terça-feira, fevereiro 28, 2006

Notas soltas: Fevereiro/2006

Palestina – Não sei se o regime saído da vitória do Hamas deva ser visto como democracia fascista ou teocracia democrática, sendo certo que a exigência da sharia e da erradicação de Israel revela a demência do fascismo islâmico.

Cavaco Silva – O primeiro P.R. de direita, depois de Américo Tomás, e o único democraticamente eleito desde 1926, suscita receio a alguns e euforia a outros, atitudes que o perfil do novo presidente e os limites constitucionais não consentem.

Manuel Alegre – Um milhão de votos é o balão que se esvazia num movimento cívico quando se temeu uma bomba que rebentasse dentro do PS, mas seria um erro ignorar as razões do fenómeno e desdenhar os que o preferiram.

Cartunes – As manifestações incendiárias do Islão, do Médio Oriente à Ásia, não são apenas sinal de devoção a Maomé, onde a religião comanda a vida, são um pretexto para recusar a democracia, a tolerância e a laicidade.

PSD – As demissões de Pedro Passos Coelho e de Vasco Rato são um sintoma de inquietação no partido, que espera ordens de Belém, e põem em causa o líder que obteve duas vitórias consecutivas.

Fátima – Com o pretexto de introduzir «maior vigilância teológica», o santuário vai ser gerido por quatro bispos – uma exigência papal –, e aguarda um representante permanente do Vaticano na gestão corrente. Só em 2004 gerou 19 milhões de euros de lucro.

Jorge Sampaio – Termina o segundo mandato no mais alto cargo da República com amplo apoio dos portugueses. A sua notável cultura e rara sensibilidade ficarão como referência do excelso cidadão, democrata impoluto e patriota a tempo inteiro.

Irão – As ameaças, desvarios e provocações, tendo como pano de fundo a bomba atómica, são um forte incentivo à mobilização da população autóctone mas podem ser o rastilho de uma confrontação mundial.

Iraque – As agressões de soldados britânicos a jovens iraquianos são uma nódoa mais a ensombrar a invasão, uma afronta gratuita e a violação cruel de direitos humanos. E um pretexto suplementar para a guerra civil que se avizinha.

PGR – As escutas telefónicas às mais altas figuras do Estado, incluindo o PR e o primeiro-ministro, são intoleráveis. Urge saber quem as ordenou, quem as consentiu e justificou, para que se possa confiar na Justiça e acreditar no Estado de direito.

EUA – A prisão de Guantánamo, onde as arbitrariedades e a ausência de respeito pelos direitos humanos se perpetuam, a pena de morte, e o conservadorismo evangelista de Bush são motivos de desconfiança na Europa e de preocupação para o mundo.

Dinamarca – A recusa de desculpas pela publicação das caricaturas de Maomé, em defesa da liberdade de imprensa, é um acto corajoso perante quem lapida mulheres, degola infiéis e pratica o terrorismo em nome da fé.

Blasfémia – Os católicos ávidos de converter a sua crença em identidade religiosa do Estado estarão dispostos a censurar «Os Lusíadas» e a «Divina Comédia» por «abusos» e insultos ao Islão?

Energia – Portugal não suporta o agravamento da factura energética e da emissão de gases. «Nuclear? Não, obrigado» ou «Nuclear? Sim, s.f.f.», para dispensar combustíveis fósseis na produção eléctrica? Os riscos já moram junto à fronteira.

Jornal 24 Horas – O golpe de mão policial foi um precedente infeliz que põe em causa o sigilo dos jornalistas e a capacidade do PGR para esclarecer o intolerável caso das escutas aos mais altos responsáveis do Estado.

Lisboa – A alegada tentativa de corrupção do vereador Sá Fernandes, do BE, pelo empresário Domingos Névoa, da empresa Braga Parques, vai ser um rude golpe na habitual impunidade de corruptores e corruptos. Ou na credibilidade da justiça.

S. N. S. – Perante as tergiversações do ministro e os apetites que o negócio da saúde desperta cabe a todos os cidadãos defender a maior conquista do 25 de Abril. A Constituição e o futuro dos portugueses estão em causa.

Arcebispo Marcinkus – Faleceu o antigo presidente do IOR, Banco do Vaticano, implicado na falência fraudulenta do Banco Ambrosiano. Nunca foi julgado, graças à imunidade de que gozam os funcionários do Vaticano. Deixou um filho e uma nódoa nas finanças da Igreja católica que dirigiu durante 18 anos.

Morte de um sem abrigo – A crueldade de um bando de adolescentes, de 13 a 15 anos, que assassinou um travesti, à pedrada, revela a demência homofóbica e o fracasso educativo da pia instituição portuense a quem estavam confiados.

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Nojo



Com o título em epígrafe, transcrevo do Blog Mau tempo no Canil:

«O Expresso explica que um sócio da empresa Bragaparques tentou subornar um vereador da câmara de Lisboa. Quarenta mil contos era o preço do silêncio de José Sá Fernandes (que denunciou a tentativa de corrupção à PJ) sobre a compra dos terrenos da Feira Popular à câmara municipal de Lisboa.

Esta mesma empresa, especializada em construir parques de estacionamento nas principais câmaras do País, já tinha feito um negócio ruinoso para o Estado no Hospital de S. João. A história é simples: em troca do arranjo do parque de estacionamento do hospital, o pagamento de 50 mil contos em material hospitalar, uma renda de 750 contos mensais e uma percentagem de futuras receitas a BragaParques recebeu (do hospital) terrenos para construir um hotel, um centro comercial e um parque subterrâneo.

O problema é que uma das administrações do Hospital de S. João decidiu renegociar o contrato. O Hospital comprometeu-se a pagar à Braga Parques uma percentagem do dinheiro recebido dos utilizadores do seu parque à superfície em troca de mais obras de beneficiação do dito (essas obras já eram o objecto central do contrato original). Resumindo: em alguns meses, o Hospital passa a dever mais de 100 mil contos de rendas à empresa a quem já tinha cedido, ao preço da uva mijona, os seus terrenos . Quando Isabel Ramos, nomeada pelo governo PSD, chega à presidência do Hospital de S. João opõe-se ao pagamento desta dívida. É demitida pelo mesmo ministro que a nomeara. Luís Filipe Pereira de seu nome.

No caso do Metro do Porto, escrito pelo meu amigo Luís Rosa, no Expresso de hoje, a pouca vergonha é do mesmo género. Entre 2000 e 2003, o conselho de administração, liderado pelo arguido do apito dourado, Valentim Loureiro, deu prémios de trabalho ao presidente da empresa de capitais público e aos seus dois administradores executivos. O bando dos três recebeu 650 mil euros de prémios de produtividade apesar da empresa ter apresentado semrpe resultados negativos. O Luís escreve que em 2004 chegaram a 38 milhões de euros de défice.

E explica ainda mais: Oliveira Marques e os dois administradores executivos ganhavam salários de 140 mil euros e de 110 mil euros anuais. Os prémios anuais correspondem a nove salários mensais. Os presidentes de câmara que integravam o conselho de administração (os autarcas Valentim Loureiro, Rui Rio, Narciso Miranda e Mário Almeida) ficavam-se pelos 50 mil euros brutos anuais de compensação pelo trabalho na empresa, que, entre outras obras primas de gestão, conseguiu construir uma ponte por 33 milhões de euros quando era suposto que esta custasse apenas 14 milhões de euros. Foi entregue com três anos de atraso.

Melhor ainda, sabem o que é que o governo faz quando o jornalista lhe pede acesso ao relatório da IGF sobre a Metro do Porto? Primeiro, diz que não entrega. Depois, quando a Comissão de Acesso aos Documentos Administrativo ordena que o jornalista tenha acesso ao relatório, entrega uma versão parcial. Justificação de Teixeira dos Santos: "Prevenir a violação de sã concorrência, proteger a privacidade dos negócios e evitar difusão prejudicial à empresa do Metro Porto".

Termino esta nojeira toda com uma recomendação ao PGR: continue a fazer rusgas nos jornais. Está no bom caminho
.» FTA (Francisco Trigo de Abreu)

A sucessão

Carlos Encarnação garantiu que o Metro de Coimbra era a condição sine qua non para a sua recandidatura à Câmara Municipal. Viu-se.

Sobram problemas e minguam soluções à sua equipa. Nas torres sobre o Mondego permanecem os apartamentos que mandou demolir. Não lhe obedecem ou não quer que lhe obedeçam.

Hoje, está farto de Coimbra. Diz-se que já não aguenta até às eleições para o parlamento europeu. Pina Prata está ansioso por ocupar o lugar – punição que apenas merece quem votou PSD/CDS/PPM.

Os cínicos dizem que a cidade tem o que merece. Coimbra merecia melhor.

domingo, fevereiro 26, 2006

CDS - entre a direita e a extrema-direita


A Lei da Nacionalidade, recentemente aprovada na A.R., é um diploma equilibrado que mereceu os votos favoráveis do PS, PSD e PCP e a abstenção do BE e do CDS.

Compreendem-se as abstenções. O BE gostaria que a lei fosse mais benevolente na concessão da nacionalidade portuguesa e o CDS preferia-a mais exigente, ambos em coerência com o lugar que ocupam no espectro político nacional.

No entanto, Paulo Portas, entregou na passada quinta-feira, na AR, uma declaração em que classificou a lei como «uma concessão ao discurso politicamente correcto e não raro panfletário», acusando Ribeiro e Castro de ter pretendido aprová-la, intento de que teria sido demovido pela persuasão dos deputados Nuno Melo e Nuno Magalhães.

A acusação de Paulo Portas não é apenas o início da contestação à liderança de Ribeiro e Castro, é a colocação do CDS no espaço da direita radical, na franja ideológica com que Manuel Monteiro logrou a expulsão do seio dos partidos conservadores europeus.

Entre a linha civilizada e europeísta de Ribeiro e Castro e o nacionalismo exacerbado de Paulo Portas, acossado por Manuel Monteiro, o CDS desliza para a extrema-direita.

Ainda os cartunes


Juntemos duas peças:
1) este cartune publicado pela Liga Árabe Europeia, que encontrei no pitecos (excelente!) e

2) esta reflexão de Boaventura Sousa Santos, que se encontra na página do Centro de Estudos Sociais (mais um centro de excelência da Universidade de Coimbra, a propósito).

Quem acompanhou o Ponte Europa, sabe que não hesitei - tal como o fez veementemente o Carlos Esperança - um segundo em defender o direito à publicação dos famigerados cartunes (ainda que provenientes de um jornal de extrema-direita) e que repudiei desde a primeira hora a violência orquestrada e com motivos políticos concretos: a meu ver, a conquista do poder a médio prazo no Paquistão e no Egipto por parte dos fundamentalistas islâmicos.

Ataquei e censurei politicamente a posição do Ministro dos Negócios Estrangeiros português, porque não demonstrou solidariedade com a Presidência austríaca da União Europeia, não articulou a sua posição com a do Presidente da República e não censurou a violência organizada contra embaixadas e empresas de países irmãos da Europa.

Agora, é tempo de outras reflexões.

Agora sim, ‑ mas só agora! (porque razão antes de tempo é não-razão!) – é a altura de vermos os problemas um pouco mais fundo.

E, para tanto, aqui deixo estas duas propostas de reflexão.

Ponte Europa

Agradeço, em nome dos colaboradores do «Ponte Europa», as palavras amáveis com que vários leitores quiseram distinguir-nos por ocasião do nosso 1.º aniversário.

Esperamos que continuem a honrar-nos com os comentários, solidários ou hostis, com a elegância e honestidade que os actuais visitantes usam.

A democracia pratica-se no confronto dialéctico onde a cidadania se exerce.

A caixa de comentários, aberta à intervenção dos leitores, foi uma opção com riscos que voluntariamente quisemos correr. Os leitores podem dialogar entre si e interpelar-nos.

Quanto à orientação ideológica e posicionamento político não enganamos ninguém. Quem nos visita sabe quem somos e como pensamos.

Obrigado a todos.

sábado, fevereiro 25, 2006

Quem são os infiéis?

(cartoon de Zédalmeida)
.
Os sunitas incendiaram a quarta maior mesquita do Iraque. Os xiitas, que detêm o poder, retaliaram com violência.

O ódio anda à solta entre os dois ramos do Islão. O Iraque é o laboratório da vingança entre crentes unidos por cinco orações diárias e desavindos por dois imãs e, sobretudo, pelo controlo do inexistente aparelho de Estado.

As orações e o ódio vão aumentar. Com imensa fé.

Direitos e deveres iguais


Se qualquer magistrado só pode ser julgado por um tribunal superior, por que razão aos titulares de órgãos de soberania está reservado tratamento diferente?

Não se compreendem, aliás, as excepções à obrigação de apresentar relação do património.

Ponte Europa – 1.º Aniversário

Há um ano, neste dia, nasceu o «Ponte Europa». O André Pereira deu o pontapé de saída nesta aventura que prossegue.

Havia necessidade de preservar o nome da esbelta ponte que une as duas margens do Mondego e que o pio edil Carlos Encarnação quis, na ânsia de expiar alguns pecados, crismar com outro nome que trazia no seu devocionário.

O Ponte Europa em breve se tornou espaço de discussão política e intervenção cívica, primeiro com predominância de empedernidos reaccionários, depois com uma alargada e plural frequência de comentadores cujo espírito crítico, ainda que vigoroso, apraz apreciar e agradecer.

O Ponte Europa continuará fiel aos princípios do pluralismo democrático, em sintonia com a Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Respeita a sã convivência democrática e luta pelo aprofundamento da democracia nos seus aspectos económicos, sociais e políticos, certo de que o sufrágio popular é ainda o mais fiel indicador da vontade colectiva.

Os princípios que defende são a expressão das convicções de cada um de nós e não a forma de obter benefícios de qualquer natureza. É este espírito que nos anima.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Homofobia assassina

Treze adolescentes, entre os 13 e os 15 anos, suspeitos de terem assassinado um travesti à pancada e à pedrada e de, posteriormente, tentarem ocultar o cadáver, conhecem hoje a decisão do juiz.

O que poderá levar um bando de garotos, marginais e rudimentarmente alfabetizados, a níveis tão elevados de violência e à ausência de quaisquer sentimentos de piedade?

A homofobia, que parece exacerbar-se nos que mais temem a homossexualidade, é um preconceito comum às religiões monoteístas que consideram tal opção sexual como um dos mais abomináveis pecados, punível com a pena de morte.

Em Portugal, sobretudo nos meios rurais, despertou sempre ódios incontroláveis e perseguições violentas.

Mas, para a crueldade inaudita não serão estranhas as manifestações de ódio que alguns sectores da sociedade e certos plumitivos desenvolvem contra as minorias sexuais e a violência que os sectores mais reaccionários cultivam.

Urbi et orbi

Em artigo de opinião (Diário as Beiras, hoje), Mário Nunes, homem de cultura e vereador da mesma, escreve a propósito de um livro do Arq. Rui Lobo, trabalho académico destinado a provas de Aptidão Pedagógica e Capacidade Científica, na sua Faculdade, o seguinte:

Rui Lobo, no seu livro «Santa Cruz e a Rua da Sofia – Arquitectura e urbanismo no século XVI», oferece-nos um trabalho científico de extraordinário valor e interesse, evidenciando ao longo do mesmo as razões da abertura da rua.

E termina:

«Parabéns ao Rui Lobo pelo estudo que oferece a Coimbra, ao País e ao Mundo».

Trabalhos deste tipo destinam-se habitualmente à Faculdade respectiva mas, dada a dimensão do vereador e a da Rua da Sofia (440 metros), o âmbito passa a »Mundial».

Apesar das dificuldades...

Movimento Cívico Não Apaguem a Memória

"Movimento Cívico Não Apaguem a Memória! convoca Conferência de Imprensa

Convidamos os Órgãos de Comunicação Social para participarem na Conferência de Imprensa a realizar sexta-feira, dia 24 de Fevereiro, às 18 horas, na Sede da Associação 25 de Abril (Rua da Misericórdia, 95, Lisboa), tendo como finalidade denunciar a inqualificável atitude persecutória das autoridades policiais sobre dois membros do Movimento Cívico "Não apaguem a Memória!" (o "capitão de Abril" Duran Clemente e João Almeida) e informar sobre os princípios orientadores e actividades deste Movimento.
Os cidadãos referidos estarão presentes nesta Conferência de Imprensa."

Saudações cordiais.

Henrique Sousa

Zeca Afonso - 19 anos de saudade



Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
*
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
*
Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
*
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena
*
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade
**


O homem e a vida, a poesia e a voz, o cidadão e a música hão-de perdurar como marca indelével de um tempo em que se escreveu, lutando, a palavra LIBERDADE.

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

PS - 1 ano depois

Perante a herança recebida, a fragilidade da economia europeia e a debilidade estrutural do aparelho produtivo português, era difícil ao Governo de Sócrates fazer melhor.

Não se pode dizer que foram fáceis as receitas, que são brandas as medidas ou que não haja uma enorme quantidade de portugueses a sofrer com a austeridade.

Não há modelos alternativos consistentes ou medidas que não pequem pelo carácter utópico e/ou demagógico.

Globalmente, o Governo de Portugal tomou medidas corajosas e fez o que devia. Dói muito a muitos portugueses mas as decisões não podiam continuar adiadas.

Os socialistas não devem envergonhar-se do seu Governo. E não esperem que sejam os outros partidos a defendê-lo. É nos momentos difíceis que a fidelidade aos princípios se torna mais urgente e necessária.

E, como dizia Torga, «quem faz o que pode, faz o que deve.

Sócrates e o seu Governo, por muito que custe, fizeram o que deviam. Com coragem. Com determinação. Com patriotismo.

Parabéns pelo primeiro aniversário.

Contra a impunidade

«Temos o direito e o dever de nos indignar com a impunidade dos responsáveis por inadmissíveis escutas telefónicas, enquanto só se parece perseguir os que revelaram a sua existência».

José Carlos de Vasconcelos – Visão, hoje.

Olha quem fala...


Bin Laden critica "tácticas bárbaras" dos EUA

Líder da al-Qaeda compara métodos norte-americanos aos de Saddam Hussein

Osama bin Laden, através da difusão de uma gravação áudio na Internet, acusou ontem as tropas norte-americanas de usarem as mesmas tácticas «bárbaras» do antigo Presidente iraquiano Saddam Hussein.

A demência do terrorista não lhe retira a razão, apenas o comprometem os actos.

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Depois dos fogos...

Gonçalo Capitão

Gonçalo Capitão, ex-deputado social-democrata, vai exercer funções na Embaixada de Portugal na Venezuela.. A nomeação foi ontem oficialmente confirmada, em comunicado, pelo MNE – anuncia hoje o Diário de Notícias (sítio indisponível).

O jurista, de Coimbra, que agora vai iniciar funções numa embaixada, foi um destacado apoiante de Santana Lopes.

Ponte Europa regista o exercício de funções novas pelo nosso ilustre conterrâneo e deseja-lhe felicidades no seu desempenho.

Alternativas

Pressão sobre Governo atinge hoje o ponto mais alto das últimas três décadas

"Catorze especialistas portugueses e estrangeiros em energia, maioritariamente favoráveis ao nuclear, reúnem-se hoje em Lisboa para uma conferência em que o assunto será debatido. Nenhum membro do Governo estará presente no encontro, mas é a entidade sob maior pressão neste momento, com vários sinais de movimentações de bastidores e de uma alegada disponibilidade para discutir o assunto. O tom de rejeição com que reagiu há oito meses à primeira abordagem dos defensores do nuclear é agora menos perceptível".-Público-22/02/2005

Na minha opinião é uma alternativa válida para diminuir a nossa dependência energética ( eléctrica), mas penso que só deveria ser utilizada após atingirmos o potencial em termos de energias renováveis, isto apesar das centrais nucleares espanholas estarem muito perto da fronteira e junto ao Tejo, o que implica, desde já, a existência de algum risco.

Ao nível global a boa noticia é a preocupação da Administração Bush (finalmente) pelo rápido aumento das energias renováveis, no entanto esta preocupação apenas surge na medida que é estrategicamente importante para EUA não estarem dependentes de nações por eles consideradas instáveis e inimigas e não por qualquer preocupação profunda sobre o equilíbrio ambiental ou sobre o desenvolvimento sustentável.

Contudo é positiva esta evolução da Administração Bush e acredito que pode ser o impulso que faltava para o início de uma revolução energética que permita a substituição do petróleo (até porque não é inesgotável) por alternativas mais “limpas” e amigas do ambiente.

Vandalismo - Largo da Cruz de Celas, ontem


(foto amavelmente cedida por DMA)

aos quatro ventos




Mário Nunes adiantou à Lusa que com o evento pretende-se também proporcionar a turistas e moradores o contacto com a Canção de Coimbra, 'ex-libris' da cultura musical coimbrã, uma cultura musical que tem levado o nome da cidade aos quatro ventos.”

Agência Lusa, 24/05/2004,Citação de O Fado e Portugal.

O blog MARIO NUNES DIXIT está para o vereador da Cultura como Zagalo para o Conde D'Abranhos. Sem o seu persistente labor, quantas pérolas da cultura, produzidas pelo vereador da mesma, não se perderiam?

É uma forma de recordarmos um famoso jornal autóctone a noticiar que «faltou a luz na Rua Visconde da mesma».

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Lúcia, Salazar e Cerejeira




(Clique para ampliar)

Nada é perfeito

Vândalos à solta

(Serra da Estrela)

Rui Rio está a ser ouvido como arguido

Rui Rio está a ser ouvido como arguido no DIAP, apurou a TSF. O presidente da Câmara Municipal encontra-se no momento ser ouvido como arguido no Departamento de Investigação e Acção Criminal do Porto, desconhecendo-se ainda qual o processo pelo qual está a ser ouvido.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Bento XVI e as caricaturas de Maomé

Bento XVI só hoje se pronunciou sobre a polémica em torno das caricaturas de Maomé.

«É necessário e urgente que as religiões e os seus símbolos sejam respeitados e que os crentes não sejam alvo de provocações que firam a sua iniciativa e os seus sentimentos religiosos» - disse Bento XVI durante a audiência ao embaixador marroquino junto do Vaticano, Ali Achour.

Para o Papa, este é o código de conduta a que todos se devem submeter. Não teve uma palavra de censura para a violência, uma manifestação de desagrado para quem lapida mulheres, degola infiéis, tortura reclusos, assassina apóstatas, promove o terrorismo e faz do livro sagrado a única fonte de valores e do direito.

Os israelitas certamente continuam à espera de uma palavra do Vaticano contra o líder do Irão, que nega o holocausto e pretende erradicar Israel.

A Declaração Universal dos Direitos do Homem não se sobrepõe ao Corão e a defesa da liberdade não é uma questão «necessária e urgente» na agenda do actual pontificado.

Mentiras e preconceitos


(Origem e autor desconhecidos)

O regresso de Portas

Há um ano, Paulo Portas era um fato às riscas com o ministro da Defesa dentro. Passava revistas aos mancebos, encomendava helicópteros e frequentava missas com a mesma sofreguidão com que beijava peixeiras nas praças e comerciantes nas feiras.

Veio ao primeiro funeral da Irmã Lúcia e misturou-se com os familiares com o pretexto de que era muito chegado à carmelita. Caiu mal o aproveitamento e nem a devoção o salvou de falhar todos os objectivos eleitorais que se propôs.

Em 20 de Fevereiro de 2005 demitiu-se de presidente do CDS, um partido enfermo e à espera de um milagre, para aparecer de novo, agora, a preparar o futuro político.

Portas regressa à política activa.

O anticavaquismo de direita está de volta.

domingo, fevereiro 19, 2006

Movimento de Intervenção e Cidadania

Teve lugar ontem, em Coimbra, o primeiro Conselho Nacional Provisório do Movimento de Intervenção e Cidadania, que nasceu sob os auspícios da candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República.

O referido Movimento (MIC) pretende contribuir para o aprofundamento da democracia participativa e não deseja transformar-se em partido.

Buscas ao 24 Horas

As escutas telefónicas ao Presidente da República, primeiro-ministro e outros altos dirigentes do Estado, continuam por esclarecer, sem que se divulgue quem as ordenou, quem as autorizou e como, quando e porquê. O silêncio do PGR é um suplício para quem ama a liberdade.

Perante tão intolerável situação foi repreendido um juiz que entende que o PGR devia demitir-se, enquanto os que emitem opinião contrária não merecem qualquer reparo.

O jornal 24 Horas foi alvo de um ataque, que envolveu 3 juizes, vários procuradores do M.P. e 8 inspectores da PJ, tudo na maior legalidade, sem que os órgãos da soberania e os partidos políticos se pronunciem sobre um acto tão ameaçador da liberdade de imprensa.

«Quando os nazis levaram os comunistas, eu calei, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais democratas, eu calei, porque, afinal, eu não era social democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse». (Martin Niemöller)

sábado, fevereiro 18, 2006

Serviço Nacional de Saúde


Correia de Campos desconhece a Constituição da República ou julga que é ministro de um Governo PSD/CDS?

Desmantelar ou subverter o SNS tem sido o objectivo da direita, ao longo dos anos.

Transformar a maior conquista de Abril e o principal instrumento da qualidade de vida dos portugueses no paradigma neoliberal «Quem quer saúde, pague-a», é um objectivo incompatível com a natureza e o os objectivos do PS.

IGS investiga gesso de Preto

«Há mais dois inquéritos ao gesso posto ao deputado do PSD António Preto
A INSPECÇÃO-GERAL de Saúde (IGS) abriu um processo ao médico do Hospital de Santa Marta, em Lisboa, que colocou gesso no braço do deputado do PSD, António Preto, quando este se preparava para uma diligência - a verificação da assinatura - no âmbito de uma investigação do Ministério Público.

O inspector-geral disse ao EXPRESSO que, na sequência da notícia da semana passada sobre o caso, pediu ao conselho de administração uma «explicação» e justificou a sua intervenção com o facto de haver dúvidas quanto à correcta utilização, neste caso, do «espaço público de saúde». Também a administração do Santa Marta abriu um «processo interno de averiguações» ao caso, informou.

O EXPRESSO soube, entretanto, que o médico - que na semana passada declarou lembrar-se apenas «vagamente» do episódio - é cunhado de António Preto. No ano passado, o deputado esteve no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) para fazer a chamada «recolha de autógrafos» no inquérito em que é arguido, mas apareceu de braço ao peito, com gesso até ao ombro, declarando ter tido um «acidente» no Santa Marta. O MP teve dúvidas sobre a situação e, após ter pedido ao hospital um relatório da ocorrência, assinado pelo médico Edgar Berdeja - que dizia que Preto sofria de «flebite» -, enviou o caso à Ordem dos Médicos, que abriu um inquérito». (...)

(Ana Paula Azevedo e Graça Rosendo, EXPRESSO, 18-02-06)

Nota do «Ponte Europa»: António Preto é candidato à presidência da Distrital de Lisboa do PSD.

Crueldade sem limites



«A televisão australiana divulgou ontem novas fotografias e vídeos de abusos cometidos por soldados norte-americanos contra prisioneiros iraquianos em Abu Ghraib.

As imagens fazem parte dos processos judiciais dos nove soldados já condenados pelos maus tratos.

No mesmo caso, todos os comandantes do exército norte-americano foram ilibados».
Será esta a marca da civilização judaico-cristã?

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Agitação no PSD



Os militantes hesitam entre Belém e a Rua de S. Caetano (à Lapa).

Os barões disputam os destroços de um partido dividido entre «a má moeda» e quem a denunciou para proveito próprio.

Juizes censuram Governo


Face à criação de uma comissão de acompanhamento das escutas telefónicas, anunciada pelo Governo, dispenso-me de citar as declarações dos activistas sindicais Alexandre Baptista Coelho (ASJP) e António Cluny (SMMP).

Nem sequer me pronuncio sobre a bondade da medida.

Transcrevo as declarações de Rui Rangel, juiz Desembargador:

«Tudo isto cheira mal, cheira a mecanismos de controlo judicial salazarento. A comissão que se anuncia ofende grosseiramente o princípio da independência da magistratura judicial. Parece pura vingança, talvez motivada por determinadas actuações da justiça em determinados processos. (...)». (Diário de Notícias, hoje, pg. 3)

Que se diria – e bem –, de um ministro que afirmasse: «Parece pura vingança [a prisão de Paulo Pedroso (comprovadamente inocente)], talvez motivada por determinadas actuações do PS em determinados actos de administração da justiça que, como Governo, constitucionalmente lhe cabia. ??

Enquanto não se souber quem pediu, quem consentiu, e com que justificação, as escutas aos mais altos dignitários do Estado, a desconfiança permanece.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Por dizer o óbvio

O Conselho Superior da magistratura aplicou ao juiz-desembargador Eurico Reis uma repreensão registada por ter defendido a demissão do Procurador-geral da República.

Se tivesse violado o segredo de justiça tratar-se-ia de uma conversa entre conhecidos.

Eurico Reis não compreende a razão da repreensão.

O juiz denunciou ainda a existência de um «entendimento de que algumas pessoas estão acima de crítica», qualificando-o de «resquício de antes do 25 de Abril» - diz a TSF.

CASADAS COM VIOLÊNCIA

A capa da Visão de hoje alerta-nos também para uma das mais dramáticas realidades que se esconde no seio das famílias – a violência.

«Todas as semanas, em Portugal, uma mulher é morta pelo homem com quem vive. Histórias dramáticas de quem não festeja o Dia dos Namorados».

É nesta penumbra, sob a alegada brandura dos nossos costumes, perante o silêncio cobarde e a insensibilidade de muitos, que a tragédia acontece e, muitas vezes, fica impune.

«Entre marido e mulher não metas a colher» é um adágio profundamente reaccionário, fruto de uma cultura que discrimina metade da humanidade, que a obriga a pagar um pesado ónus e nunca mais a absolve do «pecado original».

Buscas ao «24 Horas»

Enquanto o País aguarda as investigações que o Sr. Procurador Geral da República prometeu céleres e que, agora, depois das eleições presidenciais e de Marques Mendes lhe ter reiterado a sua confiança, já não considera tão urgentes, o jornal «24 Horas» viu apreendido o computador de um dos seus jornalistas que denunciou o caso do «envelope 09».

Segundo a comunicação social houve quatro buscas que mobilizaram 3 juizes, vários procuradores do M.P. e 8 inspectores da PJ, o que indicia um rigoroso cumprimento da lei.

Há apenas duas perguntas que inquietam:

1 – Não era o antigo director-geral da PJ, Adelino Salvado, que informava um jornalista do referido jornal e que, violando o segredo de justiça, foi obrigado a demitir-se, sendo agora juiz da Relação, sem transtornos de maior?

2 – O que será mais grave:

a) escutas telefónicas ao Presidente da República, primeiro-ministro e altos dirigentes do Estado, sem que o País saiba quem, como, quando e porquê foram ordenadas;

b) ou a divulgação pelos jornalistas?

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Culpadas são as vítimas



Bastavam os padres:

Serras Pereira, que considera que «qualquer relação sexual que não vise a procriação é perversa e que «o aborto é um crime pior do que a pedofilia»;

Cláudio Franco, dos Açores, que, para além dos dislates mais descabelados, publicou os «10 mandamentos do demónio aos católicos não praticantes»;

Humberto Gama, que numa sessão de exorcismo, exibe o órgão viril para extrair os demónios pela vagina da possessa.

O catedrático de Teologia jubilado Gonzalo Gironés, sacerdote valenciano, debitou no boletim paroquial «Aleluya», editado pelo Arcebispado de Valência, a prosa mais vil, misógina e pusilânime que se possa imaginar:

Traduzo do «EL PAÍS, de ontem:

«Uma mulher queixava-se a um jornal da agressão que sofre metade da humanidade, ou seja as mulheres, por parte da outra metade. Prova disso são as 63 mulheres mortas às mãos dos cônjuges em Espanha no ano de 2005. Sem negar que seja verdade, convém ser preciso.

Primeiro: nada se diz do que fizeram as vítimas, que mais de uma vez provocam com a sua língua. (O varão, geralmente, não perde as estribeiras por domínio, apenas por debilidade: não aguenta mais e reage descarregando a sua força que se abate na provocadora).

Fica ainda uma segunda observação: Não tiveram em conta que houve em Espanha, durante o mesmo período, 85.000 abortos reconhecidos? Por cada mulher morta às mãos de um homem houve 1.350 crianças assassinadas por vontade das mães. É pior.»

Os talibãs estão aqui tão perto.

A guerra e a violência

A violência praticada por militares britânicos sobre jovens civis iraquianos é uma nódoa que mancha a civilização de que nos reclamamos e uma acha suplementar na fogueira que incendeia o Médio Oriente.

Depois de idênticas cenas praticadas por militares americanos, da perpetuação do campo de Guantánamo e da invasão infeliz, criminosa e ilegal, só nos resta que a liberdade de expressão seja a moeda de troca para apaziguar os que legitimamente se consideram vitimas.

Na invasão do Iraque tudo o que podia correr mal, correu e corre efectivamente mal e da pior maneira.

Valha-nos a rapidez e a eficiência com que a Inglaterra investiga e pune tais desmandos. Resta saber se não ficariam impunes caso a comunicação social os não denunciasse.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Freitas do Amaral


O «Ponte Europa» antecipou-se nas críticas ao Governo por não ter defendido, como devia, a liberdade de imprensa como valor irrenunciável da democracia, sem condenar expressamente as manifestações orquestradas pelo clero islâmico contra a liberdade, a laicidade e a tolerância que são apanágio dos países civilizados.

Em democracia não há delitos de opinião e só os tribunais são competentes para julgar eventuais crimes de abuso. Não cabe ao Estado desculpar-se pelo exercício de direitos, por cidadãos seus, nem titubear na condenação de agressões selvagens e violentas.

O comunicado do MNE foi infeliz mas a direita carece de autoridade moral para o condenar.

Não sei se as caricaturas ofenderam muito os mullahs ou se serviram de pretexto para disfarçarem a opressão a que submetem os crentes, para iludirem a miséria e evitarem que os povos reflictam sobre o atraso e despotismo que suportam.

O que não se aceita é que os partidos da direita portuguesa se convertam em arautos da liberdade, em censores do ministro dos Negócios Estrangeiros cuja craveira intelectual e postura ética ultrapassam de longe as dos seus críticos.

É preciso desfaçatez para quem apoiou a invasão do Iraque, com base em mentiras, à revelia do direito internacional e da ONU, dar lições de moral a Freitas do Amaral.

Compreende-se a forma ínvia com que pretendem atingir o Governo mas não se aceita que, perante a subserviência e cumplicidade de Durão Barroso com Bush, o PSD e o CDS ainda não tenham feito um acto de contrição e apresentado desculpas ao país.

Em relação às caricaturas de Maomé, Freitas do Amaral não é de esquerda nem de direita, é de leste. Do Vaticano.

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Manipulação grotesca


Esta é uma das seis fotografias do fotógrafo Siamak Yari que correm pela Internet com o seguinte texto:



INCRIVEL - Esta criança Iraniana roubou pão e está a ser castigada!

Indignem-se e passem. Conto convosco par criar uma corrente de Amor para este fim.
Obrigado.


(Há textos maiores e mais lancinantes)

Eis a verdade:

Circula pelo mundo um mail que transcrevo em baixo e com fotos chocantes.
Atribui-se a barbaridade cometida a fanatismos muçulmanos (só podia ser...).

São cenas bárbaras, mas de saltimbancos, como explicou o fotógrafo que captou as imagens. Basta digitar www.google.com e consultar «siamak yari», que é o nome do fotógrafo.

O mundo já está suficientemente bera com o que existe, para que a Mossad ou o Vaticano ainda venham deitar gasolina na fogueira.

Passem a palavra: é para isto que serve esta arma do e-mail. Se «eles» a utilizam para o mal, a gente troca-lhes as voltas.

Viva a Liberdade! (O. M.)

Lucidez e amor à liberdade


Sampaio defende liberdade de expressão

Presidente da República condena violência gerada pela publicação de caricaturas de Maomé

O Presidente da República, Jorge Sampaio, condenou hoje a violência gerada pela publicação de caricaturas do profeta Maomé e considerou que qualquer juízo negativo sobre as mesmas não pode pôr em causa a liberdade de expressão – lê-se na SIC Online.

Em defesa do S.N.S.

António Arnaut, «pai» do S.N.S.
O Serviço Nacional de Saúde Português (SNS) é francamente bom, apesar dos atrasos nas consultas, dos interesses que o minam, da ineficiência de gestão, dos apetites que desperta e de outros acidentes de percurso.

Tem profissionais competentes, dedicados e eficazes. Muitos. E, naturalmente, alguns oportunistas, madraços e parasitas, como soe acontecer em qualquer sítio. Mas tem, sobretudo, quem o deprecie por má fé, ignorância ou cupidez.

E, ainda assim, é muito bom.

Criticam muitos e poucos defendem o que a todos beneficia. Mais do que mal amado, o SNS suscita ódios de estimação. Ingratidão de muitos, maldade de alguns.

Considerado pela OMS o 12.º melhor serviço de saúde mundial, o SNS desperta apetites vorazes. Em vez de tentarem aperfeiçoar a gestão, pôr cobro a interesses ilegítimos e erradicar o desperdício, é no desmantelamento que os neoliberais insistem.

E então...

Quando um pai vender a motorizada que comprou ao filho, para pagar o tratamento da pneumonia que o rapaz apanhou, vai lastimar-se; quando tiver de se desfazer do automóvel para pagar a operação à vesícula que apoquentou a mulher nos últimos anos, entra em desespero.

Dar-se-á conta da tragédia que lhe bateu à porta quando souber que a assinatura que fez, debilitado, no papel que a mulher lhe estendeu entre lágrimas, foi para autorizar a hipoteca da casa, para poder pagar os internamentos frequentes da doença prolongada que o vitimou, casa que irá ser leiloada por não poder resgatar a hipoteca.

Arrepender-se-á, então, de não ter defendido o SNS e de ter confiado nos partidos que lhe prometiam liberdade de escolha dos cuidados de saúde. Sabe que não tarda em deixar viúva e filhos sem a casa onde julgou que iriam brincar os netos. Porca de vida.

E que raio de gente por quem se deixou induzir. Nem o atestado de indigente que lhe dará acesso aos últimos paliativos o desaflige.

E então...

Leva consigo o remorso.

domingo, fevereiro 12, 2006

Pela liberdade de expressão

A todos os interessados em subscrever o Manifesto "Como uma liberdade"!

http://liberdade.home.sapo.pt/

Peregrinação a Fátima

A peregrinação de Felgueiras, em mais de cinquenta autocarros, é uma manifestação digna do terceiro mundo e uma lamentável confusão entre o sagrado e o profano com objectivos claramente políticos e populistas.

O presidente da Câmara de Vila Nova de Famalicão pagou, com dinheiro da autarquia, uma peregrinação a Fátima de 10.200 idosos em véspera de eleições autárquicas, que naturalmente ganhou.

Agora é Fátima Felgueiras que se desloca com os munícipes para agradecer a vitória eleitoral.

Com milagres destes, é a fé que definha enquanto o poder local mergulha num pântano.

sábado, fevereiro 11, 2006

PSD - Lisboa

Helena Lopes da Costa revelou ao Diário de Notícias estar pronta a encabeçar uma candidatura à distrital de Lisboa do PSD.

Já lá vai o tempo em que pessoas como Leonor Beleza, Pacheco Pereira ou Manuela Ferreira Leite ocuparam a presidência da distrital de Lisboa.

Hoje a alternativa põe-se entre:

Helena Lopes da Costa, ex-vereadora da Câmara de Lisboa que vetou um cartaz à «Noite da Liberdade», insensível ao 25 de Abri e que não gosta da data, diz que «A distrital de Lisboa deixou de reunir a sua comissão permanente e transformou-se numa agência de empregos dominada por jogos de bastidores».

e

António Preto, deputado, sob investigação do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), com um passado suspeito de ligações ao processo de corrupção de cartas de condução de Tábua e que, segundo o Expresso de hoje, compareceu com o braço ao peito e um gesso até ao ombro, à chamada «recolha de autógrafos» para verificação da sua caligrafia.

Deve-se-lhe a célebre expressão: «Porra, nunca vi tanto dinheiro junto», confirmando a recepção de uma mala com 40 mil euros que, segundo alegou, se referia a honorários.

Biocant: um exemplo de louvar



Portugal tem futuro!
E a comprová-lo está a interessantíssima associação Biocant.
Trata-se de uma iniciativa que juntou o poder local (parabéns à Câmara Municipal de Cantanhede!), universitários (o Centro de Neurociências de Coimbra) e a capacidade de iniciativa e de risco dos rostos concretos que dão vida àquela jovem instituição.

Uma pequena cidade, Cantanhede, aparentemente condenada aos pequenos serviços e a uma agricultura moribunda, reencontra-se assim com o futuro.

Universitários, com excelente reputação nacional e internacional, com ideias e projectos nas áreas mais avançadas da tecnologia mundial, encontram ali um espaço e uma estrutura para abraçarem essa aventura.

Parabéns a todos e boa sorte!

Rua Irmã Lúcia (Vidente de Fátima)

Município atribui o nome da Irmã Lúcia a rua em Coimbra

Foi hoje inaugurada a «Rua Irmã Lúcia (Vidente de Fátima)» na Urbanização da Casa Branca, na freguesia de Santo António dos Olivais.

O vereador da Cultura, Mário Nunes, disse que a autarquia de Coimbra considera a Irmã Lúcia uma «personalidade marcante de Coimbra» e «uma figura marcante do séc. XX».

Mário Nunes foi designado para a Cultura graças ao precedente aberto por Alípio Severo Abranhos, conde d’Abranhos, que foi ministro da Marinha, apesar de enjoar.

É natural que transite para o pelouro do culto, mais de acordo com a sua aptidão.

Solidariedade com um capitão de Abril

QUERIDOS COMPANHEIROS DE LUTA,

ESTE PAÍS ESTÁ UM ESPANTO."Ouçam se fazem favor."
ACABO HOJE (SEXTA-FEIRA) PELAS 11 DA MANHÃ , DE SER CONVOCADO PELO AGENTE GUÍMARO DA PSP (pelo telmóvel) e da seguinte forma que passo a citar:

-Estou a falar com o Sr Tenente Coronel Duran Clemente ?

-(resposta minha pensando que era alguém a convidar-me para uma intervenção no próximo aniversário do 25 de Abril/o que aliás tem acontecido nos últimos dias !!!)

- Sim, sou Coronel Reformado, gosto mais que me tratem por "capitão de Abril", mas em que posso ser-lhe útil?!

-Fala do serviço da PSP, em Alcantara, e temos uma queixa do Ministério Público para o convocar, a fim de ser ouvido àcerca dos acontecimentos na R.António Maria Cardoso no passado dia 5 de Outubro. Podia combinar com o Sr Coronel (!) (tinha aqui que era Tenente-Coronel) ...quando lhe dava jeito poder ser ouvido?

- Ai sim!? Então sempre eram os Srs. que apareceram por lá à paisana, sendo um dos agentes, pelos vistos, uma jovem que passou a vida a puxar-me por um braço sem dizer nunca quem era, nem nunca se identificando, pelo menos que eu ouvisse?

A ele ainda vi atirar bruscamente uma carteira com um cartão à cara da companheira Maria João (que foi ali torturada naquelas sinistra instalações) mas sem dizer quem era e apenas resmungando: não está autorizada a parar o trânsito.........

Isso recorda-me que antes do 25 de Abril um grupo com mais de três(ou mesmo três pessoas) já era considerado pela PIDE incitação à desordem pública...Mas terei oportunidade de lhe contar já que isto chegou a este ponto!

Então quando é que quer ouvir-me, Vai ouvir das boas.............

-Pode ser dia 20 de Fevereiro (segunda -feira) pelas 10H30. Dê como referencia C.P.(carta precatória) nº458/06/agente Guímaro?

- Está bem. Lá estarei.

Fim de diálogo.
Transmito esta notícia porque não sei se há mais alguém convocado e por outro lado para que saibam. O direito à indignação está a ser vigiado e já é objecto de queixa do Ministério Público!
E esta hein!!!!!!!!

Aguardo comentários. A solidariedade sei que a tenho.

Saudações

Manuel Duran Clemente

Durão Barroso «Em alta»

«Liberdade de expressão é «princípio sagrado»

Durão Barroso defendeu a liberdade de expressão como «princípio sagrado» a propósito da publicação das caricaturas de Maomé.

As declarações, surgidas após o doutoramento «Honoris Causa» pela Universidade de Georgetown, dignificam o presidente da Comissão Europeia.

Pelo doutoramento que lhe foi concedido e pelas afirmações proferidas, Durão Barroso está de parabéns.

O fundamentalismo não é um exclusivo islâmico

1 – Naquele tempo andava em alta a fé e pouco estimada a cultura. Sobraçava a pasta, nesse remoto Ano da Graça de 1992, um simples «ajudante de ministro» de seu nome Pedro Santana Lopes, acolitado por dois sub-ajudantes, Maria José Nogueira Pinto e António Sousa Lara.

Coube a este último pronunciar-se sobre a obra «O Evangelho segundo Jesus Cristo», do «inveterado ateu» José Saramago que concorria a um prémio literário. Disse o pio, que Deus abandonaria nas trapalhadas da Universidade Moderna, que «A obra atacou princípios que têm a ver com o património religioso dos portugueses. Longe de os unir, dividiu-os» e, com tão clemente argumentação, o mullah Lara vetou o livro.

2 - «Tal como em 1499, são eles (os Dominicanos) que estão à frente da matança iniciada em 19 de Abril de 1506 em Lisboa. No decorrer de uma cerimónia religiosa na Igreja de S. Domingos, um homem que participava no culto, no momento em que o povo gritava «milagre» à vista de um resplendor que saía de um crucifixo, teve a ideia inoportuna de argumentar que se tratava apenas do reflexo de uma vela. Foi logo taxado de «Cristão-Novo», morto e queimado in loco. Dois frades dominicanos brandindo crucifixos excitaram os fiéis aos gritos de «heresia, heresia». Durante três dias a cidade esteve nas mãos dos amotinados, que pilhavam as casas, atiravam mulheres e crianças da janela à rua e acendiam por toda a parte fogueiras onde ardiam vivos e mortos». "Judeus e Cristãos-Novos", António José Saraiva (citação recebida de M.P.M)

3 – «A maior das falácias é achar que é a religião que está no centro destes eventos (e se fosse? O que é que mudava?) mas claramente uma recusa política da democracia e uma recusa cultural da tolerância, da liberdade, das diferenças» J. Pacheco Pereira (Público)

4 – A blasfémia é um crime medieval que hoje tem menos valor do que a liberdade de expressão, direito a que não devemos renunciar. Renunciar aos direitos conquistados na Europa, contra o clericalismo, é regressarmos ao fundamentalismo romano.

5 – Respondendo a um leitor que me chamou «racista» por ter escrito «O Islão não é a apenas uma religião estúpida, consegue ser também a mais hipócrita», respondo-lhe, em nome da liberdade e da sua defesa, que repudio igualmente as Cruzadas, a Inquisição, o Nazismo, o Estalinismo e todas os sistemas totalitários.

6 – Dizem-me que há um islão moderado. Não o vejo condenar Bin Laden, aceitar a separação da Igreja e do Estado, renunciar à sharia, admitir a igualdade dos sexos ou defender a Declaração Universal dos Direitos do Homem.

7 – Quando alguém diz defender a liberdade, mas..., sinto no uso da adversativa um velho conformismo com os demónios da censura, um temor reverente ao poder, uma capitulação perante a prepotência, a brutalidade e a força.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Ramos Horta - um notável cidadão


Ramos Horta, prémio Nobel da paz, grande obreiro da independência de Timor, é um dos mais brilhantes vultos da diplomacia internacional.

O seu perfil humanista, a vasta cultura e o conhecimento profundo das desigualdades internacionais fariam dele um notável secretário-geral da ONU.

Sabemos que há países determinantes mas, se a escolha viesse a recair em Ramos Horta, não seria apenas um privilégio para este timorense cosmopolita, seria uma honra para a própria ONU.

MAS A MARIA MERECE. ..

MAS A MARIA MERECE. ..

"De acordo Com O Correio da Manhã, Maria Monteiro, filha do antigo ministro António Monteiro e que actualmente ocupa o cargo de adjunta do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros vai para a Embaixada de Portugal em Londres.

Para que a mudança fosse possível, José Sócrates e o Ministro das Finanças descongelaram a título excepcional uma contratação de pessoal especializado.

Contactado pelo jornal, o porta-voz Carneiro Jacinto explicou que a contratação de Maria Monteiro já tinha sido decidida antes do anúncio da redução para metade dos conselheiros e adidos das embaixadas.

As medidas de contenção avançadas pelo actual governo, nomeadamente o congelamento das progressões na função pública, começam a dar frutos.

Os sacrifícios pedidos aos portugueses permitem assegurar a carreira desta jovem de 28 anos que, apesar da idade, já conseguiu, por mérito próprio e com uma carreira construída a pulso, atingir um nível de rendimento mensal superior a 9000 euros.

É desta forma que se cala a boca a muita gente que não acredita nas potencialidades do nosso país, os zangados da vida que só sabem criticar a juventude, ponham os olhos nesta miúda.

A título de curiosidade, o salário mensal da nossa nova adida de imprensa da Embaixada de Londres daria para pagar as progressões de 193 técnicos superiores de 2ª classe, de 290 Técnicos de 2ª classe ou de 290 Assistentes Administrativos.

O mesmo salário daria para pagar os salários de, respectivamente, 7, 10 e 14 jovens como a Maria, das categorias acima mencionadas, que poderiam muito bem despedir-se, por força de imperativos orçamentais.

Estes jovens sem berço, que ao contrário da Maria tiveram que submeter-se a concurso, também ao contrário da Maria já estão habituados a ganhar pouco e devem habituar-se a ser competitivos.

A nossa Maria merece.

Também a título de exemplo, seriam necessários os descontos de IRS de 92 portugueses com um salário de 500 Euros a descontar à taxa de 20%.

Novamente, a nossa Maria merece."

PSD desintegra-se


Vasco Rato demitiu-se da Comissão Política Nacional do PSD

A demissão de Vasco Rato, duas semanas após a de Pedro Passos Coelho, é um mau presságio para a actual liderança.

A demissão terá sido provocada por divergências quanto à estratégia de oposição seguida pela direcção de Marques Mendes.

Enquanto esperam por Belém, as hostes do PSD abandonam o líder.

Braço-de-ferro entre juizes e Governo

(O Fado - quadro de Malhoa)


O braço de ferro entre juizes e Governo não augura nada de bom e pode ficar em causa o regular funcionamento das instituições.

É estultícia pensar que a virtude está em um dos lados e no outro o vício.

Mas não é preciso ser profeta para ter a certeza de que ambos sairão diminuídos das escaramuças que uma associação sindical de duvidosa legitimidade e um Governo de indiscutível autoridade travam entre si.

No fundo é o País que perde porque dois órgãos da soberania se digladiam.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Caricaturas de Maomé

( cartoon do Zédalmenda)
O Islão não é a apenas uma religião estúpida, consegue ser também a mais hipócrita.

A horda histérica que ulula contra a liberdade, que se prostra de joelhos cinco vezes ao dia e que jejua em público e come em privado, encontra-se possessa de Maomé, dependente da rede beata dos ayatollahs e mullahs e capaz de todas as ignomínias.

Acontece que as «caricaturas da ira» que também os beatos cristãos acharam de mau gosto e, na sua vocação censória, entenderam que não deviam ter sido publicadas, já o tinham sido em outubro de 2005 no jornal egípcio Al Fagr, durante o ramadão.

Um blogger egípcio, «Sandmonkey» livre-pensador, lembrou-se do facto e resolveu denunciá-lo, afirmando que os manifestantes «provaram novamente que o mundo árabe é atrasado mental e não merece nada melhor que os líderes que têm».