sábado, dezembro 31, 2005

Notas Soltas - Dezembro/2005

EUA – A detenção de presumíveis terroristas, em locais secretos, sujeitos a actos de tortura, designados por «métodos inovadores», é um ultraje aos princípios do Estado de direito e à civilização de que nos reclamamos.

George W. Bush – No dia da milésima execução nos EUA desde a restauração da pena capital, em 1976, declarou que «apoia firmemente» a pena de morte. É coerente com a teoria da guerra preventiva e as suas convicções religiosas.

Venezuela – O populismo, mesmo de esquerda, é um caminho demagógico em direcção ao autoritarismo e à restrição das liberdades. O ódio a Bush e a vitória eleitoral não bastam para fazer de Hugo Chavez um democrata.

Irão – A sugestão do Presidente Mahmud Ahmadinejad de transferir Israel para a Europa e a negação do holocausto confirmam o ódio, o racismo e a xenofobia de que o fascismo islâmico está imbuído.

França – No dia 9 comemorou-se o 1.º centenário da lei da separação da Igreja e do Estado, que garante a liberdade religiosa e impede o Estado de reconhecer, remunerar ou subvencionar qualquer culto. É o melhor paradigma de um Estado laico.

Tony Blair – O Reino Unido é o grande obstáculo à desejada integração social da Europa. Blair talvez seja o mais europeu dos britânicos mas é também o mais americano dos europeus.

Angela Merkel – A nova chancelerina alemã revelou enorme determinação e deve-se-lhe, em boa parte, a ausência de um fracasso do orçamento comunitário. Talvez a temida ultraliberal se revele uma estadista com a dimensão de Helmut Koll.

Orçamento comunitário – A vitória da diplomacia portuguesa na obtenção de fundos não esconde o débil interesse da União Europeia na coesão social. Ainda não foi superado o rude golpe do «Não» francês e holandês ao respectivo tratado.

TGV – Os adversários das linhas Lisboa/Madrid e Lisboa/Porto são os mesmos que aprovaram cinco, três sem racionalidade económica, assinadas por Durão Barroso e Aznar.

Chile – A vitória na primeira volta das eleições presidenciais de uma mulher, de esquerda, mãe solteira, divorciada, ateia e filha de um general assassinado pelo Governo de Pinochet, foi uma afronta para os saudosistas de Pinochet.

Iraque – A invasão sem “casus belli” não foi acção humanitária, foi ingerência imperial. A participação maciça no processo eleitoral não traz a solução nem legitima a invasão que dificulta agora a contenção da teocracia iraniana. Mas é um passo positivo.

América Latina – Em 2006 define-se o mapa político onde se digladiam a opção tranquila e moderada de Lula – pesem embora os escândalos –, e a populista e agressiva de Chavez, cada vez mais popular, contra forças abertamente reaccionárias.

Condolezza Rice – A pia secretária de Estado critica a fuga de informações sobre escutas e torturas mas cala-se perante a ilegalidade de Bush que decidiu os actos que comprometem a democracia e ferem a civilização.

Israel – O precário estado de saúde do primeiro-ministro Ariel Sharon, um líder convertido à diplomacia, é um factor de fragilidade acrescida no complexo processo de paz que as divergências israelo-árabes sistematicamente comprometem.

Espanha – Nem a crispação atiçada por forças reaccionárias conseguiu desviar Zapatero das reformas, algumas de cunho francamente inovador, com as contas públicas a registarem saldo positivo (1%) e um crescimento económico a rondar os 3,5%.

Ecologia – Um ano após a tragédia do maremoto asiático é tempo de as grandes potências reverem o modelo económico que aumenta a frequência e dimensão de catástrofes e põe em causa o futuro do Planeta.

Jorge Sampaio – Cidadão e democrata exemplar, prestes a terminar uma década como presidente da República, é justo reconhecer-lhe a isenção e postura de Estado bem como a cultura, inteligência e patriotismo com que prestigiou Portugal.

António Guterres – O ex-primeiro-ministro, cujo primeiro mandato foi o melhor da nossa história recente, foi escolhido como personalidade portuguesa do ano pela Ass. da Imprensa Estrangeira em Portugal num acto de apreço pelo Alto Comissário da ONU para os Refugiados.

Ásia – A China e o Japão têm manifestado uma crescente animosidade recíproca que se torna inquietante face ao poderio económico e às rivalidades históricas das duas grandes potências.

Eleições presidenciais – Nunca tantos se expuseram tanto na pré-campanha. Os grandes grupos económicos, e a comunicação social que controlam, conduzem o processo eleitoral que, até à data, tem sido o mais desinteressante de sempre.

aesperanca@mail.telepac.pt

Coimbra – pelouro da cultura



« (...)

Há páginas escritas, por vezes, confusas, em parte, plagiadas, com redacção a arrepiar e dirigidas a mentes em formação (as crianças) que, até os adultos têm dificuldade em entender. Atenção, que a capa e a ilustração a cores são, apenas, o invólucro."

“Livros de qualidade e obras medíocres” em “A cultura no espaço e no tempo” — Diário de Coimbra, 17 de Abril de 2005».

posted by mndixit at 4/17/2005 05:59:00 PM


Fonte: mario nunes dixit

Pinochet perdeu a imunidade


O ex-ditador chileno Augusto Pinochet perdeu esta semana o recurso no Supremo Tribunal e enfrenta várias acusações na sequência do desaparecimento de 119 membros de um grupo da oposição durante o seu regime.

De 1973 a 1990, entre o golpe sangrento com que derrubou o Governo legal e o seu afastamento do poder, Pinochet foi responsável pela morte e «desaparecimento» de mais de 3.000 pessoas.

Depois da descoberta de contas secretas nos EUA, com vultuosas quantias obtidas de forma fraudulenta, num valor superior a 24 milhões de euros, o velho déspota conhece o opróbrio e a prisão.

Longe vão os tempos em que ele afirmava que no Chile nem uma folha se mexia sem o seu conhecimento.

Quando João Paulo II visitou o Chile considerou o pio general e a Esposa como um casal católico modelo. Apenas lhe notou a devoção, não lhe perscrutou a crueldade.

Pinochet acaba de perder a imunidade e a impumidade.

Fonte: Diário de Notícias, hoje.

Um filme a não perder



O Fiel Jardineiro (The Constant Gardener, 2005), de Fernando Meirelles, com uma extraordinária actuação de Ralph Fiennes (mais uma!) e de Rachel Weisz, é um filme completo.

Uma fotografia de África e de algumas cidades europeias de primeiro nível, um enredo denso e de grande ‘suspense’ e um tema cruel e nobre: a exploração das pessoas de África como cobaias da grande indústria farmacêutica.

O retrato de um mundo cão, onde a corrupção, o vil poder e a brutal desumanidade se sobrepõem ao respeito pela iminente dignidade da pessoa humana, de toda a pessoa humana, incluindo a criança com SIDA de um bairro da lata de Nairobi, ou o velho doente do deserto do Sudão.

Um filme completo, porque transmite fortes sensações dentro da sala de cinema, graças à música, à fotografia, ao drama, à qualidade da realização e da articulação do enredo, sensações, emoções e pensamentos que perduram para lá daquele momento e que mobilizam o espectador para a consciência da radical desigualdade e da miserável estrutura económica mundial que este capitalismo tem desenvolvido.

E, para além do mais, é sobretudo uma magnífica história de amor.

Fernando Meirelles é um realizador brasileiro que se destacou na cinematografia mundial, tendo assinado o “terrível” filme “Cidade de Deus” que o trouxe para as luzes da ribalta.

sexta-feira, dezembro 30, 2005

Eleições presidenciais

A acrescentar aos cinco candidatos conhecidos juntou-se o inevitável Garcia Pereira que, nem por isso, merecia a discriminação de que foi alvo na comunicação social.

Está ainda, dependente de recurso, a candidatura de Manuela Magno que tinha prevista uma comunicação para as 15H30 de hoje.

Áustria retira cartazes


A campanha artística que assinala o início da próxima presidência austríaca da União Europeia escandalizou vários europeus, tendo dois cartazes sido retirados.

Um, do espanhol Carlos Aires, mostrava três pessoas nuas com máscaras de Bush, Chirac e da rainha de Inglaterra, simulando um acto sexual. Talvez a animosidade aos dois primeiros tenha agravado a aversão ao cartaz.

O segundo (na foto, em cima) é do artista francês Gustave Coubet. Não se sabe o que terá escandalizado mais os pudicos austríacos, se a beleza do modelo, o fino corte da «lingerie» ou a localização da bandeira europeia.

Adenda: A imagem referida é de Tanja Ostojic, sem título, e inspirada, isso sim, em Gustave Courbet, «L´origine du monde», pintura em óleo sobre tela, 1866. Pode ser apreciado no Musée d´Orsay e foi reproduzida no blog Esquerda Republicana.

2005: um ano mau

O ano que agora termina foi um ano difícil.
Até Cândido, personagem criada por Voltaire, teria que dar razão ao seu amigo Martin perante as agruras e misérias a que assistimos neste ano.

Começando pelos factores naturais, desde o “Tsunami” que arrasou tantos países no sul da Ásia, e com o qual entrámos em 2005, ao terrível terramoto no Paquistão, passando pelos incríveis tornados no sul dos Estados Unidos.
Em Portugal, apenas nos podemos queixar da seca.
Mas estas dificuldades demonstraram um grande sentido de solidariedade à escala global. A cidadania global viveu aqui mais uma prova de maturidade e fortaleceu-se. Devo dizer, porém, que me parece que se deu muito mais atenção às costas das praias asiáticas onde europeus e americanos passam as suas férias e onde morreram aos milhares, do que os vales e encostas das montanhas do Paquistão onde anónimos morreram de frio e de fome.

No plano político-militar, o Iraque continua a representar uma tragédia. Por vezes contrabalançada por actos eleitorais participados e aparentemente democráticos, mas aquele país tornou-se verdadeiramente numa “escola de terroristas” que levam a cabo as mais terríveis chacinas nas ruas de Bagdade e outras cidades, tendo chegado outra vez à nossa Europa, a Londres. Bush está cada vez mais isolado e apresenta pouca imaginação e capacidade de resolver verdadeiramente o problema que criou.

Entretanto, no extremo Oriente, as declarações de inimizade vão subindo de tom. Já não é só o problema do perturbador e inquietante regime autocrático e absurdo da Coreia do Norte; são as duas grandes potências, a China e o Japão, que encenam actos e manifestações de desagrado. É bom que essa escalada verbal termine. E termine já!

O projecto europeu, por tantos em todo o mundo visto como um farol de esperança, como uma organização regional de paz e amizade, de cooperação e desenvolvimento económico-social e cultural, capaz de servir de referência num mundo em desequilíbrio, esse projecto da Europa deu um grande tiro no pé. O não francês e holandês, as hesitações dos líderes (?) europeus constituem um revés no optimismo que o projecto de ratificação acalentava, e que é bem evidente no livro de Jeremy Rifkin “The European Dream”.

No plano nacional, valha a milhões de portugueses a vitória do Benfica. E valha à República o bom Governo que os portugueses exigiram em Fevereiro.
Foi um ano intenso de actividade política. Legislativas, autárquicas e agora Presidenciais, com ameaças de dois referendos pelo meio.
Um ano em que os portugueses souberam realizar as suas escolhas democráticas, em que se revelou que o sistema de partidos, com todos os vícios que possa ter e que devem ser corrigidos, desempenhou um papel importante de mobilização, de organização das correntes ideológico-sociais e de concretização do projecto democrático.

Sou um optimista e por isso devo afirmar que apesar de todas as dificuldades, o espírito humano evoluiu. Até Bush tem agora outro respeito pelas Nações Unidas. O conflito entre a Índia e o Paquistão parece um pouco mais distendido. Israel libertou, em segurança, a Faixa de Gaza. Os Balcãs continuam o processo lento de cicatrização das feridas de uma década de guerras. A Europa, apesar do passo atrás, está a ganhar balanço para dar dois à frente e reassumir o seu projecto de paz, amizade e prosperidade.

Feliz 2006!

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Benefícios das empresas municipais



Nota: O aumento de 12,5% é extensivo à taxa de saneamento.

Um país à espera de D. Sebastião


(Um mago em Belém - Cartoon de Zé Dalmeida)

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Coimbra – Abaixo a cultura

Face ao «ataque cerrado» à actividade cultural perpetrado pela Câmara Municipal de Coimbra, o «Ponte Europa» associa-se às forças vivas da cidade que repudiam tal atitude.

O «Ponte Europa» solidariza-se com os professores, investigadores, gestores culturais, artistas, sindicalistas e advogados que ontem apresentaram um manifesto no Teatro Académico Gil Vicente onde alertaram para a «arrogância, falta de visão estratégica e provincianismo» deste Executivo camarário.

A Câmara presidida pelo Dr. Carlos Encarnação tem na Cultura um vereador à medida.

Não se pode pedir a Mário Nunes que tenha a visão estratégica e o amor à cultura que era apanágio de Teresa Portugal, mas Coimbra merecia, pelo menos nesse pelouro, alguém com densidade cultural.

A C.M.C., quando ouve falar de cultura, apetece-lhe puxar da pistola. É por isso que o pelouro está mais próximo do general Millán Astray do que de Miguel de Unamuno.

Não tardará a ouvir-se «abaixo a inteligência». Ao menos que não se oiça «Viva la muerte».

A idade de Soares

De todos os quadrantes políticos, de todos os estratos sociais, mas sobretudo dos mais velhos (de espírito), o argumento da idade é atirado como uma lança venenosa e mórbida que pretende matar a discussão sem sequer a encetar.
Importante não é a idade, é a saúde e a vitalidade!

Apenas fica um dado curioso: o General Norton de Matos quando se candidatou em 1948 à Presidência da República tinha também 81 anos. (vide http://pt.wikipedia.org/wiki/Norton_de_Matos)
E se essas eleições tivessem sido justas, como teria sido diferente o rumo do país no pós-guerra…

E que interessante ver que Mário Soares era já em 1948 o Secretário Geral dos Serviços da Candidatura do General Norton de Matos.

Veja aqui.

terça-feira, dezembro 27, 2005

A melhor prenda de Natal

“O que falta dizer: Pensamentos e Histórias de uma vida Política”, o último livro assinado por Mário Soares e três jovens jornalistas (Anabela Mota Ribeiro, Elsa Páscoa e Maria Jorge Costa), consiste numa longa entrevista na qual Soares explica aspectos da sua biografia, do seu pensamento e da sua acção passada, presente e futura.

É marcante o optimismo que o caracteriza. A crença no “progresso moral da humanidade” e no desenvolvimento e melhoria das condições de existência humana.

É um relato de um espírito combativo, corajoso que sempre se bateu por ideais e de concretização de projectos para Portugal: a luta anti-fascista, a estabilização de uma democracia pluralista ocidental, a determinação nos seus governos pelo superar da bancarrota, a aposta europeia, a magistratura em Belém de grande autoridade moral e a concretização de 10 anos de extraordinária estabilidade política, a que se seguiram outros 10 anos de ensino, aprendizagem e dinâmico acompanhamento dos grandes movimentos sociais do mundo: de Porto Alegre a Davos, do Parlamento Europeu ao Diálogo Ecuménico.

Apresenta-se agora como um homem ainda melhor preparado, com uma cultura imensa, uma voz respeitada, que consegue intuir à distância os grandes rumos da história.

Fica sobretudo o exemplo: os homens não são estátuas vivas. Se entendem que ainda podem ser úteis ao seu país, pelo pensamento estratégico que têm, pela capacidade de diálogo e mobilização nacional que apresentam e pelo brilhantismo da sua actividade política, então devem ir com humildade falar ao povo, pedir o seu voto, tentar ganhar umas eleições muito difíceis.

Fica este exemplo: de um homem que de pai da Pátria passa a grande perturbador nacional, de figura consensual passa – num passe de mágica – a objecto de repúdio e desprezo, pelas razões mais mesquinhas.
Um homem que sairá deste combate – independentemente do resultado, que confio será de vitória – mais sabedor, mais enriquecido humanamente, com a sua insaciável curiosidade ainda mais desperta!

Personalidade do ano


A Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal (AIEP) escolheu António Guterres como personalidade portuguesa do ano devido à nomeação para dirigir o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados – anunciou ontem aquela organização.

É com natural regozijo que registo a notícia no «Ponte Europa» numa singela homenagem ao antigo primeiro-ministro cujo primeiro mandato foi o melhor da história recente de Portugal.

Madeira

A Madeira é o melhor cartaz turístico. Excepto, claro, em Itália. Aí, a Madeira é a terra de um bêbado.

Ferreira Fernandes - Correio da Manhã (citado pelo DN e Diário as Beiras)

Razões para não votar Cavaco:

1 - Falta de seriedade política:
«O povo português não fica seguro se Jorge Sampaio for eleito Presidente. Tenho algumas preocupações em colocar o futuro dos meus filhos nas suas mãos».
Aníbal Cavaco Silva ao «Expresso» em 13-01-1996

2 - Perigo dos seus apoiantes:

a) «Cavaco Silva é o PR ideal para convocar novas eleições e correr com os socilistas do Governo, na primeira oportunidade.» (Vasco Graça Moura – DN de 27-07-2005);
b) Vários defensores do reforço dos poderes presidenciais que não manifestaram tal desejo (legítimo) durante os mandatos de anteriores presidentes;
c) A ligação a grandes grupos económicos que lhe prepararam o regresso à política.

3 – Risco de instabilidade política e confronto com o Governo:

a) O desconhecimento dos limites constitucionais ao desempenho da função presidencial.

b) Os argumentos da sua campanha próprios de quem concorre a primeiro-ministro e não de quem se propõe ser Presidente da República, demonstrando um conhecimento tão débil da Constituição da República como d’Os Lusíadas.

c) A afirmação recente de que não compreende como é que um Governo de maioria absoluta não gera confiança e optimismo como devia, para fazer esquecer a crispação e instabilidade do seu último mandato de maioria absoluta e as razões da sua derrota eleitoral face a Jorge Sampaio.

4 – Um mau exemplo para a necessária moralização das reformas:

A acumulação de pensões (funcionário do Banco de Portugal, professor catedrático e primeiro-ministro) num total de 9356 euros, e a aposentação da Universidade Nova para auferir ainda outro vencimento numa Universidade privada, desacredita o esforço para limitar semelhantes exageros.

5 – A falta de isenção e rigor:

A imagem que pretendem colar-lhe não é compatível com a mais despudorada ocupação do aparelho de Estado pelos detentores de cartão laranja que atingiu o auge no último período do seu consulado.

Post scriptum - Ver «A amizade é muito bonita».

Cavaco continua a falar...

'Humanismo é a luta diária de cada um para sobreviver'- Aníbal Cavaco Silva, entrevista ao Correio da Manhã, 23.12.2005 -

Cavaco abre o jogo

“Cooperação” é um eufemismo para o que se passaria caso Cavaco ganhasse as eleições de 22 de Janeiro.
Agora vem propor modificações na orgânica do Governo. (Vide entrevista de hoje ao Jornal de Notícias).

Como jurista, gostaria apenas de chamar a atenção dos estimados leitores do ponteeuropa para as seguintes normas da Constituição da República Portuguesa:

Artigo 183.º (Composição)
“3. O número, a designação e as atribuições dos Ministérios e secretarias de Estado, bem como as formas de coordenação entre eles, serão determinados, consoante os casos, pelos decretos de nomeação dos respectivos titulares ou por decreto-lei.”

Artigo 198.º (Competência legislativa)
“2. É da exclusiva competência legislativa do Governo a matéria respeitante à sua própria organização e funcionamento.”

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Carta aberta a Carlos Esperança

Caro Carlos Esperança,

Nesta quadra festiva, dirijo-me publicamente a si para o felicitar pela sua intervenção cívica nos jornais em que colabora e nos blogues que dinamiza.
Especialmente no ponteeuropa, onde tenho a honra de ser seu parceiro e de, por vezes (mais poucas que muitas), dar o meu contributo às discussões políticas e sociais que vão ocorrendo.

A forma como tem vindo a gerir o blogue demonstra uma grande coragem e desprendimento. Presta assim um bom serviço a todos aqueles que no seu tempo livre gostam de visitar o ‘nosso’ blogue e dizer de sua justiça.

Aproveito ainda este ensejo para cumprimentar os leitores, nomeadamente os que deixam comentários, que sendo por vezes bastante contundentes, devem ser considerados como um enriquecimento à discussão que o ponteeuropa visa promover.

Ao contrário do que alguns dos que não nos conhecem possam pensar, apenas tive o privilégio de conversar de viva voz consigo por duas vezes. Espero que essas oportunidades se possam multiplicar, já que os seus conhecimentos são sempre enriquecedores.

E como nem tenho o seu telemóvel, utilizo este meio para lhe desejar a continuação de Boas Festas e um Feliz Ano de 2006!

André Pereira

Espaço dos leitores

Fernando Pessoa, por Almada Negreiros

Os últimos são os primeiros


Soares em último lugar nos boletins de voto


Mário Soares vai ser o último nome a figurar nos boletins de voto para as Eleições Presidenciais marcadas para o próximo dia 22 de Janeiro, segundo ditou o resultado do sorteio realizado esta segunda-feira no Tribunal Constitucional.

Virtudes do neoliberalismo

(Clique na imagem)
Notícia publicada, há dias, num desses jornais gratuitos que se distribuem nas estações do Metro, em Lisboa.

domingo, dezembro 25, 2005

Eleições presidenciais

(Cavaco Silva - foto oficial de campanha)
Quando, na passada quinta-feira, escrevi em letras garrafais, um texto com o título «Eleições presidenciais» só um leitor, perspicaz, perguntou se não me tinha esquecido de evocar o autor.

O texto rezava o seguinte:

«O povo português não fica nada seguro se Cavaco Silva for eleito Presidente. Tenho algumas preocupações em colocar o futuro dos meus filhos nas suas mãos».

Acusaram o autor da frase de «estar a ressacar da política», de sectarismo e outros mimos. Insinuaram desonestidade e falta de inteligência a tal autor. É interessante verem o que escreveram.

Limitei-me a parafrasear o candidato de quem me insultou:

«O povo português não fica seguro se Jorge Sampaio for eleito Presidente. Tenho algumas preocupações em colocar o futuro dos meus filhos nas suas mãos».
(Aníbal Cavaco Silva ao «Expresso» em 13-01-1996)

CDS microfilmou documentos de Estado


A empregada doméstica que gama à sorrelfa o cordão de ouro de duas voltas, enquanto aspira o quarto da patroa que o herdara da sogra, é uma ladra;

Um trabalhador agrícola que faz mão baixa de duas cebolas e três maçãs, que esconde nos bolsos da samarra, é desonesto;

O segurança de uma empresa que leva, ao fim da noite, dois rolos de papel higiénico e um sabonete em meio uso, é venal;

A assalariada que esconde no avental o pacote de detergente e uns toalhetes, não é de confiança;

O contínuo que se abotoa com o guarda-chuva de que o chefe de secção se esquecera, é torpe;

O empregado de escritório que leva para casa, lápis, borrachas, esferográficas, um tubo de cola e umas folhas de papel almaço é um larápio.

Todos são infiéis, ladrões, venais, corruptos e torpes.

Se vários ministros (Paulo Portas, Nobre Guedes e Santana Lopes) se conluiam, sob os auspícios do CDS, para microfilmar documentos dos ministérios da Defesa, Ambiente e Turismo, tomam uma decisão política.

Não são infiéis porque foram donos da casa, não são larápios porque pertencem a boas famílias, não se denominam ladrões porque têm habilitações literárias, não podem ser acoimados de gatunos porque seria difamação.

Porque copiar documentos não é crime – crime é divulgá-los – , os antigos e impolutos ministros apenas se precaveram contra eventuais acusações, guardaram munições para se defenderem de problemas e evitarem que os difamem.

Com governantes assim, o Estado português está a bom recato, em casas particulares.

Fonte - Diário de Notícias de 24-12-2005

sábado, dezembro 24, 2005

Votos de boas-festas

A Comissão Executiva Distrital de Coimbra do MASP3 deseja a todos os cidadãos do distrito um Natal em Paz e um Ano Novo que seja sinónimo de Progresso e Fraternidade.


Coimbra, 24 de Dezembro de 2005.


Pel' A COMISSÃO EXECUTIVA DISTRITAL,
FAUSTO CORREIA
– Coordenador Distrital

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Portugal pós 25 de Abril: IIª ou IIIª República?

A História é uma ciência que carece de distanciamento crítico para que os seus conceitos, a linguagem e os seus resultados sejam mais precisos e uniformes. Por isso, escrever sobre a História recente pode ser sempre fonte de equívocos, parcialidades e preconceitos.
Vem isto a propósito do problema de saber se vivemos na II.ª ou na III.ª República. Não querendo impor uma visão unanimista sobre tão complexo problema historiográfico, sempre direi que me parece adequado afirmar que vivemos na II.ª República, que se seguiu à I.ª República (1910-1926) e ao Estado Novo.

A não consideração do Estado Novo (corporativista-fascista) como uma II.ª República, mas sim como um interregno político-jurídico nos ideais republicanos e na realização e organização republicana do Estado, tem por base o facto de o seu ideário estar em grande medida em oposição com os princípios fundamentais do Republicanismo em Portugal.

Como se afirma em http://www.uc.pt/cd25a/ospp_po/ospp05.html, “Sem rejeitar teoricamente a forma republicana de governo, a nova Constituição de 1933 e as revisões de que foi objecto consagrava um Estado forte, recusando o demo-liberalismo; o nacionalismo corporativo, o intervencionismo económico-social e o imperialismo colonial constituiram as linhas mestras de um sistema de governo que, sobretudo a partir da Guerra Civil de Espanha, se caracterizou pela censura férrea das opiniões discordantes e pela repressão dos seus opositores. A pedra base de aplicação de tais métodos é constituída pela polícia política salazarista a PIDE.”

Assim, podemos considerar que na essência mesma do republicanismo português está a consagração de um sistema democrático-parlamentar, a laicização do Estado e a salvaguarda e protecção dos direitos, liberdades e garantias. Ora tudo isto é estranho ao período de 1926 (1933) -1974, pelo que muitos entendem que não se deve falar aqui de uma segunda República.

Por outro lado, reservar a expressão II.ª República para o regime consolidado com a Constituição de 1976 permite lançar linhas de continuidade com o Estado português de 1910-1926, como sejam, a separação entre Estado e Igreja, o regime de democracia de partidos, a protecção dos direitos fundamentais. Nesse sentido, se pode ler por exemplo a Constituição da República Portuguesa Anotada (3.ª edição), de Gomes Canotilho e Vital Moreira, por exemplo, nas pp. 16-17.

Repito que esta é uma questão de História de difícil resposta; apenas pretendo dar uma explicação para o facto de eu, seguindo tantos e tantos outros, afirmar que vivemos na II.ª República.

Boas-festas

(Cartoon de Zé Oliveira)
Voltar às origens na noite de consoada é a viagem marcada no calendário, imposta pelo hábito e repetida pela inércia. À medida que as coisas e os lugares se encaixam cada vez menos na memória mais intensamente os procuramos. Parte-se em busca do passado e teme-se a desilusão de não achar sinais. Mas volta-se sempre, quiçá com vontade de exumar memórias, de recuperar sonhos e afectos que nos fazem falta, como se no eterno regresso surgisse a fonte da juventude.

Todos os anos, quando Dezembro chega, o frio vem lembrar-nos a festa que se aproxima ao ritmo da nossa ansiedade, enquanto os apelos ao consumo nos seduzem, insinuando uma felicidade duradoura. Fazem-se compras sem ponderação e arquivam-se prendas à espera de destinatário. Os livros têm nesta época o lugar que mereciam durante o ano, viajam com as pessoas à espera de leitor, quedam-se em mãos que os afagam ou, simplesmente, arquivam-se no abandono da estante.

Depois de árduas discussões no seio dos casais decide-se o local da consoada em unânime contrariedade. Nunca durante o ano a diferença entre irmãos e cunhados ou pais e sogros se tornou tão nítida e fracturante.

A viagem é o regresso magoado aos locais e memórias de um tempo que já foi, por entre chuva miudinha e frio de rachar. Doem o ossos em intermináveis filas de trânsito antes de se ver iluminada a torre do campanário onde outrora soavam as horas de dias muito mais calmos.

Chega-se de noite e de mau humor com o vento gélido a arrefecer sorrisos compostos para a chegada e os quartos húmidos indiferentes aos nossos ossos e ao reumático.

A lareira é o destino e centro de um semicírculo de profundos afectos e sólidos rancores que se reúnem alinhados por ordem etária na casa dos mais velhos e são alimentados a filhós e bolos que líquidos capitosos ajudam a empurrar. É aí que se desembrulham as prendas embaladas em papel reluzente com laços artisticamente colados. Agradece-se com um sorriso de desprezo aquele presente desinteressante do parente que nos detesta. Fica-se deslumbrado com a oferta generosa que redime uma ofensa antiga e enternece-nos a simples presença de quem não pede desculpa por gostar de nós.

Recordam-se em silêncio os ausentes pela falta que fazem e a saudade que produzem e os presentes pelo incómodo que provocam e o fastio que acarretam.

Quase todos se empanturram na esperança de matar de vez a fome ancestral de gerações que permanece viva na memória de quem a herdou durante séculos. Gabam-se os pastéis de bacalhau recheados de batata a tresandar a óleo, a excelência do peru mal assado, a qualidade do polvo que saiu duro, repetindo-se discretamente a dose de bacalhau cozido, batatas e couves, regados com azeite de boa qualidade, numas merecidas tréguas ao bitoque e à pizza, enquanto se aguarda a panóplia de doces e frutos secos. São momentos para acumular prazer e peso enquanto a azia e os espasmos não devolvem o remorso e o incómodo.

Por uma noite repousam os guerreiros das batalhas adiadas do quotidiano, levam para o seio familiar uma ou outra intriga para não perderem o treino, cumprimentando-se com uma profusão de ósculos ora fraternos, ora de circunstância. E, por entre os votos canónicos de Boas Festas, recordam-se pequenos agravos e ruminam-se vinganças por umas palavras que não caíram bem, algum insulto durante a disputa do relógio de ouro do avô ou aquela terrina da Vista Alegre que espalharam a cizânia nas últimas partilhas.

Sobrevive do paganismo o festejo do solstício de Inverno. Fez dele a tradição judaico-cristã a festa da família. E quando a família se comporta como deve, a festa acontece e é um suave pretexto de encontros ansiados em volta de sabores que a memória guarda e de aromas que nos transportam à infância numa viagem carregada de afectos e saudade.

Que no dia certo haja festa em vossas casas.

Boas-festas, caros leitores.

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Escutas revelam microfilmes na Defesa

«O Ministério Público suspeita que Paulo Portas possa ter microfilmado, antes da mudança de Governo em Março deste ano, os arquivos do Ministério da Defesa, nos quais podem estar documentos confidenciais ou classificados como Segredo de Estado.

Os indícios resultam das escutas telefónicas realizadas no âmbito do processo Portucale, que incide sobre alegadas práticas de tráfico de influências na aprovação de um empreendimento turístico do Grupo Espírito Santo (GES).

No decurso do interrogatório a Abel Pinheiro, o juiz Carlos Alexandre trouxe à colação as microfilmagens aos arquivos dos ministérios tutelados por Paulo Portas, Luís Nobre Guedes e Telmo Correia». (...) Carlos Rodrigues Lima in Diário de Notícias.

Nota - A gravidade das suspeitas trazem à memória os nomes de Celeste Cardona, na Justiça, e Bagão Félix, nas Finanças, um conjunto de personalidades do CDS que transformaram o Governo em sítio mal frequentado e lugar pouco recomendável.

Eleições presidenciais

O povo português não fica nada seguro se Cavaco Silva for eleito Presidente. Tenho algumas preocupações em colocar o futuro dos meus filhos nas suas mãos.

Mário Soares: jovem, dinâmico, tolerante

Republicano, laico e socialista, Mário Soares moldou em termos decisivos a nossa II.ª República fazendo do respeito pelos que têm opinião contrária o seu mote fundamental.

A questão monárquica nem se esboçou, as relações entre o Estado e a Igreja são pacíficas e de cooperação, todos os Partidos, nomeadamente os de Direita, foram sempre respeitados e tratados com isenção por este grande político.

Voto Soares pelo futuro que ele nos propõe: um Estado Social moderno, uma sociedade dinâmica e plural, uma Presidência que dê atenção a todos, sobretudo às minorias, àqueles que não têm voz, aos mais desfavorecidos.

A estabilidade política é uma condição fundamental para vencermos a crise orçamental, económica e moral.

Portugal pode acreditar! Soares estará sempre presente e será um factor de união entre todos os portugueses.

Ribeiro e Castro e o terrorismo

Ribeiro e Castro

Ribeiro e Castro, presidente da comissão liquidatária de um partido mal frequentado e em vias de extinção – CDS/PP –, não se limita a ser o líder de uma facção. Afastado da campanha de Cavaco, que o quer longe, pretende tornar-se o teórico da filosofia do terrorismo com a afirmação «o terrorismo nasceu na esquerda».

Ao acusar a esquerda (sem dizer qual) de estar na génese do terrorismo, o presidente do CDS mostra o rigor intelectual que exorna a comissão política do seu partido.

Ribeiro e Castro não é um boçal, um energúmeno analfabeto ou um idiota inimputável. É por isso que a acusação gratuita e demente parece de um homem que tem necessidade de morder um cão para ser notícia.

Que Cuba ou a Coreia do Norte sejam ditaduras não serei eu a negá-lo, só estranho a desmemória de quem esquece o nazi/fascismo e omite Franco, Salazar, Pinochet ou Hitler.

Antes da Revolução Francesa onde, pela primeira vez, aparecem os conceitos de direita e esquerda, já havia terrorismo. Basta lembrar as Cruzadas que não ocorreram ao pio democrata-cristão.

Mesmo a comparação entre Che Guevara e Stalin carece de algum discernimento. O primeiro só lutou contra ditaduras e o segundo foi um sanguinário ditador.

Ribeiro e Castro escusava de lembrar os portugueses das ligações do CDS ao ELP e ao MDLP quando ele era dirigente do partido. Ramiro Moreiro, o Ângelo de Trancoso, Alpoim Calvão e o inefável cónego Melo do cabido da Sé de Braga não são certamente homens de esquerda.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Ainda a prostituição

Picasso
Hoje, no Diário as Beiras, Gonçalo Capitão aborda o problema da prostituição. Fá-lo com a convicção de que não é ignorando o problema que ele se resolve.

Além de alguma dose de humor, revela sensatez, genuína preocupação social e, como é hábito, uma independência de espírito e inteligência que surpreenderá quem o saiba a militar no PSD, há muitos anos, e não acompanhe a sua intervenção cívica.

As preocupações de Gonçalo Capitão são as mesmas já aqui manifestadas no «Ponte Europa».

Infelizmente a beata hipocrisia continuará a ignorar o flagelo e perdem-se os benefícios da regulamentação, referidos no Ponte Europa em 11 de Novembro:

- maior controlo sanitário;
- melhor protecção às vítimas;
- mais eficaz combate ao proxenetismo;
- redução do risco de violência, violação e maus tratos.

COIMBRA COM MÁRIO SOARES

SEDES CONCELHIAS

Lista de sedes concelhias da candidatura do Dr. Mário Soares que já se encontram em funcionamento no distrito de Coimbra.

Sede distrital da candidatura
Av. Fernão de Magalhães, n.º484, 1.º andar, 3000 -173 Coimbra
Tel: 239 837 187
Fax: 239 837 186
endereços de correio electrónico:
masp3coimbra@sapo.pt;
masp3coimbra@gmail.com

Sede do MP3
Rua Visconde da Luz, n.º 72, 1.º andar, Coimbra
Contactos: 96 277 8106; 91 9878885

Arganil
Edifício Mira Serra, Bairro do Prazo, Arganil

Cantanhede
Edifício Marialvas, 1.º andar, Sala 6, Cantanhede

Figueira da Foz
Av. do Brasil, n.º 226, r/c, Figueira da Foz

Mira
Av. Cidade de Coimbra, Praia de Mira

Oliveira do Hospital
Rua Eng. Adelino Amaro da Costa, n.º 1, D
(frente ao Hotel S. Paulo)

Soure
Rua dos Combatentes da Grande Guerra, n.º 41, r/c, Soure


Coimbra, 20 de Dezembro de 2005.

Pel' A COMISSÃO EXECUTIVA DISTRITAL,
FAUSTO CORREIA
– Coordenador Distrital –

terça-feira, dezembro 20, 2005

O leão mostra a sua raça ou o lobo começa a despir a pele de cordeiro?

Os portugueses que queiram analisar o debate com atenção, deverão ter reparado que Cavaco tropeçou. Cavaco balbuciou e mostrou-se surpreendido com a possibilidade de um Governo não querer a sua ajuda para “levar a cabo a modernização do país, que só se consegue com o aumento da competitividade das empresas….” (e a cassete continua como já sabem)...

Soares numa palavra desmascarou todo o discurso de Cavaco Silva: demagogia.
O Político intermitente acena aos portugueses com as bandeiras do costume: emprego, pensões, crescimento, justiça social. Mas quem pode contestar isso?!

O problema é que em Fevereiro os portugueses já disseram que é Sócrates quem tem essa função. Não podemos ter um Governo bicéfalo!

Soares revelou que tem energia física e mental para enfrentar 5 anos de grandes dificuldades. Não podemos desperdiçar esta nova oportunidade dos fundos comunitários de 2007-2013 em guerrilhas institucionais ou com problemas de protagonismo político.

Soares sabe exercer o poder moderador. Já o provou no passado e agora está ainda melhor preparado.

Presidenciais »» Soares - Cavaco


Hoje aconteceu debate.

Será presidente quem os eleitores quiserem mas foi Mário Soares quem manifestou a raça do velho leão de muitos combates.

Cavaco remeteu-se à repetição de generalidades, convicto de que não deve mexer-se para ser eleito.

Soares mostrou vontade e determinação para ser presidente da República. Cavaco revelou que podia ser primeiro-ministro.

Soares não se deixou envelhecer. Cavaco nunca foi jovem.

Depois deste debate sinto uma obrigação maior de votar Soares.

Presidenciais - Sondagem DN/TSF/MARKTEST


Se as eleições fossem hoje os portugueses votariam gato por lebre.

A avaliar pela empresa de sondagens Marktest, cuja idoneidade e prestígio estão acima de qualquer suspeita, os portugueses preferiam o candidato que recusaram há dez anos e deixariam em terceiro lugar o que preferiram há vinte e quiseram entusiasticamente há quinze.

Até ao lavar dos cestos é vindima.

Presidenciais »» Alegre - Jerónimo

(cartoon de Zé Dalmeida)
De facto este modelo de debates é pouco estimulante para o espectador, prejudicial para os candidatos e indigno de uma campanha em que nos arriscamos a votar gato por lebre.

Espaço dos leitores

Matisse

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Blair: um líder trabalhista?

À esquerda e à direita, muitos se inquietam com a pessoa política de Tony Blair.
Considerado por muitos como um claro exemplo das políticas de direita, não deixa de ser impressionante que este homem tenha ganho – facto inédito! – três eleições parlamentares como líder do Partido Trabalhista britânico.

O que faz dele um homem de esquerda, afinal?

Vejamos, a traço muito grosso, algumas das medidas mais emblemáticas da sua governação desde 1997:

No plano constitucional:
A aprovação do “Human Rights Act” que confere eficácia no direito interno ao catálogo de direitos fundamentais previstos na Convenção Europeia dos Direitos do Homem;
A devolução do Poder à Escócia e a Gales, pondo fim ao Estado mais centralista da Europa;
A criação de uma “plataforma de paz” na Irlanda do Norte;
O afastamento de lugares hereditários da “segunda câmara” (House of Lords);
O reforço do poder local.

No plano social:
Um extraordinário investimento na Educação e na Saúde, repondo a dignidade e o prestígio do “National Health Service” (Serviço Nacional de Saúde) e recolocando as Universidades inglesas na linha da frente a nível mundial;
A luta contra as fortes clivagens sociais, a pobreza e o desemprego.

No plano das “questões fracturantes”:
Aprovação de legislação ‘progressista’ em matéria de investigação científica, nomeadamente com respeito aos embriões humanos.
Aprovação de legislação ‘liberal’ em matéria de relações homossexuais.
Reforço das políticas de integração, de protecção dos imigrantes e das classes mais desfavorecidas.

Se no plano internacional, a sua actuação estará sempre manchada pelo embuste do Iraque, é de elementar justiça que se recorde o seu papel no fim do genocídio do Kosovo, na guerra do Afeganistão, na aprovação do Estatuto do Tribunal Penal Internacional, do Protocolo de Kyoto e de uma postura de (tímida) coragem no seu europeísmo.

A História fará o balanço global da actuação deste homem à frente de Downing Street.

Mas, faça-se justiça: muita da sua actuação identifica-se plenamente com os valores e as propostas da esquerda:
luta contra a pobreza e a exclusão,
coesão social,
promoção dos direitos fundamentais,
descentralização política e administrativa,
políticas de emprego,
aposta clara nas políticas sociais (educação e saúde),
uma postura ‘liberal’ (não dogmática) em “questões de sociedade” (bioética e as novas estruturas familiares),
criação de estruturas de regulação das relações internacionais com base no Direito (porém, com a nódoa inolvidável da ocupação do Iraque).

O fascismo sempre existiu

Faz hoje 44 anos que o escultor Dias Coelho foi assassinado com dois tiros disparados à queima-roupa pelo agente António Domingues, integrado na brigada de José Gonçalves.

Tinha 38 anos e uma obra valiosa como artista plástico.

As balas assassinas puseram termo ao percurso do artista na rua dos Lusíadas, em Lisboa. Uma menina, Teresa, ficou órfã e a mãe viúva. O PCP perdeu um dos seus mais abnegados militantes.

A PIDE nunca foi julgada.

INICIATIVA DE ALUNOS DO INSTITUTO SUPERIOR MIGUEL TORGA

Pai Natal adere à blogosfera

Cartas ao Pai Natal disponíveis na web e nas montras das lojas de Coimbra


Cansado de abrir cartas, exasperado com os extravios e alguns atrasos, o Pai Natal aderiu à blogosfera.
Centenas de crianças de vários pontos do país responderam à chamada do simpático velhinho.
Para que todo o processo de entrega das prendas decorra com transparência, respeitando as normas comunitárias (com esfoque especial para a Directiva 307/2005/EU NATAL), os pedidos encontram-se disponíveis na web, no endereço
http://painatal2005.blogspot.com/
Cartas e desenhos digitalizados na web, com os originais expostos nas montras de dezenas de estabelecimentos comerciais da cidade de Coimbra.


Esta é uma iniciativa dos alunos da Licenciatura em Ciências da Informação ministrada pelo Instituto Superior Miguel Torga, de Coimbra (www.ismt.pt).
Os jovens estudantes deslocaram-se a várias escolas de Coimbra e de outras localidades do país (escolas da área da sua residência), lançando um repto aos mais petizes: escrevam uma cartinha ao Pai Natal. Não podendo garantir a entrega dos presentes, prometeram, pelo menos, mostrar as missivas ao mundo.
Como seria de esperar, a iniciativa foi muito bem acolhida pelas crianças, professores e pais.
Crianças houve que, mesmo não sabendo escrever, fizeram questão de participar com desenhos. O mesmo aconteceu com alguns meninos deficientes.

O blog Cartas ao Pai Natal constitui-se, assim, como uma montra dos desejos das nossas crianças. O Pai Natal que se desunhe, porque há pedidos impossíveis de satisfazer com uma requisição ao tradicional armazém ou grande superfície.
Há quem peça o fim das guerras, a eliminação da pobreza e “sobretudo que todos fossem amigos”.
“Se puder também quero uma coisa: era melhorar nos meus trabalhos e ser muito inteligente” – lemos numa das cartas. Outro pequenito quer muitos “very goods e alguns goods” a inglês.
Mais um pedido para ajudar a vencer a batalha da educação: “Queria que me desses uma máquina registadora para poder aprender a matemática porque eu não sou boa a matemática. Para mim a matemática é a disciplina mais difícil principalmente as contas”.
Há quem troque as prendas pela reconciliação familiar:
“Eu gosto muito de ti. Eu acho que me portei bem. Mas se não quiseres dar nenhuma prenda, eu não me importo, mas caso queiras dar alguma prenda eu quero que a minha irmã e o meu pai sejam amigos. Eu sei que isso é quase impossível mas por favor tenta”.
“Eu desejo uma playstation2 e quero melhorar a relação com a minha madrasta” – é o pedido de uma menina.
Prevenindo futuro cansaço do velhinho das barbas, há quem opte por texto curto, pedindo uma só prenda. “Não te escrevo mais para não teres cartas muito grandes para não te cansares a ler”...
Se as boas práticas se mantiverem nas próximas décadas, vem aí uma geração bastante generosa: “Não te esqueças de dar prendas aos outros meninos do mundo inteiro” – avisa um dos autores das cartitas.
Um dos mini-redactores saúda o Pai Natal “pelo trabalho que tem todos os anos”, não se esquecendo de lhe desejar “uma boa viagem!”.
Sim que um acidente no percurso pode deixar muitos desejos por concretizar: “Vem devagarinho no teu trenó para chegares bem”, recomenda uma criança.
Outro quer evitar-lhe forte constipação: “Em Portugal há muito frio. Agasalha-te bem!”.

Quanto aos brinquedos, a gama é variadíssima, como se pode imaginar. Se alguns são parcos no pedir, a outros não lhes doeu a caneta, um saco cheio para uma só chaminé. E também houve quem tivesse notado o exagero: “Gostava que me desses uma máquina de fazer pastilhas elásticas, uma bicicleta, uma bola de futebol, um jogo, um leitor de MP3, e mais coisas. Como sei que o senhor não pode levar tudo porque também há mais crianças que querem, então só quero o leitor de MP3 e a máquina de fazer pastilhas elásticas”.
Consciente da crise que, pelos vistos, também assola o Reino do Pai Natal, uma pequenita garante que a avó vai dar dinheiro ao velhinho para ele lhe poder comprar a Carlota ou a cadeirinha do Nenuco.
Se calhar com a pressa, ou revelando a pesada responsabilidade de escrever a personalidade tão ilustre, houve quem se tivesse ficado pelas apresentações, sem nenhum pedido registado:
“Eu passo o meu Natal com a minha família e como bacalhau. O Natal é no dia 25 de Dezembro e o meu irmão faz anos no dia 24 - o dia da consoada!”
Há mais, muitos outros trechos saborosos, deixando transparecer a inocência dos autores desta jornada epistolar.
Motivos de sobra para uma visita a http://painatal2005.blogspot.com/

Nota: No blog, clicando nas imagens, podem descarregar-se cartas e desenhos com resolução suficiente para impressão.

Agradecemos a divulgação desta iniciativa, aproveitando o ensejo para desejar um Bom Natal a todos.

Eleições Presidenciais »» Pré-campanha


Entusiasmo na campanha de Francisco Louçã – Diário de Notícias

Fim do cartel farmacêutico?

Medicamentos nos hospitais baixaram 40 por cento
«O custo dos medicamentos nos hospitais baixaram 30 a 40 por cento após o desmantelamento de um cartel de cinco laboratórios farmacêuticos que combinavam preços em 22 estruturas hospitalares, disse o presidente da Autoridade da Concorrência.

Numa entrevista ao Jornal de Negócios, Abel Mateus diz que a investigação ao cartel formado por vários laboratórios da indústria farmacêutica partiu da denúncia de uma empresa envolvida.

Sobre o ramo das farmácias, Abel Mateus afirma que o sector «tem barreiras à entrada cujo impacto é surpreendente» e classificou o regime que o rege como «anacrónico».

(...)

Transcrição do «Expresso» de 17-12-05
Nota: Mérito do actual Governo ou incúria dos anteriores?

domingo, dezembro 18, 2005

Mário Soares no Distrito de Coimbra

NOTA PARA OS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
MÁRIO SOARES NO DISTRITO DE COIMBRA
SEXTA-FEIRA, DIA 23


Excelentíssimo(s) Senhor(es):

Queira(m) aceitar os nossos melhores cumprimentos.

Depois, trago ao V/ conhecimento o plano da visita que o Dr. Mário Soares fará na próxima sexta-feira, dia 23, ao Distrito de Coimbra.

O candidato presidencial cumprirá o seguinte programa:


· 11:00 Horas – Chegada do Candidato ao Mercado Municipal da Figueira da Foz;
· 11:30 Horas – Homenagem (com deposição de flores e breves palavras do Candidato ) a Manuel Fernandes Tomás, junto à sua estátua;
· 11:45 Horas – Passagem a pé pela Rua da República e Praça 8 de Maio;
· 12:00 Horas - Inauguração da Sede da Candidatura, na Av. Do Brasil n.º 226, R/c.
· 12.45 Horas – Inauguração da Sede Concelhia em Soure, na Rua dos Combatentes da Grande Guerra n.º 41, R/c;
· 13.00 Horas – Almoço com apoiantes em Soure, no Salão dos Bombeiros Voluntários;
· 16.45 Horas – Inauguração da Sede Concelhia em Arganil, no Bairro do Prazo, Edifício Mira Serra;
· 17.30 Horas – Inauguração da Sede Concelhia em Oliveira do Hospital, na Rua Eng.º Adelino Amaro da Costa n.º 1, D (frente ao Hotel S. Paulo);
· 18.15 Horas – Apresentação de cumprimentos ao Presidente da Câmara Municipal de Tábua;
· 19.00 Horas – Inauguração da Sede Concelhia em Cantanhede, no Edifício Marialva, 1.º Andar, Sala 6;
· 19:30 Horas – Inauguração da Sede Concelhia na Praia de Mira, na Av. Cidade de Coimbra
· 20:30 Horas – Jantar no Restaurante “Teimoso” em Buarcos, Figueira da Foz.

As inscrições para o almoço em Soure deverão ser efectuadas através dos telefones 239837187 e 239 837186 (MASP3/Distrital) ou dos telemóveis 917612374, 968741404 e 969084496.

As inscrições para o jantar na Figueira da Foz deverão ser feitas através dos telefones 239837187 e 239837186 (MASP3/Distrital) ou dos Telemóveis 919187515 e 965000705.

Na expectativa de que esta NOTA INFORMATIVA encontrará a devida divulgação através do V/ conceituado órgão de comunicação social, renovo os melhores cumprimentos e subscrevo-me com estima e consideração.


Coimbra, 18 de Dezembro de 2005.

Pel' A COMISSÃO EXECUTIVA DISTRITAL,
FAUSTO CORREIA
– Coordenador Distrital –

Europa: temos Orçamento! Que venha... uma Constituição

Blair teve um último sopro de imaginação!
Jogou a sua última cartada – quiçá bem guardada no seu exímio bluff britânico – às 3 da manhã.

O Reino Unido surge assim como um “doador” de fundos para o alargamento, prescindindo de uma pequena parte do seu famoso “cheque” em favor do desenvolvimento dos países da Europa de Leste.

Ainda bem que temos orçamento. Parabéns a Blair, malgré tout.
Parabéns aos demais chefes de Estado e de Governo, muito especialmente aos nossos representantes.
José Sócrates e Freitas do Amaral podem apresentar, sem dúvida, um excelente resultado para Portugal. E fazem-no com naturalidade, sem alaridos, sem vedetismos. Obrigado pelo vosso trabalho e persuasão! Foi um sucesso!

No plano global, um europeísta não pode estar muito satisfeito.
Uma Europa com cerca de 450 milhões de habitantes, com 10 países novos e pobres, com a Roménia e a Bulgária à porta e crescentes exigências e demandas nos Balcãs e no Mediterrâneo, deveria ir muito além.

Faça-se a justiça de conceder que o presidente da Comissão, José Manuel Barroso, bem afirmou que o orçamento deveria ter uma outra dimensão. Assistimos em directo na BBC ao apelo que ele fez ao próprio povo inglês no sentido da sua compreensão para uma outra postura do seu país.
Foi derrotado. Após as derrotas do referendo à Constituição, perdeu mais uma vez, infelizmente. Mas foi derrotado com grande dignidade. Registo a coragem do Presidente da Comissão Europeia nesta situação.

Um dos pesadelos de 2005, o orçamento, está assim praticamente ultrapassado.

2006 deveria ser um ano de grandes avanços no outro pilar: o político e jurídico. Para tanto, deveríamos retomar o projecto de aprovação de uma Constituição para a Europa. Deixo uma sugestão: tal como este orçamento, mais pequeno que o desejável, mas suficientemente equilibrado para satisfazer as diferentes sensibilidades dos povos europeus, assim poderia ser uma versão revista da Constituição para a Europa. Por outro lado, que o referendo seja no mesmo dia em todos os países!

Quanto a Tony Blair, este pode agora abandonar o seu bom magistério à frente do governo. O governo trabalhista mais longo do Reino Unido desde a segunda guerra mundial. O Governo que recolocou este país na linha da frente em vários planos internacionais.

Associação Nacional de Farmácias

«Nova lei é para mudar»

A Associação Nacional das Farmácias é peremptoriamente contra a venda de medicamentos fora das farmácias. O presidente diz mesmo que o próximo ministro mudará a nova legislação.

Perguntas:

- João Cordeiro terá promessas nesse sentido?

- Deste Governo ou de algum partido da oposição?

Deve ser duro para quem, ajudado por Costa Freire, construiu um império e se habituou a desafiar os Governos ter sido objecto de uma busca pela PJ e encontrar um Governo que lhe faz frente.

Vamos estar atentos para saber quem consegue manipular. Depois é só averiguar o preço.

Meteorologia

A sucessão de dias de sol com que nos temos deparado não são ainda o prenúncio da Califórnia prometida a Portugal, por um dos candidatos presidenciais, mas são um convite para sair de casa, vencer o espírito sedentário e afastar a tristeza.

sábado, dezembro 17, 2005

Associação Portuguesa dos Veteranos de Guerra (APVG)

Mais importante do que saber quem é o ignoto cidadão Augusto Silva, que pretendeu agredir Mário Soares, é averiguar os objectivos da APVG, a ideologia que cultiva e a propaganda que faz.

A procissão vai no adro...

( 1.ª página do Expresso - Sondagens)

...mas não há bem que sempre dure.

Política à portuguesa


José António Saraiva publicou hoje a sua última crónica com o título em epígrafe. Como ele diz, as suas crónicas não tinham por objectivo agredir ninguém. E é verdade.

Escreveu coisas interessantes e boas mas, frequentemente, as interessantes não eram boas e as boas não foram interessantes.

Foi a voz atípica de uma direita descolorida, o propagandista envergonhado do PSD, o monárquico desavergonhado e o devoto do rei... de Espanha.

Os arquitectos consideraram-no sempre um bom jornalista e os jornalistas lamentaram que tivesse deixado a arquitectura. Leitores de direita viram nele uma voz conveniente e os de esquerda um adversário educado e impenitente.

No fundo era um jornalista cinzento e conservador, o que lhe garantiu uma invulgar longevidade como director, que hoje finda, de um órgão que a deriva de direita não destronou de um lugar de referência na comunicação social portuguesa.

O Expresso antecipou o fim da ditadura e ganhou aí a sua credibilidade. Continua uma referência do jornalismo português e o repositório do que de mais importante se passou em Portugal nas últimas décadas.

Convertido em jornal de campanha de Cavaco Silva, sem perder o pluralismo que desde o número 0 (zero) é seu timbre, o Expresso deixa vago o espaço para uma experiência simétrica à esquerda.

Não sei se há viabilidade económica mas é urgente encontrar uma alternativa de sinal contrário.

Quanto a José António Saraiva desejo-lhe naturalmente felicidades.

O Presidente e a Estabilidade Política

Nos últimos 30 anos tivemos 3 Presidentes da República: Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio.

Com Eanes a instabilidade política foi a regra. Sampaio, muito por causa de Guterres e de Barroso, também não conseguiu manter a continuidade das políticas, nem contribuir para a criação de governos fortes.

Com Soares, tivemos uma Presidência (86-96) de grande estabilidade. E se a popularidade de Cavaco facilitou esse facto, ninguém pode esquecer que foi Soares quem lhe abriu as portas a uma maioria absoluta ao dissolver – contra a vontade do Partido Socialista, do PRD e do PCP – a Assembleia da República em 1987.

São gestos que demonstram a nobreza com que Soares sabe exercer os poderes presidenciais: não para servir os interesses imediatos do seu Partido, mas sim para servir o país. E a estabilidade governativa é um factor fundamental.

A Espanha em 30 anos teve 5 Presidentes do Governo: Suárez de 1976 a 1981, Calvo Sotelo de Março de 1981 a Outubro de 1982, Felipe González de 1982 a 1996, Aznar de 1996 a 2004 e Zapatero desde 2004. Muitos dizem que este é um dos segredos do sucesso de Espanha...

Oxalá, o próximo Presidente da República procure manter a estabilidade política. Na minha opinião, apenas Mário Soares tem essa virtude de ser um homem moderado e isento que não confunde as funções de Presidente com as de um executivo, e que é capaz de estabelecer pontes com as diversas forças sociais.

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Um alargamento amargo

Com o alargamento, de Maio de 2004, a 10 novos Estados membros: 8 da Europa Central e de Leste (Estónia, Letónia, Lituânia, Polónia, República Checa, Eslováquia, Hungria, Eslovénia) e 2 do Mediterrâneo (Chipre e Malta), parecia que se consolidava um sonho antigo: o Continente europeu voltava a reencontrar-se e com espírito de progresso e solidariedade.

Estes últimos 18 meses, porém, têm sido bastante amargos para os países recém-chegados a esta União.

Primeiro Chirac avisou-os de que não poderiam ter opiniões divergentes do eixo Paris-Berlim em matéria de política externa (a propósito da desastrada carta encabeçada pelo nosso ex-Primeiro-Ministro Barroso).
Depois foi Schröder que os ameaçou caso não mudassem a sua política fiscal.

Finalmente as difíceis negociações do orçamento para 2007-2013 no Luxemburgo a culminarem com as propostas humilhantes de Tony Blair.
Acabo de ouvir que o Primeiro-Ministro britânico dá um pequeno passo (quiçá um mero jogo de bluff) ao libertar mais dinheiro do cheque britânico.
Talvez, dentro de horas, todos brindem e anunciem aos seus povos a boa nova de um “orçamento bom para todos”. Oxalá!

Mas esta não foi a Europa pela qual aqueles povos lutaram. Esta não é a Europa da igualdade entre os Estados, da solidariedade e da coesão.

Alguns colegas daqueles países têm-me confessado que frequentemente pressentem de Bruxelas a atitude que experimentaram durante mais de quarenta anos de Moscovo.

Eleições presidenciais

(cartoon de Zé Dalmeida)
A central de propaganda que dirige a campanha cavaquista parece obedecer a um comando único.

De vários lados sai a afirmação de que o Professor de Boliqueime é o candidato preferido do primeiro ministro como se a uma crise económica e social fosse útil juntar uma crise política com um candidato de uma área adversa.

Vários próceres do cavaquismo, que durante vinte anos não se pronunciaram sobre os poderes presidenciais, foram largados para defenderem o aumento desses poderes e, a seguir, mandados calar.

Os arruaceiros de serviço que anunciaram a candidatura de Cavaco como necessidade para remover os socialistas do poder, reciclaram-se em intriguistas e caluniadores dos outros candidatos e transformaram-se em indefectíveis defensores da harmonia pacífica e colaborante entre o PR e primeiro-ministro.

Assim, o trauliteiro Vasco Graça Moura palra e crocita contra os adversários, Proença de Carvalho, de voz melíflua, insinua que o Professor será o melhor aliado do Governo, o comissário político Luís Delgado debita banalidades, a Marques Mendes escondem-no e o ensandecido Alberto João Jardim garante como salvador da Pátria o «Sr. Silva» que, há meses, queria ver demitido do PSD.

O País não pode, pois, ficar tranquilo com a hipótese de Cavaco ganhar as eleições. Os cavaquistas aguardam a desforra da derrota eleitoral das últimas legislativas.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Blair: um último sopro de imaginação?

Estas são horas decisivas para o nosso futuro colectivo enquanto portugueses e europeus.
O Conselho Europeu poderá aprovar o orçamento para os próximos anos.

Desejo boa sorte aos nossos representantes na defesa do interesse nacional. Mas sem nunca esquecer que a boa defesa do “interesse europeu” será o melhor resultado para Portugal.

A saída de cena de Blair está aqui em jogo também. Afirmar-se-á ele como um europeísta e progressista, empenhado na construção de uma Europa mais solidária e mais forte? Ou deixará ficar a imagem pálida e descomprometida que caracterizou a presidência britânica ao longo deste semestre para a História?

Elogio da política

Um Professor Universitário de Economia com obra publicada em Portugal e no estrangeiro e um operário com grande capacidade oratória e uma robusta preparação política presentearam todos os democratas que hoje assistiram a um debate de grande categoria.

Num tempo em que o mal-dizer, a calúnia, a inveja e a ignorância abundam é reconfortante e encorajador ver duas personalidades que se dedicam com elevação à causa pública.

Fica de parabéns a esquerda pela sua pluralidade, pelo seu vigor e pelo optimismo que constitui a raiz mesma da sua natureza.

Alegre (radio)actividade

Manuel Alegre entusiasmou-se na defesa da natureza pública da água e ameaçou com a dissolução da Assembleia da República.
Discordo frontalmente desta postura. Banalizar a “bomba atómica” em pleno debate televisivo não inspira a confiança e a estabilidade que o Chefe de Estado deveria representar.
E depois de afirmar que “dorme tranquilo” tendo Cavaco Silva como Presidente, até parece começar a abrir-lhe caminho para este (Cavaco) iniciar uma guerrilha institucional, caso venha a ser eleito.
Depois de uma crise orçamental e de uma crise económica, só nos faltava agora mais cinco anos de crise política e de instabilidade social.

Artigo - Teodora Cardoso

Teodora Cardoso, Economista

A Verdade

Cavaco Silva tem agora razão quando diz que, sem crescimento económico, não se resolverão os problemas do emprego ou do orçamento. É, contudo, à miopia com que dirigiu uma fase ímpar de crescimento que devemos as dificuldades actuais.

Na entrevista que concedeu à RTP1, Cavaco Silva deixou entrever, com uma inesperada candura, o modo como encara as reformas estruturais. À interpelação quanto ao facto de não ter concretizado a reforma da administração pública, respondeu afirmando que levou a cabo a «parte mais importante» dessa reforma, relativa à adopção do Novo Sistema Retributivo (NSR). A isso acrescentou a habitual mantra, segundo a qual os problemas que o sistema suscitou apenas se deveram ao aumento do número de funcionários públicos que teve lugar sob a gestão Guterres.
A reconhecida escassez e má qualidade das estatísticas em matéria de função pública tem permitido manter essa tese, tão válida quanto o total de 550 mil funcionários que existiriam quando Cavaco deixou o poder. Um estudo da OCDE de 1997, dedicado ao tema das dificuldades de medição dessa variável nos diferentes países, aponta para Portugal em 1993 - segundo fontes oficiais - um número total de funcionários que variava entre os 632 mil e os 765 mil. Esta última versão, que era a mais actualizada na altura, indicava a existência de 772 mil funcionários em 1995. Na prática, há uma única lição a tirar destes números: a da urgência em compilar e divulgar estatísticas fiáveis sobre a matéria.

Quanto aos mitos que subsistem há, porém que reconhecer que, se eles se mantêm, é porque contêm algo de verdade. Os aspectos verdadeiros são fáceis de identificar e consistem no custo exagerado da função pública e na percepção generalizada de que os recursos humanos ao serviço do sector público estão mal atribuídos, tanto em quantidade, como em qualidade. Essa é precisamente a herança que ficámos a dever a Cavaco Silva e à sua não reforma da administração pública. Em 1989, quando o NSR foi aprovado, várias coisas se tinham tornado evidentes relativamente à economia e à administração pública em Portugal:

A primeira era o aumento do rendimento disponível do país graças, por ordem cronológica,(i) à forte competitividade da economia legada pela estabilização levada a cabo pelo governo anterior, sob a égide de Mário Soares e de Ernâni Lopes, (ii) à descida do preço do petróleo em 1986 e (iii) às entradas crescentes de fundos comunitários.

A segunda era a implosão do império soviético e a crescente globalização e tecnicização da economia mundial, exigindo a reconversão urgente do modelo competitivo da economia portuguesa. A resposta que lhe foi dada consistiu no desperdício dos fundos para a formação profissional e, em matéria de educação, na fuga para um modelo apenas preocupado em melhorar as remunerações dos professores e os indicadores quantitativos. Em conjunto, estes constituíram seguramente o mais grave erro estratégico da política portuguesa pós-adesão.

A terceira evidência resultava directamente das anteriores e dizia respeito à necessidade de uma profunda reforma da administração pública, indispensável para lhe permitir acompanhar - e mesmo liderar - as reformas da economia. Um novo sistema retributivo era, por várias razões, uma parte indispensável dessa reforma. Os funcionários públicos eram tradicionalmente mal pagos em Portugal e isso era especialmente verdade no respeitante aos quadros técnicos e às chefias. Para contornar o problema, tinham-se criado múltiplos esquemas «especiais» destinados a complementar as remunerações dos grupos com maior poder negocial, em particular aqueles de quem dependia a cobrança das receitas do Estado. Para além disso, a capacidade do sector público para recrutar pessoal qualificado e inovador reduzia-se praticamente ao atractivo de proporcionar a entrada numa carreira política. Ao mesmo tempo era muito elevado o peso dos funcionários com muito baixa preparação escolar, incorporados em quadros donde tinham sido excluídas todas as formas de mobilidade.

Finalmente resta sublinhar que todo o sistema português de administração pública se subordinava a um modelo estritamente hierárquico, baseado em procedimentos que excluíam qualquer forma de autonomia de gestão, de inovação e de selecção de chefias por critérios de qualificação e capacidade de gestão. Tudo isto coincidia com a explosão das técnicas de informação, num período em que os nossos parceiros da OCDE, mais atentos ao evoluir das economias e das tecnologias, discutiam e punham em prática soluções inovadoras e flexíveis.
Não é difícil perceber que a introdução de um NSR, aproveitando uma folga financeira irrepetível, seria a contrapartida ideal para permitir levar por diante as reformas indispensáveis, mesmo que impopulares. O que Cavaco Silva nos legou reduziu-se, porém, à expansão dos regimes especiais, ao reforço da rigidez e da incapacidade de gestão e inovação e sobretudo a um aumento dos encargos com a função pública que se cifrou em 90,4 % no triénio 1989/91, 50 pontos percentuais acima da subida da taxa de inflação no mesmo período , estrategicamente centrado no ano em que obteve a sua segunda maioria absoluta. É certo que os governos Guterres, embora com um menor contributo quantitativo, não fizeram melhor. Mas pelo menos devemos a António Guterres não vir apresentar-se-nos como o detentor da verdade nas áreas em que errou.

Cavaco Silva tem agora razão quando diz que, sem crescimento económico, não se resolverão os problemas do emprego ou do orçamento. É, contudo, à miopia com que dirigiu uma fase ímpar de crescimento que devemos as dificuldades actuais. Que a solução destas em período de crise exige maiores sacrifícios, durante mais tempo, também não oferece dúvidas. Que Cavaco detenha agora a verdade que tão completamente lhe escapou enquanto primeiro ministro, isso sim oferece as maiores dúvidas.

MANIFESTO

MANIFESTO ANTI-CAVACO

Bastariam os tiques autoritários de Cavaco Silva ou aquela postura de salvador da Pátria para eu o rejeitar - o contacto com a história deste país levou a que tivesse alergia a este tipo de personagens. Mas há mais razões, muitas mais razões para rejeitar Cavaco Silva e ainda muitas mais para detestar o cavaquismo.

Cavaco, o ministro das finanças competente que encaixa no imaginário ruralista da direita portuguesa? Mas não foi um Cavaco que quando foi ministro das finanças revalorizou o escudo com objectivos eleitorais, obrigando o país a ir mais uma vez mendigar para a porta do FMI?

Cavaco, o presidente que velaria pelo bom desempenho do governo? Mas não foi Cavaco que teve ministros como uma Manuela Ferreira Leite na Educação, Braga de Macedo (o do oásis) nas Finanças, o Borrego das anedotas de mau gosto no Ambiente, e muitos outros que só o tempo levou a que já não façam parte do anedotário?

Cavaco, o homem que vela pelos interesses da Nação? Mas não foi Cavaco que governou em função das sondagens eleitorais, que inventou as corridas às inaugurações e os aumentos das pensões no fim dos mandatos?

Cavaco, o candidato não partidário? Mas não foi com Cavaco que todos os que eram nomeados para cargos dirigentes na administração pública eram "convidados" a inscreverem-se no PSD, para depois participarem em mega-cerimónias de boas-vindas ao partido?

Cavaco está preocupado com a situação difícil do país? Mas quando abandonou o governo não deixou as finanças públicas num estado bem pior do que o actual, em grande medida devido à nomeação do pior director-geral que passou pela DGCI? Mas a crise profunda que o país atravessa não resulta do seu modelo económico?

Cavaco quer ajudar o país? Mas não teve uma excelente oportunidade de o fazer apostando no ensino ou outros sectores como a investigação em vez de estoirar os fundos comunitários em cimento, alcatrão e automóveis de luxo para os que enriqueceram à sombra do seu poder?

Cavaco, o homem honesto? Mas não foi com Cavaco que gente que nunca foi nada na vida se transformou rapidamente em banqueira? Não foi com o cavaquismo que a corrupção, fuga ao fisco e o enriquecimento rápido se tornaram fenómenos asfixiantes do desenvolvimento do país?

Cavaco, o respeitador da democracia e da Constituição? Mas não era ele que designava todas as instituições por forças de bloqueio? Desde a Presidência da República ao Tribunal de Contas não eram todas forças de bloqueio?

Cavaco, o estadista conhecido internacionalmente? Mas alguém, além de Durão Barroso, o conhece depois de passar o IP5? Que se saiba na Europa só deverá ter uma leve ideia do ex-primeiro-ministro português a pensionista Margareth Tatcher.

Cavaco, o candidato por imperativo de consciência? Também foi por imperativo de consciência que ajudou à derrota eleitoral de Fernando Nogueira e que derrubou o governo de Santana Lopes, para que não houvesse empecilhos no caminho da sua ambição presidencial?

Cavaco? Quem não o conhece que o compre...
(Autor desconhecido. Factos conhecidos)

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Soares – Alegre

Não houve o duelo fratricida que a direita esperava e que a esquerda temia.

Nestas presidenciais ficaram em silêncio os rancores que dilaceram a direita . Eles surgirão depois da tomada de posse do próximo presidente da República.

Alguns vencimentos do Estado

(Clique na tabela para ampliar)

O TGV e a direita

Há algum tempo que o PSD, para fingir que existe sem Cavaco Silva, vem contestando o TGV e o aeroporto da OTA.

O Blasfémias, o mais popular blog da direita, para não dizer abertamente reaccionário, não perde a oportunidade para zurzir os Governos do PS.

Curiosamente, os mesmos que condenam as duas linhas lançadas pelo PS, as que têm racionalidade económica, esqueceram-se das cinco (5) linhas assinadas por Aznar e Durão Barroso.

Esta direita precisa de um tónico para a memória.

Recorte do Correio da Manhã

Clique na imagem para ampliar

terça-feira, dezembro 13, 2005

Águas de Coimbra

A empresa municipal Águas de Coimbra propõe um novo tarifário com aumentos de 12,5%.

Alguém sabe dizer qual o benefício das empresas municipais para os munícipes e funcionários?

Não falo nos lugares de administração que criaram e na facilidade de colocação de pessoas ao arrepio das normas que são exigidas à função pública.

Câmara Municipal de Coimbra

O PSD nomeou o epidemiologista e professor de Medicina Massano Cardoso como porta-voz do PSD para as questões do ambiente.

O combate à co-incineração rendeu-lhe um lugar de deputado, na bancada do PSD, na anterior legislatura. Agora é a voz do PSD, em Coimbra, para as questões do ambiente com o pseudónimo de Provedor do Ambiente e da Qualidade de Vida.

O Presidente da Câmara salientou a independência do empossado. De facto, o Professor Massano é independente de qualquer outro partido que não seja o PSD.

No tempo de Manuel Machado havia o pudor de nomear alguém da oposição.

Espaço dos leitores

Escola de Atenas - Rafael

A agressão a Mário Soares

O episódio de Barcelos é uma mancha indelével nesta campanha eleitoral.

Aquele homem torvo de ódio, rosto alterado, agressivo e, quiçá, ideologicamente cego, que, décadas depois, ainda transporta traumas da guerra, virou-se contra um candidato que dedicou a vida à causa da liberdade.

Aquela boina exibida, como quem prepara um novo embarque para a guerra colonial, é a triste metáfora do espírito colonialista que ainda grassa nos meios mais reaccionários.

Naquele gesto sombrio está a ameaça que a liberdade ainda corre, o perigo que espreita a democracia, a falta de tolerância que três décadas de liberdade não conseguiram criar.

Aquele antigo militar deve ser procurado para se saber se precisa de apoio médico ou se reflecte alguma ideologia que se cultive em associações de antigos combatentes. Quem não fez a catarse dos traumas de guerra é um perigo constante para a democracia.

Muitos expedicionários abandonaram a Liga dos Antigos Combatentes quando se deram conta de que integravam a sua direcção generais cúmplices da ditadura e com posições de extrema-direita. Várias associações de tropas especiais mantêm o espírito de corpo e posições abertamente reaccionárias.

O ataque a qualquer candidato e a perturbação do combate democrático é uma nódoa que encarde a democracia e ofende a cidadania.

O silêncio e a minimização do incidente só contribuem para novos avanços das forças totalitárias que o 25 de Abril derrotou.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Louçã - Alegre

A enorme qualidade intelectual e dimensão cívica de dois personagens da nossa história contemporânea foi, uma vez mais, tornada baça por um modelo que desfavorece os candidatos, prejudica a percepção dos eleitores e desprestigia os jornalistas.

Este formato é uma tentativa para fingir um tratamento igual para todos os candidatos e acaba numa monótona e repetitiva afirmação de posições conhecidas.

Esta é uma forma de favorecer quem teme os debates e esconde as ideias em prejuízo de quem está mais empenhado e é mais genuíno.

Uma dívida de gratidão

Naqueles longínquos anos 80 o Prof. Aníbal Cavaco Silva era docente na Universidade Nova de Lisboa.

Mas o prestígio académico e político que entretanto granjeara (recorde-se que havia já sido ministro das Finanças do 1º Governo da A.D.) cedo levaram a que fosse igualmente convidado para dar aulas na Universidade Católica.

Ora, embora esta acumulação de funções muito certamente nunca lhe tivesse suscitado dúvidas ou sequer provocado quaisquer enganos, o que é facto é que, pelos vistos, ela se revelou excessivamente onerosa para o Prof. Cavaco Silva.

Como é natural, as faltas às aulas – obviamente às aulas da Universidade Nova – começaram a suceder-se a um ritmo cada vez mais intolerável para os órgãos directivos da Universidade.

A tal ponto que não restou outra alternativa ao Reitor da Universidade Nova, na ocasião o Prof. Alfredo de Sousa, que não instaurar ao Prof. Aníbal Cavaco Silva um processo disciplinar conducente ao seu despedimento por acumulação de faltas injustificadas.

Instruído o processo disciplinar na Universidade Nova, foi o mesmo devidamente encaminhado para o Ministério da Educação a quem, como é bom de ver, competia uma decisão definitiva sobre o assunto.

Na ocasião era ministro da Educação o Prof. João de Deus Pinheiro.

Ora, o que é facto é que o processo disciplinar instaurado ao Prof. Aníbal Cavaco Silva, e que conduziria provavelmente ao seu despedimento do cargo de docente da Universidade Nova, foi andando aos tropeções, de serviço em serviço e de corredor em corredor, pelos confins do Ministério da Educação.

Até que, ninguém sabe bem como nem porquê... desapareceu sem deixar rasto...

E até ao dia de hoje nunca mais apareceu.

Dos intervenientes desta história, com um final comprovadamente tão feliz, sabe-se que entretanto o Prof. Cavaco Silva foi nomeado Primeiro-ministro.

E sabe-se também que o Prof. João de Deus Pinheiro veio mais tarde a ser nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros de um dos Governos do Prof. Cavaco Silva, sem que tivesse constituído impedimento a tal nomeação o seu anterior desempenho, tido geralmente como medíocre, à frente do Ministério da Educação.

Do mesmo modo, o seu desempenho como ministro dos Negócios Estrangeiros, pejado de erros e sucessivas “gaffes”, a tal ponto de ser ultrapassado em competência e protagonismo por um dos seus jovens secretários de Estado, de nome José Manuel Durão Barroso, não constituiu impedimento para que o Primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva viesse mais tarde a guindar João de Deus Pinheiro para o cargo de Comissário Europeu.

De qualquer modo, e como é bom de ver, também não foi o desempenho do Prof. João de Deus Pinheiro como Comissário Europeu, sempre pejado de incidentes e críticas, e de quem se dizia que andava por Bruxelas a jogar golfe e pouco mais, que impediu mais tarde o Primeiro-ministro Cavaco Silva de o reconduzir no cargo.A amizade é, de facto, uma coisa muito bonita...

Luis Grave Rodrigues

Nota: O autor deste texto é o mesmo ilustre advogado que denunciou o antigo director da PSP, nomeado por Santana Lopes, depois de reformado por doença psiquiátrica comprovada por atestado médico.

O fascismo existe

Como prova, aqui fica o comentário anónimo de um inane leitor do «Ponte Europa», com erros de ortografia e o resto:

«Anonymous said...
Porque terá sido! Ai angola angola! o que tu soares fizeste contra ela! (O teu filho é que sabe, foi lá buscar diamantes!)Mas mais grave, que um simples homem que se sente injustiçado, foi a resposta de um candidato presidencial a dizer "é um pobre homem é um deficiente mental!"Enfim, isto filhos de padres, não se pode esperar grande coisa!Mas não se admirem, pois nós já estamos habituados à buçalidade de Soares, quem não se lembra da sua delicadeza com um simples policia a cumprir a sua missão: " Ó Xô guarda... dexapareça..."Enfim, e quer este senhor voltar a ser presidente da República!...
1:53 AM

domingo, dezembro 11, 2005

O fascismo acabou?

2005-12-11 - 17:43:00

Em Barcelos Ex-combatente tenta agredir Soares

Paulo Novais/lusa

«Um ex-combatente tentou agredir Mário Soares este domingo à tarde em Barcelos, durante mais uma acção de campanha do candidato à Presidência da República.

Após uma troca de palavras mais intensa, o ex-combatente insultou Soares e tentou mesmo agredi-lo, tendo sido impedido de concretizar o acto pelo 'staff' do candidato apoiado pelo Partido Socialista.

Mário Soares cumprimentava alguns apoiantes durante uma acção de rua em Barcelos, quando foi abordado por um homem, ex-combatente da guerra do Ultramar, que o insultou, fazendo referências a alegados apoios de Soares aos antigos movimentos independentistas africanos».

(Sem comentários)

CONFIANÇA?

«O dr. Cavaco acha altamente "anormal" que a "crise de confiança" permaneça, apesar da maioria absoluta do PS. Não lhe ocorre que a "crise de confiança" é, em primeiro lugar, uma "crise de confiança" no regime, talvez porque ele próprio não se considera parte do regime.

Mas basta pensar na nossa feia história de 85 até hoje para perceber que seria, ao contrário, altamente anormal se um pequeno episódio político, como a última eleição parlamentar ou a próxima eleição do Presidente, conseguissem de repente apagar o efeito acumulado de um desastre de vinte anos.

O "cavaquismo" acabou, e não por acaso, no meio de uma densa hostilidade do país: tinha prometido que os portugueses "nunca mais voltariam a apertar o cinto" e, no fim, tinha "apertado o cinto" aos portugueses; tinha prometido a "modernização" de Portugal e, no fim, fora um verniz de superfície, Portugal continuava arcaico. Depois de um optimismo quase histérico fazia uma saída de sendeiro». (...) (VASCO PULIDO VALENTE in «Público», hoje).


Nota - O artigo continua demolidor para todos os primeiros-ministros que se seguiram mas omite os anteriores.

PSD toma conta de Cavaco

Candidato diz-se «suprapartidário». Mas a sua estrutura de campanha está nas mãos do PSD.
(EXPRESSO, 10-12-05)

Perguntas: Quem iria pagar as dívidas da campanha? Ou acontecerá o mesmo que fizeram a Freitas do Amaral que teve de as pagar do seu bolso?


Não apoiado

Mário Soares defendeu a demissão de Manuel Alegre do PS.

Óbvio ululante

«O Cavaco que surgiu nesta campanha presidencial é um Cavaco anestesiado. Um Cavaco que parece tomar Xanax antes dos debates».

(José António Saraiva, Expresso – 10-12-2005)

sábado, dezembro 10, 2005

O capitão jurou

Vasco Pulido Valente - cartoon de Zé Dalmeida
Vale a pena ler este texto, hoje publicado no «Público» por VPV que fez parte do Governo de Sá Carneiro:

«Quinta-feira, em Faro, Cavaco voltou à sua encarnação de "exímio demagogo", como antigamente lhe chamava o prof. Marcelo. Lembrando que Portugal "já foi um país de sucesso" e que nessa altura o comparavam à "Califórnia da Europa", Cavaco prometeu o próximo advento de um novo reino de leite e mel.

De facto, nunca ninguém nos comparou à "Califórnia da Europa". Existia, sim, em 87, um bando de palermas que dissertava, muito a sério, sobre o futuro "modelo português": devia Portugal ser a Florida ou a Califórnia da Europa? Ser a Florida era ser um asilo para reformados ricos, pelo menos no Sul, à conta do golfe, do sol e do peixe fresco. Ser a Califórnia era explorar o privilegiado cérebro do indígena, de maneira a que aparecesse a cada canto um Silicon Valley. Nada disto, como se calculará, faz qualquer sentido. Mas ficou na cabeça do dr. Cavaco, que hoje nos torna a servir tranquilamente essa grotesca propaganda. Por falta de seriedade ou de informação?

Em Faro, o dr. Cavaco também retoricamente perguntou se há "alguma razão para que em Portugal o crescimento económico seja zero" e "em Espanha mais de 3 por cento", quando a "envolvente internacional" é a mesma e tanto Portugal como a Espanha "suportam a mesma conjuntura". O primeiro economista não inteiramente iletrado poderia explicar ao dr. Cavaco as mil e uma razões dessa diferença.

Falando só da Espanha e só a título de exemplo: a dimensão do território e do mercado, a população, a industrialização da Catalunha e do País Basco no século XIX, a presença no Mediterrâneo e na América Latina, o peso na "Europa", o policentrismo, a vitalidade das regiões (até durante a Ditadura), a política do franquismo a partir de 1960, a natureza do actual Estado democrático e a política do PSOE e do PP que durante anos preferiram o desemprego (e um desemprego altíssimo) a tentar salvar o que já estava morto. O dr. Cavaco ignora ou não ignora esta evidência? Falta de seriedade ou de informação?

Uma coisa é certa: a megalomania manda. Para Cavaco, Portugal precisa urgentemente de Cavaco. Em Belém, Cavaco acabará com a instabilidade (que instabilidade?) e ajudará a fixar "um rumo". "Um rumo certo", claro: nem ele jamais fixaria um rumo errado. E daí em diante, basta que toda a gente se ponha a remar como lhe compete. Terras de Espanha e a areia de ouro da Califórnia esperam por nós. O capitão jurou.
Vasco Pulido Valente in «Público»
Adenda: O preâmbulo ao texto de VPV foi modificado. VPV foi secretário de Estado da Presidência e da Cultura de Sá Carneiro e não de Cavaco Silva como, por erro, escrevi.

A União Europeia, a investigação e o preconceito


Durão Barroso repete os erros e pretende passar à história não apenas como um mau presidente da Comissão Europeia mas como o mais reaccionário.

Esquecido da triste novela de Rocco Butiglione, o homem de mão de Berlusconi e do Vaticano cujas posições ideológicas indignaram o Parlamento Europeu e lhe fizeram averbar uma vergonhosa derrota, Durão Barroso reincide no que parece ser uma deriva ideológica à direita, perante o silêncio da comunicação social autóctone.

A composição do Grupo europeu de ética abriu uma polémica que compromete o presidente da CE. «Estamos chocados que tenha escolhido tantas personalidades próximas do Vaticano» declarou ao Le Monde de ontem Robert Goebbels, socialista luxemburguês especialista em questões de ética das ciências e das novas tecnologias.

Dos quinze membros do Grupo europeu, cinco são « activistas da direita católica, sem qualquer competência específica», afirmou ao Monde o deputado socialista Philipe Busquin, ex-comissário belga encarregado da investigação.

A promissora investigação sobre as células embrionárias, vital para os avanços terapêuticos e para a competição europeia, ficam dependentes de personalidades tão controversas como o italiano Carlo Casini, presidente do movimento pró-vida e membro da Academia pontifícia «para a vida» ou do polaco Krzysztof Marczewski, professor de ética da Universidade de Lublin.

À Itália, Polónia, Áustria, Eslováqua e Malta - suspeitos do costume -, junta-se agora a Alemanha como minoria de bloqueio a tornar sombrio o futuro da investigação e o seu financiamento.

Durão Barroso sai uma vez mais pela direita baixa.

Fonte: Rafaële Rivais
Le Monde – edição de 09.12.05