domingo, agosto 31, 2008

Se o entusiasmo se traduzir em votos...

O eterno Alberto João

O juiz espanhol Baltazar Garzon pediu à PGR para investigar ligações da mafia russa ao Centro Internacional de Negócios da Madeira, noticiou ontem o Sol, mas Alberto João Jardim já considerou que se trata de uma "acusação sem provas".

Comentário: É preciso conhecer bem a mafia russa para garantir a ausência de provas.

Tenho pena... dos touros

Ao segundo dia de corridas de morte, registaram-se três feridos, todos na altura em que os touros chegam a Barrancos, um momento a fazer lembrar as festas de San Fermin, Pamplona, em que os animais são conduzidos até à arena improvisada.

Viagem de fim de férias (Crónica)

Com o céu enevoado e as nuvens a anunciarem borrasca, no penúltimo dia de Agosto, dei um passeio por velhas aldeias que neste mês voltaram à vida, sobretudo nos dias de festas canónicas, e já se encontram de novo desertas.

Saí de Almeida para comprar umas bolas de carne, na Reigada, para enfeitar a mesa no dia da Feira Nova, em 1 de Setembro, destinadas a parentes e amigos que ainda vêm. O forno estava alugado aos de Vilar Formoso para confeccionar doces para a festa do dia seguinte. Não faz mal, amanhã é domingo e coze o que hoje devia, o Inferno foi extinto, é preciso ganhar o pão de cada dia, ficaram as bolas encomendadas.

Passei por Vilar Torpim onde não enxerguei vivalma. A aldeia tinha o ar de ter sido habitada em época recente mas estariam os autóctones fechados em casa, quiçá receosos ainda das lutas liberais.

Tomei café em Figueira de Castelo Rodrigo. Havia afinal gente nos restaurantes, jovens nas esplanadas dos cafés e repuxos a esguichar num lago que há-de ter surgido para um autarca ganhar eleições. Havia vida na sede de concelho, até crianças a quem os pais hesitaram entre o gelado e o tabefe acabando por aceder ao pedido e abdicar do desejo. As vilas ainda se mantêm graças à hemorragia das aldeias e aos empregos municipais.

Passei pelo convento de Santa Maria de Aguiar, por Nave Redonda, que me pareceu fechada e parei junto à barragem de Santa Maria de Aguiar um razoável lençol de água vulgar apesar da santidade do nome que não lhe evita a conversão em charco ou a seca em estios mais cálidos.

Em Almofala, fiel a um velho hábito, entrei na igreja onde duas piedosas mulheres que mudavam as flores aos santos me acenderam as luzes e dois homens desmanchavam os andores de uma festa recente para os despacharem para a sacristia. Não cuidei da destruição castelhana em Outubro de 1642 e passei por Escarigo cujo martírio na Guerra da Restauração foi maior sem me deter na igreja matriz cujo tecto e talha dourada valem a viagem. Foi José Saramago, em «Viagem a Portugal», que me alertou para essas jóias da arte sacra numa aldeia que guarda memórias e afectos da minha juventude.

Apenas me compadeci de uma velhinha de olhos vagos, com a pele curtida de muitos sóis, absorta, indiferente à passagem do automóvel, perscrutando no horizonte o futuro que lhe resta ou recordando o passado que lhe coube. Estava só, na soleira da porta, sem raios de sol que a aquecessem, sentada, com o céu pesado de nuvens.

Alguns quilómetros depois, atravessei a Vermiosa. Apenas um velho, também só, via o tempo passar do banco de pedra onde jazia a bengala que, decerto, lhe serviria de amparo na volta. Mais à frente estava um cão escanzelado, imóvel, indiferente às pulgas e carraças, se acaso as tinha, e milagre era não tê-las, resignado, deitado na terra.

Dos dois seres vivos que encontrei na aldeia, outrora pejada de gente, o cão, pequeno rafeiro sofredor, foi a mais eloquente metáfora dos que teimam em ficar nas aldeias que outrora foram um alfobre de gente e são hoje um cemitério de recordações.

Nem dei por passar em Malpartida no regresso à casa. Espero pela Feira Nova que ainda há-de juntar gente e partirei logo.

Apostila - A publicar na quinta-feira também no SORUMBÁTICO.

sábado, agosto 30, 2008

Pudera!!!

Uma convenção é tida como uma festa de um partido, mas na republicana, que começa na segunda-feira, um objetivo primordial de John McCain será distanciar-se do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e do aparelho partidário em Washington.

Nota: Com gente tão pouco recomendável!

Eleições americanas

Na Universidade foi dama de honor de miss Alaska, agora é vice de Mckain.
.
Partidária da pena de morte, reaccionária e defensora dos interesses das petrolíferas, é a versão jovem e feminina de Dick Cheney para prolongar o bushismo.

"Ela é exatamente o que eu preciso - disse o idoso candidato republicano Mckain referindo-se à devota Sarah Palin.

O falcão Pacheco Pereira

(...)
É verdade que nem todos os países da UE fazem parte da aliança militar [NATO] e alguns que fazem traíram-na ainda há muito pouco tempo (os belgas em particular tiveram um procedimento de efectiva traição no início do conflito iraquiano quando bloquearam o reforço do dispositivo defensivo da Turquia, à revelia das obrigações do tratado). (...)

Comentário: Há quem nunca se arrependa. Pacheco Pereira ainda hoje defende a invasão do Iraque. Ainda não sabe que foi ilegal, criminosa e baseada na mentira.

Com os neurónios em curto-circuito...


...Bush diz que escolha de Palin (na foto) é uma decisão "electrizante".

A conservadora Sarah Palin vai acompanhar o senador republicano. Aos 44 anos, ela pode tornar-se a 1ª mulher vice-presidente dos EUA.
"Ela é exatamente o que eu preciso. É exatamente o que o país necessita", disse McCain no comício na Universidade Estadual Wright, em Dayton.

sexta-feira, agosto 29, 2008

O corpo e a alma (Crónica)

Criticado por ter proposto uma competição que pretendia eleger a freira mais bonita, via internet, um padre italiano voltou atrás e suspendeu tudo.

Donde vem este ódio ao corpo feminino, a fúria misógina, o ranger de dentes, perante a forma de um corpo, as curvas do desejo e a beleza da mulher?

Paulo de Tarso, um místico desequilibrado, rotulou o cabelo e a voz das mulheres como coisas obscenas e Agostinho de Hipona entrava em desvario por não poder resistir-lhes. E ambos foram santos na infância dos milagres, quando a produção em série estava por inventar e a Igreja católica era avara na produção de taumaturgos.

Mas que obsessão é essa dos que lhes querem cobrir o corpo, seja com o hábito, alvo, de freira ou com a negrura da burca, lhes escondem as formas, porque temem a beleza, e as reduzem a um corpo sem feitio porque lhe adivinham a inteligência da alma?

Não, não é dessa alma que falo, da criação ontológica que alimenta um deus sedento no Olimpo de todos os medos, da metafísica dos negócios pios, do pretexto para a renúncia à vida e ao sortilégio do amor. Falo da alma com que as mulheres cantam, riem, choram e gritam, da alma com que animam a vida, da alma com que amam e procriam, da força que lhes vem dos séculos de tirania e humilhação.

Quem oprime as mulheres são doentes de desejos reprimidos, inquietos com a perda do poder, célibes que temem o amor e o escândalo, maníacos da castidade que a educação e o múnus castram e que, no êxtase de fantasias sórdidas, se entretêm a inventar castigos.

Quando homens e mulheres descobrirem que a liberdade é feminina, dar-se-ão conta de que a igualdade não é uma utopia e que a discriminação dos livros pios é a afronta que se perpetua para gáudio de homens sós e eterna perdição da felicidade humana na vida que não se repete.

A rã da discórdia

AA rã crucificada do escultor Martin Kippenberg
Foto: REUTERS


Tal como os muçulmanos reagiram às caricaturas de Maomé, também os católicos reagiram à crucificação da rã.

México – Pesada derrota para os conservadores

Lei do aborto considerada constitucional

O Supremo Tribunal de Justiça do México determinou sem fundamento o pedido de inconstitucionalidade contra as reformas na Lei da Saúde e no Código Penal do México em Abril de 2007.

Estas reformas decidiram a despenalização do aborto durante as primeiras 12 semanas de gestação.

O veredicto, com 8 votos contra 3, favorável à decisão, considerou infundada a acção apresentada pelo ministro Sérgio Aguirre.

O Tribunal assinala que a Constituição e os tratados internacionais subscritos pelo México não contemplam o chamado «direito à vida desde o momento da concepção».

Trata-se de uma derrota pesada para as forças conservadoras e para a Igreja católica.

quinta-feira, agosto 28, 2008

Também ela merece

Ficou mais difícil a impunidade

O Tribunal Constitucional considera que a investigação do processo Apito Dourado respeitou as exigências previstas na Constituição da República. Indeferido recurso do vice-presidente de Valentim Loureiro em Gondomar.

As escutas telefónicas foram legais e o decreto-lei de 1991, que pune a corrupção no desporto, não é inconstitucional.

Itália - Suspenso concurso de «Miss Freira»

Criticado por ter proposto uma competição que pretendia eleger a freira mais bonita via internet, um padre italiano voltou atrás e suspendeu tudo.

quarta-feira, agosto 27, 2008

Nova guerra-fria em perspectiva

As ondas de choque caucasianas ainda mal se fizeram sentir. A demente invasão da Ossétia do Sul e os indícios de que, a seguir, sucederia a da Abkásia, vieram lançar mais perplexidades e perigos na frágil segurança internacional.

Admitamos que a Geórgia é um país e não uma birra bairrista que utilizou a derrocada da URSS para se afirmar como nação soberana. Desde o início da década de noventa do século passado as vicissitudes militares deram às importantes regiões geoestratégicas da Ossétia do Sul e da Abkásia uma independência de facto. Criaram-se mais duas regiões de predomínio étnico russo, a viver sob o guarda-chuva militar de Moscovo, enquanto a Geórgia perdia importância.

Entretanto, os EUA que exultaram com a implosão do império soviético não abdicaram de estender a NATO até à Polónia, Ucrânia e Geórgia num cerco que humilhava o velho nacionalismo russo.

A invasão do Iraque e o reconhecimento de outro país fantoche – o Kosovo – decisões tomadas ao arrepio do direito internacional, fragilizaram a diplomacia americana e dividiram os aliados europeus. Estes factos, que têm em comum a ilegalidade e a força, serviram agora para dar à Rússia o pretexto que lhe faltava para mostrar que já não é a ruína da URSS mas uma nova potência que, como a China e a Índia, se prepara para alterar a correlação de forças geopolítica que, desde a segunda Grande Guerra, ditou a hegemonia americana e dos seus aliados europeus.

O reconhecimento da Ossétia do Sul e da Abkásia, pela Rússia, é uma provocação ao Ocidente e ao direito internacional, mas é difícil ver uma diferença significativa entre a humilhação infligida, por Moscovo à Geórgia e a que a NATO impôs à Sérvia.

Não se vê, de resto, em que possa ser diferente o fundamento que levou – a meu ver bem – Slobodan Milošević a julgamento do TPI das razões que devem sujeitar o ainda presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, a igual medida. Um foi responsável pelo genocídio no Kosovo, onde uma horda de facínoras não era mais recomendável, outro é responsável pela invasão e genocídio da Ossétia do Sul, a que a Rússia pôs cobro.

A única diferença entre Milošević e Saakashvili é em relação aos inimigos. O primeiro teve o azar de lhe calhar Bush e o segundo, Dmitri Medvedev. Perante quatro dirigentes pouco recomendáveis não podemos esquecer que os EUA e a União Europeia foram desafiados e humilhados pela Rússia. O feitiço virou-se contra o feiticeiro e uma nova guerra-fria já começou.

Sem a Rússia, que podia ser aliada da União Europeia e dos EUA, os problemas do Irão, Palestina, Coreia do Norte e Afeganistão, entre outros, não têm resolução à vista. O mundo é um local cada vez mais inseguro e o cowboy americano foi um dos piores flagelos que nos podiam ter calhado.

EUA - Malhas que o petróleo tece

A polícia de Denver prendeu três homens e uma mulher que alegadamente planeavam assassinar o candidato democrata Barack Obama durante a Convenção Democrata que decorre na cidade. Os suspeitos, com ligações a grupos racistas, tinham na sua posse duas espingardas de alta precisão, uma delas equipada com mira telescópica. (Correio da Manhã)

Espaço dos leitores

Escultura em Chicago - EUA (Picasso)

Nota: Desafio os leitores para me explicarem a diferença entre o reconhecimento das independências fantoches da Ossétia do Sul e da Abkásia e a do Kosovo, todas amplamente condenadas, no Ponte Europa, pelo signatário.

terça-feira, agosto 26, 2008

Memórias achadas (Crónica)

Quando Agosto se faz mês regressamos às origens para ver os que restam e abraçar os que estimamos.

Os corpos mudam com o tempo. Nos rostos esculpiram-se sulcos que lavram a pele e alteram os traços que nos caracterizaram. A memória devolve a saudade. Uns minutos bastam para acordar afectos, adormecidos durante décadas, que irrompem com fúria e perturbam a razão e a compostura.

Basta um olhar mais terno, um abraço mais estremecido ou um beijo que se alonga uma fracção de segundo, para agitar os sentidos, humedecer os olhos e acelerar as pulsações. O raio do tempo só hiberna os sentimentos, não sepulta afectos, que resistem décadas e mantêm prazos de validade que a conveniência e o decoro deviam ter enterrado.

A vida é uma arma carregada que nos segue com o cano apontado. Tropeçamos em memórias e logo uma descarga nos atinge para voltarmos ao passado, a sangrar por dentro e com fracturas expostas.

O diabo do sono altera-se enquanto as lágrimas nos marejam os olhos. Que insegurança é essa que nos conduz pelo lado proibido da estrada, em sentido contrário?

É apenas um pesadelo de Verão com que o Outono da vida nos sufocou numa derradeira viagem à Primavera. Não tarda que as folhas caiam e, com elas, desfeitas em pranto, as recordações que nos apoquentam. Há um solstício à espera dos equinócios que restam.

Nota: Publicado também no «SORUMBÁTICO»

Ódio santo

A Irmandade Islâmica ou Sociedade de Irmãos Muçulmanos é uma organização fundamentalista. Recusa as influências ocidentais que alegadamente podem perverter o Islão.

Não admira que o Sindicato dos Médicos do Egipto, organismo liderado maioritariamente por Irmãos Muçulmanos, tenha decidido proibir que os seus filiados façam transplantes de órgãos entre cristãos e muçulmanos.

Irlanda - a ingrata

O ministro para os Assuntos Europeus irlandês, Dick Roche, admitiu que a Irlanda terá de realizar um novo referendo ao Tratado de Lisboa, como forma de evitar o isolamento a que será votada se todos os Estados-membros ratificaram o diploma.

Momento de poesia

Templo de Diana


Na planície dorida
de solidão
percorrida por planuras infinitas
ergue-se em pedra romana
o templo de Diana

É um grito
que vem do fundo do tempo
cavado em ecos
nas pedras das muralhas
e que penetra, como o vento,
as ruas e vielas da cidade
e vai desaguar nas praças solitárias ...

O tempo parou neste Templo
e roeu lentamente o esqueleto de pedras ...
E o musgo, as ervas e as heras
cobrem este chão
outrora sagrado
hoje divinamente pagão ...

Alexandre de Castro

Évora, Fevereiro de 1985

segunda-feira, agosto 25, 2008

BE acusa Cavaco de ser "insensível" e "insensato"

Francisco Louçã não poupa nas críticas ao Presidente da República por ter vetado o novo regime jurídico do divórcio, defendendo que Cavaco Silva se apoiou em conceitos reaccionários.

Comentário: Os portugueses devem ajudar o PR a terminar com dignidade o mandato e impedir que se converta num chefe de facção.

Associação Ateísta Portuguesa

Em nome da laicidade e da separação Igreja/Estado, a Associação Ateísta Portuguesa repudia as manobras do episcopado católico para impor a sua doutrina sobre o divórcio a todos os portugueses.

Lisboa, 22 de Agosto de 2008: A Associação Ateísta Portuguesa verifica que tendo a I República instituído o divórcio em 3 de Novembro de 1910, direito que foi praticamente revogado na vigência da ditadura, com a coacção da Igreja católica, através da Concordata de 7 de Maio de 1940, nunca o clero romano deixou de o condenar – o que é um direito –, nem de o querer impedir aos portugueses – o que é uma prepotência.

Na sequência da aprovação de um novo regime jurídico do divórcio que visava a revisão do anterior, em linha com a evolução que se verifica na Europa, resolveu o Sr. Presidente da República opor um veto político à lei que seis deputados do PSD votaram com o PS, PCP, BE e Verdes, o que levou o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) a regozijar-se – o que era previsível –, e a referir-se à «leviandade com que, muitas vezes, o Parlamento produz leis» – o que é, no mínimo, um acto de desrespeito pela Assembleia da República, próprio de quem não respeita os órgãos da soberania democraticamente eleitos.

O bispo Carlos Azevedo, considerou a filosofia do novo regime jurídico do divórcio «ofensiva do valor da religião para a estabilidade das relações afectivas, da capacidade de perdoar e de manter os compromissos, mesmo quando as condições mudam e exigem sacrifício», como se a religião tivesse valor universal e os cônjuges fossem obrigados a suportar todas as violências para serem fiéis à doutrina que o senhor bispo quer impor aos portugueses.

Para a Igreja Católica, segundo o porta-voz da CEP, «o regime jurídico deve defender a unidade da família porque ela é um bem para a sociedade», ignorando a gravidade das situações que conduzem ao divórcio.

A Associação Ateísta Portuguesa nega ao clero católico o exclusivo da experiência e da autoridade em questões de família e, reafirmando a defesa do divórcio e a legitimidade da Assembleia da República em melhorar o regime jurídico, denuncia a coação que a Igreja católica pretende exercer sobre quem tem o direito e a obrigação de legislar e, sobretudo, a vocação totalitária para impor os seus preconceitos, não apenas aos seus crentes, mas a todos os portugueses.

Em nome da laicidade e da separação Igreja/Estado, a Associação Ateísta Portuguesa repudia as manobras do episcopado católico para impor a sua doutrina sobre o divórcio a todos os portugueses.

domingo, agosto 24, 2008

São inimputáveis

Magistrados do MP e juízes fazem avaliação negativa das alterações de códigos penais.

Se os dois sindicalistas, António Cluny e António Martins têm o direito de fazer uma «avalição negativa das alterações dos códigos penais» e de afirmar que os «partidos não estão interessados em resolver problemas políticos», sinto-me no direito, como cidadão, de condenar os dois medíocres políticos e considerá-los perigosos para a democracia.

Os magistrados que não respeitam os órgãos eleitos não merecem exercer as funções que o Estado lhes confia.

sábado, agosto 23, 2008

Opus Dei - Seita perigosa

Constitucionalista, escritora, bloguista, assessora do ministro Luís Amado, filha do ex-presidente do CDS e ex-ministro de Salazar Adriano Moreira, é defensora ardente do casamento das pessoas do mesmo sexo e uma acérrima crítica do fundamentalismo católico. Retrato de uma ansiosa rebelde. (Ler mais no DN)

IURD - Óptimo negócio

Edifício da IURD, no antigo Cinema Império.
Foto de ontem. Enviada por CMR

sexta-feira, agosto 22, 2008

Teoria da conspiração

Não pode ser verdade.

Não acredito que, como no tempo da ditadura, haja denunciantes a esconder a mão que faz a denúncia. Não acredito que se refugiem no anonimato os membros de um órgão de soberania não eleito para condicionar a Assembleia da República.

E não posso acreditar que o Senhor Presidente da República pudesse ser cúmplice de quem devia denunciar à opinião pública e aos Tribunais. O respeito pela função não me permite acreditar na cumplicidade do mais alto magistrado da nação nem que ele se prestasse a receber quem fosse capaz de tão pusilânime atitude.

Estou certo de que alguém que tentasse influenciar o PR para condicionar a Assembleia da República seria expulso a pontapé e denunciado ao País.

Este artigo baseou-se em informações falsas.

Quem cala consente

"A grande base doutrinal é a Igreja Católica" - diz Alberto João Jardim sobre a inspiração da sua política.

Santa hipocrisia

Marcelo Rebelo de Sousa considera que a decisão presidencial sobre a nova legislação do divórcio foi "um veto político pela esquerda" e acredita que o PS "vai manter a lei".

Comentário: Se fosse um «veto político pela direita» proibia o divórcio! Ai se pudesse!!!

quinta-feira, agosto 21, 2008

ASJ - Factor de descredibilização do poder judicial

Por

A. Horta Pinto

(...) Já tenho dito em vários foruns que os sindicatos dos juízes e dos agentes do Ministério Público se têm comportado como autênticos partidos políticos de oposição à maioria e ao Governo socialistas.

Tais sindicatos nem sequer deviam existir, pelo menos o dos juízes, que são titulares de órgãos de soberania. Os magistrados justificam a existência dos seus sindicatos com o facto de terem uma carreira, e portanto terem o direito de defender os interesses dessa carreira. Mas mesmo dando de barato que assim fosse, só deviam pronunciar-se sobre as leis ou actos do Governo relativos a essa carreira. Mas o que é evidente é que tais sindicatos, sobretudo desde que foi eleita para o Parlamento uma maioria socialista e constituído um Governo socialista, exorbitam manifestamente dessas funções, contestando as mais variadas leis, que nada têm a ver com os seus interesses profissionais. Quase poderia dizer-se que os sindicatos de magistrados são actualmente a principal força de oposição anti-socialista. O descaramento é tal que chegam a criticar o Governo enquanto tal, mesmo sem ser a propósito de uma medida concreta.

Tal comportamento é vergonhoso e viola grosseiramente o princípio constitucional da separação de poderes, que é a base de qualquer Estado de direito democrático.Isto é tanto mais grave quanto é certo que os juízes têm o dever de obediência às leis e o poder de as interpretar e de as aplicar.

Ora como pode esperar-se que os juízes obedeçam às leis e as interpretem e apliquem em conformidade com a sua letra e o seu espírito, quando são eles os primeiros a manifestar-se contra essas mesmas leis? Assim, este comportamento dos sindicatos dos juízes mina a confiança que os cidadãos devem ter no poder judicial. E nunca é demais repetir que à mulher de César não basta ser séria, também tem de o parecer.

Assim, o sindicato dos juízes é o maior factor de descredibilização do poder judicial.

A democracia e a separação de poderes

Nunca vi um deputado ou presidente da Assembleia da República a censurar juízes ou a recomendar que sejam justos e esclarecidos nos julgamentos.

O Governo, qualquer governo depois do 25 de Abril, jamais se permitiu censurar uma sentença, um acórdão ou uma medida cautelar de qualquer juiz. Parece-me uma atitude sensata e consideraria inaceitável o contrário.

Acontece que um arrogante sindicalista, António Martins, alvoroçado com a exposição mediática e política, sem coragem para se submeter a sufrágio eleitoral, sendo juiz de profissão e político por vocação, sai com frequência a condenar medidas do Governo e leis da Assembleia da República.

A Associação Sindical de Juízes é um inaceitável sindicato que diz representar os juízes, membros de um órgão da soberania, e que actua com as mesmas armas e linguagem que qualquer outro sindicato. Tivesse António Martins a cultura, a inteligência e a coragem de Carvalho da Silva e já a CGTP-In teria encontrado o seu futuro substituto.

Em sucessivas declarações à comunicação social, incluindo a entrevista de hoje ao DN, o azougado presidente da ASJ aconselha o PS «a emendar a mão» no novo regime jurídico do divórcio, vetado pelo PR, acusa o legislador (os deputados) de se demitir das suas competências e defende o regime do divórcio ainda em vigor, numa despudorada intromissão na actividade parlamentar e em franco desprezo por um órgão da soberania, a AR, que, contrariamente aos Tribunais, está sujeito ao escrutínio eleitoral.

Os juízes portugueses têm a noção da isenção que o cargo lhes impõe e não se revêem certamente nas impertinências deste sindicalista, mas é essencial que o desautorizem a fim de evitarem que, à semelhança das leis discutidas por este juiz, as sentenças passem a ser contestadas pelos deputados e os ataques aos partidos possam ser retribuídos.

Seria uma catástrofe para o Estado de direito.

Razão contra preconceito

O PS não vai recuar na intenção de pôr fim ao conceito de culpa no divórcio litigioso. Os socialistas admitem alguns reajustamentos à lei - que foi ontem vetada pelo Presidente da República - mas recusam mexer naquela que é a principal inovação do diploma. De acordo com fonte socialista, a maioria parlamentar será "inflexível" nesta matéria.
Comentário: A credibilidade do PS também se julga aqui.

quarta-feira, agosto 20, 2008

Este não é o meu Presidente

O veto político do Presidente da República ao novo regime jurídico do divórcio é uma decisão legítima mas reaccionária, que motivou o aplauso do truculento sindicalista da bizarra Associação Sindical de Juízes (ASJ) e do inefável presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).

Salvo o sindicalista, António Martins, cujo respeito pelos demais órgãos de soberania o devia manter calado, para que o País respeite os juízes e acredite na sua isenção política, todos os comentários são legítimos como manifestação do direito de expressão.

O bispo Carlos Azevedo, que proíbe o casamento aos seus padres e o divórcio aos seus correligionários, rejubilou como se esperava de uma Igreja que prefere a manutenção de um casamento intolerável a qualquer divórcio que liberte os cônjuges.

O presidente da República, que se reclama de todos os portugueses, não deve impor aos que não são católicos os ditames que apenas obrigam os que se revêem na moral vinda de Roma e nos preceitos emanados dos seus bispos. O novo regime jurídico do divórcio não obriga quem quer que seja a divorciar-se, apenas pretende tornar menos penosa uma decisão bem difícil.

Um órgão da soberania de um país democrático não pode converter-se num órgão da CEP, sob pena de o PR – o primeiro dos órgãos da soberania – se tornar um apêndice da sacristia.

Compreendo que o actual titular, atendendo à idade e à devoção, deseje cuidar da alma, mas não honra a ética republicana a genuflectir-se perante o clero católico.

O veto do PR ao regime jurídico do divórcio, aprovado pela A.R., não dimana de uma objecção política ou de um acto de fidelidade à Constituição, deriva de um preconceito religioso e da presunção de que Portugal é Boliqueime.

Este não é o meu Presidente. Espero que não seja reeleito. Não o merece.

Crimes religiosos

A tragédia quotidiana de crimes com motivações religiosas não pára. Há quem, em nome do respeito pelo multiculturalismo e pela fé individual, contemporize com a fanatização de crianças, através da catequese, e de adultos com enraivecidas homilias.

As catequistas da minha infância incutiam nas crianças o ódio aos judeus, comunistas, maçons e ateus, ao mesmo tempo que, com inflamada piedade, dedicavam as orações a um reles ditador que apelidavam de salvador da Pátria e cujas funções atribuíam a um desígnio divino.

A experiência pessoal ensinou-me a estar atento à educação deletéria de todos os beatos, particularmente dos religiosos, e a recusar as escolas do crime, que visam o proselitismo e a perseguição às liberdades individuais.

As religiões são associações de fiéis, idênticas aos partidos políticos e a colectividades, sujeitas ao primado da lei e ao escrutínio dos tribunais. Não se lhes pode permitir que, em nome de Deus, combatam o Estado de direito e defendam o racismo, a xenofobia e a violência. Não se lhes pode tolerar o terrorismo e o desprezo pelos princípios que regem as sociedades civilizadas nem que se tornem organizações totalitárias.

Ontem foi cometido mais um atentado, na Argélia, contra uma escola superior militar. Morreram mais de quarenta pessoas, quase todas civis, vítimas de um suicida islâmico que conduziu um veículo com explosivos que atingiram um autocarro de passageiros e vários automóveis que ali circulavam.

Se um partido político fizesse a apologia terrorista contra os adversários era ilegalizado. Mas a religião gera cumplicidades e medos que lhe permitem aumentar o poder e tornar a sociedade e a civilização reféns de um deus violento, cruel, vingativo e esquizofrénico semelhante aos homens que o criaram em períodos tribais, bárbaros e patriarcais .

É tempo de pôr cobro à demência prosélita dos crentes fanatizados, julgando e punindo os pregadores do ódio.

Nota: Este texto está também publicado no SORUMBÁTICO.

terça-feira, agosto 19, 2008

Polícia chinesa apreende bíblias

Não tendo especial apreço pela bíblia ou por qualquer outro livro das religiões abraâmicas, tenho um enorme apego à liberdade.

Por isso, repudio a medida repressiva da ditadura chinesa em relação à livre circulação de livros e ao pluralismo que é apanágio das democracias.

A China não está à altura da honra que lhe deram de organizar os Jogos Olímpicos.

O judaísmo e a liberdade

Por muito que custe a democratas de várias religiões, não há democracias confessionais. Quando o clero de qualquer credo domina o aparelho de Estado, a separação de poderes caduca e o poder discricionário é uma constante ao serviço de Deus e da opressão.

Há quem pense que a esquizofrenia da fé se resume aos celerados suicidas islâmicos, quem julgue que a violência contra a mulher e as liberdades individuais são apanágio dos regimes muçulmanos, que o ódio à carne de porco e ao álcool seja exclusivo do Corão.

Vale a pena recordar as homilias do Portugal salazarista contra a minissaia e o fato de banho, antes da invenção diabólica do biquíni e da perda de influência que a progressiva secularização trouxe.

Quem visitou o Vaticano na década de setenta sabe como os guardas do Papa vigiavam o corpo feminino e era aí próspero o negócio de aluguer de capas opacas para proteger a santidade do local e ocultar os joelhos e ombros nus das mulheres.

Polícias religiosas de vários Estados islâmicos obrigam as pessoas a abrir a boca para lhes espiarem o hálito e descobrirem transgressões à fé.

Seja qual for a religião, desde que detenha o poder, não consente liberdades individuais nem tolera o que diz serem transgressões à vontade do seu deus.

Não é novidade, para quem anda atento às malfeitorias da fé, que as patrulhas de judeus ortodoxos impõem a sua lei nas ruas de Israel. Um jovem de 19 anos, David Biton, foi agredido de forma selvagem porque se atreveu a dar um passeio, na última sexta-feira à noite, acompanhado por raparigas da sua idade, algo intolerável para os «guardiães do recato» que aterrorizam os habitantes de uma região da Cisjordânia onde vivem 40.000 colonos ultra-ortodoxos. Basta verem um rapaz e uma rapariga, nem que sejam irmãos, para ficarem nervosos.

Os decotes ou vestidos transparentes afligem Jeová de tal modo que imensos panfletos são distribuídos na cidade para que o decoro, tal como os extremistas o consideram, seja rigorosamente observado. Uma jovem, agora com medo de sair de casa, foi abordada por um desconhecido que lhe atirou ácido porque «a cara era demasiado bonita». O pecado da menina de 14 anos foi ter passeado de calções pela cidade.

Em Betar Illit há pessoas apavoradas. Fala-se de vínculos organizativos e financeiros entre os esbirros que zelam pela moralidade e a autarquia. O edil, Meir Rubenstein, um extremista ortodoxo, nega, mas é um homem que não cumprimenta as mulheres com um aperto de mão… para não se contaminar.

Estes dados, extraídos de uma reportagem de Ana Carbajosa, ontem publicada no El País, vêm acompanhados da denúncia de que o Estado central não costuma imiscuir-se em assuntos destas comunidades e que a polícia só actua em casos muito extremos.

Sem resistência, no judaísmo, tal como no cristianismo ou no islão, a religião acaba por capturar os direitos, liberdades e garantias que as democracias consagram.

Momento de poesia

DEPOIS DO TEMPO


Há um outro tempo
onde as coisas fluem lentamente
em tempo dinossáurio
petrificado em rugas,
um tempo de insondáveis profundezas
sem princípio nem fim...

Um tempo de nada e de tudo...

Diferente deste tempo
inventado por nós
na escrita da memória
e datado
por séculos, dias e meses
em calendários que o outro tempo envelhece...

Dois tempos paralelos... geminados...

Um, movimenta-se em gigantescos saltos
de anos e milénios,
o outro, segue contínuo,
numa telúrica serenidade infinita,
a imperturbável marcha
sem destino...

Alexandre de Castro

Lisboa, Janeiro de 2001

segunda-feira, agosto 18, 2008

Transgénicos opõem Governo a príncipe Carlos

É literalmente uma questão de peanuts - que em inglês pode querer dizer "amendoins", mas também "coisa de nada"- aquela que na última semana lançou o príncipe herdeiro de Inglaterra e o Governo de Sua Majestade numa acesa troca de críticas. Os organismos geneticamente modificados (OGM), entre os quais se contam os próprios amendoins, vieram para o centro do debate na quarta-feira, quando o príncipe Carlos disse ao Daily Telegraph que a produção destes alimentos está a provocar "o maior desastre ambiental de todos os tempos". (...) Diário de Notícias
.
Comentário: O eterno príncipe ainda não percebeu a função da monarquia. Mesmo que tenha razão, é pago para estar calado

Geórgia e Venezuela

O xadrez internacional complica-se com a imprudência e a mediocridade dos dirigentes dos países mais poderosos.

O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, devia ser julgado pela invasão da Ossétia do Sul, pelos mortos provocados e pelas alterações que provocou na região do Cáucaso cujas ondas de choque estão longe de terminar. Em vez do julgamento que merecia, teve a solidariedade imediata do desacreditado presidente Bush e dos pouco recomendáveis líderes da Polónia, Estónia, Letónia e Lituânia.

Ainda não começou a retirada das forças russas da Geórgia, investida cujo pretexto uma grande potência nunca desperdiçaria, sobretudo depois do desfecho do problema Sérvia/ Kosovo, já a senhora Angela Merkel foi a Tbilissi apoiar o demente agressor da Ossétia do Sul e garantir-lhe o ingresso na NATO. Nem guardou um período de nojo antes de afrontar a Rússia.

Depois de Merkel apoiar o ingresso da Geórgia na Nato com que critério se condenará a Hugo Chavez entusiasmado com a presença da armada russa nas águas da Venezuela?

A Rússia não deve agitar a América do Sul nem a Nato destabilizar a região do Cáucaso.

Comparado com Bush e a Senhora Merkel, Sarkozy mostrou-se um notável estadista.

O inefável Dr. Jardim

Depois de ter dado um prazo para Manuela Ferreira Leite apresentar resultados (primeiro trimestre de 2009), Jardim voltou a lançar uma farpa à nova líder do PSD, defendendo um novo partido que faça "oposição a sério".

Comentário: A voz de Jardim não sobe ao Céu mas desmoraliza o PSD.

sábado, agosto 16, 2008

Na Itália de Berlusconi

As autoridades italianas tentavam ontem explicar e aparentemente sem muito sucesso o que se passou com uma imigrante fotografada seminua no chão de uma esquadra de Parma. A indignação que a foto causou a quem a viu terça-feira no La Reppublica continuava a ser maior do que todas as palavras. (Ler artigo doPúblico)

sexta-feira, agosto 15, 2008

Regime totalitário parecido com o soviético

O presidente do PS/Madeira, João Carlos Gouveia, afirmou hoje que o regime político no arquipélago é totalitário, semelhante ao soviético, e acusa o Governo Regional de operar a "morte cívica" dos madeirenses.

quinta-feira, agosto 14, 2008

As alegrias do diabo


«Aquilo que as mulheres usam nos jogos Olímpicos é a pior roupa que é possível vestir. É uma invenção do Diabo (…), nunca as mulheres apareceram tão despidas como surgem nas Olimpíadas», fulminava segunda-feira um dos elementos da hierarquia religiosa saudita, Muhammad Al-Munajid, numa entrevista à televisão Al-Majd.

Para este clérigo não há dúvidas de que «a exposição do corpo feminino nesta escala global é uma grande alegria para Satanás».

Fonte: Diário de Notícias, hoje, pág. 41

Classe média já é maioria no Brasil

Na antecâmara da chegada de Lula da Silva ao Palácio do Planalto, os gurus norte-americanos das finanças “decretavam” a subida do risco-país, índice penalizador das economias dos países pobres ou emergentes.

“Lula sobe nas pesquisas. No mesmo momento sobem o dólar e o risco-país. A cúpula da candidatura petista afirma existir uma espécie de terrorismo praticado pelo mercado contra a campanha. O crescimento de Lula é atribuído, de certa forma, a nova roupagem que recebe, com um discurso mais de centro, mais palatável para a classe média que temeu sua ascensão nas últimas eleições” – constatava Márcio C. Coimbra, “O risco Lula”, LegisCenter (http://www.legiscenter.com.br/).

Feitas as contas, poucos anos passados, percebe-se que Lula da Silva não se ficou pelo discurso mais “palatável” para a classe que, dizem os livros, faz andar os países. A classe média já é maioria no Brasil:“A pobreza diminuiu no Brasil nos últimos quatro anos, revela a pesquisa ‘A nova classe média’, divulgada nesta terça-feira pela Fundação Getúlio Vargas. Segundo o estudo, a classe C, considerada a classe média no país, passou de 42,49% da população brasileira em Abril de 2003 para 51,89% em Abril de 2008. De acordo com a FGV, famílias estão deixando a linha da pobreza, não apenas pela ajuda de programas sociais, mas também por conseguirem trabalho com carteira assinada . Só nos primeiros seis meses de 2008, surgiram no Brasil 1,3 milhão de novas vagas.

Outro estudo divulgado nesta terça-feira pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) revela que o número de pobres caiu 20,9%, de 2002 a 2008, no Brasil. O estudo mostra também que a renda do trabalhador vem aumentando, mas ainda é preciso investir em educação e qualificação profissional. O estudo, com base em dados divulgados pelo IBGE e pelo ministério do Trabalho, mostra que a pobreza diminuiu 13,5% nos últimos 12 meses. É a maior queda desde 2004.” – revela “O Globo”, um dos jornais que, a par da “Folha de S. Paulo”*, não nutre especial simpatia pelo pé-rapado que um dia sonhou chegar a Presidente da República.

Lula da Silva está de parabéns e nós ficamos contentes por saber que o imenso Brasil aí está, na cena internacional, para dar cartas. Longe das aventuras do “socialismo bolivariano” que Chávez impingiu a bolivianos e equatorianos, o Brasil, que já é BRIC (grupo dos quatro principais países emergentes do mundo – Brasil, Rússia, Índia e China), prepara-se para emergir como uma potência mundial a ter em conta nas próximas décadas. Curiosamente, consegue este desempenho quando governado por um sindicalista e não por um sociólogo que se dizia saber muito de economia (foi Ministro da Fazenda de Itamar Franco), como o era o seu antecessor no cargo, Fernando Henrique Cardoso.

*No dia em que os principais jornais brasileiros manchetavam a maioria obtida pela classe média brasileira – “Classe média já é maioria no Brasil – O Estado de S. Paulo”, “A vez da classe média – Jornal do Brasil”, “600 mil saem da pobreza em Belo Horizonte – Estado de Minas”, “Classe média passa a ser maioria no Brasil – Zero Hora”, “Folha” e “Globo” preferiram destacar outra “novidade” em manchete:

“Mapa da violência revela áreas mais perigosas de São Paulo” (Folha);
“Rios viram principal rota do tráfico de drogas no Brasil” (O Globo)…

a) DMA

quarta-feira, agosto 13, 2008

A grotesca aventura da Geórgia

O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, agachado, mãos no chão, com um colete anti-balas e aninhado sob vários guarda-costas é a imagem de quem atirou a pedra e se escondeu, receoso das consequências da imponderada e violenta invasão da Ossétia do Sul e da reacção russa.

A foto veio ontem na primeira página do El País e contrasta com as imagens de firmeza e dignidade de outro facínora que o TPI mandou deter – Slobodan Milošević.

Não se percebe se o desmiolado presidente da Geórgia foi suficientemente louco para se lançar na aventura bélica sem o aval de George W. Bush, que dá o nome a uma rua da capital, ou demasiado estúpido para confiar na protecção do ainda presidente americano de quem os próprios compatriotas desconfiam.

A invasão da Ossétia do Sul deu à Rússia o pretexto que lhe faltava para entrar neste território, com o apoio autóctone, como a NATO entrou no Kosovo, e atacar a capital da Geórgia como os europeus e americanos fizeram à capital da Sérvia.

O genocida sérvio foi preso às ordens do TPI e o Kosovo, ao arrepio do direito internacional, declarou a independência unilateral, logo reconhecida pelos que acham bem reconhecer os amigos e não aceitam que os inimigos reconheçam os amigos deles.

O Kosovo é, tal como a Ossétia do Sul e a Abcásia, um estado fantoche e o precedente infeliz que «legitima», por analogia, o reconhecimento pela Rússia dos dois territórios secessionistas da Geórgia.

A Rússia, com o seu execrável nacionalismo, igual a outros que a diplomacia ocidental estimulou e armou numa incontida alegria de ver desmantelar o velho império soviético, é vítima do flagelo dos separatismos que os nacionalismos alimentam, do terrorismo islâmico e de atitudes discriminatórias e perseguições aos russos em países que a União Europeia acolheu e noutros cuja independência foi teleguiada e armada sob os auspícios de Bruxelas e Washington.

A perigosa destabilização do Cáucaso começou com um aliado dos EUA, um presidente ansioso por se tornar satélite americano, e acabou, PARA JÁ, por fazer da Rússia a potência hegemónica da região, por desprestigiar a NATO perante os países que se procuravam abrigar no seu guarda-chuva e por alterar a correlação de forças na região, com o futuro da Geórgia comprometido e a estabilidade da Ucrânia fragilizada.

Para já, assistimos a uma derrota política da NATO, a mais um catástrofe da política externa de Bush e ao aumento da incerteza quanto às consequências desta guerra que custou milhares de vítimas e exige o julgamento rápido do ainda presidente georgiano.

Nada de bom para a União Europeia e os EUA. Infelizmente.

Dentes tortos proibidos na abertura dos Jogos Olímpicos



A lustrosa cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim teve, infelizmente, o seu momento de farsa. Pelo menos um, denunciado pela imprensa chinesa.

A menina que cantou “Ode à Pátria” não cantou, representou apenas. Tudo porque a dona da voz original foi considerada “muito feia” (dentes tortos, etc.) para representar o país perante o mundo.

Lin Miaoke ficou, assim, com os louros da voz de Yang Peiyi.

Perante a avalanche de casos de doping, e da propalada eficiência da ASAE do sector na detecção dos desportistas trapaceiros, pergunta-se se os organizadores da cerimónia de abertura não deveriam também ser penalizados.

Urge a criação de um Comité Anti-Farsa para aberturas, fechos, intermezzos, demais pompas nas Olimpíadas.

a) DMA

terça-feira, agosto 12, 2008

Cáucaso: Interessante artigo de Michail Gorbachov

Um artigo muito esclarecedor de Michail Gorbachov no Washington Post:

Conflito Russo-Georgiano: três desenlaces possíveis

Alargado que está o âmbito do conflito no Cáucaso, há a meu ver três cenários possíveis de desenlace da crise. Em nenhum dos cenários se verifica apoio militar directo de estados terceiros, que se afigura, à luz dos factos conhecidos e das condicionantes geoestratégicas, patentemente inverosímil.


Cenário 1: Finalizado que está o controle da Ossétia do Sul e da Abcásia pelo exército vermelho, a Rússia consolida posições e aceita negociações para resolver diplomaticamente o conflito, assim alcançando os seus objectivos mínimos. Derrota parcial da Geórgia, adiamento da resolução do estatuto das duas províncias rebeldes. Saakashvili dificilmente sobreviverá politicamente, tendo que prestar contas à oposição e aos seus cidadãos sobre a sua incompetência táctica e estratégica na gestão do problema.

Cenário 2: A Rússia continua a consolidar o seu controle estratégico sobre o Norte da Geórgia, avançando até Tiblisi, continuando a eliminação de alvos estrátegicos (militares e infraestrutura), de forma a derrubar o regime de Saakashvili. As forças georgianas tentam defender Tiblisi. A Rússia alcança os seus objectivos máximos: Saakashvili é derrubado (e previsivelmente julgado pelas autoridades russas por crimes de guerra), um Governo mais "moderado" é instalado, e face à derrota total, a Geórgia é obrigada a renunciar à Ossétia do Sul e à Abcásia. Previsivelmente haverá baixas muito pesadas dos dois lados, podendo o cerco prolongar-se vários meses. A Rússia reafirma o seu estatuto de potência regional, lançando um aviso muito sério aos seus vizinhos relativamente à não cooperação com o Kremlin. A reputação da Federação Russa sofrerá inevitavelmente nos círculos internacionais, mas em compensação passará a ser vista como interlocutor essencial nas grandes decisões geoestratégicas.

Cenário 3: A Rússia avança até Tiblisi. O Governo georgiano, temendo o inevitável banho de sangue inerente a um cerco e invasão de Tblisi, aceita incondicionalmente quaisquer condições impostas por Moscovo, que consistirão previsivelmente na renúncia à Ossétia do Sul e à Abcásia, bem como na demissão de Saakashvili. A Geórgia sai fortemente derrotada mas evita um banho de sangue e destruição generalizada. A Federação Russa reafirma o seu estatuto de potência regional, lançando um aviso muito sério aos seus vizinhos relativamente à não cooperação com o Kremlin. A reputação da Federação Russa sofrerá relativamente pouco nos círculos internacionais, tendo evitado um conflito prolongado e sangrento, passando a ser vista como interlocutor essencial nas grandes decisões geoestratégicas.

Segundo os dados disponíveis hoje, tendo as forças armadas russas controlado o ponto estratégico fulcral de Gori bem como outros pontos estratégicos perto da Abcásia, tendo o controle de interdição dos mares e do espaço aéreo, tendo iniciado já movimentações maciças de tropas rumo à Geórgia, parece ser muito pouco provável que o Kremlin se contente com o Cenário 1. A pressão internacional é vaga e claudicante, a Geórgia não soube ganhar a guerra da informação (a principal imprensa internacional condena igualmente o ímpeto de Saakashvili e a condução sangrenta da campanha de reconquista levada a cabo pela Geórgia), e a Rússia tem a vantagem da inércia. A isto juntam-se as já avultadas perdas humanas e de material do exército russo, bem como a apesar de tudo rápida e eficaz campanha de contra-ataque. 

A Rússia irá provavelmente seguir em frente até Tiblisi e procurar alcançar os seus objectivos máximos: resolução definitiva do estatuto das províncias rebeldes (de preferência, para a Rússia, com a perda de soberania georgiana), derrube ou demissão de Saakashvili e emergência como potência dominante na zona (dissipando assim quaisquer veleidades atlânticas ou atitudes de antagonismo contra Moscovo por parte dos seus vizinhos). O exército russo sai desmoralizado, demonstrando que já não é a máquina lenta, obsoleta e sub-financiada que saiu dos escombros da URSS, sendo validada a utilidade da sua reconversão recente sustentada pelos petrorublos.

Se o desenlace será o Cenário 2 (banho de sangue) ou 3 (derrota total da Geórgia sem confronto militar em larga escala) dependerá essencialmente de três factores:
- de Michail Saakashvili: a sua rendição e demissão poderá evitar um banho de sangue. E é manifesto que ele é, neste momento mais uma parte do problema do que da solução;
- da eficiência do exército russo na condução da campanha no terreno: uma conquista demasiado demorada e sangrenta de Tiblisi poderá causar problemas na frente logística e diplomática;
- da capacidade (e principalmente criatividade) da comunidade internacional na resolução diplomática da crise.

Terroristas de Deus


Por todo o mundo cresce a agressividade clerical e o apelo ao ódio e à violência contra os infiéis, isto é, os fiéis da concorrência e os que recusam a santidade e o Paraíso.

Não há dia em que o sangue não jorre para maior glória do deus que os facínoras sabem ser o único verdadeiro e da religião que tem o monopólio da salvação da alma e o alvará dos transportes colectivos para o Paraíso.

Em Marrocos acaba de falhar a tentativa de instalar câmaras de televisão nas mesquitas. Maomé, segundo garantem os pregadores, nunca foi apologista de tais modernices. Os créus também não. E os inflamados pregadores da palavra do Profeta não querem que o poder político se imiscua nos apelos feitos aos crentes para que espalhem a fé, a bem ou a mal. Se necessário à bomba.

Uma jornalista acaba de ver recusado o lançamento de um livro com o editor assustado com a reacção dos islamitas. O médico egípcio Ayman al-Zawahiri (na foto), lugar-tenente de Usama bin Laden, pede uma guerra santa em território paquistanês. Os pios pregadores islâmicos deslocam-se à Europa para excitar os fiéis com o triunfo próximo do Islão. O Irão ameaça erradicar Israel. Até na China, com um governo despótico, uns desvairados islamitas fazem atentados enquanto o pregador Bush apela à difusão da fé e reza pela vitória dos atletas americanos.

Crentes de várias proveniências, entre as orações e os actos de terrorismo, só pensam em salvar a alma alheia sem descurar a própria. E os governantes europeus, pusilânimes e incultos, esquecidos das violentas guerras religiosas do passado, são incapazes de usar para os pregadores do ódio religioso as mesmas medidas de precaução e vigilância com que perseguem malfeitores de origem diferente.

Sem um sobressalto republicano e laico, sem a supremacia da cidadania sobre alegadas tradições culturais, sem a sujeição do direito canónico ao direito civil e das exibições de fé aos ditames do Código Penal, não defendemos o pluralismo e a diversidade cultural, estamos a estimular o regresso à barbárie e a abrir as portas por onde entram os inimigos da democracia, da modernidade e do laicismo.

Nota - A publicar amanhã no blogue «Sorumbático»

Momento de poesia


Dissertação sobre as equações…


Não sei qual a incógnita
dessa equação
que queres resolver só com palavras
falas-me do cansaço dos números
e da sua monotonia
e não há luz que desvende
o teu mistério
mesmo que eu queira dizer-te
que a transparência não cabe
em qualquer livro que te dedique
talvez um dia tenha de oferecer-te
uma flor vermelha
para que a equação ganhe sentido
e a verdade da Matemática fique intacta.

Alexandre de Castro

segunda-feira, agosto 11, 2008

Autoritário sem autoridade

.
Será George inocente na agressão da Geórgia à Ossétia do Sul?

A União Europeia e a guerra do Cáucaso

A presidência francesa da União Europeia ofereceu à Geórgia e à Rússia um plano baseado no fim imediato das hostilidades e respeito pela integridade territorial da Geórgia. Curiosamente a UE não ofereceu, no caso do Kosovo, um plano baseado no fim imediato das hostilidades e respeito pela integridade territorial da Sérvia.

Duvido que o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, se tenha lançado numa aventura que lhe pode custar a vida, e ao País a independência, sem conhecimento de Bush. Este é um assunto que ainda não vi referido na comunicação social e que merece ser averiguado.

Não posso deixar de felicitar o Governo português, único órgão responsável pela política externa do país, que ainda não reconheceu o Kosovo.

Guerra no Cáucaso: Perguntas e Respostas

Um excelente artigo do Guardian sobre os possíveis cenários do conflito na Ossétia do Sul e na Abcásia.

Os Cossacos vão a caminho da Geórgia

Cossacos de várias partes da Rússia e voluntários da Rússia e outras partes do Cáucaso vão a caminho da frente. Isto é uma notícia muito pouco auspiciosa.

Geórgia e Ossétia do Sul: a subtileza de um elefante numa loja de porcelana

Na sua pesada intervenção na Ossétia do Sul, a Geórgia demonstrou uma falta de subtileza e uma incompetência brutais.


A intervenção, face à previsível interposição de tropas russas, foi inútil. Por muito bem armada que a Geórgia tenha sido recentemente pelos EUA e outros estados da NATO, nunca poderá fazer frente ao Exército Vermelho.

Causou destruição generalizada e inúmeras baixas civis na Ossétia do Sul, cujos habitantes são maioritariamente cidadãos russos (povo de origem iraniana, estabelecido no Cáucaso desde o século XII, e fortemente russificado). A agressão e destruição indiscriminada dificilmente ficam bem na fotografia, por muito válido que pudesse parecer o objectivo, ou por muita reputação de "papão" que tenha a Rússia.

Tornou claro que dificilmente poderá a Ossétia do Sul (ou a Abcásia) voltar a ser integrada na Geórgia, destruídos que foram, pela atitude unilateral da Geórgia, quaisquer vias diplomáticas.

Uma atitude irresponsável, uma vez que a Geórgia não tem quaisquer aliados na região que a possam auxiliar (as relações com a Arménia são más, com o Azerbeijão mornas, a Turquia é indiferente). O seu principal aliado, os EUA, dificilmente poderá fazer seja o que for. É manifestamente suicidário lançar uma iniciativa destas sem se estar bem apoiado.

É evidente que, com este erro crasso, a Geórgia hipotecou três pilares essenciais da sua estratégia para o futuro:
- a reintegração das províncias rebeldes da Ossétia do Sul e da Abcásia na esfera de soberania da Geórgia é doravante, depois deste banho de sangue, impensável. A Rússia não o permitirá, nem as populações desses territórios alguma vez a aceitarão. Prevê-se um cenário de tipo Kosovar ou de República Turca Cipriota, em que estas repúblicas serão reconhecidas e protegidas pela Rússia (e porventura dos seus satélites);
- a adesão à NATO, objectivo que a Geórgia procurava assegurar já em Dezembro deste ano, está comprometida a curto e médio prazo. A Rússia não o permitirá, nem a NATO, por muito voluntarismo que possam ter os EUA, correrá esse risco geopolítico;
- a infra-estrutura económica e militar, arduamente modernizada nos últimos anos com apoio dos EUA, dificilmente escapará incólume à retaliação militar da Rússia, que procurará destruir toda a infra-estrutura georgiana que possa causar riscos à Rússia no futuro (tal como a NATO fez aquando da intervenção na Sérvia).

A Rússia já anunciou, de forma clara, que o erro da Geórgia será exemplarmente punido. A Rússia não hesitará em liquidar a máquina militar georgiana, nem em destruir a infra-estrutura económica (nomeadamente dos pipelines e gasodutos georgianos que competem com os russos na condução de hidrocarbonetos para a Europa. Finalmente, a Rússia já anunciou alto e em bom tom, que Saakashvili,  chefe de Estado da Geórgia "terá que partir". O procurador-geral da Federação Russa já começou a instruir inquéritos contra Saakashvili e outros políticos e militares georgianos por crimes de guerra e genocídio. A Rússia parece determinada a ir até às últimas consequências... e a comunidade internacional nada poderá fazer, apenas observar, objectar e proporcionar os meios humanos e financeiros para atenuar a catástrofe humanitária. Os EUA nunca arriscariam um conflito com a Rússia pelos belos olhos da Geórgia, nem mesmo como reconhecimento pela sua vassalidade. A União Europeia não tem força nem unidade, militar ou diplomática para fazer o que quer que seja. Nada tem a oferecer senão dinheiro para a reconstrução.

A Geórgia cometeu um erro táctico e estratégico. E erros deste calibre contra grandes potências pagam-se caro. Por vezes com a própria independência. Muito provavelmente verá o seu território ser definitivamente amputado da Ossétia do Sul e da Abcásia, e estará muito claramente escrito nas estrelas que nada virá a alcançar internacionalmente sem o beneplácito do Kremlin. Um pouco mais de paciência e contenção poderiam ter evitado isto.

Ossétia do Sul e Kosovo: paralelismos?

Um excelente artigo no El País sobre os dois pesos duas medidas dos países ocidentais, comparando a Ossétia do Sul ao Kosovo:


"Se podría esperar que los que tanto apoyaron ayer el derecho de los kosovares a invocar la autodeterminación y el derecho a separarse de Serbia, manifestaran hoy las mismas preocupaciones hacia los habitantes de Osetia del Sur. Pero he aquí que no: la gran prioridad ahora es, aparentemente, preservar como sea la integridad territorial de Georgia. Ayer maleables en los Balcanes, las fronteras, en cambio, se vuelven de repente sagradas en el Cáucaso. ¿Por qué estas dos varas de medir? ¿Será porque hay separatistas buenos y malos? Los primeros, los que gozan del apoyo de Occidente y perjudican a los aliados de Rusia: como los kosovares, y los segundos, los que deben ser combatidos porque perjudican a los amigos de Occidente: como los surosetios. Y es que, al contrario de este malo de la película, y encima socio de Moscú, que era Slobodan Milosevic, Mijaíl Saakashvili, el actual presidente georgiano, ha multiplicado las declaraciones favorables a EE UU, ha mandado un contingente de tropas a Irak y quiere integrar a Georgia en el seno de la OTAN. Frente a tal asalto de fidelidad, ¿qué peso puede tener para la mayoría de las cancillerías occidentales la suerte de los habitantes de Abjazia y Osetia del Sur?"

Defendi antes no Ponte Europa que o Kosovo era um caso sui generis. Mas começo a ver demasiados paralelismos entre a repressão Sérvia sobre os albaneses do Kosovo e as sanguinárias manobras da Geórgia para domesticar a Ossétia do Sul e a Abcásia:

- Em 1989 Milosevic, líder Sérvio, retira o estatuto de autonomia do Kosovo
- Em 1990 o Kosovo declara independência pela primeira vez, sucedendo-se a repressão sérvia.
- Intervenção da NATO na Sérvia em 1999, protectorado internacional até 2008, e a independência completa do Kosovo em 2008.

-A 10 de Dezembro de 1990, a República Socialista Soviética da Geórgia revoga a autonomia da Província Autónoma da Ossétia do Sul
- Guerra em 1991-1992, em que a Geórgia tenta, de forma musculada, recuperar o controle. Retirada georgiana, interposição de tropas Russas de manutenção da paz. "protectorado" russo.
-2004: nova intervenção falhada da Geórgia
-2008 (neste momento): nova intervenção militar musculada da Geórgia. Intervenção de tropas russas.

Se calhar, tal como a Sérvia não mereceu manter o Kosovo, talvez não mereça a Geórgia, à luz da sua conduta, manter a Ossétia do Sul (e a Abcásia).

Conflito na Ossétia do Sul




Fonte da Imagem: Wikipedia

Com a desagregação das grandes federações do leste da Europa após a queda da cortina de ferro, muitos conflitos ficaram latentes. No caso da Checoslováquia, que tinha uma estrutura federal simples, apenas tendo como constituintes duas repúblicas federadas com uma homogeneidade étnica e uma grande afinidade cultural, o divórcio e a partilha puderam fazer-se a bem. No caso de federações mais complexas e maior diversidade étnica, como a URSS e a Jugoslávia, as coisas correram menos bem, com o desmoronamento sangrento da Jugoslávia e com o desmembramento menos dramático (porque subsistiu uma potência hegemónica, a Rússia, que bem ou mal consegue conter os secessionismos dentro e fora de portas). Estas duas federações contavam com uma estrutura federal complexa e com vários escalões: na Jugoslávia existiam as repúblicas socialistas federadas (entidades federais de 1º escalão, Eslovénia, Croácia, Montenegro, Sérvia, Bósnia e Herzegovina e Macedónia) e as regiões autónomas (entidades federais de 2º escalão, Kosovo e Metohia e Voivodina, nominalmente sob soberania Sérvia, mas constitucionalmente sob dependência da federação). De forma semelhante, mas ainda com maior complexidade, sucedia na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, onde coexistiam três escalões de entidade federada: as Repúblicas Socialistas Soviéticas, algumas delas com representação autónoma nas nações unidas (Rússia, Ucrânia, Bielorrússia, Moldávia, Estónia, Letónia, Lituânia, Geórgia, Arménia, Azerbaijão, Cazaquistão, Uzbequistão, Quirgistão, Turquemenistão, Tadjiquistão), as Repúblicas Socialistas Autónomass (dentro de cada RSS, caso nomeadamente da Abcásia, da Tchetchenia-Inguchétia, ou da Transdnístria), e ainda as regiões autónomas (Oblast'), como é o caso da Ossétia do Sul (Geórgia) e do Nagorno Karabakh (Azerbaijão, reivindicado pela Arménia). 
Muito frequentemente, estes escalões intermédios eram consequência da divisão de repúblicas federadas anteriores (o caso da República Socialista Soviética da Transcaucásia, que foi desmembrada em 1936, sendo o seu território distribuído entre a Geórgia, Arménia, Azerbaijão e  Rússia. Outras vezes eram uma forma de estabelecer equilíbrios, deprecando territorialmente repúblicas mais fortes (o caso da transferência da Crimeia da Rússia para a Ucrânia). Outras vezes serviam para prevenir conflitos e proteger minorias).

Nunca se pensou, durante a guerra fria, que essas federações viessem a desintegrar-se, continuando a engenharia geográfica a fazer um eterno corta e cola. Após a desintegração dos anos 90, a comunidade internacional aceitou apenas a independência das entidades federadas de primeiro escalão, olvidando as outras, e integrando-as segundo as fronteiras estabelecidas, muito frequentemente sem correspondência com a realidade. Tal deixou conflitos e (i?) legítimas aspirações latentes, com resultados por vezes explosivos (o caso do Kosovo, entidade federada de segundo escalão).

Há vários conflitos latentes na Ex-URSS que derivam desta engenharia geográfica. Por um lado existem regiões dentro de uma república com maioria étnica da república vizinha (o caso do Nagorno-Karabakh, de maioria arménia, integrado no Azerbaijão). Algumas regiões procuram tornar-se independentes da Rússia (o caso da Tchetchénia). E finalmente, existem inúmeras regiões de repúblicas vizinhas da Rússia em que existem fortes minorias de russos ou outras etnias russificadas, fruto principalmente das fortes movimentações (por vezes forçadas) de populações que decorreram na URSS, mormente durante o Estalinismo. É este o caso da Ossétia do Sul, da Abcásia (na Geórgia), da Transdnístria (na Moldávia, tendo a Transdnístria, de população maioritariamente russófona, sido desafectada da Ucrânia  e anexada à Moldávia em 1946). É ainda o caso das minorias russófonas do leste da Ucrânia e dos países Bálticos (cujos direitos foram e são cerceados, não obstante a adesão destes à UE).

A Federação Russa, gigante transcontinental, maior país do mundo, potência global e nuclear, com 28 línguas oficiais e 83 entidades federadas, exerce musculadamente, a bem ou a mal, uma política de vizinhança agressiva para proteger a sua integridade territorial, os direitos das suas minorias na periferia, e os seus interesses económicos e geoestratégicos.

Este é o caso da Ossétia do Sul. O conflito ficara empatado em 1991 e o status quo era transparente. A Geórgia procurou militarmente alterar o status quo recuperando o controle e a soberania efectiva da região rebelde. Concorde-se ou discorde-se, mas a Rússia reagiu, e era certo e sabido que reagiria desta forma. As regras do jogo eram claras, e a Geórgia avançou com a sua intervenção kamikaze, talvez com a ganância de assim poder aderir à NATO já em Dezembro de 2008. Entrou na Ossétia, causou mortos e destruição, e foi batida como já seria de esperar. Por muito justa que possa ser a sua intenção de recuperar o controle das províncias rebeldes da Ossétia do Sul e da Abcásia, o que é contestável, adoptou o pior meio possível. Causou destruição e morte, numa operação que se anunciava impossível e inútil.

A Rússia interveio porque tinha que intervir. Por um lado, para dar um aviso forte à Geórgia (e também à Moldávia, e de certa forma à Ucrânia) que o status quo das províncias rebeldes controladas por forças afectas à Federação Russa (Ossétia do Sul e Abcásia na Geórgia, Transdnístria na Moldávia) é para manter, fazendo assim clara qual a sanção da violação do status quo. Anuncia também, com clareza, que não permitirá mais nenhum cavalo de tróia da NATO na sua periferia, e que os seus vizinhos terão que ser cooperantes (e não antagonistas, como é o caso do presidente georgiano Saakasvili) com o Kremlin. E finalmente interveio, porque nas alturas em que praticou contenção ao lidar com os seus vizinhos os seus interesses e os interesses dos seus cidadãos foram fortemente atingidos (nomeadamente no caso referido dos países Bálticos, que criaram um quase apartheid dos cidadãos russos aí residentes de largas décadas, e que rapidamente aderiram à NATO).

Concorde-se ou não com estas políticas musculadas de vizinhança, todas as potências a elas recorrem, não tendo países como os EUA ou a França qualquer legitimidade para criticar a Rússia. Basta ver-se o currículo vergonhoso das intervenções norte-americanas na América Latina e por todo o mundo, ou as intervenções da França no seu quintal africano, sempre que qualquer um dos seus títeres se encontra ameaçado por um golpe de estado, ou quando deixa de ser dócil.

Bush, Solana e Sarkozy podem bem barafustar, exigir um cessar fogo, ameaçar com a violação do direito internacional, etc. Mas a voz de quem tem telhados de vidro é fraca, e o resultado prático será o de sempre quando está em causa o excesso de uma potência: nada se passará. A Rússia acabará a sua operação de defesa, deixará o exército georgiano incapacitado de qualquer nova façanha bélica nas próximas décadas, e deixará muito claro que ali quem manda é ela. Com alguma sorte, ainda conseguirá a remoção do pró-ocidental Saakasvili do leme da Geórgia como a cereja no topo do bolo. Medvedev e Putin não poderiam ter melhor sorte que esta desastrada e irresponsável campanha militar georgiana. 

Enquanto os governos fazem a guerra…

… as atletas aproveitaram a competição do tiro olímpico para se abraçarem no pódio em que receberam as medalhas do tiro… olímpico.



A russa Paderina e a georgiana Salukvadze, no pódio. Foto: EFE / M. REYNOLDS

Espaço dos leitores

Ponte Europa/Pitecos - Zédalmeida

domingo, agosto 10, 2008

GNR vigia festa nacionalista

"O sistema trata-nos como se fôssemos não um partido político mas um gang e mobiliza agentes para nos vigiar em vez de se preocupar com situações como a Quinta da Fonte e imigrantes que assaltam bancos no País", acusou o presidente do PNR, presente no evento. JoséPinto Coelho garante que "há cada vez mais portugueses a aderir às ideias do PNR", sendoo Algarve a zona "mais activista", a seguir a Lisboa.

Comentário: A GNR está de parabéns.

Cardeal Saraiva Martins - Quem mais santos criou


Nunca um santo criou um só cardeal e jamais um só cardeal criou tantos santos.

A entrevista do cardeal Saraiva Martins (JSM), ao Diário de Notícias de hoje, é uma peça de antologia distribuída por quatro páginas da edição impressa. Não se sabe onde termina o ingénuo pesquisador de milagres, supersticioso e crente, semelhante ao caçador de gambozinos, e onde começa o frio contabilista da empresa que lhe confiou o marketing da santidade.

Engana-se quem vê no ar rústico do velho cardeal um homem tolerante e aberto ao mundo, um homem que já não se lembra em quem votou no último conclave mas tem bem presente que os padres devem aconselhar os fiéis sobre os partidos políticos em que devem votar.

JSM quer esquecer a cumplicidade da sua Igreja com Salazar mas gosta de recordar que o preservativo nunca deve ser usado. Fala dos beatos e santos que promoveu em doses industriais, dos milagres que inventou e do negócio das canonizações sem se dar conta que Portugal mudou.

Sabe de cor o nome de todos os bem-aventurados portugueses que ajudou a içar aos altares.
Só com Bento XVI já criou 555 beatos e 14 santos o que significa uma clara aceleração do veículo que conduz à santidade depois das beatificações em série do antecessor – 1887, entre beatos e santos.

São quatro páginas de uma entrevista que há quarenta anos alvoroçava o Portugal rural e beato de Salazar mas que hoje deixa um sorriso de incredulidade em quem o lê, onde diz acreditar na santidade de Alexandrina da Costa, a bem-aventurada que viveu 13 anos sem comer nem beber, em anúria, apenas com uma hóstia consagrada por dia.

Fala de Fátima como se as «aparições» não fossem uma forma de combater a República, mais tarde reciclada para o combate ao comunismo, como se as azinheiras fossem plataformas de aterragem da Virgem e a Cova da Iria um anjódromo feito à medida para o Paraíso organizar viagens ao concelho de Ourém para enviar recados através de três inocentes pastorinhos.

JSM é uma figura medieval no pensamento mas astuto na defesa dos milagres. Quando a ciência não explica, é milagre… e reconhece que o Vaticano se preocupa em distribuir os santos e os milagres de forma equitativa pelos países católicos embora os emolumentos não sejam baratos.

A Espanha ficou a ganhar por causa dos mártires da Guerra Civil mas – embora não o diga – isso foi um privilégio para promover a vitória do PP e apelar à Espanha franquista contra o PSOE, tentativa gorada para desespero do cardeal Rouco Varela.

Homofóbico, reaccionário e fiel às mais ortodoxas posições do Vaticano, admitindo que ele próprio pudesse ter sido papa, não esconde o medo do Islão e o perigo das alterações demográficas na Europa que podem tornar hegemónica a religião concorrente.

Este cardeal nascido numa aldeia do distrito da Guarda, em Portugal, que presidiu no último 13 de Maio a uma peregrinação contra o ateísmo, nunca mudou. Há anos afirmou que «Não há coisa mais bonita do que ver os homens de joelhos ou deitados».

A balcanização do Cáucaso

O oportuno ruído dos Jogos Olímpicos pode fazer esquecer os mortos e o som dos gritos de dor dos feridos e estropiados da disputa entre a Rússia e a Geórgia pelo domínio da Ossétia do Sul.

O último drama europeu começou no desmembramento da Jugoslávia com o irreflectido apoio da Alemanha e do Vaticano à Croácia e à Eslovénia e que acabou, por ora, com o reconhecimento avulso do Kosovo, à margem do direito internacional e dos acordos firmados, com a diplomacia da União Europeia tão dividida quanto os territórios que foram a ex-Jugoslávia.

Por boas razões que assistam ao Kosovo para ter declarado a independência, como já aqui, no Ponte Europa, demonstrou Rui Cascão, a verdade é que desde o País Basco à Ossétia do Sul não faltam agora razões para outras regiões seguirem a decisão unilateral do Kosovo, minguando aos países que o reconheceram a legitimidade para condenarem a Rússia, país cujo nacionalismo ressurgiu em força e que tem razões de queixa do cerco que a NATO parece fazer-lhe.

A Ossétia do Sul é a região que conteve pelas armas, em 1991 e 1992, os nacionalistas da Geórgia, tendo declarado a independência, que nenhum país reconheceu, e se virou para a Rússia de que muitos dos seus habitantes têm passaporte e afinidades. Os 82.000 habitantes e os 390 km2 de superfície são insignificantes territorial e demograficamente mas só 25% da população é georgiana, pretendendo a restante unir-se à Ossétia do Norte e integrar a Federação russa.

A Geórgia escolheu a abertura dos Jogos Olímpicos para a invasão e, se bem sucedida, tinha em agenda a Abcásia. A morte de 15 militares russos precipitou a reacção brutal, própria da democracia musculada do Sr. Putin.

Nada garante que os sangrentos acontecimentos que põem em choque dois desvairados nacionalismos se limitem ao actual teatro de guerra. O Cáucaso pode balcanizar-se e as numerosas vítimas deste trágico ensaio podem ser o prenúncio de um conflito que altere a geopolítica mundial. As armas nucleares e imensos arsenais bélicos estão lá, com os ingredientes que cegam os povos e destroem países.

O conflito caucasiano pode antecipar o que Israel e o Irão se esforçam por desencadear. O mundo não está só à beira do precipício. Está à espera de dar um passo em frente.

sábado, agosto 09, 2008

Manuela Ferreira Leite e a política

Pouco mais de um terço dos votos expressos por militantes do PSD não dão a Manuela Ferreira Leite (MFL) legitimidade nem força para impor um projecto e uma estratégia (se acaso os tem) ao partido que hesita entre a matriz social-democrata do seu fundador, a utopia neoliberal de António Borges, a mediocridade de Passos Coelho e o populismo de Santana Lopes.

Por outro lado, MFL revela-se cada vez mais uma excelente avó e cada vez menos uma figura política. A sua relutância em sair de casa, à noite, seja para a festa do Pontal ou para as numerosas solicitações partidárias de fêveras e sardinhas assadas, é uma decisão prudente para o colesterol e para o fígado mas perigosa para a popularidade junto dos militantes e para o seu futuro político.

Por muitas razões de queixa que o país tenha do PSD, por mais vergonha que sinta de Durão Barroso e de Santana, o partido continua a ser imprescindível para a democracia e para a necessidade de uma oposição credível ao actual e futuros Governos.

Grave é se o silêncio de MFL se deve a uma maquiavélica estratégia de entregar ao Presidente da República o ónus da oposição e os truques rasteiros que são apanágio da luta partidária. Pior só o supremo sacrifício de se imolar para abrir caminho a um neoliberal da linha dura que o PR possa ter na manga.

A sintonia do PR e de MFL, nas poucas vezes que falam e raríssimas em que acertam, pode ser eficaz para desgastar um governo que enfrenta a pior conjuntura económica das últimas décadas mas é ainda mais eficaz para desintegrar o PSD e abrir as portas de um liberalismo que se vem revelando perturbadoramente anacrónico e perigoso. Em Portugal e no mundo.

sexta-feira, agosto 08, 2008

China - Jogos Olímpicos

Não sou grande consumidor de televisão. Com excepção dos noticiários, chego a passar semanas sem ver qualquer programa.

Hoje, porém, esqueci-me do tempo e assisti à abertura dos Jogos Olímpicos. Foi um espectáculo fascinante, um êxtase de criatividade, um deslumbramento que perdurará nos milhares de milhões que viram.

Não sei se há um ideal olímpico, sei que o homem é capaz de surpreender pelo melhor, embora seja habitualmente recordado pelo pior.

Que os Jogos Olímpicos de 2008 sejam o princípio de um mundo melhor.

Na impossibilidade de condenar o patrão...

... O Tribunal Excepcional de Guerra de Guantanamo condenou o antigo motorista de Bin Laden a cinco anos e meio de prisão.

Cavaco é um perigo

«O PR, em consequência do próprio cargo, representa um grau de ameaça permanente, daí que tenha segurança pessoal». (Diário de Notícias)

A gafe mais deliciosa do ano: ri à gargalhada.

Ricardo Alves in Esquerda Republicana

Espaço dos leitores

Giambattista Tiepolo
(Sem censura de Berlusconi)

quinta-feira, agosto 07, 2008

Paulo Portas - inveterado populista

Paulo Portas (PP) é uma fraude política que alia o populismo mais boçal ao mais torpe conservadorismo. Os antigos combatentes são os fregueses actuais da sua demagogia.

Inteligente, culto e mau, PP é um intriguista que se formou n’ «O Independente», se graduou na Moderna e doutorou no CDS.

Ridículo na forma e mesquinho na substância, aliviou a sede do CDS de referências democráticas, removendo, num gesto simbólico e infantil, a fotografia do fundador – Freitas do Amaral.

PP, sendo nacionalista, prefere o populismo. Foi ele que acabou, com a cumplicidade do PSD e do PS, é certo, com o Serviço Militar Obrigatório e mudou as Forças Armadas, exonerando os cidadãos da obrigação cívica que todos devem ao País que somos.

Na sua megalomania comprou dois submarinos cuja utilidade operacional é medíocre, numa decisão lesiva dos interesses nacionais, que as gerações futuras terão de pagar.

Os retornados, primeiro, os idosos, depois e, agora, os antigos combatentes encontram em Paulo Portas o estridente protector disposto a esbanjar os dinheiros públicos, sem folga orçamental, com a mesma velocidade e insensibilidade com que distribui beijos pelos mercados e feiras do país eleitoral,

Sem Bagão Félix, Celeste Cardona, Telmo Correia e Adelino Salvado, sem sobreiros, sem Amostra e sem Porches, Paulo Portas é um político ridículo, dentro de um fato às riscas, a fazer promessas que sabe não poder cumprir.

PP julga que sabe governar, após a triste passagem pelo Governo com os ministros do CDS, os piores dos desastrosos Governos de Durão Barroso e Santana Lopes.

Paulo Portas não é um cadáver adiado, é, politicamente, um cadáver em adiantado estado de putrefacção.