segunda-feira, agosto 31, 2009

Por que motivo não vetou?

O Presidente da República promulgou hoje o novo regime contributivo da Segurança Social mas faz questão de referir que a promulgação de um diploma não significa a adesão às opções políticas que lhe estão adjacentes.

domingo, agosto 30, 2009

O círculo vicioso...


O programa eleitoral do PSD é um documento, políticamente, intemporal.
É uma abordagem contra tudo o que constitui e integra o nosso passado recente, do qual o PSD também é parte.
Não consegue datar-se, entrar em sintonia com a realidade actual e aligeirar a carga revanchista que o emprenha.

Passa sobre a crise económica e social que nos atinge, de um modo que nos faz recordar o famoso filme de Elizabeth Taylor, Paul Newman, etc. – "Cat on a hot tin roof" (gata em telhado de zinco quente, na versão portuguesa)...

A recuperação económica tende a “arrastar” na sua esteira perturbações na salvaguarda e na defesa dos direitos humanos.
Exactamente, como sucedeu com as políticas securitárias musculadas, perante o alastrar do terrorismo.

As crises induzem a activação do ancestral “espírito de sobrevivência” e a tendência para trazer à superfície mecanismos egoístas do tipo “salve quem puder”

O programa eleitoral do PSD cai nesse pecadilho.

Inconscientemente – sem nunca o referir – dá de barato que o fim da recessão está à vista e arregaça as mangas para a reanimação da economia.
Não escalpeliza nem os mecanismos nem as concertações económico-sociais preconizadas pela UE para fazer face à crise e que, naturalmente, envolveram o Governo português.
Para Manuela Ferreira Leite isso é passado e não cabe na sua fantástica descoberta: a elegia da verdade, i.e., a sua última obsessão que molda um programa cuja primeira impressão é que se trata de um documento déjà vu...

Com o ar severo e atinado de uma “mestre-escola” divulga um programa que prevê a recuperação económica utilizando os mesmos instrumentos, os mesmos meios, a mesma doutrina que congregados foram a causa remota da crise.
Isto é, cria um nevoeiro, levanta a poeira para preconizar um sub-reptício retorno ao mais feroz neo-liberalismo.

Se, em 27 de Setembro, os portugueses enveredassem por esse caminho, era só esperar pela “incubação” – a breve prazo - de uma nova crise.
Os ingredientes estão todos no referido programa. A começar pelo aforismo: Menos Estado, Melhor Estado.
Todavia, contorna aquilo que todos sabemos e constatamos: a rábula sobre o poder do do mercado regular a economia.


O programa eleitoral do PSD ao insistir nas fórmulas neo-liberais que provocaram o descalabro perde a respeitabilidade e torna-se um documento panfletário que masturba a realidade - e para ignorar a crise - descreve um "verdadeiro" circulo vicioso.

Os líderes políticos têm de investir numa nova ordem económica.

Não podem insistir, outra vez, mais uma vez, em prometer - sim porque o dito programa ao contrário do anunciado é um arrasoado de mal definidas e confusas promessas - aos eleitores:
- Mais do mesmo...!
.

Crenças e crentes

Discordo da doutrina que atribui aos cidadãos a «culpa da não formação conveniente da personalidade». Com todo o horror que foi o nazismo, não consigo ver nos alemães os algozes da humanidade. Hoje, são dos mais coerentes anti-nazis e convictos europeístas.

Também os polacos, croatas, austríacos, e muitos outros, se deixaram entusiasmar por essa orgia de sangue e ódio de que só as doutrinas totalitárias são capazes. Quem deu a Hitler os atestados de baptismo que facilitaram a triagem dos judeus foram os clérigos cristãos. O nazismo e o fascismo foram de natureza secular mas sem os preconceitos anti-semitas dos cristãos a loucura nunca teria atingido tais dimensões e sido tão cruel.

O mais hediondo que precedeu a guerra de 39/45 aconteceu em Espanha, sob a égide de Franco, com a participação da Igreja católica, incluindo a figura sinistra de Escrivá, nazi, franquista e futuro santo.

O Opus Dei nasceu à sombra do franquismo, cresceu com o assassínio dos republicanos e santificou-se graças ao dinheiro com que salvou da bancarrota o Vaticano, após os desfalques do arcebispo Marcinkus no banco Ambrosiano para subsidiar o sindicato Solidariedade na Polónia.

O Opus Dei é a Al-Qaeda do catolicismo com outra forma de actuar. Não condenemos os cristãos pelos crimes que cometeram ou pelos do Papa. Os crentes apenas são vítimas da intoxicação da catequese.

É o que sucede com os judeus ortodoxos, convictos de que são o povo eleito, sionistas, tão intolerantes como os mullás ou o papa católico.

O Islão entrou em roda livre numa demência fascista que põe em risco a civilização e a paz. Não podemos incriminar os muçulmanos pela fanatização a que os sujeitam nas madraças e mesquitas mas devemos vigiar os pregadores do ódio e desmascarar o livro sinistro que os intoxica – o Corão.

As religiões, tal como outras associações, não podem andar à solta, a espalhar o ódio, a xenofobia, o racismo e a violência. Os livros ditos sagrados devem passar pelo crivo da civilização e ser desmascarados. É neles que reside a maldade e a violência de que dão testemunho as vítimas intoxicadas pelos parasitas de deus.

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sábado, agosto 29, 2009

A ética e a política segundo o PSD

"A política é autónoma da ética e a ética é autónoma da política". (Paulo Rangel)

Que diz o PSD destas imagens?


Os portugeses precisam de saber o que pensa MFL da invasão do Iraque.

Espaço dos leitores

Ponte Europa / Pitecos - Zédalmeida

Política e religião


O Presidente do Irão, Mahmud Ahmadinejad, pediu ontem, num sermão proferido durante as orações de sexta-feira, a punição dos líderes da oposição pela contestação e pelos confrontos que se seguiram às eleições presidenciais de 12 de Junho.

Comentário: Quando a política é feita com sermões a liberdade está condenada ao Inferno.

sexta-feira, agosto 28, 2009

TRIBUNAL CONSTITUCIONAL NEGA RAZÃO ÀS "DÚVIDAS" DE CAVACO

Como é sabido, o PR enviou a Lei de Execução das Penas aprovada pela maioria da Assembleia da República para o Tribunal Constitucional por ter dúvidas quanto à constitucionalidade de certas normas dessa lei. O TC já lhe tirou as "dúvidas", decidindo que as referidas normas não são inconstitucionais.
Transcreve-se o comunicado publicado esta tarde pelo Tribinal Constitucional:

"Comunicado de 28 de Agosto de 2009
Nota




Processo n.º 698/09
Plenário
Acórdão n.º 427/2009



Em sessão plenária de 28 de Agosto de 2009, o Tribunal Constitucional decidiu, no processo n.º 698/09, de fiscalização preventiva de constitucionalidade em que é requerente o Presidente da República, não se pronunciar pela inconstitucionalidade da norma da alínea b) do n.º 6 do artigo 14.º, enquanto conjugada com as normas das alíneas a) e b) do n.º 1 do mesmo artigo, constante do Código da Execução das Penas e das Medidas Privativas da Liberdade aprovado pelo Decreto n.º 366/X da Assembleia da República.

Esta norma atribui competência ao Director-Geral dos Serviços Prisionais para, com o consentimento do recluso, o colocar em regime aberto no exterior, se não for de recear que se subtraia à execução da pena ou que se aproveite das possibilidades que tal regime lhe proporciona para delinquir e o regime se mostrar adequado ao seu comportamento prisional, à salvaguarda da ordem, segurança e disciplina no estabelecimento prisional, à protecção da vítima e à defesa da ordem e da paz social.

A norma em causa não viola quer a reserva de jurisdição quer o imperativo do respeito pelo caso julgado, por parte dos órgãos da Administração Pública.

A decisão foi votada por maioria."

Mais uma concordata

Programa Eleitoral do PSD: a montanha pariu um rato...

O PSD simulando o mais profundo desprezo pela propaganda, finalmente, apresentou o seu Programa Eleitoral, após a criação de uma campanha de “suspense”, que relembra os enigmáticos tabus de Cavaco, inserido numa sofisticada campanha de marketing que há meses, este partido, vem exorcizando... em nome da verdade e da ética política.

A montanha pariu um rato!

Nem o programa era assim tão sintético – na verdade não cabe numa folha A4 – nem, para quem tem memória, foi inovador.
O tempo gasto a preparar este vulgar Programa mostra que, de facto, o PSD, enquanto principal partido da oposição, andou à deriva dos acontecimentos e na deriva da casualidade quotidiana. Enquanto oposição mostrou que não tinha programa alternativo. Fabricou-o agora e, esse facto, vem dar razão aos que sempre afirmaram que este partido norteava-se pelo culto da maledicência, do bota-abaixo.

Cinco grandes temas marcam o referido programa: Economia, Políticas Sociais, Justiça, Educação e Segurança.

Não vamos dissecar estes itens programáticos mas a ideia que perpassa é que o mesmo contorna (ignora) o facto de estarmos em plena crise económica e social.
As medidas avulsas que preconiza têm uma única preocupação: contrastar com o programa do PS.
Usando de todos os meios mas, fundamentalmente, picando o olho aos desiludidos (caso da Educação) com a prestação do Governo de Sócrates.

Sócrates, subliminarmente, tornou-se a grande motivação programática, a centralidade temática, mesmo sem ser citado.

Nada foi explicado e, portanto, ao contrário do que desejariam os seus promotores, nada ficou límpido e transparente.
Por exemplo, pouco ou nada sabemos como combater com o défice das contas públicas, excepto uma angustiante preocupação que, aliás, é o denominador comum da grande maioria dos cidadãos.
São estes assuntos consensuais que povoam o inconsciente colectivo dos portugueses que o programa trás à liça, sem apresentar propostas de resolução ou de ruptura com o passado.
Não foi explanado qualquer novo modelo económico, nem políticas sociais alternativas, nem aprofundado qualquer outro assunto. Este Programa insiste para que o eleitorado lhe passe um cheque em branco...

Há, contudo, um aspecto que, numa apreciação geral, não pode ser ignorado. O regresso às puras e duras políticas neo-liberais, bem expressa no púlpito da apresentadora deste programa: “Ferreira Leite defende menor intervenção do Estado”.

O regresso em força a uma matriz política neo-liberal, sob uma capa social-democrata, explicitada pelo conhecido e repetitivo slogan: “menos Estado, melhor Estado”… é, exactamente, caminhar para trás, ao encontro das causas profundas que desencadearam a actual crise económica e social.
É, no tempo em que todos anseiam a saída da recessão, caminhar contra a corrente preponderante na UE, face à actual crise.

O Estado, para Manuela Ferreira Leite, não tem préstimos e deve apagar-se. Todavia, serviu - em circunstâncias de pré-ruptura - para resolver os problemas de insolvência das instituições financeiras.
Portanto, será mais verdadeiro e explícito defender o Estado-Kleenex, i.e., descartável - de usar e deitar fora…

Nem tudo é mau no PSD

A Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) manifestou hoje a sua oposição à proposta do PSD de alterar as remunerações dos magistrados com base numa avaliação do seu desempenho.

Comentário: Espero que o PS ganhe as eleições e faça sua esta proposta do PSD.

Um perigo para a saúde...

... e um desastre para a Educação.

José Saramago em boa forma

AINDA O MINISTÉRIO PÚBLICO

(Comentário ao post de CE de 27/8 intitulado "Fala quem sabe" em que dizia que o antigo Procurador-Geral da República Cunha Rodrigues é um excelente jurista)


Pois é. Mas até que ponto é que a culpa não é dele mesmo? Procurador-Geral da República durante o consulado cavaquista, em que o próprio Ministro da Justiça era um Procurador, foram do tempo dele as medidas que tornaram os agentes do M.P. numa espécie de juizínhos que fazem o que lhes apetece e que são um autêntico Estado dentro do Estado. Inclusivamente, no plano formal, que na Justiça também é muito importante, foi no tempo dele que os agentes do MP, que até aí, nos julgamentos, se sentavam numa bancada entre juízes e advogados, passaram a ter assento AO LADO dos juízes, a ponto de o cidadão comum não conseguir distinguir uns dos outros.
Por outro lado, o MP passou a gerir os processos como muito bem entendia, por vezes ao sabor de interesses políticos fomentados pelo espúrio sindicato dos magistrados do MP. Porque é que o "caso Freeport", que dura desde 2002, "adormece" e só volta a acordar nos anos eleitorais?
Por isso um ilustre advogado como é Rodrigo Santiago afirmou que "o MP é um Estado dentro do Estado". Por isso é que Henrique Raposo, num interessantíssimo artigo publicado a fls. 37 do último Expresso,formula a pergunta "Quem é que manda no regime?" e responde "o verdadeiro dono do regime é o Ministério Público".
E é sabida a enorme influência que o sindicato do MP tem sobre os seus membros; ora tal sindicato move-se por intenções políticas, manifestamente anti-socialistas. É uma autêntica coligação entre o PC e o PSD, que nos meios judiciários já há muitos anos vem sendo designada por "coligação vodka-laranja".

Do sonho ao pesadelo


Timor Leste vive cultura de impunidade dez anos após independência, diz Amnistia.

BPN - Processo a cheirar a sanita

Adenda: A porta (ou cano de esgoto?) por onde passou a violação do segredo de justiça é capaz de ser conhecida.

Ninguém liga ao Papa

A Câmara de Deputados do Uruguai aprovou hoje um projecto de lei que legaliza a adopção por parte de casais homossexuais.

Comentário: Não tenho uma ideia definitiva sobre a bondade da medida.

quinta-feira, agosto 27, 2009

Fala quem sabe...

... Um excelente jurista.

Cunha Rodrigues, procurador-geral da República (PGR) durante 16 anos, considera que os cidadãos desconfiam da Justiça e que volume de litígios e a insuficiência de respostas fizeram dos tribunais "causa de ruído e de perplexidade".

Mutilação Genital Feminina (MGF) - (3)


Tanto quanto me parece a MGF é uma nefasta prática que antecede o Islão.
Segundo tenho lido o Alcorão nem sequer a menciona.
Aliás a MGF de acordo testemunhos históricos é praticada há milhares de anos, em comunidades animistas.
Posteriormente, com algumas variantes, até os cristãos a praticaram.
A crença disseminada que o Islão a considera uma prática válida só tem cabimento em comunidades iletradas e muitos ulemás e muftis (clérigos islâmicos) adoptaram-na porque estão convictos que esse facto lhe confere autoridade perante as populações.
Tal facto faz com que muitos islâmicos considerem as campanhas contra a MGF como "ataques" ao Islão.

No Egipto, para citarmos um país islâmico, a proibição do acto de mutilação feminina foi determinada pelo Ministério da Saúde em 2007, mas a lei que criminaliza e prevê pena para todas as formas de mutilação genital feminina só foi aprovada em 2008.
Esta legislação recebeu o apoio dos muftis que garantem que a mutilação não é prevista pelo Islão.
O grande Sheikh da mesquita al-Azhar, no Cairo, afirmou diversas vezes que a “mutilação genital feminina é anti-islâmica”.

Esta prática era frequente no Egipto, tanto em adolescentes islâmicas como cristãs (coptas), nomeadamente nas regiões rurais onde a qualidade de vida é precária e nos arrabaldes das grandes urbes onde a situação económica é degradante.

Um dos novos problemas é que a MGF está a ser praticada, cada vez mais, em crianças de tenra idade, já que as adolescentes começam a oferecer resistência à sua realização. E, nestas circunstâncias, a MGF perde um importante apoio, que ia buscar no contexto cultural, já que integrava as festividades da transição da idade púbere para a adultícia. Ao praticá-la na infância fica completamente descontextualizada e, esta anómala circunstância, deve ser utilizada no combate e prevenção da MGF.

Na realidade, a MGF é muito frequente na Eritreia, Etiópia e Somália e até há alguns anos no Egipto, mas é rara no mundo árabe e islâmico.

Portanto, a sua origem parece encontrar-se nas comunidades tribais de África, essencialmente, sob o aspecto religioso animistas, tendo migrado da África sub-sahariana para o Mediterrâneo, seguindo as caravanas do ouro e das pedras preciosas e, hoje, assentou arraiais no Norte de África (corno de África).

A aleivosia dos dirigentes da comunidade muçulmana da Guiné-Bissau, não será mais do que puro oportunismo.

Não há bestas perfeitas. Ninguém é perfeito

Bissau, 21 Fev (Lusa) - Dois dirigentes da comunidade muçulmana da Guiné-Bissau insurgiram-se contra o projecto do parlamento de abolir no país a prática de mutilação genital feminina, considerando tal pretensão uma "afronta ao Islão".

Comentário: É preciso afrontar o Islão.

Crime e castigo

Comentário: Concordo com a condenação e o processo disciplinar. Só não percebo por que motivo um tal Charrua (ex-deputado do PSD) pode insultar o primeiro-ministro e ficar impune.

O veto e o voto de Cavaco

O veto do PR à lei das uniões de facto é o voto pio de quem foi presidente da comissão de honra para a canonização de Nuno Álvares Pereira, de quem acredita que um herói se transforma em colírio para curar o olho esquerdo de D. Guilhermina de Jesus, queimado com óleo de fritar peixe, por intercessão de um guerreiro medieval.

Há argumentos contra a lei das uniões de facto – e referiu-os –, mas não é aceitável a desculpa da oportunidade – e usou-a –, como se coubesse ao PR alterar o período em que se pode legislar.

Se Guterres, com outra dimensão cívica, não foi capaz de resistir aos amigos do peito e da hóstia, na questão do aborto, por que motivo seria capaz este PR, ressentido com a dispensa do pio Conselheiro João Lobo Antunes de uma escusada comissão Ética, de desistir do veto a uma lei que os padres condenam e a Esquerda defende?

A lei vetada, aprovada em Julho com votos contra do PSD, CDS e de três ornamentos pios com que a bancada do PS se matiza, reforçava a protecção jurídica em caso de morte de uma pessoa em situação de união de facto e criava maior protecção do domicílio da família, além do direito à pensão de sobrevivência. Isto é uma abominação para um crente calejado em jejuns e orações.

Aparentemente, Cavaco transformou o PSD e o CDS em instrumentos de uma qualquer ambição política que não augura nada de bom para o País. No PSD tem uma pessoa de confiança sem ideias e, no CDS, um líder com ideias a mais e sem escrúpulos.

O silêncio perante a torpe insinuação do PSD sobre alegadas escutas aos seus assessores contribuiu para o clima de intriga e desconfiança que mina as instituições democráticas, em nítido benefício do partido de que foi líder.

Ao recusar esclarecer o mecanismo e as circunstâncias da compra e venda das acções do BPN, de que beneficiou ele próprio e a filha, Cavaco destruiu a alegada superioridade moral do cavaquismo.

Restava-lhe a isenção e o sentido de Estado. Prefere cuidar da alma e das indulgências. Interpretou bem o desejo dos bispos. É uma opção mas, se continuar a ser oposição à maioria dos eleitores, em sintonia com a direita mais obsoleta, abdica do respeito a que tem direito e da consideração inerente ao exercício do cargo.


Ponte Europa / SORUMBÁTICO

quarta-feira, agosto 26, 2009

Mutilação genital feminina

Mutilação genital mata bebé de 3 meses

Não, não é só na Guiné. É também em Lisboa onde o respeito pelo multiculturalismo descura a vigilância da barbárie. Não nos iludamos, o mesmo deus que condena as mulheres ao pecado original é aquele déspota misógino, cruel e vingativo que se rebola de gozo a ver a mutilação genital feminina sabendo que o prazer sexual fica definitivamente interdito.

Há nesta ignóbil tradição uma mistura de fascismo islâmico e tribalismo africano que a religião patriarcal perpetua e os hábitos tribais exigem.

A criança de três meses que morreu foi vítima de uma tradição e assassinada por uma crença, tendo como carrascos os devotos de uma religião que persegue a liberdade e mata o prazer em nome de um deus que há muito devia estar sob vigilância policial e a alçada do código penal.

Os templos que se erguem são a homenagem subserviente a crenças que um módico de racionalidade e algumas noções de cultura deviam erradicar. Servem aos clérigos para perpetuarem aí os costumes tribais, discriminarem as mulheres e incitarem ao ódio.

Eu sei, todos sabemos que há uma multidão de parasitas que vive à custa destes deuses, que há centenas de imbecis que os promovem e milhões que são obrigados a jejuns e orações, que são intoxicados pelo Corão, a Tora e a Bíblia, que odeiam jacobinos, não urinam virados para Meca, distinguem a água benta da outra ou julgam que deus lhes outorgou as fronteiras das terras que reclamam.

Uma religião não pode estar acima de uma associação e os seus corpos gerentes devem responder pelos crimes que cometem. A vida de uma só criança vale mais do que a de todos os deuses.

Esta vergonhosa violação dos direitos da criança e dos direitos humanos, para além da repugnância que causa, tem consequências graves, físicas e psicológicas, que um país civilizado não pode consentir sob pena de ser cúmplice.

Adenda: Este post foi alterado no primeiro parágrafo.

Morreu Ted Kennedy


Morreu Ted Kennedy um democrata liberal pertencente a uma poderosa família que influenciou a política americana no último meio século.
Foi um político combativo e influente.

Depois do falecimento de Robert Kennedy, Ted foi o principal pilar da família e, nos últimos anos, um patriarca que esteve no centro das grandes opções estratégicas do Partido Democrático.

Não chegou a completar a última grande batalha em favor dos americanos mais desfavorecidos. Era um grande defensor da reforma do sistema de saúde norte-americano.
Obama, em dificuldades para impor um sistema universal, vai sentir a sua falta.

Foi um bom Homem e um grande político. Será, por ventura, o último representante de uma notável geração, com outro modo de estar na política.

Uma grande perda para os americanos.

Genocídio, expurgo ou depuração?














O presidente da Associação das PME, Joaquim Cunha, denunciou a perda de 150 mil empresários, em Portugal, nos últimos quatro anos.
Classificou este facto como um “genocídio empresarial”.
Joaquim Cunha, não se deu ao trabalho de referir as perdas anuais e se esta circunstância foi acelerada ou intensificada desde 2008, ano em que a recessão atingiu duramente o nosso País.
Não investigou se grande número de insolvências se deve a má gestão, ou pior, ao aproveitamento da ocasião para encerramentos fraudulentos. Não se refere também, para o mesmo período, ao número de novas empresas que entretanto surgiram.
Prefere antes aproveitar a oportunidade para atacar o Governo e não explicitar as possíveis razões porque o crédito bancário caiu 10%.
A actual queda de 10% na atribuição de créditos, dificilmente justifica o desaparecimento de cerca de 37.5% dos empresários. Há aqui uma enorme desconformidade.

Provavelmente, o que se está a verificar, é um maior rigor na atribuição de crédito por parte das instituições bancárias e um mais aprofundado estudo do factores de risco.
Ou, ainda, da inexistência de projectos de investimento com viabilidade económica. Atirar dinheiro para cima de problemas insolúveis não é um critério de investimento válido, com vista à recuperação económica.
Em Coimbra a recente situação do encerramento da Marcopolo, mostra como as empresas não estão receptivas a qualquer reconversão. A administração da Marcopolo não quer negociar com um eventual investidor belga. Quer pura e simplesmente encerrar e considera essa decisão “irrevogável”…

Senhor Joaquim Cunha deveria debruçar sobre o ranking dos empresários portugueses no capítulo da inovação e competitividade, dentro da UE, antes de tirar conclusões apressadas.

Porque, qualquer cidadão, embora lamentando estes encerramentos de empresas, quanto mais não seja pelo desastroso rebate social (contributo para aumentar a taxa de desemprego), continuará a questionar se – em vez de "genocídio" – o tecido empresarial nacional não estará a ser objecto de um expurgo ou de uma implacável depuração, promovida pela lógica capitalista de cariz neo-liberal. Isto é, o mercado livre – que não quer submeter-se a qualquer regulação – a funcionar. Mal, como todos já constatamos...
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OPUS DEI - o banco da Vaticano (2) ... Roland Joffé mete mãos à "Obra"


Na realidade, para a cúria papal e demais institutos divinos e câmaras eclesiásticas que pontificam no Vaticano - como ontem a imprensa mundial recordou em relação a Galileu - é cada vez mais difícel manter os privilégios dos dogmatismos conciliares, das irracionais e insultuosas infalibilidades , das mitologias prodigiosas e crenças milagreiras, das tentativas de ocultação das verdades científicas, da venialidades das indulgências, dos seculares apetites pela luxúria e da leiga atracção pelo dinheiro.
Enfim, uma inexorável perda de idoneidade… uma imparável marcha para a decadência.

A airosa, mas denunciada, saída, encontrada pelo Vaticano para recompensar a "Obra" pelo esforço financeiro efectuado com vista à solvência do IOR (o "banco de deus"), canonizando o seu fundador - Josemaria Escrivá - ao contrário do que a ICAR pensa e desejaria, não é um assunto encerrado... nem um postulado incontroverso.

O mundo tornou-se aberto e mais transparente, sendo difícil às diferentes igrejas conservar ancestrais privilégios de subtracção de assuntos ao conhecimento público, quer sonegando a sua discussão, quer escusando os escândalos do livre tratamento informativo, literário e artístico.

Os recentes escandalos de pedofilia que mancham e envolvem dramaticamente a ICAR no mundo do crime, em diversos pontos do planeta, evidenciando práticas abusivas e repugnantes do tipo serial killer, são um exemplo destes novos tempos, que tornaram irreversível o regresso ao "glorioso" passado do silenciamento e da ocultação.

Por todas estas razões e outras que não me ocorrem, Ralf Hoch Hunt escreveu a peça dramatúrgica “O Vigário” revelando uma postura pró-nazi e anti-judaica do papa Pio XII, Dan Brown transformou o 'Código da Vinci' num best-seller, estamparam-se e disseminaram-se pelo mundo - perante a fúria dos muçulmanos e a indignação dos católicos (pondo as barbas de molho) - caricaturas do profeta e, agora, o cineasta e realizador ROLAND JOFFÉ (na foto) - antecipando-se à eventuais reacções das "Igrejas" (neste campo a solidariedade eucuménica funciona!) - prepara um filme... sobre Josemaría Escrivá de Balaguer, um místico franquista desde a 1ª. hora e um recalcitrante falangista que, no nefasto e calamitoso período nazi, revelou-se cumulativamente um (im)piedoso germanófilo... entretanto, feito santo, em tempo record (antes que fosse revelada a plenitude do seu iníquo percurso)!
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Roubo médio no Supremo

Dois antigos responsáveis do Supremo Tribunal de Justiça são acusados de peculato e de falsificação de documentos.

Em causa estão desvios de verbas de cerca de 340 mil euros.

Opus Dei - O banco do Vaticano

Roland Joffé sabe que o seu novo filme é controverso, mas afirma que não foi realizado como resposta ao ‘Código da Vinci’, em que os maus são membros do Opus Dei, um movimento da Igreja Católica.

Joffé está na Argentina a realizar um filme sobre o fundador do Opus Dei, Josemaría Escrivá de Balaguer, que esteve ao lado de Francisco Franco durante a Guerra Civil espanhola e que

terça-feira, agosto 25, 2009

Brasil - Crime e loucura


O religioso foi detido na casa-de-banho de um terminal de autocarros, após beijar e mostrar os órgãos genitais a um adolescente. Temendo ser abusado sexualmente na prisão, revelou que tinha sida.

Poema a Galileu


Poema para Galileo

(Por António Gedeão)

Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,

aquele teu retrato que toda a gente conhece,

em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce

sobre um modesto cabeção de pano.

Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.

(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.

Disse Galeria dos Ofícios.)

Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.



Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…

Eu sei… eu sei…

As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.

Ai que saudade, Galileo Galilei!



Olha. Sabes? Lá em Florença

está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.

Palavra de honra que está!

As voltas que o mundo dá!

Se calhar até há gente que pensa

que entraste no calendário.



Eu queria agradecer-te, Galileo,

a inteligência das coisas que me deste.

Eu,

e quantos milhões de homens como eu

a quem tu esclareceste,

ia jurar- que disparate, Galileo!

- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça

sem a menor hesitação-

que os corpos caem tanto mais depressa

quanto mais pesados são.



Pois não é evidente, Galileo?

Quem acredita que um penedo caia

com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?

Esta era a inteligência que Deus nos deu.



Estava agora a lembrar-me, Galileo,

daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo

e tinhas à tua frente

um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo

a olharem-te severamente.

Estavam todos a ralhar contigo,

que parecia impossível que um homem da tua idade

e da tua condição,

se tivesse tornado num perigo

para a Humanidade

e para a Civilização.

Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,

e percorrias, cheio de piedade,

os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.



Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,

desceram lá das suas alturas

e poisaram, como aves aturdidas- parece-me que estou a vê-las -,

nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.

E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual

conforme suas eminências desejavam,

e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal

e que os astros bailavam e entoavam

à meia-noite louvores à harmonia universal.

E juraste que nunca mais repetirias

nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,

aquelas abomináveis heresias

que ensinavas e descrevias

para eterna perdição da tua alma.

Ai Galileo!

Mal sabem os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo

que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,

andavam a correr e a rolar pelos espaços

à razão de trinta quilómetros por segundo.

Tu é que sabias, Galileo Galilei.



Por isso eram teus olhos misericordiosos,

por isso era teu coração cheio de piedade,

piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos

a quem Deus dispensou de buscar a verdade.

Por isso estoicamente, mansamente,

resististe a todas as torturas,

a todas as angústias, a todos os contratempos,

enquanto eles, do alto incessível das suas alturas,

foram caindo,

caindo,

caindo,

caindo,

caindo sempre,

e sempre,

ininterruptamente,

na razão directa do quadrado dos tempos.

Há 400 anos apresentou o telescópio

Hoje é um dia de glória para a Humanidade e de vergonha para os que perseguiram Galileu.

Enorme lucidez

A entrevista da dra. Manuela Ferreira Leite à RTP1 foi de uma banalidade que, algumas vezes, roçou o patético. (Mário Soares)

Em nome de Alá...

… matem-se as vítimas.

Teerão, 25 Ago (Lusa) - Um dos chefes da oposição no Irão, o reformador Mehdi Karubi, apresentou segunda-feira aos deputados documentos que provam, segundo ele, que manifestantes contra a reeleição do presidente Mahmud Ahmadinejad foram violados na prisão, segundo a agência Mehr.

Demência islâmica

Condenada por beber cerveja receberá seis golpes com um cana de bambu só quando terminar o mês de jejum do calendário islâmico.

Momento de poesia


Dissertação sobre a maldade dos abutres…



Quando tinha sete anos, em letra escolar,

bonita e arredondada, escrevi num caderno de duas linhas:

“Os abutres vão comer a árvore. Os abutres

são uns animais maus e eu tenho pena

daquela árvore, que já não tem folhas”.

Passados uns anos compreendi que, afinal,

os abutres, meio adormecidos, apenas poisavam

na árvore para aguardarem o momento exacto

em que deveriam lançar-se vorazmente

sobre a carcaça do animal, que no chão estava a morrer.

Hoje, subi mais um degrau na escada do pensamento,

e conclui que os abutres querem alimentar-se

da Humanidade inteira

e que não se importam com o futuro das árvores.

Continuo a pensar que os abutres são uns animais maus!...

Alexandre de Castro

S. Martinho do Porto, Agosto de 2009

segunda-feira, agosto 24, 2009

CAVACO: A "GOLDEN SHARE" DO PSD NO PARLAMENTO

Todos sabemos que há certas sociedades anónimas nas quais um sócio minoritário (designadanete o Estado) tem o direito de impedir que a maioria dos sócios decida certas coisas.Diz-se então que esse sócio minoritário tem uma "golden share".

Ora tem-se verificado nos últimos tempos que em Portugal o PSD tem uma "golden share": o poder de veto do seu Presidente Cavaco Silva.

É apresentada na Assembleia da República uma proposta de lei com a qual o PSD não concorda; mas o PSD está em minoria na Assembleia e a referida proposta é aprovada pela maioria. Então o PSD faz valer a sua "golden share": o veto de Cavaco.

A coisa está a tornar-se escandalosa e o descaramento é tal que Cavaco não se coíbe de vetar leis - como agora a da união de facto - com os mesmos argumentos com que o PSD se lhe opôs. Isto é uma autêntica perversão da democracia.

Parece-me não haver dúvidas que não basta vencer o PSD nas legislativas; é também indispensável retirar-lhe a "golden share" nas eleições presidenciais.

Medo do Inferno

O líder parlamentar do CDS-PP, Pedro Mota Soares, saudou hoje o veto do Presidente da República às alterações à lei das uniões de facto, considerando que estas transformavam aquela opção de vida numa "espécie de casamento".

Faz parte da sua natureza (2)


Por

E - Pá

Continuo a ter a sensação de que o PR, primeiro, não entrou no séc. XXI (esqueceu-se...), depois, não tem a noção do país real (anda distraído...).
Seria bom que antes de lançar o anátema sobre as uniões de facto tivesse fundamentado a sua posição sobre dados estatísticos e as opções sociais em que as famílias portugueses se movimentam e vivem, nos tempos de correm.

Parece-me da maior fragilidade (para não lhe chamar outra coisa...) utilizar o argumento do final da legislatura quando a Lei em questão foi votada por larga (qualificada?) maioria, na AR, em Março passado. Chama-se a isto deixar a fruta no chão a ver se apodrece...
Por outro lado, o apelo a uma mais profunda discussão é um indisfarçável apelo à manifestação das forças mais reaccionárias, entre elas a ICAR.

O casamento - sob o ponto de vista do Estado de Direito - é um contracto O casamento civil é um contrato entre o Estado e duas pessoas com o objectivo de constituir família.

União de facto, em Portugal, é um instituto jurídico que regulamenta a convivência entre duas pessoas sem que a mesma seja oficializada de alguma forma.

O presente diploma tratava de devolver equidade de tratamento e oficializar o procedimento, regulamentando, aos cidadãos que, de livre consciência, optavam pelo contracto tácito e informal de constituir um agregado familiar.

Mas, em meu entender, a gravidade desta situação é que fico com a noção que o PR confunde casamento com matrimónio.

E, como sabemos, o Estado nada tem a ver com o instituto do matrimónio...

Madeira - Pluralismo informativo


Redacção fica reduzida a um quarto e a secção de Fotografia é extinta. "DN-Madeira" acusa o "JM" (propriedade do Governo Regional) de distorção das regras de mercado.

P. S. - Não houve um veto presidencial que permitiu a continuação do «Pravda do Jardim»?

A questão das escutas em Belém

Já nem Mário Crespo respeita a central de intoxicação.

Programa do PSD até agora

Faz parte da sua natureza

O Presidente da República vetou a nova lei das uniões de facto, considerando "inoportuno" que em final de legislatura se façam alterações de fundo à actual lei.

Comentário: justificar um preconceito com a inoportunidade revela o carácter do PR e a colagem ao PSD/CDS.

Quando até o Vaticano tem razão!

A Direita maioritária italiana de Berlusconi, Fini e Bossi apontou ontem a artilharia contra o Vaticano e a selecção de críquete.

A polémica com o episcopado católico e o Vaticano foi lançada por Umberto Bossi a propósito de mais uma tragédia com imigrantes africanos no Mediterrâneo. A Igreja Católica considera que a morte de uns 70 oriundos da Eritreia se deve ao facto de o estado italiano tratar os estrangeiros pior do que animais, mas o líder da Liga Norte diz que os clandestinos "não podem passar impunes".

AFEGANISTÃO: será possível...

Será possível organizar eleições livres e democráticas num País que vive sob o mais radical terror islâmico (talibans)?

Será possível um País “ocupado” por mais de 100.000 militares, provenientes de 43 países, debaixo de poderosas e violentas intervenções militares, escolher os seus governantes e definir o seu futuro?

Será possível levar a sério um País cuja sociedade civil e dirigentes políticos, militares e religiosos vivem do narcotráfico?

Será possível desencadear mecanismos democráticos (do tipo ocidental) num País recheado de disputas étnicas onde morrem de fome mais de 400.000 crianças por ano e a esperança de vida é de 45 anos?

Será possível desencadear um acto cívico relevante (eleições) num País semi-desértico, devido a um forçado êxodo (guerra) que gerou mais de 5 milhões de refugiados?

domingo, agosto 23, 2009

Factos & documentos

Ponte Europa / Pitecos - Zédalmeida

Terrorismo religioso

Al-Megrahi, o terrorista preso nos EUA, que colocou a bomba no avião que explodiu em 1988, com 270 passageiros, foi libertado por razões humanitárias e recebido em Tripoli como herói.

Não devemos condenar os muçulmanos que o receberam em apoteose mas não podemos deixar de condenar o Corão que os intoxica.

Delírio estival


Paulo Portas quer ser o fiel da balança entre PS e PSD, com o CDS como terceiro partido.

sábado, agosto 22, 2009

Campanhas "negras" e campanhas asquerosas do PCP

Já é sobejamente conhecida a "campanha negra" do PSD contra o 1º Ministro, pelo que me dispenso de nela insistir.
Hoje porém leio na 1ª página do Expresso que o PCP, na última edição do seu pasquim "Avante" -hoje, que é legal, talvez menos lido do que quando era clandestino- se refere a Paulo Pedroso - que foi ilibado do "caso Casa Pia" por decisão judicial já transitada em julgado - como "o antigo arguido do processo da Casa Pia que teve a sorte grande no segundo recurso para a Relação" , e a Ferro Rodrigues, que nunca foi sequer arguido no mesmo processo, como "procedente do mesmo saco de antigos suspeitos no caso da 'Casa Pia'."
Esta campanha do PCP - digna dos seus mais nojentos tempos estalinistas - é absolutamente asquerosa, muito mais indigna que a do PSD. A referência àqueles dois dirigentes socialistas, feita naqules termos, só é comparável à que o mesmo "Avante" fez, no tempo do fascismo, aos marxistas-leninistas F. Martins Rodrigues e outros, dissidentes do PCP, denunciando à PIDE que eles iam regressar a Portugal -.
Em suma: o PCP é incorrigível, pelo que não acho sequer pensável uma aliança do PS com ele, seja em que circunstâncias for.Que mais não seja, é uma questão de decência.

ASFIXIA DEMOCRÁTICA: dislates, imprecações, abusos...

O clima de asfixia que este País estaria eventualmente a viver, denunciado pela Drª. Manuela Ferreira Leite é, antes de tudo, uma intolerável manifestação de hipocrisia, cada vez mais frequente nos nossos políticos.

O regime emergente do 25 de Abril foi, nos seus primórdios, preenchido por uma ampla movimentação popular, livre e aberta. Nasceu são e escorreito. Sem sintomas de dificuldade respiratória, confundíveis com situações asfixiantes...
Teve a capacidade para reactivar um agonizante movimento cooperativo (reprimido pelo "Estado Novo"), criaram-se estruturas de participação básica das populações e de grupos profissionais – sindicatos, associações com os mais diversificados fins, comissões de moradores, comissões de trabalhadores, etc.
Esta foi uma das grandes inovações do movimento de Abril. Reinava a espontaneidade – com todas as suas possíveis derivas – vivia-se um tempo de mobilização, motivação e cultivava-se a necessidade de uma participação colectiva.

Esta “fome” de participação cívica, na sequência de 48 anos de repressão, deu origem a que se cometessem erros, excessos e desvios. Mas tratava-se da aprendizagem para uma vivência democrática.
A Direita, autoritária e raivosa pela perda das rédeas do poder, tratou, desde logo, de achincalhar a mudança. Denominou-a de PREC (processo revolucionário em curso) dando-lhe um cariz anárquico capaz de gerar no seu seio as piores violências e graves atropelos às normas democráticas. A participação cívica com características colectivas choca com o seu conceito de fazer política. Para a Direita a “competência” para fazer política deve ser um feudo de elites, sustentada por doutrinas conservadoras e propiciadora de um ambiente reaccionário.

Para além desta festejada e "festiva" participação cívica que, inclusive, transformou-se num case study para muitos intelectuais e politólogos europeus que se interessaram pela “revolução dos cravos”, a construção do Estado de Direito, democrático, foi caminhando...

A estruturação do novo regime originou – como é crucial em qualquer regime democrático - o florescimento de organizações políticas que fossem capazes de congregar diferentes correntes de opinião que se afirmavam no espaço político nacional.
Criou-se espaço de actuação aos partidos políticos já existentes que – na ditadura salazarista – tinham sido remetidos para a clandestinidade ou viviam na sombra cultivando uma restritiva discrição e, entretanto, surgiram novos partidos.

À primeira vista não existia qualquer incompatibilidade entre o pujante movimento popular que fora excitado pela revolta dos capitães de Abril e o papel a exercer pelos partidos políticos.
O tempo veio a demonstrar o contrário. Os partidos políticos foram progressivamente monopolizando a vida política e as actividades cívicas e, em consequência, a participação cívica voluntarista e pouco organizada, foi definhando.

Na realidade, os partidos políticos não são “escolas” de discussão doutrinária ou ideológica, nem se assumem como suportes materiais para catalisar intervenções cívicas fora do seu controlo.
O seu primordial objectivo é organizar o Estado e governá-lo o que, em abstracto, é uma tarefa essencial para a existência democrática. Só que este nobre objectivo foi ao longo dos tempos sendo paulatinamente pervertido. As tarefas relativas à organização do Estado democrático que couberam aos diferentes partidos, foram subsidiárias do normal regime de alternância do exercício do Poder, ditadas por periódicos escrutínios populares. As organizações partidárias enveredarem por adoptar mecanismos que satisfaziam anseios da captura do Estado, através do controlo do seu aparelho político, económico, social e cultural.

É este mecanismo de captura - pelo qual a Drª Manuela Ferreira Leite se move - que tem potencialidades para criar condições objectivas que podem vir a desmbocar num clima de asfixia democrática. Portanto, os partidos que exerceram ao longo destes últimos 30 anos o poder, os seus dirigentes, particularmente, os seus líderes, não podem - sem excepção - vestir o manto diáfono da inocência...
Manuela Ferreira Leite, não tem, portanto, qualquer legitimidade para esgrimir, em relação a qualquer partido, uma acusação deste teor.
Ela é uma das cúmplices de todo este sistema, pertence a um partido do bipolarizado “arco governamental” existente em Portugal, tendo, nesse âmbito exercido funções governativas e partidárias de responsabilidade.
Não tem, portanto, idoneidade política e ética para fazer acusações deste tipo. Ao enveredar por este caminho “rasgou” a sua suposta e recatada postura de cultivar a verdade, para se tornar numa vulgar efabuladora.

Na verdade, se acaso aceitássemos a existência de uma tal “clima de asfixia”, teríamos que reconhecer que, a Drª. Manuela Ferreira Leite, nada fez para combatê-lo.

Por outro lado, e ainda dando de barato que a nossa democracia tem naturais constrangimentos (não necessariamente “asfixiantes”), se procurarmos no horizonte mais próximo, vereficariamos que a mais significativa prestação pública pela libertação cívica da sociedade portuguesa, partiu do interior do PS (embora não subscrita pela direcção partidária) e foi protagonizada pela candidatura do socialista Manuel Alegre, nas últimas eleições presidenciais.
Foi um momento alto de refrescamento da participação cívica, que abriu janelas de renovação e arejamento do clima político que congregou muitos cidadãos e que o PS - dirigido por José Socrates – tolerou e, em certa medida, acabou por assimilar e integrar no seu património político e histórico.

Nessa altura, Manuela Ferreira Leite, estava confinada a apoiar a candidatura de Cavaco e Silva, num ambiente que, ilusoriamente, pretendia subtrair-se à imagem de participação partidária, no sentido de congregar mais cidadãos à volta de um equívoco.
Todavia, como o tempo se encarregou de mostrar, essa prestação estava umbilicalmente amarrada ao espaço político da Direita, sustentada pelo PSD e por remanescentes cavaquistas e, hoje, deverá ser considerada altamente condicionadora do arejamento e da abertura do clima democrático nacional.
E, como a Drª Manuela Ferreira Leite devia saber, estes ambientes confinados é que têm propensão para se tornarem “asfixiantes”…

sexta-feira, agosto 21, 2009

O Islão é tolerante...


“A situação em Cabul é desastrosa. Se continuar assim, o Afeganistão pode tornar-se num novo Vietname. Os talibãs não querem que o país saia do estado de atraso em que se encontra”.

Imaginação ao poder

quinta-feira, agosto 20, 2009

ELEIÇÕES - só falo sobre ética política...


A entrevista de Manuela Ferreira Leite hoje na RTP1 foi extremamente elucidativa para os portugueses.

Não existe, propriamente, um programa eleitoral.
Virão mais tarde a público uns alinhavos que, no fundamental, serão uma colectânea das intervenções avulsas que a líder do PSD foi debitando ao longo deste ano de exercício da presidência do partido.


De resto, o seu programa congregará um conjunto de normas éticas e de princípios comportamentais que serão do maior interesse para definir a personalidade da entrevistada, mas nada acrescentam na área das opções políticas, económicas, sociais e culturais, como seria de esperar de um candidato à governação do País.

Ah! E, não esquecer, a insistência numa atitude intransigente perante a verdade, como se a seriedade, a sinceridade, a conformidade entre a retórica e a realidade caracterizassem e modelassem um programa político. É uma condição necessária, mas não suficiente.

Na realidade, os atributos que explanou como se fossem um programa eleitoral, podem encher o vazio criado pela ausência de uma linha de conduta política (a doutrina), mas nada acrescentam na resolução dos problemas nacionais.
Só, depois de muita insistência de Judite de Sousa, condescendeu em anunciar algumas medidas avulsas que não pretende levar a efeito, aparentemente, prisioneira do programa eleitoral do PS, entretanto, já divulgado aos portugueses.
Por outro lado, este vazio e o egocentrismo que cultiva ad nauseum permite-lhe fazer tudo, ou, não fazer nada. Conforme calhar.
É a fuga a qualquer compromisso para com os cidadãos. Assim, cumpre-se sempre!

Ao fim e ao cabo, Manuela Ferreira Leite, sugeriu aos portugueses que votem no PSD. Depois se verá o que se pode fazer.
Pediu – repisando que é uma pessoa séria e com princípios - que assinemos um cheque em branco.
Em período de crise e nos tempos que correm poucos portugueses estarão dispostos a cometer essa imprudência.

Finalmente, esqueceu-se que os cidadãos já conhecem um substancial naco do seu percurso como governante e não embarcam nestas mudanças radicais, súbitas que, desde logo, cheiram a uma rudimentar maquilhagem. Em política, uma experimentada senhora das lutas políticas, não deve tentar assumir uma postura de uma virginal vestal...

De qualquer modo, a líder do PSD abriu caminhos para o seu futuro...
Apresentando um discurso para as eleições Legislativas com tão pesada carga ética e tão inócuo e desértico em matéria de projectos políticos, deverá ter, no futuro, um lugar assegurado, ou no sector financeiro – como sabemos verdadeiros alfobres da ética de mercado de braço dado com a ganância - ou, na pior da hipóteses, integrando uma futura CNECV…

O vigiado "imaginário"...

O desafio lançado ao PR por Francisco Assis sobre uma anónima e escabrosa acusação de uma eventual “vigilância” exercida pelo Governo a assessores da Presidência da República foi uma intervenção oportuna e necessária, que já tardava.

De facto, o PR tem permitido, por omissão, que tenha sido “posto em causa o princípio da isenção absoluta a que o Presidente da República está obrigado.”

E mais adiante F. Assis afirma, com legitimidade:
“E o país precisa de um Presidente forte e independente” é um tiro na mouche.

Durante o período de pré-campanha eleitoral para as Legislativas a contemporização com atoardas deste tipo tem um cunho intimidatório, incompatível com um Estado de Direito, democrático.

O silêncio de Cavaco Silva, ou a sistemática fuga em esclarecer cabalmente este imbróglio, é, no mínimo, sustentar a difamação e pactuar com uma inclassificável ignomínia.

A atitude do PGR – acertada – compromete profundamente o PR e acentua, ainda mais, a leviandade da afronta.

Senhor Presidente: Assim, não!

Dar a cara pela democracia

ARCTIC SEA ( 2): perguntas (im)pertinentes

A marinha russa numa intervenção conjunta com a NATO, libertou a tripulação e deteve os eventuais sequestradores, em águas internacionais, a cerca de 300 milhas de Cabo Verde.

Neste momento, surgem diversas especulações sobre a sua “verdadeira” carga deste misterioso cargueiro.

Mas, não se fala sobre o destino do navio e qual a legislação internacional aplicável a este caso.
Resolveu-se uma situação anómala do trânsito do navio que, pode ter enquadramentos muito vastos e parece configurar um quadro de pirataria "à europeia".

Ninguém fala do destino do navio, enquanto bem móvel, num segundo tempo desta aventura, i. e., enquanto embarcação liberta de um eventual sequestro.

Vai o cargueiro e a respectiva carga ser devolvida ao armador finlandês Sol Chart ou será entregue às autoridades do país sob cuja bandeira de conveniência navegava (Malta)?

Quem vai inspeccionar a carga sobre a qual se tecem, neste momento, as mais díspares especulações – desde a dissimulação de mísseis de cruzeiro, armamento convencional, droga, etc?

Uma coisa é certa: a Finlândia não é, em princípio, um País exportador de madeiras…

Ou a marinha russa cuja actuação foi justificada pela libertação de tripulação russa, iniciou um novo processo de sequestro à força ao apresar o navio em águas internacionais?

Os russos envolvidos neste caso a pedido do armador, dado a tripulação ser de nacionalidade russa, podem tornar-se fiscalizadores do tráfego marítimo em águas internacionais, ou têm de entregar o cargueiro a organismos marítimos internacionais para a investigação deste enigmático caso?

A dar crédito a muitas especulações os russos não serão parte interessada neste processo?

Bem!

O navio pertence a um armador sediado num pais da UE (Finlândia) e navega sob a bandeira de outro país da UE (Malta).

Qual o papel que está reservado à Agência Europeia de Segurança Marítima (AESM), sediada em Lisboa?

Mais uma vez - como no caso dos voos da CIA - este cargueiro parece ter transitado por águas nacionais e, como habitualmente, ninguém viu nada...sucedendo-se os habituais e formais desmentidos oficiais.

Finalmente, quem, neste preciso momento , tripula o navio e para onde se dirige o mesmo?

Ou a marinha russa, sob os olhos da NATO, uma vez libertada a tripulação e presos os sequestradores, fez desaparecer o barco e a sua carga?

Com a corda na garganta (Crónica)

O cavador, vergado ao peso da enxada e da fé, descansava ao domingo por imposição canónica e dos outros paroquianos. Choravam-lhe os filhos, com fome, e doía-lhe o mutismo da mulher. Vivia em aflição e, enquanto o padre transformava em benta a água vulgar e em hóstias consagradas as rodelas de pão ázimo, ia duvidando da fé.

Não o empolgava o latim, não se condoía do martírio de seu deus e descria da virtude do padre.

No domingo ansiava pela segunda-feira, esperando que um lavrador o chamasse para os trabalhos agrícolas, à espera de oito mil réis e da canada de vinho com que criava forças para, com a côdea de pão e o escasso peguilho, aguentar a jorna e a família.

Já por várias vezes temera ter de vender as cabrinhas que os filhos apascentavam à beira dos caminhos. Sem leite, queijo e cabritos que dali vinham, sem o toucinho que ficava da venda dos lombos e dos presuntos do porco que a mulher criava, como iria alimentar os seis filhos que ainda restavam dos dez que Deus quisera?

No Inverno não havia trabalho e era escassa a comida. Na panela fervia um coirato que acabaria repartido por todos para acompanhar as magras fatias do pão duro que restava da última fornada. O naco de toucinho, que saíra da salgadeira, escoltava o coirato para dar paladar às couves e batatas que ferviam na panela de ferro. Que raio de vida, a dos pobres. Era a vontade de deus que, assim, se cumpria.
Uma tarde, a mocha, a cabra que dava mais leite, pareceu doente. De manhã acharam-na morta, barriga inchada, quem sabe o que comera. O cavador teve de carregar com ela e enterrá-la, nem a pele lhe aproveitou.

Dois dias depois os sinos da aldeia tocaram a sinais. Perguntei quem tinha morrido, foi o Zé da Catrina, menino, devia estar doido, com mulher e seis filhos, fazer uma coisa dessas, não andava bom da cabeça. Prendeu na trave da casa a corda que lhe ficou da cabra e, com ela, fez um laço. Subiu a um banco e meteu-se dentro. Quando voltaram da missa, a mulher e os filhos foram dar com ele, com os olhos muito abertos, a língua de fora e o banco caído.

Ficou assim no dia seguinte, as moscas a poisarem nele, até chegarem as autoridades. Foi o maligno, murmurou-se na aldeia, só podia ser, o Zé era pouco devoto, abandonou deus, entraram nele os espíritos.

O padre recusou fazer o enterro. A Catrina ajoelhou-se a implorar que o acompanhasse mas o sacerdote invocou o direito canónico. O coveiro abriu-lhe a cova longe dos outros mortos, num talhão ainda sem campas e por benzer, talvez para não atormentar os que morreram confortados com todos os sacramentos.

Já lá vão seis décadas, não sei se a terra comeu o Zé da Catrina de forma diferente dos que temeram a deus e cumpriram os mandamentos.

Ponte Europa/ Sorumbático

quarta-feira, agosto 19, 2009

Manuela Ferreira Leite

Manuela Ferreira Leite foi a Conselheira de Estado dispensada para presidir ao PSD e reunir a boa moeda que restava fora do mundo dos negócios, do enriquecimento rápido e da mira da Justiça. Tinha à sua espera um partido amortalhado por Barroso e Santana, dilacerado por rivalidades entre caciques, entregue a autarcas à solta e ferido pela gente que Paulo Portas impôs aos Governos de coligação. Por isso fugiram os que prestavam.


Na amálgama de interesses pessoais digladiam-se liberais e conservadores, salazaristas reciclados e fascistas contumazes, sociais-democratas e populistas. O Eixo do Bem não existe. São incompatíveis os que querem privatizar a CGD e os que julgam que a gestão de um banco é semelhante à da feira do Relógio e inconciliáveis os jovens quadros com a velha tralha cavaquista.


Da Marmeleira vem o pensamento e de Belém a estratégia mas o passado e os interesses não se vergam a um módico de coerência e racionalidade enquanto do largo do Caldas saem propostas racistas e xenófobas com a ameaça de venderem cara uma coligação.


Em período de vacas magras cada excluído é um adversário temível. Não está em causa o partido, é o emprego próprio que urge assegurar e compromissos com os amigos que é preciso honrar. Este drama que atravessa todos os partidos assume no PSD a pungência de quem despede líderes à espera de um D. Sebastião que assegure o abono de família.


É neste contexto que vem à tona o passado político medíocre de MFL como ministra da Educação e desastroso nas Finanças. E a aura de seriedade, legítima, aliás, esbarra com o pagamento de favores a António Preto, o homem da mala, certamente impoluto mas capaz de engessar um braço para evitar a maçada de uma prova caligráfica em tribunal ou de assinar um documento pela esposa para não a distrair das obrigações domésticas.


Pobre mulher, capaz de preferir uma gripe ao Chão da Lagoa mas incapaz de privar da bebida e dos vivas a Salazar o eterno presidente da Madeira, um ex-professor do ensino secundário que não prescindiu da reforma completa que no Continente o actual Governo amputou de dois terços, com a excepção das várias reformas do Presidente da República e das que eventualmente possam caber ao presidente da AR.


MFL é uma mulher sem programa, sem ideias, sem discurso, incapaz de galvanizar os indefectíveis, quanto mais os indecisos. Tem a seu lado o PR que lhe dá votos mas lhe tolhe o prestígio, António Preto que pode ajudar financeiramente mas lhe retira votos e credibilidade, Alberto João Jardim que põe a Madeira a votar nela e o Continente contra ele, e, finalmente, Pacheco Pereira que, apesar de ser um intelectual, ou talvez por isso, traz para as eleições o seu próprio voto.


O próximo Governo, sem maioria sólida, nunca resolverá os problemas do país e só terá a oportunidade de os agravar. A gripe A acabará por ampliar as dificuldades. Dentro de dois anos teremos de novo eleições legislativas. Esperemos que surja um presidente da República à altura das circunstâncias.

O Disparate

"Casa Civil da Presidência da República suspeita que está a ser vigiada há ano e meio
Belém preferiu não comentar......." no Público_19/08/2009."

A tolice é tanta que nem vale a pena comentar….