quinta-feira, abril 30, 2009

Viagens secretas e despesas públicas

Dupont e Dupond



Coimbra amordaçada

Mais um excelente artigo de João Silva desmascarando o bafio e o despudor que alarvemente se vai passeando pelas ruas (ou melhor, pelos shoppings...) da nossa cidade.

Beata Alexandrina de Balasar

Se a infalibilidade papal não fosse um dogma, e a de João Paulo II uma evidência, não se acreditaria que a bem-aventurada Alexandrina de Balasar tivesse vivido os últimos treze anos e sete meses de vida em jejum total e anúria. Apenas tomava a comunhão, como confirmou publicamente o referido Papa, que viveu com odor a santidade.

Pode até pensar-se que a morte pudesse ter ocorrido por falta de consagração da última hóstia, descuido que a terá privado do único alimento que a mantinha.

Apesar do tão longo e notável prodígio – viver do ar e da hóstia –, a Igreja católica, por caducarem os milagres em vida, exigiu-lhe currículo de defunta para elevação a beata. A taumaturga realizou o milagre, na área da neurologia, para uma emigrante portuguesa residente em França.

Dizem os biógrafos que a bem-aventurada Alexandrina, além dos excelentes êxtases das sextas-feiras, era acometida de ataques violentos pelo que foi diversas vezes exorcizada. Quem conhece a força do demónio e a raiva que nutre pela virtude, não lhe estranha o ódio a quem pediu ao papa que consagrasse o mundo contra o comunismo. Perante as orações da própria e os exorcismos do pároco, o Maligno rendeu-se e acabou por deixar em paz a devota e a URSS a cujo descalabro Alexandrina assistiu do Paraíso.

O 5.º aniversário da beatificação desta virtuosa mulher, ocorrido a 25 de Abril, passou despercebido no país, entretido em festarolas pela queda da curta ditadura de 48 anos, como se a eternidade se medisse em lustros ou a santidade precisasse de democracia.

Felizmente, enquanto cresce a devoção à beata, não faltam pedidos para a sua canonização. Não tardará o segundo milagre. Deus pode dormir mas os padres, não.

Ponte Europa / SORUMBÁTICO

Subsídios para a história de um santo

Nun'Álvares

"Quanto a Nun'Álvares, a sua avidez e ganância são atestadas por numerosos incidentes, conflitos e reclamações. Assim, por exemplo, quando D. João I lhe doou os direitos de Almada, Nun'Álvares achou pouco e tomou conta, por sua iniciativa e abuso (sancionado depois com uma demanda) dos esteiros de Arrentela e Corroios. Os seus rendimentos provenientes das doações feitas por D. joão I foram avaliados em 16.000 dobras cruzadas. Mais de uma vez, quando resistiam à sua desmedida ganância e à dos seus apaniguados, Nun'Álvares ameaçava... abandonar. Lutar, lutava. Mas mais bem pago que o rei. Assim Nun´Alvares se torna senhor de Barcelos, Braga e Guimarães, Montalegre e Chaves, Ourém e Porto de Mós, Alter do Chão e Sousel, Borba e Vila Viçosa, Estremoz e Arraiolos, Montemor-o-novo e Portel e ainda Almada, Évora-Monte, Monsaraz, Loulé e muitos e muitos outros reguengos e muitas e muitas rendas de muitos e muitos lugares. É de um homem destes que a Igreja Católica fez um santo, erguendo-lhe uma igreja em Lisboa aonde os pobres vão orar-lhe e pedir-lhe a sua intervenção junto de Deus..."


Álvaro Cunhal, "As lutas de classe em Portugal nos fins da Idade Média", ed. Estampa, 1975.

quarta-feira, abril 29, 2009

As Bermudas de Barroso

Já sabíamos que Barroso gosta de passar férias com amigos milionários. Que tanto frequenta o Mediterrâneo, como ilhas privadas na costa brasileira, que se dá bem em ambientes internacionais e até gosta de fazer praia, não apenas nas águas frias do Minho, mas mesmo em temperaturas tropicais.

Alguns pensavam que Barroso era apenas o mordomo, o anfitrião, ou o servidor de café na cimeira da primeira grande guerra do século XXI, a mãe de todas as guerras da próxima geração ou duas (os americanos não prevêem deixar o Médio Oriente a médio prazo e vêm pedir a ajuda dos europeus...) - dizia eu que Durão Barroso era já conhecido por tudo isso, mas agora reencontrei este documento precioso, de 2007: afinal Bush aceitou o convite do Primeiro-Ministro de Portugal, à época, por causa do nome do lindo Arquipélago do Atlântico Norte (os Açores), ou melhor, para evitar o nome confuso ou dúbio do pequeno arquipélago britânico mais próximo dos Estados Unidos: as Bermudas.

É que Bush, além de criminoso e malvado, é um puritano e tudo o que possa induzir em pensamentos lascivos ou simplesmente um hedonismo de praia deveria ser afastado.
Por isso está agora no seu rancho, dando tiros numa árvore, bebendo uma cerveja sem alcoól ou analisando uma jogada de basebol.

Por que não enviamos Barroso para lá uma temporada? Quem sabe não se tornaria um bom manager desse desporto? Ou mesmo um exímio comentador? Ou mesmo Presidente de algum Clube?

Quem pretende afivelar tantas caras, de amigo de Bush a pedagogo de Obama, também poderia tentar uma nova carreira.

Assim, a Europa poderia acompanhar os EUA neste virar de página, nesta nova era que se impõe para refazer a ordem internacional, com regras humanas, de tolerância, respeito e paz.

PSD: um Partido à deriva

A direcção nacional do PSD entrou em rota de colisão com a sua própria história.
Atacar a modernização do país, designadamente da Região Centro, só merece uma resposta e essa será dada nas urnas a 7 de Junho. Cartão vermelho a MFL e P. Rangel pelo populismo, pela falta de coerência, pela política fácil do bota-abaixo!

O Provedor recebeu um político camuflado

O Presidente da República recebe(u) esta manhã, em audiência, o novo presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP), João Palma. No encontro, que servirá para apresentar cumprimentos na sequência da tomada de posse da nova direcção do sindicato, também deverá ser abordada a questão das alegadas pressões sobre os magistrados que investigam o chamado processo Freeport.

Comentário: Estranho comportamento do PR cujo respeito pelos outros órgãos de soberania se parece com o que lhe merecem os clássicos da literatura portuguesa.

Radical...

O governo egípcio anunciou hoje que iniciou a morte em massa de todos os porcos do país como medida de prevenção contra um possível surto de gripe suína, doença que matou sete no México, um nos Estados Unidos e atingiu outros nove países.

Comentário: A medida pode ser inútil para a saúde e prejudicial para a economia mas agrada certamente a Maomé.

Garzón investigará as torturas em Guantánamo

El juez de la Audiencia Nacional Baltasar Garzón investigará las supuestas torturas cometidas en Guantánamo contra cuatro presos, uno de ellos español, durante la Administración de George Bush. El magistrado ha abierto una causa para investigar a los posibles "autores materiales, inductores, cooperadores necesarios y cómplices" de delitos de torturas en este centro de detención.

Comentário: Em Portugal não se investigaram os voos da CIA.


Na pressa de reescreverem a história

Desmentido da Visão, hoje

Esquerda (...) com maioria absoluta

O Ponte Europa é um blogue onde a qualidade da participação dos leitores ultrapassa, com frequência, a dos colaboradores e seria injusto não referir como das mais lúcidas e bem fundamentadas as frequentes intervenções de “E – Pá”, sem prejuízo das diferenças de posição que, em algumas áreas, nos dividem.

E, mais do que a diferença de opinião, é o acento tónico em certas questões que nos separam.

E – Pá, num dos seus comentários a um post diz que a maioria absoluta está associada, em Portugal, a uma vitória unipartidária que acusa de arrogância e outros males. É um ponto de vista respeitável e, à partida, irrespondível. Mas…, há sempre um mas, é a isso que vou responder, apesar das dificuldades teóricas de argumentação. Por isso me refugio também em exemplos práticos:

- Não houve em Portugal, depois do 25 de Abril, nenhum governo tão autoritário, lesivo das liberdades e incompetente como o de Santana Lopes/Paulo Portas, apesar da maioria ser de coligação, pior ainda do que o anterior de Barroso/Portas com igual coligação;

- Neste momento histórico só a direita tem condições de unidade o que lhe confere uma elevada probabilidade de regresso ao poder com estes ou outro/s partido/s surgidos dos escombros dos actuais, com as mesmas pessoas;

- O PS tem à sua esquerda dois partidos que se dividem entre o cepticismo e o horror à Europa, na política externa, e que o elegeram como inimigo principal na ordem interna, motivos que tornam inviável um entendimento;

- A maior democraticidade que o voto disperso por numerosos partidos confere às eleições, como defende E - Pá, tem como prejuízo a ingovernabilidade que o período de profunda crise financeira, económica e social pode conduzir a uma tragédia política;

- Não vendo arrogância na coragem nem nos erros com que este governo enfrentou certas corporações, temo que a vitória da ingovernabilidade seja o prenúncio do caos e da agitação incontroláveis;

- É falso o alegado poder excessivo do Governo, tendo a oposição, às vezes odiosa, dos sindicatos de magistrados, da maioria das autarquias, do presidente da República, dos proxenetas do caso Freepot na comunicação social e das corporações atingidas, em alguns casos, é certo, injustamente e com falta de senso político.

Penso que saímos de uma ditadura onde E-Pá pagou dolorosamente o preço de homem livre e vamos entrar, 35 anos depois, no pântano onde defender o governo democrático é incómodo e considerado como sinal de falta de inteligência ou de desonestidade.

Recuso o maniqueísmo (não é o caso do E – Pá) em que tudo o que vem deste governo é absolutamente mau e o que sai de Sócrates irremediavelmente péssimo, onde até o dever de transmitir optimismo para atenuar os efeitos da crise serve para demolir o carácter e encontrar um mitómano.

Nas próximas eleições (3) é preciso votar mais com a inteligência do que com o coração.

Mário Soares - permanente surpresa (2)

Por

E - Pá

Depois de o ouvir, fascinado, no Prós e Contras, é estimulante vir lê-lo em El País.


A surpresa sobre as desabridas declarações de Mário Soares só aparece porque nós temos vivido uma situação de "laissez faire" que, indubitavelmente, está na génese da crise.
Estas declarações, aparentemente, dirigem-se para a Europa.
São mais uma emissão da comunicação por recados, no caso vertente, para o PSE.

Mas elas devem ter, também, uma leitura interna, já que incorporam um conteúdo ideológico profundo capaz de influenciar as relações de força no interior do PS.
A resposta nacional à crise tem seguido uma política que podemos caracterizar como de “bombeiro”. Isto é, o Governo tem acudido, aqui e acolá, a pequenos focos de combustão social, ou que já se instalaram, ou que se adivinham.

Mário Soares, invoca o seu passado e a sua experiência política para advertir da necessidade de fazer uma inflexão à esquerda. As inflexões à esquerda no PS – essencialmente as protagonizadas por Manuel Alegre – tem tido um tratamento de polé. Desde os “suaves” empurrões dos que acham que deve sair para fazer um “novo” partido, deixando o PS na doce ilusão de que tudo no seu interior está bem. Ou, outros, mais virulentos como foram as declarações impróprias de José Lello, Augusto Santos Silva, entre outros, que pugnam por exorcismos políticos, absolutamente deslocados dos tempos actuais.

A direcção do partido, conflitua, gratuitamente, com dirigentes e militantes que sugerem alterações óbvias e transparentes e se entrosam nas preposições de Soares, expressas na entrevista ao El País. Estou a falar do apoio a Durão Barroso.

A política nacional tem sofrido ataques constantes a um princípio basilar da organização do Estado, isto é, é ela (a política) que comanda a Economia e o desenvolvimento económico.

Ontem, observamos uma gritante intromissão com um grupo de empresários capitaneados por Belmiro de Azevedo que foi recebido pelo PR e se propõe apresentar um plano de recuperação económica.

Voltamos à vaca fria. Regressamos às manobras que já foram exibidas, pelo poder económico, em relação ao novo aeroporto. Uma "reprise" intolerável.

O governo não poderá hesitar em desvalorizar estas iniciativas concertadas e com objectivos selectivos.
Em primeiro lugar, deve colocar os diferentes protagonistas nos seus respectivos “galhos”.
E quando tiver necessidade - que obviamente terá! – de ouvir o sector empresarial deve fazê-lo institucionalmente. Se possível dentro de um quadro de concertação social.
Não deve, por intermédio da dita cooperação estratégica, ou institucional (como Sócrates de algum tempo a esta parte lhe chama), tacticamente intermediada pelo PR, submeter-se à pressão de lobby’s organizados que, em última análise, pretendem capturar o Estado.

Na resolução desta profunda crise económica e social o Governo deve passar a mensagem ao País do que está em causa, o que é primordial, são as decisões políticas.
Isto é, a política está primeiro mesmo em relação ao normativo e aos quadros orientadores da facilitação de uma reestruturação do tecido empresarial nacional que, obsoleto e anquilosado (não competitivo como sói dizer-se agora) não apresentam qualquer capacidade ou pujança, para arrastar o País, com celeridade, para fora da crise.

E, sendo necessárias novas políticas, como sublinha Mário Soares, o velho lobby empresarial nacional, não tem espaço para protagonizar qualquer solução de mudança ao encontro da modernidade e do futuro. Pretenderá, apenas, salvar o seu ultrapassado e delapidado espólio e preservar privilégios.

Já demos para este peditório!

terça-feira, abril 28, 2009

Portugal ameaçado com novos santos

– A sua saída [cardeal Saraiva Martins] significa que Portugal vai viver, quanto à santidade, uma travessia no deserto?

– Portugal vai, certamente, continuar a ter santos. Somos um país de santos. Estão em Roma 33 causas de beatificação e canonização oriundas do nosso país.

Associação 25 de Abril



COMUNICADO

O Presidente da República mandou publicar no Diário da República a promoção a major general do coronel Jaime Neves.

Consumou-se, assim, um processo que teve origem na iniciativa de alguns militares reformados junto do próprio Presidente da República e foi apresentada publicamente como iniciativa do Estado-Maior do Exército.

Pelo caminho ficou também a aprovação em Conselho de Chefes de Estado-Maior, desculpa utilizada pelo ministro da Defesa Nacional para tentar justificar a sua aprovação de um acto que, em nossa opinião, indignifica as Forças Armadas e constitui uma ofensa aos militares de Abril e ao Portugal democrático resultantes da Revolução dos Cravos.

Não tanto pela importância do promovido, mas sim pela natureza do acto político perpetrado.

Aliás, estranhamente, até ao momento desconhecem-se os fundamentos que levaram à consumação deste acto.

Ao comemorarem o 35.º aniversário com um acto desta natureza, os detentores do poder, sejam os membros dos órgãos de soberania, sejam os chefes militares, não se mostraram dignos dos cargos que ocupam no Portugal de Abril.

É certo que o Presidente da República tinha apelado a que se encontrassem novas formas de comemorar Abril, mais apelativas à participação da juventude.

Não nos parece, contudo, que esta acção possa responder a esse desiderato, apesar da responsabilidade do supremo magistrado da Nação!

Não é com atitudes provocatórias, divisionistas, perturbadoras da paz e da estabilidade recuperadas entre os militares que se envolveram no processo revolucionário do 25 de Abril, independentemente das diversas posições então assumidas, que se comemora Abril.

Poderá querer-se comemorar outra coisa qualquer, poderá querer-se refundir o acto libertador e reescrever a História, mas não se estará a comemorar Abril, no sentido de acto fundador da Liberdade, da Democracia, da Paz, da Justiça Social, da Solidariedade!

Consciente de representar a generalidade dos militares de Abril, certa de que a grande maioria dos mesmos comunga com as afirmações atrás referidas, a Associação 25 de Abril analisou a sua participação ou não, nas tradicionais cerimónias organizadas pela Assembleia da República, para comemorar o 35.º aniversário do 25 de Abril.

Apesar de a sessão comemorativa ser presidida pelo Presidente da República, responsável maior pela decisão que contestamos e reprovamos, e de nela participarem os responsáveis governamentais e os chefes militares que aceitaram dar cobertura a um acto de natureza política, a Direcção da Associação 25 de Abril decidiu aceitar o convite feito pelo presidente da Assembleia da República, também ele um militar de Abril, pelo que comparecerá à sessão solene do próximo dia 25 de Abril.

Queremos, com este acto, reafirmar as nossas convicções democráticas, homenageando com a nossa presença o Órgão e os representantes máximos da Democracia em Portugal, objectivo primeiro dos que há 35 anos tudo arriscaram, ao derrubar a ditadura e abrir as portas à Liberdade!

Viva o 25 de Abril
Viva Portugal!

Lisboa, 20 de Abril de 2009

Pela Direcção

Vasco Correia Lourenço

Turquia - Perigo islâmico

Istambul, 27 abr (EFE).- Pelo menos 100 pessoas foram detidas hoje em uma grande operação antiterrorista da Polícia turca contra várias organizações radicais islâmicas em todo o país, segundo informaram veículos de imprensa turcos.

Recenseamento eleitoral

O sistema de recenseamento eleitoral foi alterado.

Consultem o v/ nº de Eleitor e vejam se estão bem recenseados.
Se tiverem amigos / familiares que completem os 18 anos, eles são recenseados automaticamente na Freguesia de Residência, (mas não lhes é comunicado o nº de Eleitor).

Mário Soares - permanente surpresa

Depois de o ouvir, fascinado, no Prós e Contras, é estimulante vir lê-lo em El País.

Momento de poesia

A Tales de Mileto *



Era preciso encontrar um princípio

para lá da soberba dos deuses

e das suas fantasias

um pensamento apenas

que juntasse todas as coisas

e lhes evidenciasse um sentido.

Nesse tempo de auroras

a rasgar as trevas

o mundo era pequeno

e a tua cidade uma ponte

entre o mar e os homens

e tudo cabia na palma da mão

mas isso não negou a tua razão

ao preveres com rigor e assombro

um eclipse solar e teres sido o primeiro

a medir o Tempo com um quadrante

nem impediu o avanço da tua geometria

nem a libertação do teu ousado pensamento

quando dizias tudo é uno

e a água o princípio de tudo,

a culminar a coerência da unidade racional

daquilo que procuravas no infinito

para explicar a Natureza e o Universo

sem a interferência de um qualquer poder divino.

Alexandre de Castro

* Matemático do sec. VI a.c., tendo sido o primeiro filósofo a tentar uma explicação racional da Natureza, sem o recurso à mitologia e às lendas. Fundou a escola jónica, em Mileto, uma colónia grega na Ásia Menor, e teve como sucessores Anaximandro e Anaxímenes, tendo todos eles ficado conhecidos como os primeiros filósofos pré-socráticos.

segunda-feira, abril 27, 2009

Pedido razoável


Um membro do governo israelita pediu ao jornalistas e ao público deixarem de se referir à ‘gripe suína’, passando a utilizar o termo ‘gripe mexicana’. O vice-ministro da Saúde lembra que o porco é um animal mal amado por judeus e muçulmanos.

O fascismo islâmico

Contou-me uma amiga querida - a pintora Sofía Gandarias - que, há alguns anos, estando de visita de trabalho no Sri Lanka, antigo Ceilão, se surpreendeu ao encontrar nas ruas grupos de rapazes vestidos com túnicas pretas. (José Saramago)

Saiba porquê.

Cavaco vai abdicar de algumas pensões de reforma?

Nuno Álvares Pereira soube voltar as costas às “honras terrenas que conquistara através de feitos heróicos”, mas “não voltou as costas ao seu amor por Portugal, pois foi em nome desse amor que o Condestável comandou tropas em defesa da independência de uma nação ameaçada”.

O PR afirmou ainda que os portugueses se revêm nele. Em D. Nuno, claro. Talvez quisesse dizer revêem.

Veja o vídeo da mensagem, aqui.

Havia dúvidas?

O cardeal Saraiva Martins defendeu ontem (26 de Abril) a veracidade do milagre que sustenta o processo de canonização de S. Nuno Álvares Pereira. “É possível provar o milagre e foi provado”, disse à Agência Lusa o cardeal, que já presidiu à Congregação da Causa dos Santos, organismo do Vaticano que avalia este tipo de processos, nos quais é obrigatório um milagre que comprove, para a Igreja, a intercessão divina dessa figura numa cura.

Comentário: O Ponte Europa regozija-se com o facto de o Centro de Saúde de Ourém e o Hospital de Leiria terem sido considerados idóneos para a confirmação de milagres pelo cardeal Saraiva Martins. Aliás, o Hospital de Leiria já tem tradições no ramo. Foram médicos do mesmo hospital que confirmaram o milagre da D. Emília uma joint venture de dois pastorinhos mortos, Francisco e Jacinta, no ramo da ortopedia, intercessão que lhes valeu a promoção a beatos.

Apostila - Foi certamente com base nos pareceres médicos que o presidente da República rubricou o milagre apesar de estar constitucionalmente impedido de o fazer.

D. Nuno e D. Guilhermina


Ontem D. Nuno foi posto a render ao serviço do obscurantismo e da superstição. Não se referiram as leis da época, as lealdades a que os cavaleiros medievais se obrigavam, as circunstâncias políticas das batalhas nem, por lapso, foi referido que do lado de Castela também se ajoelhavam os cavaleiros, como era hábito.

Se houvesse exigência de rigor em alguma afirmação, alguém devia ter explicado como se tornou D. Nuno o homem mais rico do reino e como exigiu a fortuna. Mas isso são coisas alheias à santidade e à cura do olho da D. Guilhermina.

Só do lado de D.Nuno se genuflectiram os cavalos, é certo, a fazer fé num opúsculo do Sr. Duarte Pio, especialista em cavalos devotos e tolices avulsas, não se percebendo o esquecimento dos cavalos com o precedente de S. Guinefort, o cão injustamente morto pelo dono e feito santo. Os historiadores ignoraram o espectáculo e deixaram ajoelhar consolados os escuteiros, bispos e beatos que foram agradecer a cura do olho esquerdo de D. Guilhermina, órgão que devia ser protegido com grades, não vá um especulador de relíquias arrancar-lho em vida.

O Patriarca Policarpo acusou o Estado de conviver mal com a Igreja, sem compreender a separação e a laicidade a que o estado é obrigado. O Sr. Duarte Pio, com vocação para a asneira, considerou que a canonização «tem mais importância para Portugal do que os «prémios Nobel».

Cavaco Silva, presidente dos portugueses católicos, mais ilustrado em santidade do que em letras, apesar de catedrático em literatura pela Universidade de Goa, afirmou que “será motivo de orgulho e de alegria para todos os que amam o nosso país e a sua história”, certificando de uma só vez o milagre de D. Nuno no olho da D. Guilhermina e os patriotas.

Eu, que me envergonho de muitos factos da nossa história, sobretudo das perseguições aos judeus, torturas da inquisição, esclavagismo, evangelizações, guerra colonial e ditaduras, amo a pátria sem precisar do certificado deste presidente que confunde a sua fé na cura do olho esquerdo de D. Guilhermina, queimado com salpicos de óleo fervente de fritar peixe, por intercessão de D. Nuno, com as funções que desempenha, que o impedem de certificar milagres e de abdicar da ética republicana a que as funções o obrigam.

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA

Por
Amadeu Carvalho Homem *

MEMORIAL REPUBLICANO XVI
XVI - GÉNESE DO IMPERIALISMO EUROPEU

A génese do imperialismo europeu marcou profundamente a propaganda republicana. É indispensável que se compreendam as motivações de uma Europa em crise de crescimento industrial. Evite-se, acima de tudo, a leitura preconceituosa ou anacrónica do expansionismo colonialista.

O Antigo Regime só foi vencido porque os estratos burgueses ascendentes, medindo as forças próprias e as alheias, decidiram que era chegado o momento de render a coligação aristocrático-clerical no varandim da hegemonia social.

* Historiador

Texto integral em LIVRE E HUMANO

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domingo, abril 26, 2009

Esquerda islandesa com maioria absoluta

A coligação de esquerda na Islândia garantiu a maioria absoluta no Parlamento, após as eleições antecipadas realizadas ontem.

O acto eleitoral penalizou, como se esperava, a direita, considerada a responsável da crise no país.

Na actual crise uma maioria relativa seria desastrosa.

AAP na comunicação social

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) ficou perplexa com a canonização do Beato Nuno Álvares Pereira que tem lugar este domingo no Vaticano. O tvi24.pt falou com o presidente da AAP sobre as três razões pelas quais a canonização não deve acontecer.

Carlos Esperança afirma que «cada um entende como quiser o problema da canonização», mas a AAP considera «verdadeiramente inaceitável a intromissão por parte do Estado».

Nota: O cónego António Rego pensa o contrários por três razões diferentes.

Nuno Álvares condenado à santidade

Portugal, tão esquecido pelo Vaticano no negócio dos santos, vê Nuno Álvares Pereira perder o prestígio de que gozava e, por causa da santidade, passar a ser gozado. Foi um herói que resistiu à apropriação de Sidónio e de Salazar mas, com quinhentos anos de cadáver, não resistiu aos interesses da Igreja e à satisfação dos beatos.

Valeu a vergonha para que o Presidente da República e o presidente da Assembleia da República não fossem mostrados de joelhos em Roma. Para enxovalho já bastou terem dado o nome para a comissão de honra da canonização de Nuno Álvares a cujo espectro se atribui a cura do olho esquerdo de D. Guilhermina de Jesus, queimado com salpicos ferventes de óleo de fritar peixe.

É grave que o Estado tenha sido enredada na cura miraculosa do olho esquerdo de uma devota; é ridículo que os seus mais altos representantes confundam as legítimas crenças individuais com os factos; arruína a reputação de Portugal que, em nome do Estado, se rubrique como verdade um grosseiro embuste de sabor medieval. É abusivo peregrinar, a expensas do tesouro público, para rezar ave-marias durante a canonização e trazer, depois, santinhos para os amigos.

Se D. Guilhermina tivesse rezado quatro novenas, em vez de duas, e passado a noite aos ósculos na imagem do Condestável, teria curado o olho esquerdo e feito a profilaxia das cataratas. O País não carece de médicos, basta que, na altura certa, reze a um beato que esteja em lista de espera para ser canonizado. Portugal, para sair da crise, só precisa de fé, de rezar o terço e da protecção divina.

Respeito os crentes que, à sua custa, foram a Roma esfolar os joelhos e agradecer a deus a cura do olho esquerdo da D. Guilhermina, mas condeno o ministro, deputados e outros dignitários que reclamam a representação do Estado em cerimónias que comprometem a laicidade. Portugal ainda não se emancipou da cumplicidade que, durante a ditadura, a Igreja e o Estado estabeleceram entre si. Os altos representantes deviam usar um cordão sanitário que os abrigasse da vergonha e da falta de ética.

Nuno Álvares foi o herói que a Igreja transformou em colírio rasca para a cura de um olho esquerdo, queimado com óleo de fritar peixe. Com a espada nas mãos não se teria deixado capturar mas, assim, desfeito em cinzas, sucumbiu com duas novenas e deixou-se atravessar por um ósculo de uma beata numa imagem sua.

Na Madeira...

Por

E - Pá

Hoje, na Região Autónoma da Madeira, não se efectuaram comemorações do 25 Abril.
Esta auto-exclusão da Madeira do regime vigente em Portugal é, quer o Sr. Alberto João Jardim goste ou não, no campo político extremamente relevante em termos de valores da República e uma intolerável violação da coesão nacional.

Mais, em jeito de provocação alguns energúmenos passearam-se pelo centro do Funchal, agitando a bandeira da "Flama" (movimento separatista, dirigido por um deputado regional do PSD/M) que o Presidente do Governo Regional costuma agitar quando está com dificuldades orçamentais.
Portanto, atenção aos bolsos porque ele deve estar a aparecer por aí...

O PR, aparentemente tão determinado na defesa das instituições, não tem sabido lidar com estes constantes (e já cansativos) desmandos e provocações ao regime democrático...

Ou é falta de jeito ou é feitio!

Ramalho Eanes

Faz pena ver um honesto ex-presidente ressentido com Abril.

Trocou a fidelidade aos camaradas, a quem deve as estrelas de general e a presidência da República, por uma vida pia ao serviço do Opus Dei.

Paraguai

O bispo católico Fernando Lugo era tão popular que ganhou as eleições presidenciais mas, ao trocar a mitra e o báculo pela política, três mulheres de quem tinha filhos quebraram o silêncio.

O respeito ao bispo exigia o silêncio que não se concede aos políticos.

Acabará por perder o palácio presidencial e não recupera o paço episcopal.

sábado, abril 25, 2009

Hoje, na Assembleia da República

Um fato novo não se estraga com cravos. Há muitos à sua frente.

Viva o 25 de Abril


Há quem, antes, não tivesse precisado de partido, quem não sentisse a falta da liberdade, quem se desse bem a viver de joelhos e a andar de rastos.

Houve cúmplices da ditadura, bufos e torturadores, quem sentisse medo, quem estivesse desesperado, quem visse morrer na guerra os filhos e nas prisões os irmãos e se calasse. Houve quem resistisse e gritasse. E quem foi calado a tiro ou nas prisões.

Uns pagaram com a liberdade e a vida a revolta que sentiram, outros governaram a vida com a vergonha que calaram.

Houve quem visse apodrecer o regime e quisesse a glória de exibir o cadáver e a glória da libertação. Viram-se frustrados por um punhado de capitães sem medo, por uma plêiade de heróis que arriscaram tudo para que todos pudéssemos agarrar o futuro.

Passada a euforia da vitória, ninguém lhes perdoou. Os heróis da mais bela revolução da História e agentes da maior transformação que Portugal viveu são hoje proscritos e humilhados por quem lhes deve o poder.

Uns esqueceram os cravos que lhes abriram a gamela onde refocilam, outros reabilitam os crápulas que nos oprimiram, outros, ainda, sem memória nem dignidade, afrontam o dia 25 de Abril com afloramentos fascistas e lúgubres evocações do tirano deposto.

Perante os ingratos e medíocres deixo aqui a TODOS os capitães de Abril o meu eterno obrigado.

Não quero saber o que fizeram depois, basta-me o que nesse dia fizeram.

Obrigado Otelo, Salgueiro Maia, Fabião, Melo Antunes e tantos outros. Obrigado a todos os que estão vivos. Por cada ofensa que vos fazem é mais um pedaço de náusea que provocam.

25 de Abril. Sempre

No dia de todos os sonhos

sexta-feira, abril 24, 2009

PSD e CDS em mais uma página negra da sua história

O mais temível aconteceu.
O PSD e o CDS preferem assobiar para o lado, preferem não repudiar as acções e as palavras vis do edil de Santa Comba.
As pessoas passam, mas as instituições ficam.

PSD e CDS vão acumulando nódoas, manchas terríveis que não poderão ser apagadas...

25 de Abril. Sempre

Devemos envergonhar-nos de quem se envergonha de usar o cravo de Abril.

Amanhã, se ouvir algum discurso de quem deve o lugar à Revolução, sem ser digno dela, desligue e

AAP na comunicação social

Gente pusilânime


Relatório do Senado revela que a Administração Bush estava de acordo sobre os métodos da CIA. Republicanos acusam Obama de perseguição. Juristas avisam que será difícil condenar quem deu as ordens.

Condoleezza Rice foi a primeira alta responsável da Administração Bush a dar luz verde à tortura de suspeitos terroristas detidos pela CIA. No dia 17 de Julho de 2002, a então conselheira para a Segurança Nacional aprovou o recurso à simulação de afogamento sobre Abu Zubaydah, um dos chefes da Al-Qaeda detidos pela secreta.

João Vasco Ribeiro: uma excelente oportunidade para Coimbra!



João Vasco Ribeiro, um Engenheiro, independente, com enorme experiência de gestão, que já desempenhou (e desempenha) com grande mérito várias funções de responsabilidade pública e com um profundo conhecimento da cidade, da Região e do País, pode ser uma excelente hipótese para encabeçar a lista do PS à Câmara Municipal de Coimbra.

Coimbra precisa de quem tenha carisma, capacidade de gestão, que saiba governar e que saiba ouvir as pessoas.

O PS precisa de um candidato apaixonado, apaixonante e galvanizador, que constitua uma equipa dedicada ao serviço público, com ética republicana e com vontade de transformar a cidade.

Vasco Ribeiro, pela ligação estreita que mantém com a Universidade, com o conhecimento profundo que demonstra do tecido económico e social da Região e pelos valores de democrata que perfilha é uma hipótese que me merece o mais elevado crédito e o meu sincero aplauso.

MFL em discurso directo

Vídeo da JS sintetiza as linhas gerais do pensamento do "novo" PSD.
Política a sério, sem insulto, sem difamações; apenas com a verdade.

Divulgação de espectáculo de marionetas Japonês para adultos












Ningyo Joruri em Leiria

Dia 28 de Abril pelas 21:30 h

No Teatro Miguel Franco

Entrada Livre, limitada a lotação da sala.

Abertura bilheteira: 19:30h
Duração : 1:30H

informações e reservas: 244860480 ( 2 horas antes de cada espectáculo )

mail - div.cultural@cm-leiria.pt

25 de Abril no Museu Machado de Castro

25 DE ABRIL NO MUSEU


PROGRAMA


10,00h – "Proibido", Ricardo Kalash e Manuel Rocha

Ateliers de Teatro e Música proporcionam aos jovens a oportunidade de brincar com o "Proibido" daquele tempo: ter opinião diferente e expressá-la, comprar e vender certos discos, ouvir certas músicas, dar beijos em público, usar isqueiros, ler ou ter certos livros, usar mini – saias... mostrar os joelhos, ser de outro partido....

Conheceremos músicas de intervenção, e estaremos atentos às mensagens subliminares. E porque não criar uma?


12,30 – Almoço

Traz o almoço e fazemos um pic-nic no Museu, partilhamos o nosso farnel com os outros, numa vivência dos valores e do espírito que nesse dia se comemora.


14,30h – " É Proibido proibir", João Nora

Atelier de Pintura utilizando o lápis de aguarela e pastel, apenas em tons de azul, a recordar o lápis da censura, construirão painel colectivo de pintura, constituído por trabalhos individuais


15,00h – “ Um olhar sobre a memória do 25 de Abril”, Miguel Cardina

Conversa onde podemos entrar todos, a partir do olhar de um jovem nascido depois da Revolução.


17,00h – Todos os participantes, pais, amigos e público em geral, estão convidados para apresentação dos trabalhos resultantes dos ateliers


O preço dos ateliers será de 10 € por pessoa, podendo as inscrições ser feitas pelo telefone 927246443 ou no endereço martcunha@gmail.com. Quem pretender frequentar os ateliers da manhã e da tarde apenas pagará o preço de 1 atelier (10 euros), mas deverá inscrever-se em cada um deles.



....e ainda no Museu Nacional de Machado de Castro promovido pela AMIC


25 e 26 de Abril das 10,00h - 12,30h e 14,300h 18,00h

“ Lápis da Natureza”, Paulo Amaral

Curso de fotografia elementar, versando sobre técnicas de câmara escura, desenhos de luz, composição de imagens em ampliador e câmara de Pinhole.

Procurar-se-á evidenciar o lado criativo de cada um dos participantes, mostrando-se como técnicas simples de produção de imagens podem ser propiciadoras de resultados deveras originais.


Público-alvo: Crianças dos 6 aos 14 anos


Custo do curso: 35 €

Número máximo de inscrições: 10 pessoas

Incontinência verbal

O novo presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) considerou, esta quinta-feira, que a lentidão da justiça em Portugal deve-se à existência de «más leis».

Pergunta: E se os legisladores atribuíssem a lentidão da justiça à incompetência dos assalariados do exótico sindicato?

Estes sindicalistas, não respeitando quem foi eleito, perdem o respeito que lhes é devido.

Olho esquerdo de D. Guilhermina a render

À conta da canonização de D. Nuno Álvares Pereira, marcada para as 10h00 de domingo em Roma, já foram vendidas em Portugal, e só nos últimos dois meses, mais de sete mil imagens do Santo Condestável.

E reina a euforia nas sacristias.

Jaime Neves – general de caserna (2)

Por

E - Pá

JAIME NEVES

Mais um eloquente caso de inculcação histórica.

A "promoção" do ex-coronel Jaime Neves, a "intromissão" do ditador Oliveira Salazar nas comemorações do 25 de Abril de Santa Comba Dão, a "canonização" do beato Nuno, são diversas faces da mesma moeda...

As forças reaccionárias e obscurantistas esperam o tempo que for preciso, até surgir a oportunidade para, "torcer", "espremer" e (re)escrever a História. Oportunidade que não poupam...

Qualquer força retrógrada, imobilista, que sobrevive remando contra os ventos da História - desde a trauliteira à mais erudita - tem este secreto e oculto desígnio.

Em, Coimbra, pretensa e pretensiosa cidade da Ciência, da Saúde, da Cultura, do Metro, etc., mas na realidade estagnada no tempo, tem uma Universidade (logo uma sede de um saber universal) que remonta aos tempos medievos.

Quando visitamos a Sala dos Capelos vemos como é possível "inculcar" a história.
Esta sala reservada para os grandes Actos da Universidade, começou a ser construída em 1639, ainda Filipe IV de Espanha (III de Portugal), reinava por cá.

Esta majestosa sala tem uma extensa galeria dos Reis de Portugal.
Não consta lá nenhum dos Filipes.
Um exemplo de como uma instituição dedicada ao Saber caiu na tentação da inculcação histórica.

As forças retrógradas e imobilistas - que sempre existiram ao longo do nosso percurso histórico português, apesar do Iluminismo - desejam (sonham) exercer um direito que julgam inalienável: fazer entrar ou excluir da História, quem lhe aprouver. "Assaltaram" a história.
Em termos policiais, actuais, seria um acto de historyjacking...

Jaime Neves é o último passo de inculcação histórica do movimento 25 de Abril, quando homens como Salgueiro Maia e Melo Antunes, só para citar 2 dos muitos, da lei da morte se libertaram...
como coronéis!

E, ao que se sabe, urinavam como todos os demais homens do 25 de Abril: - isto é, de pé... e não transidos de medo, pelas pernas abaixo!

quinta-feira, abril 23, 2009

NOVIDADE POLÍTICA

Com autorização do seu autor, João Silva, transcrevo um artigo publicado no Diário de Coimbra:


NOVIDADE POLÍTICA
"Nos últimos dias tivemos uma verdadeira novidade política: o “Esclarecimento” do Dr.
Carlos Encarnação, no site da Câmara, sobre o processo que levou à sua constituição como arguido.
É uma novidade porque durante, praticamente, oito anos o Dr. Carlos Encarnação tem persistentemente fugido a esclarecer muita coisa que seria politicamente importante conhecer.
Fê-lo, agora, perante uma questão que está (?!) em segredo de justiça e que terá de esclarecer, isso sim, no âmbito judicial e não através de comunicações públicas utilizando como suporte o site institucional da Câmara.
Nunca até hoje, O Dr. Carlos Encarnação, esclareceu, verdadeiramente, decisões políticas de retirada de confiança a vereadores seus companheiros de partido, ou deu público conhecimento sobre controversas decisões de gestão autárquica.
Nunca esclareceu o que verdadeiramente aconteceu durante os três anos em que teve como director municipal para o urbanismo o presidente da Académica e que levou a que este fosse acusado judicialmente de crimes de corrupção. E, neste caso, tinha a estrita obrigação de ter esclarecido, dado que o referido directo municipal foi por si escolhido e nomeado, e exerceu poderes por si delegados.
O Dr. Carlos Encarnação foi e é o responsável político pelo que vier a ser decidido judicialmente neste caso e foi e é o responsável por nunca ter feito uma averiguação total e completa a esse período de três anos deixando os munícipes com legitimas dúvidas e com a legitima certeza de que ele nunca devia ter permitido, quanto mais criado, aquela situação.
Nunca esclareceu, bem pelo contrário, manteve um absoluto mutismo perante graves acusações, até de carácter, que lhe foram feitas pelo vereador e ex-vice-presidente Engenheiro Pina Prata e devia-o ter feito porque os cidadãos de Coimbra não merecem que o presidente da sua Câmara não seja respeitado nem tido como um homem de bem.
Mas não, num frio calculismo político, defendeu-se calando-se, esquecendo-se que há acusações cuja gravidade nunca permitem o silêncio, a não ser que sejam pelo próprio tidas como verdadeiras.
O Dr. Carlos Encarnação usou a suas funções de presidente da Câmara para condicionar o jogo partidário no interior do seu partido, retirando o cargo de vice-presidente ao vereador Pina Prata só porque este se candidatou a umas eleições internas e nunca esclareceu os munícipes das razões objectivas que levavam a essa tomada de posição.
Aliás, posteriormente, teve um comportamento contrário, numa situação idêntica, mostrando-se alguém que usa o poder e se move por puro capricho político.
Nunca esclareceu as acusações de compadrio e de despesismo que tantas vezes lhe foram feitas e devia-o ter feito porque os dinheiros usados são públicos e os cidadãos têm o direito de saber quais os critérios do seu uso e as consequências para a sua vida colectiva desse uso.
Questões essenciais para Coimbra foram por si negociadas sem um cabal esclarecimento público, lembre-se a questão da Penitenciária em que subscreve um acordo com a Ministra da Justiça gravemente lesivo para a cidade sem qualquer esclarecimento prévio.
Verdadeiramente, na gestão mediática da sua política e da sua imagem, o Dr. Carlos
Encarnação foi ao longo destes sete anos o mestre do silêncio quando devia ter sido o
presidente da tal cidade inteligente que agora defende, em que a Câmara e os seus órgãos devem ser transparentes e interagir com os munícipes.
Agora, quando devia cultivar o prudente silêncio, honrando o seu currículo e o seu cargo público, com a postura sóbria de alguém que nada teme e que serenamente exporá
no sítio próprio as suas razões, resolveu vir junto dos cidadãos dar esclarecimentos.
Fê-lo esquecendo que “este esclarecimento” do arguido Carlos Encarnação não tem qualquer valor e que não pode deixar de ser visto como uma iniciativa tendente a condicionar a Justiça.
Por outro lado só vem valorizar os seus múltiplos silêncios e evidenciar um bem patente medo político e eleitoral, para além de criar um precedente que leva a perguntar se qualquer outro autarca em idêntica situação não poderá utilizar os mesmos meios.
Esta é a novidade política desta Primavera que vai marcar alguns dos tempos que aí vêm."
Coimbra, 13 de Abril de 09
João Silva

Critérios jornalísiticos

O que leva uma notícia a ser bombástica e outra irrelevante?

Por que razão o sangue ou o vil metal é mais aliciante que o absurdo e o ridículo?

Esta notícia, esquecida no meio do Diário de Notícias, seria, noutro país, motivo de indignação nacional, motivo de tumultos de linguagem, eventualmente iniciar-se-iam processos internos na Judiciária e poderia mesmo registar-se um incidente diplomático com outro país.
Nada disso é pensável entre nós.
A auto-flagelação a que três séculos de inquisição e cinquenta de salazarismo nos habituaram apenas nos leva a "assobiar para o lado."
Será possível que se esteja a utilizar o nome do Primeiro-Ministro da República Portuguesa para criar um alibi para um dinheiro supostamente desaparecido?
Que tradutora da polícia judiciária é esta que não conhece uma expressão idiomática simples, como "No way, Jose"... e redige um documento que cria uma pista errada?

Nada disto é ainda seguro. Nada disto é ainda certo.
Mas, sem dúvida, numa Pátria com orgulho esta notícia encheria os escaparates dos jornais, seria discutida na televisão, haveria investigação...