quinta-feira, janeiro 31, 2008

Notas Soltas - Janeiro/2008

USA – O próximo presidente não poderá ser pior do que Bush. A limpeza dos neo-conservadores evangélicos é um acto de higiene que facilita o retorno aos valores de Benjamin Franklin e Jefferson, de matriz liberal, fundadores do grande país.

Espanha – A interferência da Conferência Episcopal na campanha eleitoral é a aposta irritada de quem perdeu as novas gerações e convoca velhos devotos para avivar as cicatrizes do franquismo e a memória da cumplicidade eclesiástica.

Rally Lisboa-Dakar – A anulação da prova, cedendo ao terror da al-Qaeda e ao chauvinismo de Sarkozi, foi a prenda da Europa ao terrorismo islâmico.

Ferro Rodrigues – A entrevista à Visão revelou um homem sério cujo assassínio político e moral foi perpetrado por criminosos cuja impunidade envergonha a Justiça.

Paulo Portas – Um cidadão que fotocopia 60.000 documentos do ministério da Defesa, os detém e não é investigado, tem imenso poder ou inspira demasiado medo.

Tratado Europeu (1) – A ratificação parlamentar foi legítima mas a discussão do projecto europeu, a que Portugal deve o progresso, a paz e a democracia, é um dever dos partidos políticos para com os portugueses.

Tratado Europeu (2) – Ficou aquém do que devia e foi minimalista para vencer o impasse criado pelos vetos da França e da Holanda. Só entra em vigor se for ratificado pelos 27 e, depois, cada país é livre de sair.

Aeroporto de Lisboa (1) – A concertação da localização entre o PR e o Governo é um mau precedente, com a ingerência de Cavaco em funções executivas e a partilha do ónus da decisão política. Um fez o que não podia e outro abdicou do que não devia.

Aeroporto de Lisboa (2) – Ignora-se quem perdeu com a nova localização mas sabe-se quem ganhou: Belmiro, Américo Amorim, Lusoponte, Somague, esta com regalias concedidas pelo ex-ministro Ferreira do Amaral, seu actual presidente.

BCP – Nunca a eleição do Conselho de Administração de um banco privado foi objecto de tanta atenção pública e de tamanha ingerência política, com risco de ficarem por apurar os ilícitos criminais que a luta interna pôs a descoberto.

Luís Filipe Meneses – Em vez de se opor ao PS, imiscui-se na organização do espaço público da comunicação social privada e nas decisões de accionistas de um banco, também privado, numa postura de líder estagiário e provisório.

Lei do tabaco – A sanha persecutória aos fumadores, importada dos EUA, não se destina apenas a proteger a saúde, insere-se numa ofensiva contra a liberdade individual.

Teixeira Pinto – A saída do BCP, aos 47 anos, com um prémio de 10 milhões de euros e o compromisso de receber até final de vida a pensão equivalente a 500 mil euros anuais, é um ultraje que sublinha a dimensão das injustiças sociais.

Al-Qaeda – Os sucessivos actos de terrorismo, tentados ou levados a efeito, são o resultado do excesso de fé no Corão, um livro racista, xenófobo e misógino com que os pregadores fanatizam os mais devotos.

Kosovo – A secessão de um país inviável, tornada fatal pela decisão dos EUA e ambiguidade da União Europeia, estimula novas aventuras, ameaça a paz e revoga o direito internacional.

Itália – A demissão de Romano Prodi, após a derrota da moção de confiança no Senado, com a mãozinha do Vaticano, criou condições para eleições antecipadas e abre as portas à direita e ao regresso pouco recomendável de Sílvio Berlusconi.

Companhia de Jesus – Com a eleição do novo superior-geral, Adolfo Nicolás, espera-se que o «papa negro» regresse à modernidade e à democracia, fiel ao magistério de Pedro Arrupe, amainando aos ventos contrários que sopram do Vaticano.

Governo – A remodelação não indicia grandes alterações na linha política mas significa que Sócrates se desgastou com a presidência da União Europeia e cedeu ao clamor da rua e aos sussurros de Belém.

Voos da CIA – Urge averiguar quem, como e quando, autorizou a utilização do espaço aéreo português, entre 2002 e 2006, para «transferências» ilegais de prisioneiros da CIA para o campo de concentração norte-americano de Guantanamo.

Durão Barroso – A alegada indigitação para prémio Nobel da Paz é uma afronta às centenas de milhares de mortos e estropiados do Iraque, vítimas de quem, mentindo, destruiu um país e crucificou o seu povo.

31 de Janeiro – A revolta de 1891 foi a primeira tentativa para pôr termo a uma monarquia cujo adiantado estado de decomposição conduziria à República.

Reflexão do dia antes

Foi tão fácil colocar uma lápide comemorativa do regicídio na esquina da Praça do Comércio e é tão difícil colocar uma comemorativa da matança dos judeus no Largo de S. Domingos!!!

HUMOR NEGRO

José Manuel Durão Barroso, antigo primeiro-ministro português e actual presidente da Comissão Europeia, deverá estar entre os candidatos ao Nobel da Paz de 2008, anuncia hoje a Agência France Presse (AFP), na data limite de apresentação de candidatos.

O 31 de Janeiro de 1891


Em Portugal, nos finais do século XIX, na ausência de qualquer solução para a crise económica, social e política, a monarquia agonizava. Depois da conferência de Berlim, em 1885, o projecto português de ligar Angola a Moçambique colidiu com o plano inglês de ligar o Cairo ao Cabo (África do Sul).

A disputa do território africano que ficaria conhecido por mapa cor-de-rosa culminou com o Ultimatum, imposição do império inglês a Portugal, tão humilhante que inflamou o fervor republicano e o ódio ao trono e à Inglaterra.

Os ideais republicanos continuaram a seduzir os portugueses e a ganhar força à medida que a monarquia se esgotava, a pobreza aumentava e o sentimento colectivo, de vergonha e ressentimento, se acentuava.

«A Portuguesa» foi o hino que surgiu do ódio generalizado que cada vez mais se identificou com as aspirações republicanas que germinam nos quartéis, na maçonaria e nos meios académicos. O Partido Republicano, até aí pouco expressivo, ganhou adesões e consistência.

Entre os militares destacavam-se os sargentos no fervor republicano donde viria a surgir a primeira tentativa para implantar a República. Coube ao Porto a honra dessa tentativa falhada que contou com alguns oficiais em que se distinguiu o alferes Malheiro e, ainda, o capitão Leitão e o tenente Coelho.

Com a banda da Guarda-Fiscal à frente, os militares republicanos avançaram ao som de «A Portuguesa» e assaltaram o antigo edifício da Câmara do Porto de cuja varanda, perante o entusiasmo da população que se juntou ao movimento, se ouviu o discurso de um dos lideres civis da revolta, Alves da Veiga, que proclamou a República.

Falhado o objectivo de ocupar o Quartel-General e o edifício do telégrafo, donde se anunciaria a todo o País a proclamação da República e a deposição da Monarquia, o movimento soçobrou perante a Guarda Municipal.

O exemplo dos revoltosos de 31 de Janeiro de 1891 frutificaria, menos de duas décadas depois, em 5 de Outubro de 1910. Eles foram os protagonistas de uma derrota que foi a semente da vitória que tardaria quase duas décadas.

Foi há 117 anos mas a memória histórica dos protagonistas do 31 de Janeiro está viva e é dever honrá-la.

Espaço dos leitores

Delacroix

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Voos da CIA

É reconfortante a reafirmação de que o Governo não soube nem autorizou os voos de prisioneiros da CIA (também era o que faltava!). Mas sendo os voos indesmentíveis, torna-se necessário também saber três coisas:

(...)

Vital Moreira in Causa Nossa

A Turquia e o véu islâmico

Todos conhecemos a obsessão divina pela roupa feminina e a preferência pelo homem, a ponto de ter feito este, primeiro, e dele, depois, uma espécie de subproduto, a mulher.

Claro que um santo doutor, Paulo de Tarso, certamente pela convivência com o criador, pôde desenvolver um fanatismo misógino que agradava a Deus e fazia as delícias dos homens a quem sempre o poder agradou. Não se pense que a mulher, cuja igualdade foi reclamada por homens corrompidos pelo Iluminismo e pela Revolução francesa e por mulheres que renegam os bíblicos ensinamentos da criação, não é também ambiciosa. Mas o que está em causa é o respeito pela vontade divina interpretada pela legião de profissionais que a estudam e promovem.

Foi a cópia grosseira e ampliada da misoginia judaico-cristã que levou os estudantes de teologia do Afeganistão à criação do ministério da Promoção da Virtude e da Prevenção do Vício.

À semelhança do que já se passa em terras cristãs, na Europa que julgávamos imune à tentação da convivência promíscua entre o Estado e as Religiões, na própria França onde Sarkozi pretende abolir a centenária lei da Separação, a Turquia ataca o laicismo.

O uso do véu não é apenas um desejo que as mulheres querem ver satisfeito quando os espíritos laicos não vêem que é a liberdade individual que está em causa, liberdade que qualquer bom muçulmano quer obrigatória.

Paulo de Tarso considerava o cabelo e a voz das mulheres coisas obscenas. Maomé, mais ousado, considera o corpo todo. É por isso que, num país que impôs o laicismo à força, se exige agora, para começar, a autorização do véu que terminará na imposição da burka.

O véu islâmico não é um mero símbolo religioso, uma tradição que possa ser subvertida por um estilista, é o símbolo da humilhação da mulher, a condição imposta pelo Corão. A mulher é, como se sabe, propriedade do homem e um direito irrenunciável que agrada ao Profeta e dá imenso jeito aos homens que dele não abdicam.

Só surpreende a cumplicidade dos países democráticos no regresso ao obscurantismo.

Era preferível o alcoolismo

Quem conhece Jorge Carvalheira?

É uma dessas aves feridas de Abril, uma das que voaram para o exílio a seguir ao 25 de Novembro e foram demitidas das Forças Armadas. No seu caso, da Força Aérea. E voou é uma forma de dizer, saiu como pôde para poupar a pele à vindicta que se anunciava, e que o Grupo dos Nove ajudou a impedir. No regresso lutou pela reintegração e suportou as sucessivas recusas da administração em respeitar e cumprir as determinações legais. Ele, e outros, viveram o calvário das arbitrariedades de quem ganhou estrelas, porque os capitães da revolução lhe abriram os caminhos do poder e do mando. Ainda hoje, passados trinta anos, há processos que aguardam, em gavetas, o despacho meritíssimo que um incerto futuro há-de trazer.

Entretanto licenciou-se em Letras, na Universidade Nova de Lisboa. E leccionou, por gosto e por ofício. Mas vinte anos depois havia de ser reintegrado, e ganhou o direito de voltar a voar, ao menos no papel. E assim levantou voo na literatura, com "O Mensário do Corvo". Reincide agora, em pouco mais de uma centena de páginas, com "As Aves Levantam Contra o Vento", das Edições Quasi. Parece pequeno voo para um escritor, tão avaro nas milhas de palavras escritas, mas tão pródigo na altura a que elevou a prosa. Uma pérola literária.

Mais um velho condiscípulo do Liceu da Guarda a brilhar no firmamento das letras, sem esquecer os voos tornados inúteis por uma guerra condenada:

"De forma que, durante treze anos, a tropa fez das tripas coração, para dar aos políticos dementes de Lisboa o tempo de escreverem o testamento do império.

Mas eles carregavam a maldição da Índia na alma, e passavam a vida a jurar que não haviam de ser a geração da traição. Preferiam a hecatombe dum exército derrotado a afogar-se no mar, ou a galopar sem norte pelo sertão, ao compasso dos tantãs da sanzala.

Foi por isso que a revolução aconteceu." - escreveu Jorge Carvalheira.

Islão - condição feminina e igualdade possível

Uma mulher suicida cometeu hoje o atentado contra uma esquadra da polícia e um centro de luta antiterrorista na província de Boumerdès, na Argélia, causando pelo menos 10 mortos, segundo a imprensa local argelina.

Momento de poesia

Marchinha do Ponto

Cheguei à tabela
A ficha piquei.
Pescoço na trela
O ponto assinei.
Meti-me na cela
Na cela fiquei.

Depois…aguardei.

Doze horas ouvi
O ponto assinei.
A escada desci
A ficha piquei.
Contente saí
Contente fiquei.

Depois … regressei.

Às horas marcadas
A ficha piquei.
Galguei as escadas
O ponto assinei.
E de mãos lavadas
Sentado, fiquei.

Depois aguardei.

Ao entardecer
O ponto assinei.
Desci a correr
A ficha piquei.
Cumpri o meu dever
Como manda a lei.

E o dia findei.

Armando Moradas Ferreira

terça-feira, janeiro 29, 2008

Penacova - Escola Secundária ou Sacristia?

*
Comentário: Os membros do Conselho Directivo já foram jovens?

Ministério da Saúde - mudança de titular

Acaba de ser nomeada ANA JORGE, antiga presidente da ARS de Lisboa, médica pediatra, natural da Lourinhã.

Não é justo negar-lhe mérito próprio

Crime internacional com a cumplicidade de Portugal


Os governantes que não salvaguardam os direitos humanos não podem exigir respeito.

Momento de poesia

Onde está o teu afecto?


Corro o tempo
a contar a distância
que nos separa.
Não a meço em metros
ou em milhas
mas em afectos
daqueles que não me dás
e eu mendigo.

Meço a distância
de um ao outro
entre o que avança
e o que recua
entre uns lábios
que se oferecem
e uma boca que se recusa.

¿ E o corpo,
quando está tenso,
aberto ao corisco do desejo,
e que não encontra no teu
o aconchego esperado,
porque tu o escondes
do meu olhar,
já magoado
por não o poder tocar
e por tu não te deixares por mim amar?

Alexandre de Castro

“Novos Programas de apoio à Solidariedade Social”

A Secção da Sé Nova do Partido Socialista (Coimbra) organiza, no próximo dia 30 de Janeiro de 2008, pelas 21h15, na Casa da Cultura, em Coimbra, uma

Palestra - Debate

com o Eng. Pedro Coimbra sobre

“Novos Programas de apoio à Solidariedade Social.”


Compareça!
A sua presença é importante!

segunda-feira, janeiro 28, 2008

COIMBRA - Teocracia provinciana

Pastor e quatro ovelhas ou a falta de ética republicana.

28 de Janeiro. Recordando Afonso Costa

(1871-1937)
Um grande vulto da República a quem se devem as bases de um estado laico e democrático.

CONVITE (COIMBRA). Hoje

Na passagem do 1 º centenário do movimento revolucionário de 28 de Janeiro de 1908, a Delegação do Centro da Associação 25 de Abril evoca aquela que foi a segunda e última tentativa para implantar a República, antes do 5 de Outubro de 1910.



A evocação do «28 de Janeiro de 1908» terá lugar hoje, dia 28 de Janeiro, pelas 18H00, na Casa Municipal de Cultura (salão de conferências),

Além de outras intervenções, será apresentada uma comunicação específica sobre o tema pela Dr. ª Noémia Malva Novais, historiadora, jornalista, escritora e investigadora.


Participe nesta iniciativa de memória democrática e cidadania.

Espaço dos leitores

Picasso

domingo, janeiro 27, 2008

Henry Kissinger - Um falcão esquecido

«Em 1975, quando os americanos (ex-Presidente Gerald) Ford e (o ex-secretário de Estado, Henry Kissinger) estiveram com ele e tomaram uma atitude sobre Timor, ele era contra», salientou Lopes da Cruz à Lusa, num comentário sobre o antigo chefe de Estado indonésio, que morreu hoje em Jacarta, em consequência de complicações cardíacas.

Humor na NET 2007 anos depois...

Autor desconhecido do PE. Enviado pelo leitor ALC.

Câmara Municipal de Lisboa


Ao estado a que tinham chegado as Empresas Públicas

Quando não se condenam os criminosos...


... acusam-se os inocentes.

Ténis feminino

Foto: EFE / DENNIS M. SABANGAN

A bela russa Maria Sharapova, 20 anos, venceu pela primeira vez o Aberto de ténis da Austrália, ao derrotar a sérvia Ana Ivanovic em dois sets, com parciais de 7-5 e 6-3, este sábado, na final em Melbourne.

sábado, janeiro 26, 2008

Paulo Teixeira Pinto, Opus Dei e Causa Monárquica



Paulo Teixeira Pinto, atormentado com o peso de dez milhões de euros de indemnização pela saída do BCP e com a vergonha de, aos 47 anos, ficar obrigado a receber até ao fim da vida 500 mil euros anuais, enquanto o Banco a que presidia ficou sob investigação policial, vai dirigir a Causa Real.

As dores do cilício com que se mortifica e os actos pios com que pretende contornar as dificuldades bíblicas de «um rico entrar no reino do Céu», não o impedem de presidir à Causa Monárquica, uma instituição que em tempos era simpática por contrariar as leis da física – a única causa que não produzia efeitos.

O pio presidente, além das missas que vai dinamizar pela família de Bragança, que bem precisa, para sufragar as almas de quem tanto pecou e tão mal fez ao País, vai iniciar as funções de presidente da Causa Real… encontrando-se com o presidente da Assembleia da República, para lhe entregar uma petição com quatro mil assinaturas (certamente em número superior ao dos monárquicos) para que o centenário do regicídio seja declarado luto nacional.

O país já esqueceu que, na sequência da tentativa revolucionária de 28-01-1908, o rei D. Carlos assinou em 31-01-1908, em Vila Viçosa, o decreto que legitimava a ditadura de João Franco, o encerramento dos jornais, o fecho do Parlamento, permitindo o desterro para Timor de grande parte da oposição republicana e até monárquica, mas a História é impiedosa a recordar o que deu origem ao regicídio e não esquece que os vilipendiados Manuel Buíça e Alfredo Costa foram os mártires que deram a vida para vingar a afronta desse decreto, por mais que se lastime – e eu lastimo – a morte do rei e a do príncipe herdeiro.

A haver um dia de luto nacional era na véspera, pela suspensão das liberdades e pela afronta criminosa do degredo a que foram condenados os adversários políticos.

Mas a liberdade é um mero detalhe para o Opus Dei, uma instituição que apoiou a mais cruel ditadura do século passado na península Ibérica, a de Francisco Franco, e muitas outras na América do Sul, enquanto o mentor, monsenhor Escrivà, fazia uma carreira de tanta santidade que lhe bastou morrer para ser elevado aos altares.

CONVITE (COIMBRA)


EVOCAÇÃO DO MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO DE 28 DE JANEIRO DE 1908

Na passagem do 1 º centenário do movimento revolucionário de 28 de Janeiro de 1908, a Delegação do Centro da Associação 25 de Abril evoca aquela que foi a segunda e última tentativa para implantar a República, antes do 5 de Outubro de 1910.

Na sua preparação e execução tomaram parte muitos dos homens – civis e militares - que, dois anos depois, poriam termo à Monarquia – Cândido dos Reis, António José de Almeida, João Chagas, Afonso Costa, França Borges, Correia Barreto, Machado Santos, Luz Almeida, Ribeira Brava, entre os mais destacados. Apesar do fracasso, as consequências foram fatais para a monarquia.

O movimento culminou um período de intensa agitação revolucionária e crescente hostilidade ao regime monárquico. A subida de João Franco ao poder e a violenta repressão que se seguiu, tiveram um efeito contrário mais grave, tornando irreconciliáveis as posições em confronto. O primeiro episódio marcante da contestação ao regime fora o movimento académico de 1907, iniciado na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, e que propagara a todas as escolas superiores do País, originando incidentes graves. A 10 de Maio, as Cortes foram violentamente encerradas, dando início à última ditadura na vigência do regime. Começou então uma fase de perturbação na política portuguesa, sem precedentes na história da monarquia liberal. Nem mesmo durante o «cabralismo» o poder fora exercido de forma tão despótica e repressiva, dando origem a uma reacção popular de autêntica insurreição nacional. Foi este o ambiente que desembocou na tentativa revolucionária de 28 de Janeiro de 1908, que teria o seu trágico desfecho no regicídio, quatro dias depois. Visando antecipar a proclamação da República, o movimento acabaria, provavelmente, por a atrasar.

Pesem embora as suas características específicas, considera-se que, numa perspectiva de longa duração, o 25 de Abril de 1974 culmina uma tendência histórica de luta democrática, que remonta as suas origens aos princípios do século XIX, onde se inscreve, de forma determinante, o activismo revolucionário republicano do final desse século e começos do seguinte, designadamente os movimentos revolucionários de 31 de Janeiro de 1891 e de 28 de Janeiro de 1908 e a Revolução de 5 de Outubro de 1910, e se retoma, depois, na série de novas tentativas revolucionárias e revoltas fracassadas contra a ditadura militar e o Estado Novo, desde o 3 de Fevereiro de 1927 ao 16 de Março de 1974.

Daí o sentido da evocação do «28 de Janeiro de 1908», a levar a efeito pela Associação 25 de Abril.

A evocação do «28 de Janeiro de 1908» terá lugar na Casa Municipal de Cultura (salão de conferências), no próximo dia 28 de Janeiro, pelas 18H00.

Além de outras intervenções, será apresentada uma comunicação específica sobre o tema pela Dr. ª Noémia Malva Novais, historiadora, jornalista, escritora e investigadora.

Participe nesta iniciativa de memória democrática e cidadania.

PGR abre inquérito

Procurador-Geral da República determinou a abertura de um inquérito às declarações do bastonário dos Advogados, que disse existirem pessoas com cargos públicos a cometerem crimes pelos quais não são punidos. PS e CDS querem Marinho Pinto no Parlamento.

Comentário: Finalmente alguém investiga os 60.000 documentos fotocopiados por Paulo Portas no ministério da Defesa?

Espaço dos leitores

Degas «O Absinto» (1877)

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Votos contra do PSD e de Carmona Rodrigues




A Câmara de Lisboa aprovou esta sexta-feira a proposta do presidente, António Costa (PS), para a autarquia passar a defender em tribunal a nulidade da permuta dos terrenos da Feira Popular com o Parque Mayer, escreve a Lusa.

Nem sempre galinha...nem sempre a rainha


Nota: A Constituição espanhola não obriga à fidelidade conjugal real.

Itália – Tão perto do Vaticano


Ao anunciar o voto favorável em Romano Prodi, Nuccio Cusumano, foi brindado por um colega da mesma formação política com cuspidelas e epítetos de «vendido, cornudo, pedaço de merda» e a expulsão sumária. O pequeno partido UDEUR dispunha de três senadores, suficientes para ditarem o destino do Governo Prodi.

Depois de ler o «Times» talvez se compreendam melhor as cuspidelas e os insultos de que foi vítima o senador Cusumano. Segundo o jornal conservador inglês, o Governo italiano pode ter caído sob a influência do Vaticano.

O “Times” escreve que o Vaticano, desagradado com a posição demasiado liberal de Prodi nas questões dos direitos dos homossexuais e na questão do aborto, poderia ter convencido o ex-ministro da Justiça, Clemente Mastella, a retirar o apoio do seu pequeno partido “União dos Democratas pela Europa” à coligação de centro-esquerda, da qual resultou a queda do Governo italiano, colocado em minoria.

Anteriormente, já a imprensa italiana referira que o Vaticano tentava intervir na política. O Governo de Prodi tinha aprovado em Fevereiro do ano passado um projecto de lei que legalizava as uniões civis dos homossexuais.

Berlusconi ficou exultante, como referiu o «Times».

Más notícias para a União Europeia IV

Ainda a propósito das presidenciais sérvias e a ascensão dos ultranacionalistas: apenas 10% dos jovens votou na primeira volta. Esta é a geração dos jovens que dificilmente encontrarão emprego, e em que os que o conseguem encontrar dificilmente ganharão mais de 200 Euros por mês, e que se terão que resignar a seguir a sua vida adulta vivendo num anexo improvisado na casa dos pais. Sad, but true.

Itália - Demissão de Prodi

Após vinte meses de Governo, o primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, apresentou esta noite a sua demissão, pouco depois de o Senado ter chumbado uma moção de confiança.

Itália - Senado urbano

Cusumano desmaia após ser agredido, no Senado italiano.
(Foto: AP / A. TARANTINO )

Foi com cuspidelas e epítetos de «vendido, cornudo e pedaço de merda» que um dos três senadores do partido UDEUR, Nuccio Cusumano, foi brindado por um colega da mesma formação política, ao anunciar o voto favorável em Romano Prodi.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

A Cooperativa Devir (Crónica)

A Cooperativa Devir estava domiciliada ao fundo da Rua Duque de Loulé, do lado direito de quem desce, perto do Marquês de Pombal. A livraria era a razão visível da actividade do que foi uma escola de quadros políticos de esquerda, com predominância do PCP.

Tal como a Livrelco, em Entrecampos, para o MRPP, uma livraria numa das Avenidas Novas, para o PS, e a SEDES, para os desiludidos da primavera marcelista, a Devir era o instrumento de reflexão e aprendizagem política dos seus associados. Por isso, juntava ao comércio livreiro as conferências semanais a cargo de alguns dos mais respeitados intelectuais da época.

Mais de um ano depois do meu regresso da Guerra Colonial fez-me sócio o Jorge, da Damaia, que chegou primeiro. Havia companheiros do Cineclube Imagem, habituais nas manifestações contra a Guerra Colonial e vítimas das cargas policiais, e muitos outros que mantinham activa a Cooperativa e encorajavam quem não acreditava na eternidade da ditadura. A Devir era, aliás, um centro de recrutamento para as bases da CDE e para o próprio PCP como se tornou claro depois do 25 de Abril.

Os colóquios semanais, creio que às terças-feiras, eram o corolário lógico de conferências admiráveis a cargo de sócios ou convidados, com a sala respectiva sempre a abarrotar para ouvir Lindley Cintra, Pereira de Moura, Hugo Blasco Fernandes, Adelino Gomes, Sottomayor Cardia, Sérgio Ribeiro, José Manuel Tengarrinha, Carlos Carvalhas, Ana Maria Alves, César Oliveira, Urbano Tavares Rodrigues e muitos outros, enquanto se ampliava a certeza firmada nos anos doridos da Guerra Colonial: a iminência da derrota militar e da queda do regime.

A PIDE visitava a Cooperativa e apreciava os livros que, com frequência, levava sem pagar, ao contrário dos sócios. Deixava uma espécie de vale com o nome de «Auto de Apreensão», que o saudoso Vítor Branco logo afixava. Geralmente era pacífica a visita e apenas se lastimavam o prejuízo e os livros que não se encontrariam noutro lado. Só uma vez vi os pides, numa das visitas, a perderem a compostura e a vociferarem. Vale a pena contar.

De manhã eu leccionava na escola n.º 44, na Rua da Beneficência, e de tarde exercia, para sobreviver, uma actividade comercial a partir de um escritório na Rua de Entrecampos. Foi aí que uma tarde recebi um telefonema com um lacónico e enigmático «aparece». Com o Metro próximo não tardei a chegar. No local já se encontravam cerca de duas dúzias de sócios, número inusitado durante a tarde, e outros chegaram. Dois pides tinham revistado as várias salas e devassavam já a livraria, tendo na mão folhas de papel de 35 linhas, cheias de nomes seguidos da importância com que cada um contribuíra. Todos conhecíamos aquelas folhas que regularmente assinávamos, com o contributo possível, sob o cabeçalho onde se lia: «Subscrição para apoio às famílias dos presos políticos». Era visível a satisfação dos esbirros, com um deles segurando as folhas que revelavam a rede de solidariedade com as vítimas da repressão fascista.

De repente houve uns encontrões, gerou-se burburinho e ouviram-se gritos de um pide: «quietos, ninguém sai». Um dos esbirros ocupou a porta da livraria e barrou a saída, desvairado por ter deixado surripiar as listas, enquanto o outro mandava levantar os braços e revistava os sócios, constrangido com as mulheres.

Descoroçoados, assaz embaraçados para se atreverem a pedir reforços, desistiram das buscas e das listas de solidariedade com os presos políticos, desaparecidas graças a alguém que calou o mérito e a audácia.

Não tardou que o Dr. Afonso Marchueta, o Governador Civil cujos hilariantes discursos rivalizavam em indigência com os de Américo Tomás, mandasse cessar de imediato todas as actividades e proceder apenas à Assembleia-geral liquidatária da Cooperativa Devir, cuja data teria de ser previamente comunicada ao Governo Civil.

Marcada para o dia habitual dos colóquios, foi enviada aos sócios a convocatória com a ordem de trabalhos precedida de um ponto prévio: «Informações».
Na abertura Francisco Pereira de Moura, Presidente da Assembleia-geral, declarou que, dada a presença de dois comissários da PSP na sala, se recusava a presidir sob coacção policial, convidando-os a retirarem-se. Foi-lhe dito por um dos polícias que tinham ordens para permanecer e assim fariam. Pereira de Moura disse que, face às circunstâncias, não saindo a polícia, saía ele e convidava para o substituir na condução dos trabalhos o sócio presente com o número mais baixo. Esgueirou-se rapidamente a Júlia para que o lugar coubesse ao Lino de Carvalho, depois de verificada pelo silêncio a ausência de sócios mais antigos.

Iniciou-se assim um braço de ferro com o Governo Civil. O Lino, com a coragem e inteligência que possuía logo transformou a reunião num colóquio em que condenou a ilegalidade e prepotência do Governo Civil e, chegada a meia-noite, hora limite para qualquer reunião, encerrou os trabalhos informando que prosseguiriam no mesmo dia e à hora habitual na semana seguinte com a mesma ordem de trabalhos a ser retomada no «ponto prévio».

Nessa reunião repetiu-se o cenário anterior e, à meia-noite, por não se ter esgotado o respectivo ponto da ordem do dia, de novo se adiou a continuação da discussão para a semana que viria. Mas, quando os sócios se dirigiam para essa terceira sessão da Assembleia-geral, encontraram o edifício cercado pelos touros da ganadaria do capitão Maltês, designação que a polícia de choque granjeara, apoiados pelos habituais carros com os depósitos atestados de tinta azul para danificar o vestuário e marcar os fugitivos para eventual detenção, assaltaram e vandalizaram a Devir, agrediram sócios e selaram as instalações na eloquente prova do que era a primavera marcelista.
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Jornal do Fundão – 24-1-2008

O Novo Aeroporto de Lisboa

Fiquei chocado com a pirueta do Governo relativamente à localização do novo aeroporto de Lisboa em Alcochete em detrimento da Ota.

1) Nota-se uma atitude titubeante e indecisa quanto à localização desse aeroporto, e surgem suspeitas de cedência aos grupos de pressão que se escondem por trás do estudo da CIP. Dessa mácula nunca se livrará o Governo Sócrates.

2) A localização em Alcochete não irá servir os objectivos de uma correcta política de ordenamento do território, não servindo eficientemente a região centro do país, e acentuando a bipolarização do território nacional.

3) O impacte ambiental e urbanístico será terrível. A localização do aeroporto em Alcochete irá provocar inevitavelmente a expansão da zona metropolitana de Lisboa nessa direcção, região ainda esparsamente humanizada, e de crucial importância para o equilíbrio ambiental do vale do Tejo. Penso que só uma pessoa muito ingénua poderá pensar que, após a implantação do aeroporto, do TGV, da plataforma logígtica, etc., não se sucederá inelutavelmente a sua urbanização desenfreada.

4) O argumento de que Alcochete será mais barato que a OTA não me convence. Os custos totais serão maiores que na OTA. Há que adicionar uma nova travessia do Tejo, bem como contabilizar todos os custos secundários desta localização (custos acrescidos para os particulares, custos ambientais.

Algumas conclusões:

1) Para quem pensa que a OTA é a melhor solução, a luta continua. Terá que ser inevitavelmente efectuado uma Avaliação de Impacto Ambiental, que poderá ser fatal a Alcochete. A luta mediática e a mobilização cívica em redor dos resultados dessa AIA poderá ainda desempenhar um papel de travão a esta péssima decisão.

2) Está demonstrada à saciedade a total pusilanimidade, falta de ambição e incapacidade de mobilização cívica e de organização de lobby da região Centro. Depressa se organizaram os lobbies de Lisboa e do mundo dos negócios contra a OTA. Celeremente agiram os grupos de pressão do Norte, da Madeira e do Algarve contra qualquer aeroporto (essas regiões têm já os seus próprios aeroportos). Com esta atitude, nunca chegará a região Centro ao patamar de desenvolvimento a que poderia ambicionar.

Más notícias para a União Europeia III

Ainda a propósito do post scriptum do meu post anterior. A Rússia vai controlar o gás e o petróleo e respectivas infraestruturas na Sérvia. A Gazprom está em negociações idênticas na Bulgaria, e a lançar as suas redes sobre a Albânia.

A UE que fique avisada: se hesitar muito na integração política e económica dos Balcãs Ocidentais, a Rússia não se fará rogada. O que acentuará a debilidade geostratégica da Europa face à Rússia.


Más notícias para a União Europeia II

Quanto à elevada votação dos ultranacionalistas na Sérvia, sem dúvida que a secessão do Kosovo como corolário da intervenção da NATO é um factor que a explica. No entanto, há outros factores que jogam a favor dos ultranacionalistas (cujo líder, Vojslav Seselj, se encontra detido preventivamente em Haia, acusado de genocídio e da liderança de paramilitares que estiveram em particular, envolvidos no massacre de Srbrenica).

1) A Sérvia e os Sérvios atravessam um momento de suprema humilhação nacional. A Sérvia perdeu todas as guerras que travou nos anos 90, directa ou indirectamente, contra os seus vizinhos com o objectivo de assegurar a sua posição de hegemonia nos Balcãs. Perdeu a guerra dos 10 dias contra a Eslovénia, a guerra da Bósnia, a guerra contra a Croácia, e finalmente a intervenção da NATO no Kosovo. O país viveu durante mais de dez anos em economia de guerra, isolado, embargado e sob o autoritarismo de Milosevic. Após a intervenção/agressão da NATO, parte significativa da infraestrutura foi destruida. Finalmente, no ano passado, a nação que mais afinidades culturais, históricas e linguísticas, o Montenegro, dá o ipiranga.

2) Os Sérvios foram e são sujeitos a um tratamento como cidadãos de segunda por parte dos países da Europa Ocidental. Um excelente exemplo deste tratamento é o regime de vistos imposto aos Sérvios: um cidadão Sérvio que pretenda deslocar-se à União Europeia, seja por que motivo for, necessita de obter um visto, tendo que mostrar todas as reservas de alojamento, bilhetes de entrada e saída, contrato de trabalho, extracto de conta bancária, seguro de saúde, etc., podendo (o que acontece frequentemente) o visto ser recusado por mera prepotência do funcionário consular. Tal regime nunca foi aplicado quer à Croácia, quer à Eslovénia. De uma forma geral, todos os passos da Sérvia rumo à UE são travados por atitudes deste calibre.

3) A Sérvia, que nunca na sua história conheceu verdadeira democracia (excluindo o breve período entre 1918-1929), não conseguiu, depois de esconjurado Milosevic, efectuar as necessárias reformas rumo à democracia (excluindo o período em que Zoran Dindic foi Primeiro Ministro, tendo este sido assassinado a mando dos grupos de pressão que pretendiam e pretendem conservar o establishment). O que torna fácil a ascensão dos ultranacionalistas face aos democratas que não conseguem fazer as reformas necessárias para atingir a prosperidade tão almejada pelo povo Sérvio.

4) Há dois grupos de pressão que procuram travar a estabilização democrática na Sérvia. Um deles o exército (por ser tão forte, nunca foi possível a qualquer líder democrata entregar o General Ratko Mladic ao tribunal da Haia), o outro os magnatas que emergiram da economia de guerra (que sabem que têm mais a ganhar com a instabilidade e o radicalismo e a fazer negócios com os oligarcas russos que com a democracia, a inerente necessidade de prestação de contas, e as regras europeias de concursos públicos).

5) A economia de guerra, o isolamento e a hiperinflação provocaram a destruição da economia, do sistema de saúde e de segurança social. Não deixa de ser um factor de reflexão o facto de a grande maioria dos votantes do SRS (partido ultranacinalista) serem reformados com pensões de miséria, desempregados de longa duração saudosistas do socialismo e refugiados oriundos da Croácia, da Bósnia e Herzegovina e do Kosovo. Obviamente que a lenta e dolorosa marcha rumo à democracia e à UE causa frustrações entre aqueles que antes de 1990 tinham um emprego estável e bem remunerado, pensões de reforma razoáveis, e um sistema de saúde adequado, e que hoje vivem precariamente.

Diversos são os factores que levam parte esmagadora do povo Sérvio a votar nos ultranacionalistas. O cataclismo da nação Sérvia durante as duas décadas só pode levar a dois resultados: ou à catarse reformista, ou ao rancoroso complexo de vítima e desejo de vingança. É este último que é aproveitado pelos ultranacionalistas para os seus fins nefários. E a UE tem o dever de estender a mão ao primeiro, desenvolvendo uma estratégia integrada de integração de todos os países dos Balcãs Ocidentais. Creio contudo que algumas das exigências da UE, que até agora têm sido decisivas para o congelamento da pré-adesão da Sérvia não deverão deixar de ser atendidas, nomeadamente a entrega dos suspeitos de genocídio Ratko Mladic e Radovan Karadic ao tribunal de Haia.

PS. A Sérvia já começa a pagar a sua factura pela ajuda do padrinho russo na causa perdida do Kosovo: 51% das acções da Naftna Industrija Srbije, empresa monopolista de gás e petróleo da Sérvia vão ser vendidas por 1% do seu valor à GAZPROM.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Espaço dos leitores

Paul Gauguin

Percurso de um pastor evangelista

Fonte: DN, hoje.

Momento de poesia


Vaidade

Quando eu me resolver
A morrer
Faço questão
De ir para a cova,
De jaquetão
E de gravata nova.

Lencinho branco ao peito,
Posto com jeito.
Camisa bem engomada,
Sapato preto, a luzir,
Barba feita, escanhoada…
Que elegante que eu hei-de ir!

A enfeitar a carreta,
Que predomine o cravo e a violeta,
Em raminhos pequenos.
E flores artificiais,
Que cheiram menos,
Mas duram muito mais…
Armando Moradas Ferreira

Madeira - líder vitalício

O Partido Nova Democracia mandou afixar cinquenta cartazes no Funchal, denunciando a postura de "padrinho" do presidente do governo madeirense, Alberto João Jardim, e para os elevados custos dos portos da região.

terça-feira, janeiro 22, 2008

COIMBRA - INFORMAÇÃO

Nos próximos dias 1 e 2 de Fevereiro irá decorrer, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Coimbra, o Colóquio “ D. Carlos e o Regicídio”, promovida pela Associação Cultural ALTERNATIVA, recentemente criada na cidade de Coimbra. O programa desse evento cultural é o seguinte:

Dia 1 de Fevereiro
15h00: Intervenção do Exmº Senhor Presidente da Câmara de Coimbra;
15h30: Pignatelli Queirós, “O regicídio, auge de uma conspiração”;
16h15: Amadeu Carvalho Homem, “D. Carlos e o Grupo dos Vencidos da Vida”;
17h00: Período de debate.

Dia 2 de Fevereiro
10h15: Fernando Fava, “O regicídio visto pelos republicanos;
11h00: Miguel Santos, “Regicídio e violência no discurso anti-republicano”;
11h45: Período de debate.
15h00: Isabel Vargues, “A morte violenta de reis, estadistas e presidentes”;
15h45: Noémia Malva Novais, “O regicídio: um dia depois”;
16h30: António Reis, “O regicídio atrasou ou activou a revolução republicana?”

No dia 1 de Fevereiro de 2008 cumprem-se exactamente cem anos sobre o assassínio do rei D. Carlos e do príncipe real D. Luís Filipe, por acção de Reis Buíça e de Alfredo Costa, ambos afectos ao grupo revolucionário da Carbonária Portuguesa. O acontecimento prenunciou a revolução republicana de 5 de Outubro de 1910 e pôs termo a um período conturbado da história portuguesa. Com efeito, o chefe do governo de então, João Franco, havia implantado no país uma férrea ditadura, combatida intransigentemente por largos sectores da oposição republicana, mas também por muitos defensores do constitucionalismo monárquico. Em 28 de Janeiro de 1907 desenhara-se mesmo uma tentativa revolucionária, tendente a afastar João Franco do Poder, com a participação activa do Partido Republicano, da Carbonária, de elementos socialistas e anarquistas e igualmente da Dissidência Progressista, agremiação monárquica. Como resposta à gorada revolta, João Franco fez redigir pelo seu Ministro da Justiça um decreto extremamente arbitrário, nos termos do qual os opositores à sua política seriam sumariamente julgados e desterrados. O documento foi referendado por D. Carlos em Vila Viçosa, onde o rei se encontrava, na companhia da sua família, entregando-se a um dos seus prazeres favoritos: a caça. Foi no seu regresso a Lisboa, em 1 de Fevereiro de 1908, que o drama ocorreu, através do ataque dos regicidas à carruagem real. É este episódio histórico, de importantes consequências nacionais, que será evocado no referido Colóquio.

Os interessados poderão servir-se dos seguintes contactos para a formalização das suas inscrições : telemóvel 966721056 e “e-mail” alternativa.acdsh@gmail.com

Cuba - Excesso de civismo

***

Momento de poesia

Tortura

A todos aqueles que heroicamente
suportaram os horrores da PIDE


Não! Não me apontem ao peito
as lanças do medo!
Prefiro morrer no lodo de uma sarjeta
do que esfaquear a esperança
que me alimenta a fome de viver!

Se for preciso
para calar a dor
eu grito ...
Se for preciso
vazar-me de raiva
eu volto a gritar...
Mas em caso algum
sairei do meu espaço
para viver na cloaca
do vosso subterrâneo!

Não me façam esperar as noites de espanto
que eu não falo ...
Não ladrem raivosos os latidos do medo
que eu não digo ...
Não dancem à minha volta de punhos soltos,
nem fiquem parados a olhar
a sombra da minha estátua de carne viva
que eu não sinto os chocalhos do vosso riso!...

Estou de pé do lado de lá
(as grades da prisão não amarram o meu sonho
nem as vossas garras seguram o meu querer)
na companhia dorida de companheiros distantes
que esperam de mim a boca muda do silêncio
e a força tenaz que um dia vos vencerá ...

Já não tenho carne nem ossos para moer,
nem sangue para verter ...
Agora, sou o granito duro e firme do vosso desespero
de não me verem sofrer!...

Alexandre de Castro
Lisboa, Março de 1985 - Registado: IGAC/MC- 5467/2004
Publicado na Seara Nova, Nº 1691 – Primavera 2005 - pag. 54

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Más notícias para a União Europeia


Ainda que não tenha conseguido os 50% dos votos para vencer as eleições logo na primeira volta, Tomislav Nikolic ficou à frente de todos os outros candidatos nas presidenciais deste domingo, tendo obtido 39,5%.

Comentário: A tibieza da União Europeia e a vontade imperial dos EUA criaram condições para novas aventuras independentistas no seio da Europa, com ultranacionalistas a chegarem ao poder.

Terrorismo islâmico

O desmantelamento de uma célula de presumíveis terroristas islâmicos em Barcelona é uma boa notícia mas aumenta a perplexidade perante a capacidade e determinação dos suicidas islâmicos. Sábado, o jornal El Pais noticiou que Portugal, França, Reino Unido e Espanha foram alertados pela secreta espanhola para riscos de atentados durante o périplo europeu do presidente Musharraf, do Paquistão, iniciado em Bruxelas.

O respeito pelos islamitas inocentes e por muitos outros que o terror religioso impede de abjurar, obriga ao comedimento de quem sabe que é fácil atear ódios, despertar emoções racistas e incitar à xenofobia. É, pois, inaceitável que ao terror islâmico se replique com a suspensão do Estado de direito ou o aligeiramento das normas democráticas.

A Europa está, neste caso do terrorismo religioso, a responder de forma irrepreensível e é bom recordar que o que os árabes (maioritariamente muçulmanos) mais apreciam na Europa é a liberdade religiosa. Mas não se pode desprezar o conteúdo do Corão e a conduta dos pregadores do ódio que usam as mesquitas como campos de doutrinação terrorista e os sermões como veículo de fanatização.

A Europa conhece o que sofreu, no passado, com as lutas religiosas de que os dirigentes políticos actuais parecem andar esquecidos, capazes de trocar por um punhado de votos a laicidade que permitiu conter o proselitismo das diversas religiões. Essa cumplicidade está na origem de mentiras que atribuem objectivos de paz às religiões e aos seus crimes meros desvios de radicais dementes.

Ora isso não é verdade. O que Bento XVI disse de Maomé, através de uma citação, em Ratisbona, era pura verdade embora dita por quem lhe minguava autoridade.

Esquecer que o Corão, um plágio grosseiro dos mitos judeus e cristãos, servido por uma ideologia guerreira, é incapaz de renunciar à tortura e à censura – práticas de que judeus e cristãos há muito se privam –, é alimentar um mito politicamente correcto e perigoso.

Basta ver o júbilo pio da rua islâmica sempre que alguns infiéis explodem na companhia de um suicida que julga ter 70 virgens à espera no Paraíso, numa ânsia de deboche para que a repressão sexual o impele. Fantasias de santas alimárias que não imaginam que as virgens prometidas pelos mullahs não passam de um erro de tradução.

Matam e morrem por umas «passas de uvas brancas doces».

O Cavaleiro branco contra a ASAE...

Ponte Europa/Pitecos - Zédalmeida

domingo, janeiro 20, 2008

Companhia de Jesus

O espanhol Adolfo Nicolás, 71 anos, foi eleito novo superior da Companhia de Jesus, sucedendo ao holandês Peter-Hans Kolvenbach, que renunciou ao cargo que ocupou durante 24 anos.

Crónica

Nadir Afonso (bordel)
Novos cadernos da colecção “O Fio da Memória. Ed. CMG

Xiitas em Kerbala


Se a existência de Deus dependesse do número de crentes e a sua bondade das tropelias de que estes são capazes, certamente que o dos xiitas era bem credível e bondoso.

Ontem, 2,5 milhões de peregrinos imbuídos de uma fé avassaladora rumaram a Kerbala. Vê-los através da televisão a flagelarem-se, ver o sangue a brotar dos corpos chicoteados pelos próprios, crianças que já rasgavam a pele para agradar a Deus, senti um imenso dó das vítimas da fé e uma raiva ainda maior dos clérigos que pregam, estimulam e aplaudem estes actos de demência.

Pobres xiitas, com a pele rasgada, a derramarem sangue para consolo do mito tenebroso que os padres inventaram. E acreditam que no Paraíso um Deus raivoso se rebola de gozo perante o sofrimento inútil e a humilhação gratuita.

sábado, janeiro 19, 2008

Olha se quisesse!!!!


Fidel Castro será um dos 614 deputados eleitos nas legislativas de amanhã em Cuba.

A insustentável leveza do cheque

A Bragaparques financiou a campanha do PSD em Lisboa, em 2005, embora a quantia apurada (20 mil euros) esteja longe do que seria expectável tendo em conta os volumes em jogo nas permutas de terrenos (parque Mayer-Feira Popular), refere o semanário Sol este sábado referindo tratar-se um financiamento «suspeito».

O Papa e a Universidade La Sapienza. Opinião de um leitor


Se algum dia a Igreja - vamos falar deste torrão pátrio - tivesse tido a humildade ou a ousadia de convidar, p. exº, o escritor Luiz Pacheco, para uma prédica dominical, nos dos seus múltiplos templos, então teríamos retirado grandes pedregulhos do muro da intolerância...

Laicidade não significa recusar ouvir quem quer que seja. Significa ouvir todos, sem privilégios (de qualquer natureza). Laicidade é sinónimo de equidade e universalidade.Bento XVI teria estado na Universidade La Sapienza, porque o reitor resolveu conceder-lhe esse especial privilégio (sem ouvir o corpo docente). Mas nada de especial habilitava o académico Ratzinger para falar sobre a Ciência, tema escolhido para a abertura do ano escolar nessa Universidade romana. Pelo contrário, as suas concepções sobre Ciência, á luz dos actuais conhecimentos, são pouco recomendáveis.

A frase invocada pelos académicos, para o declarar "personna non grata", pode ser inserida em milhares de contextos (como já vi escrito), mas o então cardeal Ratzinger, em 15 de Março de 1990, disse: "Na altura de Galileu, a Igreja mostrou ser mais fiel à razão que o próprio Galileu. O julgamento contra Galileu foi razoável e justo".

Ora bolas! Para o Mundo, a prisão e o julgamento de Galileu tornou-se o mais citado e paradigmático exemplo da luta entre "fé e ciência".

a) e-pá

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Citação

«A mulher não tem o direito de escolher. Ela foi criada por Deus para acolher a vida»

[Nicolas de Jesus Lopez Rodriguez, cardeal.arcebispo de Santo Domingo (República dominicana), a respeito do aborto].

Alterações à lei eleitoral das autarquias

No final da votação, Manuel Alegre explicou aos jornalistas que considera que «esta lei, ao exigir, para uma moção de rejeição, três quintos da assembleia municipal, põe em causa o princípio da proporcionalidade».

Comentário: Qual é a lógica de se manterem Câmaras com o apoio de 40% dos deputados municipais quando o Governo precisa de maioria absoluta?

Neste ponto concordo com Manuel Alegre. Quanto à participação dos presidentes da Junta no orçamento estou em desacordo, acompanhando aí o sentido do voto do PS e do PSD.

Ordem dos Médicos - Bastonário reeleito

O projecto de revisão do código deontológico dos clínicos está pronto e será debatido no primeiro trimestre deste ano, adiantou Pedro Nunes, que ontem foi reeleito bastonário da Ordem do Médicos (OM) com uma vantagem de cerca de 1700 votos relativamente ao adversário, o neurologista portuense Miguel Leão. (Público).

O bastonário acrescentou que o código deontológico revisto provavelmente não "agradará" ao ministro da Saúde.

Comentário: O código não tem que agradar ao ministro, tem apenas que respeitar as leis.

Açores - Outro Alberto João? - NÃO

O líder do PS/Açores afirmou hoje que a reunião com José Sócrates permitiu uma aproximação do PS à proposta de Estatuto Político-Administrativo dos Açores, mas adiou até final da semana uma decisão sobre a sua recandidatura.

Comentário: O aumento de poderes autonómicos, que ultrapassaram já o razoável, só com referendo. Pela minha parte estou disposto a punir pelo voto os partidos que aumentarem os poderes dos sátrapas regionais dos Açores e Madeira.

BCP - A reforma do Millennium


O ex-presidente da Comissão Executiva (CEO) do Banco Comercial Português (BCP), Paulo Teixeira Pinto, saiu há cinco meses do grupo com uma indemnização de 10 milhões de euros e com o compromisso de receber até final de vida uma pensão anual equivalente a 500 mil euros, diz o jornal «Público».