sexta-feira, março 30, 2007

Co-incineração - Polémica em «O DESPERTAR»

TRÉPLICA: CARLOS ESPERANÇA (VERSUS) CASTANHEIRA BARROS

Uma questão de fé
O Dr. Castanheira Barros em vez de contestar os fundamentos científicos que sustentam a co-incineração refugiou-se na crença inabalável de que é uma opção má. Tal como os crentes que, confrontados com a irracionalidade da fé, se limitam a dizer que é falso o Deus dos outros, assim procedeu o advogado.

Fugindo à questão principal, não refutou um único argumento, só fez insinuações para denegrir os membros da CCI e referência aos salários que auferiam pelas funções. De substantivo, disse nada.

Apenas referiu que descrê da CCI, não gosta de Guterres e odeia a co-incineração, pelas mesmas insondáveis razões com que Maomé embirrou com o toucinho –, zero como argumento intelectual e débil para quem tem pretensões políticas.

Não referiu as entidades a quem cabia designar os elementos da CCI:
a) Três pelo Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP);
b) Um pelo Ministro do Ambiente;
c) Um pela Câmara Municipal de Coimbra;
d) Um pela Câmara Municipal de Leiria.
(Decreto-Lei n.º 120/99 – art. 5.º 2)

Decerto não se atreveria a acusar o CRUP de subserviência ao Governo, já que ignora a rectidão moral de Guterres tal como o gabarito científico e isenção dos elementos da CCI.

Embevecido pelo proselitismo, acabou por escrever: «O mandato da Comissão era de 3 anos prorrogável indefinidamente (art. 5.º 2)» [sic]. Ora, o que o citado art. 5.º 2 refere, é o seguinte: «A Comissão tem um mandato de três anos, prorrogável por igual período através de resolução do Conselho de Ministros, por proposta da Comissão e mediante parecer favorável das Câmaras Municipais de Coimbra e Leiria».

Como pôde concluir o Dr. Castanheira Barros que uma comissão «prorrogável por igual período» (seis anos, no total), sujeita à resolução do Conselho de Ministros e ao parecer favorável das Câmaras de Coimbra e Leiria pudesse ser «prorrogável indefinidamente»? Apenas parece ser indiferente ao destino de milhões de toneladas de resíduos perigosos dispersos por mais de 1400 locais contaminados.

Em relação à jurisprudência sobre a co-incineração falaremos quando houver trânsitos em julgado.

Quanto à alegada «irreverência de Coimbra [que] não se coaduna com bajulação», temo que não seja virtude generalizada. O doutoramento de Franco desmente-a.

Aliás, os ora adversários da co-incineração ignoraram o forno dos H.U.C. cuja poluição, intolerável, só terminou graças a Sócrates, então ministro do Ambiente, que o mandou encerrar sem que alguém se preocupasse ou organizasse manifestações de protesto.

Parecem insensíveis ao cheiro que invadiu a cidade, sem exigirem explicações sobre a origem e composição dos odores que lembram Cacia. Onde está a consciência cívica, bem mais importante do que a irreverência? Ou o silêncio é bajulação à Câmara cujo provedor para o ambiente se mantém mudo?

Jamais os vi inquietos com as unidades que fazem exames e tratamentos com radiações, se são fiscalizadas e se todas se encontram licenciadas, com equipamentos calibrados, e se os profissionais que fazem os exames estão devidamente qualificados.

Os excrementos de cão que cobrem os passeios e as ruas de Coimbra não provocam um grito de revolta, uma manifestação ou um simples queixume. Será para não incomodar o pio edil que uniu toda a direita para se reeleger?

Tenho obrigação cívica de defender o ambiente e lutar por uma cidade limpa, acolhendo as soluções que o estado da arte considera melhores. Sei que não conseguiria evitar um só suicídio a tentar convencer um muçulmano de que não o aguardam 70 virgens no Paraíso e de que é duvidoso que aí corram rios de mel. Também não convencerei o Dr. Castanheira Barros dos malefícios que a sua crença causa à cidade e ao país.

É nessa inquebrantável fé, não alheia à devoção partidária, que o deixo a pelejar.

19 Comments:

At sexta mar 30, 04:26:00 da tarde, Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Também vemos, perto de Lisboa, pessoas preocupadas com uma Linha de 220 kV, quando elas usam, a toda a hora, telemóveis que lhes injectam no cérebro campos eléctricos infinitamente superiores...

E vemos em Serpa, a propósito da Central Solar, gente com medo que "a terra aqueça" (!) quando, na melhor das hipótese, até arrefeceria (por ser retirada energia que iria para o solo)...

 
At sexta mar 30, 04:39:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

como os problemas já são muitos, então vamos colcar mais um.

Qt ao fecho da incineração nos HUC, enfim, só um pseudo.eng, como o sócrates é qe se lembraria de uma coisa daquelas.
Na incineradora eram queimados materiais contaminados, assim como órgãos retirados e pessoas que por uma razão ou outra precisam de ver extraída alguma coisa: um apêndice, um tumore, etc...

Se um dia o camião (e ninguém sabe como são feitos estes transportes despistar-se e contaminar uma aldeia, pois esses restos de operações, órgãos, etc. podem esta contaminados) despistar-se e contaminar uma aldeia, tb não haverá problema, pq em Portugal nunca se saberá que o transporte se despistou e como os efeitos são feitos alguns dias depois...

...é de elementar regra de segurança que a incineração dos resíduos hospitalares se faça o mais perto possível da sua produção e que não andem a passear pelo país.
Mas esta parece ser a chancela de Sócrates, já que há Autoestradas que se utilizem. Transportem-se nelas os resíduos, façam-se os partos nelas, estabilize-se clinicamente as pessoas nas ambulâncias, etc, etc, etc.

Tal com os resíduos hospitalres é das regras de segurança que as incinerações se façam perto das zonas de produção (que é sobretudo no Sul) ou longe das populações.

E finalmente a grande jogada de Sócrates foi fazer cumprir às cimenteiras a colocação de filtros da mangas em troca da coincineração (note-se que os filtors eram uma imposição comunitária, não havia negociação possível), deu às cimenteiras a gestão dos lixos (que é quem lucra).
Já agora onde está um concurso internacional com projectos para se resolver o problema????? O Sócrates decidiu que era a incineração e ponto final, só pq o PSD queira uma incineradora dedicada..
Em Portugal decide-se sempre contra o outro partido na aparência, mas no fim o que está em causa são lobbys.

PS1: As maiores centrais solares do mundo vão ficar caras ao consumidor.

PS2: A EDP quer tornar-se a 3ª maior produtora de energia eólica do mundo????? Se o consegue é pq essa forma de energia não é a mais rentável, se não as maiores produtoras de electricidade já tinham tomado o mercado. Simples, não? Quem pagará a megalomania de uma empresa que quer produzr electricidade para os Texanos com os ventos???? Os portugueses, pq lá o subsídio ainda não compensa a produção, logo, para manter a posição a EDP terá de transferir dinheiros de outro lado. Pq não de quem paga a conta da luz?

 
At sexta mar 30, 04:45:00 da tarde, Anonymous Carlos Esperança said...

Anónimo Sex Mar 30, 04:39:00 PM:

Na minha opinião, o seu comentário diz coisas certas e coisas originais mas as originais não são certas e as certas não são originais.

 
At sexta mar 30, 04:47:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Subserviência pura, caro Carlos Esperança, dê-lhe a volta que entender, o senhor aceita sempre, incondicionalmente, tudo que vem de Sócrates...neste caso da co-incineração, é demais.

Queremos COIMBRA LIMPA...A CO-INCINERAÇÃO, NÃO PASSARÁ.

 
At sexta mar 30, 05:27:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Carlos Esperança: deixando de lado a co-incineração, se me permite, faço só um reparo: aproveita o tema para dar mais uma bicada religiosa.
O sr. não lhe basta não acreditar como ainda põe em causa a fé dos crentes. Para si é uma questão de "uns são espertos e os outros são burros"? Sendo Portugal um país maioritariamente católico, acha que, associada à crença, está a ignorância? Sim porque conheço partidários da sua "doutrina" que acham que se as pessoas fossem minimamente inteligentes não perdiam o tempo com algo que se está mesmo a ver que é uma fantochada. Espero que saiba defender a sua dama melhor que isto. Porque quem não acredita não tem rigorosamente que ser um iluminado!
Cordiais saudações

Luís

 
At sexta mar 30, 05:38:00 da tarde, Anonymous Carlos Esperança said...

Luís:

Mas é de co-incineração que estamos a falar e não de religião.

A fé do Dr. Castanheira Barros no malefício da co-incineração não é uma questão religiosa, é uma embirração.

Doutro modo teria argumentado.

 
At sexta mar 30, 05:46:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Não discuto a natureza do post. Apenas digo, acho que fui claro, que aproveita o tema para dar mais uma bicada à religião. Faz uma analogia logo no início...
E como é nítido que esse (religião) é um tema que lhe pesa, daí a minha abordagem.
Mas não caí em equívoco, o tema do post é a co-incineração. Se me quiser responder ao que questionei, faça favor.

Luís

 
At sexta mar 30, 06:09:00 da tarde, Anonymous Carlos Esperança said...

Luís:
Basta a delicadeza com que põe a questão para merecer e exigir a resposta.

Tem razão. Mas eu sou assim .

Não esqueça, porém, o que as Igrejas dizem do ateísmo e eu defendo a liberdade de se ser crente e ateu. A inversa nem sempre se verifica.

Não confundir com regimes ateus que são tão perversos como os confessionais. Se houvesse um Estado ateu em Portugal, eu combatê-lo-ia com a mesma veemência com que denuncio a promiscuidade com a Igreja.

O Estado deve ser neutro. Nós, cidadãos, podemos e devemos ter as convicções que entendermos.

 
At sexta mar 30, 06:11:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

ui!!!
O Esperança apareceu no jornal.
30 pessoas esta semana leram 'O Despertar'. Ninguem o calará com este tardio reconhecimento publico.
Quanto a pratos requentados, ninguem gosta. Não ha aborto, salazar também já ganhou, homessexuais colado ao aborto tb não joga, fale-se de co-inceneração.
Na sua mediocridade esperança regozija-se com estas ''questões de fundo''.
Esperança continua firme com as palas nos seus olhos. E Socrates qual cenoura a orientar-lhe o caminho.
Em todos os posts que deixou Esperança nunca teve uma opinião anterior ao pronunciamento do governo. Engraçado! eu diria mais, escola sovietica. AInda espera que lhe deem qualquer coisa na distrital de Coimbra? Tb não acredito que tenha a ambição de mais qq coisinha.

ChicoMartins

 
At sexta mar 30, 06:12:00 da tarde, Blogger Carlos Medina Ribeiro said...

Achar que as referências que o autor do post faz às religiões são importantes (quando, afinal, são apenas laterais e não têm mal nenhum), fazem lembrar a história do Zequinha, que dizia lá em casa:

- A minha professora está sempre a meter religião em tudo! De cada vez que eu respondo a uma pergunta, diz sempre "AI JESUS, AI MEU DEUS..."

 
At sexta mar 30, 07:05:00 da tarde, Anonymous Anónimo said...

realmente maior poluição que a caca do cãozinho não há , e ninguem se revolta, um gajo xateia-se porra de tanto por o pé na m....

 
At sexta mar 30, 07:37:00 da tarde, Blogger jrd said...

Já agora "Despachem-se!!!

 
At sexta mar 30, 07:42:00 da tarde, Anonymous Manuel Norberto Baptista Forte said...

Co-incineração, uma medida mais que este (des)Governo, e nomeadamente o seu máximo dirigente (!?), nunca permitu que fosse muito bem explicado e discutido pelos Portugueses.
Estudos, existem (acredito eu); discussão alargada e pública, face aos mesmos, não acredito eu que tenham existido.
Esta "batalha" do ainda 1ºM, está enferma.

 
At sexta mar 30, 09:50:00 da tarde, Anonymous Carlos Esperança said...

Manuel Forte:

Neste caso, quem está mal documentado é o Manuel Forte.

Há imensa literatura disponível e o assunto foi amplamente discutido.

Quanto à sua posição em relação ao Governo, este ou outro, é uma opção que respeito.

 
At sexta mar 30, 10:45:00 da tarde, Anonymous sabichão said...

Quem é o Dr. Barros?

 
At sábado mar 31, 01:20:00 da manhã, Anonymous Anónimo said...

É Advogado com escritório em Coimbra.

 
At sábado mar 31, 11:06:00 da tarde, Blogger Camisa Azul said...

Leiam a Convenção de Estocolmo a que Portugal aderiu e que o governo escondeu.

 
At domingo abr 01, 11:25:00 da tarde, Anonymous ahp said...

Quem é que provou que a maioria dos portugueses é católica? Os resultados do último referendo não apontam nesse sentido; e se aos que se dizem católicos descontarmos os que o não são por se encontrarem excomungados, como por exemplo os divorciados, então não fica muito mais de um terço!

 
At quinta mai 10, 11:46:00 da tarde, Blogger Castanheira said...

JÁ QUE NÃO FOI PUBLICADA NO JORNAL O DESPERTAR A RESPOSTA QUE DEI ENTÃO À TRÉPLICA DO SENHOR CARLOS ESPERANÇA, ENVIO-A AGORA COMO COMENTÁRIO AO ARTIGO EM QUESTÃO : ALEGAÇÕES FINAIS


1- Uma questão de fé :

Acusa-me o Senhor Carlos Esperança, na sua « Tréplica » de 30.03.2007, de não ter contestado « os fundamentos científicos que sustentam a co-incineração », o que até é verdade e me ter refugiado « na crença inabalável de que é uma opção má », o que também é verdade .
Já não é verdade que tenha afirmado que « é falso o Deus dos outros » .
Essa seria aliás a última ideia que me passaria pela cabeça, porque sou radicalmente pluralista .
Se fosse enunciar os fundamentos técnico-científicos e jurídicos que já invoquei contra a co-incineração de resíduos perigosos não chegaria o jornal inteiro .
Mas não posso nem devo, por razões deontológicas, discutir publicamente as questões fundamentais que estão ainda por decidir nas 5 acções em que sou advogado : 4 relativas ao Outão e 1 a Souselas .
Temos de deixar os juízes decidir tranquilamente, pois só assim poderemos legitimamente aplaudir ou contestar as suas decisões .
Face ao repto que me foi lançado não posso contudo deixar de referir que o principal argumento invocado contra a co-incineração de resíduos perigosos reside na inevitável produção de Poluentes Orgânicos Persistentes - dioxinas, furanos e metais pesados - , que são substâncias altamente cancerígenas e cujos efeitos subsistem durante décadas, o que é reconhecido pela Convenção de Estocolmo, subscrita por Portugal e mais 118 Países, que enuncia , relativamente à co-incineração de resíduos perigosos em fornos de cimento, « o objectivo da sua continuada minimização e, quando possível, da sua efectiva eliminação».

2-A famigerada CCI

Para quê mencionar « as entidades a quem cabia designar os elementos da CCI » se tudo estava pré-definido?
Basta pensar na própria denominação da « Comissão Científica Independente de Controlo e Fiscalização Ambiental da Co-Incineração » para perceber o fim para que foi criada .
Se um mandato é prorrogável por igual período e não se impõe limite ao número de mandatos é óbvio que ele é prorrogável indefinidamente .
Por força da alteração introduzida pela Lei 149/99 de 3.09 exigia-se para a prorrogação do mandato da CCI o parecer favorável das câmaras municipais de Coimbra e Setúbal, o que não era nada difícil de conseguir naquele tempo em que ambas eram do PS .

3- Nada se perde tudo se transforma :

O Senhor Carlos Esperança tal como o Primeiro Ministro ainda não entenderam o que Lavoisier , químico francês, já tinha compreendido no Século XVIII : « na natureza nada se perde tudo se transforma » .
Estão ainda convencidos que queimando os resíduos perigosos em fornos de cimento eles desaparecem .
Omitem as substâncias voláteis que se libertam e que são muito mais perigosas do que aquelas que julgam poder eliminar .
Os resíduos industriais perigosos e os hospitalares já há muito podiam estar a ser tratados numa unidade de pirólise, não fosse a obsessão pela co-incineração de Sócrates e seus pares e o facto de terem transferido para o Hospital Júlio de Matos o problema dos hospitais de outras cidades .
Quem vai responder pela brutal produção de dioxinas recentemente detectada na incineradora daquele Hospital de Lisboa e pelo gravíssimo dano na saúde pública que daí advém ?

4- Considerações finais :

Quanto aos « odores que lembram Cacia » tem toda a razão o Senhor Esperança pois quando os ventos sopram de ocidente a poluição das empresas de celulose de Leirosa vem pelo leito do Mondego desaguar a este « poço sem fundo » que é Coimbra .
A sua condição de cidade encravada entre pequenos montes potencia a concentração das substâncias poluentes .
É por isso o local ideal para a co-incineração dos resíduos perigosos que o Senhor Esperança defende com unhas e dentes .
Apesar da recente vitória judicial obtida pela Câmara Municipal de Coimbra na luta contra a co-incineração é necessário manter vivo o espírito de combate contra a opressão ambiental a que nos querem sujeitar .
A batalha ambiental é a mais importante para a Humanidade neste início do século XXI .
As lutas ambientais para serem conduzidas com sucesso têm de assentar nessa tal « inquebrantável fé », associada a um elevado espírito de cidadania activa .

Castanheira Barros

 

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