segunda-feira, março 31, 2008

CEP - Presidente reeeleito

O reeleito presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Jorge Ortiga, classificou hoje a regulamentação da Concordata como uma das prioridades do novo mandato.

No anterior, a prioridade do arcebispo Jorge Ortiga, homólogo de Rouco Varela, era a oposição à actual lei sobre a IVG.

Igreja espanhola acautela o futuro



O arcebispado de Madrid, presidido por Rouco Varela (na foto) e o de Burgos, com Mgr. Francisco Gil, têm investido nos últimos anos na Bolsa o dinheiro da Igreja.

Dentre as várias empresas escolhidas para fazer frutificar o dinheiro da instituição figuram algumas, como o laboratório farmacêutico Pfizer. Trata-se de uma multinacional que produz o Viagra e um contraceptivo muito difundidos no mundo.

Regresso ao passado

*
Comentário: O problema não é o regresso dos tradicionalistas ao Vaticano, é o regresso do Vaticano ao tradicionalismo, ao espírito anterior ao concílio Vaticano II.

domingo, março 30, 2008

Chamem as Forças Armadas

Que estranho país o nosso! Que falta de sentido de proporções! Que exagero! Ou… que falta de sensibilidade a minha.

Já quase tudo foi dito sobre o lamentável caso de indisciplina acontecido numa turma do 9.º ano de escolaridade.

Também vi o vídeo cuja repetição, até à náusea, pelos canais televisivos pode ter efeitos desastrosos sobre os adolescentes do País e ser devastador para a aluna de 15 anos, para o infeliz «realizador» e para a professora a quem coube uma turma de selvagens com rudimentar educação e excesso de atrevimento.

No entanto, por mais que pense no filme (pela gravação disponível) não vejo que tipo de crime tenha acontecido nem adivinho a sanção que o Código Penal lhe reserve.

Se um acto de indisciplina escolar, que a professora apenas participou depois do alarido público, que o Conselho Escolar puniu, e bem, com a transferência do Fellini amador e da actriz principal, é motivo para que o Chefe de Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas chame o PGR «a fim de coordenar as medidas para inverter a situação», sou obrigado a concluir que, perante as agressões e crimes nos bares de alterne, é altura de solicitar a intervenção da NATO.

Nota: O meu ponto de vista não diminui a consideração pessoal e o respeito que é devido ao Presidente da República.

O D. Sebastião dos barões do PSD

São grandes os interesses que o aguardam e medíocre o interesse que desperta.

Cirurgia a pedido

Há cada reivindicação! E há quem as leve a sério!

Pergunta sem resposta

Há dias, Pacheco Pereira queixava-se no Abrupto da indiferença [portuguesa] para com os mortos ao serviço da Pátria. Dirigi-lhe a seguinte pergunta:

Caro Professor Pacheco Pereira, historiador,

Em relação à obrigação de celebrar os mortos, independentemente das guerras justas ou injustas, eu que participei numa, injusta, durante 26 meses, amargando 4 anos e 4 dias de tropa, ainda não percebi por que motivo os alemães não celebram os seus mortos da 2.ª Grande Guerra.

Tem alguma explicação para essa injustiça e amnésia?

sábado, março 29, 2008

Espaço dos leitores

Wassily Kandinsky

Escaramuças pias

Divórcio abre nova guerra entre maioria PS e Igreja

Bispo porta-voz da hierarquia fala em projectos "facilitistas"

Está à vista um novo conflito entre a Igreja Católica e a maioria socialista. Depois da despenalização do aborto, agora será a vez do divórcio.

É surpreendente que uma instituição que se opõe à interrupção voluntária do celibato dos seus membros se esforce por impedir a interrupção voluntária do matrimónio aos crentes, descrentes e crentes de outras religiões.

sexta-feira, março 28, 2008

Visita de Estado de Sarkozy ao Reino Unido

.
Quando as anacrónicas primeiras-damas despertam mais atenção mediática do que as mulheres que governam, trabalham, investigam ou ensinam, é o retrocesso contra a igualdade de género que está em marcha.
.
Adenda - Pareceu passar despercebida a cimeira franco-britânica, de Brown e Sarkozi, entre rivais tradicionais, tendo em vista a liderança europeia onde a França, sozinha, não consegue ombrear com a Alemanha.

Justiça mora ao lado

Já estão na prisão, dado o risco de fuga. Justiça rápida e eficaz.

Défice ao longo dos anos

Fonte: DN - 27-03-2008

IVA através da Europa

Fonte: DN

quinta-feira, março 27, 2008

Direitos humanos

URGENTE - Petição pela defesa dos direitos humanos no Tibet

Assine a petição e boicote os jogos olímpicos 2008 e produtos Chineses

A China tem desde há várias décadas praticado um genocídio humano e cultural no Tibet.Não deixe que isto continue impune, diga não a violações dos Direitos Humanos.

Por favor assine e divulgue amplamente a petição internacional:

*
Aqui fica no Ponte Europa a petição à disposição dos leitores.
.
Comentário: Neste caso tenho dúvidas em assinar. Entre uma ditadura teocrática e tribal, com um deus-vivo, pouco recomendável, que o marketing transformou em santo, e uma ditadura estalinista com zonas de capitalismo desenfreado, fico indeciso.
Por outro lado, condenando a repressão da China sobre o Tibet, duvido que o boicote aos Jogos Olímpicos seja o caminho certo para a democratização da China e do Tibet.

Portugal às avessas


O Procurador-geral da República, Pinto Monteiro, revelou hoje que o Ministério Público está a investigar «algumas dezenas» de casos de violência nas escolas, tanto de alunos que agridem professores como de docentes que agridem estudantes.
.
Comentário: Esperemos que aos Conselhos Directivos das escolas não seja atribuída a investigação dos crimes violentos, nomeadamente os assaltos à mão armada!

IVA

Imaginemos um casal de classe média com um vencimento ilíquido de 6000 Euros por mês. Em IRS pagará uma taxa média por volta de 30%, ou seja, 4200 Euros líquidos, 1800 pagos de IRS. Pressupondo que esse casal consuma metade do seu vencimento líquido, ou seja 2100 Euros, à actual taxa de 21%, pagará 441 Euros de IVA. Se a taxa baixar para 20%, pagará apenas 420 Euros. Uma diferença de 21 Euros por mês, ou seja 252 Euros por ano.

Citando o Sr. Engº Guterres, é só fazer as contas, e ver que não é em nada irrelevante a baixa da taxa do IVA. Luís Filipe Menezes devia parar para pensar, nomeadamente no prejuízo que a catastrófica gestão financeira do seu partido no consulado de Barroso e Santana Lopes causou aos Portugueses e que desencadeou a subida do IVA de dois pontos percentuais, e que finalmente pode ser mitigado.

Adenda: a redução do IVA no actual ciclo inflacionista pode mitigar muitas consequências nefastas para os Portugueses.

Ele também é irrelevante...

O presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, considerou esta quarta-feira que a descida do IVA de 21 para 20 por cento anunciada pelo Governo é «irrelevante» e não terá impacto na economia.

Comentário: Se em vez de descer para 20% o IVA tivesse subido para 22%, também não teria impacto na economia?

A França e a laicidade

Segundo uma sondagem recente, 71% dos franceses querem manter a lei de separação entre a República e as igrejas (de 1905), tal como está. E 77% dizem que «as autoridades religiosas não devem tomar posição publicamente sobre as questões de sociedade».

O que prova que a laicidade não é um regime imposto por uma minoria a uma sociedade renitente. Antes pelo contrário.

a) Ricardo Alves in Diário Ateísta

Financiamento ilícito

A Somague vai ter de pagar a multa de 600 mil euros por financiamento ilícito ao PSD, a cujo pagamento havia sido condenada em Fevereiro, pelo Tribunal Constitucional (TC). O plenário do TC indeferiu a reclamação da construtora. O processo chega agora ao fim.

Nota: Durão Barroso era, ao tempo, presidente do PSD.

Redução do IVA de 21% para 20%

Desconheço os referenciais económicos que possibilitaram a redução do IVA, mas é um sinal de optimismo, num ano em que não há eleições.

Quem tanto mal agoirou na subida de 19% para 21% (e com razão, a meu ver) tem agora a obrigação de manifestar, por coerência, um optimismo da ordem dos 50% do pessimismo que então exprimiu?

quarta-feira, março 26, 2008

CONSELHO DA CIDADE DE COIMBRA

TRIGÉSIMO SEGUNDO ANIVERSÁRIO DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA

ANIVERSÁRIO 145 DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL E INDUSTRIAL DE COIMBRA

02 DE ABRIL DE 2008

DEBATE

Que Cidadanias para a Cidade?


José Augusto Ferreira da Silva, presidente da assembleia-geral do Conselho
Magda Alves, autora de tese de Licenciatura sobre o Conselho
Elísio Estanque, orientador da Tese

Local – Sede da ACIC, Av. Sá da Bandeira 90/92

Horário – 21h15

Dia da Semana – Quarta-feira

Início – 21h30

Termo – 24h00

Nota – a tese estará à venda no local, a preço simbólico

Remunerações e justiça social


Ainda ecoam as palavras do Presidente da República que, na sua mensagem de fim de ano, referindo-se aos salários de administradores de empresas privadas, denunciava as obscenas discrepâncias com a média salarial do País.

Não falta a Cavaco Silva autoridade, pelo menos institucional, embora seja prudente não confundir as empresas privadas com as públicas onde os tectos salariais também ferem o bom-senso e a racionalidade.

Em princípio, ninguém, absolutamente ninguém, nem o próprio PR, deveria ganhar no conjunto das remunerações saídas do erário, mais do que o Presidente da República. Insisto, nem o próprio.

Reconheço que é baixo o vencimento do mais alto magistrado do Estado, que o salário agride o valor simbólico das funções, que é mesquinho poupar num cargo depreciando o órgão uninominal que resulta do sufrágio universal.

Sei que há razões a dificultarem a reposição da justiça – a quantidade imensa de funções cuja remuneração se encontra indexada ao vencimento do PR. Qualquer presidente da Câmara ganha, no mínimo, 40% do vencimento do PR, mais 30% de despesas de representação. Não há vereador da mais obscura Câmara que não ganhe, em dedicação exclusiva, 32% do mesmo vencimento, arredondado com mais 20% para despesas de representação. Uma vergonha e uma injustiça.

É urgente:
1 – Desanexar todos os vencimentos do do Presidente da República;
2 – Impedir que a acumulação de salários (reforma(s) + vencimento) ultrapasse a sua remuneração.

Isto é apenas um passo mais para moralizar os desmandos que levam a opinião pública a vituperar sempre, e só, os membros do Governo e da Assembleia da República.

EUA negociaram com ele

As forças armadas iraquianas realizaram, ontem, a maior ofensiva dos últimos tempos contra membros do Exército do Mahdi, milícia armada ligada ao clérigo xiita radical Moqtada al-Sadr, na cidade de Bassorá, sudoeste do Iraque. Moqtada al-Sadr ameaça incendiar os poços de petróleo da sua província que representam mais de 90% das expostações iraquianas.

Momento de poesia


Sonho

Quando tu eras um “quase”
Nos meus latentes desejos,
E os meus primeiros beijos
Não tinham rompido a gaze
Que te afasta de mim,
Nem os teus olhos de lava
Tinham confessado o sim
Que a tua boca calava,
Os meus sentidos dispersos
Desesperavam-se a compor,
Para ti, lânguidos versos,
Magoadas queixas de amor.

Confesso – porque negá-lo
Se tanta gente o sabia!
Tu foste nesse intervalo
O motivo que envolvia
Tudo quanto eu produzi!
Até eu cheguei a crer
Que nem podia escrever
Se não a pensar em ti!

Cultivei, desde o inicio,
O teu amor proibido,
Com o frenesim desmedido
De quem resvala num vício.

Foste o álcool desejado,
Foste o meu jogo de azar,
Foste o tabaco doirado
Que me agradava fumar.
Foste, enfim, nesses momentos,
Nem sei se amargos se doces,
Tudo o que os meus pensamentos
Pretenderam que tu fosses!

Hoje na tranquilidade
Que me trouxe a tua ausência,
Se o perfume da saudade
Perturba a minha consciência,
Teu corpo frágil, esguio,
Que recordo sorridente,
É já perfil inocente
De vulcão que se extinguiu!
E posso, calmo, lembrar-te
Com suave gratidão,
Pela espontânea emoção
Que emprestaste à minha arte.

(À arte que eu produzi,
Quando eu andava convencido
De nada me ser devido
Que não viesse de ti…)
.
a) Armando Moradas Ferreira

terça-feira, março 25, 2008

PSD/CDS ainda querem mais...

Freguesias e concelhos

Não sei se se entrevê alguma folga orçamental para que os caciques tenham começado a movimentar-se na ânsia de aumentarem a fragmentação autárquica.

Há quem crie riqueza enquanto outros tentam capturá-la. Em vez da regionalização do País, aproveitando as cinco regiões para a indispensável reestruturação administrativa, há quem prefira regressar ao sistema feudal com pequenos enclaves para reinar.

Dissimulam a volúpia de dilacerar concelhos com a alegada tradição municipalista. Não descansam enquanto não regressarem ao número anterior a Mouzinho da Silveira. As freguesias cujas competências se confundem, em zonas urbanas, com as dos municípios, estão em franca expansão e há um caso de uma freguesia extinta, porque uma sentença judicial entregou a respectiva área ao proprietário, tendo ficado deserta, que se manteve, deslocada para a localidade anexa, logo promovida a freguesia.

O PSD patrocina Sacavém como concelho e o CDS Vila Meã. Quanto às freguesias, o CDS ataca com Marmelar e Moinhos da Funcheira, o PS pugna por Vilarinho, Rapoula e Formoselha e o PSD bate-se por Oriente.

Às aldeias podem chamar-se vilas e a estas cidades. Um conjunto de duas casas pode ser elevado a vila que, dai, não vem mal ao país, mas criar concelhos é aumentar despesas, rotundas, empresas municipais e empregos parasitários para angariadores de votos, sem utilidade pública. O problema não reside na nomenclatura mas nos encargos supérfluos e nos bairrismos agressivos.

Se o Governo, este Governo, que teve coragem para fechar escolas sem alunos, lugares sem conteúdo e empresas públicas sem objectivo, não for capaz de resistir aos caciques que pretendem mais freguesias e concelhos, vamos assistir ao milagre da multiplicação das arruaças de outras Canas de Senhorim e novas Fátimas.

Há quem, por demagogia, maldade, insensatez ou tolice queira tornar inviável o país que a democracia resgatou do atraso secular e da herança fascista, não se contentando com 308 concelhos e 4261 freguesias que retalham o território nacional.

O Governo, os supermercados e a Igreja


O Governo colocou na agenda a questão da abertura do comércio aos domingos e feriados à tarde, depois do legítimo encerramento, pela ASAE, de seis hipermercados na última Sexta-Feira Santa.

O problema está na lei que, para agradar à Igreja católica, mantém uma interdição anacrónica e beata. A este respeito, em 25 de Julho de 2001, durante o Governo de Guterres, o mais bem preparado e competente primeiro-ministro português do último século, tornei público o meu desacordo com o seguinte texto:

«Se o dogma é um insulto à inteligência mas uma vitória para a fé, se agride a razão mas purifica a alma, se fecha os caminhos difíceis da ciência mas abre as largas avenidas da salvação, como é possível haver quem o enjeite? – O Governo português não.

Como diria o Eça, estava o Ministério, moderadamente jejuado, razoavelmente confessado e melhor comungado quando piedosamente se pronunciou sobre o horário do comércio, não se dissesse que o liberalismo económico encontrara em Portugal terreno fértil. Privatizaram-se as seguradoras e os bancos, é verdade; condescendeu-se com a liberalização dos combustíveis e da energia; as comunicações e os cimentos entregaram-se aos privados, mas o Estado chamou a si o horário das mercearias. Nos mares, nas estradas e nos ares circula a iniciativa privada mas respeita-se, na compra do sabão amarelo, o horário das repartições. Não tem horário a gasolina mas têm hora marcada a posta de pescada e o quilo de feijão carrapato.

Andou bem o Governo em proibir às grandes superfícies a abertura de portas ao Domingo. Preferiu a santa missa à venda dos legumes; dificultou a aquisição de frescos mas facilitou a divulgação das homilias; alguns bacalhaus ficaram por vender mas promoveu-se a eucaristia, com hóstias sem código de barras, nem prazo de validade, guardadas sem rede de frio nem inspecção sanitária. Folgam as caixas registadoras nas tardes de Domingo mas agitam-se as bandejas na missa do meio-dia.

Contrariamente ao que eu supunha, não houve, porém, festa nas sacristias, não rejubilou o patriarcado, não aconteceu um lausperene. Nem uma missa de acção de graças. Nem uma noveninha. Provavelmente algum padre-nosso rezado na clandestinidade ou uma ave-maria balbuciada por uma beata enquanto resistia à tentação da carne e ao assédio do marido.
A própria Conferência Episcopal desistiu da pastoral da mercearia».

Momento de poesia


RESISTENTES


Trouxeram da clandestinidade
a sombra líquida dos dias ...

Nos ossos quebrados do silêncio
ergueram o mito
à distância do desejo ...

E nem os desenganos do destino
fizeram quebrar esta esperança ...

(E uns tantos
saíram à rua de punho cerrado e erguido
mas esbarraram na esquina
com a sombra do esbirro ...)

Alexandre de Castro - Lisboa, Fevereiro de 1993

Registado: IGAC/MC- 5467/2004

segunda-feira, março 24, 2008

Avaliação dos professores


2008-03-24 19:02:00 Lusa

Espaço dos leitores

Cândido Portinari - (Brasil)

Iraque - 4.000 soldados americanos mortos

O crime de poucos é a tragédia de muitos.

Ainda restam iraquianos...

Ponte Europa/Pitecos - Zédalmeida

...Apesar do optimismo de Bush, Aznar e do Luís Delgado.

A ortodoxia é a mãe de todas as dissidências



Foram duas vozes críticas no último congresso do PCP. Quatro anos depois, Lopes Guerreiro, ex-autarca do Alvito, e Fernando Vicente, até então do Comité Central, admitem que o partido vive hoje "uma paz podre", "uma paz da ausência".

A Europa, a história e a liberdade

Seria estultícia negar a influência das religiões e guerras pias que dilaceraram a Europa e que, tal como a cultura helénica e o direito romano, a moldaram. Seria, no entanto, perigoso esquecer que foi a anemia da religião que tornou possível a liberdade, que foi a perda do poder temporal da Igreja católica e da sua influência política que tornaram possível o espaço de liberdade em que, pesem embora as desigualdades e injustiças sociais que ainda persistem, se transformou a Europa.

A violência sagrada foi sempre filha da fé e dos interesses que à sua volta gravitam. Da Irlanda do Norte ao Chipre e à ex-Jugoslávia quantas mortes se devem aos desvarios da fé e à competição pelo negócio das almas?

Persistir nas referências religiosas da Europa e na sua consagração constitucional não é apenas redundante, é uma provocação às religiões excluídas, um braço de ferro com a laicidade e um desafio à secularização que permitiu a exclusão religiosa dos motivos de confronto no espaço civilizacional europeu.

Há uma conquista civilizacional de que todos beneficiamos, crentes, ateus e agnósticos, o carácter laico do Estado e a lógica separação das Igrejas. O proselitismo incorrigível dos crentes é um perigo que espreita das madraças de cada seita, dos púlpitos de todas as religiões.

Quem nos defende da obsessão que alguns sentem de salvar todos os outros? Por que motivo não se contentam com a salvação própria deixando em paz os que se desinteressam, apesar das prometidas delícias do Paraíso ou das ameaças com as perpétuas penas do Inferno?

domingo, março 23, 2008

Já não era sem tempo


Escola e educação


Já muito se disse sobre a agressão de uma adolescente à sua professora e sobre a boçal atitude dos colegas que deliraram com a cena, a filmaram, exibiram e guardaram como troféu.

Psicólogos, pedagogos, políticos e cidadãos comuns indignam-se legitimamente com a má-criação, agressividade e falta de respeito de uma aluna que os órgãos directivos da escola não podem deixar de sancionar de forma adequada. Adequada, não exemplar, muito menos vingativa, porque a recuperação de jovens faz parte do processo educativo.

Ao ouvir os gritos selvagens e ululantes de uma turma em delírio não podemos deixar de reflectir como foi possível chegar aqui, sabendo-se que não se trata de um acto isolado mas de manifestações reiteradas de violência juvenil nas escolas, violência que não teve a terapêutica adequada pela impossibilidade de educar os pais.

Perante a gravidade da situação não podemos deixar de recordar o caso recente de um professor que se referia ao primeiro-ministro com os mais reles insultos e com a mais baixa educação. Foi promovido a herói nacional tal como os desordeiros daquela turma se tornaram referência para os adolescentes sem valores da sua geração.

O País, a sua comunicação social, os dirigentes políticos e os portugueses em geral terão de decidir se querem um país de charruas ou um país de cidadãos.

sábado, março 22, 2008

A direita espanhola é democrática?

A direita quer um Estado policial

O PSD também já tomou uma posição sobre a luta entre uma aluna e uma professora na escola Carolina Michaelis. Em declarações à TSF, Pedro Duarte, porta-voz social-democrata para a Educação, pede ao Governo para pensar nas razões que estarão na origem destes casos de violência.

E não hesita em criar um ambiente de intranquilidade.

Páscoa


Dizem-me que:


A Páscoa é sempre no primeiro Domingo depois da primeira lua cheia após o equinócio de Primavera (20 de Março). Esta datação baseia-se no calendário lunar que o povo hebreu usava para identificar a Páscoa judaica, razão pela qual é uma festa móvel no calendário romano. Mas sei que o imperador Constantino, no Concílio de Niceia, também se meteu no assunto, com a ajuda de 318 bispos, no ano 325.

Este ano a Páscoa acontece mais cedo do que qualquer um de nós voltará a viver! E só o Manuel de Oliveira e poucos mais viram alguma vez uma Páscoa tão temporã (maiores de 95 anos!).
A próxima vez que a Páscoa vai ser tão cedo como este ano (23 de Março) será no ano 2228 (daqui a 220 anos). Já poucos seremos vivos!!! A última vez aconteceu em 1913.

A próxima vez em que a Páscoa for um dia mais cedo, 22 de Março, será no ano 2285 (daqui a 277 anos). A última vez que foi em 22 de Março corria o ano 1818. Por isso, ninguém que esteja vivo hoje, viu ou irá ver uma Páscoa mais cedo do que a deste ano.

Quanto aos votos canónicos que é mister apresentar nestas festividades, relacionadas com o equinócio da Primavera, deixo a outros, mais créus, a formulação acompanhada do adjectivo relacionado com a santidade.

Ficam, porém, os votos de um bom fim-de-semana alargado e um abraço, para todos os leitores do Ponte Europa.

CDS-PP exige explicações ao Governo

O CDS-PP exigiu, esta sexta-feira, explicações ao Governo sobre a agressão a uma professora e disse que o novo Estatuto do Aluno vai contra a autoridade dos docentes. Caso as explicações não sejam convincentes, o partido vai levar o caso ao Parlamento.

Comentários:

1 - O vídeo é chocante, embora me pareça que a professora lidou da pior maneira com os marginais que lhe couberam em sorte;

2 - Não vejo razão para chamar a ministra ao Parlamento, a menos que seja para fazer esquecer os escândalos que pendem sobre o CDS;

3 - Paulo Portas pode aproveitar para dar explicações sobre os 60 mil documentos fotocopiados do ministério da Defesa.

4 - Quando houver uma agressão a um guarda florestal, por coerência, o CDS chama o ministro da Agricultura ao Parlamento.

sexta-feira, março 21, 2008

A Lei do Tabaco, a ASAE e o Vaticano...

(...)
Agora espero para ver o que a ASAE vai fazer com as alterações que o Vaticano pretende realizar na Eucaristia, nomeadamente o regresso à entrega da “hóstia” na língua e não na mão!

Existe algo mais perigoso para a saúde pública que uma mesma mão contaminada a entrar na boca de homens, mulheres e crianças?

Imaginam os inspectores, com a cara tapada e armados, a entrarem nas igrejas aos gritos de: “..Tu ! O gajo da sotaina, larga essas hóstias já e põe as mãos em cima da cabeça ! ..”

in Jornal de Peniche, por Nuno Neves

Catolicismo - desvarios da fé

As autoridades de saúde das Filipinas emitiram um aviso para as pessoas que participam nos rituais de crucificação da Páscoa, recomendam-lhes que se vacinem contra o tétano antes de se flagelarem e de perfurarem as mãos com os pregos na cruz, noticia a BBC, e aconselham ainda boas práticas de higiene, tais como a desinfecção dos pregos e dos outros instrumentos.


Fonte: SOL

Bin Laden - terrorista beato

Bin Laden, um beato criminoso e contumaz, não renuncia à obsessão pia de destruir a laicidade que assegura a democracia, a liberdade religiosa e os direitos humanos. Para o grotesco islamita só conta a vontade de Maomé, de acordo com a sua exegese do Corão. Direitos humanos, igualdade de género, liberdade individual e modernidade são detalhes que é preciso erradicar, para gozo do Profeta, porque não são direitos, são sintomas de declínio da fé.

O fracasso da civilização árabe, na sua incapacidade para criar algo de bom ou útil no seu ocaso, transformou a frustração generalizada de populações tribais em beatos que encontraram na religião e na língua árabe os traços de identidade, habilmente dirigidos para o ódio aos infiéis. Foi assim que o perigoso delinquente se transformou num herói que faz suspirar a rua islâmica.

A Europa, acobardada perante os clérigos, esquece as guerras religiosas que a laceraram no passado, cede à reclamação de privilégios e à apropriação do poder por vários credos enquanto descura a vigilância das instituições democráticas.

As acusações feitas a Bento XVI, a respeito das caricaturas de Maomé, além de falsas, são um ataque aos princípios democráticos e ao espírito de tolerância. Não podendo o Papa defender-se, por falta de pergaminhos democráticos, é obrigação dos europeus reagirem às acusações falsas e ameaças intoleráveis.

Na Europa das Luzes a publicação de caricaturas é um direito, independente dos gostos e das crenças que incomodem. O vídeo de Bin Laden ofendeu-me e, nem por isso, deixo de me bater para que a comunicação social tenha o direito de o exibir. É a liberdade que as religiões suportam mal e os clérigos execram.

Se hoje cedermos nas caricaturas, amanhã abolimos o álcool, depois proibimos o porco e acabamos a lapidar mulheres, a degolar hereges e a decapitar os membros aos ladrões, com cinco orações diárias e uma peregrinação a Meca.

Enquanto se confundirem as práticas medievais do Islão com características culturais, corremos o risco de não saber distinguir a civilização da barbárie, a democracia da fé e a liberdade do direito canónico.

Moral e hipocrisia

O célebre governador de Nova Iorque, Eliot Spitzer, famoso pela defesa intransigente da moral e dos bons costumes, foi obrigado a pedir a sua demissão, depois de notícias que o referenciavam como um assíduo cliente da prostituição de alta classe.

Sabendo-se que os americanos esquecem crimes (veja-se a invasão do Iraque) mas não perdoam os pecados, particularmente o do adultério, o governador foi obrigado a fazer o número do costume: pedir perdão, acompanhado da mulher, e demitir-se.

O democrata David Peterson, número dois da lista, substituiu Spitzer no cargo e tornou-se o primeiro governador negro de Nova Iorque. Já estão a investigar os rumores de que também é um adúltero mas o facto de ser invisual pode evitar-lhe a demissão, não via o que fazia.

Já Clinton teve a seu favor o facto de não ser bem adultério o que acontecia na sala oval. Nos EUA nunca falta um inquisidor da vida pessoal do tipo Kenneth Starr, fundamentalista religioso digno dos tempos da inquisição.

quinta-feira, março 20, 2008

Espaço dos leitores

Di Cavalcanti (Brasil) - Carnaval

Medida de direita?

Juízes condenaram-na a viver

O medo como arma populista (3)

Paulo Portas, esse que o leitor sabe, o fato às riscas com um ministro da Defesa dentro, o comprador de dois submarinos (um para subir, outro para descer), o que pôs na pasta da Justiça a Dr.ª Celeste Cardona (vá lá saber-se para quê), o mesmo que fez Bagão Félix ministro, até das Finanças, o homem que não faltou à missa de corpo presente da Irmã Lúcia, esse mesmo, que também evitou que a maré negra do Préstige chegasse a Portugal, dadas as suas boas relações com a Senhora de Fátima, mas que não impediu a falência da Amostra, os sucessivos esquecimentos fiscais, o abate dos sobreiros e os financiamentos duvidosos do CDS, Paulo Portas – dizia –, voltou à carga, na AR, com os problemas da (in)segurança.

A direita, a direita mais afastada do centro, no seu populismo e demagogia não resiste a deixar que lhe deslize o pé para a chinela, a utilizar medos para os aumentar e a inventar fantasmas assustadores para criar o clima propício a actuações autoritárias.

Para desmentir o pescador de águas turvas, aproveito o trabalho da excelente jornalista Fernanda Câncio que, não tendo à mão as estatísticas dos últimos 100 anos – segundo ela própria disse –, usou as dos últimos 14 anos, disponíveis na Internet para qualquer cidadão, num artigo do Diário de Notícias:

«Em 1994 foram registados 424 homicídios. Em 1995, 408. Em 1996, 391. Em 1997, 381. Em 1998, 340. Em 1999, 299. Em 2000, 247. Em 2001, 282. Em 2002, 266. Em 2003, 271. Em 2004, 187. Em 2005, 133. Em 2006, 194. E, finalmente, em 2007, 135. Esta evolução corresponde a uma descida sustentada de 68,2%».

Comentários, para quê?

E diz que não se arrepende...

...tal como os suicidas islâmicos.

George W. Bush falou ao país para assinalar os cinco anos da invasão do Iraque. Uma guerra que o Presidente norte americano diz ter valido a pena. Para quê e para quem?

- Para os quatro mil soldados americanos mortos?
- Para milhões de refugiados?
- Para os detidos sem culpa formada?
- Para os torturados?
- Para centenas de condenados à morte?
- Para as mulheres vítimas de violência?
- Para centenas de milhares de mortos, estropiados e desempregados?
- Para cristãos e judeus, perseguidos depois da invasão?
- Para o preço do petróleo?
- Para os negócios dos amigos de Bush?

quarta-feira, março 19, 2008

Bush voltaria a fazer o mesmo

O medo como arma populista (2). Opinião de um leitor

Nunca votei no PSD, partido que sempre esteve demasiado perto do PS, mas tenho que reconhecer que o Dr. Luís Filipe Menezes tem razão quando afirma que a insegurança é algo que se sente e a que se assiste todos os dias.

A imigração desregrada (promovida, também, pelo PSD...), tem criado um caldo explosivo de cultura, onde a identidade nacional se tem diluído, e até anulado.

A religião oficial da nação portuguesa - Católica Apostólica Romana - a única verdadeira, pura, intocável, indiscutível e eterna, tem sido vilipendiada e adulterada por clérigos modernistas e políticos "ecuménicos", quando é por demais sabido que o diálogo é impossível com os infiéis, membros de falsas religiões, aquelas que não seguem nem veneram Jesus Cristo Nosso Senhor, único soberano, perfeito e irrenunciável.

Isto tem permitido a proliferação de falsas crenças, algumas ligadas ao terrorismo, ao invés de as banir ou forçar a conversão dos seus seguidores ao catolicismo, tarefa descurada pelo Clero modernista, destruidor da Tradição, fomentador da actual situação de impureza.

Depois, como consequência lógica desta mistura étnica e religiosa, vem a insegurança, pois os infiéis e/ou elementos de outras raças não interiorizam, por inaptidão genética ou simples recusa, os valores da cultura nacional.

Desintegrados, louvando falsos deuses e por isso desorientados, dedicam-se ao crime, ao deboche e à vida destrutiva, algo que não tem lugar numa sociedade verdadeiramente católica e culturalmente pura.

Estamos todos a colher o que a cultura esquerdista do pós-25A semeou, PSD incluído.
Se a isto somarmos a cultura de morte e deliberadamente anti-família - aborto, eutanásia (a estar em breve na ordem do dia...), homossexualidade, divórcio facilitado, laicismo destruidor delirante, ateísmo, etc. - não é difícil concluir que vivemos uma idade de trevas, incomparável - por pior que é - com a Idade Média.

a) Pai de família

O medo como arma populista


Luís Filipe Meneses, incapaz de liderar a oposição ao seu próprio partido, prepara-se para explorar a insegurança e o medo aproveitando a maré de mediatização de todos os crimes.

No entanto, os números não o ajudam, felizmente. Lisboa é a segunda capital europeia com menor taxa de homicídios e, no País, o número tem vindo a descer de forma persistente e sucessiva, há vários anos.

É preciso topete

Hoje a situação no Iraque, «sem ser idílica, é muito boa» e, [para os iraquianos] é «menos difícil que na época de Saddam Hussein».

(Declarações de Aznar à Rádio 4 da BBC, a pretexto do 5.º aniversário da invasão do Iraque).

Momento de poesia

Bailarina

Maria del Pilar …
Corpo delgado,
Que veio ao mundo talhado
Para viver a bailar!

Figurinha amorosa de postal,
Dinâmica e franzina,
Trocou a bombazina
Por seda natural.
Pôs de lado os brinquedos de menina
E veio, de castanholas,
Mostrar a Portugal
Como sabem bailar as espanholas.

No Cabaret onde firmou contrato
Expôs o seu retrato,
Com aqueles olhos negros como um crime.
E quando dança, arrebatada e bela,
Lembra o seu corpo um vime
Batido pelos ventos de Castela.

Quem lhe ensinou os passos complicados,
Os movimentos rítmicos e lestos,
Os requebros ousados,
A magia dos gestos
Dos seus loucos bailados?
Ninguém. Ela não teve dançarino,
Que lhe ensaiasse as danças que interpreta.
Pois se há quem nasça já Poeta,
Também o corpo franzino
De Maria del Pilar,
Trazia impresso o destino
De vir à Vida bailar.

a) Armando Moradas Ferreira

terça-feira, março 18, 2008

Dalai Lama disposto a abdicar da divindade

Sua Santidade o Dalai Lama é o líder espiritual e político de uma anacrónica teocracia tribal em que ele próprio é o Deus autóctone. O país é feudal e os monges dispõem do poder a que os súbditos tribais são obrigados a submeter-se, uma violência consentida pelo respeito divino e igualmente reivindicada pelos dirigentes chineses.

O Tibete é um espaço de fome e tradição em que a ditadura teocrática foi esmagada pela ditadura chinesa, uma mistura de liberalismo económico atrevido e de repressão policial maoísta.

Quando o Deus vivo morre, renasce num outro corpo mais jovem. Não se confunda o ar pacífico deste monge, que o marketing despojou para consumo ocidental, com um democrata ou libertador. O 14.º Dalai Lama foi, como qualquer outro teocrata, dos 15 aos 23 anos, um biltre que oprimia, embrutecia e mantinha o seu povo na miséria, habitando palácios, antes de ter fugido para o exílio na Índia.

A esta dinastia de ditadores há-de voltar o Ponte Europa, uma dinastia em que o Deus-Rei é escolhido por monges e programado para ser vitalício, como convém a um tirano, e eterno, através dos seus avatares, como é próprio de um Deus.

Curioso é o facto de o Dalai Lama ameaçar resignar à santidade e ao carácter divino, embora o povo saiba que é Deus, mesmo que o próprio se veja obrigado a negá-lo, tal como aconteceu ao imperador do Japão em 1945.

De qualquer modo, a ignóbil tirania chinesa merece o mais activo repúdio. A China, independentemente da legitimidade territorial sobre o Tibete, continua a ser um país opressor, uma ditadura policial, indigna de receber os Jogos Olímpicos. E, hoje, é isso que está em causa.

Madeira com caruncho...

Ponte Europa/Pitecos - Zédalmeida

A superstição não mata. Nem o ridículo

Demorei a perceber o motivo por que os elevadores não paravam no 13.º andar dos hotéis onde a profissão me levou centenas de vezes. Simplesmente não tinham o andar n.º 13. Do 12 passavam ao 14, numa cedência à superstição dos fregueses.

Há poucos anos, a Grécia recusava transpor para o direito nacional uma qualquer lei europeia a que calhou o n.º 666, numa inflexibilidade típica da teologia reaccionária da Igreja ortodoxa.

Agora foi a vez do presidente da Câmara de Reeves, Luisiana (USA), que, após uma longa batalha, conseguiu obter a mudança do prefixo telefónico da cidade: o 666, número da Besta, substituído por um anódino 749.

«Era uma marca, um estigma na nossa cidade. Nós somos bons cristãos.» - declarou o pio edil Scott Walker.