quarta-feira, dezembro 31, 2008

Votos de um leitor devoto

Por

Pai de Família

Quero deixar aqui os meus votos de um Feliz e Santo Ano Novo, na Graça de Deus Nosso Senhor, a todos os autores do "PONTE EUROPA", em especial ao sr. Carlos Esperança.

Que a Luz Divina, Verdadeira, Pura e Imaculada de Jesus Cristo Nosso Senhor vos ilumine neste ano de 2009.

E que o incontido e doentio ódio que o sr. Carlos Esperança nutre pela Santa Madre Igreja Católica, Apostóloica e Romana (a única verdadeira e digna de veneração com a Virgem Maria, sempre nossa Raínha ontem, hoje e para sempre), esse ódio que o leva, e a outros jacobinos esquerdistas destruidores da Verdadeira Cultura e Matriz Católica da Sociedade Portuguesa, a perseguir a Santa Igreja, pondere e, finalmente, ceda à tentação que tenta todos os dias reprimir: converter-se, ou reconverter-se à Verdadeira e única Religião.

Sr. Carlos Esperança, esse seu ódio já mal consegue disfarçar o seu profundo desejo de conversão.

Quanto mais depressa ceder, mais rápido será o fim do seu sofrimento.

Entregue-se a Cristo e à Virgem, realize esse desejo reprimido.

Já todos percebemos a ardente crença contra a qual luta. Mas não a pode afastar, faz parte de si. Será o sr. mais´Católico do que eu próprio? Não me admiraria...

Assim, desejo-lhe um Ano Novo iluminado pela Graça do Senhor.

Amnésia ou má consciência?

«Foi notável o apelo que o presidente da República se sentiu obrigado a fazer ao Governo para que cumpra com as responsabilidades que o Estado tem com os que sofrem as consequências das guerras coloniais» - escreveu Mário Crespo em 22 do corrente mês.

Comentário: Como é que o «notável apelante» se esqueceu dessa obrigação em 10 anos de vacas gordas?

Kurt Beck: um social-democrata


Kurt Beck foi o líder do Partido Social-Democrata alemão nos últimos dois anos e meio.
Um homem de origens humildes, que seguiu um curso técnico-profissional, que subiu a pulso nos meandros do sindicalismo, conseguiu, dada a sua sagacidade e inteligência, assumir posições de relevo no seu Partido, ao nível do seu Land, a Renânia-Palatinado, sendo desde há 11 anos o seu Ministerpräzident. Em 2006, chegaria à liderança do Partido a nível nacional.
Este seu livro, uma auto-biografia, permite-nos acompanhar o percurso da Alemanha e do SPD (Partido Social-Democrata, membro da Internacional Socialista, e do Partido Socialista Europeu, como o Partido Socialista) desde os anos difíceis do pós-guerra.
Os socialistas alemães têm razões para estar orgulhosos do seu trabalho nos últimos 50 anos. Construíram, ou ajudaram a construir, uma das economias mais pujantes e dinâmicas, com mais inovação e com produtos reconhecidos pela sua qualidade.
Mas, acima de tudo, deram forma à maior crição cultural da Europa no século XX: o Modelo Social Europeu e a Economia Social de Mercado!
Mas um político nobre como Beck alerta-nos que o nosso dever é olhar sempre rumo ao futuro e preparar a Alemanha e a Europa para os desafios do Século XXI.
E também aí é notável o que o SPD fez com Schröeder no inícios da década e continua a fazer neste Governo. É que os menos atentos esquecem que apesar de a Chancelerina ser a Democrata-Cristã Angela Merkel, todos os grandes e decisivos Ministérios estão "nas mãos" do SPD, desde a Saúde às Finanças, dos Negócios Estrangeiros ao Trabalho e Solidariedade Social.
Para quem tiver dúvidas, darei apenas um número: quando Helmut Kohl deixou o Governo havia cerca de 6 milhões de desempregados; agora há 3 milhões. Isto mostra que uma política moderna, de reforma social e económica, com um partido da esquerda democrática preparado para governar, mas simultaneamente dialogante com os sindicatos e com as forças progressistas da sociedade, pode fazer toda a diferença.
Beck termina o livro com palavras de esperança sobre a Europa. Confessa-se um Federalista, a favor de uma Constituição, de uma Europa mais forte e mais política, em linha com a tradição universalista dos socialistas e dos social-democratas de sempre!

Uma boa notícia para terminar o Ano: fumamos todos menos

O Ponte Europa debateu, com abertura e galhardia, as vantagens e desvantagens das novas leis limitadoras do fumo de tabaco em locais públicos, impostas, aliás, por Convenções internacionais.

Tendo sido um defensor desta legislação, congratulo-me com a notícia de que a lei já está a ter efeitos de saúde pública e a médio e longo prazo terá grandes efeitos na saúde individual de muitas pessoas e nos custos em saúde de todos nós.

A sociedade do século XXI irá crescentemente debater-se com estes paradoxos: por um lado poderá ser mais liberal e tolerante, permitindo comportamentos privados anteriormente proibidos, mas por outro terá de aceitar as provas científicas que revelam que certos comportamentos têm graves consequências para a saúde das pessoas e, com proporcionalidade, ponderação e bom senso, ir criando legislação de saúde pública que regulamente esses mesmos comportamentos.

Depois do tabaco, não custa adivinhar que se prepara uma ofensiva em matéria de alimentação, sobretudo nas escolas ou em serviços financiados pelo Estado.

Muitas vozes se irão erguer contra a "burocratização da cozinha", o "carácter autoritário" do Estado moderno, as ofensivas contra os direitos individuais. Mas acredito que o bom senso e o conhecimento cietífico irão vencer e que certos refrigerantes, "enchidos de calorias" e "comestíveis impregnados de tóxicos" irão ser afastados das Escolas do nosso país, bem como de instituições de saúde e assistência social.

Não é popular escrever sobre estas matérias. Mas este tipo de legislação, desde que vise a protecção de bens jurídico-constitucionais, como a saúde e a saúde pública - e não fins de moralidade ou de imposições ético-sociais - será uma resposta adequada aos grandes problemas de saúde das décadas vindouras.

Do sionismo ao anti-sionismo

O problema das palavras e dos conceitos é que precisam sempre de uma dicionário explicativo e esse pode ter cunhos muito pessoais ou subjectivos.
O sionismo é um pensamento nascido na segunda metade do século XIX, quando as comunidades judaicas residentes na Europa perceberam que o anti-hebraísmo estava em crescendo em vários países. Pensaram esses líderes judaicos (destacando-se Theodor Herzl) que era necessário reagrupar os judeus de todo o mundo e regressar a Israel.
E começaram a fazer isso! Compraram terras, ergeuram Kibutzes (verdadeiras comunidades de socialismo utópico), foram "ocupando” a Palestina.
Ora, resumindo, sionismo, para mim, é este originário: o desejo de construir um Estado, na Palestina, onde os judeus possam viver juntos e em paz. Isso não implica afastar os palestinianos da sua terra; antes a sua justa divisão, nos termos de 1948 e 1967.
Anti-sionismo significa, pois, a negação do Estado judeu, a negação de Israel. Significa o regresso a 1947.
Tenho, obviamente, consciência, de que o conceito sionismo se foi alargando e ganhou um cunho mais radical e deveras xenófobo, racista e anti-árabe. Mas, se é verdade que essa adulteração do conceito resulta em muito das forças extremistas e radicais judaicas, a verdade é que ele tem vindo a ser (ab)usado e foi apropriado pelas forças radicais islâmicas e nazis (que ainda as há...!), para colocar em causa a própria fundação de Israel.
É contra essa adulteração que me bato. Porque é desse erro de pressuposto que resultam muitos equívocos e não se consegue chegar a um consenso e a uma paz duradoura.

Petição pelas crianças desfavorecidas do nosso mundo

Assine esta petição!

Naquele tempo...

Por

DMA

Hoje em dia, tempos em que já ninguém torce o pescoço forçado por uma mini-saia mais mini, poucos são os que se escandalizam com o top-less praticado nas lusas praias. A ninguém lembra hoje murar as praias algarvias ou outras onde o corpo teima em aparecer mais destapado. Há 40 anos as coisas piavam mais fino. E assim piavam na piscina municipal de Coimbra, situada "no recanto cimeiro do grandioso Estádio Municipal". A mancha azul da piscina era considerada pelo articulista do "Diário da Manhã" um "aliciante chamariz da população, nestes dias calmos da cidade".

Uma piscina de que se gabavam as excelências:

"A água permanentemente renovada e outras condições higiénicas, a facilidade e frequência dos transportes e o ambiente de elegância e desporto que ali se notam são outros tantos motivos de atracção da cidade pela sua magnífica Piscina. Vista do Penedo da Saudade, é uma tentação. Frequentada por uns dias, entra nos programas diários obrigatórios de toda a gente".

O problema é que a mancha azul ficava defronte do Liceu Feminino. O problema é que a piscina era a céu aberto, e com as paredes de sustentação do céu ainda por construir…

"Situada mesmo em frente do Liceu Feminino e da sua entrada única, a Piscina é panorama forçoso para os milhares de jovens do 1º ao 7º ano quer dizer, dos 10 aos 19 anos, que, a pé ou nos carros, passam todos os dias, uma e mais vezes, mesmo rente às grades largas que deixam ver tudo o que ali se passa, edificante ou não".

A dor de cabeça do articulista faz presunção de que por ali se passariam cenas menos edificantes. Algum fato de banho vindo de Paris mostrava uns milímetros de perna para além do prescrito na tabela de bons costumes da época? Ou pares mais desinibidos não resistiam a um beijinho furtivo, desejando boa sorte no mergulho? Não sabemos. Presumiremos apenas que, via das cenas eventualmente pouco edificantes, urgia edificar paredes que unissem as grossas grades, e acabassem de vez com a romaria de mirones. Ainda por cima, voyeurs tão jovens, logo aos dez anos impelidos a saber tudo das artes dos banhos. E é que, mesmo que tentassem desviar os olhos, o pescoço não desataraxava para o lado bom…

"Esta quase obrigatoriedade de ver é ásperamente criticada. A quase totalidade da população citadina não a aprova. As queixas são duras e frequentes. Por isso, e pelo mais se impõe que a Câmara mande vedar convenientemente o recinto. O problema das grades, já discutido em sessão pelos vereadores, é diferente e não interessa, portanto, para este caso. Mas não deixa de ser problema e, por conseguinte, de exigir ponderação oportuna por quem de direito".

Não sabemos se o Brigadeiro Dr. Correia Cardoso, presidente da edilidade na data, acolheu a sugestão do "Diário da Manhã", de 7 de Julho de 1956.

Israel / Palestina

Por

A. Horta Pinto*

É sem dúvida preciso uma Europa mais forte, mas também uma ONU mais forte e actuante. Quase tudo o que de mau se passa no Médio Oriente - a guerra, os regimes teocráticos, as torturas, a desigualdade entre homens e mulheres, as lapidações, os "crimes de honra", etc.- é expressamente proibido pelo direito internacional, a começar pela Carta da ONU, que todos os membros desta assinaram e que a todos vincula, sobrepondo-se inclusivamente aos direitos internos de cada país.

O que falta é um "braço armado" para impor aos membros da ONU o respeito pelo direito internacional a que estão voluntariamente vinculados.

* Advogado

terça-feira, dezembro 30, 2008

Feliz Ano Novo

Apesar dos direitos reservados, em homenagem ao autor, para gáudio dos leitores do Ponte Europa.

Cinismo e Guerra

O Governo de Israel lançou agora os ataques ao Hamas, na Faixa de Gaza, sobretudo, pelas seguintes razões:
- ganhar popularidade e tentar vencer as próximas eleições;
- destruir a força militar crescente do Hamas;
- tentar reconstruir o xadrez político na Palestina, destruindo o Hamas e reerguendo as forças moderadas como aqueles com quem pode dialogar;
- mostrar a Obama que o desequilíbrio de forças no médio oriente continua toldado a seu favor;

O Hamas procurou esta guerra com os seguintes objectivos:
- unir o povo da Palestina em torno do seu projecto fanático;
- conseguir apoios políticos no mundo árabe;
- afastar as atenções do mundo para o desenvolvimento do arsenal nuclear no Irão;
- impedir qualquer esforço de paz e de negociação.

Que desfecho para esta guerra?
Se o exército israelita entrar em Gaza teremos um caos sem precedentes, com uma guerrilha urbana com mais de 700.000 crianças, 350.000 mulheres e mais de 50.000 idosos a fugir entre os escombros, a ser usados como escudos humanos a ser glorificados como vítimas para as televisões internacionais.
Eventualmente o exército de Israel conseguiria aniquilar grande parte dos operacionais do Hamas, mas nunca a cúpula, que fugiria por túneis para o Egipto e daí para a Síria ou o Irão.
No curto prazo seria uma vitória de Israel, mas apenas uma vitória de Pirro.

Se Israel não invadir Gaza, teremos umas tréguas simpáticas, Olmert despede-se em glória afirmando que defendeu o povo israelita dos ataques do Hamas, e dentro de meses tudo voltaria ao mesmo.

Não há então solução à vista?
O “status quo” é uma hipótese de que muitas vezes nos esquecemos. Mas é talvez a preferida em Israel. Perante a impossibilidade de uma paz duradoura e segura, de um Estado da Palestina que não seja um covil de terroristas que desejem “deitar todos os judeus ao mar”, o povo israelita vai aceitando este estado de coisas, como um habitante de uma metrópole sul-americana aceita a guerrilha urbana, que – aliás – causa mais vítimas do que o conflito em Israel….
É cínico e imoral pensar assim?
Será, mas se visitarem Israel compreenderão que esse é o estado de espírito dominante nos últimos anos, desde a violação (por parte de quem?) dos acordos que Clinton promoveu.
Entretanto a Palestina está a rebentar pelas costuras. Já nem precisamos considerar os milhões de refugiados. Naquela terra minúscula de Gaza vivem 1.500 milhões de pessoas; na Cisjordânia, terra inóspita e sem água, não há condições de criar um Estado viável.
Há solução?
Sim, há muitos projectos de solução! Muitos livros, muitos acordos, muitas teses.
O problema é que não há vontade!
Israel acomodou-se ao “status quo”; os palestinianos enveredam pelo radicalismo ou pela pura sobrevivência; os vizinhos árabes não querem assumir compromissos e ajudar o “povo irmão” palestiniano. Continuam a não reconhecer direitos aos refugiados (excepto em certa medida na Jordânia), a defender que todos (incluindo a numerosa descendência dos refugiados de há décadas) devem voltar para a Palestina! Os árabes ricos do Golfo pérsico vão aproveitando aquela mão-de-obra barata de apátridas, sem Estado, sem nação, sem ninguém que os proteja.

Cinismo miserável. Sim!

Que pode a Europa fazer?
Sarkozy está na Baía de férias com a sua esposa e o seu sogro; promovendo negócios de armas e outros para a indústria francesa. Já quase terminou o seu mandato; falta-lhe legitimidade para fazer o que quer que fosse.
Da República Checa pouco podemos esperar: embrenhados em disputas constitucionais entre o Governo e o Presidente sobre quem deve assumir a presidência da União Europeia, sem visibilidade, sem História nas relações internacionais…
Enfim, uma prova mais de que faz falta uma Europa política! Uma Europa com um Presidente, com um Ministro dos Negócios Estrangeiros, com um orçamento muito maior!, com uma unidade militar de elite, com uma CONSTITUIÇÃO., etc., etc., enfim tudo aquilo que muita extrema-esquerda anti-israelita (anti-sionista e anti-semita(sim, anti-semita!)) não quer.

Querem ter voz em Israel com poesia ou com cânticos pacifistas…
Pura ilusão, ou supremo cinismo!

PR e o Estatuto dos Açores (2)

A comunicação de Cavaco Silva ao país, a propósito da promulgação do diploma que lhe mereceu dois vetos políticos, é uma declaração de guerra ao Parlamento.


Cavaco não perdeu a razão mas terá perdido a compostura. Não perdeu poderes, como alega, apenas fica obrigado a conceder uma audiência antes de dissolver a Assembleia Regional. Não fica limitado, só adiciona um incómodo.


A Assembleia da República, sim, prescindiu de poderes com duvidosa legitimidade, o que é inaceitável no plano político e – ver-se-á – no plano constitucional.


Compreende-se mal a solidão a que a Assembleia da República votou o PR, sem um único voto contra o diploma, mas é tão estranha a censura do PR ao Parlamento como seria a deste ao Presidente. A solidariedade institucional não tem um sentido único e, enquanto o Presidente pode dissolver a AR, esta não pode destituí-lo. Também por isso, dispensava a ameaça.


Não tendo o PR dissolvido a AR, nem se tendo demitido, perante a gravidade que referiu, criou um clima de guerrilha gratuito entre dois órgãos da soberania e causou ao país escusada comoção.


Fica por explicar o facto de Cavaco não ter suscitado a inconstitucionalidade das normas que lhe mereceram reparo, levando para o campo exclusivamente político divergências que se aceitam na luta partidária e que se esperava ver arredadas do órgão uninominal.


A comunicação apocalíptica, sem a habitual saudação aos portugueses, deslocou o PR para a luta partidária. Triste com o estado comatoso do seu partido, assumiu a liderança política da oposição extraparlamentar. É mau sintoma para o ano de todos os perigos que se avizinha.


Cavaco não prestou um bom serviço aos portugueses mas, sejam quais forem os seus propósitos, é dever de todos ajudarmos o Presidente da República a terminar o seu mandato com dignidade.


Ponte Europa / SORUMBÁTICO

Gaza - Terra mártir

WASHINGTON (AFP) O futuro presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que já tem à sua espera o desafio de uma profunda crise econômica e o atoleiro afegão, vê-se obrigado a acrescentar o conflito entre palestinos e israelenses à lista de suas mais altas prioridades, já a partir da posse, em 20 de janeiro.

Pergunta - Onde pára a Europa?

Momento de poesia



Dissertação sobre o Império…


À
Pilar Vicente,
médica e sindicalista, pela sua
generosidade, combatividade e
competência profissional


Quando o Império a abraçou
dando-lhe a mão
ainda não se sabia em Roma
que o circo iria acabar
e que o pão, tal como o vinho,
passariam a ser divinos,
nem que dos cacos
em que os Bárbaros o deixaram
nasceria uma nova era
com outros paramentos.
Ficou o esplendor da mitra, do báculo e do anel,
a arrogância imperial, através da hóstia e da bula
e um trono talhado a ouro para os novos Césares
que, com a cruz, a espada e o missal,
ergueram e espalharam igrejas, conventos e altares.
Dizendo-se portadores de uma Fé verdadeira
amarraram os homens à sua alma
e ligaram o novo Deus ao Céu e à Terra inteira.

Alexandre de Castro

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Saramago: entre a crítica e a xenofobia

José Saramago já mereceu grande admiração da minha parte. Já o considerei o melhor escritor português da actualidade, já reflecti muito com os seus ensinamentos.
Não esqueço isso, nem apago esse precioso passado.

Ainda noutro dia tive o prazer sofrido de ver "O ensaios sobre a cegueira" de Fernando Meirelles, tão bom como o livro, que em devido tempo também apreciei.

Mas Saramago está cego na sua verborreia crítica contra Israel.
O seu ateísmo feroz fá-lo atacar a essência de um povo, de uma religião.

Não condeno nem as suas críticas ao Governo de Israel, nem o seu ateísmo. Quiçá até partilhe muito das suas opiniões.
Mas não compreendo que se escreva com a agressividade e com a parcialidade com que o faz Saramago neste texto sobre Gaza.

Em alguns países europeus estas afirmações roçariam o crime, porventura também em Portugal.

Mas as Canárias já estão muito próximas de Marrocos, terra de onde fugiram muitos judeus em busca de uma terra de paz em Israel...

O PSD e o Estatuto dos Açores

A votação do PSD, a respeito de um diploma que poderia ter evitado a Cavaco a solidão e ao partido a vergonha, foi surrealista. O líder parlamentar, Paulo Rangel, afirmou na televisão (após duas votações por unanimidade) que o partido tinha uma posição firme – a abstenção.

.

Recordou-me a história de um presidente da Câmara que, durante o salazarismo, andava atormentado por um amigo que, a certa altura, lhe virou as costas. Um dia encontrou-o e não o deixou escapar. Perguntou-lhe a razão por que tinha cortado relações, que lhe teria ele, presidente da Câmara, feito para o desfeitear. Respondeu-lhe o ex-amigo que bem sabia; que não sabia, ripostava o autarca; que lhe negou a construção da casa, retorquia o outro.

.

Entre a queixa e a negação dos factos lá se dirigiram os dois à Câmara onde o presidente mandou que lhe levassem ao gabinete o processo de construção. Com as fotos de Tomás e Salazar à frente, o ex-amigo apontou o despacho, olha, cá está, Indeferido, queres negar, tendo o edil, ao ver a palavra indeferido, acrescentado uma vírgula e para que sim. O despacho ficou corrigido: Indeferido, para que sim, eliminando a falta de clareza.

.

Foi o que fez o PSD na terceira votação do Estatuto dos Açores. Paulo Rangel e o seu grupo parlamentar, com duas excepções, abstiveram-se com firmeza… para que não.

domingo, dezembro 28, 2008

Ponte Europa - Escreve o leitor

Por

E-Pá

MADOFF
ou
raposas guardando o galinheiro...
[*]


Começam a aparecer informações sobre a identidade dos "auditores" de Madoff.
Trata-se da firma Friehling & Horowitz.
O Sr. Horowitz, fundador (da firma de auditoria), não é outro do que ... antigo contabilista (agora diz-se ROC) de Madoff, e David Friehling, o gerente da firma, é seu genro. David Friehling foi presidente do Comité du Comte de Rockland da Fédération des Comptables de l’Etat de New York.

In
DÉMYSTIFIER LA FINANCE, Les commissaires aux comptes de Madoff: on croit rêver…
Blog de Georges Ugueux, 27.12.2008.

[*] - título da responsabilidade do comentador.

sábado, dezembro 27, 2008

Era o que faltava...


O líder do Bloco de Esquerda (BE), Francisco Louçã, afirmou este sábado que duvida que o Presidente da República, Cavaco Silva, questione o Orçamento de Estado para 2009, porque «há uma sintonia entre Belém e São Bento que não se vai quebrar».

Comentário: Não é a sintonia que evita o que cabe à Oposição, em especial a Manuela Ferreira Leite, é a natureza das funções.

Armadilhar a presidência de Obama

Um novo balanço eleva o número de vítimas do ataque israelita na Faixa de Gaza para, pelo menos, 205 mortos, de acordo com o chefe dos serviços de urgência no território, o médico Mouawiya Hassanein citado pela agência France Press.

Líderes políticos de todo o Mundo apelaram à contenção de Israel e ao fim do lançamento de rockets por parte do Hamas.

Espaço dos leitores

É preciso topete...

Paulo Teixeira Pinto, um dos administradores do BCP que pelos vistos está a contas com as contas maradas do banco e pode ainda ter de responder perante a Justiça, anunciou, com o seu novo ar de pintor e poeta, que vai processar o governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio.

É assim mesmo, (l e i a ... m a i s)

Islão e cultura


Deus não é certamente um entusiasta da cultura e, muito menos, do ensino obrigatório destinado também ao sexo feminino. É antiga a aversão à cultura daquele deus que, há seis mil e doze anos criou o mundo em seis dias e, ao sétimo, descansou, aversão que se agrava quando promove a igualdade dos sexos.


A comunicação social tem divulgado as ameaças de morte proferidas pelos talibãs, no Paquistão, contra as raparigas que, a partir de Janeiro, continuem a frequentar a escola.


Os talibãs paquistaneses não são muito diferentes dos que noutras religiões alimentam especial animosidade contra a cultura e, sobretudo, contra a liberdade.O Papa Pio IX dizia que o catolicismo era inconciliável mas, apesar da franqueza de quem amaldiçoou os livres-pensadores, foi possível assegurar a religião e a escolaridade.


Em 2008, haver quem, em nome da vontade divina, se oponha à escolarização feminina, é um acto de demência que, em nome da civilização, devemos combater.


No Portugal salazarista, a escolaridade que a República fizera obrigatória durante cinco anos, retrocedeu para quatro anos para rapazes e três para meninas, mas Salazar era um talibã benigno comparado com os facínoras que se regem por um livro hediondo, ditado pelo arcanjo Gabriel a um pastor analfabeto, entre Medina e Meca, durante vinte anos.


Comparado com os trogloditas paquistaneses, o Papa parece um combatente da liberdade.

Dá resultado?

sexta-feira, dezembro 26, 2008

É preciso ter muita lata

Escreve Vasco Graça Moura no seu habitual panfleto no Diário de Notícias de quarta-feira: 



Não estará porventura a esquecer-se das aselhices e demagogias dos catastróficos governos Barroso/Portas e Santana/Portas, porventura ainda mais catastróficas e lesivas da economia nacional? Como pode a defesa da sua dama levar a tão flagrante cegueira uma pessoa que tem todas as credenciais académicas e publicísticas para ter um mínimo de lucidez?

quinta-feira, dezembro 25, 2008

O PR e o Estatuto dos Açores

Vou repetir, pela enésima vez, que discordo do Estatuto dos Açores, pelo alargamento das competências legislativas da Região, em detrimento da Assembleia da República, e não me conformo que o Estatuto só possa ser revisto por iniciativa autóctone.


Quem perde competências, e não devia, é a AR e não o PR. Este apenas fica obrigado a ouvir o parlamento regional antes de o dissolver o que, apesar de não fazer sentido, não limita os seus poderes. Apenas o obriga a conceder uma audiência prévia.


Dito isto, não posso deixar passar em claro a pusilanimidade de quem, tendo-se abstido ou votado a favor, acusou o PS de provocar um conflito com o Presidente da República. Não terá sido o contrário? Cavaco colocou-se a jeito e nem um só deputado o apoiou com o seu voto. Quem isolou o PR e lhe infligiu a derrota não foi a maioria parlamentar, foi a totalidade dos deputados da AR numa sessão em que não houve faltas. Nem do seu partido lhe veio um voto que o acompanhasse na desoladora solidão.


Fico com a vaga impressão de que há reminiscências autoritárias nos que acusam o PS de se ter comportado mal. Então o PR pode discordar do Parlamento e ir à RTP com o mesmo cuidado com que um elefante passaria por uma loja de cristais e a AR não pode discordar do presidente da República? A cooperação institucional obriga à submissão do Parlamento ao PR? Estranha cooperação de sentido único!


Vamos agora às Cassandras – Joaquim Aguiar e Ramalho Eanes. O primeiro, que já foi conselheiro de Cavaco, e só por isso merece referência, entende que a decisão do TC, a quem o PSD pedirá a fiscalização sucessiva do artigo 114.º, abrirá uma crise grave. Diz que o PR ou o primeiro-ministro se devem demitir, conforme a decisão for num sentido ou noutro. Confunde a AR com o Governo, acerta quando afirma que foi enorme o erro de avaliação do PR, mas só uma visão apocalíptica o pode levar a admitir que «o erro do PR será tão grande [se o TC julgar constitucional o referido artigo] que coloca um problema de renúncia ao cargo».


Com Ramalho Eanes a situação é idêntica embora se trate de uma personalidade a quem o País deve muito pois, num período difícil e sem preparação para o cargo, soube estar à altura das responsabilidades que os portugueses lhe confiaram. Merece, pois, respeito a pessoa, não a opinião que manifestou sobre o voto dos deputados.


Ramalho Eanes deve lembrar-se da sua reacção quando o PSD e o PS, sob as lideranças de Balsemão e Mário Soares, respectivamente, se aliaram na revisão constitucional que lhe retiraria poderes. Através do seu porta-voz, Joaquim Letria, ameaçou que poderia dissolver a AR e demitir-se para concorrer a primeiro-ministro. Aliviado dos poderes de que não prescindia, calou-se. Embarcou na aventura do PRD pela via conjugal.


Resta a Cavaco repetir o erro de Eanes e empenhar-se na criação de um partido, sem o capital de simpatia que o general acumulara. Não lhe faltariam descontentes para o acompanhar na sempre tentadora aventura de regenerar o regime que, sendo mau, é o melhor que conhecemos. Não é o estilo do actual PR e ainda bem.


Ponte Europa / SORUMBÁTICO

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Falta de ética republicana

«O ministro da Administração Interna, na cerimónia de inauguração da carreira de tiro em Ponte de Lima, pediu a bênção para aquela estrutura [...] A nova carreira de tiro não teve bênção mas o Vigário Geral da Diocese, evocando a Sagrada Escritura, elevou uma súplica a Deus para que a paz reine entre os homens e que das armas se possam fazer instrumentos de desenvolvimento da humanidade.» [Diário do Minho]

Ver notícia aqui.

Código do Trabalho

Depois do "chumbo" do aumento de três para seis meses do período experimental para trabalhadores indiferenciados, pelo Tribunal Constitucional, Governo e Partido Socialista deverão recuar e manter o que está hoje previsto na lei.

Comentários:

1 - Naturalmente;

2 - Não sei se os trabalhadores e/ou o emprego beneficiam com o que está previsto na lei mas o respeito pela Constituição é pedagógico.

DN insiste

O diferendo entre o Presidente da República, Cavaco Silva, e o Partido Socialista sobre o Estatuto dos Açores trouxe ao de cima uma inesperada falha na Constituição da República.

Comentário: O DN insiste na asneira. Então o PR, que jurou a Constituição, poderia violá-la?

terça-feira, dezembro 23, 2008

Obsessão sexual


Vaticano. Igreja Católica continua guerra contra ‘gays’

Bento XVI quer “ecologia do homem” que garanta distinção entre sexos.

Momento de poesia


Dissertação sobre a Palestina…


Nem a Tora

nem a ira de Moisés,

ao quebrar as tábuas divinas

por causa de um bezerro de ouro,

têm a força certeira das balas das espingardas

já deixei

de contar os mortos embrulhados

em bandeiras

nas loucas correrias de tiros e de gritos

à volta de um caixão

e de ouvir

o choro das crianças

quando descobrem que os tanques dos judeus

não são nenhuns brinquedos inocentes

alguém, um dia, lhes irá falar

no paraíso celeste das mil virgens

na Jihad por Alá

e na virtude do sacrifício e da vingança

fazendo-se explodir em qualquer praça.

Alexandre de Castro

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Ligações perigosas


Suspeita. A anterior gestão, liderada por Carlos Horta e Costa, atribuiu a uma empresa do grupo BPN/SLN a renovação da frota automóvel, apesar dos pareceres negativos internos. Inspecção mencionou suspeitas de "contactos priveligiados" .

Religião no JN

"Deus provavelmente não existe, de modo que deixe de se preocupar e goze a vida". O inusitado slogan vai decorar 30 autocarros de Londres, no Reino Unido, durante todo o mês de Janeiro próximo.

Um artigo em que fui ouvido. (Nem sempre correctamente citado)

domingo, dezembro 21, 2008

Espanha – dramas da ditadura franquista

Trinta anos após a comemoração da Constituição, a Espanha descobre horrorizada que, durante a ditadura franquista, pelo menos dez mil crianças foram roubadas às mães e entregues à segurança social ou a centros religiosos.

As crianças eram retiradas à força às mães presas nas masmorras do franquismo. As autoridades facilitavam a mudança de identidade e faziam desaparecer as certidões de nascimento e de baptismo.

A coragem de Baltasar Garzón, o juiz que mandou deter Pinochet, pôs a nu a sórdida conduta do fascismo espanhol e do pio facínora Francisco Franco, embora tenha sido desautorizado pela Audiência Nacional cuja presidência lhe foi recusada.

Para horror das pessoas civilizadas, foi revelado pelo historiador Ricard Vinyes, num documentário da TVE, que «a normativa franquista exigia que quando uma presa política entrava no cárcere, aguardava-se que desse à luz. Logo a seguir, o filho era entregue a instituições ligadas ao regime ou à Igreja».

Não surpreende, pois, a revolta da juventude que pede a desbaptização perante a cumplicidade da Igreja católica com os crimes hediondos do franquismo. Não espanta a desolação dos que aguardam uma reparação moral e anseiam por conhecer a identidade antes da morte que se avizinha.

A onda de santidade que percorreu Espanha (centenas de beatificações e canonizações) foi a última tentativa de branquear a ditadura. Até Escrivà de Balager, um admirador de Franco, subiu rapidamente aos altares.

Nota: Elementos retirados do DN, de ontem, «Visto de cá» (Francisco Barcia)

Espanha - Fascismo nunca mais

sábado, dezembro 20, 2008

Comadre de Sarah Palin detida

A mãe do rapaz que engravidou a filha da devota Sarah Palin, governadora do Alaska, e ex-candidata à vice-presidência dos EUA, foi presa por motivos relacionados com drogas.

No melhor pano cai a nódoa.

Deus talvez não exista...


Na sua homilia de Natal, em 2007, o patriarca Policarpo, bispo de Lisboa, afirmou que «o maior drama da humanidade é ser constituído por todas as formas de ateísmo, todas as formas existenciais da negação de Deus».

Quando tais afirmações são proferidas por um dos mais contidos e sensatos bispos da ICAR, imagine-se o que vai no interior das mitras de alguns outros.

A cegueira mística dos funcionários de deus leva-os a esquecer os milhões de mortos que as Igrejas provocaram e os atropelos feitos à vida e à liberdade pelas religiões do livro.

É verdade que as religiões não são os únicos sistemas totalitários da história mas só elas sobrevivem aos crimes de que foram responsáveis. Os regimes fascistas, comunistas, nazis e outros sucumbiram sob as tragédias que provocaram mas as religiões resistem às desgraças que fomentam.

É tempo de nos libertarmos da tutela de um deus que domina os homens que o criaram, à sua imagem e semelhança, a partir de uma offshore donde os alicia com as delícias do Paraíso ou os aterroriza com os medos do Inferno.

«Deus talvez não exista. Então deixe de preocupar-se e desfrute a vida» - como aconselha a campanha publicitária a favor do ateísmo, promovida pela Associação Humanista Britânica, apoiada pelo eminente biólogo darwinista, Richard Dawkins.

Velhas terapêuticas e medalhas de ouro

propaganda maluca

sexta-feira, dezembro 19, 2008

As ditaduras começam assim


A Assembleia Nacional da Venezuela aprovou hoje a emenda constitucional que permitirá a Hugo Chávez apresentar-se a eleições sucessivas à presidência . Foi a primeira de duas discussões parlamentares obrigatórias sobre o projecto.

O próximo debate parlamentar está previsto para o dia 5 de Janeiro próximo .

Processo Casa Pia

A defesa de Manuel Abrantes envolveu ontem o CDS no processo de pedofilia da Casa Pia, acusando Catalina Pestana, nomeada provedora pelo ministro centrista Bagão Félix, de ocultar documentos de uma das vítimas onde era feita referência a um ex-governante do CDS.

Catalina aos costumes disse nada.

Estatuto dos Açores

A revisão do Estatuto Político-Administrativo dos Açores foi confirmado, esta sexta-feira, com 152 votos a favor e 76 abstenções, sem que tenham existido votos contra.

Depois de uma votação, sem votos contra, é penoso ouvir o líder parlamentar do PSD a considerar que o «PS ficará com a marca de quem, numa altura de crise económica grave, quis criar uma crise política artificial para desviar as atenções dos portugueses».

Pergunta: E absteve-se? Que cobardia.

Nota: Os leitores do «Ponte Europa» conhecem a minha posição contrária a este Estatuto.

Cara publicidade

Custou 40 mil euros a publicidade com a mulher de Sarkozy nua, a dizer « o meu gajo devia ter de me comprar um Pardon», de acordo com a decisão de um tribunal da ilha francesa de Reunião.

Atenção Santa Comba Dão


Espanha remove sem incidentes última estátua equestre de Franco

Foi ontem removida da praça municipal de Santander, na Cantábria, a última estátua equestre de Franco, o general que derrotou os republicanos numa sangrenta guerra civil entre 1936 e 1939 e que depois governou Espanha com mão de ferro até à sua morte, em 1975.

Comentário: A Espanha apaga as marcas da vergonha enquanto o obscuro autarca de Santa Comba sonha com o ditador autóctone e pretende criar um museu.

Escola pública e rigor

É tão frequente ouvirmos falar que a Ministra da Educação fomenta o "facilitismo" e o "trabalhar para os números" como chover no Outono.

Por isso nem nos preocupamos em ter uma leitura crítica sobre esses comentários.

Todavia, vale a pena dar a voz à Ciência e saber, afinal, o que anda a Escola - especialmente a Escola pública (incluindo as Universidades) - a fazer com o dinheiro dos contribuintes?

Se lermos estes quadros, talvez possamos compreender porque razão o país estagnou, parou!, num tempo em que a competição internacional exige cidadãos muito melhor preparados.

Ora, sendo assim, talvez possamos pensar que o que se fez nos últimos 30 anos não foi bem feito...
Esta Ministra tenta mudar qualquer coisa.
Não sou perito na matéria, mas do que me apercebo, vai, em regra, no bom sentido.

Não podemos continuar a ter uma Escola que exclui 40% (sim, QUARENTA POR CENTO) dos jovens!

Uma derrota humilhante para o Presidente da República

Açores e o PR...

Depois de discursos à Nação, conversas privadas com quem de direito, uma postura firme e hirta, eis que nem o "seu" PSD (desculpem, já não é militante, é verdade!, Cavaco desfiliou-se em 1995...) teve uma manifestação de apoio para o Presidente da República.

Nas vésperas de Natal, este órgão uninominal surge mais isolado do que nunca.

Com pouca ligação ao povo, sem apoios partidários, sem conseguir entusiasmar o país e somando derrotas por causa de coisa nenhuma.

Importante seria que ele tivesse repreendido AJ Jardim em tempo útil, das várias vezes que este humilhou os órgãos de soberania e a democracia portuguesa.
Importante seria que tivesse melhor critério aos escolher os Conselheiros de Estado e ao avalizar, com a palavra de Presidente, os comportamentos privados de certas pessoas.
Importante seria conseguir colocar ordem na Educação, chamando Sindicatos e a Ministra e promovendo um diálogo imparcial ao mais alto nível.

Quase três anos de mandato e só uma leve sombra paira no ar.

Guterres: esperamos por ti! Volta depressa! 2011 não está longe!

E se o PS se fragmentar? E porque não?

As recentes intervenções públicas de Manuel Alegre têm criado na opinião pública a ideia de que poderia haver uma fragmentação do PS e um salto em frente de Manuel Alegre e de alguns sectores esquerdistas do PS para a formação de um novo partido, ou de aproximação ao BE.

No Ponte Europa, Carlos Esperança e André Pereira têm alertado para os riscos de tal atitude. Também no Causa Nossa, Vital Moreira tem reagido veementemente contra tal perspectiva. O argumento central é que tal fragmentação fragilizaria as possibilidades de governação por parte da esquerda portuguesa.

Seria no entanto necessariamente má a fragmentação do PS para os valores da esquerda portuguesa e para a política portuguesa em geral? Seriam as consequências de uma refundação político-partidária em Portugal? Vamos por partes.

No actual status quo, existe um Governo de maioria absoluta do PS. O sector dominante no PS, chefiado por José Sócrates, propugna, no plano teórico, uma versão bastante liberal (no sentido económico) da social-democracia, muito próxima do new labour, e com algumas ambições até agora não materializadas de social-democracia escandinava. No plano prático deixa-se ficar por uma política liberal no plano económico, continuando a privilegiar o grande capital, modernizadora no plano administrativo, moderadamente evolutiva no plano social e de costumes, mas omissiva quanto às grandes bandeiras da esquerda em geral, e da social-democracia em especial: a da redução das desigualdades. Ou seja, dificilmente se poderão qualificar como de esquerda os seus resultados práticos. O PSD, partido tudo menos social-democrata, está temporariamente fora de combate, partilhando com a clique dominante no PS essencialmente os mesmos valores políticos (o centrão dos jobs for the boys e o favorecimento dos interesses do grande empresariado). O CDS também agoniza, agora meramente reduzido ao seu caudilho e alguns sequazes, sem qualquer outro objectivo que não seja alapar oportunisticamente noutro partido que se encontre em necessidade de um parceiro de coligação, sem outra ideologia senão aquela que lhe permita chegar ao poder. O BE e o PCP continuam disputando o espaço da esquerda de resistência entre si, e recusando qualquer aproximação ao PS- também por motivos lógicos, uma vez que os valores liberais da ala direita do PS, a que está agora no poder, são irreconciliáveis com os valores do BE ou do PCP.

Desde a implosão do PRD após as eleições de 1987 que o mapa político é extremamente estático, com poucas oscilações, sendo o poder político partilhado entre a ala direita do PS e o PSD, o que muito tem contribuído para o vácuo ideológico da política portuguesa com chances de acesso ao Governo, bem como ao constante aprofundamento das desigualdades em Portugal.

Há quem entenda que as maiorias absolutas são preferíveis aos Governos de coligação. Eu entendo o contrário (apesar de reconhecer que por vezes as coligações possam criar vários casos de crise política): entendo que um país só pode ter um bom Governo se for trans-partidário, em que os interesses do partido não se confundam com os interesses do Governo, e em que o Parlamento não seja uma mera relé, uma mera correia de transmissão das decisões tomadas pelo Governo.

Uma refundação da esquerda portuguesa poderia apresentar vantagens para a prossecução dos objectivos da esquerda portuguesa. Por um lado, ao reintroduzir as preocupações ideológicas de novo na agenda do poder, atraindo quadros qualificados da sociedade civil e que hesitam em se introduzir nos pantanosos campos da tecnocracia político-partidária. Por outro lado, mitigando a promiscuidade entre antigos governantes e grandes interesses económicos. E finalmente por dar liberdade de escolha aos eleitores, que terão a liberdade de poder votar numa determinada tendência política sem a coacção de um voto útil num PS liderado pela sua ala direita para prevenir o risco de um triunfo do PSD. Uma estrutura política dinâmica permite maior mobilidade de quadros na política, contribuindo para diminuir o endémico clientelismo, caciquismo, promiscuidade e usurpação do aparelho do Estado e da administração pública pelos partidos do "centrão". Uma estrutura política dinâmica permite maior qualidade de governança e maior flexibilidade de adaptação aos desafios da convergência, da qualificação, da redução das desigualdades, e para uma melhor e mais alargada participação dos cidadãos na gestão da coisa pública. Contribui para uma democracia com mais qualidade.

Obviamente que as mutações e refundações do sistema partidário têm sempre os seus riscos (veja-se o caso de Itália...). No entanto, eu pessoalmente preferiria ter a possibilidade de votar num partido que se colocasse entre o PCP, o BE e o PS/Direita, que tivesse uma quota de votação na casa dos 10%, e que forçasse um PS em busca de parceiro de coligação à adopção de verdadeiras políticas de esquerda. Ou a possibilidade de votar num BE que fosse menos radical e mais responsável. Agora votar num PS com etiquetas trocadas, só por ser um mal menor comparado com o PSD, é algo que sempre fará muita confusão aos eleitores de esquerda moderada. Será que o PS actual tem verdadeiramente as credenciais necessárias para justificar esse voto útil? Daí muita abstenção, desilusão com o estado da política e desmotivação de muitos quadros qualificados da sociedade civil que se situam nesse quadrante ideológico.

Em defesa da laicidade

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Piedosa moral

A esquizofrenia da moralidade, de sabor medieval, não é exclusiva do Islão. Nos países democráticos parecia solucionado, há muito, o conflito entre a alegada vontade de Deus e o primado das liberdades individuais, com a vitória das últimas. Em Portugal vão longe os tempos em que Camilo foi parar à enxovia por crime de adultério.

A Coreia do Sul, apesar da tradição democrática, resolveu espreitar para as alcovas e, a partir de 1953, criminalizar a traição conjugal, numa lamentável confusão entre o que é o mal, segundo a ética, e o que é crime de acordo com o código penal.

O adultério não é um bem nem uma atitude recomendável mas daí até ser um crime vai a distância que separa a mentalidade do clérigo de província da do legislador urbano.

A mulher é sempre a maior vítima da devassa da vida privada pelos vigilantes da moral. Quem espreita pelo buraco da fechadura acaba por mandar a polícia dos costumes a cheirar o hálito para vigiar o consumo de álcool ou da abominável carne de porco.

Os oito meses de prisão de uma cidadã, com pena suspensa, mostram que o Estado está pronto a vigiá-la e a tornar efectiva a prisão em caso de reincidência, isto é, a polícia vai estar atenta à enxerga onde se deita, com a privacidade devassada pelos tentáculos totalitários do Estado.

Mesmo em democracia, há sempre um Salazar oculto que zela pelos bons costumes.

Genocida condenado por Tribunal das Nações Unidas

Mais uma vitória da humanidade, do progresso e da justiça sobre o obscurantismo, o medo, a humilhação e o terror.

Após um processo justo, no qual se fez prova dos mais abomináveis crimes contra a humanidade, o responsável pelo hediondo genocídio do Ruanda, foi condenado a Prisão Perpétua.

Várias vitórias se podem apontar com esta notícia:
- fomos capazes de criar um Tribunal justo e imparcial para julgar estes crimes;
- a produção prova decorreu segundo as exigências de um processo justo;
- o arguido foi condenado a uma pena justa, mas (minimamente) humana.

Foi mais uma grande vitória daqueles que se batem pela abolição da pena de morte!

Só tratando os nossos maiores inimigos com justiça e de acordo com as regras do processo e do direito justo poderemos manter a nossa integridade moral e o rumo pela emancipação da Humanidade!

Manuel Alegre e o PS

No período de profunda incerteza económica e previsíveis confrontos sociais o pior que pode acontecer ao país é a paralisação do Governo graças à fragmentação do PS.


É perigoso cavalgar a onda do descontentamento sem projectos políticos alternativos, alimentando ressentimentos em clima de instabilidade social e na ausência de recursos para corresponder a expectativas criadas.


Se a crise tivesse outra origem, a direita estaria a capitalizar o descontentamento. Assim, perante a falência do neoliberalismo, vieram parar à esquerda as esperanças e angústias de parte significativa do eleitorado, como mostram as sondagens. Temo que o PCP, o BE, a Refundação Comunista e os dissidentes do PS, com fortes divergências entre si, unidos apenas por sólidos rancores, em vez de serem alternativa ao PS, por ausência de programa comum e de modelo credível, possam tornar-se aliados objectivos da direita.


Manuel Alegre defendeu no Fórum esquerdas que "É preciso quebrar outro tabu: a ideia de que há uma esquerda de governo que, quando chega ao Governo, não pratica assim muito à esquerda, e há as outras esquerdas que se refugiam no contrapoder. Esse é o grande tabu que é preciso ultrapassar". Penso que é preciso quebrar outros tabus: a ideia de que o contrapoder é sempre de esquerda e ter medo de desmascarar os que nele se refugiam sem se sentirem obrigados a apresentar alternativas, incluindo Alegre.


No passado saíram goradas as tentativas de fazerem do PS o que os seus militantes e o eleitorado recusaram. Manuel Serra, primeiro, e, depois, sucessivamente, Carmelinda Pereira e Aires Rodrigues, e ainda, Lopes Cardoso não conseguiram alterar a matriz social-democrata do partido que, com Mário Soares, salvou Portugal da bancarrota com a humilhante aliança à direita. Foi a vitória do pragmatismo contra os princípios?

Manuel Alegre não tem a grandeza política e a humildade de Salgado Zenha nem a preparação de Lopes Cardoso, podendo tornar-se num Santana Lopes da esquerda, triste epílogo para o seu passado e a sua dimensão cultural e literária.


O combate contra a co-incineração, birra de sabor bairrista, sem consistência científica, foi uma batalha infeliz que embaraçou o PS e, sobretudo, lesou o País. Manuel Alegre devia lembrar-se dessa inglória e funesta escaramuça. Se pensar mais no país, e menos em si próprio, é dentro do PS que deve lutar, sem quebra da solidariedade que lhe deve.


O PS não é o que eu desejaria mas, visto de fora, nunca o conheci diferente. Admira-me que, quem está dentro, só agora veja que é tempo de o partido ser o que nunca foi e o que nunca será enquanto os partidos à sua esquerda o considerarem o inimigo principal.


Ponte Europa/SORUMBÁTICO

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Em defesa da regionalização

Já assinou a Petição Em Defesa da Regionalização, que será entregue na Assembleia da República?

Se não o fez, faça já. O prazo de recolha de assinaturas termina já no dia 31 de Dezembro.

Assine a Petição online indo ao sítio electrónico

www.regioes-sim.com

Reenvie esta mensagem à sua lista de contactos. Pela Regionalização!

TPI é só para alguns

O vice-presidente americano, Dick Cheney, admitiu ontem num entrevista à rede de televisão ABC que aprovou a prática de interrogatórios com tortura, com destaque para o controverso método do afogamento simulado. O uso destes processos tem sido um dos argumentos dos críticos dos EUA, em conjunto com os abusos nas prisões de Abu Ghraib e Guantánamo.

Mudam-se os tempos...


A situação dos Mercados Financeiros é tão má que as pessoas estão outra vez a casar por Amor!!!

Alegre no bom caminho!

Boas notícias!
É (também!) com os militantes, simpatizantes e elitores do PS que a esquerda se reconfigura!
Vamos a isso!
E para tanto contamos com Manuel Alegre!

Parlamento Europeu é notícia!

Só o facto de ser notícia já é positivo!
E quando lemos que o Parlamento Europeu votou contra uma proposta que iria prejudicar os direitos dos trabalhadores e as famílias, melhor ainda!

terça-feira, dezembro 16, 2008

Momento de poesia

Recolho o lume dos teus olhos…


Recolho o lume dos teus

olhos tristes

nesta fotografia emoldurada

que enviaste, para meu alento.

É com esse lume que acendo

a minha memória dorida

pela distância que nos separa

e que tu não queres percorrer

com medo de te perderes

num caminho incerto

e sem regresso.

Talvez, esta seja a imagem

de um rosto seco

que acabou de chorar

por já não entender o gesto de um beijo

e de um afago

e o seu preço em amor dado,

nem o caminho traçado

por um abraço

que adoce o teu corpo atormentado.

Talvez, esse lume dos teus olhos

se reacenda outra vez

nas noites ácidas de solidão

quando me desejares em segredo

lendo os meus poemas,

com medo.

Alexandre de Castro

Ignóbil teocracia

TEERÃO - Uma iraniana que acabou cega em um ataque com ácido feito por um homem que ela rejeitara, conseguiu persuadir um tribunal a dar ao agressor uma punição segundo as leis islâmicas: ele dever também perder a visão.

Alegre esquerda

Manuel Alegre goza de um importante capital político. Foi às urnas nas eleições presidenciais e obteve uma importante votação. É respeitado no país e é uma das figuras mais destacadas do PS.
Alegre tem divergências profundas com a actual direcção do PS e tem demonstrado publicamente essa insatisfação.
Muitas vezes - estando dentro do PS - tem conseguido corrigir as políticas do Governo.
Mais recentemente tem feito um trabalho de aproximação ao Bloco de Esquerda e outras forças informais da esquerda portuguesa.
Agora fala na possibilidade - na necessidade! - de ir a votos...

Como não pretende desafiar Sócrates no Congresso do PS, deixa entender que poderá sair do Partido.
Com tudo isto só há um resultado certo: o PS ficará mais pobre.
E há dois resultados incertos: o que é que Alegre e os seus ideias ganharão? O que é que o Bloco e Louçã ganharão?

Parece-me que - embora seja incerto - será um resultado de soma negativa. Perderá Alegre, perderá o Bloco e perderá essa corrente ideológica, porque deixa de conseguir fazer qualquer ponte com o eleitorado maioritário e com a direcção do PS.

O PS, enquanto grande Partido, pode e deve - precisa inelutavelmente! - de divergências e contraditório.
Mas se essa divergência se transforma em sectarismo e em ruptura com o Partido, todos perdem.
Todos, sobretudo os que menos apoio eleitoral têm. E estes, nós sabemos bem quem são e serão.

Quem ganha?
A Direita, claro está!
Ou porque a ruptura se torna tão catastrófica que consegue roubar 15% dos votos a Sócrates e o PSD ganha as eleições, ou porque - não o conseguindo, como me parece provável - entrega ao CDS as chaves da governabilidade, seja com queijo limiano, seja com outras manobras às escondidas.

Sim, porque não me parece fácil, depois de criar uma ruptura com Sócrates e a direcção nacional vir a assumir a disponibilidade para formar Governo. Não está no espírito, nem nos desejos daquela esquerda formar Governo. Ou estará?

Se está, então seria bom começarem a apresentar já propostas pela positiva.

Aqui deixo algumas interrogações fundamentais:
- Como garantir a sustentabilidade do SNS a 20, 30 anos?
- Como contribuir para a melhoria das prestações da Escola pública? É necessário avaliar os Professores? Como?

E vamos a questões estruturais:
- São a favor do Tratado de Lisboa?
- Portugal deve continuar na NATO?
- Querem pertencer à família socialista no Parlamento Europeu?

É que se Alegre quer trazer Louçã ao poder, existem estas "pequenas questões" que importa responder...