domingo, novembro 29, 2009

Está lançada a corrida a Belém!

Depois de Manuel Alegre, Cavaco Silva e Jaime Gama terem partido nesta longa maratona que terminará daqui a 13 meses no Palácio de Belém, eis que se lança na corrida Freitas do Amaral.

Se a direita está comprometida com Cavaco Silva, cabe ao centro-esquerda e ao PS decidir quem será o "Chalenger" com mais condições de repor a credibilidade e a dignidade na Presidência da República, que têm sido gravemente abaladas durante o mandato em curso.

Como ponto de partida, sugiro que afastemos os preconceitos e as ideias-feitas e façamos uma análise serena das virtudes e defeitos destes pré-candidatos.

Se Alegre tem a vantagem de ter começado a corrida há muito mais tempo: há já 4 ou 5 anos... (na pretensa candidatura a Secretário-geral do PS) e poder sentir-se senhor de mais de 1 milhão de votos, a verdade é que esse pode ser também o seu defeito! Nada garante que atrás desse milhão venham mais 2 milhões de votos: condição necessária para vencer Cavaco Silva... É sabido que Alegre não faz o pleno no PS, nem faz grande "moça" no eleitorado natural de Cavaco Silva.

Jaime Gama tem a vantagem de fazer o pleno no PS e conseguir facilmente somar votos à extrema-esquerda e não assustar a Direita. Mas também não é claro que consiga mais do que a soma aritmética da oposição a Cavaco. O que para um "chalenger" pode não ser suficiente. Mas é uma boa base de trabalho. A seu desfavor tem o facto de provavelmente ter uma visibilidade reduzida junto das camadas mais pobres que serão decisivas na luta contra a abstenção e na recta final dos 100 ou 200 mil votos que poderão tirar a vitória a Cavaco Silva.

Freitas do Amaral poderia romper eleitorados à esquerda e à direita e criaria um grande desequilíbrio na análise. O que poderia revelar-se uma surpresa com dinâmica de vitória. Uma candidatura verdadeiramente nacional, sem intuitos negativos (leia-se de puro derrube de Cavaco Silva), mas com um projecto de esperança republicana inclusiva. Claro que tudo isto é demasiado incerto e inseguro e o PS, o PCP e o BE dificilmente se uniriam, em pleno, em torno desta figura.

Enfim, volto à minha primeira reflexão. Analisarei as entrevistas, as intervenções públicas e o perfil destes três grandes democratas e grandes referências da democracia portuguesa e lá mais para a frente tirarei as minhas conclusões...