quinta-feira, novembro 30, 2006

Bento XVI na Mesquita Azul

Dia 2: o Papa conseguiu hoje mais umas boas fotografias e momentos televisivos. Revela-se um mestre da era da informação, nomeadamente na era da imagem.

Ainda bem! Pela paz. Pela amizade entre os dois lados do mediterrâneo.

Só a amizade e respeito podem construir uma ponte entre as duas grandes civilizações monoteístas.

Tabaco mata mais que a SIDA!

A saúde pública exige de todos nós um especial empenho no debate sobre a proibição de fumar em locais públicos.
A medida mais eficaz para reduzir o consumo de tabaco é a proibição de fumar no local de trabalho.

Notas soltas: Novembro/2006

Madeira – Na peugada de Jaime Ramos, Gabriel Drumond, deputado do PSD/M, exigiu na Assembleia Regional, em 2005, um referendo «para que a Madeira se liberte do poder colonial». Este ano, o arruaceiro de serviço é Coito Pita.

Edmundo Pedro – Um dos últimos sobreviventes do Tarrafal completou 88 anos. Foi preso aos 15 e deportado dos 17 aos 27 anos. Resistiu ao sono, aos espancamentos e à tortura, sem vacilar nem trair. Exemplo raro de coragem e de civismo.

Irão – Um país pária, ao serviço da fé, controlado pelo clero, é perigoso para o mundo e para o seu povo. A demência e os crimes do Ayatollah Khomeini repetem-se, agora sob o espectro da ameaça nuclear.

PSD – O apoio de Marques Mendes a Alberto João Jardim, na batalha das Finanças Regionais, evita-lhe os insultos do inimputável líder insular, mas desacredita-o perante o País.

CDS – O partido rejeita Ribeiro e Castro, o líder que preserva a herança de quem deu, aos marcelistas, a oportunidade da conversão à democracia; procura outro, que faça o caminho inverso.

Saddam Hussein – A condenação, à morte, foi uma farsa que colocou os juízes ao nível do réu: pela previsibilidade da sentença, crueldade da pena e falta de isenção do tribunal. Não julgaram um facínora, atribuíram-lhe a pena que os ocupantes quiseram.

EUA – A derrota eleitoral de Bush foi arrasadora. A perda do controlo da Câmara dos Representantes, do Senado e de vários Estados, pelos Republicanos, foi um severo revés para quem o mundo considera um perigo, só comparável a Bin Laden.

Donald Rumsfeld – A demissão não tornou mais seguro o planeta nem alterou a natureza da actual Administração americana, mas afastou o principal rosto dos neo-conservadores. Antes, Bush falava directamente com Deus; agora, é obrigado a ouvir primeiro o Congresso.

Iraque – O banho de sangue continua. Os EUA e os seus cúmplices só fizeram asneiras e criaram problemas, sem encontrarem soluções nem saberem como sair.

Nicarágua – O líder sandinista, Daniel Ortega, deve a vitória eleitoral às divisões da direita e ao mérito de Bush que, na América latina, ajudou a criar condições para sucessivas vitórias da esquerda, nem todas auspiciosas.

Greves – São legais e justas. Muitos funcionários vêem restringidos os direitos e goradas as expectativas. Resta saber se o Estado está em condições de ceder, sem pôr em risco o equilíbrio orçamental e o futuro do País.

Referendo – Após as declarações do patriarca Policarpo, esperava-se uma atitude civilizada do clero e respeito pelas funções do Parlamento, mas a Conferência Episcopal não resistiu à incontinência verbal e ao desejo de ver as mulheres na cadeia.

Santana Lopes – O «menino guerreiro» lançou o livro «Percepções e Realidade» e revelou a insensatez com que Durão Barroso lhe endossou o PSD, o Governo e o País, para fugir das funções para as quais nenhum deles estava apto.

Durão Barroso – A preparação da fuga para Bruxelas já estava em curso na noite em que perdeu as eleições europeias, enquanto fingia apoiar António Vitorino, revelando o carácter de um homem dissimulado, sem ética, nem sentido de Estado.

Cavaco Silva – A consonância com o primeiro-ministro é uma evidência que a entrevista à SIC confirmou. No imediato, é um benefício para a difícil situação do País; a prazo, é um problema para o PS e a garantia de tumultos no PSD.

França – Ségolène Royal, candidata socialista às eleições presidenciais, é culta, inteligente e determinada. Traz uma lufada de ar fresco à política gaulesa e merece conquistar o palácio do Eliseu.

Opus Dei – A poderosa e controversa instituição está de parabéns ao conseguir atrair para a sua órbita, através de um doutoramento, o general Ramalho Eanes, antigo PR, com um passado mais estimável que o do fundador da prelatura.

Carmona Rodrigues – É um autarca pior e mais perigoso que o seu antecessor e antigo protector, capaz de aprovar loteamentos em zona que pode servir o TGV ou uma nova ponte. Desde 1755 que a cidade de Lisboa não era tão sacrificada.

OTA – O aumento do tráfego aéreo tornou inevitável e urgente a sua construção. Vê-se agora que o adiamento foi prejudicial para o País e que a direita lesou o interesse nacional ao serviço da guerrilha partidária.

Turquia – As manifestações contra o Papa são legítimas. O ódio e a violência, não. O fanatismo revela o que de pior tem a fé – a incapacidade de lidar com a diferença e de aceitar o pluralismo.

aesperanca@mail.telepac.pt

Fumar em locais fechados abertos ao público?

Direitos (ou interesses) que importa proteger:
- direitos dos trabalhadores
- interesses dos não fumadores
- interesse geral de saúde pública.

Direitos limitados:
- a liberdade individual
- o livre desenvolvimento da personalidade.

Solução:
Não proibir fumar.
Antes limitar essa actividade a locais que não violem os direitos de terceiros acima referidos (casa particular, ar livre, jardins, etc.).

"Smoke-pub" é uma solução interessante, mas não respeita os direitos à sáude e higiene no trabalho dos trabalhadores.
Alternativa: em estabelecimentos com mais de 100m2 criar salas de fumo, às quais não tenham que aceder trabalhadores. (serviço self-service em local "normal").

Referendo já tem data

Com ar constrangido, o Presidente da República, reiterou várias vezes a legalidade e constitucionalidade do referendo sobre a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez, até às 10 semanas, nas condições fixadas pela Assembleia da República.

O referendo terá lugar no dia 11 de Fevereiro de 2007.

Espera-se que a «serenidade e elevação» pedidas pelo PR, sejam respeitadas.

Quem não gosta de perseguir as mulheres, vai votar SIM.

Grave. Muito grave.

O chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), almirante Mendes Cabeçadas, repudiou a divulgação de uma carta dirigida ao ministro da Defesa Nacional, na qual resume algumas preocupações dos chefes militares, avança a Lusa.

O mais grave não é a divulgação, é a carta. Ruído de caserna.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Exclusão social ou marginalidade?

A pedido de um leitor (Tertuliano) aqui deixo duas perguntas pertinentes:

O que pensa dos bairros sociais de Coimbra?

- Bairro do Ingote
- Bairro da Rosa

O que poderia ser feito para melhorar a imagem e as condições de quem ali vive?".

Responda quem souber.

Aprovação da legislação sobre o consumo de tabaco


Por uma boa causa!
Participe!
Assine!
http://www.petitiononline.com/NOTABACO/petition.html
Vamos derrotar mais este fascismo!

Bento XVI apoia adesão turca à União Europeia


O cardeal Ratzinger era contra.

Uma ode ao Estado Laico!


Olhem para quem eles se voltam no momento do diálogo de civilizações!


Mustafa Kemal Atatürk, fundador da Turquia moderna, da Turquia laica, onde a educação foi valorizada, os direitos das mulheres proclamados e se visou uma era de paz e prosperidade, sem Império, mas sem as manchas de genocídios e colonização.

Atatürk, o homem a quem o Papa prestou homenagem, porque um Estado laico é aquele que melhor respeita a religião: todas as religiões.

A Turquia não é perfeita, mas seria bem pior se não tivesse sido erguida por este político progressista e culto.

terça-feira, novembro 28, 2006

Um bom dia para o Papa. Um pequeno passo no diálogo de civilizações!

Dia 1: tudo correu bem. Politicamente correcto. Diplomático.
Erdogan surpreendeu, depois de um golpe de bluff "negativo"… Uma surpresa agradável.

Bento XVI fez bem, muito bem, em afirmar que apoiaria a entrada da Turquia na União Europeia. Falou sobretudo para o seu “povo”: a Áustria e a Baviera, onde militam os mais fervorosos adversários da entrada do Estado herdeiro do Império Otomano na Europa.

A Turquia de Atatürk é um bom aliado na NATO, é um parceiro responsável no Conselho da Europa (embora – hélas! – frequentemente condenado pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, cujas decisões acata ordeiramente….) e se objectivamente cumprir os critérios de adesão, será um bom amigo no clube da Europa!

Muito bem, Bento XVI! Se a visita continuar assim, será uma semana muito positiva!

Espaço dos leitores

Ponte Europa/Pitecos-Zédalmeida

Visita de Bento XVI à Turquia


Os milhares de fanáticos que ululam nas ruas da Turquia não são meros manifestantes que detestam Bento XVI -, são bandos de intolerantes que se julgam detentores da verdade única e do único Deus verdadeiro.

Querer impedir a visita do Papa, que viaja legalmente, é um acto de proselitismo que a demência da fé alimenta. Não interessa se o Papa é parecido com os que o contestam, se pensa de Maomé o que este pensava do toucinho, se está igualmente convencido de que a sua Igreja é a única verdadeira e o seu Deus o único com certificado de garantia.

O que está em causa é a liberdade e o respeito pela Declaração Universal dos Direitos do Homem.

O Papa tem o direito de visitar a Turquia porque as autoridades legítimas o consentiram.

Combater ideias sem molestar as pessoas é um direito democrático que os beatos não aceitam. É por isso que a laicidade do Estado se torna tão necessária e urgente.

Equador - Eleições presidenciais


Rafael Correa consolidou nesta segunda-feira, 27, a sua vitória eleitoral para presidente do Equador sobre o magnata de direita, Alvaro Noboa, que pediu uma contagem voto a voto em duas províncias que representam 36% da votação total.

A vitória de Rafael Correa é uma evidência e um problema para os EUA. A sua clara simpatia por Hugo Chavez e a obsessão por um socialismo terceiro-mundista, coloca o Equador na linha do anti-americanismo militante que grassa na América do Sul.

O futuro presidente representa uma esquerda que não me inspira particular simpatia, mas não lhe falta legitimidade democrática nem o apoio expresso do seu povo. É, aliás, um académico ilustre com provas dadas.
.
Rafael Correa, ao comemorar o triunfo, gritou o lema de Che Guevara ("Até a vitória, sempre!") e pediu ao adversário que aceitasse a derrota.
*
Desejar sucesso ao futuro presidente e respeitar o veredicto do povo do Equador é um dever democrático de que nem os EUA estão dispensados.

segunda-feira, novembro 27, 2006

Combate à corrupção. Finalmente...

Um director-geral e um autarca detidos.

A guarda civil deteve o director-geral do Ordenamento do Território das Baleares, Jaume Massot, o alcalde de Andrax, Eugénio Hidalgo, do PP, um fiscal de obras dessa autarquia e pelo menos três outras pessoas com ligações ao edil, numa operação contra a corrupção urbanística.

Foi em Espanha.

Fonte: el.Periódico.com 27/11/2006 16:39 h PRESUNTA CORRUPCIÓN URBANÍSTICA

Mário Nunes dá nome a sala de leitura


O executivo da junta de freguesia de Santa Clara decidiu, por unanimidade, dar o nome do vereador Mário Nunes a uma sala de leitura.

Mário Nunes, emocionado, agradeceu a lembrança ao presidente da Junta, José Simão, mas, modestamente, declarou: «sou um humilde cidadão que tem, acima de si, valores espirituais incontornáveis. Por isso, se estiverem de acordo, sugiro que esta sala fique a chamar-se Espaço de cultura Rainha Santa Isabel».

Ninguém, nem o pio edil Carlos Encarnação, devoto militante da santa rainha, esteve de acordo. Assim, Mário Nunes deixa o seu nome imortalizado, no campo da cultura, numa capela remodelada, junto ao cemitério.

Fonte: Diário as Beiras

Inauguração da ponte pedonal em Coimbra

O Presidente da República inaugurou, ontem, a ponte pedonal Pedro e Inês, sobre o rio Mondego.

Violando a separação da Igreja e do Estado a ponte foi benzida pelo bispo de Coimbra.

Finalmente a ponte pedonal. Mais vale tarde do que nunca.

domingo, novembro 26, 2006

Citação

Excerto de um artigo sobre o acórdão do Tribunal Constitucional que se pronunciou sobre a legalidade e constitucionalidade da pergunta do próximo referendo:

Valerá, também, a pena ler, tanto pelos conceitos como pelo estilo, o voto e respectiva declaração do juiz conselheiro Benjamim Rodrigues, mediatizado como o "juiz do Multibanco", de que se transcreve um excerto: "O aborto importa a morte do concreto titular da vida humana, do concreto embrião/feto. Com ele extingue-se o direito de se desenvolver no seio materno (e de mais tarde nascer), de acordo com a informação codificada no DNA, a vida humana do concreto feto advindo do específico ovo ou zigoto, este, por sua vez, resultante da fecundação do concreto ovócito pelo concreto espermatozóide." Concretamente! ■

Francisco TEIXEIRA DA MOTA - PÚBLICO 26NOV2006

Espaço dos leitores

Ponte Europa/Pitecos-Zédalmeida

25 de Novembro

Ponte Europa/Pitecos-Zédalmeida

Depois de regressar da Madeira...

Marques Mendes acusou ontem o Governo de «falta de vontade política para combater a corrupção».

Fonte: DN, hoje – pg. 6

Terramoto na tesouraria da Câmara

Bastaram seis anos de coligação de direita.

Homenagem. Dois poemas


OUTRA COISA

Apresentar-te aos deuses e deixar-te
entre sombra de pedra e golpe de asa
exaltar-te perder-te desconfiar-te
seguir-te de helicóptero até casa

dizer-te que te amo amo amo
que por ti passo raias e fronteiras
que não me chamo mário que me chamo
uma coisa que tens nas algibeiras

lançar a bomba onde vens no retrato
de dez anos de anjinho nacional
e nove de colégio terceiro acto

pôr-te na posição sexual
tirar-te todo o bem e todo mal
esquecer-me de ti como do gato

Mário Cesariny

RUA 1º DE DEZEMBRO

À hora X, no café Portugal
À mesa Z, é sempre a mesma cena:
Uma toupeira ergue a mãozinha e acena…
Dois pica-paus querelam, muito entusiasmados:
Que a dita dura dura que não dura
A dita dita ditadura – dura desdita!
Um pássaro canta diz isto assim é pena
E um senhor avestruz engole ovos estrelados.

Mário Cesariny

sábado, novembro 25, 2006

A escandalosa impunidade


«Número de mulheres quer morrem vítimas de violência doméstica é superior ao total de agressores condenados a pernas de prisão por crimes perpetrados no âmbito da família».

Lê-se e não se acredita. A felicidade publicamente encenada e a alegada brandura dos costumes não disfarçam a violência surda que se abate sobre as mulheres. Sempre as mulheres!

A crueldade doméstica, a tradição e a cumplicidade familiar estão na origem de tragédias que se consumam no silêncio do lar.

Iraque: Responsável de Abu Ghraib afirma que Rumsfeld autorizou torturas

Madrid, 25 Nov (Lusa) - O ex-general Janis Karpinski, responsável pela prisão iraquiana de Abu Ghraib entre Julho e Novembro de 2003, afirma que o anti go secretário de Estado de Defesa norte-americano, Donald Rumsfeld, autorizou as torturas no Iraque.

Adenda - Diário de Notícias de 26-11-2006. Uma vergonha e um crime miserável.

Iraque - Violência religiosa


Se, cada vez que morre um iraquiano, vítima da violência sectária, nos lembrássemos dos responsáveis da guerra preventiva, não teríamos um segundo disponível para outros pensamentos.

Se um sentimento de justiça habitasse os cidadãos dos países cujos governantes desprezaram a ONU e o direito internacional, e mentiram, inventando armas de destruição maciça, deveríamos exigir o seu julgamento no TPI.

Os iraquianos que sucumbem na orgia de sangue, que o tribalismo e a fé se encarregam de levar a cabo, lembram aos agressores o maior erro histórico deste século e um crime de proporções inauditas.

Quando as rivalidades étnicas entre xiitas e sunitas atingem uma violência intolerável, a que ninguém consegue pôr cobro, vêm à memória as guerras religiosas entre católicos e protestantes que dilaceraram a Europa.

Então era a obediência ao Papa que estava em jogo, misturada com um negócio de indulgências, hoje é o ajuste de contas por umas divergências antigas sobre Maomé, com um genro de permeio.

Os sunitas ganham o Paraíso a matar xiitas, estes têm acesso a matar aqueles. Se vissem o estado lastimável em que chegam, desistiam das 70 virgens que julgam à espera!

Talvez por isso as virgens que aguardam os dementes da fé permaneçam eternamente virgens.

Ajudar a queimar o líder

Ponte Europa/Pitecos - Zédalmeida

sexta-feira, novembro 24, 2006

CONVITE



CONVITE


Carlos Barroco Esperança e Marktest convidam

Os leitores do «PONTE EUROPA»

e família a estarem presentes no lançamento do livro


Pedras Soltas - Memórias Perdidas… e Achadas,

da autoria de Carlos Barroco Esperança


A sessão de lançamento decorrerá em Almeida, no Auditório da Casa do Povo,
no próximo dia 9 de Dezembro, pelas 15 horas.


Rsff para: Marktest Luis Veiga
Telefones: 213 470 866; 918 841 061
Correio electrónico: veiga@hq.marktest.pt

Militares ao Quartel!

Basta!
Um dos países europeus, sem inimigos vizinhos imediatos, que mais despesa per capita apresenta com as Forças Armadas… e sem que se evidencie a qualidade do seu equipamento?!
Só pode querer dizer que 31 anos depois do fim da Guerra colonial as FA ainda estão sobredimensionadas em pessoal e em despesa corrente. Assim não pode continuar!

Admiro o desempenho dos nossos militares nas múltiplas frentes internacionais em que estão envolvidos. Embora, quiçá, também nesse aspecto tenhamos mais “olhos que barriga”… São mais de mil soldados lá fora!
As FA cumprem um papel notável nas operações de paz e contribuem decisivamente para o prestígio de Portugal no Mundo!

Mas, não é um balanço sobre o mérito das Forças Armadas que está hoje, quando mais um contingente parte para o Líbano, em causa.
É antes o repúdio pelo “passeio do descontentamento” que agita os nossos noticiários e abala o prestígio do Estado.

O Chefe Supremo das Forças Armadas fugiu ao assunto na entrevista que “deu” à SIC. Ninguém lhe conhece um pensamento, uma reacção, uma atitude. Apenas os votos de “estabilidade” e “tranquilidade”. Uma canção de embalar… que em nada engrandece a Presidência da República.

O Governo deve actuar de acordo com o seu programa. Com justiça e ponderação. Sem recusar o diálogo e a negociação. Mas sempre almejando um reequilíbrio das despesas que deverá passar por melhores Forças Armadas com menos despesa!

E para dialogar é preciso dizer bem alto: Militares ao Quartel!

Por favor, não prendam as mulheres

CINCO MILHÕES DE MULHERES INTERNADAS DEPOIS DE ABORTOS CLANDESTINOS.

Quando mais de cinco milhões de mulheres têm complicações graves, na sequência de abortos clandestinos, e a mesma razão constitui, todos os anos, causa de morte para 68 mil mulheres, temos um caso grave de saúde pública, a nível mundial.

Não se trata de usar a dimensão da tragédia para violar a consciência dos que, por razões respeitáveis da sua liberdade individual, votam NÃO no referendo que se avizinha, em Portugal. É uma chamada de atenção para os que não costumam dar-se ao trabalho de ir votar.

Os números referidos são da OMS e servem de base a um estudo da revista «Lancet», provavelmente a mais respeitada e credível revista médica, a nível mundial.

O que está em causa não é a obrigatoriedade do aborto, situação que tem precedentes na Índia e na China, mas tão só o impedimento legal de perseguir as mulheres – sempre as mulheres, só as mulheres –, por razões tantas vezes dramáticas.

Os argumentos que agora repetem os partidários do NÃO são os mesmos que usaram quando a violação, a malformação do feto e o perigo de vida da mãe levaram a Assembleia da República (sede donde nunca deveria ter saído a solução) a descriminalizar tais situações. Foram ferozes os anátemas, terrorista a linguagem e chocantes as imagens utilizadas.

Pior do que a IVG até às 10 semanas é o fruto do incesto, o desespero de quem não tem condições psicológicas para carregar durante nove meses uma frustração e o nascimento de um filho indesejado.

Com a mesma serenidade com que os adversários vão votar não, com o cansaço de ver mulheres presas por um crime que deixou de o ser na maior parte dos países europeus, vou votar SIM.

Homenagem a António Gedeão


Poema para Galileo

Estou olhando o teu retrato, meu velho paisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios.)
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.

Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…
Eu sei… eu sei…
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileo Galilei!

Olha. Sabes? Lá em Florença
está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.
Palavra de honra que está!
As voltas que o mundo dá!
Se calhar até há gente que pensa
que entraste no calendário.

Eu queria agradecer-te, Galileo,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar- que disparate, Galileo!
- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação-
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.

Pois não é evidente, Galileo?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?
Esta era a inteligência que Deus nos deu.

Estava agora a lembrar-me, Galileo,
daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo
e tinhas à tua frente
um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo
a olharem-te severamente.
Estavam todos a ralhar contigo,
que parecia impossível que um homem da tua idade
e da tua condição,
se tivesse tornado num perigo
para a Humanidade
e para a Civilização.
Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,
e percorrias, cheio de piedade,
os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.

Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,
desceram lá das suas alturas
e poisaram, como aves aturdidas- parece-me que estou a vê-las -,
nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.
E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual
conforme suas eminências desejavam,
e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal
e que os astros bailavam e entoavam
à meia-noite louvores à harmonia universal.
E juraste que nunca mais repetirias
nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,
aquelas abomináveis heresias
que ensinavas e descrevias
para eterna perdição da tua alma.
Ai Galileo!
Mal sabem os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andavam a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.
Tu é que sabias, Galileo Galilei.

Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.
Por isso estoicamente, mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos,
enquanto eles, do alto incessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa do quadrado dos tempos.

(António Gedeão)
NOTA: O poeta faria hoje 100 anos

CONVITE


Dia 6 de Dezembro de 2006, às 17h30.

Tribunal da Boa Hora - 6.ª Vara Criminal - Descerramento de uma placa alusiva aos julgamentos ali efectuados, no Tribunal Plenário entre 1945 e 1974, onde a justiça e os direitos humanos foram espezinhados, pelos esbirros da ditadura.

A placa será descerrada por Edmundo Pedro e Nuno Teotónio Pereira.

Haverá as seguintes intervenções:

Mário Soares, ex-advogado de defesa (e também ex-condenado pelo Tribunal Plenário);
António Borges Coelho, ex-preso político;
Cláudia Castelo, da geração pós 25 de Arril, em nome do Movimento "Não Apagauem a Memória".

Encerramento por um juiz, em representação do tribunal.

Compareçam, ajudem a não deixar que apaguem a memória!

quinta-feira, novembro 23, 2006

FCTUC integra "Programa MIT-Portugal"

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) integra o Acordo de parceria, assinado entre o Governo Português e o MIT (Instituto de Tecnologias de Massachusetts) nas áreas de gestão e engenharia, que envolve sete universidades e um financiamento público global de 32 milhões de euros às instituições nacionais envolvidas.
O programa MIT-Portugal abrange centros de investigação, docentes, investigadores e alunos na forma de consórcios entre escolas de ngenharia, faculdades de ciências e tecnologia e escolas de economia e gestão em 7 universidades portuguesas, incluindo empresas, laboratórios associados e estatais.
O acordo na área de engenharia será desenvolvido com base em quatro áreas temáticas: engenharia de concepção e sistemas avançados de produção, sistemas de energia, sistemas de transporte e sistemas de bioengenharia.

Por uma Educação melhor!




O diagnóstico está feito há muito e pelos melhores: Portugal sofre de um défice de formação de recursos humanos.

É o preço que pagamos por 300 anos de Inquisição e meio século de salazarismo. Os últimos 30 anos foram de grande investimento. Investimos na quantidade de docentes, de escolas, de equipamentos e mais crianças e jovens tiveram acesso à escola, mas tal não se reverteu em mais qualidade.
A verdade é que somos o pior país da União Europeia em termos de taxas de escolarização e não apenas no que respeita às gerações do tempo do Estado Novo, mas ainda hoje o abandono escolar se afigura dramático e o insucesso de muitos jovens estudantes é evidente.

A resignação e a maledicência não nos resolverão o problema, nem assegurarão a nossa reforma. Sim, porque da UE não vem, nem virá dinheiro para a segurança social: têm que ser os nossos filhos a garantir o futuro do nosso pobre modelo social. E, para tanto, Portugal precisa de criar riqueza no tempo que veio para ficar da globalização.

O Governo deu um importante contributo para mudar a situação. Não sendo especialista na matéria, arrisco avaliar o novo Estatuto da Carreira Docente, aprovado hoje em Conselho de Ministros, pelos seus princípios gerais e pelo que, apesar do enorme ruído que a seu propósito se gerou, consegui decifrar pela comunicação social.

Ora, em primeiro lugar, destaco que este Estatuto foi fruto de uma longa negociação que durou muitos meses. O documento que hoje se aprovou consiste na sua oitava versão.
No plano da substância, é de aplaudir um Estatuto que promova o mérito, que estabeleça regras rigorosas para a avaliação, que compense profissionalmente e monetariamente os melhores professores.
Seria, talvez, a única profissão em que todos atingiam o topo da carreira, sem prestar provas (a sério) e sem atender ao mérito de cada um dos docentes.

Tantos se queixavam que “tanto faz dedicar-se, empenhar-se, ser zeloso no cumprimento dos seus deveres profissionais”. Todos subiam na carreira praticamente apenas em função dos anos de serviço; a remuneração e as regalias igualitaristas premiavam apenas preguiça e o desleixo.

O problema da Educação em Portugal não se resolve só por termos professores mais briosos e empenhados, com valorização da sua auto-estima profissional. Mas isso pode ajudar muito!

Parabéns à Ministra da Educação, Doutora Maria de Lurdes Rodrigues, e ao Governo!


P.S (declaração de interesses): o Estatuto em causa não afecta a minha vida profissional. Adivinham-se grandes mudanças no Ensino Superior; muitos aí vão sofrer também; ninguém está (deve estar) imune aos ventos de reforma.

Irresponsabilidade ou crime?

quarta-feira, novembro 22, 2006

Comissão Europeia. Durão Barroso



Faz hoje dois anos que foi nomeado.

Ainda a entrevista do P.R.

«A grande crítica que faço à entrevista de Cavaco é que foi de uma banalidade atroz».

(Marcelo Rebelo de Sousa, homilia dominical na RTP - «As Escolhas de Marcelo»)

terça-feira, novembro 21, 2006

Grupo dos Amigos de Olivença

Nota Informativa

Tribunal da Relação dá razão ao Grupo dos Amigos de Olivença e determina aabertura de Instrução Governantes do Estado Espanhol arguidos em processo penal

O Tribunal da Relação de Évora, dando total provimento ao Recurso apresentado pelo GAO, no âmbito do Processo Penal que corre na Comarca deElvas relativo às obras ilegais efectuadas na Ponte de Nossa Senhora da Ajuda, determinou que o Tribunal Judicial de Elvas realizasse a InstruçãoPenal naqueles autos, devendo ser constituídos arguidos os representantesdo Governo Espanhol (Ministro do Fomento, Director General de Carreteras e Sub-director General de Arquitectura), os Administradores da Sociedade Freyssinet, SA, e os Presidentes do Instituto Português do PatrimónioArquitectónico e da Câmara Municipal de Elvas.

Oportunamente, o GAO participou das referidas entidades pela prática decrimes públicos de dano (quanto aos governantes espanhóis e aosadministradores da empresa empreiteira) e de denegação de justiça (quantoaos titulares das instituições portuguesas), ilícitos cometidos com aintervenção clandestina e ilegal no indicado Imóvel de Interesse Público - a Ponte de Nossa Senhora da Ajuda, situada entre Elvas e Olivença - emMarço de 2003, tendo-se constituído Assistente nos autos.

Em acórdão claro e impressivo, o Tribunal da Relação de Évora decidiu agora, «concedendo provimento ao recurso, revogar o despacho recorrido, que deverá ser substituído por outro que admita o requerimento para abertura de instrução formulado, não ocorrendo fundamento legal impeditivo».

O GAO, congratulando-se com o Acórdão ora proferido, aguarda com muita expectativa o desenvolvimento do processo penal - que, como Assistente, continuará a acompanhar - confiando que, naturalmente, não deixará de ser apurada a responsabilidade das entidades arguidas, designadamente a dosrepresentantes do Governo Espanhol.

Pode consultar-se o texto do Acórdão em:

www.olivenca.org/imagens/TRelacao_Evora_Prc_2170_05.pdf
<http://www.olivenca.org/imagens/TRelacao_Evora_Prc_2170_05.pdf>

+Serviço Informativo do GAO.Lisboa, 20-11-2006.

Infidelidade consentida

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) comporta-se, sob a presidência do arcebispo de Braga, Jorge Ortiga, como a sucursal de um ministério da Promoção da Virtude e da Prevenção do Vício.

A CEP começou por negar à Assembleia da República o direito de legislar sobre o aborto e acabou a designar a procriação medicamente assistida - quando os espermatozóides ou os óvulos utilizados no processo não forem do próprio casal -, «infidelidade consentida».

Os bispos não são peritos em questões de reprodução Julgam que os espermatozóides viajam no pénis do dador até ao óvulo da receptora ou que a produtora do óvulo o deixa extrair, às escuras, por um falo desconhecido a fazer de aspirador.

Os bispos podem fazer greve à reprodução mas não têm o direito de ofender quem procura um filho a quem transmitir o amor que sente.

Para quem tem preconceitos com o sexo, devia ser mais sedutor o tubo de ensaio do que os fluidos pecaminosos que acompanham a concepção.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Marcelo pisca o olho à esquerda?


Marcelo tenta ir marcando o seu espaço guinando agora à esquerda. É evidente o fascínio que a Sr.ª Ségolène exerce sobre o Professor de Direito. Conseguimos vislumbrar que não se trata apenas de ela ser da esquerda “moderna” ou da “terceira via”. Ele entende que Royal se revela a única candidata que conseguirá tirar a França do pântano em que 12 anos de Chirac a afundaram. Por seu turno, o mau desempenho e as piores ideias que o provável candidato Sakozy (um “não-Gaullista”) apresenta não convencem ninguém de bom senso.
Marcelo confessou mesmo que se fosse francês votava no PS! No PS de Ségolène Royal!

Ora, tais declarações não são inocentes. Lembremos que na antevéspera da esmagadora vitória dos democratas nos Estados Unidos, o sempre atento e nunca inocente “comentador” salientava que só um Partido Democrata muito fraco não ganharia a
Casa dos Representantes, tentando desde logo desvalorizar a vitória que se adivinhava… O que nunca imaginou é que os Democratas ganhassem por uma distância tão significativa e que, para mais, recuperassem o Senado e que ganhassem vários Estados ao nível do cargo de Governador.

Marcelo quis afastar-se da Direita que Sakozy representa: o populismo liberal na economia e cínico nas questões sociais e na imigração.

Do mesmo modo, o “eterno candidato” demonstrou grande autoridade ao desferir a critica mais contundente da semana à entrevista do Presidente da República: “Cavaco não tem opinião sobre o mundo”. E remata: “Por que é que ele deu a entrevista?”
Pois… não querendo ser desmancha-prazeres, isso é o que 49,9% dos eleitores portugueses demonstraram já saber e tal facto – que é grave – muito grave! – foi devidamente assinalado pelos seus principais opositores na pugna eleitoral.
Pena é que influentes “opinion makers” – como o Prof. Marcelo – tenham levando ao colo durante 10 anos Cavaco a Belém, sem compreender que a função presidencial precisava de alguém mais mobilizador, mais empenhado, com mais cultura política e humanística.

Mas Marcelo não aprende com os erros! E ficámos todos a saber que nos próximos 9 anos vamos ser convencidos que o inefável Barroso será o “melhor candidato”, “o homem certo” para suceder a Cavaco como Chefe de Estado.

Neste jogo de paradoxos e contradições, Marcelo ou está desorientado ou procura desorientar os portugueses.
Aplaudo o facto de ele apoiar Ségolène e de criticar a fraca entrevista do PR. Mas preocupa-me esta encenação relativamente ao Presidente da Comissão Europeia.
A menos que Marcelo pretenda denunciar com grande antecedência as aspirações do seu companheiro Durão de modo a que este encontre muitos obstáculos e espinhos nessa hipotética caminhada...
E “queimando” Durão, lá ficará, quase sozinho, o eterno candidato, na altura já uma mistura de PS (francês) e PSD (português): o “comentador” Marcelo, pois claro.

CONVITE

Integrada nas comemorações do seu 10º Aniversário, a Casa-Museu . Centro Cultural João Soares tem o prazer de convidar V. Exa. para a inauguração da exposição

"Casa-Museu João Soares: 10 anos"

que terá lugar no dia 21 de Novembro de 2006, pelas 18h30, em Cortes. Em anexo, enviamos o programa completo das Celebrações do aniversário, esperando contar com a presença de V/ Exa.

Aproveitamos a oportunidade para informar que o título da Conferência do Senhor Dr. Jorge Sampaio, organizada pela Liga de Amigos da Casa-Museu que se realiza igualmente no dia 21 de Novembro pelas 20h00, na Quinta de S. António do Freixo, é:

Portugal e os desafios da era global - algumas reflexões pessoais

O PSD perdeu a cabeça...




- Marques Mendes, crispado, disse do Governo, a partir do Brasil, exactamente o contrário do que disse o Presidente da República em entrevista à televisão;

- Um vice-presidente do PSD atira-se ao PR, após a mesma entrevista, como gato a bofes;

- Luís Filipe Menezes colou-se ao PR, para preparar a queda de Marques Mendes;

- Na CML, Carmona Rodrigues preteriu um administrador protegido pela vereadora M.ª José Nogueira Pinto, a favor de outro, imposto por Marques Mendes, e destrói a coligação de direita;

- O PGR teve um almoço de trabalho com o primeiro-ministro e os ministros das Finanças e da Justiça. Onde o PCP, BE e CDS viram uma normal reunião para «tratar de assuntos de Estado», o PSD viu, sozinho, uma «completa e descarada interferência do poder político no poder judicial»;

Enquanto as facas se alongam para as noites que se avizinham, depois de conhecidas as deploráveis circunstâncias em que Durão Barroso fugiu para Bruxelas, no PSD travam-se as primeiras escaramuças de uma sangrenta batalha pela cavaquização do partido.

As Câmaras são agências de turismo?

Ontem, enquanto jantava, assisti a um concurso – «Preço Certo». Qual não foi a minha surpresa quando uma das concorrentes revelou que o transporte, para si e família, tinha sido fornecido pela autarquia algarvia onde morava.

É uma surpresa a transformação que as Câmaras Municipais vão sofrendo a fim de se constituírem em agência de transportes gratuitos para os munícipes.

A oferta de transportes para deslocações a santuários marianos é um hábito generalizado, mas, a concursos televisivos, é a primeira denúncia pública de que tenho conhecimento. Denúncia involuntária, é certo, que os inspectores do M.A.I. não podem ignorar.

Mário Sottomayor Cardia




Desapareceu mais um fundador do PS e uma vítima das torturas da PIDE.

A sua juventude esteve ligada à luta pela democracia, alvo da violência fascista, da prisão e das torturas que o puseram à beira da cegueira.

Antigo colaborador da Seara Nova, foi sócio da Cooperativa Devir, militante da base do Lumiar e integrou a lista dirigente saída do primeiro plenário clandestino da CDE que reuniu cerca de 800 militantes em Odivelas.

Quando a polícia localizou a base do Lumiar e a cercou antes da habitual reunião das sextas-feiras foi em sua casa, perto do Campo Grande, que essa reunião se realizou.

A fragilidade física escondia um homem corajoso e um intelectual de sólida cultura com alguma tendência para atitudes individuais e um certo isolamento.

Participou nas Jornadas Democráticas de Aveiro ao arrepio da decisão da base do Lumiar que, por divergências ideológicas, decidiu não participar. Cardia não aceitou a decisão e participou a nível individual.

Depois do 25 de Abril, foi deputado, ministro e professor universitário.

Mais um antifascista que parte, enquanto a memória da ditadura se vai perdendo.

sexta-feira, novembro 17, 2006

A entrevista de Cavaco Silva

Depois da tragédia que foram os Governos de Durão Barroso/Portas e Santana/Portas, que Presidente da República não apoiaria o actual Governo?

«L’important c’est la rose».


A política francesa é importante pelo peso económico e cultural e pela história recente da França na construção da União Europeia de que foi, com a Alemanha, o motor, e a quem forneceu o mais carismático e competente dos presidentes – Jacques Delors.

Para Portugal a França foi sempre a referência obrigatória da cultura e dos costumes. Foi o lugar de acolhimento dos que fugiram à fome e dos que se exilavam da ditadura. Foi e é uma fonte de inspiração para os movimentos sociais, artísticos e políticos.

Talvez, por isso, vivamos com mais intensidade o quotidiano francês do que o italiano, o inglês ou, mesmo, o espanhol.

A escolha de Ségolène Royal não deixa indiferentes os portugueses, particularmente os que nutrem simpatia pela área política em que se situa. A escolha de uma mulher culta, inteligente e preparada, capaz de despertar ondas de simpatia em sectores diversificados da sociedade francesa, é um motivo de esperança e um exemplo de modernidade.

Ségolène tem uma forte probabilidade de conquistar o Palácio do Eliseu e constitui uma vacina para evitar a repetição do trauma de 2002 em que a esquerda se viu obrigada a apoiar o candidato de direita contra o perigo efectivo de uma figura patibular da extrema-direita – Le Pen.

Renasce a esperança, de Maio de 1981, que levou François Mitterrand à presidência.

«L’important c’est la rose». O importante é a rosa – como diz a canção. Se fosse francês, votaria Ségolène. Como europeu, é a minha candidata.

quinta-feira, novembro 16, 2006

Feliz aniversário


O maior ficcionista que conheço - o Nobel do nosso contentamento -, faz hoje 84 anos.

Parabéns.

Perplexidades

1 - «Os madeirenses saberão dar a resposta aos portugueses»:
Coito Pita, deputado do PSD/M, ontem, à TSF

Felizmente, os portugueses perdoam a demência de alguns inimputáveis que os seus compatriotas da Madeira elegem para dirigentes.

2 - «Percepções e Realidade»:

O livro de Santana Lopes tem o mérito de provar que Durão Barroso, na noite em que perdeu as eleições europeias, já estava a trabalhar activamente para ser nomeado presidente da Comissão Europeia, enquanto mentia ao País e fingia que lutava para que o lugar fosse atribuído a uma pessoa competente – António Vitorino.

Estes factos já foram reconhecidos por Pacheco Pereira e Lobo Xavier na «Quadratura do Círculo». Perante isto, o actual presidente da CE é indigno do lugar que ocupa. Não é apenas o cúmplice da invasão do Iraque, é um homem pusilânime e mentiroso.

3 – Bento XVI, um Papa profundamente conservador, perante a deserção em massa (cerca de 150 mil) dos padres católicos, admite readmiti-los para o exercício eclesiástico. Certamente depois de lhes exigir a promessa verbal de se manterem castos.

4 – A coligação PSD/CDS desfez-se em Lisboa. Depois de uma coligação de esquerda liderada sucessivamente por Jorge Sampaio e João Soares, com uma gestão tranquila e eficaz, Lisboa é hoje uma cidade cheia de dívidas e de dúvidas, sem rumo nem solução à vista. Bastaram cinco anos de Santana Lopes e Carmona Rodrigues.

Tribunal Constitucional

A aprovação da realização do referendo sobre a despenalização do aborto pelo Tribunal Constitucional constitui um motivo acrescido de preocupação para os portugueses.

A perplexidade não resulta da decisão, igual à que foi tomada em anterior consulta, mas da divisão entre os juízes. A decisão, cujo sentido era dado como adquirido, venceu por um único voto.

Assim, é legítimo pensar que, acima da lei, estiveram convicções. E, quando se julga de acordo com as convicções particulares, a isenção está ausente, ainda que se invoquem questões formais.

Sacrifícios…para todos

O que mais choca, neste período de crise, não é tanto o aperto financeiro (de quem o pode suportar) mas, sobretudo, as injustiças e diferenças sociais que atingem a grande maioria dos portugueses.

As dificuldades orçamentais podem ajudar a corrigir anomalias e a eliminar privilégios que o desinteresse de uns e a ganância de outros acabou por permitir.

É difícil aceitar que a acumulação de funções públicas e/ou de pensões de reforma, pagas pelo Estado, não tenham como tecto o vencimento do primeiro-ministro, excepto para os dois titulares de Órgãos da Soberania que o precedem – PR e presidente da AR.

Os direitos adquiridos não devem gozar de maior protecção jurídica do que os direitos que a Constituição consagra.

A remuneração do Presidente da República deveria constituir uma barreira intransponível que, nem o próprio, poderia ultrapassar.

Se há funções em empresas públicas que exijam remunerações particularmente elevadas só há uma solução compatível com a dignidade das funções de PR – atribuir-lhe o maior vencimento que o Estado conceda, acrescido de 5%.

E, naturalmente, suspender-lhe a totalidade de quaisquer pensões de reforma oriundas do erário público.

quarta-feira, novembro 15, 2006

Espaço dos leitores

Amadeu Sousa Cardoso (Pintura)

Ramalho Eanes – Doutor pela graça de Santo Escrivá

A beatificação académica do general Ramalho Eanes tem hoje lugar com a apresentação da tese «Sociedade Civil e Poder Político em Portugal». Torna-se Doutor pela graça de Santo Escrivá e para maior glória do Opus Dei.

António Ramalho Eanes, cumpriu honestamente as funções para que as vicissitudes da História o empurraram e seria injusto não lhe reconhecer o mérito na estabilização da democracia portuguesa e no regresso dos militares aos quartéis, depois de cumprida a mais gloriosa das missões – a instauração da democracia.

A ingratidão para com alguns dos seus camaradas, que o guindaram ao generalato, em especial Vasco Lourenço, sob cujas ordens executou as operações do 25 de Novembro, não diminuem o muito que Portugal lhe deve.

O doutoramento «de favor» que hoje tem lugar, a cerca de dois meses de perfazer 72 anos, não acrescenta mérito ao velho general e antigo Presidente da República, apenas aumenta o poder e projecção do «Opus Dei» uma prelatura pessoal de João Paulo II que Bento XVI manteve.

As velhas ligações da D. Manuela Neto Portugal, sua mulher, à seita ultra-conservadora, não foram certamente alheias ao processo de aliciamento pela poderosa organização que foi um sustentáculo do franquismo e instrumento de apoio às ditaduras sul-americanas.

Ramalho Eanes tem pouco a perder, mas os sequazes de Santo Escrivá, cujo passado o não recomendava para a santidade que tão célere lhe foi concedida, ganham muito com as figuras de relevo que atraem e que podem fazer esquecer os escândalos financeiros de que estão sempre mais próximos do que da graça divina.

Universidade de Coimbra

«O Centro de Informática e Sistemas da Universidade de Coimbra (SISUC) foi considerado o 3.º melhor do mundo (atrás dos centros das universidades de Toulouse e de Illinois) no “campo das tecnologias de avaliação de confiabilidade dos computadores”. A distinção foi atribuída pela Agência Japonesa de Ciências e Tecnologia».

Fonte: DN, ontem – pág. 18.

terça-feira, novembro 14, 2006

Dos bispos e da tirania

Quem acreditou na moderação do episcopado, equivocou-se.

A CAP, a agricultura e os subsídios

É interessante verificar, entre os maiores beneficiários dos subsídios europeus, relativos ao ano de 2005, os nomes de Joe Berardo, Jorge Roquete e Miguel Champalimaud.

Assim, compreende-se melhor a luta dessa estimável associação contra o actual ministro da Agricultura.

Não deixa de ser curioso que o subsídio mais baixo tenha sido atribuído a um agricultor anónimo de Bragança – 65 cêntimos.

Certamente, este último não integrou as manifestações contra o ministro, nem ameaçou invadir Lisboa com o tractor.

Fonte: DN – Economia, página 8, Ilídia Pinto (13-11-2006).

Dinheiro sem dono

No último fim-de-semana, decorreu, como previsto, o XV congresso do PS em que o secretário-geral, José Sócrates, justificou as opções políticas do primeiro-ministro e as linhas de orientação futura do seu Governo.

O PCP, por seu lado, organizou um enorme comício na Academia Almadense, no âmbito do Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários, para assinalar «85 anos de solidariedade do PCP com os povos em luta».

A ausência em Espanha privou-me de acompanhar os dois eventos, de grande relevância nacional, que preencheram o fim-de-semana político.

Em compensação, a leitura do «El País» ressarciu-me da perda, com excelentes artigos. Só no campo político, destaco:

- As análises sobre as eleições americanas;
- A cobertura da actividade política sul-americana;
- Os problemas do Médio Oriente;
- O perigo, para a Europa, da Polónia, dominada por dois exóticos irmãos gémeos, de extrema-direita – um, Presidente, outro, Primeiro-ministro;
- A investigação policial (que pode estender-se a Blair) sobre a concessão de títulos nobiliárquicos aos grandes mecenas do partido Trabalhista, escândalo que também atinge o Partido Conservador.

E, para não me alongar, a única notícia significativa, de ontem, sobre Portugal:

Título: 1.800 milhões de euros à procura de dono, em que o EL PAIS relata, com chamada de primeira página, a investigação policial que, por ordem do juiz Baltasar Garzon, atingiu recentemente as sedes dos Bancos Espírito Santo e BNP em Madrid.

Ninguém reclama o dinheiro bloqueado pelo juiz, em quatro bancos, dinheiro que está em nome de um modesto empregado da seguradora Cahispa. EL PAIS reitera a presunção de se tratar de dinheiro oriundo da evasão fiscal e branqueamento de capitais.

Toda a página 24 é ocupada com este caso, e a ilustração mostra, com grande destaque, dois guardas-civis, com os rostos ocultos, e as palavras «GRUPO BANCO ESPÍRITO SANTO», sob o respectivo logótipo.

Com tanto dinheiro, quiçá a ponta do iceberg, vamos ter mais notícias a curto prazo. Em Espanha os crimes de colarinho branco não costumam prescrever, nem ficam impunes.

Curiosamente, no dia em que o EL PAIS publica a referida reportagem (ontem), aparece nos diários portugueses, um anúncio, pago, dos «Trabalhadores Social-Democratas do BES», que exige, em defesa do seu Banco, «uma actuação firme do Ministério dos Negócios Estrangeiros Português junto das autoridades do País vizinho».

segunda-feira, novembro 13, 2006

Terrorismo religioso

O terrorismo violento e persistente, que torna reféns as democracias, ameaça a liberdade e compromete os direitos individuais, tem a marca genética da religião, inspira-se nos livros sagrados e é acirrada pelo clero.

A mais ameaçadora das taras é o proselitismo.

A evangelização cristã foi a desgraça que levou a tortura, a humilhação e o genocídio aos povos que submetia à obediência papal. Livrou-nos da tragédia o laicismo e a progressiva secularização das sociedades apesar da nostalgia da Cúria romana e do azedume do clero.

Hoje, criam-se bandos de fanáticos em países que não reconhecem os direitos humanos, a igualdade dos sexos e a modernidade. São países dominados por clérigos, que manipulam os crentes, instilam o ódio nas crianças e condicionam a opinião pública.

As democracias, em vez de exigirem o respeito pelos direitos humanos, fizeram negócios milionários com os cleptocratas beatos e ignoraram a violência e os crimes em nome de um Deus cruel e apocalíptico.

As teocracias têm legiões de suicidas dementes, ansiosos por destruir a civilização e pôr em risco a sobrevivência da Humanidade, confiantes no prémio de 70 virgens e rios de mel em que o delírio místico os faz acreditar.

Em nome da liberdade religiosa, aceita-se o Corão e os clérigos que o debitam e sonham com um califado mundial, sob os auspícios do Profeta Maomé e desenvolve-se o racismo contra os árabes, como se fossem criminosos, sem punir os responsáveis pelas madraças onde se recrutam e formam os suicidas assassinos.

Se os cristãos levassem a sério certas passagens da Bíblia e os padres prometessem o Paraíso a troco do seu cumprimento, permitiríamos a catequese e homilias que incitassem ao crime, ao racismo, à xenofobia e ao anti-semitismo, para que alguns trogloditas ganhassem o Paraíso?

É preciso alterar a estratégia no combate ao terrorismo que tem a assinatura de Deus. Os crentes são as vítimas dos sacerdotes.

Os democratas têm o dever indeclinável de combater ideologias totalitárias e o clero que as promove. Os crimes de uma religião não se previnem com a violência de outra, anulam-se com a laicidade e o secularismo.

Cultura. Exposição «Kyrios».

Encontra-se em exposição na catedral de Ciudad Rodrigo, a cerca de 30 quilómetros de Vilar Formoso, uma exposição de arte sacra – pintura e escultura –, com duzentas peças, seis delas portuguesas, de extraordinário interesse histórico e estético.

O profissionalismo com que foi organizada, o cuidado na selecção das peças e a criteriosa sequência, fazem desta exposição «As Idades do Homem» uma admirável viagem através da cultura judaico-cristã, tendo Cristo como protagonista.

Convém lembrar que «Kyrios» é a palavra grega que significa «Senhor» e que, atribuída a Cristo, é pretexto para a evocação do Novo Testamento, das manifestações de fé e da liturgia da Igreja católica.

Excelente pretexto para crentes e não crentes se familiarizarem com belos testemunhos de arte sacra, até ao próximo dia 8 de Dezembro.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Tagédia mundial. Vergonha nacional

As greves e o Governo


Só quem for cego e surdo não vê e ouve o clamor das ruas, não se dá conta da crispação que cresce em numerosos sectores da opinião pública e, em especial, entre funcionários do Estado.

Têm razão os grevistas? – Claro que sim. Ninguém aceita perder os direitos que tem por adquiridos e ver frustradas as expectativas que legitimamente acalentou. Além disso, limitam-se a exercer um direito inalienável, direito que a ditadura negava e que custou a liberdade e a vida de alguns dos melhores portugueses. E os direitos, quando não se exercem, perdem-se.

Não é, pois, criticável o comportamento dos trabalhadores mesmo onde as vicissitudes do percurso político criaram injustiças relativas e benefícios obscenos.

Há chefias intermédias que beneficiam de viatura e combustível do Estado, sem qualquer justificação. Apesar dos esforços para pôr cobro ao regabofe, mantêm-se subsídios de representação que não passam de injustas remunerações acessórias.

Então e o Estado? Que teimosia o leva a não ceder às reivindicações, muitas delas justas, dos trabalhadores que tem ao seu serviço?

Na minha opinião é porque não pode, porque o erário público as não suporta, porque a cedência levaria o Estado à bancarrota e tornaria os resultados mais desastrosos.

Posso estar enganado, mas na discussão do OE, que acompanhei com atenção, não assisti à apresentação de uma alternativa global e convincente. Apenas vi a direita a acusar o Governo de não ser suficientemente ambicioso, o que, em linguagem descodificada, quer dizer: despedir funcionários.

Opinião de um leitor. O significado de uma demissão

" Trocar o secretário de Defesa logo após uma derrota eleitoral, com a renúncia de Donald Rumsfeld nesta quarta-feira (8), não é nada mais do que uma rápida jogada política do presidente George W. Bush para tentar convencer a opinião pública que o governo pretende agir de forma mais moderada após a derrota do partido republicano."
(Afirmação do analista político norte-americano Pietro Nivola, vice-presidente do Instituto Brookings).
.
A derrota eleitoral nas eleições para o Congresso, enfraqueceu de modo drástico G W Bush. A imediata substituição de Rumsfeld é uma jogada (dos neo-cons, suponho) para ganhar alguma margem de manobra no sentido de prosseguir, sem sobressaltos de maior, o exercício presidencial.

Por outro lado, é necessário ter em conta que a demissão de Rumsfeld era reclamada, muito antes das eleições, pelo Partido Democrático e, até, por alguns republicanos. Enfim, um novo (?) rosto para lidar com o mesmo problema, sem alterações previsíveis.A Administração Bush vai enfrentar constantes "conflitos constitucionais" com os democratas.

Bush não deverá alterar - na sua Administração - nada que seja importante. Vai mudar o estilo - num ensaio de "centralismo presidencial", relativamente solitário, cujas consequências são difíceis de prever.

Todavia, o que assusta o Bush são os vastos poderes que o Congresso dos EU detém para investigar a Administração.Nesse campo não há "vetos" presidenciais que lhe valham. A partir de agora os Democratas podem sujeitar a Administração Bush a ser "consumida" em lume brando. E, atrás dela, o Partido Republicano, o que é, em termos políticos, mais problemático.

"Perturbações importantes da vida política norte-americana podem surgir do interior do Partido Republicano. Para este, a prioridade deixou de ser Bush. Passou a ser as eleições presidenciais de 2008."

a) e- pá

Ainda e sempre o «Envelope 9»

Em breve os portugueses terão esquecido a ordem do Presidente da República, então Jorge Sampaio, dada com carácter de urgência a Souto Moura, então PGR, para averiguar a responsabilidade sobre o caso do «Envelope 9», apenso ao processo «Casa Pia».

Ali estavam, como o país ficou a saber, os números confidenciais de Jorge Sampaio, António Guterres e outros altos dignitários da República, numa manifesta devassa da vida privada e, quiçá, de segredos de Estado.

Seria fácil saber quem pediu tais números e com que fim; quem os autorizou e com que justificação; quem os forneceu e a quem; que destino lhes foi reservado e com que consequências.

Quem se lembra do entusiasmo de Celeste Cardona, na A.R., a impor Adelino Salvado para director da PJ e ouviu a gravação de uma conversa deste para um jornalista, a babar-se de gozo por poder destruir um líder político, teme que a democracia possa estar sujeita a malfeitorias que acabam impunes.

Lembrar o caso do «Envelope 9», ou a canalhice de que foi alvo Ferro Rodrigues, é um dever cívico. A indiferença é uma forma de cobardia de quem desiste da liberdade.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Donald Rumsfeld

A demissão do braço direito de Bush, não altera a natureza da sua Administração, nem torna mais seguro o mundo, mas dá razão aos que denunciaram a incompetência e corrupção dos ultra-conservadores americanos.

A amnésia do Vietname e o fundamentalismo evangélico levaram os Republicanos a uma leviandade sem precedentes nas anteriores presidências.

Nunca a cruzada moral, o proselitismo evangélico e os interesses do petróleo estiveram tão interligados. Bush, a pedir a protecção divina para os seus soldados, empenhados na defesa do Eixo do Bem, e a fazer orações públicas, pareceu sempre um pastor na homilia dominical e não o presidente da maior potência mundial.

Rumsfeld era o rosto do político que considerava irrelevantes o direito, a opinião pública internacional e a ONU. A tortura era um método de investigação que defendia para os suspeitos de terrorismo e tolerava nas prisões militares.

A América autista e beata começou a morrer. Espera-se o renascimento da América do sonho e da esperança, da justiça e da liberdade, da coragem e da solidariedade. É dessa América que tenho saudades, dos que fizeram a Constituição, dos que ajudaram a Europa a libertar-se do nazismo, exploraram o espaço e se colocaram na vanguarda da ciência.

Viva a América.

quarta-feira, novembro 08, 2006

5 em 1! Um dia de Glória para os Democratas!

O povo americano acordou! Levantou-se e foi depositar ordeiramente o voto da mudança!
Renasce a alegria e a esperança no mundo!
Um dia de muitas vitórias para os Democratas:
1 – Ganharam a Casa dos Representantes com uma maioria esmagadora;
2 – Conseguiram o que parecia impossível: conquistar o Senado (estou seguro que a recontagem não alterará o resultado final: a diferença entre os candidatos é muito grande (cerca de 7.000 votos);
3 – Mais 6 Estados escolheram um Governador Democrata!
4 – Donald Rumsfeld foi corrido sem brilho nem glória!
e, last but not least….,
5 – Com a perda do Senado, Bush não pode controlar a seu bel-prazer o futuro do Supremo Tribunal Americano.
E esta é a vitória mais importante para as próximas décadas!

G. W. Bush

A perda do controlo da Câmara de Representantes e, eventualmente, do Senado reflectem a ampla derrota de Bush que assistiu também à derrota dos Republicanos no governo de vários Estados.

Os americanos acordaram de uma longa letargia e julgaram quem revelou ser um perigo que apenas rivaliza com Bin Laden, na opinião pública mundial.

Após estas eleições, fica mais curta a rédea dos neoconservadores e mais controlada a deriva reaccionária dos ultras que controlam o aparelho de estado dos EUA.

Os interesses económicos comandam a política mundial, mas a personalidade do presidente dos EUA condiciona o seu exercício. Bush conquistou a Casa Branca de forma ínvia, exerceu o cargo de modo censurável e desonrou-o pelo beato belicismo de um cruzado serôdio. A sua derrota é também a dos que dividiram a Europa e apoiaram a trágica aventura do Iraque.

Da macabra encenação dos Açores, Aznar foi o primeiro a ser punido. Anda por aí, triste e ressentido, amigo de Bush e do Opus Dei, a carpir a nostalgia do poder e do franquismo.

Blair, o mais inteligente dos quatro, viu o descrédito atingi-lo e a mentira das armas de destruição maciça a corroer-lhe o respeito. Os ingleses cansaram-se dele.

Bush, atolado no pântano do Iraque, é, cada vez mais, um pastor evangélico com o petróleo a correr-lhe nas veias, desprezado por europeus e, finalmente, pelos americanos.

O que falta, faz lembrar os antigos agentes da PIDE que, após o 25 de Abril, juravam que eram meros dactilógrafos da sinistra Polícia. Está em Bruxelas.

Foi longo e penoso o início do julgamento dos que desrespeitaram o direito internacional, desprezaram a ONU e mentiram. Finalmente, começa a fazer-se justiça.

EUA. Eleições

Começou o julgamento do pior e mais perigoso presidente americano.

Só o Senado ainda está em dúvida. O pregador evangélico deixou de ser detestado apenas fora do seu país.

Bush perde mais umas eleições

«Ainda não terminou a contagem dos votos, mas já se pode dizer que Daniel Ortega venceu as eleições do passado domingo, na Nicarágua.

À terceira, foi de vez: o antigo comandante e líder da revolução sandinista regressou ao poder, por via democrática».

Desta vez, no confronto entre Bush e Daniel Ortega, a vitória foi do inimigo da Nicarágua.

Nota: Este post foi alterado. Onde está Daniel Ortega, escrevi, por lapso, Hugo Chavez.

A Edmundo Pedro – 88.º aniversário

Edmundo Pedro foi alvo de calúnias durante as três últimas décadas, calúnias que visaram quem aos 15 anos conheceu a prisão e aos 17 o degredo, quem sofreu as atrocidades do Tarrafal durante dez anos.

Dói saber que um dos mais sacrificados lutadores antifascistas foi aleivosamente acoimado de contrabandista de electrodomésticos para o denegrir.

Ninguém poderá ressarcir da prisão, calúnias e injustiças, de que foi vítima, um dos mais emblemáticos combatentes da liberdade.

Edmundo Pedro leva 88 anos de vida e 73 de luta e mantém-se disponível para o combate cívico. O combatente imaculado da liberdade é património da esquerda e referência para todos os que amam a liberdade e prezam a democracia.

Edmundo Pedro recorda-nos uma das mais sinistras e longevas ditaduras. A sua memória, serena e lúcida, é o testemunho imperecível de quem dedicou a vida a combatê-la.
Quem resistiu ao sono e à tortura, sem vacilar nem trair, também suporta a ingratidão e a injustiça, mas é indigno calar o que todos lhe devemos.

Homens como Edmundo Pedro são raros e enobrecem as causas que servem.

A homenagem que a Associação 25 de Abril presta a este herói civil, no seu 88.º aniversário, é um acto de justiça em que me revejo e a que me associo.

Não podendo, hoje, estar em Lisboa, envio, querido amigo Edmundo, um fraterno e afectuoso abraço de parabéns, agradecendo o teu exemplo de cidadania e heroísmo.

Almeida, 8 de Novembro de 2006
Carlos Esperança

terça-feira, novembro 07, 2006

É preciso topete

O PSD ameaça apresentar queixa da alegada ingerência do Governo no «comportamento informativo» da RTP à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).

Não duvido do desejo do Governo, deste ou de qualquer outro, de tentar manipular a informação, mas surpreende-me que a acusação tenha partido do deputado Agostinho Branquinho, do PSD, recusando-se a anunciar quem o pretendeu fazer e através de quem.

É certamente uma manobra de propaganda contra o PS que tem, de facto, alguns pecados de governos passados a expiar.

E há uma amnésia do tempo em que Marques Mendes tutelava a comunicação social pública e transmitia recados para os noticiários. Ficou célebre um jovem funcionário a anunciar um telefonema do Sr. Mendes «do costume», para o director da Informação da RTP, ignorando que era o ministro da tutela que atendera.

Mais recentemente, bastava que o PSD se recordasse da postura, musculada e autoritária, do ex-ministro Morais Sarmento, quanto à RTP, para ter alguma contenção nesta matéria.

Se a queixa partisse do PCP, por exemplo, não lhe faltaria razão. Mas do PSD!?

Prós e Contras.

Quem assistiu ontem ao programa «Prós e Contras», na RTP-1, não pode deixar de se ter surpreendido com o ministro das Finanças.

A determinação e a força das convicções, aliadas a uma preparação técnica que os outros membros do painel não beliscaram, deixaram a certeza de que são difíceis os tempos que se avizinham, mas há esperança no futuro que virá.

segunda-feira, novembro 06, 2006

O que diz Bush

Bush diz que condenação de Saddam é um marco para o Iraque
Tal como Guantánamo é um marco para a Administração Republicana dos EUA.

Saddam Hussein



A condenação à morte de Saddam Hussein é uma sentença cheia de paradoxos. Ninguém duvida dos crimes do genocida e da frieza com que assassinou adversários, mas poucos levam a sério o tribunal de um país em guerra e a sentença dos ocupantes.

A pena de morte é um acto indigno e um castigo medieval que revolta os europeus. A forca e a exibição pública são a humilhação gratuita que exacerba a revolta dos sunitas e o ódio de quem se sente espezinhado pelo Ocidente.

Saddam é um dos muitos biltres que merecem a execração dos países civilizados, mas foi removido por dirigentes políticos que não gozam de muito maior simpatia, que mentiram, desrespeitaram o direito internacional e desprezaram a ONU.

Em vez do Tribunal Penal Internacional inventaram um tribunal autóctone para fingir que os iraquianos gozam de autonomia e podem decidir o seu destino, quando só lhes resta a raiva e o desespero como futuro e os atentados e a morte como forma de resistência.

Saddam é um ditador a menos, mas os «justiceiros» reforçaram os tiranos do Irão e da Coreia do Norte, destruíram o Iraque, delapidaram o seu próprio prestígio e prejudicaram a contenção do terrorismo.

Preso, Saddam é um risco circunscrito; morto, é um cadáver de efeitos imprevisíveis.

sábado, novembro 04, 2006

Espaço dos leitores

David de Bernini

Naufrágio na Madeira

Marques Mendes ganhou credibilidade com o afastamento de Valentim Loureiro e Isaltino Morais das listas autárquicas. Perdeu dois municípios mas ganhou as eleições e prestigiou-se perante o País. Resta saber se o prestígio foi extensivo ao seu partido.

A vida do líder do maior partido da Oposição é difícil. Não pode, ou não deve, condenar as políticas que será obrigado a fazer se for poder e tem de tornar-se credível marcando as diferenças, se estas forem para melhor.

A incapacidade de Durão Barroso e o desastre de Santana Lopes não deixaram o PSD em boa situação. Coube a Marques Mendes a difícil tarefa de mostrar que era diferente dos seus desventurados antecessores e capaz de ser melhor que Sócrates.

Foi neste difícil equilíbrio que Marques Mendes cometeu, a meu ver, o seu pior deslize. A solidariedade com Alberto João Jardim, na contestação à Lei das Finanças Regionais, em momento de contenção orçamental, satisfez a franja populista do partido, mas desagrada aos mais sensatos. E, sobretudo, perde o prestígio que amealhou.

Alberto João Jardim é hoje um político desprezado pela grande maioria dos portugueses e visto com crescente suspeita pelos madeirenses. O apoio que lhe deu só o prejudica. E Marques Mendes abdicou da consideração que soube granjear a troco de nada.

Ao apoiar o soba da Madeira comprometeu a consideração que merecia.

sexta-feira, novembro 03, 2006

Escândalo na Casa Branca

O presidente da Associação Nacional Evangélica dos EUA, activista contra os casamentos homossexuais, fervoroso adepto do presidente George Bush, renunciou ao cargo depois de ter sido acusado de manter uma relação homossexual com um prostituto.

Fonte: El Periódico de Catalunya, hoje

Direito de pernada?

O magistrado Mário Gomes Dias foi esta sexta-feira eleito vice-Procurador-Geral da República pelo Conselho Superior do Ministério Público, com oito votos a favor, cinco contra e dois brancos, avança a agência Lusa.

***
Mário Gomes Dias havia sido rejeitado para o cargo de vice-PGR numa primeira reunião do CSMP, a 17 de Outubro, com nove votos contra e oito a favor, tendo sido invocado, entre outros argumentos, o facto de estar há mais de 20 anos afastado da realidade dos tribunais e do Ministério Público.
Trata-se de uma vitória de Pinto Monteiro, novo PGR.

Humor. Bom fim de semana

(Clique na imagem para aumentar... o riso)

A Ti Maria Josefa (Crónica)

Na mesma quelha, perto da casa do padre, paredes meias com a do Ti António Álvaro, viviam inúmeras pessoas, como, aliás, por toda a aldeia, que era estreito o espaço coberto e muitos os filhos que Deus mandava para substituir os levados pelas febres.

A Ti Purificação amassava a farinha, juntava-lhe o fermento e ia acudir à panela da sopa enquanto a massa levedava. Voltava para a fingir, tender e levar ao forno, regressava à cozinha e de novo ao forno para dele tirar, tostados, bolos e trigos, estes com o dobro do peso daqueles e igualmente divididos em quartos fáceis de esnocar à mão. Só pela Páscoa cozia os santoros, pão da mesma massa, em forma de ferradura, folar que os padrinhos davam aos afilhados com a bênção solicitada.

Em frente morava a Ti Josefa, que conheci sempre velha. Essa rumava a Almedilla, aldeia espanhola do lado de lá de Batocas, onde dois comércios viviam da coragem e do sacrifício dos contrabandistas portugueses.

Palmilhava longas léguas para trazer trigo obrado à espanhola, alpercatas, pana, e, por encomenda, tabletes de chocolate da Senhora das Candeias e galletas que haviam de cobrir, sob o pano de linho, o prato junto à garrafa de jeropiga que o padre e o sacristão haviam de provar, pela Páscoa, depois de darem o menino a beijar e recolherem o óbolo.

A Ti Josefa era mulher rija, enxuta, com marreca que os anos acentuaram e pernas lestas capazes de percorrer oito léguas sem afrouxar. Muitas vezes a espoliaram da carga os carabineiros e guardas-fiscais quando a filavam ou ela própria lha abandonava para mais facilmente se escapulir.

Outras vezes teve mais sorte quando alguém se encarregava de atar gestas no carreiro e tropeçavam os carabineiros com a arma, dando tempo a pôr-se a salvo do lado de cá da fronteira se os guardas-fiscais não andavam por perto nem alertados por algum disparo dos espanhóis.

Os tiros raramente atingiam contrabandistas, não tanto por escrúpulo ou compaixão dos guardas mas por instinto de sobrevivência: cada baixa de um contrabandista, sobretudo na zona do Sabugal, era vingada num elemento das forças policiais. Podia sobreviver o que tinha matado, mas marchava, por desforra e à guisa de advertência, outro da nacionalidade respectiva. O autor raramente pagava, era difícil a prova e protegia-o o silêncio geral.

A Ti Josefa aprendeu em menina a arte do contrabando e dela fez vida até que a idade a levou. Foram para aí sete décadas que consumiu entre a Miuzela e Almedilla e, por fim, Fuentes de Oñoro, quando os guardas, de um lado e outro da raia, lhe respeitavam os anos e a carga.

Vinha então pela linha do comboio, circulando entre os carris, vergada ao peso da idade e da mercadoria, saltando para os lados quando o comboio, cujos horários conhecia pelo sol e por intuição, se aproximava.

Um dia, passados já os oitenta anos, lá vinha, como de costume, e não ouviu o apito nem deu conta da aproximação do monstro, mas, muito perto, pressentiu o perigo e logo se amochou enquanto o Rápido desapareceu por cima da Ti Josefa e da sua carga, sem lhe deixar um arranhão ou estragar a mercadoria.

Era rija, a velha. No dia seguinte voltou à faina, que os clientes eram certos e o hábito se tornara mais forte do que a precisão.

Publicada no Jornal do Fundão em 03-11-06

Británicos - Um povo esclarecido


À frente dos líderes coreano e iraniano, segundo uma sondagem hoje publicada O presidente norte-americano, George W. Bush, representa para os britânicos a segunda maior ameaça à paz, segundo uma sondagem efectuada conjuntamente pelo “Guardian” (Reino Unido), “Haaretz” (Israel), “Reforma” (México), “La Presse” e “Toronto Star” (Canadá).

Só perde para Osama bin Laden.

Visita de Bento XVI à Turquia

Papa Bento XVI não se encontrará com o primeiro-ministro turco, Recep Erdogan, na visita que efectuará à Turquia, entre os dias 28 de Novembro e 01 de Dezembro. O chefe do Executivo turco decidiu marcar presença na Cimeira da NATO, que decorrerá nessa altura em Riga, na Letónia.

O que está em causa não é a indelicadeza diplomática, é a intolerância religiosa.

Tolices insulares

Ponte Europa/Pitecos-Zédalmeida

quinta-feira, novembro 02, 2006

Monteiro recusa extinguir o seu partido


Ele sabe que se extingue naturalmente.

Direitos do Homem

«A mulher que sai à rua sem véu, incita o homem, como um bocado de carne a um gato». AL HILALI, guia espiritual da comunidade muçulmana na Austrália.

Nota: BRITO, português, é um dos mais prestigiados cartoonistas franceses. Este cartoon foi publicado por amável deferência do autor.

A Interrupção Voluntária da Gravidez

Não sei que razões ponderosas terão levado uma operária de Aveiro a interromper a gravidez e a sujeitar-se a uma curetagem, quiçá com medo de perder o emprego ou, com ele já perdido, receando não poder criar mais um filho.

Foi uma boa acção? – Certamente que não. Também o adultério é um acto perverso e já deixou de ser crime. Também o divórcio é um passo cruel, tantas vezes indesculpável, e não conduz ao cárcere. Também um processo judicial que prescreve, por incúria, é uma ofensa à Justiça e um atropelo aos cidadãos e ninguém é punido.

O que terá levado a PJ e o Ministério Público a perseguirem aquela operária de Aveiro enquanto na costa se descarregava droga? Quem deliberou devassar-lhe a intimidade e obrigá-la ao exame ginecológico enquanto se escolhiam árbitros para jogos de futebol do fim-de-semana seguinte? Quem estabeleceu a prioridade do crime a perseguir?

Aquela operária, com o corpo e a alma doridos, ia de motorizada com o companheiro. Gozasse o conforto de um Mercedes e condutor privativo e ninguém a teria detido. Na Maia, em Setúbal e em Aveiro eram mulheres pobres as que foram julgadas.

A pobreza é mera coincidência. E uma parteira foi presa por tráfico de estupefacientes porque, em vez de minorar as dores, era a sangue frio que devia ter punido as pecadoras.

Perante o crime de mulheres que interrompem a gravidez, porque o feto que trazem no útero é um futuro filho indesejado, não sou capaz de exigir a sua prisão.

Mas, se houver quem as queira prender, se a maioria entender que as mulheres servem apenas para parir e sofrer, tratar da casa e atender o marido, cuidar dos filhos e recusar o prazer, então negam-lhes o direito de ser irmãs, mães, companheiras, filhas e camaradas.

Mas não é num mundo misógino e intolerante que me apraz viver.

quarta-feira, novembro 01, 2006

A morte ou a presidência


Saddam ou é morto ou volta à presidência, diz advogado

O antigo presidente do Iraque Saddam Hussein será condenado à morte ou regressará à presidência do país, afirmou hoje uma advogada da sua equipa de defesa, a alguns dias do veredicto judiciário.

Nota: Será morto. Bush só acerta depois de esgotar os erros.

Independentistas na mira do SIS?


O deputado Coito Pita é o que, hoje, se chama um «cromo».

O PSD da Madeira acusou ontem o primeiro-ministro, José Sócrates, e o PS de serem responsáveis pela ressuscitação do espírito independentista na Madeira devido à sua actuação no âmbito da Lei das Finanças Regionais.

O Bailinho da Madeira

Sob o título «O Bailnho da Madeira», Luís Grave Rodrigues publicou no seu blog «Random Precision» um interessante post, como é habitual, de que transcrevo uma parte.

Aqui fica a transcrição:

Para quem tiver pachorra, aqui fica o LINK.

Para quem não tiver, então deixo aqui respigadas, absolutamente ao acaso, claro está, algumas das verbas da despesa deste orçamento para o ano de 2006.

Então aqui vai:

- Festival de poesia do Porto Santo: € 301.338,00

- Restauração de órgãos de igrejas: € 1.534.694,00

- Campanha de imagem: € 9.838.173,00

- Material promocional: € 4.937.262,00

- Festa do fim do ano: € 64.720.184,00

- Promoção de provas automobilísticas: € 4.254.725,00

- Promoção do golfe: € 4.893,008,00

- Subsídios aos clubes de futebol «Marítimo» e «Nacional»: € 21.358.448,00

- Ajudas para as deslocações dos clubes de futebol «Marítimo» e «Nacional»: € 10.157.800,00

- Participação no capital das S.A.D.’s dos clubes de futebol «Marítimo» e «Nacional»: € 87.500,00

- Apoios a outros clubes de futebol: € 21.060.936,00

Total destas pequenas e singelas 11 rubricas: € 143.144.068,00.


Por coincidência, um valor próximo do tal aumento do endividamento líquido da Região Autónoma.

Mas é só coincidência, claro!

Não há dúvida: Alberto João Jardim tem muita razão para estar chateado!Mandem mais dinheiro para a Madeira!

- JÁ!!!!

De novo a chantagem separatista

PSD/Madeira diz que Flama vai ressuscitar

Discutia-se o projecto de resolução do PSD/M sobre as alegadas inconstitucionalidades da proposta de Lei de Finanças das Regiões Autónomas quando Coito Pita, vice-presidente da bancada social- -democrata, acordou o hemiciclo com a ameaça de que a Flama (Frente de Libertação da Madeira), criada no pós-25 de Abril, pode ser reactivada.

Texto de um leitor. Evitar confusões

Ideologicamente, a ideologia comunista e o “movimento” fascista, estão nos antípodas do processo histórico humanitário quanto à natureza e papel do Estado. Todavia, as tentativas de “aproximação” entre estes dois modelos ideológicos são comuns.

Na sua génese o comunismo, decorrente da doutrina político-filosófica de Engels e Marx, proporcionou um grande debate ideológico no seio da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) onde se defrontaram os marxistas – que defendiam a Revolução, haveria a imperiosa necessidade de tomar o poder do Estado – e os bakuninistas, que acreditavam que a Revolução só “aconteceria” se o Estado fosse abolido, em simultâneo com o capitalismo.

A evolução do comunismo, como todos sabemos, veio a “consagrar” as teorias de Marx, nomeadamente com o concurso de Lenine. Deixou de se falar na abolição do Estado preconizada por Bakunine (a insurreição anarquista) para se engendrar outra filosofia política: “a apropriação do Estado pelos trabalhadores”. Na prática a apropriação do Estado pelo Partido Comunista.

Nasce daqui o “comunismo de Estado” que viria a soçobrar na década de 80, em quase todo o Mundo. As excepções que existem, como p. ex.º a Coreia do Norte, são, isso mesmo, resquícios (em agonia).

O movimento fascista, tal como hoje o referimos, é um produto tipicamente italiano desenvolvido e aplicado no terreno sob os auspícios de Mussolini. Embora a sua doutrina tenha sido explicitada por Giovanni Gentile (Doutrina do Fascismo) vai beber nas concepções e intuições de pensadores franceses como Sorel Peguy e Lagardelle. A sua concepção de Estado foi categoricamente defendida por Mussolini em 1925: "Tutto nello Stato, niente al di fuori dello Stato, nulla contro lo Stato" ("Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado").

Esta concepção durou pouco tempo, foi muito mais efémera do que o comunismo. A sua aliança com os nazis foi-lhe fatal.Assim, insinuar a “não-diferença” entre fascismo e comunismo, nomeadamente quanto à natureza de Estado é uma superficialidade ideológica, "comicieira", muito do agrado da Direita. Não é fiel, no entanto, ao processo histórico.A confusão é muitas vezes estabelecida à custa de “comparações” sobre as consequências do exercício do Poder, nomeadamente pelo uso da força.

As manifestações bárbaras (atentatórias dos Direitos Humanos) sucederam durante todo o trajecto histórico, muito antes do fascismo ou do comunismo, mas também aí. Hoje, "acontecem" em Guantámano e no Iraque.

"Fogueiras, patíbulos, decapitações, guilhotinas, fuzilamentos, extermínios, campos de concentração, fornos crematórios, suplícios dos garrotes, as valas dos cadáveres, as deportações, os gulags, as residências forçadas, a Inquisição e o índex dos livros proibidos", foram manifestações descritas pelo italiano Italo Mereu, como exemplo paradigmáticos do exercício (bruto) da força e da cultura do ódio. Pouco tem a ver com a natureza do Estado. Só o exercício democrático do Poder e a defesa das liberdades individuais e dos Direitos Humanos lhes podem pôr cobro. Isto é, o Estado de Direito.

Apesar disso, convém não misturar tudo e “confundir” fascismo com comunismo. O rigor ideológico deve, também, servir as causas e as coisas.

O perigo é, daqui a pouco, estarmos todos a "perorar" sobre as "forças do Mal". Onde já ouvi isto?

a) e-pá