sábado, maio 31, 2008

O inesquecível Governo do fugitivo...

O contrato de venda do terreno da Quinta da Falagueira.

PSD - Eleitores não são parvos


Manuela Ferreira Leite lidera os votos das eleições directas no PSD e deverá ser a próxima líder social-democrata. Aos 67 anos, a antiga ministra será a primeira mulher a assumir a liderança de um partido político em Portugal.

Lapsus linguae

Fonte: Público de 30/05/2008

Apostila: Há dias, na TV, o PR falou em coisas «gráteis». Será o plural de «grátil»? Os lapsos são grátis.

sexta-feira, maio 30, 2008

Associação Ateísta Portuguesa

«Manifesto Ateísta»

Na sequência da legalização da Associação Ateísta Portuguesa (AAP), os outorgantes da respectiva escritura saúdam todos os livres-pensadores: ateus, agnósticos e cépticos, que dispensam qualquer deus para viverem e promoverem os valores da liberdade, do humanismo, da tolerância, da solidariedade e da paz.

Os ateus e ateias que integram a AAP, ou a vierem a integrar, aceitam os princípios enunciados pela Declaração Universal dos Direitos do Homem e respeitam a Constituição da República Portuguesa.

O objectivo da AAP é mostrar o mérito do ateísmo enquanto premissa de uma filosofia ética e enquanto mundividência válida. Porque o ser humano é capaz de uma existência ética plena sem especular acerca do sobrenatural, e porque todas as evidências indicam que nenhum deus é real.

A AAP defende também os interesses comuns a todos os que escolhem viver sem religião, defendendo o direito a essa escolha e a laicidade do Estado, e combatendo a discriminação e os preconceitos pessoais e sociais que possam desencorajar quem quiser libertar-se da religião que a sua tradição lhe impôs.

A criação da AAP coincide com uma generalizada ofensiva clerical a que Portugal não ficou imune. Apesar de o ateísmo não se definir pela mera oposição à religião e ao dogmatismo, em nome da liberdade, da igualdade e da defesa dos direitos individuais a AAP denuncia o proselitismo agressivo e a chantagem clerical sobre as sociedades democráticas. O direito de não ter religião, ou de ser contra, é igual ao direito inalienável de crer, deixar de crer ou mudar de crença, sem medos, perseguições ou constrangimentos.

O ateísmo é uma opção filosófica de quem se assume responsável pelos seus actos e pela sua forma de viver, de quem dá valor à sua vida e à dos outros, de quem cultiva a razão e confia no método científico para construir modelos da realidade, e de quem não remete as questões do bem e do mal para seres hipotéticos nem para a esperança de uma existência após a morte. A AAP representa todos os que optem por esta forma de viver e defende a sua liberdade de o fazer.
Lisboa, 30 de Maio de 2008

Uma boa notícia se...

...com a República vier a democracia plena.

KATMANDU - A bandeira real foi retirada nesta quinta-feira, 29, do Palácio de Katmandu, onde ainda vive o rei deposto Gyanendra e sua família, informou uma fonte dos serviços de segurança do Nepal.

Todos os homens são iguais...



O Vaticano estabeleceu ontem a excomunhão de todas as mulheres que forem ordenadas sacerdotisas, assim como a dos padres que as ordenarem, segundo um documento da Congregação para a Doutrina da Fé tornado público.

quinta-feira, maio 29, 2008

Espaço dos leitores

Picasso

Tarde... para muitos

PSD - A luta interna e os impostos

Prometer baixar impostos, nas actuais circunstâncias, só pode ser por oportunismo ou insensibilidade social, numa altura em que a pobreza exige cada vez maior esforço financeiro do Estado.

Portugal – Centenário da República

No passado dia 16 de Maio foi nomeada a Comissão Nacional para as comemorações do Centenário da República com a incumbência de apresentar ao Governo, no prazo de três meses, a proposta de Programa. Apesar do prestígio das personalidades, acordadas entre o Governo e o PR, temo o rumo das comemorações.

A república não é um regime neutro, é antagónico da monarquia. Ao direito hereditário prefere o escrutínio popular, em vez do carácter vitalício exige mandatos balizados no tempo, à aristocracia do sangue opõe a igualdade de direitos e dos vassalos faz cidadãos.

As monarquias tornaram-se obsoletas. Em Portugal as taras dos Braganças contribuíram para o seu descrédito acelerado, mas em outros países caíram por traição, inutilidade ou esgotamento. As que persistem, inúteis e arcaicas, são relíquias folclóricas para exibição de pompa em circunstâncias especiais.

Em Portugal, a monarquia legou 75% de analfabetos, 80% de camponeses sem qualquer instrução ou assistência, uma crise financeira arrastada desde 1890, uma Igreja que cultivava a superstição e criaria Fátima e a desordem e o caos que iam da rua ao Paço. A República suportou as conspirações monárquicas e as cisões republicanas, numa réplica invertida das duas últimas décadas da monarquia, e a guerra de 1914/18.

Mas…

Sem a República, implantada em 5 de Outubro de 1910, não teriam sido possíveis as leis que colocaram Portugal entre os países mais avançados do seu tempo: separação da Igreja/Estado, laicidade do ensino, reforma da universidade, divórcio, registo civil e a nacionalização de algumas propriedades do extenso património da Igreja.

Celebrar o avanço civilizacional legado pela 1.ª República exige que às leis inovadoras e socialmente justas de então, correspondam agora novos avanços, por exemplo, a não discriminação das uniões homossexuais, uma lei equilibrada sobre a eutanásia, além de comemorações condignas do honrado centenário.

Todavia, se os ventos conservadores de Belém não forem contrariados por S. Bento, se ao espírito pio de alguns conselheiros predilectos do PR não responder um sobressalto republicano e laico, Portugal arrisca-se a ter missas por alma de Sidónio e a associar a República e a ditadura salazarista.

O 5 de Outubro de 2010 seria a data simbólica ideal para aprofundar o carácter laico do Estado e, eventualmente, denunciar a Concordata. O Governo não se pode esconder sob o manto do PR para dirigir a política externa, que é da sua exclusiva competência.

Associação Ateísta Portuguesa



Escritura de constituição da

«Associação Ateísta Portuguesa»



Amanhã, dia 30 de Maio de 2008 pelas 12,00 Horas, terá lugar no Cartório Notarial da Exmª. Senhora Notária Drª. Sofia Henriques, sito na Avenida da República, n.º 6 – 1º andar Dt.º em 1050 - 191, a escritura de constituição da «Associação Ateísta Portuguesa».

A «Associação Ateísta Portuguesa» propõe-se e constituem seus objectivos:

1. Fazer conhecer o ateísmo como mundividência ética, filosófica e socialmente válida;
2. A representação dos legítimos interesses dos ateus, agnósticos e outras pessoas sem religião no exercício da cidadania democrática;
3. A promoção e a defesa da laicidade do Estado e da igualdade de todos os cidadãos independentemente da sua crença ou ausência de crença no sobrenatural;
4. A despreconceitualização do ateísmo na legislação e nos órgãos de comunicação social;
5. Responder às manifestações religiosas e pseudo-científicas com uma abordagem científica, racionalista e humanista.

Mais pormenores poderão ser encontrados nos Blogs:
«Random Precision» (http://www.rprecision.blogspot.com)
«Diário Ateísta» (http://www.ateismo.net)
e ainda pelo telefone 91 727 48 80

Odivelas, 29 de Maio de 2008
A Comissão de Constituição

quarta-feira, maio 28, 2008

28 de Maio de 1926

Foi há 82 anos, uma tragédia que havia de durar 48.

Relatório da nossa vergonha

“As alegações de maus-tratos por parte da polícia e subsequente impunidade dos envolvidos persistiram durante o ano de 2007, bem como os actos de violência contra as mulheres”, lê-se no relatório da Amnistia Internacional.

É preciso topete

O aumento sucessivo do preço da água e os aumentos intoleráveis que se anunciam não serão devidos à substituição dos eficientes serviços municipalizados das Câmaras municipais pelas Empresas Públicas Municipais de Águas, um expediente para criar empregos bem remunerados para amigos e correligionários?

«Os consumidores acham cara a tarifa mas consomem água engarrafada, mais dispendiosa» - disse o inqualificável presidente da Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas, um tal Carlos Martins, com a falta de sensibilidade e de bom senso de quem, em vez de água, deve beber champanhe.

A rã da discórdia

A escultura do artista alemão Martin Kippenberger que mostra uma rã crucificada com um ovo numa das mãos e uma jarra de cerveja na outra (foto), exposta no novo museu da Arte Moderna de Bolzano (norte de Itália) provocou uma violenta reacção do bispo local, que pediu respeito pelos sentimentos religiosos e exigiu que fosse retirada.

Estamos numa situação semelhante à das caricaturas de Maomé, com uma diferença – a cruz não é exclusivamente cristã e era um instrumento de tortura usual nos tempos cruéis do início da era cristã. Durante os primeiros séculos, o peixe foi, aliás, o símbolo cristão por excelência.

Aqui, o que está em causa é a liberdade de expressão, por um lado, e o dever de respeito dos sentimentos alheios, por outro, embora ninguém deva visitar o Museu se pensar que se ofende, sabendo que a escultura da discórdia faz parte da exposição. Os católicos de hoje não reagem como os muçulmanos e o escultor alemão, já falecido, correria menos riscos do que o caricaturista holandês, mas não deixa de ser preocupante a exigência episcopal de banir de um museu uma qualquer escultura por mais blasfema que a considere.

Se o direito à repulsa prevalecer sobre a liberdade de expressão, não tarda que sejamos obrigados a respeitar qualquer culto, por mais bizarro que seja, ou um ícone que alguém venere. O princípio não tem a ver com a bondade ou virtude da imagem ofendida, está relacionado com o humor e amor que alguém, com poder, manifeste por tal imagem.

Cristo é o homem perfeito para os cristãos mas, por muito que custe – e a mim custa –, o culto de Estaline existe, como existe o de Franco, Salazar e Hitler, e não me coíbo de os condenar. O que é uma blasfémia para um crente é uma crença injustificada para um não crente ou para um crente de uma fé diferente.

Não sendo possível o consenso sobre o bom gosto, o sagrado e o bom senso, só há uma forma de evitar que as diferenças se transformem em divergências e estas em violência – conformarmo-nos com todas as manifestações pacíficas de expressão. Esta é a regra da Europa laica, herdeira do Iluminismo e da Revolução Francesa.

Momento de Poesia

Apontamento

Era festa e Procissão.
Nas ruas mal andamosas
Havia restos de rosas
A atapetarem o chão.

Das aldeias mais remotas,
Vinham aos grupos, sem pressas,
As gentes simples, devotas,
Cumprir as suas promessas.

Umas deixavam no leito
Um doente em estertor.
Outras traziam no peito
A chaga de um triste amor.

Esta vinha, de joelhos,
Sabe lá Deus com que esforços,
P’ra remir pecados velhos
E buscar trégua aos remorsos.

Aquela, de preto, vinha
Trazer a vela de cera,
Por alma de uma filhinha,
Que há três dias lhe morrera…

E muitos, muitos, em séries
Que nunca mais acabavam,
Batidos das intempéries
Dos fados que os maltratavam.

Obedecendo, curvados,
Ao chamadoiro dos sinos,
Com os corações esperançados
Na volta dos seus destinos…

E nas janelas burguesas
Das casas mais bem parecidas,
Havia luzes acesas,
Vistosas colchas garridas,
E damas de condição
A desfolharem as rosas
Que atapetavam o chão
Das ruas mal andamosas.

Armando Moradas Ferrreira

terça-feira, maio 27, 2008

C O N V I T E


HUMBERTO DELGADO EM COIMBRA 50 ANOS DEPOIS

1958 / 2008

A Câmara Municipal de Coimbra, a Associação 25 de Abril e a Fundação Humberto Delgado levam a efeito, em Coimbra, uma homenagem ao General Humberto Delgado na passagem dos 50 anos da Campanha Eleitoral de 1958, com um programa conjunto de iniciativas articuladas mas de organização individualizada.

PROGRAMA

Organização da Câmara Municipal de Coimbra

Dia 10 de Maio
Casa Municipal da Cultura / Biblioteca Municipal – 10H00
Inauguração da exposição: “Memórias de uma Campanha – Humberto Delgado em Coimbra”.

Dia 30 de Maio
Casa Municipal da Cultura – 10H00 – 18H00
Colóquio: “Humberto Delgado em Coimbra 50 anos depois 1958 / 2008”.
Prof. Doutor Carvalho Homem, Dr ª Iva Delgado, Pintor Mário Siva, Dr. José Mariz, Dr ª Teresa Portugal, Gen. Monteiro Valente, Prof. Doutor Costa Pinto, Dr. Mário Nunes.

Organização da Associação 25 de Abril e da Fundação Humberto Delgado

Dia 31 de Maio
Hotel Astória - 10H00 – 13H00
Evocação da Campanha Eleitoral de Humberto Delgado
Gen. Monteiro Valente, Dr. António Arnaut e Dr. Louzã Henriques.
Apresentação da obra “Humberto Delgado – Biografia do General Sem Medo”.
Doutor Miguel Santos, Dr ª Diana Andringa e Dr. Frederico Delgado Rosa.
Encerramento: Dr ª Iva Delgado e Dr. Carlos Encarnação.
Inscrição: 5 euros.

Espaço dos leitores

Fernando Pessoa, por Almada Negreiros

Momento zen de segunda

João César das Neves (JCN), sem sotaina nem tonsura, adora ser o eco do clero católico mais conservador, ansioso de redimir os pecados com a prosa beata que debita.

Na homilia de hoje JCN refere-se à fragilidade intelectual do ateísmo e à sua alegada inconsistência, apelidando-o de crença «como as outras», considerando o ateísmo uma tradição tardia e artificial de elites, sobretudo desde o Iluminismo. Só não explica o que acontecia, antes, a quem tivesse dúvidas da fé católica ou fé em certezas diferentes. Ou o que acontece hoje em terras de Maomé.

Para JCN não há motivos plausíveis ou razoáveis para recusar a hipótese de um Criador. Nem lhe ocorre perguntar a quem se deve a criação de tal «Criador» numa interminável série de perguntas até ao absurdo.

Como não cultiva a razão e desconfia do método científico para construir modelos de realidade, JCN adjudica as questões do bem e do mal a um ser hipotético e espera viver depois da morte. Para o pio, Deus criou o homem e não o oposto, sabendo que os deuses de ontem se estudam hoje na mitologia, como acontecerá amanhã com os actuais.

Se o ateísmo está em extinção – como afirma o catequista – não se enxerga o motivo do seu desassossego. Se é feliz, porque o esperam as delícias do Paraíso, não se percebe a ansiedade que o move no seu proselitismo. Os que vivem tranquilamente sem deus não batem à porta de ninguém a anunciar a boa nova.

JCN é intelectualmente desonesto quando, depois de atribuir o ateísmo ao Iluminismo, acaba por associá-lo ao marxismo que responsabiliza pela sua «exportação à força». O ateísmo é iluminista ou marxista? Sam Harris, Christopher Hitchens, Richard Dawkins ou Pepe Rodríguez são marxistas? Ou foram-no, quiçá, Bertrand Russel, Carl Sagan ou Frederico Nietzsche?

O preconceito e a intolerância para com o ateísmo correspondem a uma escalada beata e à chantagem clerical que as religiões desencadearam contra uma opção filosófica que condena os Estados ateus do mesmo modo que se opõe aos confessionais.

Para não falar do desvario islâmico, recordo que, em 13 de Maio p.p., o cardeal Saraiva Martins presidiu em Fátima à peregrinação contra o ateísmo na Europa. Sem mais rezas, com igual legitimidade, podia ter alargado o âmbito aos cinco continentes.

Tempos antes, o habitualmente contido patriarca Policarpo, denominou o ateísmo «o maior drama da humanidade», distraído das guerras religiosas que lavram pelo mundo.

Não admira, pois que JCN reincida no tema quando os verdadeiros dramas são a guerra, a tortura, a pobreza, a intolerância, a fome e o terrorismo.

Momento de Poesia

O Ditador


O Ditador não tinha esporas
nem botas de montar
mas montou um povo inteiro
não tinha espada
nem desfilava em marchas marciais
mas foi o general da tropa amansada
o Ditador não dormia,
vigiava,
tinha medo que o apanhassem distraído
e o matassem
por isso inventou a polícia secreta
que desenhou a geografia das esquinas
de todas as ruas das cidades, vilas e aldeias
o Ditador não tinha afectos
o poder era o único verdadeiro amor
que se lhe conhecia
da sua cabeça saíam possantes tentáculos
que apertavam a garganta como tenazes
a quem ousava discordar
o Ditador julgou-se eterno
mas esqueceu-se do equilíbrio instável das cadeiras
(ele não percebia nada das leis da Física)
caiu e desmaiou, depois morreu,
mas sempre a acreditar
que governaria para além da morte…

Alexandre de Castro

segunda-feira, maio 26, 2008

Os amigos são para as ocasiões

«É o fim de um longo combate. A detenção de Jean-Pierre Bemba constitui um sinal forte contra a impunidade, uma vez que envolve o responsável que deu as ordens».

(Federação Internacional dos Direitos Humanos)

Obstrução à justiça


Com a complacência do Governo e a protecção de Durão Barroso.

Há quem o leve a sério



Pedro Passos Coelho disse em Loulé que o PSD tem de mudar de ideias e figuras, caso contrário arrisca-se a perder o comboio da história.

Pergunta: de quais para quais?

Pedro Passos Coelho insiste que Portugal vive uma crise social como não se vê há muito tempo: voltou a emigração, aumentou o desemprego e voltou a fome.

Pergunta: Quais são as causas e qual é a terapêutica?

Por isso, o candidato à liderança do PSD defende o emagrecimento das despesas do Estado e a redução dos impostos.

Pergunta: Como e à custa de quem emagrece as despesas do Estado?

Informação


No próximo dia 30 de Maio de 2008, pelas 12,00 Horas, terá lugar num Cartório Notarial de Lisboa, a escritura de constituição da «Associação Ateísta Portuguesa».

O Cartório Notarial será divulgado na próxima quinta-feira nos Blogues:



Os leitores que queiram inscrever-se como sócios, devem enviar o nome, morada, BI (N.º, data e local de emissão) e o N.º de Contribuinte para:
ou

domingo, maio 25, 2008

Afinal não é o PS

O racismo é a lepra da fraternidade

Milhares de pessoas manifestaram-se contra a violência xenófoba, este sábado à tarde em Joanesburgo. Nos últimos 12 dias 42 imigrantes africanos foram mortos.

Comentário: As manifestações não restituem a vida, não vencem o medo, nem aliviam o sofrimento. Mas redimem a cobardia e atenuam a vergonha colectiva.

sábado, maio 24, 2008

Por vergonha

Pergunta-me um amigo, por e-mail, o motivo por que não coloco no Ponte Europa um post sobre:


«Portugal é o país da Europa com maiores desigualdades de rendimentos»

Espanha – O futuro do PP


Quando Aznar indigitou ou, pelo menos, permitiu a sucessão de Mariano Rajoy foi uma surpresa. O dirigente do PP tinha-se distinguido sempre pela moderação, bonomia e cultura, ao contrário de Aznar, ligado ao Opus Dei, velho franquista, capaz de negociar a compra da mais alta condecoração dos EUA, quer acabou por lhe ser negada, e de se tornar o mais entusiasta dos invasores do Iraque. Rajoy era a face humana do aznarismo.

Rajoy é um homem de consensos, Aznar um extremista que aderiu à causa democrática porque não há ditaduras eternas. Mariano Rajoy é um democrata de perfil europeu, com um toque aristocrático. O seu comportamento, durante a anterior legislatura, não esteve de acordo com a sua maneira de ser. As manifestações de rua com os bispos franquistas, a contestar as decisões legítimas do Governo, não faziam jus ao passado e à postura do líder a quem um revés negou o Governo e remeteu para a oposição.

Aznar é um reaccionário ambicioso e sem escrúpulos, Rajoy é um político moderno e com sentido ético. Aznar deixou o Governo para um lugar na Europa e viu o mordomo dos Açores substituí-lo porque a sua exuberância belicista o tornou impróprio para consumo europeu depois da aventura iraquiana.

As últimas eleições confirmaram Zapatero na chefia do Governo, por mérito próprio, mas não foi Rajoy que perdeu as eleições, foi a tralha aznarista, os detritos franquistas e o clero ultramontano. Rajoy acaba de mudar de rumo e seguir o caminho que era seu, de que a sombra de Aznar o impediu. A nomeação de Gallardón para o acompanhar na lista ao Congresso Nacional do PP, que se realizará entre 20 e 22 de Junho, em Valença, e o consequente afastamento de Esperanza Aguirre, são um sinal inequívoco de moderação.

Aznar, Esperanza Aguirre, María San Gil, Ortega Lara e outros exaltados reaccionários não lhe facilitarão a tarefa mas, em caso de vitória, a Espanha dormirá mais tranquila, os fantasmas ficarão mais longe e Franco será um espectro que desaparece entre a raiva e o ranger de dentes de Aznar e dos seus pouco recomendáveis seguidores.

O privado é que é bom

Risco do fogo amigo

Passos Coelho – uma estrela sem brilho


Pedro Santana Lopes e Manuela Ferreira Leite já são conhecidos, para o bem e para o mal. Faltava Pedro Passos Coelho (PPC).

Este último concorreu com a vantagem de não ter passado e, por isso, não ser vulnerável a acusações por erros passados, como lembrou em sua defesa Fernando Ruas, autarca de Viseu e presidente da ANM.

O pior é não ter programa, ideias ou coerência. Tem uma vaga ideia do que é ser liberal e, por isso, se disse liberal mas sem saber o que a palavra significa sob o ponto de vista económico.

Assim, a sua incultura política obriga-o a dizer que é aquilo que promete não querer ser. Bastou uma jornalista com a lição estudada e uma adversária com conhecimentos de economia para o deixarem de rastos.

A deprimente prestação televisiva à TVI destruiu o mito que o PSD, laboriosamente, se esforçava por construir para um futuro que há-de sair de uma manhã de nevoeiro.

PPC concorreu à liderança do PSD para que o conhecessem. Fala para que o ouçam mas era melhor que se calasse para que continuassem a apreciá-lo.

sexta-feira, maio 23, 2008

Jurisprudência - «A brandura dos nossos costumes»

O Tribunal de Santarém condenou, esta sexta-feira, os sete membros da comissão de praxes da Escola Superior Agrária a multas entre os 640 e os 1600 euros, depois de uma aluna os ter processado por ter sido sujeita a actos poucos dignos durante a praxe de 2002.

Gostaria de acreditar...

No dia em que que o Governo confirma a passagem por Portugal de voos «de» e «para» Guantanamo, Pedro Silva Pereira revelou que o Executivo português pretende que a União Europeia discuta com os Estados Unidos a possibilidade de fechar esta prisão. O ministro da Presidência diz também que a equipa governamental «não tem nada a esconder ou temer».

Comentário: Gostaria de acreditar que, após a cumplicidade do Governo que cometeu os crimes de mentir, desrespeitar o direito internacional e massacrar um país, tivéssemos agora um Governo imaculado no respeito e na defesa dos direitos humanos.

Não há rapazes maus...

... há más companhias.

TV – Perversão da livre concorrência

Por

A. Horta Pinto

Como democrata e indefectível defensor da liberdade de expressão de opinião (isto é, de opiniões) só posso congratular-me com o facto da haver em Portugal vários canais de TV.
Acontece porém que o "mercado"- esse ditador da economia capitalista - faz com que a livre concorrência entre os 3 canais tenha efeitos perversos. Isto é: tem-se visto na prática que os 3 canais, em vez de concorrerem uns com os outros pela diferença, concorrem pela semelhança.

Se um canal dá o principal jornal às 20 horas, todos passam a dar o seu principal jornal às 20 horas; se um canal se lembra de dar o sumário desse jornal às 20 menos dois minutos e meter no meio um anúncio, logo os outros dois fazem a mesma coisa; se outro canal se lembra de passar notícias escritas em rodapé enquanto dá outras notícias, logo os outros dois o imitam.

Chega a acontecer não valer a pena fazer "zapping" quando o canal cujo noticiário estamos a ver interrompe o jornal para dar anúncios: os outros canais tambem estão a dar anúncios. Chega a parecer que se combinam! Por outro lado, todos os canais à "hora nobre" nos impingem porcarias intragáveis; os programas com algum interesse são depois da meia-noite, quando a maior parte das pessoas vão dormir.


Além disso, as "opiniões" expressas nos vários canais são praticamente as mesmas.Infelizmente, tenho de reconhecer que a televisão de hoje, com 3 canais, é pior do que a que havia (depois do 25 de Abril, claro) com apenas um canal, em que à hora nobre se podia ver a telenovela "Gabriela" ou o interessantíssimo concurso "A visita da Cornélia".


Em suma: alguma coisa está mal no reino da Dinamarca da nossa produção televisiva: cada canal procura ser pior que os outros!

Qui Mai 22, 02:58:00 PM

Feriados religiosos. Opinião de um leitor


Por


Hoje [ontem] é feriado (Corpo de Deus) por causa da religião e, como este há muitos. Já há muito que defendo que estes feriados deveriam deixar de existir desta forma. É que anda aí muita gente a beneficiar de algo por parte daquilo que diariamente criticam. Por mim, que sou como é sabido, católico, em nada me importaria de passar os "festejos" religiosos para o Sábado seguinte ao acontecimento do mesmo. Era algo que deveria sair da Concordata. Os católicos não devem querer manter algo que já não faz sentido para uma sociedade multi-étnica como a nossa. Temos que seguir o nosso caminho sem beneficiar nem prejudicar ninguém.

quinta-feira, maio 22, 2008

A hipoteca em troca de votos

Pedro Santana Lopes, candidato à liderança do PSD, demonstrou esta quinta-feira o desejo de ver alterada a actual Lei das Finanças Regionais.
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“Este é um dos pontos dos vários que eu e o presidente do Governo Regional da Madeira vamos conversar e só depois aprofundarei mais aquilo que quero saber”, afirmou o antigo Primeiro-ministro à chegada ao Funchal.

Comentário: Dois Pedros é um perigo a multiplicar por 2.

Reestruturar as FA. Elimine-se o CEMGFA



Por J. Barroca Monteiro*

“Tropa co-localizada”
“Forças Armadas”

“Os três chefes unidos contra Valença Pinto”, sobre a reforma da estrutura superior das Forças Armadas, vista como um problema de poder entre os chefes militares.

Sem uma visão de conjunto, vai prevalecendo a resistência corporativa dos sectores, agora acrescida de um quarto – EMGFA.

Uma reforma militar de fundo, confronta-se com duas vertentes: a mudança do Exército, pondo definitivamente de parte a herança territorial, casos dos comandos funcionais de há dois anos na província ou de um novo regimento em Tavira; a mudança do conjunto, adoptando de vez alguns órgãos comuns ás FA – bem mais do que o efectuado com os IAEM/IESM (3=1), passando por escolas e academias militares.
Assim como travar uma pequena aviação do Exército servida por uma pequena base aérea, quando a Força Aérea há muito eliminou algumas bases por razões de racionalidade e economia.

A linguagem adoptada pelo documento do Conselho de Ministros sobre o Comando Operacional Conjunto é reveladora da falta de vontade militar e de liderança política em mudar a sério: «comandos de componente (dos ramos), co-localizados (perto uns dos outros mas separados) em Monsanto (3=4).

Uma praça/cabo destacado do complexo militar de Santa Margarida para Fátima chefiando alojamentos militares de apoio aos peregrinos, parece ter percebido a necessidade de mudança. Confidenciava-me da necessidade de reduzir as portas de armas no complexo (acessos internos), de uma dezena para três, economizando assim efectivos significativos. Capaz ainda de admitir como solução a ida das escolas práticas das armas (quatro) para Santa Margarida.

Talvez que o Exército não tarde em adoptar a solução delineada para o COC. Um agrupamento de escolas práticas co-localizadas em redor de Tancos ou Santa Margarida, a saber, uma escola/comando gerindo o conjunto, com as restantes escolas em redor (escolinhas). Uma boa oportunidade para o enriquecimento de cargos, se tal agrupamento passar a ser chefiado por um general.

PS: há uma forma simples e fácil de evitar os conflitos de poder aflorados acima. Eliminar o cargo de CEMGFA, criando o Chief of Defense no MDN (general de 3 estrelas). Na Alemanha, funciona.

*
Coronel (R)

Espaço dos leitores

Bernini

Deprimente



Seja qual for a verdade...

Liberdade de expressão é só para alguns

José Sócrates vai recorrer do acórdão da Relação de Lisboa que o condenou a pagar uma indemnização de 10 mil euros ao jornalista do PÚBLICO José António Cerejo, disse hoje à Lusa fonte próxima do dirigente socialista.

Comentário: Um jornalista, um Charrua ou um qualquer cidadão pode insultar o primeiro-ministro ao abrigo do direito à liberdade de expressão.

Um ministro não pode pôr em dúvida a palavra de um jornalista, numa carta ao jornal. Sobretudo se, quatro anos depois, vier a ser primeiro-ministro…

Quem ouve o terrorismo verbal de Paulo Portas...

...Não acredita.
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Portugal é o sétimo país mais pacífico do mundo


No ranking dos países mais pacíficos do mundo, Portugal subiu dois lugares em 2007. Países europeus lideram tabela.


Entre 140 países, Portugal é o sétimo mais pacífico do mundo. É uma das conclusões do Global Peace Index elaborado pela Economist Intelligence Unit., divulgado terça-feira

O Lobo Mau e o Capuchinho



Passos Coelho defende na Madeira aprofundamento das autonomias regionais

O candidato à liderança do PSD apoiado pelo presidente da Associação Nacional dos Municípios, um autarca que sofre de erisipela quando pressente limitações ao regabofe autárquico, foi à Madeira defender o «aprofundamento das autonomias regionais».

Para quem defende o desmantelamento do Estado, trata-se de uma incoerência aumentar os poderes de um Estado de opereta que o sátrapa local edificou com a cumplicidade ou cobardia dos sucessivos Governos presidentes da República.

Para ganhar votos no mercado partidário vale tudo, mas não se pode negociar, em nome de uma carreira política, o futuro do País, o ordenamento jurídico e a Constituição da República. Pedro Passos Coelho ainda não disse como pretenderia gerir o Governo, se o tomasse, com um bando de neoliberais, mas já promete dissipar o poder para o entregar a quem não merece a confiança do País mas, apenas, da clientela autóctone.

Não é o inexperiente político que intimida. Sabemos como se bateu contra as propinas o estudante que exigia tudo ao Estado à custa dos contribuintes e pretende agora desfazer-se do Estado para o entregar à iniciativa privada. O que apavora é ver atrás dele Paulo Teixeira Pinto cuja inteligência e perigosidade não passam despercebidas a quem anda atento à política.

Estranhamente, quem defende o dinamismo das autonomias insulares – Passos Coelho – não parece estar interessado na criação das cinco regiões continentais que facilitariam a descentralização administrativa e diminuiriam as assimetrias nacionais.

Entre os bandos politicamente perigosos que infiltram as candidaturas de Santana Lopes e de Passos Coelho e os melancólicos barões que apoiam Manuela Ferreira Leite há uma diferença não negligenciável.
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A última candidata, pelo menos, tem sentido de Estado e não faria do Governo um laboratório de experiências neoliberais capaz de conduzir o País ao abismo em que o deixou Santana Lopes.
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Passos Coelho tem gente com ele capaz de fazer ainda pior.

quarta-feira, maio 21, 2008

Merecido revés da ETA...

... e justa vitória do Governo de Zapatero.


O ministro do Interior espanhol disse que Javier Lopez Peña, detido terça-feira em França, será a «pessoa com mais peso político e militar» na ETA.

Momento de Poesia


Acto

Eu, pecador, não confesso
Os meus pecados.
Nem peço
Que sejam perdoados.

No caminho que sigo,
Pelo mal que fizer,
Aguardo o meu castigo,
Venha de onde vier.

A minha religião
Tem só esta diferença:
Aceita a punição,
Mas recusa, orgulhosa, a recompensa.

a) Armando Moradas Ferreira

Com os cavaquistas unidos e em força


A candidatura de Manuela Ferreira Leite à liderança do PSD anunciou ontem que é apoiada por dez dos onze presidentes de câmara que o partido tem no distrito de Coimbra.

Numa nota enviada à agência Lusa, a candidatura da ex-ministra das Finanças divulgou o apoio dos presidentes de câmara de Coimbra, Cantanhede, Figueira da Foz, Montemor-o-Velho, Penacova, Vila Nova de Poiares, Miranda do Corvo, Arganil, Oliveira do Hospital e Pampilhosa da Serra.
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Comentário: Carlos Encarnação, mais perto de Bruxelas, evita perda da Câmara de Coimbra.

Santa hipocrisia

A ministra italiana da Igualdade, Mara Carfagna, aqui referida no Ponte Europa, é a protagonista de mais uma polémica do governo de Silvio Berlusconi.

» Ministra italiana posa nua

No mesmo momento em que fez declarações polémicas sobre os homossexuais, ela aparece nua na capa da revista espanhola Interviú, informou o Corriere della Sera.

terça-feira, maio 20, 2008

Espanha - Ingerência clerical no ensino público

Uma nova polémica surgiu entre a Igreja Católica e o governo da Espanha, após a aprovação no país de "leis éticas" que prevêem a "educação à cidadania" obrigatória nas escolas.

Após a divulgação da medida, a Conferência Episcopal espanhola fez um apelo aos pais que declarem "objeção de consciência" e peçam que seus filhos sejam liberados das aulas.

Adenda: A ofensiva clerical contra o Governo de Zapatero não parou com a derrota eleitoral da Conferência Episcopal que se colocou pública e abertamente ao lado do PP.

Manuel de Oliveira aclamado em Cannes

Clint Eastwood saúda a Manoel de Oliveira, ontem, em Cannes.
Foto: AFP / FRANÇOIS GUILLOT
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Manoel de Oliveira, o mais velho realizador de cinema do mundo e intuitivo percursor dos grandes movimentos do cinema europeu, recebeu ontem das mãos de um amigo, o actor francês Michel Piccoli, a Palma de Ouro honorífica que distingue toda uma carreira – refere hoje el Periódico.com.

A imensa plateia do Grande Teatro Lumière tornou-se pequena perante as sonoras revoadas de aplausos. O público, totalmente rendido, levantou-se repetidas vezes para enaltecer a admiração por um cineasta solitário que nadou sempre contra a corrente.

Partido ultraliberal em marcha

Pedro Passos Coelho recebeu ontem à noite um empenhado “sinal de apreço” do seu adversário Patinha Antão, segundo o qual reúne as condições para ser “um líder do século XXI, que”deve ser considerado muito seriamente pelos militantes.
Comentários:
1 - António Borges enganou-se no apoio a Manuela Ferreira Leite;
2 - Paulo Teixeira Pinto é coerente com o seu ultraliberalismo no apoio a PPC;
3 - Só surpreende que o obscuro Patinha Antão, então do PCP, tenha sido um destacado elemento do gabinete de Carlos Carvalhas quando este foi secretário de Estado do Trabalho.

Exótico governo italiano

Mara Carfagna (ministra do Governo italiano)
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Para além de fascistas e xenófobos, o Governo de Sílvio Berlusconi, que contou com a simpatia do Vaticano, mantém Nápoles refém da máfia, com o lixo a tornar irrespirável o ar, e a Itália sem rumo, sem justiça e sem respeitabilidade.

Ataques populares contra imigrantes romenos atingem níveis inimagináveis de racismo, com mulheres e crianças em fuga à violência desvairada que os atinge, fere e mata, quase sempre para limpar terrenos onde as construtoras ligadas à máfia têm interesses poderosos.

Para amenizar a crispação provocada por um governo, democraticamente eleito mas abertamente reaccionário, valem as fotos da ministra da Igualdade de Oportunidades, Mara Carfagna, ex-miss Itália, que Berlusconi, após tê-la conhecido num programa de televisão, logo declarou: «se não fosse casado, casar-me-ia com ela», facto que provocou a cólera da sua mulher, Verónica Lario.

A ministra (na foto) está sem roupa mas é agradável à vista. Já o primeiro-ministro, sem vergonha, nem direito a foto, é um incómodo para a decência, a justiça e a democracia.

E ninguém os prendeu?

Nota: Chamada de 1.ª página do DN para o artigo que deu origem ao post Quando a fé os torna criminosos.

Momento de Poesia

A rapariga da blusa vermelha no Passeio Público

Ficava-lhe bem a blusa vermelha
com aquela saia rodada
a ondular-lhe ao vento
divertia-se, principalmente, nas tardes de domingo
que era o dia em que os homens de condição
desciam a avenida a passear a família
e ela gostava de quebrar aquelas composturas
os ares compenetrados dos maridos respeitáveis
de chapéu na cabeça, engravatados,
e escandalizar as pudicas esposas
de vestidos engomados…
E aquelas crianças, meu Deus,
pareciam de porcelana
alinhados ordeiramente
por idades ou por alturas
e até por sexo, por vezes,
e só houve uma, um dia,
de ar travesso e atrevido,
que saiu da formatura
para fazer-lhe uma careta
e, depois, chamar-lhe puta…

Alexandre de Castro