sexta-feira, junho 30, 2006

Freitas do Amaral

A saída de Freitas do Amaral, do Governo, ao que tudo indica por razões de saúde, é a interrupção ou o fim de uma carreira política de invulgar fulgor e dimensão cívica.

Freitas do Amaral já foi estimado e odiado por quase todos os portugueses, em momentos diferentes, mas nunca lhe faltou o carácter e uma enorme coragem.

O país deve-lhe o empenhamento de uma vida, a fidelidade a princípios que não se compadecem com a conveniência e um exemplar sentido de serviço público.

Conservador e católico, tolerante e culto, é uma referência ética que soube defender sempre a dignidade de Portugal e prestigiar os numerosos cargos que ocupou.

Não sendo da família política em que me revejo, não posso deixar de prestar a este vulto da República homenagem às qualidades que o exornam e à sua dimensão de homem de Estado.

O caso de Timor foi a mais recente oportunidade de manifestar clarividência e afirmar o seu raro sentido de prudência. Soube defender a honra de Portugal perante os obscuros interesses que se cruzam no jovem país sem capitular perante as grandes nações.

Obrigado, Freitas do Amaral.

Actualidade política

quinta-feira, junho 29, 2006

Madeira e Viseu à margem da lei


«Alberto João Jardim, chefe do Governo Regional da Madeira, solidarizou-se esta quinta-feira com o presidente da Câmara de Viseu, que poderá ser alvo de processo judicial devido às suas afirmações contra os fiscais do Ministério do Ambiente».

O despautério de Fernando Ruas, um pacífico edil que cede camionetas aos munícipes para excursões pias a Fátima, foi uma nódoa que manchou a imagem laboriosamente construída na Associação Nacional de Municípios, que comanda, e no concelho a cujos destinos preside.

Não é vulgar o presidente da Câmara incitar ao apedrejamento de funcionários públicos que cumprem o seu dever. Nem na Madeira, onde o Dr. Jardim habituou os ilhéus aos insultos, à truculência e ao desrespeito da lei e dos órgãos da soberania, se tinha ido tão longe. É mais reles na linguagem mas ainda não lhe tinha ocorrido o uso da pedrada.

No entanto, qual alma gémea, AJJ já se solidarizou com o autarca de Viseu. Pedradas em fiscais, que ainda nem aconteceram, não impedem a solidariedade que merece quem desafia a lei e dá um péssimo exemplo de postura cívica. AJJ não perdeu a oportunidade de exibir a sua concepção de democracia e a forma de lidar com o poder central.

Mas não é a solidariedade que move o presidente vitalício da Madeira, nem a reiterada manifestação de falta de postura democrática, é o enorme embaraço que sabe causar a Luís Marques Mendes cujo silêncio se torna ensurdecedor.

Não tem dúvidas e raramente se engana

«O Supremo Tribunal de Justiça [português] não consulta juizes europeus».

Em vinte anos o número de consultas do STJ ao Tribunal de Justiça da Comunidade Europeia, cuja competência é garantir uma «interpretação e aplicação» uniforme das normas europeias, foi zero.

Os italianos, por exemplo, interpelaram 693 vezes o Tribunal entre 1986 e 2005.

«O Supremo nunca teve qualquer incerteza sobre direito comunitário» - refere o DN.

Fonte: Diário de Notícias, hoje - pg. 5 (sítio indisponível)

Terrorismo de Estado

Israel deteve 64 personalidades ligadas o governo palestino do Hamas, nove dos quais ministros, na continuação da sua acção militar em Gaza. Os israelias justificam esta medida pelo facto de o Hamas estar implicado em acções terroristas.

Israel (Estado agressor) esforça-se por se colocar ao nível dos terroristas que combate.

A legitimidade da Palestina à existência, tal como a de Israel, é inquestionável.

Timor – Tentar compreender o golpe de Estado

Diplomacia Portuguesa: um esforço de reflexão

Seixas da Costa apresenta um curriculum de serviço à causa pública invejável.
Mas não se fica por aqui. Tem ainda a frontalidade e a generosidade de passar para o papel os pensamentos de um “prático” da Diplomacia, de um homem que vive o quotidiano das relações internacionais.

Em “Uma segunda opinião”, o embaixador Francisco Seixas da Costa lança pistas de reflexão muito importantes e oferece um arsenal de informações por vezes não acessíveis através da comunicação social.

Uma sugestão de leitura, agora que se aproximam os tempos estivais.

quarta-feira, junho 28, 2006

O arruaceiro de Viseu

Ruas: menção a «pedradas» era em sentido figurado

«O presidente da Câmara de Viseu, Fernando Ruas (PSD), esclareceu hoje ter falado «em sentido figurado» quando afirmou que os presidentes de Junta de Freguesia deviam «correr à pedrada» os fiscais do Ministério do Ambiente.

«Arranjem lá um grupo e corram-nos à pedrada» foi a polémica afirmação do autarca, que é também líder da Associação Nacional de Municípios Portugueses, feita durante a Assembleia Municipal de Viseu de segunda-feira e reproduzida na edição de hoje no Jornal de Notícias».
Se alguém dissesse que o autarca é uma besta e depois se desculpasse, dizendo que era em sentido figurado, ficaria absolvido da boçalidade?

Se o cabeça rapada que incitou ao crime e à violência fosse presidente de uma Câmara, teria sido incomodado?

O apelo à ilegalidade, violência e arruaça são a imagem que fica do presidente da Câmara de Viseu e da Associação Nacional de Municípios.

Se os edis portugueses se revêem no comportamento de tal personagem, o Estado de Direito está mesmo em risco.

Faltava um Alberto João ao Continente.

Espaço dos leitores. Chegou a banda larga

Ponte Europa/Pitecos - Zédalmeida

Casa da Cultura - Coimbra

Apresentação da obra: “Álvaro de Castro – Pela República, Liberdade e Democracia”.


Dia 29, 21H30, Casa Municipal da Cultura, Coimbra.

Autor: Aires Antunes Diniz.

Patrocinadores da iniciativa: Câmara Municipal de Coimbra, Câmara Municipal da Guarda e Associação 25 de Abril.

Referências biográficas de Álvaro Xavier de Castro (9.11.1878 – 29.6.1928)

Militar, republicano e resistente. Natural da cidade da Guarda. Filho do Dr. José de Castro. Cursou Direito em Coimbra.

Revolucionário nas conspirações de Coimbra de 1908 e 1910. Apoiante do 5 de Outubro e Deputado à Constituinte. Ministro da Justiça do Governo de Afonso Costa (1913) e Ministro das Finanças do Governo de Azevedo Coutinho (1914).

Um dos líderes da revolução de 14 de Maio de 1915, que depôs a ditadura de Pimenta de Castro. Governador de Moçambique (1915 – 1917). Perseguido por Sidónio Pais. Chefe da revolta de Santarém de Janeiro de 1919, para impor o regresso à Constituição de 1911.

Fundador do Partido Reconstituinte (1920) e do Grupo de Acção Republicana.Presidente do Ministério: 1920 e 1923. Ministro da Guerra (1921) e das Finanças (1923).

Preso após o golpe militar de 28 de Maio. Exilado em Paris é um dos fundadores da «Liga de Defesa da República», mais conhecida por «Liga de Paris», com Afonso Costa, Bernardino Machado, José Domingos dos Santos, Jaime Cortesão e António Sérgio.

Faleceu em Coimbra a 28 de Janeiro de 1928, depois de haver chegado moribundo três dias antes. Está sepultado no cemitério da Conchada.

terça-feira, junho 27, 2006

Requiescat in pacem

Foto: AP


De derrota em derrota, Sílvio Berlusconi assistiu ontem à sua morte política. O requiem dos italianos teve a adesão de 61,6% contra 38% que votaram SIM.

O NÃO foi o epitáfio escrito pela maioria do eleitorado. O exótico ex-primeiro-ministro tem agora uma imensa fortuna e um contencioso com a Justiça a gerir.

Nem o apoio do Vaticano lhe valeu. Estava escrito nas estrelas que acabaria mal.

À procura de Judas

Ponte Europa/Pitecos - Zédalmeida

Regresso ao local do crime

«Durão Barroso tornou-se ontem no primeiro presidente da Comissão Europeia (CE) a visitar a região dos Açores, local escolhido para o lançamento de uma nova política marítima entre os 25 Estados membros.» - Diário de Notícias

segunda-feira, junho 26, 2006

O processo Casa Pia

Confio na punição dos crápulas que estiveram na origem da vergonhosa cabala que destruiu politicamente a carreira de Ferro Rodrigues.

Perante o silêncio dos papagaios da primeira fase, tem agora lugar o julgamento.

Uns arguidos foram ilibados e aparecem novos como suspeitos. A Justiça não permitirá que fiquem impunes os que quiseram destruir o PS e conspurcar a honra do seu mais destacado militante de então.

Apenas me interrogo por que motivo os nomes de individualidades da direita foram (justamente) protegidos enquanto se exibiam, para gáudio da populaça, os nomes de Ferro Rodrigues e Paulo Pedroso e o director da PJ, Adelino Salvado, se babava de gozo a citar o nome do secretário-geral do PS ao Diário da Manhã.

Post scriptum – Aguarda-se o relatório do PGR, sobre as escutas, mandado apresentar com urgência por Jorge Sampaio.

Mari Alkatiri demite-se

O primeiro-ministro de Timor, mostrando uma consistência política e sentido de Estado que servem de exemplo, anunciou a demissão e o regresso ao Parlamento.

As lutas pessoais, a vontade da Igreja católica e os interesses das potências regionais tornaram incompatível a sua permanência no cargo sem um banho de sangue.

Alkatiri ficará como uma referência num país que começa a dar os primeiros passos e onde a democracia não é particularmente amada e, muito menos, respeitada.

domingo, junho 25, 2006

Subsídios para a compreensão de um golpe de Estado

*

A força da opinião pública



Bush assumiu ontem, na Áustria, um compromisso claro sobre detidos sem julgamento



Os EUA podem, e devem, ser um país de vanguarda na defesa dos Direitos Humanos e um bastião da luta contra a violência totalitária.

Os europeus não esquecem o que devem aos americanos que deram a vida para libertar a Europa do pesadelo nazi.

As próximas eleições presidenciais vão dar aos EUA e ao mundo, não um pregador evangélico, que fala com Deus e se lança em guerras santas, mas um presidente culto que recupere o prestígio da era Clinton.

Glória a Gloria

Presidente, Gloria Arroyo
*


A abolição da pena de morte é mais uma vitória da civilização sobre a barbárie e do humanismo sobre a tradição. A decisão, que enobrece o país, dignifica o direito e prestigia os cidadãos.

Lentamente, a humanidade substitui a lei de Talião por princípios humanistas que caracterizam as sociedades civilizadas e são apanágio das modernas democracias. À vingança sobrepõem-se conceitos de justiça.

Algures, na Ásia, um grande país deu um passo enorme rumo à civilização.

sábado, junho 24, 2006

Afinal o problema é o negócio

Elvas: Enquanto se mantiver o encerramento da maternidade


«A Fundação Mariana Martins, gestora da maternidade do Hospital de Santa Luzia, em Elvas, encerrada desde do dia 12 por ordem do Ministério da Saúde, entregou um documento à administração daquela unidade a exigir ao Estado uma indemnização de 50 mil euros por cada mês em que se mantiver a suspensão do serviço materno-infantil» - lê-se no Correio da Manhã.

O livro de Santana Lopes

Santana Lopes, que regressa à Assembleia da República no próximo dia 3 de Julho, vai lançar, depois do Verão, um livro sobre os quatro meses em que chefiou o Governo.

Se os atribulados quatro meses são matéria de um livro, imaginemos ao que a demissão nos poupou. Uma legislatura completa daria origem a doze volumes, ainda mais difíceis de digerir do que a sua pouco gloriosa passagem pelo Governo.

sexta-feira, junho 23, 2006

O selo está a pagamento

A PERDA DE TEMPO

"CDS-PP desafia PS a acabar com os feriados religiosos " 23.06.2006 - Lusa

É extraordinário o tempo que se perde com este tipo de discussão, que em nada contribui para o desenvolvimento do País numa altura em que todos devíamos estar unidos na prossecução desse objectivo primordial que é a sustentabilidade da nossa economia e por conseguinte do nosso País.

De facto gostava de ver a oposição com o mesmo empenhamento e assertividade na construção de propostas alternativas às do governo em matéria de crescimento económico e de equilíbrio das finanças públicas e não estar a perder tempo com pequenas "guerrilhas" políticas que apenas servem para "dar nas vistas" e preencher "espaço" mediático.

O protocolo do Estado

Pretender integrar o clero na lista de precedências dos titulares dos órgãos de soberania e altos funcionários do Estado é um anacronismo incompatível com um país laico. Afigura-se tão despropositado como colocar nos templos uma cadeira junto ao altar para os representantes do Estado ou das autarquias.

Surpreende que um político experiente como o açoriano Mota Amaral, que não é um demagogo, persista na defesa de uma promiscuidade entre o Estado e a Igreja que tão maus resultados deu no passado e que só pode prejudicar ambas as instituições.

Mas, mais anacrónico, é a peregrina ideia de incluir no protocolo de Estado o Sr. Duarte Pio, um descendente do ramo miguelista da família de Bragança, a menos que se pretenda desprestigiar o regime democrático e transformar o País numa República de ananases, já que as bananas são características da outra Região Autónoma.

O pudor republicano é incompatível com os delírios místicos de um deputado ou com o pendor monárquico de quem sabe que a monarquia constitucional portuguesa se extinguiu com a morte de D. Manuel II.

Que o CDS dê particular destaque «quer às Forças Armadas, quer às instituições religiosas - com realce para a Igreja Católica», é uma atitude que se compreende num partido que foi expulso do Partido Popular Europeu, por ser demasiado conservador e anti-europeu. No fundo é um partido de duvidoso ideário republicano e de hesitantes sentimentos democráticos.

quinta-feira, junho 22, 2006

O ocaso de Xanana Gusmão


É a vida.

O herói mítico da resistência timorense desrespeitou a Constituição e procurou dar um golpe de Estado contra o Governo legítimo do seu país.

Nem a lei, nem a prudência, o acautelaram contra o apoio à ingerência da Austrália. Os laços matrimoniais não desculpam a cobertura que dá aos que – tudo o indica –, são culpados do caos e violência que eclodiu em Timor.

A renúncia que exigiu ao Governo ou, gorada a tentativa, a ameaça da sua demissão, é o princípio de novos conflitos para os quais não faltam timorenses divididos por ódios e rivalidades ancestrais, desempregados cuja diversidade étnica dificulta a coesão e a solidariedade.

O Presidente Xanana é o herói mítico do século e milénio que há pouco começaram e a figura emblemática do David que derrotou Golias. Poderá tornar-se, salvas as devidas proporções, num marechal Pétain, herói da primeira Grande Guerra, que acabou a presidir a um governo fantoche imposto à França pelas forças ocupantes.

Se o golpe que parece envolvê-lo, com Ramos Horta, Austrália e Igreja católica, vier a consumar-se, expira a legalidade democrática e o jovem País compromete o futuro.

Se a sua demissão for um acto de chantagem, que exacerba os antagonismos existentes, será culpado por agudizar tensões e enfraquecer o incipiente aparelho de Estado.

A GNR, que Portugal enviou – e bem –, a pedido do Governo legal, não pode continuar em Timor, salvo ao serviço da ONU. O Governo português, que teve a clarividência de recusar a sua submissão às forças australianas, saberá evitar que se enrede numa teia de interesses suspeitos que levaram o caos e a desolação ao martirizado povo de Timor.

Fundamentalismo evangélico

L’administration Bush s’identifie à la Justice divine
par Thierry Meyssan Paris (France) Focus

quarta-feira, junho 21, 2006

A morte em Guantánamo



Guantanamo Bay Camp X-Ray www.spiegel.de

«Los familiares de los tres prisioneros que aparecieron muertos el 10 de junio en Guantánamo denunciaron que los cuerpos presentan marcas de golpizas y torturas y que los forenses estadounidenses les sacaron varios organos.

Mohammed Al Oteibi, tío del saudita Manea Al Oteibi, afirmó que el cadáver de su sobrino presenta "manchas negras en los brazos" y hematomas en diversas partes.

Además declaró que los forenses norteamericanos le quitaron el corazón, el cerebro y otros órganos "para que nadie pueda averiguar la verdadera causa de la muerte".

El padre del otro preso saudita que apareció muerto, Yassir Al Sahrani, también señaló que descubrió hematomas en la cabeza de su hijo.

En tanto, el padre del otro detenido muerto, oriundo de Yemen, denunció que los restos de su hijo tampoco llegaron "completos" a su país, y destacó que el suicidio va en contra de los principios del Islam». (Pulsar Agencia Informativa)

NOTA: Esta notícia, a confirmar-se, demonstra que se atingiu o ponto máximo do nojo e da abjecção. Já pouco distingue os EUA da barbárie do fascismo islâmico.

Timor – Um país em erupção

A mais que provável demissão de Mari Alkatiri é um perigoso precedente que põe em causa a democracia e a sobrevivência do país.



"Há alguém por trás destas histórias" – afirma o ainda primeiro-ministro.


Claro que há. E o petróleo não é alheio.

O olhar do cartoonista...

terça-feira, junho 20, 2006

Dia Mundial dos Refugiados


















À catástrofe silenciosa, que condena milhões de pessoas em todo o mundo, procura responder a ONU através dos seu Alto Comissário.

É nessa tarefa humanitária que o mais bem preparado primeiro-ministro de Portugal dos últimos cem anos empenha agora as suas enormes capacidades intelectuais, a dedicação e o espírito altruísta que são seu apanágio.

Para Portugal é uma honra ter um cidadão de tão elevada craveira em funções tão nobres. Para os refugiados é um motivo de esperança contarem com o empenhamento de uma personalidade como António Guterres.

Sobre justiça social


Mantêm-se os constrangimentos autoritários que, em tempos, de má memória, impediam a tomada de posições, a expressão da vontade ou a afirmação cívica.

Então, era o risco da mordaça, o medo da perseguição, a coacção familiar, social ou profissional. Hoje, é a opinião pública e a publicada, que constrangem e intimidam, a inércia ou a cobardia que impedem o debate e o exercício da cidadania.

Na ditadura ninguém ousava afrontar o regime autoritário e persecutório. Agora, poucos ousam defender o Governo, ainda que mereça, a menos que dele tirem partido.

O desprezo pela política e os ataques sistemáticos aos políticos nascem da aversão à democracia e, raramente, constituem uma crítica coerente e fundamentada. Assim, é tão difícil, hoje, a defesa do regime como, em tempos, era perigoso contestar a ditadura.

Os grupos corporativos que medraram à sombra da administração pública, e que o Governo se esforça por enfrentar, acoimam de autoritário o exercício da autoridade e pretendem ajustar contas com quem ambiciona pôr as contas em dia.

Há um egoísmo crescente e uma insensibilidade social que os poderes públicos têm de moderar. Não é tolerável que o leque salarial da função pública atinja uma amplitude imoral, agravada com mordomias obscenas.

Num período de crise económica e financeira:

1 – é um descaro haver pensões, pagas pelo Estado, que ultrapassem a de um Presidente da República;

2 – Um Governo com preocupações sociais não pode manter uma proporção de 1 para 60 entre o vencimento mínimo e o máximo, quando o coeficiente de 1 para 15 já se afigura razoável;

3 – As Empresas Públicas não têm o direito de estabelecer sinecuras que ferem os mais elementares princípios de racionalidade e justiça:

4 – Reformados, ocupando lugares do Estado, nunca deveriam ultrapassar, com a acumulação do salário e pensões, o vencimento do primeiro-ministro, salvo os casos do Presidente da República e do presidente da A. R..;

5 –As pensões do Estado (isoladas ou em acumulação) devem ser congeladas no montante que excede o vencimento do primeiro-ministro, como medida moralizadora.

Pode dizer-se que há direitos adquiridos e, alguns, que juram ser de esquerda, defendem-nos. É bom lembrar que o direito ao salário também é um direito adquirido, que muitos compatriotas perdem quando fecham as empresas onde trabalham.

Argumenta-se que o nivelamento não tem de ser feito por baixo, mas convém explicar onde encontrar recursos para manter regalias que o erário público não comporta.

É tempo de fazer pagar a crise a quem mais pode e aliviar quem mais precisa, sem esquecer, de um lado, empresas e grandes fortunas e, do outro, o desemprego e a pobreza.

O olhar do cartoonista...

segunda-feira, junho 19, 2006

Espanha - A política vista pela direita ultraliberal portuguesa

«(..) Francisco Javier García Gaztelu também conhecido por 'Txapote' é o homem que disparou sobre Migel Angel Blanco. Começou a ser julgado e este é olhar que lança sobre o tribunal e os familiares das suas vítimas. O seu comportamente em tribunal é um sinal de como a ETA sabe que está acima da lei. É gente como Txapote ou ainda mais duros do que ele - como Otegi - que se vão sentar naquilo a que se chama Mesa de Partidos com a qual Zapatero vai negociar. Resta perguntar negociar o quê»?

Este é o texto (com foto do «etarra» Francisco Garcia) do Blasfémias, um excelente blog da direita ultraliberal e o mais lido.

É interessante verificar a identidade de pontos de vista entre o «Blasfémias» e o PP espanhol, que ainda não deixou de ser de Aznar e de Franco, enquanto o blog referido é claramente adepto da democracia.

Espanha - A Igreja e o Estatuto da Catalunha



A Igreja católica espanhola não disfarça a oposição ao PSOE e, sobretudo, a Zapatero:

Obispos entre Dios y el césar
Falta consenso para aprobar una
La Vanguardia, Edición Impresa

La "declaración doctrinal" precisa de unanimidad; la "instrucción pastoral" es un texto de segunda categoría

La milenaria Biblia no contiene ni una referencia a la unidad de España ni a la autonomía de Catalunya, definida como nación en el Estatut. Pero un sector de la Conferencia Episcopal Española quiere abordar la primera de estas cuestiones en su pleno de esta semana.

Los obispos están en tensión entre el Evangelio y la política, entre Dios y el césar. Los Evangelios de Mateo, Lucas y Marcos narran que fariseos y herodianos tentaron a Jesús con este dilema. Su respuesta fue: "Dad al césar lo que es del césar, y a Dios lo que es de Dios".

Aquella tentación se mantiene a lo largo de los siglos. Sectores de la Iglesia quieren dirigir la política y la configuración del estado. Y sectores de la política quieren dirigir la Iglesia y su pastoral. ...

Câmara prejudica reputação do filho do presidente

Terreno de filho de Valentim Loureiro valorizado em tempo recorde

«No espaço de duas semanas, um terreno que foi comprado por pouco mais de um milhão de euros quase quadruplicou o seu valor, na sequência da sua desafectação da Reserva Agrícola Nacional (RAN)».

A liberdade à deriva

E a democracia em xeque.

domingo, junho 18, 2006

Catalunha aprova o novo estatuto

Decididamente, os referendos não entusiasmam a mobilização eleitoral. Os eleitores que não foram às urnas provaram isso mesmo.

Mas quando o eleitorado que se dispõe a votar sufraga com cerca de 74% uma opção e os que se opõem se ficam pelos 20%, é clara a vitória do novo Estatuto de Autonomia, tão clara quanto a derrota dos seus oponentes.

O futuro dirá se a solução encontrada é a mais adequada para a paz e desenvolvimento da Catalunha, que assume um carácter pioneiro na reforma administrativa e política em curso no país vizinho.

Para já não é só o PP que sai derrotado, é o franquismo que morre e uma certa Espanha que desaparece definitivamente.

Comunicação social e Democracia

Gosto de ler os livros quando a poeira já assentou. Quanto já é possível aventurarmo-nos na sua leitura sem os pré-juízos que a televisão nos impõe, sem a pré-avaliação que os opinion makers nos oferecem em latas prontas a consumir.

É o caso do último livro de Manuel Maria Carrilho, Sob o Signo da Verdade.

José Saramago empresta o seu nome à sua apresentação e, com efeito, o nível do português é exemplar e a sua substância de consulta obrigatória para todos aqueles que se preocupam com a nossa sociedade.

Após a sua ávida e atenta leitura e depois de anteriormente ter lido e ouvido as críticas de tantos dos visados na sua obra, pude tomar as minhas conclusões pessoais.

Carrilho arrisca com coragem a denúncia de um jornalismo doente, mal preparado, controlado por poderes ocultos e por modas e uma opinião publicada cheia de invejas e maus fígados.

Carrilho e a sua família foram vítimas de um ataque ignóbil!

A eles endereço a minha solidariedade pessoal, política e cívica.

Aos que apressadamente queiram julgar Carrilho e os que com ele se solidarizam, peço apenas, que leiam o livro. Releiam os jornais de 2005, sobretudo o tão famoso “Expresso” (que realmente só num país terceiro-mundista pode ser considerado de referência!) revejam os telejornais das televisões, sobretudo da SIC, etc.

Este é mais um exemplo. Depois da tentativa de assassinato cívico de Paulo Pedroso e de Ferro Rodrigues. Depois de levarem Santana Lopes ao colo ao poder…

E sim! Mário Soares também foi vítima do ‘polvo’.

Quem quiser continuar a não ver. Não veja.

Como diz o ditado popular, “O maior cego….”

Orgulho nacional

Em Portugal, a mortalidade infantil baixou cerca de 75% entre 1980 e 1998 (INE) e é agora, tal como a perinatal, a 5ª melhor da Europa.Em 2004 conquistámos o 3º lugar do podium (ex aequo com onze outros países) nas olimpíadas do estado de saúde das crianças nos primeiros 5 anos de vida, (UNICEF 2006).Em 2003, Portugal foi o 6º Melhor País para Crianças.

Fonte: O alcatruz (blog de um dos maiores responsáveis nacionais por este motivo de orgulho)

Nota: Do Prof. H. Carmona da Mota não se lembra a Câmara Municipal.

Espaço dos leitores

Ponte Europa/Pitecos - Zédalmeida

Desleixo ou cumplicidade?

Ponte Europa/Pitecos - Zédalmeida
*
«O Parlamento Europeu apresentou um relatório que aponta para a utilização dos aeroportos portugueses nos voos da CIA que transportaram, ao arrepio de todos os tratados, prisioneiros e suspeitos de ligações aos extremistas muçulmanos». DN, ontem.

Para além dos esclarecimentos que se exigem, os factos – a confirmarem-se –, não honram Portugal e comprometem o Governo.

Portugal deve colocar-se sempre na primeira linha da defesa dos Direitos do Homem e no respeito pelos tratados internacionais que assina.

sábado, junho 17, 2006

Mentira ou cabala?


A notícia de primeira página do «Expresso» não está obrigatoriamente condenada ao desmentido.

E a intensa campanha psicológica a favor dos interesses da Austrália não podia arranjar melhor pretexto.

Adenda - Uma posição diferente.

A vida está difícil...

OPERAÇÃO REAL

Víctor Manuel de Saboya, preso por corrupção e exploração da prostituição
(Agência efe)

Roma – Vítor Manuel de Sabóia, príncipe herdeiro da família de Sabóia, a última que reinou em Itália, deu entrada esta madrugada na prisão de Potenza (sul) após ter sido acusado de associação para delinquência com fins de corrupção e exploração da prostituição, segundo informação local.

A lei da paridade

Antes de conhecidas as alterações que o PS possa introduzir no projecto, cuja discussão está agendada para o próximo dia 5 de Julho, os partidos políticos procuram antecipar cenários e influenciar a decisão final. É um direito e um dever do confronto político.

Mas...

O conselheiro de Estado Marcelo Rebelo de Sousa advertiu, como analista político, que «o PS sujeita-se a novo veto, quer político quer jurídico», segundo pensa, como jurista, o militante e antigo presidente do PSD.

Resta saber o que pensará o analista, como militante do PSD, e o que dirá o jurista ao Presidente da República quando chamado a pronunciar-se como conselheiro de Estado.

Contra o deperdício


Uma vez por mês e durante alguns dias, o Parlamento Europeu transfere-se de Bruxelas para Strasbourg por inteiro, com todos os seus colaboradores e toda a sua documentação. A única razão para este desperdício de 200 milhões de euros por ano deve-se à vontade da França. Todos os países da União pagam a conta! Nós também!

Presentemente, um determinado número de membros do Parlamento Europeu, pertencentes a diferentes partidos e países, iniciaram uma acção que visa acabar com este desperdício ridículo. É necessário recolher um milhão de assinaturas para que este assunto possa ser inserido na agenda da Comissão Europeia.

Já se recolheram mais de 580 000 assinaturas, mas é preciso um milhão!

Visite o site http://tinyurl.com/rjyfg e assine para se poder acabar com este abuso ridículo.

P.S.: não hesite em transmitir o conteúdo desta mensagem aos seus amigos, para provocarmos uma cadeia de bom senso. (enviado por A.A.)

sexta-feira, junho 16, 2006

O dia de hoje


1976 – Aprovada em Portugal uma lei proibindo aos maridos o direito de abrirem a correspondência de suas mulheres.

Nota: Debati-me entre a vergonha de revelar a infâmia, que sobreviveu à ditadura, e a injustiça de a ocultar.

Timor e a Austrália

O major Alfredo Reinado, o líder dos militares rebeldes timorenses, entregou esta sexta-feira a arma e os respectivos nove carregadores, em Maubisse.

O militar sedicioso, defensor dos interesses australianos, entregou a arma ao exército australiano que não controlou a violência nas ruas mas protegeu este seu aliado.

quinta-feira, junho 15, 2006

Manuel Alegre e a co-incineração


Manuel Alegre contrariou ontem o sentido de voto da bancada socialista em relação à co-incineração. Não se lhe pode negar coerência pessoal, apenas criticar a quebra da disciplina partidária.

Não havia um problema de consciência, apenas a presunção sobre a melhor forma de eliminação térmica dos resíduos industriais. Pior seria se, por bairrismo, se opusesse ao interesse nacional ou tivesse um projecto político pessoal, que não se adivinha.

Não é, pois, a posição política que lhe censuro, é a quebra de solidariedade para com o Governo e os órgãos do PS, a que pertence, e o precedente que, generalizado, tornaria o País ingovernável.

A disciplina partidária e a estabilidade política excluem actos de rebeldia e de exibição pessoal. Há regras a que os grupos parlamentares se comprometem.

Acrescentar à crise económica, que tem sido atacada com coragem, uma crise política de que só pode sair-se com eleições antecipadas e a entrega do poder à direita, que nem sequer está apta para o assumir, é um acto pouco conforme com a ética parlamentar.

Por tudo isto discordo da posição de Manuel Alegre. Nada acrescentou aos relevantes serviços que já prestou a Portugal e à liberdade e comprometeu, com o voto solitário, a solidariedade que um deputado deve à sua bancada e aos órgãos partidários que integra.

Apostila – No último Orçamento de Estado, alguns dos mais prestigiados dirigentes do PSD entendiam que o grupo parlamentar não devia votar contra, mas submeteram-se – e bem – à disciplina partidária.

quarta-feira, junho 14, 2006

Vale mais prevenir...

Retaliação conjugal?

«Os deputados são preguiçosos, incultos e eleitos de forma errada». (Maria Filomena Mónica, Os Outros – Visão, hoje.

Não sei se MFM generaliza e amplia os defeitos de António Barreto – provinciano, ressabiado e conservador –, mas não inculto.

MFM esquece uma plêiade de homens e mulheres que são deputados e pessoas de enorme cultura.

Para referir apenas o espectro político que o casal tem vergonha de assumir como seu, lembro-lhe dois notáveis homens de cultura: Pacheco Pereira e Duarte Lima e recordo a saudosa Natália Correia.

Um deputado de grande dignidade


O euro-deputado Carlos Coelho, eleito pelo PSD, tem investigado e denunciado os voos ilegais dos EUA, com prisioneiros a bordo, a sobrevoar o espaço da União Europeia.

O destino provável dos prisioneiros, para países onde os espera a tortura e a ausência de quaisquer direitos, é uma ofensa aos princípios civilizacionais da Europa, que Carlos Coelho honradamente vigia e alguns governos vergonhosamente silenciam.

A preocupação cívica e política, constante e reiterada, do euro-deputado honra Portugal e o partido que o elegeu – o PSD.

terça-feira, junho 13, 2006

Austrália em Timor












Enviado especial da ONU critica análise australiana.

Prevê-se que o Conselho de Segurança da ONU rejeite hoje, em Nova York, as teses da Austrália sobre Timor, teses que pretendem abrir caminho para que o jovem País possa transformar-se em protectorado seu.

A confirmar-se, será uma vitória da diplomacia portuguesa e, sobretudo, a salvaguarda da capacidade de decisão do povo maubere, impedindo que os militares australianos em Timor se mantenham como força de ocupação.

A pitonisa de Delfos

O presidente da República diz que as divergências entre o Governo e agricultores já duram há demasiado tempo e quer entendimento entre ministro e agricultores (leia-se CAP).

As declarações foram feitas na feira de Santarém, uma feira que guarda memórias de muitos presidentes.

Falta esclarecer, neste diálogo, entre lobos e cordeiros, de que lado está o PR.

Sabemos de que lado esteve quando foi primeiro-ministro.

Espaço dos leitores


(Ponte Europa/Pitecos - Zédalmeida)

Os EUA e a democracia


Não está em causa a Constituição dos EUA que honra a liberdade e acolhe os mais belos princípios democráticos.

Não se duvida dos princípios morais que a maioria do povo americano perfilha nem da generosidade de que dá provas a socorrer povos que as tragédias naturais atingem.

Duvida-se, com razão, do extremista que dirige a Casa Branca, do Governador que mais sentenças de morte assinou, do presidente que mais vezes atropelou a verdade, o direito e a razão, invocando a cada momento o nome de Deus e solicitando orações.

Três prisioneiros de Guantánamo suicidaram-se (ou suicidaram-nos). A sinistra prisão, mantida à margem do direito internacional, sem respeito pelos mais elementares direitos humanos, converteu esse inferno num símbolo de horror e vergonha da civilização.

Os suicídios não atingem apenas os EUA mas todas as democracias cuja superioridade moral devia ser exemplo para os povos submetidos ao fascismo islâmico. Perde-se, com o comportamento do evangelista Bush, a razão que assiste às democracias na defesa dos seus valores e modo de vida.

Um presidente – o mais poderoso do mundo –, que defende a pena de morte, que pratica a tortura, que pede orações na cruzada (o termo é dele) contra os infiéis, que derruba os ditadores de que não gosta e protege os que lhe agradam, não pode merecer o apoio e a solidariedade dos democratas e defensores dos direitos humanos.

Bush prejudica mais a democracia do que os dementes que querem impor os princípios do Corão. E nós não apreciamos a decapitação, a lapidação, a amputação de membros, a excisão feminina, a discriminação da mulher e a violência clerical.

Bush foi a sorte grande que saiu aos extremistas de todos os quadrantes e a desgraça que se abateu sobre o mundo civilizado.

segunda-feira, junho 12, 2006

Ainda o 10 de Junho. Homenagem a Alcino Monteiro


Não sei se as palavras têm o mesmo significado para todos, mesmo para aqueles que se exprimem com desenvoltura e não são prevaricadores ortográficos ou sintácticos.

Já quanto aos factos, sei de ciência certa que, sendo os mesmos para todos, só alguns os interpretam do mesmo modo.

Para mim, herói é alguém abnegado, ao serviço de uma boa causa, com final vitorioso.

Na Alemanha nazi houve militares de grande coragem, enorme abnegação e inexcedível desprendimento pessoal, alguns, mesmo com recta formação moral. Traiu-os a ignóbil causa, mancharam-nos os crimes cometidos por alguns e desonrou-os o anti-semitismo.

É por isso que não há monumentos que os recordem. Discursos que os evoquem, missas que lhes sufraguem a alma ou paradas militares em sua honra. Não houve heróis, apenas vítimas.

Há quem, de cabelo rapado e suástica no coração, porque na Alemanha a tatuagem da cruz é inaceitável, vá à missa por alma de Hitler, faça a saudação nazi e mate um ou outro cidadão cuja cor de pele lhe desagrade. A polícia e os tribunais cumprem o seu dever.

Não sei a que propósito me lembrei da Alemanha.

Em 10 de Junho de 1995 foi assassinado em Lisboa Alcino Monteiro, um português mulato, cruelmente espancado, até à morte, por um bando de facínoras. Eram nazis os criminosos que o abateram. Há 11 anos.

domingo, junho 11, 2006

FA: 129 pilotos receberam subsídio de voo sem terem pilotado


«Pelo menos 129 pilotos-aviadores da Força Aérea receberam suplementos mensais de risco de voo no último semestre de 2005 sem terem voado qualquer hora, o que terá custado à instituição 687 mil euros, noticiou hoje o Correio da Manhã.

Da lista de pilotos-aviadores que receberam o subsídio de risco sem ter voado conta-se o Chefe de Estado Maior da Força Aérea, general Taveira Martins, 12 tenentes-generais, 14 majores-generais, 37 coronéis, 40 tenentes-coronéis, sete majores, nove capitães, seis tenentes e três alferes».

Fonte: Diário Digital / Lusa 08-06-2006

Comentário: A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) não andou anos a receber subsídios enquanto a agricultura desapareceu?

Parada militar no 10 de Junho

Foi a primeira vez, em democracia, que as celebrações da data trouxeram o regresso de um desfile militar, a que o Comandante Supremo passou revista.

O espectáculo de ontem será repetido nos próximos quatro anos.

Semanário Sol

José António Saraiva, director do semanário Sol, confirmou que Marcelo Rebelo de Sousa vai integrar a equipa de colunistas do novo título, que sai para as bancas a 16 de Setembro.

Com a proximação do Outono, será Sol de pouca dura.

sábado, junho 10, 2006

O patriotismo mora ao lado

O patriotismo de que me orgulho é a paz e a liberdade que se respira em democracia e o progresso que se almeja na solidariedade entre portugueses.

A Pátria que amo é o território que temos e as pessoas que são, muitas dispersas pelos quatro cantos do mundo. Não é a nostalgia de um passado de vergonha com Américo Tomás sob os holofotes no Dia da Raça, o colonialismo e o massacre de Wiriamu.

Portugal é a pátria resgatada do opróbrio pelo 25 de Abril, não é o império evocado por nostálgicos junto ao Mosteiro dos Jerónimos, no dia 10 de Junho, onde discursam os que calam ou não sentiram as feridas da ditadura.

A Pátria é o idioma e a identidade que liga Gil Vicente e Saramago, que se revê em António Vieira e Fernando Pessoa, que se orgulha de Machado Santos, na Rotunda e de Salgueiro Maia, no Largo do Carmo.

Não é, nem pode ser, o espaço que ligou Peniche ao Tarrafal, o Aljube ao Campo de S. Nicolau, a R. António Maria Cardoso a Caxias.

Somos um povo solidário que nos orgulhamos dos que chegaram à Índia e ao Brasil, mas execramos os que fizeram a matança dos judeus, em Lisboa, há quinhentos anos, os que exterminaram os índios e os que colaboraram com a Inquisição ou com a PIDE.

A minha Pátria vive no coração dos que amam Portugal e não dos que choram a pátria que era doutros. Vive nos dez cantos d’«Os Lusíadas» e não de quem exuma a memória de Camões para justificar 13 anos de guerra colonial.

Ao discurso do 10 de Junho do presidente de um Banco que cilicia o corpo para salvar a alma, prefiro a poesia de Ary dos Santos ou um só verso de Alexandre O'Neill.

sexta-feira, junho 09, 2006

Entrevista eloquente

O padre Acílio Fernandes, condenado por maus-tratos a crianças e inibido judicialmente de exercer funções de natureza disciplinar na Casa de Setúbal, por sentença transitada em julgado, mudou-se para a Casa de Paço de Sousa (Penafiel) e foi promovido a responsável máximo das Casas do Gaiato.

Ontem, enquanto desmentia à agência Lusa os maus-tratos da instituição, deu uma bofetada a um menino de cinco anos que teimava em aproximar-se do local onde desmentia os maus-tratos à agência Lusa.

Quem agride para educar, educa para agredir.

Al-Qaeda

A morte de Abu Mussab al-Zarqawi, número dois da rede de Ben Laden, é uma magra vitória para os EUA, que não conseguem pôr termo à onda de atentados, sequestros e assassínios que semeiam o caos e o terror no Iraque.

Apenas no Paraíso haverá alegria para 70 virgens reservadas para cada terrorista que morra na guerra santa contra os infiéis, no caso de Zarqawi, xiitas incluídos.

quinta-feira, junho 08, 2006

O 10 de Junho e a memória

Quem sofreu a guerra colonial, sem a companhia da amantíssima esposa, quem passou todo o tempo em zona de perigo, com raiva, medo e frustração, dificilmente compreende que as Forças Armadas que libertaram Portugal em 25 de Abril de 1974 possam ser associada ao 10 de Junho.

Apesar de ser essa a alegada vontade do Presidente da República, é uma mágoa que fica e uma ofensa que certamente Sua Excelência não previu.

Em termos militares o 10 de Junho foi para muitos a comemoração do 28 de Maio a que o ditador Salazar não se atreveu no dia próprio.

Carlos Esperança

Timor – Incidente Portugal/Austrália

De um lado uma pequena força de paz, solidária com as autoridades legítimas do povo de Timor; do outro, um exército de ocupação protector de militares insurrectos e dos negócios do petróleo.

Golias contra David.

Valha-nos a dignidade do Governo português que recusou obediência às tropas australianas.

Carlos Esperança

quarta-feira, junho 07, 2006

O fecho de maternidades e o humor


O encerramento de algumas maternidades é uma decisão que suscita a unanimidade dos técnicos e a fúria das populações, acicatadas pelos autarcas, bairrismo e alguns partidos políticos.

A segurança, que apenas os centros bem apetrechados garantem, é motivo suficiente para justificar a medida, que junta à melhoria da saúde materna uma economia de meios de que o país carece.

Algumas dessas maternidades não dispunham de um único pediatra especializado em neonatologia nem de anestesiologista em permanência.

Só a paixão partidária ou o bairrismo podem contestar o acerto destas medidas, ao contrário de outras que parecem um ataque ao S.N.S. e que merecem, essas sim, a vigilância e oposição dos portugueses.

terça-feira, junho 06, 2006

... Outra no cravo



Um dia, uma criança pôs um cravo vermelho no cano de uma espingarda. As armas não disparam e a fotografia ficou como símbolo da Revolução que trouxe a liberdade, a paz e a democracia a um povo. Abril era mês e 25 o dia, em 1974.

Trinta e dois anos depois, um Presidente da República que exonerou da lapela o cravo que simboliza a Revolução a que deve a honra do cargo, pergunta pela criança e convida o homem que é agora para um encontro no próximo dia 10 de Junho.

O convite ao cidadão que foi a criança feita ícone do 25 de Abril talvez não merecesse o 10 Junho, o dia que em que a ditadura exaltava o colonialismo e a impunha comendas a título póstumo, aos estropiados da guerra e aos cúmplices.

O 5 de Outubro, por exemplo, ou o 25 de Abril, em especial, seriam mais adequados ao convite. Para os que viveram a euforia de Abril evitava-se a ofensa e preservava-se o valor simbólico.


Ainda bem que o dia 28 de Maio já foi.

segunda-feira, junho 05, 2006

Uma boa justificação para uma má decisão


O veto de Cavaco Silva à lei da paridade, cuja legitimidade não está em causa, é uma derrota política para o PS e BE e uma pequena vitória para o PSD/CDS cuja companhia não permite ao PCP grande euforia.

Pior do que os ganhos e perdas na mercearia partidária é a perpetuação da exclusão das mulheres da cena política portuguesa, com as excepções que servem de alibi aos adversários da referida lei.

São naturais as divergências entre dois órgão da soberania, com igual legitimidade, de origem política diferente. Aliás, o PR só discordou das sanções. É aqui que cabe ao PS fazer os acertos necessários, de acordo com as razões do veto do P. R., e apresentar de novo a lei, sem a desvirtuar.

Vale a pena ter em conta a previdente observação de Vital Moreira no «Causa Nossa»:

Sucede, porém, que as sanções têm de ser suficientemente pesadas para dissuadirem efectivamente os partidos de as ignorarem, sob pena de assistirmos à situação francesa, em que a lei da paridade é ridicularizada pela sua generalizada violação, a troco do pagamento de multas pouco significativas. Pior do que não haver lei, seria uma lei "sem dentes".

A Europa exige coesão



A deliquescência do poder americano acompanha o colapso moral a que o presidente Bush conduziu a política externa.

A mentira e o espírito de cruzada que estiveram na origem do infeliz e criminoso ataque ao Iraque irritaram a opinião pública mundial, agravada com o desprezo reiterado pelos direitos humanos.

Guantánamo é uma nódoa indelével na alegada superioridade da civilização cristã e ocidental; as sevícias aos presos em Abu Ghraib rivalizam com a brutalidade demente dos talibãs; o assassínio premeditado de civis iraquianos em Haditha é a crueldade que faltava para cobrir de opróbrio a actual administração dos EUA.

É urgente uma força dissuasória que trave a barbárie que grassa em numerosas regiões do globo, que contenha o fanatismo religioso, as rivalidades étnicas e o nacionalismo, que é uma manifestação tribal de base geográfica alargada.

É preciso que o tempo remova George W. Bush e o seu satélite que preside à Comissão Europeia (lamento que seja meu compatriota) e que Al Gore ou Hillary Clinton, por exemplo, devolvam à Casa Branca alguma decência delapidada por um presidente com vocação para pastor evangélico exaltado.

Na Europa precisamos de um novo Jacques Delors, com passado irrepreensível e visão de futuro, que acautele o nosso espaço civilizacional, tolerante e multicultural, sem fundamentalismos autóctones ou imigrados.

Os EUA e a Europa podem e devem ser guardiões da Declaração Universal dos Direitos do Homem sem cedências nem tergiversações e, pelo menos no seu espaço, exigir o seu respeito.

Não há civilizações superiores mas há seguramente quem respeite os direitos humanos e quem os atropele, quem respeite a igualdade entre os sexos e quem discrimine um deles, quem respeite a liberdade religiosa e quem queira impor a sua fé.