domingo, maio 31, 2009

Notas Soltas - Maio/2009

Gripe suína – Também designada gripe mexicana, para não ofender muçulmanos e judeus, avessos ao toucinho, a pandemia pôs o mundo à beira da histeria e fez convergir o medo e os interesses de um laboratório farmacêutico.

1.º de Maio – A agressão a Vital Moreira, integrado na comitiva do PS convidada pela CGTP, foi o acto sectário que lesou o prestígio da central sindical e ofuscou o êxito das comemorações, ferindo o civismo, a tolerância e o pluralismo.

Suécia – Ao legalizar este mês as uniões homossexuais, juntando-se à Espanha, Holanda, Bélgica e Noruega, permanece na vanguarda da tolerância, do respeito pela diferença e da defesa das liberdades individuais.

EUA – Guantánamo foi a mais perfeita réplica de um campo de concentração nazi que uma democracia criou. Os responsáveis pela tortura, Bush, Cheney, Rumsfeld e Rice, são os réus cuja infâmia não prescreve.

Vaticano – O Parlamento belga, a OMS e a ONU qualificaram as declarações de Bento XVI contra o preservativo, em África, «um atentado inquestionável contra a saúde pública», posição que alastra e reduz a já débil credibilidade papal.

Paraguai – A paternidade de Fernando Lugo, bispo católico e presidente, deu visibilidade ao machismo e à promiscuidade do país, onde são vítimas de abusos sexuais 80% das mulheres e ilegítimos 70% dos filhos.

Marcelo Rebelo de Sousa – A presença semanal do ex-líder do PSD, conselheiro de Estado, com ambições presidenciais, a fingir de comentador neutral na RTP-1, é um veículo de propaganda partidária que ofende a ética democrática.

Itália – O apoio activo da estrutura eclesiástica a Berlusconi não esmoreceu com os escândalos judiciais, casos de corrupção e manifestações xenófobas, mas há limites que a piedade não suporta – relações adúlteras publicamente conhecidas.

União Europeia – Apesar dos tropeções e dos adversários do espaço monetário, económico e social, a aprovação do Tratado de Lisboa pelo Senado Checo foi um êxito político que precisa de chegar ao fim para evitar a desintegração da UE.

Assembleia da República – A lei do financiamento partidário parece ter sido votada por adversários da democracia, alheios ao perigo da corrupção que facilita e ao mal-estar social que agrava. Registe-se o único voto contra, de António José Seguro.

África do Sul – A posse de Jacob Zuma, primeiro presidente polígamo, cuja aura só rivaliza com a de Nelson Mandela, criou enorme expectativa apesar dos escândalos e actos de corrupção que lhe ensombram o passado.

Birmânia – A perseguição da Junta Militar a Aung San Suu Ky, prémio Nobel da Paz e presidente sufragada, a quem a tropa nega o poder, não é só o produto da ditadura que se eterniza, é também o fracasso da ordem internacional que falta.

Setúbal – Os crimes no bairro da Bela Vista são um problema social mas o vandalismo não resulta das dificuldades que exigem apoio, são delinquência pura que não pode servir de pretexto para lutas partidárias que impeçam a repressão policial.

Cristo-Rei – A participação das Forças Armadas no 50.º aniversário do santuário e a deplorável presença de altos dignitários do Estado que confundem as suas crenças com as funções para que foram sufragados, foi um ultraje ao carácter laico do Estado.

Irlanda – Os abusos sexuais, psicológicos e corporais de milhares de crianças, durante décadas, em reformatórios católicos, são um libelo acusatório à conivência entre a Igreja e o Estado cuja separação devia ser exigência ética e prática democrática.

Ministério da Defesa – Paulo Portas encomendou dois submarinos escusados, 260 viaturas blindadas “Pandur”, cujo primeiro lote chegou com defeitos e sem arranjo, e fotocopiou milhares de documentos para fins ocultos. Quem lhe pede contas?

PJ – A tortura de Leonor Cipriano por polícias e a mentira e encenação de colegas para se protegerem, são actos indignos que aviltam a investigação, envergonham a polícia e desonram Portugal. O tribunal de Faro descobriu o crime mas não o criminoso.

Brasil – Sofri com as derrotas de Lula da Silva, vibrei com as vitórias, conheço o que o país lhe deve e o desejo de 75% do eleitorado, mas a ética republicana exige a recusa da alteração constitucional que permita o 3.º mandato a um grande presidente.

Coreia do Norte – Com o país na miséria e acossado pela fome, Kim Yong-il, detonou uma potente bomba nuclear e exportou o terror. É a aflição de quem teme que aconteça ao paralelo 38 o que sucedeu ao muro de Berlim.

BPN – Tão relevante como descobrir as pessoas que conspiraram para a prática de crimes é desvendar a natureza e extensão das conivências políticas que os permitiram.

Parlamento Europeu – No período de crise em que se realizou a campanha eleitoral era mais útil debater a Europa, e mostrar que Portugal só tem futuro com a UE, do que enganar os eleitores com uma primeira volta das eleições legislativas.

sábado, maio 30, 2009

AAP - 1.º Aniversário. Saudação


Caros ateus e ateias:

Faz hoje 1 ano que a Associação Ateísta Portuguesa se constituiu. Dezassete dias antes tinha havido uma peregrinação a Fátima, contra o ateísmo, presidida pelo então criador de milagres, santos e beatos – cardeal Saraiva Martins. Algum tempo depois o patriarca Policarpo considerava o ateísmo a maior tragédia da actualidade.

São exagerados estes publicitários. Até nos quatro bispos mobilizados para afrontarem a Associação Ateísta Portuguesa (AAP).

Neste primeiro ano de existência associativa, tornámos visível o ateísmo como filosofia de vida, ética e socialmente válida; defendemos os legítimos interesses de ateus, agnósticos, pessoas sem religião e crentes de religiões minoritárias, contra os privilégios da religião dominante; denunciámos o obscurantismo religioso e o espectáculo aviltante da cura do olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus, queimado com salpicos de óleo fervente de fritar peixe, por intercessão de Nuno Álvares Pereira, fraude que envolveu as mais altas figuras do País, constitucionalmente impedidas de autenticar milagres, e que, só na véspera, tiveram o decoro de desistir da deslocação a Roma; mas foi sobretudo na defesa da laicidade que o nosso empenhamento cívico constituiu uma referência ética, certos de que o Estado não pode ser ateu pela mesma razão por que não deve ser confessional, convictos de que só a absoluta neutralidade é factor de paz e garantia de respeito pelas crenças, descrenças e anti-crenças a que cada cidadão tem direito num país civilizado.

O nosso apego às instituições democráticas é irrepreensível, o respeito pela Constituição da República Portuguesa é autêntico e é calorosa a defesa que fazemos da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Somos ateus por razões intelectuais, incapazes de acreditar nas religiões, indisponíveis para acatar dogmas ou aceitar os deuses que os homens criaram no auge do tribalismo. Somos ateus, também, por razões morais, recusando a violência, o racismo, a crueldade, a misoginia e a homofobia do deus raivoso que os homens criaram na Idade do Bronze e cujo paradigma está vertido num livro abominável – o Antigo Testamento –, que inspira os monoteísmos: judaísmo, cristianismo e islamismo, todos belicistas e os dois últimos implacavelmente prosélitos.

Não nos intimidamos com as piedosas mentiras do catolicismo, que atribui ao alegado ateísmo de Hitler o Holocausto, porque sabemos como o anti-semitismo cristão inspirou a barbárie nazi, como protestantes e católicos lhe deram listas dos baptizados, como sempre se considerou crente e como foi mandada celebrar uma missa solene em todas as igrejas católicas alemãs pela alma do ditador.

De Mussolini a Franco, de Salazar a Pinochet, de Ante Pavelic e Josef Tiso não faltaram torcionários amigos do Papa e da hóstia. No Islão basta lembrar as teocracias do Irão e da Arábia Saudita para percebermos a tolerância e a bondade pregadas nas madrassas. E não esqueçamos os judeus das trancinhas que ameaçam derrubar o Muro das Lamentações à cabeçada com a mesma paixão com que anseiam exilar palestinos e proibir o toucinho.

Porque pensamos que não há sociedades livres sem respeito pela liberdade individual e pela igualdade de género, repudiamos a moral imposta pelas religiões, com prémios e castigos para depois da vida, este bem único e irrepetível que queremos fruir até ao limite da nossa existência ou da nossa decisão.

Caros ateus e ateias, parafraseando Dawkins: Deus provavelmente não existe, portanto gozemos este almoço e esqueçamos a última ceia.

Bem-vindos a Coimbra. Viva o livre-pensamento. 30-05-2009

Factos & documentos

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA

Por
Amadeu Carvalho Homem *

MEMORIAL REPUBLICANO XXI

XXI - ÁFRICA DIVIDIDA, ÁFRICA VIOLADA

A contradição da Europa industrial na segunda metade do século XIX entronca no paradoxo de uma produção em pleno crescimento, graças à eficácia de tecnologias cada vez mais apuradas, contraposta à vozearia dos famintos, alastrando como mancha de óleo, sem a menor capacidade económica para a aquisição dos excedentes produtivos.

Os governos liberais europeus são colocados perante climas de contestação e de mal-estar social que se desenham sobre panos de fundo de evidente expansionismo produtivo. Mas a potencial prosperidade, oriunda deste acréscimo de bens mercantis, passa ao lado de incontáveis multidões, anémicas, miseráveis e destituídas de poder de compra.

O comércio internacional refina as tendências de emulação entre os países produtores, resultando desta realidade o recurso a variados expedientes proteccionistas. Foram estes condicionalismos que impeliram tais governos à definição de políticas alternativas de emigração.

* Historiador

Texro integral em LIVRE E HUMANO

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sexta-feira, maio 29, 2009

Esta gente passa-se, só pode! (2)

O cardeal Antonio Cañizares pretendeu menospresar os abusos sexuais em instituições católicas na Irlanda, indicando que o aborto legal destroi muito mais vidas.

Ao comentar o escândalo de abusos sexuais, Cañizares, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, declarou segundo a APF: "Não é comparável o que pode ter acontecido em alguns colégios com as milhões de vidas destruídas pelo aborto".

Esta gente passa-se, só pode!

O redactor chefe da revista da arquidiocese de Madrid, presidida pelo cardeal Antonio María Rouco Varela, pergunta num artigo se faz sentido manter a criminalização da violação. É caso para perguntar se anda alguma doença dos arcebispos loucos à solta pelo mundo…

Palmira Silva in Diário Ateísta

Prendam a polícia...

Vítor Constâncio é um técnico de altíssimo gabarito que preside ao Banco de Portugal e tem sido o garante da confiança no sector financeiro. A competência técnica e o perfil de gestor íntegro já, várias vezes, o têm indicado para vice-presidente do Banco Central Europeu, indigitação lisonjeira para o governador do Banco de um pequeno País.

No vendaval que varreu a credibilidade do sistema financeiro surgiram fraudes, burlas e branqueamento de capitais o que não havia suspeita nem antídoto e que, em todo o lado, vieram pôr em causa o modelo de supervisão e a insuficiência de meios de fiscalização que a teologia liberal impôs durante décadas.

São vários os especialistas, de vários quadrantes políticos, a asseverarem que as fraudes bancárias só são detectáveis por participação de algum elemento do pequeno grupo de gestores que têm o poder de as praticar. É pacífico que Vítor Constâncio, cujas funções e perfil o remetem à discrição, pouco poderia fazer, mais do que fez, nos casos do BCP, BPP e, sobretudo, no gravíssimo caso do BPN.

Os partidos da direita, que viram enlamear-se muitas estrelas do seu espaço ideológico, sentem-se desconfortáveis e, aflitos, ensaiam fugas em frente, misturando a polícia e os ladrões, impondo a demissão do supervisor para desviar a atenção dos prevaricadores.

Vítor Constâncio pagará o preço de estar no lugar certo na altura errada. Não lhe faltam acusadores que apenas querem encobrir a dimensão das fraudes e o eventual destino de muito dinheiro, talvez a maior preocupação, mas é uma cobardia acusar de desleixo um governador de rara competência e notável sentido de serviço público. As falhas devem-se a lacunas da lei e são comuns aos vários países europeus e EUA.

É minha convicção que o PS vai deixar imolar o governador do Banco de Portugal cuja cabeça é pedida em troca da do conselheiro de Estado, Dias Loureiro. É a cedência aos que desprezam a honra de um servidor do Estado leal, de rara dedicação, competência e prestígio, sem exigência da comprovação de falhas graves, deliberadas ou por omissão. Ou, pior, com a acusação de falha grave, cujas consequências

A independência do Banco de Portugal está a ser posta em causa pela luta partidária que passa pelo sacrifício irresponsável do actual governador.

Pedir a destituição de Vítor Constâncio é como pedir a demissão do polícia que acaba de prender um criminoso com o argumento de que o devia ter apanhado antes do crime.

BPN: o inexplicável silêncio sobre a "roubalheira"...


A audição parlamentar sobre o caso do BPN tem decorrido com a decência e o recato necessários.
O conhecimento de episódios, em minha opinião, rocambolescos, considerada a pacatez e discrição do sector financeiro é que, independentemente do apuramento de quem fala a verdade, assume, de antemão, aspectos de profunda indecência.

Ontem, Vital Moreira, em campanha pelo Alentejo alertou o País para este caso. E – sendo ele um jurista - usou palavras duras.
Classificou este caso de roubalheira.

De facto, enquanto o pau vai e vem folgam as costas e prepara-se uma continuada extorsão de dinheiros públicos, silenciosamente e escandalosamente, para “salvar” os destroços dessa podridão.

Vital Moreira teve a coragem e a firmeza de denunciar que, neste inegável escândalo financeiro, estavam implicadas “figuras gradas” do PSD e seria necessário e indispensável que, esse partido, se justificasse perante os portugueses.

Todos sabemos que decorre um processo na PGR e existe o segredo de justiça. Dias Loureiro até pediu para ser ouvido, não fossem os investigadores passarem-lhe ao lado, dispensando a suas engenhosas e amnésicas interpretações.
Mas do que estamos a falar não é do processo judicial.

É do comportamento político de um partido que vê a “nata” dos seus dirigentes históricos envolvida nesta trapalhada.
Deontologicamente, uma significativa parte da “fina-flor” do PSD é indissociável deste escandaloso vexame de conduta dúbia, de gestão danosa e de comportamento ganancioso.

Ferreira Leite e Paulo Rangel queriam – não abdicavam de... - discutir assuntos nacionais nesta campanha para o Parlamento europeu.
Aí têm uma oportunidade suprema.

Como se costuma dizer: “somos todos ouvidos…”

Espanha e o PSD

Há vários dias alertei, neste espaço, que todos os dirigentes do PSD seriam responsáveis pelas graves afirmações de Paulo Rangel, caso não desmentissem ou não se demarcassem das suas atuardas contra os nosso queridos vizinhos e irmãos espanhóis.

Ninguém teve a decência de dizer uma palavra. Passou o prazo!

A partir de agora o PSD é responsável por a direita portuguesa voltar ao mais absurdo nacionalismo anti-espanhol, entrando num suposto clima de afrontamento com nefastas consequências para o pais.

Sei bem que em Espanha essas declarações foram olimpicamente ignoradas. Como é evidente!

Mas os Ministérios dos Negócios Estrangeiros trabalham e guardam registos. Se um dia o PSD voltar ao Governo, aqueles vídeos serão adequadamente utilizados.

Lamento que dezenas de pessoas, por quem tenho estima e consideração, e que são líderes do PSD, nada tenham dito sobre este assunto para corrigir a imagem desse Partido, que assim fica com uma mancha grave.

Trágica efeméride



No último minuto deste dia, queria recordar que há 83 anos teve início em Braga o “Movimento do 28 de Maio”, golpe militar comandado por Gomes da Costa e apoiado pelas principais figuras do catolicismo conservador, nessa mesma altura, também, reunidos na mesma cidade, num "oportuno" Congresso Mariano.

Foi o início de um longo período de ditadura que nos privou das liberdades e do progresso, durante meio século.

Só quero acrescentar: Fascismo nunca mais!

quinta-feira, maio 28, 2009

Berlusconi não pica...

...Bem escanhoado,

o chefe de Governo italiano, Silvio Berlusconi, desmentiu nesta quinta-feira "ter tido
relações picantes com uma adolescente", em meio ao escândalo provocado por sua controversa amizade com a jovem Noemí Letizia.

Preocupações presidenciais (2)

Na sequência da renúncia de Dias Loureiro o Conselho de Estado vai ser renovado.

O Presidente da República ainda não manifestou a sua satisfação pela "renovação" pernitida pela renúncia do referido conselheiro.

Preocupações presidenciais

O Presidente da República manifestou hoje a sua satisfação pela "renovação" feita no Jardim Zoológico de Lisboa e pelo modo como a instituição soube "adaptar-se aos novos tempos", sublinhando em particular papel que tem na educação das crianças.

Legal, é. Mas é correcto?

(...)

Tenho também uma pergunta para Paulo Rangel, o cabeça de lista do PSD. Foi notícia ele ter suspendido o mandato em 2007 e 2008, durante meses (tendo continuado a trabalhar como jurista), mas ter voltado sempre na véspera das férias, para receber o ordenado quando o Parlamento estava parado. Evidentemente, isto é legal.

Ferreira Fernandes

Nota: As críticas a Elisa Ferreira e Ana Gomes podem ser lidas no link mas parece-me que há diferenças entre opções políticas e oportunismo.

Milagre que eu conheci

Não cometo a ofensa de pensar que todos os leitores do Ponte Europa acreditem em milagres nem a injúria de acusar de semelhante ingenuidade o Papa e os bispos.

Sabe-se que a criação de beatos e santos é um negócio idêntico ao dos aviários e que os milagres estão para a indústria da santidade como as rações para a criação de frangos. Por isso estão encomendados milagres para João Paulo II, o papa de que há fortes suspeitas de ter acreditado em Deus, e para a Lúcia e outros bem-aventurados destinados a tornarem-se patronos de outras tantas caixas de esmolas.

O que aborrece, neste negócio, é o embrutecimento a que condena as pessoas simples, o cinismo com que as quer fazer passar por tolas, o impudor com que a ICAR tenta impor paradigmas medievais e sobrepor a irracionalidade da fé à virtude da razão.

A beatificação dos pastorinhos de Fátima – Francisco e Jacinta – criaram mais dúvidas aos crentes e ridicularizaram mais a sua Igreja do que os escândalos sexuais que minam os estabelecimentos de ensino que lhe estão confiados.

A cura da D. Emília dos Santos que, de vez em quando, ficava paralítica e cujo processo clínico parece ter desaparecido do serviço de psiquiatria dos Hospitais da Universidade de Coimbra, é um embuste tão primário que até os padres envergonha.

A D. Emília de Jesus tinha no Hospital de Leiria, no serviço de Medicina, uma mesinha de cabeceira cheia de santinhos e vasta quinquilharia religiosa que impressionavam o director. Quando, uma vez mais, voltou a andar e foi preciso rubricar um milagre, para a beatificação dos pastorinhos, logo foi confirmada a intercessão conjunta no prodígio.

O Vaticano apressou-se a dizer que o milagre foi certificado por três médicos diferentes, embora espante a convicção de que foram os pastorinhos os autores do milagre obrado. E a D. Emília, que morreu curada, nunca andou bem das pernas e da cabeça.

Aqui ficam os nomes dos médicos, diferentes, que confirmara o milagre: Felizardo Prezado dos Santos, director do serviço de Medicina, no hospital de Leiria, Maria Fernanda Brum, médica do mesmo serviço e esposa do primeiro e uma psiquiatra que, por insondável coincidência, é filha de ambos. Última indiscrição: todos os três médicos diferentes eram servitas em Fátima.

Diz a ICAR que os ateus ridicularizam os milagres. Não se vê que é ela que escarnece a inteligência e envergonha os crentes com os seus reiterados embustes?

Direitos dos doentes à informação e ao consentimento informado

No uso do seu direito de agendamento potestativo, o Grupo Parlamentar do PS fixa a ordem do dia desta Sessão Plenária com a discussão do Projecto de Lei n.º 788/X (PS) - Direitos dos doentes à informação e ao consentimento informado.

Em quem votar?

A todos os amigos e leitores do Ponte Europa, insisto que vale a pena fazer este teste.
Trata-se de um trabalho sério de ciência política.
E permite que nos conheçamos melhor, nas nossas escolhas políticas!

Mais Europa, maior orçamento!

A ideia de um imposto europeu foi lançada por Mário Soares em 1999.

Lamentavelmente passou-se mais uma década e nada mudou. E se alguém, de boa fé, fala na questão, logo aparecem as "virgens do capital" lançar impropérios.

Eles falam no povo e nos desempregados, mas apenas para os enganar.

O que a Europa precisa é de um Orçamento digno desse nome, com dimensão, com conteúdo, que realmente permita compensar as desigualdades à concorrência que o mercado único comporta.

Desigualdades territoriais, desigualdades históricas, desigualdades na formação do capital, desigualdades nos recursos humanos, desigualdades nas infra-estruturas (transportes, sistema bancário, administração pública), etc., etc.

Portugal deve lutar por mais Europa mais que qualquer outro país. Distamos 3000km de Berlim, tantos quanto Moscovo; sofremos uma ditadura retrógrada durante 50 anos no Século XX; o nosso aparelho produtivo foi desmantelado com o mercado único e com a política agrícola e das pescas, primeiro, e com os acordos internacionais que abriram as portas aos produtos asiáticos, depois. Portugal é o país mais dependente de energia externa (sendo este item o grande responsável pelo desequilíbrio da nossa balança comercial).

Sócrates deu passos na direcção certa: energias renováveis, reforma da administração pública, manter o investimento em infra-estruturas, aposta nos recursos humanos (Novas Oportunidades, melhoria da Escola Pública), etc.

Mas precisamos de mais Europa, mais Orçamento e naturalmente de novos e criativos impostos que regulem a vergonha deste capitalismo de casino que nos levou à maior recessão em 80 anos.

Para rir... ou para chorar...

A oposição que temos...Paulo Rangel


"Chegou a fazer parte do CDS?

Sim, participei nuns conselhos.


Mas foi mesmo militante?

Isso é que eu também não sei. Eu tenho um problema com as militâncias (risos).


Mas assinou um cartãozinho?

Não sei se assinei. Não me lembro bem. Estou a dizer a verdade.


A sério que não se lembra?

Não me lembro! Aliás, também tive esse problema com o PSD. Inscrevi-me como militante e depois não estava lá. "



Esta é uma deliciosa passagem da entrevista que Paulo Rangel deu hoje ao "i". Eu aprecio muito as pessoas assim, que conseguem viver tão despreocupadamente que nem sabem em que partidos se filiaram. Agora percebo o cartaz que manda pagar a crise com fundos europeus. Filia-se na mesma despreocupação com o que nos diz respeito.



(Origem: email enviado por José Soares)

A fé, a moral e o terrorismo

A igreja católica, perante a perplexidade dos crentes, encontra-se sob o escrutínio severo da comunicação social, dos pais e da maioria dos cidadãos. A moralidade que apregoa é posta em xeque pelos escândalos que a devoram.

O documento secreto de João XXIII, enviado aos bispos, ameaçando excomungar todos os que denunciassem os crimes sexuais cometidos pelo clero, incluindo as vítimas, veio manchar o único papa que mereceu a afeição dos não crentes.
A tentação de encobrir os abusadores e o hábito de os transferir de paróquia avolumou o opróbrio sobre o Vaticano, um Estado com demasiadas sotainas e pouca transparência.

Não interessa que o papa se pronuncie ou não sobre o recente e chocante escândalo na Irlanda. As hormonas e a liberdade arruínam a única teocracia europeia.

João Paulo II teve de aceitar a resignação do virtuoso cardeal de Viena, Hans Herman Groer, o amigo referido como eventual sucessor, a cuja fulgurante carreira eclesiástica as tentações pedófilas puseram termo. Dos EUA à pia Irlanda, da Espanha à Austrália, a dúvida sobre a virtude dos padres semeia a descrença no seu deus.
Pode Ratzinger vociferar contra o preservativo e exasperar-se contra o planeamento familiar que os católicos já não o ouvem. A fé declina nas sociedades democráticas.

Urge controlar o terrorismo islâmico onde a hierarquia religiosa é difusa dando origem a núcleos de devotos à solta que crêem tão cegamente no Corão como alguns cristãos no Antigo Testamento.

A recente tentativa de um acto terrorista de dimensões colossais, nos EUA, foi evitada com a infiltração no grupo assassino e mísseis desactivados. Assusta saber que aqueles selvagens cruéis actuavam isolados, sem ligação a qualquer rede internacional. Eram unicamente movidos pela fé, esse sinónimo do ódio xenófobo, essa demência exaltada na leitura do Corão, na convicção de que o Paraíso abarrota de virgens e de mel para facínoras que julgam que deus é grande e Maomé um profeta respeitável.

Ponte Europa/SORUMBÁTICO

quarta-feira, maio 27, 2009

Berlusconi, mentiu ?



A vida privada de Sílvio Berlusconi - ou de qualquer outro cidadão - não deve ser motivo de chicana pública. É do domínio reservado. E a situação afectiva ainda será mais restricta, se possível, blindada.
O problema começa quando o 1º. Ministro italiano é acusado de ser um mentiroso. Um homem público quando mente, embora não ajuramentado, está perante o “tribunal” da opinião pública, pelo que comete uma espécie de perjúrio.
Segundo Gino Flaminio (namorado de Noemi), Berlusconi não conhecia a família de Letizia, como afirmou publicamente.
Esta, a fundamentação para o classificar como "mentiroso".

Teve acesso aos dados pessoais da jovem, através de jornalista seu amigo íntimo. E foi a partir dessa facilidade que entrou em contacto com a jovem.

Gino Flaminio, acusa Berlusconi de ser um mentiroso. Ora, este tipo de acusação já tem a ver com o exercício de funções públicas.

Um anterior namorado de Letizia, confirma em parte as afirmações de Gino e acrescenta-lhe vastos pormenores que, em minha opinião, não têm relevância no caso vertente, dado pertencerem ao foro privado.
Todavia, as declarações de Flaminio foram publicadas no jornal La Repubblica .
Benedetto Letizia, pai de Noemi, anunciou que irá intentar uma acção judicial contra o jornal e contra quem as reproduza.

Entretanto, o "caso" entra na esfera política. A Oposição acusou Berlusconi de “mentir” e exige explicações no Parlamento. A partir desse momento - toda a Itália - quer saber os pormenores e as circunstâncias deste "caso". Eis, como uma situação transita do foro privado para o público...

Enquanto se esclarece o pedido da oposição de audição del Cavaliere, a sua ex-mulher Verónica, acusa-o de “relacionamento com menores”.

Este pode ser o início de um infindável filme sobre a personalidade e o comportamento cívico de Sílvio Berlusconi.
Se, entretanto, ele não mudar as leis…

Resistiu até ao limite

A SIC Notícias avançou há poucos minutos que Dias Loureiro falou com o Presidente da República e se demitiu do seu cargo no Conselho de Estado.

Segundo a SIC, Dias Loureiro terá comunicado a Cavaco Silva que vai pedir ao Ministério Público para ser ouvido no âmbito do caso BPN. Dias Loureiro certificou-se também de que não havia nenhum pedido de levantamento de imunidade.

A impunidade e a democracia

Quem conhece a história da República sabe como a direita mais reaccionária provocava a anarquia e o caos para, em nome da tranquilidade e da ordem, apelar à instauração de um governo autoritário ao arrepio da democracia. E sabemos como o conseguiu.


O franquismo chegou a incendiar igrejas para implicar republicanos. A Alemanha nazi sublimou as técnicas de provocação. Nesta segunda República os mais conservadores e os radicais pequeno-burgueses são os aliados da instabilidade e da provocação.


A democracia tem legitimidade para combater males que os fascistas gostam de confiar à ditadura e não há razões para a indulgência com que a função pública vai permitindo manifestas faltas de respeito, actos de desobediência grave e negligências grosseiras.


Esta semana dizia o Expresso: «Depois da pressão de Cavaco Silva, o Hospital de S. João, no Porto, decidiu arquivar o processo disciplinar e a queixa de difamação a Nuno Miguel da Silva Costa, o enfermeiro que escreveu ao presidente da República denunciando a sua transferência compulsiva de serviço, durante as férias do Verão passado». (1.º caderno, pág. 2)


Esqueçamos as razões, o modo e o destinatário da queixa do enfermeiro. A carta contém denúncias de actos e pessoas que não lhe dizem respeito e cuja crítica exige preparação técnica, competência profissional e autoridade funcional. O delator fez acusações para as quais lhe minguam legitimidade e conhecimentos, em atitude retaliatória.


Denuncia um concurso para chefe de serviço médico que diz ter sido feito à medida de Margarida Santos como se ele tivesse autoridade para denunciar um júri que os lesados, se os há, contestariam. Na denúncia discute os critérios de gestão do serviço de que foi transferido como se fosse especialista e não houvesse deveres de lealdade para com o serviço e exigências científicas, que manifestamente não possui, para poder criticar.


Quando um serviço cede às pressões do presidente da República, abdica do exercício da disciplina e não se demite, perde autoridade. O que fará, no futuro, perante idêntica situação?


Este enfermeiro é o herói que humilhou a hierarquia. Esta foi frouxa porque desistiu do processo disciplinar e da queixa-crime que tinha instaurado. O país perde o sentido das proporções e o pântano agrava-se perante a impunidade, desta vez com “a pressão do presidente da República” – a fazer fé no Expresso.


A quem escreveu Dias Loureiro?

Vital Moreira: um grande candidato

A caminhada para a vitória está aí!
Com um espírito jovem e com contacto fácil com a população, com a qual se identifica e pela qual lutou toda uma vida, Vital Moreira vai conseguir uma vitória impensável em condições normais.
Passo a explicar:
- perante a maior recessão mundial dos últimos 80 anos, que conduziu a uma das maiores taxas de desemprego de sempre em Portugal,
- perante um calendário eleitoral que permitiria "punir" nestas eleições um Governo muito reformista e que foi duro com muitas classes profissionais (podendo em Outubro fazer justiça),
- perante a desmobilização encenada por outros partidos e manipulada por alguma comunicação social (desmobilização que atinge fortemente o centro-esquerda);
- perante um processo de calvário a José Sócrates no âmbito do Freeport;
- perante tamanhas adversidades, raramente se viu o partido que está no Governo a ganhar eleições europeias.

Contudo, graças a uma campanha com nível elevado, a um contacto directo com a população, com o assumir da camisola do PS e do Governo de Sócrates, Vital Moreira está a conseguir o que poucos previam: lutar contra a abstenção, recentrar o debate na necessidade de tirar a maioria ao Partido Popular Europeu no Parlamento Europeu e ajudar a construir uma Europa socialista, em que a cidadania esteja em primeiro lugar.

Nestes últimos dias todos os amigos do progresso económico-social e da Europa da paz devem unir esforços para que nenhum voto se perca, para que a 7 de Junho Vital Moreira possa alcançar uma vitória sobre a direita, sobre o PSD.

terça-feira, maio 26, 2009

A "saga" BPN...


O insólito espectáculo proporcionado ao povo português por Oliveira e Costa sobre o caso BPN teve, no meu entender, um rebate pedagógico tremendo.
Fez-nos compreender como chegamos a esta crise. O mundo financeiro aparece aos olhos dos cidadãos completamente armadilhado, corrompido e vulnerável. Um autêntico embuste que vive à custa do dinheiro dos cidadãos...
Penso que depois de ouvir os depoimentos, naturalmente contraditórios das diferentes personagens que passaram pela audição parlamentar (…e que valem o que valem) ficamos com poucas certezas, mas imensas dúvidas.

Das certezas, há uma que é crucial. Este poder financeiro precisa de ser escrupulosamente regulamentado, ia a dizer, rigorosamente vigiado porque situações como a actual crise não se podem repetir. Pouco, muito pouco, tem sido feito nesse sentido. A iniciativa continua do lado da banca, que põe e dispõe, o que é, no mínimo, preocupante.

Das dúvidas, assistimos a um cortejo de políticos, essencialmente do tempo de cavaquismo que, pelo que se supõe que fizeram ou, não fizeram, mostram ser homens vulgares, quando não venais. O espanto é: como foi possível que tão estrondosas vulgaridades tenham ocupado lugares de destaque no aparelho do Estado?

"Eu sei mais do que disse", admitiu Oliveira e Costa, acrescentando que está "a guardar uma série de informação, que não é útil a esta comissão parlamentar, para usar mais tarde".
Nós, também, aguardamos. Perante um estendal de contradições, de “rasteiras", de mentiras (foi esse o termo hoje usado!), de traições, temos o direito de saber como foram aplicados os proventos dos portugueses na sua nacionalização e na salvaguarda dos interesses dos seus accionistas e depositantes.

Todavia, o dia de hoje foi fatal para o Prof. Cavaco e Silva e os seus formalismos políticos pretensamente isentos, ou neutros, mas vazios de qualquer conteúdo.
Depois desta primeira audição de Oliveira e Costa, todos os partidos representados na AR, defendem o afastamento de Dias Loureiro do Conselho de Estado.
Mas o dito senhor continua lá com todas as imunidades inerentes!

Apetece perguntar: que mais nos falta para desacreditar este País?

Momento zen de segunda

João César das Neves (JCN), parecendo um troglodita, é um profeta. Para ele o sexo é como o toucinho para Maomé, uma abominação, um erro da natureza que da reprodução fez prazer e popularizou esse método repugnante.

A homilia desta segunda-feira, no DN, execra o sexo. A parábola «Deseducação sexual» abomina alusões a essa sujidade, ao preservativo e à sordidez da reprodução humana.

JCN é um profeta que usa a língua e os dedos para defender a castidade. Fala e escreve para glorificar o Senhor e repetir as palavras do papa numa sociedade onde o erotismo é a arma de Satã. É um sofredor, apertado pelo cilício, a usar a ironia: «A masturbação é natural, o impulso sexual deve ser promovido [sic], se praticado com segurança, e há perfeita equivalência entre todas as opções sexuais. Pudor, castidade e matrimónio são disparates».

Por mais difícil que seja descobrir «impulsos sexuais promovidos… com segurança» adivinha-se que JCN é contra os impulsos e contra a segurança. O profeta não é rigoroso na gramática mas é impoluto no pensamento. O texto é um pesadelo para a inteligência mas um refrigério para a alma. Um dia o Evangelho de S. João César há-de registar esta parábola: «As gerações futuras vão rir à grande com a tolice dos nossos políticos que se encarniçam a regular o baixo ventre». Pensemos nas gargalhadas dos vindouros quando descobrirem como agora se fazem meninos, quando bastar inserir peças numa linha de montagem, carregar num botão e produzir bebés a chorar. Talvez aproveitem o método para fazer triciclos.

JCN, entre as reflexões pias e os louvores à castidade, ainda informou os leitores de que há 50 anos o PS defendia as ideias económicas que o Bloco de Esquerda defende hoje. Tendo o PS 36 anos de existência facilmente entendemos como JCN despreza a verdade e o tempo para salvar a alma.

O Sr. Duarte Pio e o ordenamento do território

O Sr. Duarte Pio afirmou-se na pesquisa histórica com a descoberta da genuflexão dos cavalos de D. Nuno, antes da batalha de Aljubarrota, no preciso sítio onde, em 1917, o Sol faria piruetas e a senhora de Fátima apareceu a promover o terço. A investigação levou-o à publicação de um opúsculo que só a modéstia o impediu de reclamar uma cátedra.

Se D. Nuno não tivesse sido canonizado pela sua intercessão na cura do olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus, queimado com óleo de fritar peixe, um milagre confirmado por médicos ateus e pelo Vaticano, o Sr. Duarte mostrava-lhes o opúsculo e arrasava-os com o prodígio dos solípedes. A canonização do taumaturgo era inevitável, apesar da injustiça papal que ignorou a presença de Duarte Pio e a de Paulo Portas em tão piedoso acto, dos poucos que no Vaticano puseram os pés. Todos.

O esforço intelectual com a publicação do opúsculo sobre a piedade dos cavalos, longe de lhe provocar um esgotamento, estimulou-o para outras tarefas nobres.

No dia 23 do corrente mês deste Ano da Graça, o Sr. Duarte Pio participou na Coroação e Função do Senhor Espírito Santo da Santa Casa da Misericórdia de Angra, actividade que deve exigir saber e devoção.

Mas o erudito e ecléctico intelectual revelou-se também, à margem da participação na Coroação e Função do Senhor Espírito Santo da Santa Casa da Misericórdia de Angra, um especialista em ordenamento do território.

O Sr. Duarte Pio afirmou que o estatuto político ideal para as regiões autónomas dos Açores e da Madeira seria o de «reino unido», como possuem a Escócia ou as Antilhas Holandesas. Segundo a Lusa, o ilustre visitante sustentou que «os reinos unidos dão o máximo de autonomia com o máximo de unidade nacional». Revelou ser um perito em ordenamento do território e um erudito em Geografia pois até sabe da existência da Escócia e das Antilhas.

Com tal sabedoria, não tardará a propor um estatuto para as Berlengas e os Farilhões.

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA

Por

Amadeu Carvalho Homem *

MEMORIAL REPUBLICANO XX

XX - O TRICENTENÁRIO DE CAMÕES

Algumas determinações vexatórias do Tratado de Lourenço Marques suscitaram junto do público uma reacção de grande desagrado. Temia-se pelo esfacelamento do império colonial português, às mãos gananciosas e implacáveis da Grã-Bretanha. Era necessário que alguma coisa de poderoso e de notável pudesse ocorrer para que o sentimento de desânimo, que lavrava entre nós, pudesse ser substituído por uma mais esperançosa crença no futuro da Pátria.

O Visconde de Juromenha, investigador laborioso e atento, descobrira num velho documento, compulsado na Torre do Tombo, que o Grão-Poeta Camões falecera em 10 de Junho de 1580.

* Historiador

Texto integral em LIVRE E HUMANO

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Momento de poesia

Dissertação sobre o Santo Ofício



Nenhuma imagem é perfeita

nenhuma imagem envelhece o tempo

se não for purificada pelo fogo,

Roma ficou a arder

ao longo de dias e de noites

para que Nero se masturbasse

ao som da lira

também os severos inquisidores

e os tentaculares poderes seculares

ergueram os patíbulos do Santo Ofício

na praça pública, para gáudio da populaça,

e purificaram hereges, cristãos-novos e ateus,

com o incenso dos fumos da palha seca

para iluminar os longos braços de Deus.

Alexandre de Castro

segunda-feira, maio 25, 2009

Coreia do Norte, GW Bush & Barack Obama...


Os testes nucleares subterrâneos efectuados na Coreia do Norte desencadearam a condenação geral do Mundo.

Na verdade, o “grupo dos seis” - China, Coreia do Norte, Coreia do Sul, EUA, Japão e Rússia – tinham conseguido um acordo, polivalente e multifactorial, em Fevereiro de 2007.

O acordo fazia lembrar o de Bush para o Iraque (antes da invasão): troca de petróleo por alimentos…

Os “seis” elaboraram a seguinte “ementa”:
Uma ajuda energética equivalente a 1 milhão de toneladas de petróleo/ano em troca de um desmantelamento progressivo das instalações nucleares, nomeadamente em Yongbyon, e a aceitação de inspecções periódicas da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).
Este era o acordo visível.

Esquecem-se, contudo, que G. W. Bush gostava e fomentava embrulhadas financeiras, com fins políticos.

E, logo após o estabelecimento deste acordo, Bush acusa o regime de Pyongyang de atitudes ilícitas nesta área, através do Banco Delta Ásia (BDA), um das maiores instituições financeiras de Macau (já integrado na China, convém relembrar).

Sem a menor prova e sem consultar os outros parceiros, num estilo "neo-conservador" puro, Washington acusa a Coreia do Norte do branqueamento de capitais e promove o congelamento dos seus investimentos no exterior.
A Coreia do Norte perante a ausência de fundamentos da Administração de G.W. Bush ainda conseguiu libertar 25 milhões de dólares.
Os americanos, melhor os bancos americanos, foram proibidos de abrir ou manter contas no Banco Delta Ásia, o que motivou, na prática, a sua insolvência.

Estavam anuladas as grandes contra-partidas do acordo.

Esta atitude americana inquinou todo o esforço conjunto dos outros 5 países e do homem que aparece sempre nestas situações e que os EEUU detestam: Mohamed El-Baradei. Este adverte os americanos que o processo será “progressivo, complexo e levará algum tempo”. Mais, insiste que o diálogo é a única via realista para parar a proliferação nuclear na Coreia.

Como no Iraque, Bush tem pressa em resolver a situação e coloca os (já citados) embargos financeiros que comprometem o processo e criam novas tensões.

Provavelmente, a misteriosa (?) doença do "querido líder" e a sua longa recuperação e/ou eventuais problemas na sua "sucessão" dinástica, atrasaram a resposta agora surgida.

Barack Obama, nos poucos mais de 100 dias de presidência, não teve tempo para sensibilizar-se sobre este problema ou, por erro estratégico, confiou que a China tomaria conta do caso.
Equivocou-se. A Coreia do Norte como retaliação, ou na tentativa de renegociar o acordo, desencadeia mais um teste nuclear e lança 3 misseis balísticos de curto alcance.

Obama terá agora que lidar com mais esta herança deixada por G.W. Bush.

Vamos ver como.

Em quem votar?

Caro leitor do Ponte Europa.

Se costuma rever-se nos nossos textos, pensa que já sabe em que Partido deve depositar confiança?

Se, pelo contrário, as suas entranhas ou o seu pensamento lhe dizem que o Ponte Europa está profundamente errado, já sabe se é conservador ou de extrema-esquerda?

Agora pode descobrir em quem votar!

Debate político e com regras

Acabo de ter o privilégio de assistir ao "cara a cara" entre os cabeças de lista do PSOE e do PP.
Gostaria de destacar apenas duas ideias:
- tratou-se de um debate com dois candidatos com ideologias claramente definidas
- as regras rigorosas permitiam uma exposição clara, educada, mas forte, corajosa e decidida de ideias tão distintas que separam os candidatos.

Sou suspeito para julgar quem ganhou o debate. Em verdade, com este formato todos ganham: ganham os dois candidatos e ganha o público e o eleitor que pode entender de forma translúcida os dois mundos que vão a votos: a direita conservadora e a esquerda moderna e progressista.

Seria bom que o PS - supostamente tão "poderoso" - tivesse imposto este tipo de regras nos debates em que o Prof. Vital Moreira participou. Assim, as ideias teriam vingado, a opinião pública teria sido esclarecida e cada um poderia tirar as suas conclusões e fazer as suas opções em função dos seus valores e do seu modo de ver o mundo.

Melo Antunes - Herói condenado à morte

Melo Antunes é uma das grandes figuras da Revolução de Abril e o mais destacado ideólogo do MFA.


Dele se pode dizer que esteve sempre do lado certo da vida e da História, na CDE como candidato a deputado contra a ditadura, na participação cívica, nas discussões sobre a guerra colonial, a política e a cultura.


Conheci-o na SEDES, onde fui a um colóquio a convite de Afonso Moura Guedes que tentava desfazer a minha suspeita quanto à inspiração marcelista da associação. Assisti a uma desassombrada intervenção do jovem capitão quando o 25 de Abril ainda não era sonhado. Lembro-me do fascínio com que o escutou Vasco da Gama Fernandes que pediu a palavra para dizer como tinha ficado maravilhado por aquela intervenção.


Não há provavelmente qualquer referência a essa intervenção onde claramente ilibou os jovens capitães da conivência na guerra colonial e abertamente acusou os generais de conluio com o poder político e económico. Foi certeiro no diagnóstico e profético quanto ao futuro.


Da participação política e militar na Revolução de Abril, das suas passagens por vários Governos, do que ficámos a dever à sua cultura, inteligência e coragem, recordamo-nos todos os que vivemos a euforia da liberdade e a bênção da democracia. Pode ser menos conhecida a sua vasta cultura, o cinéfilo, o melómano, o intelectual ecléctico e o pensador profundo.


Mas o que não conhecíamos era a «sentença» de morte que uma sinistra organização inspirada pelo general Spínola tinha proferido contra ele. Chamava-se MDLP e os seus crimes ficaram impunes, apesar das mortes e roubos que se lhe atribuem, enquanto o velho «Viriato» e autocrata morreu com o bastão de marechal e com aura de democrata. A sentença foi esta semana revelada pelo Expresso.


A última vez que conversei com Melo Antunes foi no Café Piolho, em Coimbra, poucos meses antes do 25 de Abril onde veio com o Emanuel, um amigo comum, que prestava serviço militar em Leiria, como aspirante miliciano. Não esquecerei o brilho da sua inteligência, a força das convicções e a vontade de mudar Portugal.


Cumpriu de forma exemplar.