Intolerável posição do PR
Como já aqui foi referido, o presidente da República, ao limitar o Governo e os partidos (leia-se PS), está a intrometer-se nas áreas do poder legislativo e executivo cujos poderes se mantêm, contrariamente ao seu, que, por imperativos constitucionais, está impedido de dissolver a AR e de demitir o Governo.
As ameaças de vetos para as leis de que discorde são intoleráveis para a separação dos poderes que lhe cabe respeitar. Como se sentiria o PR se o presidente da AR dissesse publicamente que o PR devia conter-se nas suas declarações para não prejudicar o trabalho legislativo? Ou o que diria se o primeiro-ministro o acusasse de bloquear as decisões do executivo cuja legitimidade é total?
O PR sabe que a opinião pública o favorece e lhe confere total impunidade perante o autoritarismo e a rudimentar concepção democrática do cargo que ocupa.
Quem chegou ao 25 de Abril de 1974 com mais de trinta anos e sem necessidade de condenar a ditadura, dificilmente se comporta como os que lutaram toda a vida pela democracia. Nem podemos esperar isso do único primeiro-ministro da democracia em cujo governo se censurou um livro de Saramago.
Já se viu que Cavaco está mais impaciente por ver o PSD no Governo do que o povo português. Não tenho dúvida de que conseguirá os seus intentos mas com enormes prejuízos para o país e para si próprio.
Este comportamento pode causar mais prejuízos à sua imagem do que a SLN às suas economias.

3 Comments:
O grave é que muitos portugueses acham que deve ser mesmo assim. Mais, o que seria do país se ninguém tivesse mão no Governo? Aliás, quantos conhecem os limites das competências de s. exa.? Cavaco, saloio e vaidoso, perdeu de vez a compostura e deixou estalar o verniz. Acumula o cargo de pr com o de pm, sem vergonha, tal como acumula pensões.
Serão "forças de bloqueio"?...
É incompreensível que o novo regime da acumulação de pensões por exercício de cargos políticos só se aplique aos novos.
Como moralizar o sistema político neste domínio, quando os políticos instalados podem continuar a acumular eternamente pensões do Estado, pagas pelos contribuintes?
Direitos adquiridos?...
Direito adquirido a beneficiar de uma pensão condigna, certo. Agora, direito adquirido a receber várias pensões do Estado?...
Explique-se essa aos que trabalham ou trabalharam e recebem uma única pensão do Estado.
É fácil fazer belos discursos de feriado contra os políticos, e ao mesmo tempo ser dos que mais beneficiam das pensões do Estado.
Falar é fácil, dar o exemplo é um pouco mais difícil, quando nos toca na carteira.
A D. Ana anda mesmo desatinada, será que perdeu algum poleiro?
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