sábado, fevereiro 28, 2009

Partido Socialista

Vital Moreira, cabeça de lista do PS às eleições europeias, é uma grande referência ética, cultural e política que prestigiará Portugal na Europa.

Bispo com 50 anos de atraso


Há mais de duas décadas que as opiniões do bispo tradicionalista Richard Williamson sobre estes grupos são sobejamente conhecidas, mas isso não impediu o Papa Bento XVI de avançar com a sua readmissão na Igreja Católica, quase deitando por terra meio século de diálogo judaico-cristão.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Notícia esquecida pelos jornais de Coimbra


O presidente da Câmara de Coimbra,
Carlos Encarnação, foi esta quinta-feira constituído arguido. O mesmo estatuto foi imposto a oito vereadores que, em 2003, também aprovaram um contrato de arrendamento de instalações num antigo edifício dos CTT.

Vergonha que não pode continuar

As forças policiais portuguesas violam os Direitos Humanos, refere um relatório elaborado pelo Departamento de Estado dos EUA. Além de eventuais abusos da polícia portuguesa, o documento critica ainda as más condições das prisões, a violência sobre mulheres e crianças e também o tráfico de mão-de-obra e de mulheres.

Quando as boas notícias são más

Os preços na zona euro recuaram 0,8 por cento em Janeiro, enquanto no conjunto da UE recuaram 0,6 por cento, tendo feito baixar as taxas de inflação anual destes dois espaços para respectivamente 1,1 e 1,7 por cento, de acordo com dados divulgados hoje pelo Eurostat, o serviço europeu de estatística.

CONVITE

(Clique para ampliar)

Convidamos VExª para assistir à Conferência "O GÉNIO DE DARWIN" a proferir pela Profª Doutora Ana Leonor Pereira, no dia 3 DE MARÇO DE 2009, às 17horas, na Sala de Conferências do CEIS20, integrada no Ciclo de Conferências "200 Anos de Darwin".

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ALTERNATIVA - Associação Cultural
alternativa.acdsh@gmail.com
http://alternativa-acdsh.blogspot.com/

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Oposição de gestão

Não conheço o dossier "Cimpor" em profundidade, nem sequer com o mínimo detalhe. Mas permito-me lançar aqui umas simples ideias e apresentar umas pequenas contas, enquanto cliente fiel da CGD e enquanto cidadão preocupado com a coisa pública.

O Sr. MF é devedor da CGD; O Sr. MF é titular de acções que valiam 100 e que agora devem valer 55. (Foi esta a queda em média nas bolsas mundiais.) Sobre essas acções impende um direito de garantia da CGD.
A CGD em vez de executar essas acções - que seriam vendidas no mercado a 55 ou mesmo menos - aceita uma dação em cumprimento, atribuindo-lhe um valor de 70.
Fez mau negócio?
Sinceramente penso que não!
A crise passará e facilmente estas acções retomam o valor de 80, 90 ou mesmo - a médio prazo - de 100!
O cliente (devedor, o Sr. MF) foi bem tratado? Pode-se dizer que sim.
Será sempre contra o interesse do Banco tratar tão mal quanto possível os seus clientes? Não me parece... Afundar ou contribuir para arruinar um grande devedor só vai conduzir a que se percam os créditos do Banco e, consequentemente, este prejudica-se...

Dito isto, aguardo mais explicações da CGD.

Mas não posso deixar passar em claro o lado político de toda esta questão.
O senhor da virtude e o imaculado Prof. Louçã lá foi falando do alto da sua superioridade moral o nome desse cliente, com um tom desonroso, com uma mistura de jocoso e repugnante. Que saberá o Prof. Louçã para estar tão desagradado com o Sr. MF? Bem como - nas últimas semanas - com o Sr. AA?

Mas também da bancada dos que aspiram voltar a Governar, da bancada dos companheiros do Presidente do Conselho de Admnistração da CGD, vieram ataques ferozes contra ... o Governo por causa de uma operação de ... um Banco!
Compreende-se agora porque razão eles desejam privatizar a CGD...! Porque acham que se o capital é público, o Governo e o Primeiro-Ministro têm que controlar tudo... Não percebem os limites da acção do Governo, não percebem que o Estado Republicano pode e deve ser titular de instrumentos de acção económica, sem que isso signifique que o Governo controle todo e cada processo individual.

Esta oposição aguarda eleições para se renovar. A esmagadora maioria daqueles senhores - colocados ali por Santana Lopes - terão que mudar de vida.
É uma oposição de gestão.

As Religiões e a Liberdade II

Eu, não sendo religioso, discordo do Carlos em alguns pontos da sua análise das três grandes religiões monoteístas.

Quanto ao judaísmo, refere e bem que não é uma religião que pratique activamente o proselitismo religioso. Tal deriva do carácter etnocêntrico dessa religião, que encara a sua etnia como sendo o povo eleito. Os únicos casos de conversão ao judaísmo que costumam ser reconhecidos pelo Beit Din (tribunal religioso de Israel) são de pessoas que conseguiram provar a sua etnia judaica jure sanguinis, provando que os seus antepassados foram levados à apostasia em determinado momento histórico.

Não concordo nomeadamente com a interpretação do islamismo como um "plágio" do cristianismo. Ora, o cristianismo procurou ser, na sua fase inicial, uma "evolução na continuidade" do judaísmo, procurando saneá-lo de alguns aspectos menos positivos da sua liturgia, e procurando transfigurar Elohim, o Deus judaico, de Deus criador e destruidor, ex machina, numa divindade mais interventiva e generosa (o conceito de amor). Foram várias vicissitudes que levaram a ideia originária do Cristianismo, essencialmente monoteísta, a absorver elementos ocidentais, nomeadamente através do sincretismo que se operou através da absorção dos deuses pagãos e da atribuição das suas "pastas" a santos mártires da igreja. Também à iconoclastia inicial se sucedeu a veneração de imagens, numa forma de adaptação desta igreja às exigências de um grupo de fiéis de diferentes etnias que se alargou muito depressa. O conflito entre iconoclastas (cristãos levantinos e orientais) e adoradores de imagens (cristãos gregos e ocidentais) perpassou toda a história do império bizantino, por vezes com episódios sangrentos, e que esteve na génese da reforma protestante. Para além de tudo isso, o cristianismo criou toda a espécie de dogmas e mistérios, muito frequentemente de enorme complexidade, tais como o da santíssima trindade, que levaram a profundos cismas (primeiro o cisma igrejas monofisitas orientais, depois o grande cisma entre igreja católica e ortodoxa por causa da tradução do filiusque).

O islão aparece também como uma evolução na continuidade, propondo-se como um monoteísmo puro (sem divindades de segundo grau), síntese dos dois monoteísmos anteriores, que segundo o Corão, devem ser respeitados (os profetas respeitados, e os seus fiéis- "ahl al-kitab" protegidos pelos muçulmanos). Existe aí também uma necessidade de adaptação a novos fiéis, procurando erradicar hábitos religiosos pagãos das tribos de pescadores e beduínos das arábias (iconoclastia pura, proibição de adoração de génios, proibição da representação de imagens humanas ou de animais, proibição de práticas religiosas ou de meditação através da êxtase- daqui também a proibição do álcool e de substâncias narcóticas).

Parece-me que cada uma das grandes religiões monoteístas procurou, à sua maneira, e de acordo com as suas necessidades, adaptar o elevado grau de abstracção teológica do monoteísmo à sua comunidade de fiéis. O Islão aparece, entre as outras duas, como a mais abstracta, não contando com quaisquer divindades intermédias, a mais simples (sem mistérios ou dogmas teológicos) e a mais descentralizada (não existindo uma estrutura religiosa organizada em termos canónicos, ainda que por vezes os poderes seculares tenham criado estruturas hierárquicas no clero islâmico: historicamente o califa de Bagdade e depois a Sublime Porta no império otomano assumiram as funções de Sheikh-al-Islam, mais ou menos o equivalente a papa). A simplicidade teológica, que se resume a cinco simples "pilares da fé" (profissão de fé exclusiva em Deus, oração cinco vezes ao dia, esmola aos desfavorecidos, jejum do Ramadão e peregrinação a Meca), é um dos factores que favorece a expansão do Islão.

Do aduzido discordo do Carlos. O Islão não é um plágio, mas um desenvolvimento das religiões anteriores, uma tentativa de síntese, e uma adaptação às realidades locais. Por outro lado, entendo ser uma religião que se pode perfeitamente conciliar com a modernidade, com o laicismo e com a ciência.

Frequentemente existe um alinhamento da opinião pública com a teoria do "choque das civilizações" de Huntington, entendendo-se o Islão como religião intrinsecamente reaccionária, anti-modernista, anti-científica e opressiva. Ora, entendo que o Islão não é nem mais nem menos opressivo ou obscurantista que as outras religiões. O olho por olho e dente por dente, a lapidação dos adúlteros ou a submissão da mulher tanto estão presentes no Corão como na Torah, no Talmud ou no Novo Testamento, todos textos redigidos antes do Iluminismo. Se parte significativa do mundo islâmico actual é conservador, obscurantista, medieval, oprimido, tal deve-se mais a circunstancialismos de ordem económica e social do que meramente ao factor religioso. Afirmo isto baseando-me nos seguintes argumentos:

1) na época áurea do islamismo (Séc. X a XIV), a civilização islâmica era a mais próspera economicamente e a mais avançada científica e tecnologicamente, gozando de mais paz e estabilidade quando comparada com a civilização cristã da alta idade média (a Idade das Trevas).
2) Existem, nos dias de hoje, sociedades predominantemente islâmicas, com razoável prosperidade económica, índices médios e até altos de desenvolvimento social e humano, e onde se entende o Islão de forma moderada (Malásia, Singapura, Turquia).

Não é o Islão que oprime, são as duras condições sócio-económicas que conservam o poder nas mãos de alguns que, em seu nome, com o seu pretexto e com a sua interpretação dele oprimem. O que é mau é o fundamentalismo e o radicalismo, seja ele judaico, cristão, islâmico, budista ou pagão. Outro facto incontornável, e que muitos na Europa tentam negar, é o facto de o Islão ser parte indissociável e indelével da identidade histórica deste velho continente, e que o diálogo inter-religioso é imperativo. Desde o século IX que existem muçulmanos na Europa, e cada vez haverá mais. Interessante para o leitor poderá ser a Declaração de Istambul de 2006 sobre a presença do Islão na Europa, e o papel dos europeus muçulmanos na participação política e cívica.

As religiões e a liberdade

A religião continua a ser um feudo difícil de abordar, uma reserva protegida por medos, um espaço imune à crítica e defendido do escrutínio.

Pode criticar-se uma ideologia política, um sistema filosófico ou, até, uma evidência científica mas pôr em dúvida que o arcanjo Gabriel ditou o Alcorão a Maomé , entre Medina e Meca, ou que Moisés recebeu de Deus os Mandamentos, no Monte Sinai, é motivo de crispação e ameaças.

Em épocas de crise, quando a insegurança das pessoas procura arrimo no sobrenatural, as religiões ganham força e os descrentes são olhados com desconfiança e raiva. Os bruxos, quiromantes e outros profissionais de ofícios correlativos também expandem o negócio, nestas alturas, mas o sobrenatural é um domínio que é arriscado devassar.

Há nestes desvarios místicos diferenças substanciais entre as três religiões monoteístas que concorrem no mercado da fé. O judaísmo, embora assente no poderio financeiro e no destemperado imperialismo sionista, reduz-se a menos de quinze milhões de pessoas e não tem carácter prosélito.

O cristianismo, com o catolicismo a descambar para o anti-semitismo de raiz fascista, e as Igrejas protestantes num processo de atomização progressiva vão perdendo influência graças à secularização e, sobretudo, à liberdade que lhes faz pior dano do que a lixívia às nódoas. Apenas o cristianismo ortodoxo vive a euforia prosélita da aliança com o poder político, vício que se manteve no período soviético.

Já o islamismo, para desdita dos crentes, continua a pensar que não há mais mundo para além da fé, nem leis que o Corão não contemple. Sendo, como é, um plágio grosseiro do cristianismo, sem contaminação da cultura helénica e do direito romano, apresenta-se como um monoteísmo implacável, servido por uma ideologia guerreira e uma legião de serviçais violentos e vingativos.

A Europa confunde o respeito que os crentes merecem com as abomináveis crenças que discriminam a mulher e defendem amputações, vergastadas e lapidações. Só quem não leu a Bíblia e o seu plágio – o Corão – é que não vê a origem do mal que nos aflige nas determinações divinas que a democracia execra e a civilização abomina.

Mas enquanto fizermos de conta que os abomináveis livros são bons, os crentes radicais é que são maus, não acharemos saída para a ameaça que paira sobre a nossa civilização. Já basta a crise cujo fim não se vislumbra.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Questão de dignidade

O ministro dos Negócios Estrangeiros considerou pouco dignas de relevo as informações relativas ao voo da CIA que há seis anos passou por Portugal para levar a Guantánamo Binyam Mohamed, o etíope que se tornou o primeiro prisioneiro libertado do campo de detenção desde que Barack Obama assumiu a Presidência dos Estados Unidos e ordenou o seu encerramento.

Comentário: Pouco digno é esconder a participação num crime do Estado português. A um ministro do PS exijo um comportamento diferente do de Paulo Portas ou Martins da Cruz.

Excelente pergunta

O deputado socialista António Galamba interrogou esta quarta-feira o Ministério das Obras Públicas sobre se vai divulgar o nome dos proprietários dos terrenos localizados na área de implantação do futuro aeroporto de Lisboa, em Alcochete, informa a Lusa.

Associação Ateísta Portuguesa


Assunto: A canonização de Nuno Álvares Pereira


COMUNICADO

À Comunicação Social

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) ficou perplexa com a canonização de Nuno Álvares cuja anti-guidade começa a contar a partir de 26 de Abril.

A AAP entende que o prestígio do condestável não se altera com o milagre que lhe foi adjudicado mas Deus podia mais facilmente ter evitado os salpicos de óleo que atingiram o olho esquerdo da D. Gui-lhermina de Jesus, enquanto fritava o peixe, e a consequente «úlcera da córnea, uma coisa gravíssima» – segundo o cardeal Saraiva Martins –, do que ter de a curar para o beato virar santo.

Um vulto histórico, da dimensão de Nuno Álvares, não se engrandece com a cura de uma queimadela ocular quando há tantos amputados a quem o crescimento de uma perna facilitaria a vida e era mais relevante para o seu prestígio.

A AAP duvida da capacidade do guerreiro para actuar como colírio e fica surpreendida por se ter lem-brado dele a D. Guilhermina que, em vez do desabafo habitual, quando um pingo de óleo fervente atinge um olho, recorreu à intercessão de um taumaturgo, sem antecedentes no ramo, para lhe salvar a visão.

Há nesta maratona pia uma sucessão de coincidências suspeitas. Começou pelo facto de a D. Guilhermina ter optado por fritar peixe em vez de assá-lo; perante a dor que se adivinha, em vez de recorrer a uma expressão que não cura, mas alivia, ter pedido a intercessão de quem precisava do milagre para ser promovido a santo; ter dado conhecimento à Igreja católica e estar na presidência da Prefeitura da Causa dos Santos o experimentado pesquisador de milagres e criador de santos, o cardeal Saraiva Martins; finalmente, haver no Vaticano médicos para certificarem a cura do olho e, em Lisboa, devotos à espera do novo santo.

Só quem sabe distinguir a água benta da outra pode rubricar um milagre que, não sendo excepcional, foi o que se arranjou. O patriarca Policarpo preferia que D. Nuno fosse dispensado das provas públicas do milagre mas resignou-se com a exigência papal; o presidente da República já anunciou a sua satis-fação, certamente a título pessoal, e a Pátria, angustiada com a crise, ficou estupefacta.

Os espanhóis que, durante muitos anos, não toleraram a santidade do carrasco que os humilhou nos Atoleiros, em Aljubarrota e em Valverde, têm agora tantos santos que não ligam à elevação de D. Nuno aos altares.

Durante os dois últimos pontificados emergiu um tsunami de santidade que exumou os cemitérios da catolicidade em busca de taumaturgos. O folclore dos milagres é certamente uma forma de propaganda religiosa mas a AAP, temendo estar perante uma burla com a conivência das mais altas instâncias do poder, quer saber:

1 - Quem foram os médicos que comprovaram o milagre;
2 - Qual o critério para o atribuir a D. Nuno;
3 - Que exames mostram o olho esquerdo da D. Guilhermina antes e depois do milagre;
4 - O que pensa a Ordem dos Médicos portuguesa sobre o acto clínico de D. Nuno.

A Associação Ateísta Portuguesa não será cúmplice, com o seu silêncio, da manobra obscurantista em curso e, por isso, a denuncia.

Apela ao espírito crítico dos portugueses para não crerem em afirmações sem provas e não confundirem a superstição com a realidade.

Recorre ainda à comunicação social para prevenir os simples da manipulação, acautelar os frágeis contra a crença de que as dificuldades se resolvem com milagres e advertir os compatriotas de que as soluções se procuram com quem está vivo e não com quem é defunto há séculos.

Associação Ateísta Portuguesa – Odivelas, 24 de Fevereiro de 2009

Informação útil II

O consumidor não é obrigado a pagar os aperitivos não solicitados, mesmo que os consuma. Isto inclui azeitonas, pão, patés, enchidos, queijos, presuntos, licores, aperitivos ou quaisquer outras virtualhas que não tenha expressamente encomendado ou que tenha expressamente aceite tendo devida, antecipada, directa e inequivocamente sido informado do seu preço.

A grande questão é que o consumidor, mesmo conhecendo a lei e sabendo que não é obrigado ao pagamento, muitas vezes acaba por não se queixar, ou por não se querer incomodar, ou por não querer ficar embaraçado, ou por ser cliente habitual e recear mau tratamento no futuro.

Este é que é o aspecto grave e insidioso desta prática comercial: os restauradores agem dolosamente, bem sabendo que o consumidor não é obrigado a pagar, mas que a esmagadora maioria acabará por pagar os bens não solicitados, seja por ignorância dos seus direitos, seja por recearem a confrontação ou o embaraço social. Para mais, muito frequentemente chegam os aperitivos não solicitados a quantias na casa de 5 a 15 euros por pessoa em alguns restaurantes, quando se trata de queijos, enchidos e presuntos regionais, ou por exemplo de carapaças de sapateira recheadas (muito frequente nas cervejarias lisboetas).

E que não haja desculpas dos restauradores, como se infere do artigo jornalístico indicado pelo Carlos num post anterior, de assim agirem legitimamente "de acordo com um uso do comércio". Por outro lado, ainda menos se compreende o desconhecimento dos seus direitos nesta metéria por parte dos consumidores.

É que a proibição da prática de fornecer bens e serviços não solicitados não é propriamente recente, estando já vigente desde há um quarto de século: já é expressamente proibida legalmente em Portugal pelo menos desde 1984 (veja-se o Art. 62º do Decreto-Lei nº 28/84 de 20 de Janeiro), sendo expressamente consagrado o direito de o consumidor recusar pagamento ou quaisquer encargos de devolução ou responsabilidade pelo risco de deterioração ou perecimento desde 1987 (Art. 15º do Decreto-Lei nº 272/87 de 3 de Julho).

Este "desconhecimento" e a continuação da prática ilícita resulta da manha dos restauradores, da ignorância ou conformismo dos consumidores e da omissão das entidades fiscalizadoras. Esta é uma prática comercial em que deverá haver fiscalização activa por parte das autoridades competentes, não sendo de esperar uma mudança de comportamento por parte dos consumidores.

Ponte Europa – 4.º aniversário

Há quatro anos o André assinou o primeiro post. Foi o pontapé de saída para uma longa caminhada. Deixámos o VÉRITAS para celebrarmos a magnífica ponte que aproxima as duas margens do Mondego e que o pio edil de Coimbra, mais empenhado na salvação da alma do que na defesa da cidade, crismou com nome de santa.


Alguma coisa o autarca havia de fazer para ser recordado por dois mandatos inúteis.


Desde então, muita água passou sob a Ponte Europa. E muita prosa correu aqui no Ponte Europa, um espaço de debate entre amigos, um ponto de encontro de cidadãos, um lugar bem frequentado. Um sítio onde vêm portugueses e brasileiros de todo o mundo.


Tem sido gratificante, nestes quatro anos, ler os textos das caixas de comentários. Por cá passaram, e passam, intelectuais de grande qualidade, prosadores exímios e cidadãos de grande gabarito.

Para quem, diariamente, procura manter vivo este espaço, é sedutor ter leitores assim.


Se alguém está de parabéns é esta plêiade de comentadores que hoje saúdo, estes homens e estas mulheres que amam a liberdade, exercem a cidadania e se dispõem ao confronto de ideias.


Agradeço ao Prof. Amadeu Carvalho Homem os textos com que se propôs assinalar o Centenário da República e que, desde o primeiro, colocou à disposição dos leitores do Ponte Europa. Ao amigo magnânimo, historiador probo e honrado cidadão deixo aqui o agradecimento e o testemunho da minha admiração.


A todos os que nos deram o privilégio da sua companhia ao longo destes quatro anos deixo uma calorosa saudação e os votos de que este convívio continue.


O Ponte Europa permanecerá fiel ao carácter republicano, laico e socialista, um espaço onde os contribuidores e os leitores têm direito às suas opiniões e onde a liberdade não será coarctada.

Hipótese que regressa

SÓFIA, 24 FEV (ANSA) - O atentado contra o papa João Paulo II cometido na Praça São Pedro, em Roma, no dia 13 de Maio de 1981 pelo turco Ali Agca, teria sido ordenado de dentro do Vaticano, com a colaboração de expoentes da máfia.

CONVITE

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Informação útil


Pagamento dos aperitivos nos restaurantes não é obrigatório

Bragaparques - É preciso topete

A defesa do administrador da Bragaparques vai pedir, no recurso do acórdão que o condenou ao pagamento de cinco mil euros por corrupção para acto lícito, que os meios de prova recolhidos não têm validade para este crime.

Comentário: Não se contesta o crime, apenas a validade dos meios de prova.

Dez discursos de Barack Obama

Acabo de ler 10 discursos do ora presidente dos EUA. Fiquei esmagado pela força das convicções, a intensa humanidade e a coragem cívica.

Este homem é um príncipe da Renascença, filho do Iluminismo e apóstolo da Revolução Francesa. Tudo ao mesmo tempo. A grandeza ética de um cidadão singular e a força tranquila do presidente mais poderoso do Mundo.

Há nele uma convicção tão profunda e uma fé tão sincera que nos convencemos de que a força a que apela vem de si e a ajuda que pede não é um direito mas o dever que incumbe cada um de nós.


Invoca Deus, numa cedência ao gosto autóctone, mas é nos homens e mulheres que ele pensa, na enorme força escondida na capacidade humana.

Um homem, por maior que seja – e é – não pode tudo mas todos lhe devemos a solidariedade que merece e a ajuda que pudermos.

Quem gosta da América e dos americanos e andou 8 anos, longos e dolorosos, a zurzir a clique evangélica com as mãos sujas de petróleo e de outros negócios escuros, ré da violência nas prisões, da mentira e das guerras injustas e criminosas, tem agora uma sólida razão para se reconciliar.

Barack Obama é a brisa que sopra do outro lado do atlântico, a esperança que chega.

O mundo está perigoso mas, sem ele, seria bem pior.

A ler: Dez discursos históricos in Fio da Palavra

Censura, NÃO

O quadro de Gustave Courbet encontra-se exposto no Museu D'Orsay em Paris

Braga

PSP apreende livros por considerar pornográfica capa com quadro de Courbet.

23.02.2009 - 19h24 Lusa

Momento de poesia


        Contra-revolução



O tempo sem tempo

os dias sem data

a vida sem destino

o mundo em desatino

as flores sem cheiro...

E a Revolução por acabar...

Ficou ali, na rua,

esmagada, sem sentido,

esperando as bandeiras desfraldadas da revolta

(já apeadas dos mastros) e outrora erguidas

nas vitórias assumidas

e agora engolidas no travo da derrota.


Alexandre de Castro