Notas soltas - Agosto/2007
AlmeidaCinema – Bergman e Antonioni saíram de cena carregados de anos e de êxitos, com 24 horas de intervalo. Partiram dois ícones que fizeram as delícias dos cinéfilos e legaram obras-primas à história do cinema.
Al-Qaeda – O fascismo islâmico continua a recrutar crentes para a escalada de terror que ameaça a civilização e a democracia. A pobreza, a fé e o tribalismo são o húmus que alimenta a fome de martírio dos trogloditas de Maomé.
ETA – As tentativas de extorsão e ameaças de represálias aos empresários bascos e as explosões de viaturas mostram que a organização resiste, mas o erro dos dirigentes que recusaram a paz converteu-os em meros terroristas, úteis ao PP espanhol.
França – O pacto secreto de venda de armas no valor de 300 milhões de euros, à Líbia, foi a provável moeda de troca da libertação de cinco enfermeiras e de um médico búlgaros. A nova diplomacia de Sarkozy, ou da mulher, fica sob suspeita.
PSD – A luta entre Marques Mendes e Luís Filipe Meneses reflecte a tensão ancestral entre o partido urbano e civilizado e as bases rurais. O aparelho está vulnerável ao populismo de Meneses e teme uma reedição de Santana Lopes.
Museu de Arte Antiga – A demissão da directora, por mais injusta que pudesse ter sido, foi um legítimo acto de gestão. A solidariedade do PR traduz uma ingerência na esfera do Executivo só compreensível pela sua devoção à cultura.
Miguel Torga – A ausência de representação do Governo na comemoração do centenário do grande escritor e arauto da liberdade foi um acto de incúria e falta de sensibilidade que as férias do primeiro-ministro e da ministra da Cultura não absolvem.
Xanana – O mítico herói da resistência acabou refém da Austrália e da Igreja católica. Após ter sido presidente, sufragado por 80% dos seus compatriotas, quis ser um primeiro-ministro frágil, com 24% dos votos e legitimidade duvidosa.
Venezuela – Depois da vitória eleitoral arrasadora sobre uma oposição golpista, Hugo Chavez insistiu na reforma que lhe permitirá a reeleição indefinida. Os tiques autoritários e o populismo são sinais premonitórios da ditadura que se avizinha.
Iraque – É já evidente um novo Vietname. A desintegração do País agravou a instabilidade regional, comprometeu a paz mundial e fortaleceu o terrorismo, enquanto Bush e os seus cúmplices ficam impunes perante as atrocidades que desencadearam.
EUA – A 400.ª execução no Estado do Texas chamou a atenção para a barbárie que não poupa menores, dementes e erros judiciais, numa orgia de violência legal que envergonha os americanos e horroriza os países civilizados.
Corrupção – O finaciamento da Somague ao PSD, com Durão Barroso, pode ser comum a outros partidos e empresas mas, depois de provado o crime, a impunidade – a acontecer –, atrairá novas tentativas de corrupção.
Transgénicos – A invasão de um milheiral, em Silves, por um bando histérico de ambientalistas, transformou um problema ecológico num caso de polícia, prejudicando a discussão sobra os riscos/benefícios de cereais geneticamente modificados.
Zita Seabra – Há nesta mulher uma certa coerência, um fio condutor que a levou ao comité central do PCP, ao apostolado do liberalismo económico e à recente conversão ao catolicismo – o seu inflexível estalinismo. Vai acabar num convento.
BCP – As Assembleias Gerais de um banco e as rivalidades internas nunca foram tão mediáticas e transparentes, em nítido contraste com a opacidade do Opus Dei a cujas fileiras pertencem os gestores que se digladiaram. Perdeu quem tinha menos fé e apoio accionista.
Turquia – A eleição do primeiro presidente islâmico, Abdullah Gul, após 84 anos de vigência da república secular, vem confrontar o Islão e a democracia. É a última oportunidade de reconciliar a fé e a liberdade, uma experiência que nunca foi pacífica.
China – Durante a visita oficial, a chanceler alemã Angela Merkel debateu a falta de liberdade de imprensa com jornalistas críticos do governo e pediu mais respeito pelos direitos humanos. Deu um são exemplo de pedagogia democrática.
PR – Os vetos presidenciais, que o próprio já considerou forças de bloqueio, são todos legítimos e, alguns, justos. Resultam do normal exercício do cargo e só admira que o PSD exulte por ver vetado em Belém um diploma que aprovou em S. Bento.
PCP – A festa do Avante é um exemplo notável de organização e um momento ímpar de alegria, cultura, bom gosto e militância partidária a marcar o primeiro fim-de-semana de Setembro. Devia servir de inspiração a outros partidos e aos seus militantes.
Código de Processo Penal – O n.º 4 do art. 88.º, votado pelo PS e PSD, penaliza a publicação de escutas sem autorização dos visados, uma norma infeliz e injusta que limita as notícias sobre processos penais e afronta a liberdade de imprensa.














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