domingo, novembro 30, 2008

Silêncio cúmplice

Na altura, refere o jornal espanhol, já se sabia que os prisioneiros de Guantánamo não seriam abrangidos pela Convenção de Genebra.

Portugal também terá sido notificado, adianta o "El País"

EUA informaram Espanha, em 2002, da passagem de aviões da CIA pelo seu território
30.11.2008 - 16h27 PÚBLICO

Vital Moreira e o Milagre Irlandês

No seu post no Causa Nossa, Vital Moreira entusiasmou-se muito com as dificuldades económicas da Irlanda, lançando já foguetes antes da festa em requiem pelo "milagre económico irlandês".
A Irlanda tem um PIB per capita duas vezes superior ao nosso, o segundo maior da UE, e está em quinto lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (Portugal está em 29º). Recordemos que a Irlanda foi um país paupérrimo até ao século XX e bastante pobre até à década de 60.
Vital Moreira que me perdoe, mas não me parece que um evento meramente conjuntural e episódico, relacionado com a actual crise financeira, se possa traduzir numa falência desse "milagre económico" (o que VM não disse directamente, mas que é uma interpretação possível das entrelinhas).
Tomara a Portugal ter uma recessão económica como a irlandesa. Duvido ainda que Portugal não entre mesmo em recessão, e que o "milagre económico português pós-Socrático", não passe de mera propaganda.


Quanto ao tratado de Lisboa, parece claro como água que esse ficará em águas de bacalhau até passar a crise. 

Factos & documentos

Nicolau Santos, in Expresso

sábado, novembro 29, 2008

Estaline, Trotsky e Kerensky

Os trabalhos do XVIII Congresso do Partido Comunista Português (PCP) começaram hoje com um discurso contra o Bloco de Esquerda e um demolidor ataque de Jerónimo de Sousa ao PS, ao Governo e ao PR, visando especialmente a “Esquerda dentro do PS que alimenta ilusões”.

De facto seria ingénuo alimentar ilusões com quem se julga detentor da legitimidade histórica de ser o único representante da classe operária, vanguarda do proletariado e detentor do exclusivo da esquerda.

O PCP, ao acicatar as suas hostes contra o PS, pode ganhar alguns votos mas inviabiliza qualquer hipótese de fazer parte de uma solução democrática de Governo. O estalinismo é a doença senil do comunismo e o maior obstáculo a que a um Governo exclusivo do PS possa suceder uma alternativa de esquerda.

Os ataques a Manuel Alegre, implícitos, servem para mostrar o quixotismo de qualquer ruptura no PS e a certeza de que uma cisão apenas aproveitaria à direita.

Os congressos do PCP, entusiásticos e vibrantes, mantêm a liturgia habitual, cada vez mais próximos de uma capela e afastados de uma solução de poder.

Os ataques visaram Kerensky, exorcizado na pessoa de Alegre, mas não esqueceram Trotsky. É pena que o PCP desista de fazer parte de uma alternativa de Governo e se enquiste, orgulhosamente só, nos amanhãs que cantam, com odor a passado.

Centralismo democrático

CIDADE DO VATICANO - As leituras não bíblicas ou não autorizadas pelo Papa devem ser evitadas nas missas, afirmou nesta sexta-feira o cardeal Francis Arinze, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.

Islão - Religião de paz (2)

Por

e-pá!

O que há de novo na frente oriental?

Na Índia têm acontecido, desde Maio, incidentes violentos graves (Jaipur, Ahmedabad, etc) com centenas de mortes...

Há um mês, em Assam (noroeste da Índia) morreram 60 pessoas em actos violentos.Pouca relevância foi dada a estes actos. A crise financeira embotou o Mundo.Os ataques em Bombaim apresentam algumas características novas, em termos de potencial de armamento e de selecção de "alvos".

Esta dramática situação tem sido atribuída a grupos islâmicos com base no Paquistão e eventuais ligações à AlQaeda...

Todavia, há, também, aqui novos dados, novos parâmetros.Nas últimas semanas a polícia indiana capturou a primeira célula terrorista hindu, constituída por 10 elementos que se encontram detidos. Entre eles um militar e um sacerdote hindu.

Num País economicamente numa fase emergente, estes novos dados são, ou não, preocupantes?Esta nova situação corresponde a uma modificação do paradigma de terror?
Onde se entronca esta aliança entre o hinduísmo (religião contemplativa e pacífica) e o islamismo fundamentalista?
Haverá aqui só factores religiosos ligados ao fanatismo ou estará em incubação outras "razões"?Entram, ou não, em cena componentes sociais, em fase crítica, capazes de gerar actos da maior violência.

A pobreza e a fome não têm nada a ver com esta tragédia?

É que a Índia sendo um País com uma forte economia emergente, os esquemas e processos de redistribuição da riqueza são muito rudimentares.

sexta-feira, novembro 28, 2008

Islão - Religião de paz

Terror. Os ataques coordenados dos terroristas islâmicos à capital económica e tecnológica da Índia causaram a morte a pelo menos 125 pessoas e deixaram mais de 300 feridos.

Questão de higiene

MADRID (Reuters) - O ex-ditador da Espanha Francisco Franco, que governou o país de 1939 até 1975, perdeu postumamente nesta quinta-feira o título de alcalde honorário da cidade em que nasceu.

Nota: Continuará Doutor pela Universidade de Coimbra?

Um caso de polícia

Nota: Não é tanto o facto de uma freira se poder comportar como alguns banqueiros que é preocupante. São apenas casos de polícia. O que devia preocupar-nos é o destino das heranças que revertem para instituições em que as pessoas passam os últimos dias e onde, fragilizadas, são compelidas a legar os bens.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Durão Barroso dos tempos do MRPP

O conteúdo mudou, mas a forma prolixa de comunicar continua a mesma.

Espanha – Recuperação da memória histórica


Antonio María Rouco Varela, cardeal de Madrid, presidente da Conferência Episcopal Espanhola (CEE) e pirómano político que açulou manifestações contra o Governo democrático, apela à reconciliação.

De que reconciliação fala o agitador que descia à rua a abanar a mitra e a brandir o báculo, à frente de manifestações do PP, sempre que eram votadas leis que chocavam os interesses clericais e afligiam os sectores mais conservadores?

O que pretende o velho franquista, que nunca teve um gesto de arrependimento perante os assassinatos de Franco, que ainda venera, e que só por recato se abstém de propor à elevação aos altares, acrescentando-o às centenas de beatos e santos com que dividiu os espanhóis, ajudado pelo Vaticano?

O cardeal do Opus Dei deseja evitar a «recuperação da memória histórica», isto é, a averiguação sobre centenas de mortos que jazem em valas comuns, tombados pela fúria assassina do franquismo com a cumplicidade da ICAR y la gracia de Dios.

Quem agora fala de «perdão e amor fraterno» é o bispo medieval com ódio à laicidade e alma de inquisidor. É o lobo, após o banquete, a apelar à reconciliação entre a alcateia e os cordeiros.
Rouco Varela é o exemplo da intolerância, avatar dos inquisidores que assaram hereges em nome da Contra-Reforma num país onde o espírito aberto da Reforma não entrou.

A violência e a vingança foram demasiado cruéis nos dois lados da guerra civil que dilacerou Espanha (1936/39). O clero católico foi vítima, primeiro, e, depois, algoz, mas hoje, enquanto uns cadáveres são elevados a santos e mártires, outros jazem no anonimato de valas comuns que Rouco Varela quer definitivamente esquecidas.

O pirómano veste a farda de bombeiro na presidência da CEE, reunida esta semana, e, face ao fracasso das manifestações, apela à amnésia por decreto para impedir a exumação do passado e a sepultura condigna dos vencidos.

A verdade é um direito de todos, para que não se repita a tragédia que dilacerou Espanha e horrorizou o mundo, para que nunca mais surjam Francos grotescos e cruéis a oprimir o povo e a assassinar os adversários.
Ponte Europa/Sorumbático

Mumbai

Os suspeitos do costume já reivindicaram a carnificina. As vítimas aproximam-se da centena e o número de reféns é indeterminado.

A crença no Paraíso é mais nefasta do que a superstição do Inferno. Os alienados de deus matam porque sim e morrem porque querem o Paraíso. A demência mística é o detonador do ódio e da violência.

Por todo o mundo jorra o sangue de inocentes, vítimas da fé assassina dos carrascos. Os empresários da fé dizem em público que são desvios, mas rejubilam em privado. A catequização com que as religiões ensinam os seus crentes a abominar o deus dos outros está na base dos crimes de inspiração religiosa que põem em risco a civilização e o progresso.

O Corão é um livro que a razão e um módico equilíbrio mental repudiam, mas é o ganha-pão dos pregadores que fanatizam, embrutecem e atemorizam os crentes, nas mesquitas, com homilias xenófobas, racistas e misóginas.

A laicidade já conseguiu moderar os ímpetos prosélitos judaicos e cristãos mas ainda não chegou aos antros do fascismo islâmico onde os crentes se ajoelham e rezam contra alguém.

Malditas crenças cuja irracionalidade semeiam o pavor e a tragédia. É preciso parar os deuses de hoje antes que os mitos sacrifiquem a humanidade. Como nos tempos antigos, os rituais do sacrifício humano continuam a fazer-se nos altares para que os deuses se apazigúem. Todos os deuses juntos não valem uma só vida humana.

MUMBAI. Mais um nome a fixar, mais um crime a julgar.

quarta-feira, novembro 26, 2008

União Europeia

Rep. Checa: Tribunal Constitucional aprova Tratado de Lisboa


Numa altura em que o tema provoca um braço de ferro entre Presidente e Primeiro-ministro, o Tribunal Constitucional da República Checa anunciou que o Tratado de Lisboa não colide com a lei fundamental, pelo que não qualquer motivo para que não possa ser ratificado pelas duas câmaras do Parlamento.

«O Tratado de Lisboa não contradiz a ordem constitucional», declarou o presidente do Tribunal Constitucional, Pavel Rychetsky, durante uma audiência pública organizada na cidade de Brno, citada pela Rádio Renascença.
Comentário: Apesar da forma enviesada, é boa notícia para os europeístas.

Espanha - Defesa da laicidade

Fonte: DN, hoje

EUA - Jurisprudência inovadora

O Vaticano terá que responder pelos abusos sexuais dos seus sacerdotes

Uma condenação, sem precedentes, condena os religiosos que cometeram ou encobriram estes casos.

Washington. (EFE).- Um tribunal federal autorizou o estado de Kentucky (EUA) a apresentar acções judiciais contra o Vaticano por negligência em casos de abusos sexuais cometidos por sacerdotes da Igreja Católica dos Estados Unidos, segundo fontes judiciais.

AUBRY - O AVISO INTELIGÍVEL

Por

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A fractura que se divisa, a olho nu, no seio do PSF é um bom motivo para nos debruçarmos sobre a crise europeia do socialismo e, sentir a imperiosa necessidade de promover um alargado e aberto debate ideológico, equacionar novas bases programáticas de defesa da cidadania, novos programas de governo à margem do liberalismo reinante, alternativas de desenvolvimento equilibrado (atenuando as assimetrias regionais), promover a evolução tecnológica centrada no bem estar humano, incentivar a redistribuição da riqueza, estratégias sociais de combate à exclusão e à pobreza, conceitos para uma nova era ecológica, etc.
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Um rol de questões que devem ser abordados com muita imaginação, sem os habituais dogmatismos, que ao longo de anos vêm inquinando a Esquerda.
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Excluir da vida pública um dos cancros do socialismo actual: a atracção pelo pragmatismo, que não sendo política, é um conjunto insípido de instrumentos de sobrevivência política, oco, vazio, adaptável a todas as situações – de Direita, do Centro da Esquerda – tanto faz.
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A urgência deste debate é tanto mais pertinente quanto será óbvio que a actual crise financeira trará obrigatoriamente mudanças de paradigmas políticos, económicos e financeiros.

Aznar e Bush

«El expresidente del Gobierno José María Aznar elogia el legado del mandatario estadounidense, George W. Bush, y su "gran contribución" a la causa de la libertad en un artículo del diario conservador francés Le Figaro bajo el título Lo que le debemos a George W. Bush».

O velho franquista a quem o cataclismo da invasão do Iraque arredou da presidência da Comissão Europeia e a mentira no 11 de Março, sobre a autoria do massacre de Atocha, provocou o desastre eleitoral que removeu o seu partido do Governo, continua convicto de que é detentor da verdade quando o mundo se engana.

A vocação mitómana do ex-governante ligado ao Opus Dei manifestou-se em relação às armas iraquianas, à imputação à ETA da tragédia terrorista de Atocha e mantém-se no panegírico ao desacreditado presidente americano que afastou os republicanos do poder.

Como pode Aznar, ungido num rancho do Texas para ser o arauto da criminosa invasão do Iraque, baseada em mentiras e consumada ao arrepio do direito internacional, elogiar o irresponsável que dizia ter sido aconselhado por Deus? Onde andou estes anos em que nenhum dos alegados objectivos de libertação e democracia se cumpriu e em que está cada vez mais perto a teocracia que já eliminou a presença cristã e judaica e fez emergir o Irão como potência regional?

Quais são as «ideias, princípios e valores» que vê no antigo governador do Texas que se distinguiu por ter assinado mais execuções do que qualquer outro governador em algum tempo ou em outro qualquer estado?

Que “legado de liberdade” deixa Bush, responsável pelas torturas praticadas nos campos de terror de Guantánamo e Abu Ghraib, insensível ao horror e ao desprezo pelos direitos humanos?

Aznar detém a mais alta condecoração dos EUA, à semelhança de Nelson Mandela ou de Winston Churchill mas, para isso, levou o seu Governo a dar mais de um milhão e meio de euros a um escritório americano de advogados para fazer lóbi, nos EUA – um investimento modesto e excelente, que transformou um papa-hóstias num governante.

Quem despreza a ética e a honradez é natural que acabe a tecer encómios a George W. Bush. Triste testemunho para história.

BPN e Conselho de Estado

Para quem lê jornais, torna-se claro que Dias Loureiro (na foto) não vai aguentar a pressão mediática e eventuais novas revelações, pelo que acabará por resignar ao lugar que ocupa.

O PR, cuja honestidade ninguém contesta, depois da primeira tomada de posição, escusava de ter garantido que confia 'plenamente' em Dias Loureiro.

terça-feira, novembro 25, 2008

França - PS confirma líder

A ex-ministra Martine Aubry, idealizadora da semana de trabalho de 35 horas na França, foi confirmada nesta terça-feira no comando do Partido Socialista francês (PS), ao término de uma batalha acirrada com a ex-candidata presidencial Ségolène Royal que deixou o principal partido da oposição enfraquecido e dividido.
(AFP)

De que foge Cavaco?

Uma interessante análise do jornalista Miguel Gaspar no Público.

Para mais tarde recordar

O Presidente da República, Cavaco Silva, garantiu hoje que confia 'plenamente' em Dias Loureiro.

À margem da cerimónia de inauguração da sede das Misericórdias Portuguesas, em Lisboa, Cavaco Silva disse que se reuniu ontem com o conselheiro de Estado e ex-ministro, para discutir o caso BPN, e que da conversa com Dias Loureiro ficou com a certeza de que 'não há razão para duvidar da sua palavra'.

'Acredito que não cometeu nenhuma ilegalidade', sublinhou Cavaco Silva.

Espanha laica (2)

O jornal do Vaticano, L’Osservatore Romano, chamou de “ódio anti-religioso” a decisão da justiça espanhola de mandar retirar os crucifixos de uma escola pública.

Em artigo publicado nesta segunda-feira, o autor, o escritor e jornalista espanhol Juan Manuel de Prada, colaborador regular de L’Osservatore Romano, estimou que “os crucifixos podem ofender apenas os que querem que o Estado se transforme em um novo Deus com um poder absoluto sobre as almas.

Ajudar os necessitados

BPP - Banco Privado Português

Momento de poesia


Estátua



Não sei se fechei as cortinas
da janela do teu quarto
quando nos medimos
a olhar um para o outro
as mãos estavam inquietas
e nervosas, à espera do teu sinal
e tu continuavas imóvel
como uma estátua
e nunca cheguei a saber
se eras mármore ou granito
à espera que esculpisse
o teu corpo em sobressalto

Alexandre de Castro

segunda-feira, novembro 24, 2008

Espanha laica

CONVITE

“COIMBRA VISTA DE FORA”


José Miguel Júdice vai estar na próxima quarta-feira (dia 26), pelas 18 horas, no salão nobre da ACIC (Associação Comercial e Industrial de Coimbra), como primeiro convidado de uma iniciativa do Conselho da Cidade que tem como designação genérica “Coimbra vista de fora”.

O Conselho da Cidade de Coimbra (CCC) pretende, com esta série de debates, dar a conhecer a opinião de diversas personalidades, de sectores de actividade variados e de reconhecido prestígio nacional, sobre as razões que estarão na origem de alguma perda de importância e de protagonismo de Coimbra.

Para que estes debates sejam mais vivos e melhor fundamentados, o CCC procurará que as personalidades convidadas tenham alguma relação com Coimbra, embora vivendo longe desta cidade, pois esse olhar de fora poderá permitir uma visão mais objectiva e mais abrangente no diagnóstico da situação em que Coimbra se encontra no todo nacional, do mesmo modo que proporcionará, eventualmente, a apresentação de sugestões para corrigir anomalias e apontar caminhos para melhor aproveitamento das potencialidades de Coimbra e da sua Região.

O debate será tanto mais rico quanto mais participado, pelo que o CCC apela a que na quarta-feira compareçam na ACIC todos quantos se preocupam com Coimbra, não só para ouvir mas também para, se assim o desejarem, manifestar a sua opinião.

Depois de ter promovido sessões com diversas entidades locais, em que foram analisadas as mais variadas questões relacionadas com Coimbra e o seu desenvolvimento, entende o CCC que chegou a vez de ouvir alguns notáveis que, estando fora de Coimbra mas a ela ligados, poderão partilhar com quem aqui vive e aqui toma decisões, a avaliação que fazem da cidade.

A sessão é aberta a todos os interessados. Agradecemos divulgação e participação.

Coimbra, 24 de Novembro de 2008

O Conselho da Cidade

Dias Loureiro e o BPN


Março de 2001. A revista "Exame", que na altura dirigia, dizia na capa que o Banco de Portugal tinha passado um cartão amarelo ao BPN. Dias depois recebi um telefonema de Pinto Balsemão. Assunto: Dias Loureiro tinha-lhe telefonado por causa do artigo e, na sequência dessa conversa, queria falar comigo. Acedi prontamente.
a) Camilo Lourenço in Jornal de Negócios

Ondas de choque do BPN

A continuidade de Dias Loureiro no Conselho de Estado depende das declarações que José Oliveira e Costa está a prestar ao juíz de instrução e da eventualidade de ser constituído arguido pelo Ministério Público (MP), apurou o Jornal de Notícias.

Comentário: Dias Loureiro não tem qualquer estatuto que lhe permita reivindicar uma audição pela Assembleia da República. Deve prescindir do estatuto de Conselheiro de Estado e ser ouvido no âmbito da Comissão de Inquérito da AR, para responder ao que lhe perguntarem e não para dizer o que pretende.

A fé é que os mata


A mesquita Al-Saleh, inaugurada este fim-de-semana no Iémen, custou quase 50 milhões de euros, informa a AP. O valor torna-se ainda mais chocante quando comparado com o nível de vida dos iemenitas, no país mais pobre do mundo árabe.

domingo, novembro 23, 2008

THOMAS JEFFERSON...há 200 anos

O PS no Distrito

O leitor tem agora a oportunidade de analisar o número de militantes do PS no Distrito de Coimbra.
Chamo a atenção para o (relativamente) reduzido número de militantes fora dos Concelhos de Coimbra e da Figueira da Foz.
Estes indicadores tornam ainda mais extraordinário o número de militantes do PSD em Oliveira do Hospital.
Parabéns ao PSD de Oliveira!

Oliveira do Hospital e o PSD

O PSD tem quase mil militantes activos no Concelho de Oliveira do Hospital!
Mais do que em Coimbra.

É admirável a força da democracia, na família popular, naquele simpático Concelho!
É ainda mais impressionante se compararmos com os números dos Concelhos vizinhos...
Há aqui um mistério que gostaria de esclarecer.


RESULTADO FINAL OFICIAL DAS ELEIÇÕES PARA A CPD DO PSD
PEDRO MACHADO: 1594 VOTOS
MARCELO NUNO: 1508 VOTOS

VOTAÇÃO DOS CANDIDATOS POR CONCELHO:
CONCELHO » PEDRO MACHADO » MARCELO NUNO
ARGANIL » 51 » 19
CANTANHEDE » 35 » 25
COIMBRA » 261 » 402
CONDEIXA » 14 » 94
F. DA FOZ » 313 » 165
GÓIS » 12 » 4
LOUSÃ » 30 » 28
MIRA » 47 » 23
MONTEMOR » 46 » 32
O. HOSPITAL » 462 » 461
PAMPILHOSA » 32 » 14
PENACOVA » 12 » 31
PENELA » 12 » 49
SOURE » 14 » 6
TÁBUA » 7 » 29
POIARES » 225 » 19
Eleitores inscritos: 5461
Eleitores votantes:3119

Ainda sobre a avaliação e desempenho

Uma vantagem da escrita em blogue é a de que podemos voltar aos temas quando já ninguém se interessa por eles ou quando parecem fora de moda.

Vem isto a propósito do célebre Memorando de Entendimento que José Sócrates trouxe de punho em riste ao Congresso da Federação de Coimbra, há já 15 dias.

O argumento político de Sócrates era o de que os Sindicatos rompiam acordos. Não estariam de boa-fé.

Com efeito, destacaria do acordo o seguinte ponto:

"2. No primeiro ciclo de aplicação do regime de avaliação de desempenho do pessoal docente, que será concluído no final do ano de 2009, abrangendo todos os docentes, serão reforçadas as garantias dos avaliados, nos seguintes termos: (...)"

Fico com a impressão que Sócrates teria alguma razão.

E depois de ver que os sindicalistas continuam indisponíveis para colaborar, mesmo depois de todas as correcções feitas pelo Governo ao modelo de avaliação de desempenho, fico ainda mais convencido de que há uma pura má vontade por parte dos dirigentes sindicais.

França - PS dividido ao meio


Ségolène Royal, favorita, arrecada 67 371 votos. Martine Aubry soma 67 413 votos. A diferença de 42 votos fez estalar a grande confusão. Os socialistas estão divididos como nunca.

A VERBORREIA DE D. CATALINA...

Por

E - Pá


Catalina Pestana prestou imensas horas de depoimentos no processo da Casa Pia.
Grande parte desses depoimentos são indirectos.
Isto é, resultam de conservas havidas com terceiros. O valor destes, é relativo se, posteriormente, não forem confirmados pelos citados.

A sua participação neste processo, foi em grande parte na qualidade de assistente do processo.
Logo, é parte interessada no mesmo. O que lhe confere menor peso em relação aos depoimentos prestados por testemunhas.

De qualquer maneira, o processo Casa Pia conta com demasiadas vítimas de pedofilia entre os alunos desta Instituição, para não chocar o País. Mas, em Portugal, não temos, por hábito, constituir em processos Procuradores Especiais.
Estatuto, aparentemente, almejado por Catalina Pestana.
Em Portugal, a Justiça, bem ou mal (muitas vezes mal), segue o seu curso, não sendo admissíveis excepções, nem pressões.
E, neste longo trânsito deste processo, já houve demasiadas!

O que podemos lamentar é toda a condução deste processo que, desde os primeiros momentos, foi intensamente politizada. Quer por políticos, quer pelos diversos tipos de investigadores intervenientes no longo processo, a começar no rocambolesco juiz de instrução…

De lamentar, também, a demora em haver um desfecho (uma sentença)., por sucessivas dilações dos múltiplos intervenientes, com especial responsabilidade pelos variados causídicos encarregues da defesa dos arguidos.
Quando chegar o dia do veredicto vai parecer que este se refere a algo que se viveu nas calendas gregas...

Entretanto, o caminho percorrido ficou pejado de cadáveres: crianças, educadores, políticos e responsáveis pela Instituição, como foi Catalina Pestana - mesmo antes da denúncia pública dos inqualificáveis factos…

Catalina Pestana prestou os depoimentos que achou necessários para o esclarecimento da verdade. Colaborou com o Tribunal.
Ela, própria, não deve esquecer que teve responsabilidades na direcção de alguns colégios da Casa Pia, antes de rebentar o escândalo.
De certo modo, ou em certa medida, foi negligente.

Quando é que tem a noção de que deve manter-se discreta e silenciosa, como aliás a maioria dos portugueses e fica a aguardar serenamente o trânsito em julgado?

A verborreia fácil e permanente e a sede de protagonismo já chateiam...

sábado, novembro 22, 2008

O Comandante não se embebedou

A inefável D. Catalina Pestana disse, em tempos, numa entrevista à televisão, que era muito amiga de Paulo Pedroso. A afirmação seria inócua se, dias antes, não tivesse dito à PJ – como se soube depois – que confiava nos depoimentos que o incriminavam.

Aceita-se que a piedosa senhora, amiga do peito e da missa, de Bagão Félix, nos longos anos de trabalho da Casa Pia nunca tivesse suspeitado de abusos de crianças. Vê-se que as almas pias, sempre com os olhos no Céu, são alheias à maldade do mundo.

Não importa, pois, que Paulo Pedroso, que viu a vida política destruída, não tenha sido sequer acusado e que o juiz que procedeu à prisão preventiva, discreto, com televisões atrás, em pleno Parlamento, tenha sido acusado, por isso, de erros grosseiros.

Em declarações de ontem ao Correio da Manhã, D. Catalina afirmou que «Nenhum juiz disse que Pedroso era inocente», o que é verdade. Também nenhum juiz afirmou que D. Catalina fosse uma mulher honrada.

Esta inocente suspeição que D. Catalina lançou, distraída a rezar alguma salve-rainha, trouxe-me à memória o relatório de bordo de um navio de passageiros em que o abstémio comandante, farto das bebedeiras do imediato, escreveu um dia: «Hoje o oficial (fulano) embebedou-se, afirmação que lhe destruiria a carreira.

No dia seguinte, o alcoólico imediato, na folga do comandante, escreveu no diário: «Hoje o Comandante não se embebedou». O que era verdade todos os dias.

Laranja amarga...

E a separação de poderes?

O Congresso dos Juízes começou, esta quinta-feira, na Póvoa de Varzim, com uma mensagem do Presidente da República, Cavaco Silva, que afirmou que os juízes devem ser respeitados e ouvidos pelo poder político antes de serem feitas alterações legislativas.

Pergunta: ... e os deputados devem ser respeitados e ouvidos pelo poder judicial antes de serem elaboradas as sentenças?

sexta-feira, novembro 21, 2008

IURD - Diploma assinado por Jesus Cristo

A Igreja Universal do Reino de Deus foi condenada a devolver ao fiel Edson Luiz de Melo todos os dízimos e doações feitas por ele. De acordo com o processo movido por sua mãe, Edson, que é portador de enfermidade mental permanente, passou a freqüentar a igreja em 1996 e desde então era induzido a participar de reuniões sempre precedidas e/ou sucedidas de contribuição financeira.

Subsídios para a análise da conjuntura

O ex-presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, esclareceu hoje que Joaquim Coimbra foi o elemento da sua Comissão Política Nacional que se demitiu, na sequência do processo relacionado com o inquérito à supervisão financeira da banca.

***

O empresário de Tondela, Joaquim Coimbra, ex-proprietário da Labesfal, prepara-se para fechar o negócio da venda das três principais empresas do Jaba, ao grupo italiano Recordati, dentro de uma semana.O grupo farmacêutico português esteve, assim, nas mãos do empresário menos de dois anos. Em Janeiro de 2005, Joaquim Coimbra fechou o acordo para a compra do laboratório, por 40 milhões de euros. Até ao próximo dia 15, o empresário deverá concluir o negócio com os italianos por mais de 55 milhões de euros.

Sombras no firmamento cavaquista


Em duas cartas,


Eduardo Catroga é o ex-ministro a que Luís Filipe Menezes se referia, quando, na quarta-feira à noite, disse na RTP-N ter recebido "críticas ameaçadoras" à sua vontade em avançar com um inquérito à supervisão bancária.

Ex-fiscal acusado de fraude

Pergunta: E os perdões fiscais do ex-membro do Governo não foram burla?

E se o pensa?

Fonte: Visão

quinta-feira, novembro 20, 2008

Só agora?

O antigo administrador do Banco Português de Negócios (BPN) e ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais de Cavaco Silva, José Oliveira e Costa, foi constituído arguido esta quinta-feira no âmbito da Operação Furacão, segundo a edição online do semanário Sol.

Sindicalismo


Noronha do Nascimento, presidente do Supremo Tribunal de Justiça, realçou que muitos dos bloqueios dos tribunais decorrem do acréscimo de acções de dívidas, alertando também para o perigo da responsabilidade individual dos juízes, na forma de acções judiciais por erros grosseiros.

Comentário: A vocação política de alguns juízes e a exótica vocação sindical trazem os Tribunais para a arena do combate partidário. Mau sinal.

Brasil - Laicidade em perigo


É grave e clamoroso o silêncio da imprensa em relação à assinatura do acordo entre o Executivo brasileiro e a Santa Sé. Como é grave a atitude de, ao dar a notícia, meramente divulgar informações oficiais do governo brasileiro ou do Vaticano, que obviamente tentam minimizar a ameaça à laicidade do Estado, que está presente.

quarta-feira, novembro 19, 2008

Sindicatos e eleições!

A Fenprof anuncia abandono das negociações. Estavam à espera de quê?!

A Fenprof convoca manifestações. Dá instruções aos conselhos executivos. Faz recomendações aos professores.
Já sabíamos que as Direcções Regionais de Educação e o respectivo Ministério não têm grande visibilidade.
Mas daí até ser um sindicato a orientar e conduzir a política educativa vai um grande passo.

Este sindicato está encantado com as luzes da ribalta.
Até já faz prognósticos sobre as eleições legislativas! Estou em crer que ainda se converte em partido político e vai a votos!
Só que nesse caso, muitos dos seus dirigentes de certeza tinham um processo disciplinar no seu partido, ou seriam "excomungados"...

Como cidadão e como pai, respeitador e empenhado no serviço público de educação, lamento profundamente que se tenha chegado a este ponto.

Muito se escreve sobre a Ministra e os seus secretários.
Mas é tempo de erguer a voz contra a prepotência, a falta de respeito e a desorientação sindical da Fenprof, designadamente dos seus dirigentes.

O Governo tem um programa. Não é inconstitucional, nem viola direitos fundamentais.
Tem erros? Acredito que sim.
Mas revela-se disponível para melhorar, modificar, atrasar a sua eficácia, etc. E do outro lado? O que ouvimos, sempre e sempre?

Não!
Recusamos!
Abandonamos!
Vamos para a rua!
Não damos notas!
Desobedecemos!

Basta!
Não chega ter alguma razão. É preciso saber exercê-la!

Português a todo o custo?

Luís Amado afirmou há alguns dias que o Governo apoiaria a candidatura de um português, mesmo que ele fosse da família política Popular.
Isto é tanto mais interessante quanto a família Socialista tem, em 2009, condições reais de ganhar as eleições para o Parlamento Europeu.
Será correcto o ponto de vista de Amado (e do Governo de que faz parte)?
Será essa a melhor forma de defender os interesses de Portugal?
Barroso claramente gosta do cargo que ocupa.
Nem se pode dizer que tenha sido muito mau Presidente da Comissão. Satisfaz os mínimos. Não desonra Portugal.

O problema é que o nosso Governo deveria ter ideologia. Deveria ser "socialista" e "europeísta". Ora, sendo assim, devemos dar relevo à nacionalidade dos candidatos a Presidente da Comissão? Ou isso deveria ser um assunto indiferente?

Aparentemente, a Europa ainda está agarrada aos Estados e às Nações. Ainda será cedo para colocar a família política acima dos vínculos de nacionalidade.

Acredito, porém, que o rumo da História vai no sentido contrário...

Portugal e um Governo do PS andariam melhor se defendessem estratégias diferentes. Ou seja: até poderiam defender a candidatura de Barroso por entenderem que ele tem desempenhado bem o seu papel. Mas apenas - ou sobretudo - por ser português, parece-me, sinceramente, muito saloio.

Gostaria de ter dito isto

"A Comissão Europeia não pode continuar com um presidente que muda de opinião conforme o vento" Daniel Cohn-Bendit

Venha a moção de censura! Ou pelo menos que não seja reconduzido a um segundo mandato!

No Name Boys

Esperemos que, se a justiça enteder que os crimes imputados foram efectivamente cometidos, que sejam accionados os mecanismos de responsabilização penal das pessoas colectivas (Art. 90º Código Penal), e que seja decretada a extinção do bando de malfeitores.

Artigo 90.º-F
Pena de dissolução
A pena de dissolução é decretada pelo tribunal quando a pessoa colectiva ou entidade equiparada tiver sido criada com a intenção exclusiva ou predominante de praticar os crimes indicados no n.º 2 do artigo 11.º ou quando a prática reiterada de tais crimes mostre que a pessoa colectiva ou entidade equiparada está a ser utilizada, exclusiva ou predominantemente, para esse efeito, por quem nela ocupe uma posição de liderança.

A gaffe de Manuela Ferreira Leite

A gaffe de Manuela Ferreira Leite, ao mencionar, em tom irónico, os eventuais méritos reformadores de uma suspensão temporária da democracia é muito grave.

Obviamente que não me parece que Manuela Ferreira Leite entenda implantar a ditadura em Portugal, pretenda dar um golpe de Estado, ou que simpatize com a ideia de uma ditadura ao estilo romano.

No entanto, a líder de um dos principais partidos políticos, que aspira ao papel de Primeira-Ministra, não se pode dar ao luxo de fazer chalaças de forma tão leviana com uma coisa tão séria como é a democracia. A democracia é uma coisa demasiado séria, e a última experiência de ditadura saneadora saldou-se em 48 anos de ditadura fascista. A gaffe é também um tiro no pé: muitas pessoas ficarão sempre na dúvida se a senhora não terá mesmo uma costela autoritária e se não simpatizará mesmo com a ideia...

Avaliação dos professores

É óbvio que nenhuma classe profissional deve deixar de ser avaliada. A avaliação dos professores é necessária de forma a garantir a qualidade do sistema de avaliação e a oferever incentivos para os professores competentes.

No entanto, a introdução do sistema de avaliação, como foi feita, dá razões de sobra para os professores se sentirem inquietos. Primeiro, a avaliação foi introduzida apressadamente. Pouca ou nenhuma consulta foi feita aos professores, aos quais o regime foi apresentado como um facto consumado, e para ser iniciada imediatamente. Ora qualquer pessoa minimamente sagaz compreende que uma reforma deste jaez necessita de reflexão, antecipação e uma introdução faseada, não podendo ser feita assim, a seco. Segundo, muitos dos critérios de avaliação são demasiado flexíveis e ambíguos. Terceiro, os professores sabem e receiam, mas o público em geral desconhece, as teias burocráticas das Direcções Regionais de Educação e das inspecções até agora existentes, principalmente compostas por professores que aí estiveram destacados a maior parte da sua carreira, geralmente graças a ligações partidárias (bastantes membros do PSD ou do PS), e a quem competirá muita da actividade de avaliação. Muitos professores receiam a partidarização das escolas, o compadrio e a arbitrariedade.

Para além disso, os professores estão justamente revoltados com a política de educação, que só impõe mais e mais obrigações aos professores, sem no entanto lhes proporcionar as condições mínimas para o exercício da sua profissão. Quase não lhes permite quaisquer meios para poder disciplinar os alunos, não lhes proporciona condições logísticas adequadas. Os professores sentem-se vitimizados pela sanha reformadora deste Governo, que é hábil em escolher alvos fáceis para a sua estratégia de confrontação (leia-se reforma), sendo que algumas (não todas) das ditas reformas se tenham revelado autênticos tigres de papel, com efeitos meramente propagandísticos.

Avaliação dos professores sim, mas reflectida, justa e faseada. Não a martelo, como a vem a introduzir o Governo.

Madeira - Claustrofobia democrática

VALE A PENA LER…. (...)

- PRESIDENTE (Miguel Mendonça): Muito obrigado, Sr. Deputado. Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado José Manuel Coelho.

- JOSÉ MANUEL COELHO (PND): Excelentíssimo Senhor Presidente da Assembleia, Excelentíssimas Senhoras e Senhores Deputados. Há 34 anos estava eu no Batalhão de Caçadores 5, em Lisboa, a tirar a especialidade de Transmissões de Infantaria e na noite de 24 para 25 de Abril, pela uma hora da madrugada, o corneteiro tocou na caserna os instrumentos de transmissões de infantaria. Estava a nascer o 25 de Abril. Estou a ver esse dia como se fosse hoje. Nós saímos ajudar as tropas operacionais do Batalhão de Caçadores 5 para a revolução do 25 de Abril que estava em marcha. Burburinho. Saímos para a rua, ocupámos o Parque Eduardo VII, prendemos a PSP, prendemos a GNR, prendemos os PIDES que a população indicava, que perseguiam a população portuguesa. Burburinho geral. Tive esse grande privilégio de assistir ao nascimento da democracia em Portugal. Agora, desta tribuna, eu queria perguntar aos Excelentíssimos Senhores Deputados Coito Pita e Tranquada Gomes onde é que eles estavam quando veio o 25 de Abril? Queria perguntar a Sua Excelência o Senhor Presidente da Assembleia, que toda a vez que eu vou lá falar com ele me diz "porte-se bem, porte-se bem, está continuamente a me dar lições de moral", eu queria perguntar ao Excelentíssimo Senhor Presidente da Assembleia onde é que ele estava quando se deu o 25 de Abril? Eu vim para a minha terra confiado que ia ser instaurada a verdadeira democracia nesta terra. Assistimos ao nascimento da autonomia, ao Parlamento autonómico, e eu pensava que tínhamos um Parlamento democrático, pensava que o Partido Social Democrata que era um partido democrático… Burburinho geral. …mas comecei por verificar que realmente não era bem assim. O Partido Social Democrata tinha alguns que eram verdadeiros sociais democratas, mas os chefes desse partido não eram sociais-democratas, os chefes desse partido eram reaccionários, eram fascistas, nomeadamente o seu chefe mor, o Dr. Alberto João Jardim. Protestos do PSD. Burburinho.

- PRESIDENTE (Miguel Mendonça): Srs. Deputados, eu pedia um pouco mais de silêncio.

- José Manuel Coelho: Em 1977, participei nas campanhas da APU e depois verifiquei que havia pessoas dentro do PSD, mandatadas pelo chefe, o chefe fascista, que recebiam ordens para me assassinar. Eu tive três presidentes de câmara do PSD que receberam ordens de Alberto João Jardim para tirar a minha vida, para me matar! Eu uma vez ia às sessões da câmara, no tempo do Paulo Jesus, e as sessões da câmara foram transferidas para a parte da tarde e veio um familiar do Roberto Almada, do Deputado Roberto Almada, falar comigo dizendo assim: "Coelho, você não vá às sessões da câmara na parte da tarde porque eles vão matá-lo, o João da Sorte vai vir e vai-lhe dar um tiro e você vai ser assassinado" e eu deixei de ir às sessões da câmara. Para comprovar aquilo que o familiar ali do meu camarada dizia, em 1980, estávamos numa campanha, pela APU, em Gaula, quando esse famigerado João da Sorte, acompanhado dos capangas do PSD, faz-me um raio para me assassinar. Eu consegui fugir. Eles deram seis tiros num camarada meu, da altura, esse camarada ainda está vivo, o camarada Manuel Teixeira, esse camarada levou seis tiros. Em recompensa por esse serviço prestado ao regime, esse senhor que deu os tiros, o João da Sorte, tem hoje uma rua com o seu nome, no Caniço. Isto não são brincadeiras, não são fait-divers, são verdades! Passou-se comigo.
Eu já tive três presidentes de câmara que tentaram me tirar a vida, mandatos pelo chefe fascista, o Alberto João Jardim. Eu actualmente quando vendo o Garajau muitas pessoas dizem-me: "olhe, tome cuidado que o Jaime Ramos pode matá-lo, pode mandar alguém assassiná-lo". Sem dúvida que nós não vivemos num regime democrático!
Nós vivemos num regime ditatorial que está disfarçado numa social-democracia, porque o Partido Social Democrata daqui da Madeira não é o mesmo Partido Social Democrata do Continente, é um partido que não respeita a democracia, é um partido que se puder, mata os democratas. Por isso, eu vim a esta Casa para ajudar o combate do Prof. João Carlos Gouveia, que é preciso derrubar o regime, deitar abaixo este regime facínora e reaccionário, porque o maior perigo que há para a democracia é o conformismo, é as pessoas se acomodarem, os democratas se acomodarem, porque as forças reaccionárias comandadas pelo líder fascista desta terra a pouco e pouco vão tirando as liberdades. Só no espaço dum ano e meio já reviram… vão rever… já reviram portanto o Regimento três vezes! Vão tirando as liberdades. A pouco e pouco os democratas vão cedendo, vão cedendo. Só que não se devem esquecer duma coisa: é que as grandes ditaduras da História evoluíram a partir das democracias parlamentares e foi a cedência dos democratas, o conformismo. Os democratas foram cedendo num ponto, foram cedendo noutro até que democracias parlamentares evoluíram para sanguinárias ditaduras. Temos um exemplo disso em Portugal, no Estado Novo, que também evoluiu duma democracia parlamentar e tornou-se uma ditadura sanguinária.
Eu lembro-me do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, quando ele dizia, falando sobre o conformismo que se apoderava dos democratas: "a indiferença é o maior perigo, o maior inimigo da democracia" – dizia Bertolt Brecht, em 1933… Burburinho. …que… vieram ter junto dum democrata e disseram: "olha, estão prendendo os comunistas". Eu não me importei, porque eu não era comunista! Depois disseram-me: "oh! estão prendendo os sindicalistas" e eu também não me importei porque não era sindicalista. Depois "estão prendendo os sacerdotes, os padres", eu também não me importei porque não era padre, mas depois, tempos depois "ah! mas já estão a prender-me, já estão a levar-me" e não havia já nada a fazer, meus amigos!
Portanto, nós temos aqui um Regimento que é atentatório das liberdades democráticas do 25 de Abril, da autonomia, dos ideais de Abril e já é tempo dos democratas desta terra dizerem "basta!", pôr um travão a esta situação.
Não é suficiente ir a Tribunal Constitucional. Está nas nossas mãos hoje, aqui e agora, os democratas, os partidos da oposição desta Casa travar esta ofensiva reaccionária e antidemocrática deste regime jardinista. Basta apoiarem a iniciativa do meu partido, abandonarem este Parlamento, deixarem os parlamentares do PSD falar sozinhos, no seu regime antidemocrático, abandonarem! Não é preciso ir para o Tribunal Constitucional! Nós hoje, se quisermos, podemos fazer o 25 de Abril nesta terra! Podemos boicotar este Parlamento! Podemos sair, abandonar esta Assembleia e fazer trabalho político lá fora. Burburinho.
Escusa de a gente estar aqui a legitimar esta gente, esta gente que atenta constantemente contra a democracia, contra os direitos de Abril, meus amigos. Os partidos da oposição têm uma palavra a dizer, porque se não tomarem uma atitude firme contra esta gente reaccionária vai acontecer aquilo que aconteceu ao Bertolt Brecht… aquilo que dizia o Bertolt Brecht: a democracia, quando verificarem, já não têm democracia. Nós actualmente já não temos liberdade de expressão… Protestos do PSD.
Antigamente, um deputado nesta Casa… Burburinho na bancada do PSD. …não era julgado por delito de opinião, agora já é! Protestos do PSD. Temos um deputado nesta Casa, um grande camarada, um grande lutador que é o Paulo Martins que está a ser julgado nos tribunais por um juiz fascista e vai ser condenado por esse juiz fascista, meus amigos! Não tenham dúvidas! Burburinho.
Hoje, é o Paulo Martins! Ontem foi o Leonel Nunes que foi condenado por outro juiz fascista. Amanhã será qualquer um de vós. Meus amigos, é preciso combater esta gente reaccionária, esta gente que é contra Abril, esta gente que é contra a autonomia, esta gente quer a ditadura, quer tirar duma vez as liberdades, as poucas liberdades que nós temos neste Parlamento, porque estes senhores do PPD/PSD eles não são sociais democratas, estão travestidos, estão camuflados de sociais democratas, mas eles ao fim ao cabo são da extrema-direita, são fascistas, são pessoas viradas para o 24 de Abril! Burburinho na bancada do PSD.
Lembrem-se que esta Casa nunca teve a honestidade de celebrar o 25 de Abril. Sempre odiaram o 25 de Abril. Nunca nesta Casa foi celebrado o 25 de Abril, por ordem do chefe fascista supremo que manda nesta terra, que nunca se converteu à democracia. Eu acho que é altura dos democratas dos partidos da oposição perderem a sua passividade e tomarem uma atitude firme. E essa atitude firme, na nossa opinião, não será ir ao Tribunal Constitucional, é fazer o 25 de Abril aqui mesmo, abandonar esta Assembleia, fazer o trabalho político lá fora, deixar eles a falar sozinhos para mostrar ao País inteiro o sistema antidemocrático que se vive aqui nesta Madeira, porque é preciso ver o verdadeiro regime. O verdadeiro regime que governa esta terra não é o regime democrático, é o regime nazi fascista do populista Alberto João Jardim. Protestos do PSD. Burburinho geral.
Portanto o regime deles, meus amigos, é este! (Neste momento, o deputado desfralda uma bandeira nazi.) O regime desses amigos, destes amigos do Partido Social Democrata é este…

- PRESIDENTE (Miguel Mendonça): Sr. Deputado… Protestos do PSD. José Manuel Coelho (PND): É este regime, é o regime do nazi fascismo do Hitler… Protestos do PSD.

PRESIDENTE (Miguel Mendonça): Sr. Deputado, faz favor…

- José Manuel Coelho (PND): São eles, são atiradores deste regime… Protestos do PSD.

- PRESIDENTE (Miguel Mendonça): Faz favor de retirar a bandeira…

- José Manuel Coelho (PND):…eu trouxe esta bandeira para oferecer ao líder do PSD, o Jaime Ramos…

- PRESIDENTE (Miguel Mendonça): Estão suspensos os trabalhos.

- José Manuel Coelho (PND): …esta bandeira é para oferecer a ele! Esta bandeira é para oferecer a este covarde, este traidor da Madeira, este fascista…

- PRESIDENTE (Miguel Mendonça) Eu pedia uma reunião de líderes desde já (...)"

Não deixam de nos surpreender

Dias Loureiro participou pelo Grupo BPN na compra de empresas que foi ocultada das autoridades - afirma o «Público».

Comentário: Basta a presença de Alberto João Jardim (por razões constitucionais) no Conselho de Estado. É preciso preservar a imagem do PR até ao fim do mandato. E Dias Loureiro foi uma escolha pessoal, tal como a de Manuela Ferreira Leite cujas declarações comprometem o que se espera de um conselheiro de Estado embora com funções suspensas.

terça-feira, novembro 18, 2008

Extraordinário!!!!

Ferreira Leite pergunta se "não seria bom haver seis meses sem democracia" para pôr "tudo na ordem" 18.11.2008 - 17h20 Lusa

http://ultimahora.publico.clix.pt/

Sem Palavras.

Atribulações de um defunto (2)

Atribulações de um defunto (1)

Azedume de Graça Moura e vitória de Obama

Vasco Graça Moura (VGM) não é apenas o poeta de grande sensibilidade, o escritor de enorme craveira e tradutor de raro mérito. É também, desde que foi ajudante de ministro de Cavaco Silva, um almocreve do cavaquismo e trauliteiro ao serviço do PSD.

Não dispenso os artigos de opinião no Diário de Notícias nem a torrente de adjectivos com que zurze os adversários do presidente do PSD, seja ele qual for. Um dos últimos adjectivos que dirigiu aos adversários políticos era menos rebarbativo e mais eufónico que o habitual – ranhosos.

VGM é divertido na ofensa, impoluto na gramática e trauliteiro na política. Não espanta o enlevo com que defende Manuela Ferreira Leite, a ex-ministra das Finanças cuja troca por Bagão Félix, fez dela uma governante competente. O que surpreende é o acrisolado amor a Bush, a Barroso e a Aznar e o rancor que vota a quem não os apoiar.

Vale sempre a pena ler VGM, não pelas ideias mas pela forma, não pela razão mas pela convicção que põe na defesa do eixo do bem e a fé que o acompanha nas profecias.

Fui reler este artigo do DN, de 17 de Setembro, em que já notava a mudança favorável dos juízos em relação ao seu admirado Bush e à justiça das suas decisões. Os encómios à política económica eram arrasadores e afirmava peremptório que «o argumento de que a maioria dos europeus prefere Obama a McCain não tem qualquer peso eleitoral, só mostra a parvoíce dos europeus e como acaba por ser eficaz a diabolização que a esquerda se encarrega de promover desde que se trate dos Estados Unidos e dos republicanos, enquanto se vai babando, extasiada, de socialismo prospectivo».

VGM é um perdedor. Além de perder um presidente do PSD por ano, acaba de perder a eleição de McCain. E a fé que punha no candidato republicano, quase tão avassaladora como a terna empatia que o ligava a Bush, há dois mandatos?!

Logo ele, que tinha vaticinado: «Enfim, afigura-se que McCain vai ganhar. Felizmente».

Momento de poesia


Dissertação sobre o teorema de Pitágoras


Todas as esquadrias que desenhes
no teu corpo
não resolvem nenhum dos teoremas
enquanto não sentires o crepitar do fogo
e o tumulto do teu sangue
a arder nas veias
as multidões não cabem em nenhum
número inteiro
nem nunca conseguirás contar
os grãos de areia do deserto
talvez tenhas de encontrar a palavra exacta
para a pronunciares ao adormecer
ou então inventar uma nova geometria
para procurares tudo aquilo que te falta…

Alexandre de Castro

segunda-feira, novembro 17, 2008

Ponte Europa solidariza-se com o SJ

SJ CONDENA AGRESSÃO A JORNALISTA DA RTP

Um repórter de imagem ao serviço da RTP foi agredido hoje, 17 de Novembro, junto do DIAP de Lisboa. Em comunicado, o Sindicato dos Jornalistas (SJ) condena a agressão e insta as autoridades a garantir a segurança dos profissionais dos média.

Leia mais em:

http://www.jornalistas.eu/noticia.asp?id=6968&idCanal=567

E se Obama fosse africano?

A luta dos professores

Fonte: DN, hoje

Não se podem confundir os legítimos direitos sindicais (greves, manifestações e outros) com actos ilegítimos ou insurreição.

E se o Governo suspender os vencimentos?

EUA - Fim da ignomínia

WASHINGTON (AFP) — O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu no domingo à noite a retirada das tropas do Iraque, o fim da Al-Qaeda no Afeganistão e o encerramento do centro de detenção de Guantánamo, em uma ruptura com a política externa de George W. Bush.

Comentário: O respeito dos direitos humanos está de volta. Parabéns, Obama.

Madeira - Será do clima?

A Direcção Regional do Sindicato dos Jornalistas da Madeira vai remeter uma exposição ao Procurador-Geral da República para a Madeira sobre as declarações do presidente do Nacional, que fez um "incitamento à violência contra os jornalistas".

Comentário: A irresponsabilidade é contagiosa.

domingo, novembro 16, 2008

Entrevista a Manuel Alegre


Uma extensa entrevista ao Diário de Notícias e à T S F.

O ainda deputado do PS, Manuel Alegre, criticou a actuação de Cavaco Silva em relação aos recentes episódios na Assembleia Legislativa da Madeira e defendeu que Cavaco deveria ter enviado uma mensagem à ALM.

Afinal Pacheco Pereira não foi original...

… quando virou as setas do PSD para o rodapé do seu blog, ou para o fundo do poço. Segundo fontes medianamente informadas, o cronista inspirou-se nesta primeira página do EXPRESSO, de 10 de Agosto de 1996.O seu a seu dono!

a) DMA

A dignidade de Manuel Alegre

Em entrevista, hoje, à TSF e ao DN, Manuel Alegre demonstrou, mais uma vez, a grande dignidade que o caracteriza.

Deixou claro que dificilmente teria condições para ser candidato a deputado pelo Partido Socialista, em 2009.

Mas não deixa de ser confrangedor que este arquitecto do sistema democrático em que vivemos, que foi honrado com uma votação de mais de 20% em 2006, nas presidenciais, tenha que ser confrontado com questões como as de saber se: "está mais próximo de Sócrates ou de Louçã".

Sim: De Louçã! Esse simpático político e ilustre Professor de Economia que mal chegou aos 5% de votos, no mesmo dia e na mesma eleição!

Claro que Alegre se mostrou incomodado com tal pergunta.
Como é possível que possa ele, o deputado Manuel Alegre, estar "mais próximo", isto é, rever-se, ou seja, estar na sombra de um Louçã, que mal passou dos 5% dos votos?
Ou do Secretário-geral do seu Partido com quem travou, aliás, uma batalha, em 2004, que fortaleceu e deu "traquejo" ao mesmo Sócrates?

Será que os experientes jornalistas vivem no mesmo mundo político que Alegre?

Ou será que os tais milhão e trezentos mil votos já não são um capital político? Ou deixaram de ser?

Uma coisa é certa, e Alegre disse-o com clareza:
Este PCP, tal como em 75, ainda não pode ser um parceiro político credível.

E este Bloco de Esquerda continua demasiado extremista. Não nos esqueçamos que o BE, por exemplo, apregoa o abandono da NATO e rejeita o Tratado de Lisboa.
Parece, pois, estar muito longe do diálogo com o PS.

Por isso, Manuel Alegre continua e a ser militante do seu Partido de sempre, o PS. Mas, aparentemente, já sem disponibilidade para se candidatar à Assembleia da República.

Veremos...

PGR e Santana. Em que ficamos?

Processo investiga corrupção e tráfico de influênciasFoi um Pedro Santana Lopes radiante que, a meio da tarde de ontem, afirmou ao Expresso: "O senhor Procurador garantiu-me que o processo em causa não me envolve".

Após esta declaração, a Procuradoria-geral da República, que tinha recusado comentar a audiência entre Santana Lopes e Pinto Monteiro, revelou outra versão da conversa entre ambos.

Fonte: DN....

sábado, novembro 15, 2008

Avanço contra a laicidade

Fonte: DN, ontem.

PCP - Voz discordante


Lopes Guerreiro não vai ao XVIII Congresso do PCP, por considerar "não existirem quaisquer condições para discutir opiniões diferentes das da direcção".

Itália - Reconhecido o direito a morrer

Roma, 14 nov (EFE).- A decisão do Tribunal Supremo de autorizar a supressão da alimentação a Eluana Englaro, uma mulher de 37 anos que se encontra em estado vegetativo há 17, aprofunda a divisão sobre a eutanásia na sociedade italiana que, em muitos setores, exige uma legislação ao respeito. (Leia mais...)

Comentário: A compaixão venceu o preconceito.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Momento de poesia e luto

Poema para a Lídia… (*)


Nascer e morrer
são coisas de todos os dias
de uma banalidade
assustadora
e que escapa a todos os calendários
e às anotações nas agendas
mas eu já sei que vais morrer
e os olhos já me dóiem de cansaço…

Alexandre de Castro - Lisboa, 9 de Novembro de 2008

(*) A Lídia morreu hoje, 14 de Novembro, aos 48 anos de idade.

Humor negro de Aznar

«El expresidente del Gobierno José María Aznar elogia el legado del mandatario estadounidense, George W. Bush, y su "gran contribución" a la causa de la libertad en un artículo que hoy publica el diario conservador francés Le Figaro bajo el título Lo que le debemos a George W. Bush».

Comentário: Aznar e Bush ficarão para a História como referências éticas e heróis da luta pela liberdade, dois independentes de direita, a meio caminho entre Hitler e Pinochet.

Itália - Controvérsia habitual


Estalou uma nova polémica, em Itália, após a exposição dos primeiros cartazes publicitários que mostram uma mulher nua sobre a cama, em posição de crucificação, e sobre a qual se lê: «Quem paga pelos pecados do homem».

Trata-se da campanha publicitária da associação «Telefono Donna»» que, desde 1962 luta contra a violência doméstica e é apoiada pelo município de Milão para levar a cabo actividades de apoio às mulheres.

Vocação pia ou censória?

Coerência eclesiástica

Um padre católico disse aos seus paroquianos que se devem abster da comunhão caso tenham votado Barack Obama, uma vez que o Presidente eleito dos Estados Unidos defende o aborto.

Numa carta distribuída aos paroquianos da igreja de Maria, em Greenville, Carolina do Sul, o padre Jay Scorr Newman diz que estão a "pôr as suas almas em risco", se comungarem antes de fazerem penitência pelo seu voto.

Avaliação de Desempenho de Professores

Neste documento podemos ter acesso ao ponto de vista do Ministério da Educação.


PERGUNTAS FREQUENTES SOBRE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DE PROFESSORES

P: Porque é importante avaliar os professores?
R: A avaliação do desempenho docente é fundamental para o desenvolvimento profissional dos professores e, desse modo, para a melhoria dos resultados escolares, da qualidade do ensino e da aprendizagem e para o reforço da confiança das famílias na qualidade da escola pública. A avaliação de desempenho inscreve-se num conjunto de medidas de valorização da escola pública, como a introdução do inglês no 1º ciclo, a escola a tempo inteiro ou as aulas de substituição. Permite ainda reconhecer o mérito dos melhores professores, servindo de exemplo e de incentivo para a melhoria global do exercício da função docente em cada escola.

P: Como era o anterior sistema de avaliação?
R: O anterior processo de avaliação era constituído por um relatório de auto-avaliação e reflexão crítica entregue pelos professores aos órgãos de gestão da escola, apenas quando estavam em condições de progredir na carreira. A quase totalidade dos professores era classificada com Satisfaz. Para ter uma nota superior, era necessário que o docente requeresse a apreciação desse relatório por uma comissão de avaliação. De qualquer forma, essa classificação não tinha nenhum efeito, uma vez que todos os professores mesmo os que não faziam estes relatórios ou não davam aulas progrediam na carreira em igualdade de circunstâncias.

P: As propostas dos sindicatos distinguem-se do modelo anterior?
R: Só em 14 de Outubro de 2008 a FENPROF apresentou uma proposta que reproduz, em grande medida o modelo de avaliação anterior, atendendo a que é defendido que do processo de avaliação não sejam retiradas quaisquer consequências para a progressão na carreira. Por outro lado, neste modelo não está garantida a diferenciação, uma vez que não são definidas percentagens máximas para as classificações mais elevadas.





P: Quem avalia os professores no actual modelo?
R:. O desempenho dos professores é avaliado em duas vertentes distintas: a organizacional (cumprimento dos objectivos individuais, assiduidade, participação na vida da escola, entre outros) e a científico-pedagógica.
A avaliação da componente organizacional, de natureza hieráquico-funcional, é da responsabilidade da direcção executiva da escola; a dimensão cientifico-pedagógica é avaliada por professores coordenadores de departamento curricular (ou outros professores titulares em quem tenha sido delegada a competência de avaliação).

P: Porque é que é importante avaliar duas dimensões distintas?
R: A característica bi-dimensional da avaliação dos professores decorre da especificidade deste grupo profissional e é única forma de respeitar a sua complexidade. Com efeito, a vertente científico-pedagógica do desempenho docente, de grande exigência, aconselha a que a avaliação não seja efectuada apenas com base em registos administrativos, mas que se baseie na observação directa da relação pedagógica professor/aluno. É desta exigência que decorre a necessidade de a avaliação ser assegurada por um professor com maior grau de senioridade.
Ao contrário do que sucede com o pessoal não docente das escolas, cuja avaliação é apenas assegurada pelo órgão de gestão, é importante que, no caso dos professores, a avaliação respeite a sua especificidade e nível de qualificação.

P: Os professores avaliam-se entre si?
R: Esta avaliação de desempenho é feita no interior da cada escola, assumindo o órgão executivo e os professores coordenadores de departamento as funções de avaliador. Não se trata, pois, de pares que se avaliam uns aos outros, mas de professores mais experientes, investidos de um estatuto específico, que lhes foi conferido pelo exercício de um poder hierárquico ou pela nomeação na categoria de professor titular.






P: E qual a alternativa a um modelo centrado na escola?
R: A alternativa a uma avaliação interna à escola, como esta, é a um modelo de cariz externo, que, por ser realizada por uma entidade exterior ao espaço da escola, mais dificilmente respeita as especificidades do processo educativo e da carreira docente, por um lado, e da realidade de cada escola concreta, por outro. Em respeito pela autonomia das escolas, são estas que definem os objectivos individuais dos professores, os calendários da avaliação, os instrumentos de observação, e são elas que procedem efectivamente à avaliação. É, de resto, um procedimento normal serem as organizações a avaliar os seus próprios recursos humanos.

P: O que se avalia no desempenho dos docentes?
R: A avaliação incide sobre duas dimensões do trabalho docente: (1) a avaliação centrada na qualidade científico-pedagógica do docente, realizada pelo coordenador do departamento curricular com base nas competências); (2) e um momento de avaliação, realizado pela direcção executiva, que avalia o cumprimento do serviço lectivo e não lectivo (assiduidade), a participação do docente na vida da escola (por exemplo, o exercício de cargos/funções pedagógicas), o progresso dos resultados escolares dos alunos e o contributo para a redução do abandono escolar, a formação contínua, a relação com a comunidade (em particular com os pais e os encarregados de educação), entre outros.
Cada uma das duas componentes, a avaliada pela direcção executiva e a avaliada pelo coordenador de departamento, vale 50% no resultado final da avaliação.

P: Como se processa a avaliação?
R: O ciclo de avaliação inicia-se com a definição de objectivos individuais. No decurso dos dois anos que integram o ciclo de avaliação, é efectuada a observação de aulas e assegurada a recolha e sistematização de documentação. No final do ciclo, os avaliados efectuam a auto-avaliação, os avaliadores preenchem as fichas de avaliação, realiza-se a entrevista individual de avaliação, e termina com a reunião dos avaliadores para atribuição da classificação final.





P: A avaliação de desempenho exige um volume de trabalho diferente para avaliados e avaliadores. É um processo muito pesado para os professores avaliados?
R: Não. Um professor avaliado intervém no processo em dois momentos distintos: na definição dos seus objectivos individuais e na auto-avaliação.
A definição dos objectivos, que inicia o processo de avaliação, decorre de acordo com as orientações definidas, com autonomia, por cada escola. É em função destes objectivos individuais que cada professor avaliado preenche, no fim do ciclo avaliativo, a sua ficha de auto-avaliação, com base num portefólio constituído ao longo do período em avaliação.
Importa aqui referir que o número de professores avaliados é de cerca de 100 000, ou seja, 70% do total de professores.

P: E no caso dos professores avaliadores?
R: Os professores avaliadores têm um volume de trabalho maior. A direcção executiva tem que validar os objectivos individuais e assegurar o preenchimento de uma ficha de avaliação por cada professor avaliado; e o avaliador das áreas curriculares tem de garantir, para cada avaliado, a observação de aulas e preencher a respectiva ficha de avaliação científico-pedagógica.
É por este motivo que estão definidas condições especiais de horário para os professores avaliadores, designadamente, a redução de horas lectivas, bem como a atribuição às escolas de um volume de horas para serem geridas de acordo com as necessidades decorrentes do processo de avaliação.

P: É difícil para os professores constituir o seu portefólio?
R: Não, uma vez que a construção do portefólio apenas exige que o professor reúna elementos decorrentes do exercício da sua profissão. Aliás, no modelo anterior, todos os professores já tinham que organizar um portefólio para poderem ser avaliados, constituindo este o único instrumento de avaliação.

P: É possível desburocratizar o processo?
R: O modelo de avaliação de desempenho definido não é burocrático. As escolas têm liberdade de elaborar os instrumentos de registo de informação e indicadores de medida que considerem relevantes para a avaliação do desempenho, devendo estes ser simples e claros.
Nos casos em que tenham sido definidos procedimentos e instrumentos demasiado complexos é aconselhável que as escolas garantam a sua simplificação, estando o Ministério da Educação a apoiar este trabalho junto de todas as escolas

P: Quem define os objectivos?
R: O professor avaliado propõe os objectivos individuais, que devem corresponder ao seu contributo para o cumprimento dos objectivos do projecto educativo e do plano de actividades da escola. É o facto de os objectivos individuais serem definidos entre o avaliador e o avaliado no quadro da autonomia da escola que garante que a avaliação de desempenho se articula com o projecto educativo da escola e assim contribui para uma melhoria do serviço público prestado.

P: Que objectivos são considerados?
R: Os objectivos individuais são formulados com base em dimensões essenciais da actividade docente: a melhoria dos resultados escolares dos alunos; a redução do abandono escolar; o apoio prestado à aprendizagem dos alunos, incluindo aqueles com dificuldades de aprendizagem; a participação na vida da escola; a relação com a comunidade; a formação contínua realizada; e a participação e a dinamização de projectos e actividades curriculares e extracurriculares.

P: Como pode um professor avaliar um outro que não seja da mesma disciplina?
R: Os departamentos curriculares integram efectivamente professores de diferentes disciplinas. Por isso, o coordenador do departamento pode delegar a avaliação cientifico-pedagógica num professor titular da mesma área disciplinar do professor a avaliar. Graças a este procedimento, muitas escolas já dispõe de uma rede de avaliadores adequada ao número e especialidade dos professores em avaliação.

P: E quando não existem professores titulares de uma determinada disciplina?
R: Quando na escola não exista nenhum professor titular numa determinada área disciplinar (facto que ocorrerá excepcionalmente) poderá ser nomeado em comissão de serviço um professor dessa mesma área, para desempenhar transitoriamente as funções.
É no entanto necessário relembrar que o objectivo desta componente da avaliação respeita essencialmente às competências pedagógicas transversais ao respectivo grupo curricular.




P: Porque é que os resultados escolares dos alunos são tidos em conta na avaliação dos professores?
R: Porque é importante reconhecer o mérito dos professores que, em resultado do seu trabalho com os alunos, mais contribuem para a melhoria dos resultados escolares e da qualidade das aprendizagens no contexto particular da sua escola.
Qualquer avaliação, para o ser verdadeiramente, deve englobar a actividade, o esforço, o trabalho e, necessariamente, os resultados. Por isso, impensável seria que a avaliação dos professores dissesse respeito apenas ao processo de ensino, sem qualquer referência aos resultados.

P: O que se entende por melhoria dos resultados escolares?
R: Considera-se existir melhoria dos resultados escolares quando os resultados que os alunos apresentam no final de um determinado ano lectivo indiciam que houve uma evolução relativamente a um ponto de partida, o qual, conforme decisão da escola e especificidade da situação (ano de escolaridade, disciplina, ou outra), pode ser o ano lectivo anterior ou o início do próprio ano lectivo (avaliação diagnóstica).

P: Para além da melhoria dos resultados escolares, o contributo para a redução do abandono escolar também é considerado na avaliação do desempenho docente. Como entender este conceito?
R: O item “redução do abandono escolar” pretende avaliar a capacidade evidenciada pelos docentes de atrair e conquistar para a escola alunos em risco de abandono ou que tenham saído do sistema; essa capacidade pode traduzir-se na participação em projectos específicos, conduzidos por equipas de professores ou no desenvolvimento de outras iniciativas, devendo por isso ser valorizado todo o esforço individual ou colectivo que contribua para essa redução, como é o caso dos cursos CEF, que hoje abrangem mais de 30 000 alunos por ano, em resultado do trabalho dos professores.

P: Porque existem quotas? Qual a necessidade de definir percentagens máximas para a atribuição de Muito Bom e Excelente?
R: A experiência mostra que a inexistência de quotas na avaliação de desempenho resulta numa menor capacidade de reconhecer e diferenciar o mérito no interior de uma organização. A existência de quotas significa também um critério de exigência e um padrão de avaliação. Em nenhuma organização todos são excelentes. Se assim for, é porque o padrão de excelência é incorrecto, isto é, está errada a própria definição do que é excelente.

P: Os professores serão prejudicados pelas classificações atribuídas na avaliação de desempenho?
R: Todos aqueles que obtiverem a classificação de Bom (para a qual não existe quotas) podem progredir na carreira. É de relevar ainda que ficou definido no memorando de entendimento assinado entre o Ministério e a plataforma sindical que a produção dos efeitos negativos da atribuição das classificações Regular ou Insuficiente ficasse condicionada ao resultado de uma avaliação a realizar no ciclo avaliativo seguinte. Ou seja, uma classificação negativa só terá consequências na carreira se confirmada.

P: É verdade que o Ministério da Educação não negociou o modelo de avaliação com os professores?
R: Não é verdade que não tenha havido negociação. O Estatuto da Carreira Docente, que define este sistema de avaliação, esteve em negociação desde 2006, e especificamente as regras da avaliação estiveram sujeitas a mais de 100 reuniões de negociação durante o ano de 2007. Acresce que em Abril de 2008 foi assinado um memorando de entendimento entre o governo e a plataforma das associações sindicais estabelecendo as condições de aplicação do modelo de avaliação nos primeiros dois anos de aplicação.

P: O que foi acordado no memorando de entendimento?
R: O Governo e os sindicatos acordaram, para o primeiro ciclo de avaliação, designadamente no seguinte: suspender os efeitos negativos da avaliação; aumentar o apoio a todas as escolas na concretização da avaliação; e reforçar a participação das associações sindicais no acompanhamento da implementação, em particular através da criação de uma comissão paritária.
Ficou ainda definido no memorando que durante os meses de Junho e Julho de 2009 teria lugar um processo negocial com as organizações sindicais com vista à introdução de eventuais modificações ou alterações resultantes da avaliação do modelo, dos elementos obtidos no acompanhamento, e da monitorização do primeiro ciclo de aplicação.

P: Porque é que não se pode suspender a avaliação docente?
R: Suspender agora a avaliação dos docentes significa ignorar os direitos de milhares de professores já avaliados em 2007 e daqueles que querem ser distinguidos; significa ainda abdicar de uma reforma essencial à melhoria da escola pública, que dificilmente poderá ser retomada, a curto e médio prazo.

A Baixa e Coimbra

Muito se tem escrito sobre a Baixa de Lisboa. Sobre a requalificação urbana e os investimentos na nossa Capital.

Poucos, porém, se preocupam com Coimbra, com a sua Baixa e com o próprio conceito de cidade.

A Baixa deveria ser uma prioridade das políticas locais.
É necessário dinamizar a reconstrução urbana, trazer habitantes, serviços e centros de lazer para o coração da cidade. Só assim se fará uma boa ligação ao Rio Mondego, se criam as condições para uma vida com mais qualidade em Coimbra e se torna a cidade mais atractiva para os turistas.

Há tantos prédios a pedir obras, tantos estudantes, casais jovens e idosos que gostariam de viver, com boas condições, na nossa Baixa.

Esta deveria ser uma prioridade para Coimbra.

Esperemos que não se caia, mais uma vez, no engodo dos Fóruns e outras aventuras.

Propomos que se dinamizem os procedimentos administrativos e se concedam benefícios fiscais a quem investe na Baixa.

Madeira - Claustrofobia democrática

Oração de Sapiência


*
Oração de sapiência proferida por ocasião da Abertura Solene das aulas no Instituto Superior Miguel Torga.
Coimbra, 12.11.2008
DINIS MANUEL ALVES

quinta-feira, novembro 13, 2008

Pare, escute e olhe...

Se os empregados do Estado parassem para pensar que as reivindicações, muitas vezes justas, não são apenas a forma legítima de pressão sobre o Governo de turno mas uma acrescida exigência aos contribuintes, talvez os juízes desistissem dos 750 euros de subsídio de renda de casa e, quiçá, alguns professores renunciassem ao 10.º escalão enquanto outros, com as mesmas habilitações e não menos desejo de servirem a causa pública, se encontram em trabalho precário nas caixas dos supermercados a ganharem 500 euros mensais.

Talvez os autarcas deixassem de acumular o vencimento com um terço da reforma e, na Madeira, deixassem de acumular por inteiro várias remunerações públicas. Talvez fosse tempo de impedir que algum gestor público ganhasse mais do que o Presidente da República, incluindo ele próprio e de deixar de indexar salários de autarcas ao do PR.

Se os funcionários públicos, com vencimento certo e liberdade de injuriarem o ministro respectivo, sem sanções, soubessem o que é trabalhar numa empresa privada onde estão sujeitos ao futuro da empresa e ao humor dos gestores, talvez se moderassem.

Se, à semelhança do que sucede em várias empresas, fizessem uma auto-avaliação anual para a discutirem com o chefe, testes trimestrais para avaliação dos conhecimentos e ficassem sujeitos à discricionariedade do gerente na actualização salarial, ao longo de quarenta anos, talvez fossem mais solidários com os que labutam nas empresas e que, às vezes, atendem com sobranceria.

O direito à greve é a grande conquista de Abril e as manifestações a lufada de ar fresco que a democracia tornou possível, sem tutela, com a polícia a protegê-las. Foram muitos os que lutaram por isso e não há forma de as impedir sem pôr em causa a democracia.

Mas…, há sempre um mas, quando as exigências parecem exorbitantes e os direitos se afiguram exagerados perante a opinião pública, quando o direito à objecção se confunde com o desafio às instituições, há o risco de dividir o país em classes, a dos que estão na função pública e a dos que não estão. E dessa luta de classes, artificiais, nada de bom se pode augurar.

Há quem pense que o vencimento é uma regalia da função e o trabalho um incómodo que deve ser pago à parte.

Nota - Remar contra a maré é difícil, mas prefiro ganhar inimigos a renunciar ao que julgo correcto.