sexta-feira, novembro 30, 2007

Pena de morte - Nódoa civilizacional

Em Portugal 19 cidades aderiram ao movimento contra a pena de morte e vão iluminar os seus monumentos esta noite.

A propósito da abolição da pena de morte, em que Portugal foi pioneiro, Victor Hugo homenageou Portugal, em 1867.

Os elogios foram grandes, como se deduz, por exemplo, da carta remetida a Eduardo Coelho:

«Está pois a pena de morte abolida nesse nobre Portugal, pequeno povo que tem uma grande história. (...) Felicito a vossa nação. Portugal dá o exemplo à Europa. Desfrutai de antemão essa imensa glória. A Europa imitará Portugal. Morte à morte! Guerra à guerra! Viva a vida! Ódio ao ódio. A liberdade é uma cidade imensa da qual todos somos concidadãos».

Não podemos generalizar...

... mas ganham força as afirmações do inspector-geral quando acusa a GNR e PSP de falta de formação e recorda que a autoridade policial “não se defende a tiro”. Diz ainda que “há jovens oficiais [da GNR] que encaram o cidadão como inimigo” .

Neste caso é o polícia o ladrão.

Ponte Europa feito pelos leitores

O AMARGO LAMENTO DE UM CONCUBINATO POUCO DEMOCRÁTICO

O acordo PS/PSD sobre uma nova lei das autarquias poderá acabar com este espectáculo.
Os problemas – todos os problemas que infectam o Poder Local – desde o favorecimento até à corrupção, vão continuar a existir, só que deixam de se ver, ouvir e falar.

As Assembleias Municipais vão ser um antro especialmente dedicado ao caciquismo e à concertação de interesses.
Aqueles incómodos vereadores eleitos pelo método de Hondt, vão à vida...

Com uma reuniãozinha entre Santana Lopes e Alberto Martins, mandou-se à vida os sectores políticos minoritários que tanto barulho fazem e pouco representam.
Olha, representam quem não merecia estar representado.

A calma olímpica chegou à gestão municipal.
Não haverá mais, p. ex., Sá Fernandes, oriundo de um mini-partido, a denunciar negócios com a Bragaparques.
Isso eram coisas do PREC, no tempo em que havia queixas, detenções, termos de identidade e residência, e muitos arguidos. Poucos julgados. Tempo em que o MP e a PJ se atreviam a enfrentar eleitos pelo povo.
Em que Tribunais retiravam mandatos outorgados pelos munícipes.
Uma bagunçada!

O País não precisa de saber de escândalos, precisa de tratar da vidinha, que é como quem diz – fazer os seus negócios, sem estorvos.

O País rosa/laranja... na sua plenitude, no seu esplendor, mas próximo, muito próximo da sátira política queirosiana.

Quem é que quer saber das questões de Oeiras, Felgueiras, Gondomar, Abrantes, etc?

Já foi tudo tratado nos gabinetes.
Em Dezembro, se os senhores estiverem para isso, conheceremos os pormenores.
Como prenda de Natal.

a) e-pá

O que eu gostaria de ter escrito

Perguntas inconvenientes
.

O Presidente da República -- que aliás não se tem coibido de comentar publicamente a vida política, incluindo actos da esfera governamental -- poderá ficar silencioso perante mais esta aleivosia do líder madeirense, de indicustível gravidade institucional?

[Publicado por Vital Moreira in «Causa Nossa»] [29.11.07] [Permanent Link]

quinta-feira, novembro 29, 2007

CML - PSD faz chantagem

O vereador do PSD, Fernando Negrão, afirmou esta quinta-feira que António Costa se está a “auto-flagelar” ao ameaçar demitir-se, sublinhando que o PS não tem maioria absoluta na autarquia de Lisboa, pelo que tem que negociar com a oposição.

Comentário: O principal responsável pela situação desesperada em que se encontra o município – o PSD –, serve-se da maioria na Assembleia Municipal que, por falta de ética, se recusou a dissolver, para inviabilizar o governo da cidade que conduziu ao caos.

Abrantes - Mais um presidente da Câmara arguido


O poder autárquico, com o decorrer do tempo, transformou-se de uma notável conquista de Abril em enorme fonte de suspeição.

Portugal - Abortos muito abaixo do previsto



E os que queriam a prisão das mulheres fizeram o dobro das ameaças que deviam.

quarta-feira, novembro 28, 2007

Espanha - Derrota do PP no Tribunal Constitucional




El Constitucional rechaza las recusaciones del PP contra tres magistrados progresistas.
.
Manuel Aragón, Pablo Pérez Tremps e Pascual Sala poderão votar no recurso à reforma do TC.

Venezuela. Opinião de um leitor

Há outros democratas musculados:

«Horas antes, el presidente de Fedecámaras Bolívar, Senén Torrealba, renunció a su cargo de director regional. Su decisión fue motivada por "la ausencia de garantías en el derecho democrático a la disidencia".

Señaló que Fedecámaras "reincide en el protagonismo político y sus líderes asumen posiciones que no son consultadas con la base". Y dijo negarse "a ser cómplice" de esa situación.»

Ou seja, o presidente de uma entidade que é suposto representar os empresários venezuelanos, impõe uma vontade -- votar não -- a todos eles. Toma lá que é democrático! ( V/aqui)

Chavez manda bojardas, é certo, mas não podemos esquecer a responsabilidade deste organismo patronal no golpe de estado e nas greves que quase arruinaram o país há uns anos.

Actualmente acusa-se (não só Chávez o faz) a Fedecamaras de ser responsável pelo desabastecimento propositado no mercado interno de alguns produtos de consumo de primeira necessidade, há suspeitas de conspiração e há antecedentes.

O que se passa é que a reforma vai permitir ao Estado (ou ao governo, ou às comunas, ou ao Chávez, não importa) algum controlo sobre os meios de produção. Esta é que é realmente a grande batalha oculta do patronato, não se trata das questões bonitas como democracia com que tentam tapar os olhos.

Outra coisa: quem ler as notícias na imprensa (internet) sobre as sondagens ao referendo, praticamente todas falam na vitória do "não" e mais recentemente no empate técnico (que prudente!). Outras há que ao assim noticiar, ainda dão conta que do lado governo há outras sondagens contraditórias (àquelas, claro, não entre si) que dão vitória ao "sim".
No entanto, é muito raro encontrar alguém que noticie este facto, e só com muita paciência lá descobrimos que há projecções que dão no mínimo 10% de vantagem do "sim" relativamente ao "não".

Perante os factos:

--- acusa a CNE (comissão nacional de eleições) os órgãos de comunicação social (tv e imprensa) de ter dedicado ampla cobertura da oposição (alguns casos a ir aos 80%) e que vai investigar o desequilíbrio informativo;
--- a guerra de sondagens é já conhecida de outras eleições (que já foram muitas);
--- a manifestação dos estudantes a favor da reforma foi no mínimo esmagadora relativamente aos outros que se dizem representantes dos estudantes; no entanto, os actos dos segundos foram sobre avaliados pela imprensa venezuelana que se não deu o devido relevo aos malvados chavistas (o vídeo da mobilização chavista está na internet e não augura nada de bom para os defensores do "não");
--- A oposição tenta agora convocar o término da campanha para a avenida Bolívar, tradicionalmente o espaço das demonstrações chavistas (onde mais uma vez vai culminar a campanha do "sim"), e dizem eles que não querem conflitos nem violência! Entretanto vão dizendo que de forma alguma vão permitir que lhes imponham a reforma, demonstrando assim as suas qualidades democráticas e rivalizando com o abominado Chavez em declarações incendiárias.

Adivinha-se a estratégia: conseguir na rua o que provavelmente não vão conseguir pela via democrática, denunciando uma pretensa fraude, num país da América Latina cujos actos eleitorais mais são vigiados por observadores internacionais.

É curioso, mas perante não só o amplo apoio a Chávez como também perante a mediocridade e cinismo dos seus opositores, dá-me a sensação que ao reunir o discurso das questões sociais com os modos autoritários ou mesmo mal-educados, Chávez é quem neste momento melhor representa todo o povo venezuelano, para o bem e para o mal.

Todos eles têm o presidente que merecem.

a) matarbustos Qua Nov 28, 09:29:00 AM

Líbano - barril de pólvora. Opinião de um leitor

A situação no Libano é explosiva.
O sec-Geral da ONU Ban Ki-moon, regressado do Líbano há cerca de 15dias, diz que "O País está à beira do abismo".

O espectro de uma guerra civil paira de novo sobre o Líbano.
O mandato do presidente libanês Emile Lahoud terminou e não há consenso sobre o seu sucessor.
Há a hipótese de colocar um militar na vacatura de Lahoud - o general Michel Suleiman, que reuniria o mínimo consenso (externo - Síria e EUA).

De resto, o País está dividido em 2 campos:
sunita, actualmente no governo; e cristão maronitas que deveriam eleger o próximo presidente.
Estes 2 campos mostram-se inconciliáveis e vítimas de um bloqueio constitucional.
No meio disto, não esquecer o Hezbollah e, claro, os interesses israelitas e sírios.
Mais uma vez, face a face, os ingredientes necessários e suficientes para um novo conflito.

Temos lá uma Companhia de Engenharia militar que poderá a curto prazo estar confrontada com uma situação intolerável:
ou, um duplo governo;
ou, sem governo.

a) e-pá Qua Nov 28, 02:32:00 PM

O Islão é tolerante...

Fonte: Público, ontem.

Espaço dos leitores

Dom Quixote e Sancho Pança
Candido Portinari (Brasil)

Um democrata musculado

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, ameaçou confiscar os bens dos empresários que incitarem manifestações contra sua proposta de reforma constitucional.

PCP - uma decisão esperada

A deputada e vereadora na Câmara de Santarém, Luísa Mesquita, foi expulsa do PCP, segundo decisão do Secretariado da Direcção da Organização de Santarém (DORSA), que invocou “grave violação de princípios do partido”. Sem Luísa Mesquita, o PCP passa a quarta força política no Parlamento.

Notícia triste do quotidiano

Fonte: DN, ontem

Comentário: Foi nele maior o medo do Bispo do que o de Deus.

Momento de poesia

Eternidade

O futuro Poema,
Aquele que o Poeta nem sequer pressente,
Há-de ainda cantar o mesmo tema,
Mas de forma diferente.

A flor da amendoeira,
Em cada ano se iguala.
Só difere a maneira
Que nós temos de olhá-la.

E a poesia oferece
O bálsamo da esperança,
De que o mundo envelhece,
Mas a Vida não cansa.

Armando Moradas Ferreira

terça-feira, novembro 27, 2007

Bom sinal

.
O embaixador dos EUA em Lisboa criticou ontem, em termos nada diplomáticos, a decisão do Estado português de reduzir a sua presença militar no Afeganistão.

Eles sabem porquê


A bela voz de Carlos do Carmo e humor político

Momento de poesia


Matinas e Vésperas

É a hora
em que mergulho
no consumo desenfreado,
que me consome,
entregando-me por inteiro
à adoração do Deus Mercado,
habitando estes novos conventos
erguidos por toda a parte,
com muitas lojas,
oferta diversificada,
espaços amplos, iluminados,
embalagens tentadoras,
serviços completos
à medida do cliente...

São outras as orações,
outras as preces,
os cânticos ecoam nestes templos,
pacificando as consciências
de quem tudo compra por comprar,
mesmo sem necessitar,
e de quem, não comprando,
fica por ali a vaguear,
a passear,
e a olhar ...

Alexandre de Castro - Lisboa, Setembro de 2004

segunda-feira, novembro 26, 2007

CONVITE


Segundo o líder da juventude CDS/PP

Bernardino Soares
.

Legal e imoral. Quem pára A. J. Jardim?


Comentários:
- O português é deficiente. Repare-se nesta frase: «Pois seria uma situação duplamente penalizadora».
- O acréscimo de remuneração é bom (10%)
- A justificação para ser o «contenente» a pagar é excelente. Está sublinhada.

A Inglaterra - megalómana e ignorante

Mapa de Portugal no Finantial Times de 13 de Outubro de 2007
.
Comentário: «Hoje a Europa esteve isolada por causa do nevoeiro no Canal da Mancha» - Notícia antiga de um jornal inglês.

domingo, novembro 25, 2007

Madrid - Manifestação contra Zapatero

La cabecera de la marcha, con Alcaraz (abajo, en el centro, con corbata lila) y, a su izquierda, Ortega Lara, que fue secuestrado por ETA. Foto: JUAN MANUEL PRATS - Fonte: El Periódico.com

A Associação de Vítimas do Terrorismo (AVT) e o PP averbaram ontem uma derrota, em Madrid, ao não conseguirem reunir mais de 70 mil pessoas pouco entusiasmadas, menos de 20% da dimensão atingida pela última manifestação, em 10 de Março passado.
.
Mau presságio para o futuro de Mariano Rajoy que, aliás, esteve ausente.
.
Apostila - ¿Por qué no te callas? - Um ponto de vista sobre a responsabilidade do incidente entre Chavez e o rei de Espanha. Duração: 13m e 23s.

Espaço dos leitores

Nu, Di Cavalcanti

Humor negro



Abusos policiais

O inspector-geral acusa a GNR e PSP de falta de formação e recorda que a autoridade policial “não se defende a tiro”. Diz ainda que “há jovens oficiais [da GNR] que encaram o cidadão como inimigo” – quando um alto responsável contactado pelo nosso jornal diz que “não é verdade”. “Qualquer oficial da GNR tem formação em direitos fundamentais igual àquela que é administrada na faculdade de Direito”.

Comentário: Seria lamentável que o ruído causado pelos tacões corporativos abafasse a denúncia do inspector-geral que está em linha com as acusações de organismos internacionais e com a percepção que os cidadãos têm da conduta de vários agentes e graduados para quem a lei é um mero detalhe para complicar as investigações.
-
E o pior era que tudo continuasse na mesma.

sábado, novembro 24, 2007

Pau para toda a obra


Uma entrevista interessante


Bush perde o último cúmplice do Iraque?


sexta-feira, novembro 23, 2007

O crime compensa




Cinco anos de prisão com pena suspensa para João Rocha, 17 anos depois de ter recebido uma «gratificação» de 19.500 contos, moeda com que na altura era subornado o presidente da Câmara Municipal de Vagos.

El Jueves. Resistir por humor II

Estranho paralelismo com a crise das caricaturas do Profeta na Escandinávia.
SIC TRANSIT GLORIAE DEMOCRATIAE quando um político, ainda que de linhagem Bourbon, não pode ser caricaturado devido à ameaça do aparelho coactivo do estado...
Vê-se que a monarquia espanhola anda a aprender umas coisas com as petrocracias do Médio Oriente...

Código Deontológico da Ordem dos Médicos: Atavismo Sociológico

Tem causado bastante celeuma o atrito entre o Estado e a Ordem dos Médicos relativamente à recusa desta em alterar o Código Deontológico (de contestável valor jurídico, como já referido por André Pereira e pela esmagadora maioria dos especialistas em direito da medicina) relativamente à alteração do Código Deontológico no sentido de excluir a qualificação da prática da IVG como falta disciplinar grave. Pouparei alguns bytes escusando-me a ressalientar a irrefutável justeza e legitimidade da pretensão do Estado.

Existem todavia outros atavismos neste Código Deontológico que necessitam também de ser corrigidos.

Atentemos no disposto no Artigo 54º, relativo à esterilização (o que já foi aliás salientado pela jornalista Fernanda Câncio no Diário de Notícias):

(Esterilização)
1. A esterilização irreversível só é permitida quando se produza como consequência inevitável de
uma terapêutica destinada a tratar ou evitar um estado patológico grave dos progenitores ou dos
filhos.
2. É particularmente necessário:
a) Que se tenha demonstrado a sua necessidade;
b) Que outros meios reversíveis não sejam possíveis;
c) Que, salvo circunstâncias especiais, os dois cônjuges tenham sido devidamente informados sobre
a irreversibilidade da operação e as suas consequências.
3. A esterilização reversível é permitida perante situações que objectivamente a justifiquem, e
precedendo sempre o consentimento expresso do esterilizado e do respectivo cônjuge, quando
casado.

Qual a razão da exigência de consentimento por parte do cônjuge da pessoa que procura a esterilização, senão profundo atavismo sociológico? Especialmente tratando-se a fertilidade e a intenção de procriação de um bem jurídico inelutavel e inalienavelmente pessoal?

Qual a justeza de não permitir a esterilização, por exemplo (um caso limite infelizmente extremamente frequente no Portugal profundo), a uma mulher casada, com numerosa prole, que não mais deseja ter filhos, escarecida e consciente das consequências da sua decisão, sem consentimento do marido "macho latino" que se recusa a utilizar métodos de planeamento familiar? Porque é que a Ordem dos Médicos se arroga o direito de impor o seu atavismo a uma decisão que só pode ser íntima e pessoal?

Continuando, o Artigo 38º refere que o esclarecimento e consentimento para um acto médico poderá ser prestado pelo paciente (o doente, na formulação do CD, o doentinho coitadinho) ou pela sua família.

1. O Médico deve procurar esclarecer o Doente, a família ou quem legalmente o represente, acerca
dos métodos de diagnóstico ou de terapêutica que pretende aplicar.
(...)
3. Se o doente ou a família, depois de devidamente informados, recusarem os exames ou
tratamentos indicados pelo Médico, pode este recusar-se a assisti-la, nos termos do artigo
antecedente.

Não perdendo mais tempo que o necessário com o verbo modal empregue "deve", que deveria ser substituído por "está o obrigado a" ou "incorre em falta disciplinar grave se não", saliento outro atavismo sociológico que consiste na alternativa de esclarecer o paciente ou... a sua família! Outra vez tratando-se de um bem jurídico (saúde) eminentemente pessoal e intransmissível. É o paciente, e não a sua família, quem tem o direito de ser esclarecido e de prestar o necessário consentimento. Claro que, atento ao paternalismo da classe médica, ciosa da sua arcaica tradição hipocrática e orgulhosa da sua "arte silenciosa" (uma excelente caracterização do fenómeno, da autoria do Prof. Dr. Guilherme de Oliveira), o doentinho coitadinho não deve nem sequer saber, e informa a família e apresenta à dita família um papelucho ilegível para assinar, muitas vezes chamando ao dito papelucho "termo de responsabilidade".

Continuando ainda a peroração sobre este artigo, o seu terceiro parágrafo castiga o paciente ou a família que não aceitem a terapia proposta com a possibilidade de recusa de tratamento por parte do médico! Ou seja, o paciente ou a sua família têm o direito de ser esclarecidos e o privilégio de lhe(s) permitir consentir na terapia... mas não têm o direito de ser esclarecidos sobre terapias equivalentes, sobre os riscos e benefícios comparativos dessas terapias... Ao total arrepio da moderna doutrina sobre os direitos dos pacientes, bem como da Convenção Europeia sobre Direitos Humanos e Biomedicina que o próprio artigo refere como inspiração...

Do aduzido concluo que não basta o Ministro da Saúde requerer ao MP que peça a anulação judicial do artigo 47º sobre a IVG... É necessário que o Estado faça tábua rasa do Código Deontológico, elimine quaisquer efeitos jurídicos desse documento, avoque a si o seu poder-dever de legislar sobre esta matéria, e se proponha a aprovar, como na maioria dos países europeus, uma lei sobre os direitos dos pacientes.

Sob pena destes atavismos persistirem.

Declaração de interesses:
O autor é especialista em direito da medicina. No entanto, resulta claramente da sua obra publicada não existir qualquer antagonismo contra a classe médica.


El Jueves. Resistir pelo humor


Khmer Vermelho. Fim do pesadelo, começo da justiça



Membro do regime que deixou cerca de 2 milhões de mortos vai à Corte pela primeira vez.O advogado de Kaing Guek Eav alegou violação dos direitos humanos de seu cliente.
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Comentário: É preciso que se faça justiça para exorcizar o horror.

quinta-feira, novembro 22, 2007

Espaço dos leitores

Paula Rego

Espanha. Sondagens valem o que valem














A quatro meses das eleições o PSOE leva 6 pontos de vantagem sobre o PP.

Quando os ratos abandonam o barco

"Bush mandou-me mentir ao país"

O ex-assessor de Imprensa da Casa Branca, Scott McClellan, acusou o presidente dos Estados Unidos da América, George W. Bush, e o vice-presidente, Dick Cheney, de serem co-responsáveis pelas acções destinadas a enganar o público em relação ao envolvimento de assessores do Governo no caso da fuga de informação sobre a identidade de Valerie Plame, uma agente secreta da CIA.

Critérios patronais


Espanha - 32.º aniversário desta monarquia


Há tradições do Tribunal do Santo Ofício que servem ainda de catarse popular aos ódios e ressentimentos. Acabaram as cremações de corpos exumados por ódio e raiva pia, mas permanecem, à semelhança da queima em efígie, as labaredas de fotos de quem se detesta.

As bruxas, livres da Inquisição, dedicam-se ainda a espetar alfinetes em figuras de cera odiadas pelos clientes, habitualmente por amores interrompidos ou não correspondidos. Já nem as autoridades as perseguem por burla, quanto mais queimá-las por malefícios. Os clientes trazem os conselhos e deixam as poupanças com a foto do/a amante infiel ou a peça de roupa de quem lhes fez mal.

No mundo urbano as práticas são mais sofisticadas e limitam-se à queima de bandeiras e de fotos dos líderes que se detestam. A bandeira dos EUA é o alvo preferido e o mais consensual, da Europa à Ásia, com especial entusiasmo no Médio Oriente. Quanto aos líderes mundiais, Bush destaca-se e esforça-se por merecê-lo. Mas não é costume haver multas para este tipo de catarse.

Em Espanha, porém, as multas que um juiz aplicou aos responsáveis pela publicação de uma caricatura dos Príncipes das Astúrias foram o início de uma perniciosa perseguição judicial que culminou com elevadas multas aos pirómanos de fotos reais e trouxe para a discussão pública o regime.

Juan Carlos, que hoje comemora o 32.º aniversário de reinado, é um democrata com provas dadas. Poucos têm tão honrados pergaminhos em prol da democracia, mas os acontecimentos dos últimos dias são de molde a que a discussão sobre a legitimidade monárquica suba de tom.

A escolha pelo mais sinistro ditador peninsular, o restabelecimento de uma monarquia caída nas urnas e a excessiva exposição mediática do rei, debilitaram a monarquia. A Espanha começa a esquecer o papel decisivo de Juan Carlos na transição pacífica de uma das mais atrozes ditaduras da Europa para uma das mais prósperas democracias.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Factos & dementes


Demoraram 70 anos


Madrid. (EFE).- El presidente de la Conferencia Episcopal Española (CEE), Ricardo Blázquez, pidió hoy perdón por el papel de la Iglesia durante la Guerra Civil en el marco del discurso de apertura de la XC Asamblea Plenaria. El Obispo de Bilbao aseguró que "habrá momentos para dar gracias por lo que se hizo y por las personas que actuaron, y probablemente en otros y ante actuaciones concretas, sin erigirnos orgullosamente en jueces de los demás, debemos pedir perdón y reorientarnos", añadió Blázquez citando a "la purificación de la memoria" a la que invitó Juan Pablo II. 19/11/2007 Actualizada a las 17:38h

Previsão: Em 2044 a Conferência Episcopal Portuguesa pedirá perdão da cumplicidade com Salazar.

Deficientes e benefícios fiscais (2)

A Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA) saiu hoje de uma audiência com o Presidente da República «altamente encorajada» com as garantias de ajuda nas suas reivindicações quanto à assistência médica e isenções de impostos.

Comentários:
1 – Não me parece que o assunto seja da competência do PR;
2 – A isenção de impostos é absurda e injusta (a solidariedade que os deficientes merecem não deve ser feita em sede de IRS);
3 – As isenções para uma pensão de 4.000 €€ e para outra de 400 €€ agravam as injustiças e acentuam as diferenças.

Apesar de o Governo já ter dado garantias do secretário de Estado das Finanças de que as pensões dos deficientes estarão isentas de IRS, o presidente da ADFA defendeu que essa garantia deve ser «aclarada» no Orçamento de Estado de 2008.

Comentário: Face à injustiça (no meu ponto de vista) por que razão não abrange as pensões dos deficientes civis? Qual o critério?

NOTA: O apoio que os deficientes merecem da sociedade nunca deve ser dado através de benefícios fiscais, sob pena de agravar o fosso entre deficientes ricos e deficientes pobres e agravar as injustiças.

Insurreição judicial (2). Opinião de um leitor

António Horta Pinto*

Os juízes não podem querer ser funcionários públicos para o que lhes convém (associarem-se num sindicato, fazer greve, etc.) e não o ser quando não lhes convém. A meu ver, os juízes não são funcionários públicos; mas por isso mesmo não deveriam ter sindicato (quem os representa é o Conselho Superior da Magistratura) nem imiscuírem-se nas competências dos poderes legislativo e executivo, nem muito menos fazer greve, mesmo quando a medida contra a qual se rebelam seja errada, como foi e é o caso da redução das férias judiciais.

Por outro lado, é melhor não fazer comparações com o Estado Novo... Como antifascista desde muito antes do 25 de Abril, custa-me reconhecê-lo, mas há hoje juízes muito piores que os do tempo do Estado Novo (tirando os dos Tribunais Plenários, claro): mais arrogantes, tecnicamente mais mal preparados, muito menos respeitadores dos direitos dos cidadãos, muito mais "policiescos", e até - é preciso dizê-lo - muito mais malcriados!

É óbvio que me refiro a ALGUNS juízes (infelizmente em número superior ao aceitável) e não a todos, nem sequer à maioria. Nisto como em tudo, nada de generalizações abusivas. Há em Portugal excelentes juízes; mas há demasiados maus juízes, que - esses sim - descredibilizam o poder judicial. Aliás, basta ver as opiniões - e insultos - que exprimem em muitos dos seus blogs, que, como disse o insuspeito Prof. Saldanha Sanches, são de molde a tirar o sono a qualquer cidadão! Ter Nov 20, 11:05:00 PM

*Advogado

Momento de poesia

Desânimo

Atiro-me, vestido, para a cama,
E nada mais já sou
Que uma nódoa de lama,
Que alastrou!

Cansaço!
Um abandono imenso!
Não da vida que faço,
Mas da vida que penso…

O nervosismo, a ânsia,
De reter qualquer coisa muito vaga,
Que mal desponta se apaga,
Nos abismos da distancia…

Este doentio desejo,
Que em meus sentidos persiste,
De segurar aquilo que não vejo,
Mas que tenho a certeza de que existe…

O esforço, a inquietação,
O doloroso anseio,
De encontrar a expressão,
Que há-de fechar o meu poema a meio.

Armando Moradas Ferreira

terça-feira, novembro 20, 2007

Acontece...


Insurreição judicial

A cerimónia, que contou com mais de 250 juízes, foi presidida pelo “chefe” [sic] do Supremo Tribunal de Justiça – diz o DN.

Comentários:
– Se os juízes não aprenderem a respeitar o poder legislativo e o poder executivo, sem ameaças, arriscam-se a perder o respeito que lhes é devido;

– Os juízes podem acusar o Governo de agir como no Estado Novo (eufemismo que designa a ditadura fascista), apenas os que têm mais vocação sindicalista, mas hoje não se podem queixar de passar pela humilhação de integrarem Tribunais Plenários para os quais nunca faltaram candidatos.

Fonte: DN, hoje – pg. 14

Momento de poesia


LOUCURA


É lógico que o louco julgue que tem razão
ele não tem mais do que a sua alucinação ...
Nos muros brancos que o separam do mundo
tem uma sebe de estrelas, lá ao fundo ...

Tem uma escada por onde às vezes sobe e espreita
o mundo dos homens que lá fora há ...
Mas o medo é tanto, a rua é tão estreita
que se recolhe com medo e fica onde está ...

Alexandre de Castro - Lisboa, Fevereiro de 1985
Registado: IGAC/MC- 5467/2004

segunda-feira, novembro 19, 2007

Espaço dos leitores

Mural do pintor brasileiro Di Cavalcanti

Espanha - O estertor do fascismo



Ontem, no aniversário da morte de um dos mais frios e cruéis assassinos do século XX, os nostálgicos da ditadura espanhola fizeram a canónica peregrinação anual ao Vale dos Caídos.

Na lúgubre evocação não faltou um padre a adejar a sotaina para honrar «aquele que foi, pela graça de Deus, caudillo de Espanha», nem um estudante de economia, de braço ao alto, orgulhoso de ser neto de quem «matou 156 ‘vermelhos’ à metralhadora em 1936, na Galiza e depois foi comer marisco».

Estavam lá os detritos da memória de um tempo em que o fascismo e o altar se aliaram para matar os sonhos de liberdade. O ódio que ainda os corrói vê-se nos rostos grotescos e nos braços estendidos junto de um monumento pio edificado por 15 mil condenados a trabalhos forçados.

A grotesca encenação de quem se reclama sempre «espanhol e católico» teve do poder legal, como resposta, a «lei da memória histórica» enquanto da parte eclesiástica se faz sentir um silêncio cúmplice perante as homenagens ao seu venerado Caudillo.

A Espanha rural, beata e fascista fez ontem a última peregrinação legal ao Vale dos Caídos. Envergavam camisas azuis de melhor qualidade do que as da ditadura, cantaram o ‘Cara al Sol’ e fizeram a saudação nazi perante um Franco bem enterrado no monumento que o fascismo espanhol transformou no altar de si próprio e onde jaz morto e apodrece Francisco Paulino Hermenegildo Teódulo Franco y Bahamonde Salgado Pardo de Andrade.

Diálogo com um leitor

Na sequência do convite da Associação 25 de Abril para o lançamento do livro «Rio de Sombras» de António Arnaut, no dia 14 p.p., travou-se este interessante diálogo na caixa de comentários.

Vítor Ramalho disse...
A exemplo da proibição da manifestação em Espanha também este evento devia ser proibido.
Os criminosos que fizeram o 25 de Abril também não devem ser recordados.
Sáb Nov 17, 04:36:00 AM

Carlos Esperança disse...
Vitor Ramalho:
Os criminosos que odeiam a democracia, como é natural na ideologia que o senhor Vítor Ramalho perfilha, também devem ser tolerados.
Sáb Nov 17, 05:40:00 PM

Vítor Ramalho disse...
Criminoso é você.
Um dia gente como o Sr. também será julgada.
E não pense que deixo de aqui voltar.
Mais vale viver um dia como um leão que mil anos como uma ovelha.
Dom Nov 18, 12:12:00 PM