quinta-feira, dezembro 31, 2009

A incompetência já deu os seus frutos

A afirmação de Coimbra na política nacional

Não gosto de ser muito duro para a minha querida cidade. Mas mesmo para um bonacheirão e apaixonado por Coimbra, um relance minimamente objectivo sobre a contribuição da "lusa-Atenas" para a política nacional, nos últimos quinze anos, reduzem-se se a um punhado de lembranças como:
- ter como cabeça-de-lista Senhoras como Zita Seabra e a viúva do Prof. Sousa Franco;
- ter um candidato a Secretário-geral do PS com um resultado muito baixo;
- uma luta sem tréguas e sem pudor à co-incineração, porque sim;
- uma candidatura, agora em segunda (ou terceira?) tentativa, à Presidência do PSD.
Curiosamente algumas destas desventuras têm protagonistas comuns.
Com efeito, o candidato a Presidente do PSD julga ser concebível "a construção de túneis para ligar a ilha do Pico ao Faial e a S. Jorge."

Que 2010 abra novos horizontes a esta cidade que já deu ao país pessoas como António José de Almeida, Francisco Salgado Zenha ou Carlos Alberto da Mota Pinto.

Coimbra sempre do contra


Já partiram as cervejas, as louças, as bolachas... O comércio foi substituído por "franchisings" nos "shoppings", a população residente vai baixando e por fim vão levar a cimenteira.

Mas mais grave que o emprego e a fortuna é o dislate e o permanente achincalhar de tudo o que seja um dado técnico-científico.

A doutorice coimbrinha vai-nos empurrando para a irrelevância.

Cavaco, PS e oposição

Na sequência da promulgação do diploma que suspende a entrada em vigor do Código Contributivo, o PS criticou o PR e acusou-o de alinhar com a oposição. Penso que o PR não merece a acusação, embora tenha sido uma temeridade suspender um diploma saído de laboriosas negociações e de difíceis compromissos em sede de Concertação Social.

Não teve dúvidas em promulgá-lo e nem sequer suscitou a fiscalização preventiva da sua constitucionalidade. As receitas para a Segurança Social foram postas em causa e os partidos à esquerda do PS talvez venham a verificar que votar ao lado da direita não é a melhor forma de defenderem os trabalhadores de cujo monopólio se arrogam.

Não foi o PR que alinhou com a oposição, foi esta que alinhou com o PR. Há muito que Cavaco é o rosto mais credível da oposição de direita e se não fossem os 357 mil euros de mais valias com que arredondou os quatro salários (PR e as reformas de professor, do Banco de Portugal e de primeiro-ministro) com as 255.018 acções da Sociedade Lusa de Negócios, dele e da filha, teria hoje uma imagem mais consistente.

O caso das escutas não foi obra de Manuela Ferreira Leite, a quem não se reconhece inteligência para a façanha nem relações privilegiadas com Fernando Lima. O único suficientemente sagaz e maldoso era Paulo Portas mas Cavaco não esquece as pulhices do Independente.

O Estatuto dos Açores tinha merecido uma votação unânime, embora infeliz, mas o PR privilegiou os ataques à AR e ao PS. Na lei do divórcio fez a síntese do pensamento da Conferência Episcopal e da direita mais jurássica.

Cavaco já provou ser um homem determinado e capaz de correr riscos. Ao presidir à comissão de honra da canonização de Nuno Álvares Pereira, certificou dessa forma o milagre da cura do olho esquerdo de D. Guilhermina, queimado com salpicos ferventes de óleo de fritar peixe, e inseriu-se na galeria de bem-aventurados onde já se encontram o deputado João Morgado (defensor do acto sexual apenas para procriar), Sousa Lara (censor de Saramago) e Mariana Cascais (secretária de Estado convicta de que Portugal tinha o catolicismo como religião oficial). A Estado laico é que foi posto em causa.

Cavaco não vê o País como uma República mas como local de sofrimento e purificação, visão que se exacerbou na visita à Capadócia. Por isso um partido que descriminalizou o aborto, facilitou o divórcio e aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo não lhe merece solidariedade institucional, provoca-lhe azia e obriga-o a persignar-se.

Cavaco não saiu de Boliqueime, trouxe Boliqueime consigo para o resto da vida e se a sorte o fez presidente de uma democracia não foi porque tivesse sentido alguma vez que viveu em ditadura. Em Boliqueime não se pensava nos presos políticos, na guerra colonial e nas tropelias do regime fascista. Não foi por maldade mas por ser rudimentar a cultura e aliciante seguir uma carreira universitária.

Hoje, os culpados são os eleitores que fizeram dele o garante do regular funcionamento das instituições.

Ponte Europa / Sorumbático

Prenda de fim de ano?

A ordem aos Pasdaran Revolutionary Guard Corps foi dada no passado domingo.

Via JUGULAR

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Todos querem chegar ao topo!


Continua a luta dos sindicalistas, que não dão aulas há anos, pela sua reforma no escalão máximo.

Pode a Ministra fazer o pino, oferecer-nos o seu melhor sorriso, reformular quantas vezes quiser a sua proposta, porque o que verdadeiramente interessa é saber se todos, mesmo todos, vão chegar a Catedráticos, digo, a Generais, digo melhor, ao décimo escalão.

Não há paciência para tanta falta de pudor por parte dos sindicatos!

Aplicou-se o Código de Processo Penal



O Senhor Presidente do STJ aplicou a Lei, como lhe compete.

Espero que em 2010 os atropelos à ordem constitucional democrática provocados por alguns voluntaristas e outros malabiristas sejam colocados na gaveta...

Sim ao Acordo Ortográfico

(Clique na imagem para aumentar)

Comentário: Que diriam os adversários do último Acordo Ortográfico, a 24 horas de entrar em vigor, se tivessem de escrever o português do texto pio que aqui acima se reproduz?

Outra pandemia?

Depois da pandemia de gripe A - ainda longe de estar terminada, alerta a OMS - os cientistas viram a sua atenção para outros vírus das aves capazes de infectar os humanos e gerar outras pandemias. Em Hong Hong, voltou a aparecer o H9N2.

Comentário: Ainda não acabou esta pandemia e já estão a lançar outra?

EUROPA – Pátria das Liberdades…

Depois dos precedentes abertos pela Roménia e a Polónia ao permitirem a instalação de prisões secretas surge, agora, a denúncia que a Lituânia consentiu, no seu território, o mesmo tipo de prisões, desde 2002…

Caso se confirme que a Lituânia foi um País de acolhimento de prisões secretas da CIA, na sequência de operações contra o terrorismo, comandadas pela ex-administração de G.W. Bush, a UE deve pronunciar-se publicamente sobre esta grave violação dos Direitos Humanos, a soldo de uma guerra e instrumentalizando uma iníqua campanha de terror.

Já nos bastava a insustentável cortina de fumo tecida à volta dos voos da CIA, que indiciaram a colaboração de diversos País europeus – incluindo Portugal (?) – como suspeitos entrepostos de prisioneiros com destino ao inferno concentracionário de Guantánamo …

Em que atalhos se meteu a Europa das Liberdades?

terça-feira, dezembro 29, 2009

Os bispos e os referendos

Andaram os bispos portugueses 48 anos em paz, sem preocupações com a democracia, com direito a báculo e mitra apenas com autorização de Salazar, indiferentes aos crimes da ditadura e à guerra colonial, e tornaram-se agora os paladinos da democracia directa.

Todos os dias saltam prelados a agitar a mitra contra os casamentos homossexuais, a brandir o báculo contra o aborto, a perorar sobre a família, como se disso tivessem alguma experiência. Disparam ave-marias e salve-rainhas contra os “inimigos da moral e dos bons costumes” e, finalmente, exigem um referendo sobre matéria que fez parte da campanha eleitoral e dos conselhos pios aos eleitores para se afastarem de partidos que, na sua pitoresca linguagem, são contra a família.

Os bispos, que impedem a interrupção voluntária do celibato aos padres, em nome de uma decisão que lhes aumenta o poder, estão agora na vanguarda da defesa da família e da reprodução. Por que motivo não referendam, entre os padres, o celibato?

Com que legitimidade exigem a uma beata, amiga do peito e da missa, que decida sobre direitos de quem não vai à missa nem frequenta os sacramentos? Que dêem normas de conduta aos crentes é um direito, que exijam a outros que se rejam pelas normas pias é um acto prepotente e uma manifestação totalitária.

É altura de se dedicarem ao breviário e deixarem os políticos decidir em paz. Não têm, nesse campo, grande autoridade nem bons exemplos. E arriscam-se a perguntas incómodas.

CHINA: execução de cidadão britânico

O primeiro ministro-britânico, Gordon Brown, revelou, hoje, que as autoridades chinesas executaram, através de administração de uma injecção letal, o cidadão britânico Akmal Shaikh, condenado à morte por tráfico de droga.

Gordon Brown condenou com firmeza a execução de Shaikh e mostrou-se escandalizado e decepcionado que os pedidos de clemência das autoridades britânicas não tivessem sido ouvidos.
Mais, o primeiro ministro-britânico, declarou: “Estou particularmente preocupado pelo facto de não ter sido efectuada qualquer tipo de avaliação da saúde mental do condenado.” Registe-se que, segundo informações veiculadas pelos familiares e amigos de Akmal Shaikh, o mesmo sofria de perturbações mentais.

Akmal Shaikh foi detido em Setembo de 2007 na província de Xinjiang (NW da China) e acusado de ter em sua posse 4 Kg de heroína.
Segundo a ONG Reprieve (http://www.reprieve.org.uk/2009_12_29_akmal_shaikh_executed), Shaikh é o primeiro cidadão europeu executado na China, nos últimos 50 anos.
Esta ONG solicitou às autoridades chinesas, em Abril de 2009, a avaliação da saúde mental do condenado por um especialista local. Tal pretensão foi inicialmente aceite e depois recusada. Face a este insucesso, um mês depois, a referida ONG custeou a deslocação do Dr Peter Schaapveld, previamente autorizado a encontrar-se com Akmal, mas depois da sua chegada, este encontro foi cancelado.
A Corte Suprema de Justiça chinesa que, de motu proprio, considerou Akmal Shaikh imputável pelo crime de era acusado, acrescentou: “ Os crimes são tratados de igual modo perante a lei, qualquer que seja a nacionalidade”. E acrescentou: “ a pena de morte para crimes extremamente sérios e perigosos no diz respeito ao tráfico de drogas permite instalar o medo nos prevaricadores e evitar esses crimes…”

Bem, o propósito de defender a barbárie que representa a pena de morte como medida preventiva da "criminalidade pesada", nomeadamente, contra os homicídios (que não é o caso presente), tem sido largamente discutida.
A experiência histórica dos países que ainda têm ou que aboliram a pena de morte deve ser permanentemente interpelada em termos humanitários e filosóficos e, finalmente, questionada a sua eficácia preventiva.

Na verdade, para os que são insensíveis aos argumentos humanitários, como é o caso da China, torna-se mais fácil alimentar a espiral da violência, respondendo à criminalidade “pesada”, com outros crimes perpetrados pelo Estado – as execuções.

Na verdade, se a pena de morte fosse dissuasora de novos crimes, os Países que, desgraçadamente, ainda a mantêm, teriam acabado com a grande criminalidade. Logo, a verdade pode ser outra: a criminosa aplicação da pena de morte, gera mais crimes. É uma paradoxal resposta à espiral da violência dos indivíduos versus o autoritarismo do Estado.

Enfim, vira-se o feitiço contra o feiticeiro...

Momento de poesia


As tuas madrugadas


Visito o esplendor das tuas madrugadas

percorro as avenidas de álamos

que engalanam o sonho

que te acordou.

Já não esperas o meu beijo

nem as flores

suspensas nos meus dedos.

As ausências

são ásperas e frias

e os silêncios

são o fino gume dos punhais

a trespassar a dor

e a adiar a esperança.

Alexandre de Castro

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Provedor - Carta aos jornalistas do Público

José Manuel Fernandes - Saída de sendeiro

Ao fim de dois anos a falar para os leitores, o provedor despede-se dirigindo a última crónica à redacção.

Associação Ateísta Portuguesa - Carta ao Patriarca Policarpo

Exmo. Senhor
Prof. Dr. José da Cruz Policarpo
Cardeal Patriarca de Lisboa
vigararia.geral@patriarcado-lisboa.pt
Lisboa

Excelência:

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) vem manifestar a V. Ex.ª o seu apreço pela grande melhoria do estatuto do ateísmo aos olhos da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR).


Em 2008, no dia 13 de Maio, o senhor cardeal Saraiva Martins presidiu em Fátima à «peregrinação contra o ateísmo na Europa». No mesmo ano, V. Ex.ª, Sr. Cardeal, considerou o ateísmo o «maior drama da humanidade», maior ainda que a fome, as doenças, as guerras e o terrorismo religioso. Foi por isso com agrado que notámos o tom mais conciliatório desta última Homilia de Natal e da mensagem de V. Ex.ª por essa ocasião. Tal como V. Ex.ª, também a AAP defende que «Ser crente ou descrente não pode transformar-se em conflito, um motivo mais para as tensões e agressões mútuas entre os homens.»


No entanto, a AAP lamenta ainda que V. Ex.ª considere os ateus, os agnósticos e todos os que são indiferentes à Vossa religião como oponentes a vencer em vez de interlocutores a considerar. Afinal, se as certezas de quem crê são verdadeiramente humildes, como afirma V. Ex.ª, deveriam abrir-se à possibilidade de serem os outros quem tem razão ou, no mínimo, da crença ser igualmente legítima como opção pessoal sem precisar do aparato religioso e de representantes oficiais dos deuses.


Apesar destas reservas, a AAP encara com satisfação o progresso na atitude da Igreja Católica em Portugal. Despedimo-nos com votos de Boas Festas e o desejo de que, em 2010, V. Ex.ª opte por usar a posição privilegiada que a comunicação social lhe concede para afirmar mais claramente a falta de fé, tal como a fé, como opções individuais às quais todos têm direito.


Esperando que deixe de ver os ateus como oponentes a vencer.


Apresentamos-lhe cordiais saudações.

Associação Ateísta Portuguesa – Odivelas, 28 de Dezembro de 2009

IRÃO: tempos de mudança?

As manifestações dos últimos dias em Teerão, no seguimento da morte do ayatollah Montazerí, trouxeram à rua, no passado domingo, milhares de manifestantes.

Na verdade, as motivações destes protestos entroncam-se nas últimas eleições presidenciais, que conduziram, sob a interferência discricionária do líder supremo, à reeleição de Mohammoud Ahmadinejad. Na altura, em Junho, os apoiantes do candidato reformista Mirhossein Mousavi, contestaram os resultados e manifestaram-se expressivamente em várias cidades do Irão.

O ayatollah Montazerí, tornou-se um dissidente da teocracia xiita que, a partir de Qom, governa o Irão. Esta visível dissidência mostrou ao povo iraniano, e ao Mundo, que as fracturas no interior da clique religiosa que detêm o poder, organizada pelo “pai da revolução”, ayatollah Komennei, são profundas e, obrigatoriamente, conduzirão a mudanças.

A inevitabilidade destas mudanças reflectem um paradigma que se evidencia nas poucas imagens e nos telegráficos e truncados relatos das agências noticiosas – sobre os quais se abateu uma implacável censura e um black-out na comunicação com o exterior - onde, se observam, que os apoiantes de Mousavi, são na maioria jovens – homens e mulheres.
Estes jovens são um incontornável fermento de mudança que a oligarquia religiosa de Qom não conseguirá travar. E, o mais relevante, é exactamente a significativa participação de mulheres, num Estado teocrático islâmico, onde o estatuto de cidadãs tem sido, oficialmente, negado.
Este facto, só por si, é um forte indício de que, no seio da sociedade iraniana, se levantam ventos de mudança.

O "mundo democrático", nomeadamente a UE, deve estabelecer pontes com os vários movimentos oposicionistas e reformistas que se movem conjuntamente para por termo a esta anacrónica teocracia e, vislumbram desenvolvimento de uma cultura democrática, no seio de uma sociedade islâmica, o que parecendo paradoxal poderá não o ser...

O Mundo move-se. E muda.

domingo, dezembro 27, 2009

Opinião de um monárquico

IRLANDA: Um Natal de repugnância e cólera…

O escândalo da pedofilia no seio de instituições religiosas abala a Igreja cristã irlandesa. Ou, talvez, as suas réplicas sejam mais devastadoras e atinjam os alicerces da ICAR.


Quando olhamos para os últimos acontecimentos em Dublin o que sobressalta é uma cascata de demissões:
O bispo de Limerick (oeste de Irlanda), Donald Murray, renunciou a 17.12.09;
O bispo de Kildare e Leighlin, James Moriarty, a 24.12.09;
Os bispos auxiliares de Dublin Eamonn Walsh e Raymond Field, no passado dia 25.12.09.
E o que adiante se verá…
A arquidiocese de Dublin é acusada de encobrir os abusos sexuais cometidos por padres pedófilos. Esta vergonhosa conivência com tão graves crimes coloca a ICAR na senda de uma organização foragida à Justiça. Não se entende como o arcebispo de Dublin - Diarmuid Martin, vai recebendo estas renúncias e limita-se a comunicá-las a Bento XVI. Na verdade, o arcebispo, que é o actual primeiro responsável, dos abusos repetidamente cometidos na arquidiocese que actualmente dirige, permanece impávido e sereno no exercício das suas funções eclesiásticas.

Mas, se hoje o arcebispo de Dublin dá a cara e desdobra-se em desculpas, procurando resolver esta serial criminalidade (um padre confessou ter abusado de mais de 100 crianças!), controlando os danos à ICAR, nomeadamente, tentado evitar os julgamento dos responsáveis identificados pela Comissão de Investigação Murphy, outros há, como o resignatário cardeal Desmond Connell (retirou-se em 2004), um dos inefáveis “príncipes da Igreja”, eleitor de Bento XVI e teologicamente próximo da actual sua doutrina anti-conciliar deste Papa, que tentaram por todos os meios “esconder” da Justiça estes crimes, numa atitude repugnante. Este cardeal, um dos grandes responsáveis pelos inclassificáveis atropelos cometidos à Justiça, goza - em tempos de cólera - a tranquilidade a sua jubilação.

Entretanto, Bento XVI permanece no Vaticano, indiferente a este monumental escândalo e a estes crimes que na prática permanecem inimputáveis, teorizando sobre os princípios morais que a Igreja defende e que pretende impor a todos – não só os católicos.

A pretensa autoridade moral da Igreja que esta, dogmaticamente, utiliza, quando contempla o Mundo, foi estrondosamente abalada por este escândalo.
O Relatório Ryan que desvendou as denúncias de abusos sexuais a menores, praticados por membros do clero, em escolas católicas do país, publicado em Maio passado, teve como efeito a ICAR se comprometer ao pagamento de indemnizações no valor de 145 milhões de euros. E assim se abafa centenas de crimes. Os clérigos pedófilos gozam de inteira liberdade e, possivelmente, prosseguem as suas criminosas actividades.

Estes crimes que ocorreram em diversas dioceses irlandesas não se circunscrevem só à Igreja. Contaram com a complacência da polícia desde 1975 a Maio de 2004!

O Governo irlandês através do Ministro da Justiça, Dermot Ahern, classificou estes crimes como: “perversão calculada e sistemática do poder e da confiança infligida em crianças indefesas e inocentes”. E, verberando o criminoso conluio da Polícia, advertiu: “não haverá lugar para se esconderem”, pelo que “a justiça - mesmo quando foi protelada – não será negada”...
Ficamos, para já, a aguardar a inevitável investigação sobre o intolerável comprometimento da Polícia com estes repugnantes crimes.
Entretanto, a justiça irlandesa já condenou oito padres em Dublin e está a julgar mais três, estando em curso acções contra outros 35. A intervenção governamental foi determinante para enfrentar a atitude de “arrogância e encobrimento” da hieraraquia religiosa.

Este é o caminho certo para enfrentar estes vergonhosos e horrendos crimes. As negociações promovidas pela hierarquia religiosa com as vítimas são uma intolerável excepção e têm como finalidade última iludir a sua gravidade, deixando impunes os já referenciados prevaricadores.

Finalmente, a fuga à Justiça permite a prossecução destes crimes, escondendo a verdadeira face da ICAR.

sábado, dezembro 26, 2009

Teste do amor

Encerre o cônjuge e o cão no porta-bagagens.

Abra passado uma hora e veja qual fica feliz, ao vê-lo/a.

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USA: The Obama Health Care Bill…


Muitos norte-americanos, nesta quadra festiva, foram contemplados com uma prenda especial:
A aprovação pelo Senado da proposta de Reforma de Seguros de Saúde, um dos pontos fulcrais da campanha presidencial que levou Barak Obama à Casa Branca.

Nada está decidido em definitivo. Mas nunca se tinha chegado tão longe!

Seguem-se conversações para conciliar os textos aprovados pela Câmara de Representantes e pelo Senado, onde se confronta o desenvolvimento – ou não - de um modelo de “opção pública”, que a proposta aprovada pelo Senado, fruto de intensivas negociações, não contempla.

Esta “opção púbica” significa a gestão, pela Administração Federal, de um organismo público, que garantia à maioria esmagadora dos cidadãos uma oferta de seguros, universal (contempla 95% dos norte-americanos) e equitativa.
Se as conversações com vista à concertação destas divergências não conduzirem à adopção da “opção pública”, este facto, restringe o seu alcance, mas não diminui a importância da actual Reforma. Todavia, o número de norte-americanos afectados por ela, seria consideravelmente menor, já que os 175 milhões de pessoas com cobertura de seguros através dos seus empregadores, não serão, na prática, afectados. No entanto, no caso de estes actuais beneficiários serem atingidos pelo desemprego, continuarão a ter uma cobertura de saúde.

O presidente Obama já declarou que promulgaria a Lei de Reforma, com ou sem, “opção pública”.

Esta vontade política manifestada pelo Presidente permitirá que 31 milhões de norte-americanos, actualmente sem qualquer tipo de cobertura na área da saúde, passem a tê-la.
Mais, a actual Reforma impede que as seguradoras rejeite os contractos a cidadãos com problemas de saúde e de, em caso de posteriores complicações graves de saúde, as mesmas operadoras de seguros rescindam, unilateralmente, a cobertura sanitária anteriormente negociada.

Todos estes passos têm sido dados contra uma rígida e inflexível oposição do Partido Republicano. A unidade que se tem verificado nas hostes Democratas, é em grande parte um tributo ao símbolo político que Ted Kennedy ainda representa, um grande apoiante desta Reforma. Chamou-lhe: “a causa da sua vida”…

sexta-feira, dezembro 25, 2009

A homília natalícia do Cardeal Patriarca


A homília de Natal de D. José Policarpo trouxe a público posições rígidas e dogmáticas (para não chamar fundamentalistas) da ICAR que reflectem o modo como as autoridades religiosas olham a sociedade actual.


Disse, Sua Eminência:
“…É um dos grandes paradoxos da História, um povo oficialmente crente em Deus não reconhece Deus que o visita”…

Bem. Não existem povos oficialmente crentes em Deus fora das teocracias, quaisquer que elas sejam.
A confusão entre o Estado laico que temos e a liberdade de prática de qualquer religião, não pode levar o cardeal a reivindicar qualquer privilégio, nem qualquer estatuto de excepção. A liberdade religiosa é um princípio democrático – só existe em plenitude nos Estados laicos – e está acima dos interesses e das mordomias da ICAR, como é o incompreensível regime de excepção da Concordata...
A liberdade religiosa diz respeito a todos os crentes - católicos ou de outras religiões - , e inclusive, aos agnósticos e aos ateus.

Mais adiante afirmou:
"Outros refugiam-se na atitude agnóstica de quem não se pronuncia, de quem não sabe dizer nada sobre Deus. Respeitam os crentes, mas não se sentem interpelados por eles, esquecendo que há inquietações profundas que dificilmente se podem calar".
Estas “inquietações” do eminente purpurado mostram-se distantes de qualquer racionalidade dialéctica.
Na verdade, os agnósticos e os ateus interrogam-se sobre múltiplas posições dos crentes que transbordam para a sociedade. A Igreja, melhor dizendo, as Igrejas, nomeadamente, as hierarquias religiosas, são as primeiras a não tolerar a existência de “não-crentes”, como se vivêssemos em tempos em que a arrenegação dos “Deuses” fosse um abominável crime.

Este foi o imaginário paradoxo histórico que o patriarca não soube resolver e “atirou-o”, numa grosseira generalização, para cima dos cidadãos, acompanhadas do público exorcismo dos agnósticos e dos ateus. De facto, antes destas natalícias congeminações, tecidas no ano da graça de 2009, “sucedeu” há mais de 200 anos a Revolução Francesa. O paradoxo está aqui!

Não às ditaduras

China condena dissidente Liu Xiaobo a 11 anos de prisão

PEQUIM (Reuters) - O mais proeminente dissidente chinês, Liu Xiaobo, foi condenado a 11 anos de prisão nesta sexta-feira por pedir liberdades políticas.

Ele recebeu a pena por conta de uma acusação de subversão criticada por grupos de direitos humanos e por Washington. Liu, que completa 54 anos de idade na segunda-feira, ajudou a organizar uma petição que solicita amplas reformas políticas.

Comentário: Não há interesses que justifiquem o silêncio perante este atentado à liberdade.

Feliz Natal




O Natal de 2009 em Portugal é vivido na refrega da maior crise financeira desde os anos 30, em plena decadência de um modelo económico que não gerou riqueza, mas que continha o desemprego.

Circulando por Coimbra, revendo antigos colegas de Liceu, encontro uma geração de quadros que trabalham em Macau, África do Sul, Angola, Madrid, Londres... A nossa cidade deixou-os partir.

O país encontra-se numa angústia de tensões a vários planos: político, social e existencial.

D. José Policarpo num discurso de aparente concórdia cita Miguel Torga, refere o ateísmo e saúda os outros monoteístas.

O Natal é um momento estruturante da nossa cultura e do nosso reencontro, com a família, com os amigos de longa data, com um reganhar de força interior para enfrentar um novo ano.
As noites mais longas do ano são o palco de orgias gastronómicas e devaneios consumistas.
Mas que não se esqueça a serenidade e a esperança que o renascer do menino, a cada ano renovado, nos deve trazer.

Bom Natal a todos!

Tragédia no Vaticano - 1 ferido

O cardeal francês Roger Etchegaray fracturou o osso do fémur devido ao incidente que ocorreu hoje na basílica de São Pedro, quando uma mulher saltou as barreiras e puxou o Papa Bento XVI, fazendo-o cair.

Oscar Mascarenhas

Hoje é a última noite de serviço do excelso jornalista ao serviço da Lusa que, nos últimos anos, foi o seu local de trabalho e de exílio.


Aqui fica a homenagem do Ponte Europa ao cidadão frontal e íntegro, que foi no jornalismo o que é na vida –, homem de coragem, impoluto nas ideias, na conduta e na gramática.


Esperamos voltar a encontrá-lo por aí, em algum jornal. Jornalistas assim são uma referência que fazem pedagogia escrevendo. Não nos pode privar da sua prosa e do seu pensamento livre e honesto.

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Das Festividades do Solstício de Inverno …

Monumento celta de Stonehenge, sul da Inglaterra, dedicado ao Solstício de Inverno.

Em termos bíblicos, a natividade do cristianismo surge num ambiente da mais extrema pobreza, numa espécie de estábulo, em que todos compartilhavam a mais ascética postura.
Os anunciados Reis Magos chegam mais tarde, com odoríferas e exóticas oferendas e, esse facto, mítico – como de resto toda a encenação desta natividade cristã - acabou por dominar esta quadra festiva, transformando-a, deste modo, na mais pura exaltação do consumismo.
Finalmente, e em jeito de aparte, o anunciado fim da crise veio – para alguns - possibilitar a manutenção desta tradição.

Hoje, em muitos lares deste País, reúne-se a família, impregna-se o ambiente de um volátil e efémero "espírito natalício"(?) e, paralelamente, monta-se uma grandiosa feira de inutilidades e de vaidades, especialmente dirigida às crianças – futuros consumidores. O circulo para assegurar este motu continuo consumista está montado para os tempos vindouros.

Mas, na verdade, o Natal não será mais que o aproveitamento religioso das festividades pré-cristãs do Solstício de Inverno, onde se celebrava o renascimento da vida, se realizavam serões familiares, a preparação dos próximos casamentos, a matança do porco (animal simbólico da civilização celta), etc., …

Hoje, longe do significado das suas origens, os crentes celebram o sentido religioso da natividade e, por inércia, quase todos – de um modo ou de outro – refugiamo-nos na tranquilidade recôndita dos nossos lares ou fazemos uma incursão aos recantos dos nossos antepassados e… entramos (empurrados ou conscientemente) na “onda do consumo”.

Boas Festividades… para todos!

FELIZ OLHAR NOVO!!!

FELIZ OLHAR NOVO!!!
Carlos Drumond de Andrade

O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história.
O grande lance é viver cada momento como se a receita da felicidade fosse o AQUI e o AGORA.
Claro que a vida prega peças. É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais...
mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia?
Tem sentido ficar chateado durante o dia todo por causa de uma discussão na ida pro trabalho?
Quero viver bem. 2009 foi um ano cheio.
Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões.
Normal.
Às vezes se espera demais das pessoas.
Normal.
A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor que acabou.
Normal.
2010 não vai ser diferente.
Muda o século, o milênio muda, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí? Fazer o quê? Acabar com seu dia? Com seu bom humor? Com sua esperança?
O que eu desejo para todos nós é sabedoria!
E que todos saibamos transformar tudo em uma boa experiência!
Que todos consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado. Ele passou na sua vida. Não pode ser responsável por um dia ruim...
Entender o amigo que não merece nossa melhor parte. Se ele decepcionou, passe-o para a categoria 3, a dos amigos. Ou mude de classe, transforme-o em colega. Além do mais, a gente, provavelmente, também já decepcionou alguém.
O nosso desejo não se realizou? Beleza, não tava na hora, não deveria ser a melhor coisa prá esse momento
(me lembro sempre de um lance que eu adoro: CUIDADO COM SEUS DESEJOS, ELES PODEM SE TORNAR REALIDADE).
Chorar de dor, de solidão, de tristeza, faz parte do ser humano. Não adianta lutar contra isso. Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam diferentes.
Desejo para todo mundo esse olhar especial.
2010 pode ser um ano especial, muito legal, se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso.
Somos fracos, mas podemos melhorar.
Somos egoístas, mas podemos entender o outro.
2010 pode ser o bicho, o máximo, maravilhoso, lindo, espetacular... ou... pode ser puro orgulho!
Depende de mim, de você!
Pode ser. E que seja!!!
Feliz olhar novo!!!
Que a virada do ano não seja somente uma data, mas um momento para repensarmos tudo o que fizemos e que desejamos, afinal sonhos e desejos podem se tornar realidade somente se fizermos jus e acreditarmos neles!

Crianças com quem brinquei (Crónica)

Recordo, seis décadas depois, os garotos que me acompanharam na escola primária, crianças que a vida flagelou, filhos de mães que pariam todos os anos e de pais que se emborrachavam todos os dias.

Vinham de Cairrão, do Carapito e da quinta do Ordonho, descalços e com uma côdea de pão duro. Aprendiam a ler e a escrever, decoravam os rios e as serras de Portugal, as descobertas, batalhas e outras glórias do país que lhes negava uma sopa quente e um copo de leite. Passavam o dia numa escola onde chovia, com o soalho apodrecido pela humidade e o tecto a ameaçar ruir. O vento, a chuva e a neve entravam pelos buracos das janelas onde faltavam vidros cuja substituição não cabia no orçamento da Câmara da Guarda.

A Primavera e o Outono aliviavam os corpos da dureza do clima. A chuva não fazia grande mossa, era pouca a roupa e o corpo conhecia dias piores.

Os miúdos aprendiam os cognomes dos reis e os nomes dos filhos bastardos, conheciam o esqueleto humano até ao último osso e saíam da escola a escrever sem erros e, muitos, com distinção no exame da 4.ª classe. Os do Ordonho, quando eram curtos os dias e longas as noites de Inverno, percorriam três quilómetros a ver o amanhecer, antes de chegarem à escola, às vezes com temperaturas negativas, e voltavam ao entardecer a repetir em voz alta as batalhas que os portugueses ganharam e os nomes dos navegadores que capitanearam as naus que acharam portos em vários continentes.

No mapa-múndi havia nomes de países apagados pela vara que os apontava; o mapa do corpo humano tinha órgãos em mau estado; o de Portugal e Ilhas Adjacentes exibia rios, afluentes, serras, cabos, baías e caminhos de ferro cujos nomes se decoravam com o rigor do credo e a devoção da salve-rainha.

Nenhum aluno era proposto a exame da 4.ª classe sem dividir e classificar as orações sem hesitação, qualificação académica facultativa para meninas a quem bastava, na opinião do governo salazarista, a 3.ª classe, porque tanto saber era exagerado para meninas humildes e comprometedor do destino da alma.

Os miúdos da minha escola nunca viajavam de comboio apesar de correrem sobre os carris da linha da Beira Alta e saberem de cor os nomes das terras onde paravam as carruagens que circulavam nas vias que os ingleses construíram desde o Estado da Índia até aos ramais que acompanhavam os afluentes do rio Douro.

Nos intervalos das aulas os rapazes corriam para a horta do senhor Gaspar e as raparigas para a do senhor Germano, ou vice-versa, já lá vão tantos anos, e a memória apenas guarda a parede junto à qual circulavam os meninos, colados, para não pisarem o grão de bico, o feijão de estaca e as alfaces, mas evitando trazer nos pés os excrementos próprios ou alheios.
Depois aproveitávamos o tempo que restava para jogar ao pião ou dar pontapés numa bola de trapos enquanto as meninas disputavam o terreiro a jogar à macaca.

Que será feito desses condiscípulos? Quantos viverão ainda? E que saudade é esta que agora me assalta quando a tradição festeja o nascimento do homem de quem os crentes desconhecem o ano e o local mas a quem a fé atribuiu dia certo e transformou em deus?

São as tradições a interferir no mundo dos afectos; é a saudade feita remorso das pessoas que deixámos sair da memória; é o tempo, receoso do futuro, a resgatar o passado. Por onde quer que andem, a minha memória trouxe-os agora de volta.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Pedidos ao pai Natal

"QUERIDO PAI NATAL, AGRADECIA QUE ME ENVIASSES UM IRMÃO PEQUENINO"
Resposta do Pai Natal: "ENVIA-ME A TUA MÃE"

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Misturar alhos com bugalhos …

As organizações de Direita, sejam elas partidos políticos, associações, fundações, etc. fazem coro na repetitiva afirmação de que a prioridade do País é o desemprego, o aumento do PIB, a diminuição do deficit orçamental, o corte nas despesas públicas, etc…
Um “chorrilho” de lugares comuns que estamos cansados de ouvir e que se acentuaram com a actual crise financeira, originária das práticas político-económicas neo-liberais, coisa que evitam referir…
Mas o elencar destas prioridades, absolutamente consensuais, não vem sozinho. Cola-se a estes clichés de vulgaridade política, o repisar de diagnósticos já feitos e refeitos, a condenação de qualquer mudança, ou melhor, do avanço no campo dos direitos cívicos, reprovando (ou exorcisando) os profanos políticos, ou cidadãos, que ousem pensar, defender ou apoiar medidas legislativas no sentido de propor os casamentos homossexuais.

Portanto, resta-nos esperar que, um dia, nos expliquem onde os casamentos homossexuais chocam, por exemplo, com o Orçamento Geral do Estado, o instrumento fundamental para desenvolver as políticas económicas, de emprego, enfim, o estimular da retoma, que tanto parece ocupar a mente dos reaccionários de Direita.
Ou devemos esperar que, em Janeiro próximo, a Direita, quando da discussão do OGE, esteja pronta para torpedeá-lo, alterá-lo, bloqueá-lo, etc…
Então veremos quem estará a dar uma valente machadada na prioridade das prioridades!

Ou, por outros caminhos, os arautos do puritanismo cívico e social, os guardiães dos bons costumes, os fiéis ao catecismo, os probos defensores de uma cultura agarrada a motivações atávicas, ao pretenderem referendar os casamentos homossexuais não estão a despoletar mais e novas despesas públicas?
Quanto custa realizar um referendo, absolutamente dispensável, já que ninguém nega a competência e a legitimidade da AR para decidir sobre este assunto?

Se fossemos demagogos, como a Direita é, diríamos que o dinheiro a gastar com um referendo deveria ser endossado para os desempregados, os excluídos sociais, os famintos, etc.
Porque, de facto, a alteração do Código Civil, de modo a permitir os casamentos homossexuais, não é uma obsessão, que nos obrigue a esquecer o desemprego, a recessão, etc…, nem custará ao Estado rios de dinheiro…como a demagogia populista da Direita, sustentada publicamente nos diktats congeminados pela ICAR, pretende fazer passar na sua equívoca e desleal mensagem.

A argumentação política não pode navegar ao sabor dos ventos, nem ficar agarrada ao passado. A Direita um dia aprenderá isso!

Reserva de Governo e democracia saudável

O Presidente da República fez o que a Constituição, numa boa leitura, lhe impunha e vetou o diploma da Assembleia da República que procurava "atropelar" uma medida de gestão e política de saúde oportunamente tomada pelo Governo.

Embora cauteloso na fundamentação, fica implícito que a Presidência da República estabelece normas sobre a separação da actividade de Governo/ Administração e a actividade do Parlamento na dimensão legislativa.

É saudável e democrático que assim seja.

Mais do que um pequeno presente de Natal a Sócrates e ao Governo, tratou-se de um acto político-legislativo que cria uma "jurisprudência constitucional" que todos, designadamente a oposição, devem tomar em conta.

Associação Ateísta Portuguesa - Comunicado

Assunto: Casamento entre pessoas do mesmo sexo

COMUNICADO

À Comunicação Social

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP), na defesa da laicidade e da separação Igreja/Estado, rejeita as manobras do episcopado católico para impor a sua doutrina sobre o casamento a todos os portugueses.

Na sequência da recente aprovação da proposta de lei que permite a realização de casamentos entre pessoas do mesmo sexo, pelo Conselho de Ministros, a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) que, já no período eleitoral, advertiu os católicos para o dever de não votarem em partidos que defendessem posições contrárias às da Igreja católica, reincide na mobilização das suas estruturas para pressionarem os Órgãos de Soberania na defesa de um referendo, na esperança de inviabilizar a igualdade dos cidadãos perante a lei, em função da sua orientação sexual.

Entendendo a AAP que os direitos individuais não são referendáveis e que a Assembleia da República tem inteira legitimidade para legislar sobre o casamento civil, repudia o comportamento abusivo da ICAR do mesmo modo que repudiaria o da Assembleia da República se pretendesse legislar sobre o casamento religioso.

A AAP censura e repudia a lamentável tentativa da CEP de condicionar os órgãos de soberania para impor os seus valores a quem não se revê na sua moral nem nos seus exemplos.

O bispo Sr. Jorge Ortiga, presidente da CEP, numa intolerável pressão sobre o Governo, afirmou: “Verificamos que o Governo, se sente autorizado pela autoridade popular de alguns portugueses, a fazer aquilo que quer e lhe apetece sem diálogo, sem ouvir, sem levantar as questões”, o que é falso, por ter sido o casamento entre pessoas do mesmo sexo discutido na campanha das últimas eleições legislativas e constituir, aliás, compromisso eleitoral do programa do Governo.

A Associação Ateísta Portuguesa nega ao clero católico a experiência e o exclusivo da autoridade em questões de casamento e, reafirmando a defesa do casamento civil e a legitimidade da Assembleia da República em melhorar o regime jurídico dos casais homossexuais, denuncia a coacção que a Igreja católica pretende exercer sobre quem tem o direito e a obrigação de legislar e repudia a vocação totalitária para impor os seus preconceitos, não apenas aos seus crentes, mas a todos os portugueses.

Em nome da laicidade e da separação Igreja/Estado, a Associação Ateísta Portuguesa repudia as manobras do episcopado católico para impor a sua doutrina sobre o casamento a todos os portugueses.

Associação Ateísta Portuguesa – Odivelas, 22 de Dezembro de 2009