quinta-feira, agosto 31, 2006

Notas soltas - Agosto/2006

Cuba – A bravura de Fidel e as vitórias no campo da saúde, cultura e instrução não se apagam, mas ao último herói de uma utopia frustrada, manchada pelos atropelos à liberdade e perseguições políticas, não o absolverá a História.

Médio Oriente – O Irão continua controlado por um demente fanático, agora revigorado pelo ódio crescente a Israel e aos EUA, visto como vingador das humilhações e do atraso provocados pela fracassada civilização árabe.

PSD – O silêncio perante o comportamento rasteiro e boçal do líder da Madeira delapida o prestígio de Marques Mendes, adquirido nas eleições autárquicas, ao vetar candidatos pouco recomendáveis, e fere também o primeiro-ministro e o próprio PR.

CDS – Os militantes hesitam entre o líder actual que preserva a herança de quem deu uma oportunidade aos salazaristas para se converterem à democracia e um outro que lhes facilite a reconversão ao salazarismo.

Jaime Silva – A Provedoria de Justiça deu-lhe razão ao mandar arquivar a reclamação contra o indeferimento das candidaturas às medidas agro-ambientais de 2005. Com este ministro a CAP ainda acaba a dedicar-se à agricultura.

Scotland Yard – A prisão dos criminosos e a prevenção de mais um cruel ataque terrorista, perpetrado pelo fanatismo religioso, foram mérito da polícia inglesa que evitou uma nova tragédia.

Incêndios – A catástrofe, que todos os anos se repete, não é apenas filha de mão criminosa, é fruto da nossa incúria, a ingenuidade de quem pensa poder apagar os fogos que devia prevenir.

Toronto – Foi revelado na 16.ª Conferência Mundial que, só em 2005, a SIDA matou 2,8 milhões de pessoas e provocou mais 4,1 milhões de novos contágios. O uso do preservativo é o único meio eficaz para evitar o contágio sexual.

Israel – O cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah não é o princípio da paz porque a guerra não é entre Israel e o Líbano, é entre o sionismo judaico-cristão que não tolera a Palestina e o fascismo islâmico que pretende erradicar Israel.

EUA – A guerra civil no Iraque, de média densidade e danos brutais, e o reforço do Hezbollah são derrotas da administração Bush e de Israel que prenunciam uma guerra mundial com data incerta e efeitos aterradores.

Açores – O 10.º círculo eleitoral, mais cinco deputados na Assembleia Regional, melhorou a proporcionalidade eleitoral mas o número de 57 deputados é um exagero que a unificação num único círculo eleitoral deveria reduzir para um terço.

Madeira – O mesmo critério dos Açores é válido para a Madeira onde o exagero de pessoal político não tem paralelo no Continente. Não há racionalidade económica ou necessidade administrativa que justifique a dimensão faraónica dos órgãos regionais.

Escutas telefónicas – Uma juíza federal ordenou o fim das escutas ilegais que o presidente dos EUA aprovou. Em Portugal um juiz autorizou escutas ao presidente da República sem que o PGR esclareça como, quando e quem as consentiu.

PGR – O PSD exigiu que o próximo nome fosse acertado entre os dois maiores partidos, tal como aconteceu com o actual, com consequências funestas para o segredo de justiça e danos irreparáveis no prestígio do titular. E insiste.

Festa do Pontal – O tónico do PSD para o início de cada novo ano político converteu-se, após o interregno, num arraial pífio, de sólidos rancores e escaramuças tribais, de que o próprio líder se desviou.

Espanha – Foi removida da Academia Militar de Saragoça a estátua de Franco e o seu cavalo, análogos na majestade e inteligência. Mais um Franco, que fuzilou 50 mil espanhóis após o fim da guerra, vai apanhar pó numa arrecadação.

Rússia – Os interesses militares, económicos, energéticos e geo-estratégicos são o grande obstáculo para uma resposta concertada ao perigo iraniano. É um enigma o seu alinhamento em caso de conflagração que parece adivinhar-se.

Timor – A demissão do Governo chefiado por Alkatiri, incitada pelo episcopado e pela Austrália, não trouxe qualquer solução e parece ter agravado todos os problemas.

Comenda – Se o Sr. Duarte Pio fosse imputável, a atribuição da imaginada Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa aos jogadores, cozinheiro, fotógrafo e massagistas da selecção nacional de futebol, constituiria insulto à República.

PCP – Trinta anos de organização impecável fizeram da Festa do Avante uma referência cultural, manifestação de alegria e bom gosto, sem rival no espectro político português. Faço votos para que o sucesso se repita nas próximas três décadas.

Grandes conspirações da História


A morte prematura de João Paulo I

(…)

«Nesse mesmo dia teve lugar um acontecimento que deveria ter alertado o Papa a respeito da sua segurança pessoal. O Papa recebeu uma das maiores autoridades ortodoxas, o metropolita Nicodemo de Leninegrado. Os dois homens sentaram-se tranquilamente a beber café, mas assim que deu o primeiro golo o russo caiu ao chão e morreu quase instantanea- mente. O resultado oficial foi enfarte, embora fosse um homem relativamente jovem, de 49 anos, e segundo todos os indícios bastante saudável.»

(…)

Grandes conspirações da História - DN, 30-o8-206

Grandes conspirações da História - DN, 31-08-2006

Prestígio da ONU em causa

AIEA confirma hoje que o Irão desafia a ONU


«O Irão não cumpriu a determinação da ONU para suspender a actividade de enriquecimento de urânio, antes a intensificou, deverá confirmar o relatório que Mohammed ElBaradei, director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), apresentará hoje em Viena».
Aconteceu o que se esperava. E agora?

quarta-feira, agosto 30, 2006

Último Independente sai sexta-feira


Último Independente sai sexta-feira

*
Depois de amanhã, sexta-feira, o semanário que nasceu para destruir Cavaco Silva, como primeiro-ministro, desaparece com ele Presidente da República.

O Independente nasceu pujante, na sarjeta, e acaba exaurido no pântano.

É pena que o sumiço se integre na crise geral da imprensa escrita cada vez mais reduzida a um estreito leque ideológico e interesses alheios à informação.

Nota: Ponte Europa manifesta a sua solidariedade aos jornalistas e restantes trabalhadores.

Olha a novidade!!! (2)


Timor: Director das prisões critica forças internacionais

«Há cerca de uma semana que nós e o senhor ministro da Justiça temos vindo a pedir às forças australianas para colocarem segurança em volta da cadeia, mas até hoje o nosso pedido não tinha sido atendido», disse Manuel Exposto à agência Lusa.

A partir de agora fica mais insegura a sitiação, em Timor, e aumentam os riscos da GNR.

Olha a novidade!!!

Timor-Leste: 57 reclusos em fuga, 16 ex-militares no grupo

«O major Alfredo Reinado fugiu hoje da cadeia de Becora, em Díli, juntamente com outro 56 reclusos, incluindo 16 ex-membros das forças armadas timorenses e cinco condenados por homicídio, disse à Agência Lusa fonte oficial».

Não podendo absolver-se os inocentes, soltam-se os culpados.

Bush reza e recorda vítimas do furacão Katrina

O presidente norte-americano rezou esta terça-feira em Nova Orleães (Luisiana, sul) pelas centenas de vítimas do furacão Katrina que devastou há um ano uma das cidades mais vibrantes dos Estados Unidos e marcou para sempre a sua presidência.

George W. Bush e a mulher, Laura, ajoelharam-se na catedral de Saint-Louis às 09:38 locais, no preciso momento, onde um ano antes, os diques cediam sob as águas que iam submergir 80% da capital internacional do jazz.

NOTA: Bush podia lembrar nas suas orações as vítimas que a sua imprudência, má fé e espírito de cruzada provocam diariamente no Iraque.

E convidar, para rezar, Blair, Berlusconi, Aznar e Durão Barroso, cúmplices da cobarde agressão ao Iraque.

terça-feira, agosto 29, 2006

Si non è vero, è bene trovato.


Assunto: FRASES DO BUSH

"Eu gostaria de ter estudado latim, assim poderia comunicar melhor com o povo da América Latina.
"(Durante a visita de Lula) George W. Bush"

A grande maioria de nossas importações vem de fora do país.
" (!!!!)George W. Bush"

Se não tivermos sucesso, corremos o risco de fracassarmos.
"George W. Bush"

O Holocausto foi um período obsceno na História da nossa nação. Quero dizer, na História deste século. Mas todos vivemos neste século. Eu não vivi nesse século.
" (Ai...)George W. Bush, 15/09/95"

Uma única palavra resume provavelmente a responsabilidade de qualquer governante. E essa palavra é estar preparado'".
George W. Bush, 06/12/93"

Eu tenho feito bons julgamentos no passado. Eu tenho feito bons julgamentos no futuro.
" George W. Bush"

Eu não sou parte do problema. Eu sou Republicano.
" George W. Bush"

O futuro será melhor amanhã."
George W. Bush"

Nós vamos ter o povo americano melhor educado do mundo".
George W. Bush, 11/09/97"

Nós temos um firme compromisso com a OTAN. Nós fazemos parte da OTAN. Nós temos um firme compromisso com a Europa. Nós fazemos parte da Europa.
"George W. Bush"

Um número baixo de votantes é uma indicação de que menos pessoas estão a votar.
" George W. Bush"

Nós estamos preparados para qualquer imprevisto que possa ocorrer ou não.
" George W. Bush, 22/09/97"

Para a NASA, o espaço ainda é alta prioridade.
" George W. Bush"

O povo americano não quer saber de nenhuma declaração errada que George Bush possa fazer ou não.
" George W. Bush"

Não é a poluição que está prejudicando o meio-ambiente. São as impurezas no ar e na água que fazem isso."
George W. Bush"

Eu mantenho todas as declarações erradas que fiz.
" George W. Bush"

É tempo para a raça humana entrar no sistema solar.
" George W. Bush"

Laicidade e tolerância


É interessante verificar que os muçulmanos franceses são mais tolerantes do que os seus vizinhos europeus e que em muito maior número consideram a identidade nacional mais importante do que a religião.

Segundo a sondagem, de acordo com o «Le Monde», em França 78% dos muçulmanos pensam que a sua comunidade deseja adoptar as tradições francesas enquanto apenas 41% em Inglaterra e 30% na Alemanha acreditam no desejo de integração.

Após a polémica da proibição do véu islâmico nas escolas públicas e as críticas à França (com a única Constituição europeia que expressamente impõe a laicidade) morrem os argumentos que tinham por objectivo aumentar a influência política das religiões.

Uma vez mais se digladiam duas concepções antagónicas, a defesa do comunitarismo e a supremacia da cidadania.

Não se pode combater a segregação mantendo-a e acabar com o «multiculturalismo» político mantendo o multiconfessionalismo do sistema educativo.

Como escrevia, há dias, Ricardo Alves, dirigente da Associação República e Laicidade

«Enquanto o sistema escolar britânico não deixar de ser baseado em escolas segregadas religiosamente, problemas como o da Irlanda do Norte ou do 7 de Julho de 2005 não serão de resolução ou prevenção fácil».

Os factos acabam por desmentir a presunção.

segunda-feira, agosto 28, 2006

Uma provocação gratuita


Os enfermeiros do Centro de Saúde de Matosinhos iniciam segunda-feira uma greve por tempo indeterminado ao uso da farda amarela que lhes foi "imposta unilateralmente".

Os dirigentes cuja imaginação e vontade de melhorar a prestação de cuidados de saúde se traduziu na imposição de batas de cor diferente aos enfermeiros só têm um caminho a seguir – apresentar a demissão das funções.

Há indivíduo/as que, à falta de soluções, apenas servem para criar problemas.

Condecorações a brincar

O Sr. Duarte Pio condecora a selecção de futebol

O Sr. Duarte Pio, alegado descendente do ramo miguelista da família de Bragança, a facção trauliteira que pôs o País a ferro e fogo na defesa do absolutismo monárquico, diz-se aspirante ao trono de Portugal, seja lá isso o que for, sendo certo que não existe.

As revistas cor-de-rosa e outras publicações de idêntico nível fizeram do Sr. Duarte Pio, nascido no estrangeiro, o lídimo descendente da extinta realeza cujos genes o fazem remontar ao faraó Ramsés I (séc. XIV a. C.).

Não é, todavia, o destino de múmia que aqui e agora interessa.

O Sr. Duarte Pio, se os testes de ADN o confirmarem, é descendente de um traidor que, depois de restaurar o absolutismo e ensanguentar o País, foi obrigado a renunciar em Evoramonte a qualquer pretensão, para si e seus descendentes, ao trono de Portugal, antes da queda da monarquia e posterior extinção com a morte de D. Manuel II.

Não é a pouco recomendável matriz genética que está em causa, é a encenação pífia de quem se julga o que não é, com direitos que não existem e se comporta como se o País fosse outro. E, pior, há quem o leve a sério.

Na próxima quarta-feira o Sr. Duarte vai ao hotel Amazónia, no Jamor, tornar cavaleiros 47 elementos que integraram a selecção nacional de futebol, não esquecendo, além dos jogadores, o fotógrafo e o cozinheiro, com a Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. E eles aceitam!

Os próximos cavaleiros podem ser os nadadores salvadores agraciados com a Ordem dos Calceteiros Marítimos.

domingo, agosto 27, 2006

MINISTRA BRITÂNICA DEFENDE ESCOLAS RELIGIOSAS

A ministra britânica para as Comunidades, Ruth Kelly, defendeu, em Londres, o papel das escolas religiosas, perante acusações de fomentarem a segregação entre pessoas de diferentes credos religiosos.

A Europa secularizada e democrática esquece as lutas que travou e o sangue que verteu na defesa da liberdade para ceder a pressões e capitular perante o proselitismo religioso, através de líderes que se vendem por um punhado de votos.

Na Inglaterra, a ministra Ruth Kelly, membro do Opus Dei, nomeada por Blair, que gosta de afirmar publicamente a sua religiosidade, e, quiçá, convertido ao catolicismo, defende as escolas religiosas face à escola pública, uma forma de entregar crianças ao proselitismo dos credos que se digladiam e buscam a hegemonia no mundo globalizado.

Às escolas protestantes e católicas juntam-se agora as islâmicas, sikhs e hinduístas. A fanatização de crianças fica ao alcance de clérigos que orientam ideologicamente a formação e substituem os professores que educam para a cidadania.

Neste retrocesso histórico e civilizacional, no atropelo à escola pública e no desprezo pela laicidade germina a semente do ódio e da competição religiosa.

Quando os líderes doS Estados laicos abdicam do papel de árbitros e se conluiam com os chefes religiosos lavram campos onde semeiam ódio, cultivam rivalidades étnicas e colhem sentimentos comunitaristas em detrimento da cidadania.

A cobardia de alguns dirigentes políticos põe em perigo a liberdade, mina os alicerces da democracia e abre caminho para regimes teocráticos que fomentam a intolerância, o terror e a guerra.

sábado, agosto 26, 2006

Reforma compulsiva - um benefício vergonhoso


«A maior parte dos «reformados» são funcionários com mais de 60 anos e 36 de serviço, que teriam de esperar até aos 65 anos para se poderem reformar com direito a cem por cento do vencimento. Se fossem reformados compulsivamente recebiam automaticamente a reforma toda. «E a câmara deixava de ter de pagar mais um ordenado», explica ao EXPRESSO fonte judicial». – Excerto do EXPRESSO, hoje.

Convento de Jesus - Setúbal

Independentemente da análise do caso de Setúbal, ou outros, e das eventuais consequências criminais, é injusto que uma «aposentação compulsiva» produza benefícios acrescidos.

Tratando-se de uma sanção, justo seria que houvesse lugar a penalização, sobretudo num Estado de direito, onde o contraditório pode exercer-se em fase de inquérito e julgamento.

Era mais justa a lei que vigorava no tempo do fascismo, sem cuidar aqui do poder discricionário e das perseguições políticas que levavam à sua aplicação e a desvirtuavam.


Uma aposentação compulsiva tinha como consequência a redução em 50% do valor da reforma a que tivesse direito, se houvesse tempo de serviço mínimo que consentisse a reforma.

Tribunal constitucional - acórdão às contas de 2003

Treze partidos multados

- PS: 64,188 euros
- PSD: 64,901 euros
- CDS-PP: 65,614 euros
- PDA: 36,560 euros
- PCP: 14,264 euros
- MPT: 14,264 euros
- PND: 8915 euros
- BE: 5349 euros
- Política XXI: 5349 euros
- PPM: 5349 euros
- PNR: 5349 euros
- PH: 5349 euros
- PCTP/MRPP: 4279 euros
TOTAL: 299,730 euros
Fonte: 2006-08-25 – CORREIO DA MANHÃ

sexta-feira, agosto 25, 2006

Espaço dos leitores

Câmara Municipal de Coimbra (2)

Nem tudo o que Carlos Encarnação faz é mal feito.

Deve-se-lhe o afastamento de Pina Prata.

Em compensação, o afastamento de Teresa Violante e Nuno Freitas deixaram-no mais isolado.

A criação de Empresas Municipais, sem necessidade, com largos encargos para os munícipes (basta comparar as facturas da água, antes e depois) deixa no ar a suspeita de se tratar de um expediente para albergar «boys and girls».

Câmara Municipal de Coimbra

Quando um presidente se farta das funções, se algum dia as estimou, vêm à memória os sonhos de criança:

Ele queria ser polícia de trânsito.

A Câmara de Setúbal

quinta-feira, agosto 24, 2006

Verdadeiro milagre

«Um homem de 47 anos que não podia mover-se por ter a cabeça do fémur necrosada vai poder voltar a andar, dentro de três meses, após uma operação efectuada no Hospital San Carlos de Múrcia, em Espanha. Os médicos reconstruíram os ossos com células estaminais retiradas da pélvis do doente». Fonte: EM FOCO - VISÃO, hoje, pág. 24.

Depois deste milagre que poderemos pensar dos guardiães da moral que se opõem a qualquer investigação com células estaminais?

Os voos da CIA


Ana Gomes

Entre os interesses de Estado e os Direitos Humanos manda a ética republicana que sejam defendidos os segundos.

Ana Gomes, PS, e Carlos Coelho, PSD, merecem o respeito e consideração de todos os que amam a liberdade e defendem o Estado de Direito, pelo empenho na investigação das operações ilegais da CIA.

Encobrir voos secretos, que podem ter estado na origem da violação dos Direitos Humanos, é uma cumplicidade que os países democráticos não podem consentir.

Obrigatório ser casto

Ponte Europa/Pitecos - Zédalmeida

Vasco Graça Moura


Vasco Graça Moura (VGM), apesar de defensor da pena de morte, não é um troglodita e a linguagem, digna do mais rancoroso rural, não faz dele inimputável.

Debita adjectivos como balem as ovelhas ou palram os papagaios, com a facilidade do mais erudito dos almocreves e o acinte do mais primário e boçal ferrador de solípedes.

VGM, na sanha contra a esquerda pós-soviética, onde inclui toda a esquerda, revela-se o mais genuíno dos paladinos da direita pós-fascista.

O defensor de todos os líderes do PSD, e carrasco dos simpatizantes de qualquer outro partido, denomina «patéticas deslocações do sr. Solana» os esforços de paz do ilustre espanhol ao serviço da União Europeia e denomina a política diplomática de Espanha de «progressismo alvar do sr. Zapatero». Deve ser trauma anti-castelhano.

O Governo italiano, depois de ter perdido o notável cançonetista Berlusconi e o pio Roco Butiglioni, passou a ser a «periclitante salada de esquerda do sr. Prodi».

Só não esperava que o último almocreve do cavaquismo começasse a prosa da quarta-feira, no DN, com a afirmação «A ONU não presta para nada», conceito que Salazar e os esbirros de serviço repetiram à exaustão até ao momento em que uma cadeira nos aliviou do homem que a providência nos enviara, segundo os Graças Mouras desse tempo.

Já quanto à empolgada fixação em Bush e Blair, deve ser a inteligência do primeiro e a canina devoção do segundo que seduzem o homem que um dia foi ajudante de ministro.

Depois, mesmo que palre alguma coisa acertada ou crocite uma evidência, é difícil que alguém o possa levar a sério. É a versão erudita de Alberto João Jardim.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Co-incineração

Finalmente...

Poder autárquico

Setúbal é a regra ou a excepção?

Já nem o PCP se salva no rigor que era seu apanágio e lhe permitia uma força acrescida nas eleições autárquicas.

Marcelo – comentador em proveito próprio

O comentador do PSD na RTP, com inegáveis dotes de comunicador, é a voz de um social-democrata fazendo o seu caminho, e dificultando o dos adversários, à espera da segunda oportunidade.

Na última homilia discordou da promulgação da lei eleitoral do Açores pelo PR, por falta de consenso com o PSD – crítica feita por Cavaco Silva –, mas que se arriscava a manter o apoio de dois terços dos deputados numa segunda votação.

O PR averbaria uma derrota política inútil e seria obrigado a promulgar a lei de que só o PSD discordou, por más razões. A anterior, contrariando a proporcionalidade, favorecia-o.

A lei é, de facto, injusta mas por razões diversas das invocadas pelo PR e repetidas pelo avençado comentador.

O 10.º círculo eleitoral (mais cinco deputados na Assembleia Regional) melhorou a proporcionalidade mas o número de 57 deputados é um exagero que a unificação num único círculo eleitoral deveria reduzir para um terço.

Esta é a razão, a única razão, que torna a lei má e que ninguém pôs em causa.

O mesmo critério dos Açores é válido para a Madeira onde o exagero de pessoal político não tem paralelo no Continente. Não há, aliás, racionalidade económica ou necessidade administrativa que justifique a dimensão faraónica dos órgãos regionais.

Nenhum partido, nem o Governo, nem o presidente da República, nem a comunicação social, tão solícita a querer reduzir o número de deputados da AR, capaz de eliminar os pequenos partidos, condena as largas dezenas de deputados das Assembleias Regionais dos Açores e Madeira.

terça-feira, agosto 22, 2006

Procurador-geral da República

O PSD exige que o próximo PGR seja acordado entre o PS e o PSD.

Tal como aconteceu com o actual.

Com os resultados que se vêem.

segunda-feira, agosto 21, 2006

GNR atacada em Timor

Militares detiveram quatro jovens. Casas queimadas e carros apedrejados.
*
A posição de cumplicidade dos EUA e do Reino Unido em relação à Austrália, em detrimento da ONU, não ajuda à paz em Timor e, muito menos, à independência do jovem país e instauração da democracia.

França – eleições presidenciais

A França dificilmente será o motor económico da Europa mas pode e deve ser uma referência política como herdeira da Revolução de 1789.

A pátria de Voltaire, que prefere a integração cidadã ao comunitarismo, que tem na sua constituição a laicidade como exigência e foi fonte de cultura, que chegava a Portugal – na linguagem de Eça – no Sud Expresso, prepara-se para dar ao Partido Socialista uma grande vitória e conduzir a primeira mulher à presidência da República.


Ségolène Royal fez ontem um discurso na Festa da rosa, a festa do Partido Socialista, que a revela como uma dos mais fortes candidatos ao Palácio do Eliseu.

Assumindo-se como herdeira espiritual de Miterrand, Ségolène defendeu o património à luz das mudanças que, entretanto, se operaram na Europa e no mundo. O «dever da unidade», a «coragem» e a «necessidade de mudanças profundas» não são apenas slogans mobilizadores, são a forma como ela «concebe o exercício da responsabilidade política e o papel de um chefe de Estado».

Os dados estão lançados.

Uma mulher socialista na presidência da França não é remédio para todos os males mas é um grito de esperança num país que definha sob uma direita que se arrasta sem chama nem glória.

domingo, agosto 20, 2006

A festa do Pontal

A festa do Pontal era um evento que anunciava o reinício do ano político do PSD como as andorinhas prenunciam a Primavera. Era uma demonstração de força, uma espécie de braço de ferro com os socialistas para contar militantes e exibir individualidades.

Ali, no Pontal, estava o partido em transe a aguardar o líder que governava ou o que o havia de levar à vitória. Era a euforia à solta a transbordar afectos de clubismo exaltado.

Hoje, remetido a uma oposição sem chama, a uma desmoralização que as rivalidades étnicas se encarregam de acentuar, a festa do Pontal transformou-se numa romaria de ressentimento onde foi fácil ver os que se apresentaram porque faltaram quase todos.

O PSD é hoje um partido desalentado pelos últimos anos em que foi poder, nostálgico de Cavaco, que não pode andar com ele ao colo, e envergonhado da prestação de Durão Barroso e da desastrosa e arrepiante passagem de Santana Lopes.

Para mal do PSD e da democracia nascem tribos de ressentidos sem gratidão pelo líder que aguentou quase sozinho a travessia do deserto enquanto Guterres foi, no primeiro mandato, o melhor e mais bem sucedido primeiro-ministro de Portugal.

Marques Mendes pretende devolver credibilidade ao PSD mas, na sombra, espreitam os Borges e outras nulidades políticas enquanto Manuela Ferreira Leite aguarda a sua vez se não for tragada pelo populismo de Luís Filipe Menezes.

Por enquanto é Marques Mendes que vai ao leme e engana-se quem o menospreza.

Lech Walesa converte-se ao Islão?

«O antigo presidente polaco Lech Walesa ameaçou na sexta-feira renunciar ao título de cidadão honorário de Gdansk (antiga Danzig alemã) para não compartilhar a distinção com o escritor alemão Günter Grass, que confessou há uma semana ter pertencido às Waffen-SS». DN, hoje, pág. 32

Admite-se que Walesa, por coerência, renuncie ao catolicismo, para não compartilhar a fé com o Papa Rätzinger que igualmente pertenceu às SS, a não ser que a religião seja menos importante para Walesa do que uma condecoração.

sábado, agosto 19, 2006

A NATO deveria estar a bombardear o Líbano

*
Uma entrevista a não perder.
*
Nota: É uma sorte que esteja longe da Europa e uma bênção que tenha sido afastado de Espanha.

Bill Clinton


Faz hoje 60 anos o notável ex-Presidente dos EUA. Como seria diferente o mundo com ele na Presidência.

Ramalho Eanes e Marcelo Caetano

Vi hoje na comunicação social que Ramalho Eanes participou na missa do centenário de Marcelo Caetano.

Talvez os crentes sintam necessidade de sufragar a alma de um ditador. Alguns, porém, por pudor, deviam rezar em casa e, por respeito ao passado, abster-se de uma reverência que os torna indignos das funções que ocuparam.

Ramalho Eanes não foi aluno nem amigo de Marcelo Caetano. Deve ao Movimento das Forças Armadas, que destituiu o ditador, ter-se transformado de obscuro coronel onde passaria à reserva (não era dos melhores alunos do curso da Academia Militar) num respeitado Presidente da República.

Não sei se o Opus Dei obriga os membros e simpatizantes à humilhação pública.

A presença de Eanes na missa de Marcelo Caetano é uma afronta aos que derrubaram o fascismo e aos que alguma vez lhe confiaram o voto.

A Argentina e o aborto


Só nos hospitais da província de Buenos Aires registam-se, em média, 95 abortos diários. Segundo o Centro de Estudos Estado e Sociedade (Cedes) morrem vítimas de aborto clandestino 27,4% das mulheres que a ele recorrem.

A hipocrisia, mais acentuada do que a outras latitudes, ignora o grave problema de saúde pública e só se torna notícia quando o caso assume contornos especiais.

Não interessa o drama diário de milhares de mulheres, destaca-se um drama particular que interpela diversas autoridades que se refugiam na moral e na fé.

Recentemente uma deficiente mental, de 19 anos, com idade mental de 10 anos, violada, viu ser-lhe negado o direito ao aborto, solicitado pelos tutores, num hospital do Estado.

Médicos, juízes e bispos são solidários na luta contra a despenalização do aborto. A irmã da deficiente interrogava-se, desesperada: «não vêem que, com a capacidade mental de 10 anos, ela não compreende que vai ser mãe e terá uma criança»?

Na sexta-feira passada, os nove membros do Supremo Tribunal de Buenos Aires ouviram a jovem deficiente, à porta fechada, antes de proferir a sentença. Tudo indicava que autorizariam o aborto.

Perante tal eventualidade não se fez esperar a reacção colérica do arcebispo de La Plata, Héctor Aguer: «A suposição de que a criança possa nascer com um defeito físico ou psíquico não autoriza a sua eliminação. Ou pensa-se, quiçá, que é possível produzir uma humanidade ideal»?

sexta-feira, agosto 18, 2006

Crime de honra


Em Itália, um piedoso paquistanês, Muhammad Saleem, de 55 anos, foi preso por matar uma filha. A jovem Hina Saleem, de 20 anos, perfeitamente integrada, a trabalhar numa pizzaria, acalentava o sonho de fazer carreira no cinema.

O italiano com quem a jovem vivia, há cinco meses, comunicou o desaparecimento que conduziu ao pai. Um tio e um cunhado estão provavelmente implicados neste nefando «crime de honra».

A família não suportava a união com um homem divorciado e casado segunda vez. Ao ser preso o pai exclamou: «eu não queria que se tornasse uma puta como tantas outras raparigas».

A influência religiosa e os preconceitos sociais da comunidade não hesitam perante o crime, desprezando as leis do País de acolhimento. Cometem-se na Europa imensas transgressões em nome da tradição e à sombra da condescendência com a barbárie.

O pai já tinha prometido a rapariga a um primo, no Paquistão, e a sua desobediência só podia, nos costumes tribais da família, ser punida com a morte, friamente premeditada.

Tenho a convicção de que não há guerra de civilizações, há uma luta entre a civilização e a barbárie, a democracia e a teocracia, a liberdade e a tradição. Há um longo caminho a percorrer para impor o respeito pela Declaração Universal dos Direitos Humanos».

Fonte: LE MONDE 18.08.06 15h58 • Mis à jour le 18.08.06 15h58

Espaço dos leitores

quinta-feira, agosto 17, 2006

Patrulha da GNR atacada em Timor-Leste

«Militares da GNR destacados na capital de Timor-Leste, Díli, foram obrigados a efectuar disparos com balas de borracha para dispersar um grupo de cerca de 30 jovens timorenses que os apedrejou durante uma patrulha».

1 - O honesto cumprimento do dever tem riscos;

2 - O comportamento da GNR tem sido exemplar;

3 - Entre os timorenses aumentam os jovens australianos.

Centenário do nascimento de Marcelo Caetano

Retrato do último Presidente do Conselho da ditadura

A «Ordem Nova» foi a revista fundada, em 1928, por Marcelo Caetano, cujo centenário do nascimento passa hoje, enquanto alguns o celebram.

A Ordem Nova dizia-se «antimoderna, antiliberal, antidemocrática, antiburguesa e antibolchevista: contra-revolucionária, reaccionária, católica, apostólica e romana; monárquica; intolerante e intrasigente; insolidária com escritores, jornalistas e quaisquer profissionais das letras, das artes e da imprensa».

Pior, só alguns avatares que se acoitam nos partidos democráticos ou se exibem sem pudor em grupelhos de índole fascista, xenófoba e racista.

Cavaco promulga lei eleitoral dos Açores


A alteração da lei, com distorções que mereciam correcção por respeito ao princípio da proporcionalidade eleitoral, fez-se da pior maneira e, como sempre, à custa do sacrifício do erário público.

Os círculos eleitorais passaram de 9 (um por cada ilha) para 10, um círculo eleitoral de compensação com 5 deputados. No futuro, a Assembleia Regional dos Açores passará a contar com 57 deputados.

Um único círculo eleitoral asseguraria a proporcionalidade e, atendendo à população e à dimensão territorial, um terço dos deputados seria suficiente para assegurar as funções e manter uma representação política plural.

Aviões da CIA: Sócrates diz não à Europa

«O Governo português não vai fornecer informações ao Parlamento Europeu, que investiga o envolvimento e cumplicidade de Estados-membros da União Europeia em alegadas actividades ilegais da CIA na Europa».

Não é apenas a União Europeia que tem o direito de pedir explicações, é Portugal e os portugueses que têm obrigação de as exigir.

Adenda: 20H45
Diário de Notícias - Lisboa Notícia sobre recusa de informações «falsa», diz ministro

TSF Online - 5 horas atrásPedro Silva Pereira manifestou, pelo contrário, nas declarações que fez em conferência de imprensa no final da reunião de hoje do Conselho de Ministros, disponibilidade do executivo para colaborar com as instâncias europeias. ...

Um intervalo na guerra


O cessar-fogo anunciado entre Israel e o Hezbollah, sob os auspícios da ONU e a mediação da União Europeia não é o fim da guerra e, muito menos, o princípio da paz.

A guerra não é entre Israel e o Líbano, é entre o sionismo judaico-cristão e o terrorismo islâmico teleguiado de Teerão, através da Síria.

De um lado há uma tendência expansionista que não tolera a autonomia da Palestina, do outro a cegueira que pretende a erradicação do Estado de Israel. O terrorismo tem raízes bíblicas que é preciso extirpar.

A Tora e o Corão são certidões da Conservatória do Registo Predial Celeste que atribuiu os mesmos terrenos a dois proprietários distintos. É por isso que terrorismo e resistência se confundem entre fanáticos que acreditam na validade do atestado de posse.

Pela primeira vez, desde a sua existência, Israel não ganhou a guerra. Reduziu o apoio dos países ocidentais e agravou o ódio dos vizinhos islâmicos sem conseguir aniquilar o Hezbollah. O seu futuro começa a ser incerto.

Certa esquerda vê em Israel a face do imperialismo e nas teocracias islâmicas amanhãs que cantam. A direita, nostálgica do colonialismo, olha com arrogância para os árabes e com volúpia para o petróleo e ninguém, nenhum país, ajuda a criar condições para que a separação da Igreja e do Estado permita as mais básicas liberdades aos povos oprimidos pelo Corão.

quarta-feira, agosto 16, 2006

Co-incineração

Após a comunicação social ter referido o silêncio de Carlos Encarnação em relação à necessidade, ou não, de um estudo de impacte ambiental para Souselas, apressou-se o edil a consultar o Provedor do PSD para o Ambiente, Salvador Massano Cardoso.

O antigo deputado do PSD à A. R. foi categórico: «A co-incineração em Souselas exige um estudo prévio de impacte ambiental».

Assim, tudo acaba em bem:

1 – A co-incineração avança;

2 – O presidente da Câmara salva a face, com efeitos retroactivos;

3 – O Provedor do PSD para o Ambiente justifica o lugar.

terça-feira, agosto 15, 2006

Tréguas no Líbano

A Miuzela e o Pinho Redondo


Enquanto o país arde com regularidade e bombeiros se esmeram a preservar os restos da floresta, espécie de lastro que no próximo ano há-de servir para os incêndios que hão-de voltar, recordo a aldeia da minha infância.

Fogos havia-os, às vezes, nas habitações de cuja loja era mister salvar logo os animais, pela falta que faziam e dificuldade de os revezar e, de imediato, as crianças que o dever cristão impunha, ainda que as febres as levassem pois eram poucas as que arribavam nos tempos em que era precária a higiene, inquinada a água e minguada a assistência médica.

Nos campos não havia fogos. Duas léguas em redor nem uma gesta vingava, não crescia um chaparro, nenhuma planta sobrava para a queima inútil dos fogos que hoje devoram o mato, recolhidas por padeiros que não deixavam arrefecer os fornos que coziam trigo para abastecer os mercados e feiras num raio de meia dúzia de léguas ou mais.

Há anos disseram-me que a Miuzela esteve em perigo, que o fogo chegou às casas e entrou pelos caminhos da povoação, como se as casas tivessem mudado de sítio ou a aldeia tivesse acompanhado a sua gente nos caminhos da emigração.

Desse tempo restava o pinho redondo a cuja sombra me acolhia a jogar a bisca de nove ou a sueca, se havia parceiros, em tardes longas de canícula e convívio. A imensa copa era excepção numa terra sem árvores, expulsas pelo cultivo da vinha e o amanho das hortas. Só os freixos delimitavam os lameiros e alguma figueira teimava em sobreviver por entre as fisgas de terra que separava os barrocos.

Este Verão fui à Miuzela, como de costume. O pinho redondo tinha desaparecido do horizonte, quando fiz a curva junto à vinha do Panelo e não o vi ao passar o Espadanal.

Só muito perto vi o tronco de que logo afastei o olhar. Alguém feriu as raízes e, como um veneno que se entranha, secou a árvore que fazia parte da aldeia e da memória.

Primeiro foram as pessoas que amei, agora até a vista do velho pinheiro me roubaram. O pinho redondo era o último elo de uma cadeia de afectos que se vai rompendo, uma silhueta amiga no horizonte sacrificada por um monte de ferro e cimento a caminho de ser casa.

Não vi os ramos frondosos a secar, não assisti aos gemidos do pinho manso no seu estertor. Não senti o gigante tombar, sofri apenas o vazio da memória. Dolorosamente.

segunda-feira, agosto 14, 2006

António Borges ataca de novo


Quando, há anos, o grupo de Pinto Balsemão inventou este economista como alternativa a Durão Barroso, em quem o PSD não acreditava, logo os oportunistas do costume se perfilaram no apoio ao D. Sebastião da manhã de nevoeiro que o ocaso do Governo de Guterres, à falta de maioria, prenunciava.

Então, até o Professor Cavaco surgiu, do silêncio da Travessa do Possolo, para dizer que era uma honra para qualquer partido ter um militante como António Borges.

Cresceu-lhe a fama enquanto a prova da televisão não lhe expôs as fraquezas. Depois foi um fogo-fátuo que rapidamente se apagou.

Aparece agora, a intervalos regulares, a criticar Marques Mendes, apesar da distância que o separa do experiente líder do PSD. Pensa o medíocre político que um brilhante currículo profissional e académico basta para o guindar ao lugar das suas ilusões.

António Borges, um duro liberal, julga-se com capacidade para liderar um Governo. Até à data apenas mostrou ser capaz de prejudicar os líderes do partido a que aderiu tarde.

Luís Delgado e Günter Grass

Luís Delgado (DN de 14/8) execra, e bem, Günter Grass, por ter pertencido às SS, de Himmler, nódoa que mancha a biografia do grande escritor e que o próprio revelou.

Tendo nascido em 16 de Outubro de 1927, Grass tinha 17 anos quando a guerra acabou. O horror do nazismo é, de facto, suficientemente forte para que nem a um adolescente se perdoe a conivência apesar de mais de meio século de combate contra o totalitarismo que o seduziu na juventude.

Felicito Luís Delgado pelo entusiasmo anti-nazi que revela. Bem-vindo à família dos antifascistas e combatentes de todos os totalitarismos.

Só uma dúvida me assalta – ter Luís Delgado sido um indefectível de Durão Barroso cuja longevidade no MRPP foi bem maior e não ter recordado o percurso do alemão Rätzinger (n. 16/4/1927), seis meses mais velho do que G. Grass, e seu contemporâneo nas SS.

domingo, agosto 13, 2006

Tribunal de Recurso de Timor reconhece Congreso da Fretilin


Tribunal de Recurso - Deliberação

TRIBUNAL DE RECURSOMANDADO DE NOTIFICAÇÃO

PROC. — P.P.-Div/2006/01

Requerente: VITOR DA COSTA e Outros

FICA, por este meio notificado, na qualidade de Secretário Geral da FRETILIN, para todo o conteúdo do douto Acordão proferido nestes autos, dos quais faço entregue de cópia.

Em como ficou ciente e recebeu nota legal e cópias, vai comigo assinar.

Díli, 12 de Agosto de 2006

O Notificado:

Ass.

A Oficial de Justiça,

Sílvia Pinto

O CDS em guerra


Os partidos políticos dividem-se quase sempre por interesses pessoais e raramente por divergências ideológicas.

Mas inédito, e absolutamente insólito, é a guerra estalar por questões de comida.

Bastou um almoço de Ribeiro e Castro com Manuel Monteiro e a azia tornou-se insuportável ao estômago dos ausentes.

O grupo parlamentar já só pensa em servir Paulo Portas como sais de fruto.

O atentado falhado de Londres

Nova York, Bali, Madrid e Bombaim são os exemplos mais sangrentos e mediáticos do terrorismo global que afecta o sossego e o juízo dos cidadãos habituados à democracia e ao respeito pelos direitos humanos.

Os dementes, cegos pelo ódio e pela fé, quiseram uma vez mais montar um espectáculo cruel com milhares de mortos, certos da retaliação exercida sob o espectro do medo e da incerteza, numa espiral de violência e terror.

Falharam graças à ajuda de quem, sendo irmão na fé, não os acompanhou na demência assassina e na ferocidade mística que os mullahs exaltados pregam nas mesquitas.

O catolicismo expia as cruzadas, a inquisição e a contra-reforma, para seu opróbrio, mas moderou-o laicidade que lhe foi imposta e a secularização.

Detrás de cada credo está a tradição que a uns beneficia e a quase todos lesa. A religião é um assunto particular que não pode ser imposto à força nem servir de pretexto para as guerras que dilaceram o mundo e comprometem o progresso.

O atentado de Londres, a ter êxito, beneficiaria os fanáticos dos dois lados da barricada. O fracasso foi um revés para os trogloditas islâmicos e um balão de oxigénio para Bush e Blair, dois líderes que fazem questão de explicitar as suas convicções religiosas e já mostraram a leviandade de que são capazes.

Desta vez, os deuses contrariaram a vontade de Deus e pouparam à divina crueldade o holocausto de inocentes. Felizmente.

sábado, agosto 12, 2006

O Cume (Crónica)

A aldeia tinha água e luz, a primeira provinda exclusivamente de uma fonte de mergulho, donde jorravam excedentes para o bebedoiro do gado e para a presa onde as mulheres lavavam roupa, e a segunda, do Sol e das estrelas, reflectida pela lua, ou nascida na torcida dos candeeiros a petróleo ou no pavio de candeias de azeite. Mesmo à Sagrada Família que todas as noites viajava de uma casa para outra vizinha, em perpétuas voltas pela aldeia, era o azeite que lhe iluminava as formas e a virtude que as famílias contemplavam através do vidro da caixa de cerejeira. No verão as coisas complicavam-se, tendo as mulheres que deslocar-se à ribeira, para lavarem a roupa, a dois bons quilómetros de distância. Quanto ao gado lá se ia repartindo a água da fonte, bebendo de um balde, à tardinha, primeiro as pessoas que o quisessem e, a seguir, os animais, balde de novo mergulhado para trazer nova água que ora uma burra, ora uma vaca, sobretudo esta, rapidamente esvaziava. Se entretanto acontecia alguém mais querer dessedentar-se, o balde era primeiro enxaguado, essa água vertida numa pia para galinhas, para aproveitar, e, só depois, outra vez cheio, posto à disposição do sequioso que ali mergulhava a boca e o nariz, até mais não querer, dispensado do assobio que estimulava as vacas. As pessoas tinham precedência sobre os animais.

O forno cozia uma vez por mês, desamuado sucessivamente por todos e com a quantidade de lenha fornecida num sistema que sempre funcionara, na razão directa do número de pães de cada família, marcados para evitar confusões. Os tabuleiros vinham de casa onde fora peneirada a farinha, feito o fermento e amassada. Chegados ao forno abendiçoava-se a massa que o fermento e a oração fariam crescer, fingia-se, tendia-se e punha-se a cozer.

A criança que eu era no fim da década de quarenta recorda três homens a quem reconhecia importância – o presidente da Junta, o senhor do Correio e o sacristão. Hoje havia de julgar o alfaiate ou o merceeiro de maior relevância social mas, então, no meu reduzido universo de valores, com o senhor pároco a viver noutra freguesia, sem a obrigação de pedir a bênção a quem quer que fosse, nem a de beijar mãos, por não ser hábito doméstico e gozar do privilégio de ser filho da professora e de um funcionário de finanças, eram eles os mais importantes.

O presidente da Junta era o sr. José Simão. Tratava da horta como os outros, mas era presidente, o primeiro que eu conhecera. A professora precisava da sua assinatura no recenseamento escolar, mas era ele a deslocar-se à escola, acompanhado da mulher, que lhe desenhava o nome pois ele não o encarreirava – segundo ambos alegavam – apesar do treino a que se submetera, começando a derrapar no José, a que sempre faltava o o ou o s e, invariavelmente, o acento, para depois se lhe varrer o i ou o m e aquele endiabrado til que exornava o complicado Simão. Pronto, assinava a mulher, arrumava-se a questão, faça favor de desculpar, minha senhora, o seu marido vem sexta-feira, ainda bem, nesta altura do ano sai da repartição a horas do combóio, são dezasseis tostões, não precisa de vir a pé, são para riba de duas léguas, ainda chega de dia, até amanhã minha senhora.

Um casal simpático aquele, o único que cultivava linho na aldeia e que me deu a oportunidade de ver como uma frágil planta se transforma em fio. Admirei a barrela e a cardação, vi o que fazia a espadela e contemplei a planta que fora a acabar fiada na roca e dobada.

O do Correio era o sr. António Bernardo a cuja casa eu ia levar as cartas e perguntar diariamente pelo correio. Era um camponês que tinha um braço aleijado a que devia uma pequena reforma e o retrato de um jovem de vinte e poucos anos vestido de sargento, como compensação do ferimento na primeira grande guerra. Era o único lavrador da aldeia com três vacas, integralmente pagas, uma burra e algumas ovelhas. Presidia por tradição, que o alvará da Câmara sempre confirmava, aos actos eleitorais.

Um dia acompanhei a minha mãe ao sufrágio durante uma forte chuvada, o que levou o sr. António Bernardo a perguntar respeitosamente por que se tinha incomodado, com um tempo daqueles, coitado do menino, se até já a tinha descarregado, informação cujo alcance me escapou, limitando-se a recolher o voto e a pousá-lo sobre a mesa. Percebi que já não era preciso introduzi-lo pois já lá estava, não aquele, que era impossível introduzir antes de chegar, mas outro igual, que tinha o mesmo valor e igual intenção. Disse mesmo que já estavam descarregados todos os eleitores mas que a lei obrigava a manter a porta aberta, e a lei é a lei, não acha Sr.ª professora, e para a respeitar e fazer respeitar ali estava ele, ninguém melhor que ele, até já fora presidente da Junta antes do José Simão, por isso só quando a hora canónica chegasse é que se fechava a porta e, nessa altura, é que pediria à Sr.ª professora para preencher uns papéis que era preciso, que ele não se ajeitava e os que estavam com ele ainda menos, no tempo deles não havia escola, o trabalho não era muito, todos tinham votado, graças a Deus, mesmo o Germano que Deus tem, se fosse vivo também não deixaria de votar ou, se o tempo estivesse assim e andasse com o gado, não se importava que nós o descarregássemos.

Era um bom homem, a quem o sr. Prior confiava a orientação do terço, designado por mês de Maria, que em Maio todos os dias tinha lugar na aldeia, a mando de Nossa Senhora e a rogo da irmã Lúcia, pela conversão da Rússia. Devia ser por igual delegação de poderes que lhe cabia a orientação da novena que todos os anos, quando a canícula fustigava o renovo, despovoava a aldeia para ser rezada junto a uma pia que ficava a mais de um quilómetro, na quinta do sr. Morgado. Lembro-me bem dessas peregrinações, que acompanhei várias vezes com devoção, e da eficácia demolidora de uma dessas novenas que transformou o normal pedido de chuva numa trovoada devastadora com os crentes a queixarem-se do excesso de fé, da molha e dos prejuízos.

O sacristão era coxo. O nome verdadeiro encontra-se, se acaso o soube eu, arquivado na desmemória de sexagenário. Todos o tratavam por Ti Mijinhas.
Sempre julguei apanágio do múnus o cheiro dele, antes de saber que o efeito conjugado da incontinência urinária e da relutância ao banho era a causa necessária e suficiente de um odor que as pituitárias da época, muito mais conformadas e cristãs que as de hoje, assinalavam com nauseada tolerância.

Era ele que ajudava o sr. pároco a paramentar-se, cargo que à época conferia algum prestígio, se encarregava de agitar a campainha quando o sr. Prior passava com a hóstia em frente do Santíssimo, no sentido ascendente e no descendente, estridente toque que me levou muitas missas e cuidada averiguação a localizar. Eu julgava que era o efeito da passagem da hóstia à frente do sacrário que produzia o som, qual célula fotoeléctrica, antes de ter descoberto que o mesmo se devia à campainha com quatro chocalhos cruzados, agitada pelo sacristão, a razoável distância, no momento adequado das exéquias.

Mas era a eucaristia que enobrecia o homem pela singularidade das funções. Cabia-lhe acompanhar com a patena a trajectória das hóstias que do cálice eram transportadas pela mão do oficiante até à língua dos devotos, espécie de rede protectora a impedir que o corpo de Cristo caísse desamparado por alguma manobra mais infeliz ou desajeitada do oficiante, mera precaução para um eventual acidente nunca registado. Nesses momentos até parecia que a perna mais curta do coxo, que o sacristão sempre fora, se adequava melhor à função do que se ambas lhe tivessem crescido iguais.

Era ele que transportava a caldeirinha da água benta com o hissope mergulhado à espera que o sr. prior o sacudisse vigorosamente sobre os paroquianos para os aspergir e abençoar. Cabia-lhe ainda acender as velas e apagá-las, guardar as alfaias, dobrar e arrecadar os paramentos. Os trabalhos menos nobres, a limpeza da Igreja, o tratamento dos paramentos, a mudança da roupa aos santos e outras tarefas menores, de grande interesse para o culto e razoável benefício para a alma, eram destinados a mulheres que disso se encarregavam em obscura dedicação.

Já depois de dita a missa, enquanto se rezavam as últimas orações, uma espécie de IVA para prolongar o santo sacrifício, lá ia o Ti Mijinhas de bandeja em punho pedir para vários fins, conforme o domingo. O mais usual era o “costolado da oração” que anos depois a minha mãe me esclareceria tratar-se do “apostolado da oração”, o que não alterava o valor do óbolo nem confundia a devoção daquela gente pobre.

Fica fora desta crónica a Ti Ismelindra, corruptela de Ermelinda, nome que ela própria desconhecia ter, parteira voluntária a cujo currículo adicionou dois irmãos meus que naquela aldeia encontraram a nossa mãe na altura de virem ao mundo.

Mas é sobretudo uma pequena população analfabeta que resistia à miséria e a cinco orações diárias, que circulava descalça sobre a neve e a geada, por cima de silvas e tojos, que nunca usou relógio ou tomou banho, que pedia brasas para acender o lume, cujas casas eram muitas vezes de terra batida e de paredes sem reboco, que, para se poder vestir, vendia os presuntos do porco que criava, os queijinhos que fazia, pequenos rolos de manteiga que enfeitava com o cabo de uma colher, os molhos de agriões e meruges colhidos nos regatos, os ovos, e calcorreava duas léguas, para percorrê-las de novo no regresso com o pecúlio rendido na praça da Guarda, é essa população que um dia hei-de recordar, menos na fome que a consumia e nas carências proteicas que lhe dilatavam o ventre dos numerosos filhos, mas na sua solidariedade inexcedível e no espírito esmoler que a exornava. Talvez um dia.

Publicado em 21-03-03 com o título “Cume: miséria e cinco orações diárias”.E, destacado a negrito, “O Cume é uma pequena aldeia, sede da freguesia de Vila Garcia que forma com as anexas Cairrão e Carapito. Tem (ou tinha) um apeadeiro de comboio no troço da linha da Beira Alta que liga Guarda a Vilar Formoso, precedido pelo da Gata e tendo a seguir o de Vila Fernando.

Espaço dos leitores

Menina dos cravos - Amadeu Sousa Cardoso

sexta-feira, agosto 11, 2006

Os sinos da minha aldeia

Na aldeia o sino da torre ainda insiste nas meias horas e, com intervalo curto, na repetição das horas diurnas. Calam-no, de noite, para não perturbar o sono de citadinos em férias. O relógio comunitário ignora os seus homólogos, no pulso dos cidadãos, a sua fiabilidade e a facilidade da consulta.

À força de se repetir vão-se as pessoas esquecendo de escutá-lo e de lhe prestar atenção. Se acaso parar poucos darão pela falta e o abandono será o destino fatal que já o condena. Viverá enquanto não se partir a corda e o maquinismo não encravar.

Mingua nas presas a água que regava os campos à claridade da aurora. Secaram as fontes que alimentavam regatos, mantinham viçosos os prados e os defendiam da canícula.

Falta a água, seca a erva, ficam maninhos os campos. Os velhos vão mirrando enquanto os novos se fizeram à vida e abandonaram as terras e os pais.

Também na igreja o sino chama os paroquianos para os actos litúrgicos com o som triste de quem envelheceu com as pessoas e trina por hábito, sem convicção nem entusiasmo dos que ainda o escutam.

Só os emigrantes iludem, neste mês de Agosto, a solidão e abandono a que o interior de Portugal está votado. Foi longo o processo, mas eficaz, penoso e irreversível.

No melhor pano cai a nódoa

O inefável Jardim


Jardim tenta empresários afirmando que «aqui não há bufos»

Uma amostra da linguagem do inimputável:

«É isto, sublinha o jornal, que Jardim tenta «vender», uma forma de dar a volta ao «garrote económico que está a ser feito à Madeira» pelos «socialistas em Lisboa a pedido dos socialistas locais»: «Essa gente... tem a lata de, por um lado, nos sufocar e, por outro, nos dizer que não deveríamos fazer as coisas. É preciso ser-se muito canalha para ter atitudes desse género», referiu Jardim».

Chamem um ladrão

«Um elemento da PSP de Lisboa de 37 anos, no activo, foi preso pela GNR na própria divisão onde prestava serviço, na sequência da prática de vários assaltos em residências ocorridos em Penamacor, no distrito de Castelo Branco, de onde era natural».

Deputado do PSD eleito presidente da Liga Portuguesa de Futebol

A promiscuidade entre o futebol e a política.

Terroristas à solta em Londres



O incitamento ao extermínio dos infiéis é um desígnio expresso nos livros sagrados e impresso pelos clérigos na mente dos fiéis.

Os países democráticos não podem estar sempre a expiar as culpas do colonialismo e a assumir crimes praticados contra países árabes. Há princípios irrenunciáveis e o direito de viver de acordo com a civilização. A Declaração Universal dos Direitos do Homem é mais sagrada do que o mais sagrado dos livros.

A exegese reaccionária do Corão, as frustrações e miséria dos crentes contribuíram para o fracasso da civilização árabe. A manutenção de práticas feudais, teocráticas e tribais, a opressão e ausência da laicidade impediram ao mundo islâmico o acesso à modernidade.

É num ambiente de fanatismo e ódio que os clérigos acicatam multidões de desgraçados para a prática de crimes e criação da instabilidade internacional, dentro e fora dos respectivos países.

A confirmar-se a preparação de actos de terrorismo em larga escala, com motivações religiosas, cabe às polícias vigiar os templos como sedes de associações de malfeitores.

A Europa é condescendente para o incitamento à violência religiosa. O passado inibe-a, em nome da desejável sociedade multicultural, de actuar contra os pregadores islâmicos com o rigor e determinação com que reprime outros bandos violentos.

Sabendo-se que os templos são as escolas onde a religião incita à destruição dos fiéis do Deus concorrente, há um só processo de contrariar a vontade divina: manter os templos sob apertada vigilância e a pretensa vontade de Deus escrutinada pelo Código Penal.

Na impossibilidade de meter Maomé numa enxovia, é preciso descobrir, julgar e punir os executores da sua vontade e reservar-lhes um calabouço onde, por direito próprio, devia apodrecer o defunto condutor de camelos.

Os pregadores do ódio, e só estes, não podem andar à solta. Não se julgue que todos os crentes são terroristas. Seria injusto e perigoso, mas vai sendo tempo de ver no Corão uma bíblia carregada de ódio e fanatismo sem que os clérigos renunciem à palavra de Deus.

Nota - Há dois perigos a ter presentes: o ódio islâmico à democracia e a possibilidade de Bush e Blair inventarem pretextos para invadir países produtores de petróleo.

quinta-feira, agosto 10, 2006

Culpa da comunicação social

Além da falta de alvará, a construção apresentava graves irregularidades

Só a Câmara Municipal ignorava as irregularidades da obra na Avenida Infante Santo, em Lisboa.

O Provedor de Justiça e o Ministério Público, bem como a oposição e os moradores da zona, tinham detectado irregularidades, enquanto a Câmara ignorava as alterações ao projecto aprovado por si própria.

Afinal não é apenas em pequenas autarquias que a ilegalidade anda à solta.

Acossado, o Presidente da Câmara embargou a obra depois de ter descoberto a falta de alvará que, durante um ano, não foi necessário.

quarta-feira, agosto 09, 2006

Lei da paridade

A argumentação usada pelo PR no veto político à chamada «lei da paridade» não lhe deu espaço para, alteradas as sanções, reincidir no veto. A promulgação é um marco histórico que abre os partidos à participação mais equitativa dos dois sexos.

Enganam-se os que prevêem uma diminuição da qualidade dos actores políticos e perdem os que inventaram pretextos para o imobilismo que privou a política do contributo mais substancial das mulheres, segregadas pelas máquinas partidárias.

A nova lei obriga a que as listas eleitorais, legislativas, europeias e autárquicas, incluam um mínimo de 33% de cada um dos sexos e as listas plurinominais a não poderem conter mais de dois candidatos do mesmo sexo colocados, consecutivamente, na ordenação da lista. As excepções são irrelevantes e destinam-se a pequenas autarquias cuja fusão com outras se tornará, no futuro, inevitável.

Não se pode concluir que esta lei beneficie as mulheres sem reconhecer que têm sido prejudicadas, que as discrimine positivamente sem assumir uma discriminação negativa no passado.

É tempo de os partidos de esquerda pensarem numa mulher para o cargo uninominal de Presidente da República, lufada de ar fresco e sintoma de modernidade numa democracia que envelhece. Há quatro anos para

Foi pena que o PCP se excluísse do apoio à lei ora promulgada. A companhia devia tê-lo alertado para a posição conservadora a que parlamentarmente se associou.

Apostila 1 – No salazarismo era vedado às mulheres, por lei, o acesso à magistratura e à carreira diplomática. Na prática eram excluídas da Assembleia Nacional, Forças Armadas e autarquias. A saída para o estrangeiro carecia de autorização do marido. A este cabia a administração exclusiva dos bens comuns.

Apostila 2 – Dói ouvir repetidos argumentos usados durante a ditadura.

Apostila 3 – O passado português, em relação à mulher, é uma vergonha.

terça-feira, agosto 08, 2006

Pensionistas e parasitas

O Diário de Notícias, de ontem, referia 32.320 pensionistas que continuavam a trabalhar e 7% reformados por invalidez (ano de 2005).

Portugal é talvez o País onde maior número de inválidos exerce funções exigentes. Mais de 2 mil estropiados asseguram funções de responsabilidade.

Um juiz aposentado por problemas psiquiátricos (com pensão integral, graças ao estatuto especial) desempenhou funções de director da PSP no Governo de Santana Lopes.

Não fora a corajosa medida de Sócrates a limitar a um terço uma das remunerações e 32 mil pensionistas receberiam vencimentos em duplicado. Mesmo assim é eticamente discutível a acumulação.

O oportunismo de quem deve dar exemplo colide com os princípios da ética republicana.

Vários autarcas aposentaram-se na véspera das últimas eleições antes de ganharem novo mandato. Muitos arredondam os vencimentos da função como membros de Conselhos de Administração de Empresas Públicas municipais – empresas tantas vezes criadas para benefício próprio e dos amigos e correligionários.

À semelhança do que acontece com os devedores ao fisco, e pelos mesmos motivos, é justo que todos os titulares dos órgãos de soberania, autarcas e membros de empresas públicas vejam publicitadas as acumulações de que gozam.

Mais saudável do que as perseguições individuais movidas por interesses partidários é a divulgação exaustiva de todos os casos que podem influenciar o voto dos eleitores sabida a dificuldade jurídica de pôr termo ao regabofe.

Quem se lembra ainda da aposentação de Alberto João Jardim, requerida pelo próprio aos cinquenta e tal anos, como professor do ensino secundário? Só se recorda a aposentação «compulsiva» de Manuel Alegre… aos 70 anos.

segunda-feira, agosto 07, 2006

A CAP, o ministro e Marcelo

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) averbou uma pesada derrota ao ver arquivada pela Provedoria de Justiça a reclamação contra o ministro da Agricultura, Jaime Silva, que lhe indeferiu as candidaturas às medidas agro-ambientais de 2005.

Para além da crítica do provedor à «falta de rigor do regime jurídico em vigor» aprovado em 2003 por Sevinate Pinto, o arquivamento veio mostrar a razão que assistia ao ministro e coroar a coragem com que resistiu à chantagem de agricultores que, sem plantarem uma couve, se habituaram a chorudos subsídios.

Os sócios da CAP perderam uma batalha mas têm poder político, económico e financeiro para continuar a guerra contra o ministro que os privou dos subsídios a que se habituaram ao longo dos anos, enquanto a agricultura desapareceu.

Curiosa é a apreciação que Marcelo [CE1] Rebelo de Sousa, um árbitro ansioso por entrar em jogo político, faz de Jaime Silva no «almoço do Pabe»: «um desastre, não percebe os agricultores nem as questões políticas e sociais do sector».

Surpreende o arrojo com que Marcelo faz exame ao Governo, depois das reprovações que averbou na Câmara de Lisboa e para primeiro-ministro, perdendo para Jorge Sampaio e, até, para Durão Barroso.

Jorge Silva é um excelente técnico nascido e criado em zona de minifúndio e com notável carreira feita em Bruxelas. Soma a isso a coragem, honestidade e discernimento político.

O julgamento de Marcelo está ao nível da CAP.

[CE1] Expresso, 5-8-06, pág. 4.

sexta-feira, agosto 04, 2006

Assessores da Câmara de Lisboa

Tem sido motivo de grande escândalo a divulgação do número de assessores da Câmara Municipal de Lisboa e os exorbitantes salários atribuídos pela edilidade.

Um presidente com 21 assessores[CE1] , ultrapassado pelo vereador da cultura, 22, seguido pela vereadora do urbanismo, com 20, só surpreenderá quem esqueceu as promessas feitas à sorrelfa na campanha eleitoral.

Não podendo aumentar o número de vereadores, definido por lei, prometeu o então candidato Carmona Rodrigues «compensar» com lugares de assessor pequenos partidos, como denunciou publicamente Manuel Monteiro, a quem a proposta foi feita.

Agora, quais virgens pudicas, indignam-se os do costume com o regabofe, por falta de memória.

[CE1] Revista Sábado, de 3-8-06 (pág.50)

Governo

O selo de circulação automóvel foi a nódoa do Governo que teve a coragem de tomar grandes decisões e foi incapaz de evitar um pequeno problema.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Ribeiro e Castro e o CDS

O CDS não é a «banda» designada pelo precário líder Ribeiro e Castro, num lapso de género, é um bando que hesita entre o conservadorismo civilizado e a direita extrema.

O bando tem a sofreguidão do poder mas é maior nele a vocação autofágica. Devorou o fundador do partido em zelo antropofágico e, em exaltação reaccionária, exumou da sede onde se acoita a foto de Freitas do Amaral.

Com Lucas Pires convertido à moderação democrática e sedução europeia, o bando não conteve o azedume e ressentimento e entrou em histeria predadora.

O CDS é o único partido parlamentar que, depois de excomungar o fundador, entrou na sanha devoradora de sucessivos líderes. O partido que se diz democrata-cristão exonerou a democracia do seu comportamento e deu ao cristianismo residual o sabor medieval do concílio de Trento e a bondade da Inquisição.

A recente aproximação do actual líder e futuro proscrito, Ribeiro e Castro, ao ex-líder e já proscrito Manuel Monteiro, foi mais uma gota de água no copo que nunca deixou de transbordar, uma acha na fogueira permanente que consome o CDS, o rastilho que detonou a raiva do bando cujo declínio se aproxima da extinção.

O CDS nasceu para integrar os salazaristas recuperáveis no seio da democracia. Freitas do Amaral e Adelino Amaro da Costa foram os rostos dessa estratégia a que se juntou Lucas Pires.

Sendo a nostalgia mais forte do que a tentação democrática e a vocação reaccionária mais intensa do que a condescendência com a Europa, o CDS transformou-se de um partido de democratas com eleitores ressentidos num bando de ressentidos quase sem eleitores.

O funeral que se avizinha é um episódio da luta que lavra no seio da direita portuguesa.

O desaparecimento do CDS é talvez o passo necessário para o aparecimento de um Le Pen à portuguesa, eventualmente com fato às riscas e sem olho de vidro, possibilidade que espreita num período em que as dificuldades económicas se tornam o húmus em que florescem extremismos nos dois lados do espectro partidário.

Apostila – Maria José Nogueira Pinto diz que Manuel Monteiro «não representa nada». Já disse de Paulo Portas que valia menos do que o rato Mickey e o mancebo, de feira em feira, chegou a ministro da Defesa e encheu de gente do CDS, pouco recomendável, aliás, os piores Governos do regime democrático.

quarta-feira, agosto 02, 2006

Cuba, Bush e a democracia



Estados Unidos apoiam a transição democrática em Cuba


O Governo norte-americano deu o seu apoio a uma transição democrática em Cuba, depois do Presidente cubano, Fidel Castro, ter delegado o poder no seu irmão Raul Castro por motivos de doença.

A avaliar pelas ajudas que Bush tem dado a outros países para estabelecer a democracia, o que o mundo deseja, em geral, e os cubanos, em particular, é que não se intrometa nos assuntos internos de Cuba.

Está viva a intenção de democratizar o Médio Oriente e a experiência trágica do Iraque.

É provável que, à semelhança de outras experiências, consiga unir os cubanos no ódio aos EUA, e criar um sentimento de hostilidade colectivo capaz de prolongar o regime ou desencadear uma guerra civil.

Infelizmente, os notáveis avanços de Cuba no campo da educação, saúde e cultura não foram acompanhados pela abertura do regime. Mas não são os cubanos ressabiados exilados em Miami nem os neoconservadores evangélicos que podem ou devem decidir o futuro de Cuba.

Talvez o fim do boicote fosse a melhor medida que os EUA pudessem tomar.

Bom senso é tudo o que se pode pedir à administração Bush mas, provavelmente, é a sua principal carência.

terça-feira, agosto 01, 2006

Chile - É preciso não esquecer


«Un ex piloto del Ejercito chileno confesó ante un juez que arrojó cinco cuerpos de militantes miembros del Frente Patriótico Manuel Rodríguez por orden del dictador Augusto Pinochet durante la última dictadura militar en Chile.

El testimonio del oficial conocido por sus compañeros como "el Chino Campos" sostiene que luego de buscar los cadáveres en el campo militar de Peldehue, los llevaron en helicoptero hasta las costas de San Antonio, en el centro del país, donde los arrojaron al mar.

La declaración de sostiene que en ese vuelo actuó como copiloto a un oficial que aún se encuentra en servicio activo en la agregaduría militar en Europa.

Según el relato del ex piloto cuyo nombre no trascendió, la orden de lanzar los cuerpos desde uno de los helicópteros institucionales emanó del propio Pinochet.

Los cinco militantes del Frente Patriótico Manuel Rodríguez fueron asesinados en Septiembre de 1987 con inyecciones de veneno aplicadas por un enfermero de la Policía secreta del dictador.

El documento con las declaraciones se hallaría en manos del juez Hugo Dolmestch, quien avanza con la investigación de una serie de violaciones a los derechos humanos durante el régimen militar chileno que se extendió desde 1973 hasta 1990».(PÚLSAR)

Fonte: Pulsar Agencia Informativa

O fisco e a lista de caloteiros


Fisco encaixa 20 milhões de euros com ameaça de colocar contribuintes na lista de devedores.

Se a vergonha que os caloteiros sentiram fosse partilhada pela máquina judicial, incapaz de fazer o Estado ressarcir-se dos valores em dívida, era escusada a lista e seria mais justo o País.

Nobre Guedes ilibado

"Convicção segura" do MP iliba Nobre Guedes


As suspeitas de abuso de poder, corrupção passiva e violação do segredo de Estado que estiveram na origem da investigação ao ex-ministro do CDS/PP Luís Nobre Guedes, no âmbito da investigação ao caso «Portucale», foram consideradas infundadas.

A investigação, relacionada com a aprovação de um empreendimento do Grupo Espírito Santo (GES) na Herdade da Vargem Fresca, em Benavente, averiguou a sua inocência.

Sublinhe-se que não se trata de culpa não provada mas da inocência demonstrada.

Cuba - O princípio do fim

(Foto de Cristobal Herrera - AP)

O presidente de Cuba, Fidel Castro, de 79 anos, foi submetido a uma cirurgia no intestino e deixou pela primeira vez o controle do governo cubano.
Delegou «provisoriamente» todos os poderes, incluindo a chefia do Governo e das Forças Armadas, a seu irmão Raúl Castro, de 75 anos e, desde sempre, seu número 2.