quinta-feira, julho 31, 2008

Alto e pára o baile

O destempero destas alarvidades não justifica o alarmismo com que, durante todo o dia de hoje, têm vindo a ser anunciadas a interrupção de férias do Presidente da República e a comunicação ao País.

O assunto é certamente muito grave e a comunicação excessivamente urgente. Doutro modo, a ansiedade criada desvaloriza a comunicação e banaliza as próximas intervenções do PR.

Pesadelo da guerra colonial (2)

Herança salazarista

Pesadelo da guerra colonial (1)

quarta-feira, julho 30, 2008

Subscrevo

Estatuto
Como era de esperar, o Tribunal Constitucional considerou inconstitucionais várias normas do Estatuto Político-Administrativo dos Açores (como aqui se tinha antecipado).O que é preocupante é que em quase todos os casos, os que votaram tais normas, tanto nos Açores como na AR em Lisboa, não podiam deixar de saber que se tratava de normas inconstitucionais. Criou-se uma espécie de consenso transpartidário de que em matéria de autonomia regional vale tudo o que as assembleias regionais propuserem. Louve-se o Presidente da República por não se dispor a entrar nessa "conspiração".

[Publicado por Vital Moreira] [30.7.08] [Permanent Link]

A montanha vai a Maomé

O idoso não desconfiou da fartura

Um idoso de Amarante queixou-se terça-feira de ter sido burlado em dez mil euros depois de dois desconhecidos o convencerem a levantar o dinheiro no banco para «garantir um lugar no céu e outro no lar da Santa Casa da Misericórdia», escreve a Lusa.

Leonardo Boff prevê grande crise interna na ICAR

A Igreja Católica sofrerá uma “grande crise interna”, porque os milhões de católicos do mundo não têm uma representação adequada nos assuntos administrativos do Vaticano, declarou o teólogo Leonardo Boff, promotor da Teologia da Libertação, nesta segunda-feira. (AFP)

terça-feira, julho 29, 2008

Momento de poesia

Dissertação sobre o poema que não escrevi …


Hoje não tenho nenhum poema para ti
nem qualquer canção
os dedos esgotaram-se por cansaço
ou talvez por desamor
os pássaros não pousaram no meu ombro
bicando os fios do Sol, ao fim da tarde
o livro ficou por ler
aberto naquela página em branco
onde gravei o teu nome
mas eu já estava longe dali
sem palavras e sem voz
por isso não escrevi
nem cantei…

Alexandre de Castro

Censura...

...ou medo do histerismo islâmico?

Imagem de Maomé de Dali : http://atheisme.org/fecamp.html

Nota: Foi a única imagem que apareceu sem título. Falta proibir a Divina Comédia, de Dante.

Quem está interessado no arquivamento?

Governo travou arquivamento do processo sobre derrapagem da Ponte Europa

Um despacho do Governo considerou indesejável o arquivamento do processo sobre a derrapagem dos custos da Ponte Europa, noticia o JN este domingo. À TSF, o presidente da autarquia de Coimbra estranhou porque é que só agora o Governo decidiu investigar o caso.

segunda-feira, julho 28, 2008

Mau começo para a igualdade

Atentados em Bagdad e em outras cidades do Iraque deixaram nesta segunda-feira pelo menos 56 mortos e mais de 200 feridos, em um dia de violência que interrompeu um período de relativa calma que havia permitido prever uma retirada das tropas norte-americanas.

( AFP )

Comentário: Não é este o caminho para a emancipação da mulher, um passo indispensável para a igualdade de género, uma heresia em terras de Maomé.

Numa festa mais fraca, Jardim também foi brando

À tradicional festa do PSD de Chão da Lagoa ocorreram centenas de pessoas, mas menos do que no ano passado. Neste clima, o líder social-democrata madeirense repetiu-se e atirou poucas farpas ao Governo de José Sócrates. Deixou Jaime Ramos a falar contra o casamento dos homossexuais.

Lília Bernardes, in DN

Afinal, eram muitos!!!


Faleceu Álvaro Rana

Faleceu Álvaro Rana, velho colega, amigo e destacado dirigente sindical. A notícia apanha-me de surpresa. Telefonou-me, pela última vez, quando abandonei a vida profissional.

Procurei na Internet uma fotografia do amigo de 35 anos. Não encontrei. Resta-me assinalar a morte de um antifascista que, muito antes do 25 de Abril, se empenhou na luta contra a ditadura e na defesa dos interesses dos trabalhadores.

Era discreto e corajoso. Morreu um homem bom.

Algumas reflexões sobre o divórcio

Faltando-me experiência para dar testemunho sobre o divórcio, corro o risco de parecer um padre a falar do matrimónio. Herdei o espírito monogâmico e o hábito de manter os laços conjugais mas sei da vida o suficiente para ter a convicção de que não é o divórcio que interrompe o casamento, é o fim deste que dá origem ao divórcio.

Há almas pias que vêem na consequência a causa e na tentativa de evitar males maiores uma conspiração contra a instituição que os tempos se encarregaram de tornar precária.

Claro que hoje já não é hábito assediar uma divorciada, apontá-la à execração pública e atribuir-lhe a culpa que é apanágio da mulher, uma espécie de complemento do pecado original. Mudaram-se os tempos e as leis, e o divórcio deixou de ser o ferrete vexatório que perseguia a mulher, enquanto o homem, como sempre, gozava de compreensão.

Lembro-me das primeiras divorciadas que conheci e da forma como eram recriminadas pela inépcia na sedução dos maridos, resquícios de tribalismo machista que a sociedade rural e beata se encarregava de perpetuar.

Quando, a seguir ao 5 de Outubro de 1910, a República instituiu o matrimónio, eram vulgares as manifestações de rua com catequistas, celibatárias e padres a condenarem a lei que resolveu situações intoleráveis.

Quando, depois do 25 de Abril, sendo ministro da Justiça Salgado Zenha, se permitiu o divórcio a quem tinha um casamento católico, que a Concordata tinha definido como perpétuo, houve apenas manifestações de júbilo e a faculdade de resolver casos de mancebia, incluindo o do Dr. Sá Carneiro, governante que não via necessidade de uma Concordata.

Agora, 34 anos depois do 25 de Abril, as alterações legislativas para facilitar o divórcio, a fim de o tornar menos traumático, uniram contra si as associações pró-família, vários sectores conservadores, meios religiosos, alguns magistrados e o próprio PR que a idade vai tornando cada vez mais devoto.

Grupos de pressão donde nunca partiu um aviso sobre violência doméstica, pessoas pias que jamais denunciaram maus-tratos conjugais e associações que nunca emitiram uma opinião sobre mulheres assassinadas pelos maridos (são elas as vítimas mais frequentes) vêm agora, tal como aconteceu em Espanha, fazer um enorme ruído sobre uma lei que, na minha opinião, traduz um avanço civilizacional.

É preciso lembrar que o divórcio é a consequência de um casamento falhado e jamais a causa do seu termo. Arrastar pelos tribunais a devassa da vida íntima e a crispação de uma ruptura é acrescentar um sofrimento suplementar para o casal e para os filhos, se os houver. Um tormento inútil por causa de um preconceito.

domingo, julho 27, 2008

Espaço dos leitores - O apito pariu um rato



Nota: Os desenhos de Zédalmeida são publicados com a amável autorização do autor.

O circo no Chão da Lagoa


Bem prega Frei Tomás...

Ferreira Leite contrariou parecer da PGR sobre trabalhos a mais

A ex-ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite, critica do enorme volume de obras projectadas pelo Governo, contrariou orientações da Procuradoria-Geral da República, ao aprovar um decreto-lei que desvinculou a Ponte Europa do limite legal de trabalhos a mais permitido nas empreitadas públicas (50%).

Cultura. Prémio Camões

Ubaldo Ribeiro
Após a entrega do diploma do prémio referente a 2007 a António Lobo Antunes, já é conhecido o vencedor deste ano - João Ubaldo Ribeiro, outro grande escritor de língua portuguesa.

Falta de civismo. Caso de polícia


Os protestos de meia centenademoradoresdo Aleixo contra a demolição deste bairro do Porto extremaram-se na madrugada de ontem, no final da Assembleia Municipal que aprovou a decisão do presidente Rui Rio e que é para concretizar até 2013.

Comentário: Apesar do atraso não quero deixar de me solidarizar com Rui Rio.

sábado, julho 26, 2008

Notícias da nossa vergonha

Espaço dos leitores

Foto de L.E.P.

Timor – um país frágil

Quando um país, na infância da independência, dá os primeiros passos em liberdade merece que a economia ajude os cidadãos que escolheram com sangue o seu destino.

Timor tem condições para ser viável mas não pode desintegrar-se sob a pressão da bomba demográfica que o torna cada dia mais pobre. Não há produto interno bruto que acompanhe uma natalidade descontrolada, uma paz que resista à fome e ao desemprego, um Governo que assegure, nestas condições, futuro condigno para os seus cidadãos.

Se há um lugar onde é urgente o planeamento familiar e a pedagogia da maternidade consciente, é em Timor.

A Igreja católica, por preconceitos atávicos e insensibilidade do actual Papa, não pensa assim. A miséria é, aliás, um factor que, aliado ao analfabetismo, aumenta o poder do clero, seja qual for a religião.

Em Timor, em vez de médicos e professores, em vez de pílula e dos preservativos, em vez do desenvolvimento económico e social, é a fé que se mantém em alta.

Crescem as vocações sacerdotais, aumenta o número de catequistas, vai ser assinada uma Concordata e criada uma nova diocese, como se a diocese fizesse mais falta do que um hospital ou uma universidade. Mas o Vaticano tem a sua própria agenda.

A independência de Timor é produto da Igreja católica. Seria injusto não reconhecer a generosidade e o heroísmo do bispo Ximenes Belo e dos padres para com o seu povo, não ter em conta a dívida de gratidão à Igreja católica, mas nada justifica a factura que esta se prepara para cobrar com um conservadorismo teológico obsoleto e perigoso.

sexta-feira, julho 25, 2008

Cultura. Prémio Camões

António Lobo Antunes
Uma grande distinção para um enorme escritor.

Perdeu-se o medo aos donos da bola

O jurista Freitas do Amaral avalizou as decisões tomadas na polémica reunião do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol, que manteve os castigos a Pinto da Costa e ao Boavista, e criticou o presidente daquele órgão.

(Continua...)

Proveitos que valem as penas


A investigação do Banco de Portugal ao Banco Comercial Português (BCP) pode levar a uma pena de inibição de actividade até dez anos aos ex-administradores Jardim Gonçalves, Teixeira Pinto e Filipe Pinhal. O Governador do Banco de Portugal já tinha adiantado na Assembleia da República que o processo poderia levar a esta decisão caso se prove que o BCP prestou informações contabilisticas falsas ao Banco central, como nos diz a jornalista da Antena 1, Lurdes Dias.

Norberto Canha - escritor

Palavras do vereador da Cultura, Mário Nunes. Ninguém diria melhor num pequeno parágrafo.

Ordem dos Advogados

Comentário: A publicidade, disfarçada de notícia (Diários as Beiras, pág. 23, hoje) revela que os critérios da Ordem, altamente restritivos, foram alterados.

quinta-feira, julho 24, 2008

PSD. Que oposição?

Para Portugal, pior do que ter esta Oposição era ela ser Governo mas nenhum governo ganha, muito menos o País, se as suas decisões erradas não tiverem uma oposição sólida, aguerrida e bem fundamentada.

Quando a líder do maior partido da oposição afirma que «Não há o direito, não há legitimidade democrática para tomar decisões cujas consequências caem em cima dos outros», atinge o grau zero da crítica, diz palavras sem sentido e profere opiniões sem conteúdo. Como se fosse possível tomar decisões sem consequências, como se as decisões e a inércia fossem igualmente inócuas.

Por sua vez, o titubeante líder parlamentar do PSD, escolhido por Ferreira Leite, é o ventríloquo da líder e aprendiz da arte de dizer uma coisa e afirmar logo o seu contrário. Paulo Rangel, de seu nome, está contra os planos de investimento do Governo socialista mas logo acrescenta que «não está contra obras públicas em geral nem nenhuma em concreto». Afinal, há algum investimento que Paulo Rangel conteste, sem estar contra? Isto é que é falar. Uma oposição assim é uma orquestra afinada a tocar por uma pauta sem notas.

Assim, não. Resta a oposição de esquerda que, vendo a indigência do pólo oposto, arrasa todas as decisões do actual Governo, sejam elas quais forem. Não sei se na actual conjuntura é possível melhor Governo, mas certamente poderia haver melhor oposição.

S.N.S. - Quem o quer destruir?

Fonte: Visão, pg. 8

O estado das energias e a energia do Estado

Pior do que tem sido a subida vertiginosa dos preços do petróleo, contribuindo para o agravamento da crise financeira, económica e política dos países desenvolvidos, pode vir a ser a descida, criadora de ilusões sobre a perpetuação dos recursos e bloqueadora dos esforços urgentes para criar alternativas à substituição.

Se há dias já pensávamos que o automóvel actual tinha os dias contados, hoje vive-se a ilusão de que ele se manterá nos nossos hábitos. Pensar no futuro das gerações que não pediram para vir é uma decisão que o egoísmo poupa às meninges. A inconsciência é o apanágio de quem não vê para lá do quotidiano, dos que se desinteressam do futuro.

O Estado português tem agora nas suas mãos um argumento soberano para limitar o uso de carros que sucessivos governos, autarquias e suspeitos apêndices, que dão pelo nome de Empresas Públicas Municipais, distribuíram por amigos, caciques e funcionários.

A orgia de sinecuras que grassa por obscuros serviços de interesse duvidoso, as horas extraordinárias que os contribuintes pagam a condutores que esperam das 7 horas da manhã até ao meio-dia à porta dos senhores administradores que nos oneram a factura da água, da luz, do gás e dos impostos, é um abuso a que urge pôr termo ainda que o PS perca as eleições.

É melhor perder eleições do que inviabilizar o País. É justo dizer que poucos governos tiveram a coragem de corrigir desmandos como o actual e que os ataques de que é alvo são, quase sempre, pelas razões erradas.

A frota de carros ao serviço de funcionários de modesta categoria é responsável por gastos que a situação actual não suporta, cria disparidades intoleráveis entre os que têm e os que não têm regalias e contribuem para que uma multidão de beneficiados afaste o domicílio dos locais de trabalho porque não têm de pagar o transporte, um absurdo para a qual o país não tem recursos.

O corte nos carros de uso pessoal e a eliminação das pensões que, no conjunto, excedam o vencimento do Presidente da República, incluindo as deste, pode ser um desastre para o PS mas é uma necessidade para Portugal. Só a energia de um governo decidido pode fazer face ao estado das energias.

Merece ser julgado...

Por

Rui Cascao

Um reparo: não concordo com a sua afirmação de o Tribunal para os crimes na ex-Jugoslávia ter "uma predilecção pelos Sérvios".

A distribuição étnica dos arguidos e dos condenados é bastante equilibrada, abrangendo Sérvios, Croatas, Bósnios Croatas, Bósnios Sérvios, Bósnios Muçulmanos, Sérvios da Croácia, Albaneses, Montenegrinos e Macedónios.

As sentenças mais elevadas pronunciadas pelo tribunal até foram aplicadas a Bósnios Muçulmanos.Também não se podem ignorar dois factores:

1) As maiores atrocidades na Bósnia e Herzegovina foram levadas a cabo pelos Sérvios Bósnios com o apoio encoberto da República Federal Jugoslava de Milosevic

2) O clima político na Sérvia favoreceu a protecção dos criminosos mais procurados (Karadic, Mladic), principalmente por causa da cumplicidade de Kostunica. A maior abertura da UE à candidatura da Croácia obrigou esta a colaborar mais estreitamente com o Tribunal.
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Nota: Rui Cascao, «contribuidor» do Ponte Europa é um profundo conhecedor da ex-Jugoslávia e do contexto geo-político da sua desintegração.

quarta-feira, julho 23, 2008

Vasco Graça Moura - um cavaquista na encruzilhada

Vasco Graça Moura (VGM) se tivesse em sensatez política a cultura que tem, seria um estadista.

O fogoso plumitivo embirrou com o acordo ortográfico e zurziu-o com a riqueza dos adjectivos e o destempero da sua idiossincrasia. Não lhe minguando os argumentos de quem é vesgo, faltou-lhe visão política e o equilíbrio emocional. Bateu-se por uma causa perdida que outros defenderam com argumentos tão sólidos quanto os seus.

VGM é brilhante na forma, sofrível na substância e medíocre na visão política. O maior tributo que o PSD já lhe prestou, por defender todas as asneiras oriundas do PSD, foi fazê-lo ajudante de ministro num qualquer Governo do consulado cavaquista.

Agora, o homem remói desgostos e faz piruetas para responsabilizar o PS pelo acordo que tardou, com prejuízo para a língua comum de 220 milhões de falantes, mas VGM queria ser o guardião do templo da língua que o tempo acabaria por matar. No fundo o homem é um arcaísmo político na defesa da virgindade idiomática. Como se a actual ortografia fosse ainda a virgem herdada das cantigas de amigo e de escárnio!

O que dói ao adversário do Acordo não são as opiniões respeitáveis de ilustres filólogos e escritores, o que lhe acicata a bílis é o facto de o Acordo Ortográfico ter sido subscrito em 1990, quando era primeiro-ministro de Portugal o Prof. Cavaco. E, para que o cálice da amargura do inveterado cavaquista seja bebido até à última gota, coube agora ao PR o dever de ratificar o segundo protocolo modificativo do Acordo Ortográfico.

Não sabendo o bilioso polemista para que lado cair, qual tolo no meio da ponte, não encontrou outro desabafo para, sem se dar conta, diminuir Cavaco Silva:

«O Presidente da República é hoje o único alto responsável político português que tem plena consciência de que o Acordo Ortográfico é um deprimente chorrilho de asneiras. E de que a sua adopção introduzirá um cancro incurável na ortografia da língua portuguesa», não obstante tê-lo então subscrito em S. Bento e ratificado agora em Belém, depois de amplamente aprovado na Assembleia da República.

A lógica de Vasco Graça Moura merece constar em qualquer manual da asneira.

Merece ser julgado...

...mas o TPI parece ter uma especial predilecção pelos sérvios.

O suspeito de genocídio Radovan Karadzic pretende defender-se sozinho das acusações pendentes contra ele no Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII), informou o advogado do ex-líder servo-bósnio.

Provocação perigosa

Irão não vai recuar em programa nuclear, diz presidente

O presidente do Irão, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que seu país "não vai recuar nem um pouco" na crise gerada pela continuidade do programa nuclear.

(BBC)

Madeira - o insulto à solta

O líder do grupo parlamentar do PSD-Madeira, Jaime Ramos, afirmou hoje que José Sócrates é um "Pinóquio mentiroso", devido às suas alegadas políticas "destruidoras, vingativas e coloniais" contra a Região Autónoma da Madeira, criticando ainda as ajudas e os perdões das dívidas aos países africanos.

Comentário: O execrável político, medíocre parlamentar e sofrível cidadão Jaime Ramos, com particular jeito para os negócios e o insulto, produziu as afirmações acima referidas.

Imagine-se o que aconteceria se o líder parlamentar do PS-M produzisse semelhantes injúrias para com o inefável Alberto João Jardim.

A. J. Jardim e Jaime Ramos podiam ser referidos como santas bestas, mas não serei eu a fazê-lo. Em primeiro lugar por educação, depois porque não os conheço suficientemente e, finalmente, eles podem não ser santos.

terça-feira, julho 22, 2008

Adultério e pena de morte

A pena de morte é uma barbárie que repugna ao humanismo e um acto de vingança que envergonha os Estados e os cidadãos. É natural que tenha vindo a ser erradicada dos países civilizados, sobretudo daqueles onde são mais fundas as marcas do Iluminismo e melhor defendidos pelas Constituições os direitos, liberdades e garantias.

Mas se a rusticidade da violência é já, em si, uma enormidade que afronta a civilização e a decência, há motivos que juntam, à vingança e crueldade, a demência.

No Irão acabam de ser condenados à morte por lapidação, uma pena do especial agrado de Maomé, oito mulheres e um homem acusados de adultério, crimes que resultam sobretudo da violência doméstica e onde os condenados carecem de instrução básica para perceberem o crime de que são acusados.

As teocracias são o contrário das democracias e não se espera contemplações do Profeta ou de quem promulga as suas divinas leis. De pouco servem as circunstâncias em que o crime foi cometido ou a confusão obscena entre crime e pecado, entre o Código Penal dos países laicos e o direito canónico, de sabor medieval, dos países sob tutela clerical.

Camilo e Ana Plácido estiveram presos, ele por ter copulado com mulher casada e ela por adultério, pena exclusiva de mulher. O homem só era punível quando apanhado em flagrante delito «sós e nus na mesma cama» ou por existência de carta ou documento escrito. Foi uma carta que perdeu Camilo. O escritor cumpriu mais de um ano de prisão preventiva e Ana Plácida um pouco mais. Terá pesado a ousadia de retirar do Convento da Conceição, em Braga, uma mulher que devia dedicar-se à contemplação mística e à oração, em vez de dar-se a relaxações eróticas.

Em Portugal já decorreu século e meio. No Irão ainda hoje vigora o crime, com efeitos muito mais arrasadores. Em Portugal resta, como resquício teocrático e vergonha dos legisladores, o crime de blasfémia, punível com prisão, que a jurisprudência ignora perante um bem maior – a liberdade de expressão.

No Irão dos aiatolas a polícia e os tribunais são um mero instrumento do clero de que o mundo civilizado é cúmplice em nome do respeito pela tradição e pela cultura.

Apostila - Crónica publicada também no «Sorumbático»

Momento de poesia

Amor de andarilho



Como sempre acontece
quando o destino nos cruza
nos mesmos caminhos
pode ser numa rua, num café,
despedimo-nos sempre
com a promessa de um próximo almoço
lá mais para a frente
quando terminarmos estes trabalhos inadiáveis
que temos entre mãos
para nos perguntarmos pelos amigos comuns
e do destino das nossas antigas namoradas
já são todas avós, dizes das tuas,
falando com mais entusiasmo
daquela que mais te encantou
das minhas nada direi
ou talvez o venha a dizer no próximo almoço
se, entretanto, não perder o bilhetinho
onde anotei o número do teu telefone,
talvez quebre o segredo deste encanto
e diga para teu espanto
que continuei a namorar com todas elas
de quem nunca me divorciei…
Por isso vivo sozinho, e, para matar a solidão,
vivo com o meu cão…

Alexandre de Castro

segunda-feira, julho 21, 2008

Madeira - Ninguém mete o regedor na ordem

O secretário regional dos Assuntos Sociais diz que, ao contrário do continente, a Madeira «continuará a não encerrar serviços de saúde de proximidade e vai manter toda a prestação de cuidados sem pagamento de taxas moderadoras».

Comentário - Há quem tenha de se submeter ao Orçamento e às leis e há quem nunca perca eleições.

Momento zen de segunda

João César das Neves (JCN) na sua habitual homilia aproxima-se cada vez mais dos padres rurais da minha infância, beatos, fundamentalistas, com horror à modernidade.

JCN, perante a bomba demográfica que ameaça o mundo, face ao avanço da ciência que tornou possível o planeamento familiar e uma maternidade consciente, investe ainda contra a pílula e os contraceptivos e vocifera contra a liberdade sexual… da mulher.

Na sua homilia de hoje JCN fala da clarividência do Papa Paulo VI. Para o devoto todos são clarividentes, digam o que disserem, mas o que o leva a louvar o pontífice é o facto de, face a um «memorando final, de Junho de 1966, que mostrava a Comissão dividida sobre a permissão do uso da pílula pelos casais católicos, com a maioria a favor, o Papa, após dois anos de reflexão, determinou na encíclica a posição da Igreja», ou seja ao contrário do que a maioria considerou razoável e os casais já faziam.

É esta submissão acrítica ao papa de serviço que faz de JCN um cruzado obsoleto e sem o mais leve remorso pelas ideias que defende.

Que lhe interessa que a explosão demográfica de Timor seja um fenómeno incontrolável e que a Igreja católica se oponha à entrada de contraceptivos? Que importa que morram milhares de pessoas à fome ou matando para sobreviver? Quando a fé embota a razão não há argumentos que valham.

Não sei donde vem a certeza de JCN de que «um acto de amor recíproco, que prejudique a disponibilidade para transmitir a vida que Deus Criador de todas as coisas nele inseriu segundo leis particulares, está em contradição com o desígnio constitutivo do casamento e com a vontade do Autor da vida humana». O horror à sexualidade talvez seja um velho trauma seu e, no fundo, talvez a razão para que o casamento seja cada vez mais precário e desrespeitado.

O que mais repugna em JCN é o desrespeito pela mulher, o seu espírito misógino, o seu desprezo pelo direito feminino à sexualidade.

O planeamento familiar é para JCN «o caminho amplo e fácil que tais métodos abririam à infidelidade conjugal e à degradação da moralidade (...) perder o respeito pela mulher e, sem se preocupar mais com o equilíbrio físico e psicológico dela, chegue a considerá-la como simples instrumento de prazer egoísta».

Na sua longa homilia de hoje, JCN nunca admite a autodeterminação sexual da mulher e, jamais admite que ela tenha direito ao prazer.

São assim os cruzados serôdios do nosso tempo.

Poder do petróleo

domingo, julho 20, 2008

Associação Ateísta Portuguesa


Mensagem do presidente da Direcção


A Associação Ateísta Portuguesa ao ter aprovado o Programa da Direcção e sufragado os membros que integram os órgãos Sociais, respeitou a lei, os compromissos assumidos e as expectativas criadas.

Vai agora cumprir o seu dever:

- Mostrar que o ateísmo é ética, filosófica e cientificamente válido e que são injustos os preconceitos na legislação e nos órgãos de comunicação social.

Promover e defender a laicidade do Estado não é apenas tarefa dos ateus, é a obrigação cívica dos que desejam aprofundar o exercício da cidadania democrática e defender a igualdade de todos os cidadãos perante a lei, independentemente de qualquer crença ou ausência de crença no sobrenatural.

A AAP contestará as manifestações religiosas e pseudo-científicas com uma abordagem científica, racionalista e humanista, defendendo os legítimos interesses dos ateus, agnósticos e pessoas sem religião, bem como as perseguidas pela religião que praticam ou pela que abandonaram;

Todos os livres-pensadores, ateus, agnósticos e cépticos, são chamados a promoverem os valores da liberdade, do humanismo, da tolerância, da solidariedade e da paz. A AAP será também solidária com os crentes que defendam os Direitos do Homem contra os caprichos dos seus deuses, a igualdade de género contra a misoginia das suas Igrejas e o respeito pelas crenças alheias e a descrença contra o proselitismo dos seus padres.

Sendo a blasfémia um delito medieval que urge erradicar do Código Penal e a apostasia um direito inalienável que nenhuma religião tem o direito de retaliar, a AAP defenderá o ateísmo pelo seu mérito próprio, pois jamais alguma religião provou ser verdadeira, e não deixará de responder aos ataques e calúnias dos beatos com a tolerância dos justos e a firmeza dos que não sentem necessidade dos deuses que os homens criaram.

Lisboa, 19 de Julho de 2008

Carlos Esperança

Associação Ateísta Portuguesa


Realizou-se ontem, em Lisboa a primeira Assembleia-geral da Associação Ateísta Portuguesa que, entre outras decisões, aprovou o Programa para 2008_ 2009 e elegeu os corpos gerentes para o primeiro mandato.

A sua publicação aparecerá brevemente no sítio da Associação.

sexta-feira, julho 18, 2008

A solução está na castidade


Por

Pai de Família

É o que manda a Boa Doutrina, e é para cumprir.

Casais responsáveis não contraem o vírus da SIDA.

Caso aconteça, pois que recorram à abstinência.

Nunca, mas nunca, cair no pecado mortal duplo que é o uso do demoníaco preservativo - objecto maléfico que corta o dom da Vida e é pretexto para a prática da luxúria.

Perante a evicção da Vida e a irresponsabilidade materialista/egoísta das relações sexuais ~por simples prazer, a Igreja responde com a responsabilidade, a compaixão para com aqueles que vão nascer, bem como com a promoção do verdadeiro Amor.

PSD à deriva

O PSD não é um partido, é um rosário.

Manuela Ferreira Leite - 1 terço (Mistério Glorioso)

Pedro Passos Coelho - 1 terço (Mistério Gozoso)

Pedro Santana Lopes - 1 terço (Mistério Doloroso)

O PSD é um partido à espera dos Mistérios Luminosos.

Obsessão religiosa pelo preservativo

A Igreja Católina nas Filipinas emitiu um comunicado oficial a informar que o Vaticano não permite que duas pessoas casadas com VIH/SIDA usem preservativos.

Nelson Mandela - 90.º aniversário

Um terrorista para Bush, uma referência para a Humanidade.


Obrigado, Nelson Mandela. Parabéns.

Energia nuclear. Sim ou Não?

Se há dois anos, apenas, alguém defendesse para Portugal a energia nuclear, encontrava em mim um fervoroso opositor a esgrimir honestamente argumentos que a condenam.

Curiosamente quando o actual Governo, a esse respeito, se manifestou, há dias, desinteressado e afirmou que o nuclear não era uma opção que estivesse na sua agenda, pareceu-me uma posição pouco avisada.

Todos sabemos que os interesses financeiros e as agências de imagem fazem mais pelas decisões do que os argumentos técnicos. Basta ver o que se passou, e passa, com a co-incineração. Continua um maná para a promoção pessoal de figuras de segundo plano, como arma de arremesso contra o Governo e pretexto para providências cautelares, um instrumento para defesa dos cidadãos transformado em arma partidária.

Quando me falam em energias limpas, lembro-me do atentado visual das hélices que rodam no cimo de montes, outrora belos, e dos milhares de toneladas de alumínio cujas consequências desconheço com um custo/eficácia de difícil justificação.

Excepto a das barragens, não isentas de riscos e de perigos ambientais, as energias ditas limpas são pouco limpas e pouco eficazes. Com os combustíveis fósseis com o fim anunciado e o aquecimento global a galopar acima das previsões, não me parece sensato que a energia nuclear, para fins pacíficos, possa estar afastada da agenda de qualquer Governo.

A oposição portuguesa de direita nem sequer precisa de agenda, afastada de qualquer preocupação, interessada apenas nos lugares autárquicos e nos de deputados europeus, nacionais e das Regiões Autónomas.

À falta de oposição credível, sem chama nem causas, a última coisa que o Governo não pode dizer, em relação à energia nuclear, é «nunca».

quinta-feira, julho 17, 2008

O explosivo concelho de Loures

Compromissos associativos têm-me impedido de desenvolver alguns temas quentes da a sociedade portuguesa.

Acontece muitas vezes não ter opinião formada ou informação suficiente. Não é o caso das cenas de Loures cuja gravidade e violência das imagens não podiam ter deixado, quem quer que seja, indiferente.

O alarme social de rivalidades étnicas e a intensidade da resposta, à mão armada, não é uma notícia de Verão, é uma doença que abala o débil tecido social e a alegada brandura dos costumes portugueses.

Creio que é um truísmo banal dizer que a situação tem duas respostas: uma de carácter policial e outra de cariz social. A verdade é que, por mais grave que a situação seja – e é –, não justifica um Estado policial, como a direita deseja, nem é possível dar a resposta social que o problema merece. Não há casas disponíveis nem recursos para apagar todos os fogos que as épocas de crise se encarregam de atear.

Parece-me adequada a resposta que deram a Câmara Municipal de Loures e a Segurança Social, de acordo com os constrangimentos orçamentais que o preço do petróleo e a conjuntura internacional se encarregaram de agravar.

Seria um suicídio considerar os incidentes de Loures um caso isolado, mas julgo de má fé e oportunismo político aproveitar o fogo que lavra em comunidades que a pobreza e dificuldade de integração tornam mais vulneráveis e lançam na violência.

quarta-feira, julho 16, 2008

Coimbra - Líder do CDS condenada há mais de 1 ano

Em 28 de Junho de 2007 escrevi, aqui no Ponte Europa, o texto que repito e cujo comentário a Paulo Portas me valeu a acusação de falta de carácter.

Mantendo-se ainda em funções, mais de um ano passado, a mesma dirigente do CDS/PP só posso concluir que Paulo Portas, líder do partido, para além da falta de credibilidade política, tem um enorme défice de dignidade e coerência.


Sónia Sousa Mendes, dirigente distrital do CDS-PP de Coimbra, foi condenada pelo tribunal da Lousã a dois anos e meio de prisão, com pena suspensa de três anos, pelo crime de peculato

O tribunal deu como provado que a dirigente partidária se apropriou em proveito próprio de cerca de 15 mil euros referentes ao transporte de alunos.

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Nota: O Tribunal não acreditou em Paulo Portas que veio à Lousã, pessoalmente, testemunhar a honestidade da sua fiel presidente da Comissão Política Distrital de Coimbra.

A fé remove propriedades


A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) vai comprar o cinema Gira.Solum. Depois de, no final da década de 1980, terem utilizado um estúdio do Teatro Avenida, a igreja brasileira regressa a um dos espaços que prefere – o palco concebido para espectáculos, de grandes dimensões, como acontece como o “templo maior”, em Lisboa.

Comentário: Não sei se é o gosto pelo cinema ou a vocação histriónica dos seus padres que leva a IURD à obsessão de converter em templos as casas de espectáculo.

terça-feira, julho 15, 2008

Alberto João Jardim – Um fascista grotesco


O artigo de Baptista Bastos

«Alberto João Jardim não é inimputável, não é um jumento que zurra desabrido, não é um matóide inculpável, um oligofrénico, uma asneira em forma de humanóide, um erro hilariante da natureza.

Alberto João Jardim é um infame sem remissão, e o poder absoluto de que dispõe faz com que proceda como um canalha, a merecer adequado correctivo.

Em tempos, já assim alguém o fez. Recordemos. Nos finais da década de 70, invectivando contra o Conselho da Revolução, Jardim proclamou: «Os militares já não são o que eram. Os militares efeminaram-se». O comandante do Regimento de Infantaria da Madeira, coronel Lacerda, envergou a farda número um, e pediu audiência ao presidente da Região Autónoma da Madeira. Logo-assim, Lacerda aproximou-se dele e pespegou-lhe um par de estalos na cara. Lamuriou-se, o homenzinho, ao Conselho da Revolução. Vasco Lourenço mandou arrecadar a queixa com um seco: «Arquive-se na casa de banho».

A objurgatória contra chineses e indianos corresponde aos parâmetros ideológicos dos fascistas. E um fascista acondiciona o estofo de um canalha. Não há que sair das definições. Perante os factos, as tímidas rebatidas ao que ele disse pertencem aos domínios das amenidades. Jardim tem insultado Presidentes da República, primeiros-ministros, representantes da República na ilha, ministros e outros altos dignitários da nação. Ninguém lhe aplica o Código Penal e os processos decorrentes de, amiúde, ele tripudiar sobre a Constituição. Os barões do PSD babam-se, os do PS balbuciam frivolidades, os do CDS estremecem, o PCP não utiliza os meios legais, disponentes em assuntos deste jaez e estilo. Desculpam-no com a frioleira de que não está sóbrio. Nunca está sóbrio?

O espantoso de isto tudo é que muitos daqueles pelo Jardim periodicamente insultados, injuriados e caluniados apertam-lhe a mão, por exemplo, nas reuniões do Conselho de Estado. Temem-no, esta é a verdade. De contrário, o que ele tem dito, feito e cometido não ficaria sem a punição que a natureza sórdida dos factos exige. Velada ou declaradamente, costuma ameaçar com a secessão da ilha. Vicente Jorge Silva já o escreveu: que se faça um referendo, ver-se-á quem perde.

A vergonha que nos atinge não o envolve porque o homenzinho é o que é: um despudorado, um sem-vergonha da pior espécie. A cobardia do silêncio cúmplice atingiu níveis inimagináveis. Não pertenço a esse grupo».

"Eu não pedi desculpa", garante Baptista-Bastos


LÍLIA BERNARDES, Funchal

Julgamento. Jornalista chegou a acordo com Alberto João Jardim, por Lília Bernardes

Tempestades de águas passadas

Nada nos objectivos e missão da Águas de Portugal a capacita para entrar nas ruinosas negociatas internacionais agora denunciadas peloTribunal de Contas. O que permitiu esta situação na AdP e noutras empresas públicas foram as interpretações abusivas do seu estatuto autonómico e o laxismo cúmplice de tutelas incapazes.
(...)

Coimbra (2) - Autocarros de muito consumo

Coimbra - Manuel Machado, o presidente que deixou saudades


Momento de poesia

Dissertação sobre todos os regressos


Eu sei que engoles as palavras
e engravidas o silêncio
nas noites assombradas
que devoram o teu sono
agarras-te às sombras
para continuar a resistires a todos os apelos
os alçapões onde te escondes
ameaçam enclausurar-te
e já não tens dedos para tantas grades
nem as preces a que te entregas
esconjuram os teus males
tropeças sempre quando foges
para regressar mais uma vez
ao ponto de partida…

Alexandre de Castro

segunda-feira, julho 14, 2008

Justiça Internacional e Direitos Humanos

14 de Julho de 2008!
Mais um belo 14 de Julho.
Hoje é o dia em que se pretende trazer a luz dos direitos humanos às terras onde dominam as trevas e a violência.
Processar um ditador, facínora, que ataca o seu próprio povo é uma medida das autoridades do Tribunal Penal Internacional que só podemos aplaudir!

PCP - traição ao passado

O PCP é o partido cujo passado de luta contra o fascismo deu o melhor que os seus militantes tinham: persistência, abnegação e heroísmo. É triste ver delapidar uma herança que merece respeito.

IVG, sexualidade e preconceito

(...)

Outra realidade que foi radicalmente alterada com a entrada em vigor da nova lei da IVG prende-se com a quantidade de infecções e perfurações de órgãos associadas ao aborto clandestino.

No primeiro semestre de 2007, registaram-se 23 infecções muito graves e 11 perfurações de órgãos associadas à prática do aborto clandestino, revelou Francisco George. Números que diminuíram para menos de metade no segundo semestre. Desde 15 de Julho, a Direcção- -Geral da Saúde registou apenas dois casos de prática de aborto clandestino, um dos quais está a ser investigado pelo Ministério Público.

Diário de Notícias

Factos & documentos

A Igreja Católica na Alemanha indemnizou, com uma quantia simbólica de € 2.556,00 cada um, 594 trabalhadores forçados e estrangeiros que se viram obrigados a trabalhar nas 27 dioceses do país, durante o III Reich, sob a tirania de Adolf Hitler.

O Presidente da Conferência Episcopal Alemã, Cardeal Karl Lehmann, e o Presidente da Caritas-Alemanha, Dom Peter Neher, fizeram hoje, em Mainz, um balanço do fundo de indemnizações para os trabalhadores forçados do Nazismo, criado pela Igreja Católica no país.

Enquanto a Igreja Evangélica Alemã preferiu contribuir com o fundo criado pelas companhias alemãs, para indemnizar os trabalhadores forçados, a Conferência Episcopal Alemã criou, em agosto de 2000, um fundo próprio, depois que ficou demonstrado que a instituição usou escravos do Nazismo em algumas paróquias alemãs.

Precedente infeliz, injusto e perigoso

domingo, julho 13, 2008

Devemos respeitar as tradições?


Mas a liberdade individual deve ser respeitada. QUE FAZER?

Azar nascer no Afeganistão

sábado, julho 12, 2008

Factos & documentos

Foi notícia nos média: a diocese de Lisboa perdeu nos últimos sete anos à volta de cem mil fiéis praticantes. O próprio cardeal-patriarca reconheceu que há muita negatividade nas celebrações e na Igreja: inadaptação aos novos tempos; deficiências na formação dos padres; má proclamação da Palavra de Deus; má qualidade e falta de mensagem religiosa dos cânticos; homilias inadequadas e deficientes. (Artigo completo do DN, por Anselmo Borges)

Quem sabe o que quer o PSD? (2)

Vice-presidente preocupado com efeitos colaterais no Porto do ataque de Manuela Ferreira Leite a projectos como o TGV. Na última reunião da Comissão Permanente, o presidente da Câmara do Porto manifestou a sua posição.

Há salvação?

Na sua primeira visita ao Parlamento Europeu, em Estrasburgo, como presidente do Conselho Europeu, Nicolas Sarkozy anunciou que França e Irlanda vão apresentar uma solução para ressuscitar o Tratado de Lisboa, na Cimeira de Outubro ou de Dezembro. O chefe do Eliseu disse ainda que a Europa precisa de novas instituições se quer continuar o processo de alargamento.

sexta-feira, julho 11, 2008

Sensibilidade social com responsabilidade orçamental

Sócrates e o Governo do PS mostram que estão bem preparados para lidar com tempos de crise.

Sem demagogia e sem colocar em causa a solidez orçamental e as reformas do Estado que se impõem, Sócrates dá mais um conjunto de passos, a somar a tantos outros que ocorreram ao longo dos últimos três anos, para promover uma política de redistribuição dos rendimentos e acudir aos mais necessitados.

Um Governo com sentido de Estado e com consciência socialista!

Quem sabe o que quer o PSD?

O ex-líder do PSD contraria Manuela Ferreira Leite e defende que as grandes obras públicas devem avançar já. Luís Filipe Menezes diz que não há qualquer razão para colocar em causa os investimentos públicos nesta altura.

Insensibilidade ou preconceito?

*
Mulher que poderá ter alimentação cortada está em coma há mais de 16 anos.'É aplicação de eutanásia', disse um monsenhor da Pontifícia Academia pela Vida.

O Vaticano condenou como uma forma de eutanásia a decisão da justiça italiana de permitir que seja interrompida a alimentação de uma mulher em coma há mais de 16 anos.

quinta-feira, julho 10, 2008

Sumer School on European Private Law e Portugal

Aproxima-se o fim de mais um Summer Course on European Private Law. Mais de 100 alunos de toda a Europa, Brasil, Indonésia, Canadá e Curaçau; mais de 20 professores de toda a Europa e mais uma meia dúzia de professores da Argentina e do Canadá.

Da grande Alemanha à pequena Malta todos foram tratados em plano de igual dignidade. De um respeito intrínseco pela cultura e pelo Direito de cada um desses países.

Esta experiência, que vai já na sua nona edição, apenas é possível porque tem um líder de uma força e de uma generosidade extraordinária: o Prof. Dr. (mult. h.c.) J.M. Rainer. Um austríaco educado na Itália; um germânico com coração latino e a determinação e rigor alpinos.
E, claro, o seu braço direito (e esquerdo): a Assis.-Prof. Dr. Johanna Filip-Fröschl. Uma colega de uma dedicação, de uma resistência e de uma tolerância e paciência infinitas. A verdadeira artífice desta Escola.

Uma Escola que assume já uma posição única no contexto europeu e mundial. Este curso assume, desde a primeira hora e sem tergiversações, um carácter vincadamente ideológico, ao recusar um directório jurídico ou um neo-colonialismo da ciência do direito. Para nós, todo e cada país, desde a Estónia à França, desde a Inglaterra à Eslovénia assume igual interesse e prestígio na compreensão deste complexo e heterogéneo direito privado na Europa.

Mais uma vez tive a honra de apresentar uma introdução ao direito português e dirigir seminários comparativos sobre temas de direito civil (a transferência da propriedade e a responsabilidade por não cumprimento das obrigações).
Noto que Portugal é olhado com interesse e algum carinho. Muito graças à nossa equipe de futebol, ao lugar de prestígio que ocupa José Manuel Barroso e à extrema afabilidade e simpatia com que todos os turistas são recebidos quando vão ao nosso país. E claro, o Vinho do Porto ainda é uma marca de prestígio e o Tratado de Lisboa, bem como a Agenda de Lisboa, são algo que vai entrando pelo subconsciente. E se lhe juntarmos Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral, compreendemos que temos a marca de um país capaz de fazer avançar o mundo, que é muito competente nas relações internacionais e profundamente universalista.

Devemos, pois, aprofundar estes valores, estas marcas: o futebol, o vinho do Porto, o universalismo e a primazia dos direitos humanos e da paz mundial, o facto de termos pessoas de capacidade excepcional, seja um Cristiano Ronaldo seja um António Guterres. Devemos manter estes traços.

Mas temos definitivamente de ir mais além. Precisamos de mais e melhores produtos, de trabalhar mais e melhor, de não ter medo da concorrência internacional e de apresentar os nossos valores, ideias e realizações na Europa e fora dela. Precisamos pois de mais cinema, de mais pintura, de mais artes gráficas, de mais intelectuais, de mais desportos, de melhor qualidade nos produtos e serviços, de mais cooperação internacional ao nível da academia, de uma classe empresarial mais aguerrida e preparada; de trabalhadores mais respeitados e mais orgulhosos.

Como chegar lá? As fórmulas são várias: temos o caminho da Singapura e o trajecto da Finlândia. Devemos escolher o que melhor se adapta aos nossos valores e à nossa população. Há arquétipos liberais e outros social-democratas. Por mim, continuo convicto de que o segundo é o mais humano e o que mais felicidade traz às pessoas concretas e mais paz social oferece. Mas todos os modelos partilham uma ideia: é preciso mais e melhor educação; é preciso mais e melhor abertura à diferença e à novidade; é preciso aprender várias línguas estrangeiras, é preciso que todos, todas as gerações sejam mais exigentes consigo próprias e dêem o seu contributo para o verdadeiro Abril que está por fazer em Portugal: o do DESENVOLVIMENTO!

Antes a morte que tal sorte

Enquanto a Espanha prepara legislação sobre a eutanásia, em Portugal o assunto mantém-se tabu.

A opção neo-liberal da SEDES

Por

Alexandre de Castro
A SEDES acentuou com Campos e Cunha a sua opção neo-liberal, doutrina económica completamente esgotada nos seus fundamentos e que não apresenta nenhuma solução viável para a resolução da actual crise mundial, que a sua aplicação global provocou.

Aquilo que vem propor, e de uma forma oportunista para abrir o caminho à nova presidente do PSD, é um maior desinvestimento na Saúde e na Educação e uma mais incisiva revisão das leis laborais, em benefício do patronato. Sem o explicitar, a SEDES pretende um país mais desqualificado, com uma economia baseada numa competitividade de baixos salários, e com uma população desprotegida em termos sociais.

Os tecnocratas da SEDES ignoraram olimpicamente o desemprego e as injustiças sociais derivadas da desigualdade profunda da distribuição do rendimento nacional, que nos coloca vergonhosamente na cauda da Europa. Também não se dignaram a referir a pouca qualificação dos nossos empresários, incapazes, apesar dos generosos subsídios europeus nos últimos vinte anos, de modernizar a economia e introduzir-lhe um dinamismo de inovação e organização para a projectar com um crescimento sustentado.

Estes tecnocratas, confortavelmente recolhidos nos seus gabinetes, ainda não se aperceberam que o mundo está a mudar e que o neo-liberalismo em que foram educados está a ser actualmente sujeito a uma forte contestação (e revisão) por parte dos economistas e universitários mais esclarecidos.

Irão – A fé à beira da loucura nuclear

Bastavam ao mundo a loucura prosélita dos beatos e a incontinência verbal de alguns líderes para o planeta se tornar um lugar de horror. O preço do petróleo e a míngua de alimentos contribuem para adensar as nuvens que ameaçam a sobrevivência colectiva.

É neste estado de pessimismo e desânimo que o Irão lançou com êxito, a partir de local ignorado do deserto, nove mísseis com um raio de acção de 2.000 km, capaz de atingir numerosas cidades da região, nomeadamente Tel Aviv.

Sabe-se como são piedosos os guardas revolucionários de Teerão e como tem sido loquaz o presidente Ahmadinejad a reiterar o desejo obsessivo de erradicar do mapa o Estado de Israel. Já não é a questão palestina, em que os árabes têm razão, que está em causa, é o destino colectivo da humanidade e a paz internacional que estão ameaçadas pela hecatombe nuclear.

Com a Europa bloqueada pelo Não irlandês e pelas suas próprias divergências internas, com o pior presidente dos EUA das últimas décadas em fim de mandato, com o pavor das economias com a alta dos combustíveis, com a Rússia a responder ás provocações da NATO, o Irão encontrou o momento ideal para a demonstração de força.

Hoje, pela vez primeira, o Irão pôs-me do lado de Israel e do seu direito de se defender. Nos períodos de crise, por maiores que sejam as contradições que nos dilaceram, não podemos hesitar na trincheira que escolhemos. ISRAEL tem o direito à sua existência. Sem «mas».

quarta-feira, julho 09, 2008

Não foi por falta de produtividade


O português deixa hoje de ser prefeito da Congregação para as Causas dos Santos.

Seis anos mais novo do que Bento XVI, D. José Saraiva Martins, vai deixar a Congregação para as Causas dos Santos, por ter atingido o limite de idade de 75 anos.

REFORMAS MILITARES

Por


J. Barroca Monteiro*


Terá o CEMGFA alguma razão quando refere a «reforma da estrutura superior da Defesa Nacional e das Forças Armadas» em curso. O que induz a opinião pública em erro, é que daqui se possa concluir estar este país em vias de ter uma reforma das FA, ou mesmo da Defesa e FA.

A um ano do final da legislatura, o MDN tinha de apresentar algumas medidas que aparentem ir ao encontro da índole reformista inicial do governo. Nada de mais enganador. Passado o impulso inicial, com o IESM a substituir três institutos de altos estudos, não é com a criação do Comando Operacional Conjunto e nos moldes em que surge na resolução do Governo, que daí advirá qualquer reforma significativa para as FA. Antes pelo contrário.

Sendo o EMGFA um órgão de chefia com competências operacionais limitadas ao tempo de guerra, como justificar a sua existência em permanência se desprovido de forças e responsabilidades salvo em ocasiões excepcionais?

Pois bem. Poderia ter sido equacionada a sua extinção. Com o enriquecimento organizacional do MDN de várias componentes militares (serviços de apoio e logística, operações, informações, inspecção...), a par de uma adequada reformulação dos estatutos dos ramos.

Tem o CEMGFA muita razão quando afirma que «Portugal não precisa e não deve copiar modelos de outros» - o stato quo agradece. Mal, deve estar a Alemanha, com um Chief of Defense (CHOD), general de quatro estrelas junto do MD, que dirige os ramos militares chefiados por generais de três estrelas. E com níveis de efectivos e equipamentos pouco comparáveis.

Quando Valença Pinto alude ao entendimento favorável das formações partidárias para com estas mudanças, está a referir uma verdade pouco recomendável: a ignorância e alheamento dos partidos políticos na AR e o seu desconhecimento do que se passa nos quartéis.

«...eficácia, racionalidade e economia de meios?» Não devemos estar a falar da mudança de dois comandos funcionais do Exército, de Lisboa para o Porto e Évora, há dois anos.

* Cor. (R)

terça-feira, julho 08, 2008

Verdades incómodas

«A Casa Branca pediu desculpas à Itália após a divulgação de uma biografia de Silvio Berlusconi criticando o primeiro-ministro e os costumes políticos de seu país, informaram nesta terça-feira fontes oficiais». ( A F P )

Igreja anglicana numa encruzilhada

A vitória dos fiéis progressistas que já haviam consagrado o acesso das mulheres ao sacerdócio, bem como de homossexuais, e, agora, ao episcopado, é o prenúncio de um cisma em que a corrente conservadora se vira para Roma e os progressistas seguem o seu caminho como igreja protestante.

O anglicanismo é uma criação oficial de Henrique VIII, separada de Roma desde 1534, embora o desejo de emancipação já fosse forte e o contributo da Reforma protestante decisivo. Por isso permaneceu sempre uma corrente, influenciada pela Reforma, mais tolerante e progressista que coexistiu com outra mais tradicionalista e nostálgica do Vaticano.

Para esta corrente, que tem menos adeptos e mais praticantes, o acesso das mulheres ao sacerdócio foi sempre uma espinha cravada no coração de quem não perdoa à mulher o pecado original e a considera indigna do exercício do múnus.

A luta constante entre liberais e conservadores, que atingiu o auge com a indicação de uma mulher como Primaz da Igreja Episcopal dos EUA, teve agora um novo braço de ferro que ameaça desintegrar a Igreja que tem na Inglaterra e na monarquia inglesa a sua mais sólida referência.

Após um breve retorno à Igreja católica (1553/58) as vicissitudes do poder ditaram o regresso ao anglicanismo que, desde 1558, passou a ser a religião oficial. Hoje, todos os monarcas têm de jurar manter e proteger a fé e espera-se que casem com um protestante, obrigação mitigada pelo tradicional sentido da tolerância britânica onde são numerosas as religiões e 23% da população é alheia a qualquer fé.

Os homossexuais e as mulheres impedem que, no futuro, todos os anglicanos possam frequentar a mesma missa. O cisma vem aí. Não é a fé que os divide, é a tolerância.

SEDES de poder

A SEDES, uma simpática organização que agrega personalidades de centro-direita e de centro-esquerda, vai mantendo uma interessante presença na comunicação social sempre que o PS está no Governo.

Se a sua análise relativa a um certo esbatimento da rigidez orçamental - perfeitamente justificável para acudir aos mais pobres e desfavorecidos - por parte do Governo até tem alguma ligação com a realidade, já os comentários relativos à nova líder do PSD estão em total contradição com o que a opinião pública já percebeu ao fim de um mês: este PSD é mais um projecto adiado, liderado por uma pessoa com ideias antigas, miserabilistas, pequeninas; sem sonho e sem projecto.

Por isso estranho que a SEDES esteja tão interessada em valorizar o que já não tem emenda, que é esta liderança do PSD.

Sinceramente, entendo que estas aparições públicas tão parciais e tendenciosas apenas descredibilizam essa associação.

Coimbra - Homenagem ao Bispo do Porto



HOMENAGEM DE COIMBRA AO BISPO DO PORTO D. ANTÓNIO FERREIRA GOMES NO 50º ANIVERSÁRIO DA CARTA A SALAZAR


Em 13 de Julho de 2008, próximo domingo, ocorre o 50º Aniversário da Carta a Salazar, escrita pelo Bispo do Porto D. António Ferreira Gomes.

Cidadãos de Coimbra, conscientes da importância política que teve na luta pela Democracia essa Carta, assinada um mês e cinco dias após as eleições presidenciais ganhas pelo General Humberto Delgado, surgida do interior de um dos pilares do Estado Novo, a Igreja Católica, a qual levou ao exílio do País o seu autor, entendem prestar Homenagem a quem teve tão profundo acto de coragem, que o Estado Democrático reconheceu ao atribuir-lhe a Grã Cruz da Ordem da Liberdade.

Convidam-se todos os que se queiram associar a esta Homenagem Cívica, a divulgá-la e a nela participar, sendo portadores das respectivas condecorações.

Dia – 13 de Julho, próximo domingo

Local – Monumento ao 25 de Abril, Rua Antero de Quental, praceta junto ao edifício da ex – PIDE/DGS

Início – 11h00

Intervenções –

11h15 – José Dias – colaborador da Fundação Inatel, Movimento Cívico Não Apaguem a Memória
11h30 – Amadeu Carvalho Homem – professor da Universidade de Coimbra, Alternativa Associação Cultural para o Desenvolvimento do Ser Humano
11h45 – José Manuel Pureza – professor da Universidade de Coimbra, Comunidade de Acolhimento João XXIII

Encerramento – 12h00

Nota – Carta a Salazar e biografia de D. António em www.fspes.pt


Coimbra, 08 Julho 07

Amadeu Carvalho Homem, José Dias (TM. 919726959), José Manuel Pureza