quarta-feira, abril 30, 2008

Momento de poesia

Oração

Santificado seja o vosso nome Teu…

Não ergo a minha prece a procurar-Te
Nas alturas do Céu,
Porque Te sei presente em toda parte,
(Até, talvez,
Na gélida aridez
Do meu peito de ateu…)

Guarda o Teu reino aberto a quem é justo
Eu queria-o, mas não posso
Pagar o “Padre-nosso”
Que lhe arbitram por custo.

Ao pão de cada dia,
Não me tires o gosto
De ganhá-lo, à fatia,
Com o suor do meu rosto.

E não me dês perdões que eu não mereço,
Dos pecados que a carne me exigiu.
Que eu também não ofereço
O meu perdão aquele que me traiu.
Conserva-me a fraqueza
De ceder, hoje e sempre, à tentação!
Não me negues os dons que a natureza
Impôs aos seres da minha condição.

E rogo me concedas o direito
De sofrer o castigo
Dos males que Te hei feito
E das loucas palavras que Te digo.

a) Armando Moradas Ferreira

Espaço dos leitores

O rapto da Europa (Rubens)

Ele leva-se a sério...

Alberto João Jardim, no jornal que sobrevive com o dinheiro dos contribuintes:

*
Olha quem fala!!!!!!!!

«Concerto de Violino de Chopin» por Santana Lopes

E os culpados impunes...

PSD - uma candidatura divertida

*
Nota: O cavalheiro pensou que Cavaco e Gama falavam a sério.

Ponte Europa

Hoje saí cedo para participar em iniciativas cívicas relacionadas com o 25 de Abril. Cheguei perto da meia-noite e deparei com a caixa de comentários, relativa ao anúncio da formação da Associação Ateísta Portuguesa, cheia de insultos e de manifestações de intolerância.

Sou do tempo em que o ensino da Religião católica era obrigatório desde a escola primária até ao fim do liceu, o atestado de baptismo era um documento exigido em escolas de enfermagem e a prática da religião católica condição sine qua non para se ser professor do ensino primário.

A liberdade religiosa é hoje um facto, liberdade entendida como direito de ter ou não ter qualquer religião, abandoná-la ou censurá-la, mas os demónios totalitários dos cúmplices da ditadura fascista persistem nas cabeças dos herdeiros de fogueiras da Inquisição.

Sob a capa do anonimato, há primatas que se reclamam de universitários, medíocres na gramática e no carácter, intolerantes no pensamento e na acção e atrevidos nos insultos e na ignorância. Ou mentem ou envergonham qualquer universidade.

Não falta quem maltrate a liberdade que há 34 anos nos foi oferecida pelos capitães de Abril. Esses podiam viver ainda sob qualquer ditadura porque só aprecia a democracia quem tem a inteligência, a cultura e a sensibilidade para a desfrutar.

Ou quem sofreu a violência da ditadura fascista e da guerra colonial. A convivência cívica e a tolerância exigem um processo lento de aprendizagem, mas é tempo de todos fazermos um esforço nesse sentido.

terça-feira, abril 29, 2008

Associação Ateísta Portuguesa - AAP

A Associação Ateísta Portuguesa está em formação.

Momento de poesia



PREGUIÇA


Se faço muito, canso-me
se não faço nada, morro,
se me levanto, espreguiço-me
se me sento, entorpeço ...

Se corro célere
fico esgotado ...

Aqui onde me encontro
estendido
entre o não e o sim
da vontade que há e não há em mim
sinto-me confortavelmente adiado
e continuo eternamente perdido ...

Alexandre de Castro - Lisboa, Novembro de 1998

segunda-feira, abril 28, 2008

Economia – Recessão e caos (2). Opinião de um leitor

(Crise económica - 1929)
Sua excelência, a Crise

Pouco a pouco a linguagem dos políticos e dos economistas vai mudando; começou por ser “incerteza”, passou a “crise”, já há quem fale em “recessão” e, não tarda, ouviremos falar de “colapso”.

Mas por quê esta crise?

Como é sabido, crise e crescimento económico estão correlacionados; quando há crise baixa o crescimento; ao invés, quando baixa o crescimento há crise. Os economistas conhecem as receitas para impulsionar o crescimento: taxas de juro mais favoráveis, investimentos programados, gestão das expectativas, etc... Só que estas receitas funcionam, melhor, funcionaram no passado mas não vão funcionar no presente. E isto porque em muitos aspectos estamos muito próximos da fronteira física que limita o crescimento (reveja-se Limits to Growth).

Um dos maiores condicionantes ao crescimento é o preço da energia, sobretudo do petróleo, outros são a escassez de matérias primas, emissões de CO2, etc.. Só que desta vez e contrariamente aos choques petrolíferos de 73 e 80, o preço alto do petróleo significa escassez, ou se preferirem desajustamento entre a oferta e a procura.

Os próximos 2 anos vão ser muito complicados e o problema vai-se agravar: a Rússia que tem assegurado o abastecimento criado pela procura adicional está na eminência de entrar em queda de produção de crude e de gás; a Arábia Saudita não deverá crescer, o México está com problemas em Cantarel; a Noruega e o Reino Unido estão já a ver o fundo do poço no Mar do Norte; o Brasil e Angola não vão chegar para as encomendas!

Infelizmente nem Obama nem MacCain vão poder resolver o problema nem evitar o pior!
.

Economia – Recessão e caos

A recessão económica, que alguns depreciam para suavizar a queda no abismo e outros negam para atenuar o pânico enquanto fazem os últimos negócios bolsistas, parece vir a caminho, sem anunciar a intensidade e a duração.

É a altura propícia para as oposições responsabilizarem os governos de turno onde há democracia e para endurecerem a repressão onde a não há.

As expectativas fazem mais pela boa saúde da economia do que esta pelo bom augúrio daquelas. O actual momento é negro e ninguém se arrisca a alvitrar se esta depressão será breve e vem a caminho a euforia que precederá a próxima.

Os ultraliberais estão pasmados, envergonhados com a fé que depositavam no mercado e a publicidade que faziam. Os extremistas têm agora uma oportunidade de oiro para a propaganda das suas utopias. O desespero é o húmus do extremismo e as desgraças o alimento das crenças.

Nestas alturas, as posições moderadas e os que as defendem são vozes que clamam no deserto. Há formas de opressão que podem ser tentadas de novo, mas as piores são as que ainda não foram experimentadas. Para essas não há vacinas, nem na memória dos povos nem no arsenal da democracia.

Espectáculo de «A BARRACA»


A BARRACA estreia no próximo dia 30 de Abril às 21h30 “OBVIAMENTE DEMITO-O!” com texto e encenação de Helder Costa.

“Obviamente demito-o!”. Com esta frase Humberto Delgado criou o cataclismo que anunciou o fim de Salazar. A partir daí Portugal nunca mais foi o mesmo.

A luta difícil e corajosa contra a tirania do sacrifício, do pecado e do martírio, chegou pela mão de jovens capitães no 25 de Abril.

Finalmente o fascismo tinha sido DEMITIDO.
Bilhetes12,5 € Menores 25, Maiores 65, Estudantes, Reformados e Grupos (+ 15 pessoas): 10 €Quintas - Feiras: 5€ (preço único)
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domingo, abril 27, 2008

Espaço dos leitores

Ponte Europa/Pitecos - Zédalmeida

Sobra o horror, minguam as palavras

Mais um caso de sequestro prolongado veio a público na Áustria. Uma mulher esteve mais de 20 anos prisioneira do seu próprio pai, de quem terá tido sete filhos.

Os profetas merecem respeito?


Já chegámos à Madeira

O presidente do Governo Regional da Madeira admitiu candidatar-se à liderança do PSD impondo como condição que todas as candidaturas existentes o apoiem contra Manuela Ferreira Leite.

Comentário: A sobriedade não é o forte do homem.

À procura de quem lhe pegue

sábado, abril 26, 2008

Óbvio ululante

MST in Expresso

Cumplicidades


Fonte: EXPRESSO

Santanismo - moléstia recidivante

...Depende para que funções

sexta-feira, abril 25, 2008

25 de Abril


Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo



Sophia de Mello Breyner Andresen

Mensagem da Associação 25 de Abril

Há 34 anos os Portugueses passaram a olhar para os seus militares com orgulho e gratidão.

Não era caso para menos: foram eles que, numa manhã radiosa, os fizeram acordar em Liberdade, livres das grilhetas da ditadura, esperançados num futuro de Paz e Desenvolvimento. Tudo de um dia para o outro e sem que nada o fizesse prever. Por isso, a surpresa, primeiro, e a explosão de alegria e sonhos, depois.

Passados 34 anos é com perplexidade que os Portugueses assistem às múltiplas desconsiderações feitas pelo poder a esses mesmos militares, de formas que nos abstemos de adjectivar, apesar de muito os utilizarem, aproveitando a sua permanente disponibilidade e competência em acções da sua política externa. Ao ponto de os olharem como cidadãos de segunda, a quem, contrariamente ao estabelecido na Constituição, querem silenciar para todo o sempre. Mesmo que no fim da vida, quando deixaram o serviço activo.

Enquanto isso, esses mesmos militares, porque civilistas, democratas e patriotas, procuram continuar a contribuir para a consolidação dos ideais de Abril, que há 34 anos os levaram a tudo arriscar, ao serviço dos seus compatriotas, mas assistem, quantas vezes com revolta, à perda constante de muitos resultados positivos alcançados, assistem à perda de liberdades, valores, princípios, ideais e ao regresso de velhos usos das ditaduras, como a delação e a imposição do medo.

Continuamos, como há 34 anos, a considerar que a democracia é o menos mau de todos os sistemas políticos. Mas, como menos mau, tem de ser encarado como sistema do percurso para uma vida melhor, não o definitivo, e tem se ser permanentemente aperfeiçoado. Em democracia, existem deveres mas existem também direitos, individuais e colectivos. Por nós militares de Abril, não abdicamos duns nem de outros. A nossa postura cívica assim no-lo impõe. Por mais que nos queiram calar, não desistiremos. Não aceitamos que nos tirem a nossa dignidade, que uma vez assumida, nos levou a derrubar a ditadura, a terminar a guerra e a cumprir todas as promessas, então feitas.

E, como a Democracia é, antes de mais, a defesa dos valores consignados na Declaração Universal dos Direitos do Homem, nas Constituições livremente redigidas, no igual respeito por todos e cada um, no acatamento da vontade colectiva, não desistimos de pugnar por defender esses valores.

De defender uma sociedade mais solidária, onde os rendimentos sejam justamente distribuídos por quem os produz. Não podemos aceitar uma sociedade onde o trabalho recebe menos de 40% desse rendimento e o capital mais de 60%. Com a agravante de, mesmo no mundo do capital, a mera especulação se sobrepor ao simples investimento. Continuamos a pugnar por uma sociedade onde o poder económico se não sobreponha ao poder político, com práticas sempre farisaicas, onde rapidamente esquece o liberalismo e a desejada ausência de Estado, quando se confronta com problemas graves, como vem acontecendo mais vezes do que desejavam, e impõe rapidamente a intervenção desse mesmo Estado, para lhe resolver os problemas que ele próprio criou. Sempre à custa dos cidadãos que tudo são obrigados a suportar, sempre em nome de ditos interesses superiores.

Uma sociedade onde o fosso entre os mais ricos e os mais pobres não aumente despudoradamente, com o poder das classes médias a diminuir drasticamente, com evidente perigo para a estabilidade saudável e a respectiva paz social.

Uma sociedade onde os partidos políticos voltem a ser instrumentos fundamentais do sistema democrático, acabem com a cobertura à corrupção, ao compadrio, ao tráfico de influências, enfim, sirvam em vez de servir-se.

Gostaríamos de emitir uma mensagem optimista. É difícil, nos tempos que correm, onde são várias as vozes que se levantam a prever convulsões e limitações das liberdades.

Por nós, mulheres e homens, civis e militares da Associação 25 de Abril, estamos confiantes na capacidade dos Portugueses, na defesa de um País de Abril, democrático, mais livre, mais justo e em paz.
Por isso lutamos! Convictos que muito da actual conjuntura passará e os cravos voltarão a florir!

Estamos em tempo de alertar a malta, de avisar toda a gente, de não poder ignorar, de não poder calar!

Tudo faremos para evitar que se regresse ao passado, um passado onde se volte a justificar outro 25 de Abril.

Não queremos voltar a ir para longe, porque não queremos ter de regressar. Queremos continuar aqui, na luta pelos nossos ideais.

Assim o queiramos todos, porque se todos nos empenharmos nessa luta, Abril será o futuro.

Viva o 25 de Abril!

Viva Portugal!

Abril de 2008

Viva o 25 de Abril

«Trova do Vento que Passa»

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu paíse
o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre

quinta-feira, abril 24, 2008

Véspera da madrugada


25 de Abril... Sempre

Há quem, sendo quem é, esqueça a quem o deve. Há pessoas que Abril fez gente e, se pudessem, retiravam o dia 25 ao mês e suprimiam Abril do calendário.

Há quem exonere da lapela o cravo e da memória a Revolução, parasitas de alheia coragem, a comer frutos da árvore que não plantaram e a repoltrearem-se à farta na mesa que não puseram.

Há quem cavalgue a onda da democracia com ar de enfado e sinta azia com as madrugadas. São os chulos da democracia, proxenetas da liberdade.

Há quem esqueça que há 34 anos alguém arriscou a vida para nos devolver a honra, pegou em armas para nos dar a paz, derrubou a ditadura para trazer a democracia.

Há quem despreze Salgueiro Maia, Melo Antunes, Vasco Gonçalves, Carlos Fabião e outros mais, quem se esqueça de recolher uma pétala vermelha de um cravo de Abril em memória dos que partiram.

Não sei se a Pátria recordará, como deve, os que fizeram Abril. Mas certamente há-de esquecer os parasitas que medram à sua custa e olham o umbigo do seu narcisismo de costas para quem, há 34 anos, fez florir nos canos das espingardas cravos.

Glória eterna aos capitães de Abril.

Abril, Sempre. Clic

quarta-feira, abril 23, 2008

Tratado de Lisboa

O Tratado de Lisboa foi esta tarde ratificado pela Assembleia da República, com os votos a favor do PS, PSD e CDS-PP e a oposição dos restantes partidos.

O Primeiro-ministro, José Sócrates, referiu que esta é uma vitória da Europa e uma “forma particularmente feliz de comemorar a revolução".

Comentário: Gostaria que tivesse havido referendo mas sou solidário com a decisão da A.R.

Espaço dos leitores

Manuela Ferreira Leite

Anti-semitismo - Causa da decadência portuguesa

A obsessão dos milagres não é de hoje. Hoje podemos rir-nos, há quinhentos anos seríamos queimados.

Madeira - Ódio ao Continente...

... ou fartos de Jardim?

Abril....

Mal enterrados, ainda mexem...

O actual líder parlamentar do PSD, Pedro Santana Lopes, estará a avaliar uma possível candidatura à liderança do partido, de acordo com a TSF, após a demissão de Luís Filipe Menezes, que Santana disse que apoiaria caso se recandidatasse.

Momento de poesia

Obrigado

Para um sexagenário
Sem ilusões e sem perucas
As folhas do calendário
São como folhas caducas
De que a árvore se deslaça
E tombam nas nossas nucas
Em cada Outono que passa.

E Anos Novos e Natais
E outros dias consagrados
São exactamente iguais
Aos dias cronometrados
Que se sucedem sem tréguas
Como assassinos malvados
Com botas de sete léguas.

Mesmo assim eu agradeço
Em letras mais modestas
O beijo que não mereço
Por circunstancias funestas.
E acendo um desejo
Na chama que hoje me emprestas
Dou-te também o meu beijo
De notas acres e lestas
Como um som de um realejo
Em quadra de Boas-Festas.

a) Armando Moradas Ferreira

terça-feira, abril 22, 2008

Cuidado com os nazis

Quando a intimidação de um jornalista é um ataque à liberdade de imprensa, quando a expressão do ódio a uma raça é a imagem de marca da mentalidade, não estamos no campo do debate político, estamos no terreno do terrorismo ideológico e não só.

Daniel Oliveira é um excelente jornalista e um cidadão corajoso. Lê-lo no Expresso ou no Arrastão é ter a certeza de encontrar quem, não pensando como eu, é escorreito na gramática e no pensamento e honrado nas opções políticas e no exercício da cidadania.

Quando o jornalista afirma ter medo do "delinquente" Mário Machado não usa uma figura de retórica, recorda apenas que o arguido é o líder dos 'hammerskins' e esteve ligado ao homicídio de Alcino Monteiro.

Para além da solidariedade devida a Daniel Oliveira, quero deixar aqui o mais veemente repúdio pelo racismo, xenofobia e violência que são apanágio dos nazis.

A morte lava mais branco

O funeral do cónego Eduardo Melo, da Sé de Braga, deu origem a uma importante concentração fúnebre.

Uns foram para terem a certeza de que ficaram livres de uma testemunha incómoda, outros para prestarem homenagem a um homem que não hesitaria em defender a Igreja à bomba.

Não foi a devoção que o celebrizou, foi o poder que o tornou temido e respeitado. A estátua que lhe fizeram não foi uma homenagem às ave-marias que rezou, às missas que disse ou à frequência com que sacava do breviário. Foi a paga dos favores que fez, das cumplicidades que teceu, do poder que detinha. Não era homem para andar de hissope em punho a aspergir beatas que arfavam à sua volta antes da Revolução de Abril, era um homem de acção. Do futebol à política. Do salazarismo ao MDLP.

O cónego Eduardo Melo pode não ter sido responsável pelo assassínio do padre Max, cujo crime ficou impune graças a uma investigação pouco eficiente, mas presume-se que não o chorou.

Na morte teve a acompanhá-lo o inevitável presidente da Câmara, Mesquita Machado, o Governador Civil e um secretário de Estado, além de gente anónima que aproveitou os autocarros gratuitos para ir a Braga.

O bem-aventurado cónego, que nunca renegou a admiração por Salazar e a animosidade à democracia, foi a enterrar quatro dias antes do 25 de Abril que tanto detestava. Podia ter vivido até ao 28 de Maio. Era uma data mais grata à sua alma, uma consolação para quem nunca se adaptou à democracia.

Candidatura que compromete Cavaco


COMEMORAÇÃO DOS 34 ANOS DO 25 DE ABRIL - COIMBRA

PROGRAMA GERAL

Dia 29 de Abril de 2008

10H00/12H30 – 15H00/17H30
Casa Municipal de Cultura de Coimbra – Salão de Conferências.
Colóquio: “Abril e os livros”.

25 de Abril…tão próximo e tão distante! Para alguns a revolução é ainda uma memória íntima e calorosa. Para outros uma bruma histórica que só pertence às gerações mais velhas. Porém, entre o princípio do prazer que é a revolução sonhada e o princípio da realidade que é a revolução efectiva, algo de radicalmente novo aconteceu que, não sendo historiável ou sequer comemorável, permanece na memória de um povo, como narrativa exaltante e inspiradora das mais fundas expectativas de felicidade colectiva.
Ao propormos um regresso aos livros que os nossos convidados escolheram como mais fiéis companheiros dessa fabulosa aventura, não o fazemos por passadismo ou nostalgia. Antes por um desafio a uma memória activa, a um regresso ao futuro. Um encontro num tempo e num lugar em que todos, à semelhança de Sophia, acreditámos num projecto “racional, limpo e poético”.

Participantes: Abílio Hernandez, Anabela Monteiro, Armando Azevedo, Augusto Monteiro, Eduarda Dionísio, Isabel Melo.
Moderadores: José Dias, Manuela Cruzeiro.

19H00
Restaurante Universitário da Sereia
Jantar convívio do 25 de Abril.
Inscrição prévia (preço por pessoa:10,00 euros).

21H30
Auditório do Instituto Português da Juventude
Espectáculo comemorativo do 25 de Abril.
“Grupo Quatro Elementos”, “Dança Contemporânea” e “Sax Ensemble”.
Organização do INATEL/Delegação de Coimbra, em parceria com a Associação 25 de Abril/Delegação do Centro e o Instituto Português da Juventude/Subdelegação de Coimbra.

Entrada livre.

Vítimas e algozes na homenagem do Presidente da Câmara

O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, inaugura terça-feira o «memorial às vítimas da intolerância» evocativo do massacre que vitimou entre 2 a 4 mil lisboetas em 1506, suspeitos de professarem o judaísmo.
(...)
O início da cerimónia está marcado para as 11h00 de terça-feira, contando com a presença do presidente da autarquia lisboeta, do cardeal-patriarca de Lisboa D. José Policarpo e do rabino de Lisboa, Eliezer Sahi Di Martino.

O Islão é uma religião tolerante

Momento de poesia

A Guerra que comprei na minha infância…



Cheguei a casa, feliz, e disse:
Comprei uma guerra para brincar.
Meu pai ficou aflito
e ele, que não foi à tropa
por ter ficado livre na inspecção,
devido à cunha de um padrinho,
disse que não queria tiros ali em casa,
nem os quartos transformados em casernas
nem a retrete a cheirar às fétidas latrinas dos quartéis.
Dos tachos da cozinha, nem falar, que estão
pela hora da morte neste país, por isso
não os podes usar como capacete
nem os paus das vassouras como espingardas.
A guerra é um vício da História, bradou colérico,
e logo a vizinha do lado, de quem ele
não gostava nada, veio à janela
perguntar se o pão ia ser racionado, como
na guerra anterior, e se era obrigatório colar
as tiras de jornal nas vidraças das janelas
por causa dos bombardeamentos.
Não, gritou-lhe o meu pai,
esta não é a guerra dos legionários
nem a cruzada do Cristo-Rei.
Mas já a rua se agitava
só porque as pessoas ouviram falar de guerra
e em manifestação ruidosa foram
à câmara municipal pedir armas para combater
já que em casa não tinham pão nem toucinho
para comer.
Nem pensar, disse o presidente,
que era obrigado a dizer
que o país vivia em paz e em harmonia.
E já eu andava na rua com os outros
meninos da escola a rufar no tambor
da guerra que comprei
a marchar em formatura, fardado de lusito,
engalanado de soldado,
e a bradar, ao mando do comandante:
Salazar!... Salazar!... Salazar!...

Alexandre de Castro

segunda-feira, abril 21, 2008

Factos & documentos

(Clique para aumentar)

PSD - Finalmente uma candidatura credível


Segundo a Sic Notícias, Manuela Ferreira Leite anuncia amanhã, terça-feira, a sua candidatura e conta com o apoio de Rui Rio.

Para além de Rui Rio imaginam-se outros apoios menos explícitos.

Paraguai – Fim de 60 anos de poder da direita

O bispo católico Fernando Lugo interrompeu o serviço divino para se dedicar ao serviço público, com manifesto desagrado do Papa e fraca satisfação popular.

Quiseram os eleitores que o bispo, preocupado com o seu país, com a extrema miséria e enorme mortalidade infantil, com instituições corrompidas e o risco de fraude eleitoral, ganhasse as eleições com cerca de 10% de vantagem sobre a sua opositora do Partido Colorado.

É ampla a coligação que o bispo lidera e cheia de contradições internas, mas é maior a esperança dos eleitores que resistiram à chantagem e tiveram a coragem de pôr fim a um Governo que durante seis décadas dominou o País.

No Paraguai 80% das terras estão nas mãos de 2% da população e o Partido Colorado (agora derrotado) domina o aparelho de Estado desde 1947, com o poder consolidado em 1954 pelo general Alfredo Stroessner, através de um golpe de Estado e da violenta ditadura que se lhe seguiu, regime que terminou com uma sublevação comandada por um sector do poder que, assim, o conseguiu conservar.

Que o presidente eleito, D. Fernando Lugo, tenha a sabedoria e a tenacidade para alterar a correlação de forças que permitiu tão longa e infeliz permanência do Partido Colorado à frente do país.

Ámen.

Música francesa


domingo, abril 20, 2008

Morre López Trujillo

O cardeal colombiano Alfonso López Trujillo, de 72 anos, presidente do Pontifício Conselho para a Família, morreu neste sábado em Roma de uma infecção pulmonar, informou a clínica romana Pío XI.
(...)
López Trujillo defendeu com firmeza no Conselho Pontifício para a Família a condenação do aborto, da homossexualidad, do feminismo e do uso de preservativos.
(...)
O cardeal colombiano foi um dos ferrenhos perseguidores, ao lado do então cardeal alemão Joseph Ratzinger, atualmente Papa Bento XVI, da Teologia da Libertação pregada pelo brasileiro Leonardo Boff, o salvadorenho Jon Sonbrino e o peruano Gustavo Gutiérrez. AFP

Para mais tarde ressuscitar

Ponte Europa/Pitecos - Zédalmeida

IURD - Apoteose da fé e da ganância €€€

Este não é o meu Presidente



O presidente da República, Cavaco Silva, agradeceu ontem a forma como foi recebido na sua visita à Madeira por Alberto João Jardim, a quem teceu rasgados elogios pela obra realizada em 30 anos de autonomia regional.
(...) Dirigindo-se directamente a Jardim, disse "O senhor não precisa de elogios, porque a sua obra fala por si", sublinhando, novamente, que "podia orgulhar-se da obra que realizou ao longo de 30 anos de autonomia".

Sem respeito pelo morto nem pela verdade

Nuno Melo

"O cónego Melo foi uma personalidade com um papel activo, à sua escala, para a implantação da República tal como hoje a vivemos", afirmou à Agência Lusa Nuno Melo, deputado do CDS.

Trágica realidade

sábado, abril 19, 2008

Espaço dos leitores

Vieira da Silva

Guilherme Silva dixit...

O deputado PSD na Assembleia da República, Guilherme Silva, afirmou ontem que a decisão do presidente do partido, Luís Filipe Menezes de convocar eleições directas é «o princípio do fim da crise», considerando que Alberto João Jardim seria «um belíssimo candidato».

.
Nota: Recentemente vieram a público os montantes recebidos pelo advogado Guilherme Silva como consultor do Governo Regional da Madeira.

Requiem por Luís Filipe Meneses

Miguel Sousa Tavares in Expresso

Cavaco Silva na Madeira

Miguel Sousa Tavares in Expresso.

Islão - Perda da im(p)unidade eclesiástica

Seis homens foram ontem condenados pelos crimes de apoio e incitação de actos terroristas pelo tribunal de Kingston, em Londres. O grupo é encabeçado pelo conhecido clérigo Abu Izzadeen que, no passado, agrediu verbalmente o então ministro do Interior britânico, John Reid.

FINALMENTE!!!!!!!!

Há meio século…

Está a fazer cinquenta anos que os alunos e alunas do Liceu Nacional da Guarda ficaram retidos durante a tarde de um sábado, sob ameaça de processo disciplinar para os que faltassem, enquanto o general Humberto Delgado não saísse da cidade.

O Dr. Ferreirinha, dirigente da Mocidade Portuguesa, a organização fascista juvenil do salazarismo, procurou servir-se de uma farsa de Gil Vicente, «Quem tem farelos», e da sua linguagem pícara, para distrair os estudantes.

O epíteto com que Ordoño era solicitado a esperar foi devolvido ao professor por um dos alunos, impaciente entre a multidão, ansioso por ir dar vivas a Delgado. Os insultos tornaram-se frequentes e cada vez mais provocatórios. O Dr. Ferreirinha fingiu não ouvir, engolindo o insulto, por subserviência ao reitor e frete à ditadura. Dessa vez não houve participação, nem inquérito, nem suspensões.

Só saímos quando o general abandonou a cidade. A leitura da farsa terminou aí. O liceu, que serviu de cárcere, foi para muitos alunos o lugar de reflexão sobre a liberdade.

Na derrota eleitoral da ditadura, que se seguiu, logo transformada em vitória sua, no clima de medo, desconfiança e terror, no ar sinistro do reitor, na cobardia e conivência dos professores, havia já os sinais premonitórios do assassínio que os esbirros da PIDE haviam de cometer com a cumplicidade do frio e implacável ditador Salazar.

A repressão é muitas vezes o método mais eficaz para ensinar o gosto pela liberdade.