domingo, abril 30, 2006

PR ao lado dos pobrezinhos

O Presidente da República defendeu a existência de diálogo para que se resolva o diferendo entre o ministro da Agricultura e os agricultores. Na abertura da Ovibeja, Cavaco Silva disse acreditar «até à última hora» nesse diálogo – Informa a TSF

Cavaco afirma estar ao lado de todos os portugueses mas a solidariedade com a CAP é esclarecedora.

sábado, abril 29, 2006

O Chefe de Estado-Maior do Exército e o 25 de Abril

(Clique na imagem)
O Chefe de Estado-Maior do Exército (CEME) tem a honra de comandar o principal ramo das Forças Armadas mas não tem a glória de se ter distinguido no 25 de Abril.

O CEME exerce funções legítimas, que um Governo democrático lhe confiou, mas não pode reclamar-se de ter arriscado a vida ou a carreira no movimento glorioso do 25 de Abril.

O CEME goza de confiança política mas não goza da gratidão dos que vibraram com o fim da guerra colonial, com o desmantelamento da PIDE, com o derrube do fascismo, com o fim do degredo, do exílio e das prisões arbitrárias.

Ao CEME exornam-lhe os ombros quatro estrelas enquanto o melhor aluno do seu curso só tem galões, mas não sabe o que é a gratidão de um povo a quem o libertou da ditadura.

Por isso, hoje, na Figueira da Foz um grupo de democratas evocou Gertrudes da Silva, Fausto Pereira, Sousa Ferreira, Diniz de Almeida, David Martelo, Lucena Coutinho, Ferreira da Cal, Garcia e Góis Moço.

Lembraram-se os milicianos e os soldados que foram libertar Peniche e marcharam sobre Lisboa para ocupar a Região Aérea de Monsanto, bem como o 1.º Sarg. Enf. Neves que, apesar de reformado, se apresentou para participar na Revolução de Abril.

Lá esteve também o capitão de Abril Monteiro Valente e outros que comprometeram as carreiras e a vida para que o actual CEME ocupe o cargo com legitimidade democrática.

Os que um dia saíram daquele quartel para nos dar a liberdade não puderam hoje entrar para comemorar o acto mais importante da História de Portugal, no séc. XX.

Não importa. Os quartéis são casas do CEME. As ruas são os quartéis onde se vive a liberdade.
O CEME, cujo nome ignoro, passa. Os heróis de Abril não morrem.

Há 32 anos. Abril, ainda

Daqui da Figueira da Foz, daqui do RAP 3 partiu há 32 anos, concluídos há quatro dias, a caravana da liberdade.

Daqui, desta porta que em breve se fecha para o Exército, partiram Diniz de Almeida e Fausto Pereira com as forças redentoras. Daqui deste largo saíram tropas que haviam de libertar Portugal.

Este espaço, onde cedo madrugou a liberdade, foi a zona de reunião do Agrupamento Norte.

A Diniz de Almeida e Fausto Pereira, que juntamente com Sousa Ferreira (CICA 2) eram os 3 capitães do MFA, na F. da Foz, vieram juntar-se:

1 Companhia do RI 10 de Aveiro, comandada pelo cap. Pizarro;

1 Companhia do CICA 2 (F. Foz)

1 Companhia de Viseu, comandada pelo cap. Gertrudes da Silva

De Águeda, onde prestavam serviço na Escola Central de Sargentos, vieram 5 oficiais do MFA destacados para a gesta heróica do 25 de Abril. Foram eles David Martelo, Lucena Coutinho, Ferreira da Cal, Garcia (ten.) e Góis Moço.

Foram estes militares que guardaram o quartel das arremetidas que se temiam das forças reaccionárias, que fecharam as portas aos cúmplices da ditadura, que protegeram a retaguarda dos que iriam libertar Peniche e marchariam sobre Lisboa para ocupar a Região Aérea de Monsanto.

Aqui se veio apresentar o 1.º Sargento Enfermeiro Neves que, já na situação de reforma, quis participar na Revolução.

A estes homens que arriscaram as suas vidas para que todos pudéssemos viver as nossas em democracia, resta a honra do acto heróico, a recordação do dever cumprido, a demonstração de inexcedível coragem e acendrado patriotismo com que escreveram a página mais bela das suas vidas e assinaram o momento mais grandioso do séc. XX, em Portugal.

Estes oficiais, que julgávamos a guarda pretoriana do regime fascista, foram o fermento duma nova aurora, os coveiros da ditadura que prenunciaram o fim das últimas tiranias europeias. Espanha e Grécia, sem a glória e os sobressaltos da Revolução Portuguesa, em breve restabeleceriam as liberdades cívicas e se integrariam no concerto das nações democráticas.

Coube-me, por amável indigitação do Sr. Cor. Góis Moço, presidente da direcção da Delegação Centro da Ass. 25 Abril, a honra de evocar a importância deste local, de recordar os heróis de Abril que aqui fizeram História e começaram a mudar Portugal.

Cabe-me também a mágoa de recordar que, em breve, este quartel que foi um baluarte da liberdade, será desactivado. Parece que é a memória que se apaga, que é mais um símbolo que desaparece, que é mais uma estrela que se apaga no céu da democracia.

Quero deixar aqui um apelo, para que a memória se não perca, para que os exemplos se divulguem, para que a justiça se faça e a ingratidão nos não envergonhe:

Que neste espaço onde há 32 anos floriu a liberdade se erga um memorial que consagre os nomes de todos aqueles que daqui partiram ou aqui ficaram para defender com a vida a liberdade.

Que os imortalize o bronze e os recordem as gerações vindouras, que os honre a Pátria e os seus cidadãos como eles souberam honrar Portugal, devolver ao povo os seus direitos e aos portugueses a dignidade ofendida durante meio século.

Obrigado capitães de Abril.

Viva o 25 de Abril. Viva a República. Viva Portugal.

Figueira da Foz, sábado, 29 de Abril de 2006

Nota: Discurso proferido hoje no largo do quartel onde o CEME entendeu que «Não se afigura curial que qualquer associação realize um acto seu no interior de uma unidade militar».

Bom fim de semana

Salut à tous ! - Cliquez ci-bas sur le titre de votre choix et activez le son

Gilbert Becaud

Et maintenant

Nathalie

L´important c'est la rose

C'est en septembre

Quand il est mort le poète

Au revoir Desiré

L'indifférence

Seul sur son étoile (new)

On prend toujours un train pour Je reviens te chercher (new)

Salvatore Adamo

J'aime

Tombe la neige

La nuit

À demain sur la lune

C'est ma vie

Alain Barrière

Ma vie

Elle etait si jolie

Yves Montand

C'est si bon

Sacha Distel
Monsieur cannibale

La belle vie

Charles Aznavour
Et pourtant

La mamma

La bohème

Mourir d'aimer

Hier encore

Il faut savoir

Que c'est triste Venise

For me formidable

Jacques Brel

Ne me quitte pas

Christophe
Aline

Je ne t'aime plus

Maman

Les marionettes

J'ai endendu la mer

Mireille Mathieu
Une femme amoureuse

Une histoire d'amour

La dernière valse

Paris en colère

sexta-feira, abril 28, 2006

Jardim dixit...


«De facto, as palhaçadas, as cambalhotas ordinárias e as bacoradas cretinas de Alberto João Jardim já não me perturbam nem incomodam. Já só me fazem pena...» Random Precision

ApostilaOs motivos que levam o autocrata autóctone a não comemorar o 25 de Abril.

A fertilidade do CDS


«Um grupo tão pequeno (12 deputados) teve três filhos no último mês».
(Pires de Lima)

E sem uma única mulher!

Vida partidária


Depois de invalidada a candidatura de José Alberto Pereira Coelho, um destacado militante de Coimbra, Marques Mendes arrisca-se a apresentar uma candidatura solitária à liderança do PSD.

O tempo dos tubarões ainda não chegou.

quinta-feira, abril 27, 2006

Abril, sempre. Clic.



O 25 de Abril veio encontrar na Rua Braancamp, a Cooperativa Esteiros, nome e local com que fomos obrigados a substituir a cooperativa livreira que, com o nome de DEVIR, na Rua Duque de Loulé, tinha sido mandada encerrar pelo Governador Civil, com a ajuda prestimosa dos touros da ganadaria do capitão Maltês[E1] [E1] , expressão com que designávamos os polícias de choque que, não raras vezes, nos tinham agredido sob o comando do detestável oficial.

Ficaram para trás memoráveis sessões onde pontificaram Pereira de Moura, Sérgio Ribeiro, Lino de Carvalho, Hugo Blasco Fernandes, Carlos Carvalhas, Ana Maria Alves, Zé Manuel Tengarrinha, Urbano Tavares Rodrigues, César Oliveira, Sottomayor Cardia e tantos, tantos outros.

Foi na Esteiros que me apresentei, regressado à pressa de Coimbra, quando soube do golpe militar. Foi ali que a CDE começou logo a funcionar antes da transferência para o palácio na Rua Artilharia Um. Foi ali que me dei conta que um golpe militar se transformava, pela força da vontade popular e coragem dos seus autores, numa revolução que iria transformar Portugal.

Os velhos companheiros que nunca se furtaram a uma boa conversa andavam agora numa azáfama que o evoluir da situação justificava. Todos os dias, sob a varanda da Esteiros, se juntavam milhares de pessoas que vinham, descendo do Rato, ou subindo do Marquês, vitoriar os militantes da CDE que ali se encontravam, considerados o braço civil do MFA.Foi num desses dias, entre 28 e 30 desse mês de Abril de 1974, que, uma vez mais, milhares de cidadãos se encaminharam para a casa anódina onde antes se conspirava sob a fachada da venda de livros, havia vários meses. Gritavam o slogan mais repetido de sempre: o povo (pausa) unido, jamais será vencido... O povo... unido, jamais será vencido.

Erguiam-se punhos, fazia-se o V com os dedos, numa clara convicção duma vitória consolidada. Como de costume era preciso que alguém falasse à multidão que se comprimia, ali, sob a varanda que simbolizava a liberdade.

Éramos poucos os que àquela hora da tarde nos encontrávamos na cooperativa. Alguém pronunciou o meu nome. Ainda hoje penso que foi o Vítor Branco que na sua enorme modéstia escondia um grande talento e uma excepcional bondade. Não me fiz rogado. Creio mesmo que esperava aquele momento, a ocasião nunca antes surgida, a oportunidade sempre perdida para companheiros mais preparados.

Sei que empunhei o megafone que já vira usar e que nunca tivera na mão. Senti-o prolongar-me o braço dando-me autoridade e acrescentando-me dimensão. Entusiasmei-me com os gritos da multidão, com a sua solidariedade, com o entusiasmo vibrante que se agiganta quando são milhares a partilhá-lo.

Tive dificuldade em começar, senti a voz a embargar-se, mas vi, mal apontei o megafone à rua e me debrucei sobre o parapeito da janela, que uma salva de palmas me acolheu, que a emoção a todos contagiava. Adivinhei lágrimas de alegria naqueles rostos, senti o silêncio que logo se fez para me escutar. E comecei:

- Amigos, (pausa), companheiros e camaradas (pausa). A ditadura caiu.Foi uma quantidade impressionante de palmas que pontuaram estas palavras. Outra vez ainda ressoou o grito unânime “ o povo ... unido, jamais será vencido, o povo... unido, …

Senti de novo o silêncio quando me preparei para prosseguir. Repeti as palavras com que comecei o discurso. E as palmas regressaram vibrantes, as palavras de ordem entoadas com força redobrada, o entusiasmo aumentado com mais pessoas a engrossarem a multidão. Todos queriam escutar-me, suspensos das palavras que pudesse dizer-lhes. Senti despertar o tribuno que nascia em mim. Emocionado prossegui: - nunca mais, camaradas, deixaremos que a liberdade, agora conquistada, seja confiscada pelos carrascos que nos oprimiram durante quase meio século.

Foi o delírio. A emoção contagiou-nos a todos. Senti que naquele momento fazia parte da História e fazia História. Para isso só era preciso estar no sítio certo, na hora certa e do lado certo. E eu estava. E tinha lugar vago. Desde 1961, ou mesmo antes, que aguardei o fim da ditadura, sabendo sempre que tinha razão, sobretudo quando era das liberdades cívicas que apenas se tratava e não da sua definição na prática concreta da luta.

Eu queria prosseguir, empolgado com as minhas próprias palavras. Tinha tanto para dizer àqueles milhares de cidadãos que me escutavam com devoção, tinha a luta duma vida para transmitir na síntese breve de um discurso, o exemplo cívico dum democrata a exprimir, o sonho lindo tantos anos acalentado e agora tornado realidade – mas a multidão, cada vez mais compacta, parecia satisfeita, crescentemente empolgada, transportada para o clímax dos grandes momentos históricos. A custo recomecei, perante um novo silêncio que por milagre de novo aconteceu, abafado o ruído, se assim se pode dizer, para acrescentar: - Todos juntos faremos um país melhor. Foi o delírio. Uma ovação que ressoou do Marquês até um pouco acima da Esteiros, para onde foram empurrados os primeiros manifestantes, acolheu as minhas palavras.

Continuei por mais algum tempo, desfiando as desgraças duma guerra que nos tinha sido imposta, as misérias da pátria madrasta a que o abutre de Santa Comba nos tinha condenado. Falei da censura, das prisões arbitrárias, da fome, da tortura. A cada pausa, uma aclamação. A cada gesto, um novo silêncio de quem estava suspenso das palavras que tinha o privilégio de pronunciar.

Saíram-me então as palavras mágicas: prisões, guerra, censura, nunca mais. Foi já sem voz, todo comoção e sentimento, já sem ódio, contida a raiva, que procurei articular um viva ao MFA.

Creio que não consegui.Senti que as forças me abandonavam. Senti lágrimas. O megafone pendia-me em direcção à rua. A multidão apercebera-se decerto. De novo irromperam palmas, os VV, os milhares de VV que os dedos médios e os indicadores faziam, e, de novo, o povo... unido, jamais será vencido, o povo....

Aquela multidão, então já virada para o Marquês, continuava a gritar as palavras de ordem cujo eco continuava a chegar-me. O silêncio era progressivamente devolvido à rua sem carros, enquanto os meus olhos acompanhavam aquela imensa mole humana que desaparecia lentamente pela Avenida da Liberdade abaixo, certamente em direcção ao Rossio, sem que a exaltação patriótica esmorecesse.

Se tivesse demorado mais eu não teria aguentado a excitação, minguava-me a força nas pernas, batia-me descompassado o peito, sentia-me desfalecer. Foi já completamente vencido, exausto, indiferente a tudo, numa espécie de torpor, que abandonei a tribuna improvisada para ouvir a Júlia dizer-me:

- Não ligaste o megafone!

[E1] Maltês Soares

quarta-feira, abril 26, 2006

Espaço dos leitores


«Aos 12 anos sabia desenhar como Rafael mas precisei da vida toda para aprender a desenhar como um menino». Pablo Picasso

Chernobyl - 20 anos depois

(Sarcófago nuclear)
Uma explosão com a força de 200 bombas como a de Hiroxima é uma tragédia que a humanidade ainda sofre, uma dolorosa recordação cujas feridas permanecem.

Chernobyl é uma catástrofe em aberto, um laboratório de horrores por encerrar e uma memória que é preciso manter viva.

Abril, Abril, Abril...


Há quem, sendo quem é, esqueça a quem o deve. Há pessoas que Abril fez gente e, se pudessem, retiravam o dia 25 ao mês e suprimiam Abril do calendário.

Há quem exonere da lapela o cravo e da memória a Revolução, parasitas de alheia coragem, a comer frutos da árvore que não plantaram e a repoltrearem-se à farta na mesa que não puseram.

Há quem cavalgue a onda da democracia com ar de enfado e sinta azia com as madrugadas. São os chulos da democracia, proxenetas da liberdade.

Há quem esqueça que há 32 anos alguém arriscou a vida para nos devolver a honra, pegou em armas para nos dar a paz, derrubou uma ditadura para trazer a democracia.

Há quem despreze Salgueiro Maia, Melo Antunes, Vasco Gonçalves e Carlos Fabião, quem se esqueça de recolher uma pétala vermelha de um cravo de Abril em memória dos que partiram.

Não sei se a Pátria recordará, como merecem, os que fizeram Abril mas certamente há-de esquecer os parasitas que medram à sua custa e olham o umbigo do seu narcisismo de costas para quem, há 32 anos, plantou nos canos das espingardas cravos.

Glória eterna aos capitães de Abril.

terça-feira, abril 25, 2006

Mensagem da Associação 25 de Abril


32 ANOS DE Liberdade! 30 anos de Poder democrático.

Há 32 anos os Portugueses acordaram livres, custando-lhes a acreditar que a ditadura terminara abruptamente. Não era caso para menos: 48 anos de repressão, 13 anos de guerras coloniais, faziam duvidar sobre o seu desaparecimento imediato. Ainda por cima, eram militares os que prometiam a Liberdade, a Democracia e o fim da guerra. A primeira reacção dos que ansiavam por esse dia foi de desconfiança. Mas as canções do Zeca e de outros poetas da Liberdade, anunciavam que estes militares eram diferentes.

As promessas do MFA eram claras e inequívocas: terminara a repressão, regressara a Liberdade, vinha aí o fim da guerra e do colonialismo, vinha aí a democracia.

Foi o tempo de todos os sonhos, de todas as lutas.

Muito se conseguiu, Portugal é hoje um país totalmente diferente, bastante melhor do que há 32 anos. Os militares cumpriram todas as suas promessas. Disso se orgulham, revendo-se num acto libertador, único na História da humanidade.

A principal das suas promessas foi a de implantar a democracia, através de eleições livres. Evocamos os 30 anos de eleições livres, já sob a égide da Constituição aprovada também há 30 anos, para todos os órgãos do Poder: primeiro a Assembleia da República, depois o Presidente da República, de seguida as Regiões Autónomas e, por fim, as Autarquias. E se o Governo não foi eleito, porque os governos não se elegem, foi também há 30 anos que o I Governo constitucional foi formado, em função de eleições livres para a Assembleia da República e para o Presidente da República.

Por tudo isto, constatando que a democracia está consolidada em Portugal, ao evocar o 25 de Abril, evocamos também a existência de órgãos eleitos democraticamente.

Não compreendendo como é possível que um desses órgãos, precisamente a Assembleia Regional da Madeira, decida, no ano 30 da sua existência, não comemorar o acontecimento histórico sem o qual não existiria…

Nem todos os Portugueses estiveram e estão sempre de acordo com os actos e os procedimentos dos órgãos, directa ou indirectamente, eleitos. Todos eles ao agirem de forma que consideraram correcta, o fizeram com resultados positivos ou negativos.

Obtivemos a Liberdade e é sobre essa pedra que temos construído a Democracia. Sem ela, estaríamos muito pior. O resultado é obra e responsabilidade de todos. Em graus diferentes, é certo, mas todos temos responsabilidade no ponto em que estamos. E todos temos de nos empenhar num maior esforço na melhoria da nossa sociedade. Todos temos, cada um com as suas responsabilidades, seja na modéstia do seu serviço seja na mais elevada função que ocupa, tentar fazer hoje melhor do que ontem.

À competição desbragada, egoísta, baseada no poder do mais forte, esquecida da solidariedade devida a quem menos tem e pouco pode, convém lembrar que a História nos ensina que os muito fracos acabam sempre por não ter mais nada a perder…

Depois do sonho, da ilusão de que tudo era possível, a dura realidade impôs-nos a sua presença e mostrou-nos como é difícil passar dos sonhos à sua concretização, como não é fácil construir uma sociedade mais justa e fraterna. A realidade mostrou-nos como é necessário continuar a lutar e trabalhar sem desânimo, em espírito de entreajuda e cooperação, vencendo afrontas e dificuldades, a caminho da construção de um mundo melhor.

Ao longo destes 30 anos de poder democrático, nem sempre estiveram na primeira linha das preocupações dos vários responsáveis os valores que sempre os devem nortear. Pelo contrário, assumiram por vezes o papel determinante posições como a luta pelo poder, os interesses corporativos, a corrupção – verdadeiro cancro da democracia –, a tentativa do poder económico controlar o poder político, a falta de democracia interna nos partidos políticos – elementos essenciais da democracia política –, os egoísmos e as fraquezas humanas.

E, porque nem sempre tudo acontece como desejaríamos, ou ocorre por vezes ao contrário do que consideramos justo, não podemos desistir. Temos de continuar a lutar por um futuro melhor, se não para nós, para os nossos filhos e netos.

Não é fácil a luta contra os interesses instalados. Quem detém o poder económico e social, mesmo que assente no sofrimento e mal-estar de muitos, resiste sempre à mudança necessária, porque é fonte de Liberdade, progresso e realização para a grande maioria.

Mas, porque não é fácil fazer avançar a sociedade, no sentido da realização de todos os homens e mulheres, temos de lutar e trabalhar todos os dias para que isso aconteça. Unindo esforços, na remoção dos obstáculos, das incompreensões, dos egoísmos e dos interesses menos transparentes que atrasam a justiça e o progresso.

A democracia participativa, de todos e cada um, organizados em grupos cívicos, é cada vez mais necessária, mais indispensável.

A liberdade impõe-nos um maior sentido de responsabilidade, impõe-nos a todos uma maior intervenção na defesa dos nossos ideais, dos nossos interesses legítimos. Não podemos esperar que caia de cima a solução dos nossos problemas, não podemos esperar que os outros no-los resolvam.

Os detentores do poder, por mais legitimados que estejam, têm que saber que estão permanentemente em observação, que devem, sempre e a cada momento, pautar-se pela defesa dos valores e dos interesses de quem os legitimou. Isso só acontecerá se, de uma forma significativa, passarmos da crítica e do queixume à organização e à acção.

A cidadania não se compadece com ausência, com abstenção, com alheamento. Pelo contrário, exige uma participação activa, aos diferentes níveis, defendendo causas concretas que levem os responsáveis no poder a respeitarem e defenderem o interesse público e os legítimos anseios dos seus concidadãos.

E, porque estamos a falar do 25 de Abril, não podemos permitir que nos apaguem a memória. A participação cívica deve ter permanentemente presente a memória do passado, a razão de ser do 25 de Abril.

Nós, Associação 25 de Abril, conscientes da nossa legitimidade, mantemos o nosso espírito de missão, não desistimos da nossa obrigação patriótica de incentivação e mobilização de vontades e inteligências, na procura dos caminhos que nos conduzam a uma sociedade melhor.

Queremos continuar em Democracia. Mas lutamos por uma Democracia melhor, mais participada, que não agrave os problemas da sociedade e permita um Portugal mais livre, mais justo, mais fraterno e em Paz.

É esse o voto que aqui expressamos, quando festejamos os 32 anos de Liberdade.

Viva o 25 de Abril!

Viva Portugal!


Abril 2006

segunda-feira, abril 24, 2006

E depois do Adeus

Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.

Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder

Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci

E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...

E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós



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Paulo de Carvalho : E depois do Adeus
Música: José Calvário
Letra: José Niza
(vencedora do festival da canção de 1974)

Nota:
Esta canção serviu de senha de início da revolução de 25 de Abril de 1974

Grândola, vila morena

Grândola, vila morena

Grândola vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti ó cidade
(...)
Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola vila morena
Terra da fraternidade
(...)
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade

José Afonso


Obrigado, José Afonso!
Obrigado, Capitães de Abril!

Madeira - 1 marginal na Região

A execrável postura cívica perante o 25 de Abril, o desprezo pelas instituições democráticas, a incontinência verbal e o exotismo transformaram o presidente do Governo Regional da Madeira numa espécie de Berlusconi ao nível paroquial.

Hoje, o inefável autocrata, depois do ultraje à Revolução de Abril, disse à comunicação social que era «um homem do 25 de Abril», só não disse de que lado se colocou ao longo da vida.

Recordo aqui um texto que publiquei em Agosto de 2000, em vários jornais e na revista Visão:


«Na sequência da última festa –comício do PSD/Madeira em Chão da Lagoa têm sido dirigidos a Alberto João Jardim (AJJ) e Jaime Ramos (JR) ataques de todos os partidos, com a honrosa excepção do P.S.D., em que os dois dirigentes são tratados como se de asquerosos trogloditas ou sevandijas da pior espécie se tratasse.

Não percebo a sanha persecutória a este inefável e harmonioso par cuja dedicação mútua e recíproca afeição faz inveja, de tão longa, a casais unidos e mesmo abendiçoados pelo santo sacramento do matrimónio.

A afirmação de que há 3 lobbies que mandam em Lisboa deve ser vista não como afirmação irresponsável de pretensos díscolos ou energúmenos mas numa perspectiva psicanalítica:

I – Lobby da comunicação social – AJJ e o seu satélite JR sabem seguramente o que se passa na Madeira e, desconhecendo a comunicação social de Lisboa, extrapolam;

II – Lobby gay – é evidente que nem um nem outro mostraram assumir até agora semelhante comportamento mas, como poderá pacientemente explicar-lhes o seu bispo senhor D. Teodoro que nunca lhes faltou com o seu dedicado apoio e piedoso exemplo, o futuro a Deus pertence;

III – Lobby da droga – a afirmação de que “há grandes ligações entre os traficantes da droga e os homens de esquerda deste país” não é uma acusação difamatória mas simples exorcismo de um fantasma de quem sabe do que é capaz.

Finalmente, quanto ao grito de “morte aos comunas” deve ser encarado como mera nostalgia do tempo em que isso era hábito e praticamente obrigatório e, uma ou outra vez, levado à prática».

Vida partidária

A administradora da CGD, Celeste Cardona, foi eleita delegada ao congresso do CDS.

Engana-se quem julgou que a comissão na pasta da Justiça se destinou apenas a proteger o então líder do CDS, Paulo Portas, no caso Moderna, e a manter o PS sob pressão com a ajuda do director-geral da PJ, Adelino Salvado.

Celeste Cardona é uma das mais dedicadas militantes do CDS/PP a ponto de lhe ter sido acordada uma sinecura na CGD por Bagão Félix, autor do pior Orçamento de Estado desde a ditadura de Pimenta de Castro.

Madeira – uma região marginal

No Afeganistão a intolerância atingiu o auge com os estudantes de teologia no poder.

Na Madeira, um estudante de democracia, formado na Escola do Estado Novo, tem do Estado uma concepção próxima do pensamento político de Jean-Bedel Bokassa.

Hoje, segunda-feira, há tolerância de ponto. Amanhã a Assembleia Regional estará fechada por ordem do sátrapa local, em gozo de férias em Porto Santo.

domingo, abril 23, 2006

Lembrar Guterres e Sousa Franco

É um acto de justiça lembrar o melhor Governo democrático de Portugal - o do primeiro mandato de António Guterres.

«A OCDE prevê um crescimento médio da economia portuguesa entre 2005 e 2010 de apenas 1,7%, enquanto a Zona Euro deverá crescer em média 2,1% no mesmo período - preocupante agravamento da divergência real entre Portugal e a Zona Euro.

Nota: Entre 2000 e 2005, Portugal cresceu em média 0,6% e a Zona Euro 1,4%.

No período anterior, de 1995 a 2000, a economia portuguesa cresceu em média 4,1%, contra 2,7% da Zona Euro».

Fonte: Boletim Económico da Primavera do Banco de Portugal, de 18/04/2006

sábado, abril 22, 2006

SNS – Mentiras e oportunismo


«O sistema de Saúde português ficou em 12º lugar, na tabela classificativa da Organização Mundial de Saúde (OMS), no conjunto de 191 países.
(...)
Um dos indicadores desse sucesso é a baixa mortalidade infantil nos últimos anos».

Deixem passar alguns dias. O Sistema Nacional de Saúde voltará a ser acusado de ser um dos piores. Passará a ser hábito atribuir-lhe os maiores defeitos e lançar sobre ele o descrédito. Nisso estarão juntos os oportunistas do costume e os idiotas de sempre.

Há muitos interesses à espera de o destruir, muitos apetites a devorá-lo, demasiada impaciência em substituí-lo.

As cumplicidades que se conluiaram para o depreciar têm esbarrado na Constituição da República Portuguesa, no empenho e dedicação de médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde e na apreciação da OMS, impermeável aos interesses privados.

O Pogrom de Lisboa de 1506


A ausência de Coimbra, a dificuldade de acesso à Internet e uma arreliadora gripe impediram-me de assinalar, no dia 19, a monstruosa manifestação de intolerância, superstição e crueldade que manchou a nossa história, há 500 anos.

Transcrevo da Wikipédia um pequeno texto cujos links ajudarão os leitores a compreender até onde pode chegar a irracionalidade da fé. Quinhentos anos depois o nosso atraso é ainda fruto da intolerância, do horror à ciência e da aversão à novidade.

A fuga dos judeus que sobraram do ódio religioso privou os portugueses dos conhecimentos que fizeram uma época de oiro – os Descobrimentos. Portugal nunca mais recuperou o seu esplendor.

.........................
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Massacre de Lisboa)
Ir para: navegação, pesquisa

No "pogrom" de Lisboa de 19 de Abril de 1506, durante o reinado do Rei Manuel I de Portugal, um "cristão-novo" (judeu obrigado a converter-se ao catolicismo sob pena de morte) expressa as suas dúvidas sobre as visões milagrosas na Igreja de S. Domingos em Lisboa.

Como consequência, cerca de 4000 judeus, homens, mulheres e crianças, foram massacrados pela população católica, incitados por frades dominicanos. Os judeus foram acusados entre outros "males", de deicídio e de serem a causa da profunda seca que assolava o país. A matança durou três dias.

No seguimento deste massacre, do clima de crescente Anti-Semitismo em Portugal e do estabelecimento da Inquisição, (o tribunal da Inquisição entrou em funcionamento em 1540 e perdurou até 1821) muitas famílias judaicas fugiram do país.

Poucos mas agressivos

Num hotel, em Paço de Arcos, durante a votação das listas de delegados ao congresso do CDS-PP, viveu-se esta noite uma situação exótica.

A urna das votações foi destruída e a polícia foi chamada ao local mas, como a única vítima foi a urna, a PSP não fez qualquer intervenção.

A destruição da urna foi talvez uma metáfora de um partido que recusa o enterro.

sexta-feira, abril 21, 2006

Espaço dos leitores

(Adão e Eva - Durer)

quinta-feira, abril 20, 2006

Petróleo parte II

O petróleo não é problema que só se porá com o seu desaparecimento daqui a trinta anos é um problema de hoje e é esse problema que tem ser resolvido num tempo próximo.
Por isso um dos discursos mais importantes deste ano do presidente Bush, concordemos ou não com ele, foi o de anunciar um programa económico baseado no investimento em energias alternativas. Ora os EUA são um país produtor de petróleo, embora não auto-suficiente, podemos por aqui avaliar a importância crescente das energias alternativas.

Hoje discute-se o Irão e a celeuma que levanta o desenvolvimento do seu programa nuclear, a comunidade internacional saberá resolver este problema, este programa não pode avançar com vista á construção de uma bomba nuclear.

Quando o Presidente Reagan lançou o ambicioso projecto da Guerra das Estrelas, muitos consideraram-no e consideram ainda um projecto impossível.
Mas em boa verdade esse não era o problema, mas sim o de uma nova escalada da Guerra Fria e a incapacidade da União Soviética de responder a este programa, por isso os soviéticos na altura fizeram uma grande ofensiva mediática nos países do Ocidente e a sua mensagem acabou por passar.

Mas o princípio é que importa e um dos novos desafios da política internacional do sec. XXI não pode ser o de indefinidamente, censurar a energia nuclear ou funcionar a priori no sentido de eliminar todos os riscos de construção de uma bomba nuclear, mas também funcionar á posteriori e com a ajuda da Ciência encontrar mecanismos técnicos que neutralizem e substituam o nuclear de forma a reduzir drasticamente os riscos para o ser humano.

A energia nuclear não é um factor imutável ou definitivo de desenvolvimento da ciência e não é concerteza a última fronteira, aliás a última fronteira só existe individualmente para cada ser humano, não para a espécie humana no seu conjunto.
Dito de outro modo, imaginemos que conseguimos transformar os efeitos de uma bomba nuclear, nos de uma simples bomba tradicional eliminando todos os efeitos da radioactividade ou que conseguimos acelerar um programa de substituição da energia nuclear, tal como a conhecemos hoje, de forma a torná-la rapidamente obsoleta.
A radioactividade e a sida são a praga deste início do século e a solução a médio prazo não pode ser apenas a de interditar o nuclear, a solução terá de ser o desactivar o nuclear, é este um dos desafios da ciência dos nossos dias.
Admito que não é coisa fácil. Mas não nos iludamos, hoje em Portugal e no mundo nada está fácil, mas o pior de tudo é perder a esperança.

Paulo Alves

Petróleo


Quando assisti ao lançamento de um programa de investimento do governo e privados no domínio das energias alternativas, fiquei agradavelmente surpreendido por duas ordens de razões, por um lado porque foi feita uma aposta inequívoca neste tipo de energias e por outro, pelo facto de não ter sido contemplada a opção da energia nuclear.
Não deixei de reflectir que a história não se repete e o pior que pode acontecer é persistirmos nas soluções do passado, com argumentos de há 25 anos.
De facto a energia nuclear e ao contrário do que é defendido por muitas opiniões respeitáveis, não é solução para um país em desenvolvimento que deve proteger em primeiro lugar a vida e a saúde pública dos seus cidadãos.
Se é verdade que as modernas centrais nucleares não criam grandes problemas de segurança, inversamente ao que por exemplo os verdes afirmam, o facto é que permanece por resolver o problema dos resíduos das centrais nucleares e o problema dos custos de desmantelamento dessas centrais.

No entanto em França vai ser construída dentro de dez anos uma Central Termonuclear, dito em linguagem corrente esta nova tecnologia assenta não já na cisão do átomo, mas na fusão dos núcleos dos átomos, esta nova energia é mais limpa e reduz em grande parte o risco da propagação da radioactividade.
Se Portugal se candidata à Expo ou ao Europeu, porque não candidatar-se à construção deste tipo de infra-estrutura. E ainda que esta solução venha a sofrer uma evolução técnica natural é decerto uma grande oportunidade para as empresas portuguesas que decidam investir nesta área.
A energia do futuro é um campo por explorar e um nicho de mercado que em breve pode ser tão ou mais produtivo que a actual industria espacial, resta avaliar em concreto quais os verdadeiros riscos desta solução para a saúde pública.

Mas existem outros níveis que ainda não estão suficientemente explorados, por exemplo nos EUA há menos de um ano, um americano conseguiu produzir bio-diesel recorrendo á utilização do Girassol, segundo ele, um projecto economicamente viável.

Na Suécia desde há pouco tempo a par das bombas normais de gasolina e diesel existem bombas de Metanol, este combustível deriva da transformação da madeira, um recurso que como se sabe, existe em abundância no nosso país.
O Estado devia ser mais ambicioso no domínio dos transportes, por exemplo porque não acelerar o programa de substituição dos transportes colectivos por veículos eléctricos e comparticipar de algum modo na venda e na massificação dos automóveis híbridos.
Por outro lado, os construtores ao não democratizarem o preço destes automóveis e comercializando-os a preços proibitivos tratando-os como um luxo, não contribuem para a alteração de hábitos no domínio da poupança da energia e assim perdem uma real oportunidade de negócio.

Uma coisa é certa, rapidamente se percebe que os europeus não podem ficar a todo tempo reféns das variações do preço do petróleo nem dos equilíbrios geopolíticos que se estabelecem sobretudo no Médio Oriente.

De facto ainda que alguns defendam que apesar de tudo o petróleo é uma energia barata é no entanto uma energia que levanta problemas políticos e técnicos importantes, nomeadamente o de se tratar de uma energia altamente poluente.
continua

Associação Sindical de Juízes

&BAIXOS [CE1]

[António Martins, recém-eleito presidente da Associação Sindical de Juízes não perdeu tempo a deixar a sua marca. Ao «CM», referindo-se a um estudo que o ministro da Justiça invocou para reduzir as férias judiciais, o desembargador sentenciou: «Se existir e se se confirmar que é um estudo de merceeiro, então confirma-se que houve populismo do Governo»].

Enquanto a associação for sindical, do mais sensato dos magistrados pode emergir o mais truculento dos sindicalistas.

[CE1] Expresso, 14-04-06, pg. 8

quarta-feira, abril 19, 2006

Luta de gerações

Sente-se que uma época chega ao fim, que os combustíveis fósseis se esgotam, que o ar se torna irrespirável e a água é um bem escasso para as necessidades humanas.

Não acredito, como os cínicos, na incapacidade dos actuais políticos mundiais e na inconsciência dos líderes dos países mais ricos e poderosos.

Acontece que o radicalismo de pendor religioso e o regresso ao fundamentalismo estão a fazer o seu percurso perante a cumplicidade de sectores sociais mais interessados na salvação da alma do que no futuro colectivo da humanidade.

Há muito que a bomba demográfica deveria ter sido desactivada, que a economia baseada em combustíveis fósseis, como se fossem eternos, poderia ter arrepiado caminho e procurado novos rumos, que a geração que confiscou os recursos globais – a minha – devia ter sentido vergonha de se apropriar do que as gerações passadas deixaram e do que as vindouras necessitam.

O consumo actual é insustentável, os horizontes dos jovens tornam-se sombrios e a luta de classes, que alimentou o pânico da burguesia, pode dar lugar à luta de gerações.

terça-feira, abril 18, 2006

Clonagem: Parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciêncas da Vida

Está disponível no site do CNECV um importante Parecer sobre a clonagem humana.
Chamamos a atenção dos leitores para as interessantes declarações de voto, especialmente as reflexões do Prof. Pedro Fevereiro.

segunda-feira, abril 17, 2006

Indonésia – Proselitismo sem alvará

«Duas mulheres foram detidas, no domingo, por pregarem o cristianismo. A polícia explicou que as mulheres estavam a distribuir panfletos explicando às pessoas como resolver os seus problemas através da Bíblia.

Segundo as autoridades, as detidas não tinham qualquer autorização para fazer esta distribuição». - informa o DN, hoje, (pág. 22).

O totalitarismo islâmico, qualquer totalitarismo, seja qual for a natureza, não pode ser combatido com fundamentalismos de sinal diferente. Para evitar guerras religiosas é necessária a separação radical entre o Estado e as Igrejas.

O Estado tem o dever de garantir a livre expressão das convicções, de todas as convicções, incluindo as religiosas, sem ter de pronunciar-se sobre cada uma delas.

O Estado é incompetente em matéria de fé e, sempre que se liga a uma religião é a liberdade que põe em causa. Só a laicidade evita que o proselitismo conduza a confrontos e garante o pluralismo e o respeito pelos direitos individuais.

Apostila - Hoje, um ataque suicida provocou dez mortos e dezenas de feridos em Israel. As universidades da fé são excelentes escolas do crime.

sexta-feira, abril 14, 2006

Os EUA e as eleições italianas

Depois de Romano Prodi ter sido declarado oficialmente vencedor das eleições italianas, os EUA aguardam para o felicitar.

Para os EUA o processo eleitoral italiano ainda não terminou.

Curiosamente, o mesmo Bush que quis acabar rapidamente com a recontagem dos votos da Florida é agora favorável ao prolongamento da pugna eleitoral italiana na secretaria, depois de eleições que foram conduzidas pelo ministério do Interior de Berlusconi.

Bush e Berlusconi são dois escolhos ao bom entendimento entre a Europa e os EUA cujos interesses mútuos reclamam solidariedade recíproca.

LXXV aniversário da proclamação da II República espanhola



LA COGIDA Y LA MUERTE

A las cinco de la tarde.
Eran las cinco en punto de la tarde.
Un niño trajo la blanca sábana
a las cinco de la tarde.
Una espuerta de cal ya prevenida
a las cinco de la tarde.
Lo demás era muerte y sólo muerte
a las cinco de la tarde.

El viento se llevó los algodones
a las cinco de la tarde.
Y el óxido sembró cristal y níquel
a las cinco de la tarde.
Ya luchan la paloma y el leopardo
a las cinco de la tarde.
Y un muslo con un asta desolada
a las cinco de la tarde.
Comenzaron los sones del bordón
a las cinco de la tarde.
Las campanas de arsénico y el humo
a las cinco de la tarde.
En las esquinas grupos de silencio
a las cinco de la tarde.
¡Y el toro, solo corazón arriba!
a las cinco de la tarde.
Cuando el sudor de nieve fue llegando
a las cinco de la tarde,
cuando la plaza se cubrió de yodo
a las cinco de la tarde,
la muerte puso huevos en la herida
a las cinco de la tarde.
A las cinco de la tarde.
A las cinco en punto de la tarde.

Un ataúd con ruedas es la cama
a las cinco de la tarde.
Huesos y flautas suenan en su oído
a las cinco de la tarde.
El toro ya mugía por su frente
a las cinco de la tarde.
El cuarto se irisaba de agonía
a las cinco de la tarde.
A lo lejos ya viene la gangrena
a las cinco de la tarde.
Trompa de lirio por las verdes ingles
a las cinco de la tarde.
Las heridas quemaban como soles
a las cinco de la tarde,
y el gentío rompía las ventanas
a las cinco de la tarde.
A las cinco de la tarde.
¡Ay qué terribles cinco de la tarde!
¡Eran las cinco en todos los relojes!
¡Eran las cinco en sombra de la tarde!

Federico García Lorca

Nota - No dia em que se comemoram 75 anos da II República de Espanha, ficam os versos de Lorca, lembrando os que foram fiéis à República, ao seu presidente MANUEL AZAÑA e ao regime democrático.

quinta-feira, abril 13, 2006

Maus exemplos

«Na quarta-feira, as votações semanais na Assembleia da República não puderam ser feitas, uma vez que apenas 111 dos 230 deputados do parlamento estiveram presentes, menos cinco que o mínimo de 116 parlamentares».

40% do PS, 49 dos 121 deputados, e 66,66% do PSD, 50 num total de 75, faltaram às votações, (...) sem contar com as 13 ausências por missão ao estrangeiro, faltaram às votações 107 deputados, 50 do PSD, 49 do PS, 5 do CDS-PP, 2 do PCP e um do BE.

O intenso amor à família que esta quadra piedosa exacerba e a devoção dos senhores deputados pelas festividades canónicas podem ter estado na origem das ausências.

De qualquer modo foi um péssimo exemplo que deram ao País, uma forma de justificarem quem os ataca, com e sem razão, e um gesto civicamente deplorável.

Para o PS, a quem exijo outra ética, o que sucederia se os deputados do PSD, chamados pela fé ao aconchego das famílias e à desobriga pascal, tivessem optado por cumprir as suas obrigações cívicas e tivessem chumbado os diplomas em votação?

Em vez do descrédito da Assembleia da República, para que todos contribuíram, o PSD podia ter infligido uma clamorosa derrota política ao PS.

Assim, apenas colaboraram no desprestígio do órgão da soberania onde pulsa o coração da democracia.

O direito e a sensibilidade


O acórdão que legitima os castigos tem forte sustentação na melhor tradição portuguesa, de brandos costumes. Só quem esqueceu a bondade dos «safanões dados a tempo», preconizados pelo Dr. Salazar, pode execrar a tradição miguelista e marialva de que o País profundo se orgulha.

Os castigos corporais eram apanágio da pedagogia activa, consagrados na legislação escolar e na prática pedagógica, sob o pseudónimo de «castigos paternais».

A jurisprudência mostra condescendência pelos direitos do macho ibérico à violação se a provocadora usar biquini em vez de burka, se, em vez de ficar em casa a tocar piano, for bronzear-se à praia ou preferir a via pública a um retiro espiritual.

A sova matrimonial, que os costumes e deveres conjugais impõem, não tem ainda uma lei que expressamente defenda a tradição contra desvios hodiernos de origem jacobina. É preciso que, também aí, se faça jurisprudência. Se não há lei, lavre-se um assento.

Uma sociedade que permite o divórcio e condena o marido que despacha a adúltera com um tiro de escopeta, esquece o valor da honra e despreza o «bom pai de família» que dá umas bofetadas ao filho.

Esta sociedade, arredada da tradição e dos bons costumes, nunca compreenderá o valor pedagógico de umas estaladas e da reclusão de uma criança deficiente que recusa a sopa.

Valha-nos o trânsito em julgado do histórico acórdão do STJ para termos a certeza de que nem tudo está perdido. Este acórdão não tem recurso.

Apostila 1 – Para um correcto julgamento leia-se o acórdão na íntegra, aqui ou neste sítio.

Apostila 2 - Coro de críticas a um documento "incompetente, arrogante e retrógrado”

Itália - O exótico Berlusconi

Berlusconi ainda não reconheceu a derrota e fala de fraude eleitoral nas eleições que o seu Governo conduziu.

Em questões de fraudes não se deve menosprezar a experiência. E são muitos os que lhe reconhecem autoridade.

quarta-feira, abril 12, 2006

Levante-se o morto

(Clique para ampliar)
- Ora aqui tem a certidão. Pode assinar?

Vergonha

O Supremo Tribunal de Justiça absolveu uma mulher acusada de maus tratos a menores.

E considerou que «o bom pai de família» «dá palmadas no rabo do filho». Se não o fizer é negligente.

A Educadora teve pena suspensa por amarrar criança deficiente.

Respeitar os Tribunais é discordar da jurisprudência que provoca vómitos, lutar contra o espírito medieval e defender os Direitos Humanos e, em particular, os Direitos da Criança.

Entre os Tribunais e a minha consciência só tenho uma opção.

Espanha – «Lei da Memória»


De um excelente amigo e cidadão exemplar, acabo de receber a carta que transcrevo, para que os leitores do «Ponte Europa» recordem uma efeméride carregada de memória e sintam a tragédia que se abateu sobre a Espanha:

«Na próxima sexta-feira, 14, é o 75.º aniversário da República espanhola. Entre muitos acontecimentos do século XX que vinham carregados de esperanças e que acabaram em tragédia este é seguramente um deles, que nos diz directamente respeito pela proximidade, pelo envolvimento que muitos portugueses tiveram, quer na defesa, quer no estrangulamento dos ideais da República, pelas consequências nefastas que o seu fim teve no perdurar dos fascismos em ambos os países.

Por isso acho que é bom lembrar.

Tendo há dias subscrito um abaixo-assinado da Amnistia Internacional espanhola, pedindo urgência na chamada «Lei da Memória», que vai permitir minorar, ainda que mal, a forma vergonhosa como o regime democrático tem tratado e negado direitos aos vencidos, enquanto os torcionários continuam à solta, bem instalados e a tratar da vidinha, senti-me motivado a fazer os autocolantes que te mando.

Os que têm a figura com o barrete frígio com as cores da bandeira republicana foram directamente copiados de um dos sites relacionados com a Amnistia. Os que têm a bandeira portuguesa fi-los eu.

Ao fim de trinta anos de democracia, já é tempo de reconhecer à República os muitos méritos que teve e lembrá-la como símbolo do muito que ficou e ainda há para fazer».

a) CAASF

O feitiço virou-se contra o feiticeiro

A lei eleitoral imposta por Berlusconi, a meia dúzia de meses das eleições, através de um prémio à maioria, transformou uma diferença de 25 224 votos, num conjunto de 38 milhões de votantes no interior de Itália, em mais 63 lugares na Câmara de Deputados.

Berlusconi perdeu à tangente mas Bush sofreu uma pesada derrota com a decisão de Prodi de mandar regressar as forças italianas estacionadas no Iraque.

terça-feira, abril 11, 2006

Depois de Maomé...o Papa


A Conferencia Episcopal Alemã (CEA) pediu a intervenção dos organismos que controlam a televisão e a Comissão de Protecção da Juventude para analisarem o conteúdo de um anúncio da MTV (na imagem), por entender que caricatura o Papa.

Segundo o comunicado da CEA o anúncio do canal televisivo musical contém elementos que «ridicularizam a fé cristã» e vai recorrer para o Conselho Alemão de Publicidade.

Os mullahs indignaram-se contra as caricaturas de Maomé. Os bispos insurgem-se contra a caricatura do Papa. Enfim, a liberdade de expressão colide sempre com as idiossincrasias eclesiásticas.

Coimbra - visitada por Pacheco Pereira


«Coimbra por trás. Sempre achei que devia haver algo de muito errado numa cidade em que os estudantes gostam de andar vestidos à padre. Passam alguns, negros e poeirentos.

Uma cidade cujas livrarias na baixa são inimagináveis de provincianas, escuras, mal abastecidas, quase sem livros estrangeiros. Apenas o Direito é rei e senhor, tudo o resto leva à pergunta: como pode uma cidade universitária ter livrarias assim?

Tudo triste, baço, esquecido da "modernidade" como agora se diz. Mal por mal, prefiro ver as notícias necrológicas ainda coladas nas paredes como nas aldeias e vilas do Norte. É certo que me parecem ser feitas já em computador e impressas a laser ou jacto de tinta, e depois prosaicamente copiadas. Algures ainda devem ser feitas em tipo de chumbo, apertado nas caixas a cordel, e com os filetes para ocupar espaço. Província pura, o que em si não é mal nenhum, não fosse ser esta a terra da "Lusa Atenas"».

José Pacheco Pereira, in Abrupto

Com pouca força...


(Ponte Europa/Pitecos)

Itália - Chefe da máfia detido

O número um da máfia foi detido esta terça-feira na Sicília.

«O mais procurado de Itália, Bernardo Provenzano fugia às autoridades há mais de quatro décadas»
VISAOONLINE 11 Abr. 2006

«Considerado o chefe da máfia, Bernardo Provenzano terá assumido a posição em 1993, depois da detenção de Toto Riina, responsável pelos assassínios dos juízes Giovanni Falcone e Paolo Borsellino. Esta terça-feira foi detido na Sicília, depois de mais de 40 anos a monte».

Hoje é um dia histórico para a Itália.

segunda-feira, abril 10, 2006

Romano Prodi vence eleições


«De acordo com as projecções do instituto de sondagens Nexus para a televisão pública italiana, Romano Prodi será o próximo chefe de governo, depois de conseguir entre 50 a 54% dos votos nas eleições que começaram no domingo e terminaram às 14h00 ... » - afirma a Visão Online.

Não é tanto a vitória de Prodi que se exalta, é a derrota de Berlusconi que se saúda.

Mais do que a vitória da esquerda é o acto de higiene que constitui o afastamento da direita - daquela direita, entenda-se -, do aparelho de Estado.

E não vermos Marques Mendes a passar pela vergonha de ter de felicitar o seu homólogo.

Souselas tem a pior saúde de toda a Região Centro ?

Sob o título em epígrafe, foi publicado no último Boletim da Ordem dos Médicos um artigo que se recomenda pela actualidade, qualidade e idoneidade moral e intelectual do autor.

H. Carmona da Mota

O álcool prejudica os jornalistas


O alcoolismo é grave, os portugueses excedem-se na bebida e é urgente que diminua o consumo e se faça respeitar a lei em relação aos condutores.

A SIC afirma « No ano passado, 1023 milhões de litros de bebidas alcoólicas foram consumidos em Portugal. Por dia, o consumo médio ultrapassa os 2,800 milhões de litros».

O Diário de Notícias afina pelo mesmo diapasão, como se vê na imagem.

Os jornalistas confundem litros de álcool com litros de bebidas alcoólicas.

Quer na condução, quer na aritmética, é preciso beber com moderação.

domingo, abril 09, 2006

Itália - Eleições e falta de vergonha


Neste fim de semana a Itália vai a votos para a Câmara de Deputados e para o Senado. A escolha está polarizada entre Romano Prodi (esquerda) e Sílvio Berlusconi (direita).

Para Sílvio Berlusconi não é apenas o lugar de primeiro-ministro que está em jogo, é também o futuro do seu imenso império financeiro e de comunicação social.

Daí que os excessos de linguagem, a violação reiterada das leis e a falta de compostura, habituais, se tenham exacerbado.

Berlusconi viola lei e vai à televisão

Berlusconi insulta adversários

Enfim, comporta-se como o pior dos presidentes de uma região autónoma portuguesa.

Rosa Casaco ameaça com um dossiê


MEMÓRIAS do Meu Tempo, assim se chama o mais recente livro de António Rosa Casaco, o ex-inspector da Pide/DGS que chefiou a brigada que em 1965 assassinou o general Humberto Delgado.

(...)

Quanto ao Portugal de hoje, diz que «é um coio de ladrões, de corruptos e incompetentes». Já o Portugal da ditadura, «era um país rico, de gente honesta, bem governado, digno, grande e respeitado». José Pedro Castanheira – Expresso de 8-04-2006

Que os crimes tenham prescrito é a consequência do tempo e do Estado de direito em que vivemos. Que o assassino e frio torcionário insulte os que se bateram pela liberdade e serviram a democracia, é uma ousadia que os 90 anos não desculpam.

O respeito pelas famílias das vítimas assassinadas, pelos torturados, presos sem culpa formada, deportados e perseguidos, de que a PIDE foi instrumento, deveriam impedir o facínora de usar direitos que o regime de que foi serventuário negou ao povo português.

A presença tranquila do velho criminoso é prova da superioridade moral da democracia sobre a ditadura. As ameaças e bravatas de um Pide execrável tornam-se intoleráveis.

É preciso preservar a memória de 48 anos de horror e lembrar a menoridade cívica a que o País foi condenado.

O poder discricionário da polícia política (PIDE), a devassa da correspondência, a violação do domicílio, espancamentos, torturas do sono, queimaduras de cigarros, ameaças e outras selvajarias que os Rosas Casacos praticaram, são crimes que devem ser lembrados para que a memória curta não branqueie a ditadura.

Trinta e dois anos depois de Abril é preciso preservar a memória e não esquecer.

sábado, abril 08, 2006

Repressão politicamente correcta


Depois da investida contra os fumadores, aproveitando a onda de intolerância que grassa na Europa e nos EUA, chegou a vez do vinho, que um ditador, beato e rural, dizia dar de comer a um milhão de portugueses.

Para gozo de Maomé, em país dito cristão, e gáudio dos autóctones, o Governo pretende impor aos condutores um limite inferior a 0,49 grs. de álcool por litro de sangue quando o habitual era determinar a quantidade de sangue por litro de álcool.

A avaliar pelo apoio da comunicação social indígena, não me atrevo sequer a discordar da proibição de um copo de três a um condutor, em nome da segurança rodoviária.

Para não destoar do entusiasmo que grassa na paróquia, e querendo dar o meu contributo para a segurança rodoviária, sugiro a aplicação da lei seca, com a vantagem de ser extensiva aos peões que, sob o efeito do álcool, estão mais sujeitos a desequilibrar-se e a serem atropelados.

Mas que dizer do efeito demolidor de uma feijoada à transmontana a servir de lastro no bojo de um condutor numa tarde cálida de Verão? Ou do pós-prandial de um cozido à portuguesa? Ou do quilo produzido por um arroz de lampreia, enquanto houver ciclóstomo? E das consequências nefastas de uma noite de estúrdia na condução, de madrugada?

Para quando as medidas repressivas que se impõem?

Se, depois deste zelo, a sinistralidade rodoviária se mantiver, só há um meio eficaz para eliminá-la – reduzir a zero a velocidade. Este método só tem o inconveniente de conduzir a um paradoxo, não conduzir, ou, dito de outro modo, obrigar as pessoas a andarem paradas.

Mas resulta, tenho a certeza.

sexta-feira, abril 07, 2006

Crianças maltratadas - vergonha nacional

«No quadro dos 27 países mais ricos do mundo, Portugal apresenta a maior taxa anual de mortes de menores de 15 anos» - Jornal de Notícias de 15/03/2006

«Segundo dados da Associação de Apoio à Vítima (APAV), em cada dois dias uma criança foi vítima de maus tratos em Portugal, em 2005, e uma em cada quatro tinha menos de três anos de idade».

A brandura dos nossos costumes, alegada por um ditador cruel, aí está na forma como se maltratam crianças, na brutalidade com que os pais descarregam as frustrações sobre os filhos, no alcoolismo, na miséria e ignorância que faz das crianças vítimas e futuros adultos que repetem a desumanidade que as moldou.

Como é possível, mais de três décadas depois de Abril, que as crianças sejam vítimas de quem nunca devia ter sido progenitor, de débeis e malfeitores para quem os filhos são fonte de rendimento e alvo das frustrações?

No silêncio cúmplice ou receoso do lar, velhos demónios da submissão pela violência, tomada como método educativo, vivem os filhos de homens que se tornarão pais iguais, se lá chegarem.

Nota – Há três semanas que pretendia comentar esta notícia. Seria injusto ignorá-la.

Centenário de S. Francisco Xavier



(Foto recente do sarcófago)

Faz hoje 500 anos que nasceu Francisco Xavier, destacado membro da Companhia de Jesus que, ao serviço de D. João III, evangelizou Goa, Molucas, Temate, ilha de Moro, Malaca e Japão.

Apóstolo do Oriente e Padroeiro das Missões são alguns epítetos do taumaturgo cujo prestígio resistiu à perda do Estado Português da Índia, designação que o salazarismo atribuiu aos restos de um império onde Portugal semeava a fé e recolhia especiarias.

Os CTT emitiram dois selos para comemorar a efeméride.



O abandono a que foi votado o sarcófago do ilustre jesuíta permitiu que o corpo, incorrupto durante mais de quatro séculos, se encontre actualmente no estado de decomposição que a foto documenta.

quinta-feira, abril 06, 2006

Espaço dos leitores

(O cantor - Juan Miró)

Iraque - julgamento de Saddam


Os aliados confundiram a rapidez da vitória com a virtude da expedição, a febre de destruição com a sede de liberdade e usaram a crueldade do regime deposto para legitimar a agressão.

A passividade perante a fúria devastadora de bandos ensandecidos deveu-se à cultura dos soldados americanos. Suspeitando que os sumérios fossem terroristas e os assírios financiadores da Al Qaeda, nas tábuas de gesso, com mais de cinco mil anos, desconfiaram da escrita cuneiforme, e numa cabeça esculpida, da época suméria, viram um busto de Saddam.

Numa biblioteca a arder, com preciosidades únicas, julgaram ver uma livraria do ministro da informação.

A passividade e incultura dos invasores criaram cáfilas de díscolos numa orgia destruidora e hordas de saqueadores em busca de despojos.

No Iraque, o povo que sobrou devastou palácios, arruinou o património, ajustou contas antigas e recentes, desfez o país que restava.

Os invasores não se limitaram a arrasar o país quiseram apagar uma civilização.

Agora, três anos decorridos, o País está em risco de separar-se, a sharia integra a Constituição, as rivalidades étnicas e religiosas acentuam-se e, apenas um elo de união se fortaleceu – o ódio ao invasor.

O julgamento de Saddam transformou-se numa farsa em que o ditador humilha e desmascara o tribunal que o julga. Os crimes de Saddam não têm defesa e o tribunal não tem legitimidade. É difícil apurar a verdade a um tribunal protegido por invasores que se basearam na mentira.

Ontem, «Saddam atacou o ministério do Interior, dirigido por um xiita e acusado de montar esquadrões da morte que assassinam sunitas, e disse que se tornou um órgão que matou milhares de iraquianos e os torturou».

Hoje não compareceu ao julgamento.

TV Cabo - De IURD a pior

Há um protesto a lavrar pela forma como a NetCabo tratou a TV Globo. Um canal com uma audiência de cerca de 8%, excelente posição no contexto dos canais da TVCabo, foi substituído por um canal da IURD.

Da TV Globo pode dizer-se que é um canal reaccionário mas, ainda assim, interessante. Com a troca pelo da IURD, só pode dizer-se que passámos a ter um canal fascistóide.

Temo que os telespectadores, abdicando dos seus direitos, com o hábito de prescindir da opinião e de renunciar aos deveres de cidadania, nada dirão, ninguém se queixa.

E, assim, o panorama televisivo caminhará de IURD a pior.

quarta-feira, abril 05, 2006

Portas - um erro histórico




Paulo Portas, ex-director do Independente, deputado do CDS e director espiritual da «banda» parlamentar do seu partido, produziu esta tarde, a propósito da comemoração da Constituição da República, a seguinte afirmação: «A Constituição de 1976 é um erro histórico: atrasou economicamente o país, equivocou-o socialmente e excluiu-o da realidade contemporânea».

Não se pode exigir a Paulo Portas o discernimento que lhe faltou no entusiasmo com que apoiou a invasão do Iraque; a sensatez que não teve ao atribuir à senhora de Fátima a decisão de afastar de Portugal a maré negra do naufrágio do Préstige; o sentido de Estado que teria evitado encomendar dois submarinos (um para subir, outro para descer) quando as condições financeiras do País se tinham deteriorado e a própria Nato os considerou dispensáveis; a lucidez de não confundir a condição de ministro da Defesa com a de parente da Irmã Lúcia a cuja missa de familiares assistiu.

Paulo Portas não é um epifenómeno da nostalgia salazarista, é um demagogo inteligente, um reaccionário perigoso e um poço de ambição política.

As razões antigas do nosso atraso estão bem diagnosticadas nas «Causas da Decadência dos Povos Peninsulares», de Antero de Quental, e as recentes, numa ditadura de meio século, na guerra colonial, no ensino reduzido para 3 anos de escolaridade para as meninas e 4 para os meninos, no analfabetismo, na mortalidade infantil e na emigração que o Salazarismo provocou.

Para Portas, talvez a Constituição autoritária de 1933 tivesse colocado Portugal na vanguarda dos mais civilizados países da Europa, mas foi o contrário que sempre aconteceu. Portas não tem o carisma de Le Pen, nem a fortuna de Berlusconi. Portas nasceu numa época diferente de Hitler, Mussolini, Salazar, Franco e Pétain. Portas só pode resignar-se a ser o mordomo empertigado de um qualquer líder do PSD.

É este o drama de quem tem um passado suspeito, um presente penoso e um futuro pouco promissor.

Portas é um erro histórico, um erro de casting num país europeu e democrático.

Não devemos esquecer

Ponte Europa/Pitecos

Não eram judeus nas mãos dos nazis.

Eram comunistas nas mãos dos ingleses.

Bons ventos...de Espanha

Papagaios de Belém e a Regionalização


«O eurodeputado do PSD Silva Peneda considera que a “filosofia” do actual Governo sobre o ordenamento do território é a “mesma” que a do primeiro Executivo de Cavaco Silva, hoje Presidente da República.

Peneda, que integrou a comissão de honra do actual chefe de Estado, é conotado por muitos como um cavaquista, o que indica que os apoiantes de Cavaco estão divididos sobre a regionalização» - como observa argutamente o blog REGIONALIZAÇÃO.


O respeito e a consideração que são devidos ao Presidente da República estão a ser atingidos por colaboradores que convidou para funções no Palácio de Belém.

Conhecendo-se o sentido de Estado do actual PR, sabe-se que não são «recados» as atoardas proferidas a respeito da Regionalização, nem censuras públicas as declarações de alguns dos seus satélites atacados de incontinência verbal.

Só a ansiedade na conquista do aparelho político do PSD pode levar políticos, cuja proximidade ao PR exige contenção, a manifestações de hostilidade ao Governo.

Compreende-se a ambição de ofuscarem Marques Mendes, a necessidade de afirmação perante o eleitorado e o receio de se verem excluídos do poder numa eventual alternância que, um dia, há-de chegar.

Só não se compreende a deslealdade e deselegância para com o PR.

Marcelo e Manuela Ferreira Leite têm de optar entre o exercício da propaganda pessoal e partidária e a sobriedade das funções de conselheiros de Estado.

Era lamentável que se mantivessem na esfera do PR, em torno de quem gravitam, com projectos de poder pessoal, postergando interesses nacionais.

terça-feira, abril 04, 2006

Clube Agir


A assistência participou com interesse no recente debate sobre política energética, levado a cabo na Casa da Cultura de Coimbra, pelo «Clube Agir».

CORREIO DO LEITOR

A pedido do autor e com a minha concordância publica-se o seguinte texto.

Elvas, O Elvas demagogia á vista.

Os comentários da oposição e afins sobre a extinção da Maternidade de Elvas são um exemplo de demagogia exacerbada e falsos nacionalismos. Pois a reestruturação dos estabelecimentos maternais em Portugal tem o objectivo de melhorar a qualidade do nascimento no nosso pais, e baseada num estudo da O.C.D.E.. Elvas (caso demagogicamente mais apetecível) saltou logo para a boca dos demagogos, dando-lhe uma pitadinha paternalista e patriótica.

A possibilidade de crianças Portuguesas nascerem em Badajós, foi a maior heresia desta tão nobre medida, esqueceram-se porem que as crianças que nascem em Elvas, muitas vezes, cedo ficam sem o Português de que mais gostam, o seu pai que ainda hoje tem que ir trabalhar para o estrangeiro longínquo.

Os digníssimos deputados que se preocupam tremendamente com o nascimento lusitano, nunca conseguiram pensar e executar politicas de desenvolvimento regional e local eficazes e instituições estatais eficientes, para quem quer ser feliz, no seu pais com a sua família não necessite emigrar. Era este o amor á pátria os portugueses queriam.

Quanto á possibilidade de as crianças nascerem no caminho entre Elvas e Portalegre ou Évora (para deixar o Movimento Pró – Nascimento - Lusitano mais descansado) é bastante mais improvável do que na tumultuosa deslocação entre alguns Concelhos das Serras dos Gerês ou do Marão e a maternidade mais próxima que deixa qualquer dos mortais com sensação de gravidez. Curiosamente sem que nenhum dos deputados tenha feito tanto barulho para a instalação de maternidades nalgum desses concelhos.

Perguntem aos Elvenses se eles se importavam de nascer em Badajós com melhor qualidade nos cuidados prestados, e que o dinheiro aplicado numa maternidade a meio gás servisse para promover o turismo e o emprego no seu concelho, com a certeza que os portugueses nascidos em Badajós sentiram-se muito mais portugueses que no mínimo mais de 50% dos espanhóis nascidos em Espanha.

Senhores deputados por favor não abusem das crenças patrióticas do povo português e do truque fácil de falar na criancinha coitadinha, para encobrir a vossa incapacidade de fazer oposição. Dignifiquem a Assembleia da República

Hugo Duarte

Hugo_duarte@ portugalmail.pt

PSD exige...

«PSD exige total isenção ao novo director da PJ» – lê-se no Diário de Notícias.

É uma mudança de atitude que se saúda depois do comportamento que mostrou com Fernando Negrão e Adelino Salvado.

Eis uma postura de Estado que aparece demasiado tarde e, quiçá, por estar na Oposição.

segunda-feira, abril 03, 2006

Isto começa mal

(clique para aumentar a imagem)
Sob o título «Reforma da Administração Pública», no seu blog 4R – Quarta República, David Justino, ex-ministro da Educação de Durão Barroso, critica o Plano de Reforma da Administração Pública (PRACE) apresentado na semana passada pelo Governo.

O seu artigo tem a data de Sábado, dia 1 de Abril (sem link próprio).

Pode dizer-se que é um direito de cidadão, que o antigo número dois de Isaltino de Morais na Câmara de Oeiras pode e deve exercer. Acontece, porém, que integra a Casa Civil do Presidente da República como assessor para as questões sociais.

Se os mais próximos colaboradores do Presidente da República querem entrar na luta partidária, devem, em meu entender, renunciar às funções que exercem em Belém e fazê-lo no PSD e CDS, conforme a origem e afeição, submetendo-se ao contraditório.

O mesmo acontece, com Marcelo Rebelo de Sousa, Manuela Ferreira Leite e Medina Carreira, com as medidas governamentais em relação à administração do território, com gravidade para os dois primeiros por serem conselheiros de Estado e, em menor grau, para o último que apenas foi mandatário de Cavaco Silva e é um reincidente trauliteiro contra o PS.

Sendo Marcelo e Ferreira Leite duas personalidades de grande preparação política, ao contrário dos outros dois, deviam poupar o PR à injusta suspeita de tentar imiscuir-se nos assuntos internos do Governo e, o que é pior, com opiniões que são úteis à luta política mas não honram quem as emite.

Se persistirem opiniões tão lamentáveis como as que o Expresso refere, só nos resta um caminho – enfrentar os perturbadores e combater os empedernidos centralistas.

domingo, abril 02, 2006

Candidatura de Luís Marinho

Leia as ideias do camarada Luís Marinho!
O PS Coimbra pode mudar para melhor!

Faleceu Carlos Fabião


Poucos foram tão mal conhecidos e injustamente tratados. O herói de Abril, democrata indefectível e brilhante militar deu origem ao mito de radical perigoso.

Quem conheceu o homem afável e superiormente inteligente, o patriota que exerceu as mais altas funções militares e civis, sabe que é falso o rótulo que lhe colocaram para benefício de alguns trajectos políticos.

Foi maltratado sem se queixar e manteve-se coerente e silencioso no ostracismo a que foi votado.

A democracia deve-lhe muito. Portugal também. Morre no aniversário da Constituição.

Ao cidadão exemplar, herói e patriota, aqui fica a expressão de gratidão e o testemunho da admiração por uma das grandes figuras do Séc. XX, em Portugal.

Sem Carlos Fabião é também Abril que fica mais pobre.