sexta-feira, julho 31, 2009

Estreita-se o caminho para PR

Manuel Alegre não tem dúvidas que "houve retaliação política" por parte da direcção do PS, ao constatar que nem um dos seus apoiantes figura nas listas de candidatos às legislativas de 27 de Setembro.

O ex-deputado diz que os seus apoiantes foram deliberadamente postos fora das listas de deputados. "Não é o meu PS que vai a eleições", afirma.


Derrota do Vaticano


A Agência Italiana dos Fármacos (Aifa) autorizou na noite de quinta-feira o uso da pílula abortiva no país, apesar dos protestos da Igreja Católica, que ameaça excomungar os médicos que a receitarem e as pacientes que a usarem.

Verdadeiro artista

Bastonário OM multado em 135 mil euros por receber dinheiro

O bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, foi multado em 135 mil euros por receber ajudas de custo alegadamente indevidas enquanto conselheiro da seguradora espanhola responsável pelo seguro de responsabilidade civil dos clínicos portugueses, subscrito pela Ordem.

Além da multa, decretada pela Direcção Geral de Seguros espanhola após uma investigação concluída no ano passado, os conselheiros arriscam-se a ter de devolver os montantes recebidos como ajudas de custo e que, no caso do bastonário da Ordem dos Médicos (OM), foram de 3000 euros mensais durante dois anos.

Pedro Nunes confirmou à Lusa a investigação da Direcção Geral de Seguros espanhola e adiantou que a seguradora, Agrupación Mutual Aseguradora (AMA), recorreu da sentença aos tribunais, pelo que esta ainda não é definitiva.

Diário Digital / Lusa

Sem honra nem glória

Cavaco tinha razão e perdeu-a pela forma. Decididamente não tem jeito para o cargo.
Os partidos não tinham razão e foram teimosos.
Os que dão o dito por não dito são cobardes.

Absolvição

Algo está errado. Ou a acusação foi fraca ou o julgamento público precipitado.

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA

Por
Amadeu Carvalho Homem *


MEMORIAL REPUBLICANO XXXII

XXXII - A Academia de Coimbra e o Ultimatum

A juventude académica secundou o Ultimatum inglês de 11 de Janeiro de 1890 com a força da sua indignação. Como referimos, foi ela que contribuiu, no Porto, para a criação da Liga Patriótica do Norte. Foi também ela que, em Lisboa, organizou manifestações de desagravo, préstitos cívicos à estátua de Camões, ciclos de conferências sobre temas ultramarinos e magotes de voluntários tendo em vista uma Grande Subscrição Nacional, cujos montantes seriam aplicados à ampliação e modernização dos meios bélicos de defesa.

Ironicamente, as verbas angariadas foram tão reduzidas que apenas consentiram a aquisição de um vaso de guerra, o Adamastor, ridiculamente insuficiente para desafiar o poderio esmagador da frota de guerra britânica. E Coimbra? Como reagiu a Academia conimbricense, aquela que poderia vangloriar-se de pertencer à única Universidade Portuguesa?

* Historiador

Texto integral em LIVRE E HUMANO

Etiquetas:

quinta-feira, julho 30, 2009

Tribunal Constitucional chumba Estatuto dos Açores

O Tribunal Constitucional chumbou o Estatuto Político-Administrativo dos Açores, sujeito a um veto do Presidente Cavaco Silva.

Comentário: A sábia decisão deixa mal colocados os partidos com assento parlamentar (todos), que o votaram por unanimidade, e o PR que, num braço de ferro, afrontou a AR e não remeteu o diploma para o TC, como devia.

Estratégia errada

Os movimentos de professores prometeram fazer campanha contra o primeiro-ministro através de uma série de iniciativas. Ricardo Silva explicou que o alvo é «este PS» e José Sócrates, por causa das políticas educativas que têm vindo a ser aplicadas.

Comentário: É um direito que pode virar-se contra os professores. Pode haver socialistas que nunca condenaram os professores, que se virem agora contra «estes» professores e Mário Nogueira.

Obama à beira de uma vitória histórica

A bancada democrata na Câmara de Representantes dos Estados Unidos chegou a acordo para a redacção final de uma proposta de reforma do sistema de saúde, abrindo a porta à aprovação da nova legislação que o Presidente Barack Obama considerou “prioritária” e reputou como fundamental para a recuperação económica do país.

Comentário: A vitória de Obama nesta batalha será um triunfo para todos os americanos.

Programa do PS

Privilégios da Igreja católica

É admirável como a Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) se infiltra no aparelho de Estado e consegue privilégios intoleráveis num Estado de Direito e indignos de um país laico. A chantagem que exerce sobre o Governo é da sua natureza, mas a capitulação do Estado é indigna. Os bispos rejubilam com o acordo a que chegaram.


Durante a ditadura salazarista havia assistência religiosa nos hospitais e nas forças armadas, agora alargada às forças de segurança. Ficam excluídos os polícias municipais e os bombeiros. Os católicos fardados têm direito a um padre de piquete na sequência do acordo sobre assistência religiosa assinado com o Estado Português.


O País paga à peça. A assistência passa a ser uma espécie de prestação de serviços ao Estado, paga segundo a tabela em vigor, tendo em conta o número de pessoas assistidas. Se um bispo rezar pelas Forças Armadas e de Segurança teremos de pagar milhares de actos pios? Resta saber se um presidiário que se confesse a prestações, 10 vezes por dia, custa 10 vezes mais do que outro que pede a remissão dos pecados a pronto. Tudo isto sem taxa moderadora.


Há uma frase que me deixa perplexo, no telegrama da Lusa, referido no DN: «Um dos aspectos que ressaltou diz respeito ao artigo 16.º. Desta forma, quando um casamento for declarado nulo perante a Igreja, o Estado terá de o reconhecer». Fica a dúvida se esse «O» é pronome pessoal ou demonstrativo. Em caso de anulação do casamento pela Igreja – embora caro e difícil – o Estado tem de «O» reconhecer (a «ele», casamento, ou a «isso», anulação)?


Parecendo anómala a inclusão do direito canónico no ordenamento jurídico português, deve ser pronome pessoal mas tudo é possível da Igreja que pôs o PR e o presidente da AR a integrarem a comissão de honra da canonização de D. Nuno. Quando a ICAR obtém a conivência de Cavaco e de Jaime Gama para a confirmação da cura do olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus, queimado com óleo de fritar peixe, por intercessão do espectro de D. Nuno, Portugal deixa de ser um país e torna-se uma sacristia.


É curioso que a escalada beata e os atropelos cometidos contra a laicidade surjam na proximidade das eleições e no período de férias.


As escolas, prisões e quartéis passam a ser um campo privilegiado para a competição prosélita e o confronto religioso.

quarta-feira, julho 29, 2009

A fé mata

Os combates entre as forças de segurança nigerianas e extremistas islâmicos continuaram hoje de madrugada em Maiduguti, no nordeste da Nigéria, indicaram habitantes.

Eu também ouvi

‘Há muitas pessoas de rendimentos mais baixos que não podem movimentar-se sem ser de carro.’

Santana Lopes, no debate de ontem com António Costa na SIC

Via Câmara Corporativa

Com números e provas

O PS acusou ontem o PSD de ser responsável pelo maior aumento do "monstro" da despesa do Estado, contrapondo que foi o actual executivo o único que reduziu a despesa, em referência à altura em que a actual presidente do partido, Manuela Ferreira Leite, era ministra das Finanças.

terça-feira, julho 28, 2009

O caso Joana Amaral Dias

Militantes do Bloco de Esquerda,
convidadas pelo PS,
declinaram o convite e recusam dar a cara.

O caminho do Paraíso


O movimento islâmico Hamas lançou uma campanha para que a população de Gaza evite comportamentos que vão contra o Islão, como que todas as mulheres cubram as formas de seus corpos, dos pés à cabeça. A campanha tem o lema "Sim à Virtude"...

A fé mata

Afinal tem ideias


Líder do PSD estará amanhã na conferência Transformar Portugal a responder a todas as dúvidas.

Morrem e matam por proselitismo

BAUCHI, Nigéria — Pelo menos 55 pessoas foram mortas desde domingo no norte da Nigéria em confrontos entre a polícia e membros de uma seita islâmica radical pró-talibã.

O número de mortos nos Estados de Bauchi e de Yobe se eleva a 55, cinco policiais e 50 islamitas, informou nesta segunda-feira o inspetor-geral de polícia, Ogbonna Onovo, durante entrevista à imprensa em Abuja. O número anterior, divulgado na noite de domingo, era de 39 mortos, entre eles um soldado.

As capelanias e o Estado laico - Regresso ao passado

Os doentes, presos e militares, à semelhança de quaisquer crentes, podem recorrer aos ministros do culto das suas religiões, se isso lhes dá prazer ou os alivia do peso da consciência. Faz parte da liberdade religiosa, inerente a qualquer democracia.

Já não se percebe que os hospitais, prisões e quartéis possam dispor de padres católicos privativos, os únicos que se habituaram durante a ditadura a ocupar esses espaços em regime de monopólio. É uma ofensa ao Estado laico e a prorrogação de uma regalia que vem da Concordata de 1940, assinada no apogeu do fascismo, entre o Estado salazarista e o Vaticano de Pio XII, também conhecido como o Papa de Hitler.

Mas, se o Estado permite que a Igreja católica domicilie os padres nos hospitais, prisões e quartéis, ainda que teoricamente aceite a invasão de outras confissões, não se percebe por que motivo os exclui das repartições de Finanças, estações dos correios, centros de emprego, ministérios, autarquias, lojas do cidadão e outros organismos públicos.

Se a intenção é capitular perante o proselitismo religioso, abdicar da ética republicana, ajoelhar perante as sotainas e esquecer a Constituição, o que há a fazer é solicitar um sacristão para cada edifício público e uma freira para vigiar as consultas de planeamento familiar.

A Concordata de 2004, desnecessária e indigna de um Estado laico, foi uma concessão ao clero católico que cria desigualdades entre as várias religiões e ao País sujeições inaceitáveis.

Portugal recorda o ridículo das mais altas figuras do Estado a integrarem a comissão de honra da canonização de Nuno Álvares Pereira, herói nacional que a Igreja capturou. O PR e o presidente da AR caucionaram a cura do olho esquerdo de D. Guilhermina de Jesus, queimado com óleo de fritar peixe, por intercessão de D. Nuno. Cavaco e Jaime Gama, exorbitando as suas funções, formaram a junta médica que confirmou o embuste e injuriaram todos aqueles que negam ao Estado a competência para certificar milagres.

O Governo em vez de defender a laicidade no aparelho do Estado, como deve, abre as portas ao incenso e à água benta sem respeitar a pituitária e a pele dos que não suportam o odor do primeiro e é alérgico às benzeduras.

Lentamente, as sotainas vão ocupando o espaço público à semelhança do que se passa nos países islâmicos.

Momento de poesia

Dissertação sobre a carta de marear


Enganei-me em todos os caminhos

atravessei todas as pontes

para percorrer as margens deste rio

tu só já podes reconhecer as pegadas

que deixei nos trilhos antigos

quando as palavras emudeceram

contra os muros dos teus silêncios

(como se a pedra fosse gelo)

nenhuma ausência dói tanto

como aquela que não tem fim

nem destino, nem um sentido marcado

nas pontas da rosa-dos-ventos

ou numa rota segura e certa

na tua carta de marear.

Alexandre de Castro

segunda-feira, julho 27, 2009

Os homens de Cavaco

E lá vão três. Depois de Dias Loureiro e Oliveira Costa, Arlindo Carvalho é o terceiro ex-membro dos Governos de Cavaco Silva a ser constituído arguido no 'caso BPN'. Claro que o Presidente da República não pode ser acusado pelas asneiras dos seus acólitos.
(...)
E parece não ter aprendido. Para substituir o homem [Dias Loureiro] que defendeu muito para lá dos limites da normalidade, o presidente escolheu agora Vítor Bento. Não comparo o incomparável. Mas devo recordar que, durante oito anos, o novo conselheiro andou a ser promovido 'por mérito' no Banco de Portugal enquanto dirigia a SIBS. Ter mérito no desempenho de uma licença sem vencimento não é para qualquer um. Violar uma regra da casa - que só permite tal situação por três anos - sem uma arranhadela também é difícil. Mas isto tudo sair nos jornais e mesmo assim chegar ao Conselho de Estado é que só está reservado aos melhores. Os homens do cavaquistão são gente com fibra. Nem quando os seus camaradas de armas caem nas trincheiras se assustam.

Daniel Amaral in EXPRESSO

Agressor processa agredido

Zepelim «baleado»: PSD vai processar PND

O PSD/Madeira vai processar criminalmente os responsáveis pelo lançamento de um zepelim, este domingo, perto do local onde decorria a festa do Chão da Lagoa.

Em comunicado, os sociais-democratas revelam que esta participação judicial «engloba entidades que tenham subscrito qualquer autorização para o efeito».

Zepelim do PND atingido por três tiros de caçadeira

Democracia à moda da Madeira

O zepellin com que o PND pretendia sobrevovoar o Chão da Lagoa, na Madeira, foi este domingo abatido a tiro, quando estava a ser preparada a sua partida a cerca de mil metros do local onde decorre a festa regional do PSD.

Chão da Lagoa - Manuela Ferreira Leite prefere a gripe a Alberto João jardim

domingo, julho 26, 2009

Islão - Normas para bater na mulher

José Sócrates convidou-me

Quero denunciar aos meus leitores o assédio de que fui alvo por parte de José Sócrates. Ontem, sábado, às 16 horas, o primeiro-ministro pediu-me para encabeçar a lista para a assembleia de freguesia de Vale de Coelha, como independente, no concelho de Almeida. Ainda não começaram as eleições legislativas e já prepara as autárquicas.

Fiquei indignado. Sócrates sabe bem que sou militante de base do Bloco de Eleitores Sem Filiação (BESF) e quis aproveitar o ostracismo a que injustamente fui votado no BESF para me desafiar – foi este o termo que usou – a concorrer, pelo PS, à assembleia de freguesia de Vale de Coelha, servindo-se da minha notoriedade no Ponte Europa e do facto de ser sócio dos Bombeiros Voluntários de Almeida.

Ainda lhe disse que antes são as eleições legislativas e que não há precedente de alguém mudar de partido para disputar eleições ao serviço de outro, mas ele insistiu e, sabendo que fui professor, ofereceu-me o lugar de presidente da DREC. Como não concordei, acenou-me com um lugar no aparelho de Estado, garantindo-me o lugar de subsecretário de Estado da Cultura, acrescentando que não faria pior figura do que Sousa Lara, nisso o PS tem mais cuidado que o PSD, nunca censuraria um livro de Saramago.

Argumentou que eu era faria melhor lugar na Cultura do que Santana Lopes ou Maria José Nogueira Pinto, sem se dar conta da ofensa que fazia com a comparação.

Como o primeiro-ministro ainda não ganhou as legislativas, disse-lhe que não contasse comigo embora fosse uma honra ser presidente da assembleia de freguesia de Vale de Coelha e não me desagradar o lugar de subsecretário de Estado da Cultura pois até li o D. Casmurro, de Machado de Assis, sem felicitar o autor, falecido em 1908, e estudei Os Lusíadas sem falhar um único dos dez Cantos.

Vi-o partir desolado e cabisbaixo. Não estava preparado para um NÃO do administrador do blogue Ponte Europa.

Juro pelas alminhas do Purgatório, embora o Purgatório tenha sido abolido, que Sócrates me quis aliciar com cargos e honrarias e até se prontificou para me ajudar a pagar a remodelação da casa de banho cá de casa cujas obras ainda estão em dívida.

Espero integrar a comissão política do BESF no próximo congresso e peço aos meus camaradas da Ade, Aldeia Nova, Almeida, Amoreira (Monte da Velha), Azinhal, Cabreira, Castelo Bom (Aldeia S. Sebastião), Castelo Mendo (Paraizal), Freineda, Freixo, Junça, Leomil (Ansul), Malhada Sorda, Malpartida, Mesquitela, Mido, Miuzela, Monte Perobolço, Nave de Haver (Poço Velho), Naves, Parada (Pailobo), Peva (Aldeia Bela), Porto de Ovelha (Jardo), S. Pedro do Rio Sêco, Senouras, Vale de la Mula, Vale de Coelha, Valverde e Vilar Formoso, que denunciem este assédio de que fui alvo, por parte do primeiro-ministro, em todas as freguesias e anexas do concelho de Almeida.

Felizmente, deu com um homem que não se vende. Espalhem a notícia. Publico a foto de Sócrates para provar que é verdade.

Preces

...para que nos livre do Chão da Lagoa e de todo o mal, amén.

sábado, julho 25, 2009

Não se arranja melhor?

O Presidente da República considerou, este sábado, que as hesitações em relação à reeleição de Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia podem «enfraquecer» o executivo comunitário, principalmente porque não há «alternativa».

A arte do descanso é uma parte da arte de trabalhar ... (Steinbeck)


Previsão para 2040:

“O FMI acaba de anunciar que o Brasil se tornou a sétima maior economia do planeta, deixando para trás a Alemanha, a França e a Inglaterra, tendo a frente apenas os EUA, China, Índia, México, Rússia e Japão”…

± 30 anos antes deste “emergente” anúncio - como falam os brasileiros - estou indo … não dá para ficar esperando!

Um achado sobre o sofisma da verdade…

Depois de muito vascular pelos fóruns da verdade encontrei um documento apócrifo que pareceu-me ser o esboço oculto do programa eleitoral do PSD:

- Apresentar Sócrates como um optimista estouvado que fala de um País que não existe;

- Insistir nas promessas de Sócrates em 2004, se possível apresentando-o nos comícios do PSD como um recalcitrante mentiroso (…aproveitar a deixa do João Cordeiro);

- Finalmente, ainda, repisar em Sócrates, por não ter, em 2004, previsto a crise financeira e em conformidade vendido atempadamente os activos tóxicos dos bancos portugueses ao Citigroup;

- Enxovalhar, em qualquer circunstância, todo o XVII Governo Constitucional, e os seus servidores, desde o porteiro do Palácio de S. Bento até à família do candidato (só permitido até ao 3º. grau).

Adenda:
Nunca se referir ao PSD!
O PSD pugna para ser o primeiro partido português a chegar a um acto eleitoral sem dizer, nem prometer, nada.
Rigorosamente, nadinha!
Depois, em caso de sucesso ou insucesso, nunca será acusado de nada.
O "nada" (dizer e/ou fazer) será uma obcessão e fio codutor do programa.

Quando for inevitável falar sobre qualquer assunto, aproveitar para teatralizar a situação, e em desespero de causa, evocar o grande dramaturgo Vítor Hugo.
Assim:
“A verdade é como o Sol. Ela permite-nos ver tudo, mas não deixa que a olhemos”.
Não esquecer de falar da “verdade”. Da verdade material, formal, analítica, sintética e sofistica. Principalmente, insistir nesta última.

Ou, então, reproduzir a filosofia oriental, p. exº, socorrendo-se de Confúcio:
“I have yet to meet a man as fond of high moral conduct as he is of outward appearances”. (Em "british" para impressionar …).

Matilde Sousa Franco - adereço dispensável

Matilde Sousa Franco despede-se da AR com críticas à disciplina de voto e, sobretudo, com o azedume de quem é despedido com justa causa.

Matilde Sousa Franco chegou à AR graças à viuvez. Não se lhe conhece trabalho político ou relevância pública para além de ter conseguido anular um casamento católico e de ser viúva do melhor ministro das Finanças desta segunda República.

A pia deputada foi um ornamento fúnebre do PS que votou sempre como quis, ao lado da direita mais conservadora, quando tinha de decidir entre a política e a sacristia, com Maria Rosário Carneiro e Teresa Venda, ou ao lado de Manuel Alegre, porque sim.

Se há ausência que pode credibilizar o PS é a de deputados que explicitam publicamente as suas crenças e ocultam as convicções políticas, se acaso as têm.

Quanto à crítica que se faz à disciplina de voto, é das mais demagógicas que se ouvem. Um partido não é propriamente um albergue espanhol e nenhum Governo estaria seguro de cumprir o seu programa se cada deputado resolvesse exigir, em troca do voto, uma qualquer contrapartida para o distrito que o elegeu. Desconfio, por isso, dos previsíveis círculos uninominais, tão do agrado do PS e de quase todos os comentadores políticos.

A saída de Matilde Sousa Franco da AR deixa-lhe mais tempo livre para as devoções pias onde, certamente, todas as heresias lhe serão consentidas.

sexta-feira, julho 24, 2009

Terá havido algum golpe palaciano?

A Drª. Manuela Ferreira Leite trata o José Sócrates como um seu amanuense, solicitando-lhe, penso que com urgência, mais e melhores informações sobre o défice orçamental previsto para 2009.
Diz que precisa desses dados para elaborar o programa de Governo e, claro, fazer as suas promessas. Precisa que o Governo, ou a AR, lhe forneça as tão almejadas "verdades" que parecem tão dificeis de encontrar, como o programa eleitoral...que se supõe estar concluído em Outubro!
O tal “amanuense” é, para todos os efeitos e na posse de todas as competências constitucionais – o 1º. Ministro deste País.

O presidente da Associação Nacional de Farmácias (ANF) trata José Sócrates como “traidor” e de “mentir sistematicamente”. Diz que para compensar a liberalização da propriedade das Farmácias fez pessoalmente um acordo chamado “compromisso para a Saúde” que o governo não tem cumprido.
Esse compromisso foi um dos erros crassos do Governo que tendo alargado o campo de acção das farmácias praticamente não conseguiu “tocar” na propriedade das farmácias, porque elas estão estruturadas em holding…
Este compromisso é um dos tais “para rasgar”…quando o Governo mudar (qualquer que seja o futuro Governo…)
O “mentiroso compulsivo” e o “traidor” é, para todos os efeitos e na posse de todas as competências constitucionais – o 1º. Ministro deste País.

José Sócrates deslocou-se ao Porto para uma reunião com um grupo de empresários com a finalidade de debater os problemas do país, num jantar-debate.
Este encontro reuniu cerca de 150 empresários.
Por problemas de agenda, chegou com 1 hora de atraso…
O filho do marajá dos negócios (vários) a retalho do País, de seu nome Paulo de Azevedo, abandonou ostensivamente o encontro, visando, rotular o promotor da reunião de ser um recalcitrante incumpridor de horários. Alimentaria a “esperança” do seu gesto de protesto ser acompanhado por outros empresários. Saiu sozinho…
Presume-se que o ocupado “incumpridor” é, para todos os efeitos e na posse de todas as competências constitucionais – o 1º. Ministro deste País.

As eleições para a Assembleia da República estão marcadas para 27 de Setembro. A partir dessa Assembleia é que sairá o XVIII Governo Constitucional.

Entretanto, alguém "sem rosto" (para aproveitar a expressão de João Cordeiro) parece tê-lo despedido, antecipadamente.
Daí para cá tem sido o "fartar vilanagem"...
A 1ª. tentativa foi pública e protagonizada por Paulo Rangel, na noite das eleições europeias.
Daí para cá tem sido um rodopio, com a “serena” complacência dos media.

Gripe alérgica ao Chão da Lagoa?

Manuela Ferreira Leite, líder do PSD faltou esta sexta-feira a um encontro partidário de preparação do programa eleitoral, no Porto. De acordo com José Pedro Aguiar-Branco, vice-presidente do partido, a presidente «está com gripe».

Explorar a desgraça


“Traído” e “usado”, é assim que se sente João Cordeiro, presidente da Associação Nacional de Farmácias (ANF). Hoje, em Lisboa, acusou o Governo de proteger os interesses de “um grupo empresarial sem rosto” que recusou mencionar.

Padres apoiam Santanás

Vale a pena rezar

...e, sobretudo, ler o livro.

Os novos caminhos da fuga a "salto"...


Os fluxos migratórios sempre existiram e, hoje, 24.07.09, o Jornal Público dedica-lhe um interessante artigo que merece a atenção dos portugueses. Trata-se, ao fim ao cabo, da delapidação do nosso mais valioso património…

A migração internacional contribuiu de modo determinante para o desenvolvimento e crescimento da competitividade económica dos países de acolhimento como, também, teve uma vertente de retorno indirecto. As remessas de capitais, as poupanças e os pequenos investimentos nos países de origem dos trabalhadores, foram um factor de progresso no combate à pobreza e contribuíram para o bem-estar das famílias residentes, bem como, regularam e foram disciplinado o mercado de trabalho.
Toda a gente conhece aventuras e desventuras da diáspora.

Entretanto, o que se passa na Europa Ocidental no século XXI?

Em 2006, mais de 250.000 europeus emigraram. A grande maioria (>50%) para os Estados Unidos, seguidos como países de destino; a Austrália; o Canadá; a Nova Zelândia …
A Alemanha, é um caso à parte. Está a sofrer uma grave hemorragia demográfica, descaracterizada e não selectiva, decorrente da consolidação do processo reunificação e das dificuldades do mercado de trabalho.

Portugal está a sofrer uma intensa drenagem de trabalhadores qualificados. Neste campo, talvez, a maior da Europa Ocidental. O País terá perdido, só em 2006, cerca de 20% da população qualificada.
Estas massivas “fugas de cérebros” são um fluxo migratório selectivo e representam um importante défice na economia (de custos), não contabilizáveis em qualquer orçamento.
São devidas essencialmente a deficientes oportunidades, a bloqueios na progressão na pirâmide social, à inexistência de estímulos técnico-científicos nas carreiras profissionais, à aversão de atribuir incentivos financeiros, ou outros, para premiar a eficiência, à abrangência da corrupção (nas suas variadas e sofisticadas formas), à ineficácia e morosidade da Justiça e, algumas vezes a profundos e traumatizantes desencantos político-culturais.
Esta fuga de cérebros representa uma autêntica fuga de capitais (capital flight).
Na realidade esta imagem refere-se a 2006. Hoje, a atracção das chamadas “economias emergentes”, actuando isoladamente, ou associadas à derrocada económica e às perturbações sociais que de reflectiram, prioritariamente, nas economias industrializadas tradicionais, vai intensificar, com toda a certeza, o fluxo migratório de Portugal para o Mundo.

Hoje, quando conversamos com um jovem em início de carreira ficamos a saber que o mesmo se prepara para dar o “salto”.

De pouco vale valorizar e promover a formação técnico-profissional se a par desse esforço não criáramos condições internas de trabalho atractivas, com acessibilidades ao emprego e à progressão abertas e sem peias (precisamos de resolver o nosso problema da “cunha”) e justamente renumeradas.


Este é um problema eminentemente político. A iniciativa do Governo “Novas Oportunidades” não surtiu, no imediato, quaisquer efeitos. A conjuntura económica internacional não ajudou e a sua repercussão será sempre a médio e a longo prazo.
Mas, é cada vez mais imprescindível a necessidade de canalizar este importante esforço na formação e o consequente investimento na tecnologia e na modernidade para Portugal.
Se não, continuaremos a ser uma fonte de “brain drainage”, empobrecendo cada dia que passa e potenciando a intensificação da “fuga” já em marcha.

A nova política deve ser actuar em concomitância com o nosso potencial de desenvolvimento.
Captar o investimento produtivo internacional e inverter este fluxo específico – entrando no tempo do “brain preservation” ou, mesmo, no estádio do “brain gain”, é uma tarefa prioritária para estancar esta cataclísmica sangria.

Democracia não chegou a Loulé


Haverá poucas dúvidas de que os poderes instalados se assustaram, porque não contariam que ele [Vairinhos] avançasse com todo o seu prestígio, arrancando no jantar de apresentação com cerca de 1500 participantes e com um discurso crítico muito fundamentado por um profundo conhecimento do passado e da actualidade do Concelho de Loulé, como ainda inspirado em valores como os da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, como no espírito do 25 de Abril. Foi uma apresentação notável e diferente do que tem sido habitual.

É notório também o silêncio da autarquia que, democraticamente, deveria ter repudiado este acto ocorrido nos seus domínios (clicar na imagem).

(e-mail de J. F.)

Falta de memória ou de vergonha?

quinta-feira, julho 23, 2009

Ofensa gratuita

O bastonário da Ordem dos Advogados discorda do boicote de alguns juízes à inauguração do “Campus Judicial”. Marinho Pinto diz que as novas instalações não são perfeitas, mas são melhores do que as que existiam.

Comentário: Dezasseis manifestações ostensivas de oposição ao Governo que não prestigiam a magistratura judicial.

Atrás de mim virá quem bem de mim dirá...

Hoje, 23.07.2009

A líder do PSD aproveitou o encerramento do ‘Forúm Portugal de Verdade’ para exigir que o primeiro-ministro esclareça o país sobre qual será o real valor do défice no final de 2009.

«O primeiro-ministro tem a obrigação, perante o país e a oposição, de esclarecer qual é o montante do défice que ele considera e prevê até ao final do ano», afirmou Ferreira Leite.

Para a presidente do PSD, essa obrigação decorre da entrada «num momento eleitoral» e do facto de os partidos terem de «saber aquilo que vão encontrar quando assumirem as suas funções».


Comentário:

Embora ache que as boas contas e o conhecimento de a quantas andamos são essenciais para qualquer governação, e não só em "momentos eleitorais" como parece julgar MFL, não consigo calar a minha indignação.
Na verdade, foi exactamente isso que fizeram, sempre, repito, "sempre", os Governos do PSD, fiquemos por este século, onde, julgo por circunstâncias fortuitas, MFL foi uma "criativa" ministra das Finanças...

a suspensa crise da social-democracia e do socialismo...

A queda, em catadupa, do socialismo real, isto é, o desabamento sequencial dos regimes comunistas, no Leste europeu, facto relevante do final do século XX , aparentemente, abria novos caminhos à social-democracia, nomeadamente, no combate ao capitalismo, na sua versão neo-liberal.

Para corrigir os desmandos da dinâmica do capital financeiro, onde se acoitam os promotores do neoliberalismo galopante e incontrolado (o exº. do mercado "livre"), os partidos sociais-democratas aliaram-se ao “Centro” e à Direita, para governarem.
Nasce aqui a “3ª. Via” divulgada e propagandeada por Tony Blair.
Esta “ via” não é mais do que um chorrilho de compromissos com o neoliberalismo e o virar de costas às reivindicações dos mais desprotegidos e mais pobres.
O mentor desta nova “via” é o sociólogo Anthony Giddens que teoriza, à luz da globalização, sobre a necessidade de reformular a teoria social, compreender o desenvolvimento e alcançar a modernidade.
O eleitorado “tradicionalmente” de esquerda, que muitas vezes votava social-democrata, nunca embarcou no compromisso que representava esta “3ª. Via”.
Esta atitude de reserva levou esse eleitorado, doutrinariamente desorientado, desconfiado e sem referências ideológicas, a afastar-se das lideranças sociais-democratas “clássicas”.
Empurrou-o para a abstenção e abriu as portas do poder à Direita conservadora e nacionalista, quando não racista e xenófoba.

As derivas neo-liberais dos partidos sociais-democratas e socialistas tiveram sobre o seu tradicional eleitorado desastrosas consequências. Como sejam: a deterioração da qualidade de vida dos trabalhadores e de uma classe média cada vez mais apertada, a perda de uma visão alternativa da sociedade, a gestão pragmática de aberrações capitalistas e mercantilistas, a incapacidade de promover a mudança, estão na raiz do distanciamento dos seus partidos que, embora com nuances, sempre representaram as políticas de esquerda.

Estes, até há poucos anos – fiéis eleitores – sabem, hoje, que a política não pode ser desenhada e pensada por um punhado de iluminados executivos, nem por empenhados empresários, etc., e, muito menos, por esforçados tecnocratas.
Finalmente, os eleitores colocam profundas reticências aos intelectuais orgânicos dos regimes, que consideram comprometidos com o establishment.

Estão à espera de novas soluções, de uma profunda mudança que seja baseada na maior participação em termos de cidadania, da vitalidade de organizações associativas empenhadas na participação colectiva e de um novo modelo partidário aberto às inadiáveis discussões sobre as políticas de transformação social, económica e cultural das Nações.

Enquanto isto não suceder perdurará a crise do socialismo, da social-democracia e a ascensão da Direita. Na Europa e no Mundo.

As eleições em Portugal no próximo 27 de Setembro de 2009 vão, com certeza, reflectir este clima.

Não estamos longe de ter uma UE, totalmente governada pela Direita, ou na melhor das hipóteses, dividida ente Governos de Direita e “Centro-Direita” (?)…

Autárquicas - Lisboa

Admito que o eleitorado da capital seja masoquista e queira reincidir em Santana Lopes. Se é promessa, paciência. O País já pagou um preço elevado com a sua passagem pelo Governo que, na pressa da fuga, à revelia de eleições, Durão Barroso lhe endossou.

Na Figueira da Foz e em Lisboa, Santana acumulou passivos que levarão anos a saldar mas, se é curta a memória e grande o desejo de perdão, que podem fazer os democratas, que recusam ditaduras, mesmo por curtos períodos de seis meses sonhados por Manuela Ferreira Leite?

Compreendo que António Costa, um dos mais bem preparados políticos da sua geração, queira poupar Lisboa aos desmandos do santanismo e a sua carreira política à travessia do deserto, mas não acredito que o acordo com Helena Roseta (HR) lhe traga mais votos salvo, eventualmente, o dela e o de Manuel Alegre.

Os que votariam HR, previsivelmente suficientes para a elegerem vereadora, votavam sobretudo contra o que designam «este PS», não estando disponíveis para transferir o voto com o acordo alcançado. O casamento de conveniência pode acabar num adultério irrelevante, com os votos de HR dispersos pelo BE, abstenção, brancos e nulos.

O único beneficiário do acordo é Manuel Alegre cuja exposição mediática é prorrogada bem como a ilusão de se tornar presidente da República. Não serve o PS nem a António Costa porque, em política, a aritmética não funciona e a soma pode ser nula.

Um partido não pode fazer acordos com os grupos de pressão interna, ainda que sejam a consciência moral, sob pena de debilitarem a liderança e desmobilizarem os apoiantes.

A única aliança útil e coerente era com o PCP ou com o BE cuja rivalidade eleitoral e o frenesim com que querem contar espingardas, digo, votos, os afasta irremediavelmente de uma solução de poder, de qualquer solução que barre o caminho à direita, em Lisboa e no país.

O que tiver de ser tem muita força. É a vida, como dizia um saudoso engenheiro.

Ponte Europa/SORUMBÁTICO

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA

Por
Amadeu Carvalho Homem *

MEMORIAL REPUBLICANO XXXI

XXXI - O ÓDIO DE JUNQUEIRO

Quando o Ultimatum varreu Portugal, em ondas de retórica e de impotência, já Abílio Guerra Junqueiro, transmontano de Freixo de Espada-à-Cinta, era uma notabilidade. Para isso contribuiu a opinião, geralmente adoptada, que o apresentava como um poeta de dimensão excepcional. Em Coimbra, versejara copiosamente n’A Folha, de João Penha; e dera mostras das suas preferências democráticas escrevendo poemetos à radicação da terceira república francesa (A vitória da França. 4 de Setembro de1870) e ao advento da república espanhola de 1873 (À Espanha livre). Pouco depois irá obter um sucesso retumbante com o livro A morte de D. João, obra de sátira ao decadente romantismo carnal de um velho ridículo, falso ícone de conquistas amorosas ultrapassadas.

* Historiador

Texto integral em LIVRE E HUMANO

Etiquetas:

quarta-feira, julho 22, 2009

Cultura e humor

Insuportável proselitismo


Uma carta dirigida a várias entidades cristãs aconselha-os a abandonar a sua fé, abraçar o Islão e pagar um elevado valor, ou morrer.

Beatificação não é para já

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, diz que “não é nenhum santo”, em declarações após terem vindo a público gravações telefónicas de conversas que revelam contactos do chefe de Governo italiano com uma prostituta de luxo.

Cuidado com as crianças

Carta aberta de beatos e reaccionários

Católicos querem comparar propostas para não traírem consciência na hora de votar

Antes das legislativas de 2005, lançaram uma carta aberta aos eleitores apelando ao voto com "discernimento responsável". A preocupação era com o aborto, os casamentos homossexuais ou a adopção por casais gays, por exemplo. Hoje, passados mais de quatro anos,

terça-feira, julho 21, 2009

Nem uma pulseirinha


Pouco passava das 21h da noite desta terça-feira quando o ex-ministro da Saúde Arlindo de Carvalho saiu do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), como arguido, após ser ouvido durante toda a tarde pelo juiz Carlos Alexandre.

IRÃO: a longa persistência da indefinição...


A situação política no Irão, com o passar do tempo, em vez de se esclarecer, complica-se.
As orações dirigidas na última sexta feira pelo ayatollah Rafsanjani e a intervenção de ontem do ayatollah Khatami, são duas intervenções, neste problema, substancialmente diferentes.
Apenas têm de comum o não reconhecimento dos resultados eleitorais e, daí decorrente, ambas reconhecem implícita ou explicitamente a ilegitimidade de AhmadiNejad para ocupar o cargo de Presidente da República Islâmica.

Rafsanjani foi a Teerão dirigir-se aos apoiantes Mousavi e, portanto, como reformista, dar força à frágil componente “republicana” desta teocracia.
A "oração" dirigida por Rafsanjani foi, podemos assim dizer, quase um comício à maneira ocidental, emergindo dessa gigantesca assembleia uns incipientes passos no sentido de “democratizar” o regime.
Uma outra consequência – o tempo o dirá – poderá ter sido o início da estruturação de uma frente opositora à facção radical e fundamentalista do regime iraniano. Esta, não tão dependente de Mousavi, mas antes de Ali Larijani, ex-negociador do problema nuclear e actual Presidente do Parlamento que tem uma posição mais dura acerca da eleição de AhmadiNejad, nomeadamente, sobre o Conselho de Guardiães que, ao aceitar o modo como decorreram as eleições, considera não ter observado uma posição neutral e isenta. Para Ali Larijani “as eleições não foram limpas”.

O ayatollah Khatami dirige-se directamente ao Líder Supremo Ali Khamenei, não lhe reconhecendo a autoridade. Muito menos que tenha a última palavra sobre este assunto. Não se dirige às massas que em Teerão contestam as eleições. Ataca o coração do regime islâmico contestando o seu rígido escalonamento hierárquico. Deslocou o centro da luta de Teerão para Qoom (cidade santa) onde habitam muitos dos ayatollahs e daí dirigem as suas milionárias associações e fundações religiosas, caritativas e mercantis. Uma espécie de city financeiro-religiosa.

Há um facto que é relativamente novo no Irão. A contestação perdura, não é morta à nascença e parece ter pernas para andar. Desta vez, a repressão dos “guardas da revolução” não intimidou os iranianos, nem teve força para afogar os protestos em sangue. Algo se esvazia e se torna decadente no domínio do fanatismo e do fundamentalismo.

Finalmente, num País com uma imensa clivagem entre o meio urbano e rural, a juventude, nomeadamente a urbana, tem tido neste processo um papel importante. De inovador e também muito relevante a presença significativa de mulheres na rua em activa manifestação de apoio à via reformista. Os jovens lutam por uma reforma própria (talvez específica) do Irão. Que poderá não ser a de Khatami, de Mousavi ou Larijani.

No entanto, para evitar fragmentações, num campo onde as dificuldades de movimentação são imensas, deverão tentar uma conciliação instável:
preservar raízes islâmicas e ao mesmo tempo reformar a sociedade de uma forma compatível com o mundo actual.
Um processo que desembocará em insanáveis contradições. Mas são essas contradições que comandam os avanços e recuos da Humanidade.
E a juventude mais esclarecida sabe que é assim. Não teme as inevitáveis convulsões...

Vale mais tarde do que nunca

A missa em que seis bispos vascos fizeram o que
nunca a Conferência Episcopal espanhola
ou o Vaticano fizeram.

La Iglesia vasca pide perdón por su silencio ante un crimen franquista. Seis obispos recuerdan en una misa a 14 sacerdotes nacionalistas ejecutados
KARIM ASRY - Bilbao - 12/07/2009


«Entre 1936 y 1937, 14 sacerdotes nacionalistas vascos fueron ejecutados por las tropas franquistas tras su avance en Euskadi. Nunca recibieron un funeral digno, ni se registró el fallecimiento de la mayoría de ellos en los libros parroquiales ni aludieron a su trágico final el Vaticano ni la Conferencia Episcopal, a diferencia del trato dispensado a los 498 religiosos "mártires" en la España republicana.

"Hoy saldamos una deuda contraída", dijeron los prelados en su homilía.Casi 73 años después de su fusilamiento a manos de los vencedores de la Guerra Civil, la Iglesia vasca celebró ayer en la catedral nueva de Vitoria una catártica eucaristía en la que pidió perdón por el "injustificable silencio de los medios oficiales de nuestra Iglesia" ante su muerte.» In El País de domingo.

Ministro não é Ajudante

Casa Nostra

José Oliveira e Costa sai hoje do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC) com Termo de Identidade e Residência, uma medida de coacção mais leve do que a prisão preventiva na qual se encontrava desde Novembro de 2008.

Nota: Não se aguardam condenações mas o banco está sem meios para proceder ao financiamento partidário.

E o Presidente não diz nada?

Como se não bastasse a sua provocante proposta de eliminação do representante da República nas regiões autónomas e de criação do cargo de presidente da região, com poderes de promulgação legislativa e de convocação de referendos regionais, Alberto João Jardim veio também dizer que vai fazer um referendo a essas mesmas propostas na Madeira.

Sabendo-se que a convocação de referendos cabe exclusivamente ao Presidente da República e que não pode haver referendos sobre propostas inconstitucionais nem sobre matéria cosntitcional (como é o caso), até quando é que Cavaco Silva, normalmente tão zeloso das suas prerrogativas constitucionais (e bem!), resolve dizer "basta" às provocações institucionais do líder regional madeirense?

Vital Moreira in Causa Nossa

Momento de poesia

Dissertação sobre o sebastianismo…


Ninguém entrou na Quinta Velha

desde que o pai morreu de loucura

as sombras dos fantasmas

ainda correm pelas salas,

nas noites assombradas,

a fazer tremer os cristais e as pratas

a espada ferrugenta do Salado

chegou a cair da panóplia, misteriosamente,

mesmo os fantasmas que ele inventava

todos os dias, para se entreter,

também deambulavam pelos corredores

como se aqueles fidalgos

de elmo e armadura, pendurados

nas paredes, tivessem ressuscitado

das suas catacumbas

e tudo foi devolvido ao tempo

quando o pai foi à varanda

para morrer

depois de ter vingado Alcácer-Quibir

os criados fugiram espavoridos

quando o ouviram bradar aos soldados

inventados pela febre

que atacassem a infame mourama

e os soldados e os criados já não o viram

cair fulminado por um dardo

era verão, e o calor era igual

ao do deserto

onde o rei apodreceu

sem ter prometido, como dizem,

que um dia iria voltar.

Alexandre de Castro

segunda-feira, julho 20, 2009

Ironia no Islão

O Ministério da Saúde do Egito informou neste domingo que uma mulher de 28 anos de idade, que voltou da peregrinação aos lugares sagrados do islamismo em Meca, foi a primeira vítima no país do vírus H1N1, da gripe suína.

BPP - o Adão (ainda) não foi de visita à Eva...

Segundo notícias transmitidas no Telejornal de hoje da RTP 1, o Banco de Portugal terá recusado a demissão de Fernando Adão da Fonseca das suas actuais funções no BPP...

Manuel Pinho foi demitido quando fez o tal gesto dos "corninhos".
Invocou-se o decoro e o respeito pelos orgãos do Estado. Os orgão do Estado não se restringem aos 3 poderes tradicionais. Abrangem todo o aparelho do Estado.

O senhor Fernando Adão da Fonseca é o representante nomeado pelo Governo junto do BPP, através do Banco de Portugal, organismo supervisor da actividade financeira.
Foi para lá, não por uma "birra", mas porque existiam indícios de gestão danosa e de eventuais irregularidades da anterior administração. Foi para lá para prestar um serviço ao Estado.

A meio caminho parece ter mudado de camisola e, ao o ouvirmos, mais parece um representante dos clientes do banco do que um gestor encarregue pelos orgãos do Estado - pago por todos nós - para detectar irregularidades, inconformidades e actividades especulativas e, se possível, elaborar sugestões, ou propostas de soluções - quanto ao incerto futuro - para submeter ao Ministério das Finanças.
Aliás na "comunicação interna" aos funcionários, a quem achou, por bem, dever justificar-se – não à tutela - descreve que a sua nomeação, para a presidência provisória do BPP, teria como objecto a “protecção dos interesses dos depositantes e outros credores e recuperação e saneamento do banco”. E parece que a mais nada se sentia obrigado!
Um autêntico enviesamento das suas atribuições e uma, chamemos-lhes, singular interpretação das suas competências e funções.
O senhor Fernando Adão da Fonseca está, neste momento, a prestar um serviço público. Foi requisitado para isso. Isto é, pode-se equipará-lo a um alto quadro da função pública (...um "banqueiro" detesta esta comparação).

Chegados aqui, vale a pena atentar sobre as suas declarações julgo que após a recusa do Governo à proposta apresentada pela Orey Financial - SGPS, S.A..

Disse:
"a insolvência resultará numa ‘verdadeira guerra civil’ entre todos e com todos, clientes, fornecedores, colaboradores, administradores antigos e novos, Banco de Portugal, CMVM, Sistema Financeiro, Ministério das Finanças e Governo, Assembleia da República, Tribunais portugueses e estrangeiros, Ministério Público”.
Um cenário 'que, se ocorrer, todos viremos a lamentar, embora tarde demais' ”.
link
Esta declaração, pública, sublinhe-se, é apelo à insurreição dos clientes do Banco contra os organismos reguladores e supervisores da actividade financeira e bancária em portugal, com poderes decisórios, como é o Banco de Portugal, a CMVM e o Ministério das Finanças.
Mas é mais. É, também, um elaborado e sedicioso requisitório contra as decisões do Governo sobre este assunto.

Pergunto:
- Algum responsável em funções públicas pode dirigir-se, nestes insidiosos termos , aos seus colaboradores e funcionários do banco e, invectivar, deste modo, os clientes contra tudo e todos?
- Como explicar que uma "comunicação interna" tenha chegado tão rapidamente à redacção do "Jornal de Negócios"?
- Ou, antes disso, trata-se de um indecoroso recado para os organismos tutelares?

Ao contrário do que se anunciou na RTP 1, o senhor Adão já devia ter sido mandado para junto da Eva (isto, se eu fosse "criaccionista"!).
Isto é, exonerado das funções e objecto de procedimento disciplinar.

O sector bancário necessita de interiorizar, de uma vez por todas, que depois desta crise está sobre rigorosa vigilância popular e nada lhe será perdoado.

Ou, então, se vale tudo, expliquem-me qual a razão porque Manuel Pinho foi pela borda fora?

CTT-COIMBRA, os domínios do barão...


Quando olhamos para os organigramas das múltiplas ramificações e ligações entre os envolvidos - que têm sido publicitados nos media - referentes ao "negócio" do edifício dos CTT de Coimbra e que conta com 52 (?) arguidos, sentimos a perfeita materialização daquilo que conhecemos dos filmes: "aquilo é um polvo".

Claro que no meio de um mega processo como este há sempre alguns que só lá estão porque, na altura errada, estavam no local errado. Conheço alguns por quem - como diz o povo - ponho as mãos no fogo.

Mas, aparte essas excepções, figura lá, praticamente, toda a fina flor de Coimbra, capitaneados por uma nobiliária e fidalga personagem: o recentemente empossado barão Horta e Costa, segundo a cara (!) vontade do sublime e singular Duarte Pio.
Barão de quê?
Adivinhem…
Claro! barão de Sta Comba – não podia deixar de ser!

Será que, se não atalharmos caminho, faltará pouco para teremos medo (ou vergonha) de viver neste País?

Considero que para tornar este Portugal "habitável", para voltarem a existir cidadãos, são indispensáveis 3 iniciativas políticas (mais do que prioritárias – urgentes) para a próxima Legislatura.

- a reabilitação do poder judicial;

- a regulação do sector financeiro;

- o combate à corrupção.

Na verdade, estava a escapar-me uma 4ª.:

- a não-reeleição de Aníbal Cavaco Silva.

Quanto ao resto, venha o que tiver que vir...

Bomba atómica financeira à beira da explosão


Na comunicação interna em que deu conta do seu pedido de demissão aos funcionários do Banco Privado Português (BPP), a equipa liderada por Fernando Adão da Fonseca justificou a sua decisão com "o provável cenário de insolvência do banco" que resulta da recusa do Governo em relação às quatro propostas apresentadas pela gestão para solucionar o problema do banco.

Para Ferreira Leite rasgar

A Renault-Nissan anunciou que Portugal, a par do Reino Unido, foi o país escolhido para construção de uma fábrica de baterias para automóveis eléctricos.

Trata-se de um investimento que foi negociado com o Governo e que inclui um projecto-piloto com o objectivo de criar uma rede de abastecimento destes veículos.

Um pequeno passo para um homem...

... um salto gigantesco para a Humanidade.


Há quarenta anos, em Malapísia, algures no Norte de Moçambique, a cerca de duzentos quilómetros de Vila Cabral, ouvi pela rádio, o mais fascinante relato de sempre. Permaneci acordado toda a noite, empolgado com o que os homens podem.

Hoje, quatro décadas depois, fica a sensação de que vivi um tempo glorioso em que os homens deram os passos certos a que a direcção errada fez falhar o alvo.

Se, em vez da corrida ao armamento, tivéssemos continuado a caminhar pelo espaço eram agora mais largos os horizontes e menos sangrentos os tempos.

Recordar Neil Armstrong é prestar homenagem à ciência e à civilização que pôs termo a séculos de ignorância e superstição.

Mais um cavaquista arguido

Segue-se outro ex-Ministro como arguido no caso BPN.

O tráfico de influências, a mistura entre política e negócios e a corrupção instalada ao mais alto nível corrompem a democracia.

O Ministério Público tem nas mãos a nobre função de proteger o Estado de Direito!

Marinho Pinto dixit (2)

Entrevista ao Expresso ( Revista Única)