sexta-feira, março 31, 2006

Assembleia da República – Parabéns PS e BE


A aprovação do projecto de lei da paridade que impõe 1/3 de deputados como mínimo para cada um dos sexos, é uma novidade que vai beneficiar a Assembleia da República.

O diploma não discrimina qualquer dos sexos. Impede até que as mulheres confisquem o Parlamento em seu proveito, obrigando a que, pelo menos 33,333% sejam homens.

É um sinal de modernidade e um ar de frescura que – estou certo –, vai contribuir para que a política atraia mais e melhores pessoas e se acentue a dedicação à República.

Não é crime ter votado contra, mas é uma nódoa que alguns partidos deixaram cair.

Às vezes só a força da lei consegue romper hábitos ancestrais e pôr fim à discriminação que persistiu ao longo dos séculos.

Era o caso. Uma sociedade que discrimina um dos sexos é uma sociedade injusta.

O apoio de figuras como Helena Roseta, Inês Pedrosa, Isabel do Carmo, Júlio Machado Vaz, Leonor Xavier, Maria Antónia Fiadeiro, Maria Teresa Horta, Miguel Vale de Almeida e Teresa Pizarro Beleza é eloquente.

Nota: Em 1911 a médica Carolina Beatriz Ângelo, viúva e mãe, votou nas eleições para a Assembleia Constituinte, invocando a sua qualidade de chefe de família.
A lei foi posteriormente alterada, reconhecendo apenas o direito de voto a homens.

Dois exemplos de verdadeira cidadania



Sob o título em epígrafe, Mário Nunes, vereador da Cultura, informa os leitores, através do «Diário as Beiras», de duas acções de cidadania que presenciou («presenciámos» - plural majestático usado) da janela do andar onde mora.

«Estávamos na janela do andar em que moramos» - descreve.

«Um médico, nosso conhecido, passeava como é habitual, com o seu cão (Dálmata) pela trela. O animal entrou na relva lateral à rua e fez as suas necessidades fisiológicas. O dono, que vinha prevenido com um saco de plástico (costume que deve ser rotineiro), retirou-o do bolso e recolheu os dejectos. Continuou o seu caminho.

No rés-do-chão do prédio reside um arquitecto. Com dois sacos de lixo para o contentor, ao sair de casa deparou com diversos sacos de plástico e jornais a conspurcar o ambiente. Sem hesitações, recolheu aquele material avulso que alguém, anti-cidadania, atirara para a rua, carreando-o para o contentor. Era domingo e o sol convidava a passear, a frequentar um jardim, a olhar o Mondego, a usufruir de um espaço confortável, aprazível».

Hoje, os leitores D’ As Beiras ficaram a saber que no prédio do Sr. Vereador mora um médico prevenido com um saco de plástico e um arquitecto que carreia sacos de plástico e jornais para o contentor.

Com exemplos assim, um edil só deve sair da janela para se afoitar nos caminhos da prosa.

O romantismo e o fino recorte literário, com que Mário Nunes apela à cidadania, valem a transcrição da parte final do artigo, respeitando pontuação e estilo, para que a forma e o conteúdo sejam admirados:

«Era domingo e o sol convidava a passear, a frequentar um jardim, a olhar o Mondego, a usufruir de um espaço confortável, aprazível. E, reflectimos, mais uma vez se todos nós, seguirmos o exemplo destes dois cidadãos, e se os outros que destroem e conspurcam a cidade, se portarem como munícipes empenhados na valorização da urbe em que vivem ou dela usufruem hospitalidade e riqueza para seu uso ou deleite, com certeza Coimbra tem mais encanto. Não só na hora da despedida, mas em todas as horas da sua existência. Sejamos cidadãos de pleno direito».

TRIBUNA
Mário Nunes *
* Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Coimbra

A ONU e o Irão


Teerão tem trinta dias para suspender enriquecimento de urânio

«Não vamos, de certeza absoluta, voltar a suspender o enriquecimento de urânio.»

O desafio do embaixador iraniano na Agência Internacional de Energia Atómica, é a resposta oficial de Teerão ao prazo de 30 dias dado na última quarta-feira, à noite, pelo Conselho de Segurança da ONU, para o Irão suspender as actividades nucleares.

Por ora não será fácil obter o consenso da Rússia e da China às represálias que os outros membros do Conselho de Segurança preparam. Mas não tenhamos dúvidas de que a lei da força vai ser usada.

Os países com armas nucleares não têm moral para impedir o acesso ao clube nuclear de novos países mas sobra-lhes força. Ao Irão mingua-lhe força mas sobra-lhe vontade e vê, nessa ousadia, a forma de conservar um poder anacrónico e uma ditadura teocrática.

Os dados estão lançados. A guerra pode começar em breve. Avizinha-se uma nova tragédia.

quinta-feira, março 30, 2006

Ponte Europa – 50 mil visitantes



Ao ultrapassar, hoje, o número 50.000, agradecemos o interesse e solidariedade de amigos e adversários que nos têm acompanhado neste desafio estimulante na blogosfera.

Espaço dos leitores

(Toulouse-Lautrec, Henri de)

Paris – Manifestação grandiosa e violenta

A manifestação começou de peito aberto e terminou com violência cerrada.

Entre a vontade dos sindicalistas e dos estudantes e o instinto destruidor dos vândalos, venceram os últimos.

quarta-feira, março 29, 2006

Ribeiro e Castro veio a Portugal


O líder do CDS apelou ao veto do Presidente da República à nova Lei da Nacionalidade – lei aprovada pelo PS, PSD e PCP –, sem votos contra, nem do CDS.

Faltando ao líder quem o apoie no seu próprio partido, e sobrando quem o critique, vira-se para Belém à espera de um milagre.

Quis alinhar a posição por Paulo Portas ou pretendeu, simplesmente, mostrar que veio a Portugal?

É desolador presidir à comissão liquidatária de um partido que se dissolve.

Vasco Graça Moura

(VGM fotografado por Zédalmeida)

Sob o título «As bolas de sabão» Vasco Graça Moura (VGM) faz hoje, no DN, uma viagem pela pintura, num exercício de erudição que lhe assenta bem.

Termina a borrar a pintura, como é hábito de um inveterado devoto do PSD, em crise de orfandade por um líder a que faça o panegírico.

O homem é assim, tão louvaminhas do seu partido e caceteiro com o partido que estiver no poder, se não for o seu.

Termina com fino recorte literário, ausência de rigor e superior indigência crítica, assim:

«Estão a ser alegremente lançadas para o ar, não às dúzias e dúzias, mas às grosas e grosas, essas bolhinhas governamentais, transparentes e vazias, "claras, inúteis e passageiras", como dizia o Caeiro, que "são translucidamente uma filosofia toda".O Governo aprendeu a fazer bolas de sabão».

VGM aprendeu a fazer bolas, a partir do nariz, com o indicador e o polegar. É o destino do almocreve de serviço em períodos maus. VGM aprendeu a fazer dessas bolas mas, de tanto escarafunchar, arrisca-se, com a insistência, a trazer os neurónios agarrados.

Portugal – uma manta de retalhos

Sob o título «Marcelo e Ferreira Leite pelo referendo», o Diário de Notícias, de hoje, pág. 6, (sítio indisponível) informa o seguinte:

Marcelo (MRS) defendeu em Braga que «o Governo deve avançar com novo referendo sobre a regionalização porque “não tem lógica que se espere por 2010 para perguntar aos portugueses por um modelo de regionalização que começa agora”».

E que

«Também Manuela Ferreira Leite (MFL) se manifestou já favorável à possibilidade de realização de um novo referendo. Na segunda-feira, no programa Falar Claro, da Rádio Renascença, a ex-ministra das Finanças de Durão Barroso considerou também que “lançar uma divisão regional que não foi referendada é pôr o carro à frente dos bois”».

Não se trata apenas da opinião coincidente de dois adversários de Marques Mendes e da Regionalização. É a voz de dois conselheiros de Estado que, se não fosse a consideração que o PR merece, havíamos de julgar emitida a rogo.

A tentativa de pôr em causa o esforço actual de descentralização é, independentemente do mau serviço que prestam ao País, uma desesperada tentativa de se oporem à mínima evolução administrativa.

A descentralização em curso distingue-se do modelo de Durão Barroso e Ferreira Leite pela maior coerência e racionalidade. Não se trata de agrupar municípios ao sabor dos interesses de caciques locais, à vontade do freguês e com geometria variável.

Há no actual modelo de descentralização administrativa uma coerência geográfica, económica e política que faltava às «áreas metropolitanas», «comunidades urbanas» e «comunidades intermunicipais» que ficavam à mercê dos autarcas e do alinhamento partidário.

Não se podem confundir objectivos sérios e rigorosos, ora em curso, com uma tentativa canhestra de reforma administrativa prometida durante a campanha eleitoral por Durão Barroso, com o arremedo tentado no seu curto e pouco glorioso consulado.

É incúria deixar reincidir em golpes de baixa política MRS que, dizendo-se partidário, há sete anos, confundiu o eleitorado para liquidar a Regionalização.

MRS e MFL, não podendo contestar a legitimidade das medidas tomadas, tudo fazem para manter uma divisão anacrónica e impedir a modernização de Portugal.

Política Energética Nacional - Debate (Clube Agir)

Participe no debate sobre Política energética nacional.
Entrada livre.
31 de Março de 2006 - 21h00
Casa da Cultura (Rua Pedro Monteiro) - Coimbra (Sala Ferrer Correia)

"Política energética nacional"

Prof. Doutor Sá Furtado (FCTUC)
Dr.ª Suzana Tavares da Silva (Assistente da FDUC e Doutoranda em Direito Administrativo)
Dr. Diogo Freitas (Doutorando em Física Nuclear)
Eng. Lobo Gonçalves (Administrador Executivo da Enernova - Grupo EDP)

Organização: Clube Agir

A libertação de Abdul Rahman

(Mulheres com Chador - Kabul 99, de Farouq Faried)

Regresso ao caso de, Abdul Rahman convertido ao cristianismo. O Supremo Tribunal afegão decidiu suspender o processo que inevitavelmente o condenaria à morte, por alegada «incapacidade mental» e libertou-o.

A decisão é jubilosa, os pressupostos execráveis.

As pressões internacionais desempenharam um papel relevante, mas os depoimentos dos familiares, «ele não tem todas as capacidades mentais», «é louco» e «diz ouvir vozes estranhas na cabeça», foram o alibi para libertar um cidadão que optou por uma religião diferente daquela em que foi criado.

Provavelmente se tivesse optado pela indiferença religiosa ou pelo ateísmo, decisões igualmente legítimas, não teria sido considerado louco, condição sine qua non para manter ligada a cabeça ao tronco, porque a solidariedade internacional seria mais frouxa e as pressões menos intensas.

Não podemos esquecer o silêncio e cobardia de vários Governos de países democráticos em relação à fatwa contra Salman Rushdie e a displicência com que parecem ser vistas as ameaças de morte a Taslima Nazreen.

É perante factos de que o caso de Abdul Rahman constitui um paradigma que devemos interrogar-nos até onde pode ir a defesa do multiculturalismo e a compreensão com o comunitarismo.

Se aceitarmos que a vontade de Deus, interpretada pelos clérigos, pode, em qualquer circunstância, ser o fundamento do Direito Penal, é a barbárie que prevalece sobre os avanços da civilização.

Se pensarmos que Camilo foi preso por adultério, que o divórcio era praticamente proibido há 30 anos, que o ensino religioso era obrigatório nas escolas públicas, até há pouco, que a escravatura existiu até meados do séc. XIX e a inquisição até 1821, não temos razões para considerar a civilização europeia superior à árabe.

Superior, absolutamente superior, é a democracia em relação à teocracia, a civilização face à barbárie e o Estado de direito comparado com a tradição tribal.

terça-feira, março 28, 2006

Nem tudo são rosas

Apesar do ímpeto reformador do actual Governo, da luta contra a burocracia que, pela primeira vez, dá passos de gigante e da agenda que não tropeçou no calendário eleitoral, nem tudo é favorável a Sócrates.

Manuela Ferreira Leite elogiou a actuação do Governo no programa semanal «Falar Claro», na Rádio Renascença.

Aliás, a quase unanimidade dos louvores que tem merecido, da parte da Direita, é razão para reflectir no que possa ter feito menos bem.

Quando os adversários nos elogiam devemos perguntar-nos onde errámos.

Teatro da Cerca de São Bernardo: o ponto da situação

Teatro da Cerca de São Bernardo:
O PONTO DA SITUAÇÃO


A concepção e a construção do Teatro da Cerca de São Bernardo foram financiadas a partir de um protocolo assinado em 1999 entre a Câmara Municipal de Coimbra, o Ministério da Cultura e o ex-Ministério do Equipamento, do Planeamento e da Administração do Território. Cada uma das partes assegurou o pagamento de um terço dos custos da obra, cujos objectivos eram claros: “assegurar a criação de instalações adequadas para A Escola da Noite”.

O processo de construção arrastou-se incompreensivelmente ao longo destes últimos sete anos, com atrasos e adiamentos sucessivos na data prevista para a sua abertura ao público:
- Janeiro de 2002 (prevista no Protocolo de 1999);
- meados de 2003 (anunciada por Carlos Encarnação em Outubro de 2002, por ocasião da inauguração da Oficina Municipal do Teatro);
- Março de 2004 (anunciada em Junho de 2003, quando se iniciam, finalmente, as obras de construção);
- Setembro de 2004 (anunciada por Carlos Encarnação em Março de 2004, no decorrer de uma visita às obras aberta à comunicação social);
- Novembro de 2005 (comunicada pela CMC à A Escola da Noite numa reunião de trabalho em Abril de 2005);
- Julho de 2006 (comunicada pela CMC à A Escola da Noite numa reunião de trabalho em Janeiro de 2006).

A obra de construção civil do Teatro está concluída desde Abril de 2004. Falta, desde então e até agora, executar a instalação do projecto cénico, cujo concurso foi lançado demasiado tarde (apenas em Outubro de 2003, quando deveria ter sido incluído desde logo no projecto de arquitectura) e que se arrasta nos tribunais desde Junho de 2005, com alguns concorrentes a alegarem graves irregularidades cometidas pelo júri da CMC.

Só quando a instalação do projecto cénico estiver concluída o Teatro ficará devidamente operacional. Até lá, poderá apenas funcionar de uma forma muito limitada, ilegal (porque não licenciada pelas entidades competentes) e com potenciais riscos para a segurança dos espectadores, sobretudo quando utilizado de forma ocasional e ad hoc.

A Escola da Noite sempre admitiu iniciar a sua mudança para o Teatro da Cerca de São Bernardo antes de estar concluída a instalação do projecto cénico, impondo como única mas essencial condição a assinatura de um contrato que regulasse a utilização deste equipamento público.

Tendo em vista a definição das condições que constariam desse contrato, fizemos chegar à CMC diversos documentos programáticos ao longo dos últimos quatro anos. Perante a falta de resposta da Câmara Municipal às propostas que tentámos discutir, apresentámos um projecto global para o funcionamento do Teatro, por escrito, em Março de 2005.

Propusemo-nos, nomeadamente, assumir as funções de gestão e programação do Teatro, para além do papel que nos está reservado enquanto companhia residente. Mantemos essa disponibilidade e esse interesse, na certeza de que esta solução é a que melhor garante a criação de uma identidade artística e de uma coerência programática para este equipamento e aquela que, além disso, é a mais rentável do ponto de vista económico (porque permite optimizar recursos humanos e financeiros).

Para a concretização deste projecto (como de qualquer outro) será naturalmente necessário reunir um conjunto de condições mínimas. Também nesse sentido, temos procurado encontrar soluções que não sobrecarreguem demasiado as finanças da autarquia. As recentes declarações do Secretário de Estado da Cultura, que se afirmou disposto a encontrar “uma solução tripartida”, envolvendo a CMC, o Ministério da Cultura e A Escola da Noite, vieram confirmar a pertinência do que sempre defendemos.

Só neste mês de Março (três anos depois do início da obra) a Câmara Municipal de Coimbra nos apresentou as suas ideias quanto ao que pretende para o Teatro. Para além de outras “peculiaridades”, dois traços fundamentais caracterizam a sua proposta:
- Por um lado, a CMC pretende que o Teatro funcione sem direcção artística. Para além da residência d’A Escola da Noite, toda a programação externa à companhia ficaria ao critério do Pelouro da Cultura, isto é, do Dr. Mário Nunes. A Escola da Noite ficaria, no entanto, com a obrigação de colocar os seus funcionários ao serviço desta programação e de, inclusivamente, se responsabilizar pela sua qualidade e pelos seus resultados.
- Por outro lado, e apesar de publicamente se queixar de falta de dinheiro, a Câmara Municipal ignora as declarações e a disponibilidade manifestada pelo Ministério da Cultura, abdicando do envolvimento e do apoio financeiro do Governo Central.

Convém, no entanto, aclarar as circunstâncias em que está a decorrer esta “negociação”. Ao mesmo tempo que aguardava pela nossa posição (e antes de expirar o prazo que ela própria nos deu para respondermos), a Câmara Municipal, pela voz do seu presidente, convidou na semana passada outra estrutura teatral da cidade a instalar-se no Teatro. O comportamento da autarquia já não se pauta apenas pela incompetência, pela falta de ambição, pela ausência de ideias, pelo insulto barato e demagógico. O actual executivo autárquico demonstra uma evidente má-fé negocial, que merece a nossa mais profunda indignação.

O contexto da “negociação” tem vindo, de resto, a degradar-se de uma forma crescente. As recentes declarações dos responsáveis autárquicos são bem elucidativas do nível de interlocução que se pode encontrar na Câmara Municipal de Coimbra:
- Um vereador da cultura que nos acusa de sermos “lesivos do interesse do município” e de gastar “pipas de massa” com a cultura;
- Um vereador das finanças que se diverte a dizer mal do nosso trabalho e nos acusa de inventarmos números de espectáculos e de espectadores;
- Um Presidente da Câmara que, perante uma dívida que resulta de uma deliberação do seu próprio Executivo, fala na nossa capacidade de “sonhar” e argumenta que não lhe compete assegurar empregos fixos aos profissionais da cultura.

Neste contexto, A Escola da Noite é obrigada a vir clarificar, uma vez mais, a sua posição quanto ao processo do Teatro da Cerca de São Bernardo:
- Os sucessivos atrasos na construção e o repetido adiamento da sua abertura ao público são da única e exclusiva responsabilidade da Câmara Municipal de Coimbra;
- De acordo com as últimas informações que recebeu da Câmara Municipal de Coimbra, A Escola da Noite está a preparar o início da sua mudança para o Teatro para o próximo mês de Julho. Esta mudança só não se efectuará nessa data se a Câmara Municipal não quiser;
- A única condição imposta pela companhia para iniciar a sua mudança é a assinatura prévia de um contrato de utilização;
- A Escola da Noite apresentou desde há muito um projecto que ultrapassa a mera residência artística, propondo-se assumir a gestão e a programação do Teatro. Mantemos essa proposta, conscientes das suas virtualidades artísticas, operacionais e financeiras. Defendêmo-la no âmbito da prestação de um serviço público pautado pela exigência artística, pelo rigor contratual e no âmbito de uma estratégia sustentada de desenvolvimento cultural da cidade de Coimbra.
- Defendemos a articulação com o Ministério da Cultura na procura das condições necessárias à concretização e ao financiamento deste projecto. Encoraja-nos a disponibilidade já manifestada pelo Secretário de Estado da Cultura; não compreendemos por que razão a Câmara Municipal insiste em ignorá-la.
- Não pactuaremos nunca nem seremos responsáveis por uma solução que desvirtue os objectivos que estiveram na base da construção deste Teatro ou que, por razões de mera conjuntura político-institucional, iniba o aproveitamento das potencialidades deste equipamento.
- Exigimos, como em qualquer negociação entre pessoas e instituições “de bem”, ser tratados dentro dos limites mínimos da boa-fé e do respeito mútuo.




A Escola da Noite
Coimbra, 27 de Março de 2006.

Silêncios que comprometem

Sob o título em epígrafe escreveu Vital Moreira, no «Causa Nossa», com a sagacidade e sentido de oportunidade que se lhe conhece:

«Que conste, ainda não se conhece a opinião do presidente do PSD sobre a decisão do PSD regional da Madeira de não celebrar este ano o 25 de Abril, substituindo as comemorações por uma "tolerância de ponto" no dia... 24!


Há silêncios que comprometem».

segunda-feira, março 27, 2006

Coimbra e o Mondego


O Mondego, o rio Mondego, que devia ser o elo de ligação entre as duas margens, foi sempre um obstáculo a separá-las, um acidente a dividir a cidade.

Agora, o rio leva as esplanadas da margem , num gesto de azedume por uma cidade que o maltrata. Não sei se são as esplanadas que o rio arrasta ou se é Coimbra que se dissolve nas águas para não morrer de vergonha em terra.

Depois das cicatrizes do fogo faltavam as mazelas da água. «O vento cala a desgraça».

Nota: Imagem publicada posteriormente.

Canadá repatria portugueses

Mais um grupo de portugueses repatriados chega a Lisboa

«Esta segunda-feira de manhã, chegou mais um grupo de emigrantes portugueses que foram deportados pelas autoridades canadianas por se encontrarem no país em situação ilegal.» - Lê-se na TSF

Quem tem acompanhado as vicissitudes destes nossos compatriotas, grande parte deles açoreanos, não pode ficar indiferente ao drama de numerosas famílias que deixam para trás os parcos haveres e, sobretudo, a esperança que os animava.

As autoridades canadianas estão a portar-se de forma insensível e desumana, apesar de cumprirem a lei, contra cidadãos ilegais que apenas procuram lugar num mundo onde os excluídos não param de aumentar.

De pouco vale a solidariedade dos que vêem com apreensão o futuro de milhares de compatriotas e o aumento dos fenómenos de exclusão.

O Estado português não pode alhear-se do destino destes nossos compatriotas. Um país que não pode dar o mínimo a todos não tem o direito de conceder privilégios imorais a alguns.

Que pensarão da atitude canadiana os Drs. Paulo Portas e Manuel Monteiro, sempre prontos a descambar para o racismo e a xenofobia? Ainda há pouco mostraram a sua natureza em relação ao enquadramento legal da imigração.

Conselho Nacional do CDS

O Conselho Nacional do CDS, reunido ontem, mostrou o que é um verdadeiro partido.

A mais importante moção do líder (epíteto de Ribeiro e Castro) – a obrigatoriedade de as moções serem afectas a uma candidatura –, teve 60 votos a favor e 60 contra.

Maria José Nogueira Pinto, que tinha manifestado, na semana passada, o desacordo a tal medida, por ser «insólita» e «limitativa», como presidente da Comissão Nacional, usou o voto de qualidade para desempatar ... a favor da moção.

«O partido já não é muito grande, se se dividir mais não resta nada» - declarou a antiga ajudante de Santana Lopes quando este era ajudante de ministro na pasta da Cultura.

A coerência é um mero detalhe, sem importância.

O congresso extraordinário do CDS ficou marcado para 6 e 7 de Maio.

O que fazer com o PSD e o PP?


Sob o título em epígrafe, o comissário político de Santana Lopes debita hoje no Diário de Notícias os habituais lugares comuns que estarrecem os néscios e hilariam os leitores com senso crítico.

Luís Delgado é um incorrigível almocreve da direita trauliteira. É uma flor no jardim do pensamento autóctone.

A não perder.

domingo, março 26, 2006

Um deputado de braço ao peito

Médico de Preto arguido

Inspecção-Geral de Saúde instaura processo disciplinar

«O MÉDICO do Hospital de Santa Marta, em Lisboa, que engessou o braço de António Preto antes de o deputado social-democrata ir fazer uma «recolha de autógrafos» ao Ministério Público - para verificar a sua assinatura -, foi constituído arguido num processo disciplinar interposto pela Inspecção-Geral de Saúde (IGS).

O médico, especialista em cirurgia cardiovascular, é cunhado de António Preto e está indiciado por utilização indevida dos serviços públicos e por existirem suspeitas de má prática clínica. Isto porque o médico justificou a «imobilização do braço» do deputado, quando lhe foi pedido para o fazer, dizendo ter diagnosticado uma «flebite» ao seu doente».
Expresso, 25-03-06

A festa da democracia

Ontem o PS Coimbra viveu mais um dia de festa democrática.
Os militantes foram chamados a julgar os dirigentes actuais e a pronunciar-se sobre os projectos apresentados pelos candidatos.
Isso, em si, é já algo de muito positivo!
No PS cada um pensa pela sua cabeça. Não há um Comité que dita em votações de braço no ar os caminhos e os descaminhos a seguir.
Cada um, em segredo e em consciência, toma as opções que entende mais adequadas para o Partido e para a Cidade.

Considero especialmente positivo que não haja ‘unanimismos’ e que se apresentem duas ou mais listas a disputar os órgãos democráticos do Partido.
Foi, pois, especialmente importante para o PS Coimbra que se conseguisse organizar duas listas nas eleições à Concelhia.

Felicito desde já a lista vencedora, a Lista A, liderada pelo Camarada Luís Vilar, e desejo-lhe boa sorte no exercício das suas funções!

Mas felicito também o Camarada David Coimbra pelo serviço que prestou ao Partido ao permitir que na Comissão Política Concelhia tenham assento algumas vozes que farão “oposição” crítica, solidária e construtiva ao Secretariado agora (re)eleito.

O PS mostra assim que é um Partido plural e com vivacidade democrática.

Não há bela sem senão. Sabemos que a nível processual nem tudo foi impecável: quer na capacidade de dar a conhecer o projecto político das listas, quer no exercício do direito de voto. Mas esses “beliscões” serão discutidos em sede própria e não mancham o que é uma evidência:

O PS Coimbra ontem viveu a festa da democracia!

Liberdade religiosa e laicidade

Nas sociedades democráticas a liberdade religiosa tende a ampliar-se. A separação da Igreja e do Estado possibilitou a igualdade, o respeito e a livre expressão de todas as convicções, das não convicções e mesmo das anti-convicçõs religiosas.

Apesar do azedume de quem pretende impor as suas crenças e confunde liberdade com obrigação, a fé tornou-se facultativa.

Portugal, à semelhança dos outros Estados democráticos, consagra o direito de «Ter, não ter e deixar de ter religião» e «escolher livremente, mudar ou abandonar a própria crença religiosa» (Lei da Liberdade Religiosa N.º 16/2001 – art. 8º).

Apesar das campanhas orquestradas para convencer os portugueses de que não se deve tratar de forma igual o que é diferente, atribuindo privilégios escandalosos à igreja católica, tem-se preservado, após o 25 de Abril, uma razoável liberdade religiosa.

Talvez por isso choque tanto o caso do médico Abdul Rahman que arrisca a condenação à morte, num tribunal de Kabul, por se ter convertido ao cristianismo. Os clérigos, que seguem excitados o julgamento, não têm dúvidas – vem no Corão –, deve ser executado, e aproveitam as orações da sexta-feira para clamarem pela sua morte, como refere o New York Times de 24-03-06.

No Afeganistão, a intervenção aliada, para além de manter no poder um ditador mais tolerável, não conseguiu resultados significativos nem que a sharia fosse abolida. A fé e a papoila continuam pujantes.

Na Argélia, para impedir o avanço do cristianismo, está em vias de promulgação uma lei que prevê penas de 2 a 5 anos de prisão e multas de 5.000 a 10.000 euros contra os que « incitem, obriguem ou utilizem meios de sedução para converter um muçulmano a outra religião», lei extensiva a quem distribua, faça ou detenha documentos que «busquem minar a fé dos muçulmanos» (El País, 22-03-06).

Não se julgue que a violência é exclusiva do Islão, cujo fanatismo se agrava desde 1979, após a vitória do ayatollah Khomeini, no Irão. O protestantismo evangélico dos EUA, no início do séc. XX, evidenciou o proselitismo, a recusa da distinção entre o sagrado e o profano, a difusão do deus apocalíptico, cruel, violento e avesso à modernidade saído da exegese bíblica de pregadores exaltados.

A recente aproximação do Vaticano à Sociedade S. Pio X (SSPX), cujos crentes foram excomungados pelo ódio ao concílio Vaticano II e posições abertamente fascistas e anti-semitas de alguns dos seus bispos, não é um bom presságio.

Há dirigentes políticos do Ocidente, que juraram sobre a Bíblia defender a Constituição e comportam-se como se tivessem jurado sobre a Constituição defender a Bíblia.

Em vez da defesa da laicidade, impedindo as religiões de infiltrarem e condicionarem os Estados, assistimos à nefasta politização de religiões cristãs, à semelhança do islão, com consequências imprevisíveis.

O Estado deve declarar-se incompetente sobre matérias religiosas e manter-se alheio em relação às Igrejas. A absoluta neutralidade confessional e a separação radical entre a esfera pública e a privada, são a garantia de que nenhuma confissão, corrente filosófica ou associação se aproprie de forma permanente e definitiva do espaço público.

As religiões do livro consideram abominações e prescrevem a morte para a apostasia, o adultério, a blasfémia e a homossexualidade. É o destino que as teocracias reservam aos pecadores. Em democracia são actos juridicamente irrelevantes e, alguns deles, direitos indeclináveis.

Na Europa já foi hábito condenar os réprobos ao churrasco, mas a civilização remeteu para o tribunal divino, com ou sem intermediação clerical, a respectiva sanção.

A mistura de religião e política não faz melhor um país mas torna pior o Estado. Entre crime e pecado vai a distância que separa o Código Penal dos livros sagrados.

A Europa, após a guerra dos 30 anos, conseguiu em 1648 a emancipação do Estado face à religião (paz de Vestefália). As leis de separação dos séc. XIX e XX instituíram a liberdade religiosa e a independência do Estado.

Cabe, hoje, a quem foi capaz de conter o cristianismo no seu próprio habitat defender o direito de ser cristão em qualquer parte do mundo, do mesmo modo que garante no seu espaço a liberdade religiosa, incluindo o direito à apostasia e à blasfémia.

A Declaração Universal dos Direitos do Homem não é uma enumeração de intenções, é um imperativo ético e jurídico que merece respeito universal: «Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos…».

sábado, março 25, 2006

O País do avesso



Socoooorro!!!!!!!!!!!! Chamem os ladrões

Zapatero e a ETA

Zapatero anunciou ontem que pedirá autorização ao Parlamento para iniciar negociações com a ETA, depois de verificar que o cessar-fogo decretado é um passo definitivo para o fim da organização separatista.

Que dirão agora Luís Delgado, comissário político de Santana, José Manuel Fernandes e toda a direita que, há três anos, execraram Mário Soares por ter defendido negociações para o Iraque, esquecidos do processo do IRA.

Com a coragem do ar condicionado vociferavam: «Não se negoceia com terroristas».

Pouco tempo depois, o PSD, o CDS e os seus ventríloquos de serviço meteram a viola no saco quando os americanos tiveram de negociar com um dos mais tenebrosos iraquianos – Moqtada al-Sadr.

Liberdade para a Madeira

A petição «Liberdade para a Madeira» continua disponível. Podem assinar.

sexta-feira, março 24, 2006

Não nos calemos perante este assassinato!

É indigno o que se passa no Afeganistão: vão matar uma pessoa por causa das suas convicções religiosas!

Vamos exigir que o Governo nos explique como podem os nossos militares garantir a segurança num país que ainda aplica este tipo de leis!

Ditadura argentina – Trinta anos depois

Faz hoje 30 anos que o golpe militar argentino implantou o último regime de terror da América do Sul, depois dos golpes militares no Brasil e na Bolívia em 1964, passando pelos realizados no Chile e no Uruguai em 1973.

É o período mais sombrio da história do continente sul-americano. A coincidência de interesses das elites militares e do grande capital levaram a dor e o sofrimento aos povos da região com o apoio do governo dos EUA.

Milhares de pessoas foram executadas, centenas de milhares presas e torturadas, sem mandatos, outras tantas exiladas foi o saldo macabro das ferozes ditaduras. Torturas, sequestros, execuções sumárias e «desaparecimentos» foram levados a cabo em nome da «Segurança Nacional».

A democracia soçobrou sob a violência das casernas. Os sindicatos e os partidos foram proibidos, os movimentos estudantis, operários e camponeses, reprimidos e a censura tomou conta da comunicação social

O golpe argentino foi o mais sangrento de todos. Assimilou as tenebrosas experiências de tortura da ditadura brasileira – o “pau de arara” foi uma das mercadorias exportadas pela ditadura – e os fuzilamentos da ditadura de Pinochet, a ditadura argentina também aprendeu, com a chilena, que não valia a pena deter as pessoas. Pinochet disse a Videla que a experiência do Estado Nacional era negativa, que se sucediam campanhas pela libertação dos presos, que desgastavam o regime. Havia que “desaparecê-los”.

A partir dali, os presos que eram interrogados sem capuz sabiam que seriam fuzilados, porque não importaria a seus torturadores serem reconhecidos.

Milhares de pessoas foram lançadas no rio da Prata, nos dois voos semanais conhecidos como voos da morte, que eram acompanhados sempre por um capelão da Igreja católica argentina.

NOTA: Este texto é baseado num artigo de Emir Sader que pode ser lido em Bafafá On Line

Sim, Senhor Ministro

Freitas do Amaral dá um bom exemplo:

1 - doravante só se entra na Função Pública (ao menos no MNE) por concurso público e

(2) dispensam-se os "contratados" (bem pagos...) dispensáveis, porque o país não é rico e porque não se sujeitaram a concurso.

O Ponte Europa criticou o caso da Maria.

O Ponte Europa congratula-se com estas medidas.

Esperamos que vão até ao fim e até às últimas consequências, independentemente da filiação partidária e da origem social dos visados.

O resultado está à vista

«Este partido [CDS] tem uma coisa muito interessante, que é cada um pensar pela sua cabeça».

Pires de Lima, ex-vice-presidende do CDS/PP

"PELO PS, POR COIMBRA, COM OUTRA ATITUDE"

Não tendo a candidatura à Comissão Política Concelhia de Coimbra do PS, sob o lema "PELO PS, POR COIMBRA, COM OUTRA ATITUDE", tido oportunidade de enviar, por razões de todos conhecidas que me dispenso de comentar, um mailing para dar a conhecer aos militantes de Coimbra algumas das suas propostas de acção para os próximos dois anos, aqui deixo essas propostas, bem como a lista que tem como subscritor o camarada David Coimbra, agradecendo a todos os camaradas o seu envio urgente por e-mail aos militantes de Coimbra do PS

Eleição da Comissão Política Concelhia de Coimbra
Março de 2006
Pelo PS, Por Coimbra, com outra atitude!
Porque a disputa eleitoral é um imperativo democrático e porque não é tolerável que os militantes do PS Coimbra apenas sejam chamados a participar quando há eleições internas sendo logo de seguida esquecidos, entendo que é hora de assumir o desafio de me candidatar Pelo PS,
Por Coimbra, com outra atitude!
Esta candidatura, que lidero, assume como propostas fundamentais da sua acção:1. Uma outra atitude para com os militantes. Uma outra atitude face aos cidadãos! O reforço e a afirmação do Partido exigem uma nova atitude de respeito e consideração pelos militantes e pelos cidadãos, pelos seus problemas e pelas opiniões. 2. Uma outra atitude na oposição autárquica!O reforço e a afirmação do Partido exigem uma nova atitude perante o descalabro da actual gestão autárquica. Para isso temos de romper com a conivência com o actual poder de direita instalado na Câmara, denunciando, alto e bom som, os erros e as omissões que tanto vem prejudicando a nossa Cidade e o nosso Concelho.3. Uma outra atitude de clareza e transparência política!O reforço e a afirmação do Partido implicam clareza na acção política e transparência nas decisões politico-partidárias. Para isso vamos criar um registo de interesses de que eu serei o primeiro exemplo, como Presidente da Comissão Política Concelhia.4. Uma outra atitude nas escolhas dos candidatos do Partido!O reforço e a afirmação do Partido implica que as escolhas dos seus candidatos deve ser feita de forma participada, por todos os militantes, pelo que vamos lutar junto dos diferentes órgãos do Partido pelas primárias, na escolha dos candidatos do PS, para todas as eleições. 5. Uma outra atitude de mobilização dos militantes e simpatizantes do PS!O reforço e a afirmação do Partido passam pela mobilização e pela rentabilização dos contributos dos seus militantes e simpatizantes, acrescentando democracia, trazendo novas ideias e novos projectos. Para isso vamos promover o debate político e a participação permanente na vida do Partido, criando grupos de trabalho com militantes e simpatizantes, para debater os temas das mais diversas áreas, nomeadamente: da cultura; do ensino; das artes; do turismo; da ciência; do desporto; do trabalho; da saúde, e das políticas sociais, entre outros.
David Coimbra

LISTA DE CANDIDATOS À COMISSÃO POLÍTICA CONCELHIA DE COIMBRA
Eleição em 25 de Março de 2006 (das 16h às 21h)

Lista B“PELO PS, POR COIMBRA, COM OUTRA ATITUDE!
Candidatos Efectivos1- David Coimbra2- Fernanda Campos3- Lázaro Pires4- João Rosendo5- Mário Fernandes6- Ana Leonor Pereira7- Brásio Gomes8- João Montezuma de Carvalho9- Carla Fortunato10- José Queirós11- André Pereira12- Maria Gabriela Carvalho13- Manuel Nogueira Belchior14- Fernando Cardoso Simões15- Maria Augusta Pinto16- António Azinhaga Grilo17- Hugo Duarte18- Ramiro Mendes19- Alda Salgado20- José Cação21- António Ramos de Carvalho22- Paula Cristina Abrantes23- Valdemar Barbeiro24- Sérgio Abade25- Maria Justina Almeida26- Celestino Carriço da Silva27- António Pinto de Albuquerque´28- Isa Maria Ribeiro29- José António Serralheiro30- Júlio Souto Gonçalves31- Bruno Teixeira Ribeiro32- Graça Lapa33- José Silva Marques34- Paulo Teles Grilo35- Célia Pedro36- Fernando Gomes Marques37- Júlio Cabral Ramos38- Patrícia França Simões39- Fernando Ferreira Marques40- Aurélio José Gonçalves41- Maria Luísa Teles Grilo42- Mário Augusto Jorge Mendes43- Fernando Véstias44- Maria Adelaide Filipe45- Tiago Andrade46- Aníbal Gomes47- Zélia Henriques David48- Hugo Filipe Cunha49- Ricardo Pires do Carmo50- Maria Jesus Figueiredo Cruz51- Ramiro Azinhaga Grilo52- Henrique Carvalho dos Santos53- Estela Castilho54- Nuno Moreira Vieira55- Marcelino Matias Martins56- Carlos Felício da Costa57- João Carvalho Ferreira58- Beatriz Morais59- Renato Ávila60- António Violante61- Nuno Filipe
CANDIDATOS SUPLENTES1- Ana Pires2- Lusitano dos santos3- Licínio Ferreira4- Décio de Sousa5- Fernando Madanêlo6- Adriano Barbosa de Sousa7- Maria Manuela Lacerda8- António Serra Constantino9- António Casimiro Ferreira10- Maria Matias11- Sérgio Namorado12- António Gomes Teles Grilo13- Emília Gil14- Francisco Martins15- Alexandre Areias16- César Ribeiro17- Carmo Ramos de Carvalho18- Marcelino Cardoso19- João Paulo Rodrigues20- Albino Capitão21- Andreia San-Bento dos Santos22- José França Simões23- Adelino Ferreira Martins24- Isabel Sá Oliveira25- Rui Namorado26- Maria Marlene Martins27- António Morais Fonseca28- Maria Susana Sousa Lopes29- Elísio Estanque30- Joaquina Lucas da Rocha31- José Luís Pio de Abreu32- Herculano Morais33- Cristina Martins34- Deolindo Rodrigues35- Armando Augusto Leal Gonsalves

Informação ou terrorismo?

(Clique na imagem para aumentar)

Este folheto está a ser distribuído nos colégios da FOMENTO - Cooperativa de Ensino, propriedade da Opus Dei.

Nota: Foi entregue pela educadora a uma criança de 5 (cinco) anos.

Espaço dos leitores

(Estátua de David - Miguel Ângelo)
Nota: A petição «Liberdade para a Madeira» está aberta a assinaturas.

Não há democracia sem laicidade.

A condenação à morte (pena que os livros sagrados reservam aos hereges) de um muçulmano convertido ao cristianismo é um murro no estômago dos cidadãos de países laicos onde a religião é cada vez mais um direito e cada vez menos um dever.

Sem o respeito por todas as formas de religiosidade, arreligiosidade e até anti-religiosidade não há democracia. Curiosamente coube a um crente exaltado, um evangelista conservador ( o Sr Bush) a veleidade de tentar levar a democracia e a fé a todo o planeta, desde os EUA, cuja existência conhecia, até outras paragens que não imaginava.

No Afeganistão a fé e a papoila estão mais florescentes do que os direitos humanos. O Corão é o escalracho que germina na seara da democracia.

Abdul Rahamn, um médico de 41 anos, enfrenta um processo no tribunal de Kabul por conversão ao Cristianismo. O julgamento começou na semana passada e, de acordo com as leis islâmicas, pode vir a ser condenado à morte.

Apesar dos esforços do Governo de Kabul para lhe poupar a vida, os líderes islâmicos, perante um pecado tão grave, não abdicam de o decapitar.
Será que o Profeta se indigna com as caricaturas e se enche de gozo com as decapitações?

quinta-feira, março 23, 2006

Apoio à guerra do Iraque



«Durão Barroso admite que apoiou a guerra no Iraque com base em informações não confirmadas. O antigo primeiro-ministro português e actual presidente da Comissão Europeia reconheceu este facto pela primeira vez».

Dezenas de milhares de mortos depois, mais de dois mil soldados americanos imolados e com um país à beira da guerra civil, José Manuel Barroso reconhece o óbvio.

Liberdade para a Madeira

Petição à Assembleia da República


Os abaixo assinados, no cumprimento de um dever de cidadania, usando o direito de petição à Assembleia da República, vêm solicitar que seja discutida a sanidade mental do Dr. Alberto João Jardim para presidir ao Governo da Região Autónoma da Madeira, com os seguintes fundamentos:

Tendo em conta:

As alterações do humor que tanto o levam a propor a erradicação do Sr. Silva do PSD como a exaltar as virtudes do ora Presidente da República;

A linguagem obscena e reles com que trata os membros da Oposição;

As ameaças que dirige aos adversários políticos;

A incontinência verbal e os insultos aos titulares dos mais altos órgãos da soberania;

A eternização governativa só superada por Fidel de Castro;

O gosto exótico para se mascarar no carnaval e, sobretudo, o perigo de não se mascarar o resto do ano;

A truculência verbal para com a comunicação social e as minorias sexuais;

O desrespeito pelos Tribunais, nomeadamente o Tribunal de Contas;

A inerência como Conselheiro de Estado e o perigo do exercício de tão elevadas funções em condições que o desaconselhem, bem como a invocação dessa condição para se furtar a julgamentos judiciais;

A exigência, ao arrepio da CRP, da «Independência total para a Madeira»;

O défice democrático, tantas vezes alegado, que se vive na Região Autónoma.

Pretendem saber se o referido governantes está no pleno uso das suas faculdades para o desempenho das funções que lhe estão confiadas e se dá garantias de respeito pelo 25 de Abril.

Assinar em: http://www.petitiononline.com/

Apostila - Não sei colocar a petição Online. Peço desculpa aos leitores.

Apostila- 2: Finalmente, está disponível em «Liberdade para a Madeira». Podem assinar.

ETA e terrorismo

Após mais de três décadas de terrorismo a organização separatista ETA anunciou, a partir de hoje, tréguas definitivas.

As bravatas do Sr. Aznar, aquele que quis comprar a mais alta condecoração americana e foi cúmplice da invasão do Iraque, não ajudaram a facilitar o clima de confiança que era urgente para pôr termo à espiral de violência que dilacerou Espanha.

A ETA deixou de matar, há algum tempo, mas as bombas não deixaram de ouvir-se. A renúncia à luta armada, sem prejuízo da vigilância que o Estado espanhol não deixará de fazer, é uma excelente notícia para quem ama a paz e preza a democracia.

Há imensas vítimas e muito luto por fazer das mortes causadas pela ETA, mas também há uma torrente de sangue ainda maior provocada pela guerra civil, primeiro, e pela violência assassina do ditador Franco, depois.

A Espanha merece a paz.

De pouco valem os votos do Ponte Europa, mas aqui ficam. Sinceros e profundos.

quarta-feira, março 22, 2006

Uma heroína entre nós!

"A dúvida de si próprio é positiva, mas não quando estamos a lidar com princípios. Um corpo não mutilado, a própria vida e a liberdade individual não são negociáveis. Se alguém quer ser fumador, tudo bem, só se está a prejudicar a si próprio. Mas não pode matar uma irmã ou uma filha; não a pode trancar dentro de casa, cortar-lhe os seus órgãos genitais ou casá-la contra sua vontade. Os marroquinos daqui estão a enviar as filhas e as mulheres de novo para Marrocos; tiram-nas da escola. Este desrespeito pelas mulheres é simplesmente inaceitável."

Ayaan Hirsi Ali em entrevista, a não perder, no expresso online

Procriação medicamente assistida


À semelhança de outros países europeus é urgente legislar sobre o assunto. O pior que pode acontecer é o vazio legal.

Os problemas técnicos são essencialmente do foro médico. Os éticos e políticos são da competência da Assembleia da República. Aliás, têm sido apresentados projectos de lei de grande nível por vários grupos parlamentares.

Há, todavia, indivíduos que andam por aí a exigir um referendo, uns pios devotos que costumam aparecer sempre que alguém pretende abolir a prisão para mulheres que, às vezes em condições dramáticas, recorrem ao aborto.

Os que condenaram a actual lei que regula o aborto, que queriam proibir a interrupção da gravidez nos casos de violação, risco de vida para a mãe e malformação do feto, que nem o incesto contempla, são os mesmos guardiões da moral que pretendem zelar pelos embriões e impor os preconceitos religiosos à sociedade.

Não é só no islão que há talibãs.

Post scriptum – O método tradicional manter-se-á o mais popular.

A CAP e o ministro da Agricultura

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) é uma associação legítima cujo direito de manifestação é indiscutível. Serve-se, e bem, de uma conquista democrática.

Claro que a lembrança do falecido José Manuel Casqueiro e do Prof. Rosado Fernandes, respectivamente secretário-geral e Presidente da CAP, deixou-me a sensação de que o fervor democrático não fazia parte do seu código genético.

Não sei quanto terá custado ao País o silêncio a que se remeteu a CAP, de há anos a esta parte, que verbas arrecadaram os latifundiários em detrimento dos pequenos e médios agricultores ou – o que é mais importante –, o que fizeram com os abundantes subsídios na defesa e melhoria da produção agrícola.

O direito de manifestação, repito, é legítimo. O corte de estradas é um caso de polícia.

Tenho a vaga sensação de que os associados da CAP confundem agricultores e agrários, usando a primeira designação para, através da confusão semântica, semearem a confusão enquanto procuram deitar a mão às contribuições vindas de Bruxelas.

Diz-me a intuição que não são as sementeiras que os preocupam mas os subsídios para manterem as terras de pousio.

Ontem pararam Vila Franca de Xira, cortaram a Estrada Nacional 10 e ameaçaram não parar. Não lhes faltam meios nem cumplicidades. Veremos até onde o Governo resiste à chantagem e arruaça dos interesses que se acoitam na CAP.

Se contestam o ministro da Agricultura, não tenho dúvida de que lado está a razão. É a prova de que Jaime Silva é um ministro corajoso, honesto e conhecedor do sector.

CLUBE AGIR

No dia 31 de Março de 2006, pelas 21h 00 m Casa da Cultura (Rua Pedro Monteiro) - Coimbra, o Clube Agir vai promover um debate sobre "Política Energética Nacional" com os seguintes oradores:

Prof. Doutor Sá Furtado (FCTUC)
Dr.ª Suzana Tavares da Silva (Assistente da FDUC e Doutoranda em Direito Administrativo (problemas de infra-estruturas nacionais e energia)
Dr. Diogo Freitas (Doutorando em Física Nuclear)
Eng. Lobo Gonçalves ( Administrador Executivo da Enernova - Grupo EDP )

Participa. A Mudança só se alcança participando e agindo.

PSD Madeira acaba com o 25 de Abril

«O PSD Madeira prepara-se para acabar com as comemorações do 25 de Abril na região. Jaime Ramos, líder parlamentar dos sociais-democratas madeirenses, apresentou um requerimento à Assembleia Legislativa no sentido de este ano não haver sessão comemorativa da Revolução de 1974, simplesmente por "não ser oportuno".

E o PSD Madeira pode mesmo não retomar as comemorações no futuro. Já no ano passado Alberto João Jardim admitia a extinção da sessão, argumentando com "a falta de nível" das intervenções da oposição. Segundo o líder madeirense, "o 25 de Abril merece outra dignidade que não aquela cagada"». Diário de Notícias

Cada região tem o líder que merece ou o País é cúmplice do desvario, da boçalidade e da desfaçatez dos sátrapas autóctones?

Ontem, ao fim da tarde, a Presidência da República anunciou a nomeação dos representantes para as Regiões Autónomas. Na Madeira, num acto de absoluto desrespeito pelo Presidente da República, o Governo Regional procedeu ao anúncio com várias horas de antecedência.

É este o estado a que o Estado de direito chegou, na Madeira.

Uma visão apocalíptica

Depois da saída de Carlos Encarnação para o Parlamento Europeu, Pina Prata substituí-lo-á na Câmara Municipal de Coimbra para tentar a perpetuação da desastrosa coligação PSD/CDS/PP.

O organograma, da autoria do blog Mario Nunes Dixit, é uma antevisão do futuro cultural que ameaça a cidade.

Coimbra não merece tão rude provação.

terça-feira, março 21, 2006

A diplomacia e a falta de ética

O pai da Diana, digo, o antigo MNE Martins da Cruz, compadre de Durão Barroso, que chegou a faltar a uma reunião internacional porque só gostava de andar de Falcon, é um exímio embusteiro político.

No Diário de Notícias, de hoje faz afirmações de acordo com a sua estrutura moral:

O antigo ministro acusa mesmo Jorge Sampaio de ter tido "atitudes assimétricas" em relação às intervenções portuguesas no Kosovo, em 1999, e no Iraque, em 2003. "Do ponto de vista do Direito Internacional, a situação é exactamente a mesma", pois não havia "nenhuma resolução do Conselho de Segurança" da ONU.

Resposta: Falso. A NATO, organismo que Portugal integra, apoiou a intervenção no Kosovo, situação que a Constituição Portuguesa «respalda. E, pelo menos, as razões invocadas, ao contrário do Iraque, eram verdadeiras.

"Ao contrário do que disseram alguns políticos, comentadores e imprensa, quem estava isolado não era Portugal, mas a França", acrescenta o ex-ministro, para quem "não devemos ir a toque de caixa atrás de Paris".

Resposta: Falso. A Alemanha e outros países importantes não embarcaram na aventura. Esta resposta faz lembrar a notícia do Times «Hoje a Europa esteve isolada por causa do nevoeiro no Canal da mancha».

De resto, o envio do batalhão da GNR para o Iraque foi na sequência de uma deliberação da ONU para garantir a segurança no território, "três semanas depois do início das hostilidades".

Resposta: Falso. A demente e criminosa decisão foi tomada antes da deliberação da ONU. O embarque foi posterior, por falta de meios.

Além de politicamente irrelevante, o compadre de Durão Barroso, tem pela verdade o mesmo horror que Maomé nutre pelo toucinho.

EL TAMIFLU, DONALD RUMSFELD Y EL NEGOCIO DEL MIEDO

Face ao terrorismo difundido pelos órgão de comunicação social vale a pena deixar aqui na língua em que o recebi (em espanhol) estas informações que exigem reflexão:

«Extracto de la Editorial del número 81(abril-2006) la revista DSALUD (www.dsalud.com)
por José Antonio Campoy

¿Sabes que el virus de la gripe aviar fue descubierto hace 9 años en Vietnam?

¿Sabes que desde entonces han muerto apenas 100 personas EN TODO EL MUNDO TODOS ESTOS AÑOS?

¿Sabes que los norteamericanos fueron los que alertaron de la eficacia del TAMIFLU (antiviral humano) como preventivo?

¿Sabes que el TAMIFLU apenas alivia algunos síntomas de la gripe común?

¿Sabes que su eficacia ante la gripe común está cuestionada por gran parte de la comunidad científica?

¿Sabes que ante un SUPUESTO virus mutante como el H5N1 el TAMIFLU apenas aliviara la enfermedad?

¿Sabes que la gripe aviar hasta la fecha solo afecta a las aves?

¿Sabes quien comercializa el TAMIFLU? LABORATORIOS ROCHE

¿Sabes a quien compró ROCHE la patente del TAMIFLU en 1996? A GILEAD SCIENCES INC.

¿Sabes quien era el Presidente de GILEAD SCIENCES INC y aun hoy principal accionista? DONALD RUMSFELD, actual Secretario de Defensa de USA ¿Sabes que la base del TAMIFLU es el anís estrellado?

¿Sabes quien se ha quedado con el 90% de la producción mundial de este árbol? ROCHE

¿Sabes que las ventas del TAMIFLU pasaron de 254 millones en el 2004 a mas de 1000 millones en el 2005?

¿Sabes cuantos millones más puede ganar ROCHE en los próximos meses si sigue este negocio del miedo?

O sea que el resumen del cuento es el siguiente: Los amigos de Bus deciden que un fármaco como el TAMIFLU es la solución para una pandemia que aún no se ha producido y que ha causado en todo el mundo 100 muertos en 9 años. Este fármaco no cura ni la gripe común. El virus no afecta al hombre en condiciones normales. Rumsfeld vende la patente del TAMIFLU a ROCHE y este le paga una fortuna. Roche adquiere el 90% de la producción del anís estrellado, base del antivírico.

Los Gobiernos de todo el Mundo amenazan con una pandemia y compran a ROCHE cantidades industriales del producto.

Nosotros acabamos pagando el medicamento y Rumsfeld, Cheney y Bush hacen el negocio... .

¿ESTAMOS LOCOS, O SOMOS IDIOTAS? AL MENOS PASALO PARA QUE SE SEPA.

segunda-feira, março 20, 2006

Iraque - Três anos depois


Faz hoje três anos que a invasão do Iraque, na sequência da infeliz reunião dos Açores, deu início a uma guerra sem fim à vista e a uma catástrofe de dimensão imprevisível.

A mentira que serviu de pretexto – armas de destruição maciça –, e os objectivos que se alegaram – a democratização do Iraque –, estiveram à altura da insensatez demente que conduziu à tragédia. Nem as ligações à Al Qaeda se verificaram.

Hoje, após mais de 100 mil iraquianos mortos e centenas de milhares de estropiados, é a guerra civil que está iminente, a fome e a miséria que alastram e o risco de que sunitas e xiitas se envolvam numa guerra fratricida que contamine o Médio Oriente.

Com o Corão a servir de inspiração, a Constituição do Iraque não é democrática, o ódio cresce e o País está à beira da desintegração.

Bush, que, por modéstia esconde a cultura e disfarça a inteligência, ainda não admitiu o erro da cruzada que julgou inspirada pelo divino e destinada a obter petróleo abundante;

Blair fala em responder perante Deus, depois da condenação dos ingleses;

Aznar, falhada a medalha de ouro do Congresso dos EUA, aliciando congressistas, expia o crime em cruzadas morais, alinhado com o Opus Dei;

Barroso, depois de ter endossado o Governo português a Santana Lopes, refugiou-se na Comissão Europeia – os trinta dinheiros da cumplicidade iraquiana.

Entretanto,

Na Palestina, o Hamas ganha as eleições tendo como projecto democrático a sharia e a erradicação de Israel.

No Irão, o presidente Mahmud Ahmadineyad, fanático e belicista, constrói a bomba atómica, desafia os EUA e atrai árabes, turcos, magrebinos e indonésios para a luta islâmica contra a civilização.

Da África à Ásia os senhores da guerra digladiam-se entre si em lutas tribais e esperam quem os unifique sob a bandeira do ódio à democracia e à laicidade.

Nos EUA a cruzada neoconservadora revitaliza-se com o acesso ao Supremo Tribunal de juizes indigitados por Bush, a lembrar-nos que o termo «fundamentalismo» nasceu para caracterizar o protestantismo evangélico norte-americano do início do séc. XX – proselitismo, recusa da distinção entre o sagrado e o profano, a difusão do deus apocalíptico, cruel, intolerante e avesso à modernidade, saído da exegese bíblica mais reaccionária.

Em vez de um combate cultural pela civilização, na defesa da liberdade e da tolerância, o radicalismo religioso agrava-se. A Fraternidade S. Pio X, do defunto Lefèbvre, que morreu excomungado por Roma, acaba de regressar ao seio do Vaticano – uma vitória das forças mais intolerantes e retrógradas.

domingo, março 19, 2006

Paradoxos

Ribeiro e Castro é o presidente de um partido em autogestão, que merece uma comissão liquidatária e que sonha substituir o actual líder por outro que dê o lugar a Paulo Portas, quando este quiser.

À falta de militantes, sobram-lhe dirigentes e um grupo parlamentar coeso na oposição ao presidente do partido.

O Conselho Nacional do CDS-PP aprovou, este domingo, a moção de Ribeiro e Castro para a realização de um congresso extraordinário.

Após uma vitória surpreendente, Ribeiro e Castro vai de congresso em congresso até à derrota final.

Martins da Cruz - Opiniões

Um dos noticiários televisivos mostrou hoje uma figura pouco recomendável a censurar Jorge Sampaio por não ter apoiado a invasão do Iraque e, na sua opinião, ser incoerente, pois tinha aprovado o ataque à Sérvia.

Depois, atacou violentamente o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan a quem apelidou de incompetente e censurou por ter dois filhos arguidos em processos de corrupção.

Era Martins da Cruz, ex-MNE, que em questões de ética devia ser cauteloso após a demissão pela forma venal como se comportou no Governo PSD/CDS:

- movimentos diplomáticos, com eventuais perseguições políticas.
- gosto por aviões de luxo.
- falta de convicções europeias.
- subserviência a Madrid.
- apoio à invasão do Iraque.
- nomeação de Maria Elisa para conselheira cultural, em Londres.
- a fraude de a denominar conselheira de imprensa para contornar a lei.
- alteração legislativa para que a filha Diana entrasse em Medicina.
(...)

Pode-se desculpar ao extremoso pai a displicência do ministro. Não se perdoa ao político venal, que arrastou na queda o ministro do Ensino Superior, a falta de memória e de vergonha.

Aliás, para além da qualidade de compadre do primeiro-ministro, não revelou outra que o recomendasse para o cargo.

O Congresso do PSD


O XXVIII Congresso do PSD não teve o frenesim habitual. Não estando em causa a liderança, pode dizer-se que a mercearia interna se reduzia à aprovação das directas e, para criar ambiente, dizer mal do Governo.

Dois membros do Conselho de Estado, escolhidos pelo PR, chamaram a atenção das câmaras de televisão, Dias Loureiro e Manuela Ferreira Leite, esta última a presidir à mesa do Congresso.

Nem o inefável Alberto João produziu um número à altura da criatura. Os aplausos só ganhavam ânimo quando se invocava o nome do PR uma vitória que os presentes, num congresso morno e pouco concorrido, reclamam como sua.

Marques Mendes herdou o PSD diminuído por Durão Barroso e arrasado por Santana Lopes. Revela categoria e capacidade. Só não consegue conquistar o partido nem ganhar o País.

Dando-se conta de que as «directas» seriam inevitáveis a prazo, alterou a sua posição, apoiou-as e saiu vitorioso.

Contrariando os que defenderam as directas em Pombal, com ovações estrondosas – L. Filipe Menezes e Manuela Ferreira Leite –, e que agora as sufragaram, mas querendo-as diferidas para 2007, Marques Mendes pretende marcá-las já para Maio.

Tirou espaço aos que espreitam o poder a olhar para Belém e parte para as directas com todas as condições para as ganhar. Depois, será a caminhada contra o ciclo eleitoral das legislativas, os adversários internos e a capacidade do PS para vencer tempos difíceis.

sábado, março 18, 2006

O Presidente da República e os seus ajudantes


Fui um dos 2.713.916 eleitores que não votaram no actual Presidente da República. Não me limitei a votar noutro candidato, votei contra ele.

No entanto, após a tangencial vitória, senti-me na obrigação de o felicitar. Depois de jurar cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa, considerei que era o meu Presidente e lhe devia respeito e solidariedade.

Mantenho o respeito a que sou obrigado, desejando que o seu mandato não desdoure o dos antecessores e que o seu desempenho seja motivo de orgulho para os portugueses. Não posso, no entanto, prodigalizar-lhe a estima que lhe reservava.

Os seus colaboradores mais próximos podiam ser assessores da Conferência Episcopal pelas posições éticas sobre o aborto, embriões, eutanásia, casamentos homossexuais e pílula do dia seguinte. Só seriam recusados por serem tão desumanamente ultraliberais. Mas a escolha é um direito discricionário do PR.

A forma como recebeu o primeiro-ministro no seu primeiro encontro institucional – a avaliar pela proximidade da parede –, e como o colocou fora do tapete, deixa-me amplas reservas e algumas suspeitas.

Não sou eu que me afasto do meu presidente, é ele que, aparentemente, desistiu de ser consensual para se tornar chefe de facção.

Há alguém que pense em custos?

«O procurador-geral da República defendeu a criação de Departamentos de Investigação e Acção Penal (DIAP) em todas as comarcas do país, como forma de melhorar a comunicação entre Ministério Público (MP) e polícias» - diz a Sic Online.


E alguém pensa em racionalidade ou custo/benefício?

sexta-feira, março 17, 2006

Ao que chegou o PSD/Madeira

O primeiro encontro Cavaco-Sócrates

(Foto do Diário de Notícias)

«Em Cavaco Silva nenhuma imagem pública é deixada ao acaso» – diz Ana Sá Lopes no Diário de Notícias, hoje.

Ao primeiro-ministro calhou apenas a beira do tapete. Será uma metáfora de quem pretende puxar-lho?

A Primavera e as preocupações de um Conselho Directivo

quinta-feira, março 16, 2006

A CAP e o ministro da Agricultura


A CAP é uma poderosa organização que engloba grandes proprietários que vieram do Estado Novo e se acomodaram mal à democracia.

Não deixaram, no entanto, de confiscar em seu proveito parte substancial dos fundos oriundos da Comunidade Europeia.

Ao pretender beneficiar pequenos e médios agricultores em detrimento dos grandes agrários, Jaime Silva comprou uma guerra com tal gente.

A manifestação de força e as arruaças da CAP são uma provocação e um desafio aos critérios de justiça que o ministro defende.

A animosidade da Confederação de interesses que se opõe ao ministro é a prova de que o actual ministério da Agricultura se pauta por critérios de justiça social e se emancipou da tutela da CAP.

No fundo, o que dói aos arruaceiros é que os subsídios para não produzir se transfiram para apoios à produção. São 500 milhões de euros, vindos de ajudas europeias, a que a CAP se julgava com direito graças às influências políticas de que sempre dispôs.

Concentração bancária (2)

A OPA do malandro - Zédalmeida

Concentração bancária (1)


É preciso sagacidade, competência e uma conjuntura favorável à OPA e à OPUS (DEI). E muito dinheiro.

P. R. - Apreensão e perplexidade

A nomeação do ex-secretário de Estado da Defesa e da Administração Educativa, Abílio Morgado, como consultor do Presidente da República para os Assuntos de Segurança Nacional, foi uma surpresa.

O novo consultor foi considerado responsável pelas colocação falhada dos professores para o ano lectivo 2004/2005 – um desastre sem precedentes –, e esteve ligado a uma polémica sobre alegados favorecimentos na colocação de professores, um dos quais em Viseu por despacho directo dele próprio.

Por outro lado, a nomeação dos cinco conselheiros de Estado, mereceu da Comissão Política do PCP um comunicado em que afirma: «Com esta decisão, Cavaco Silva rompe deliberadamente com o anterior critério que garantia, através da conjugação dos representantes eleitos pela Assembleias da República e dos elementos designados pela Presidência, a representação dos principais partidos neste órgão». E acrescenta: «não pode deixar de sublinhar o facto de a opção pelas cinco personalidades escolhidas assentar num estreito critério de cumplicidades partidárias e de círculos de amigos, em claro prejuízo de uma desejável observação de factores de representatividade e diversidade política que as competências e funções do Conselho de Estado necessariamente recomendam».

Não duvido da isenção do Presidente da República mas, com estas nomeações, arrisca-se a prolongar as reservas dos portugueses que não lhe confiaram o voto.

Fontes: Diário de Notícias e Diário Digital (15-03-2006)

Recordar Natália Correia

Há 13 anos faleceu Natália Correia. Notável intelectual, escritora, jornalista, política e cidadã, deixou a marca de uma personalidade ímpar e do seu espírito independente.

Porque o humor é uma forma de pedagogia, em vez de um poema, dos muitos com que enriqueceu a literatura, deixo os versos escritos na Assembleia da República, logo que o deputado João Morgado, do CDS, produziu no hemiciclo esta frase lapidar:

«O acto sexual só é legítimo para ter filhos».

Depois desta síntese do pensamento democrata-cristão, que nenhum deputado do CDS repudiou publicamente até hoje, Natália Correia escreveu e deu aos colegas este poema:

JÁ QUE O COITO - DIZ MORGADO -
TEM COMO FIM CRISTALINO
PRECISO E IMACULADO
FAZER MENINA OU MENINO;

E CADA VEZ QUE O VARÃO
SEXUAL PETISCO MANDUCA,
TEMOS NA PROCRIAÇÃO
PROVA DE QUE HOUVE, TRUCA-TRUCA.

SENDO PAI DE UM SÓ REBENTO,
LÓGICA É A CONCLUSÃO
DE QUE O VIRIL INSTRUMENTO
SÓ USOU - PARCA RAÇÃO ! -

UMA VEZ. E SE A FUNÇÃO
FAZ O ORGÃO - DIZ O DITADO,
CONSUMADA ESSA EXCEPÇÃO,
FICOU CAPADO, O MORGADO !

NATÁLIA CORREIA

quarta-feira, março 15, 2006

INCÊNDIOS

Especialistas vão ensinar técnicas de prevenção de fogos
Bombeiros americanos vão cooperar com Portugal no combate a incêndios florestais
Um grupo de especialistas norte-americanos vai dar formação a técnicos portugueses na área da prevenção de incêndios florestais, no âmbito de um protocolo de colaboração que vai ser assinado entre as autoridades florestais dos dois países, anunciou hoje o ministro da Agricultura.-público 15/03/2006.

Mais um excelente iniciativa do governo prevenindo, na altura certa, para não ter mais tarde que remediar.

Seita ou religião?

(Clicar na imagem, para aumentar)

Será que o catolicismo e o anglicanismo, por exemplo, são duas seitas cristãs?

Nota – Veja-se como deve o Estado evitar fazer um julgamentos sobre as convicções particulares, direito que apenas lhe cabe respeitar e defender.

Medida necessária e corajosa

«O caminho faz-se caminhando»
(António Machado, poeta andaluz)

Palestra - Laicidade

A convite de uma prestigiada e benemérita Associação cívica de Coimbra, cujo nome omito por não ter solicitado autorização para o referir e não ter sido pública a sessão, proferi uma palestra subordinada ao tema «Laicidade».

A referida palestra teve lugar no dia 13, à noite, num hotel de Coimbra, e o texto que lhe serviu de base fica arquivado, para quem estiver interessado no tema, em:

terça-feira, março 14, 2006

PSOE – 2.º Aniversário


Nem a coligação com interesses divergentes, nem o processo de descentralização de que a Catalunha é um teste arriscado, nem as intrigas de Aznar e o azedume de Mariano Rajoy, nem a hostilidade da Conferência Episcopal, afastaram o PSOE do desígnio de modernizar Espanha e colocá-la na vanguarda dos países civilizados.

Zapatero é a cara e a alma dessa mudança, por vezes tumultuosa, de um grande país onde o peso de um passado sombrio ainda se faz sentir.

O PSOE é a força que rompe com o passado e Zapatero o protagonista de um futuro que encontrou na Europa livre e democrática o seu desígnio.

Viva Espanha. Parabéns presidente Zapatero.

O Irão e o risco nuclear


A reiterada recusa do regime teocrático do Irão de enriquecer urânio em território russo, numa empresa mista, com que a comunidade internacional se conformava, indicia que é a bomba atómica que pretende e, com ela, a hegemonia no mundo islâmico.

Não é, pois, como alegam os ayatollahs, a produção de energia eléctrica que pretendem, é a condução da política tendo o Corão como arma e a bomba nuclear como argumento.

A proposta de Moscovo, de criar no seu território uma empresa mista, tinha a vantagem do controlo internacional que impedia a utilização do urânio para fins militares. Mas os ayatollas têm uma agenda própria e objectivos de liderança.

Quem sabe se o sonho de um novo império persa não é o demónio escondido na cabeça do clero iraniano? A tentação de dominar árabes, turcos e magrebinos, com a guerra do Iraque e a desordem que grassa na região, serve-lhes de argumento contra o Ocidente.

A civilização árabe é um fracasso ameaçado pela globalização, a pobreza e a religião. Tem petróleo para alimentar as teocleptocracias e tapetes para usar cinco vezes ao dia para as genuflexões em direcção a Meca. O resto é desespero, violência e ódio.

A posição da França, da Inglaterra e dos EUA, os dois últimos com pouca credibilidade, endurecerá. Resta saber a resposta da China e da Rússia. Se também sentirem medo, o feitiço vira-se contra o feiticeiro.

Mas, se a geo-estratégia da Rússia ou da China, ou de ambas, as levar a contemporizar, o Irão é o cordão detonante de uma pavorosa explosão que se avizinha.

Apostila: Era uma boa altura para o desarmamento nuclear mundial. Doutro modo o arsenal, o clube nuclear e o perigo de guerra não param de se adensar.

segunda-feira, março 13, 2006

Pinochet e Milosevic

Nuremberga fez jurisprudência. Os crimes contra a humanidade não devem prescrever.

Lamento que Slobodan Milosevic não tenha sido julgado.

Lamento que uma deficiente assistência médica possa ter sido a causa da morte. Ou que os rumores, que nestas circunstâncias são inevitáveis, possam ter alguma consistência.

Lamento que o Governo britânico de Tony Blair tenha, por motivos de saúde, libertado Augusto Pinochet, procedimento que o TPI não teve para com Slobodan Milosevic.

Lamento dois pesos e duas medidas.

domingo, março 12, 2006

Sócrates – 1 ano de Governo


Os que não fizeram ou fizeram mal, não se cansam de dizer que fez pouco ou não fez bem.

É tempo de dizerem o que fariam e como fariam.

O resto é conversa.

Poucos fizeram tanto, em tão pouco tempo, em condições tão adversas.

Coimbra: As máscaras da pequena política

A minha amiga e camarada Eliana Pinto assinou no Campeão das Províncias o texto que, com a sua autorização, aqui se transcreve numa versão um pouco mais alargada.

"OS DESAFIOS DO FUTURO DE PORTUGAL.
COIMBRA:AS MÁSCARAS DA PEQUENA POLÍTICA.

A história dos regimes democráticos em Portugal, desde 1820, continua a ser marcada pela tendência para a constituição de dois grandes partidos que alternam entre si no poder. A 3ª. República, iniciada em 1974, não tem sido nenhuma excepção. PS e PSD são os dois maiores partidos e dominam o aparelho de Estado e as autarquias. Os restantes partidos procuram combater esta tendência, mas sem grande êxito e a sua maior ou menor expressão depende do estado de adormecimento da sociedade portuguesa.
Após 30 anos de regime democrático, na 3ª. República, os partidos políticos revelam as mesmas tendências que os têm conduzido ao seu descrédito:
Fecharam-se à sociedade, constituindo-se em verdadeiros obstáculos à participação política dos cidadãos. A sua reflexão política é em geral medíocre ou inexistente.
Povoaram-se de profissionais da política, na sua maioria medíocres e sem qualquer iniciativa e competência para fazer. Distribuem entre si os cargos públicos, não raras vezes em mesas de café, impedindo a renovação da classe política e a ascensão dos mais competentes.
O clientelismo, o “amiguismo” e a oferta de cargos públicos para retribuir favores ou fidelidades partidárias tornou-se uma prática banal nos partidos políticos.
A política partidária passou a ser orientada pelos seus impactos mediáticos, de forma a granjearem alguma notoriedade pública.
Este é o retrato que desenho para os principais partidos que, hoje, são o pilar da democracia portuguesa, apesar de estar certa de que também caracterizarão os partidos de poder de outros países europeus. Diríamos ser, talvez, o efeito da globalização.
A política deveria ser um exercício de responsabilidade. Cada um de nós interessa-se pela coisa pública porque se sente responsável - como por instinto - pelo bem-estar da comunidade a que pertence. A participação política para muitos de nós começou nas associações de estudantes, enquanto primeira afirmação de liberdade e de democracia. Sentíamos vontade de uma participação cívica forte na construção de um bem colectivo.
Daqui à adesão a um partido político, sobretudo numa cidade que sempre fervilhou política, desde logo na sua Universidade, seria um passo apenas.
Mas, muitos dos voluntariosos que desde cedo gostaram de contribuir com ideias novas, trabalho colectivo, capacidade de entrega à defesa do bem comum, ignoravam as pequenas e repetidas tempestades existentes em demasia nessas organizações políticas - partidos políticos - decorrentes daquele sentimento que é a última palavra d’ Os Lusíadas e é por certo uma das primeiras do Génesis. Inveja.
Continuo, porém, a acreditar que os partidos políticos são indispensáveis e que devemos procurar sempre corrigir-lhes os defeitos e melhorá-los pois não foi ainda descoberta a maneira democrática e republicana de os substituir.
Continuo a acreditar, também, que os problemas sociais são sempre problemas políticos, afectando todos os cidadãos, e por isso continuo a não acreditar que haja uma solução técnica milagrosa para um dado problema social. Por isso também considero que o papel político dos partidos está cada vez mais provado, caso contrário seria apenas necessário em cada momento ter ao serviço do Estado os melhores tecnocratas de Portugal que todos os nossos males seriam resolvidos como num passo de mágica.
A verdade é que o trajecto da jovem Democracia Portuguesa não ficou definido – longe disso - nos limites da Constituição, tal como constavam da sua fórmula original.
A Democracia não é um quadro de actores, competências e interdependências estático, autónomo e independente dos sistemas de relações e movimentos sociais tomados no seu conjunto. A Democracia é um processo - um processo social total, para parafrasear conhecida fórmula das ciências sociais –, não separável de um conjunto vasto de condições, e de contradições, económicas, ideológico-culturais, sociais. E por isso é que a sua preservação, promoção e aperfeiçoamento não podem restringir-se a uma série de procedimentos inspirados numa visão reduzida às dimensões formais e institucionais.
Aliás, talvez não seja excessivo prognosticar que, neste contexto, a democracia representativa é a única via de aperfeiçoar o nosso sistema democrático e, por isso mesmo, os partidos políticos, como pilares do sistema democrático, não podem fechar os olhos a essas práticas participativas que encurtem distâncias face ao cidadão.

E é por isso que as discussões quanto ao fechamento do campo político sobre si mesmo, formuladas às vezes na linguagem dúbia da crítica à “partidocracia”, outras vezes como denúncia do alheamento - para uns provocado, para outros inevitável - dos cidadãos-eleitores em relação à vida pública, continuam por resolver, e a girar, em boa parte, em torno das questões que acabei de enunciar.
Creio que a experiência democrática portuguesa das últimas três décadas aponta, a este propósito – ora pela positiva, ora pela negativa, como quase sempre acontece -, alguns caminhos que vale a pena percorrer, se quisermos continuar a fazer da Democracia, ou talvez melhor, da democratização das sociedades, um desígnio mobilizador e um factor de genuína emancipação.
Em primeiro lugar, o caminho de uma defesa intransigente – meço as palavras: intransigente – da escolha dos melhores para colocarem à disposição de nós todos as suas mais valias pessoais e profissionais, recusando a mediocridade e a mediania.
O segundo caminho é o caminho do rigor e da transparência em matéria de financiamento dos partidos e em matéria do exercício da actividade política e de ocupação e acumulação de cargos públicos. Associado a ele, está o combate sistemático contra toda e qualquer prática de corrupção ou de abuso e gestão danosa na utilização de recursos públicos. É um combate pelo bem comum, contra toda a espécie de usurpações pessoais em proveito próprio e contra formas de actuação ditadas por interesses particulares ou mesmo corporativos.
É um combate a que nenhum cidadão poderá virar costas, se quiser evitar que se instale, insidiosamente, à sua volta, a desconfiança no edifício democrático e o empobrecimento da Democracia. Para tanto, defendo que os partidos políticos, eles próprios, devem ter um registo de interesses dos seus destacados dirigentes, à escala concelhia, distrital e nacional.
Diógenes disse nalgum lugar: «…O único meio de ser livre é estar disposto a morrer…». É isto que falta cada vez mais nos partidos: políticos de coragem para mudar tudo, enfrentando os poderes instalados e os interesses pessoais, por mais fortes que possam ser.
Aproximam-se, no PS e no PSD, congressos distritais que renovarão, ou não, as cúpulas concelhias, distritais e nacionais.
Pois bem, temo que Coimbra tenha perdido em definitivo a sua capacidade de indignação e resposta. Temo que, não obstante os bons quadros que ambos os partidos dispõem na lusa Atenas, permaneça, porém, tudo na mesma.
Quer no PS como no PSD, as actuais lideranças distritais são, quanto a mim, das mais fracas das últimas décadas. No caso que conheço melhor, o Partido Socialista, há muito que vem perdendo capacidade de renovação, capacidade de atracção de jovens quadros. Não há, porque não interessa que haja, debate de ideias, discussão e procura de contributos. Não há formação interna como não há qualquer preocupação em garantir que as escolhas que o PS faça para o desempenho de lugares públicos, designadamente os de eleição directa, ofereçam à comunidade respostas de qualidade.
O Partido Socialista, em Coimbra, oprime os militantes. A cultura que se respira na Oliveira de Matos é a de subserviência a meia dúzia de pretensos iluminados que decidem tudo, que sabem tudo e não respeitam a diversidade.
O enfraquecimento do PS /Coimbra é visível até no desrespeito e na intolerância com que se recebem críticas. Entendo que está claramente em causa um dos pilares estruturantes do sistema partidário: a capacidade de respeitar a diferença e a capacidade de aglutinar a divergência.
Os partidos políticos em geral deixaram de ter lideres locais preocupados em trazer para o seu seio os melhores, os que, pelas suas mais-valias pessoais e profissionais, pelas suas especializações e experiências de vida seriam capazes de acrescentar valor e contribuir, de facto, para o desenvolvimento de Portugal.
Por tudo isto, os mais capazes vão-se afastando e afastando outros potenciais quadros. Os partidos políticos, designadamente em Coimbra são, hoje em dia, representados por aqueles que na sociedade civil não são, genericamente, conceituados e reconhecidos como gente de valor, que merece a confiança da comunidade.
Em Maio há eleições para a distrital socialista. É minha firme convicção que o Partido a que pertenço, o Partido Socialista, tem vindo a observar uma sucessiva perda de influência real nas políticas públicas nacionais. O tempo de Coimbra marcar definitivamente o Governo de Portugal tem já muito tempo e temo que não volte atrás.
Os militantes socialistas têm vindo a ter do partido uma concepção pequenina. Houve tempos em que não bastava a Coimbra ter membros no Governo. O mais importante é que Coimbra, quer pela via do PSD, quer pela via do PS, conseguia influenciar decisivamente o futuro de Portugal. Foi de Coimbra que partiu o ainda actual modelo de Serviço nacional de Saúde, com todos os defeitos que possa colher, o facto é que ainda ninguém conseguiu um modelo melhor. Foi de Coimbra que partiram as principais reformas na justiça e Coimbra teve, por diversas ocasiões, candidatos a Primeiro-Ministro.
E hoje ? Está nas mãos dos militantes mudar tudo, porém, cada vez me convenço mais que a mudança e o contributo dos que sentem que podem dar e fazer mais por Portugal não passa pelos actuais partidos políticos.
De todo o modo, vivo em permanente esperança, por isso, e como sou persistente e obstinada quando acredito em alguém ou nalguma ideia, continuarei resistentemente a lutar por aquilo em que acredito. E eu acredito que ainda é possível mudar e mudar para melhor."


Eliana Pinto

Renovação no PS Coimbra?

O PS está em fase de pugnas eleitorais. É tempo de os descontentes virem a terreiro apresentar alternativas.
É tempo de renovação.
Segundo o Campeão das Províncias, Luís Marinho parece estar disponível para assumir esse desafio.

sábado, março 11, 2006

Chile


Michele Bachelet é, desde hoje, a presidente de todos os chilenos. É a vitória da democracia e da modernidade num país que sofreu uma das mais violentas ditaduras militares.

Socialista, mãe solteira e ateia, a nova presidente é filha de um general assassinado pela ditadura e, ela própria, perseguida pela junta militar que ensanguentou o País.

Madrid - há dois anos


Um crime com motivações religiosas.

Morreu Slobodan Milosevic

( O primeiro, do lado esquerdo, na primeira fila)
Ex-Presidente jugoslavo encontrado morto na cela em Haia

Slobodan Milosevic, acusado de crimes contra a humanidade e genocídio, foi encontrado morto na sua cela, em Haia, onde estava a ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).

A posse do Presidente e Mário Soares

Mário Soares, foi à Assembleia da República, assistiu ao acto de transmissão de poderes e ao discurso do novo Presidente da República.

Depois de cumprir as obrigações mínimas, abandonou silenciosamente o palácio e não participou na cerimónia de apresentação de cumprimentos.

O assunto tem sido motivo de censura e, aqui no Ponte Europa, de insultos à grande figura histórica de Mário Soares, por vários leitores.

Por isso, e só por isso, recordo aos impiedosos julgadores que, há dez anos, Cavaco Silva, ressentido com a derrota perante Jorge Sampaio, nem sequer foi à tomada de posse.

Ministério Público

Enquanto o País espera pelo relatório do PGR sobre o envelope 9,

Magistrados lançam ataque ao poder político.

Os activistas sindicais não respeitam os órgãos de soberania e desconhecem as funções do Governo na administração da Justiça.

Assim, não embaraçam apenas o Governo, prejudicam o País e comprometem a sua reputação.