segunda-feira, junho 30, 2008

Notas soltas - Junho/2008

Manuela Ferreira Leite – A resignação à qualidade de conselheira de Estado, como convidada pessoal do PR, marca já a diferença ética que a separa do seu antecessor na liderança do PSD.

Combustíveis fósseis – A imparável subida dos preços não se limita a alterar os nossos hábitos, impede a manutenção do nível de vida que julgávamos continuamente ascendente.

EUA – A vitória de Obama e o apoio de Hillary Clinton trazem algum optimismo aos que gostam da América, decepcionados com os dois trágicos mandatos de Bush.

Manuel Alegre – Há deveres de lealdade partidária contrários ao vedetismo e a eventuais projectos pessoais mas as declarações de José Lello mostram que vale mais um verso do poeta de que as obras completas do crítico.

10 de Junho – A liturgia e a linguagem lembram as celebrações da ditadura que, nesta data, usava os mortos e estropiados da guerra colonial para exaltação do regime.

Estoril Sol – Quando se fazem leis à medida, para abrir o precedente da oferta de um edifício à empresa concessionária do casino, fica a suspeita. Por mais honestas que tenham sido as intenções de Durão Barroso, Santana Lopes e Telmo Correia.

Movimento Mérito e Sociedade (MMS) – O nascimento do novo partido político devia merecer uma saudação mas, à semelhança do que acontece em partos mal feitos, adivinha-se um nado morto. O MMS devia ter feito uma ecografia prévia.

Camionistas – Por trás dos que bloquearam o país e alteraram a ordem pública, estavam empresários que provocaram as forças de segurança e desafiaram a democracia. Tratou-se de um «lock out» e não de uma greve.

Camionistas (2) – António Lóios e Vieira Nunes são destacados militantes partidários. Ao violarem a ordem pública e incitarem à arruaça, se não forem expulsos, o partido a que pertencem torna-se cúmplice do caos e vandalismo que provocaram.

União Europeia – A morte do Tratado de Lisboa às mãos do referendo irlandês é má notícia para os europeístas e um grave acidente para o futuro colectivo dos países que a integram, independentemente dos truques para o salvarem.

Apito Dourado – Desta vez penso que haverá consequências. Se não for possível condenar os arguidos, por recusa das provas, pelo menos as testemunhas serão punidas.

Estatuto dos Açores – Se não fosse o aviso do Presidente da República o diploma teria ido ainda mais longe. A unanimidade da AR surpreende, porque não consegue criar as cinco regiões no Continente.

Acordo ortográfico – Os adversários são obstinados mas a língua portuguesa é comum a centenas de milhões de falantes e não pode ser confiscada por sábios, capazes de aprisioná-la para a converterem em dialecto lusitano.

Zimbabué – Robert Mugabe é um déspota acossado por crimes e pela ruína do país. Com medo do cárcere, do exílio ou da morte, não vacila no assassínio dos opositores tentando evitar o seu. As eleições que faz são uma farsa.

União Europeia – O fim do bloqueio a Cuba foi uma decisão sensata que aliviará o sofrimento do povo e vai contribuir para a inevitável abertura do regime.

PSD – A vitória de Manuela Ferreira Leite foi um rude golpe no populismo e na deriva do partido que durava desde o fim do cavaquismo. Resta saber o que lhe reservam os caciques, que a odeiam, e os ultraliberais que a cercam.

Rosa Coutinho – Uma carta falsa que instigava Agostinho Neto a matar crianças brancas, uma montagem nojenta para destruir o almirante, enganou António Barreto, que lhe apresentou desculpas, mas continua a ser citada por quem tem falta de carácter ou de informação.

CAP – A Confederação dos Agricultores Portugueses, habituada a confiscar os subsídios de Bruxelas e a mandar no ministério da Agricultura, devia ver divulgadas as verbas recebidas e ser obrigada a justificar onde e como as aplicou.

TGV – A ligação de Lisboa a Bruxelas é urgente para evitar que Portugal fique arredado da rede europeia de alta velocidade. Os quatro itinerários de Barroso/Ferreira Leite/Aznar só se justificam se compromissos de Estado os tornaram irreversíveis.

Vaticano – Triunfou o cisma dos sequazes do bispo Lefebvre, grupo de extrema-direita que rejeita as reformas do concílio Vaticano II. Bento XVI abençoou os excomungados e falta agora declarar cismático o concílio que os hereges repudiaram.

Ramos Horta – A recusa da candidatura a Alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos é um acto de carácter que define o patriotismo e a nobreza de quem se recusa a abandonar as funções que o povo de Timor lhe confiou.

domingo, junho 29, 2008

Juiz em causa própria

Lembro-me de Portugal assim (2)

Por

A. Horta Pinto

Parlamento [português] aprova voto de condenação pela crise no Zimbabué

O Parlamento aprovou hoje com os votos favoráveis do PS, PSD, CDS-PP, BE e PEV e a abstenção dos comunistas um voto de condenação pela situação no Zimbabué, a que também se associou o Governo. «O que se passa no Zimbabué é uma escandalosa e gravíssima violação das liberdades fundamentais», afirmou o líder do CDS-PP, Paulo Portas, durante a discussão do voto de condenação apresentado pela sua bancada parlamentar.

Corroborando as palavras de Paulo Portas, o deputado do PS Vera Jardim considerou a situação no Zimbabué como «um caso extremo de poder despótico e cego, violador dos mais elementares direitos».

«O PSD vota favoravelmente este voto e junta a sua voz à onda de indignação pela situação que se espalha pelo mundo», afirmou por sua vez o deputado social-democrata José Cesário, considerando igualmente que está em causa no Zimbabué «os mais elementares direitos».

Pelo BE, o deputado José Moura Soeiro classificou a situação que se vive naquele país como «preocupante para qualquer pessoa que preze e democracia».

«Não há condições mínimas para a democracia», sublinhou.


Como era de esperar, o PCP absteve-se na condenação de Mugabe. É nestas ocasiões que se revela a concepção de "democracia" do PC.

Excessos beatos do Presidente da República

Na troca de presentes entre Cavaco e Silva e Bento XVI, o chefe de Estado português ofereceu uma reprodução da Bula papal que reconheceu a independência de Portugal, passada pelo papa Alexandre III, em 1179.

Segundo o Público, de hoje, pág. 2, «Aníbal e Maria Cavaco Silva explicaram ao Papa que aquela Bula – que reconheceu a independência de Portugal e D. Afonso Henriques como rei – é ‘o documento mais importante da Nação’».

A Constituição da República será o segundo documento mais importante?

Lembro-me de Portugal assim

O atual chefe de Estado do Zimbabue, Robert Mugabe, que já tem assegurada a vitória no segundo turno das eleições presidenciais em que apenas ele era candidato, não vai esperar o fim das apurações e deve prestar juramento neste domingo como presidente, informaram as fontes governamentais em Harare.

sábado, junho 28, 2008

Casal presidencial visita hoje o Papa

As viagens de Estado são uma obrigação do Presidente da República sem relevância para a diplomacia, cuja condução compete ao Governo, mas necessárias ao prestígio do País, quer se realizem ao Vaticano ou ao Burkina Faso.

Percebe-se mal a agitação que a reincidente visita do casal Cavaco Silva levanta nos órgãos da comunicação social e o frenesim desmesurado por uma deslocação que não ultrapassa os limites estreitos do protocolo. E entende-se ainda pior que a mulher do PR, que goza no aspecto simbólico de algum relevo, se mostre ansiosa com a visita – como declarou – e, que leve como missão «pedir uma bênção especial para Portugal».

Não está provada a eficácia das bênçãos, normais ou especiais, e certamente não resulta daí qualquer benefício ou malefício para o País, mas não deve a mulher do presidente da República de um país laico prestar-se a um gesto de subserviência ou misturar assuntos de Estado com as suas legítimas convicções pessoais ou superstições.

Carece a primeira-dama de legitimidade para pedir uma bênção, logo especial, para o país que é de todos: crentes de várias religiões, ateus, agnósticos, cépticos e outros. A bênção do Papa pode ser ofensiva para um judeu, irritante para um islamita e insultuosa para um cristão ortodoxo ou para um devoto da IURD. Não cabe à D. Maria Cavaco ser portadora de uma bênção que Bento XVI lhe dará com facilidade. Nem sequer lha devia implorar por respeito ao pluralismo religioso e à laicidade do Estado de que o marido é, ou devia ser, o principal garante.

Em Portugal é difícil respeitar a separação Igreja/Estado, uma imposição constitucional, mas quando a primeira-dama se comporta com o Papa Ratzinger como uma adolescente em presença de uma estrela pop, a situação só tende a piorar.

sexta-feira, junho 27, 2008

O patriarca da família Jardim das revistas cor-de-rosa

Em Outubro de 1967 fui desterrado para o norte Moçambique, pelo único crime de ser português, obrigado a integrar o exército de ocupação que o ditador vitalício – Salazar – resolveu usar para atrasar a história e se manter no poder até que a cadeira teve a audácia que faltou aos compatriotas.

Foram 26 meses de sofrimento, às vezes de fome, quase sempre de medo, nada que se comparasse ao flagelo dos povos indígenas: a lepra, a tuberculose, a fome e o terror da tropa e da FRELIMO, populações que as autoridades administrativas tratavam como se fossem gado.

Já lá vão quase quarenta anos que terminou o pesadelo, e ainda hoje recordo os rostos tristes das crianças e o ar de sofrimento de um povo ocupado por invasores. Mas para que hei-de falar disso se a dor e a revolta não se apagam?

É a farsa que hoje decorre no Zimbabué que me trouxe à memória aquelas paragens e os tempos do Portugal salazarista. Tal como o nosso ditador vitalício, também o que hoje o imita na farsa eleitoral se considera perpétuo e intransigente a ceder o poder. Ouvi-o, há pouco, a dizer que o poder lhe foi dado por Deus e que não permitiria que lho tirassem.

Curiosamente, também era então vitalício o ditador do Malawi, um pequeno país que fazia fronteira com a região do Niassa e que o exército português invadia regularmente sob o pretexto de perseguir os soldados da FRELIMO. O presidente vitalício era, como todos os ditadores, um indivíduo sem dignidade. Chamava-se Banda e tinha um cônsul na cidade da Beira que era o português mais influente de Moçambique, antigo membro do Governo de Salazar, perigoso político habituado a trabalhar na sombra.

Um dia a Companhia de Caçadores 1626, uma força de intervenção, invadiu o Malawi e, contrariamente ao costume, esqueceu-se de um 1.º cabo, fardado e armado, na pressa de se afastar dos jipes da polícia militar do país invadido. Ficou ansioso o Comandante do Batalhão n.º 1936, um destemido e honrado tenente-coronel, Luís Canejo Vilela, quando o capitão lhe deu conta da expedição e do desaparecimento do militar.

As coisas nem sempre são tão graves como parecem, basta a desonestidade dos homens e a falta de honra serem maiores do que deviam.

Na sede do Batalhão, no Catur, apareceu no dia seguinte o famigerado Eng.º Jorge Jardim no avião particular, com piloto privativo. Dois dias depois o 1.º cabo era entregue, incólume, em Mandimba (fronteira), com o camuflado intacto, o morteiro e as respectivas granadas.

Dessa vergonha, que acabou bem, guardo a foto que aqui deixo. Entre o major Artur Batista Beirão, à esquerda (que viria a ser general comandante da Região Militar de Lisboa, onde substituiu Vasco Lourenço) e o tenente-coronel Luís Vilela, está uma figura do fascismo português, disfarçado de régulo, pai e avô das Cinhas e Pimpinhas com o mesmo apelido, o indivíduo que ameaçou Moçambique com um banho de sangue na louca aventura de tentar uma independência branca, à semelhança da Rodésia e da África do Sul.

Eis um pouco da história que ninguém conta.

Espaço dos leitores

Degas

Não se rendendo os hereges, capitulam os ortodoxos...

O Vaticano desistiu de exigir dos ultraconservadores do movimento lefebvrista que reconheçam as reformas introduzidas pelo Concílio Vaticano II em meados da década de 60 a fim de acabar com o cisma, indicou nesta terça-feira o diário Il Giornale. (AFP)

Nota: Voltam os fundamentalismos.

quinta-feira, junho 26, 2008

Homenagem pública a João Fernandes (1)

O Ponte Europa associa-se à homenagem pública a João Fernandes, um homem bom como já não se usa, cidadão que tanto deu sem receber, uma referência ética da cidade de Coimbra e um exemplo raro de cidadania, nobreza de carácter e solidariedade.

Homenagem pública a João Fernandes

Igreja de S. Tiago – Praça do Comércio – Coimbra
28.Junho – 17h00

Um grupo de cidadãos e instituições ligadas à cultura, de Coimbra e região, constituídos em Comissão Executiva, decidiram prestar justa e merecida homenagem pública a uma personalidade que tem merecido e continua a merecer o carinho e respeito de todos os que usufruem do trabalho que tem sido desenvolvido no Distrito de Coimbra pelo INATEL nos últimos vinte e quatro anos.

A este grupo se associaram de imediato dezenas de individualidades não só do meio associativo mas, também, políticos, autarcas, intelectuais, clero, pessoas das artes, das letras
e das ciências, entre outros, com os quais João Fernandes sempre soube ter uma relação de cooperação e cordialidade.

Será uma cerimónia simples (como pretende o homenageado), para um HOMEM simples, que tudo dá sem nada exigir em troca, que tem sabido projectar o nome da Instituição INATEL não só nos grandes centros urbanos mas, também, nas pequenas zonas rurais do Litoral e do Interior através dos Centros de Cultura e Desporto, que por ele nutrem um respeito e carinho muito especiais.

Para que esta homenagem tenha a repercussão pública que o homenageado merece, contamos, também, com os homens e mulheres da imprensa escrita e falada e com os órgãos de comunicação que sempre têm acompanhado o trabalho desenvolvido pelo Inatel no Distrito.

Disponibilizamo-nos para prestar todas as informações necessárias a um melhor conhecimento da figura a homenagear e do programa que vamos levar a efeito no próximo sábado, dia 28.

PROGRAMA:
17 HORAS – IGREJA DE S. TIAGO – PRAÇA DO COMÉRCIO

SESSÃO SOLENE COM A PRESENÇA DE DIVERSAS INDIVIDUALIDADES NACIONAIS E REPRESENTAÇÕES DOS CENTROS DE CULTURA E DESPORTO DO INATEL

18-30 – HORAS

DESFILE DE FILARMÓNICAS, GRUPOS FOLCLÓRIOS E OUTROS AGRUPAMENTOS CULTURAIS DO LARGO DA PORTAGEM ATÉ À IGREJA DE SANTA CRUZ..
Pel’A Comissão Executiva
Afonso Lázaro Pires
Contactos: Telem. 962818116 – Afonso Pires - e-mail afonso.pires@netcabo.pt

O escândalo que regressa

Uma testemunha implica o Vaticano no sequestro de uma jovem em 1983

Nota: João Paulo II nunca concedeu a extradição do Arcebispo Marcinkus pedida pelos tribunais italianos.

A Santa Sé emitiu esta Terça-feira um comunicado em que condena as “acusações difamatórias” contra o Arcebispo Paul Marcinkus, antigo presidente do Instituto para as Obras da Religião (conhecido como o Banco do Vaticano), levantadas por jornais italianos, que o colocam como responsável do rapto de Emanuela Orlandi, jovem italiana desaparecida há 25 anos.

Glória a S. Josemaria Escrivá de Balaguer

João Paulo II, emigrante polaco residente no Vaticano, solteiro, papa católico de profissão, acumulou a função de criar bispos e cardeais com a obsessão de fabricar beatos e santos. Pelava-se por milagres e gratificava os autores sem prejuízo da fixação em Maria e uma adoração por virgens que a idade e o múnus se encarregaram de exacerbar.

Mas os santos da igreja católica lembram funcionários acomodados. Fazem um milagre para chegarem a beatos, outro para serem promovidos ao posto seguinte e abandonam o ramo.

Enquanto candidatos praticam a intercessão que lhes rogam mas desistem da vocação milagreira logo que abicham o lugar. E, quando se julgava que a intermediação tinha esgotado as vagas, João Paulo II rubricou alvarás de santo a largas centenas que se estabeleceram em nítida concorrência com os anteriores. Alguns destes fecharam a porta, que é como quem diz, foram apeados das peanhas onde enegreciam com o fumo das velas, se enchiam de fungos com a humidade ou se deixavam corroer pelo caruncho.

Com séculos de pequenos e honestos milagres, habituados à pedinchice autóctone e às lamúrias, quase sempre ao serviço de modestas comunidades que atendiam nos limites do razoável, perderam a aura e a devoção, submersos no tropel de novos e afidalgados ícones com vocação mediática. Migraram para as sacristias, acumulando pó a um canto, a delir a pintura e o préstimo, a desgastar as vestes e o respeito, em santa resignação.

Na religião há uma certa tendência para o sector terciário. Arrotear a fé, pescar almas, são tarefas pouco gratificantes. Transaccionar bulas para digerir carne à sexta-feira, vender indulgências, trocar santinhos, comercializar bênçãos, é negócio do passado. Agora, o que está a dar é o lucrativo sector milagreiro, em franca ascensão. Promover jubileus é um sucesso garantido para escoar imagens do promotor e providenciar a divulgação dos promovidos.

Não sei quanto valerá um dente de S. Josemaria Escrivá de Balaguer, com certificado de origem. Há-de andar por uma fortuna, a avaliar pelo êxtase que o primeiro a ser exibido provocou nos peregrinos durante as exéquias de promoção. Estou certo de que o mercado já está sortido de outras relíquias, nada restando do novel taumaturgo para exumar.

Pudessem os piedosos coleccionadores ter adivinhado o destino promissor post mortem deste servo de Deus e ter-lhe-iam recolhido em vida duas dezenas de unhas e trinta e dois dentes. E a perda irreparável da primeira dentição! Quem sabe se a premonição materna não terá acautelado o primeiro incisivo transformando um desvelo num tesouro, através deste estranho processo alquímico – a canonização – segredo transmitido aos sucessores de Pedro e usado em doses industriais por João Paulo II?!

Pudesse Teodorico Raposo ter deposto no regaço de D. Patrocínio uma relíquia de S. Josemaria, que nem sobrinho, nem tia, nem Eça sabiam que viria a existir, e a devota Senhora ter-lhe-ia perdoado as relaxações a que o sangue inflamado do tartufo o induzia, embevecida pelos eflúvios celestes que dimanam da raiz do canino de um santo assim.

Tivesse a premonição dos membros do Opus Dei adivinhado a santidade do fundador, que grossos cabedais e a longevidade papal lograram, e teriam hoje em armazém abundante recheio de numerosos têxteis tingidos por flagelações ou impregnados de outros fluidos.

A onda de devassidão que grassa no clero amargurou o papa – que fez do celibato dogma e da castidade virtude obrigatória –, sem que a providência o tenha poupado à divulgação da corja imensa de pederastas, muitos deles pedófilos, que exornam as dioceses da igreja romana.

E um padre que não respeita uma criança também não pouparia um anjo.

É, pois, necessário que floresçam santos como S. Josemaria cujas relíquias hão-de servir de benzina para desencardir a alma dos que sucumbem às tentações da carne.

Glória a S. Josemaria Escrivá de Balaguer nas Alturas e o poder na Terra ao Opus Dei.

Nota - Texto escrito em 8-10-2002 e publicado em livro.

Em defesa da Missa Tridentina

Por

Pai de Família


O Opus Dei, bem como a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, têm sido, mais o segundo do que o primeiro, dois bons exemplos da preservação da boa doutrina e do bom combate pela Verdade Única do Evangelho de Jesus.

Numa época pós-conciliar, quando a Tradição e a Verdadeira e Única Religião tão postas em causa têm sido pelos hereges modernistas, estas duas instituições têm travado uma luta desigual mas digna pela restauração da Santa Igreja.

A falsa religião, tão em voga, numa orgia de festa, ecumenismo e ritos heréticos como a missa paulina, precisam de um combate firme, e os ensinamentos de S. Josémaria ainda nos vão guiando.

Tem sido, no entanto, a Fraternidade, com a restauração do Verdadeiro Sacrifício da Missa Tridentina, a abrir caminho para a restauração que se quer rápida e eficaz.

A Paz de Cristo, em Maria Imaculada, esteja convosco.

quarta-feira, junho 25, 2008

Um santo controverso

Amanhã, dia 26 de Junho, a Igreja celebra a festa litúrgica de S. Josemaria Escrivá de Balaguer. Em todo o mundo - diz a Agência Ecclesia - serão celebradas missas em honra deste santo da Igreja.

Comentário: Mais de metade dos espanhóis não lhe vêem a auréola e apenas recordam o cúmplice da ditadura de Franco. Quanto às missas «em todo o mundo», é capaz de ser um exagero publicitário.

A CAP e o ministro Jaime Silva



A propósito dos protestos da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) agendados para quarta-feira, Jaime Silva disse que alguns dirigentes da CNA estão ligados à extrema-esquerda e que outros dirigentes da CAP estão ligados à direita mais conservadora.

Comentários:

1 – Quando a TVI diz que a CAP só regressa quando o ministro da Agricultura se retratar, não quer dizer «após tirar fotografias» mas, sim, depois de se «retractar»;

2 – Quando o ministro acusa dirigentes da CAP de estarem ligados à direita mais conservadora usa um eufemismo para designar reaccionários de provas dadas, desde o falecido José Manuel Casqueiro até ao Prof. Rosado Fernandes;

3 – Um dirigente ressentido com a ofensa do ministro, «ligados à direita mais conservadora» teve a elegância, perante uma pergunta da jornalista da SIC- Notícias de chamar «farsante» ao ministro;

4 – Deviam ser publicadas as verbas que, ao longo dos anos, foram atribuídas aos membros da CAP e, sobretudo, que cada um deles justificasse onde as aplicou.

terça-feira, junho 24, 2008

O PSD e o TGV em ziguezague

Quem não é perito nem tem acesso aos complexos estudos sobre o TGV só pode expor desejos e dúvidas em vez de certezas e argumentos, embora haja uma percepção política do que convém ao País.

Penso que é errado manter Portugal à margem da rede ferroviária da Europa dilatando o isolamento a que a periferia nos condenou. A ligação de Lisboa a Bruxelas parece-me uma necessidade não apenas política mas também ferroviária. Já a ligação de Lisboa ao Porto, em alta velocidade, se me afigura um desperdício que todos os autarcas advogam com paragens no seu concelho.

Surpreendente é a posição do PSD ao longo dos anos. Não sei se foi a falta de projectos políticos ou a falta de carácter que levou Durão Barroso, na oposição, a condenar duas linhas propostas por Guterres, execrando o TGV, para depois, como primeiro-ministro, assinar com Aznar nada menos do que quatro linhas, num governo em que era ministra das Finanças e de Estado a actual líder do PSD.

Agora, por convicção ou oportunismo, Morais Sarmento defendeu a queda do projecto do TGV, num programa de rádio em que substituiu Manuela Ferreira Leite. Quem pode acreditar nos compromissos do Estado, nas decisões que os políticos tomam, se condenam na oposição aquilo a que se comprometeram no Governo?

Eterno litigante

Espaço dos leitores

Velázquez

Momento de poesia


Viagem


O anjo mecânico, indomável
sobre os carris de ferro,
rasga a planície.
A paisagem,
devorada pelo sol
povoada de aves a riscar o céu
e de árvores a esbracejar ao vento,
reacende-me a fome
da terra lavrada do teu corpo
e consome-me uma sede insaciável
de beber a água destes rios,
pela tua boca.


Alexandre de Castro

segunda-feira, junho 23, 2008

Factos & documentos

*
Eis uma explicação para o facto de os bispos católicos americanos terem aconselhado os eleitores, nas eleições para o segundo mandato, a votarem Bush contra o adversário católico.
Não será grande honra para a Igreja católica ter um crente destes mas é uma vitória para o Vaticano.

Resposta da AAP ao Sr. Bispo


Resposta da Associação Ateísta Portuguesa (AAP) ao Bispo Emérito de Coimbra, João Alves

Na sequência do artigo publicado no Diário de Coimbra, no último Domingo, pelo Bispo Emérito, João Alves, sob o título «Elementos para o diálogo entre cristãos e ateus» vem a Associação Ateísta Portuguesa (AAP), pelas referências de que foi alvo, esclarecer o seguinte:

1 – A AAP foi criada ao abrigo do direito de associação, direito que o Sr. Bispo reconhece, «desde que os seus objectivos e as suas actuações respeitem o bem comum e os direitos legitimamente estabelecidos de cada cidadão e, também, os direitos da verdade»;

2 – Partilhamos com o Sr. Bispo o apreço pelo «bem comum e a verdade» mas discordamos da sua hipótese acerca do que é a verdade. Não vemos o ateísmo como um problema, não consideramos o Homem como artifício dos deuses e não é pela «exposição defeituosa da doutrina» que somos ateus;

3 – A AAP concorda com o Sr. Bispo quando afirma «ultrapassada a agressividade sectária e as actuações meramente ideológicas e preconceituosas carecidas de lucidez». Nesse sentido sugerimos que o diálogo não parta do princípio que o ateísmo é um problema nem que a religião do Sr. Bispo é a solução. Propomos dialogar em campo neutro, admitindo que todos podemos errar em matérias de facto, aceitando o direito de cada um aos seus juízos de valor e avaliando cada posição à luz dos seus méritos, pelo que sabemos aqui e agora e não pelo que especulamos acerca do Além;

4 – O Sr. Bispo, cita a Gaudium et Spes que «…o ateísmo deve ser contado entre os fenómenos mais graves do nosso tempo…», afirma que o homem foi criado por Deus e informa que, na «Sexta-Feira Santa, [a Igreja católica] reza …em todo o mundo, pelos não crentes». Os ateus julgam mais provável que os homens tenham criado os deuses, pela diversidade evidente em ambos, e que nem o ateísmo é um problema nem a oração o método adequado para o resolver. Como um diálogo deve assentar no que une as duas partes em vez de partir daquilo que as separa, sugerimos como alicerces o direito à crença e à não crença e o dever de justificar afirmações de facto com evidências objectivas. Se não considerarmos a crença ou a sua falta como um mal a priori e se não basearmos argumentos em premissas especulativas acerca de quem criou o quê, podemos ter um diálogo genuíno que esclareça tanto quem intervenha como quem assista.

Apresento a V. Ex.ª as minhas cordiais saudações.

Odivelas, 22 de Junho de 2008

Pela Associação Ateísta Portuguesa

a) Carlos Esperança

Diário de Coimbra - Artigo do Sr. Bispo João Alves

A vitória de Manuela Ferreira Leite

A vitória de Manuela Ferreira Leite é a vitória da moderação num partido que entrou em deriva populista e onde a ausência de preparação política nunca foi obstáculo para os mais altos cargos partidários.

O caso de Santana Lopes e, agora, o de Passos Coelho, mostram bem que as claques se viram para quem pareça capaz de conquistar o poder, independentemente de saber o que fazer com ele.

A forma como os congressistas abandonaram Santana Lopes, com aplausos e deserções, é bem a fotografia de um partido onde as ideias e a coerência dão lugar ao oportunismo. Manuela Ferreira Leite não inspira paixões mas pareceu aos congressistas que seria a única capaz de retirar a maioria absoluta a Sócrates e precipitar, no próximo mandato, a sua rápida queda, com uma coligação parlamentar negativa, a provocar novas eleições antecipadas que conduzam Passos Coelho ao poder.

O PCP e o CDS, dois aliados conjunturais, já começaram a dizer que nada distingue o PS do PSD. O PCP tem a seu favor a persistência e o CDS o oportunismo. A intriga do Bloco Central é a cunha de que o CDS precisa para o partido liberal das suas ambições, enquanto o PCP pesca no azedume e desilusão dos socialistas mais cansados e crédulos.

É verdade que a estratégia do PCP o impede de ser poder, o que é pena, mas constitui a única forma de segurar o eleitorado e manter influência nos sindicatos e nas ruas. Já o CDS, em risco de desaparecimento por falta de interesse público, joga a única cartada que o pode manter vivo até à criação do partido por que anseiam os ultraliberais.

Como não é crível que os portugueses embarquem em aventuras extremistas, salvo se o desespero se tornar incontrolável, a luta pelo poder vai continuar a travar-se entre o PS e o PSD, entre Sócrates e Manuela Ferreira Leite, enquanto Cavaco se arrisca a perder o segundo mandato e os caciques do PS e do PSD vêem o espaço de manobra reduzido.

O PCP e o BE já atingiram o máximo das intenções de voto, agora em perigo de queda, vítimas do voto útil e da sua alergia ao poder. Por mais que o papão do Bloco Central se agite os dados já estão lançados e, quanto ao Bloco Central, completamente improvável, pode acontecer que alguém tenha a paciência de explicar que não foi um crime e que o país lhe deve mais do que julgam os que o execram.

domingo, junho 22, 2008

Congresso Nacional do PSD (3)


Congresso Nacional do PSD (2)


A Comissão política de Manuela Ferreira Leite é um albergue espanhol.

António Borges, um economista ultraliberal conhecido e uma irrelevância política comprovada, é vice-presidente de Manuela Ferreira Leite.

Congresso Nacional do PSD (1)



Comentário: Se o PSD não conhece o projecto político, que dirá o País?

Congresso Nacional do PSD



"Eu tenho varizes nas pernas e a sobrecarga de viagens pode produzir problemas vasculares, por isso eu tenho que ter muito cuidado" - disse Jardim, informando que os seus problemas vasculares começaram pela parte inferior do corpo.

sábado, junho 21, 2008

Tudo é relativo

Boa decisão da União Europeia


A União Europeia decidiu abolir de vez as sanções a Cuba, avança a agência Reuters. As sanções tinham sido criadas em 2003, depois de várias acções do governo cubano contra dissidentes, e suspensas em 2005. Agora vão ser levantadas de vez. Os ministros dos Negócios Estrangeiros chegaram esta quinta-feira a acordo, após um jantar em Bruxelas.

Comentário: As sanções prejudicaram o povo cubano e apenas serviram para endurecer o regime e de álibi à repressão.

sexta-feira, junho 20, 2008

Bispos espanhóis recuam

A condenação de um jornalista que se distinguia pela truculência e os insultos aos que considerava de esquerda, incluindo destacados membros do PP, mais liberais, levou os bispos da Conferência Episcopal a exigir moderação no proselitismo fascista de um dos seus órgãos mais influentes - «la COPE».

Não tiveram outro remédio. Ver aqui

Sete medidas para enfrentar a crise

P - A quarta medida dará para pagar as outras seis?

Estudo do Instituto Superior Miguel Torga

Um estudo sobre os vídeos publicados no YouTube com referências a dez concelhos do distrito de Coimbra revela que o desporto domina, com quase 50 por cento dos trabalhos, e que autarquias e outras instituições ignoram este portal.

O estudo do Observatório dos Media do Instituto Superior Miguel Torga (ISMT), a que a agência Lusa teve acesso, incidiu sobre a totalidade dos vídeos publicados no YouTube com referências aos concelhos de Arganil, Condeixa-a-Nova, Góis, Miranda do Corvo, Montemor-o-Velho, Oliveira do Hospital, Pampilhosa da Serra, Penacova, Penela e Vila Nova de Poiares.

Continue a ler AQUI. [VER QUADRO 1 E GRÁFICOS 1 E 2]



quinta-feira, junho 19, 2008

O Bloco Central

Marcelo fala em arranjos para novo Bloco Central. Ninguém leva completamente a sério a intriga, mas ninguém, com um mínimo de senso, pode ignorar o que diz e, sobretudo, o que esconde um dos mais brilhantes estrategos e panegiristas da direita portuguesa.

Vamos por partes. Em caso de catástrofe, bloqueio insuperável do regime, iminência de bancarrota ou ditadura, ou de ambas, não seria legítimo recusar, em absoluto, o Bloco Central. Salvo em situações extremas, a solução seria implacavelmente pior do que o problema. Não estamos perante tal cenário.

Há muito que a esquerda da esquerda, PCP e BE, acusa o PS de ser de direita. Aliás, fá-lo sempre. É o seu papel na luta pelo voto no mercado eleitoral, a tentativa de dividir o PS e atrair o eleitorado menos receptivo ao equilíbrio das contas públicas e mais aberto aos apelos da luta contra o capital. O PS é o inimigo principal por estar mais próximo e, apenas, por ser aí que o PCP e o BE podem captar votos.

Já a direita usa tradicionalmente a chantagem de que o PS é igual ao PCP ou que está morto por se aliar a ele, como se isso fosse, em democracia, um crime ou uma desgraça.

O que leva, pois, a direita a levantar o fantasma do bloco central? O que levou a direita mais pragmática a apoiar Manuela Ferreira Leite em detrimento de Passos Coelho ou de Santana Lopes? – Apenas o medo do ridículo e do descrédito. Um deu tamanhas provas de incompetência governativa e o outro de ignorância que a aposta teria de ser na mais credível e menos desejada das candidaturas.

A conjectura do Bloco Central é gratuita e pouco credível mas tem um enorme mérito para os que sonham sujeitar Portugal, com uma economia frágil e enormes debilidades sociais, a uma experiência neoliberal dura. É por aí que se abre espaço para o sonhado partido liberal.

Isto explica que Marcelo, António Borges e Pacheco Pereira, entre outros, apoiem, por ora, Manuela Ferreira Leite. Preparam o terreno, perante a crise social que se agrava e as deslocações de voto previsíveis num eleitorado zangado, para a experiência com que sonham há muito.

Num Estado de Direito...


Fonte: D N

Eu votaria contra

Os imigrantes ilegais que sejam apanhados em países da União Europeia podem passar até 18 meses presos em centros de detenção até serem expulsos.

(...)

A Federação Internacional dos Direitos do Homem diz que este é um golpe na universalidade dos direitos humanos.

Comentário: Felicito os deputados portugueses do PS, PCP e BE, que votaram contra, ao contrário de outros socialistas, que se abstiveram.

A vergonha foi para os deputados do PSD. Do CDS, de Paulo Portas, não se esperaria outra coisa.

quarta-feira, junho 18, 2008

PS - Recupera sensibilidade política


O PS pediu, esta quarta-feira, a presença urgente no Parlamento do presidente da Entidade Reguladora do Sector Eléctrico (ERSE), Vítor Santos, considerando que este organismo avançou com propostas "revoltantes" para penalizar as famílias e a maioria das empresas.

Tratado de Lisboa - Cadáver voltou a respirar


O Parlamento britânico concluiu hoje o processo de ratificação do Tratado de Lisboa, fazendo do Reino Unido o primeiro país a concluir o processo depois de os eleitores irlandeses terem rejeitado o documento em referendo.

Cuidado com os maus exemplos

The Texas Constitution
Article 1 - BILL OF RIGHTS
Section 4 - RELIGIOUS TESTS

No religious test shall ever be required as a qualification to any office, or public trust, in this State; nor shall any one be excluded from holding office on account of his religious sentiments, provided he acknowledge the existence of a Supreme Being.

No Texas, a Constituição (Artigo I, Secção 4) permite claramente a discriminação de ateístas em cargos públicos, «ninguém será excluído de uma posição pública com base nos seus sentimentos religiosos, desde que reconheça a existência de um Ser Supremo»,

Até as democracias, no que diz respeito à liberdade religiosa, correm o risco de se converter numa extensão do Texas. O livre-pensamento é substituído pelo retrocesso dos princípios democráticos numa deriva mística de pendor conservador, sem rumo, sem objectivos cívicos e sem pudor republicano.

Não podemos regressar ao tempo em que se exigia um atestado de baptismo católico e outro de bom comportamento, passados pelo prior da paróquia de nascimento, para a matrícula numa escola de enfermagem. Nas Escolas do Magistério era exigida a crença católica aos futuros professores do ensino primário. Era assim o Portugal de Salazar.

Os juramentos sobre os livros sagrados são ainda rituais que alguns Estados consagram, verdadeiros anacronismos contra os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.

Os livros sagrados das religiões reveladas promovem a intolerância e os preconceitos, exaltam o proselitismo, discriminam a mulher e fomentam guerras entre povos.

A Tora, a Bíblia e o Corão, defendem a violência e normas que exigem a imutabilidade do pensamento das épocas em que surgiram. Acreditar que Deus fez uma viagem ao Monte Sinai para conversar com Moisés, que uma mulher foi mãe graças ao Espírito Santo e que um pastor de camelos decorou um livro que, durante vinte anos, lhe foi ditado entre Medina e Meca, é ingenuidade ou má-fé.

Ser tolerante não é condescender com arcaísmos ideológicos, é tentar compreender os que acreditam sem abdicar de exigir provas dos factos. É estimar os crentes sem deixar de combater as crenças e conter o proselitismo.

O Vaticano, copiando o Islão, manifesta preocupantes sinais de regresso ao passado.

A laicidade não pode permitir o desmoronamento dos valores éticos e cívicos que são apanágio da modernidade e do secularismo sem trair a herança dos que defenderam a liberdade durante a ditadura, sem apunhalar a ética republicana, sem renegar a herança do Iluminismo.

terça-feira, junho 17, 2008

União Europeia - Fuga em frente para o Tratado de Lisboa


Comentário: Qualquer país é livre de sair. A alegria de Jerónimo de Sousa com o NÃO da Irlanda leva-me a pensar que o abandono da Europa não será a melhor solução para Portugal.

Estatuto dos Açores e regionalização do País. Opinião de uma leitora


Por Lídia


Resposta a este post:


Entendo-lhe a estranheza pelo aparente fenómeno que representou a unanimidade de todas as bancadas da AR na aprovação da Revisão do Estatuto da Região Autónoma dos Açores. Entendo-lhe a estranheza e a justeza da argumentação quanto à inércia do parlamento no que concerne à criação das regiões no território do continente.

Mas, pelas minhas convicções, primeiro, e depois pela coragem desassombrada, pela argúcia e honestidade que lhe reconheço e admiro sempre na análise e no propósito, permito-me discordar, creio que pela primeira vez, do que me parece ser a sua posição quanto às autonomias regionais.

Para a unanimidade da aprovação no parlamento, mais do que da bondade dos partidos para com a autonomia, que desta vez sai de facto reforçada, penso que também se explicará pelo facto de que o apoio de agora, poderá, a seu tempo, ser invocado, como argumento ao serviço de "apetites eleitorais".

Quanto à supletividade do Direito estadual face ao Direito regional, se puder dedicar um pouco mais de atenção ao assunto, verá que aquela não resulta de «excessos das regiões autónomas» tendentes a comprometerem o país, nem da cedência a chantagem de deputados regionais. Pelo contrário, trata-se de um princípio tão antigo como a instituição das regiões autónomas. Princípio consagrado na Constituição da República, designadamente no nº 4 do Artº 112º e nas alíneas a) a c) do nº1 do Artº 227º, que definia os poderes legislativos, enquanto no Artº 228º, se estabeleciam quais as matérias de interesse específico das regiões autónomas.

Ainda de referir que a designação de "autonomia progressiva" não é de agora. Foi ensaiada ainda por Mota Amaral, numa época bem conturbada, que tanto o governo regional como a bancada que o sustentava receberam o Presidente da República no Parlamento Regional em ambiente de rara crispação e exibindo gravatas pretas e óculos escuros, em retaliação pelo veto presidencial à proposta de revisão do Estatuto.
Volvidos mais de vinte anos, acredito que este sucesso nem ele o sonhava tão alargado, mas faço-lhe a justiça de acreditar que é genuíno o entusiasmo que declarou ao aprovar esta revisão.

Mais competência, mais responsabilidade e, portanto, um maior compromisso com a Região e com o País, no que considero ser uma demonstração de confiança e maturidade das instituições e da democracia.
A soberania é una e indivisível, ou não o seria e, quanto ao Estado, ou é Estado e tem poder agregador ou... não há Estado. Enquanto isso, a Autonomia não vinga sem o Estatuto que lhe dá forma e este, sem a Constituição, não procede.

Sobre Cavaco Silva, o ter dúvidas, se as teve, é (agora…) um dever do seu cargo, pelo compromisso que assumiu de cumprir e fazer cumprir a Constituição contribuindo e velando pela unidade nacional no respeito das regras democráticas. Tal não se percebeu (porque não aconteceu) na Madeira, onde se prestou aos ardis e palhaçadas bem ao jeito truculento de Alberto João.
Mas a Madeira e os Açores são duas regiões com realidades algo diferentes. Autónomas - também no modo e entre si.
E, se confundir a postura e o relacionamento de ambas com o poder regional e central é estabelecer um grande equívoco, no meu entender e pesem embora alguns impulsos de uma certa e tão forçada quanto desnecessária afirmação (aqui concordo com o Aires e acho que a seguir também o Aires vai concordar comigo…), ainda assim e pelo menos até agora, comparar César com Jardim seria cometer uma enorme injustiça contra o primeiro.

Quanto a “povo dos Açores”, é uma expressão em que não reconheço qualquer intento de cisão independentista nem nada que se lhe assemelhe (e garanto que, a haver, ainda eu lhe saberia reconhecer o cheiro). Açores são Portugal acrescentando-se quando abre os braços pelo natural encanto das suas ilhas e se estende na largueza da sua Zona Económica Exclusiva. Em “povo dos Açores”, designam-se, de facto, algumas características específicas que têm muito a ver com cruzamento de rotas e de gentes, uma vontade emigrante, histórias de solidão e resistência, de saudades e diáspora para além de um mar imenso que segundo Nemésio nos corre por dentro das veias de lava.

Uma expressão que não incomoda quem, como eu, sente que ser portuguesa é, na esfera emocional a inevitabilidade de um orgulho maior e, no plano racional, a causa e consequência de ser açoriana.

Uma nota final, Carlos Esperança, para lhe agradecer por ter trazido o assunto aqui, o que constituiu um incentivo para ler mais sobre o assunto.
Obrigada.

Coimbra - Luta interna no PSD

Carlos Encarnação, o actual edil, não precisava desta ajuda. Já deu provas de que merece perder as próximas eleições.

Espaço dos leitores

Picasso

Momento de poesia



CAVALGADA NOS ANDES


Cavalgo sobre o teu corpo de índia
de nervuras seculares à flor da pele,
mestiçagem de amor nas dobras dos Andes ...
Percorro o corredor do teu medo ancestral
através do mistério do teu olhar negro ...
A tua altivez de estátua, muda e fria,
desafia os cumes brancos
da montanha ...

Gelo e vento, remoínhos de revolta
a povoar o espaço morto do teu passado ...
E o teu vulcão
é um grito sufocado de amor e guerra
que faz tremer a encosta do teu ventre ...


Alexandre de Castro

segunda-feira, junho 16, 2008

Propaganda - 10 ---- Honestidade - 0

C O N V I T E


Divulgação cultural

REPORTAGEM DO “CAFÉ ENTRE TORGAS” INCLUI DEPOIMENTOS INÉDITOS

21 vídeos sobre Miguel Torga no YOUTUBE

A 18 de Abril de 2007 realizou-se, em Miranda do Corvo, um “Café entre Torgas”. O Auditório da Câmara Municipal de Miranda do Corvo recebeu selecto naipe de personalidades que tiveram o privilégio de conviver com Miguel Torga. Álvaro Perdigão, Aníbal Duarte de Almeida, António Campos, João Fernandes, Paulino Mota Tavares e Valentim Marques narraram, a convite dos alunos do 4.º ano da Licenciatura em Ciências da Informação do ISMT, episódios marcantes do contacto que mantiveram com o escritor.
José Machado Lopes leu poema de Miguel Torga.

Lugar também a intervenção da anfitriã, Fátima Ramos, Presidente da Câmara Municipal de Miranda do Corvo. A mesa de honra contou ainda com a presença do Presidente da Assembleia Municipal de Miranda do Corvo e de Sansão Coelho, em representação do ISMT.
A jornada encerrou com a actuação da Associação Cultural de Música e Teatro à Parte, interpretando trechos da ópera “Bichus”.

Esta iniciativa, apoiada pela Câmara Municipal de Miranda do Corvo, inseriu-se nas comemorações dos 70 anos do ISMT, integrando-se também nas festividades alusivas ao centenário do nascimento de Miguel Torga.

Os vídeos encontram-se disponíveis no Canal YOUTORGA, em www.youtube.com/youtorga

Endereços dos 21 excertos deste “Café entre Torgas”:

Café entre Torgas – Fátima Ramos (1)http://www.youtube.com/watch?v=SwDsEQU-6OE

Café entre Torgas (2) http://www.youtube.com/watch?v=JbDPA1LKxb8

Café entre Torgas – Vila Nova (3) http://www.youtube.com/watch?v=1sqkQP1R4o8

Café entre Torgas – Álvaro Perdigão (4) http://www.youtube.com/watch?v=_dUOlPA-NkQ

Café entre Torgas – Álvaro Perdigão (5) http://www.youtube.com/watch?v=e_oaL3mZWcE

Café entre Torgas – Aníbal Duarte de Almeida (6) http://www.youtube.com/watch?v=HH_yGOBoUzA

Café entre Torgas – Aníbal Duarte de Almeida (7) http://www.youtube.com/watch?v=Db3MFBp_Kxs

Café entre Torgas – José Machado Lopes (8) http://www.youtube.com/watch?v=duGfttksUWg

Café entre Torgas – Paulino Mota Tavares (9) http://www.youtube.com/watch?v=X1Zf503ZOZA

Café entre Torgas – Paulino Mota Tavares (10) http://www.youtube.com/watch?v=BmCK9ycfc3E

Café entre Torgas – Valentim Marques (11) http://www.youtube.com/watch?v=CzvrG_Px1XY

Café entre Torgas – Valentim Marques (12) http://www.youtube.com/watch?v=93E3lQc_2DU

Café entre Torgas – Valentim Marques (13) http://www.youtube.com/watch?v=9X_2M-h0r8c

Café entre Torgas – Valentim Marques (14) http://www.youtube.com/watch?v=1pa0a-Crz7w

Café entre Torgas – António Campos (15) http://www.youtube.com/watch?v=GWkrM0Pc5n8

Café entre Torgas – António Campos (16) http://www.youtube.com/watch?v=bIYey143vzY

Café entre Torgas – João Fernandes (17) http://www.youtube.com/watch?v=IxHHgMEogRE

Café entre Torgas – João Fernandes (18) http://www.youtube.com/watch?v=OHVRuaca0VI

Café entre Torgas (19) http://www.youtube.com/watch?v=M18QdsHG3Ss

Café entre Torgas – Ópera “Bichus” (20) http://www.youtube.com/watch?v=6ANaiKvkOJg

Café entre Torgas – Ópera “Bichus” (21) http://www.youtube.com/watch?v=JawZcqT65aE

Humor e presunção

domingo, junho 15, 2008

Estatuto dos Açores e regionalização do País


Pasmo como é possível conseguir a unanimidade da Assembleia da República na defesa da progressiva autonomia das Regiões Autónomas. Falta pouco para que ao Governo da República fique reservado o pagamento do défice e às Assembleias Regionais a votação das despesas.

Na quinta-feira passada foi aprovado por unanimidade, na AR, o novo estatuto político-administrativo dos Açores, expurgado dos piores excessos, por respeito ao bom senso, neste caso, de Cavaco Silva. Sem o aviso do PR, o direito regional prevaleceria «pela supletividade do direito nacional» para o «povo dos Açores». Lá chegaremos.

Como é possível reunir em apoteótica unanimidade o PCP e o CDS, o BE e o PSD, o PS e os Verdes, deputados que não fazem o que deviam para criar as cinco regiões que dão coerência administrativa e racionalidade autárquica ao Continente?

Continuará a chantagem dos caciques para conseguirem mais juntas de freguesia e mais concelhos, numa atomização do território em quintas sem dimensão, sem massa crítica, sem gestores capazes, proliferando as empresas públicas municipais e outras sinecuras que os munícipes pagam na água, no saneamento, no IMI e no imposto municipal sobre veículos, para gáudio das clientelas políticas e redes de influência local?

A manutenção dos distritos, cada vez com menor justificação e importância, é hoje um obstáculo que é preciso remover para que a regionalização possa avançar. As juntas de freguesia urbanas, e algumas rurais, são hoje um alfobre de empregos parasitários, tal como as Empresas Públicas municipais, resultado de interesses partidários e uma arma de arremesso para discutir com números quem ganha as eleições autárquicas.

E a regionalização adiada, enquanto os excessos das regiões autónomas comprometem a do país!

Acordo ortográfico

Os adversários da ortografia acordada já não serão vivos na assinatura do futuro tratado que necessariamente há-de ocorrer na sã tentativa de unificar a língua que todos os dias assimila novos termos. O pragmatismo acaba sempre por vencer a vontade dos puristas e a argumentação dos eruditos.

Os adversários mais truculentos das novas alterações não dizem o que pensam das anteriores e qual o critério que usam para definir a transformação de um vocábulo corrente em arcaísmo.

Estes zeladores da pureza idiomática lembram fidalgos arruinados a exibirem o brasão de família com as calças puídas na albarda de um jerico, depois de lhes minguarem as posses para ataviarem um cavalo puro-sangue.

Sendo a obsessão pelos costumes mais forte do que o pragmatismo, surpreende que a cruzada fique pelas últimas alterações e que os paladinos não tercem armas pelo português arcaico.

Tratado de Lisboa

A obsessão do Vaticano em introduzir uma referência confessional na Constituição Europeia acaba, ironicamente, por ser assimilada pelo Tratado de Lisboa.

É visível a recuperação do mito cristão da Ressurreição por parte dos governantes dos principais países europeus. Pretendem ressuscitar o Tratado que os eleitores irlandeses fizeram cadáver.

sábado, junho 14, 2008

Quatro séculos contra a cultura


No dia 14 de junho de 1966, o Vaticano aboliu seu Index librorum prohibitorum, com a lista dos livros proibidos aos católicos, instituído em 1559.

Na Antigüidade, se uma obra fosse contra os preceitos dos magistrados, eles ordenavam a sua destruição. Com a invenção da imprensa, entretanto, a publicação em série de obras indesejadas passou a ser proibida pela censura. Em 1487, Inocêncio 8º promulgou a primeira constituição papal, em que instituiu a censura prévia.

Comentário: Em Portugal, a ditadura salazarista manteve a censura até ao dia 25 de Abril de 1974.

O «Não» Irlandês


Por

Monteiro Valente*

Já em comentário anterior no PONTE EUROPA me pronunciei contrário a uma «democracia referendária», designadamente no que respeita a referendos à Constituição, a tratados e a outros actos políticos similares. Mas sou pelo referendo a questões relevantes que possam ser formuladas com objectividade, clareza e precisão e para respostas de sim ou não. Assim como me pronunciei também já como europeísta convicto, embora crítico relativamente ás suas orientações actuais.

Os políticos europeus andaram mal quando não submeteram referendo a adesão dos respectivos Estados à CEE/EU, ou quando não reformaram as instituições europeias antes do seu alargamento a 25. Reclamarem o apoio dos cidadãos, em jeito de ratificação, com uma UE e seus Estados-membros em grave crise, ou pretenderem uma unanimidade a 27 relativamente a um tratado que até para os especialistas é de difícil interpretação, foram opções erradas que agora pagam caro.

Não se pode culpabilizar a Irlanda por não haver evitado o referendo, como o fizeram a França, Holanda, Portugal e outros. E não é legítimo responsabilizar os irlandeses pela eventual – quase certa – morte do Tratado de Lisboa, pois não são menos do que os franceses ou os holandeses quando votaram «não» ao anterior – quase o mesmo – Tratado Constitucional. Assim como dizer que “são poucos, acrescentar que são mal-agradecidos” ou que “terão sido enganados pela demagogia dos defensores do «não» é insistir no mesmo tipo de erro que tem vindo a tornar o projecto europeu invendável a boa parte das opiniões públicas” – concordando com José Manuel Fernandes. A Europa não pode ser construída contra os seus cidadãos, quando ela se pretende reclamar precisamente de uma «Europa dos Cidadãos».

A primeira conclusão que se retira do voto negativo irlandês, como da fuga daqueles outros países ao referendo, é a da fragilidade dos sistemas democráticos representativos, cada vez menos representativos dos seus cidadãos. Não defenderam os principais partidos irlandeses o voto no «sim»? Não chumbaram os eleitores franceses e holandeses um tratado que depois os seus parlamentos ratificaram, após uns retoques de mera maquilhagem para justificar a alteração da decisão política? Concordo com Brian Cowen, primeiro-ministro irlandês, quando afirma que não voltará a submeter o mesmo texto ao eleitorado. Não se pode brincar com os cidadãos! Mas no que mais concordaria com ele seria na sua imediata demissão. Afinal não foi ele o grande derrotado? A falta de dignidade dos políticos europeus tem ferido de morte a afirmação da UE.

Quanto ao Tratado de Lisboa, creio que está mesmo morto, por muito que isso custe a José Sócrates e a outros líderes europeus, que procuram na UE a válvula de escape para as suas incapacidades e dificuldades internas. Como diz o povo, não é bom deitar foguetes antes da festa terminar! Agora, mais uma vez, o povo que pague o desperdício!

A UE não está morta, nem irá morrer, ainda que esteja atacada por uma grave doença. Avançará mais devagar, mas resistirá. E com as suas orientações políticas actuais até nem será mal que tal aconteça, enquanto aguarda por melhores timoneiros e melhores políticas! Os seus actuais responsáveis deverão reflectir seriamente nas palavras de Vaclav Klaus, Presidente da República Checa: O «não» ao Tratado de Lisboa “é uma vitória da liberdade e da razão sobre os projectos elitistas e artificiais e sobre a burocracia europeia”.

Enfim, o que a UE precisa é de verdadeiros líderes, capazes de relançar o sonho de Robert Schuman e Jean Monet numa Europa do século XXI, concretizando o projecto de uma autêntica «Europa dos Cidadãos».
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* Maj. General (R)

E de Bragança para Lisboa?

Espaço dos leitores

Fernando Pessoa (nasceu há 120 anos)

sexta-feira, junho 13, 2008

Temos de viver com os dirigentes que temos

O presidente americano, George W. Bush, foi recebido nesta sexta-feira pelo Papa Bento XVI nos jardins do Vaticano, ao lado da torre medieval de São João, numa visita que suscitou especulações na imprensa italiana sobre uma possível conversão de Bush ao catolicismo no próximo ano. (A F P)

PSD - Terrorismo partidário? (2)

Para além da resposta judicial a este caso de polícia, se os destacados autores da grave ilegalidade, António Lóios e Vieira Nunes, importantes militantes do PSD, não forem expulsos do partido, os portugueses julgarão a cumplicidade partidária em actos de sabotagem.