quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Notas Soltas - Fevereiro/2007

Iraque – A violência, que diariamente aumenta, é um libelo acusatório contra os políticos medíocres, mentirosos e belicistas que destruíram o país e semearam o caos e o terror. Entretanto, Bush impõe um novo plano para agravar a desgraça.

Aquecimento global – A tragédia que se avizinha já não é mero cenário, é uma evidência científica que condena o actual modelo de desenvolvimento e o rumo liberal da economia.

A. J. Jardim – Em 2005, o Jornal da Madeira, cuja propriedade, vedada por lei, é 100% do Governo Regional, recebeu a exorbitante verba de 4,6 milhões de euros. AJJ, após as recomendações do Tribunal de Contas, ameaçou persistir na ilegalidade.

Timor – Enquanto os bandos de agitadores gozarem de protecção, a insegurança agrava-se, desintegram-se as instituições e o futuro do País fica refém do caos, da guerra civil e da Austrália.

Lei da Finanças Regionais – A promulgação pelo P.R. foi a mais pesada derrota de Alberto João Jardim no seu longo consulado. Perdeu o combate do último ano em que usou todos os meios legais, apesar do seu débil respeito pela legalidade.

Referendo – O triunfo do SIM puniu a campanha terrorista do Não e foi uma vitória civilizacional. Foi a vitória das mulheres, num assunto de saúde pública, que diminui o aborto clandestino e abre caminho à maternidade livre e consciente.

Igreja Católica – O enorme empenhamento no referendo e a excomunhão dos que votaram sim (automática, segundo o cónego Tarcísio) retira-lhe legitimidade para reclamar uma representação que ela própria alienou em luta contra a modernidade.

Lisboa – As trapalhadas, negociatas e decisões erradas puseram a cidade em estado calamitoso e as finanças à beira da bancarrota. A herança de Carmona Rodrigues é o desastre que, vereador a vereador, se arrastará até às eleições.

Voos da CIA – Finalmente começam a ser revelados os cúmplices e crescem os clamores contra os atropelos aos Direitos Humanos. É um bom sintoma e uma vitória da democracia no Parlamento Europeu.

Co-incineração – Há um estranho amor aos lixos e resíduos perigosos que leva a Oposição a usar todos os expedientes para impedir que o País fique mais limpo e o ar mais respirável. É urgente que alguém faça o que outros adiaram.

Paulo Portas – O regresso do antigo ministro de Barroso e Santana Lopes à liderança do CDS é uma inevitabilidade perante o entusiasmo da direita mais extrema e a ânsia de desforra contra Ribeiro e Castro.

Marques Mendes – Não aguenta tantos problemas: a Câmara de Lisboa, Filipe Meneses, Marcelo e os cavaquistas que o expuseram no referendo e que, perante os resultados, o abandonaram. Finalmente, enredou-se no Carnaval madeirense.

Marcelo – A sua opinião já foi influente e levada a sério. Agora é apenas a voz de si próprio, desgastado pelo tempo, e sem espaço para projectos pessoais. Mas o PSD, na sua orfandade, pode ressuscitá-lo para as cenas dos próximos capítulos.

Irão – A denúncia da BBC de um suposto plano dos EUA para atacar as bases nucleares pode ter feito gorar mais uma aventura de Bush num país cujo perigo é real e que a ONU não pode ignorar.

Madeira – A demissão de Jardim é um acto gratuito, exibicionista e provocador, bem ao seu jeito, para consumo autóctone. Apenas conseguiu acentuar o isolamento do PSD nacional e debilitar Marques Mendes que não teve a coragem de se demarcar.

Zeca Afonso – Vinte anos sobre a sua morte (dia 23) trazem-nos à memória o cantor da liberdade, poeta da resistência e cidadão solidário, tão diferente dos que hoje cultivam o egoísmo e querem confiscar o mundo em seu proveito.

Praias Portuguesas – Não são precisas alterações climáticas para pôr em risco milhares de habitações que a ignorância dos empreiteiros, a incúria dos municípios e a vaidade dos donos edificaram nas dunas que seguravam o mar.

Xanana Gusmão – O pedido de captura de Alfredo Reinado, responsável pela crise que levou à demissão de Mari Alkatiri, significa que o major sedicioso, que tanto prejudicou Timor, se tornou perigoso para os interesses de que foi cúmplice.

Universidade Independente – O escândalo parece a reedição do pouco edificante «caso Moderna». Com inevitáveis excepções, as universidades privadas obedeceram a interesses pessoais, sem benefícios para o ensino e para o País.

Salazar – Quando o mais sinistro governante do século XX faz parte dos grandes portugueses, num concurso da RTP1, é a prova de que a Pátria perdeu o senso, o povo a memória e os fascistas a vergonha.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Decreto-Lei 39/2007

Pela primeira vez é retirado aos membros do Conselho de Administração do Banco de Portugal (incluindo os actuais) o direito a receber os planos complementares de reforma, aposentação, invalidez ou sobrevivência que lhe eram atribuídos.

Os montantes eram obscenos e as regalias faraónicas.

Vão manter-se os direitos adquiridos até ao dia 20 de Fevereiro deste ano, mas algum dia alguém havia de pôr cobro ao despautério.

Fê-lo Sócrates. Mais vale tarde do que nunca.

Fonte: DN – Economia.

Apostila: Os vencimentos dos Governadores dos bancos centrais são habitualmente muito elevados, o que se compreende. Compreende-se menos que os vencimentos na CGD e CTT sejam ainda superiores, para não falar no do DGCI. E os benefícios posteriores, ora retirados, não tinham justificação moral ou razoabilidade económica.

Paciência esgotada ou sentido de Estado recuperado?


A sua captura, vivo, pode ser uma fonte de preocupação para Xanana e para a Austrália cuja protecção e cumplicidade foram uma evidência tornada mais descarada após a queda do primeiro-ministro Mari Alkatiri.


Fonte: Internacional - DN

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

SCUT's, Urgências e outros mal entendidos

A Espanha é hoje um país europeu desenvolvido. Para tanto não será indiferente a rede de estradas que permitem galgar as centenas de quilómetros que separam os pólos urbanos e industriais sem qualquer custo: através das “Autovias” e das “Carreteras”.
As “Autopistas”, que exigem o pagamento de portagens, apenas surgem como verdadeira alternativa à rede de boas estradas existente.

Entre nós, alguma população menos esclarecida e muitos políticos mal informados, ou simplesmente demagogos, pensam que é preciso um serviço de urgência para acudir a uma gripe ou a um ferimento repentino. Organizam-se manifestações, abrem-se telejornais, fazem-se parangonas na comunicação social, sem se procurar saber as funções dos serviços de urgência ou das “consultas abertas”. E quanto a isto ninguém (na oposição) se preocupa com a eficiência ou com o custo, ou mesmo com a falta de equipamento...

Uma sugestão de origem desconhecida...

...para os nostálgicos.

O momento político actual

A decomposição da Direita portuguesa está a ser mais rápida do que o esperado e de consequências devastadoras para a política nacional. O descrédito e a ausência de um líder incontestado reduzem-lhe a base social de apoio enquanto o grande capital vive tranquilo com o actual Governo, obstinado em reduzir o défice e controlar as contas públicas.

A percepção de que Sócrates não hesita em enfrentar os interesses estabelecidos joga a seu favor e prolonga-lhe o estado de graça, enquanto as corporações se agitam e lhe reforçam a imagem e a determinação.

O estado em que Durão Barroso endossou o País a Santana Lopes e a aceleração para o abismo que este lhe imprimiu deixaram grande margem de manobra para os sacrifícios que o actual Governo impôs ao País.

De Lisboa à Madeira o PSD dá ideia de um partido sem rumo, sem projecto e sem líder. Na capital do País já não há equipe para governar Lisboa, há vereadores independentes que vão receber ordens à Rua de S. Caetano, com a Câmara parada e empresas públicas à espera da devolução de dinheiros indevidamente recebidos por administradores.

O vereador, Sérgio Lipari, com 32 (trinta e dois) assessores é uma metáfora do albergue em que se transformou a Câmara de Lisboa. Carmona Rodrigues, não tendo lugares de vereadores, prometeu, durante a campanha eleitoral, lugares de assessores para quem o apoiasse, como confirmou Manuel Monteiro ao Expresso.

Na Madeira, Alberto João Jardim, para prolongar por mais dois anos a sua permanência no cargo, recorreu a eleições intercalares, sem se afligir com os custos e a instabilidade que provocou nem com o desgaste e o descrédito a que sujeitou o PSD nacional.

No CDS Ribeiro e Castro é o líder de um partido que não o respeita, com deputados que querem destituí-lo, incapaz de se impor. É o general de um pequeno exército que não lhe obedece e o mantém sob a ameaça do grupo parlamentar.

Esta situação é má para a democracia e abre espaço a populistas e ultraliberais, ansiosos por tomarem o poder a partir dos partidos da direita.

Por enquanto o PS é um referencial de estabilidade mas não poderá manter-se se a crise social se agravar e o cerco dos partidos à sua esquerda tiver êxito. A desintegração desta direita só pode dar origem a outra pior. E há sempre a possibilidade de ser pior.

domingo, fevereiro 25, 2007

Coimbra - Exposição no Instituto Português da Juventude

RETALHOS

Sulcam-se as ruas,
sulcam-se os rostos que são de pedra,
que as desventuras do tempo amassaram em pedra,
escondendo corações carentes de carinho muito.

Que levais aí, escondidos em rolos que já não se usam?
São rostos, senhor; são momentos, são fragmentos, é dor, é indiferença.
Se calhar alguma ternura, por vezes alguma ternura, sabemos lá nós bem.

É o abandono de quem se deixou abandonar, de quem foi impelido a abandonar.
São retalhos de passeios feitos de máquina em punho



Fotos da autoria de alunos do 3.º ano da Licenciatura em Comunicação Social do Instituto Superior Miguel Torga.
Trabalhos resultantes de Curso de Fotografia Analógica promovido pela Delegação de Coimbra do Instituto Português da Juventude, em parceria com o ISMT. Curso ministrado por António Pinto.

AUTORES
Altino Lopes Pinto
Carlos Constantino
Flávia Pinto
Igor Heleno Pinto
Ricardo Filipe Almeida
Rosa Gonçalves

Em exposição no Instituto Português da Juventude, à Rua Pedro Monteiro, em Coimbra, até ao próximo dia 2 de Março.

Ponte Europa - 2.º Aniversário

Faz hoje dois anos que nasceu o Ponte Europa com um artigo do André Pereira «Uma experiência de sucesso» na continuação do «VERITAS», um blogue nascido em Maio de 2004.

O nome foi uma homenagem à nova ponte de Coimbra, às suas modernidade e à beleza que a exorna. Foi também uma manifestação de azedume pela alteração do nome que o pio autarca de Coimbra, Carlos Encarnação, resolveu beatificar.

O tempo mostraria que Carlos Encarnação bem precisava da ajuda dos santos quando os vereadores se começaram a gastar na usura do tempo e nos conflitos internos. Contamos de memória três edis, sumidos ou afastados, e ainda este mandato não chegou a meio.

O Ponte Europa é um blogue politicamente moderado, progressista e pouco propenso a questiúnculas paroquiais. Tornou-se, com o tempo, um espaço de diálogo em que os leitores superam, na qualidade, os textos dos autores. Aos poucos foram desaparecendo as provocações e as grosserias.

O Ponte Europa tornou-se um espaço asseado onde se fala de política e se discutem os assuntos nacionais e internacionais, sem censura.

Procuramos ser fiéis à Declaração Universal dos direitos do Homem; combatemos o racismo, a xenofobia e o belicismo; lutamos pela igualdade entre os sexos e contra quaisquer formas de discriminação. E somos europeístas convictos.
Somos frontais nas posições que defendemos e não escondemos as opções ideológicas, sem hipotecas que nos tolham ou fretes que nos envergonhem. Não temos inimigos mas somos adversários dos mais conservadores e, sobretudo, dos reaccionários.

Neste dia de aniversário, saudamos os nossos leitores e agradecemos o seu estímulo para continuar este espaço. A liberdade exerce-se com o contraditório e aprende-se na convivência cívica. Sem pluralismo não há democracia.

Os espinhos da democracia


Herdeiro do Renascimento e do Humanismo, o Iluminismo fez do século XVIII o «século das luzes».

Foi o confronto dialéctico entre a cultura greco-romana, que os sábios do Renascimento retomaram, e a escolástica medieval, que o clero romano se esforçou por preservar, que fez germinar o Iluminismo.

O cepticismo de Hume, filósofo e historiador escocês, contestou os dogmas e abriu as portas à modernidade.

Hoje, com a secularização e a razão a avançarem nos países europeus, assistimos à aflita revolta dos fundamentalismos religiosos, ansiosos pelo retorno aos valores medievais.

Os milagres são a persistência no obscurantismo e uma tentativa de manipulação contra o progresso. É o desespero contra a secularização. O retorno aos dogmas e a chantagem sobre os Governos democráticos são uma obsessão das Igrejas que convocam a histeria do clero e o fanatismo dos crentes contra a modernidade.

Os mitos agradam aos crédulos enquanto a reflexão crítica é apanágio dos herdeiros do «século das luzes» que as religiões, em geral, e o Islão, em particular, se esforçam por apagar.

Está em curso uma cruzada contra a laicidade do Estado. A demência fascista do Islão devia servir-nos de alerta, mas há sempre quem recuse as evidências e pactue com os inimigos da liberdade sob a capa da tradição ou com medo do Inferno.

sábado, fevereiro 24, 2007

Apesar do exagero!!!...

Angelina Jolie, eleita a pessoa mais sensual da história
24/2/2007 14:09 h VOTACIÓN POR INTERNET

A crueldade da tradição


O crime de honra é uma velha tradição que se observa nos meios mais reaccionários e embrutecidos. Deus é um ser misógino que odeia a mulher, acima de todas as coisas, e o amor como algo de vergonhoso.

A mulher é um ser desprezível que se destina a assegurar a reprodução da espécie, servir o marido e ensinar a doutrina aos filhos. Amar não é só o distúrbio dos sentidos, é uma ofensa para a família que apenas se tolera no matrimónio canónico, sem manifestações lascivas ou trejeitos mundanos, sem outro fim que não seja o da prossecução da espécie.

Esta notícia traz-me à memória a aldeia da minha infância, onde as mães solteiras eram expulsas de casa, pelo pai, (lançadas na prostituição) para que a honra da família ficasse limpa. E o responsável podia esperar o fio de uma navalha que lhe trespassasse as tripas por não ter reparado com o casamento a desonra de uma família.

Há nestes crimes cruéis várias infâmias que se perpetuam nos meios rurais, analfabetos e fortemente religiosos:

- Considerar a mulher como ser inferior;
- Considerar a sexualidade um tabu:
- Ignorar os direitos humanos, em geral, e os da mulher, em particular;
- Culto exacerbado da tradição;
- Manutenção de preconceitos hediondos.

Como curiosidade, aproveito para dizer aos leitores mais novos que, antes do 25 de Abril de 1974, em Portugal, na função pública eram consideradas «faltas injustificadas as dadas por motivo de parto por mães solteiras». Que raio de país.

Pobres homens que não merecem que, ao menos uma vez na vida, uma mulher lhes diga «amo-te», porque as feras não merecem ser amadas e os brutos não apreciam o carinho.

O Paquistão não é um país, é um feudo do Islão retrógrado e cruel.

Espaço dos leitores

Ponte Europa/Pitecos-Zedalmeida

O preço dos nossos erros


De Ovar à Caparica a fúria do mar deixa em pânico os moradores das casas ribeirinhas e semeia a ansiedade em muitos lares. Uns são pescadores que se habituaram a viver com o mar que lhe dá o sustento e lhes serve, às vezes, de túmulo, outros, são privilegiados a quem a fortuna sorriu e o dinheiro tudo paga.

Não conheço o mar e os seus caprichos, a previsibilidade das suas fúrias, a transgressão humana, mas adivinho a leviandade dos planos directores, a avidez dos empreiteiros e a vaidade de muitos proprietários que sacrificam à ostentação da riqueza recente a antiga solidez das dunas.

Há pouco, ouvi a notícia de que quatro mil casas, entre Esmoriz e Vagueira, estavam em perigo. É muita casa para tão curta linha de costa. Não há meios humanos e financeiros para erguer diques que se oponham ao que a natureza sabia fazer. Não é o mar que nos engole, é o País que se dissolve na incúria, corrupção e atrevimento.

Não precisámos que as alterações climáticas viessem despertar-nos do nosso desmazelo. Não vamos longe, afogamo-nos já.

Apostilas:
Noite de medo em Esmoriz

Ridendo, castigat mores

«…o Presidente de um governo regional convoca uma conferência de imprensa para anunciar que se demite por não ter condições para desempenhar o cargo que ocupa e também para comunicar que se candidata ao cargo que não tem condições para desempenhar».
(…)
«Um sinal de saúde financeira: pelos vistos, há dinheiro para gastar em eleições desnecessárias». Ricardo Araújo Pereira – Visão N.º 728

Ridendo, castigat mores – rindo, castiga os costumes [Nota: falando da comédia]

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

CML - Zangam-se as comadres...



A ex-vereadora da Habitação Social na Câmara de Lisboa Helena Lopes da Costa acusou esta sexta-feira o actual vereador Lipari Pinto de promover uma «perseguição política» ao presidente da Gebalis, empresa que gere os bairros municipais, escreve a Lusa.

Só agora? Demorou...


O vice-presidente da Câmara de Lisboa, Fontão de Carvalho, já entregou o pedido de suspensão de mandato ao presidente da autarquia, Carmona Rodrigues, disse fonte da vice-presidência. Desde a semana passada, quando foi constituído arguido do Ministério Público, que se aguardava o pedido de Fontão.

Lisboa - cidade a saque

Zeca Afonso - 20 anos depois

Há vinte anos morreu o poeta e cantor da Liberdade, o cidadão generoso empenhado em todas as lutas contra a tirania.

Quando a memória colectiva esquece o pesadelo da ditadura, branqueia a história do fascismo autóctone e absolve os seus crimes, recordar Zeca Afonso é homenagear todos os que contribuíram para a manhã radiosa do 25 de Abril.

Zeca Afonso é o rosto do inconformismo, a força da poesia feita arma, a harmonia do canto ao serviço da libertação.

Zeca Afonso simboliza a força de um homem, a coragem do cidadão e o desapego de quem desistiu de si para se dar aos outros. Recordá-lo é fazer a catarse do egoísmo que medra, do individualismo que se instala, da avidez que corrói o tecido moral do País que somos.

Hoje, entre a saudade que deixou e o exemplo que nos deu, oiçamos as suas músicas e meditemos nos poemas.

Eis aqui o canto e poemas de Zeca Afonso.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Câmara de Lisboa - PSD quer arrastar CDS na queda

A Câmara de Lisboa está a braços com mais uma polémica. Depois dos processos Bragaparques e EPUL, um relatório da autarquia revela irregularidades graves na gestão da Gebalis, a empresa que gere os bairros municipais da capital.

Mas o presidente da empresa municipal, Francisco Ribeiro, já deixou um aviso: “Não me demito. Estaria a assumir uma culpa que não é minha.”

Superstição e demência


Fonte: Público, hoje

HAJA MEMÓRIA

É tolerável que o regime democrático deixe a RTP fazer a apologia do fascismo, dando a Jaime Nogueira Pinto mais de meia hora para fazer o elogio de Salazar?

Recordações de viagens (Crónica)

DAS ANDANÇAS pelo mundo, por gosto umas vezes e dever profissional, outras, perduram memórias que assomam e trazem sorrisos embaraçosos quando, em espaços públicos, me encontro só. Um jornal ou livro são adereços com que disfarço a insólita boa disposição que, de supetão, me assalta. Mas como ficar sisudo quando recordo o taxista de Montreal, no Canadá, que, após longa conversa, em francês, tomou conhecimento da minha origem, mudou de idioma e não mais o compreendi? Só percebi que era açoriano, de S. Miguel, e que ficou feliz e loquaz por transportar um compatriota.

E a estupefacção, em Budapeste, quando o guia contava a portugueses o milagre das rosas, obrado pela rainha Santa Isabel, tia-avó de outra Isabel, que nasceria em Aragão e repetiu em Coimbra, também já rainha, o milagre que igualmente lhe valeu a santidade na reedição taumaturga do truque de família?!

A Elisa, uma guia com chapéu exótico e sombrinha garrida para que o grupo a localizasse, era convicta na descrição dos milagres com que estupefazia turistas e no apelo para se genuflectirem em frente do altar-mor das igrejas visitadas. Da Elisa lembro o ar empolgado com que mostrava os tétricos esqueletos que o clero italiano guarda nas igrejas para estimular a fé e a generosidade dos crentes.

No museu de um templo, parecido com uma sala de anatomia, a Elisa debitava, perante um esplêndido esqueleto, os milagres que obrara o bem-aventurado proprietário, não restando dúvidas sobre o mérito do santo e o crédito celestial de que gozava. Foi um esqueleto pequenote, vários ossos avulsos após, que perturbou a visita. A Elisa desfiava ainda milagres do santo e, interpelada sobre aquele último esqueleto, respondeu que pertencera ao mesmo, quando era mais novo, enquanto, por entre risos que não lhe abalaram a convicção, esgotou os prodígios do canonizado que era o patrono e estrela daquela catedral.

Das dezenas de profissionais que me guiaram em visitas, a Elisa é a que mais recordo. Não era o entusiasmo que lhe apreciava – pagavam-lhe para isso –, era a convicção. Nem sequer o padre que garantia, perante o pasmo dos paroquianos, que S. João Baptista, depois de decapitado, ainda agarrou a cabeça e a beijou, nem esse, punha tamanho convencimento nos prodígios com que preservava a fé e a côngrua.

Em Marraquexe, alertado por algo estranho, levei a mão ao bolso e encontrei outra, que logo agarrei, presa a um marroquino. Gritei pela polícia, e o miúdo, resignado, não tentou fugir. Com olhos de fome e tristeza, sem contar com a minha mão nem com a eventual vigilância de Alá, que mandou o profeta Maomé, bruto e primário, decepar as mãos que roubam, levou o óbolo que pretendia. Quando se afastou, foi meu o alívio e dele a gratidão pelas moedas com que recompensei a fome e o atrevimento. Num congresso sobre doenças benignas da mama, em Rodes, após os discursos dos presidentes das Sociedades Grega e Europeia de Endocrinologia e do ministro da Saúde da Grécia, todos em inglês, levantou-se o patriarca, com garridas vestes talares, e fez, em grego, uma curta prédica que, após a estupefacção geral, terminou em apoteose. Foram frenéticas as palmas e ergueu-se o congresso. Não sei se foi o tema que o atraiu para o imprevisto discurso ou a tentação de fazer ouvir a voz da Igreja ortodoxa a quatro mil congressistas que ignoravam o idioma.

Num jantar de gala, em Monte Carlo, um criado foi inadvertidamente empurrado e vazou o conteúdo da travessa sobre uma elegante mulher, com o molho a penetrar o decote, a inutilizar o vestido e a queimar o corpo que merecia outros ardores e não carecia do acidente para atrair olhares. Levantou-se e deixou o salão cheia de dignidade e nódoas, enquanto o criado era substituído, perante o silêncio sepulcral de oitocentas pessoas.

Em Lubliana, um ratinho decerto melómano passeou pelo palco durante a execução de um trecho de Beethoven, sem desconcentrar os músicos. Agitou a audiência e só saiu de cena depois de partilhar os aplausos com o maestro e os menestréis.

Em Nice, um congressista isolou-se numa área vazia do auditório e adormeceu. Era propício o ambiente: a luz ténue, a temperatura morna e monótona a voz do orador. Teria sido pesado o almoço e a digestão revelou um roncopata furioso cujos decibéis interromperam por instantes a comunicação e expuseram o imprudente participante à execração geral. Acordou, como o moleiro a quem pára a mó, com o silêncio. E a conferência lá prosseguiu, a bem da ciência e da decência.

Jornal do Fundão, hoje.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Depois do Carnaval... a Quaresma

Ponte Europa/Pitecos-Zédalmeida
*
Jardim já humilhou o líder do seu partido. Quanto ao PR, vai ser obrigado a respeitá-lo.

Braço de ferro de um teocrata

Termina hoje o prazo de 60 dias dado pela ONU ao Irão para a suspensão de enriquecimento de urânio.

PSD isolado



O PSD foi o único partido que, a nível nacional, apoiou a decisão de Alberto João Jardim de se demitir, manifestando "total solidariedade" aos sociais-democratas madeirenses.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Dois anos após a maioria absoluta

Espaço dos leitores

Tintoretto

É preciso que o Carnaval acabe

Jardim quer pôr os madeirenses «a mostrar ao País e ao mundo» o seu «repúdio» pela Lei das Finanças Regionais (…).

O Presidente da República e o Primeiro-ministro devem mostrar aos madeirenses e ao resto do País o seu repúdio por Alberto João Jardim.

E o baile continua

Alberto João Jardim pediu a demissão. Contrariamente ao que disse o PS tem toda a legitimidade, apenas lhe falta legitimidade para se recandidatar.

O País já se deu conta da golpada que ensaiou o sátrapa madeirense, preso no labirinto da sua megalomania e da impunidade de que tem gozado. Pretende um plebiscito à sua governação, que o Tribunal de Contas tem posto em xeque, à forma de fazer política, que as pessoas urbanas e civilizadas abominam, ao poder absoluto de que tem gozado, graças aos tentáculos do poder autonómico.

Não lhe basta uma maioria absoluta, quer a maioria arrasadora que caucione a vocação totalitária de quem tem uma débil formação democrática. O populismo, os caciques e os subsídios que usa de forma discricionária garantem-lhe a vaga de fundo da reeleição que apenas consome dinheiro, tempo e propaganda.

Com o golpe publicitário arrastou atrás de si o PSD, a braços com a Câmara de Lisboa, e agora refém do autocrata insular. Marques Mendes, ao mandar previamente a Lei das Finanças Regionais para o Tribunal Constitucional, antes de a Assembleia da República a ter enviado para Belém, evitou um problema ao Presidente da República e reduziu a margem de manobra de AJJ.

Jardim foi metido nos eixos e obrigado à solidariedade com o resto do País que tanto lhe tem dado. Não se resigna, e, na impossibilidade de alterar o País, modifica a correlação de forças dentro do seu partido.

A partir de agora, Jardim só abandona o Governo Regional quando cair de uma cadeira e fica com força para influir na sucessão de Marques Mendes a quem todas as desgraças parecem perseguir. O País, farto de Jardim, assiste a mais um número de circo enquanto o PR tem um problema para gerir e um adversário para aturar.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Carnaval madeirense

Alberto João Jardim demitiu-se. Aposto que se recandidata. Em política, não deviam ser permitidas partidas de Carnaval.

Se a montanha não parir um rato...

(Clique na imagem)

O sector da cortiça está sob especial atenção da Polícia Judiciária depois de descoberta uma rede de facturas falsas que já terá lesado o estado em 48 milhões de euros e que tem 300 suspeitos.
*
Nota: Há uma efectiva luta contra a fraude e a corrupção.

A golpada do Opus Dei

A vitória irrefutável do SIM no último referendo reduziu os vencedores à contemplação e desviou os vencidos para batalhas seculares, como se tivessem mudado de campo uns e outros e a sorte se pudesse inverter agora na secretaria, em sede parlamentar.

Não sei donde vem tanto dinheiro aos últimos para, antes de removerem os fetos dos cruzamentos das estradas, já estarem a querer subverter a lei que regulará a IVG até às dez semanas e a prosseguir com a dispendiosa campanha.

A pergunta era clara e não acrescentava: «depois de ouvir os conselhos da comissão de ética, ser esclarecida por um objector de consciência e aguardar a visita do capelão».

Os bispos atestam que os seus valores estão com baixa cotação, mas os manipuladores do NÃO invocam agora o carácter não vinculativo do referendo, como se o anterior o tivesse sido e apelam à «moderação da lei».

Não sei o que seria uma lei extremista, certamente a que tornasse obrigatório o aborto, crime que só tem precedentes na China e na Índia, mas sei o que pensam aqueles que perderam, o que defendem os exaltados extremistas Gentil Martins, Bagão Félix e César das Neves e o que pretende a poderosa seita «Opus Dei».

Talvez os leitores não saibam que as «Comissões de Ética» hospitalares estão nas mãos de activistas católicos e integram inevitavelmente o capelão – anacronismo que persiste ao arrepio da separação da Igreja e do Estado.

Estas comissões de ética têm sido um obstáculo à IVG em situações contempladas na lei (violação, risco de vida da mãe e violação). Casos dramáticos chegaram ao parto graças à insensibilidade e ao exacerbado proselitismo das referidas comissões.

É com gente assim que se pode desvirtuar o direito à IVG, solicitado pela mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimentos de saúde legalmente autorizados.

O julgamento dos tribunais judiciais não pode ser transferido para tribunais morais. O único tribunal é a consciência da mulher que toma a decisão. Foi esse o resultado do referendo.

domingo, fevereiro 18, 2007

Bailinho da Madeira

Ponte Europa/Pitecos-Zédalmeida

O último apaga a luz

Quem não deve, não teme

As negociações de Edite Estrela (PS) com Luís Queiró (CDS), para eliminar algumas partes do relatório europeu sobre os voos da CIA, não prestigiaram o PS e permitiram que os nomes de Paulo Portas e Figueiredo Lopes deixassem de ser mencionados por se terem recusado a reunir com a comissão de investigação.

No fundo foi particularmente o Governo de Durão Barroso que se quis ilibar. Mas que fosse o do PS. A verdade é mais importante do que os compromissos e a defesa dos direitos humanos mais relevante do que o bom-nome de pessoas pouco recomendáveis.

O nome de Portugal não se defende encobrindo os cúmplices, prestigia-se denunciando-os à opinião pública europeia.

sábado, fevereiro 17, 2007

O ANDARILHO DA PAZ

Este homem caminha pela PAZ NO MUNDO. Passe-o, por favor, para que possa alcançar o seu destino. É interessante como alguém fez isto. Ele percorre o mundo via e-mail!!! Passe-o e ele chegará lá. (Clique na Imagem)

Que pensa o leitor?

Crime - Juiz de Mirandela obriga arguido a teste de ADN

Suspeito de violação faz exame à força

Há direito que um homem fortemente indiciado pela violação de uma mulher recuse submeter-se a testes de ADN – mesmo que o resultado possa provar que está inocente?

O negócio das indemnizações mútuas

«Director da CP despedido, indemnizado e de novo contratado

Manuel Lopes Marques, ex-director-geral de exploração e conservação da Refer – Rede Ferroviária Nacional, recebeu em Junho de 2006 uma indemnização de 210 mil euros para sair daquela empresa do Grupo CP – Comboios de Portugal e dois meses depois, em Outubro, ingressou na Rave – Rede Ferroviária de Alta Velocidade para receber 5 mil euros por mês. Ambas as empresas têm o mesmo presidente, Luís Pardal. » - Correio da Manhã, 15FEV.

Pergunta: Isto não é caso de polícia?

Resistentes antifascistas contra Museu Salazar

União de Resistentes Antifascistas Portugueses está a organizar uma sessão pública e um abaixo-assinado de protesto contra iniciativa da câmara.

Não acredito que o presidente da Câmara de Santa Comba Dão seja um empedernido fascista nostálgico de Salazar. É mais crível que a falta de cultura cívica e a ignorância política o arrastem para um acto indigno numa democracia que nasceu contra o ditador e tudo o que ele representou.

Ninguém, em Ferrol del Caudillo, se atreveu a criar um museu Franco, nem com Fraga Iribarne que foi seu ministro e acabou presidenta da Galiza. Ninguém imagina o Chile a criar um museu a Pinochet ou a Itália a Mussolini.

João Lourenço, presidente da Câmara (PSD/CDS-PP), graças à democracia criada sobre os escombros da mais longa e sorumbática ditadura europeia, deve respeito aos mortos da guerra colonial que o ditador sustentou, aos democratas assassinados pela PIDE, aos torturados a mando do biltre, aos degredados do Tarrafal, aos presos de Peniche, Caxias e Aljube, aos oposicionistas demitidos da função pública, aos famintos que fugiram para França e a todos os que sofreram um regime de opressão e miséria.

Salazar, o criminoso que não julgámos em vida, não pode ser o algoz que o Sr. José Lourenço quer homenagear morto.

Se falta memória ao rústico edil, não pode faltar ao povo que somos, à democracia que temos e ao País que construímos contra o medo, as perseguições, o exílio e a guerra.

Um museu e/ou uma estátua ao facínora que nos oprimiu é um gesto de provocação que legitima a cólera dos justos, a violência dos democratas e a retaliação das vítimas.

Num país reconciliado pela liberdade não podemos consentir que a paz seja perturbada por um desafio injusto e gratuito, por um edil sem memória nem ética republicana.

A Câmara de Lisboa não cai! Afunda-se!...

Ponte Europa/Pitecos-Zédalmeida

Presépio de Aveiro

(Imagem enviada por um amigo)
A língua portuguesa é traiçoeira

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Luís Amado - Um faquir no Governo

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O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, disse esta sexta-feira no Parlamento ser sua obrigação «pôr as mãos no fogo» pelos seus antecessores governativos no caso dos voos da CIA, enquanto não houver nenhuma prova de cumplicidade com actividades ilegais.

A Câmara de Lisboa desmorona-se

A Câmara Municipal de Lisboa passou a ser governada a partir da Rua de S. Caetano, à Lapa. Se as decisões se tomam na sede partidária, os eleitos ficam à mercê da comissão política do PSD e o executivo camarário renuncia à independência, perdendo a legitimidade que conquistou nas urnas.

Não era a Marques Mendes que cabia retirar a confiança política no vice-presidente da Câmara. Carmona Rodrigues tem de dizer se sabia que Fontão de Carvalho tinha sido constituído arguido há três meses, situação que foi omitida aos munícipes e ao país.

Fontão de Carvalho não foi julgado nem o deve ser na praça pública. Até prova em contrário é um homem sério, apenas com pouco abonatório percurso político (CDS, PS/PCP, PSD).

Já a atitude de ter omitido a qualidade de arguido é motivo de censura política e aqui estamos perante um problema que atinge o presidente:

1 – Carmona Rodrigues conhecia o problema e, ao reiterar a confiança no seu vice-presidente, confiança que agora o PSD lhe retira, sonegou informação relevante aos munícipes e comprometeu o seu futuro com o do seu número dois;

2 – Carmona Rodrigues desconhecia que o seu vice-presidente era arguido e foi vítima de uma deslealdade que o obrigava, logo que teve conhecimento da situação, a retirar-lhe a confiança e os pelouros;

3 – Assim, o actual presidente da CML deixou de ter condições para dirigir os destinos da cidade de Lisboa, capital do País.

4 – E deve esclarecer, quanto antes, se conhecia a situação de Fontão de Carvalho e, em caso afirmativo, o que o levou a omiti-la e a mantê-lo nas funções.

Lisboa não é Felgueiras nem Gondomar.

Sigilo médico e jurisprudência


Comentário: Está em causa a liberdade e os seus limites, a democracia e o seu conteúdo.

Envelope 9 - Um caso lamentável


PS e BE apontam contradições Dias André e ex-PGR
PS e Bloco de Esquerda apontaram contradições entre o depoimento feito esta quinta-feira pelo inspector da Polícia Judiciária, Dias André, e as declarações prestadas na semana passada pelo ex-procurador-geral da República Souto Moura à comissão de inquérito «Envelope 9».

Comentário: A única certeza é a condecoração de Souto Moura.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Amanhã é um novo dia




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Acabo de ouvir na SIC-Notícias que as direcções destes dois jornais vão ser substituídas.
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Tenho o presentimento de que as mudanças não serão para melhor.

Vereador a vereador a Câmara de Lisboa desmorona-se


O Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa anunciou hoje que cinco pessoas foram acusadas em co-autoria do crime de peculato no âmbito do caso "prémios pagos a administradores da EPUL". O site do Expresso avança que Fontão de Carvalho, vice-presidente da CML, é um dos arguidos.

Espanha - Atentados de 11 de Março

Julgamento dos 29 acusados começou hoje em Madrid

Começou hoje em Espanha o julgamento dos responsáveis pelos atentados de 11 de Março em Madrid, quase três anos depois das explosões que custaram a vida a 191 pessoas e feriram 1824.
*
Uma das páginas mais negras do terrorismo religioso.

Que pensa o leitor?


MP defende quebra de sigilo médico para averiguar HIV

Andariam distraídos?

A Procuradoria-geral da República pede aos magistrados do Ministério Público a suspensão de todos os processos de aborto em Portugal, até à publicação das alterações da lei penal.

Pergunta: Era preciso?

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

EUA - Bush em queda livre


"Perdemos a fé no nosso governo"
Ex-governador republicano Mitt Romney anuncia candidatura à Casa Branca
Comentário: Não admira que tenham perdido a fé, surpreende que a tivessem.

Carlos Coelho - Um político de confiança

O eurodeputado Carlos Coelho (PSD) considerou que o Parlamento Europeu adoptou hoje uma «mensagem política importante» quanto aos voos ilegais da CIA de transporte de prisioneiros e considerou que o texto final aprovado «é mais justo» para Portugal.

Este homem é pior do que se julgava

Aznar enviou polícias à base de Guantánamo

A notícia do El País originou uma troca de acusações entre vários responsáveis de partidos políticos, com o actual líder do PP, Mariano Rajoy, a dizer que desconhece o assunto. A Aministia Internacional já exigiu que seja aberta uma investigação "independente" sobre o assunto.

Demagogia, desnorte ou desespero?


"Uma nova era em Portugal"


A opinião do El País sobre o referendo em Portugal.
[Publicado por vital moreira] 13.2.07

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Co-incineração e amor aos lixos


Em sintonia com o relatório da consultora “SGS”, que acompanhou a queima de lamas oleosas na cimenteira do Outão, a Comissão de Acompanhamento Ambiental da Secil validou os testes de co-incineração de resíduos perigosos.

Apesar do relatório, que refere que a Secil reúne todas as condições necessárias para proceder à queima dos resíduos perigosos, o advogado das autarquias que contestam a co-incineração no Outão considerou já «irrelevante» a validação dos resultados porque – segundo ele –, se ignora a composição química dos resíduos que serão queimados no futuro.

A novela da co-incineração e as manobras sistemáticas para impedir a eliminação dos lixos que conspurcam o país, inquinam as águas subterrâneas e tornam irrespirável o ar, começa a saturar os portugueses que se preocupam com o ambiente e o futuro colectivo.

Há uma conspiração a favor dos lixos, a protecção deliberada às centenas de milhares de toneladas de resíduos industriais perigosos que poluem e ameaçam o País.

Não venham travestir-se de ecologistas os litigantes de má fé, oportunistas partidários e idiotas úteis que, desconhecendo os riscos que diariamente se avolumam, se empenham na sabotagem de uma solução.

Já deu para perceber a má fé, irresponsabilidade e inconsciência com que se minam as decisões a favor de um país mais limpo e de um ambiente mais sadio.

Não se podem incriminar como litigantes de má fé os autores da sabotagem obstinada a que tem estado sujeita a eliminação de lixos e resíduos industriais perigosos?

Modelo alemão em perguntas e respostas

As menores podem abortar sem autorização dos pais?
Valem as regras gerais do direito da saúde, isto é, a adolescente partir dos 14-16 anos que tenha capacidade de discernimento para perceber o sentido e alcance da intervenção médica pode (e deve) dar o consentimento informado.


Há um período de reflexão antes da prática do aborto? De quantos dias?
Sim. De 3 dias.

Há intervenção de psicólogos e assistentes sociais no processo?
Os Centros de Aconselhamento explicam os métodos abortivos, os preços e os riscos do aborto; explicam ainda os direitos sociais, nomeadamente das mães solteiras ou das pessoas com poucos recursos económicos. Por fim, devem dar as informações às mulheres e ao casal sobre o conflito de valores que atravessam, por forma a que tomem uma decisão informada, nomeadamente relativamente ao valor da vida intra-uterina.
O médico que leva a cabo a interrupção da gravidez não pode ser o mesmo que realiza o aconselhamento.

Depois do aborto, as mulheres são obrigatoriamente encaminhadas para uma consulta de planeamento familiar?
Não está previsto na lei.

Há algum limite máximo de número de abortos que cada mulher pode fazer?
Não.

O método abortivo utilizado (químico ou instrumental) é escolhido pela mulher ou pelo médico?
Como toda a intervenção médica, o médico propõe os métodos mais apropriados ao caso concreto e o paciente dá o seu consentimento informado.


São pagas taxas moderadoras?
O sistema de saúde alemão tem por base o seguro obrigatório de saúde (sistema de Bismarck), não o SNS (sistema de Beveridge).
Todavia, o aborto não é pago pelos seguros obrigatórios, nem os médicos podem cobrar honorários pela intervenção: os honorários abrangem apenas os custos dos medicamentos, do eventual internamento e cuidados de enfermagem.
Porém, em alguns Länder, os governos pagam o aborto às mulheres sem recursos económicos.

Fica algum registo sobre as mulheres que já fizeram um aborto no SNS?

Não há SNS. Mas como toda a intervenção médica, obviamente há um processo clínico que é confidencial e protegido pela legislação de dados pessoais.

Há parcerias público-privadas para a realização de abortos?

Os serviços de saúde na Alemanha são maioritariamente prestados por clínicas privadas, financiadas pelas seguradoras. A diferença neste acto médico é que as seguradoras não pagam o serviço.

O que é que acontece às mulheres que praticam abortos depois das 10 semanas? São julgadas e presas?

O IVG a pedido da mulher é permitido até às 12 semanas após a nidação (isto é, 14 semanas após o dia da última menstruação).
Após esse prazo os médicos recusam-se a violar a lei. Se o fizerem e houver denúncia, naturalmente o Ministério Público abre um inquérito contra todos os envolvidos e as consequências poderão ser graves, quer no plano disciplinar, quer do direito administrativo, quer do direito penal. Assim, quer as mulheres, quer os profissionais de saúde são julgados e punidos se não cumprirem a lei.

Continua a haver aborto clandestino? Como é que ele é punido?
Será residual. Havendo notícia do crime, é naturalmente punido. O Estado de Direito na Alemanha é levado muito a sério.

Quais são os critérios de atribuição de licenças a estabelecimentos de saúde para a prática de abortos?
Os critérios normais da instalação de estabelecimentos de saúde. Trata-se de um acto médico sujeito às regras gerais e que normalmente tem lugar em clínicas ou hospitais que têm muitas outras valências.

Perguntas: Margarida Davim (Semanário SOL)
Respostas: André Pereira (Centro de Direito Biomédico da Universidade de Coimbra)

Espaço dos leitores

Uns alemães perguntaram a Picasso:
- Foi o senhor que fez isto?
- Não, foram os senhores

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Se fosse na Idade Média...

Rui Rio e Carmona Rodrigues são um perigo para a Saúde Pública!

Dois Presidentes de Câmara de Direita estão a colocar entraves, ou pelo menos não têm a coragem para vencer impasses, na abertura de salas de consumo assistido nos seus Concelhos.
Estamos a perder tempo.
Há pessoas que precisam do apoio dos técnicos. Para impedir a proliferação da epidemia da SIDA, da tuberculose e de outras doenças emergentes e reemergentes.
E sobretudo, para que numa fase dramática de dependência da droga se lhes garanta um mínimo de apoio e de dignidade.

Saúde Pública precisa-se!

Este Governo está em funções há quase 2 anos.
Os Ministros relevantes apoiam as políticas de saúde pública no domínio da toxicodependência.
A equipa do IDT (Instituto da Droga e Toxicodependência) é competente e sabedora.
Porém...
- ainda agora vão "a título experimental" avançar com programas de trocas de seringas nas prisões.
- ainda não está licenciada nenhuma sala de consumo assistido.
É preciso agir!
O tempo urge. Há concidadãos consumidos pela droga que estão neste momento a ser corroídos por vermes e animais como dejectos, pelo menos em alguns bairros do Porto e da grande Lisboa!
Não podemos virar a cara a este escândalo.
Acção precisa-se!

O Referendo e a abstenção

O Grito (Edvard Munch) - roubado pela 1.ª vez, faz hoje 13 anos
Os analistas têm omitido, quiçá, por temor reverencial à Igreja católica ou respeito pelas posições civilizadas do patriarca Policarpo, uma causa importante da abstenção, bem inferior, por sinal, à do primeiro referendo da IVG (68,06%).

Aliás, foram menos participadas as eleições para o Parlamento Europeu em 1994, 1999 e 2004, onde a abstenção foi respectivamente: 64,46%, 60,07% e 61, 4%.

A abstenção de 56,39% pode considerar-se uma notável participação se tivermos em conta a exibição de fetos, as lágrimas de sangue da Senhora de Fátima e a ameaça de excomunhão para quem votasse SIM.

O Cânone 1331 do Direito Canónico - o Código Penal das Almas -, determina que os que votaram SIM no referendo «não podem casar, baptizar-se e nem poderão ter um funeral religioso» como explicou pacientemente o compassivo cónego Tarcísio Alves.

Esta excomunhão automática, tão grave que nem os padres a podem retirar, não impediu que 2.338.053 eleitores desrespeitassem a Igreja, cidadãos com as quais a Igreja deixará de poder argumentar nas transacções com o Estado e na chantagem dos números.

Mas não sabemos quantos eleitores, querendo votar SIM, se abstiveram para evitar a privação dos sacramentos, o ajuste de contas da próxima confissão e o medo de que lhes falte o padre no funeral.