quarta-feira, outubro 31, 2007

Espanha – O julgamento dos atentados de Atocha

A sentença judicial, hoje conhecida, sobre os atentados de 11 de Março, em Madrid, põe fim à teoria da conspiração que Aznar elaborou como bom mitómano e excelente farsante. Rajoy, fiel ao seu antecessor, não se demarcou a tempo da encenação grotesca com que o PP quis caucionar o crime da invasão do Iraque.

O PP conseguiu fazer o pleno do apoio do episcopado espanhol à sua política e até às manifestações públicas onde não faltaram o garrido das mitras e o brilho dos báculos com centenas de sotainas a abrir pias manifestações contra o Governo de Zapatero.

Conseguiu mais, conseguiu que o Vaticano se intrometesse na luta partidária espanhola com a beatificação de 498 mártires da guerra civil espanhola, a juntar aos 479 elevados por João Paulo II em gestos de gratidão para com o Opus Dei e de solidariedade para com a Conferência Episcopal Espanhola.

A Igreja espanhola, comprometida ainda com o franquismo, é o principal pilar do PP e a tropa de choque da direita sem se dar conta de que muitos católicos são filhos e netos de vítimas de Franco e que a Espanha é hoje um país civilizado, culto e rico onde a ruralidade já desapareceu.

É por isso que o apuramento da verdade sobre o 11 de Março é tão demolidor para o prestígio dos que preferiram manter a mentira a fazer um acto de contrição.

Esta sentença judicial, independentemente de quem ganhar as próximas eleições, é um labéu contra a mentira e a dissimulação de velhos franquistas e actuais conservadores. Factos são factos e é nessa sólida barreira que o PP esmagou a honra e a credibilidade. A mentira ficará a pesar-lhe tanto quanto o crime de Aznar na invasão do Iraque.

Pavarotti - Ave Maria - Schubert

Espaço dos leitores

Cézanne

Santanezes e outros malteses

«...não me interessam os pequenos problemas dos pequenos cargos partidários...» (LFM)

Comentários:
- Então para que chamou «pequenino» a Capucho que foi ministro enquanto ele não passou de «ajudante»?

- Por que motivo quis contornar a lei (com a ajuda do PS) a fim de ocupar um cargo que, legalmente, não lhe cabia?

- Barroso e Sócrates lideraram os partidos sem terem reivindicado o cargo de Conselheiros de Estado, a que não tinham direito.

Momento de poesia


Álcool


Tenho álcool sobre a mesa.
E, golo a golo,
Afasto-me do solo
E da tristeza.

O esquecimento é caro.
O preço, é a cirrose,
A lenta esclerose
De qualquer órgão raro.

Bebo
E percebo
Que a cada trago
Pago.

Até que o esquecimento absoluto
Se decida
E de mim faça um bruto
Ou um corpo sem vida.
.
Armando Moradas Ferreira

terça-feira, outubro 30, 2007

Santanezes e outros malteses

Ninguém se entende no PSD

- Mota Amaral insiste que o Tratado de Lisboa tem de ser ratificado através de um referendo, uma opinião que contrasta com a do presidente do PSD.
- Menezes desvalorizou a polémica em volta do lugar no Conselho de Estado, depois de António Capucho não estar disponível para abdicar da vaga deixada em aberto por Marques Mendes.

Fartar vilanagem...

O orçamento da Assembleia Legislativa da Madeira (ALM) para 2008 atinge os 17,2 milhões de euros, praticamente o mesmo do ano corrente, apesar de ter perdido quase um terço dos seus deputados.

Sarkozi seguiu exemplo de Santana

Santana abandonou a SIC por ter sido interrompido por Mourinho. Sarkozi abandonou a CBS por lhe falarem na mulher.

Prerrogativas pias no Centro Histórico de Ourém

Foto amavelmente enviada pelo leitor M. A. C..

Contra o aborto, marchar, marchar...

O Papa Bento XVI apelou esta segunda-feira à objecção de consciência dos farmacêuticos no que diz respeito à venda de medicamentos utilizados para fazer abortos e para cometer eutanásia.

João Paulo II apelou à objecção de consciência dos advogados para não patrocinarem divórcios.

Momento de poesia

O assalto ao teu castelo

Convido-te a deixares-me entrar
nos segredos do teu castelo
escalar as muralhas
que te resguardam dos assédios
enlaçar as tuas ameias
onde montaste vigia aos meus passos…
Convido-te a baixar as defesas
dos teus medos
levantar a ponte levadiça
dos teus braços
abrir a porta de armas
do teu corpo,
para eu poder entrar
triunfante e em alvoroço
montado no cavalo branco
do meu encantamento…
Assim, já poderemos jogar às cartas
na tua torre de menagem,
onde serás a guardiã dos meus tesouros…
Eu quero ganhar ao jogo com o ás de espadas
aquilo que tu guardas com a dama de ouros…

Alexandre de Castro

segunda-feira, outubro 29, 2007

Coreia do Norte - Bom exemplo de um mau país

Kim Jong-il

«A Coreia do Norte começa a desmantelar as suas três maiores instalações nucleares a partir de 1 de Novembro, no âmbito do acordo alcançado com os países envolvidos nas negociações multilaterais, indicaram hoje fontes sul-coreanas citadas pela agência Kyodo.

O regime de Kim Jong-il fez o anúncio na reunião de dois dias iniciada hoje pelo grupo de trabalho sobre ajudas energéticas à Coreia do Norte».

Islão - A violenta opressão da mulher

Argentina - Eleições presidenciais.


Os números provisórios asseguram que a senadora e primeira-dama, Cristina Kirchner, será a presidente da Argentina nos próximos 4 anos.
Os partidos opositores denunciam numerosas irregularidades mas a percentagem de 46% garantem-lhe fortes probabilidades de receber a investidura das mãos do marido.

domingo, outubro 28, 2007

Beatificações políticas no Vaticano

Nunca a Igreja católica tinha beatificado tantos bem-aventurados de uma só vez. A visão vesga de Rätzinger e do episcopado espanhol, desejosa de desforra, elevou hoje aos altares 498 mártires da guerra civil espanhola, nem todos recomendáveis, incluindo um torturador, a acrescentar aos 479, distribuídos por onze cerimónias a partir de 1987, dos quais 11 já atingiram o escalão máximo – a canonização.

Mais de mil sacerdotes e oitenta bispos participaram na cerimónia orquestrada pelo inveterado franquista Antonio María Rouco Varela, Cardeal-arcebispo de Madrid, e presidida pelo cardeal português Saraiva Martins, para gáudio de 2500 familiares dos mártires, que assistem à missa com ódio à República e aversão à democracia.

Esta beatificação em série não é um mero acto de propaganda de uma Igreja prosélita que recuperou o entusiasmo das Cruzadas, é uma provocação ao Governo de Espanha que teve a coragem de legislar sobre o aborto, os casamentos homossexuais e o carácter facultativo da disciplina de Religião nas escolas do Estado.

Foi para esse braço de ferro que viajaram mitras e báculos a caminho de Roma. Apenas um (1) dos numerosos bispos de Espanha, se demarcou da posição oficial da hierarquia católica, defendendo o direito de reivindicar a memória das vítimas fuziladas e enterradas em valas comuns pelo franquismo.

Todos os outros clérigos com mitra e báculo circulam em contramão na estrada da democracia, velhos cúmplices do franquismo, despojos fascistas de uma Espanha que mudou.

Espaço dos leitores

Vénus de Urbino (Tiziano Vecellio)

Vaticano defende liberdade religiosa


O Cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano, defendeu que o direito à liberdade de religião e de consciência é uma «condição indispensável para a tutela dos direitos humanos em qualquer latitude do planeta».

Todos os fundamentalistas defendem a liberdade religiosa quando estão em minoria e o tratamento diferenciado quando se julgam em maioria.

Não passa pelas pias cabeças mitradas que a liberdade não precisa de adjectivo: existe ou não. Quando falam em liberdade religiosa os padres esquecem que o direito de não ser, ou ser contra, é tão respeitável como o direito de ser devoto.

Reside nesta evidência o princípio do laicismo que tanto condena o Estado ateu como verbera o Estado confessional. Não há liberdade se o Estado não for neutral em questões religiosas. O Estado pode ser social-democrata, liberal, conservador ou socialista, mas não pode ser cristão, islâmico, ateu ou budista. Cabe-lhe a ideologia política e, se for democrata - como deve -, fomentar a alternância. As religiões, pela índole totalitária, jamais a permitiriam.

Os países democráticos - os únicos respeitáveis - são sucessivamente governados por partidos de direita ou de esquerda, mais liberais umas vezes, progressistas, outras, com mais consciência social ou menos regras ao funcionamento do mercado, sem abdicarem de se legitimar por sufrágio universal, secreto, em escrutínios regulares.

Tal não acontece com as religiões. Nenhuma aceitaria o rotativismo que permitisse aos povos a competição religiosa e a alternância. Os partidos respeitam a vontade dos eleitores, as religiões submetem-se ao poder do clero e ao fanatismo dos crentes.

Eis a razão por que se muda pacificamente de política e nunca se troca de religião sem banhos de sangue e manifestações de barbárie. Os homens tendem para o entendimento mas as religiões apenas conhecem a intolerância e a exclusão.

* Desenho de Brito, prestigiado cartoonista, em França, publicado com a sua amável autorização.

sábado, outubro 27, 2007

O casamento do milénio

Ponte Europa/Pitecos - Zédalmeida

Sem comentários...

Santana Lopes deu, nos seus últimos dias como presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML) e prestes a ser primeiro-ministro, ordem para pagar indevidamente 3,5 milhões de euros à Bragaparques relativa a obras na Praça da Figueira, noticia o semanário Sol.

A comovedora generosidade da CIP


O estudo encomendado pela Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), sobre a localização do novo aeroporto, vai ser entregue ao Governo na próxima semana, disse Francisco van Zeller à Agência Lusa.

Burlas ao mais alto nível?

Dois generais foram denunciados por Ricardo Privitera, antigo oficial do exército italiano, no caso da encomenda das fardas militares para a Polónia, em 1999. Um contrato que os polacos dizem não ter assinado, mas que roubou ao Estado português dez milhões de euros.

«O Paradoxo do Ornitorrinco» - Textos sobre o PSD

O subtítulo do livro de José Pacheco Pereira (JPP) é enganador pois é maior o ataque ao PS do que ao PSD, chegando a juntar aos maus Governos de Barroso e de Santana os de Guterres, cujo primeiro mandato – o único em que, até hoje, um Governo minoritário cumpriu a legislatura –, foi seguramente o melhor de sempre.

Igualmente a referência (embora justa) ao FCP e ao PS, citando a cumplicidade de Pinto da Costa com Fernando Gomes, é redutora e susceptível de induzir em erro quem não saiba que o PSD está muito mais comprometido com coisas da bola que ameaçam cair na impunidade. Basta lembrar os Loureiros (pai e filho), Gilberto Madaíl, Santana e outros que passaram pelo parlamento e pelas autarquias com as cores do PSD.

Mas deixemos a luta partidária que o militante não descura, bem como a opção pela linha dura da economia liberal, mitigada com vagas declarações de preocupações sociais, com vista a futuros combates partidários. Esqueçamos igualmente a acusação ao CDS de que é a muleta do PS, como se Portas, Cardona, Bagão Félix e Adelino Salvado não tivessem feito parte do bando dos quatro que procurou, e conseguiu, decapitar o PS.

Onde JPP merece ser lido, nos textos que escolheu e que não constituem surpresa para quem o ouve na «Quadratura do Círculo» ou visita com regularidade o «Abrupto», é na denúncia da corrupção a que as campanhas partidárias se prestam e, aí sim, facilmente se intui que é uma perversão que atinge o PSD, do mesmo modo que o PS e o CDS.

Desde 2003, em que Maria José Morgado lançou, em conjunto com o jornalista José Vegar, o livro «O Inimigo sem rosto, fraude e corrupção em Portugal», ninguém foi mais corajoso do que JPP na denúncia da corrupção, desta vez no interior dos partidos.

JPP é um homem culto, inteligente e com raro sentido de dignidade. Sem perdermos de vista que é militante do PSD, devemos lê-lo com atenção e tirar ilações sobre interesses ilegítimos que passam pelo interior dos partidos sem pensarmos que isso só acontece naqueles em que não votamos.

Dou por bem empregados os 15 euros do livro e penso que JPP merece os 10% dos direitos de autor. O que diz de Santana ou de Menezes não é pior do que outros militantes do PSD pensam sem a coragem de o afirmar. Mas nem todos são Zitas Seabras disponíveis para todos os líderes. JPP jamais estará disponível para renunciar ao que pensa e à liberdade de afirmá-lo.

sexta-feira, outubro 26, 2007

Correio dos leitores. Preocupação

Há dois meses fomos surpreendidos pela notícia da desarticulação de uma célula da Al-Qaeda, pela polícia italiana, que mantinha uma escola de técnicas terroristas, disfarçada de madrassa, numa mesquita da cidade de Pirugia.

O imã, um homem santo, certamente, foi preso. Agora, a notícia vem de Espanha, onde estes casos se vêm repetindo, alarmantemente. Sabendo-se que, em relação ao crime altamente organizado (tráfego de droga, redes de pedofilia e, recentemente, o terrorismo islâmico), a polícia apenas consegue uma eficácia de dez por cento, interrogo-me com preocupação sobre o que estará escondido em cada uma das milhares de mesquitas que livremente se instalaram na Europa, beneficiando do espírito de abertura e de tolerância que a odiada civilização ocidental prodigaliza a todos os cultos e a todas as confissões religiosas.

Será que estaremos a assistir à reedição de um novo Cavalo de Tróia?

Há meses vi, em plena Praça do Chile, uma muçulmana a passear-se vestida com o seu niqabe negro, indumentária feminina que apenas não oculta os olhos, e, por momentos, interroguei-me se, no carrinho de bebé, que puxava, não estariam escondidos explosivos, ao mesmo tempo que me surpreendia com a desfaçatez exibida por aquela mulher em, provocantemente, desafiar a lei que proíbe a utilização na via pública de uma qualquer máscara que não permita a identificação do rosto.

Tudo isto é preocupante!

a) Alexandre de Castro

Sorte a dele... (2)

Um mês após ser eleito líder do PSD, Luís Filipe Menezes não é reconhecido como tal por grande parte dos eleitores.

Comentário: Não admira, pois, que as sondagens lhe sejam tão favoráveis.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Violência racista

A violenta agressão de uma jovem equatoriana, no metro de Barcelona, perpetrada por um skinhead a quem a demência racista exacerbou a fúria, é um acto que não diz apenas respeito a Espanha, é um crime que põe em causa a civilização e desmente a tolerância de que a Europa se reclama.

Não basta denunciar a violência, é preciso ser firme no combate às motivações racistas e xenófobas que alimentam os nacionalismos e povoam as mentes de jovens normalmente pouco alfabetizados, primários e selvagens.

Aquela jovem que seguia tranquilamente numa carruagem de metro é o paradigma das minorias que a fúria selvagem dos biltres põe em permanente risco. O pontapé que lhe atingiu a face era o escape das frustrações e ódios acumulados por quem tinha apenas como motivo de orgulho a pertença à maioria que o energúmeno identifica como raça.

Se os que nos consideramos civilizados não formos capazes de defender a diferença que faz a riqueza das nossas sociedades não merecemos a paz que nos bateu à porta nem o bem-estar que desde 1945, apesar das queixas de novos-ricos, não parou de aumentar.

Os patifes que se comportam como o biltre do metro de Barcelona – e nós temos dessa escória entre nós –, não merecem circular no espaço público, precisam de ser polidos na enxovia.

Sorte a dele...

Um mês após ser eleito líder do PSD, Luís Filipe Menezes não é reconhecido como tal por grande parte dos eleitores. De acordo com uma sondagem CM/Aximage, cerca de metade dos inquiridos (43,3%) não sabe quem é o actual presidente do PSD. O que revela que o recém-eleito líder tem muito trabalho pela frente na conquista de notoriedade.

Espaço dos leitores

O "parthenon" de Atenas

Momento de poesia

Insónia

Fugi espavorido do meu leito
E vim refugiar-me na mudez
Deste cárcere estreito,
Onde me escalpelizo, onde me espreito,
Onde medito os múltiplos porquês,
Das coisas que surpreendo
E não entendo.
Fugi dos sonhos maus,
Das abissais vertigens,
Do impossível caos
De ideias desconexas e virgens,
Que fazem do meu cérebro um campo devastado
E do meu sangue um caudaloso Marne…
Fugi do grito rouco, alucinado,
Da minha própria carne,
Que se agitava em dolorosos trismos,
Na busca dos contactos brutais,
Que a fizessem rolar pelos abismos
Das febres genitais…

Fugi de tudo.

Mas quantas rugas
Custam as fugas
Com que me iludo?

Deus sabe o preço
De cada breve segundo,
Em que me esqueço
Do mundo…

Neste cárcere estreito,
Onde me espreito,
Neste terror em que me sondo,
Em que me escondo,
Em que me afogo,
Em que interrogo
O mistério subterrâneo
Do meu crânio
Partido,
Sopraram ventos de Março,
Tudo ficou destruído,
Sem ordem, confuso, esparso,
Como destroços
De um grande incêndio,
Como uma montanha de ossos,
Como as folhas de um compêndio,
Rasgadas, sadicamente,
Pelos convulsos
Pulsos
De um demente!

Armando Moradas Ferreira

quarta-feira, outubro 24, 2007

«Quem sabe faz…

…quem não sabe, ensina».

Bagão Félix, o pior ministro das Finanças desde a ditadura de Pimenta de Castro, sem rival na incoerência, mediocridade e erros do Orçamento de Estado (OE) que elaborou antes de ter sido despedido com Santana Lopes, atreve-se a qualificar o OE para 2008 como um «orçamento manhoso».

O mais reaccionário e impiedoso de todos os ministros que comprometeram a honra e a credibilidade dos Governos de Durão Barroso e Santana Lopes apresenta-se agora como especialista da matéria onde falhou clamorosamente.

Só lhe falta falar de «boys», ele que demitiu por fax, de uma só vez, todos os dezoito directores e igual número de subdirectores da Segurança Social cuja ilegalidade obriga, agora, ao pagamento de pesadas indemnizações, na sequência de decisão judicial.

Bagão Félix, o mais zeloso acólito de Paulo Portas, na pressa de colocar correligionários na Segurança Social, nem reparou que demitiu alguns que se mantiveram durante os seis anos de Guterres, herdados do Governo de Cavaco.

As críticas de Bagão, vindo de quem vêm, são auspiciosas para o OE.

Governo fecha a caixa de esmolas II


De facto era escandaloso o financiamento público da UC em detrimento das (sub-financiadas) universidades públicas e permitindo a essa concorrência desleal com outras universidades privadas. Tudo graças ao limbo jurídico criado pela doutrina do "ensino concordatário".

PSD solidário com a greve dos pilotos?

O vice-presidente do PSD, Rui Gomes da Silva, defendeu esta terça-feira num comentário à greve dos pilotos que o Governo socialista «escolheu o caminho da ruptura» e que tem mostrado para além de «insensibilidade» falta de vontade de dialogar.

Comentário: Seria interessante que os vencimentos e remunerações acessórias dos pilotos da TAP fossem divulgados. Eventualmente, nem todas as greves serão justas!

Governo fecha caixa de esmolas


«Uma falta de atenção e de consideração em relação à Universidade Católica – é assim que o reitor fala da decisão do Executivo de suprimir totalmente o habitual subsídio que era atribuído à Católica».

3 Olhares pela Lousã

NO MUSEU ETNOGRÁFICO DR. LOUZÃ HENRIQUES

De 27 de Outubro a 18 de Novembro, numa parceria com o Instituto Superior Miguel Torga

Este sábado, dia 27 de Outubro, inaugura-se, na Lousã, a exposição de fotografias “3 Olhares pela Lousã”.
A exposição, que estará patente até 18 de Novembro, integra fotos a preto e branco e a cores da autoria de Ana Carolina Correia, Manuel Marques e Ricardo Almeida.

Os jovens autores, recém-licenciados em Comunicação Social pelo Instituto Superior Miguel Torga, aceitaram o repto do Director do Museu Etnográfico lousanense, de registarem, em fotos, apontamentos sobre a vida do concelho.

Do folclore ao remanso pelas tabernas, dos trilhos ferroviários aos bailados fervilhantes das torrentes de água que são marca daquele concelho, de tudo um pouco encontramos neste registo fotográfico a três mãos.

Esta iniciativa integra-se no Projecto “Coimbra D”, raid fotográfico dinamizado pelo Instituto Superior Miguel Torga (www.ismt.pt), realizado em Maio do presente ano.
A exposição inaugural deste projecto esteve já patente na Delegação de Coimbra do Instituto da Juventude e também na Lousã.

As fotos da exposição, a que se acrescentaram uma série de outras, encontram-se também disponíveis num vídeofoto no YOUTUBE (http://www.youtube.com/watch?v=UDZ-vjlyqQs).

terça-feira, outubro 23, 2007

Traquinices do menino-guerreiro

Escutas ilegais

Um ponto de vista diferente do meu:

No Fórum TSF, o juiz desembargador Eurico Reis defendeu que as declarações de Pinto Monteiro sobre ter o telemóvel sob escuta não foram por acaso. O Juiz considera que o procurador quis forçar algumas mudanças.

Comentário: É urgente defender o Estado de direito.

Momento de poesia

beleza fem-Sergej Ryzhkov

Preso no teu leme


Este fascínio pelos rios da minha infância
a correrem nos teus olhos líquidos
que eu bebo com o meu desejo.
Esta loucura de nadar no teu corpo
quando despes lentamente o vestido
mirando-te ao espelho.
É quando eu passo para a outra margem no teu barco
remando com os teus braços
percorrendo-te da popa à proa
até ficar preso no teu leme
e na convulsão das ondas do teu ventre.

Alexandre de Castro - Lisboa

segunda-feira, outubro 22, 2007

Momento Zen de segunda

O inefável João César das Neves (JCN) não desiste da homilia das segundas-feiras, no DN, como cruzada contra o aborto.

A obsessão fundamentalista católica ultrapassa a dos padres rurais mais conservadores, habituados às confissões das paroquianas pobres, que votaram contra a despenalização do aborto mas já fizeram, ao longo da vida, vários «desmanchos», que a pobreza não lhes permitia sustentar mais bocas, e o planeamento familiar era pecado. Para essas mulheres, carregadas de filhos e privações, o aborto, a contracepção e o preservativo são pecados mortais a que não se atrevem, mas «botar abaixo aquilo» é outra coisa, em que arriscam a vida sem comprometerem o destino da alma.

JCN, referindo-se ao feto, afirma que «pouco há a fazer à criança quando se detecta esse tipo de mal [trissomia 21], para logo acrescentar com pungente azedume: «Além do aborto, claro».

Há pessoas, como JCN, para quem a vida da mãe, as malformações, o incesto ou a violação nada valem face aos preconceitos religiosos que alimentam a padres-nossos e imprecações, quanto mais respeitarem a liberdade individual da mulher, até às 10 semanas de gravidez, de acordo com a lei.

Mas onde se vê a desonestidade intelectual, o insulto, a má-fé e a ausência de qualquer limitação ética em relação à verdade é na comparação do aborto ao nazismo e na citação do livro de um especialista na matéria, o padre Nuno Serras Pereira, que acaba de publicar «Ao Gólgata – A Liberalização do Aborto e o Nazismo» embora se presuma mais ódio ao primeiro do que ao último.

O paralelo aborto/nazismo é um truque habitual de quem, não correndo o risco de ter de recorrer ao primeiro, por questão de género, não dá garantias de que não tivesse apoiado o segundo por razões anti-semitas.

Só há uma observação a fazer aos fundamentalistas: Hitler era contra o aborto, preferira matar adultos. O padre Serras Pereira e JCN estão historicamente bem acompanhados.

Diálogo de religiões


«Deus não deve justificar a violência» – diz o Papa. Mas provoca-a, como se sabe.

O diálogo de religiões é uma impossibilidade teórica e prática. Pode - e deve - haver diálogo de culturas. Aliás, as culturas contaminam-se, no sentido sociológico, e acabam por ser a síntese de várias, o produto da convivência entre comunidades diversas, o resultado da assimilação mútua e recíproca dos usos e costumes de todas e cada uma.

O diálogo das religiões é diferente - uma utopia na melhor das hipóteses e, na pior, uma operação de marketing para facilitar o proselitismo e disfarçar o aversão. A religião, qualquer que ela seja, considera-se a única que interpreta a vontade divina e, pior do que isso, exige que todos se submetam à vontade do seu Deus.

Os homens estão condenados a entenderem-se mas os deuses não podem fugir ao confronto. O boato de que os livros sagrados são a expressão da vontade divina, ditados por anjos ou intermediados por profetas transforma as palavras em dogmas e os supostos recados de Deus em sentenças de obediência obrigatória.

Quando um dignitário de uma Igreja fala em diálogo das religiões tem em vista aparecer aos olhos do mundo globalizado como líder e arauto da unificação de todos os credos a quem promete o Paraíso e pede ajuda no combate ao secularismo, laicidade e ateísmo.

Não há diálogo entre doutrinas totalitárias. Não é possível haver cedências em nome de Deus porque ele não aparece e os que dizem representá-lo não querem prescindir dos privilégios do múnus e do conforto do clã. Deus é o maior detonador do ódio que os homens inventaram. Tem os piores defeitos dos seus criadores e minguam-lhe as virtudes que a humanidade, na sua caminhada, foi adquirindo.

Não é por acaso que as sociedades secularizadas e os Estados laicos protegem direitos, liberdades e garantias, pugnam pela não discriminação em função da raça, sexo ou religião, em suma, são plurais, tolerantes e regidas pelo direito.
.
Pelo contrário, as sociedades que se regem pelos livros sagrados são intolerantes, cruéis e misóginas, perpetuam os hábitos tribais e exercem a jurisprudência canónica - um simulacro de justiça-, administrada pelos clérigos com divina crueldade.

Espaço dos leitores

( Miguel Ângelo)

Este é o espaço posto à disposição dos leitores para escreverem sobre os assuntos que quiserem. Ao leitor que vive obcecado com os problemas judiciais do Sr. Luís Vilar reitero a minha firme disposição de lhe apagar os comentários nos restantes posts.

Más notícias da Suiça



O partido populista e xenófobo União Democrática de Centro (UDC) venceu as eleições federais realizadas neste domingo na Suíça, informam as agências internacionais.

Comentário: Uma razão acrescida para o meu europeísmo.

Polónia - o princípio do fim do pesadelo

Depois de se terem tornado o pesadelo da Europa parece que o eleitorado polaco, farto da devoção e do ridículo dos gémeos homozigóticos, começou por despedir o Governo e aguarda por outras eleições para se ver livre do presidente.

A Europa fica um pouco mais arejada e a medida higiénica da Polónia tornará o espaço europeu mais respirável.

Certamente que agora já haveria unanimidade para condenar a pena de morte a 27 sem interferência das sacristias.

Espera-se que a chantagem feita nos dois últimos anos pelos anacrónicos manos contra os polacos que ocuparam funções no regime comunista sofram uma folga. A sanha persecutória contra os homossexuais passará a ser apenas uma horrível recordação da crueldade e do anacronismo de dois Torquemadas que conquistaram o poder na Polónia.

A posição do PR é conhecida

O Presidente da República quer apenas pronunciar-se sobre a forma de ratificação do Tratado Europeu após conhecer as posições do Governo e da Assembleia da República. Cavaco Silva saudou ainda este acordo que classificou como «histórico».

domingo, outubro 21, 2007

Bin Laden imitando Cristo

(Priscilla Bracks)

Comentário: Adivinha-se a polémica e o azedume que aí vêm.

Escutas telefónicas

O Procurador-geral da República entende que existe um exagero nas escutas telefónicas feitas em Portugal.

Houve um período de tempo, em democracia, em que os mais insignes cidadãos e os mais altos dignitários do Estado foram alvo de escutas cujo interesse e finalidade estão por esclarecer.

Talvez tenha sido mera coincidência, mas foi no tempo em que Paulo Portas chegou ao Governo, e Durão Barroso esteve refém do todo-poderoso ministro da Defesa, que os maiores desmandos se verificaram. Celeste Cardona era a ministra da Justiça e Adelino Salvado o director da PJ que perseguia com indisfarçável gozo reaccionário a cúpula do PS com a mais descarada e boçal violação do segredo de justiça. Ficou impune.

Foi no tempo que Souto Moura, certamente por inépcia, foi incapaz de fazer frente ao descalabro. Desde o PR a Ferro Rodrigues, do bastonário da Ordem dos Advogados e do presidente da AR ao primeiro-ministro, alguém com poderes que a democracia lhe conferiu e a incúria ou indignidade com que exerceu a função, autorizou semelhante ataque ao regime democrático.

Nunca se soube quem foram os responsáveis por tamanha ameaça à democracia e Souto Moura, desacreditado e impotente, não foi capaz de cumprir o que o PR lhe determinou mas acabou condecorado pelo PR actual.

Parece – a fazer fé no actual PGR, que é um homem sério – que as escutas se mantêm sem limite aceitável, para fins desnecessários, num hábito que nos faz recuar a tempos de triste memória. (Ignoro a infeliz confissão de que pensa que ele próprio possa estar a ser escutado, suspeita alarmante que deve averiguar, não divulgar).

A violação da privacidade, sem fortes indícios de criminalidade grave, é um atentado à cidadania e ofensa intolerável ao regime democrático. Se não formos vigilantes perante o eventual atropelo das normas democráticas, acabaremos vigiados pelo zelo policial e pela conduta crapulosa de quem tem o dever de zelar pela defesa dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.

PSD - A cambalhota e a pressa


O presidente do PSD vai formalizar a proposta para ratificar o Tratado Reformador da União Europeia por via parlamentar, uma opção que foi aprovada «por unanimidade» na primeira reunião da Comissão Política Nacional liderada por Luís Filipe Menezes.

Comentário: Como é possível o mesmo partido aprovar por unanimidade uma opção diametralmente oposta à anterior?

Madeira - o défice democrático

O representante da República na Madeira, Monteiro Diniz, evitou esta sexta-feira comentar as denúncias de corrupção do PS/M, mas admitiu, num encontro com Cavaco Silva, que os magistrados estão mais «vulneráveis» por se tratar de uma Região mais pequena.

Birmânia - Militares sob fogo de «lingerie»



Moças do ‘Calcinhas pela paz’ começaram a enviar calcinhas para embaixadas de Mianmar. Grupo diz que generais crêem que contato com roupas íntimas femininas enfraquece.
.
Comentário: Como dizia Deng Hsiao-Ping: " Seja branco ou preto, o que importa é que o gato apanhe os ratos!"

sábado, outubro 20, 2007

No céu fala-se espanhol...


... e em Espanha reza-se contra o PSOE.

PSD a várias vozes


«João Bosco Mota Amaral, o histórico dirigente social-democrata que Luís Filipe Menezes escolheu para presidir ao Conselho Nacional do PSD, tem ideias muito diferentes do novo líder social-democrata em matéria de revisão constitucional. Precisamente um dos temas a que Menezes deu prioridade no discurso de encerramento do recente congresso laranja, realizado em Torres Vedras». (DN)

Lembrete

O Ponte Europa reserva-se o direito de apagar comentários considerados sem ligação ao post.

Escusam de insistir.

Têm o «Espaço dos leitores».

sexta-feira, outubro 19, 2007

Espaço dos leitores

Van Gogh

Tratado europeu de LISBOA

Acaba de ser anunciado o acordo.

Parabéns Sócrates.
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Viva a Europa

Santanezes e outros malteses

Pedro Santana Lopes foi, esta quinta-feira, eleito presidente do grupo parlamentar do PSD com 53 votos a favor, 11 contra, 8 votos em branco e 3 nulos.

Comentário: Depois do desastre que foi no Governo, será certamente brilhante na oposição. «Quem sabe faz, quem não sabe, ensina».

Moral salazarista

(Compilação de origem desconhecida)

quinta-feira, outubro 18, 2007

Morto no lado errado

Pode também ser lido aqui.

Só à força...


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Nota: A linguagem truculenta do bastonário não o dignificou.