domingo, dezembro 31, 2006

Espaço dos leitores

Cartoon acusador

Notas Soltas - Dezembro/2006

Vaticano – O apoio de Bento XVI à entrada da Turquia na União Europeia é a condenação da política do cardeal Rätzinger, que se lhe opunha com veemência.

Venezuela – Hugo Chavez pode ser demagogo, populista e tornar-se um ditador que despreze os princípios democráticos, mas foi eleito em eleições limpas, fortemente participadas e com maioria confortável. É bom que os golpistas não se esqueçam.

Iraque – Bush, ao garantir a protecção divina, antes da trágica invasão, anunciou uma tripla mentira: a preferência divina, a proclamada unção e o resultado favorável da triste aventura apoiada por cúmplices pouco recomendáveis.

Chile – A extrema-unção aliviou o católico Pinochet dos pecados, perante o seu Deus, mas os crimes ainda não foram julgados e, das suas mãos, não foi possível lavar o sangue derramado pelas vítimas.

Pedras Soltas – O lançamento do livro, para que convidei todos os meus leitores, rendeu 2430 € que logo foram creditados no BPI, em Almeida, na conta destinada ao monumento ao 25 de Abril.

Apito Dourado – A escolha de Maria José Morgado, Procuradora-geral adjunta da Relação de Lisboa, para dirigir a equipa do Ministério Público, destinada ao combate à corrupção no futebol, é um sinal de firmeza do novo PGR no combate ao crime.

Maria José Morgado – A anterior demissão deveu-se a pressões políticas, após a prisão de Vale e Azevedo. O ex-director da PJ, Adelino Salvado, apoiado pela ministra Celeste Cardona, com a bênção de Paulo Portas e Durão Barroso, é suspeito.

Lisboa – A atribuição de lugares, por razões de confiança política, pôs a Câmara refém da vereadora do CDS e criou um ambiente de conspiração em que todos querem eleições antecipadas mas ninguém se arrisca a derrubar um presidente indefensável.

Voos da CIA – Há, em Portugal, quem seja conivente na ocultação de eventuais crimes praticados contra os direitos humanos. A demissão de Henrique Freitas, de vice-presidente do PSD, foi o sinal mais exuberante de repúdio pela investigação.

Madeira – A canalhice levada ao extremo, tresloucado, desastroso, mentiroso e hipócrita foram insultos usados por Jardim contra o Governo da República, a propósito da Lei das Finanças Regionais. Má educação e incontinência verbal.

IRÃO – A pesada derrota do fanático presidente, nas eleições municipais, mostra o repúdio eleitoral da teocracia e a ânsia de liberdade de um povo, vítima da imposição do Corão que nutre pela democracia o mesmo ódio de Maomé ao toucinho.

CDS – O deputado Nuno Melo tem o direito de combater o líder do seu partido mas querer manter-se, depois disso, como líder parlamentar, revela falta de escrúpulos e de ética política.

ONU – O Conselho de Segurança, ao aprovar sanções económicas contra o Irão, procura conter o actual arsenal nuclear, capaz de destruir o Planeta várias vezes. O risco aumenta na razão directa da loucura de quem detém as armas.

Ecologia – A poluição, o aquecimento global e o fim dos combustíveis fósseis prenunciam uma catástrofe mundial, próxima, para a qual sobram certezas e minguam soluções, mas a febre do consumo e o modelo de desenvolvimento mantêm-se.

Referendo IVG – Não se combate a IVG com uma lei que a criminaliza e que condena milhares de mulheres ao aborto clandestino, à morte e à prisão. Em defesa da saúde da mulher e no repúdio pela prisão, eu votarei SIM.

Somália – A queda da «União dos Tribunais Islâmicos» está longe de garantir a paz aos martirizados somalis, mas o fim do governo brutal, que aplicava a chária, é uma desgraça que se interrompe num dos mais pobres países do mundo.

Tribunal Constitucional – A declaração de constitucionalidade da Lei das Finanças Locais é um revés para a Associação Nacional de Municípios, em especial para o presidente, Fernando Ruas, que arrastou o PSD para uma contestação irresponsável.

Alberto João Jardim – A engenharia financeira para contornar a proibição de novos empréstimos é um desafio ao Estado português e uma leviandade de um político decadente e irresponsável, que compromete o futuro da Madeira.

Saddam Hussein – O enforcamento foi um acto ignóbil que colocou os juízes ao nível do réu. A pena de morte é a barbárie, indigna de países civilizados. Bush, Blair, Aznar e Barroso foram autores da tragédia iraquiana e cúmplices da farsa do julgamento.

Espanha – A ETA, tal como o lacrau, fiel à sua natureza, interrompeu as tréguas e terminou 2006, com um atentado em Madrid, num trágico prenúncio do regresso à espiral de violência e repressão.

Adeus 2006. Bem-vindo 2007!

2006:
Portugal está no bom caminho.
O Estado recuperou a credibilidade.
O Governo tem um projecto para Portugal. O Partido da maioria está coeso e atento. Mas os erros devem ser criticados. O PS Coimbra continua sem projecção relevante.
Coimbra está mais bonita com a Ponte Pedro e Inês. O Fórum Coimbra, porém, só trouxe destruição: da estética do rio, do comércio independente dos pequenos centros comerciais, de um projecto de cidade não banalizado.
A Faculdade de Direito adaptou correctamente o plano curricular a Bolonha.
No plano pessoal, muitas e boas novidades.

2007:
O Governo prepara-se para revolucionar o Ensino Superior. Aguardamos com expectativa. O mérito deve ser compensado.
Portugal vai assumir a Presidência da União Europeia. Boa sorte!
Vamos receber a Roménia e a Bulgária no projecto europeu. A Europa fica mais rica: mais dois países ortodoxos, mais um país de língua latina, mais um país de alfabeto cirílico. A bela diversidade do velho e magnífico Continente em dança em redor da fogueira do sonho de paz e de solidariedade.
Faço votos para que Timor se acalme, que a Guiné não se afunde ainda mais e que Angola para além de crescer se desenvolva. Moçambique e os seus encantos... que tenha um ano melhor.
Académica: em frente rumo à manutenção!

Reacções à execução de Saddam

A execução de Saddam Hussein foi condenada pelos governos Europeus e pelo Vaticano e aplaudida pelos Estados Unidos. O presidente norte-americano, George W. Bush, acredita que a morte do ditador vai ajudar a construir a democracia no Iraque.

(...)

No terreno, confirmaram-se os receios do aumento da violência. Quatro explosões de carros armadilhados em duas zonas de maioria xiita fizeram 73 mortos.

sábado, dezembro 30, 2006

Os quatro cavaleiros do Apocalipse 6:1-8

Os donos da corda que enforcou Saddam

A imagem da nossa vergonha

AP/IRAQI TV, HO
Saddam recusou que lhe cobrissem a cabeça antes de lhe ser colocada a forca
Saddam executado
Antigo ditador iraquiano foi enforcado às 3h00 de Portugal

Ligações perigosas...

O referendo e a IVG

O referendo que aí vem não se destina a aprovar a IVG, pretende apenas descriminalizar o acto. A eventual vitória do SIM não incentiva ou promove o recurso à IVG, apenas modifica a lei, a fim de evitar que as mulheres sejam empurradas para a clandestinidade do vão de escada, com risco da própria vida e de perseguições policiais.

Ninguém encara levianamente um problema cujas repercussões físicas, e psicológicas são especialmente gravosas para quem vive o desespero de uma gravidez indesejada ou impossível.

Curiosamente são sempre as portuguesas pobres que se sujeitam ao vexame dos exames ginecológicos impostos, que vêem a sua vida íntima devassada, que suportam a desonra do julgamento e conhecem as agruras do cárcere. As ricas resolvem o problema e os pruridos éticos no intervalo das compras em Badajoz ou Londres.

O que está em causa não é a posição ética sobre a interrupção voluntária da gravidez, até às dez semanas, é saber quem renuncia, ou não, à perseguição das mulheres, quem quer vê-las na cadeia, quem pretende juntar ao trauma da IVG a punição da enxovia.

O divórcio era proibido há trinta anos, Camilo esteve preso por adultério e, no entanto, as sociedades modernas souberam distinguir o crime do pecado, o direito canónico do Código Penal e separar as convicções pessoais do ordenamento jurídico.

No dia do referendo vou votar SIM. Para que o aborto clandestino deixe de ser a chaga actual. Para que se resolva um problema que aflige milhares de mulheres. Para que as pobres não sejam ainda mais infelizes. Para que nenhuma mulher seja presa pela minha incúria em abster-me.

Para não sentir vergonha quando souber que a mulher que se ia esvaindo em sangue acabou a fazer a convalescença na prisão.

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Como se esperava....

O Tribunal Constitucional aprovou a constitucionalidade da nova Lei das Finanças Locais, cuja fiscalização preventiva tinha sido solicitada pelo Presidente da República.

***
A Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) anunciou que vai propor ao Conselho da Europa que verifique se a Lei de Finanças Locais cumpre os princípios da Carta Europeia de Autonomia Local.
***
Comentário: Em desespero, o presidente da ANMP, criador das rotundas de Viseu, ainda acaba a perguntar a Bin Laden se a nova Lei das Finanças Locais está de acordo com o Corão.

A Europa não deixa seduzir-se por Zeus

Europa y el toro de Gustave Moreau (c. 1869)
(Clique na imagem e ligue o som)
UE opõe-se à execução de Saddam Hussein

A presidência finlandesa da União Europeia (UE) reiterou, esta sexta-feira, a sua oposição à execução do ex-Presidente iraquiano Saddam Hussein.

Quem paga o abuso?

Espaço dos leitores

Sandro Botticelli - O nascimento de Vénus

Tribunal Constitucional

O Tribunal Constitucional (TC) pode dar hoje luz verde à nova Lei das Finanças Locais. Segundo a Lusa, citando fontes partidárias, os juízes do Palácio Ratton preparam-se para declarar a constitucionalidade do diploma, depois de o Presidente da República, Cavaco Silva, ter suscitado a fiscalização do documento com carácter de urgência. A primeira votação do acórdão terá ontem ditado dez votos a favor contra três no colectivo de juízes, de acordo com o ‘Expresso’.

Comentário: A confirmar-se o acórdão, por tão ampla maioria, (10 votos contra 3) trata-se de uma pesada derrota para a Associação Nacional de Municípios, em especial para o seu presidente, Fernando Ruas, que arrastou o PSD para atitudes incompatíveis com o respeito que o Tribunal Constitucional devia merecer-lhe.

Nem os Conselheiros da sua área foram sensíveis à chantagem e ao barulho feito pelo PSD sobre os pareceres governamentais que - como veio a saber-se -, é uma prática habitual, bem aceite pelo referido Tribunal.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Ano Novo (crónica)

Sob os escombros do ano que ora finda jazem os votos que formulámos no início. Onde se encontram a almejada paz, o amor jurado, a fraternidade anunciada? Pelo contrário, irromperam das trevas da intolerância fundamentalismos torpes e ódios obscenos.

Por todo o mundo lambem-se feridas de catástrofes naturais e conflitos provocados. A explosão demográfica, a pobreza e a guerra deram as mãos à intolerância e à vingança. O racismo e a xenofobia atingiram proporções dementes que terminaram na orgia de sangue em que os homens se atolaram. Foram frágeis os desejos e efémeras as expectativas.

Ano Novo, vida nova. Estes são os votos canónicos que fastidiosamente repetimos no dealbar de cada ano. E suplica-se que o Ano Novo seja o paradigma dos nossos sonhos e não a consequência dos nossos actos ou o fruto de circunstâncias que nos escapam.

Após as doze badaladas e outras tantas passas, o champanhe e os abraços, por entre beijos húmidos e corpos que se fundem numa sofreguidão de amor, com o brilho das luzes e o som da música, recomeça um novo ano com votos repetidos de ser diferente e ser melhor.

Os anos nascem ruidosamente e vivem-se em silêncio. Começam com ilusões e acabam em pesadelo.

Há em cada um de nós uma força que nos impele para a mudança, que nos dá ânimo para desbravar novos caminhos e assumir novos riscos enquanto o conservadorismo e o medo do desconhecido nos tolhem os passos, nos intimidam e levam a recusar a novidade.

Eu acredito que no coração dos homens mora um genuíno desejo de paz. Os mísseis que cruzam os ares, as bombas que perfuram o solo ou os efeitos colaterais da artilharia que errou o alvo e destruiu povoações inteiras não são mais que um pesadelo passageiro.

O futuro constrói-se. A felicidade é um estado de alma que devemos procurar e a alegria o caminho a seguir.

É em cada um de nós, no espírito de tolerância, na aceitação da diferença, na solidariedade que podemos começar a construir o mundo mais justo, fraterno e pacífico para o qual julgávamos bastarem os desejos formulados de olhos fechados na última noite de Dezembro.

Que o delírio do amor e a embriaguez do sonho se mantenham vivos durante o ano que aí vem. E que, por entre nuvens que pairam carregadas de incerteza, resplandeça o sol da esperança e a nossa vida decorra tranquila.

Feliz 2007.

Jornal do Fundão, hoje.

Abolição da pena de morte... na Constituição

A abolição da pena de morte vai ser incluída na Constituição de França, decretada por uma lei em 1981, para cumprir um desejo do presidente francês, Jacques Chirac, informou ontem o Palácio do Eliseu.

Comentário: A abolição da pena de morte é um avanço civilizacional que dignifica o género humano e honra as nações.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

A sentença de Saddam












EUA congratula-se com confirmação, UE apela para que pena de morte não seja executada

A União Europeia e os Estados Unidos reagiram de modo diferente quanto à confirmação da pena de morte de Saddam Hussein. Washington saudou a decisão do supremo tribunal iraquiano, enquanto Bruxelas pediu a Bagdade para que a sentença não seja executada.

Um porta-voz do líder xiita radical Moqtada Sadr considerou hoje que a decisão foi “um presente” para o povo iraquiano e pediu para que o enforcamento seja transmitido em directo para todo o mundo islâmico.


Conclusão: O fundamentalista cristão evangélico Geoge W. Bush e o líder xiita radical Moqtada Sadr têm a mesma visão grotesca da justiça – um acto de vingança.

Günter Grass ganha Prémio Ernst-Toeller


Uma vida inteira ao serviço da paz e do antifascismo pareciam não ser suficientes para amnistiar um erro cometido aos 17 anos e confessado pelo próprio.

Muitos que execraram Günter Grass não se pouparam a esforços para justificar a mesma atitude de Rätzinger.

Finalmente, um acto de justiça para um enorme escritor.

Confissão de um troglodita

«Pessoalmente, só lamento não tenha havido mais voos da CIA transportando mais suspeitos de actividades terroristas».

Vasco Graça Moura - DN, hoje.

Desvarios do PSD

Miguel Frasquilho é, na óptica dos ultraliberais, um bom economista e na opinião de numerosos membros do PSD um político perigoso.

O PSD deixou-o imolar-se na campanha eleitoral das legislativas que levaram Durão Barroso ao poder de que havia de fugir. Durão não o deixou ser ministro, nem mesmo Santana Lopes com quem qualquer um podia tê-lo sido embora longe de Lisboa.

Miguel Frasquilho é uma espécie de Milton Friedman a nível de paróquia. Sobra-lhe em fé e ambição o que lhe falta em preparação política e bom senso.

A propósito da mensagem de Natal do primeiro-ministro, antigo hábito litúrgico, Frasquilho recordou que «há uns anos Portugal era o 14º país mais rico da União europeia. Depois foi ultrapassado pela Grécia. Agora está na 18ª posição, vendo passar à sua frente a Eslovénia, Chipre e a República Checa».

O que Miguel Frasquilho não refere são as datas em que Portugal foi ultrapassado pela Grécia ou quando a ultrapassou. Desse modo não poderia afirmar – como há pouco o fez – que todos os males de Portugal são da responsabilidade de Guterres.

Para tamanha desfaçatez faz falta Sousa Franco para o reduzir á insignificância que merece, sem necessidade de lhe lembrar que foi Guterres quem criou as condições para a adesão ao euro e que liderou o único Governo que, até hoje, conseguiu cumprir uma legislatura sem maioria.

terça-feira, dezembro 26, 2006

Iraque - Guerra civil

Pelo menos 20 pessoas morreram esta terça-feira e 35 ficaram feridas num atentado com viatura armadilhada perto de uma mesquita sunita em Bagdad, informaram fontes hospitalares e policiais.

(...)

Este é o quarto atentado à bomba de hoje em Bagdad, onde pelo menos 49 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas, depois de, durante a manhã, três carros armadilhados terem explodido com uma diferença de poucos minutos no bairro maioritariamente xiita de Al-Bayiha.

Comentário: Eis o resultado da «guerra preventiva».

O português do Brasil

Papa é contrário a uniões de fato

Comentário: De facto, a roupa atrapalha!

Execução confirmada


O Supremo Tribunal de Justiça do Iraque confirmou hoje a condenação à morte por enforcamento de Saddam Hussein. O governo iraquiano tem agora 30 dias para levar a cabo a execução do ex-ditador, considerado culpado por crimes contra a humanidade.

Comentário: A crueldade dos ocupantes e de um tribunal sem legitimidade equipara-se à do réu.

segunda-feira, dezembro 25, 2006

EPUL continua a ser notícia


A EPUL preteriu várias empresas na área da decoração para fazer um negócio, de 127 mil euros, com uma loja propriedade da família de um administrador da empresa, noticia hoje o Público.

Turkmenistão - Morreu Saparmurat Niyazov

O ditador, que se atribuiu o apelido de "Turkmenbashi", ou "o pai de todos os turcomenos" governou o país com enorme violência desde 1985. Era provavelmente o tirano mais extravagante do mundo, a ponto de denominar os meses do ano com nomes de familiares.

Faleceu de ataque cardíaco aos 66 anos e o seu funeral constituiu uma manifestação de imensa dor, tendo reunido dezenas de milhares pessoas que choraram a sua morte.

Por que motivo os ditadores mais violentos e irracionais suscitam tão espontâneas e sinceras manifestações colectivas de dor?
...
O Turkmenistão é importante fornecedor de energia para a Europa, com a quinta maior reserva de gás natural do mundo.

domingo, dezembro 24, 2006

Espaço dos leitores

El Caravaggio

Óbvio ululante

«O ex-PGR tem de desmentir as declarações da sua ex-assessora de imprensa à ‘Visão’ (quando ela põe em causa afirmações do magistrado na altura do escândalo com as cassetes). Não é razoável conciliar funções num tribunal superior com as suspeições de carácter em que foi envolvido». EXPRESSO (…e baixos) – pág. 6 – 23-12-06

Pergunta: E Adelino Salvado?

sábado, dezembro 23, 2006

Conselho de Segurança da ONU aprova sanções contra Irão

O Conselho de Segurança da ONU impôs hoje sanções ao Irão devido ao seu programa nuclear e balístico, numa resolução aprovada por unanimidade.

Desta vez não foram dirigentes marginais, ao arrepio do direito internacional, a promover uma «guerra preventiva».

Boas-Festas


Desejo a todos os leitores do «Ponte Europa» quatro dias de felizes festividades – excepto a algum funcionário da Câmara Municipal do Porto, que há-de contentar-se com três –, independentemente das convicções, não-convicções ou anti-convicções religiosas de cada um.

É no respeito e na liberdade de expressão de todas as formas de pensar que se constroem as sociedades livres e democráticas. Não há democracia com pensamento único.

Espero que a liberdade e a igualdade entre os sexos se realizem nos anos que vierem.
Boas-Festas.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Felicite Bush

Este email contiene imágenes. Por favor, si no puedes verlas pulsa aquí


Únete a Amnistía Internacional en nuestra felicitación al presidente Bush en el 5º aniversario del campo de detenidos de Guantánamo. Lee esta tarjeta on-line, fírmala, y se la haremos llegar el próximo 11 de enero, fecha del aniversario.

Haz clic aquí y felicita Bush.

Finalmente... o alívio da morte

À semelhança de Ramón Sampedro, Piergiorgio Welby viu o seu desejo realizado. Repetiu três vezes a palavra «obrigado» antes de lhe desligarem a máquina que o mantinha agarrado ao sofrimento. Nos últimos meses negaram-lhe a caridade que reclamou, impuseram-lhe a agonia que não quis, obrigaram-no à tortura cujo fim implorava.

Os problemas da vida e da morte não são fáceis. Mexem com os nossos sentimentos e cultura. Podem tornar os doentes vulneráveis ao crime. Estão no limite de todas as emoções. Enfim, há um problema que a sociedade não pode continuar a ignorar, uma legislação que é preciso discutir, uma ponderação a fazer com a urbanidade e sensatez possíveis.

Que ninguém seja obrigado, algum dia, a prescindir de um segundo de vida, mas não deve alguém ser condenado a meses e anos de não-vida. A autodeterminação do indivíduo merece respeito. Não há o direito de ficar sadicamente a repetir que uma pessoa não é dona de si própria.

Se um dia me tocar a desgraça que atingiu Piergiorgio Welby quero ter junto de mim o anestesista Mario Riccio.

A cruzada do Público

O Público de hoje parece ter sido escrito pela Conferência Episcopal. Do «Editorial» à estimável crónica de Vasco Pulido Valente, de Constança Cunha e Sá a António Marujo, é um mar de água benta, em prosa, com cheiro a incenso.

Fracassado o proselitismo evangélico de Bush, aparece agora, numa aparente coincidência, uma onda de proselitismo católico a rivalizar com a demente missionação do mundo islâmico.

Quando o sectarismo religioso está na origem de confrontos sangrentos e actos de terrorismo, mandava o bom-senso que o aprofundamento da laicidade do Estado e a sua defesa pela comunicação social dos países democráticos, servissem de vacina à insensata tentativa de submissão a uma verdade única, a livros únicos da fé e às imposições do clero.

Portugal, que não teve Reforma, partilhou com a Espanha o entusiasmo na violência da Contra-Reforma. O Público de hoje parece a voz da Igreja católica, saída das paróquias rurais, num ataque ao laicismo e na defesa descabelada do que não esteve nem está em risco - a comemoração do Natal cristão.

Pelo contrário, é a laicidade do Estado que tem sido posta em causa, não faltando bispos nas inaugurações, nomes de santos na toponímia, autarcas de joelhos, ministros de cócoras e o primeiro-ministro a benzer-se.

Basta lembrar a tragédia das teocracias para haver contenção na promiscuidade entre as Igrejas que se julgam maioritárias e os Governos que capitulam perante o incenso e a água benta. A neutralidade do Estado é uma condição indispensável à liberdade religiosa que a todos cabe respeitar e defender.

Dos EUA à Arábia Saudita, da Polónia ao Irão, sabemos o mal que a subordinação do Estado aos interesses confessionais tem provocado. É por isso que o Público, de hoje, me surpreende e entristece.

Honestidade acima de tudo

Se as autarquias fossem tão honestas como este construtor!!!

Espanha. Viva o PSOE


Contra as touradas de morte

Ministra do Ambiente de Espanha quer seguir exemplo português

A ministra do Ambiente espanhola deu início a uma campanha para proibir os touros de morte. Cristina Narbona cita a legislação portuguesa para propor que, no fim da lide, os touros sejam retirados da arena e mortos longe do público.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Vergonha, se for verdade

Gabinete do ministro desmente Voos da CIA:

Amado presta informações erradas

A edição desta quinta-feira da revista semanal ‘Visão’ revela que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, terá prestado informações erradas ao Parlamento Europeu (PE) sobre os voos da CIA que passaram pelo País.
Observação: Este assunto precisa de ser esclarecido. O PS não pode ter um ministro - Amado da CIA -, com a mesma pusilanimidade de Durão Barroso e Paulo portas.
A verdade tem de estar acima da subserviência a Bush.

Natal 2006


Há meio século o Natal era pretexto para a reunião das famílias. Os ausentes voltavam, todos os anos, à aldeia de origem, nas carruagens de 3.ª classe de comboios apinhados de pessoas e cabazes, com odores a que se resignavam as pituitárias de então.

Através do vidro partido, ou da janela avariada, o ar gélido entrava nas carruagens e nos corpos. Os passageiros partilhavam a vida e as merendas durante a penosa e longa viagem de pára-arranca. Os Senhores Passageiros precisavam de embarcar, ou de desembarcar, e a máquina a vapor, de abastecer de lenha a fornalha e, de água, a caldeira.
Às vezes o comboio parava nas subidas para que a caldeira ganhasse pressão e pudesse rebocar o peso acrescido que deslocava. Entre Lisboa e a Guarda era normal um atraso de duas ou três horas, pela Beira Alta, e ainda mais se fosse pela Beira Baixa.

Nas estações e apeadeiros esperavam bestas e pessoas, impacientes e enregeladas. À chegada do comboio havia abraços, ternos e demorados, e lágrimas de alegria. Do comboio acenavam mãos e ouviam-se votos de Feliz Natal quando o apito anunciava o retomar da marcha. Aos que se apeavam, só o caminho lamacento os separava, agora, da casa da aldeia onde aguardavam os parentes que ficaram em ansiosa espera.



Quando eram pequenas as casas e numerosas as famílias, sobrava sempre lugar para os que chegavam. A ceia de Natal era o momento mágico que matava fomes ancestrais e a saudade das ausências.

Na lareira fumegavam panelas cheias, cujos odores, fundidos com os que vinham da sala, traziam à memória os sabores da infância.

A candeia de azeite iluminava os trajectos domésticos enquanto o candeeiro a petróleo projectava as sombras dos familiares reunidos em conciliábulo.

Estranhava-se o milagre que permitira tantas postas de bacalhau, já que repolhos e batatas os dava a horta e os frutos eram secos no devido tempo. Rabanadas, arroz doce, sonhos, filhós e toda aquela variedade de guloseimas eram fruto dos ingredientes próprios e de segredos herdados, a que o lume brando da lareira requintava o paladar.

Não deixava de ser estranho que tanto desse, quem pouco tinha, e negasse, avaro, quem muito podia. Eram esses os tempos, ainda são assim as pessoas.

Ceavam primeiro as crianças, por questão de espaço e de impaciência; passavam, depois, à sopa, os mais velhos, antes de se fartarem no bacalhau, no repolho e nas batatas, regados com azeite. Só depois de esgotado o vinho no garrafão e de se ver o fundo à panela se entrava nas sobremesas, nas aguardentes e na jeropiga.

As crianças impacientavam-se com a demora do menino Jesus que raramente trazia os presentes que pensavam, mas se conformariam com os que viessem. Os adultos sugeriam-lhes a cama enquanto os sapatos rodeavam a lareira à distância conveniente do lume que ainda crepitava. O sono ia-as vencendo, adormecendo primeiro as mais pequenas, que as mães e a avó iam depositando em camas improvisadas.

No pouco espaço disponível havia ainda lugar para o presépio, uma ingénua encenação do mito cristão, que o pinheiro, oriundo de outras culturas, havia de substituir num prenúncio da globalização, para acabar feito de plástico, cheio de bolas coloridas.
De manhã, à medida que acordavam, os miúdos corriam para a chaminé, ansiosos por encontrar as prendas e exultavam com os presentes.

O Menino Jesus, que, então, descia pelas chaminés, foi substituído pelo Pai Natal, a viajar de trenó, puxado por renas, em terras onde só a neve fazia jus à nova fábula que roubou o encanto dos musgos, da serradura, do algodão em rama e dos animais que rodeavam o menino de barro, deitado em berço de palha.

Nos sapatinhos, onde então cabiam os chocolates e os carrinhos de corda, que faziam as delícias das crianças, o terço para a tia beata ou a onça de tabaco para o avô, não cabem hoje os jogos de computador, esperados sem ansiedade, nem os volumosos presentes embrulhados em papel reluzente.

Alguns pais ainda voltam aos sítios de origem para mostrar, aos avós, os netos, com o mesmo ar de enfado com que os levam ao Jardim Zoológico, a verem a girafa e o elefante, ou os metem nos Centros Comerciais. Mas o mais frequente é tirar os velhos da toca e pô-los a fazer o percurso inverso, com 50% de desconto no preço do bilhete, num exílio que começa na véspera da consoada e termina, no início do Ano Novo, com a devolução ao habitat.

Mudaram-se os tempos. Do Natal que havia, resta a recordação das crianças que foram.

Jornal do Fundão, hoje

Líder sem nível


A comissão política do CDS/PP aprovou uma deliberação que reprova a conduta do líder parlamentar Nuno Melo. O texto foi proposto por Ribeiro e Castro e acusa Nuno Melo de não assegurar a coordenação indispensável entre o grupo parlamentar e a direcção nacional do partido e de estar a contribuir para a instabilidade do partido.

Comentário: O deputado Nuno Melo tem o direito de combater o líder do seu partido mas manter-se, depois disso, no exercício do cargo de líder parlamentar, revela falta de escrúpulos e de ética política.

Não haverá quem, com recurso a serviços exteriores ao CDS, lhe dê lições de comportamento?

quarta-feira, dezembro 20, 2006

De cabeça perdida

O presidente Bush está a considerar a hipótese de aumentar o contingente militar no Iraque. A decisão só deverá ser anunciada em Janeiro. Bush reconheceu agora, numa entrevista ao jornal «Washington Post», que os EUA não estão a ganhar no Iraque.

E não há outras consequências?

O presidente da Câmara de Lisboa, Carmona Rodrigues, anunciou hoje ter aceite o pedido de demissão do director municipal de Gestão Urbanística, Pires Marques, sócio do ateliê responsável pelo projecto do polémico loteamento de Marvila.

Convicção ou preconceito?


1 – A bizarra Associação Sindical de Juízes Portugueses ignora que as uniões de facto existem entre casais homossexuais;

2 – Mostra uma estranha vocação para interferir no poder legislativo;

3 – Revela uma forte politização, incompatível com a neutralidade ideológica que se espera do poder judicial;

Felizmente que os juízes portugueses têm uma isenção e sentido ético que desautoriza as tomadas de posição da referida Associação, de pendor fortemente sindical.

Despenalização fez baixar número de abortos em França

Clara Vasconcelos

Elisabeth Aubény, obstetra francesa e dirigente da Associação Nacional dos Centros de Interrupção Voluntária da Gravidez e Contracepção, garantiu, ontem, que a despenalização diminui o número de abortos realizados, representa menos custos financeiros para o orçamento da saúde, erradica as sequelas físicas e psicológicas tantas vezes causadas pelo aborto clandestino e não faz diminuir o número de nascimentos.

Fonte: JN - 18-12-06

terça-feira, dezembro 19, 2006

Tragédia na Figueira da Foz

Dois feridos ligeiros: uma mulher e um cão

Quem pressiona quem?

O PSD acusou esta terça-feira o primeiro-ministro José Sócrates de pressionar o Tribunal Constitucional (TC) ao enviar pareceres de cinco juristas a defender a constitucionalidade dos dois artigos da Lei das Finanças Locais que suscitaram dúvidas ao Presidente da República, Cavaco Silva.

Observação: O PSD tem um único objectivo político - a intriga.

Que se espera de um marginal?


Monteiro Diniz diz-se frustrado

O representante da República na Madeira admitiu ontem sentir “alguma frustração” no desempenho do cargo e responsabilizou o governo da Região pelo “desmantelamento” das funções que exerce.

Médicos e Código Deontológico

Os médicos regem-se por um Código Deontológico que os proíbe de auxiliarem uma mulher que deseja interromper a gravidez, ainda que seja legal como já o é para os casos de violação, risco de vida da mãe e malformações fetais.

Numa sociedade democrática não pode haver códigos deontológicos que desrespeitem a Constituição ou boicotem a aplicação das leis do Estado. Tal código está obsoleto.

Os médicos têm, naturalmente, direito à objecção de consciência e à recusa de servirem instituições públicas que, por obrigação legal, têm de cumprir as instruções da tutela.

O direito dos médicos que se recusam a interromper uma gravidez, sejam quais forem as condições, merece respeito, assim como o direito do Estado a preferir os não objectores para preencher os quadros hospitalares.

É uma situação idêntica aos objectores de consciência em relação ao uso das armas. Eram dispensados do Serviço Militar Obrigatório mas não podiam, naturalmente, ser candidatos às forças policiais onde o uso da arma é uma inevitabilidade.

Os serviços de Ginecologia dos hospitais públicos não podem estar à mercê das idiossincrasias religiosas dos seus médicos e enfermeiros. Quando havia uma proibição legal absoluta para a IVG o problema não se punha. Tem-se posto com a lei existente, agravado no caso da vitória do SIM no próximo referendo.

Assim, a prioridade na selecção dos candidatos aos concursos de Ginecologia deve ser a obtenção de um compromisso de executar as funções legais determinadas pela tutela.

Se o Código Deontológico é anacrónico, cabe aos médicos actualizá-lo. Doutro modo é ao Estado que cabe declarar, com força de lei, a sua caducidade.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Espaço dos leitores

O êxtase de Santa Teresa de Ávila - BERNINI

EUA e Coreia do Norte frente a frente

Representantes dos Estados Unidos e da Coreia do Norte vão estar hoje frente a frente em Pequim para discutir o seu vasto contencioso, na véspera do reinício das conversações alargadas para solucionar a crise nuclear norte-coreana.

Quem é que disse que negociar com terroristas era traição?

Resposta: Bush, Durão Barroso, Luís Delgado e outras figuras menores.

O eixo do bem está muito condescendente.

domingo, dezembro 17, 2006

Coimbra ameaçada por derrocadas


As vertentes instáveis e sujeitas a derrocadas, em especial nas zonas de expansão da cidade de Coimbra, foram identificadas numa Carta de Risco, que engloba todo o concelho e indica os locais mais propícios a cheias e inundações, num total de 363 pontos críticos de escoamento de águas.

sábado, dezembro 16, 2006

Referendo sobre a IVG (3)

Boas notícias


Talvez os leitores se esqueçam de que Maria José Morgado sofreu pressões políticas de Adelino Salvado, no consulado Cardona, depois de ter conseguido a prisão do ex-presidente do Benfica - Vale e Azevedo - e de estar a investigar o presidente do Guimarães.
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Essas pressões que Cardona impediu que o Parlamento averiguasse, levaram à demissão de MJM.
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Cardona, Portas e Adelino Salvado são moralmente responsáveis pelo abrandamento do combate à corrupção.Pode ter sido incompetência, apenas.

Dia de Acção Global por Guantánamo

Caros amigos

Aproxima-se o 5ªaniversário do campo de detenção de Guantánamo. Durante estes cinco anos centenas de prisoneiros foram sujeito a condições e tratamentos cruéis, desumanos e degradantes. A maior parte dos prisioneiros encontra-se detido sem acusação ou julgamento, e outros foram libertados depois de ser ter concluído que as suspeitas que recaiam sobre eles não passavam de falsas pistas.

O regime de detenção em Guantánamo - severo, indefinido, em isolamento e punitivo - constitui uma violação à lei internacional.

Guantánamo tornou-se um símbolo de injustiça. Como tal, deve ser fechado imediatamente.

A Amnistia Internacional foi uma das primeiras vozes a pedir que o campo fosse fechado, e muitas outras organizações, instituições e particulares têm vindo a exprimir o seu desagrado em relação ao centro de detenção.
Amanhã (hoje), dia 16 de Dezembro, as Secções da AI espalhadas pelo mundo promovem acções públicas para relembrar a situação de Guantánamo. Em Lisboa, faremos uma recolha de assinaturas para uma petição dirigida ao Embaixador dos EUA em Portugal, pedindo o encerramento de Guantánamo. No Parque das Nações, a partir das 15h00.

Participe nesta acção, ou então envie a carta em anexo para o Embaixador, juntado a sua voz à de milhares de pessoas que amanhã assinalarão este dia.

Outras formas de participar: http://www.amnestybahrain.org/Petition.htm - petição on-line da Secção da AI no Bahrain

Luisa Marques
Coordenadora de Campanhas e EstruturasAmnistia Internacional Portugal
Telf: 21 386 16 52
Fax: 21 386 17 82
e-mail: l.marques@amnistia-internacional.pt

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Há portugueses a favor da CIA...

... enquanto outros são pelo apuramento da verdade e pela denúncia dos voos ilegais, entre os quais o eurodeputado do PSD - Carlos Coelho - que preside à comissão de averiguação e se comporta com rara firmeza e notável espírito cívico.

Pacheco Pereira é a favor do atlantismo, isto é, pela ocultação dos crimes eventualmente cometidos no espaço nacional.

O deputado do PSD Henrique de Freitas alinha pelo mesmo diapasão.

Mas parece...

A canalhice levada ao extremo pelo tresloucado, desastroso, mentiroso e hipócrita Alberto João Jardim leva-o a garantir: «Vamos fazer uma campanha contra o Estado Português.

Como se alguém o conhecesse fora da ilha e do rectângulo onde monta o circo!

Nota: Os impropérios são da autoria do inimputável sátrapa madeirense, referindo-se ao Governo da República, a propósito da Lei das Finanças Regionais.

Fonte: Diário de Notícias (site indisponível) - pg. 5 - Lília Bernardes

O fascismo ainda condiciona a Espanha

quinta-feira, dezembro 14, 2006

O fim do pesadelo chileno

Jornal do Fundão. Hoje

(Para obter o tamanho natural, clique na imagem e, depois, num quadrado que aparece no canto inferior direito).

Os insondáveis caminhos do Vaticano

O Papa Bento XVI excomungou pela segunda vez (João Paulo II já o tinha feito) um bispo, por defender o matrimónio dos padres e a ordenação de mulheres.

No entanto reina silêncio, no Vaticano, sobre uma freira católica condenada a 30 anos de prisão pelo envolvimento no genocídio ruandês, em 1994.

E sobre um padre, igualmente católico e genocida, condenado a 15 anos.

Boas notícias

Foto: Correio da Manhã
Procuradoria-geral da República decide
Maria José Morgado agarra Apito Dourado

A procuradora-geral adjunta do Tribunal da Relação de Lisboa, Maria José Morgado, foi nomeada para dirigir a equipa do Ministério Público encarregue dos inquéritos "já instaurados ou a a instaurar conexos com o caso 'Apito Dourado'.

Espaço dos leitores

Renoir

Turquia. Sim!

Um texto a não perder da Ministra britânica dos Negócios Estrangeiros.

Turquia: sê bem-vinda ao Clube Europeu!

Uma questão de higiene

Salvador Allende e o traidor
O comandante-chefe do Exército chileno expulsou o capitão Augusto Pinochet Molina, por ter intervindo durante o funeral do déspota, assassino e ladrão, Augusto Pinochet, onde defendeu o direito do avô a ter derrubado o Governo legal de Salvador Allende.

Citação

Tal como o processo Casa Pia (acho que os “putos” correm o risco de serem os únicos a cumprir pena), temo que no Apito Dourado, Carolina Salgado seja a única a ver o sol aos quadradinhos.

Lilia Bernardes

quarta-feira, dezembro 13, 2006

O estranho caso do Envelope 9, no Parlamento


Fica-se perplexo com o Ministério Público, capaz de manter em seu poder informação que não devia ter, informação que dizia respeito ao Presidente da República, onde não chegou a suspeição e não devia ter chegado a devassa.

O caso é suficientemente grave para que fiquem impunes os que violaram de forma grosseira os deveres que a sua função impunha.

Não se acredita que o juiz Rui Teixeira pudesse ter delegado funções no MP, que tenha proferido um despacho mandando que «deveria ser fornecida aos procuradores a informação que fosse pedida». Prescindiu de zelar pelos direitos dos arguidos.

Que durante o fascismo fosse conferido à PIDE o direito de agredir os presos políticos, em pleno tribunal, pelo juiz Florindo – um crápula ao serviço da ditadura –, é um facto que se recorda de um regime criminoso e sinistro.

Que, em democracia, o impoluto juiz Rui Teixeira tenha abdicado dos deveres que lhe cabiam, delegando-os numa das partes, é um acto que o respeito à função me impede de qualificar, tanto mais que era deste meritíssimo que a comunicação social queria fazer um herói.

«Não há memória de um juiz delegar poderes num procurador», disse Fernando Negrão, do PSD. Mas, neste caso, parece ter acontecido. O Conselho Superior da Magistratura deve averiguar a razão.

Adenda: Este post foi alterado. Na última frase onde estava Parlamento passa a ler-se Conselho Superior da Magistratura.

IVG

“Cerca de 350 mil portuguesas entre os 18 e os 49 anos fizeram pelo menos um aborto ilegal. E, dessas interrupções voluntárias de gravidez, quase três quartos aconteceram até às dez semanas de gravidez (IVG), o que significa que a alteração da legislação que vai ser sujeita a referendo no dia 11 de Fevereiro conferiria um carácter de legalidade a mais de 260 mil delas. Somadas às IVG feitas até às 12 semanas - prazo pedido para a despenalização em diversas propostas de lei - representam quase 90% dos abortamentos clandestinos.Os dados constam do primeiro estudo efectuado em Portugal para retratar a realidade do aborto, encomendado pela Associação para o Planeamento da Família (APF) e hoje apresentado na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa. Apesar de defender a legalização da IVG, o dirigente Duarte Vilar garante ao JN que a APF partiu para a investigação "sem ideias feitas". Os resultados, diz, "podem ser usados quer pelo apoiantes do Sim, quer pelos do Não" e pretendem apenas dar a "conhecer a realidade".-Jornal de Noticias-13/12/2006.

http://jn.sapo.pt/2006/12/13/primeiro_plano/17_abortos_ano.html

Estes números não deixam margem para dúvidas, a IVG mais do que uma questão de consciência, é uma realidade. Não é por tornar-se legal que vai alterar-se o panorama, deve, antes mais, actuar-se a montante no planeamento familiar, na informação sobre os meios contraceptivos, etc. Eu sou favorável à despenalização, que mais não é que o ajuste da lei à pratica (à realidade), mas não sou, nem nunca serei favorável à IVG como “método contraceptivo” e defendo que tudo deve ser feito para que a mulher não tenha necessidade de recorrer ao aborto e parece-me, aliás, que com a despenalização e com a possibilidade de recorrer a hospitais da rede de saúde pode ser possível evitar algumas destas situações extremas.

Jardim contra PR


Jardim irritado com comportamento de Cavaco

Alberto João Jardim está "decepcionado" com o comportamento do Presidente da República face à Lei das Finanças das Regiões Autónomas e o apoio dado por Belém ao Governo de José Sócrates.
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Cavaco Silva terá elogiado o ministro das Finanças na última conversa com Jardim, na audiência em Belém, o que "irritou" o líder madeirense, garantiu ao DN uma fonte do PSD.
Fonte: DN, hoje - Lília Bernardes.

A religião não tem culpa...

... mas não faz as pessoas melhores.

Pároco católico condenado por genocídio no Ruanda

O Tribunal Penal Internacional para o Ruanda (TPIR), em Arusha, na Tânzania, considerou culpado de genocídio e de crimes contra a humanidade o pároco católico ruandês Athanase Seromba, a quem condenou a uma pena de 15 anos de prisão.

Espaço dos leitores

Eugène Delacroix

O inimputável Alberto João Jardim

O PSD/M e o Governo da Madeira "declaram-se aliados de todas as forças políticas, sociais ou de qualquer natureza que, em Portugal, estejam empenhados em fazer cair o Governo socialista", afirmou Jardim aos jornalistas.

Fonte: DN, 10/12/2006

terça-feira, dezembro 12, 2006

Fujam. Vêm aí mais poderes para as autarquias

Cavaco defende mais poder para autarquias


O Presidente da República, Cavaco Silva, fez esta terça-feira um apelo ao diálogo entre câmaras e Governo e defendeu que devem ser atribuídas «maiores responsabilidades às autarquias, assegurando-lhes os correspondentes meios financeiros», escreve a Lusa.
……

A convergência de opiniões entre o PR e o primeiro-ministro, sobre as competências alargadas das autarquias, merecem-me grandes preocupações e os mais vivos receios.

Os poderes que eventualmente vierem a ser confiados às autarquias – leia-se Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia –, são poderes confiscados às futuras Regiões que a incúria, os interesses paroquiais e as rivalidades partidárias impediram de criar, num manifesto desprezo pela Constituição da República.

Quanto mais avançarmos no aumento das competências concelhias, sem coragem de agregar autarquias e extinguir muitas delas, mais improvável se torna a regionalização.

Não há, nos pequenos concelhos, dimensão demográfica nem massa crítica para gerir mais competências, que venham a ser delegadas. Não têm, de modo geral, os autarcas dos 308 municípios em que Portugal está retalhado, a dimensão ética e a preparação técnica para superar o caciquismo que confunde cores partidárias com a representação pública do Estado e vêem frequentemente os interesses nacionais como mera extensão das suas próprias necessidades.

Há o risco de o compadrio e o caciquismo atingirem dimensões que a repressão policial e o sistema judiciário são incapazes de combater. Em vez de cinco Regiões, que deviam estar a funcionar, dividimos o território por mais de quatro mil coutadas.

Para pior, já basta assim.

Portugal

As 7 maravilhas de Portugal.

http://www.7maravilhas.pt/index.html

Participem e contribuam para a valorização do nosso património cultural e histórico.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Para memória futura

Foram hoje depositados 2.430 €, numa delegação bancária de Almeida, produto do lançamento do livro «Pedras Soltas», destinado ao ansiado Monumento ao 25 de Abril.
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É difícil suportar a emoção de ver cerca de duzentos amigos que se deslocaram de todo o país para dar um abraço de solidariedade, com um tempo a aconselhar o aconchego do lar.

Os tiranos também morrem

Augusto Pinochet levaria dois mil mortos e mil desaparecidos na consciência.

Se a tivesse.

A tragédia iraquiana

Os comissários políticos de Bush, em Portugal, vociferaram contra Zapatero quando este, cumprindo a promessa eleitoral, retirou as forças que Aznar atolou no Iraque.

A memória é curta e poucos se lembram da campanha de Aznar contra a alegada falta de sentido de Estado do seu sucessor e da vergonha que era para a Espanha não participar na aventura épica sobre o Eixo do Mal.

Nem a mentira, que sabia sê-lo e serviu de pretexto à aventura, refreou o ânimo de Aznar, paladino da democracia no Médio Oriente, não obstante a ausência de entusiasmo no seu percurso cívico.

Ora, os EUA e os seus descarados cúmplices aparecem hoje, aos olhos do mundo, como meros abutres em voo picado sobre 11% das reservas mundiais do petróleo, sedeadas no Iraque, ávidos de controlar 2/3 das jazidas totais que se situam no Médio Oriente.


Não se aguentando os agressores, exigem que se rendam os agredidos. Tendo fracassado na imposição da democracia – último objectivo invocado –, ameaçam agora de sanções, se a violência que atearam e não controlam, não for debelada pelo Governo legítimo que está em funções no Iraque.

Mas a suprema ironia reside no Relatório Backer, que Bush já prometeu levar em conta, preconizando o diálogo directo com o Irão, isto é, negociações com os representantes do Eixo do Mal, com os mais terroristas daqueles com quem jamais se negoceia e apenas se devem exterminar.

Não sei como se sentirão os comissários políticos portugueses de Bush, Luís Delgado e José Manuel Fernandes, depois de terem crucificado Mário Soares, a quem a sabedoria sugeriu soluções que feriam a lógica belicista e antecipou três anos as recomendações de Baker, quando os EUA se vêem obrigados a dialogar com o Irão e a Síria.

Perdida a honra e a guerra é preciso salvar o maior número de soldados do atoleiro. Dá-se o dito por não dito para fugir o mais depressa possível. E ainda há quem tente justificar os falcões que, sob a égide de Bush, fomentaram a mais desastrada guerra, que fragilizou os países democráticos e civilizados.

Afinal, o tribalismo também existe nos países mais desenvolvidos, sob a forma de grupos detentores de empresas de armamento e de refinação de crude. Os sobas dos EUA, apesar de terem frequentado boas Universidade, vítimas do apelo étnico dos grandes tubarões financeiros, regressam ao estado primitivo e tornam-se trogloditas.

Finalmente, desonrados e desnorteados, os falcões americanos vêem nas propostas que combateram e apelidaram de traição, o único buraco por onde, como ratos, se podem esgueirar.

sábado, dezembro 09, 2006

O Crime de Camarate

"Este livro foi escrito para demonstrar uma tese. Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa foram assassinados no dia 4 de Dezembro de 1980. Eram, respectivamente, o primeiro-ministro e o ministro da defesa do Governo de Portugal. O crime vitimou igualmente os restantes ocupantes da aeronave sinistrada: Snu Abecassis, Manuela Amaro da Costa, António Patrício Gouveia, Jorge Albuquerque e Alfredo Sousa. A obra não assenta em especulações ou suposições, nem alimenta insinuações ou processos de intenção. Parte de factos, que descreve, e de provas, que identifica. E formula conclusões que qualquer um, sem preconceito e com amor à verdade, compreenderá à luz dos critérios mais elementares da experiência comum."

É bom reler o livro de Ricardo Sá Fernandes.

Material escaldante (embora já antigo) para estes dias frios...

Aproximação entre Socialistas europeus e Democratas americanos?

São conhecidas as diferenças programáticas entre os Partidos socialistas e sociais-democratas europeus e o ideário, por vezes fluído e indefinível, dos Democratas americanos.

É interessante que ambas as famílias se reúnam e se aproximem.
Os progressistas da civilização ocidental devem dar as mãos pela prosperidade económica e social no mundo inteiro, com respeito pelo ambiente, pelas gerações futuras e pelos direitos das minorias.
Seria bom, para começar, que os Democratas conseguissem ter uma verdadeira estrutura partidária nos EUA, um verdadeiro "aparelho", sempre tão criticado entre nós.
O "aparelho" permite coesão estratégica, definição de linha de rumo ideológico e força para ganhar eleições.
É isso que os Republicanos conseguiram impor nas últimas décadas. É o que sobra aos Socialistas europeus; é o que tem faltado aos Democratas americanos.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Sabia que...

O conflito no Iraque, que é cada vez mais impopular nos EUA, já dura mais que o envolvimento norte-americano na Segunda Guerra Mundial.

Bolton sai! Mais uma vitória dos Democratas de todo o Mundo

Mais um falcão de voos baixos caiu por terra esta semana.
Ainda bem para os Estados Unidos. Melhor para as Nações Unidas.

Só por cá, os pardais da guerra santa, como Pacheco Pereira, continuam iludidos nas suas fábulas sobre uma ordem internacional que eles pensam saber interpretar.
JPP e seus comparsas deveria reflectir sobre tudo o que aconteceu do outro lado do Atlântico no último mês: a vitória dos democratas, a queda dos falcões e a publicação do Relatório Baker/ Hamilton.

Há Ciência em Portugal!

Duas notícias algo escondidas nas páginas interiores relativas à Ciência levantam o ego nacional no dia em que se assinala (mais) um feriado religioso, desta feita evocativo da padroeira da nação.

1 - O Prémio Crioestimanal em Investigação Biomédica deste ano vai distinguir quinta-feira um investigador do Porto, Hélder Maiato, pelo seu contributo para o combate ao cancro, a partir de técnicas inovadoras de microcirurgia laser aplicadas ao estudo da divisão celular.

2 - Investigadores portugueses desenvolveram um método que ajudará a detectar com mais rigor o cancro da mama. O método, complementar à mamografia e à ecografia, pode evitar biopsias desnecessárias.

Parabéns aos cientistas nacionais!

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Debate sobre Interrupção Voluntária da Gravidez


CLUBE DE COIMBRA

Debate sobre Interrupção Voluntária da Gravidez, que se realiza no próximo dia 11 (Segunda Feira) de Dezembro, pelas 19 horas, seguido de jantar, no Restaurante Manuel Júlio.

O CLUBE DE COIMBRA convidou para este debate a Deputada Maria de Belém que já confirmou a sua participação.

As confirmações para o jantar (13 Euros) deverão ser assinaladas até ao próximo dia 7 (Quinta Feira) de Dezembro, para Nuno Filipe:
e-mail: ndfilipe@gmail.com.

Dado que a sala tem uma lotação limitada, as inscrições e os convites deverão ser confirmados o mais breve possível.

O futebol era uma paixão (Crónica)

Só depois dos dez anos comecei a perceber o motivo de, até aí, nunca me ter sido recusado lugar nas equipas de futebol que nasciam espontâneas entre garotos. Talvez sentisse a falta de entusiasmo dos parceiros, mas no calor da disputa não via os esgares de dor que os erros de pontaria frequentemente provocavam quando, por inabilidade, a bola que tinha como alvo era substituída pelas canelas dos companheiros que se atravessavam na trajectória do meu pé.

Nunca, antes, me tinha interrogado sobre as qualidades para um desporto que exercia em mim uma atracção irresistível. Jamais me dera conta da pouca habilidade que pudesse ter. Pelo contrário, algumas vezes tinham sido os outros a perguntar se não queria jogar à bola e a procurar convencer-me para ficar à baliza, lugar que a minha impaciência desprezava e eles tinham como o mais adequado ao meu perfil.

Só então me dei conta de ter sido dono da única bola, durante a instrução primária.

Depois, no liceu, perdida a protecção materna e o respeito devido, medroso e inábil, fui-me transformando no bode expiatório dos insucessos alheios, alvo de tareias com que os outros garotos se vingavam de um medíocre-menos a português ou de um mau-grande a matemática, num crescente prestígio que ultrapassou a turma que em breve perdeu o monopólio das sovas que me eram destinadas. Era medroso, já o disse, não é por me gabar, e a alcunha de Nené era um incentivo eficaz para avanços de algum mais timorato. Foram dois anos de excelentes notas e sólidas tareias, umas e outras em vias de extinção. As tareias terminaram quando reagi ao medo patológico e passei de bombo da festa a carrasco que desfeiteou dois colegas, em momentos diferentes, com violenta carga de pontapés fortalecidos pelo susto perante o gáudio de colegas que, em vez de me ovacionarem, apuparam as vítimas com expressões tão demolidoras como “até do Nené te deixaste bater”. Quanto às notas tive de esforçar-me menos, bastou o absentismo escolar, tendo quem respondesse por mim à chamada, abjurar os livros e começar a subir na consideração dos colegas, já ressarcido da ignomínia de ter frequentado o quadro de honra.

Alguns benefícios tive, pois, além de notas mais toleráveis pelos cábulas que eu idolatrava e que generosamente me acolheram. Não me deixei marcar por uma plêiade de incompetências pedagógicas nem tive necessidade de aprofundar a ciência sobre os estames da papoila e o órgão sexual da minhoca, ensinamentos que faziam corar os professores e emudecer de vergonha os alunos pelo carácter deletério, precursor da educação sexual que algumas décadas depois viria a ser objecto de reivindicação. Também me defendi de decorar o clima dos vários países, a fauna e a flora das colónias que a história se encarregaria de transformar em nações e outras inutilidades que levam as pessoas de então a repetir nostálgicas que nesse tempo é que se aprendia.

Mas o futebol continuou a exercer em mim uma irresistível atracção e a permitir-me suportar estoicamente o escrutínio dos outros jogadores, cada vez mais difícil, para participar. Era comum estarem seis ou sete garotos de um lado e menos um do outro, única situação em que podia aspirar à selecção. Dizia-me a experiência que o regozijo seria de pouca dura e que à primeira canelada era corrido à chapada e a pontapé, para bem longe, negando-me o simples privilégio de espectador. Mesmo assim aguardava ansioso o momento da selecção.

A minha entrada era sempre precedida de silêncios estranhos e insuportáveis delongas, apesar da evidente utilidade de as equipas começarem patas em número de jogadores. Por fim alguém dizia, com ar de enfado, “aquela merda que jogue”, decisão que me inundava de felicidade não obstante os termos pouco estimulantes e o epíteto moderadamente depreciativo com que o convite era formulado.

In «Pedras Soltas»

As escutas foram ilegais

O deputado do PSD António Preto vai ser julgado por crimes de falsificação e de fraude fiscal qualificada. Em causa estão elevadas quantias em dinheiro que António Preto terá recebido em envelopes e malas de dois empresários da construção civil.

O deputado social-democrata terá recebido o dinheiro ao longo de 2002 e também durante a campanha para a liderança do PSD/Lisboa.

António Preto e dois empresários da construção civil são ainda acusados de terem lesado o Estado por fuga aos impostos na comercialização de habitações.

Adenda - Porra!!! Nunca vitanto dinheiro na minha vida. (Exclamação de António Preto, ao receber uma mala com dinheiro).

Capa de livro


«Pedras Soltas» terá o seu lançamento, às 15H00 do dia 9 de Dezembro (Sábado) no auditório da Casa do Povo de Almeida.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

A América perdeu a guerra

Bush promete levar «muito a sério» relatório Baker

George W. Bush prometeu levar «muito a sério» o relatório sobre a mudança de estratégia no Iraque e apelou a todos os parlamentares para fazerem o mesmo. A retirada progressiva dos militares e reuniões com países vizinhos são algumas das propostas do relatório.
O aparecimento do pragmático James Baker é já um bom augúrio.

Quando Bush afirmou que Deus estava com ele – antes da tragédia em que envolveu países democráticos e da carnificina que provocou no Iraque –, fez a síntese de uma tripla mentira: a ajuda divina, a proclamada unção e o resultado favorável da macabra aventura.

A economia das palavras deu lugar ao exagero da tragédia em que se lançou com os cúmplices conhecidos. Dos comparsas, dentro em breve, só restará o actual presidente da Comissão Europeia – o único para quem o crime compensou.

Donald Rumsfeld abandonou o Pentágono sem honra nem glória. John Bolton, embaixador na ONU, foi despedido apesar dos esforços patéticos de Bush para mantê-lo. Dick Cheney, um falcão com cheiro a petróleo, está desacreditado. Os «neocons», que quiseram promover a fé e os bons costumes, estão moralmente feridos e desacreditados no seu proselitismo.

A América perdeu a guerra no Iraque e Bush é hoje o destroço que bóia num mar de angústia e compunção.

Depois da tragédia, que o fundamentalismo americano provocou, é altura de a Europa restabelecer relações fraternas com os EUA. Não nos esqueçamos de que vivemos no mesmo espaço cultural, temos uma civilização comum e os Direitos do Homem a defender.

O pesadelo de Guantánamo e Abu Ghraib têm de ser superados. Bush tem de ser esquecido, na impossibilidade de o fazer julgar no TPI com os seus cúmplices, e os EUA têm de voltar ao concerto das nações defensoras dos direitos humanos, da paz e do progresso internacionais.

Diabolizar os EUA é o melhor serviço que se pode prestar ao fascismo islâmico e a outras ameaças totalitárias que medram no Planeta. Só a união de esforços entre os EUA e a Europa, esta com o aprofundamento da sua integração, podem fazer frente aos perigos que enfrentamos.