 83-85!?
Ele foi Primeiro-Ministro de 85 a 95?!
Candidato a Presidente da República em 96!?

Quer ele dizer que não lhe conhecemos pensamento sobre as grandes questões do Mundo nos últimos 10 anos? Só falou em "moeda boa e moeda má" e num tal "monstro" - que afinal foi criado em 87-95, segundo Cadilhe (o seu Ministro das Finanças!)
Quer dizer que apesar dessa sua passagem pela política tem outra profissão? É Professor Universitário. É natural! Não deve constituir surpresa! Sampaio e Soares eram (e são) Advogados.
Marques Mendes e Santana Lopes, é verdade, não se lhe conhecem outras profissões...
Mesmo o Eng. Sócrates - um político assumidamente profissional - ainda trabalhou uns meses como Engenheiro....

Fica o estilo anti-político de um homem que marcou, para o bem e para o mal, os últimos 25 anos da política portuguesa!
Faz lembrar Manuel Monteiro ou - sem querer que me levem muito a peito - O Jean-Marie Le Pen.

Também disse que não concorre pelas "mordomias da Presidência"!
Mas quais mordomias?!?
A que se estará ele a referir? À reforma de Presidente que Soares aufere? Ou à Reforma de Eanes?
Será um homem com tabus?
Será um homem sem reformas?
Será apenas aquele gostinho de dizer mal da classe política que tanto agrada ao povo invejoso?

Notas Soltas/ Outubro - 2005

Migrações – Os milhões de imigrantes, que invadem a Europa, fogem da fome que os persegue, da doença que os dizima e da pobreza que os humilha, numa tentativa desesperada de sobrevivência que nem o arame farpado de Melilla os detém.

União Europeia – O início de negociações com os turcos é uma decisão histórica se não for mero pretexto para a adesão da Croácia, que persiste em ocultar criminosos de guerra ao TPI. A adesão da Turquia cria problemas mas a exclusão torná-los-á maiores.

5 de Outubro – A implantação da República foi o acto heróico que libertou o País da família de Bragança, permitiu separar a Igreja e o Estado, tornar o Registo Civil obrigatório, abolir os títulos nobiliárquicos e dinamizar a instrução pública.

Nobel da Paz – Mohamed el Baradei e a agência para a Energia Atómica da ONU, a que preside, advertiram que o Iraque já não possuía armas de destruição maciça e bateram-se pela paz. Foram justo o prémio e simbólica a bofetada a Bush.

Eleições autárquicas (1) – Os resultados desastrosos do PS prenunciam agitação social crescente, dificuldades governamentais agravadas e uma legislatura periclitante se o candidato da direita ganhar as eleições presidenciais.

Eleições autárquicas (2) – A vitória arrasadora do PSD e a recuperação do PCP são os factos mais salientes das eleições que penalizaram o PS, mantiveram estável o BE e transformaram o CDS em mero satélite do PSD.

Almeida – Sem quebra de coerência, saúdo democraticamente o presidente da CMA, Baptista Ribeiro, a quem felicito pela vitória eleitoral e desejo êxito na promoção do progresso e desenvolvimento do concelho.

Alemanha – A débil vitória da direita, que continua minoritária, obrigou Angela Merkel, a nova chanceler, a refrear o entusiasmo neoliberal com que partiu para eleições, agora aliada e sob vigilância do SPD do seu antecessor G. Schröder.

Madeira – Mais do que a satisfação autóctone com o PSD/M, a ausência de alternância revela défice democrático e o poder autocrático de que a Região está refém.

Orçamento/2006 – O rigor exige sacrifícios, difíceis de suportar, e cortes de privilégios e mordomias que atingiram níveis obscenos. Se a crise for paga à custa de quem mais pode e deve este OE valerá a pena.

Iraque – A aprovação da Constituição, que tem o Corão como referência, não conduz à democracia mas é o pretexto de que precisam os ocupantes para transferir o poder e livrar-se do atoleiro, deixando um país mais instável e perigoso.

Coimbra – Outrora os estudantes arriscaram os cursos e a liberdade na defesa da democracia. Hoje, sabotam o início do ano escolar, sem ideias, projectos ou visão de futuro, arruaceiros a comprometerem a dignidade e prestígio da Universidade.

Cavaco Silva – O anúncio tardio da candidatura foi a estratégia friamente gerida. Para lá dos tiques de primeiro-ministro, cujo lugar não está vago, Cavaco não é o perigo que a esquerda teme e muito menos o que a direita desejava.

Autoridade da concorrência – Após pesadas multas contra um cartel da indústria farmacêutica, chegou a vez às empresas de moagem que concertaram preços com claro prejuízo dos consumidores. É um bom começo.

Bancos – Suspeitas de fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais no BES, BCP e BPN levaram o desassossego às administrações. A Inspecção-Geral de Finanças, a PJ e o Governo deram um sinal de coragem e determinação.

Associação de Bancos – O seu presidente, João Salgueiro, foi lesto a acoimar de «desastrosa» a investigação e lento a advertir os associados para o perigo da transgressão da lei.

Juízes – A greve de um órgão de soberania, que desafia o Governo, compromete o normal funcionamento do Estado de Direito. Esta greve, injusta e gratuita, foi um acto aventureiro da ASJ, com reflexos no respeito que aos juízes é devido.

Irão – O desejo de Mahmud Ahmadinejad, de «apagar do mapa» Israel, revela a natureza fascista do Islão e a demência de um presidente que favorece os desmandos sionistas e ameaça a paz e segurança mundiais.

Tribunal Constitucional – Não se contesta o acórdão sobre o referendo à IVG, apenas se estranha a divulgação pública da decisão duas semanas antes de ser tomada.

IVG – Os expedientes formais e a hipocrisia beata vão manter a ameaça de prisão às mulheres que recorrem à IVG. O aborto é mau, tal como o adultério ou o divórcio, mas não cabe ao Estado considerar crime o que é pecado.

Eleições – A Direita que zurziu a presença de Bárbara Guimarães e filho junto de Carrilho, nas autárquicas, embevece-se agora com Maria Cavaco Silva e netos ao lado do Professor de Boliqueime. Eis a desfaçatez e a hipocrisia no seu máximo esplendor.

Acumulação de pensões

Há tempos, aqui no «Ponte Europa», regozijei-me com a decisão de Sócrates que pôs termo à acumulação integral de várias remunerações, limitando uma delas a um terço.

Disse mais: que não condenava quem as recebia mas quem permitiu, condenando a lei que as consentiu.

Respondeu-me um leitor que uma pessoa honrada não recorre ao que a lei permite mas ao que a sua consciência lhe dita. Retorqui-lhe que não era esse o meu entendimento, pois não é com actos individuais que se põe termo às injustiças.

Mantenho o que então pensava.

Calculo apenas como se sentirá esse leitor, agora, ao saber que Cavaco Silva acumula três pensões: uma por ter sido funcionário do Banco de Portugal, outra como professor catedrático, através da CGA, e uma terceira por ter sido primeiro-ministro, num total de 9356 euros mensais.

Este facto não belisca a honestidade do candidato à presidência da República, apenas destrói a alegada generosidade com que defende os interesses nacionais, agravada pelo facto de ter pedido a reforma da Universidade Nova de Lisboa, não para se dedicar a ao bem público, mas para receber por inteiro o salário de professor numa universidade privada.

À luz destes elementos, compreende-se melhor a traição a Fernando Nogueira, o desinteresse por Durão Barroso e a animosidade a Santana Lopes, bem como o desprezo pelo PSD.

Este facto não o torna indigno da mais alta magistratura na Nação, apenas revela o seu carácter e a forma eficiente como acautela os seus interesses pessoais.

Espaço dos leitores

quinta-feira, outubro 27, 2005

Não há perigo à vista

Um país que sobreviveu a três anos de Durão Barroso e Santana Lopes, que ainda existe como democracia depois da passagem pelo Governo de Paulo Portas e Celeste Cardona, um país que acredita em milagres e na competência de Bagão Félix, pode facilmente ter Cavaco dez anos presidente da República. Não é desejável mas não seria uma catástrofe.

Não é justo atacar Mário Soares ou Manuel Alegre que sofriam o exílio e a prisão quando o actual salvador da Pátria fazia pela vida sem se dar conta do salazarismo nem da nódoa inapagável do colonialismo.

Quando se fala na «traição» de Soares a Zenha, candidatura que subscrevi, lembro-me da crueldade com que Cavaco tratou Fernando Nogueira, o seu mais dedicado e competente colaborador, e do acinte que nutre por Santana Lopes que, sendo um erro de casting para primeiro-ministro, foi o orador brilhante que o levou à liderança do PSD/PPD na Figueira da Foz.

Quando os cavaquistas do costume falam no homem tranquilo e sereno recordo aquela fatia de bolo-rei que ultrapassava a capacidade da boca e se recusava a ser deglutida.

Cavaco é um homem sério, democratizado e com qualidades para o cargo a que concorre.
Ponto final.

Deixem as ficções que jogam com a memória curta dos portugueses. Por muito que custe aos antigos e recém-convertidos cavaquistas, o melhor Governo dos últimos trinta anos coincidiu com o primeiro mandato de Guterres. Não é uma questão de fé, é a frieza dos números e a existência de múltiplos indicadores internacionais que o comprovam.

Apostila – As sondagens do Diário de Notícias, de hoje, são arrasadoras para a esquerda. Esperemos pela campanha.

quarta-feira, outubro 26, 2005

Greves de juízes

A greve de juízes é tão surrealista como a exótica Associação Sindical de Juízes (ASJ) – pseudónimo do sindicato –, que a convocou.

Com o pretexto da falta de independência, que alegadamente ameaça os tribunais, a ASJ não conseguiu disfarçar os interesses corporativos que a movem. Deviam os juízes ter-se recusado a julgar em causa própria.

A redução das férias visou tão-somente harmonizar de forma equitativa o período anual de descanso dos servidores do Estado e o encurtamento das férias judiciais não atingiu apenas os juízes.

O fim do generoso subsistema de saúde do ministério da Justiça não foi um acto hostil. Era um privilégio que acabou porque o Estado não pode conceder regalias diferentes consoante os ministérios. A harmonização é uma exigência ética.

Há outros benefícios a extinguir em diversos serviços públicos. Não podendo o orçamento generalizá-los, mal se compreende que continuem a bafejar só alguns.

O congelamento dos suplementos remuneratórios e das progressões automáticas de carreiras desagradou aos juízes. Mas poderiam eles constituir excepção, em tempo de crise, quando a medida afectou todos, dos funcionários mais modestos aos autarcas, deputados e membros do Governo?

Não há democracia sem juízes independentes. Mas onde interferem os privilégios perdidos ou congelados com a independência? Já as ameaças e insinuações do presidente da ASJ põem em causa a serenidade e imparcialidade que se espera dos juízes.

A greve comprometeu o regular funcionamento do Estado e transformou titulares de um órgão de soberania em meros funcionários que, se não cumprissem os serviços mínimos, não poderiam queixar-se da requisição civil.

A Justiça passa por uma fase difícil. A morosidade, prescrições e decisões contraditórias confundem os leigos. As próprias sentenças são objecto de escrutínio dos cidadãos e da avidez da comunicação social.

Foi neste período, de forte contestação social, que o poder judicial comprometeu o prestígio, tornando-se um alvo vulnerável e deixando-se enredar na onda de descrédito que varre diversas instituições do Estado.

Esta greve não deixou espaço ao Governo para recuar nem à opinião pública para a compreender.

O que sucederia se, por absurdo, se criasse a Associação Sindical de Testemunhas (AST), com todos os cidadãos que diariamente vêem as suas vidas perturbadas para cumprir o dever cívico de colaborar com os Tribunais, sem qualquer indemnização, e a AST decretasse uma greve de duração indeterminada?

Os juízes respeitariam o direito à greve ou aplicariam as sanções previstas?

As posições radicais, ao melhor estilo de um sindicato de metalúrgicos, afectaram o prestígio da classe. A duvidosa legalidade da greve e o estilo provocatório e arrogante com que a ASJ contestou o Governo, cujas medidas podem ser erradas mas a que não falta legitimidade democrática, só podem ter contribuído para denegrir a imagem da Justiça e debilitar o Estado de direito de que os juízes são garante.

terça-feira, outubro 25, 2005

Cavaquismo

O cavaquismo não é uma doença contagiosa, é uma mera recidiva de uma virose, com laivos epidémicos, apesar dos fortes anticorpos adormecidos pelo tempo.

10 Razões para votar Mário Soares

1 – É um combatente da liberdade desde a juventude;

2 – Tem sentido de Estado e vasta experiência política;

3 – É um europeísta convicto;

4 – Tem vocação para o diálogo;

5 – É um homem que assume combates difíceis;

6 – Tem espírito solidário;

7 – É um político conhecido e respeitado no estrangeiro;

8 – Tem a percepção do futuro, como se viu na condenação da invasão do Iraque;

9 – É um homem de grande cultura;

10 – Tem um conhecimento profundo d’Os Lusíadas.

segunda-feira, outubro 24, 2005

Vergonha

Partidos permitem que autarcas mantenham privilégios até 2009.

A entrada em vigor da lei que lhes põe termo no primeiro dia do mês seguinte àquele em que foi publicada (1 de Novembro) permite mais quatro anos de regabofe, o adiamento de uma medida de moralização urgente, a prorrogação da imoralidade, a manutenção de uma iniquidade que jamais devia ter existido.

Apostila 25-10-2005 - Afinal o Governo já veio negar o facto, divulgado pela comunicação social. No DN de hoje diz-se que apenas dois autarcas da Madeira tomaram posse antes de a lei ser publicada, lei que estrou imediatamente em vigor.

domingo, outubro 23, 2005

A co-incineração

O país que resta de mais uma vaga de incêndios está transformado numa imensa montureira com mais de 1400 locais contaminados com milhões de toneladas de resíduos industriais perigosos (RIP) à solta.

Podiam ter sido queimados em reciclagem térmica se a co-incineração tivesse sido adoptada. De nada valeram os argumentos da comissão científica independente, adrede nomeada, demonstrando à saciedade que é muito mais barata do que a incineração dedicada, não produz resíduos de resíduos, é mais amiga do ambiente e proporciona uma eficiente destruição térmica dos RIP.

«Se quatro cientistas apoiam a co-incineração não será difícil arranjar outros tantos que digam o contrário» – afirmou na altura Durão Barroso, a mostrar a sua peculiar concepção de ciência e o que espera dos cientistas do PSD.

A Comissão Europeia notificou Portugal, há dois anos, por incumprimento em relação aos RIP. A comunicação social referiu o facto mas deu-lhe pouca atenção.

Os Governos do PSD/CDS mantiveram pelos lixos e resíduos tóxicos o respeito e desvelo que deviam merecer-lhe os cidadãos. A estes teve-os debaixo de olho, governou-os mal, hipotecou-lhes o futuro, àqueles deixou-os à solta, preservou-lhes a tranquilidade, reservou-lhes o Pais.

Há vários ministros do ambiente que se espera uma solução. Pensava-se que o PSD tinha uma ideia, trazia um projecto, era portador de uma alternativa. Não, tinha apenas em mente evitar aos lixos e RIP a sua destruição.

Para quê transformar o lixo em calor se podíamos importar combustíveis fósseis e preservar os lixos do nosso contentamento para as gerações vindouras?

Por este andar não íamos ter país para lhes deixar. Felizmente a co-incineração vai avançar.

sexta-feira, outubro 21, 2005

Os lapsos do Professor Cavaco:

No primeiro dia após o anúncio da candidatura, que acalentou dez anos, já cometeu dois lapsos que deve ter deixado arrepiados os apoiantes democratas:

1 – Falou como Presidente para, a seguir, corrigir para candidato;

2 – Referiu-se à Assembleia da República com o nome de Assembleia Nacional, uma triste nomenclatura da câmara de ressonância do Governo fascista onde os ventríloquos da ditadura representavam do partido único.

É um mau começo para quem, sendo democrata, tem atrás dele muitos que não são.

Cavaco saiu da toca

Dois anos a fingir que ponderava o que todos sabiam que iria fazer, foi um exagero.

Bem-vindo à luta pela suprema magistratura da Nação. É a partir de agora que o contraditório pode exercer-se, que o candidato pode ser confrontado com o que pensa e, sobretudo, como pretende comportar-se.

A apresentação, à hora dos telejornais, é um número que todos repetem. Os imperativos que invocou são os mesmos que certamente estiveram presentes, há dez anos, quando foi derrotado.

A apresentação parecia de um candidato a primeiro-ministro mas rapidamente corrigiu o discurso em função do lugar a que concorre.

Cavaco não é tão mau como a esquerda pensa e é muito menos do que a direita deseja.

Podemos estar descansados. Já disse que iria respeitar a Constituição. Nem outra coisa se poderia esperar de um democrata, mesmo de quem despertou tardiamente.

Só espero que perca.

O Salvador da Pátria!

Como é possível reescrever a história de uma forma tão ignóbil, Cavaco Silva certamente esqueceu-se das responsabilidades que teve, enquanto Primeiro Ministro, na criação do “Monstro” (entenda-se Funcionamento da Administração Pública) e vem hoje qual salvador da pátria dizer que não se resigna! Estamos de facto a entrar no grau zero da política, como é possível passar desta forma uma esponja sobre o passado? E pasme-se só precisou de 10 minutos.

quinta-feira, outubro 20, 2005

O Ti António Álvaro (Crónica)

O guitarrista (Picasso)
Foram tempos negros os do pós-guerra na Miuzela do Côa como, aliás, por todo o país. A sobrevivência era difícil, o dinheiro frequentemente substituído pela troca directa de géneros e moedas de vinte e cinco tostões e de cinco escudos apareciam em falsificações que imitavam a caravela e a liga de prata. As senhas de racionamento dos indigentes eram negociadas na candonga.

Nas tabernas, modestas precursoras de grandes superfícies, vendia-se, além do vinho e da aguardente, mercearia, sal, bacalhau, toucinho, petróleo e outros produtos, secos e molhados.
Escasseava tudo menos o vinho e o azeite, o primeiro por ser de produção local e o segundo, de elevada acidez, por vir de contrabando, em odres, no dorso de machos que fugiam aos tiros dos carabineiros e iludiam as esperas dos guardas portugueses. Os pregos eram falsificados, em cada dez só dois ou três é que espetavam e as caixas de 40 fósforos traziam pouco mais de trinta e só metade acendiam. A vida era difícil, disse-o no começo e já o repito.

Taberneiros ambulantes iam pelos mercados e feiras com pão espanhol, trigo da Miuzela, vinho, pirolitos, peixes do rio, torresmos e postas de bacalhau frito. Padeiros iam em busca de lenha duas léguas em redor para laboração dos fornos. A pesca e a caça completavam a agricultura de subsistência. O contrabando de seda, alpercatas, bombazina, bolachas, pão, elástico e outras miudezas ajudavam à sobrevivência. O albardeiro, o ferrador, o latoeiro, o alfaiate, o moleiro e o barbeiro faziam pela vida no exercício dos misteres que todos juntavam ao amanho da terra e à aplicação doutros saberes. O ferrador fazia sangrias e queimava o nervo ciático, um pastor endireitava a espinhela caída e outro compunha os ossos deslocados e reduzia fracturas, mulheres de idade recitavam ladainhas para atalhar o sol e reduzir febrões. O barbeiro cuspia no pincel para fazer a barba aos fregueses de fora, por deferência, que aos da terra podia cuspir directamente, antes de passar o sabão e puxar da navalha. Para o carbúnculo o cabo incandescente de um garfo era o remédio, a sangue frio, que podia matar da cura. E usavam-se sanguessugas para várias enfermidades.

Nas fontes o raio da água nascia escassa e inquinada, favorável à entrega prematura de almas ao Criador, sobretudo de crianças, perante a impotência dos pais. Uma mulher, mãe de seis filhos vivos e de quatro anjinhos, explicava que se criavam poucos, conformada com a pesada maquia que nesse tempo soía Deus cobrar na infância, resignada a ter muitos para lhe sobejarem alguns. No estio a primeira a secar era a fonte Barroco, depois a das Mijas Velhas e só a fonte do Vale se aguentava a encher os cântaros à cadência a que ia nascendo a água, cada vez mais lenta, à medida que o Verão avançava, até às primeiras chuvas que invertiam o ritmo.

Recordo o Medo, caçador profissional, marcado pelas bexigas e pela fome e o Domingos Neto, pescador, que guardava no campo pimentos, castanhas, uvas, nozes e maçãs, conservados longos meses por saberes não revelados e obtidos por métodos expeditos nas hortas de honrados agricultores que lhe levavam a mal a desfaçatez e a necessidade. O Zé Amaro era apicultor, o Gigante, com o seu metro e meio, era pastor, e o Lecas, trolha que viera dos lados do Porto, artista solicitado, assentava tijolos e caiava paredes em meia dúzia de concelhos.

O padre António, da Ruvina, concelho do Sabugal, de batina sebenta e humor lábil, exercia o múnus com sermões mais persuasivos sobre as penas do Inferno do que os dos frades que, uma vez por ano, se lhe substituíam com a obrigação de apavorar os pecadores com os suplícios que lhes reservavam depois da morte.

O terror reiterado e a reincidência nas ameaças atenuavam o temor e os paroquianos teimavam em viver e encharcar-se em vinho, isto é, faziam por sobreviver.

Por altura das eleições de Humberto Delgado o padre advertiu os crentes de que era pecado mortal votar nesse inimigo da pátria, comunista e maçónico. Mandou votar os paroquianos de acordo com a vontade do homem que a providência encarregara de governar Portugal, desígnio de que desconfiava o Ti António Álvaro, o homem mais fino que conheci, o mais corajoso e com maior amor à liberdade. Foi por isso que resolveu trocar o voto que a mulher recebera da União Nacional para depositar na urna. E foi com ele trocado que acompanhou no desígnio a Belmira e a Aninha Aragão, catequistas, celibatárias e vizinhas. No caminho indagou a primeira, deixa cá ver Beatriz se o teu voto é igual ao meu, toma lá Belmira, mulher que estás excomungada, vais votar no diabo, disseram à uma as duas, ai o corno do meu homem que me enganou, gritou espavorida a Beatriz após a denúncia e o perigo iminente de acção torpe. Nenhuma queria acreditar em tal descaro, se bem que as não espantasse um homem que fizera um filho ao Augusto Capas, que é como quem diz, à mulher dele, além de três à própria e outros de que se murmurava em paróquias próximas, que as apelidava de beatas, que preferia a caça à santa missa e que se tinha envolvido em troca epistolar com o abade. Abro aqui um parêntesis para falar dessa correspondência, metida pelos próprios debaixo das respectivas portas que um pequeno largo separava. Quem começou foi o padre ao escrever-lhe, admoestando-o, que não devia abrir a taberna aos domingos, por ser dia do Senhor, para que os homens substituíssem a aguardente pela missa e as cartas espanholas pela oração. Mas, em vez de conformar-se o réprobo, retorquiu-lhe com firmeza noutra missiva, que se metesse na sua vida, que nunca o tinha repreendido por mandar tocar o sino a desoras, que nunca lhe tinha dito como devia tratar da vida dele, padre, não viesse ele dizer-lhe como devia tratar da sua, taberneiro e caçador, homem livre, a quem não intimidavam as posturas municipais, os decretos ou as bulas. Mereceu a santa reprimenda com que o execrou o abade no domingo seguinte, durante a missa, confiado na impunidade que o local e a ausência do atingido lhe asseguravam, que cara a cara não era homem para tal.

Lá se persignaram as três para exorcizar o pecado, substituíram o voto por outro antes de cumprirem o dever cívico que à Beatriz lhe foi concedido por razões nunca averiguadas, por não ser o voto direito da mulher, a menos que pagasse determinada décima, como era o caso da Belmira e da Aninha, não o dela, por ser casada e os direitos pertencerem ao marido, em conformidade com a tradição, os bons costumes e a lei, direitos, aliás, moderados e perigosos de exercer no candidato errado.

Esse facto irritou profundamente o Ti António Álvaro que as chamou de beatas e outros epítetos que escuso de reproduzir, que os leitores, havendo-os, hão-de imaginar, imprecações que ao tempo e numa terra raiana eram comuns, à semelhança dos espanhóis, mas se tratou de justo desabafo.

António Álvaro sabia onde dormia a lebre em cuja cama a surpreendia com um cacete, onde passaria a raposa para lhe armar os ferros, em que toca se refugiava o coelho que o furão fazia saltar, onde estava um bando de vinte e tal perdizes que, uma a uma, derrubava com espantosa precisão a tiros de escopeta, sucessivamente carregada pela boca com pólvora e chumbo atacados com buchas de jornal, até dizimar o bando, numa légua, a saber sempre onde poisariam as restantes, cada vez em voos mais curtos, exaustas, incapazes de sobreviver à tenacidade, determinação e perícia do predador.

As rixas eram nesse tempo frequentes. O álcool, a rudeza e a precária instrução haviam de ter alguma influência nos comportamentos ásperos.

Um dia, por ter sido insultado na taberna, arremessou um peso de meio quilo, aferido pela Câmara Municipal, e derrubou o provocador. Este teve forças para levantar-se, agarrou na machada que estava à mão para dividir os cabritos que ali se esfolavam e vendiam, transpôs as portas de vaivém e, com ela em riste, disse, da rua, anda cá meu cabrão que já te racho os cornos, e o Ti António Álvaro, que não era homem de levar desaforo para casa, esgueirou-se pela minúscula janela que dava para outra rua, foi milagre passar por ela, apareceu-lhe por trás com um caldeiro que lhe enfiou na cabeça e a que logo saltou o fundo, caldeiro transformado em colete. Caída a machada, logo as lambadas lhe começaram a cair no focinho, bêbado dum raio, filho da puta, o homem a pedir-lhe que o não matasse, os vizinhos a acudirem-lhe e a tirarem-lho das mãos, enquanto outros agarravam estes e achavam que não, que devia dar-lhe mais, que não era boa rês, até que enfim alguém o mete nos eixos, nunca as mãos lhe doam Ti António Álvaro, vossemecê é pequeno mas valente, este gajo estava a pedi-las, isso não é sangue, é vinho, o animal tem de sangrar, precisa de amansar. Lá os separaram e nunca mais o díscolo se atreveu com ele, guardando uma distância prudente sempre que se cruzavam.

Aos 80 anos deixou explodir na mão uma vela de dinamite que, junto ao rio, reservava para uns barbos e bogas. Regressou a casa pelo seu pé, sozinho, dois bons quilómetros, com as pontas decepadas dos dedos arrecadadas num saco de plástico, fazendo um penso com um simples farrapo, deitando-se a seguir, só denunciado pela febre que alertou um filho e lhe chamou o médico.
Havia de viver mais década e meia, com menos dedos e a mesma lucidez, esvaindo-se-lhe a vida como água que se evapora. Devagar. Serenamente. A quatro anos de perfazer um século de vida.

Recordar a ditadura salazarista

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Eleições de 1965

quarta-feira, outubro 19, 2005

Coimbra e a co-incineração

Não é uma discussão que se repete. Trata-se de uma decisão. Perderam-se quatro anos.

Aos leitores do Ponte Europa


1 – Encontrando-me repetidas vezes ausente de Coimbra, nos próximos 30 dias, a minha colaboração no «Ponte Europa», a partir de amanhã, será esporádica, a menos que alguém me ajude a publicar textos fora do meu habitat.

2 – Considero que não será elegante colocar comentários ofensivos sabendo que o signatário não poderá responder.

3 – Espero que os meus colegas do «Ponte Europa» dêem uma ajuda para que o nome se não perca. A ponte, que tinha o mesmo nome, viu-se crismada de «Rainha Santa» pelo pio edil que procurou, dessa forma ínvia, aplainar o caminho para o destino da alma.

4 – Hoje, no Diário as Beiras, Gonçalo Capitão, um militante pouco apreciado do PSD autóctone ( a inteligência e a independência são pouco admiradas nos partidos) chama a atenção para eventuais caluniadores que se serviram do «Ponte Europa» e do «Toca e Foge», informando que as polícias já têm especialistas em novas tecnologias.

5 – Creio que tem razão na denúncia e que os anónimos que atiram pedras e escondem a mão merecem que lhes arranquem os dedos.

6 – A co-incineração vai arrancar em Souselas como, aliás, faz parte do programa do Governo. Creio que podemos ter discussões interessantes sobre o assunto.

7 – Um belo trecho da Capela Sistina fica a ilustrar este post, numa homenagem a Miguel Ângelo e ao seu prodigioso talento.

Coimbra - Praceta de S. Sebastião, hoje.


Este sofá tem menos tempo de Praceta do que de uso. Mas já se encontra há mais de uma semana à espera de remoção.

Eleições autárquicas já foram


Praceta de S. Sebastião, em Coimbra, há vários dias.

terça-feira, outubro 18, 2005

Grupo Espírito Santo alvo de buscas da PJ


«A PJ está a investigar várias empresas da área financeira por suspeitas de branqueamento de capitais e fraude fiscal. Por enquanto, a PJ só fez buscas ao Banco Espírito Santos mas a TSF sabe que outros grupos financeiros vão ser visitados pela judiciária» – lê-se na TSF.

Segundo o Diário de Notícias (site indisponível) as suspeitas de branqueamento de capitais incluem a Madeira.

Orçamento de Estado/2006


Sinto que tenho de apertar o cinto. Se me movesse por interesses pessoais, estaria contra.

Assim, subscrevo-o.

Qual é a alternativa das Oposições.

SMTUC fora da lei?


Dirigido aos jornais de Coimbra e aos blogs, acabo de receber este e-mail:

«Esta empresa viatv.com.pt, informa que tem este exclusivo.

Quem foi que ofereceu? MANUEL DE OLIVEIRA, MANUEL REBANDA OU CARLOS ENCARNAÇÃO?

SERÁ QUE ELE SABE DISTO? SERÁ MAIS UM CASO COMO O DA TERESA VIOLANTE?

A bem da transparência da coisa pública, queiram V.E.xas, indagar sobre a existência e legalidade de concurso público, contrato, ou outro tipo de acordo sobre a emissão de televisão nos autocarros dos SMTUC, recorde-se que o regulamento dos SMTUC diz: «Todas as ofertas de espaços publicitários que os SMTUC entenderem por convenientes serão divulgados na imprensa».

Para este caso concreto não se conhece nenhum anúncio.

O referido regulamento não refere os valores para o aluguer/instalação de televisões com publicidade, no interior dos autocarros. O que se passa?

Quem ganha com este silêncio?

Não tenham medo!Anexo: regulamento
a) imolive1@sapo.pt

Nota: Não pressentindo calúnias nem difamação, a bem da transparência, entendo que merece ser publicado no «Ponte Europa».

segunda-feira, outubro 17, 2005

Para os anticomunistas primários

«O CDS ficou «perplexo» ao saber que os sociais-democratas se preparam para estabelecer acordos com autarcas comunistas ao nível das juntas de freguesia de Lisboa» – lê-se no Diário de Notícias de hoje, pg. 10 (site indisponível).

A notícia, da autoria do jornalista Pedro Correia termina com o seguinte período: «Segundo Carlos Chaparro, responsável pela Organização Regional de de Lisboa do PCP, os comunistas admitem distribuir pelouros nas freguesias a outras forças políticas, incluindo o PSD».

Nota: o PCP tem oito freguesias na capital, sete das quais sem maioria absoluta.

CDS – um partido em ebulição

Ribeiro e Castro

O CDS/PP, que se tornou um ornamento do PSD, que conquistou apenas uma Câmara através de um autarca que suspende quando é conveniente e integra quando interessa, anda desavindo.

Os «boys» de Paulo Portas acusam Ribeiro e Castro de ter uma «visão estalinista», vendo no actual líder o defeito do seu bem amado ex-líder.

António Pires de Lima, «pede compostura» a Maria José Nogueira Pinto. Vindo de quem vem o pedido, de um arruaceiro com pedigree, acompanhado pelo inefável Nuno Melo, está visto que Ribeiro e Castro não consegue reabilitar o CDS.

Na Europa, com a amarga excepção da Península Ibérica, os partidos conservadores têm tradição democrática que os enobrece e lhes dá credibilidade perante o eleitorado. Ainda há neles militantes que lutaram contra o nazi/fascismo e figuras de referência que resistiram ao totalitarismo. Basta lembrar De Gaulle.

Em Portugal, quando aparece um conservador com vocação democrática o CDS tenta afastá-lo. Foi assim com Feitas do Amaral e Lucas Pires. Agora é a vez de Ribeiro e Castro.

domingo, outubro 16, 2005

Espaço dos leitores

«O grito» - Edvard Munch

Braço de ferro

Ministro da saúde põe fim a acordo com ANF

O Governo vai pôr fim ao acordo com a Associação Nacional de Farmácias (ANF) e passar a pagar através da banca, em vez de recorrer à associação. (Notícia da comunicação social).
A intermediação financeira feita pela ANF, entidade não vocacionada para o efeito, tem rendido milhões de contos (agora euros).
Não sei quem ganha o braço de ferro mas seria injusto não reconhecer no actual Governo a coragem com que enfrenta os grupos de pressão e defende os interesses nacionais.

Vitória contra o terrorismo



Numa notável operação a polícia holandesa desarticulou e prendeu um grupo de crentes que ansiavam por rios de mel e dezenas de virgens através da violência, do terrorismo e de assassinatos.

Os facínoras de Alá, habituados a exibir o traseiro em sentido contrário a Meca, queriam agradar a Deus lançando o pânico, a destruição e a morte.

A polícia, pouco dada à oração e indiferente ao destino da alma, prendeu os díscolos e enviou-os a tribunal.

Não foi apenas um bando de assassinos, comprometidos na morte de Theo van Gogh, que a polícia arrecadou, foi um grupo de crentes cuja fé está de acordo com o Corão, uma cáfila de beatos, uma associação de malfeitores que, por amor a Deus, odeiam a humanidade.

O islamismo tornou-se uma fonte de terrorismo a que urge estar atento. A religião não pode ser um instrumento perturbador da paz, o alimento demencial de devotos para quem o crime é uma oração, rezada à bomba, e o sangue um sacrifício que oferecem ao divino.

Cavaco escondido com vassalos em campo


O cavaquismo não recorda os rios de leite e mel que os indefectíveis nos querem fazer crer para facilitar a caminhada para Belém.

A vitória fácil de Jorge Sampaio teve razões que muitos se esforçam por ocultar e todos se recusam a explicar.

A prudente travessia do deserto, com exposição mediática mínima, nunca deixou de ter activos os panegiristas de serviço que Durão Barroso desiludiu e Santana Lopes deixava apoplécticos.

Cavaco aparece aos deslumbrados apoiantes como instrumento de retaliação contra a esquerda, capaz de fazer a catarse do ressentimento acumulado desde as eleições legislativas e de refazer o prestígio abalado com os últimos Governos de direita.

Alguns apoiantes mais ignaros julgam que a presidência da República tem funções executivas e, por objectivo, derrubar o Governo.

Mesmo entre os mais responsáveis há a secreta esperança de uma alteração das regras constitucionais como se coubesse ao PR e não à maioria qualificada da Assembleia da República a legitimidade de proceder a qualquer alteração.

Todos parecem conhecer mal o homem que despertou tarde para a política, indiferente à ditadura, à guerra colonial e às perseguições policiais, mas que foi fiel à democracia nos anos em que foi primeiro-ministro.

É na base da Constituição actual que concorre ao lugar de PR e, caso fosse eleito, era a esta e não a outra que teria de jurar fidelidade e o compromisso de a fazer cumprir, além de que é incapaz de cometer perjúrio ou trair a ordem estabelecida.

sábado, outubro 15, 2005

Durão Barroso

Durão Barroso, convidado especial da Cimeira Ibero-Americana, pediu o fim do embargo a Cuba e manifestou-se favorável às pressões para que não sejam violados os direitos humanos naquele país.

São posições correctas e ficamos à espera de que o presidente da Comissão Europeia tenha o mesmo comportamento em relação à China.

Laboratórios farmacêuticos multados


Os laboratórios Roche, Abbott, Bayer, Johnson & Johnson e Menarini Diagnósticos foram multados em 16 milhões de euros pela Autoridade da Concorrência, por manipulação de preços, lesivos para o Estado, em concursos hospitalares.

A inédita medida tomada pela Autoridade da Concorrência surpreende pelo elevado montante e pelo carácter profiláctico contra a prática concertada da fixação de preços.

Quando, em 22 hospitais, os referidos laboratórios apresentam preços iguais para o mesmo produto, com um aumento muito significativo em relação ao ano anterior, é fácil suspeitar da prática de cartel.

Surpreende que nunca tenha sido objecto de reparo por quem tem a obrigação de defender os interesses do Estado uma prática tão lesiva do interesse público.

Espera-se que a medida tomada mostre que Portugal não é um país do Terceiro Mundo onde as multinacionais se movimentem ao arrepio da ética e da legalidade e dissuada reincidências.

O caso, denunciado pelo director clínico do Centro Hospitalar de Coimbra, é exemplar.

Homenagem a Costa Gomes

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NotaPonte Europa publica a carta dos promotores de homenagem ao marechal Costa Gomes num gesto de consideração e respeito pela grande figura histórica do nosso passado recente.


Cavaco e Silva vs Fátima Felgueiras

Há entre ambos enormes diferenças. Enquanto o passado conhecido de Cavaco é limpo, Fátima Felgueiras tem fortes indícios que apontam em sentido contrário.

Mas há uma inquietante semelhança na forma como geriram as candidaturas. Ambos andaram desaparecidos, uma por motivos policiais, outro por estratégia política.

Os dois tiveram quem, na retaguarda, lhes promovesse a imagem e alimentasse o mito. Um e outra aguardaram o momento favorável para aparecerem aos autóctones com a auréola de salvadores, reencarnações do mito sebastiânico, num país que alterna a euforia e a depressão.

Fátima Felgueiras foi recebida em delírio após a ansiedade crescente com a dúvida do regresso. Cavaco, mantendo o eterno tabu, aparece na próxima semana como se o País estivesse há dez anos à espera do regresso.

Fátima foi ovacionada porque todos se lembravam dela. Cavaco é desejado porque já muitos se esqueceram dele.

Recordar o nazi/fascismo



Faz, num dia qualquer deste mês de Outubro, 40 anos. A ditadura organizou a habitual farsa que dava pelo nome de «eleições» para a Assembleia Nacional.

O mandatário nacional da Oposição era o saudoso Dr. Francisco Salgado Zenha. No distrito de Lisboa o representante era o futuro fundador do PS e deputado à Constituinte, Joaquim Catanho de Meneses.

Na Lourinhã tive o privilégio de ser o delegado concelhio. Os votos da União Nacional vieram pelo correio quando a Oposição, à falta de condições mínimas, já tinha desistido de colaborar na farsa.

Numa mesa do Café Belmar, o único que existia, quatro cidadãos inutilizaram os boletins de voto. Aqui ficam os nomes, além do do signatário: Afonso Moura Guedes, futuro deputado e líder do PSD, recentemente falecido, José Francisco Vacas, professor e Manuel Gentil da Silva Horta, comerciante.

No dia seguinte encontrámo-nos os quatro a votar e sorrimos com cumplicidade.

Os resultados eleitorais sufragaram a lista da União Nacional (única) com cerca de 98% dos votos, tendo havido 2 (dois) nulos, em todo o concelho.

Eram assim as eleições no regime fascista, que deixou discípulos: caluniadores, bufos e mentirosos, nostálgicos do passado. Em que partidos votarão?

sexta-feira, outubro 14, 2005

No Portugal profundo


Clique na imagem para aumentá-la.

quinta-feira, outubro 13, 2005

Recordação do Dr. Emídio Guerreiro

Emídio Guerreiro

Tive o privilégio de conhecer o Dr. Emidio Guerreiro durante perto de meio século.

Conheci-o no dia 31 de Janeiro de 1958, num jantar comemorativo em Paris da revolução do Porto, e depois encontrei-o sempre, até 1963, em todos os "31 de Janeiro" e "5 de Outubro" em que a emigração política, e nunca o governo, comemorou estas datas nacionais.

Houve, continuamente, uma actividade política da Oposição portuguesa em Paris, que nunca baixou os braços, e teve, como seu polo principal, a casa do Dr. Guerreiro na Av. de Versailles 135. Vou-me lembrar para sempre do seu número de telefone: MIR-28-51, donde tantas vezes me chamou, ás vezes às tantas da noite.

Lembro-me de uma vez que lá foi, já perto da meia noite, e encontrei um motorzinho de energia e actividade política que dava pelo nome de Manuel Serra, e que tinha vindo do Brasil preparar o que veio a ser o golpe de Beja.

Associados ao Dr Guerreiro, recordo momentos de alegria e de angústia. Entre as imagens, há uma que não esquecerei: a do Dr. Guerreiro a entrar no avião, no Aeroporto de Argel, onde tinha ido ajudar à libertação dos portugueses que tinham sido presos pela polícia argelina, a levantar ao alto o ramo de flores que os portugueses lhe tinham oferecido. Nesse dia , houve mais portugueses no Aeroporto de Argel a despedirem-se do Dr. Guerreiro, do que argelinos a
receberem o Presidente Ben Bella, que seria derrubado pouco depois.

Há um outro episódio que quero aqui contar. Foi já depois do 25 de Abril, num dia em que o acompanhei à Baixa de Lisboa. Vendiam-se, na altura, no passeio do Rossio, uns jornais de extrema-direita, tipo " Barricada" , ou algo no género.


O Dr. Guerreiro olhou, e disse alto e bom som: "Gosto de ver estes jornais à venda."

Um dos vendedores acorreu logo solícito e perguntou: "Concorda com eles?"

Teve de imediato a resposta: "Não, acho um nojo, mas são a prova de que há Liberdade no meu País." - a) António Brotas

Nota - Ponte Europa orgulha-se de publicar este testemunho de António Brotas, cuja autorização agradece, uma homenagem de um democrata a outro.

Vêm aí mais greves

A derrota autárquica do PS é um estímulo para a agitação social, legítima e, em muitos casos, justa, denunciadora dos sacrifícios que uma parte da população já suporta.

A perda progressiva do poder de compra dos funcionários públicos nos últimos três anos é um facto indiscutível. Os motivos de queixa são óbvios e com tendência para se agravarem em função do próximo orçamento.


Acontece que as opções do Estado estão condicionados por uma economia estagnada, o preço exorbitante do petróleo e a dificuldade prática de aumento dos impostos.

Assim, resta saber se o Governo se intimida com os mais poderosos e lhes mantém as regalias à custa dos mais desfavorecidos ou se, reclamando-se do socialismo (social-democracia seria um termo mais adequado), faz repercutir o ónus pelos que melhor o podem suportar.

As diferenças de vencimentos entre a base e o topo atingem proporções obscenas agravadas pelos privilégios acessórios de quem mais ganha.

Vejo nas dificuldades actuais a forma de corrigir assimetrias e introduzir alguma justiça social, a par da racionalização que é preciso imprimir nos serviços do Estado e, em especial, nas autarquias e Regiões Autónomas.

Podem perder-se todas as eleições, não pode perder-se o País. E é altura de confrontar a Oposição com as medidas alternativas que tomaria no estado actual da economia.

PS e PSD querem alterar lei eleitoral


PSD e PS pretendem alterar a lei eleitoral de maneira a impedir a eleição de pessoas a contas com a Justiça, como aconteceu nestas autárquicas em Gondomar, Felgueiras e Oeiras.

Santa hipocrisia. O PSD desconhecia o passado do capitão Valentim Loureiro, a sua demissão da função pública, pelo negócio das batatas, e a sua redução à condição civil?

E não sabia em que condições foi reintegrado, após o 25 de Abril, na sequência de um caso igual, a título póstumo, de outro capitão que também se locupletava com uma comissão sobre as compras de géneros para a Manutenção Militar?

Foi este segundo caso, por razões humanitárias (viúva sem meios para educar os filhos), com a promessa de Valentim Loureiro de não se aproveitar da situação, que lhe permitiu recuperar a condição militar.

Os factos vieram no «Expresso», são amplamente conhecidos e não o impediram de se tornar conselheiro nacional do PSD, Presidente da Câmara, Presidente do Conselho de Administração do Metro do Porto, dirigente desportivo, sempre com o aval ou conivência do Partido.

O actual Presidente da Distrital de Lisboa, António Preto, é inocente até trânsito em julgado de uma sentença que o condene. Mas aquela expressão, ao receber uma mala, «Porra, nunca vi tanto dinheiro», ouvida em gravações, quiçá ilegítimas, não recomendaria o afastamento de funções partidárias até esclarecimento dos factos ou absolvição?

quarta-feira, outubro 12, 2005

Kofi Annan visita Portugal


Após a condecoração com o grande colar da Ordem da Liberdade, outorgado pelo Presidente Jorge Sampaio, Kofi Annan, grande defensor da causa da paz, é hoje doutorado ‘honoris causa’ pela Universidade Nova de Lisboa.

Com este doutoramento, mais do que o secretário-geral da ONU, sai honrada a Universidade que lho confere.

Kofi Annan, de quem não devemos esquecer o apoio que deu à causa timorense nem os esforços denodados para impedir a invasão do Iraque, é uma das grandes personalidades do nosso tempo.

Ponta do Sol – Madeira



À prisão do ex-presidente da Câmara, há mais de 1 ano, juntou-se agora a detenção de um vereador e do arquitecto, tendo o primeiro saído em liberdade enquanto o arq. aguarda em prisão preventiva a pulseira electrónica para passar a prisão domiciliária.

Crimes de corrupção, subtracção de documentos e prevaricação estão na origem da prisão do ex-autarca do PSD, António Lobo, numa teia que envolve ainda uma arquitecta e um fiscal.

Não é o número de crimes nem o carácter venal do autarca madeirense que surpreende, é a vitória do mesmo partido nas eleições de domingo, uma manifestação de indiferença cívica pelo carácter moral de quem desempenha cargos públicos.

Associação Nacional de Farmácias


A ANF entrou em braço de ferro com o Governo num manifesto abuso de poder. Dada a sua enorme influência política e o grande poderio financeiro tem tentado sabotar as ténues medidas liberalizadoras do mercado farmacêutico.

«A Autoridade da Concorrência (AC) abriu uma linha telefónica onde as empresas recentemente autorizadas a vender medicamentos - que não precisam de receita médica - podem fazer queixas relativamente às dificuldades de abastecimento que têm alegadamente sido levantadas pelos distribuidores».

A ANF tornou-se um potentado financeiro desde que Costa Freire foi secretário de Estado de Leonor Beleza, conferindo-lhe direitos que outros fornecedores do Estado não usufruem e permitindo-lhe a lucrativa intermediação financeira com as farmácias, de legalidade duvidosa.

Não sendo as farmácias um sector estratégico para o Estado, não se vê razão para que a liberalização total não seja possível.

«Expresso» muda de director


Henrique Monteiro vai ser o novo director

«Henrique Monteiro, actual subdirector do semanário «Expresso», foi escolhido pela administração do grupo Impresa para ser o novo director do jornal, substituindo assim José António Saraiva» – anuncia a TSF.

Muitos jornalistas pensam que António José Saraiva poderia ter sido um grande arquitecto e alguns arquitectos consideram-no um grande jornalista.

terça-feira, outubro 11, 2005

Espaço dos leitores


É um direito adquirido no «Ponte Europa».

República e laicidade

Jazigo do cemitério de Génova (Itália)

Publicado no «Diário as Beiras», hoje:

Organizado pelo Conselho da Cidade de Coimbra e Pro Urbe, em 27 de Setembro último, houve um debate público no Auditório da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra com os quatro candidatos autárquicos.

Perguntei publicamente, na qualidade de membro da Associação República e Laicidade, se os candidatos se comprometiam a arranjar um local condigno para os mortos que não fossem católicos, bem como um forno crematório para quem preferisse a incineração ao enterro.

Obtive a compreensão dos quatro candidatos e, para além do crematório que o Dr. Carlos Encarnação aproveitou para anunciar, foram unânimes em reconhecer a necessidade de um espaço condigno onde ateus, agnósticos e outros pudessem ser velados, sem imposição de símbolos religiosos.

No dossiê «Autárquicas» de 4 de Outubro, sob o título «A morte também é tema de campanha» leio, perplexo: «No bairro onde se situa o maior cemitério do concelho, foi reivindicada uma capela mortuária e prometido um forno crematório».

Faz falta uma capela mortuária numa cidade onde sobram catedrais, igrejas, capelas e outros pios locais onde jorra água benta e emana incenso?

Os que em vida tiveram uma pituitária alérgica ao cheiro das velas, tímpanos avessos às orações e olhos apáticos às sotainas, não têm direito a local digno, liberto de iconografia religiosa, onde os familiares e amigos estejam ao abrigo do latim e do cantochão?

É de um espaço neutro, liberto da omnipresença católica, que a cidade de Coimbra precisa. E foi isso que foi prometido.

Nem outra coisa é de esperar de quem exerce o poder num país laico, mesmo de quem acredita que a devoção abre as portas do Paraíso. É uma exigência cívica de respeito pela Constituição e pelos outros.

Alemanha - Vai haver Governo

A débil vitória da direita, que continua minoritária, obrigou Angela Merkel, a nova chanceler, a ceder ao SPD e a refrear o entusiasmo neoliberal com que partiu para eleições, agora sob a vigilância atenta do seu antecessor G. Schröder.

segunda-feira, outubro 10, 2005

Números são números

Face aos comentários arrogantes de alguns anónimos que frequentam o «Ponte Europa», convém lembrar-lhes que a coligação PSD/CDS/PPM teve 44, 78% dos votos dos eleitores.

Adicionando 1% do MRPP, cada vez mais um agente da direita, não atingem os 46%, quando em 2001 só a coligação obteve 50,80%, tendo perdido 6% do eleitorado.

Respeitamos os resultados e a eleição de Carlos Encarnação que democraticamente felicitamos, mas não deixamos que a maioria municipal seja transformada em maioria sociológica do concelho de Coimbra.

No rescaldo das Autárquicas/2005


Antes a perda das eleições do que a do País. É preferível viabilizar Portugal a assegurar vitórias eleitorais.

Vitória eleitoral até Durão Barroso teve, de braço dado com a pior das companhias – Paulo Portas. E foi com essa vitória que surgiu a recessão, ajudada, é certo, pela crise internacional; que o desemprego se descontrolou; que o desânimo invadiu Portugal enquanto a credibilidade externa se diluía numa deriva atlantista de contornos belicistas, irresponsável e subserviente à actual administração republicana dos EUA.

Do pelotão da frente, no avanço e aprofundamento da União Europeia, passámos para a retaguarda. Fomos cúmplices na invasão do Iraque que – sabemo-lo agora, pela BBC –, resultou da conversa de Deus com Bush e da obediência deste aos desígnios divinos.

O PSD tem hoje a liderá-lo um democrata europeísta – Marques Mendes. É a direita de rosto humano, com sentido de Estado. Não há, pois, receio de que Portugal se converta na Madeira cujo autocrata vitalício transformou numa ilha politicamente monocolor e democraticamente asfixiante.

Até o CDS, que alberga a franja mais reaccionária e troglodita do eleitorado português, é dirigido por um líder civilizado e europeu.

Assim, sejam quais forem as vicissitudes dos próximos actos eleitorais, não é o regresso ao autoritarismo que se vislumbra, nem a reprodução do polvo madeirense nos ameaça.

Agora é o momento de o PSD dizer como pensa corrigir défices orçamentais e a quem pretende fazer pagar a crise.

O aperto do cinto está apenas no princípio e os produtos petrolíferos não regressam aos preços do passado. Os sacrifícios que nos esperam não auguram tempos fáceis para o Governo. Apenas espero que não tenha a tentação de fazer pagar aos mais fracos o ónus que a herança recebida e a conjuntura que persiste nos obrigarão a pagar.

domingo, outubro 09, 2005

Eleições autárquicas/2005

Não interessa descobrir motivos ou inventar desculpas.

O PS perdeu, pela segunda vez consecutiva, as eleições municipais.

O PCP e, especialmente o PSD, ganharam. Estão ambos de parabéns.

O Bloco de Esquerda apenas aumentou um vereador, em Lisboa, ao município que reconquistou, um magro resultado para uma campanha viva e empenhada.

O CDS é, cada vez mais, um satélite do PSD e o PPM uma mera associação fadista e marialva.

Post scriptum – A derrota de Avelino Ferreira Torres – o único autarca do grupo dos marginais, com condenação efectiva – é uma esperança que renasce para quem acredita na superioridade moral da democracia.

sábado, outubro 08, 2005

CAMARADAS do BCAÇ. 1936

Podem repetir-se, na liturgia destas reuniões, as palavras; esgotar-se as ideias; fenecer a imaginação, mas revigoram-se os afectos no calor de cada novo encontro e fortalecem-se os laços em cada celebração que se renova.

Regressamos sempre. Todos os anos. Os mordomos repetem-se – o Torres e o Barros – inexcedíveis na dedicação e no entusiasmo com que preparam estes almoços, militantes exemplares do nosso congresso anual. Repetem-se os oficiantes destas homilias breves sem as quais não ficariam suficientemente sublinhados os motivos do encontro.

Mas hoje falta-nos o Freire, ele que esteve sempre na preparação dos anteriores encontros. Esta ausência dói-nos. O Freire deixou-nos, apanhado na picada da vida por uma emboscada fatal.

Não é preciso dizer o que sentimos. Sem ele, sem qualquer um de nós, ficam mais pobres estes encontros. Mas sem ele, sem qualquer um de nós, sem muitos de nós, cumpriremos a vontade do Freire com os que puderem vir, mesmo quando já formos poucos, até os últimos serem. Hoje e sempre, nos anos que ainda houver.

Reunimo-nos sem os que foram para Malapísia e Catur e não regressaram, vítimas da guerra injusta e inútil que os consumiu. E sem os que vieram e já saltaram da viatura da vida nas curvas do caminho. Uns e outros recordamos comovidamente. E os que não puderam vir.

Camaradas, conhecemo-nos da pior maneira, no pior dos sítios. Como é possível termos tão boas recordações e laços tão profundos?

– Fomos a única família que então tivemos, 26 meses. E a amizade que nasceu em cativeiro é protegida pelo arame farpado da memória. É uma granada defensiva que explode todos os anos, em estilhaços de alegria, sempre em local diferente.

Trinta e seis anos passaram já desde o regresso. Cada um trouxe a sua guerra. Hoje, todos queremos a paz. Não nos envergonhamos do tempo que perdemos a atrasar a história e a dificultar o futuro de Moçambique. Isso foi culpa da ditadura que numa manhã de Abril começou a ser julgada.

Um dos melhores homens que conhecemos – o Ti Luís Machambeiro, saudoso coronel Luís Vilela que comovidamente evoco – foi o comandante que nos coube. Foi também dos mais corajosos e dignos, comandante de um batalhão onde a brutalidade e as sevícias não eram permitidas. Do seu exemplo e da sua postura temos o direito de nos orgulharmos. Poupou-nos então a desonra e evita-nos hoje o remorso. O major Artur Beirão que a democracia justamente fez general é herdeiro legítimo que queremos saudar por muitos anos ainda.

Repito palavras que há quatro anos escrevi: «Do navio que a todos nos levou para Moçambique, para trazer alguns menos dos que fomos na viagem penosamente longa do regresso, desse navio (...) – Vera Cruz – (...) resta uma memória sofrida. Dele apenas ficaram estas amarras que ainda hoje nos ligam, amarras que o medo e a revolta robusteceram, que resistem aos temporais da vida porque são fortes os laços e é firme o cais da fraternidade a que se prendem».

Meus caros camaradas e amigos, saúdo fraternalmente as famílias de cada um de vós que este ano se juntaram à família que nós somos na cadeia de afectos que não deixaremos quebrar.

Uma rajada de abraços.

Caldas da Rainha, 8 de Outubro de 2005

Nota: Palavras hoje proferidas, no almoço anual, aos sobreviventes da guerra colonial, do BCAÇ. 1936.

Viagem ao Brasil

Rio de Janeiro
Um poeta brasileiro definiu os compatriotas como portugueses à solta. Eça, com ternura, escreveu n’As Farpas: «O Brasileiro é o Português – dilatado pelo calor». É esse português que vale a pena conhecer enquanto se aproveita o calor e descobre o país que lhe serve de habitat.

Há cerca de uma década e meia passei dez dias no Rio e fiquei fascinado. Jurei que voltava, promessa de que me desobrigaria nas férias do ano 2000, em Setembro, alargando a visita a outras paragens.

Visitar o Brasil não é um ritual que se cumpre ou a folha que se rasga no calendário das viagens. É um encontro com a história, um sonho de que se acorda num país imenso, uma viagem aos afectos da nossa memória.

Para lá do mar, da areia, das ondas e da sua espuma, está um povo de braços abertos aos nossos abraços.

Em Salvador estão os meninos pobres de olhos doces, capitães da areia a ver o Quincas ou o Quincas Berro de Água a sair a barra em seu saveiro ou a aguardar Vasco Moscoso de Aragão – Capitão de longo curso – para afogar-se em álcool, nos botequins, em noite de tempestade.

Em Salvador viveu Jorge Amado do carinho de Zélia, seu elixir, vivem deuses, muitos deuses, trazidos pelo mar, sempre pelo mar, pelo mar do imaginário negro onde habitam. Jorge Amado há-de continuar a viver enquanto as cinzas andarem por ali. Dos livros, dos muitos livros que escreveu, saltam personagens que viram nomes de ruas, largos, galerias, restaurantes, lanchonetes e churrascarias.

Em cada esquina há um templo, em cada baiano um crente radical, em cada criança um rosto onde espreita a fome, rostos onde brilham olhos de lágrimas secas pelo sofrimento.
E há a cor, a imensa cor, que do céu, da areia e do mar salta para as telas em tons de amarelo pela mão de numerosos pintores que pululam em Salvador.

Natal e Fortaleza são outros portos onde se amarram as âncoras das recordações, mercados onde se sacia a febre das compras, pontos de partida para ilhas tropicais, sítios de chegada de extenuantes caminhadas.

E há os buggys em viagens radicais pelas dunas dos nossos medos, jangadas de tracção humana a fazer a ponte entre duas margens, ilhas tropicais na exuberância da sua flora, os lagos e as praias de águas mornas de tantas e variegadas cores e areias cálidas de tantos tons, e as gentes, as gentes afáveis que se pelam por um papo.

Ficam na memória os olhos meigos dos meninos de Salvador e o humor, num país cuja gente tem todos os nossos defeitos acrescidos de outros por conta própria ou geração expontânea.

E no Rio de Janeiro lá aguardam, entre mar e vegetação luxuriante, Copacabana, Leblon, Tijuca, o Pão de Açúcar à espera do medo e vertigem dos veraneantes, o Corcovado, o Jardim Botânico, enfim, a cidade mais maravilhosa do mundo, ferida pelas favelas da Rossinha, Pavão Pavãozinho, Canta Galo e tantas, tantas outras, que sobem ao cume de montes e chegam ao céu.

Não sei se foi macumba ou sortilégio que me levou pela segunda vez ao Rio. Sei que gostava de voltar outra vez ainda. Já no último dia, pouco antes de entrar no avião onde me aguardava um comandante com alma de poeta e convicção de pastor evangélico, com duas homilias preparadas, uma para a recepção e outra para a despedida, visitei a catedral, paradigma duma certa modernidade do Brasil.

Encontrei um pedido carregado de fé que um devoto depositou junto à imagem da Senhora da Aparecida – verdadeira metáfora de brasileiro padrão. Transcrevo-a com o respeito devido, em letras maiúsculas, como o fazia o texto:

“EU UBIRAJARA DA CONCEIÇÃO ESTO PRESIZANDO DE UMA COMPAEIRA PARA ME DAR AMOR E FAZER, UMA JOVEM MULER SEM COMPROMISO QUE TENHA CASA.”

Por desespero, ou por não se fiar na Virgem, dirigiu a S. Sebastião igual pedido, com a solicitação suplementar de um emprego. Os pedidos estavam bem à vista, sob os olhos dos ícones que não poderiam alegar desconhecimento, a menos que se refugiassem em pretextos ortográficos.

Quem sabe se os pedidos que o céu não tinha escutado já começaram a ser atendidos por ouvidos mais terrenos no país de Lula. Quem sabe.

sexta-feira, outubro 07, 2005

Democracia à moda da Madeira

Do «Causa Nossa» e da autoria de Vital Moreira, transcrevo, com o mesmo título:

«Alguns dias depois de ameaçar dar um "pontapé no traseiro" de Jorge Coelho, [Alberto João] Jardim, num comício anteontem realizado em São Martinho, admitiu que iria escandalizar os "fariseus da política" ao felicitar o candidato do PSD e presidente da junta daquela freguesia pela agressão a candidatos do PS:

"Parabéns, Pimenta, pelo castigo infligido aos que vieram provocar o povo."» (Público de hoje).

Isto passa-se em Portugal. Ao pé disto, Ferreira Torres é um modelo de virtudes cívicas...

Eleições autárquicas/2005


Após a mais desinteressante campanha de que me recordo, com o ruído a sobrepor-se à divulgação de propostas e os insultos a substituírem as ideias, termina hoje o combate autárquico, para reflexão.

O Ponte Europa não publicará, desde a meia-noite de hoje até ao fecho das urnas, no domingo, qualquer texto relacionado com as eleições. É uma questão de postura cívica, não é o risco de influenciar quem quer que seja com visitas que pouco ultrapassam as quatro mil mensais.

Apesar de todos os partidos poderem cantar vitória, como já vem sendo hábito, invertendo no espaço mediático a contabilidade das urnas, há questões que ficam em aberto:

1 – Uma derrota pesada do PS terá como consequência o aumento da conflitualidade e instabilidade social, aumentando as dificuldades de governação;

2 – Uma vitória dos 4 candidatos «independentes», e pouco recomendáveis, é uma derrota para a democracia e, nos casos de Isaltino e Valentim Loureiro, um risco para a liderança de Marques Mendes;

3 – Os resultados do BE e do PCP podem acentuar ou travar a aproximação entre ambos com reflexos a curto prazo na aceleração da tendência.

4 – Da Madeira, um território com inegável défice democrático, podem vir sinais de emancipação de um poder autoritário ou permanecer à margem de uma sã vivência democrática.

Finalmente espero que a esquerda, no seu conjunto, continue a ser maioritária no país, dada a radicalização da direita, o ressentimento e o desejo de retaliação que tem manifestado.

quinta-feira, outubro 06, 2005

Más notícias para A. J. Jardim


«A Madeira aparece cada vez mais como um local de branqueamento de capitais»

(Renaud Van Ruymbeke, magistrado francês perito no combate à corrupção, in VISÃO - EM FOCO, hoje)

Daily briefing

Donald Rumsfeld is giving the President his daily briefing.

He concludes by saying:

- "Yesterday, three Brazilian soldiers were killed."

- "OH NO!" the President exclaims. "That's terrible!"

His staff sits stunned at this display of emotion, nervously watching as the President sits, head in hands.Finally, president looks up and asks:

"How many is a brazillion?"

«O DESENCANTO DA ESPERANÇA»


Excertos de artigo da autoria do eurodeputado Fausto Correia, a publicar a
6 de Outubro no Diário de Coimbra


"No próximo domingo, votarei no PS e no Dr. Victor Baptista. Com razões acrescidas e ora explicitadas.

Revejo-me no seu estilo: sério, transparente, inovador, realista, competente, conhecedor, autêntico, cumpridor, esforçado, respeitador, atento e empreendedor".

"A campanha eleitoral prestes a findar revelou apenas um candidato com ideias novas e motivado para assumir a presidência da Câmara Municipal.

Querer é poder. Para fazer o muito que falta, Victor Baptista quer mesmo ser o líder da regeneração coimbrã. E querer é, outrossim, meio caminho andado para o sucesso".

"Chegados aqui, é necessário e urgente constatar que a situação chegou a níveis nunca antes atingidos. Não há ideias, não há rumo, não há norte.

Reina a frustração e a indiferença, abunda a falta de auto-estima e a descrença no futuro.

O quadro equivale ao DESENCANTO DA ESPERANÇA".

Autárquicas - Coimbra


Bloco de Esquerda denuncia ligações perigosas em Coimbra.

Não estando em causa a honestidade pessoal de Carlos Encarnação, o silêncio sobre «o triângulo imobiliário, futebol, câmara» de que fala o BE, torna-se insuportável para os eleitores que exigem transparência e para os eleitos que devem prestar contas.

Autárquicas - Madeira


Os carros são as vítimas, por enquanto. Foi destruído um segundo automóvel, de um cidadão que integra uma lista do PS.

Quando a violência verbal do tirano autóctone ameaça dar um «pontapé no traseiro» de Jorge Coelho e cortar verbas a Câmaras que passem para a Oposição, tudo é possível.

O exemplo de um demagogo, populista e anacrónico autocrata de mau fundo transforma a Madeira num sítio mal frequentado e no pântano da democracia.

Autárquicas/2005


Sempre que pensamos que não pode descer-se mais baixo, ainda não vimos tudo.

Autárquicas - Coimbra


Quatro anos depois.

Autárquicas - Coimbra


Há quatro anos.

quarta-feira, outubro 05, 2005

Comunicação social boicota campanha!

Há que denunciar: a comunicação social da nossa cidade de Coimbra boicotou ostensivamente o esforço de campanha que a lista do PS para a Junta de Freguesia da Sé Nova, liderada pela Senhora Dr.a Arménia Coimbra, realizou.
Visitámos muitas instituições da freguesia. Instituições como o A.C.M., o Ateneu, várias Instituições Particulares de Solidariedade Social, Escolas, etc.
Demos disso sempre conhecimento à imprensa.
A Dr.a Arménia Coimbra escreveu textos de interesse para o público. Nada. Nunca. Absolutamente nada, nem uma linha sobre a nossa campanha!

Há uma evidente promiscuidade entre os órgãos de imprensa da cidade, grupos económicos e determinadas forças políticas que dominam a cidade.
Que gerem a cidade em favor de projectos imobiliários e conluíos de investimentos. Em nome de quê? Da República?

Mesmo no espaço da esquerda há uma pequeno grupo de camaradas e companheiros que têm acesso aos mass media, mas a maioria não tem voz.

Fizémos e continuamos a fazer uma campanha digna, apresentando propostas e apresentando uma lista de candidatos de pessoas que deram mostra de saber servir o interesse público e melhorar as condições de vida da freguesia da Sé Nova.

Está a ser uma experiência enriquecedora. Mas fica esta mágoa: a imprensa não quis publicar nem uma linha do que tinhamos a dizer.
Pior ainda, a imprensa nunca esteve presente por um momento sequer.

Sei que a Sé Nova apenas tem cerca de 8.000 eleitores. Não é aqui que se decidirá a eleição. Todavia, é nesta área que se decide o futuro de Coimbra: estamos no coração da cidade. Somos a freguesia mais urbana, mais histórica e mais turística e com mais instituições culturais. Da Praça da República à Av. Afonso Henriques, da Alta à Rua do Brasil; da Sá da Bandeira ao Penedo da Saudade.

Dia 9 de Outubro votem na Dr.a Arménia Coimbra, no Sr. Graciano, em mim e nos restantes camaradas da lista. Votem PS!


Neste dia da República é preciso lembrar que viver a res publica significa dar voz a todos os cidadãos!

André Pereira

Viva a República


Viva o 5 de Outubro


Fizeram mais pela liberdade os portugueses, num só dia, do que a família de Bragança em dois séculos e meio.

terça-feira, outubro 04, 2005

Outra citação

Alberto João Jardim

«A boçalidade jardinista não tem limites. Dá instruções a um jornal sobre o que deve publicar, insulta seja quem for que o critique. É um verdadeiro entorse no regime democrático».

Eduardo Dâmaso in SOBEEDESCE Diário de Notícias, hoje.

Se fosse do PS já se teria pedido a demissão do secretário-geral por não o meter na ordem.

Citação

«Em 31 anos de democracia mudaram os Governos, mudaram os Presidentes da República. Parece que só não muda o presidente da Câmara de Braga».

(Marques Mendes (PSD) in VOZ DOS LÍDERES – Diário as Beiras, hoje).

Nem o presidente da Região Autónoma da Madeira. (Blog Ponte Europa)

segunda-feira, outubro 03, 2005

Não deixamos que nos apaguem a memória!

Por solicitação, divulgamos o apelo que se segue.
Um abraço amigo do
Vasco Lourenço

«Dia 5 de Outubro (quarta-feira, feriado) frente à antiga sede da PIDE em Lisboa (Rua António Maria Cardoso) às 14:00 em ponto não vamos permitir que nos apaguem a memória!

Não faltes e divulga.

Não deixamos que nos apaguem a memória!Há 60 anos atrás foi criada a polícia política do Estado Novo. A Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) tinha como principais competências proceder à instrução preparatória dos processos respeitantes a crimes contra a segurança do Estado, sugerir a aplicação de medidas de segurança e definir o regime de prisão preventiva e liberdade provisória dos arguidos.

Durante anos a sua sede funcionou nos nº 30 a 36 da Rua António Maria Cardoso, em Lisboa.

Após o 25 de Abril de 1974 este edifício foi votado ao abandono, sem que houvesse qualquer interesse em fazer ali nascer um local onde a memória dos dias e noites de torturas de milhares de portugueses e portuguesas pudesse ser preservada.

Hoje, um grupo privado pretende fazer da antiga sede da PIDE um condomínio privado de luxo. Que dizem sobre isto os candidatos à autarquia lisboeta? Que futuro defendem para aquele espaço?

Para nós a memória dos dias escuros, os assassinatos, as torturas e os gritos não podem ser apagados. Por isso defendemos que naquele edifício deve existir um museu que ao mesmo tempo possibilite a preservação da História e a sua investigação.

Ao contrário de muitos exemplos, em Portugal não se valoriza a preservação da memória colectiva. Não dedicamos à nossa história, particularmente à do Séc. XX, o estudo e a divulgação que se exigem. O que pensa o Governo sobre a preservação da nossa memória colectiva? Que dizem os anunciados candidatos à Presidência da República?

Exigimos pois, a criação de um espaço que dignifique a luta pela liberdade, que possibilite a investigação histórica sobre o Estado Novo e que preserve a nossa História. »

Nota: É com gosto e solidariedade que o «Ponte Europa» se associa à solicitação.

Homo homini lupus

«O homem é o lobo do homem» mas alguém tem de pôr ordem na alcateia. A força com que alguns defendem o que lhes sobra só é comparável com a debilidade de muitos em conseguir o que lhes falta.

A democracia, oferecida por um grupo de militares, logo afastados e prejudicados nas suas carreiras, cedo foi confiscada pelas classes que, já na ditadura, eram privilegiadas. Os frutos do crescimento económico foram confiscados por corporações profissionais enquanto o fosso entre os ordenados maiores e os menores não parou de acentuar-se.

É frágil a democracia que não tem em conta os aspectos económicos e sociais. De pouco vale a quem perde o emprego, vive inseguro ou vê vedado o acesso ao mercado do trabalho.

Nunca o egoísmo atingiu um grau tão elevado nem a insensibilidade social chegou tão longe. Através das Ordens, tumores corporativos que pululam como cogumelos, há classes que se atrevem a definir como, quando e quem pode entrar.

Os privilegiados não abdicam de regalias, tantas vezes imorais e obscenas, quando o erário público não comporta os compromissos assumidos. Os direitos adquiridos são respeitáveis mas também a vida é um desses direitos e caduca sem aviso prévio.

Após as greves dos poderosos, virão desempregados, trabalhadores sazonais e jovens à procura do primeiro emprego a exigir, desesperados, a inclusão e a ameaçar a opulência, a segurança e a arrogância dos que se repoltreiam à farta na débil mesa do orçamento. Estes, refractários à solidariedade, só à força aceitarão a justiça social.

domingo, outubro 02, 2005

Péssimo apoio a Cavaco

Alberto João Jardim apoia Cavaco Silva, se este avançar com a candidatura a Presidente da República, avisou ontem o presidente do Governo Regional e líder do PSD/Madeira.

Com esta declaração reagia à hipótese da eventual candidatura de Paulo Portas, hipótese com fortes simpatias no CDS/PP, defendida pelo ex-ministro Telmo Correia e vista com benevolência nas destroçadas hostes de Santana Lopes.

A notícia não favorece a eventual candidatura de Cavaco Silva dada a fraca cotação democrática do apoiante e a manipulação política que pratica no «Jornal da Madeira», um órgão do Governo Geral e da diocese ao serviço dos interesses do sátrapa autóctone.

Desconhecidas as razões e o oportunismo desta tardia adesão de Jardim ao cavaquismo, não é legítimo beliscar Cavaco pela truculência, má-criação e falta de sentido de Estado da criatura cujo apoio o antigo primeiro-ministro jamais solicitaria.

Aliás, Jardim é a consequência da leviandade e incúria dos Governos da República e da irresponsabilidade dos partidos políticos que não previram o problema em que a criatura e a Madeira se transformaram.

Espaço dos leitores

Façam favor de servir-se.

Citação

Portugal tem, entre os 25 países da UE, o mais alto nível de despesas públicas por habitante com os tribunais (em percentagem do salário bruto médio do país) e 3,5 vezes o número de juizes do Reino Unido (relativamente à população).

(Teodora Cardoso, economista – Expresso Economia & Internacional, pg. 8, 1-10-2005)

sábado, outubro 01, 2005

Sondagens para todos os gostos

Eleições legislativas segundo estudo Eurosondagem SIC/Expresso/RR

Se hoje tivesse havido eleições legislativas o PS continuaria a ser o maior partido.

Legislativas/Projecção (%)

PS ....................................................... 42,4%

PSD ..................................................... 33,0%

CDU ....................................................... 7,9%

CDS/PP ..............................................7%

Outro Partido/Branco/Nulo ..... 4,1%

Autárquicas - Madeira


«Temos de ganhar todas as câmaras para que o inimigo não entre dentro desta fortaleza, temos de ganhar todas as câmaras para que o adversário não possa, no território da Madeira, nos meter facas nas costas».

(Alberto João Jardim (PSD/Madeira) in «Voz dos líderes», pg.8 - Diário as Beiras, hoje).

«O carro do candidato do PS à Câmara de S. Vicente ardeu durante a madrugada de 5.ª para 6.ª-feira. Temendo os efeitos do caso, Alberto João Jardim solicitou a «urgente intervenção da Judiciária» para «evitar qualquer exploração eleitoralista e suspeita do facto». As investigações preliminares apontam para crime.

(Expresso, 1.ª página, hoje)