quarta-feira, março 22, 2006

A CAP e o ministro da Agricultura

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) é uma associação legítima cujo direito de manifestação é indiscutível. Serve-se, e bem, de uma conquista democrática.

Claro que a lembrança do falecido José Manuel Casqueiro e do Prof. Rosado Fernandes, respectivamente secretário-geral e Presidente da CAP, deixou-me a sensação de que o fervor democrático não fazia parte do seu código genético.

Não sei quanto terá custado ao País o silêncio a que se remeteu a CAP, de há anos a esta parte, que verbas arrecadaram os latifundiários em detrimento dos pequenos e médios agricultores ou – o que é mais importante –, o que fizeram com os abundantes subsídios na defesa e melhoria da produção agrícola.

O direito de manifestação, repito, é legítimo. O corte de estradas é um caso de polícia.

Tenho a vaga sensação de que os associados da CAP confundem agricultores e agrários, usando a primeira designação para, através da confusão semântica, semearem a confusão enquanto procuram deitar a mão às contribuições vindas de Bruxelas.

Diz-me a intuição que não são as sementeiras que os preocupam mas os subsídios para manterem as terras de pousio.

Ontem pararam Vila Franca de Xira, cortaram a Estrada Nacional 10 e ameaçaram não parar. Não lhes faltam meios nem cumplicidades. Veremos até onde o Governo resiste à chantagem e arruaça dos interesses que se acoitam na CAP.

Se contestam o ministro da Agricultura, não tenho dúvida de que lado está a razão. É a prova de que Jaime Silva é um ministro corajoso, honesto e conhecedor do sector.

3 Comments:

At quarta mar 22, 07:43:00 da tarde, Anonymous e-pá! said...

Esperança:

Sejamos claros! A CAP, sempre entendeu a Esquerda (temos de perder o medo em falar claro)que foi, e tudo indica que continua a ser, uma associação de agricultores com objectivos políticos reaccionários, quer nas questões fundiárias, quer nas políticas de cultivo, quer nos direitos sociais dos trabalhadores rurais. Sempre defendeu os interesses dos grandes agrários e, nos tempos mais recentes, abandonou praticamente os campos e virou-se para a subsídiodependencia. Subsídios para os seus! Só para os seus associados.
São pseudo-rurais (pouco conhecem do verdadeiro "Mundo Rural"),cheios de vícios urbanos.

Deixá-los manifestar - cedo se conhecerá a sua verdadeira face!
É que andar na rua, expõe...

 
At quarta mar 22, 10:55:00 da tarde, Anonymous carlos arinto said...

bravo, excelente post.
Conheço muitos tratores, guardados em armazens, que só servem para as manifestações.
A "terra" não é produtiva, porque é muito melhor receber para não fazer.

 
At quarta mar 22, 11:47:00 da tarde, Blogger cardeal patriarca said...

O eh-pá deu-lho no osso.

Esses Senhores da CAP, desaparecidos em combate porque estavam a mamar, voltaram para defender o que têm tido.

O dinheiro que tanta falta fez para desenvolver o mundo rural.

É perigoso bater nos estudantes nesta época de transição, como se está a ver em França, já que estes são agentes do futuro, apesar de incerto.

Mas estes tipos da CAP estão a pedi-lase podem-lhe chegar à vontade que não há alteração da ordem pública.

PS: Sei que com este nome devia pedir paz, mas a questão é de espantar os vendilhões do templo.

 

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