segunda-feira, outubro 09, 2006

Pensem nisso...


Foi com voz calma, não mostrando a cara para não se tornar vedeta, que uma mulher de cinquenta anos reclamou hoje, em entrevista à SIC, o direito de morrer.

Não receia a morte, teme a vida e o sofrimento a que está condenada e a que condena os que ama e a amam. É uma mulher que se exprime com desenvoltura e serenidade.

O cancro do estômago avança inexoravelmente e ela não se queixa da vida. É a doente terminal que reclama o direito a morrer sem mais sofrimento. Pensa em quem não teve a vida que ela viveu, nos que não tiveram direito à felicidade que ela teve e nos que não chegaram à sua idade.

Definiu a eutanásia como «caridade cristã». Admite que um dia as suas palavras possam ajudar outros a ter o direito que agora lhe negam, «talvez daqui por dez anos».

Voz profética, caldeada no sofrimento, de arrepiante lucidez. A força arrebatadora de uma mulher cuja fase terminal não lhe roubou a inteligência. Uma enorme humanidade.

Direito à eutanásia?

- «Pensem nisso» - disse.

9 Comments:

At segunda out 09, 11:22:00 da tarde, Blogger Camisa Azul said...

Sempre fui pela vida.
Tive um caso idêntico na família. Até ao último momento tive esperança.
Devemos sim é apostar nos cuidados paliativos.

 
At terça out 10, 10:13:00 da manhã, Anonymous e-pá! said...

A eutanásia permanece um tabu na sociedade.
Não é bom que isso aconteça.
Estamos perante um tremendo conflito entre a ética e a dignidade humana.
Algum dia terá de ser resolvido, precedido de uma ampla e serena discussão.
No entanto, neste momento, o que está na ordem do dia é a IVG.
Na mesma, um debate sobre a ética e a dignidade humana.
Não devemos ter a pretensão de fazer tudo ao mesmo tempo.
A sociedade tem cada vez menos tempo para pensar e enfrentar tabus, sem dogmatismos do tipo "sempre fui pela vida".
Muito embora esteja tudo, ainda, por discutir, todos sabemos que o problema não se resume a isso.

 
At terça out 10, 10:20:00 da manhã, Anonymous pai de família said...

È como eu sempre disse, que qualquer dia legalizam tudo.
Legalizam o aborto e depois o casamento entre maricas e adopção de crianças por estas aberrações sub-humanas. Depois é o sexo e casamento com animais, droga, a eutanásia e, quem sabe, o canibalismo.
È a cultura de morte em toda a sua força. Acaba-se com a vida e com a civilização. Regressa-se à barbárie.
Mas porque é que os comunas ateus vivem obcecados com a morte, seja de criancinhas inocentes, seja de doentes indefesos?

 
At terça out 10, 10:34:00 da manhã, Anonymous e-pá! said...

Na verdade o que me impressiona são as irrevogáveis certezas de alguns predestinados guardiãos do templo.

A senhora que ontem, na TV, expôs o seu dilacerante problema deve ser considerada uma "comuna", uma insaciável "comedora de criancinhas" ou uma homofóbica inveterada. "Caridades" cristãs... que, nos momentos críticos, vêm à tona.

Ou, então:
como um pretenso respeito pela vida se transforma num miserável desrespeito pelos "outros".

 
At terça out 10, 05:17:00 da tarde, Blogger Elsa said...

Só quem nunca viveu uma situação semelhante pode não entender que todos nós (seres humanos) temos o direito de viver e morrer em dignidade...
Um doente com cancro em fase terminal tem tudo menos qualidade de vida...eu diria mesmo: tem tudo o que há de pior para ele e nenhuma vida.
Não vi a reportagem mas acredito que se a senhora falou do seu caso é porque está consciente do que lhe vai acontecer ... e ela não imagina nem metade...
A eutanásia há muito que deveria ter sido legalizada. Que eu saiba depois de estar legalizada ninguém será obrigado a morrer por isso... juro que ás vezes não percebo estes falsos "puritanismos" da nossa sociedade.
Acho que todos nós devíamos ter o direito a escolher o nosso fim. Nada é mais cruel para uma família do que ver quem ama a morrer dia após dia sem poder fazer nada para impedir que a degradação física e mental continue.
Infelizmente sei do que falo.
Obrigada por pelo menos ter feito algumas pessoas pensarem um pouco mais nisso com este post!
:o)

 
At terça out 10, 08:27:00 da tarde, Anonymous pai de família said...

Bem falava o Padre Lereno. Sábias palavras...
Nas eleições venceu a esquerda, com a sua cultura de morte.

 
At quarta out 11, 10:27:00 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Nascer e Morrer, são acontecimentos cuja vontade e sentido não são do nosso pelouro, a questão importante é perceber o caminho, porquê e para quê? Por mais doloroso que ele seja! O sofrimento é muito amargo, muito doloroso e tenho a certeza que é possível melhorar muito a qualidade de vida dos doentes terminais. Agora os direitos nestas questões da Vida e da Morte não são dos homens.

 
At quarta out 11, 12:07:00 da tarde, Anonymous e-pá! said...

pai de família:

"Nas eleições venceu a esquerda, com a sua cultura de morte."

Para sua orientação política e pacificação espiritual em relação à esquerda, lembro-lhe um exemplo próximo (ibérico)- há muitos - o general fascista Millán Astray, com o seu célebre (pela negativa) grito, na Universidade de Salamanca:

Viva la muerte!
Muera la inteligencia!

 
At quarta out 11, 12:25:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Afinal o sofrimento é tão querido ao sentimento cristão . . .

 

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