domingo, janeiro 31, 2010

Um Conselho de Estado “de encomenda?”…

A discussão do OGE de 2010 permitiu esventrar a situação económica e social do País e revelar algumas desagradáveis surpresas.

Tudo indica que o OGE a ser votado na AR, permitirá ao actual Governo PS o exercício do poder executivo, durante este ano, com um conjunto de metas e objectivos caracterizados por ríspidos objectivos de austeridade, em consonância com os restantes Países da UE.

Na sua mensagem de Ano Novo, o Presidente da República, apelou às forças políticas que desenvolvessem esforços de negociação e de conciliação para assegurar a governabilidade, num difícil período de recuperação de uma profunda crise económica e social.

Os contactos desenvolvidos sobre a sombra tutelar do Governo levaram a intensivas negociações com o Centro-Direita e originaram diversos episódios picarescos, com abruptas variações de expectativas, com a finalidade de conseguir dividendos políticos. Desde logo, “sentia-se” que o PSD – desde há muito ajoelhado aos desígnios de Cavaco Silva – não tinha outra saída do que viabilizar o OGE.
À sua direita o CDS/PP pretendia desempenhar o papel de pivot nestas negociações e satisfazer a sua apetência de integrar o “arco do poder”. Nesse sentido, elencou um conjunto de medidas (duas dezenas?) que condicionariam a sustentação política ao OGE para 2010, mas que em termos de combate ao deficit orçamental pouco, ou nada, adiantavam para a sua redução programada em tempo recorde (até 2013).
O CDS cedendo no acessório procurava, acima de tudo, satisfazer as suas clientelas, insistindo no apoio às PME’s, na “reabilitação” da agricultura, etc.
O PSD foi mais genérico e abrangente e pretendeu negociar não só o actual Orçamento mas, simultaneamente, um conjunto de medidas a médio prazo, procurando inverter prioridades e alienar objectivos definidos pelo PS, de acordo com o seu programa eleitoral – nomeadamente lutando pela diminuição do investimento público e, consequentemente, pela contenção e controlo da dívida externa.

Rufaram os tambores quando foram divulgadas as posições do PSD e do CDS/PP quanto ao OGE.
Nenhum dos dois partidos – no final das “tão satisfatórias e promissórias” negociações - dará a cara pelo Orçamento. Ambos decidiram abster-se.
O governo não tinha qualquer razão para embandeirar em arco. Só o PS votará favoravelmente o OGE. A ratoeira está armada.

A abstenção dos partidos do Centro-Direita tem múltiplas interpretações. Uma delas será a “desresponsabilização” futura do vier a suceder.
Além disso, nenhum desses dois partidos estava interessado em provocar uma crise política de consequências imprevisíveis, nomeadamente, o PSD decapitado de uma direcção política de proximidade e, notoriamente, tutelado do exterior.

As tão saudadas negociações resultaram numa atitude política de “não compromisso” que viabilizavam este, e só este, OGE.
Sejamos realistas, em termos de estabilidade política, não há nada para comemorar.
Não se criaram consensos, nem se desenvolveram perspectivas, quanto ao futuro.
De certo modo, o PSD “falhou” na execução da missão que lhe tinha sido endossada pelo PR.

É perante este impasse que o PR decide, então, convocar o Conselho de Estado.
Mais uma reunião no sentido de sensibilizar a opinião pública para a necessidade de grandes consensos, do tipo dos acordos parlamentares, dos pactos de regime ou, de eventualmente, de coligações governamentais?
Ou, mais um facto político para ensanduichar o PS entre a Direita e o PR, alienando a Esquerda - considerada na sua abrangência - quanto às decisões sobre o futuro do País. Basta olhar para a actual composição deste órgão de consulta presidencial.

O mais provável é que seja uma "reunião de encomenda", ao serviço das teses que o PR explanou na mensagem de Ano Novo.

Centenário da República – Dr. João Lopes Soares

As comemorações do Centenário da República são um excelente pretexto para reflectir sobre uma das mais fecundas e estimulantes épocas da História de Portugal, sobre o que se fez, o que podia ter sido feito, o que não devia, e o que os adversários impediram. É altura de fazer o inventário do que foi possível, percebendo o que falhou e porquê, e regozijarmo-nos com os avanços a que o 5 de Outubro de 1910 deu origem.

É igualmente tempo de prestar homenagem aos republicanos cujo exemplo e dedicação à causa pública, ou contributo para o progresso social e intelectual, estão na génese do movimento das ideias que conduziu a esta Segunda República, estabelecida pelo MFA, em 25 de Abril de 1974, depois de uma longa e sinistra ditadura.

Entre os vultos da 1.ª República conta-se a figura íntegra de João Lopes Soares, escritor, político e pedagogo, que influenciou várias gerações de alunos que estudaram no estabelecimento de ensino que criou – o Colégio Moderno.

João Lopes Soares formou-se em Teologia pela Universidade de Coimbra, em 1900 e foi padre, a contragosto, para satisfazer a mãe. Foi capelão militar, de alferes até capitão, no Regimento de Artilharia n.º 2, em Alcobaça, donde transitou em 1905 para Infantaria 16, em Lisboa, onde se iniciou na propaganda republicana o que lhe valeu a prisão e transferência para o Regimento de Vila Viçosa, em 1908.

Implantada a República, foi sucessivamente Governador Civil dos distritos da Guarda, Braga e Santarém; deputado pelos Círculos de Guimarães e Leiria; ministro das Colónias, em 1919, e desempenhou outros cargos públicos. Apesar da notável carreira política, foi como pedagogo que mais se destacou e que a sua influência mais se fez sentir.

Não o impediu a sotaina de assumir a paternidade e de criar os filhos, um acto honrado de cidadão que o múnus não impediu. O primeiro foi Tertuliano Lopes Soares, de Joaquina Ribeiro da Silva, quando era capelão militar em Alcobaça, filho que educou e fez médico cirurgião; o segundo foi Mário Soares, de D. Elisa Nobre Batista com quem casou depois de lhe ter sido conferida a anulação das Ordens por sentença do Papa Pio XI em Agosto de 1927.

Ostracizado por Salazar, o antigo professor do Instituto Militar dos Pupilos do Exército, fundou em 1935 o Colégio Moderno, na Azinhaga de Malpique, hoje Rua João Soares, estabelecimento de ensino de rara qualidade, onde leccionaram muitos dos opositores da ditadura, como Álvaro Cunhal, Agostinho da Silva ou Álvaro Salema. João Soares foi autor de vários livros escolares, entre os quais se destacou o Novo Atlas Escolar Português, e autor ou co-autor de obras de conteúdo histórico, nomeadamente “Os povos orientais e a Grécia”, a “História de Roma e da Idade Média”, ambos de 1922, “A Idade Moderna e Contemporânea”, também de 1922, e “Os Quadros de História de Portugal”, de 1917, de parceria com Chagas Franco. Na área da Geografia, relevo também para: o “Atlas Auxiliar de Iniciação Geográfica” (1924); o “Atlas Histórico-Geográfico” (1924); e o já citado “Novo Atlas Escolar Português” (1926).

João Soares só não esteve na Rotunda, em Lisboa, para participar na revolução do 5 de Outubro de 1910, devido à morte de seu pai, no dia 4, em Arrabal (Leiria), mas após o 28 de Maio teve o seu nome associado a quase todas as intentonas contra a ditadura.

Detentor de sólida cultura e de notável espírito cívico, o salazarismo teve nele um adversário coerente e empenhado. Por isso sofreu o cárcere e a deportação para a Madeira e Açores, quem, já antes, em 1918, tivera de se exilar em Vigo (Espanha), após o golpe de Sidónio Pais.

Não beneficiou do reconhecimento público por ser pai de Mário Soares, insigne republicano e o mais eminente civil do regime democrático saído do 25 de Abril e da Constituição de 1976. O Dr. João Soares continua a ser uma referência para milhares de alunos que receberam excelente preparação académica e cultura cívica transmitidas no Colégio Moderno, uma escola de cidadania e viveiro de democratas.

Em prefácio datado de 1.º de Novembro de 1924, o Dr. João Soares defende um ensino que desperte a curiosidade, num processo em que o aluno seja levado a ver e a relacionar os factos, uma visão progressista de um pedagogo que abraçou a República que herdou da monarquia 70% de analfabetos e que passaria a obrigatoriedade escolar de 3 para 5 anos, período que o salazarismo, de novo, se encarregaria de encurtar.

Quando faleceu, próximo dos 92 anos, o grande republicano e emérito pedagogo tinha o filho, Mário Soares, exilado, a seguir-lhe o exemplo, acossado pela ditadura e a lutar pela liberdade.

O Dr. João Soares jaz, de acordo com a sua vontade, no cemitério das Cortes, na campa n.º 357, junto dos restos mortais de sua mãe, que falecera em 30 de Outubro de 1926.

Bibliografia: Jornal da Cortes (Manuel Paula Maça e Carlos Fernandes)

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31 de Janeiro


No início das comemorações do centenário da República é justo recordar o maior vulto político do período histórico de 5 de Outubro de 1910 a 28 de Maio de 1926.

Afonso Costa foi o grande legislador e ideólogo da República. Defensor da laicidade e progressista, teve contra si os reaccionários de sempre, particularmente virulentos na época. Perseguido por todos os ditadores, João Franco e Sidónio Pais, encontrou no 28 de Maio quem de forma persistente e implacável o denegrisse e odiasse, quer durante o exílio em Paris, quer depois da morte.

Orador brilhante, governante probo e perspicaz, deve-se-lhe a Lei da Separação entre a Igreja e o Estado, a primeira Lei do Divórcio e notável legislação no âmbito da família (protecção de filhos ilegítimos, das mães solteiras, etc.).

Como ministro da Justiça, das Finanças e chefe do Executivo, Afonso Costa foi sempre um político de rara envergadura, competência e honestidade.

Hoje, 31 de Janeiro, 119 anos depois da fracassada revolta do Porto, que foi o embrião da República, começam as comemorações do centenário da República.

O ódio que ainda hoje lhe devotam os meios clericais mostra como a Igreja se adapta mal à separação do Estado. De pouco vale a tentativa actual de disfarçar o acrisolado amor à ditadura e ao ditador Salazar referindo vozes isoladas, nessa altura condenadas pela própria Igreja, recordando os raros clérigos honrados. Mesmo esses, só apareceram depois de 30 anos de conúbio e de silêncio cúmplice com os crimes do salazarismo

Nesta segunda República, iniciada em 25 de Abril de 1974, lembrar o maior de todos os republicanos – Afonso Costa – é pagar uma dívida de gratidão e denunciar os que nunca aceitaram a laicidade e a República.

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CENTENÁRIO DA REPÚBLICA - 1910 - 2010

Começam hoje as comemorações. Celebrar esta efeméride marcante é afirmar os seus valores: igualdade dos cidadãos perante a lei; separação da Igreja e do Estado; valorização do ensino e legitimação do poder pelo voto. Merece comemoração digna. Laica e democrática.

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sábado, janeiro 30, 2010

Factos & documentos

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Curiosidades...

Católicos organizam manifestação contra casamento gay

Pergunta: Quem os obriga a casar com pessoas do mesmo sexo?

Quem cala...

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Feio, mentiroso e mau

O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair argumentou hoje que a decisão de invadir militarmente o Iraque foi certa, porque quis impedir Saddam Hussein de desenvolver armas de destruição maciça.

quinta-feira, janeiro 28, 2010

João Paulo II e a autoflagelação

A notícia de que JP2 se autoflagelava não surpreende quem conhece os hábitos do Opus Dei e a concepção do deus cruel do Antigo Testamento que se baba de gozo quando os crentes se mortificam.

Não se conhecem os pecados de JP2, um papa supersticioso que acreditava em deus, e que, certamente, julgava redimi-los com a dor física e actos cruéis sobre si próprio.

O papa polaco escreveu, em 1986, na sua carta anual aos padres.: «O que temos de ver nestas formas de penitência – às quais, infelizmente os nossos tempos não estão habituados – são os motivos: amor a Deus e a conversão dos pecadores».

Que haja um deus que se suborne com o sofrimento para converter aqueles que o Papa considera pecadores, diz bem da impiedosa imaginação dos homens da Idade do Bronze, que criaram o deus abraâmico à sua imagem e semelhança. Que um papa, por mais primário e supersticioso que fosse, acreditasse no método e em tal deus, só revela o primarismo da fé no ambiente rural e crédulo da Polónia da sua infância.

O hábito de dormir nu, no chão, é outro acto de masoquismo de quem pensava que deus existia e o veria na ridícula postura e impudica exibição. E o facto de desfazer a cama para enganar quem tinha a tarefa de a voltar a fazer é de quem não hesita em iludir para agradar ao seu deus.

A deriva retrógrada do Vaticano, em acelerado regresso ao concílio de Trento, vê-se, não só no exemplo pouco recomendável de Karol Wojtyla, mas na divulgação dos actos ridículos no livro da autoria de monsenhor Slawomir Oder intitulado «Porque ele é um santo, o verdadeiro João Paulo II».

Aquele santo, João Paulo II, precisava de companhia que lhe aquecesse os pés, não de um martírio que o conduzisse ao delírio místico de dormir nu, no chão. Necessitou de quem o tivesse levado ao médico para o medicar e evitado que se autoflagelasse.

Enfim, que a demência seja equiparada à santidade, para efeitos de canonização, é um direito de quem tem alvará para fabricar santos, mas não pode esperar de um deus que se regozija com as figuras tristes de quem acredita nele, que convença alguém a levá-lo a sério.

O deus cruel, vingativo, violento e xenófobo do Antigo testamento continua vivo na demência mística de quem julga representá-lo e a ser apontado como exemplo de infinita bondade.

Belmiro dixit: “Cavaco é um ditador…”


Numa entrevista informal à Revista Visão, refastelado na sua casa de Ambrães no Marco de Canavezes, o empresário Belmiro de Azevedo “abriu-se” com a jornalista Cesaltina Pinto. link


Nessa entrevista, Belmiro destacou em Marcelo Rebelo de Sousa, a característica de possuir uma ambiguidade polivalente. Disse: “O Marcelo é um pluri-pluri. Tem dez respostas, todas boas, para a mesma pergunta”.
Na verdade, Belmiro de Azevedo, nas múltiplas intervenções públicas que estrategicamente protagoniza, aproxima-se muito dessas “qualidades” que vê em Marcelo Rebelo de Sousa.
Fala sobre negócios, política geral, educação, etc. como se fosse uma pitonisa. Só que as primitivas pitonisas eram jovens virgens e Belmiro há muito que perdeu a virgindade quer na área empresarial, quer na política. Quando se lê a longa e dispersa entrevista deste grande empresário nortenho, ficamos com a sensação de que o mesmo vive uma incontornável frustração. Sendo, sem sombra de dúvida, “Il Cavaliere (do Norte)”, não conseguiu ser o “Berlusconi português”….
Caso contrário, teríamos uma outra entrevista…

Mas, na entrevista à Visão, a grande cacha mediática foram as suas afirmações sobre Cavaco Silva. Primeiro, revela que teve com o então 1º. Ministro, entre 1986 e 1992, uma relação muito boa.
De seguida interroga: “sabe porque zanguei fortemente com ele?” Perante a achega da jornalista – por causa da privatização do BPA? – respondeu: “Também. Mas isso são erros possíveis…”
E acrescenta: “O Cavaco é um ditador. Mandou quatro amigos meus, dos melhores ministros, para a rua, de mão directa.”.
Para quem critica a falta de rigor em tudo e a todos, esta concepção sobre ditadores é, no mínimo, extravagante,

Até porque, noutro passo da entrevista, interrogado sobre o ditador Salazar afirmou: “Salazar terá feito coisas relativamente importantes até à Constituição corporativa.. Depois tornou-se muito complicado.
Ficamos, portanto, sem saber se ditador é quem manda amigos embora do governo, ou se será aquele que se torna muito complicado. Complicado será, deste modo, um novo eufemismo empresarial para designar a ditadura salazarista. Tomamos nota.
Sem querer ser advogado do diabo – entendo que Cavaco Silva não é um Presidente da República que esteja à altura das necessidades do País - acho que complicado é, de facto, o poder económico intrometer-se na política… Não é?

Um velho adágio português caracteriza e sintetiza esta abrangente, eclética e polémica entrevista:
- não vá o sapateiro além da sovela...

A crise e os partidos

A crise interna do PSD não é apenas um problema para o partido, é uma desgraça para o país. Incapaz de decidir entre a matriz social-democrata, fiel ao legado de Sá Carneiro, e a tentação liberal, torna-se conservador nos costumes, errático na política e indeciso nas opções económicas, refém de caciques e de rivalidades tribais.

A continuar assim, o PSD deixa de ser imprescindível e corre o risco de ser prejudicial. Os líderes continuarão a ser consumidos na voragem da intriga e a ideologia substituída pelos assassínios de carácter dentro e fora do partido. Figuras como Fernando Nogueira, Marques Mendes e Leonor Beleza abandonaram o partido à tralha cavaquista e a figuras menores.

É difícil perceber o que tem separado o PSD do PS em matérias económicas, o que se propõe fazer melhor e onde, mas é fácil assistir à instrumentalização dos escândalos, reais ou inventados, para denegrir os adversários e deixar espaço à politização da Justiça através dos pouco recomendáveis líderes sindicais dos magistrados.

Desde o processo Casa Pia, passando pelo Freeport e Face Oculta, o PSD não esbanjou uma única ocasião para derrubar o PS através da suspeição dos seus dirigentes e, em especial, dos ataques ao primeiro-ministro. Chegou ao cúmulo de ter como único projecto de Governo o combate à «asfixia democrática», com a ajuda de avençados de Belém – um escândalo que exigia uma acção de despejo e desinfecção do palácio.

Enquanto o PSD, relevante na definição do regime português, se vai desgastando, surge Paulo Portas com ar de Estado a fingir que é tutor da democracia, quando deve ao PSD a chegada ao Governo e o branqueamento do passado na cena internacional, donde tinha sido afastado da família conservadora e remetido para a extrema-direita.

É doloroso ouvir Paulo Portas, sem contraditório, referir os partidos com vocação de poder, o que, traduzindo o seu pensamento, significa afastar o PCP e o BE da esfera das negociações governamentais, quando a higiene recomendaria ao PS alguma distância de Portas e dos que expulsaram da sede a foto do fundador do partido. Em democracia, não há partidos bons ou maus, como pretende Portas, no seu maniqueísmo de raiz totalitária. Há partidos maiores e menores, conforme o número de deputados.

Foi pena que o PCP e o BE, em luta pela hegemonia da esquerda à esquerda do PS, não tenham negociado o apoio ao Orçamento, libertando Sócrates das amarras do CDS. Ao excluírem-se, com ou sem culpa do Governo, podem ter contribuído para enfraquecer o PS mas colaboraram na recuperação da imagem do PR e na aceleração do regresso da direita ao poder.

E não sabemos que direita.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Perigosos revolucionários

Com as mesmas reservas do comentário anterior, venho pôr à consideração dos comentadores uma coisa que vi e ouvi no noticiário das 21H00 da SIC Notícias.

O inevitável Mário Moura Guedes, perdão, Mário Crespo, entrevistou o erudito Bagao Félix sobre o orcamento de Estado, e, depois de muito dizerem, acabaram por concordar em que, perante tal orçamento, era precisa "outra revolução"!

Nem mais nem menos!

VATICANO À BEIRA DA FALÊNCIA?

Problemas de vária ordem (a comecar, como podem ver, pelo computador) têm-me impedido de colaborar no blog com a assiduidade que eu gostaria. Deixo por isso a cargo do C.E. e outros com mais tempo e mais bem informados os comentarios a uma noticia das "Breves" que vinha no Diário de Coimbra de domingo passado , na pag. 13, e que me deixou muito alarmado.

Ei-la, na íntegra: "O VATICANO lancou um apelo à generosidade dos fieis, referindo que as suas finanças apresentam 'dificuldades persistentes'. A maioria das despesas diz respeito a pagamentos com pessoal, à Rádio Vaticano e outros meios de comunicação."

E esta, hein?

Há 65 anos. Não esquecer o Holocausto

fernanda câncio

in jugular

fizeram-se esvaziar os camiões, e depois nagel deu ordens para que fossem escolhidos os judeus que iam cavar, os outros ficariam à espera. um hauptscharführer fez a selecção, foram distribuidas as pás; nagel formou uma escolta e o grupo internou-se no bosque. os camiões tinham voltado a partir. olhei para os judeus: os mais próximos de mim pareciam pálidos, mas calmos. nagel aproximou-se e apostrofou-me vivamente, designando os judeus: 'é necessário, está a entender? em tudo isto, o sofrimento humano não deve ser tido em conta seja como for.' -- 'sim, mas apesar de tudo conta para alguma coisa'. o que eu não conseguia compreender era isto: o abismo, a inadequação absoluta entre a facilidade com que se pode matar e a grande dificuldade que deve haver em morrer. para nós, era mais um maldito dia de trabalho; para eles, era o fim de tudo.

(as benevolentes, jonathan littell, dom quixote, pág 84)

Preâmbulo orçamental - a informação necessária...


O OGE 2010 foi construído e negociado (com o CDS/PP e o PSD), sob a sombra tutelar das agências de rating.
O intuito era sossegá-las...
Hoje, essas agências insistem em "colar-nos" à Grécia.

Indiferentes aos cortes orçamentais, as referidas agências, advertem que, se o Governo não reduzir o défice, a avaliação da dívida vai ser revista em baixa e Portugal terá mais dificuldade em recorrer ao crédito estrangeiro.

A agência Moodys - segundo a análise de Anthony Thomas - afirma que, para evitar uma deterioração do rating no prazo de um ou dois anos, este orçamento tem de incluir estímulos à competitividade e medidas que apontem no sentido da consolidação fiscal.

A competividade é uma das vertentes que se encontra ligada à produtividade do sector privado da economia nacional. Os estímulos à competividade da responsabilidae do Estado circunscrevem-se aos subsídios e a prémios que o mercado aberto da UE não permite, por condicionarem uma adulteração da concorrência.
A consolidação fiscal vem sendo feita há varios anos e, julgo, vai prosseguir.
Este eufemismo sobre a "consolidação fiscal" mais parece um convite ao agravamento da carga tributária, do que outra coisa.

A impressão é que, apesar das drásticas medidas de redução da despesa, o sector financeiro e as agências de notação de risco de crédito, nunca estão satisfeitos (mesmo antes da discussão do OGE!)...e defendem medidas muito próximas de uma grave ruptura social.

A sensação residual é de que o País está emparedado. O Governo necessita de explicar, com urgência, aos portugueses , de modo claro, directo e inteligível, a situação económica, financeira e de defice orçamental em que nos encontramos. E se, o OGE proposto, garante o serviço da dívida.
Mas não basta discutir o OGE na Assembleia da República. Os cidadãos necessitam de ser informados, já (!), para não entrarem em "histeria"...

Caso contrário, é a desconfiança, o desânimo, o "desastre"...

Em defesa da laicidade

Um comitê parlamentar da França recomendou hoje que o país proíba o uso, por mulheres muçulmanas, do véu islâmico integral, o niqab, em edifícios públicos, incluindo hospitais, e também no transporte público.

Além disso, o órgão recomendou que não se conceda cidadania para qualquer um que demonstre sinais visíveis de "prática religiosa radical".

terça-feira, janeiro 26, 2010

Ponte Europa


Faleceu ontem e realiza-se hoje o funeral do pai do advogado Luís Grave Rodrigues, nosso prezado colaborador.

Ponte Europa apresenta a Luís Rodrigues e à sua família sentidos pêsames.

Igualdade perante a lei

Coimbra - Centenário da República

MOVIMENTO CÍVICO DE COIMBRA PARA AS COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DA REPÚBLICA – FUNDAÇÃO INATEL / AGÊNCIA DE COIMBRA – ALTERNATIVA / ASSOCIAÇÃO CULTURAL – ASSOCIAÇÃO 25 DE ABRIL / DELEGAÇÃO DO CENTRO

Abertura das Comemorações – Domingo – 31 de Janeiro

PROGRAMA

Cidadãs / Cidadãos

As Comemorações do Centenário da República vão iniciar-se no dia 31 de Janeiro, próximo domingo.

O Movimento Cívico de Coimbra para as Comemorações do Centenário da República, a Fundação Inatel – Agência de Coimbra, a Alternativa – Associação Cultural e a Associação 25 de Abril (Delegação do Centro), tem o prazer de lhe anunciar o Programa previsto para esse Dia Festivo.

Solicitamos a todos que, nesse dia, em todos os momentos do Programa, sejam portadores de roupas em que sobressaiam as cores da República, bem como de bandeiras nacionais, condecorações, emblemas, que demonstrem um espírito festivo e descontraído.

Vamos concentrar o Programa na Praça da República:

1. Convidamo-la (o) pelas 13h00 para o almoço de confraternização no Restaurante Piazza, no espaço do antigo Café Moçambique, com entrada pela Rua Oliveira Matos. O restaurante tem duas salas com capacidade para até 100 pessoas, o que nos parece bem. O menu completo – entradas, bebidas, prato de carne, doce, fruta e café, está negociado para 15 euros. Agradecemos a sua inscrição, até ao limite de 27 de Janeiro, quarta-feira, depois de amanhã, pelas 12h00, para José Dias, por correio electrónico jdias@inatel.pt ou telemóvel – 919726959. Decoraremos o Restaurante com a Bandeira e um Busto da República.

2. Pelas 15h30, na Praça da República, junto ao Café Cartola, acompanharemos a actuação dos Dixie Gringos, podendo conviver, dançar e agitar as nossas bandeiras, numa confraternização bem popular. A divulgação que possa fazer, a mobilização e a participação de muitos, será importante para o êxito desta parte.

3. Pelas 17h30, no Teatro Académico Gil Vicente, vamos assistir ao Concerto de Abertura, da responsabilidade do Grupo de Instrumentos de Sopro de Coimbra, liderado pelo Maestro Adelino Martins. Concerto gratuito, devido ao Apoio da Fundação Cultural da Universidade de Coimbra TAGV, podendo os bilhetes ser levantados, desde já, na bilheteira. Decorrerá até às 19h00 e será antecedido de um breve momento político, em que a Comissão Cívica divulgará um texto alusivo à data do 31 de Janeiro e à República.

Saudações Republicanas

Coimbra, 25 de Janeiro de 2010

Pel’os organizadores

A Comissão Cívica de Coimbra para as Comemorações do Centenário da República

Momento de poesia

Dissertação sobre o infinito…


Impossível contar as marcas

que deixaste atrás de ti

o mundo ainda não acabou

nem tão cedo acabará

enquanto os deuses não desistirem

por cansaço

de desviar o meu caminho.

Alexandre de Castro

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Sentido de cidadania


Ou crês ou morres


Curiosidades...


Jorge Sampaio - referência ética e política

Sampaio quer convergência de esforços para acabar com corporativismo

Jorge Sampaio, que recebeu o grau de doutor "honoris causa" da Universidade de Coimbra, defendeu ainda a importância de um compromisso político para a provação do Orçamento de Estado.

domingo, janeiro 24, 2010

OGE - Paulo Portas submerge e balanceia-se entre o “construtivismo” e o “intuicionismo…”

Afinal, depois de tantos sorrisos e de tantas proclamações de vencimento das suas teses, o CDS/PP encontra-se com o melhor da tibieza política a que Paulo Portas nos habituou, ao longo de uma carreira política oscilante, e, nessa linha, este dirigente vai propor à sua bancada parlamentar uma novidade: “ a abstenção construtiva” … !!! link

Ninguém deve conhecer este neologismo político.
Na verdade, correndo o risco de ter uma interpretação subjectiva, o malabarismo retórico de Paulo Portas, não me parece distante do acto de privar-se, refrear, abandonar o compromisso com a situação grave que o País enfrenta, para ganhar espaço político, no futuro.

Assim, esta “abstenção construtiva” … não andará longe da expressão popular: uma no cravo, outra na ferradura.

Na próxima terça-feira veremos o que se vislumbra no projecto governamental de OGE a ser apresentado à AR:

Nomeadamente, procuraremos encontrar esta cantilena:
"Mais polícias nas ruas, rigor no rendimento mínimo, diminuição do PEC, majoração do subsídio de desemprego para famílias com menores a cargo em que ambos estão na situação de desemprego, prazos mais curtos para o reembolso do IVA, compensação de créditos com o Estado e maior atenção ao mundo rural, ....”

Na verdade, trata-se de um enunciado que, satisfazendo a clientela política do PP, em nada contribui para o equilíbrio orçamental do País.
É um apoio com uma dupla face:
- Essencial, para "dar" ao País um Orçamento;
- Para o País, sobra a vaga intuição de uma enorme fatuidade.

O CDS/PP com esta novidade da “abstenção construtiva” prepara-se para fazer um novo “negócio da China”, do tipo, ou segundo o modelo, do “negócio dos submarinos”.
Com o privilégio de ficar na fotografia como um responsável “construtor” da viabilização orçamental.

Portas, neste terreno, debate-se entre duas vertentes:

O “construtivismo” será, ao permitir a aprovação do OGE, endossar a responsabilidade pelas medidas duras e impopulares - ao que parecem inevitáveis - para o PS.
O “intuicionismo” será resguardar-se para no futuro desempenhar, em competição com o PSD, um papel relevante no seio da oposição de Direita ao Governo.

A demagogia vive destas duplicidades..., melhor diria, destas ambiguidades!

sábado, janeiro 23, 2010

Pensamento sobre "negociações orçamentais"...


"O político é aquele indivíduo que pede dinheiro aos ricos e votos aos pobres, prometendo, se eleito, defender uns dos outros..."


James Buchanan [*]


[*] - James M. Buchanan Jr. nasceu em Murfreesboro, Tenessee, em 1919. Dedicou a maior parte de sua vida académica à Universidade George Mason , na Virginia, onde foi director do "Center for the Study of Public Choice".
Em 1986, foi laureado com o Prémio Nobel de Economia.

OGE – passeando nas margens da anarquia… ou da aberração!

Ainda não são conhecidas, cabalmente, as medidas constantes do OGE resultante do acordo do PS com a Direita.

Mas os primeiros sinais são, para além de sugestivos traços de "impregnação direitista do OGE", deveras preocupantes.

O aumento para 15%, das contribuições para a Caixa Geral de Aposentações, vai onerar todos os serviços públicos.
Os serviços do Estado vão ter, cada vez mais, dificuldades orçamentais.
A justificação é o Estado poder garantir, a longo prazo, as pensões, salários da função pública e “apoios sociais” diversos como, por exemplo, os subsídios de desemprego.

Em que gaveta foram enclausuradas as projecções da última “reforma” da Segurança Social, feita pelo XVII Governo Constitucional (Governo da maioria absoluta do PS), que anunciavam – apesar do envelhecimento da população - a sustentabilidade financeira do sistema até 2050? link

Aliás, fora deste inusitado acordo (PS/CDS e na sombra PSD) um colóquio na SEDES com a intervenção de um ex-ministro socialista de seu nome Luís Campos e Cunha, vem, no capítulo da redução das despesas, questionar a dimensão do Estado. Assim, considera 3 grandes áreas: os serviços nucleares circunscritos à Defesa e Justiça, no extremo oposto o “mundo empresarial e financeiro” fora do âmbito estatal e, ao que parece, fora, também, de qualquer regulação e, finalmente, uma “zona cinzenta”, onde se encaixa o Estado Social (Saúde, Educação e Segurança Social).
Exactamente a visão neo-liberal que conduziu à actual crise financeira, económica e social (por esta ordem). Os ingredientes estão todos lá. Portanto, a aplicação desta concepção, só poderá apressar uma nova (e mais devastadora?) crise.

A máxima neo-liberal – menos Estado, melhor Estado – ganha, com o beneplácito complacente da Direita, novos e mais diversificados adeptos, deixando por explicar o papel fulcral do Estado na "resolução" da crise monetária de 2008... até aos dias de hoje, em que pretendemos usar o OGE 2010, como um instrumento capturado pelos economistas ao poder político, para decidir acerca do "nosso" futuro.
Só não explica como o Estado, um incansável e coercivo cobrador de impostos, taxas, emolumentos, etc. não sente a mínima obrigatoriedade de assumir, perante os cidadãos, um inviolável compromisso de retorno, que ao menos, assegure o indispensável na área social…,ou seja, um esbatido e pálido esboço de preocupações sobre o bem-estar dos cidadãos.

Na inconcebível confabulação de Luís Campos e Cunha na SEDES - quando penso que esta enfadonha personalidade foi Ministro das Finanças do XVII Governo Constitucional fico à beira da apoplexia … -, onde a contracção da dimensão e da intervenção do Estado na vida pública (parece que desistimos de ser uma República…!) atingiu patamares alucinatórios, só faltando sugerir o regresso às concepções anárquicas de extinguir o Estado e o Governo, faz-nos recear pelo futuro deste País.
Assim, teríamos um País:
"Sem deus, nem pátria, nem patrão e na utopia do fim dos governos e governados, a liberdade imundava o Mundo....".

E, obviamente, livrávamo-nos do “pesadelo” que todos os anos, o OGE -independentemente de governos minoritários ou maioritários - representa para os cidadãos, nomeadamente, para os socialmente e economicamente mais frágeis e vulneráveis que, ano após ano, são expoliados de direitos e garantias.

Acaso, neste orçamento de crise, discutiu-se a hipótese (mesmo só a hipótese) da tributação das opulentas fortunas ou dos vultuosos bens patrimoniais?

sexta-feira, janeiro 22, 2010

A candidatura de Manuel Alegre

A candidatura de Manuel Alegre é uma candidatura credível e potencialmente ganhadora, como alias demonstram recentes sondagens de jornais insuspeitos. É uma candidatura marcadamente de esquerda, socialista, republicana e laica.

As unicas reticências que se lhe opõem por parte de alguns tecnocratas e oportunistas do PS são as de que ele seria demasiadamente conotado com a esquerda para conseguir captar votos do "centrão", isto é, do centro direita.

Ora a esquerda tem de se afirmar como tal, e uma "esquerda" que tem vergonha de ser esquerda não é esquerda. Vale mais perder com honra do que "ganhar" com oportunismo para tudo ficar na mesma.

AAP - Mensagem do presidente

OGE – considerações marginais sobre um anunciado acordo …


Não conhecemos, ainda, o texto final (nem os termos) do acordo entre o PS e o CDS, construído sob a vigilância - de proximidade - do PSD, para o próximo OGE.
Logo, todas as análises, pecam por défice de informação.

Conhecemos, no entanto, a justificação política para este “acordo”. Isto é, a necessidade de enfrentar, com alguma solidez, os tempos difíceis que se avizinham…
O PS - era visível - não desejava arcar sozinho com o ónus de tomar medidas drásticas e impopulares. O “apelo presidencial” às negociações foi, mais do que uma estratégia política para o País, uma jactância de quem gosta de se intrometer na esfera governamental e da AR.
O PS, conhecidos os resultados eleitorais, desde o primeiro dia, que precisava de concertar e obter a “tolerância” da Oposição. Tal facto não era viável à Esquerda. Restava-lhe “negociar” com a Direita, nomeadamente, com o CDS que, desde a primeira hora, se pôs em bicos de pé e disponibilizou-se para integrar o chamado “arco do poder”.

Quem seguiu de perto a campanha eleitoral para as Legislativas pode constatar as divergências de posições entre os diferentes partidos para enfrentar a crise.
Entre o PS e a Direita a grande divergência podia-se resumir a um conceito: o incremento do investimento público. A Esquerda cedo se afastou das negociações já que a sua tónica se centrou nas medidas sociais, nomeadamente, no combate ao desemprego.
Vamos esperar para ver onde, e de que modo, o novo OGE contempla e “resolve” estas divergências.

Este acordo vai merecer as parangonas da comunicação social. O CDS vai colher a maior fatia deste bolo. O PSD ficará na antecâmara, atento, reverente e obrigado. Vive um momento de incerteza política e vagueia pelos corredores do poder sem rei nem roque. Pior, um dos assumidos candidatos à liderança – Pedro Passos Coelho - manifestou-se, abertamente, contra este tipo de viabilização do OGE. Portanto, a obtenção do acordo é uma vitória de Piro que, não traz uma estabilidade duradoura para o País. Se, daqui a alguns meses, o PSD encontrar um novo líder e, este, estiver em desacordo com as medidas orçamentais, recomeça um novo ciclo de instabilidade, mau grado a sustentação que o CDS, neste momento, parece oferecer.

Entretanto é necessário por os pés no chão. A anunciada abstenção do PSD fragiliza o acordo, tornando-o coxo. O PS – nomeadamente Mário Soares - conhece a fidelidade de Portas em relação a apoios pontuais, mantendo-se fora do Governo. O percurso do CDS durante os governos de Durão Barroso e Santana Lopes é vivido em circunstâncias diferentes. Era a Direita aliada. Agora é a Direita que quer influenciar, de fora, a agenda política e económica. E o busílis é exactamente esse – estar de fora.

De resto, ainda é cedo para opinar. Voltaremos a esta questão oportunamente.

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Gato escondido com o rabo de fora…

Pedro Santana Lopes tem andado numa azáfama a fim de conseguir as assinaturas necessárias para convocar um Congresso Extraordinário do PSD.
Bem, a azáfama não tem sido tão absorvente como isso. Pelo meio ainda arranjou tempo para receber – num ambiente quase sepulcral – uma condecoração (Grã Cruz da Ordem de Cristo) do Presidente da República…
Santana Lopes ao receber a Grã Cruz da Ordem de Cristo levantou, inopinadamente, a ponta do véu sobre a sua reiterada insistência em convocar o Congresso Extraordinário. Partilhou a distinção - que lhe foi atribuída pelo Presidente da República - com os que com ele "serviram o governo de Portugal"...
E “eles”, les compagnons de route da "epopeia" (trágico-cómica) govervativa de Santana Lopes, estiveram em força na cerimónia, incluindo putativos candidatos à liderança como, p. exº., Aguiar-Branco... .

Ao que parece lá conseguiu assinaturas suficientes para convocar o Congresso. Santana Lopes “adora” aqueles ambientes…
Eles permitem-lhe, divagar sobre o "primitivo" PPD, evocar Sá Carneiro, o distanciamento racional de Cavaco, o seu conturbado percurso de autarca, etc, e põe a nu o seu estofo de indefectível partisan das lutas dos bastidores. Não haverá muitos como ele.

O empenho do agraciado Dr. Santana Lopes pela realização do Congresso não foi bem recebido pelos barões do PSD que estavam mais interessados em ”cozinhar” uma solução de compromisso institucional, desenhada (liderada?) pelo Prof. Marcelo Rebelo de Sousa.
Mas - acima de tudo – o que tornava mais incompreensível a sua insistência, era a sua prévia declaração de não ser candidato a líder.
O Congresso seria, portanto, ou um foro de discussão do tipo das tertúlias literárias, ou, uma arena para ajuste de contas do seu falhado Governo, que sucumbiu no meio de desavenças internas em 2005, donde o PSD nunca mais se libertou...

Ontem, Pedro Passos Coelho, em cerimónia concorrida, fez a apresentação pública de um manifesto eleitoral, sob a forma livresca, com o título “Mudar”!

Todas estas movimentações - parecendo independentes umas das outras - são abertura da campanha para a nova direcção do PSD...

Haverá, ou não, conjugação de interesses? As manobras de bastidores já começaram?

Entre os presentes destacava-se uma ampla representação de membros do núcleo duro de Pedro Santana Lopes, como Pedro Pinto, Rui Gomes da Silva, etc.

A partir daí começou a ser inteligível o forcing de Pedro Santana Lopes.

Erros jurídicos nos meios de comunicação social

É por vezes exasperante a falta de rigor com que os jornalistas tratam questões jurídicas. A calinada mais frequente é a utilização incorrecta do termo interpor: "fulano interpôs acção de indemnização contra sicrano". Veja-se exemplos disto aqui e aqui. Ora as acções não se interpõem, ao invés propõem-se ou intentam-se, o que se interpõe são os recursos e as providências cautelares. Isto porque interpor significa "colocar (um obstáculo) entre algo e algo", ou seja, no caso de um recurso, reclamar de uma decisão obstaculizando ao início da sua força de caso julgado e à sua executoriedade, ou no caso de uma providência cautelar, colocar um obstáculo à produção de um determinado facto com relevância jurídica. Quando se propõe ou intenta uma acção, inicia-se um processo novo contra uma determinada pessoa.

Outra calinada que se vai popularizando é o uso do conceito arguido, referindo-se ao réu em processo civil. Só é arguido quem é sujeito processual em processo penal, nunca em processo civil. O termo arguido é um conceito relativamente recente no direito processual penal português. Antes da reforma penal e processual penal dos anos 80, também se lhe chamava réu, no entanto esta reforma foi essencialmente uma importação do direito penal e processual penal alemão, sendo arguido um conceito daí originário- é a tradução do alemão Beschuldigter (literalmente "acusado"), por oposição a Beklagte (literalmente o "processado", o reú em processo civil).

A maioria dos jornalistas possui hoje em dia licenciaturas em jornalismo ou em comunicação social, em que se leccionam cadeiras de direito adaptadas às necessidades da profissão. É de exigir um mínimo de rigor por parte dos jornalistas na abordagem de temas jurídicos.

A indústria dos milagres e Pio XII


O Papa não é obrigado a ser crente, mas tem o dever de preservar a fé e de a promover. Não admira, pois, que, apesar do descrédito dos milagres e da santidade, ainda insista no negócio das beatificações e canonizações para contentar os crentes e competir com a concorrência.

Que um torcionário tivesse sido beatificado entre centenas de bem-aventurados cuja santidade se manifestou sobretudo no ódio à República espanhola, é um detalhe que não embaraça um papa que trocou os milagres avulsos pela produção industrial.

Bento XVI foi o ideólogo de João Paulo II, supersticioso, muito provavelmente crente, que canonizou monsenhor Escrivà de Balaguer, admirador de Hitler e indefectível de Franco, depois de lhe ter adjudicado três milagres, um acto de gratidão pela solução encontrada em vida para o escândalo do Banco Ambrosiano.

As canonizações são pias condecorações póstumas, de que a teocracia do Vaticano tem o alvará, iguais às veneras que nos países laicos fazem comendadores e cavaleiros, para gáudio dos agraciados, pagamento de favores ou distinção de méritos públicos.

Não se percebe, à primeira vista, a batalha que o actual pontífice trava para elevar aos altares o Papa de Hitler, Pio XII, quando o Vaticano é uma criação de Benito Mussolini e este foi considerado, pelo infalível Papa de serviço, como enviado da Providência.

O nazismo, sendo um fenómeno de natureza secular, contou com a solícita colaboração de padres católicos e de pastores protestantes que forneceram as certidões de baptismo, permitindo, por exclusão, mais facilmente diagnosticar os judeus. E quem se admira do ódio aos «pérfidos judeus» que nasceu com um dissidente, Paulo de Tarso, e alimentou o cristianismo até ao concílio Vaticano II? O anti-semitismo é a tara dos monoteísmos prosélitos que provieram do judaísmo.

A insistência de Bento XVI na canonização de Pio XII, além da simpatia ideológica pelo antecessor, é uma tentativa de branquear o passado anti-semita da sua Igreja, como se não tivesse havido Cruzadas, a Inquisição não tivesse perseguido judeus, os papas não os tivessem odiado e não os execrasse o Novo Testamento.

Os quatro Evangelhos (Marcos, Lucas, Mateus e João) e os Actos dos Apóstolos têm, segundo Daniel Jonah Goldhagen (in A Igreja católica e o Holocausto) cerca de 450 versículos explicitamente anti-semitas, uma média de «mais de dois por cada página da edição oficial católica da Bíblia».

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Nigéria - Conflitos religiosos

Pelo menos 200 pessoas já morreram até esta quarta-feira em confrontos entre cristãos e muçulmanos na cidade de Jos, na região central da Nigéria, de acordo com o organização não-governamental Human Rights Watch.


A Objecção de Consciência



Conta-nos o «Diário de Notícias» que, ao que parece, há por aí Conservadores e funcionários das Conservatórias do Registo Civil que pretendem recusar-se a celebrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo, alegando como fundamento para tal decisão a sua «objecção de consciência».

Pois bem:
Tenho a declarar que concordo plenamente com estas pessoas!

Não que a sua objecção tenha alguma espécie de fundamento legal, que obviamente não tem.

Mas pura e simplesmente porque essa objecção, mesmo que não seja legal, é de «consciência», e isso revela sentimentos e uma opção ideológica que não podemos desprezar e que num Estado de Direito, por muito que não concordemos, nos cumpre a todos respeitar.

Assim, constitui minha firme opinião que qualquer funcionário ou Conservador do Registo Civil que, por força dos seus inabaláveis sentimentos de homofobia e de preconceito ou discriminação para com os demais cidadãos, pretenda alegar «objecção de consciência» para se recusar a desempenhar as funções para que o Estado lhe paga e para celebrar casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo, deve ser respeitado nessa sua decisão.
Deve-lhe ser principalmente permitido assumir uma posição de coerência e de honestidade intelectual.

Deste modo, mal qualquer funcionário alegue «objecção de consciência», penso que deve ser-lhe permitido demitir-se imediatamente da Função Pública!

terça-feira, janeiro 19, 2010

HAITI - the american aids way...

Forças helitransportadas americanas "assentaram arrais" nos jardins do Palácio presidencial, em Port-au-Prince, ferindo o orgulho nacional de muitos haitianos que consideram, este acto, um atentado à sua soberania, como referem alguns dos media locais... link

Bem. Não havia necessidade!

HAITI - Hillary vs Catherine… et le talent de bien faire…

A UE será um dos principais contribuintes mundiais para a ajuda humanitária ao desastre haitiano.
Contribuirá com cerca de 400 milhões de euros, enquanto, p. exº., os EUA o montante a despender será de cerca 100 milhões de dólares.
Mas, nos meios de comunicação internacionais, a presença americana “apaga” todos os restantes cooperantes, enquanto as imagens difundidas para o Mundo mostram yankees em todas as esquinas e ruas de Port-au-Prince. São porta-aviões, helicópteros, GI’s, é o controlo do aeroporto e do espaço aéreo, etc.

Este cenário não é inédito. Com as devidas especificidades já foi assim a quando do tsumani de 2004, onde, também, a UE, acabou por pagar a maior factura, enquanto assistíamos a filantrópicas de militares americanos lançando sacos de arroz com a inscrição “EU Aid”.

A 16 de Janeiro chegava ao aeroporto de Port-au-Prince, Hillary Clinton, com grande alarido e rodeada de desproporcionados meios mediáticos para anunciar, e sublinhar ao Mundo, o empenho americano.
Onde estava, nesse dia, Catherine Ashton?
1. No Haiti? Com certeza que não, porque o tráfego aéreo estava muito saturado…e uma catástrofe da dimensão da do Haiti será – em termos de diplomacia e humanitários – para a Senhora Comissária pouco significativa. É muito mais cómodo um weekend in London…

2. Em Bruxelas, a coordenar a ajuda europeia? Não! Errou. ..
Ela estava tranquila em Londres e só regressou a Bruxelas no dia 18, para presidir ao conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros da UE…

Confrontada com esta situação a explicação dada, através do seu porta-voz, foi curta e sucinta: Nós não queremos fazer “turismo do desastre”…!!!
Entretanto, para "salvar" a honra da casa, o Secretário de Estado francês para a Cooperação, Alain Joyandet e o Comissário Europeu para a Ajuda Humanitária, Karel De Gucht, estavam, ou dirigiam-se, para o Haiti.

Enfim, a situação da Srª Catherine Ashton é cada dia mais frágil. A sua prestação perante o Parlamento Europeu foi decepcionante, nomeadamente em relação a áreas sensíveis da política externa europeia, como é o caso da situação no Médio Oriente e as relações com a Rússia, onde não foi capaz de explicitar qualquer estratégia para além de andar a reboque dos EUA. Agora, no Haiti, nem consegue apanhar uma boleia para Port-au-Prince. Receia que os americanos demorem a autorizar a sua aterragem.
Porque, Catherine Ashton deveria, enquanto representante dos Negócios Estrangeiros da EU, saber que, em diplomacia, não contam somente os actos, sendo , também, importante o simbolismo político e institucional da presença física (visibilidade) no terreno.

Porque, em meu entender, os haitianos nem sequer sabem que Bruxelas existe…

Momento de poesia


Dissertação sobre as tempestades…



Desatei os nós dos dedos

e libertei os ventos

dos teus cabelos

o Sol já se afogara no mar

poente

quando desliguei o interruptor

para apagar a luz da Lua

fez-se a escuridão que tanto desejavas

para que eu pudesse adivinhar

os mistérios do teu corpo

e eu já tinha guardado a tempestade

na concha das minhas mãos.

Alexandre de Castro

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Cumplicidades...

HAITI - Memórias e Reflexões sobre Lisboa e Voltaire…


O catastrófico drama que se vive hoje em Haiti fez-me recordar o devastador terramoto de Lisboa de 1755.

A tragédia de Lisboa abalou os meios filosóficos europeus. O terramoto atingiu profundamente as concepções do Mundo – vigentes na época – e impressionou de modo profundo Voltaire.

O fenómeno natural ocorrido “não cabia” na doutrina criacionista então vigente na Europa.
Voltaire sofre uma profunda desilusão e reage violentamente usando, como instrumento, a literatura. Socorre-se da obra “Cândido” uma comédia romântica e abre, na época, uma tensa (e intensa) controvérsia filosófica em que a ICAR é o alvo central.
Defende que só os ingénuos, ou os incautos, podem continuar a acreditar que a Humanidade habita um “Mundo de Bem, regido pela misericórdia divina…

A Igreja respondeu, prontamente, a este questionar da essência divina da matriz criacionista, em directo choque com as verdades bíblicas.
Os sábios de então (ainda hoje sobrevivem por aí alguns…) discutiam o meio eficaz para prevenir a ruína da cidade. A Universidade de Coimbra encontrou a solução. Resolveu organizar um espectacular e cerimonioso auto-de-fé, como panaceia para enfrentar as telúricas manifestações da natureza.

O Haiti, felizmente, está livre deste tipo de exorcismo, embora existam incríveis reminiscências como a do clérigo evangelista norte-americano Pat Roberson que julga estar o Haiti a ser vítima de uma “maldição divina”, subsidiária de fantasmagórico “pacto com o demónio”, orquestrado em ritos vudu.
O sismo que destruiu o Haiti seria, deste modo, uma punição divina do levantamento de escravos do 1º. de Janeiro de 1791, contra a colonização francesa e que conduziu ao nascimento do primeiro País independente da América Latina.

Persistem, ainda, na cabeça de “visionários”, ódios ancestrais que nem as catástrofes – naturais e humanas – conseguem resolver (ou dissolver).
Ou, então, homens que erraram na profissão, i.e., em vez de clérigos evangelistas com projecção mediática, deviam ser charlatães encartados do tipo dos videntes e especuladores “astrólogos” que, diariamente, enxameiam as páginas de anúncios da nossa Imprensa..

domingo, janeiro 17, 2010

Bento XVI, a comunidade judaica e o “papa de Hitler”…


Bento XVI encontra-se hoje com o rabi Ricardo di Segni numa sinagoga de Roma…

Aparentemente vai numa missão ecuménica para promover o diálogo inter-religioso. Na verdade, vai – mais uma vez ! – pedir desculpas por actos impensados, irreflectidos e provocatórios.

Estas “caminhadas de desculpabilização” têm sido uma marca do pontificado deste papa.
Tudo começou na Universidade de Ratisbona com a famosa evocação de uma citação do imperador bizantino Manuel II - o paleólogo, que podendo encerrar meias verdades, foi manifestamente infeliz e despropositada e ofereceu aos defensores de um ecumenismo límpido e transparente, uma ideia beligerante da religião muçulmana e uma imagem violenta do profeta Maomé. A “racionalidade” no Vaticano sobre o diálogo religioso entre as religiões monoteístas abrâmicas, sofre do vício da soberba e evidencia a preponderância de um conceito cristão-cêntrico.
Algum tempo depois, deixando à porta os seus sapatos Prada®, ajoelhava-se – virado para Meca - na mesquita de azul de Istambul (ele gostaria que fosse ainda Constantinopla…) perante o Grande-Mufti de Istambul, Mustafá Cagrici.
Vinha penitenciar-se do discurso de Ratisbona, pedir desculpas e, publicamente, renegar (sem desmentir) a citação evocada.

Este é o início das peregrinações de desgravo deste papa. Seguiram-se outras…

Esta última, que desencadeou a presente romagem à sinagoga de Roma (foto ao lado) insere-se num problema mais vasto, ultrapassando largamente quezílias teológicas inter-religiosas, entra no domínio do posicionamento da ICAR perante catástrofes humanitárias como foi o caso do controverso (…para sermos cautelosos na semântica) papel de Pio XII perante a Shoah.

A reanimação do processo de beatificação de Pio XII, a coberto de uma outra menos controversa (João Paulo II), não passou despercebida aos judeus.
Na verdade, o actual papa reacendeu a fogueira da conflitualidade inter-religiosa, sobre a interpretação do passado de Pio XII. As posições de Ratzinger, mesmo no que dizem respeito a situações aparentemente canónicas, são sempre tendenciosas e merecem uma interpretação para além do estrito sentido das palavras no âmbito teológico ou dos actos litúrgicos.

De facto, os judeus não podem esquecer que Pio XII “viu” (ou não podia ter ignorado), em 16 de outubro de 1943, serem colocados em comboios (da morte!), na estação Tiburtina, com destino ao campo de concentração de Auschwitz, 1.021 judeus italianos: só se salvaram 17!.
Este crime contra a Humanidade teve lugar em Roma e na proximidade da cidade do Vaticano.
Pio XII, fechou os olhos, manteve-se impávido e optou por um reverencial e comprometido silêncio. A partir daí começou a ser designado pelo resistencia italiana como o “Papa de Hitler”.

Bento XVI, conplementando a contrição que representa mais esta deslocação, afirmou que Pio XII será beatificado pelas suas “virtudes heróicas” e não pelo seu papel histórico. Pior a emenda que o soneto. De facto o cerne da questão é o Holocastro. Uma das mais vergonhosos e aberrantes episódios da História da Humanidade, se não tomarmos em linha conta o longo período da trevas, protagonizado também pela ICAR, que foi representado pela Inquisição…

Na verdade, a ICAR que sempre desempenhou um papel histórico, sempre tentou inculcar o percurso histórico e, portanto, não pode vir, no presente, evocar “virtudes heróicas” à margem desse contexto.

Esta visita é mais um episódio picaresco da ICAR e do seu actual chefe. Fez relembrar um mestre ibérico do romance picaresco – Miguel Cervantes. Que escreveu no célebre romance Dom Quixote:
A História é émula do tempo, repositório dos factos, testemunha do passado, exemplo do presente, advertência do futuro…

sábado, janeiro 16, 2010

Cavaco Silva anda mal aconselhado!


Em dois ou três dias Cavaco Silva conseguiu recuperar a atenção dos portugueses mais distraídos, mais indiferentes, que normalmente têm voto "pendular" e que, portanto, decidem eleições.

Como é que este político das altas esferas, desde 1979, fez essa operação?
1) anunciou que ia dar uma condecoração a Santana Lopes;
2) autorizou (ou incitou) Fernando Lima a dar uma desastrosa entrevista ao Expresso.

Mesmo os concidadãos que só ouvem a abertura do telejornal ou lêem um eventual jornal de uma mesa de café perceberam duas coisas:
1) Cavaco entrou na corrida a Belém e
2) o senhor candidato anda mal (muito mal!) aconselhado e por este caminho fica mesmo pela Travessa do Possolo.

MANUEL ALEGRE - Apostila

Porque a candidatura de Manuel Alegre tem sucitado múltiplas tomadas de posição, algumas delas em franca contradição ou manifesta distorção com o teor e o conteúdo do discurso proferido em Portimão, aqui fica o link que revela, na íntegra, a sua comunicação. link

Os comentários - todos legítimos - que têm povoado a blogosfera, acerca da intenção assumida de se apresentar como candidato às próximas eleições presidenciais, deverão proceder do conhecimento sobre o trabalho político e cívico que este cidadão tem desenvolvido ao longo de mais de 3 décadas (interesse individual pela "coisa pública"), bem como, dos propósitos explicitados, ontem, na cidade de Portimão.

A verdade epistemológica vs a dúvida metódica…

Vivem-se tempos difíceis para os paladinos do obscurantismo, das mistificações, do encobrimento.

O semanário Expresso, que apareceu nas bancas neste fim-de-semana, traz uma longa e extemporânea entrevista de Fernando Lima sobre o célebre “Caso das Escutas de Belém”.

É um depoimento defensivo, sem garra e pouco meritório para um suposto suporte de uma incontestável inocência de Fernando Lima no desempenho do papel de assessor de Imprensa do PR.
Intitulou o arrazoado que debitou para o "Expresso" de “A minha verdade”. Todavia, conseguiu ser mais comedido do que o seu Chefe quando da sua célebre (...por maus motivos) comunicação ao País.

O depoimento “A minha verdade” pressupõe, desde logo, que os portugueses, poderão suspeitar da existência de outra(s) verdade(s), ou, na pior das hipóteses, que se ocultaram verdades (tout court).
E, o entrevistado, não esconde que existiu uma conversa privada, "off the record", pessoal ( …e, supostamente, intransmissível?) que teria sido seguida de uma violação do segredo profissional, a que o segundo interlocutor do tête-à-tête, teria sucumbido, sedento do brilho das luzes da ribalta ou, pelo menos, ansioso por ser protagonista de uma tramóia conspirativa do âmbito da espionagem ou, de um inverosímil e inacreditável episódio de " espionice politiqueira".

A entrevista não consegue fazer o "delete" do e-mail transcrito na Imprensa. A entrevista não desmente o e-mail. Fernando Lima diz que o e-mail não tem correspondência com a realidade.
Acredito. A perseguida “verdade”, ou mesmo a estricta realidade, pode ser bem pior da que saiu a público, no “Público”…

Entretanto, ao pretender repor a verdade a fim de como diz – para que a ”mentira não passe incólume à História” - esqueceu-se de explicar porque foi exonerado das funções que desempenhava.
Pior, ainda, foi não explicar porque, posteriormente, foi nomeado assessor político da Casa Civil do Presidente da República, da chefia de Nunes Liberato. Dívidas de fidelidade?

O “caso das escutas da PR” não ficou esclarecido com a longa entrevista de Fernado Lima, muita dela, sob a forma interrogativa. Longe disso.
Depois, o facto de Fernando Lima sentir a necessidade de voltar a terreiro para esclarecer “a verdade”, depois da incrível, imprudente e inclassificável, comunicação do Presidente da República ao País, fala por si.

Um dia, a verdade exacta, sincera, de boa-fé será axiomática, antes de ser simplesmente mediática.

PS – Se a suposta intriga foi contemporânea com um período eleitoral, este testemunho do “inamovível” assessor de Belém, não precede outra campanha que se avizinha?
A coerência pode, de facto, não ser um privilégio, nem sequer uma virtude, dos conselheiros políticos.