sábado, setembro 30, 2006

Spínola pediu a invasão de Portugal

A desclassificação dos telegramas diplomáticos nos EUA permitiu saber que um português a quem os militares de Abril confiaram a presidência da República, pediu a invasão do seu próprio País.

A actuação do general António de Spínola no 28 de Setembro foi leviana e o desespero levou-o a cometer alta traição.

Triste epitáfio para um militar polémico cujo passado germanófilo foi esquecido.

Notas Soltas - Setembro/2006

Independente – Nasceu na sarjeta e acabou no pântano o semanário criado para promover Portas e arruinar Cavaco. Ironicamente finou-se com Cavaco na presidência e Portas a rastejar no deserto.

Inglaterra – Blair foi o melhor primeiro-ministro inglês das últimas décadas mas a cumplicidade com Bush e a derrota política e moral no Iraque denegriram a imagem de quem tem por adversários os conservadores e como inimigos os trabalhistas.

Marcelo – A presença semanal, na RTP-1, do antigo presidente do PSD e futuro candidato a PR ou a primeiro-ministro é eticamente reprovável. Não se sabe onde acaba a militância partidária e a promoção pessoal.

Voos da CIA – O combate ao terrorismo é uma tarefa inadiável na defesa dos países livres mas as prisões ilegais e torturas ferem direitos cujo respeito definem os países democráticos.

Apito Dourado – Afastados os investigadores iniciais, o poder dos suspeitos e um parecer jurídico converteram o terrível processo em mero assobio de pau dos que na infância de outros tempos se compravam nas feiras e mercados.

Venezuela – O anúncio de um referendo em 2010 sobre «a possibilidade de um Presidente ser reeleito indefinidamente», transforma Hugo Chavez, livremente eleito, num biltre populista. Os homens providenciais são um exclusivo da direita.

EXPRESSO – Na iminência do advento de o «Sol» o semanário de Balsemão apareceu, no preço e no formato, em quarto minguante. Permanece globalmente liberal, de direita moderada, institucional e inevitável.

Irão – A esquerda que aceita teocracias na luta contra o capitalismo repete o erro dos comunistas que apoiaram o regresso do ayatollah Khomeini que, logo, os mandou decapitar.

11 de Setembro – Há 33 anos, no Chile, um golpe de Estado brutal deu início à sangrenta ditadura de Augusto Pinochet. Há cinco anos o fanatismo islâmico abateu-se cruelmente sobre as torres gémeas de Nova Iorque. Trágicas efemérides.

Líbano – A paz assegurada pela ONU corre o risco de ser precária e não passar de um interregno na guerra que se iniciou à distância, com a Síria de permeio, entre Israel e o Irão, com aliados poderosos nos dois lados.

Timor – A imprudência de Xanana, a cobiça da Austrália e a ambição da Igreja católica conjugaram-se para que a violência se perpetue e o País se torne ingovernável.

Pacto da Justiça – Teve êxito o consenso entre o PS e o PSD, sucesso difícil de repetir noutras áreas onde os princípios ideológicos e os interesses do País devem passar pela ruptura.

SOL – Não foi a estrela que se anunciava, é outro satélite da direita a disputar um espaço saturado. Como nos meteoros foi intensa a luz da aparição e pode ser breve o ocaso deste novo semanário que os bancos apadrinharam.

Bento XVI – Condenou caricaturas em nome dos sentimentos religiosos do Islão e acabou ameaçado, após um discurso, por injúrias a Maomé. Devia ter defendido a liberdade de expressão em vez do vago respeito pela fé – um incentivo à censura.

Desfiles da moda – A Espanha foi o primeiro país a proibir jovens anorécticas. Os modelos não são cabides para dependurar roupa, são corpos que dão vida aos trapos sem precisarem deles.

PGR – Pinto Monteiro foi boa escolha. Era preferível um não magistrado mas o juiz nascido em Porto de Ovelha tem uma carreira notável e goza de prestígio. Talvez se venha a saber quem perseguiu Ferro Rodrigues e pôs o País sob escuta.

Taxas moderadoras – A estreita margem entre saúde «tendencialmente gratuita» e o desvirtuamento da Constituição não permite as ameaças que pairam sobre os utentes nem se compreende que partam de um ministro do PS.

Cavaco Silva – As pressões sobre o Governo comprometem a independência do cargo, desvalorizam a liderança do PSD e enredam a Presidência nas vicissitudes do poder executivo. A serem verdadeiras constituem um precedente infeliz.

ETA – Este grupo terrorista reiterou a intenção de prosseguir a violência. É mau sinal para a paz e um convite à repressão policial contra os que semearam a dor e o luto em milhares de famílias espanholas.

STJ – A eleição de quem foi relevante na escolha de eleitores não valoriza o cargo da quarta figura do Estado e, ao anunciar o confronto político, Noronha do Nascimento troca o respeito que lhe é devido pelo conflito que o sindicalista procura.

sexta-feira, setembro 29, 2006

Ségolène Royal sobe, sobe...

Morta com gravidade

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O controverso discurso de Bento XVI

quinta-feira, setembro 28, 2006

Espaço dos leitores

Ponte Europa/ Pitecos - Zédalmeida

Assim, não.

Assim, em vez do respeito que lhe é devido, terá o confronto que procura.

Que dizem os patrões do «Compromisso Portugal»?

Instituições privadas mais fracas do que as públicas. (DN, Economia)

O relatório sobre a competitividade do Fórum Económico Mundial envergonha os gestores e empresários portugueses enquanto elogia as instituições públicas.

quarta-feira, setembro 27, 2006

Presidente do STJ

Noronha do Nascimento foi eleito presidente do Supremo Tribunal de Justiça – a 4.ª figura do regime, ex aequo com o presidente do Tribunal Constitucional.

Noronha do Nascimento foi vice-presidente do STJ tendo-lhe cabido, nessa qualidade, um papel de relevo na escolha de vários dos actuais conselheiros.

A vitória estava, assim, garantida logo que decidiu apresentar a candidatura . O processo não é o ideal embora Noronha do Nascimento – juiz em causa própria –, defenda que deva manter-se.

Quanto à defesa da revisão da Constituição é assunto que não lhe cabe e algumas das suas afirmações pareceram ter um cunho vagamente sindical.

Penso que seria preferível uma nomeação pelo Presidente da República a este sistema de autogestão exclusivo de juízes conselheiros. O poder legislativo deve ponderar esta situação.

A visita do P. R. a Espanha e o GPS

Letizia Ortiz

«Cavaco Silva resolveu oferecer ao Rei Juan Carlos um presente virado para o futuro. Um telemóvel 3G, espécie de PDA, dotado de um software único no mundo, ou seja, equipado com um GPS desenhado e produzido por uma empresa portuguesa, a InfoPortugal, que vai comercializá-lo dentro de duas semanas no mercado espanhol».

O anúncio da segunda gravidez de Letizia Ortiz remeteu para as páginas centrais dos jornais espanhóis a visita do Presidente português.

Eis como um acontecimento artesanal – uma gravidez –, feita pelo método mais popular e tradicional que se conhece, remete para segundo plano um invento de última geração.

terça-feira, setembro 26, 2006

Tailândia. O golpe militar

A gloriosa excepção portuguesa não é suficiente para desmentir que, quando os militares tomam o poder, é uma ditadura que se avizinha.

A Tailândia vivia em democracia sob os auspícios dos brandos costumes budistas. Existia, é certo, o crime de lesa-majestade um anacronismo que só costuma desaparecer com o exílio dos reis ou com a domesticação dos monarcas.

O golpe de Estado, patrocinado pelo rei, conduziu o País à ditadura militar. A revolução costuma vir depois. Às vezes, acompanhada de regicídio.

Quero a eutanásia...

Ramón Sampedro

Depois da morte dramática de Ramón Sanpedro, um galego que pôs fim ao pesadelo de uma vida de tetraplégico «Sou uma cabeça se corpo», o problema da eutanásia regressa.

O apelo lancinante de Piergioigio Welby, um italiano em fase terminal, comoveu o Chefe do Estado, Giorgio Napolitano, a ponto de o convencer a pedir um debate sobre a eutanásia.

Os do costume esforçam-se por impor os seus preconceitos a toda uma sociedade mas há problemas que não podem ser iludidos. A discussão é uma necessidade urgente e as leis de um Estado laico não podem ficar reféns das convicções particulares que, de forma totalitária, alguns querem impor a todos os outros.

APFN pede demissão do ministro da Saúde

A Associação Portuguesa de Famílias Numerosas (APFN) pediu a demissão do ministro da Saúde, acusando-o de "falta de senso" por defender a despenalização do aborto e querer incentivar os hospitais a aumentar a sua prática. Fonte: Público de 25-09-2006

NOTA: Pede-se a demissão de um ministro por querer cumprir a lei.

ALTERNATIVAS A UMA EUROPA NEOLIBERAL

segunda-feira, setembro 25, 2006

Primeira visita de Estado do Presidente da República

A presença de quatro ministros no numeroso séquito que acompanha o P.R. deixa a dúvida sobre quem visita Espanha – o chefe de Estado ou o Governo.

Felizmente as boas relações entre Lisboa e Madrid excluem o temor de uma invasão.

Vantagens e malefícios do bloco central


O bloco central de interesses afigura-se prejudicial à democracia e à ética republicana e suspeita-se que a convergência entre o PS e o PSD seja perniciosa e ponha em causa o prestígio das instituições.

Mas, sejamos realistas. No actual quadro político são difíceis as maiorias estáveis e as coligações, à esquerda, têm-se revelado praticamente impossíveis, salvo na Câmara de Lisboa onde a coligação autárquica revelou capacidade de gestão exemplar.

Uma coligação PS/PSD só seria admissível num quadro de catástrofe, que não se prevê, e seria pouco saudável para o regime. Resta, pois, uma aliança entre o PS e um ou mais partidos à sua esquerda quando o PCP renunciar ao centralismo democrático.

Esta é uma experiência possível para quando o PS perder a maioria absoluta, se os seus militantes e dirigentes o desejarem. Como mero eleitor não vejo inconvenientes.

No outro lado do espectro partidário a experiência, reincidente, deu maus resultados. O Governo de Durão Barroso ou o inconcebível consulado de Santana Lopes permanecem como triste recordação dos Governos de direita em Portugal.

Nunca, depois de Abril, se manipularam as forças de segurança como nesses consulados infelizes. Nunca Portugal participara num crime internacional – invasão do Iraque –, com base na mentira e ao arrepio da ONU, do direito e da nossa Constituição.

Bagão Félix chegou às Finanças e acabou a discussão sobre quem foi o pior ministro de sempre na referida pasta. Celeste Cardona sobraçou a Justiça e politizou a PJ enquanto Portas tentava o controlo das outras polícias e das Forças Armadas. O País foi posto sob escuta e nem o PR foi poupado.

Na Moderna havia juízes a dar aulas remuneradas e o mais pesado silêncio desceu sobre os ilícitos e os beneficiários. No Apito Dourado afastaram os polícias que deslindaram a trama. O Director da PJ que trucidou politicamente Ferro Rodrigues e violou o segredo de justiça é hoje um honrado juiz desembargador. O «envelope 9» foi embrulhado e não se sabe quem pôs a democracia sob escuta e com que fins.

A economia registou uma grave recessão e foi evidente o fracasso de Durão Barroso e Santana Lopes para vencerem a crise.

Houve sérios indícios de uma central de intoxicação, com sede em S. Bento, à espera de esclarecimento. Ministros como Cardona, Portas, Bagão Félix e Martins da Cruz, foram comissários políticos de uma direita truculenta, ávida de controlar o poder à margem da ética e do respeito pelas regras democráticas.

Os governos PSD/CDS foram um pesadelo cujo fim se deve às trapalhadas de Santana Lopes, depois do desastroso biénio de Durão Barroso que lhe endossou o partido e o Governo, antes de fugir para Bruxelas apoiado por Bush, Blair, Berlusconi e Aznar.

domingo, setembro 24, 2006

EPUL: um ‘tacho’ para toda a vida


«Sequeira Braga nomeou 15 directores vitalícios quando presidia à empresa. Santana, então na CML, nem soube.

A EPUL – Empresa Pública de Urbanização de Lisboa tem todos os seus directores (15) sob um regime contratual “vitalício” que custa ao erário público 1,2 milhões de euros por ano».

«As autarquias gerem melhor do que o Governo» - Fernando Ruas

De Mao a Rätzinger

I
Guerra no Iraque aumentou ameaça terrorista

II

«Durão Barroso afirmou estar desapontado pelo facto dos líderes europeus não terem apoiado o Papa Bento XVI na sequência da polémica gerada em torno do seu discurso (…) pelo qual foi alvo de críticas e ameaças do mundo árabe».

Dar a Fátima o que é de César...

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sábado, setembro 23, 2006

O fim de Souto Moura

Foto DN


Na impossibilidade de incriminar os responsáveis, acusa as testemunhas.

A Guarda, prisão, mas nossa cidade

Sé da Guarda

sexta-feira, setembro 22, 2006

Médicos contra novas taxas moderadoras

E NÓS TAMBÉM.

Parlamento

«Portugal já tem hoje o menor número de deputados por habitante de todos os países da Europa Ocidental com apenas uma câmara legislativa e de vários países com duas câmaras, como sucede com a Irlanda.

A distância iria aumentar consideravelmente se vingasse a proposta do PSD de redução substancial dos actuais 230 parlamentares que compõem a Assembleia da República».

Pergunta: Não estarão a preparar-se para alterar a Constituição e arranjar uma câmara para «Senadores» que não precisam de se sujeitar ao escrutínio eleitoral?

Apostila: O número de deputados é excessivo nas Assembleias Regionais dos Açores e Madeira, nas Assembleias Municipais e nas de Freguesia.

BASTA!!!

Com o sóbrio título «Desatino», Vital Moreira alerta no Causa Nossa para o desvario em que os apertos financeiros puseram o eterno presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim.

O Jornal da Madeira, espécie de folha oficiosa do sátrapa local, inclui um artigo do próprio e uma redacção de um apaniguado.

É certo que AJJ se vem queixando de que o Governo da República lhe quer cortar as pernas, não referindo a cabeça, quiçá por ser a parte do corpo que menos usa.

São irrelevantes os insultos a Vital Moreira, tal a frequência com que os dispara contra titulares dos órgãos da soberania, jornalistas e adversários políticos. O que é deveras insuportável é a leviandade com que o professor reformado, que acumula o vencimento com o de Governador, branqueia o desgoverno que a República lhe permitiu.

Quem sempre usou a chantagem como arma contra os Governos da República, para lhe cobrirem os défices, sem o mínimo respeito pelas reiteradas advertências do Tribunal de Contas, não hesita agora em usar de novo o papão do separatismo.

Começa a ser tempo de alguém lhe pedir contas. O Presidente da República, o Sr. Silva na linguagem rude de AJJ, e o primeiro-ministro não podem ceder perante a chantagem e a irresponsabilidade.

quinta-feira, setembro 21, 2006

A culpa foi de Alexander Graham Bell

Alexander Graham Bell, inventor e fundador da companhia telefónica Bell.

PGR iliba procuradores e culpa PT


O inquérito do Procurador-geral da República ao caso do "envelope 9" iliba os procuradores referenciados na notícia do jornal 24Horas, responsabiliza a Portugal Telecom (PT) mas só os jornalistas daquele diário poderão ser pronunciados, noticia o jornal Expresso.
Nota: Sem a invenção do telefone não teria havido intromissão na vida privada do Presidente da República e outros altos dignitários do Estado.

Autarcas fazem congresso para contestar o Governo

É altura de os munícipes fazerem um congresso para julgar os autarcas.

Em breve, hão-de preferir autarcas que giram bem os dinheiros que têm aos que esbanjam por conta do futuro que hipotecam.

Contra Bush, marchar, marchar...






Quando Hugo Chavez, da Venezuela, Mahmoud Ahmadinejad, do Irão, e Roberto Mugabe, do Zimbabué, se colocam na linha da frente contra o presidente dos EUA, Bush até parece um governante normal e fica a dúvida sobre os disparates que diz e as trapalhadas em que se meteu.




E nos meteu.

Corrupção no futebol inglês




Em Portugal, o carácter impoluto dos seus dirigentes e a eficiência da máquina da Justiça evitam os escândalos.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Linguagem bíblica está na moda

Na Assembleia-Geral da ONU

Hugo Chavez refere-se a George W. Bush como "o Diabo" 20.09.2006 - 17h34 AP

O Presidente da Venezuela, Hugo Chavez, levou hoje a sua batalha verbal com os Estados Unidos para a assembleia-geral da ONU, descrevendo o Presidente dos Estados Unidos como "o Diabo".

(Clique no título do post para ler a notícia completa)

Islão e democracia

Em sociedades em que a religião é obrigatória o condicionamento da opinião pública começa na infância pela manipulação das crianças e pela fanatização que conduz ao martírio e ao crime.

O Islão de hoje não é diferente do catolicismo medieval mas este, graças à descoberta da cultura helénica e do direito romano, encontrou forças para usar a razão e contestar a fé, para fazer a Reforma e retirar ao Papa o poder temporal.

O direito divino, como origem do poder, foi substituído pela legitimidade democrática e a secularização tornou as sociedades abertas, tolerantes e plurais. A fé foi remetida para esfera privada e as convulsões surgem quando os crentes pretendem fazer proselitismo através do aparelho de Estado.

Hoje, é o protestantismo evangélico que lidera o fundamentalismo cristão nos EUA, em clara violação da Constituição e da vontade dos seus fundadores. A Igreja Ortodoxa tem dificuldade em aceitar a separação do Estado e tem uma exegese de pendor francamente reaccionário.

Mas é no Islão que constrangimentos sociais e a violência clerical empurrem os crentes para a irracionalidade da fé e a aceitação acrítica do Corão. Como há muito desistiram de questionar o que o clero diz que o Profeta disse e quer, há um permanente conflito com a modernidade e uma violência incompatível com a civilização.

A laicidade que libertou o Ocidente da tutela clerical é impensável onde o clero tem o poder absoluto no campo económico, político, militar, assistencial e ideológico.

Tal como durante a inquisição era impossível contestar a autoridade do Papa e o seu poder, também nas teocracias islâmicas é impossível discutir a desigualdade da mulher, o adultério, a poligamia, o repúdio, a guerra santa, a homofobia e o pluralismo.

As religiões são, por natureza, totalitárias e avessas à modernidade. Ao atribuírem aos livros sagrados a vontade literal de Deus, ditada a um eleito como versão definitiva, impedem a discussão e ameaçam a vida do réprobo enquanto a separação entre a Igreja e o Estado não se afirmar.

É esse passo que parece estar cada vez mais distante nas teocracias islâmicas e que propicia o confronto entre a fé e a modernidade.

Contrariamente ao que têm afirmado os bispos católicos os árabes não temem a liberdade religiosa que, segundo sondagens, é o que mais apreciam no Ocidente. São os clérigos que se assustam com a possibilidade de verem os crentes a renunciar à fé.

A liberdade, a democracia e, sobretudo, a perda de direitos sobre a mulher, assusta-os. É por isso que não renunciam à sharia, que não dispensam uma boa decapitação de um apóstata, uma alegre lapidação à mulher adúltera e uma divertida amputação para quem roube.

O que está em curso é uma luta desesperada contra a modernidade por uma civilização falhada.

Nota: A publicar no Diário Ateísta.

APOIADO...

Manuel Alegre referiu-se ao debate sobre a redução dos deputados na Assembleia da República como uma velha questão defendida «por algumas pessoas que, possivelmente, gostariam que o número fosse zero.

Diz mesmo que a medida seria uma forma de «empobrecer a democracia e o País».

Estas declarações registadas no DN, de hoje, pág. 7, (sítio indisponível) coincidem com a posição aqui defendida no Ponte Europa, em 3 de Setembro.

É sempre com alegria que vemos a nossa posição coincidir com a de um grande e excelso democrata.

Há amigos que se dispensavam

O novo PGR e o DN

Foto do arquivo SIC
No diário de Notícias, de hoje, lê-se, em EDITORIAL de Eduardo Dâmaso, que
«Pinto Monteiro é um magistrado judicial de larga experiência, que começou curiosamente no Ministério Público». (sítio indisponível)

1 - Tendo entrado para a carreira logo que acabou o curso, como poderia, aos 64 anos, não ter uma larga experiência?

2 - «…que começou curiosamente no Ministério Público».
Curiosamente começavam todos. O acesso a juiz fazia-se então, por concurso, depois de se ter exercido funções de delegado do Ministério Público, sucessivamente na 3.ª, 2.ª e 1.ª. classes.

A um lugar-comum seguiu-se curiosamente uma evidência inevitável.

terça-feira, setembro 19, 2006

Procurador Geral da República

A culminar uma brilhante carreira de juiz, foi nomeado Procurador-geral da República,


Fernando José Matos Pinto Monteiro
Ao antigo colega de turma do Liceu da Guarda resta-me desejar que, no desempenho das novas funções, esteja à altura das suas capacidades e do que o País espera.

Escala de aviões da CIA com prisioneiros


Durão nega voos ilegais da CIA durante o seu Governo.

Não admira, depois dos esforços que fez para evitar a invasão do Iraque, como ele próprio declarou na altura.

O Parlamento Europeu está a investigar o assunto e alguns responsáveis defendem que o presidente da CE deve também ser ouvido sobre o tempo em que foi primeiro-ministro de Portugal.

No entanto, o seu porta-voz, Johannes Laitenberger, assegurou que «Durão Barroso não poderá ser ouvido por questões que tenham a ver com o cargo que antes desempenhou».

Apostila – Também o actual Governo fica mal na fotografia.

As escolhas de Marcelo

Golpes de rins, propaganda partidária e chantagem sobre o Governo são a ementa habitual da homilia dominical de Marcelo na RTP1.

É interessante ver como se contorce na explicação das palavras de Bento XVI.

Mas o melhor é ler criticamente a prédica no Diário de Notícia de hoje (sítio indisponível).

Pensões dos combatentes



Não discuto a justiça da medida mas condeno as razões políticas e a falta de sustentação financeira.

O Governo que tomou esta decisão sabia que não tinha os meios para a concretizar.

Em época de caça ao voto, esta medida foi filha da incompetência de Bagão Félix, da demagogia de Paulo Portas e da desatenção de Durão Barroso, a pensar na fuga.

O Papa e o Islão

O Papa Rätzinger, mentor ideológico do seu antecessor, é ainda mais conservador, com um pensamento mais estruturado e uma agenda mais apressada.

Frio, inteligente e calculista não podia ignorar o imenso alarido que provocariam as suas palavras, descontadas as proporções, impossíveis de quantificar previamente.

Bento XVI é a réplica católica do protestantismo evangélico neoconservador dos EUA e, salvas as devidas proporções, o expoente máximo da postura homóloga dos próceres do Islão. Não foi por acaso que chamou Constantinopla à actual cidade de Istambul.

Condena o relativismo, não se conformando com o pluralismo. Combate a laicidade e interfere de forma vigorosa nos países de tradição católica para obstar às leis que regulam o aborto, o divórcio, a eutanásia, a contracepção ou o planeamento familiar.

O Papa não é apenas o ideólogo do teoconservadorismo, é agente do combate obstinado à modernidade e arauto do regresso ao concílio de Trento. Críticas acerbas ao budismo e ao hinduísmo, a cruzada contra o laicismo e o combate ao evolucionismo, que considera uma ideologia, fazem de B16 o mais obsoleto hierarca do cristianismo.

Da teologia à política, da moral à economia e da ciência à religião, Bento XVI situa-se sempre no campo conservador mais duro, aliando um proselitismo exacerbado e uma inflexibilidade teológica.

A expansão do islamismo na sua forma mais arcaica, com laivos de demência fascista, assusta este Papa que vê os feudos tradicionais em rápida secularização numa Europa que deixou de acreditar em verdades únicas e que mais facilmente se envolve na luta de classes do que em querelas da fé.

Foi a inquietação que, na minha opinião, o precipitou para o confronto. Do outro lado disseram-lhe que o Islão era pacífico, assassinando uma freira, perseguindo cristãos e incendiando igrejas. A intolerância não é monopólio de uma religião, é a tradição ancestral das três irmãs abraâmicas.

O seu grande objectivo foi colocar-se na vanguarda do combate ao terrorismo, urgente e necessário, para reivindicar para o Vaticano os louros de uma vitória sabendo que, em caso de derrota, a democracia e a liberdade morreriam e o cristianismo não sobreviveria.

O conflito entre o Papa e o Islão não nasceu das divergências, surgiu das afinidades.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Discurso polémico de Bento XVI

(Logo que esteja disponível a tradução portuguesa, será publicada no VERITAS, com link para o «PONTE EUROPA»

Os melhores anúncios dos painéis paroquiais

Asseguram-me que são textos reais, escritos em paróquias autênticas; o riso, certamente, será autêntico.

Alguém se dedicou a copiar alguns avisos de painéis paroquiais e a fazê-los circular pela Internet.

É uma chamada de atenção para o que se escreve e como se escreve!

*ANÚNCIOS PAROQUIAIS*

Para quantos de entre vós têm filhos e não o sabem, temos um espaço preparado para as crianças.

Recordai na oração todos aqueles que estão cansados e desconfiam da nossa paróquia.

O torneio de basquete das paróquias continua com a partida da próxima quarta-feira à tarde: vinde animar-nos, enquanto procuramos derrotar Cristo Rei.

Por favor, metei as vossas ofertas dentro de um sobrescrito, juntamente com os defuntos que quereis fazer recordar.

O pároco acenderá a sua vela na do altar. O diácono acenderá a sua na do pároco e, voltando-se, acenderá um a um todos os fiéis da primeira fila.

Quarta-feira à tarde, ceia à base de feijocas no salão paroquial. Seguir-se-á o concerto.O custo da participação na reunião sobre "oração e jejum" inclui as refeições.

O grupo de recuperação da confiança em si mesmos reúne-se na quinta-feira, às 7 da tarde. Por favor, usai a porta de trás.

Na sexta-feira, às 7 da tarde, as crianças do Oratório representarão "Hamlet" de Shakespeare, no salão da igreja. A comunidade está convidada a tomar parte nesta tragédia.

Queridas senhoras, não esqueçais a venda de beneficência! É um bom modo de vos libertardes das coisas inúteis que estorvam em casa. Trazei os vossos maridos.

O coro das pessoas de sessenta anos dissolver-se-á durante todo o Verão, com o agradecimento de toda a paróquia.

Na quinta-feira, às 5 da tarde, haverá uma reunião do grupo das mamãs. Roga-se a todas as que queiram fazer parte das mamãs que se dirijam ao pároco no cartório paroquial.

Tema da catequese de hoje: "Jesus caminha sobre as águas".
A catequese de amanhã: "À procura de Jesus".

Suécia - Esquerda perde eleições

O Primeiro-ministro sueco já reconheceu a derrota nas eleições legislativas deste domingo.

«A esquerda perdeu para a coligação de centro direita, ainda que com uma margem de pouco mais de 1%, quando estão contabilizados cerca de 92% dos votos.
Goran Persson falha um terceiro mandato e anunciou já que vai amanhã pedir a demissão ao Parlamento».

É este o tipo de democracia que defendo. Gostaria que os resultados fossem opostos mas não há democracia sem alternância.

A santíssima guerra

domingo, setembro 17, 2006

Timor, meu amor...


Li, há mais de quarenta anos, o livro «Funo (Guerra em Timor) de Carlos Cal Brandão. Lembro-me mal do conteúdo que nas andanças da guerra colonial acompanhou a arca de livros que me desapareceu entre Moçambique e o regresso à Pátria.

Ficou-me dessa leitura o interesse e simpatia que a ocupação indonésia tornaria paixão. Acompanhei com raiva e impotência o genocídio de um povo pobre, dividido por etnias, línguas diversas e retalhado por vicissitudes históricas entre Portugal e a Holanda.

Timor-Leste foi vítima de tradições ancestrais onde, aos constrangimentos autoritários de natureza tribal, se juntou o colonialismo e o proselitismo da Igreja católica que não admitia outras formas de culto e procurou erradicar a tradição animista que ainda hoje persiste com contaminações católicas e vice-versa.

Na parte Ocidental, o protestantismo holandês, mais tolerante, permitiu que o animismo e o islamismo se desenvolvessem a par do protestantismo.

Timor foi um lugar de afecto pelos exilados políticos que recebeu, um ponto perdido na imensidão do planeta, ocupado pelos japoneses para base militar do imperialismo, povo martirizado pela monarquia e pela república na sua insubmissão a qualquer tirania.

Mas foi a Indonésia que exerceu a mais odiosa das ocupações e a Austrália a mais concupiscente no desejo de rapina das matérias-primas, em especial o petróleo.

A independência de Timor foi para os portugueses uma espécie de catarse freudiana do seu passado colonialista e um triunfo do espírito humanista e solidário.

Na resistência hercúlea ao poderoso exército indonésio um rosto protagonizou a gesta heróica de um povo, da gente de Timor Lorosae – Xanana Gusmão.

As últimas notícias são demolidoras para Xanana que várias vezes apelidei de ingénuo no golpe de Estado levado a cabo contra o Governo legítimo de Mário Alkatiri.

Hoje, invadido pela tristeza, recuso dar largas à decepção e usar os adjectivos que me ocorrem.

Direi apenas que sinto a mesma mágoa que um dia me atingiu quando Otelo Saraiva de Carvalho, herói de Abril, referência simbólica do dia mais feliz da minha vida, recolheu à cadeia por comportamentos que lhe arruinaram a imagem e comprometeram a honra.

Sinto que Xanana é o Otelo de Timor-Leste.

E não consigo deixar de gostar deles.

Fraqueza minha.

É hoje. Use um chapéu azul... por Darfur!

(Clique na imagem para aumentar)

Quo vadis, Xanana?


«O alegado envolvimento do Presidente Xanana Gusmão no derrube do antigo primeiro-ministro Mari Alkatiri foi hoje noticiado pelo jornal australiano The Age, que cita declarações de um responsável da polícia timorense, actualmente detido numa prisão timorense».

O próximo referendo sobre o aborto


Creio que ninguém, de bom senso, defenderá o aborto como método contraceptivo mas ninguém, de sãos princípios, quererá ver na prisão as mulheres que, quantas vezes em condições dramáticas, a ele recorrem.

A interrupção voluntária da gravidez (IVG) é, antes de mais, um problema de saúde pública que é urgente resolver. A mortalidade provocada em vãos de escada devia pesar na consciência dos que, sendo normalmente homens, condenam sempre as mulheres.

Muitos dos que hoje ameaçam, chantageiam e flagelam a consciência dos que querem resolver uma situação que envergonha o país, foram em tempos contra qualquer espécie de contracepção e contra o planeamento familiar.

Depois bateram-se no Parlamento, donde o problema nunca deveria ter saído, contra a despenalização nos casos de violação, malformação do feto e risco de vida para a mãe. Recentemente vociferaram contra a pílula do dia seguinte e ruminam azedume contra o uso do preservativo na defesa das doenças sexualmente transmissíveis.

Comportam-se como se a lei tornasse obrigatória a IVG quando apenas se pretende que não remeta para os tribunais o seu julgamento e para a cadeia as mulheres.

Em nome de valores, respeitáveis, da sua consciência, há quem os queira impor a todos os outros. Há, no fundo, uma concepção totalitária e vocação inquisitória que revela uma tradição misógina de contornos confessionais.

A IVG não é uma luta entre esquerda e direita. Em França foi a direita que legalizou a IVG. Em Espanha, com Aznar ligado ao Opus Dei e a presidir ao Governo, Badajoz funcionou como destino de ricaças enquanto a polícia portuguesa sujeitava operárias a exames ginecológicos vexatórios e os juízes as condenavam.

É a este estado de coisas que se espera que o próximo referendo ponha cobro. Não estou seguro do resultado porque, embora a esmagadora maioria do povo português discorde das sanções, são muitos os que se desinteressam de manifestar nas urnas o seu desejo.

É preciso uma forte campanha de mobilização dos sectores liberais da sociedade portuguesa.

sábado, setembro 16, 2006

SOL


Nasceu hoje um novo semanário.


Não me parece que traga algo de novo.

Os próximos números dirão se é mais do que a edição semanal do «Povo livre», feita por profissionais.

Não podendo o arquitecto Saraiva fazer de Portugal uma monarquia tentará fazer do Governo um lugar para o PSD.

Hão-de julgá-lo os leitores e o mercado encarregar-se-á de lhe ditar o destino.

Corrupção desportiva vai ter penas agravadas


Para quê?



Já alguém foi preso?

Almeida Santos foi operado



«O presidente do PS, Almeida Santos, foi operado ontem com sucesso ao coração no Centro de Cirurgia Cardiotorácica dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), disse um amigo à Lusa.

O director daquela unidade dos HUC, Manuel Antunes, confirmou que a sua equipa operou Almeida Santos e que a intervenção “correu bem”. O cirurgião escusou-se a adiantar outros detalhes sobre o estado do paciente». (CM)

Ponte Europa regozija-se pela escolha do serviço do Prof. Manuel Antunes, em Coimbra, e deseja ao notável político uma rápida convalescença.

Bento XVI e os muçulmanos


Na opinião de Miguel Ayuso, padre e presidente do Instituto Pontifício de Estudos Árabes e Islamologia (PISAI), de Roma, «o Islão receia contágio do ateísmo ocidental».


Interessante a confusão entre religião e clero.

Não deixa de ser irónico para quem condenou «a liberdade de ofender as crenças alheias» (Bento XVI) ser acusado de o fazer e provocar a cólera de quem não compreende que a liberdade é um bem universal e a religião um direito do foro privado.

Imagem EPA

PGR - PS e PSD reincidem


Não seria altura, depois do último desastre, de nomear um professor de Direito Penal, de reconhecido mérito? A vitória das corporações é a derrota do nosso futuro.

Países não alinhados

Foto AFP/HO - via «Le Monde»
118 países escolhem Cuba, em substituição da Malásia, para a presidência dos países não alinhados nos próximos três anos.

Fidel de Castro (na imagem com Hugo Chavez) será, assim, o próximo presidente.

Não sei porquê, vejo nesta decisão uma metáfora do estado terminal para que se encaminha o conjunto dos referidos países.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Faleceu Oriana Fallaci

(Foto de 2000 (AP)
Faleceu aos 76 anos, vítima de cancro, a jornalista que se notabilizou como correspondente de guerra e cujas entrevistas e os dois últimos livros colocaram na fronteira do racismo.

A partir do 11 de Setembro exacerbou-se o seu ódio visceral aos muçulmanos e ao terrorismo que o fascismo islâmico se tem encarregado de levar a cabo.

Amada por uns e odiada por outros, foi uma referência do jornalismo e uma mulher de causas.

Ateia, não compreendia a complacência do Ocidente em relação ao fanatismo islâmico.
Faleceu na bela Florença que tanto amava e cuja sujidade deplorava e atribuía aos árabes.

A esquerda benzida

Com o título em epígrafe Fernanda Câncio, no DN, volta a abordar a laicidade do Estado assunto que Vital Moreira foi o primeiro a levantar no «Causa Nossa» sob o título «A que propósito…».

O «Ponte Europa» já tinha salvado a face com a publicação do Comunicado da Associação «República e Laicidade».

No entanto, silenciar um acto de subversão do espírito e da letra da Constituição pelo primeiro-ministro é o pior serviço que podemos prestar a um Governo cuja governação é globalmente positiva e que, sem ambiguidades, apoiamos.

Só há países livres onde se pratica a laicidade do Estado e a religião só é livre quando aprende a viver emancipada da tutela do poder político.

IVG

PS já entregou nova proposta de referendo sobre o aborto no Parlamento -15.09.2006 - 11h45 Lusa

“ O PS entregou hoje no Parlamento uma nova proposta de referendo sobre o aborto e o PCP voltou a apresentar o seu projecto de lei que despenaliza a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG).”

Espero que seja o princípio do fim de uma lei hipócrita, obsoleta e injusta, e que, desta vez, seja possível a realização do referendo.

Por DARFUR, no SUDÃO. Grito de um leitor


A situação humanitária na região de Darfur é catastrófica e não permite – por parte dos que se regem por princípios de respeito pelos Direitos do Homem – qualquer tipo de hesitação. Trata-se, pura e simplesmente, de um desastre.

A União Africana (UA) enviou para a região cerca de 7000 homens que, objectivamente, não conseguem controlar a situação.São as próprias forças da UA a reconhecê-lo.

Os acordos celebrados entre Omar al-Bashir (partido do Congresso Nacional) e Salva Kiir (Movimento de Libertação do Povo do Sudão) não contemplam a caótica situação do Darfur que, para sermos exactos e rigorosos, é um GENOCÍDIO.

Na minha concepção de vida e na postura de homem livre, causa-me profunda repulsa que o Mundo possa assistir, impassível e tranquilamente, a um genocídio.E que, dia para dia, vá adiando a sua resolução. E continue a dormir descansado...

A iniciativa de enviar forças da ONU é, para além da tentativa de solução de um problema humanitário, uma questão ética – uma questão de honra, de dignidade.

Omar al-Bashir recusa a intervenção da ONU e exibe, perante os organismos internacionais, uma profunda indiferença por esta dramática situação. É, simultaneamente, um fautor e um cúmplice deste genocídio. É, por isso, um caso que deve cair – com urgência – sob a jurisdição do Tribunal Penal Internacional.

A cada minuto deslocam-se compulsivamente pessoas (refugiam-se), a toda a hora morrem (massacram) pessoas, todos os dias são saqueadas aldeias inteiras e, para sermos directos e explícitos, vive-se aí uma situação em que os seres humanos estão à mercê de bandidos.
Qualquer ente humano, se perscrutar a sua consciência, ouvirá um lancinante grito…


SOCORRO!!!!

Basta!

Autor: e-pá, leitor e comentador do «Ponte Europa»

17 Setembro - Use um chapéu azul... por Darfur!

(Clique para aumentar)

REPÚBLICA e LAICIDADE - associação cívica

COMUNICADO

É com a maior preocupação que a associação cívica República e Laicidade (R&L) regista aqui o facto grave de, uma vez mais, o princípio da não confessionalidade das cerimónias oficiais do Estado ter sido violado.

Desta vez, a situação ocorreu, no passado dia12, numa freguesia rural do Concelho de Faro, durante o acto oficial de inauguração de uma nova escola pública: a cerimónia, presidida pelo Primeiro Ministro da República e onde, entre outras individualidades oficiais, também participou a Ministra da Educação, envolveu a bênção católica das instalações (cf. reportagem nos noticiários da SIC).

Este facto é tanto mais grave quanto é recente a criação da legislação que esclarece os termos, assumidamente não confessionais, por que se deve reger o protocolo do Estado – uma legislação que surgiu, aliás, na sequência de um reparo da associação R&L – e ainda pelo facto de ser o próprio Governo da República, ao seu mais alto nível, a vir dar ao país um péssimo exemplo da sua não aplicação.

14/set/2006 Luis Mateus (presidente) Ricardo Alves (secretário)

quinta-feira, setembro 14, 2006

Associação 25 de Abril

CERIMÓNIA DE COMEMORAÇÃO
DO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE HUMBERTO DELGADO

1906-2006

Com o Alto Patrocínio da Presidência da República


Panteão Nacional
4 de Outubro de 2006
11h00

PROGRAMA


11h00- Execução do Hino Nacional pela Banda de Música da Força Aérea

11h04 – Abertura da Cerimónia

11h05 – Recital de poesia por Teresa Faria, Irene Cruz e Renato Godinho

Alexandre O’neill: “O Poema pouco original do medo”
Egito Gonçalves: “Um Dia de Maio”
Manuel Maria Barbosa du Bocage: “Liberdade querida e suspirada”
Armindo Rodrigues: “Liberdade”
Sophia de Mello Breyner: “Pátria”
Manuel Alegre: “Humberto Delgado”
Rudyard Kipling: “Se” (Tradução de Humberto Delgado)

11h15 – Palavras de Humberto Delgado no Liceu Camões
ditas por Diogo Dória

11h30- Canção da Liberdade, por Miguel Ângelo

11h35 – Discurso do Centenário, por José Pacheco Pereira

11h50 – Intervenção de Sua Excelência o Presidente da República

11h55 – Encerramento da Cerimónia

11h56 – Execução do Hino Nacional pela Banda de Música da Força Aérea

Apresentação da cerimónia por André Gago

O sino do relógio da minha aldeia (crónica)


Na aldeia o sino da torre ainda insiste nas meias horas e, com intervalo curto, na repetição das horas diurnas. Calam-no, de noite, para não perturbar o sono de citadinos em férias. O relógio comunitário ignora os seus homólogos, no pulso dos cidadãos, a sua fiabilidade e a facilidade da consulta.

À força de se repetir vão-se as pessoas esquecendo de escutá-lo e de lhe prestar atenção. Se acaso parar poucos darão pela falta e o abandono será o destino fatal que já o condena. Viverá enquanto não se partir a corda e o maquinismo não encravar.

Mingua nas presas a água que regava os campos à claridade da aurora. Secaram as fontes que alimentavam regatos, mantinham viçosos os prados e os defendiam da canícula.

Falta a água, seca a erva, ficam maninhos os campos. Os velhos vão mirrando enquanto os novos se fizeram à vida e abandonaram as terras e os pais.

Também na igreja o sino chama os paroquianos para os actos litúrgicos com o som triste de quem envelheceu com as pessoas e trina por hábito, sem convicção nem entusiasmo dos que ainda o escutam.

Só os emigrantes iludem, durante as férias, a solidão e abandono a que o interior de Portugal está votado. Foi longo o processo, mas eficaz, penoso e irreversível.

(Publicado no Jornal do Fundão, hoje).

Insurreição dos notários

Escultura de Hans T. Varela - Ministério da Justiça
A Ordem dos Notários vai recomendar aos cartórios, públicos e privados, que recusem “todos os documentos autenticados por advogados e solicitadores”, como por exemplo procurações, escrituras e pactos de sociedades.


Parece que a vocação corporativa dos portugueses vai transformando sistematicamente as profissões em Ordens.

O Estado abdica das suas prerrogativas nas Ordens e confia aos seus dirigentes a defesa do direito, como se as Ordens tivessem por vocação o bem público e como objectivo a defesa do Estado democrático.

A exótica recomendação da Ordem dos notários não é um mero azedume de quem vê os seus interesses feridos, é um acto de desespero de quem se julga com direitos que não tem, uma força que não possui e a ética que lhe falta.

«A lei está mal feita. O legislador pretendeu atribuir competências que, afinal, a lei não permite» - disse o inefável bastonário da Ordem dos Notários, Joaquim Barata Lopes.

Não se percebe como uma lei possa não permitir o que o legislador pretendeu que permitisse. Não é um problema jurídico, é uma questão de lógica, um paradoxo que o bastonário dos notários criou sem se dar conta do problema semântico que levantou.

O respeito pelas leis em vigor, de que os notários são zeladores profissionais, esbarra nos interesses pessoais e nos emolumentos da corporação em que se constituíram. A violência da reacção dá para os não juristas avaliarem o que lhes dói…nas algibeiras.

Mas, por maiores que sejam as queixas que tenha do Governo, por mais injusta que a lei possa ser, a desobediência a que a Ordem dos Notários apelou não é um problema político, é um caso de polícia.

Há anos que venho defendendo a extinção das Ordens apesar da argumentação com que médicos e advogados amigos rebatem o meu ponto de vista. Ainda um dia vou ter razão.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Co-incineração



Processo viável e sem riscos

«Sebastião Formosinho é professor catedrático do Departamento de Química da Universidade de Coimbra e de 2000 a 2002 presidiu à Comissão Cientifica Independente, então extinta pelo Governo PSD.

Dessa comissão saiu um parecer sobre o processo de co--incineração de resíduos perigosos nas cimenteiras, que abonava claramente a favor da opção. Quatro anos depois, Sebastião Formosinho mantém a posição e argumenta que a co-incineração é a melhor opção para a queima de resíduos».

Para os interessados, aqui fica a entrevista completa ao Primeiro de Janeiro

Timor – Igreja abriu Caixa de Pandora

Pandora de Jules Joseph Lefebvre, 1882 - Wikipédia

Timor-Leste: PM Ramos Horta ameaça com demissão se persistir a instabilidade

Díli, 13 Set (Lusa) - O primeiro-ministro timorense, José Ramos Horta ameaçou hoje que se demitiria do cargo, para que foi empossado no passado dia 10 de Julho, caso persista a instabilidade no país.

O padre Domingos Soares, defendeu a intromissão da Igreja católica na política, numa missa celebrada em Gleno, ontem, «pelas almas dos que já tombaram e também por aqueles que estão agora a lutar pela verdade e pela justiça», de entre os quais destacou o major Alfredo Reinaldo - lê-se no Diário as Beiras, de hoje (sítio disponível).

De destacar que o referido militar anda foragido e é acusado de assassínio, sedição e outros crimes.

A iniciativa da realização da missa partiu da Frente Nacional para a Justiça e Paz (FNJP), a organização responsável pelas manifestações em Díli que contribuíram para derrubar Mari Alkatiri.

Adenda às 16H45 - Ameaças ao Governo de Timor-Leste

Cartoon de Bandeira. DN de hoje