quarta-feira, setembro 30, 2009

Notas Soltas - Setembro/2009

Venezuela – As manifestações contra o Governo passam a ser equiparadas a «delitos de rebelião civil», com penas entre 12 e 24 anos de prisão, uma deriva repressiva que torna Chàvez um biltre autoritário a caminho da ditadura.

Testamento vital – O direito dos doentes terminais a recusarem tratamento não é um favor do Estado nem uma decisão que o Papa ou o Presidente da República devam impedir, é um sinal de respeito pelos cidadãos que cabe ao Parlamento acolher.

TVI – O saudoso Mário Castrim disse que o canal «nasceu na sacristia e acabou na sarjeta», um diagnóstico certeiro que se tornou profecia, com graves consequências nos processos eleitorais de 2009.

PR – Quando Manuel Pinho fez um gesto obsceno na AR, logo demitido, Cavaco censurou o acto mas, perante uma obscenidade de Jardim para os jornalistas, o mesmo PR remeteu-se ao silêncio numa demonstração de parcialidade partidária.

EUA – Os interesses das companhias de seguros estão acima da saúde pública e dos interesses americanos de tal modo que até Obama tem dificuldade em combatê-los.

Debates eleitorais – Todos deram razões para não se votar neles mas só Manuela Ferreira Leite não deu um único motivo para se votar nela. Foi um erro de casting.

BPN – Sete instituições ligadas à Igreja Católica – congregações religiosas que compraram títulos da Sociedade Lusa de Negócios, no montante de nove milhões de euros – têm o dinheiro retido. Excesso de fé numa instituição pouco recomendável.

Costa Rica – Está em curso a reforma constitucional que pretende acabar com o último Estado confessional da América Latina, tema que aquece a campanha eleitoral perante o azedume dos bispos católicos face aos ventos da laicidade que sopram.

Belém – O principal assessor do PR, Fernando Lima, agiu de modo a pôr em causa o normal funcionamento das instituições e lançou o país numa crise sem precedentes. O PR saiu muito mal e prejudicou o PSD que queria ajudar.

UNESCO – O revés do egípcio Faruk Hosni, evitou um escândalo e a desgraça de colocar na presidência da instituição um anti-semita convicto, ainda que pudesse ter sido útil ao diálogo no Médio Oriente. Para o lugar foi eleita a búlgara Irina Bokova.

Eleições legislativas:

PS – Depois da derrota nas europeias só a grade capacidade de luta e o enorme brilho com que enfrentou os debates permitiram a Sócrates transformar em vitória uma derrota antecipada do PS.

CDS – Foi o partido que mais lucrou nestas eleições mas, por enquanto, Paulo Portas é um perigo maior para o PSD do que para o país.

BE – Francisco Louçã foi o outro grande vencedor, que reuniu votos de protesto à esquerda, transformando um partido com referências trotskistas e estalinistas numa utopia para eleitores urbanos e cultos, averbando a maior subida eleitoral.

PCP – Com eleitorado fiel, coerente com o passado, não merecia tornar-se a 5.ª força partidária, mas a contabilidade eleitoral não se compadece com o passado e ignora a história.

PSD – Com outro líder seria difícil perder as eleições cuja vitória começou a desenhar-se nas europeias mas Manuela Ferreira Leite, sem chama, sem programa e sem convicção, assustou os potenciais eleitores, que se abstiveram ou votaram no CDS.

Comunicação do PR – Medíocre na forma, infeliz na substância e omissa nos factos, revelou o ressentimento de quem se limitou a atirar pedras e a fugir a perguntas dos jornalistas. Quer gerar instabilidade governamental?

Fernando Lima – O principal assessor de Cavaco Silva e presumível conspirador contra o PS, foi ignorado e parece estar no palácio de Belém, em autogestão, a dar milho aos pombos.

Irão – A aventura nuclear continua ao ritmo da demência islâmica à espera de que as democracias, assustadas, respondam com violência depois de esgotadas todas as tentativas de negociação.

Manuela Ferreira Leite – Sacrificada pelos resultados eleitorais e pela inaptidão para a liderança, vai arrastar-se em estado comatoso até à sua substituição. Terminou o cavaquismo no PSD e no país.

A Conversa em Família do PR em 29-09-09


Ontem assisti à mais deprimente manifestação de ódio e ressentimento do Chefe de Estado. É, aliás, difícil ver na comunicação ao País mais do que um fanático partidário desorientado com os resultados eleitorais do seu partido e da líder sua amiga.

A gravidade da tentativa de conspiração contra o PS, organizada entre o seu principal assessor, Fernando Lima, e o director do Público, não lhe mereceu o mínimo interesse e, com o seu silêncio, deixou, durante demasiado tempo, que a opinião pública suspeitasse de escutas do Governo ao Presidente da República, infâmia e crime que não se toleraria ao primeiro.

Não se percebe que o chefe de Estado, com suspeitas de ser escutado, não tenha usado todos os meios ao seu alcance para esclarecer as dúvidas e só tenha mandado proceder a averiguações no exacto dia em que se dirigiu ao país numa comunicação medíocre na forma e parca de explicações no conteúdo. Para o PR as relações conspiratórias entre o seu assessor e o coveiro de um jornal de referência – o Público –, não o preocupam.

Só depois de o Diário de Notícias ter publicado um e-mail gravemente comprometedor da conspiração em curso, e após as eleições legislativas, é que Sua Excelência mandou averiguar a segurança das suas comunicações quando as notícias apenas circularam nos computadores do Público e do Diário de Notícias, além do espaço de um café da Av. de Roma transformado em quartel-general da tramóia.

Há muitas perguntas a que o PR não respondeu e pasma-se que recuse o confronto com jornalistas porque, perdida a autoridade do cargo, resta-lhe a honra do cidadão a salvar.

O que se exige é o esclarecimento das intrigas contra um partido político perpetradas por um assessor que se mantém em Belém e o director que ainda permanece num jornal. Se o PR é alheio, como se espera, só tem de apresentar escusas pelas ameaças, calúnias e insinuações contidas na comunicação de ontem. Se, por mera dúvida metódica, esteve por detrás dos acontecimentos, só lhe resta a resignação ao cargo.

Todos devíamos ajudar o PR a terminar o mandato com dignidade mas nenhum de nós tem forma de o obrigar.

Medidas fracturantes

Um dos desafios do futuro Governo será a adopção das chamadas "medidas fracturantes". O eleitorado de esquerda, desde o BE, passando pela CDU e parte significativa do PS, propõe determinadas medidas ditas "fracturantes", talvez melhor qualificadas como medidas libertárias, que visam romper com uma concepção conservadora e moralista da sociedade. Foi o caso da IVG, que retirou Portugal da lista dos países retrógrados que ainda puniam as mulheres que realizavam uma IVG a pedido. Na agenda estão várias medidas como o casamento de homossexuais, a adopção por parte de casais homossexuais, o acesso de casais homossexuais à medicina reprodutiva, a eutanásia e a liberalização do consumo de drogas leves.

O PS terá que tomar uma posição muito clara relativamente a estas matérias. Deveria talvez tê-lo feito na anterior legislatura, e não o fazendo agora, poderá deixar escapar uma janela de oportunidade que uma eventual mudança de ciclo poderá obnubilar durante bastante tempo. Por outro lado, adoptando algumas delas, poderá suavizar a oposição à sua esquerda, e em futuras eleições, recuperar parte do seu eleitorado tradicional.

Quanto aos direitos dos homossexuais (casamento, adopção, procriação assistida), o PS não deve, a meu ver, perder a oportunidade de as consagrar. Assim romperá um ciclo de discriminação de um grupo imposto por uma determinada mundividência conservadora e retrógrada. É injusto proibir um casal homossexual de se casar. Manuela Ferreira Leite enunciou eloquentemente os pressupostos axiológicos da posição contrária: o casamento visa a procriação, tudo o que seja contrário a este objectivo não deve ser considerado como casamento (talvez entendendo que os idosos ou os casais inférteis não devam também poder casar-se). Os interesses de uma criança adoptada por um casal homossexual sempre estarão melhor protegidos que estando essa criança internada numa instituição.

A Eutanásia é uma questão complexa, devendo ser alvo de reflexão aprofundada. Mas é uma medida cuja aprovação deve ser equacionada.

Quanto à liberalização das drogas leves, deverá ser adoptada uma atitude bastante prudente, em articulação com toda a política de combate à toxicodependência, de acordo com as obrigações internacionais que vinculam Portugal, e observando nomeadamente o gradual recuo da Holanda nesta matéria.

Choro pelo meu País...

HOMENAGEM CÍVICA AO MOVIMENTO SINDICAL E OPERÁRIO

39º Aniversário da CGTP-IN – 1970 / 2009

01 de Outubro – Quinta - feira – 18H45 – Monumento ao 25 de Abril - Coimbra

Cidadãs / Cidadãos

No dia 1 de Outubro de 1970, os sindicatos dos Caixeiros, dos Lanifícios, dos Metalúrgicos e dos Bancários de Lisboa, em que os trabalhadores elegeram direcções de sua confiança, convidaram um grupo de outras direcções, também da confiança dos trabalhadores, para uma “sessão de trabalho e estudo de alguns aspectos da vida sindical cuja discussão lhes parece da maior oportunidade”.

Esta data marca o nascimento da CGTP-IN e no dia 11 de Outubro seguinte, 13 direcções sindicais, reuniram na sede dos Bancários para debater matérias que ainda hoje são objecto de discussão em qualquer reunião sindical: contratação colectiva, horário de trabalho, censura, liberdade de reunião.

A CGTP-IN foi muito importante na luta contra a ditadura e pela democracia, tornando-se a maior e mais prestigiada organização sindical nacional.

Em 27 e 28 de Outubro de 1978, em Lisboa, 47 sindicatos aprovaram a Declaração de Princípios e os estatutos da União Geral de Trabalhadores, UGT.

Alguns, poucos, sindicatos não são filiados nas duas Centrais Sindicais, declarando-se independentes.

Em muitos locais de trabalho, foram-se organizando Comissões Sindicais e de Trabalhadores, protegidas pelos artigos 53 a 57 da Constituição da República.

O Movimento Sindical e Operário é hoje uma forte realidade com que os Portugueses podem contar, integrando a Economia Social / o Terceiro Sector, prestando uma multiplicidade de serviços à comunidade, muito superior à simples defesa dos interesses de classe, empregando igualmente muitos trabalhadores.

São milhares os portugueses que, no todo nacional, beneficiam da protecção sindical e que estão envolvidos na sua acção quotidiana, fazendo disso o seu eixo prioritário de acção cívica.

Convido-a (o) para, junto ao Monumento ao 25 de Abril, em Coimbra, na próxima quinta-feira, dia 1 de Outubro, pelas 18h45, prestarmos Breve Homenagem a todos os que contribuíram e contribuem para a força cívica que é o Movimento Sindical e Operário, agradecendo a sua presença e divulgação da iniciativa.

Saudações Republicanas

Coimbra, 24 de Setembro de 2009

Cidadão José Dias

Associado do Sindicato dos Trabalhadores da Marinha Mercante, Agências de Viagens, Transitários e Pesca, filiado na CGTP-IN

terça-feira, setembro 29, 2009

Discurso do PR. Fernando Lima nunca existiu

O ressentimento de quem não esclareceu o essencial, atirou pedras e fugiu, e tornou a cooperação institucional impossível.

Falhou no tempo, na forma e na substância.

É a vida...


Comunicação tardia ao País às 20H00

Renúncia? Depois das autárquicas?

Sistema Nacional de Saúde

Bem, depois de ler hoje este relatório sobre qualidade dos sistemas de saúde na Europa, começo a reavaliar alguns dos comentários que fiz no meu post anterior (propostas para uma nova política de esquerda em Portugal) sobre a evolução da qualidade do SNS português. Está-se sempre a aprender...

Propostas para uma nova política de esquerda

O eleitorado deixou claro o seu posicionamento nas eleições. Neste momento, o PS tem 97 deputados, os partidos à sua esquerda 31, e à sua direita 102 (faço a distribuição dos mandatos dos círculos da diáspora, segundo o resultado mais provável, 1 PS/1 PSD no círculo da Europa e 2 PSD no círculo fora da Europa). Anteriormente o PS tinha 121 mandatos, os partidos à sua esquerda 22 e os partidos à sua direita 87. Globalmente, a esquerda, ainda que continue a dominar o hemiciclo, perdeu 10 mandatos.

O próximo governo PS não terá a vida fácil. Ainda que possa negociar algumas medidas à esquerda e outras à direita, sendo improvável uma coligação negativa em que os outros partidos pudessem fazer cair o governo, seria desejável que o PS clarificasse a sua orientação e procurasse um acordo-quadro de legislatura ou com os partidos à sua esquerda, ou com um dos partidos da direita. Aqui deixo algumas propostas para uma nova política de esquerda para Portugal.

Antes de mais, é necessário reflectir sobre as valências e as falhas do modelo até agora adoptado- baseado nos movimentos "terceira via", "new labour" e na social-democracia escandinava. Algumas insuficiências destes sistemas tem sido demonstradas em vários países (Alemanha, Holanda, Suécia, Finlândia, Islândia, Dinamarca, Reino Unido). É necessário reavaliar e reflectir.

Mais concretamente, e por sectores:

Saúde. Evitar as tentações de privatização do SNS, as parcerias público-privadas, e a migração de um modelo de serviço nacional de saúde público, universal e tendencialmente gratuito para regimes mistos ou de seguro individual de saúde. São conhecidos os apetites de alguns grupos económicos pelo sector da súde, e das seguradoras pela privatização do seguro de saúde. São conhecidas as más experiências no que diz respeito às parcerias público-privadas neste sector. O SNS funciona relativamente bem, assegura serviços de saúde de elevada qualidade (mesmo comparativamente com os países mais ricos da Europa), sendo no entanto de continuar os esforços de racionalização da despesa. Aqui, o melhor exemplo a seguir é o da restruturação do NHS britânico. Público, universal e gratuito.

Justiça. Este é o nó górdio, e deverá ser objectivo prioritário de qualquer Governo, seja de esquerda ou de direita.

É por um lado necessário alterar a mentalidade de alguns operadores da justiça (nomeadamente juízes, MP). Predomina uma cultura judiciária burocrática, autoritária e moralista. Os operadores perdem tempo e desbaratam recursos humanos e financeiros com detalhes bizantinos e com excessos de fundamentação e de zelo ferquentemente desnecessários. Há uma cultura de desrespeito generalizado pelos prazos por parte dos magistrados (só os advogados é que têm que os cumprir). Não há uma cultura de colaboração ou capacidade de delegação. Não há uma cultura de mérito e excelência, de busca de aperfeiçoamento científico e técnico; triunfa a antiguidade no serviço. Para não falar dos tentaculares conflitos de interesses entre o serviço público que devem prestar e os interesses corporativos e sindicais. É necessário alterar faseadamente esta cultura judiciária. Isto de duas formas: por um lado através da reestruturação do CEJ segundo novas orientações metodológicas e pedagógicas (que devem ser devidamente investigadas, tendo em conta as experiências estrangeiras), e pelo outro promovendo a aprendizagem contínua dos magistrados antigos (nesse CEJ reciclado e nas universidades).

Por outro lado, os recursos existentes, escassos, são insuficientes ou mal aproveitados. Há milhões (não exagero!) de pequenas causas a entupir os tribunais (principalmente cobranças de dívidas por parte de SFAC's, bancos, operadoras de telecomunicações, electricidade). Há milhares de crimes bagatelares a consumir desnecessariamente os tribunais (injúrias, difamação). A adequada resolução para este problema passa principalmente pela desjudicialização dessas pequenas causas, apostando num reforço significativo da rede de julgados de paz e de RAL- resolução alternativa de litígios (mediação, arbitragem). Em alguns países, nas pequenas causas, só podem as partes recorrer aos tribunais judiciais quando foi inviabilizado o recurso a estruturas de RAL, ou são estas julgadas por tribunais de pequena instância (por vezes tribunais municipais). Assim se gerem melhor os recursos.

Segurança. Os novos desafios da segurança em Portugal devem ser levados a sério, exigindo uma reavaliação da actual política de segurança interna. Há alguns assuntos tabu que devem ser encarados de frente- sob pena de a extrema-direita aumentar e de se chegar a um ponto de fractura onde o securitarismo poderá triunfar.

Por um lado, é necessário estudar as tendências da criminalidade e adaptar e reorganizar as forças de segurança de forma estratégica e pró-activa. Devem definir-se áreas prioritárias na prevenção e repressão criminal, e levar a sério o princípio da oportunidade na investigação criminal. A meu ver, as áreas prioritárias devem ser as da luta contra a corrupção, da prevenção e repressão dos crimes de terrorismo, de combate ao banditismo e à criminalidade organizada e violenta, da luta contra o narcotráfico e o tráfico de pessoas.

Por outro lado, é necessário encarar frontalmente e sem tabus alguns aspectos da política de segurança. A esquerda não tem que ter tabus sobre algumas questões de segurança, sendo que os cidadãos têm o direito de não viver em medo. Obviamente que não defendo políticas securitárias extremas de "law and order" ou de penas excessivas. No entanto, alguma desblindagem de algumas medidas excessivamente garantísticas deve ser encarada. Uma diz respeito à videovigilância, uma medida que se tem, em muitas cidades do mundo, revelado extremamente eficaz na prevenção e repressão criminal, e que tem sido extremamente restringida em Portugal, a meu ver por uma excessiva valoração do bem jurídico reserva da privacidade em detrimento de outros bens jurídicos. Outra diz respeito a algumas penas, que a meu ver, são extremamente leves, em homenagem a uma corrente de pensamento juspenalístico importada da Alemanha. Um exemplo é o crime de Roubo (Art. 210º Código Penal), que implica coacção ou ameaça de violência, punido com pena de prisão de 1 a 8 anos (e que será efectivamente menos com a liberdade condicional, sendo que sendo delinquente primário ou jovem, pode não vir a ser condenado em pena de prisão efectiva). Outros exemplos: Ofensa à integridade física simples (Art. 143º Código Penal, pena de prisão até 3 anos); Sequestro (Art. 158º, prisão até 3 anos, não havendo circunstâncias agravantes); Rapto (Art. 161º, 2 a 8 anos). Estes são crimes graves, aos quais a pena correspondente é ligeira. Para além de o sistema ser incoerente: aplica-se a mesma pena a um agente que sequestre uma pessoa que a um agente que alivie uma carteira no metro (crime de furto, Art. 203º Código Penal, pena de prisão até 3 anos), punindo-se a bigamia com pena de prisão até 2 anos (Art. 247º). Finalmente, seria também de equacionar a legislação relativa ao porte e uso de arma, sendo mais rigoroso e exigente o regime de avaliação psicológica das pessoas a quem é emitida licença de uso e porte de arma (incluindo armas de caça), e agravando as penas correspondentes à detenção, porte e uso de arma proibida ou carecendo de licença.

Segurança social e trabalho. O PS tem tradição de qualidade na intervenção nesta área, sendo no entanto escassos os recursos financeiros disponíveis. A meu ver, a dotação financeira nesta área deveria ser significativamente reforçada, sacrificando-se talvez uma ou outra autoestrada desnecessária. Tal é essencial para, na óptica do modelo "flexisegurança", reduzir as externalidades da flexibilização do despedimento e da precarização do vínculo laboral, e o modelo poder ser socialmente aceite.

Finanças. Esta será uma das mais duras provas do PS: como conseguir uma política de esquerda com o estado claudicante das finanças, especialmente em período de crise internacional. O lado bom da coisa é que a máquina fiscal ganhou em eficiência no mandato anterior, e será capaz de captar as receitas necessárias quando a crise for ultrapassada. No entanto, no futuro, poderão ser de equacionar algumas medidas conducentes à simplificação e transparência fiscal, nomeadamente através da racionalização e gradual eliminação dos benefícios fiscais, verdadeira cortina de fumo promotora de opacidade fiscal, e consequente redução das taxas de incidência. Por outro lado, seria de reequacionar a tributação de mais valias especulativas, e de equacionar um imposto sobre as grandes fortunas. O pacote Cravinho também seria bem-vindo.

Educação, investigação científica e inovação tecnológica. Nesta área a intervenção estratégica do PS foi, no seu essencial boa, reforçando o ensino público, investindo na educação de qualidade e na inovação tecnológica. No entanto, se a estratégia foi boa, a táctica foi má, nomeadamente na gestão do dossier da avaliação dos professores, que foi mal reflectida, implementada num espaço de tempo extremamente curto, de forma autoritária, e sem período de adaptação suficiente. Por outro lado, para além de insuficiente financiamento, persistem tendências pedagógicas que tendem a não privilegiar o mérito e a disciplina dos alunos, bem como estruturas burocráticas fortemene partidarizadas (as DRE). No que diz respeito à investigação científica e tecnológica, deveria ser aumentado o financiamento e definidos nichos e projectos-quadro de forma a canalizar eficientemente o financiamento.

Obras públicas. Algumas são essenciais para o desenvolvimento do país, outras não. O TGV e o novo Aeroporto são infraestruturas importantes para a redução dos custos de periferia. Outras obras públicas, nomeadamente várias autoestradas construídas recentemente, não o são, podendo esses recursos ser canalizados para outras prioridades (educação, justiça, segurança social). A escolha deve ser racional.

Transparência. A principal razão de descontentamento do eleitorado com o "centrão" reside essencialmente na permeabilidade e promiscuidade entre PS e PSD e os grandes interesses económicos.

É por um lado necessário que se levem a sério os concursos públicos. Acabar com a adjudicação por ajuste directo de obras públicas ou de serviços. Acabar com a adjudicação por ajuste directo de serviços de consultadoria (os célebres pareceres), por preços inflaccionados, e restringir o recurso desses serviços apenas quando não exista na administração pública competência técnica para tal, e sempre em regime de concurso público. Acabar com as "derrapagens" no orçamento de obras públicas, acabe-se com a prática corrente de os concorrentes a um concurso público fazerem uma oferta baixa apenas para ganhar o concurso, reavaliando posteriormente o orçamento e beneficiando da "urgência" na execução para cumprir calendários eleitorais. Acabar com os cadernos de encargos elaborados à medida de um determinado concorrente.

Pelo outro lado, é necessário moralizar a classe política. Não é aceitável numa ética de transparência que um governante, imediatamente após o exercício das suas funções públicas, se torne administrador ou consultor de grupos económico-financeiros que vivem dos negócios com o Estado, frequentemente para grupos que foram beneficiados durante o seu exercício de funções públicas. Não é admissível que ex-governantes se dediquem a golpadas duvidosas envolvendo paraísos fiscais e empresas fictícias, enriquecendo da noite para o dia.

Finalmente é necessário que os administradores das empresas públicas, bem como os titulares de cargos de nomeação política sejam escolhidos pelo seu mérito e pelas suas qualidades profissionais, e não pela sua afiliação político-partidária.

Momento de poesia


Dissertação sobre uma história de amor…



Foi no dia em que queimaste as bonecas

que me cruzei contigo

na rua onde então vivias

guardei o teu olhar no bolso do casaco

e comecei a comer ameixas

para não me esquecer dos teus lábios

da cor do carmim

mais tarde, encontrei o teu nome

num anúncio de um jornal

pedias a devolução do olhar

a quem o tivesse encontrado

levei também uma taça de ameixas

para tu provares.

Alexandre de Castro

segunda-feira, setembro 28, 2009

O Velho e o Novo ...



A Luta do Antigo e do Novo

É sempre igual a luta do que é antigo, do que já existe e procura subsistir, contra o desenvolvimento, a formação e a transformação.
Toda a ordem acaba por dar origem à pedanteria e para nos libertarmos dela destrói-se a ordem.
Depois, demora sempre algum tempo até que se ganhe consciência de que é preciso voltar a estabelecer uma ordem. O clássico face ao romântico, a obrigação corporativa face à liberdade profissional, o latifúndio face à pulverização da propriedade fundiária: o conflito é sempre o mesmo e há-de sempre dar origem a um novo conflito.
Deste modo, a maior prova de entendimento por parte do governante seria regular essa luta de tal maneira que, sem prejuízo de cada uma das partes, conseguisse manter-se equidistante.
É, no entanto, uma possibilidade que não foi dada aos homens, e Deus não parecer querer que assim aconteça.


Johann von Goethe, in 'Máximas e Reflexões'

Afinal, vai falar...



Presidente da República faz declaração à comunicação social

O Presidente da República fará amanhã, dia 29 de Setembro, às 20:00 horas, uma declaração à comunicação social.
28.09.2009
(site oficial da Presidência da República)
link

Praxes: Até que enfim...


O ministro da Ciência e Ensino Superior avisou hoje que não vai tolerar abusos nas praxes académicas, denunciando-os ao Ministério Público para responsabilizar quer os seus autores quer as direcções de instituições que permitam que aconteçam.

AAP na comunicação social

Ateístas condenam «politização» da visita papal

Chegou a hora de pôr as coisas em pratos limpos...

Associação Ateísta Portuguesa


COMUNICADO SOBRE A VINDA DO PAPA A FÁTIMA

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) respeita, e defende, a liberdade de crença de todos os religiosos, não se opondo à visita de qualquer líder religioso enquanto tal. Mas é preocupante que a visita de Bento XVI a Fátima, em Maio de 2010, seja palco de manobras políticas, com a cumplicidade do Estado, violando a laicidade a que este é obrigado e desrespeitando crentes e não crentes.

A visita de um papa católico é assunto da Igreja católica e não matéria do Estado português. Num Estado laico o Papa é apenas um líder religioso. Que o cidadão Cavaco Silva se regozije é um direito; que o chefe de Estado de um País laico exulte com a visita do seu líder espiritual é uma interferência nefasta da política na religião, e vice-versa; e que essa visita tenha sido anunciada fora de tempo, contra a vontade da própria Conferência Episcopal, é uma politização inadmissível daquilo que é apenas matéria de crença pessoal.

Fátima é um dos santuários mais importantes e rentáveis da Igreja católica. Estes aspectos de fé e gestão religiosa justificam a visita do Papa, mas é lamentável que esta deslocação seja considerada – como disse o bispo Carlos Azevedo – «uma visita de profundo significado, também por ser o centenário da implantação da República». Fátima foi um instrumento da propaganda contra a República e contra o socialismo. Os milagres tentados noutros locais do país acabaram adjudicados numa região onde a religiosidade e o analfabetismo os facilitava. E, hoje, a crença nas piruetas do Sol, passeios da Virgem pelas azinheiras e aterragem de anjos na Cova da Iria são uma opção pessoal, motivada pela fé e não por provas objectivas, e sem qualquer relação com a nossa forma actual de governo.

Associar a visita do Papa ao Centenário da República é uma afronta à nossa democracia, que histori-camente foi implantada, e muitas vezes defendida, contra a vontade da Igreja Católica. Viola também a neutralidade a que o Estado é obrigado em matéria de fé, imiscuindo-se um órgão de soberania em algo que é estritamente do foro pessoal de cada cidadão. E, finalmente, atenta contra a liberdade de crença e não crença de cada um, ao envolver os nossos dirigentes, e a própria República, na ligação a uma religião em particular.

A AAP não pode deixar de repudiar a associação do Estado português à visita de um líder religioso e o seu aproveitamento político numa tentativa de manipular a nossa democracia.

Associação Ateísta Portuguesa – Odivelas, 25 de Setembro de 2009

LEGISLATIVAS 2009


El País link

….La cohabitación de dos políticos de signo político distinto y talante opuesto como Cavaco (conservador) y Sócrates (socialista), no ha sido un camino de rosas. El caso del supuesto espionaje del jefe del Estado por parte de funcionarios del primer ministro, que luego resultó ser un montaje del entorno presidencial, no sólo embarró la campaña sino que comprometió la figura de la institución más respetada. Cavaco se negó a hablar para no interferir en la campaña, pero su silenció aumentó las sospechas. A partir de hoy, con el escrutinio realizado, el presidente puede hablar en cualquier momento y abrir de nuevo la Caja de Pandora….


Le Monde link

…DETTE, CHÔMAGE ET GRANDS PROJETS
Après les élections de 2005, le parti de José Socrates avait eu les mains libres pour assainir les finances publiques et réformer le régime des retraites du secteur public. Mais cela lui a coûté le soutien du Bloc de gauche, partenaire naturel du PS sur les questions sociales, mais opposé à une politique économique jugée trop libérale.
José Socrates a défendu une série de projets - liaison TGV avec l'Espagne, construction d'un nouvel aéroport à Lisbonne - pour relancer l'emploi et la croissance économique alors que cette année, on s'attend à une contraction de l'économie pouvant atteindre quatre pour cent. Durement frappé par la crise, le Portugal a vu sa dette publique augmenter fortement, et le taux de chômage est à son plus haut niveau depuis les années 1980…



Guardian link

…The centre-left Socialist party hung on to power in Portuguese elections last night, despite 9% unemployment, the country's highest for 20 years. With more than 99% of votes counted, the Socialists had 36.5%, against 29% for the centre-right Social Democrats, the main opposition. The prime minister, José Sócrates, the Socialist leader who promised big public works to stimulate growth, said: "This is a clear and extraordinary victory." The conservative Popular Party polled 10.5%, the more radical socialist Left Bloc almost 10%, and the Communist/Green coalition almost 8%. Turnout was 60.5%.

...

Reflexões sobre os resultados eleitorais

Conhecidos que são os resultados provisórios das eleições legislativas, deixo algumas reflexões.

Os vencedores da noite são o CDS e o BE. O CDS conseguiu canibalizar o PSD, aproveitando o descontentamento do eleitorado da direita com o PSD e a campanha sem brilho protagonizada por Manuela Ferreira Leite. Por outro lado, o BE conseguiu absorver parte do eleitorado do PS, duplicando a sua representação parlamentar, e conseguindo não só estabilizar os mandatos que já tinha conquistado nos grandes círculos eleitorais (Lisboa, Porto, Setúbal), mas conseguindo alargar a sua base geográfica a círculos menores, como Coimbra, Braga, Leiria, Aveiro e Faro. Apesar da vitória significativa, esta terá com toda a certeza sido agridoce, não tendo ultrapassado a barreira simbólica dos 10%, não se ter conseguido sagrar como a terceira força política mais votada, e finalmente de não ter conseguido o número de mandatos necessário para poder ser o único interlocutor do PS à esquerda.

O PCP sobe ligeiramente, mas cai para quinta força política.

Sócrates é um dos derrotados. Ainda que tenha ganho, perde parte da sua força política. Nota-se claramente que o PS é mais castigado por causa do estilo do seu líder do que das opções políticas do PS e da qualidade da governação. Finalmente, Manuela Ferreira Leite é a maior derrotada nestas eleições. Tendo iniciado a campanha numa situação de empate técnico, a sua campanha seca, sem brilho, sem ideias e concentrada em "fait divers" e mesquinhezas políticas conseguiu desbaratar a vantagem táctica com que partia. As facas longas só ainda não avançaram por causa da campanha para as autárquicas, mas lá entrarão seguramente em jogo. O que é bom para o PSD, que necessita de sangue novo, e de uma nova geração de líderes que não tenha teias de aranha do cavaquismo. Para um partido como o PSD, qualquer resultado abaixo da fasquia dos 30% é uma derrota pesada, e não há maneira de dourar a pílula.

Parece-me que há quatro grandes conclusões a tirar deste escrutínio:

1) O eleitorado português está dividido, em partes quase iguais, entre três campos: o campo da esquerda (BE e CDU), o campo da direita (CDS e PSD) e o PS (que com Sócrates se localiza no centro liberal)

2) O PS tem que decidir, atendendo a estes resultados, qual é a sua identidade. Tem que decidir se é um partido de esquerda ou se é um partido de centro liberal. Há razões muito óbvias que levaram os eleitores de esquerda que tradicionalmente votam no PS a não votar neste PS: o autoritarismo, a promiscuidade com os grandes interesses económicos e financeiros, uma agenda social tímida e a erosão dos direitos dos trabalhadores. O PS terá que decidir se quer governar com a esquerda, negociando com o BE e com a CDU, ou se quer governar com a direita (com o CDS e/ou o PSD)

3) O eleitorado deixou claro que, pelo menos neste momento, que está farto de maiorias absolutas, de teimosias e autoritarismos, e que quer que a AR sirva para qualquer coisa. E deixa muito claro que está farto do Bloco Central, da alternância entre PS e do PSD e da promiscuidade entre estes dois partidos e os grandes interesses económicos e financeiros.

4) Há temas que têm sido evitados pelo centrão, e em que CDS, CDU e BE capitalizaram votos. Temas diversos, que têm que ser encarados frontalmente e sem tabus. À esquerda temos questões como o casamento homossexual, a transparência fiscal, a agenda social. À direita temos a política de segurança. Se se fizer uma análise aprofundada de onde é que o CDS conseguiu captar muitos votos, pode notar-se que houve uma mutação do seu eleitorado tradicional (rural e religioso) para um eleitorado suburbano bastante afectado pela insegurança. Este é um tema que deve ser discutido sem tabus- principalmente ao nível jurídico. Parece-me ser claro que o ordenamento jurídico-criminal português, quase copiado da Alemanha, já deu provas cabais de não estar adequado à realidade da criminalidade e da justiça em Portugal. Enquanto as coisas continuarem assim, Paulo Portas continuará a somar e a seguir.

domingo, setembro 27, 2009

Legislativas 2009: primeiras impressões...


As eleições legislativas de 2009 trouxeram, ao contrário do que era suposto, uma maior clarificação política ao País.

A vitória do PS confere-lhe legitimidade para governar o País neste momento de crise e dificuldades.

O somatório individual das opções que emanaram da expressão do corpo eleitoral permite um sem número de acertos, acordos e até coligações pós-eleitorais.
Mas o fundamental, é como afirmou, José Sócrates, o partido tem de continuar a promover a abertura política que, segundo as suas palavras, “veio para ficar”.

Estas eleições ao retirarem a maioria absoluta ao Partido do Governo e o eleitorado ao proceder a uma “nova” redistribuição de votos, deu um sinal importante: o princípio do fim da “bipolarização”.
De futuro, para Governar será necessário negociar, dialogar, “parlamentar”...
E a orientação dos acordos que vierem a concretizar-se, neste momento, permitem a qualquer português conhecer a direcção e o sentido da governação. A Direita não faz favores. O CDS não é uma muleta para a um política socialista por mais moderada que seja…

O mais expressivo politicamente e, talvez, o mais significativo resultado, não deixa de ser a persistência de uma clara maioria sociológica e política de Esquerda. Maioria que foi de, algum modo, canibalizada, por uma governação com maioria absoluta, de certo modo à revelia de pressupostos ideológicos, demasiado pragmática, que suscitou – muitas vezes - a oposição dos partidos à sua Esquerda e, consequentemente, deu dividendos à Direita.
Todavia, esta maioria de esquerda é, para já, uma mera constatação numérica. Não corresponde a nada no aspecto político, e se não conseguir encontrar uma solução operacional capaz de assumir, sem peias, uma concepção de esquerda na área da governação, a depredação continuará. O PS perdeu meio milhão de votos!.
Como dizia um famoso general: mais uma vitória como esta, será a derrota final...

O outro grande desafio deste momento é provar aos portugueses que a Esquerda tem capacidades, valores, sensibilidade social, potencialidades técnicas e um suporte ideológico aberto para ultrapassar a crise (nomeadamente o desemprego), reanimar a economia, encetar a caminhada do desenvolvimento.
Enfim, convergir com a UE!

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Só a esquerda democrática transforma o país!

Depois de tanta conversa, tanto cantar vitória das forças revolucionárias "travestidas" de democratas, o povo português afirmou que só na esquerda democrática está o caminho.
O PS não se pode aliar nem ao BE nem ao PCP. Nem isso respeitaria a vontade dos eleitores, nem isso garantiria apoio parlamentar suficiente.

A diminuição da força do PS não reverteu em favor da esquerda no seu todo, mas no emergir do CDS como um pivot decisivo no futuro Parlamento.

Esta noite é de grande festa para os socialistas, que contra tantas dificuldades - a crise internacional e a campanha negra contra o seu Secretário-geral - ganharam as eleições.

A extrema-esquerda agora terá que assumir as suas responsabilidades. Será interessante analisar o despique pela negativa entre o BE e o PCP.

A Derrota da Campanha Rasca



Legislativas 2009. Parabéns Sócrates

O grande derrotado desta noite é Cavaco Silva. A interferência no processo eleitoral que agora terminou, de forma desafortunada ou deliberadamente, foi conduzido por si e pelo seu assessor Fernando Lima, mas a maior vítima é Portugal que perdeu a confiança em quem devia ser o referencial de estabilidade e árbitro credível nos tempos difíceis que se avizinham.

A derrocada eleitoral do PSD é obra de Cavaco e da líder do PSD. Das explicações que os portugueses exigem ao PR ver-se-á se tem condições para terminar o mandato ou se deve, por respeito ao cargo, renunciar já.

M. Ferreira Leite pode queixar-se de que lhe estragaram o guião da asfixia democrática com o desmascaramento da intriga das escutas, apesar da desgraça de ter proposto como modelo democrático a Madeira, e de ter fugido à explicação de como pode um assessor do PR entregar a um jornal um dossier sobre um adjunto do primeiro-ministro, sem que o país saiba se foi caso inédito ou uma infâmia repetida.

Para já, ganhou Paulo Portas, perigo maior para o PSD do que para o país, e o Bloco de Esquerda que vive da sólida preparação de Francisco Louçã e do sebastianismo de quem não quer reflectir sobre um programa difuso que remete para Trotsky e Estaline.

Sócrates perdeu a possibilidade de governar com maioria estável, sem se ficar a saber se a conspiração lho impediu. Cada partido vai ser responsabilizado pela forma como se comportar em relação ao Orçamento e às outras medidas políticas e económicas.

A dialéctica competitiva da democracia, agravada pela crispação entre os líderes, não permite esperar coligações e dois anos de instabilidade farão pior à débil economia do que a maior crise internacional de que há memória cuja repetição não está excluída.

Perdeu também a comunicação social, especialmente o Público, reflectindo humores do patrão que é especialista em supermercados mas não resistiu à vingança por um negócio perdido na área das telecomunicações. Perdem os jornalistas que podem ser confundidos com os que aceitam ser estafetas a partir da pastelaria de uma qualquer avenida.

Portugal ficou mais pobre e com futuro mais incerto. A direita precisa de se reorganizar e alijar a tralha cavaquista. A esquerda tem de abandonar os tiques estalinistas e aceitar, se quiser ser Governo, que o grande partido da esquerda é o social-democrata PS.

Por ora, resta felicitar José Sócrates pelo estoicismo com que resistiu à campanha de ódio e ao ressentimento dos interesses que feriu. Houve razões para muitos se absterem de votar nele, até para votarem contra, mas não havia qualquer motivo para votar na sua principal concorrente, Manuela Ferreira Leite.

O país precisa de um PSD moderno, sem tiques beatos, urbano e com um projecto que não ponha em causa a solidariedade social num país cujas debilidades económicas são muito nítidas, um partido que aprenda a lição de que não é com assassínios de carácter dos adversários que se ganham eleições. Nem com truques que são casos de polícia.

Alemanha vira à direita

A esta hora, tudo indica que a coligação preto/ amarelo, isto é, CDU (União democrata-cristã)/ FDP (Partido Liberal ou Partido da Liberdade) poderá formar Governo no maior país da União Europeia.

Perante uma grave crise do capitalismo e do projecto neo-liberal, os eleitores alemães refugiam-se nas ideias conservadoras dos cristãos-democratas e na visão liberal e de reforma do modelo social apresentado pelo Partido Liberal, o que parece um paradoxo.

Os social-democratas/ socialistas partem com uma pesada derrota para a oposição, depois de 10 anos no Governo: os primeiros 6 anos com os Verdes, os últimos 4 em aliança com os Conservadores.
Talvez seja a melhor cura para o enorme desgaste que foram sofrendo à sua esquerda, perdendo mais de 20% para a extrema-esquerda e para os ecologistas.

É um sinal, mais um, da crise do socialismo europeu. Depois de um domínio da vida política europeia nos anos 90, com a vaga da terceira via, regressa à sua posição de "chalenger" dos poderosos partidos populares e conservadores.

Exige-se um novo socialismo democrático, uma nova mensagem, uma nova forma de fazer política, à escala europeia.

Não se compreende, por exemplo, que o SPD se propusesse abandonar o Afeganistão!

Numa altura em que a Alemanha perde o protagonismo de outrora com a ascensão de outras economias industriais e de exportação, num tempo em que a demografia germânica se revela fria e cinzenta com o país a perder população, sobretudo população activa, a cada ano que passa; com a sua pujança científica e universitária a ser ameaçada por outros pólos de desenvolvimento e sobretudo pelos super-poderosos espaços anglo-saxónicos e pela nova Ásia, a resposta não pode ser o recolhimento às casernas, ao isolacionismo do pós-guerra, a uma postura passiva nas relações internacionais.

Os partidos socialistas/social-democratas não se podem demitir de ser os primeiros a exigir reformas (como aliás Schröder fez - e bem! - nos anos 90) e de protagonismo na cena internacional (como aliás o Verde Fischer revelou no seu tempo).

Julgo que esta viragem não chegará a Portugal, porque exactamente aqui são os partidos da direita que se revelam mais fechados e com menos ambição e sem projectos mobilizadores.

Jornal da TVI Memória

Para recordar numa tarde tranquila!

A fé e o direito ao sossego

Carmelitas recebem milagres da Ir. Lúcia

Para ajudar a Igreja Católica na santificação da vidente de Fátima, as irmãs do Carmelo de Coimbra lançaram um'e-mail', onde chegam de vários países relatos de graças da religiosa.

Comentário - Os melhores milagres arriscam-se a não ser conhecidos porque os miraculados raramente usam a Internet.

Dito com ar sério...

“Mantive a minha total isenção”

(...) "Mantive escrupulosamente e com o maior rigor o compromisso de total isenção e imparcialidade em face dos diversos partidos. Ao Presidente da República não compete interferir na vida político--partidária ou condicionar a livre escolha dos eleitores", sublinhou o Chefe de Estado, justificando o seu silêncio na campanha eleitoral.

Da mensagem do PR

A experiência é a "madre de todas as cousas"

Papa chama a atenção para as fragilidades da família

A Igreja não pode ficar indiferente perante a banalização do divórcio. O alerta foi lançado hoje pelo Papa no Vaticano na audiência que concedeu a um grupo de bispos brasileiros em visita “Ad Limina”.

No encontro, Bento XVI apontou as consequências de uma mentalidade individualista que é contra a família.

sábado, setembro 26, 2009

O que Cavaco fazia em 1990. Há 19 anos...

O texto acima reproduz a página 180 do livro de José António Saraiva, ao tempo Director do EXPRESSO. (Clique na imagem para ampliar).

“Confissões de um director de jornal”, Dom Quixote, Lisboa, 2003 (ISBN 972-20-2533-3).

“Portanto, não me pergunte nada”…

(recebido por e-mail)

PR desmente os bispos portugueses

O site oficial da presidência da República Portuguesa emitiu na tarde desta Quinta-feira um comunicado, esclarecendo que “conteúdo e o momento” do anúncio da visita de Bento XVI a Portugal, no próximo ano, “foram acordados entre a Presidência da República e o Vaticano, através da Embaixada de Portugal junto da Santa Sé”.

sexta-feira, setembro 25, 2009

Esconjurando a padeira de Aljubarrota...



Luís Filipe Menezes num artigo de opinião publicado hoje no “El País” aborda um dos cavalos de batalha de Manuela Ferreira Leite, nestas eleições Legislativas: o TGV!
link

Nesse artigo conclui: “La alta velocidad no es más que un detalle de una visión de fondo global y coherente. Un detalle que puede y que debe ser corregido. Con todo, el PSD es lo suficientemente abierto y democrático para que muchos que piensan igual que yo puedan defender y llevar al triunfo esa visión nuestra del interés nacional.”

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Para conferir domingo à noite

Para quando a “asfixia da boçalidade” ?

Alberto João Jardim líder do PSD/M e cabeça-de-lista regional às eleições legislativas nacionais do próximo domingo ao discusar, ontem, no comício da campanha, em frente à Sé do Funchal, instou o Presidente da República a "definir-se" sobre a possibilidade dos comunistas poderem participar na governação do país...

Afinal, quando em Junho propôs um texto de revisão constitucional onde expressava: “Os sociais-democratas madeirenses pretendem que haja um esclarecimento de que, em matéria de regimes políticos, a democracia não deve tolerar comportamentos e ideologias autoritárias e totalitárias, não apenas de direita, caso do fascismo, esta expressamente prevista no texto constitucional em vigor, como igualmente de esquerda, caso do comunismo"….
Na altura, Manuela Ferreira Leite remeteu-se ao mais ruidoso silêncio, e o vice-presidente social-democrata Aguiar-Branco várias vezes interrogado sobre o assunto, deu sempre a mesma resposta: “a seu tempo, o PSD terá uma posição sobre a revisão constitucional.”
Na Madeira, ao contrário do que tentou defender MFL, em termos de “asfixia democrática”, entre Junho e Outubro de 2009, não houve grande evolução.

Na mouche!



Às vezes até parece que as pessoas se esquecem de que o Bloco de Esquerda é um partido político.
Ora, a filiação ou um simples voto em qualquer partido político representa uma identificação mínima com o seu programa, com a sua ideologia e com uma determinada filosofia política.

E é aqui que o Bloco de Esquerda é um partido absolutamente tenebroso:
No seu programa partidário o Bloco de Esquerda preconiza a nacionalização dos sectores produtivos e de várias empresas de referência, como a Galp ou a PT, sem explicar como consegue os recursos para pagar os 70 ou 80 mil milhões de euros que essas nacionalizações custariam a Portugal.
E isso não é honesto.

Talvez seja por isso que o Bloco de Esquerda lhes chama «reversão» e me deixa agoniado com a memória dos velhos tempos do «Verão Quente», do «Camarada Vasco» e da «Muralha de Aço», tempos que eu não quero que o meu país volte a viver.
Nunca mais!

A par disso, e à melhor maneira estalinista o Bloco de Esquerda levou toda esta campanha eleitoral a apelar aos mais bacocos sentimentos populistas, nem que para isso tivesse de inventar notícias falsas e slogans rasteiros e imbecis, numa táctica desonesta e rasca, mas ainda assim conscientemente assumida.

Propalado aos quatro ventos com o cínico tom seminarista de Francisco Louçã, o mais famoso slogan do Bloco de Esquerda não é mais do que isto:
- Não podem ser as pessoas a pagar isto; tem de ser o Estado!

E conseguem dizer isto sem se rir!

À melhor maneira trotskista, vimos agora um dirigente bloquista defender o fim do ensino do inglês no ensino básico porque, diz ele, esta língua representa «o império e o pensamento único».
E isto é dito desassombradamente, pressupondo mesmo um ganho eleitoral numa democracia ocidental do século XXI…

Como se não bastasse já, este dirigente esclarece-nos que o Bloco de Esquerda defende o fim da democracia representativa e a sua substituição por uma coisa chamada «democracia participativa», o costumeiro eufemismo usado para «legitimar» as ditaduras comunistas ou, por exemplo, o Partido Comunista da União Soviética.

Ora, votar no Bloco de Esquerda é obviamente admitir uma correspondência ideológica e filosófica com estes delírios trotskistas, com esta autêntica demência política e com esta falta de ética, e com uma assumida desonestidade intelectual mas que ainda vai rendendo os votos dos mais incautos.

É por isso que (ao menos uma vez) teve imensa razão Belmiro de Azevedo quando o ouvi na SIC Notícias definir assim o líder do Bloco de Esquerda:
- Francisco Louçã é uma mistura de Vasco Gonçalves com o bispo Edir Macedo.

Na mouche!

Só correu mal uma tarefa

quinta-feira, setembro 24, 2009

O Decálogo das Eleições Legislativas de 2009


A campanha para as Legislativas estava, à partida, condicionada por diversos factores.
É difícil sintetizar as imensas variáveis em jogo, mas vale a pena tentar.

Assim, as eleições Legislativas de 2009, podem condensar-se num códice de eventos que achei por bem dar-lhe a fórmula de decálogo (sem que algum item seja um mandamento...).

1. A crise económico-financeira mundial lançou o País numa intensa “crispação social” e destruiu, num ápice, o controlo orçamental – jóia da coroa do Governo - conseguido à custa de sacrifícios e perda regalias sociais e, na prática, arredou o PS de um sonho longamente acalentado: maioria absoluta.
2. A crise, ao contrário do que MFL tem afirmado na campanha, favoreceu o PSD que a facturou nos “custos da governação”.
3. A “usura do poder”, para além de beneficiar todos os partidos, tem custos diferentes.
4. As forças à Esquerda do PS tinham em perspectiva uma oportunidade soberana de capitalizar grande parte do descontentamento larvar que se verifica na sociedade portuguesa.
5. Só que a possibilidade de captação dessa Esquerda é finita. Ela não depende exclusivamente da angariação dos descontentes mas, também, de questões ideológicas.
6. A Direita portuguesa, 1 ano antes das eleições, continuava em acelerado processo de decomposição. Só a recessão económica e social – nomeadamente o desemprego galopante – veio dar-lhe algum ânimo para lutar.
7. O CSD/PP tornou-se um partido dependente da inspiração de um só homem (ou de um homem só) e da sua melhor ou pior aptidão para vender demagogia.
8. A pré-campnha é dominada por uma agressiva ofensiva do PSD centrada na “asfixia democrática”, na inviabilidade de intensificar o investimento público, na substituição de um programa por um memorando de uma pobreza franciscana, cujo denominador ideológico é “a verdade” e - com o concurso de todos os partidos – da exploração de casos pontuais que foram trazidos para a campanha como exercícios retóricos de diversão.
9. O PS, seu oponente natural, sob a liderança de José Sócrates, mostrou uma invejável força anímica, uma capacidade de adaptação às novas condições e conduziu a campanha socialista com mobilização, convicção, autoridade e perseverança, conseguindo manter o partido à tona. Isto é, capaz de conseguir assegurar uma maioria simples, como as recentes sondagens indiciam.
10. O nefasto episódio das suspeitas de vigilância a Belém, o silêncio do PR e a demissão de Fernando Lima encerraram, antecipadamente, a campanha. Neste momento, os portugueses aguardam, penosamente, o dia 27, para confirmarem a maioria de Sócrates e a derrota de MFL, da qual não sobreviverá politicamente.

CAVACO CONVIDA O PAPA

O convite de Cavaco a Bento XVI para vir a Portugal em 2010 conspurcar com a sua untuosa presença o ano comemorativo do Centenário da República - da qual a ICAR era arqui-inimiga - é uma autêntica provocação a todos os republicanos, democratas e laicos que com a República instaurada em 1910 se identificam.

Fernandes começa a tirar a máscara

José Manuel Fernandes ter-se-á sentido "entre os seus" num jantar comício da coligação de direita que vem retirando o Porto do mapa.

Depois de ficar claro que ele usou o seu estatuto no "Público" para orquestrar uma "agenda política oculta", este ex-maoísta junta-se ao seu antigo camarada Pacheco Pereira e toma o seu lugar de honra numa acção de campanha do PPD/PSD/CDS/PP...

Fernandes revela, finalmente, a sua face.

A visita do Papa a Fátima em 2010


A visita de Bento XVI a Fátima, no próximo mês de Maio, devia ser assunto relativo à Igreja católica e não matéria do Estado português. Num Estado laico o Papa é apenas o chefe de Estado do Vaticano, a única teocracia europeia, criada por Benito Moussolini com os célebres acordos de Latrão.


Que o católico Cavaco Silva, na ânsia das fotos com ex-Prefeito do ex-Santo Ofício, se regozije, é o direito que a liberdade religiosa lhe garante. Que o chefe de Estado de um País laico exulte com a visita do chefe do único Estado não democrático da Europa, já é motivo de azedume para muitos portugueses.


A própria Conferência Episcopal não gostou do anúncio da visita durante a campanha eleitoral face aos resultados que se prevêem e ao desgaste que o PR sofreu com a sua desastrada participação.

O Papa vem a Fátima, à semelhança dos antecessores, porque é um dos santuários mais rentáveis da Igreja católica mas é lamentável que – como diz o bispo Carlos Azeredo – se trate «de uma visita de profundo significado, também por ser o centenário da implantação da República».


Todos sabemos que Fátima foi o instrumento da propaganda contra a República e contra o comunismo e que os milagres tentados noutros locais do país, acabaram adjudicados numa região onde a religiosidade e o analfabetismo os facilitava.


As cambalhotas do Sol, as deambulações da Virgem pelas azinheiras e a aterragem do anjo no anjódromo da Cova da Iria são milagres para quem tem o dom da fé mas não passam de embustes para quem não aceita afirmações sem provas.


Associar a visita do Papa ao Centenário da República é um insulto às instituições e uma intromissão clerical provocatória numa data relevante da História. O clero nunca deixou de conspirar contra a República até à implantação da ditadura com a qual se mancomunou.


O Presidente da República precisa de um assessor cultural para evitar que a ofensiva clerical regresse.