terça-feira, julho 31, 2007

Faltariam alguns...

Soledad Jurado, magistrada malagueña de 47 años y primera mujer juez decana y magistrada de la Audiencia de Málaga, aparece entrevistada en el diario Sur de esta provincia andaluza. La jurista ofrece una lectura progresista de la Justicia y asegura que enjuiciaría a Bush, Blair y Aznar por la Guerra de Iraq y que “ni se le hubiera ocurrido” ordenar el secuestro de El Jueves.

Espaço dos leitores

Salvador DALI

Nós é que pagamos (2)

Na sequência da violenta atitude do impiedoso ministro escrevi um texto que foi publicado em vários jornais na primeira semana de Outubro de 2002.

Aqui fica no Ponte Europa para os leitores interessados:

A radical limpeza étnica levada a cabo por Bagão Félix, ao abrir de uma assentada 18 vagas de directores distritais da Segurança Social e igual número de directores - adjuntos, para gáudio de outros tantos cidadãos ansiosos de provarem a sua “identificação com a missão”, pode causar suspeitas de compadrio partidário.

O método faxista (através de fax) de exonerar de forma expedita e em simultâneo todos os dirigentes pode criar a ideia de irreflexão, sem ter em conta a avaliação do mérito individual dos atingidos, ou a suposição de ter agido por vingança para com os protagonistas de um ministério emblemático da gestão socialista.

Com tantos fiéis à espera dos lugares, a demissão de trinta e seis dirigentes pelo piedoso ministro corre o risco de ser considerada um acto de proselitismo de um cruzado, promovendo um auto de fé em que imolou todos os suspeitos de serem infiéis.

Com a reputação de independente, o ministro que o Dr. Portas colocou na Segurança Social pode ter ultrapassado em sectarismo alguns homólogos com antecedentes radicais.

Para um cidadão que tão denodadamente se tem batido contra a despenalização do aborto, corre o risco de ter praticado um, de natureza política, como ministro. E o remorso, bem ao jeito da tradição judaico-cristã, pode vir a amargurá-lo no futuro.

De qualquer modo o ministro não parece ter tomado uma decisão a condizer com o nome (feliz – Do lat. felix).

Nós é que pagamos

O ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, Vieira da Silva, afirmou este domingo que o Governo irá pagar a indemnização de um milhão de euros a antigos directores distritais da Segurança Social.

Vieira da Silva garantiu que a indemnização será paga, visto que se trata de um decisão final, não passível de recurso.

Operação Furacão. Opinião de um leitor

Tantos posts e sobre a notícia do DN nada:Mais de 200 buscas fizeram 120 arguidos.


A "Operação Furacão", que desde Outubro de 2005 investiga crimes de fraude fiscal, falsificação de documentos e branqueamento de capitais, envolvendo quatro bancos, várias sociedades financeiras, escritórios de advogados e empresas de construção civil, com mais de 120 arguidos já constituído e cerca de 200 buscas, pode terminar em arquivamento, sem qualquer procedimento criminal contra os prevaricadores.

É o próprio Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), onde corre a operação que, em comunicado ontem emitido, admite a possibilidade de não levar a julgamento as mais de 120 pessoas indiciadas. Basta, para isso, que devolveram ao fisco o dinheiro envolvido nas fraudes tributárias.

Incrível... ... os bancos, as construtoras, as sociedades de advogados todos a fugirem ao fisco, mas como foram apanhados se pagarem o que devem não são condenados, enfim... ...o crime em Portugal compensa, se fores apanhado devolves o dinheiro se não o fores, não... ...os lobbies estão bem instalados dentro do governo.

a) Anónimo - Ter Jul 31, 03:11:00 PM

segunda-feira, julho 30, 2007

Amnistia Internacional



A Amnistia Ibternacional não pretende anular a posição a favor do aborto no caso de mulheres vítimas de incesto ou estupro.

Comentário: Cabe aos leitores tomar partido.

Como era previsível

O mais conservador é o Papa o outro é liberal

O cardeal Carlo Maria Martini, de 80 anos, defendeu o Concílio Vaticano II e a missa nas línguas faladas, em crítica aberta ao recente motu proprio (decreto) do Papa Bento XVI, que liberaliza a missa em latim.

Uma foto para perder credibilidade...

Foto: Inácio Rosa/Lusa

...e uma promessa para assustar o eleitorado continental

Como promessa, o presidente do partido disse aos militantes madeirenses que caso venha a ser primeiro-ministro vai lutar para que a revisão constitucional prevista para 2009 dê uma maior autonomia regional à Madeira.

Momento Zen de segunda

João César das Neves (JCN) debita homilias semanais cuja finalidade é a conversão dos réprobos mas não ultrapassa a penitência do beato. Vejamos a homilia de hoje, no DN.

Referindo-se à baixa natalidade - um facto indiscutível e preocupante -, responsabiliza o Governo em vez de apelar aos católicos para aceitarem os filhos que Deus lhes mandar, embora entre em contradição com os apelos à castidade que é frequente fazer.

Eis a débil argumentação do fundamentalista religioso: «Foi este Executivo que fechou maternidades, liberalizou e subsidia o aborto, impôs a educação sexual laxista. Ele é o herdeiro dos que facilitaram o divórcio, promoveram uniões de facto, promiscuidade, homossexualidade».

Este veredicto é deveras pungente e parece saído de quem, mergulhado em água benta, entrou em anóxia. Não é verdade que os países com mais alta taxa de natalidade são aqueles onde não há assistência médica e que os períodos históricos mais férteis foram os de mais pobreza e maiores carências alimentares, higiénicas e culturais?

Bem sabemos que o que dói ao pio colunista do DN é a legalização do aborto. Mas não saberá o devoto que a raiva que nutre pelo facto de não poderem ser presas as mulheres que abortem nos termos da lei, será vingada pelo castigo do seu Deus?

É arrasadora e comovente a acusação retroactiva ao primeiro-ministro: «Ele é o herdeiro dos que facilitaram o divórcio, promoveram uniões de facto, promiscuidade, homossexualidade».

JCN, na sua vocação totalitária, quer impor aos outros o seu catecismo? Quer ilegalizar o divórcio, proibir as uniões de facto, a promiscuidade (seja isso o que for) e prender os homossexuais? JCN não é apenas o beato que agrada aos padres, é o sacristão que quer abolir os direitos individuais e restaurar a polícia dos costumes.

Imagine-se a mentalidade de um fanático através da censura ao programa do Governo:
JCN abomina: "Combate à violência doméstica", "Igualdade de género", "Uma política de verdade para a interrupção voluntária da gravidez" e "Política de não discriminação".

Eis um crente medieval, defensor dos bons costumes e, paradoxalmente, da castidade e da reprodução, sabendo que esta se faz, ainda, na forma mais popular – pelo método tradicional.

Japão: um passo para a mudança

Mais de 50 anos de quase Partido único, com conexões intimas à toda poderosa burocracia de Tóquio e ligações perigosas ao mundo das obras publicas que delapida a parte de leão do erário publico levaram o Japão a níveis de endividamento dos mais altos do mundo e a um sistema social bastante precário (comparando com a Europa desenvolvida) e em grave crise.

Ontem o Partido Liberal Democrata foi simplesmente "varrido" da câmara alta da Dieta japonesa.
A existência de um segundo partido forte, neste caso, o Partido Democrata, é sempre uma boa noticia.
Contudo, a câmara alta (Senado) tem poucos poderes.

E fundamentalmente era necessário mudar a forma de fazer politica neste país. É caríssima, só acessível aos que se aliarem aos interesses da construção civil e da grande indústria.
Uma lição para Portugal?

O dia de voto - que ontem tive o privilégio de viver no local - decorreu com grande tranquilidade e vive-se um clima de democracia, com liberdade de imprensa, liberdade de expressão e sem (notórias) pressões politicas.


2 - Iraque: uma vitoria comovente
O Futebol, como todo o desporto e toda a cultura, pode dar-nos momentos de poesia: uma nação dilacerada pelo terrorismo teve ontem uma noite de glória ao tornar-se campeã da Ásia.
Dois curdos assinaram a jogada que deu grande alegria a 17 milhões de iraquianos xiitas, sunitas e curdos.

Parabéns Iraque!

André Gonçalo Dias Pereira
(Algures no Japão)

Espaço dos leitores

O êxtase de Santa Teresa (Bernini)

domingo, julho 29, 2007

O número do Chão da Lagoa

(Foto antiga)
O espectáculo de circo montado pelo PSD/M para gozo dos autóctones foi abrilhantado pela presença de Marques Mendes.

As diatribes do costume estiveram a cargo do incontinente A. J. Jardim e do ventríloquo Jaime Ramos, homem de todos os negócios e boçalidades.

Os ataques a Sócrates compreendem-se no quadro da luta partidária mas as críticas ao Presidente da República são eructações de quem veio do servilismo à ditadura fascista para lacaio do régulo local em torno de quem gravita. É a reciclagem do vendedor de sifões de retrete em proprietário da Ilha.


Marques Mendes nada tem a ganhar com tal companhia. Faltou-lhe a grandeza ética de quem devia proceder como estadista e se deixou enredar entre vapores etílicos e desatinos verbais.

A chantagem separatista esteve presente no discurso do eterno governador da Ilha. Não é o único inimputável nem o único furúnculo que corrói o tecido da democracia.

O novo homem forte do PSD

Ponte Europa/Pitecos - Zédalmeida

A santidade do Opus Dei

O Opus Dei é uma instituição que busca a perfeição espiritual dos seus membros e a satisfação da vontade divina.

Acontece, às vezes, que a vocação para a política e para o sector financeiro extravase a necessidade de salvação da alma e comprometa a imagem dos seus membros.

Os jejuns, as orações e os cilícios não ocupam todo o tempo destinado à santidade. Foi isso que permitiu ao virtuoso Escrivá apoiar o franquismo sem se esquecer, certamente, de rezar por mais de 900 mil espanhóis assassinados ou deportados pela ditadura.

O virtuoso monsenhor, que já em vida revelou odor a santidade, sentido por pituitárias pias, foi rapidamente canonizado por João Paulo II.


Claro que o Opus Dei teve percalços. Os casos Rumasa e Matesa são nódoas que caíram no pano impoluto da Obra, falências fraudulentas que os inimigos de Deus aproveitaram para denegrir a santa prelatura. Mais tarde a falência fraudulenta do Banco Ambrosiano salpicaria o Opus Dei e as autoridades italianas quiseram julgar o arcebispo Marcinkus, valendo a bondade de João Paulo II que não consentiu a extradição e impediu a investigação dos crimes.

Era o que faltava, enxovalhar nos tribunais a Obra que subsidiou o Solidariedade e que a única coisa que não consegue do Céu é que lhe mande dinheiro.

O Supremo Tribunal Suíço, localizado em Lausana, caracterizou, numa sentença, o Opus Dei como «associação secreta» que actua «ocultamente» com um máximo de opacidade nos seus assuntos.*

Coisas de juízes terrenos, que desconhecem a transparência do Opus Dei erm relação a Deus.

* O Mundo Secreto do Opus Dei - Robert Hutchison (pg. 450)


Apostila - Portugal: Um falhanço da Opus Dei

Assim vai o PSD




O presidente da Distrital do PSD não vê com bons olhos as candidaturas de Castanheira Barros e José Maria Barroca à liderança do PSD. Confrontado com o comentário de Carlos Páscoa, Jaime Soares rectificou: «Não são candidaturas exóticas, são eróticas».
28-07-2007

sábado, julho 28, 2007

Dr. Castanheira Barros

Azedume do político face ao título de um post:

Exmo Senhor:

Venho a este blog porque fui prontamente informado por pessoas amigas que amiude o frequentam, de que acabava de fazer um comentário jocoso à minha candidatura (tenha cuidado, que hoje em dia este tipo de comentários são perigosos e pidescos). Adiante...

Pelo seu "ilustre" entender, eu, cidadão livre e com as minhas obrigações efectuadas, não tenho o direito e exercer cargos na vida politica activa! (Grande democrata que o senhor me saiu)

Diga-me, de onde é que o senhor me conhece, ou em que situação privámos??? Como pode à partida fazer este tipo de alusões à minha pessoa, sem sequer saber quem eu sou! Olhe que ter uma opinião só porque "se ouviu dizer que" tem um nome sabia? "O PSD anda mal mas não se sabia até que ponto" ... é verdade, o PSD está a passar uma crise de liderança, coisa que, aliás, o seu PS também, por várias vezes, passou! mas enfim... Talvez não saiba, mas em democracia as coisas são mesmo assim!!!

Enfim... que lhe posso dizer mais, senão que um dia, quem sabe, ter a ilustre oportunidade de prosear com vossa excelência à mesa de uma café, para depois, aí sim, podermos facilmente tirar ilações um do outro, no entanto, acredito que não o queira fazer, pois é bem mais mais cómodo lançar farpas e depois assobiar para o ar...

Passe bem!

Jorge Castanheira Barros

A Espanha é um país laico

Fonte: El País de 25-06-2007
O Tribunal de Canárias condena os bispos por investigarem a vida de uma professora de religião.

Em Portugal, haveria coragem?

Um fascista grotesco

Alberto João Jardim não é inimputável, não é um jumento que zurra desabrido, não é um matóide inculpável, um oligofrénico, uma asneira em forma de humanóide, um erro hilariante da natureza.


Alberto João Jardim é um infame sem remissão, e o poder absoluto de que dispõe faz com que proceda como um canalha, a merecer adequado correctivo.

Em tempos, já assim alguém o fez. Recordemos. Nos finais da década de 70, invectivando contra o Conselho da Revolução, Jardim proclamou: «Os militares já não são o que eram. Os militares efeminaram-se». O comandante do Regimento de Infantaria da Madeira, coronel Lacerda, envergou a farda número um, e pediu audiência ao presidente da Região Autónoma da Madeira. Logo-assim, Lacerda aproximou-se dele e pespegou-lhe um par de estalos na cara. Lamuriou-se, o homenzinho, ao Conselho da Revolução. Vasco Lourenço mandou arrecadar a queixa com um seco: «Arquive-se na casa de banho».

A objurgatória contra chineses e indianos corresponde aos parâmetros ideológicos dos fascistas. E um fascista acondiciona o estofo de um canalha. Não há que sair das definições. Perante os factos, as tímidas rebatidas ao que ele disse pertencem aos domínios das amenidades. Jardim tem insultado Presidentes da República, primeiros-ministros, representantes da República na ilha, ministros e outros altos dignitários da nação. Ninguém lhe aplica o Código Penal e os processos decorrentes de, amiúde, ele tripudiar sobre a Constituição. Os barões do PSD babam-se, os do PS balbuciam frivolidades, os do CDS estremecem, o PCP não utiliza os meios legais, disponentes em assuntos deste jaez e estilo. Desculpam-no com a frioleira de que não está sóbrio. Nunca está sóbrio?

O espantoso de isto tudo é que muitos daqueles pelo Jardim periodicamente insultados, injuriados e caluniados apertam-lhe a mão, por exemplo, nas reuniões do Conselho de Estado. Temem-no, esta é a verdade. De contrário, o que ele tem dito, feito e cometido não ficaria sem a punição que a natureza sórdida dos factos exige. Velada ou declaradamente, costuma ameaçar com a secessão da ilha. Vicente Jorge Silva já o escreveu: que se faça um referendo, ver-se-á quem perde.

A vergonha que nos atinge não o envolve porque o homenzinho é o que é: um despudorado, um sem-vergonha da pior espécie. A cobardia do silêncio cúmplice atingiu níveis inimagináveis. Não pertenço a esse grupo.


Baptista Bastos in Jornal de Negócios

Nota: Pela qualidade literária e coragem cívica do autor, transcrevo o referido texto, na parte que se refere a AJJ.

sexta-feira, julho 27, 2007

Espaço dos leitores

Leda e o Cisne (Rafael, 1515).

O PSD anda mal mas não se sabia até que ponto

O advogado Castanheira de Barros anunciou hoje a sua candidatura à liderança do PSD, comprometendo-se a «unir» o partido, a «devolver o poder às bases» e a exercer uma «oposição permanente».

Rude golpe para a ETA


1. • Juan Cruz Maiza Artola era o chefe da logística da ETA

2 • Detidos outros presumíveis activistas na ampla operação policial.

Aprendizes da guerra santa

O Paquistão conta com mais de 10.0000 madraças onde os alunos aprendem apenas a doutrina do Corão.

É assim que se fanatizam as crianças com a doutrinação exclusiva do que dizem ser a vontade do profeta. Em vez de técnicos, que faltam ao país, os jovens mais pobres só aprendem a rezar.

E, mais tarde, a matar e a morrer em nome de uma fé anacrónica e assassina.

Esta é a diferença entre a catequese e o ensino, ente uma madraça e a escola laica.

quinta-feira, julho 26, 2007

Momento de poesia


Eu

O meu vulto
É um corpo insepulto…
Um pedaço de cálcio e protoplasma,
Que vagueia, que pasma,
Que presume,
Em busca do local,
Onde, afinal,
Há-de fazer-se estrume.
O meu cérebro fraco,
Que eu fustigo
A chicotadas de álcool e tabaco,
É um moinho sem trigo,
Que sem descanso, a sós,
Tritura o Infinito
E gasta no atrito
As próprias mós.

Armando Moradas Ferreira

quarta-feira, julho 25, 2007

Madeira - Mentalidade medieval

Rafaela Fernandes deputada do PSD/M

Défice democrático e de educação


Jaime Ramos, líder do grupo parlamentar do PSD, acusou, Edgar Silva, deputado do PCP, de ter "roubado" dinheiro das Igrejas, "nunca ter pago impostos", chamando-lhe "desgraçado", "chulo da sociedade", "vadio" e "desempregado".

Resposta de Edgar Silva:
A questão das incompatibilidades "incomoda", sobretudo, Jaime Ramos porque "como empresário, e se houvesse um regime de imcompatibilidades decente" na Madeira, o deputado do PSD/M "não ganharia concursos da Secretaria do Turismo para a promoção da imagem da Madeira, não teria representação no Conselho Empresarial da região, nem poderia estar à frente das empresas que está...".

Gestor do CDS acusado pelo MP

Em 1 de Março de 2005, a PJ interceptou uma conversa entre Abel Pinheiro, então director financeiro do CDS/ /PP, com um quadro do Grupo Espírito Santo (GES), Vítor Neves, onde o ex-dirigente partidário foi citado como tendo dito: "E fazendo as contas nós metemos na mão da sua gente mais de quatrocentos milhões de euros nas últimas três semanas."

Cinco nódoas no melhor pano do BES

Três ministros de Santana foram suspeitos mas não acusados

Momento de poesia

Por me encontrar em viagem só amanhã é possível publicar o anunciado poema de Armando Moradas Ferreira.

Peço desculpa aos leitores.

terça-feira, julho 24, 2007

Os bons ministros do CDS

Luís Nobre Guedes viu arquivadas as suspeitas que recaíam sobre si no caso Portucale mas não se livrou de uma censura do Ministério Público.

Censura e humor continuam

O juiz Juan del Olmo citou para amanhã, quarta-feira, o caricaturista da revista satírica «El Jueves» Guillermo e o guionista Manel Fontedevila, acusados de delito de injúrias à Coroa pela caricatura dos Príncipes das Astúrias publicada no seu último número que foi aprendido por ordem do mesmo juiz.

A revista satírica na edição online mostra o desenho que era seu desejo ter publicado.

Menezes quer ser primeiro-ministro

Luís Filipe Menezes anunciou esta noite que será candidato à liderança do PSD. O autarca de Gaia disse que avança para ganhar e que quer regenerar o partido para poder ser um forte candidato a primeiro-ministro.

Comentário: Quem conhece o original - Santana Lopes -, já sabe o que pode esperar da imitação.

A violência da tradição e da fé

As autoridades iranianas executaram 16 pessoas, entre elas algumas acusadas de «crimes» como adultério e homossexualidade. Outras 17 pessoas incorrem na mesma pena, segundo a procuradoria-geral daquele país, noticia o jornal espanhol El País.

As lutas intestinas do PSD

Como previu Pacheco Pereira – e bem –, já apareceu um adversário para Marques Mendes. O inevitável Luís Filipe Meneses colocou-se na meta de partida e vai disputar a liderança do PSD.

Convém não esquecer que:

- O grupo parlamentar é maioritariamente fiel a Santana Lopes;

- Meneses é um clone de Santana Lopes;

- E, sobretudo, convém recordar o que escreveu Pacheco Pereira:

«Haverá candidatos, haverá mais candidatos para além de Marques Mendes, podem estar certos, sejam quais forem as coreografias do momento. É que, com directas em finais de 2007, a direcção que for eleita vai poder escolher as listas dos deputados para as eleições de 2009. Do ponto de vista do poder partidário interno, esta é a questão fundamental, que movimenta montanhas».

in Abrupto

domingo, julho 22, 2007

Turquia - Um passo atrás na laicidade

O partido liderado pelo primeiro-ministro turco, Recep Erdogan, venceu de forma clara as legislativas antecipadas na Turquia, com o AKP a alcançar mais de 330 dos 550 lugares do parlamento. Os outros vencedores são os curdos que regressam ao parlamento.

Espaço dos leitores

Henri de Toulouse-Lautrec

Faleceu Jesús de Polanco


Era mais poderoso que muitos ministros, um verdadeiro imperador. Assim era visto Jesús de Polanco Gutiérrez, presidente e accionista maioritário da Prisa, o maior grupo de comunicação social de Espanha, e um dos mais conceituados do mundo. Polanco morreu ontem, em Madrid, aos 77 anos, vítima de cancro.

DIÁRIO DA CRISE NO PSD (13)

Haverá candidatos, haverá mais candidatos para além de Marques Mendes, podem estar certos, sejam quais forem as coreografias do momento. É que, com directas em finais de 2007, a direcção que for eleita vai poder escolher as listas dos deputados para as eleições de 2009. Do ponto de vista do poder partidário interno, esta é a questão fundamental, que movimenta montanhas.

in Abrupto

Portas processa Estado




Paulo Portas tem razão. A violação do segredo de justiça é um crime que envergonha a justiça e denigre Portugal. O crime está frequentemente associado à luta partidária e se, neste caso, até dá jeito a Portas para justificar o desastre eleitoral, em Lisboa, é verdade que ele foi vítima de crápulas que para o desacreditarem a ele, à justiça ou a ambos, violaram as leis que deviam cumprir.

Não tenho por Paulo Portas o mais leve respeito ou a mínima consideração. Reconheço-lhe a inteligência mas tenho-o por cidadão medíocre e político execrável cuja ética não recomendo. Foi intolerante e perseguidor como jornalista, venal como cidadão no caso da Amostra e no esquecimento sistemático do pagamento de impostos. Foi mau ministro com a péssima opção na compra de submarinos. Foi perigoso e prejudicial à democracia com o rol de ministros que impôs a Durão barroso e Santana Lopes, de Celeste Cardona, na Justiça, a Bagão Félix, nas Finanças, passando pelo obscuro Telmo Correia e por ele próprio cujo controlo das polícias se exercia com pessoas da sua confiança.

O Estado de direito sofreu um rude golpe com a violação do segredo de justiça pelo próprio director da PJ que a ministra Cardona impôs quando a suspeição era geral em relação a Adelino Salvado que viria a arruinar a carreira de Ferro Rodrigues e a confiança na Justiça com a impunidade de que foi alvo. Aí, Paulo Portas primou pelo silêncio quando gente da sua confiança subverteu a democracia, a ética e a decência.

Mas, por pior seja que Paulo Portas – e é –, não há o direito violar o segredo de justiça. Aliás, nunca há razão para cometer crimes e, muito menos, para que fiquem impunes.

sábado, julho 21, 2007

A lei é só para alguns...

A Lei do aborto entrou em vigor em Portugal a 15 de Julho, mas o Governo Regional da Madeira ainda não a aplicou. Depois de um grupo de cidadãos ter pedido um parecer ao Tribunal Constitucional, será a vez da Assembleia Legislativa da Madeira.

Comentário: Quando se esperava uma tomada de posição do Presidente da República, este, surpreendentemente, afirmou que era um assunto para os tribunais. E nós que julgávamos que a defesa da Constituição cabia ao PR!

Espanha - A caricatura da discórdia

El juez justifica el secuestro de la publicación porque "no existe otra medida menos lesiva o moderada" para "evitar la persistencia de los efectos del delito".

Foi pior a emenda do que o soneto.

Apreensão anacrónica.

O mistério do tabu de Portas

A 15 de Abril de 2003, um ano após a tomada de posse do Governo PSD/CDS-PP, Durão Barroso assinou uma resolução que iria provocar uma reviravolta completa no negócio dos submarinos: em Julho de 2001 a francesa Direction des Constructions Navales International (DCN-I) tinha a melhor proposta, com um preço inferior em 32,8 milhões de euros, mas em Novembro de 2003, com a mudança nos métodos de análise das propostas, o Governo adjudicava ao German Submarine Consortium (GSC), por proposta de Paulo Portas, a compra dos navios, com o argumento de que o consórcio alemão tinha uma proposta inferior à francesa em 106 milhões de euros.

sexta-feira, julho 20, 2007

Mais vale tarde do que nunca

*

Espanha - Censura ou publicidade?

O juiz da Audiencia Nacional, Juan del Olmo, ordenou a apreensão do último número da revista «El Jueves» por injúrias ao sucessor da coroa, invocando como motivo a caricatura da capa da publicação que – segundo o juiz – denigre os príncipes das Astúrias, mantendo relações sexuais.

O director da revista satírica foi ainda intimado a identificar os autores da caricatura considerada infamante.

Adenda - el jueves.com

Aposto que desaparece...

O dono de uma farmácia terá burlado o Estado em mais de um milhão de euros através de receituário viciado. Segundo apurou o CM, só numa receita o arguido terá lucrado ilicitamente mais de 30 mil euros. O esquema da fraude, considerado uma “autêntica fábrica de falsificação”, foi ontem desmantelado pelo Departamento de Investigação Criminal de Setúbal da Polícia Judiciária, que realizou diversas buscas domiciliárias a empresas e a estabelecimentos farmacêuticos.

Espaço dos leitores

O rapto da Europa (Mitologia)

A bufaria. Opinião de um leitor


O uso da "bufaria", ou o recurso à delação, seja pública ou anónima, como arma política, foi endémico nos últimos séculos da vida pública em Portugal.

E, para além de endémico foi, sempre que possível, calunioso ou pérfido. Todos os que se lembram dos tempos da ditadura sabem que qualquer opositor ao “Estado Novo” era, no mínimo, um execrável comunista …“ao serviço de inconfessáveis interesses estrangeiros”. Esta era a terminologia do Ministério do Interior, do SNI, da PIDE/DGS, dos Tribunais Plenários, etc.

Hoje, sabemos que muitos dos que contestaram a ditadura pouco mais eram do que cidadãos (muitas vezes jovens) vivendo, na época, a utopia de construir um Portugal livre, justo e mais igualitário. É óbvio que existiam organizações políticas – onde o PCP pontificou – que lutavam pelo derrube do regime salazarista. Mas todos, sem excepção, eram classificados pela mesma bitola e sumariamente “punidos”.

Com essa atitude baseada na mais vil delação perdemos, ou dificultámos, o contributo público de notáveis cientistas portugueses como, p. ex., Bento de Jesus Caraça, Franscisco Pulido Valente, Abel Salazar, Rodrigues Lapa, Aurélio Quintanilha,... (entre muitos outros).

Este clima não é exclusivo de Portugal. Todos nos lembramos dos anos 50 e da “caça às bruxas” protagonizada por McCarthy que antes de desaparecer da cena política americana, completamente desacreditado, ainda teve tempo para acusar Albert Einstein de “actividades anti-americanas”.

Este terrível anátema social não poupou, através dos séculos, o mundo da espiritualidade, nomeadamente, o religioso. A Inquisição é exactamente isso: espiar, caluniar, denunciar… e depois, a fogueira!

Hoje, a delação tem justificações mais subtis. É pretensamente ética. Muitas vezes invoca a legalidade. Nos organismos ou departamentos político-burocráticos os atentos, dedicados e servis delatores fornecem aos chefes ou superiores hierárquicos uma trama de “informações” que, na sua mente pérfida, são lesivas da “legalidade instituída”. Permitem, em nome dessa “legalidade”, e de uma suposta “fidelidade”, que os órgãos dirigentes possam “destruir” um eventual opositor político, um potencial concorrente ou, simplesmente, um cidadão crítico, sarcástico ou jocoso.

Tal prática não se restringe ao combate ao pensamento divergente, à oposição séria e construtiva, às modalidades de expressão, às intencionalidades das preposições. Visa a própria pessoa, enquanto cidadão. Extrapola os limites aceitáveis da luta política para entrar num ambiente da mais abjecta baixeza humana. Parte de um princípio insuportável em democracia: ninguém pode questionar a “legalidade instituída” ou os seus símbolos (dirigentes ou chefes).
O que efectivamente está em jogo é a utilização dos organismos públicos como um meio. Quando estes abusos atingem o âmbito da investigação criminal, ou os órgãos judiciais, tornam-se, tão-somente, instrumentos de descrédito da Justiça e socialmente iníquos.

Levantam a suspeição sobre o uso dos recursos e privilégios, inerentes aos cargos, para saciarem a sofreguidão que o Poder lhes incute e estimula e promoverem danos cívicos sobre "os outros" (adversários políticos, concorrentes, "amigos", colegas, etc.)

Os “bufos” e, cumulativamente, os "ezímios" chefes receptadores das delações, pretendem, na sua mesquinhez democrática, apresentar-se como paladinos da justiça e defensores da ordem e da dignificação da coisa pública. Na verdade, para além da ignomínia, relevam um comportamento servilista em relação às causas públicas e uma intrínseca postura anti-social.

Estamos perante a aristotélica questão dos meios e dos fins, na política. E não podemos, nem devemos, culpar Maquiavel, por estas insensatas diatribes que, hoje, tão danosa e desnecessariamente, atingem as liberdades individuais e a credibilidade democrática, empestando o normal exercício de actividades políticas ou, tão simplesmente, os direitos de cidadania.

a) e-pá Qui Jul 19, 10:08:00 AM

quinta-feira, julho 19, 2007

Ondas de choque das eleições em Lisboa (2)


O CDS-PP vai escolher o novo líder parlamentar, em Setembro. Telmo Correia não voltou atrás na decisão de se demitir da liderança do grupo parlamentar.
*
Comentário: Tal como no Japão imperial, Telmo Correia fez haraquiri para salvar a honra perdida do lider do CDS. Ele fica.

Ondas de choque das eleições em Lisboa

Marques Mendes pode ainda ser o único candidato assumido às directas de finais de Setembro, mas a guerra de apoios há muito que já começou e até já faz sangue nas trincheiras de S. Caetano e de Vila Nova e Gaia.

Birra do PSD

O novo Regimento da Assembleia da República, que estabelece a maioria das regras de funcionamento do Parlamento, foi hoje aprovado por PS, PCP, CDS-PP, BE e Verdes, com a abstenção do PSD.

Comentário: É difícil não enaltecer a postura democrática do PS.

Bento XVI e o Opus Dei


A reconciliação de Bento XVI com os excomungados bispos e padres da Fraternidade Sacerdotal de S. Pio X (FSSPX) não provoca um terramoto na Igreja católica, mas cria ondas de choque nos seguidores do Concílio Vaticano II.

A ICAR fica mais tradicionalista: retrógrada, ritual e evangelizadora. B16 já decidiu que é a única Igreja cristã verdadeira. Rätzinger, com o camauro enfiado até às orelhas, já devolveu ao latim o carácter de língua sagrada, tal como o Islão faz com o árabe.

A ICAR é há muito dominada pelo Opus Dei, movimento criado por Santo Escrivá que apoiou o ditador Franco e a quem muitos doaram os seus bens e JP2 a santidade. O santo, além do cilício com que se consolava, escreveu o «Camiño» um livro com 999 «considerações espirituais». Sendo 999 a inversão de 666 (o número da besta, segundo o Apocalipse) pode deduzir-se que o n.º 999 é Monsenhor Escrivá a fazer o pino.

Como se o Opus Dei não fosse já suficientemente perigoso, B16 recorreu à FSSPX para juntar meio milhar de padres, guerrilheiros da fé, prontos a transformar a ICAR numa religião capaz de rivalizar com o Islão. Os membros das duas seitas, bem treinados, são capazes dos mesmos actos de fé e sacrifício que os suicidas islâmicos.

O fundamentalismo cristão não pode ser a resposta ao radicalismo islâmico. A laicidade e a democracia são os únicos antídotos da violência sectária. Mas Bento 16 prefere, aos caminhos da liberdade, « El Camiño» de Santo Escrivá.

Ex-inspector da PJ condenado

O caso das suspeitas lançadas sobre José Sócrates, em plena campanha eleitoral em 2005, no âmbito da investigação ao licenciamento do Freeport de Alcochete, acabou ontem em tribunal com a condenação a oito meses de prisão, com pena suspensa por 18, do ex-inspector da Polícia Judiciária, José Torrão, e com a absolvição dos jornalistas Inês Serra Lopes e Francisco Teixeira, do extinto semanário ‘O Independente’.

Foi a canalhice habitual. Já tinha sido feita a Ferro Rodrigues com o caso «Casa Pia». Era preciso destruir Sócrates. Prestou-se um inspector da PJ.

Provou-se agora que eram falsas as insinuações para o comprometer. Outras calúnias circularam na época, como todos sabemos. A dignidade cívica é um bem cada vez mais escasso e são cada vez menos os que se sujeitam à pulhice de uns tantos para servirem o País. Ser político é um risco para a honra e o bom-nome.

É altura de perguntar porque se condena um inspector e não se prende um Director-geral. Por acaso Adelino Salvado não violou o segredo de justiça para destruir Ferro Rodrigues? E Fernando Negrão não telefonava para os jornais, embora as gravações que o incriminavam fossem ilegais?

Somos um País com baixa produtividade mas elevados índices de indignidade.

Há bufos de que ninguém fala. Basta estarem ao serviço da direita.

quarta-feira, julho 18, 2007

PSD reúne Sábado para convocar directas

Na sequência da medíocre vitória do PS em Lisboa:

O Conselho Nacional do PSD realiza no próximo sábado à tarde uma reunião extraordinária para analisar a situação interna do partido e marcar as eleições directas anunciadas domingo pelo líder Marques Mendes.

EUA querem negociar com Eixo do Mal

Irão e Estados Unidos manifestaram hoje prontidão para uma nova rodada de conversas sobre a deterioração da situação de segurança no Iraque. Em Teerão, o ministro das Relações Exteriores do Irão, Manouchehr Mottaki, afirmou que a república islâmica deseja uma segunda rodada de negociações com o objetivo de estabilizar o Iraque no futuro próximo.

Perguntas: Que respondem os que dizem que com terroristas não se negoceia? E quem são, aqui, os terroristas?

Justiça - Condenado cardeal de Madrid

Cardeal Rouco Varela*

O arcebispado de Madrid foi condenado pelo Supremo Tribunal por não vigiar, como era sua obrigação, um padre que veio a ser condenado a dois anos de prisão por abuso sexual de menores.

O cardeal Rouco Varela era o responsável da vigararia de que o padre era secretário e o local onde cometeu abusos sexuais continuados na pessoa de uma criança.

O tribunal deu como provada a responsabilidade civil do cardeal, que tentou abafar o caso, sendo transferidas e objecto de represálias as catequistas que denunciaram os crimes.

A indemnização de 30 mil euros fixada à rica arquidiocese de Madrid é insignificante, mas o austero cardeal, denodado defensor da moral e instigador das manifestações contra os casamentos homossexuais, fica com uma pesada nódoa a escorrer na sotaina e com a reputação manchada.

O antigo presidente da Conferência Episcopal Espanhola que abraçou o combate político e se colocou ao lado do PP na luta contra o PSOE nunca mais fará esquecer o encobrimento de crimes a que se prestou e as represálias que permitiu ou exerceu contra quem os denunciou.

O mediático cardeal, um dos mais conservadores e influentes prelados espanhóis, sofreu um rude golpe na sua reputação e a Igreja católica uma humilhação sem precedentes num país onde era hábito ficar impune.

Fonte: Ricardo Alves

* Cardeal Antonio Maria Rouco Varela -- Arcebispo de Madri , foi Presidente da Conferência Episcopal Espanhola. É titular do Conselho para o Estudo dos Problemas Organizativos e Econômicos da Santa Sé.

Momento de poesia

As musas

Armando Moradas Ferreira, foi um veterinário ilustre, que chegou ao cume da carreira. Mas isso pouco importa. Foi sobretudo um homem bom, um conservador afável, uma referência afectiva que ajudou a cimentar uma tertúlia que no fim da década de sessenta e no início da de setenta, do século que foi, teve lugar no Café Nova York, em Lisboa.

Na sua casa, ao Lumiar, por entre capitosos néctares e abundantes vitualhas, dizia-se poesia e sonhava-se a liberdade, rodeado de uma magnífica colecção de pratos da fábrica do Rato e de outras peças valiosas.

Moradas Ferreira dizia poesia com amor. E fazia-a. Avesso a vê-la publicada conseguiram os amigos, com a ajuda da mulher, que autorizasse a Marktest a publicar-lhe em livro alguns dos seus poemas.

É desse registo feliz que o Ponte Europa passará a publicar às quartas-feiras os poemas do amigo há muito falecido, do poeta que nunca quis que o descobrissem, do homem que soube granjear a amizade dos mais novos e merecer a saudade de todos os que tiveram o privilégio do seu convívio.

Por hoje, fica apenas a Nota que exorna o único livro que deixou que lhe publicassem.


Nota de autor

Acabei, pois, por “permitir” a divulgação de alguns versos meus que dormiam o sono dos justos no fundo de uma gaveta desarrumada, em promiscuidade com outros papéis esquecidos.

É a única forma de mostrar a minha inevitável gratidão pelos “ Amigos da Guarda” que me acolheram tão generosamente na sua tertúlia do Café de Entrecampos.

O António Queiroz e o irmão Luís, são os principais responsáveis por esta fantasia saudosista e por isso sofrem o castigo de ver aqui os seus nomes destacados.

Quanto aos outros amigos que inadvertidamente venham a ler algum verso, só espero que me perdoem. Mas, mesmo assim, reincido com esta quadra solta:

Errando de terra em terra
Na Guarda me vim guardar
Tanta vez um homem erra
Que acaba por acertar.

Armando Moradas Ferreira

terça-feira, julho 17, 2007

Espaço dos leitores

Afrodite

Lisboa – Eleições intercalares

O combate dos júniores

Como numerosos leitores me informaram nas caixas de comentários do Ponte Europa a vitória de António Costa foi absolutamente irrelevante, tal o número de abstenções e a dispersão de votos por candidatos ditos independentes.

Estou de acordo. A vitória do PS foi modesta, só ganhou em todas as 53 freguesias da cidade, correu com o CDS da vereação e reduziu o PSD à terceira formação autárquica.

Nunca uma tão precária vitória causou tão demolidoras derrotas. Nunca tão poucos eleitores de Lisboa foram suficientes para provocarem um terramoto partidário no País.

É a vida, como diria o mais notável primeiro-ministro que Portugal teve e o mais bem preparado – o único que conseguiu cumprir uma legislatura sem maioria parlamentar.

Hoje almocei com pessoas de todos os quadrantes partidários. Somos suficientemente amigos para sabermos o que cada um pensa. Os telemóveis que não paravam de receber mensagens eram os dos convivas do PSD. Ora solicitavam a atenção do militante para a presença de Meneses num canal de televisão, ora convocavam para o apoio a Marques Mendes. Era uma guerra de propaganda e uma guerrilha interna.

De facto, a vitória do PS em Lisboa não foi retumbante, embora não pudesse ser maior. Só a derrota da direita foi arrasadora. De tal modo que as campainhas de alarme e os telemóveis convocam os militantes do PSD para um ajuste de contas e para tempos de facas longas enquanto o CDS ganha coragem para esquecer a vergonha e apresentar o único trunfo – Paulo Portas, uma figura gasta cuja ambição está na razão directa da aversão que provoca.

Apoio à plataforma «Julgamento de Aznar»


Bastava a derrota...


Humor negro

*
Comentário: Lembra um muçulmano a anunciar um festival de leitão à Bairrada.

Fazendo contas à vida

Os resultados das intercalares para a câmara de Lisboa mergulharam a direita numa crise profunda. O PP perdeu o seu único vereador e o PSD perdeu a presidência e teve o seu pior resultado de sempre.

segunda-feira, julho 16, 2007

Apoio à plataforma «Julgamento de Aznar»

Foto: EFE/CRISTOBAL GARCÍA

Está criada uma página na Internet, formada por intelectuais, políticos, advogados e professores universitários espanhóis para recolha de assinaturas com o fim de se abrir uma investigação judicial e se processe o ex-presidente do Governo José Maria Aznar pela sua participação na guerra do Iraque.

Local: «Apoio ao julgamento de Aznar».

Terna formalidade


O escritor português José Saramago e a sua companheira de longa data, a espanhola Pilar del Rio, casaram-se hoje, pelo civil, numa cerimónia discreta e íntima na localidade de Castril, de onde é natural Del Rio.

Lisboa - António Costa é presidente (2)

Como seria a festa do PSD se Fernando Negrão, o terceiro classificado, tivesse sido eleito presidente?

Teria começado logo a dizer que o Governo tinha perdido a legitimidade, como fez a Guterres quando Santana Lopes ganhou Lisboa.

Assembleia Municipal de Lisboa


O órgão autárquico cujo controlo o PSD exigiu manter está ferido na sua legitimidade após ter perdido a decência, dando aval à Câmara que ruiu e sendo cúmplice do estado a que Lisboa chegou.

Não acredito que se transforme em força de bloqueio tal a erosão que a derrota provocou e o medo do eleitorado que não lhe perdoaria o exercício de uma autoridade que perdeu no campo da ética e apenas mantém de modo formal.

O órgão que integra os 53 presidentes de Junta, por inerência, conta com 42 do PSD. O PS venceu em todas as freguesias e o PSD ficou em segundo lugar em 14 e remeteu-se à terceira posição em 39. A legitimidade formal mantém-se, mas há 42 membros da AML que sabem o que lhes teria sucedido se as Juntas de Freguesia tivessem ido a votos.

Perante a gravidade dos problemas e a responsabilidade de quem os criou não se prevê a Oposição musculada do PSD na AML. Os munícipes estão atentos e não perdoariam o estorvo ao normal exercício do poder a quem ontem ganhou legitimidade perante quem se recusou a ir a votos.

Paradoxalmente a terceira força em Lisboa mantém, por inércia, o controlo do órgão fiscalizador do executivo camarário. Aliás, Marques Mendes e o inefável Vasco Graça Moura ainda fizeram chantagem sobre o eleitorado com essa arma. De nada lhes valeu.