domingo, fevereiro 28, 2010

Notas Soltas - Fevereiro / 2010

Haiti – É nas grandes tragédias que a Humanidade mostra o melhor e o pior de si própria, desde os que deixam tudo para socorrer os outros aos que contrabandeiam falsos órfãos para os venderem a 10 mil dólares. Foram presos dez missionários americanos.

ETA – O terrorismo basco, responsável por muitas centenas de mortos, apavora a Espanha. Com bases em França, estendeu os tentáculos a Portugal, instalou-se em Óbidos e mostrou que o combate ao terrorismo exige a colaboração internacional.

Política – Não é com ataques permanentes e insidiosos ao carácter do primeiro-ministro que se substitui o Governo, é com estabilidade e coerência política nos partidos que aspiram a governar e com vitórias eleitorais.

Crise – Há quem não interiorize a gravidade da crise mundial e particularmente a de Portugal onde reclamam os que mais têm sem pensar que, um dia, os que nada têm, lhes vão exigir o que precisam.

Ucrânia – Por razões étnicas, as eleições dividem o país ao meio, entre os que a Rússia atrai e os que a União Europeia seduz, sentimentos que alimentam o conflito de interesses que resistiu à guerra fria e se agrava com a falta de combustíveis.

Irlanda do Norte – A luta entre católicos e anglicanos, através dos respectivos braços armados, é fruto de ódio antigo que ameaça matar de novo, após a precária paz laboriosamente conseguida. As ameaças de morte prosseguem.

Nelson Mandela – Vinte anos após a sua libertação é a maior referência viva da África do Sul e, quiçá, do Mundo, pela coragem, inteligência e isenção. Mas o melhor exemplo e a maior virtude residem na sua enorme tolerância e capacidade de perdoar.

Vaticano – Há 81 anos, em 11 de Fevereiro, a Itália e o Vaticano puseram termo à «Questão Romana», com os Acordos de Latrão. Mussolini concedeu à Igreja largas somas de dinheiro, assinou uma Concordata e tornou obrigatório o ensino da religião católica nas escolas públicas.

Face Oculta – Ou o Governo organizou uma tenebrosa campanha para dominar a comunicação social (com risco de a legar a um Governo diferente) ou há uma sombria orquestração contra o PS através de ataques ao carácter do seu líder.

Vítor Constâncio – É uma desolação para alguns que o BCE reconheça nele um dos mais competentes supervisores dos bancos centrais e que a Europa tenha resistido melhor do que os EUA à turbulência financeira da crise.

Banco de Portugal – É uma das raras instituições que sempre gozou de notável prestígio e competência. Nem os vendavais financeiros nem a maledicência o abateram. Não pode ficar, agora, com a presidência à mercê da cobiça e de lutas partidárias.

Fernando Nobre – O segundo candidato que anunciou a disposição para disputar eleições para presidente da República tem um imaculado percurso cívico e humanitário a seu favor e um modesto e sinuoso percurso político contra ele.

Liberdade de expressão – Duvidar da liberdade que existe em Portugal é ofender os jornalistas que lutaram contra a censura e o exame prévio e insultar a comunicação social de hoje onde é mais fácil ofender os governantes do que defender os políticos.

Escutas – A violação do segredo de justiça pelos que o devem guardar, agravada pela insânia e ânsia de protagonismo dos líderes dos exóticos sindicatos de magistrados, estão a destruir um dos pilares do Estado de direito – a Justiça, o único poder não eleito.

Jornalismo – Quando figuras patéticas, Moura Guedes, Mário Crespo, Moniz e Saraiva, passam a heróis é porque a ética foi exonerada e os escândalos e julgamentos populares substituíram as serenas audiências dos tribunais.

Madeira – A violência da tempestade, a incúria na prevenção das catástrofes e a desordem da construção civil causaram uma tragédia de proporções brutais que semeou a desolação e o luto. No dia 20 todos nos sentimos madeirenses.

Laicidade – O véu que tapa a cara da mulher islâmica é o convite ao extremismo, um ultraje à igualdade de géneros e uma ofensa à tradição secular europeia. Nunca se sabe se é escolha pessoal, imposição do marido, desafio ao estado laico ou tudo junto.

Islamismo – A UE não exige aos estados árabes reciprocidade no respeito por todas as religiões e pelo livre-pensamento. Os negócios deixam à solta os pregadores do ódio que, nas madraças e mesquitas, combatem a laicidade e fanatizam as crianças.

Cuba – A morte do preso político Orlando Zapata e a prisão de dissidentes são nódoas que corroem o regime. Resistiu ao boicote injusto, conseguiu elevados níveis de educação e saúde, mas não conseguiu conciliar a liberdade e caminha para o ocaso.

Venezuela – Uma das muitas falhas eléctricas interrompeu Hugo Chávez num dos seus monólogos televisivos. Eleito com notáveis índices de popularidade não resistiu à pulsão populista e autoritária. O apagão foi a metáfora do fim que se aproxima.

Líbia – A Suíça recebeu o apoio das Nações Unidas, de Paris e de Bruxelas, após o apelo à guerra santa contra a Confederação Helvética pelo facínora de Alá, Muammar Kadhafi, em plena crise diplomática entre os dois países.

Chile – O mês termina com mais uma catástrofe, desta vez um terramoto, com o número de vítimas a aproximar-se do milhar e a tragédia a arruinar a economia e o País.

Padre genocida

Padre católico ruandês Wenceslas Munyeshyaka é um genocida que a Igreja protege, à semelhança do que fez com os nazis. Não se pode dizer que é uma coisa do passado, é um crime do presente que deve ser denunciado.

Aqui fica um importante artigo de Le Monde.

Comentário do leitor que me chamou a atenção para o referido artigo:

Seja no passado mais recuado, seja antes e após a II guerra Mundial seja agora com este padre reconhecidamente mandante e executor de genocídio no Ruanda, a ICAR escolhe sempre o mesmo caminho: apoiar, esconder, proteger tudo o que é bandido.

(E. C. D.)

sábado, fevereiro 27, 2010

Um bispo carregado de paramentos e de preocupações

O virtuoso bispo de Toledo pediu desculpa pelo comportamento do padre Samuel Martín, envolvido em roubo e escândalos sexuais.

Samuel Martin
preparado para actividades pecaminosas.

Fernando Nobre – Uma incógnita perigosa

Fernando Nobre é uma figura fascinante no campo da solidariedade e do humanismo. Tem um passado que o honra e nos honra, uma dedicação aos outros que fazem dele uma referência ética em que nos apraz rever-nos.

Fernando Nobre vai candidatar-se à presidência da República e, aí, pelo valor simbólico do cargo, exigem-se qualidades que lhe desconhecemos e um percurso que o candidato nunca revelou ou, pior, esboçou da forma mais desastrada.

Não sei se é um homem bom cuja ambição o diminui ou um homem que fez o bem para alcançar objectivos que escondeu, um dissimulado que fez da generosidade semente dos objectivos que manteve secretos.

Quando alguém se apresenta como não sendo de esquerda nem de direita, sabemos que é de direita. Foi assim, dizendo-se democrata, que se apresentou com uma proclamação que me surpreendeu agradavelmente, mas feita num sítio que apela ao nacionalismo e se presta à ambiguidade – o Padrão dos Descobrimentos.

O homem viajado, culto e cosmopolita não pode ignorar o carácter simbólico do local.

Depois vem o passado político de quem julgámos apenas filantropo. Apoiante de Durão Barroso e congressista do PSD, apoiante de António Costa do PS e de Capucho do PSD, mandatário do BE, alistado da Causa Monárquica, primeiro, e, agora, só já simpatizante.

Nos apoiantes há desde o Opus Dei até aos desempregados políticos sempre à espera de uma primeira vitória. No horizonte do candidato a discussão do problema de Olivença com o rei de Espanha como se este tivesse poderes reais.

Para além do inquietante e medíocre percurso político só faltava um monárquico que usa o prestígio da AMI para, em ano da celebração do centenário da República, alistar descontentes para uma questão que jaz no caixote do lixo – a questão do regime.

Fernando Nobre, que perdeu a estima que eu lhe dedicava, ganhou um adversário que não lhe perdoará a vacuidade política e o percurso errático onde sepultou a simpatia e o prestígio de que era credor.

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Mais um facínora de Alá, o misericordioso

A Suíça recebeu, nesta sexta-feira, o apoio das Nações Unidas, de Paris e de Bruxelas, após o apelo à guerra santa contra a Confederação Helvética por parte do governante líbio Muammar Kadhafi, em plena crise diplomática entre Berna e Trípoli.

Os manuais dos maus costumes

O Talmude e a Tora, O Antigo e o Novo Testamento, O Corão e a Sunnah (séc. IX) têm em comum o carácter misógino mas diferem em relação ao álcool, à carne de porco e na defesa do véu e da burka. No islão as proibições atingem o fulgor demente, onde até urinar com o jacto virado para Meca é proibido.

Paulo de Tarso moldou o cristianismo. Perseguir era a sua obsessão esquizofrénica sem cuidar do objecto da perseguição. Ouviu vozes na estrada de Damasco e passou a perseguir o que deixara em nome do que abraçou. Juntou a essa tara a vocação pirómana e apelou à queima dos manuscritos perigosos.

Paulo de Tarso odiava o prazer e injuriava as mulheres. Advogou o castigo do corpo e glorificou o celibato, a castidade e a abstinência. É um expoente da patologia teológica, do masoquismo místico e da cegueira beata – um inspirador do Opus Dei.
O cristianismo herdou a misoginia judaica. O Génesis condena radical e definitivamente a mulher como primeira pecadora e causa de todo o mal no mundo.

As três religiões monoteístas defendem a fé e a submissão, a castidade e a obediência, a necrofilia (pulsão da morte, não a parafilia), a castidade, a virgindade e outras santas tolices que conduzem à idiotia e ao complexo de culpa do instinto reprodutor.
A história de Adão e Eva é comum às três religiões monoteístas. Em todas, Deus proíbe a aproximação à árvore da sabedoria e o demónio incita à desobediência.

Aliás, o pecado é definido como a desobediência a Deus, ou seja, à vontade dos padres.
As páginas do Corão apelam constantemente à destruição dos infiéis, da sua cultura e civilização, bem como dos judeus e cristãos (por esta ordem) em nome do mesmo Deus misericordioso que alimenta a imensa legião de clérigos e hordas de terroristas.

Fonte: Traité d’athéologie, Michel Onfray – Ed. Grasset & Fasquelle, 2005

Ponte Europa – 5.º Aniversário

Ponte Europa agradece as manifestações de simpatia e solidariedade expressas através de comentários deixados no respectivo post, enviadas por e-mail ou recebidas no twiter.

Obrigado a tod@s.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

HAVANA – o suicídio de todas as ilusões…



José Saramago a propósito das execuções de dissidentes cubanos perpetradas pelo regime de Havana em 2003, escreveu no “El País” (14.04. 2003):


“Cheguei até aqui. De agora em diante, Cuba seguirá seu caminho e eu fico. Divergir é um direito que se encontra e se encontrará inscrito com tinta invisível em todas as declarações de direitos humanos passadas, presentes e futuras. Divergir é um acto irrenunciável de consciência…”

A recente e trágica morte de um outro dissidente cubano, Orlando Zapata, fez-me aflorar à memória este duro, mas necessário, escrito do nosso Prémio Nobel da Literatura.

Este crime que permitiu a um prisioneiro em regime de greve de fome entrar em inanição e falecer nas mãos das autoridades cubanas é, para mim, um intolerável homicídio que tem como pano de fundo a negação do direito à dissidência e um profundo desrespeito pelo pessoa humana. É um crime contra a Humanidade.

O governo de Havana dificilmente conseguirá lidar com este bárbaro atentado aos Direitos Humanos. E, como todos sabemos, Havana – vítima de um implacável bloqueio imposto pelos EUA – necessita, para sobreviver, da solidariedade internacional. Portanto, este assassínio, para além de um inqualificável acto anti-humanitário, é um tremendo erro político. Expõe ao Mundo um regime sediado nas Caraíbas onde as Liberdades Fundamentais são letra morta. De agora em diante, será, cada vez mais custoso, penoso e despropositado evocar (ou invocar) a solidariedade dos povos.

O regime castrista tem sido amparado pelo Mundo, nomeadamente, pelos países da América do Sul, devido à sua exclusão do convívio internacional, ordenada pelos EUA. Para já, o regime de Havana, conta (ainda) com o silêncio cúmplice do presidente Lula da Silva, neste momento em Havana, em viagem de negócios, na sequência dos acordos preparados pelo Ministro da Indústria e Comércio brasileiro Miguel Jorge.
Uma desilusão nunca vem só. É decepcionante que um homem como Lula da Silva, cujo percurso de vida (social e política) está muito mais próximo do operário canalizador Orlando Zapata Tamayo do que dos “irmãos Castro”, seja capaz de deixar espezinhar as liberdades fundamentais, pelos negócios.

A revolução cubana faz parte do meu imaginário de jovem. Sempre pugnei para preservar as minhas memórias, mesmo quando se avolumavam os “sinais” que as contradiziam.
Hoje, perante mais esta enorme e bárbara crueldade, tenho de reconhecer que, fico por aqui!.
Ou melhor, fico por aqui, disposto a reivindicar o respeito pelas liberdades em todo o Mundo e, obviamente, também, em Cuba.
Quando as coisas se tornam insuportáveis, não há sonhos que resistam…

Padre roubou 17 mil euros da paróquia

Padre cobrava 50 euros por 15 minutos de sexo

Toledo está em choque com a notícia de um padre de 27 anos que confessou ter roubado a sua paróquia em 17 mil euros para gastar em linhas eróticas e páginas de Internet de conteúdo pornográfico. Além disso, oferecia serviços sexuais na Internet e frequentava bordéis.

A tragédia da Madeira

A catástrofe que atingiu a Madeira só espantou pela dimensão e violência da devastação que em poucas horas transformou a cidade do Funchal num campo de lama e de morte, imagem de uma batalha perdida contra a fúria da água e do vento.

Seria de mau gosto fazer, com o sofrimento dos madeirenses, o obsceno aproveitamento político que alguns abutres, agora silenciosos, fizeram com a tragédia da ponte de Entre-os-Rios, mas é altura para o diagnóstico sobre as causas que ultrapassam os fenómenos naturais cujo número, dimensão e intensidade ameaçam agravar-se com as previsíveis alterações climáticas.

A construção desregrada, sem respeito pelas linhas de água ou – pasme-se – no próprio leito das ribeiras, não pode exonerar de responsabilidades quem faz e aprova os célebres PDMs (Planos Directores Municipais) ou quem os ignora e autoriza a violação.

Não está em causa apenas a Madeira, é o País inteiro que está sob escrutínio da opinião pública. Quem deixou construir hotéis e piscinas na orla marítima, de Caminha a Vila Real de Santo António, sobre dunas ou em terrenos abaixo do nível do mar? Quem autorizou as vivendas e restaurantes sobre as arribas sem respeito pelo impacto visual e a estabilidade das rochas? E quem solicitou tais atropelos ambientais?

A falta da regionalização administrativa, com as cinco regiões-plano, capazes de massa crítica para se contraporem aos desmandos municipais, abandonou o ordenamento do território nacional ao poder discricionário de caciques e de fiscais, capazes de fecharem os olhos sem medirem as consequências.

Para lá do perigo iminente que correm as regiões ribeirinhas, todos seremos chamados a pagar as catástrofes anunciadas. Hoje na Madeira, amanhã na Caparica ou no Algarve.

Ponte Europa / Sorumbático

O Islão é pacífico...

Três dos quatro arguidos do chamado “Grupo de Sauerland”, que estão a ser julgados em Dusseldorf (Alemanha) sob acusação de terem perpetrado atentados bombistas contra cidadãos e instituições norte-americanas, abjuraram hoje o terrorismo, nas alegações finais do julgamento.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

UE: Segurança e Cooperação e as debilidades de Catherine Ashton…

A UE mantém, olimpicamente, a sua indefinição sobre a construção de uma política comum de Defesa (Cooperação e Segurança).
A Esquerda europeia não quer ser subsidiária - no combate aos grandes desafios militares ou de segurança - da estratégia americana que, hoje, se centram no combate ao terrorismo.

O “caso do Afeganistão” mostra como os EUA impõem a sua agenda, utilizando para isso a NATO. Só que nem tudo no seio desta organização é consensual. Existem profundas divergências quanto ao esforço militar a desenvolver no combate aos talibãs.

A hipótese se uma forte e organizada influência talibã na Ásia Central representaria uma insuportável ameaça política para a Europa.
A UE nunca toleraria - na sua frente Leste - regimes sob a liderança de mullah’s, inspiradores de todo o tipo de fanatismos e violências.
A questão afegã começa a perturbar os Países ao redor de Kabul, nomeadamente, o Paquistão onde tem desestabilizado a situação político-militar. E ameaça contagiar a Índia e outros Países da Ásia Central, até há poucos anos, sob a influência soviética.

Os EUA não conseguem carregar, sozinhos, este fardo. E a colaboração europeia sendo indispensável para a execução desta estratégia da luta anti-terrorista é, por outro lado, um sensível teste de aferição da influência de Barak Obama, no dito Mundo Ocidental.

A recente demissão do governo holandês teve como pano de fundo estes problemas. O 1º. Ministro holandês Jan Peter Balkenende revelou que o pedido da NATO para um prolongamento de uma presença militar holandesa no território até 2011, foi recusado liminarmente pelos trabalhistas (que desde há 3 anos integravam uma coligação Centro-Esquerda), provocando a demissão do Executivo.
Mais um Pais da UE, em tempos de crise, a enfrentar uma desestabilização política interna, importada do exterior.

A UE, enquanto não definir um modus vivendi claro e explícito sobre o âmbito da sua cooperação com a NATO, nunca poderá ter uma “política europeia de Defesa”. O caso holandês corre o risco de provocar, noutros Países membros da UE, o chamado “efeito dominó”.

Esta semana decorreu, em Palma de Maiorca, uma reunião informal de ministros da Defesa da UE, sobre o tema da cooperação neste âmbito.
A actual Ministra dos Negócios Estrangeiros da UE, Catherine Ashton, não pôs lá os pés. Deixou a liderança da reunião entregue ao Secretário-Geral da NATO, Anders Rasmussen. Este alheamento é, para a Europa, em primeiro lugar, simbólico e, de seguida, desastroso.

Desta vez o motivo não foi a família que reside em Londres. Foram questões de agenda. Fez questão em estar presente na investidura do novo presidente ucraniano, Viktor Ianukovitch. Lá terá chegado a Kiev, via Moscovo, com mandam as actuais "regras".

Catherine Ashton revela, cada dia que passa, ser uma aposta errada, para o lugar que ocupa.
Ou não fosse Ianukovitch um político pró-russo e um refractário de qualquer aproximação europeia que, mesmo assim, recebeu – através da Ministra dos Negócios Estrangeiros da UE - as homenagens europeias. De uma Europa à deriva, sem qualquer rumo de política externa e desinteressada em resolver problemas de Segurança e de Cooperação no seu seio.

Factos & documentos


Notar que Portugal, o ditador católico Salazar, decretou 3 dias de luto pela morte do religioso Hitler.

Alguém tem na sua posse algum protesto de 1 dos 10.000.000 de católicos portugueses?

Também há esta Manuela...

Negócio PT/TVI

As conversas que revelam outra 'Manuela' no caso

Hoje

Lopes Barreira pergunta ao Armando Vara se viu a entrevista da bruxa. Armando Vara diz que não. Lopes Barreira diz que se saiu bem. Vara diz que não viu, mas já ouviu que ela disse que o Sócrates mentiu ao dizer que não sabia de nada."
Escuta: Lopes Barreira e Armando Vara
Data: 24 de Junho
Hora: 23.05

Manuela Ferreita Leite é que sabia ...

...a líder social-democrata, que estaria, paralelamente, a ser informada do negócio [PT/TVI] através "dos Ongoing" e "do [José Eduardo] Moniz".

Factos & documentos


Ponte Europa – 5.º Aniversário

Faz hoje cinco anos que nasceu o Ponte Europa, na sequência do VERITAS, surgido da necessidade de perpetuar o nome da ponte que liga as duas margens do Mondego e que o pio edil de Coimbra quis rebaptizar com o nome da santa que repetiu o milagre que a tia-avó, também rainha e Isabel de nome, tinha feito em Budapeste, na Hungria, muitas décadas antes.

Para o beato Carlos Encarnação foi a forma de homenagear a taumaturga, convicto de que os pecados se perdoam a viajar de joelhos e a rastejar pela fé, de que o Paraíso se ganha com manifestações de subserviência ao clero e com a aspersão do hissope que o bispo, paramentado, sacudiu na mudança da toponímia.

O Ponte Europa é um blogue republicano, laico e socialista (na acepção em que Mário Soares se definiu um dia) e, assim se manteve com a chegada de novos colaboradores que publicam os seus posts a partir de Coimbra, Macau e Lisboa.

O Ponte Europa tem procurado ser honrado na gramática e nas ideias, repudiando com a mesma veemência a censura e os extremismos. O livro de estilo deste blogue é, se assim se pode dizer, a «Declaração Universal dos Direitos do Homem», repudiando o racismo, a xenofobia, o espírito misógino e a homofobia.

Os leitores têm-nos honrado com a sua presença, certos de que podemos enganar-nos mas jamais tentaremos enganar. Cada colaborador escreve o que entende, quando quer, sem quaisquer constrangimentos, liberdade de que gozam igualmente os leitores nos seus comentários.

Ao iniciar o sexto ano da sua publicação, o Ponte Europa agradece o incentivo dos seus leitores e espera que os artigos publicados reflictam o pluralismo e a independência com que os seus colaboradores vivem os valores éticos, políticos e sociais.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

MADEIRA: Oudinot, “os tolos”, PDM’s e Alberto João Jardim…

Na verdade, quando analiso a recente e trágica catástrofe natural que atingiu a Madeira, existe um pormenor que tenho mantido "oculto". É que esse desastre natural toca-me particularmente, já que sou ilhéu - natural de uma povoação do Norte da Ilha que - para além do isolamento - pouco sofreu com o temporal.

Quando vejo as imagens transmitidas pela TV "sinto-as", "doem-me", profundamente. Durante a minha adolescência "palmilhei" aquelas ruas, aqueles largos, etc.
Vivia, enquanto estudante no, então, Liceu Jaime Moniz, em casa da minha avó, próximo do Campo da Barca. As imagens recentes que visualizei desse recanto, na altura pejada de oficinas de automóveis e um actual centro nevrálgico rodoviário, impressionaram-me profundamente.

Feito este parêntesis, queria manifestar a minha plena concordância com o explicitado no post de Rui Cascão, sobre “as canalhices”:
“No entanto, procurar as causas radicais das catástrofes não é em si uma canalhice: é o primeiro passo para definir estratégias correctas para a prevenção de catástrofes no futuro.”

Alberto João Jardim está no epicentro da resolução dos problemas imediatos da população sacrificada. Por isso acentua-se, no vulgar cidadão, a natural inibição de o criticar.
Mas Jardim, com ou sem catástrofe, continua igual a si próprio. A J Jardim não é, no Funchal, o Marquês de Pombal do séc. XXI

Em 1803 a Madeira foi vitima de um outro temporal ainda mais trágico do que o actual. Nessa altura foi destacado para a Madeira o brigadeiro Oudinot que elaborou um plano para o encanamento das ribeiras que atravessam o Funchal. Esse plano existe em arquivo na Madeira. E a competência do brigadeiro Oudinot foi plenamente reconhecida pelos madeirenses figurando, há muitos anos, o seu nome na toponímia da cidade do Funchal.

Seria interessante analisá-lo e confrontá-lo com as actuais construções em zonas ribeirinhas, com o elevado nível de impermeabilização dos solos e o recente “encanamento” das ribeiras do Funchal, obra polémica, que AJ Jardim, sem qualquer hesitação, atribuiu o “salvamento” da baixa funchalense.

Mais, a técnicos qualificados, que ousaram levantar os problemas urbanísticos do Funchal, como o presidente da Associação Portuguesa de Técnicos de Segurança e Protecção Civil, rotulou-os de “tontos”… E, acenou-lhes, com o Estado de Direito, como, agora, está na moda. Afirmou: tudo o que está construído no Funchal obedece ao PDM – como se este plano fosse uma verdade inquestionável. Tão inquestionável que precisa de ser revista periodicamente, claro está, um pouco ao sabor dos interesses do sector da construção civil…

Mas, para sabermos que existiram erros nas situações limítrofes das zonas ribeirinhas do Funchal, não precisamos do brigadeiro Oudinot, nem de PDM’s. Basta olhar para as imagens que nos foram chegando e que mostram uma dolorosa realidade.
Aliás, o povo madeirense, humilde e previdente, definiu com uma imensa sabedoria a situação urbanística do Funchal, no seguinte aforismo: “O que é da ribeira, a ribeira virá buscar!”

Este comentário não questiona, nem podia, a minha total e incondicional solidariedade para com o povo madeirense - no qual me incluo - nesta hora trágica. Mas uma coisa é o pragmatismo pós catástrofe do tipo cuidar dos vivos e enterrar os mortos, outra será a reconstrução com o intuito de “repôr tudo como estava…”

O temporal que se abateu sobre a Madeira deve ser entendido como uma lição em relação ao futuro. E essa lição passa pelo reordenamento urbanístico da cidade Funchal e pela criação de ampla zona de segurança em redor e ao longo das áreas ribeirinhas.

A petulância de reconstruir à pressa, sob a pressão da indústria turística e a folclórica ambição de comemorar a “Festa da Flor” em Abril dentro de um quadro de aparente normalidade, é mais uma das habituais jactâncias do Presidente do Governo Regional, que estando impregnada de uma intolerável imprudência, dá votos.

O Papa, a beata e os homossexuais


No país mais católico da Europa não surpreende que a fé tenha levado a senhora Patrocínio a deixar na herança o seu apartamento da Calle La Paloma, em Madrid, ao então Papa João Paulo II, em 1993.

Alberto João Jardim e as canalhices

Alberto João Jardim referiu que "só gente canalha é que tenta fazer política sobre esta tragédia", referindo-se às suspeitas que referem que erros urbanísticos e de ordenamento do território terão contribuído para a magnitude da tragédia.

Concordo com Alberto João Jardim que só gente canalha é que faz política com uma tragédia desta magnitude. No entanto, procurar as causas radicais das catástrofes não é em si uma canalhice: é o primeiro passo para definir estratégias correctas para a prevenção de catástrofes no futuro. Da mesma forma que em Nova Orleães se concluiu desde o início que a causa radical essencial da catástrofe provocada pelo furacão Katrina sae deveu ao desinvestimento no reforço e na manutenção do dique no lago Pontchartrain. As consequências das catástrofes naturais, que têm causa furtuita, são frequentemente agravadas por erros humanos e institucionais. E é essencial que haja transparência e vontade de aprender com os erros passados para que se possa prevenir futuras tragédias.

Recomendo a Alberto João Jardim a leitura do excelente livro de James Reason, "Human Error", um tratado sobre o impacto do erro humano e das causas latentes na materialização de catástrofes naturais e industriais.

E deixo ainda aqui os meus pêsames e solidariedade com todos os Madeirenses.



Coincidência ou conspiração?

Comentário: Durou o tempo suficiente para condicionar o Governo.

Momento de poesia


Dissertação sobre o sexo



O sexo devora-me a alma.

Como num braseiro,

faz-me arder por dentro ...

É um demónio à solta

cavalgando a encosta do meu ventre

até à exaustão ...

Não resisto ao seu chamamento

quando ele me seduz,

e entrego-me todo inteiro

ao arrebatamento a que me conduz ...


Alexandre de Castro

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

UNIÃO EUROPEIA: os problemas acumulam-se…


Os meios de comunicação social enfatizam, quase diariamente, a gravidade dos problemas de deficit orçamental e da dívida pública na Grécia e, com alguma regularidade, estabelecem todo o tipo de comparações com Portugal e a Irlanda. Reservam, contudo, um tom crítico mais “doce” em relação a Espanha.
Este é o contexto europeu que está sob a mira dos media.

Todavia, uma outra crise, mais severa e devastadora, atinge as economias dos países do Leste da Europa, na ressaca daquilo que podemos chamar - a “era pós-soviética”.
Estes Países estão, na UE dos 27 e incluídos – com algumas condições e critérios de “latência”- num vasto plano de integração da zona Euro.

Os Países de Leste, que se libertaram da tutela soviética, constituem um incontornável e exemplar case study, que se revela um espelho da “fúria” destruidora do neoliberalismo.


A UE trata-os de uma forma bem diferente do que seria expectável, não os ajudando a integrar-se num tipo de desenvolvimento ocidental (europeu). Pelo contrário, tentam colonizá-los enquanto mercados financeiros e transformaram-nos num relais de virtuais exportações, sempre controladas pelo poder financeiro.
Despojam estes Países das mais-valias económicas e canibalizam a sua mão de obra qualificada (...outro mercado de exportação).

Tomemos como exemplo a Letónia.
Este País sofreu os efeitos da crise de um modo inqualificável. Verificou-se uma diminuição do PIB em cerca de 26% nos últimos anos, O FMI prevê uma queda adicional de 4% o que aproxima a economia da Letónia dos valores verificados na Grande Depressão americana de 1929. Por outro lado, o FMI prevê para 2010 um deficit superior a 9%.
A dívida pública dos letões acumula-se vertiginosamente. Em 2007 representava 74% do PBI. O FMI prevê uma estabilização dessa dívida (em 2014!) na ordem dos 90% do PBI.
Deste modo a Letónia afasta-se, progressivamente, dos requisitos inscritos no Tratado de Maastricht, no que diz respeito aos limites da divida, condição sine qua non para integrar a zona Euro.
Só que o objectivo de integrar a zona Euro sendo a peça fulcral da política económica da Letónia tem "justificado" severas medidas de austeridade, no sentido de possibilitar, ao Banco Central da Letónia, estabilizar a moeda. Desviam-se investimentos indispensáveis ao desenvolvimento económico para servir políticas monetárias e cambiais.

Vinte anos depois da sua libertação do jugo soviético dificilmente as causas deste descalabro podem ser endossadas a Moscovo.
O período pós-soviético foi dominado pela corrupção, mas grande parte da rapina proveniente “esquemas cleptocráticos” não foi parar às mãos das máfias russas mas endossado a banqueiros e investidores ocidentais (especuladores).
Os neoliberais europeus desbravaram o terreno político e económico (sob o pomposo nome de “reformas”) para poderem realizar - sem entraves - chorudos negócios, sob o olhar complacente de Bruxelas (e de Washington)

A Letónia experimenta, nestes difíceis tempos, um descontrolado aumento do desemprego, uma drástica redução do crescimento económico, a total deterioração do que (ainda existia) do Estado Social e, em consequência de tudo isso, uma desenfreada emigração que se traduz numa incoercível sangria demográfica.

Os letões quando olham à sua volta, na vizinha área báltica, vêm os Países Escandinavos que, apesar da crise e de integrarem a mesma União política e económica, progridem.

Onde mora a coesão europeia?

Todavia, a questão fundamental será conhecer como - face a este descalabro - responderá a UE.

Na década de 60 a estratégia revolucionária para a libertação dos povos da colonização e do imperialismo passava por criar “muitos Vietnames”. Agora o poder financeiro (mundial) pretende criar “muitas Grécias”, ou “muitos Portugais” ou…o colapso da zona Euro.

A UE– apesar da entrada em vigor do Tratado de Lisboa - necessita de repensar todo o enquadramento político, económico, social e cultural.

O twitter e o @leitao2010

As redes sociais da Internet dão origem a situações singulares. No twitter reúnem-se seguidores e seguidos, eleitos entre os que têm afinidades marcadas, divergências insanáveis, ou por acaso.


O ritual dos encontros tem hora marcada e assuntos previsíveis. O conjunto de pessoas que aparecem no ecrã do nosso computador chama-se timeline, onde cada um exibe a estampilha que exorna cada mensagem de 140 caracteres ou um avatar que só o próprio saberá explicar. E há os que mudam de avatar mais depressa do que o Mário Crespo exibiu a camisola interior, com que dorme, aos deputados da A.R..


O que é deveras interessante é a interacção entre os participantes, com afectos, ódios, empatia ou desprezo, como na vida real. Há quem redija bem, quem escreva contos e quem use o humor ou o sarcasmo até ao limite dos 140 caracteres canónicos. Há os prevaricadores ortográficos, os que tropeçam no verbos e os que derrapam na sintaxe. O mais interessante é o carácter emocional das relações virtuais.


Criam-se afectos entre desconhecidos, conversa-se com quem nunca se viu, fala-se com o amigo que nunca se encontrou e espera-se ansiosamente o interlocutor que se costuma defrontar. Há os solitários que parecem cumprir tarefas, a twitar sozinhos, a entrarem e a saírem como se fossem ao escritório.


Foi nesta variedade de pessoas onde ilustres figuras públicas conversam com não menos ilustres desconhecidos, nesta comunidade simultaneamente humana e esquizofrénica, que apareceu um popular twitter que será imolado no dia 28, Domingo, para gáudio de uma centena de convivas. Não interessa quem lhe dá vida nos bastidores, quem responde com humor aos twits que recebe e quem teve o requinte de pôr um leitão a regozijar-se com o papel de vítima com que porá a salivar as papilas gustativas e aconchegará a mucosa gástrica de uma centena de twitters.


No dia 28, lá estaremos na Quinta do Louredo a provar que ninguém é tão mau como alguns pensam nem tão bom como cada um se julga. Será um convívio franco a provar que é na diversidade das ideias que a democracia e a convivência cívica se forjam.

O verdadeiro artista... não se lembra


A ficha de admissão no partido – então liderado por Manuel Monteiro, a que o CM teve acesso – foi assinada em Outubro de 1996, tinha o agora candidato à liderança do PSD 28 anos. O pedido de renúncia surgiu só em Março de 1999.

CONVITE

Factos & documentos - Casamento gay

L’Espagne avait pu mobiliser beaucoup plus que ça ! Ils avaient pu mobiliser 2 millions sur 44 millions (4.5% de la population) alors qu’au Portugal, c’est 5000 sur 11 millions (0.045%) !

Disons que les portugais sont plus préoccupés par la crise économique que manifester contre la différence et contre l’égalité des droits civils (qui sont différents des droits religieux, ce que beaucoup ne comprennent pas !).

Le Monde

A Parada dos Palhaços



No sábado passado um pouco mais de duas mil pessoas desceram a Avenida da Liberdade para se manifestarem contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, recentemente aprovado na Assembleia da República.

O «Portugal Diário», que curiosamente dá a esta notícia o título de “uma manifestação pela liberdade de opção”, quando tudo levaria a supor que se trata precisamente do contrário, relata-nos as opiniões de alguns dos manifestantes, que declararam pomposamente, por exemplo, que daqui a dez anos com esta lei “já não há Portugal” ou que com ela “vai aumentar o número de homossexuais”, o que bem demonstra a mais completa e abstrusa imbecilidade que pelos vistos os unia.

E lá foi descendo a avenida, toda aquela gente, exibindo para quem se quisesse impressionar as mais diversas inutilidades simbolizando a cretinice que ali os trazia, como sejam bíblias, terços, imagens de nossa senhora ou o D. Duarte de Bragança.

E foi assim que estes ilustres cidadãos decidiram exercer a liberdade de expressão que a Constituição Portuguesa lhes consagra, manifestando-se pateticamente contra uma lei maioritariamente aprovada na Assembleia da República, todos eles unidos pela causa comum da sua repugnante homofobia e pelo profundo ódio aos outros seres humanos: freiras e padres, militantes partidários famosos, militantes da extrema-direita mais xenófoba e racista e, pelo que me foi dado ver e pelos símbolos exibidos, todos, mas todos eles… católicos.

domingo, fevereiro 21, 2010

GRÉCIA: vítima do neoliberalismo?

Foto: Atenas a "ferro e "fogo" em tempos de crise...


Angela Merckel expressou a sua profunda (…e furiosa) indignação sobre a questão da dívida grega.
Disse:
“É escandaloso que os bancos de investimento – que já nos empurraram para um precipício – tenham, concomitantemente, colaborado na falsificação das estatísticas dos deficits orçamentais da Grécia.”…

Cristine Lagarde, ministra da Economia e das Finanças de França, interrogou publicamente:
- Esta “maquilhagem das contas” é legal?

No seio da UE, nomeadamente, no âmbito dos Países que integram a zona Euro, a desolação é total!

A Grécia, adulterou, segundo dados apurados recentemente, repetidamente, a extensão real do seu deficit público. Não o fez de forma isolada e inadvertida.

Sabe-se, agora, conforme relata o New York Times de 14.02.2010. link que Atenas recorreu a parceiros (bancos americanos) para elaborar “contabilidades criativas”, com o fim o manipular as contas públicas perante a UE.
Assim, o Banco de investimentos americano Goldman Sachs numa operação de "cross currency swap" terá conseguido diminuir artificialmente de um bilião de euros à dívida pública grega, nomeadamente em 2002, quando o dracma (a mais antiga moeda em circulação no mundo), foi substituída pelo Euro.

Os cidadãos europeus deverão interrogar-se:
Quanto tempo terão de esperar para que o sector financeiro mundial seja objecto de uma regulação rigorosa e eficiente?

Qual o interesse da banca dos EUA em arrastar a Grécia para o precipício? Contagiar a “zona Euro” da UE?

Interessaria, também, conhecer se, acaso, a Grécia precisar de fundos, para combater o deficit orçamental e a dívida pública, quais as restrições para um eventual empréstimo que o banco Goldman Sachs imporá ao actual 1º. Ministro grego?

Política italiana

Nicole Minetti

Devolveu sorriso a Berlusconi e virou candidata

Ex-bailarina e higienista oral tratou primeiro-ministro após ataque em Dezembro.

Madeira (Portugal) – the day after…

(Madeira: bombeiros resgatam vítimas...)

A catástrofe natural que se abateu sobre a Madeira e que, no momento, fez mobilizar os recursos de socorro do País e o auxilio internacional e realçar a solidariedade dos portugueses, no sentido de minorar os terríveis efeitos desta tragédia, deve levantar – para além do desastre – um conjunto de interrogações.

Agora, será o tempo de pôr em prática a pragmática máxima pombalina: “Enterrar os mortos e cuidar dos vivos”…

Mas a saga dos madeirenses e dos portugueses não acaba com a reconstrução. Até, porque, para os que faleceram não há reconstrução possível.

Mesmo sabendo que estas drásticas ocorrências são de difícil evicção, verificamos o constante adiar de medidas políticas sobre as alterações climáticas (ver o texto dos acordos finais da Cimeira de Copenhaga sobre o Clima – Dez 2009) link, vão expondo o Mundo a uma situação climática crítica, com frequentes e devastadores acidentes naturais.
Não vou cair na demagogia fácil de limitar, ou de responsabilizar o sucedido na Madeira ao insucesso da “United Nations Climate Change Conference 2009 in Copenhagen”.

Mas não vivemos no tempo do terramoto de Lisboa. Hoje, existem, mecanismos de previsão destes trágicos acontecimentos que, com sistemas de alerta eficientes, permitem controlar ou atenuar as suas drásticas consequências.
Na realidade, as previsões meteorológicas e as observações pluviométricas em tempo real provenientes de diversas fontes (rede pluviométrica convencional e estimativas a partir de imagens de satélites e radares meteorológicos) a elaboração de um mapeamento das áreas de risco e as lições colhidas pelos estudos de tempestades severas, será possível indicar as regiões sob risco para a ocorrência de tempestades severas e proporcionar que a Defesa Civil possa actuar preventivamente.

Ontem, tive a oportunidade de ouvir um técnico dos serviços de meteorologia afirmar que, se a Madeira dispusesse de um radar meteorológico, esta catástrofe teria sido antecipadamente prevista e, segundo creio, lançado um alerta que, não evitando as destruidoras consequências materiais da “natureza em fúria”, poderia minorar o número de mortos.

Um projecto de rede elaborado por Sérgio Barbosa do Instituto de Meteorologia, I. P denominado “Rede Nacional de Radares Meteorológicos: situação actual e desafios futuros” link, que começou a ser preparada nos finais do séc. XX, e onde a Madeira estava incluída, poderia, segundo me parece, se tivesse sido levada a cabo (o que parece não ter acontecido link) ter minorado a trágica situação de perdas de vidas humanas.

Estas tragédias levam-nos a pensar o futuro. Esse futuro será tanto mais sereno quanto mais nos empenharmos na prevenção de situações dramáticas.
Não basta ficarmos pelas manifestações e acções de solidariedade e pelas condolências.

Agora todos nos sentimos madeirenses


O diálogo entre o ateísmo e as religiões

Sempre tive dificuldade em pensar que fosse possível o diálogo entre ateus e crentes, o que é muito diferente da confiança e estima mútua e recíproca que devem estabelecer.

«O homem é ele próprio e a sua circunstância», como escreveu Ortega Y Gasset, razão porque há uma geografia da fé: os católicos nascem em países de idêntica tradição, tal como os muçulmanos, os budistas, os cristãos de várias tendências e todos os outros, tradição que foi imposta, quase sempre, à custa da espada.

Os homens nascem ateus e os padres e as famílias logo se encarregam de os modificar, desde a nascença, sendo muito difícil que os homens (homens e mulheres) aderissem maciçamente a um credo, ao atingirem a idade adulta, se não tivessem sido catequizados desde tenra idade. Não menosprezo o que leva as pessoas a crerem em Deus: não são os argumentos mas, quase sempre, o hábito de o fazerem desde crianças.

Quer as religiões tenham origem no animismo ou nos politeísmos, o monoteísmo surge com os hebreus, como resultado da sua organização tribal e patriarcal, da necessidade de defesa das terras e da identidade contra as tribos nómadas. Que as religiões são uma criação puramente humana não oferece dúvidas, através da comparação das diversas crenças entre si e das lutas internas que geraram e geram.

A origem humana foi demonstrada apesar dos esforços dos padres para impedirem a ciência, de natureza humana, de cometer o sacrilégio de investigar a palavra de Deus, em estado puro, contida nas Escrituras.

O facto de os monoteísmos terem origem patriarcal deu origem à mais dramática das sequelas da moral religiosa – a obsessão pela repressão sexual que causou infelicidade, medo e o trauma do pecado em relação a uma fonte de prazer e de realização humana. E, pior, são responsáveis pelo carácter misógino que impediu a emancipação da mulher, o direito à sua determinação social, profissional e cívica, reprimida pelos mais boçais e cruéis preconceitos patriarcais durante milénios.

Para mim, ser ateu é tão natural como aceitar um teorema ou a lei da gravidade, feliz por saber que ninguém mata outro por não acreditar numa lei da física ou num resultado matemático, o que já não se pode dizer dos dogmas.

Não tenho angústias metafísicas e não poderia compreender a existência de Deus com as catástrofes que o mundo suporta.

A bufaria

O caso Mário Crespo não é um problema de liberdade de informação, mas (mais) um sintoma da degradação a que chegou a comunicação social.

Uma conversa privada do primeiro-ministro, num restaurante, sobre um jornalista que há anos o critica publicamente, é prontamente denunciada ao visado que logo tenta criar um escândalo político. (Continua...)

sábado, fevereiro 20, 2010

A República dos Jornalistas (post de Rui Cascão)- Comentário

Concordo, no essencial, com o excelente post de Rui Cascão indicado no título.
Queria apenas desenvolver certos aspectos que particularmente me interessam.
É que os jornalistas "criam" factos e instituições que praticamente sem eles não existiriam. Refiro-me, particularmente, aos exóticos "sindicatos" de magistrados.
Como é geralmente sabido, nos tribunais existem três munus: os juízes, os procuradores (repreentantes do Ministério Público) e os advogados. Todos eles têm consagração constitucional:os juízes, que nos termos constitucionais são representados pelo Conselho Superior da Magistratura, presidido pelo Presidente do Supremo Tribunal de Justiça; os procuradores, que nos termos constitucionais são representados pela Procuradoria-Geral da República, presidida pelo Procurador-Geral da República; e os advogados, que têm consagração no art. 208 da Constituição e cujo estatuto consta de uma lei da República : a Lei 15/2005 de 26 de Janeiro, que aprova o Estatuto da Ordem dos Advogados, que é uma associação PÚBLICA, à qual todos os advogados são obrigados a pertencer, e que exerce poderes públicos delegados pelo Estado (a atribuição do título de advogado, o poder disciplinar sobre estes, etc.).
À margem destas instituições existem porém "sindicatos" de juízes e procuradores, que são simples associações privadas sem qualquer consagração constitucional ou legal, às quais só pertencem os magistrados que quiserem, que não detêm quaisquer públicos e que só representam quem neles se quiser inscrever. Enfim, dos pontos de vista constitucional e legal tais sindicatos não são NADA.
Esses sindicatos só "existem" publicamente porque os jornalistas lhes dão uma importância que eles não têm. Assim, quando o Presidente do STJ faz uma declaração, que institucionalmente vincula o corpo de todos os juízes, que constitucionalmente representa, logo vão os jornalistas perguntar a opinião do Presidente do sindicato, que institucionalmente não representa NADA. O mesmo acontece com o Procurador-Geral da República.
Assim, os jornalistas, abusivamente, colocam no mesmo plano aqueles que constitucionalmente representam os juízes e os procuradores e uns simples magistrados que legalmente nada representam e apenas expressam as suas posições pessoais e quando muito as da parte maioritária dos sócios das associações privadas a que presidem.
Tal só contribui para dar importância ao que a não tem e para confundir a opinião pública.

Bispos não vão à manifestação

Apesar de ninguém ser obrigado a casar com pessoas do mesmo sexo, são esperados numerosos participantes, desejosos de impedir que outros o possam fazer, no desfile de hoje, na Av. da Liberdade, em Lisboa.

Exercem um direito legítimo e indiscutível, além de ser a oportunidade para visitarem a capital com transporte pago, para os que aí rumam de dioceses tão longínquas como a de Bragança.

A Plataforma Cidadania e Casamento que convocou o protesto para as 15H00, com a ajuda de 19 comités regionais, teve a bênção eclesiástica e a divulgação da homofobia percorreu todas as paróquias de Portugal. A manifestação teve apelos nas homilias, nos confessionários e na comunicação social, mas é desolador saber que apenas alguns padres, a quem é vedada a interrupção do celibato, integram a manifestação.

Em Espanha foi diferente. Cardeais e bispos misturaram-se com as sotainas do baixo clero e os vestidos luxuosos da alta sociedade num êxtase de raiva beata e de ódio santo. Em Portugal nem uma só mitra indica o caminho da revolta, nem um só báculo marca o passo desde o Paço à Avenida, nem um único anelão com ametista se exibe aos beiços ansiosos dos devotos.

A Conferência Episcopal aplaude a iniciativa mas recusa comprometer os bispos – esses especialistas em moral familiar – nas vicissitudes da manifestação de êxito incerto e sem apoio divino. As próprias condições meteorológicas podem trocar a devoção pia pelo aconchego dos cafés e das bebidas quentes. Só o Papa se alegra com as intenções.

O céu pode esperar.

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Aznar é da família dos Aznos


Após ter sido apupado com insultos e assobios por um grupo de estudantes, o ex-primeiro-ministro espanhol perdeu a paciência e não hesitou em responder com um gesto obsceno.

A República dos Jornalistas

Na década de 90, em Itália, uma megaoperação judicial denominada mani pulite decapitou o establishment político revelando a corrupção endémica que se verificava em todas as esferas do poder político. Na altura cognominou-se a Itália como a "República dos Magistrados".

Por aqui, neste pequeno país à beira mar plantado, assiste-se a uma verdadeira República dos Jornalistas. Por cá, o jornalismo de tablóide confunde-se com o jornalismo sério e com a política de alcova.

Os meios de comunicação social e os "jornalistas" infiltram-se no sistema judicial obtendo dados confidenciais violando o segredo de justiça, o direito dos arguidos à privacidade e a eficiência da acção penal- e ficam impunes, graças a uma interpretação ultra-garantista (e quiçá conveniente) da liberdade de informação.

Num megaprocesso de pedofilia, practicamente toda a investigação foi infiltrada e dinamitada pelos media, tendo todos os arguidos visto a sua vida privada devassada e tornada de conhecimento público, sendo que os arguidos que foram ou vierem a ser ilibados nunca se libertarão do julgamento em praça pública alimentado pelos dados ilicitamente divulgados e empolados pelos media.

Uma criança desparece no Algarve e imediatamente os media violam o segredo de justiça, procurando primeiro linchar em praça pública um cidadão britânico que, tendo sido inicialmente constituído arguido, acabou por ser ilibado, tentando depois acusar os pais da criança, apresentando toda a espécie de conjecturas, interferindo na investigação, acabando por depois concluindo pelo assassinato de carácter de alguns intervenientes no processo. Num processo com contornos internacionais, a actuação dos media e a incompetência da investigação criminal criou sérios danos à reputação do país.

O presidente do STJ decide pela irrelevância e consequente destruição de escutas obtidas ilegalmente abrangendo conversas privadas em que intervem o PM- ora lá aparecem essas escutas e outros elementos confidenciais da investigação divulgadas pela comunicação social.

Num processo ligado à corrupção desportiva, até a cor das "frutas" a alegadamente fornecer a um árbitro e o calão empregue por alguns intervenientes foi devassado em praça pública.

Um "jornalista" escreve uma "crónica" baseada numa fonte anónima que lhe narrou num email uma alegada conversa privada, em que um dos interlocutores era o Primeiro Ministro, que se terá desenrolado num restaurante e que alegadamente era pouco terna para esse jornalista. Ora, o director do jornal, que escrupulosamente e em obediência aos tão esquecidos deveres deontológicos, decide não permitir a transformação do seu jornal num pasquim para vendettas privadas e lavagem de roupa suja- e subitamente temos um herói vitimizado pelo poder político e uma maquiavélica conspiração contra a democracia.

Um tribunal judicial decide favoravelmente uma providência cautelar proibindo a publicação de determinadas escutas, ilegalmente obtidas e em violação do segredo de justiça, e os responsáveis por essa publicação adoptam a táctica rodente dos caloteiros recalcitrantes procurando evadir-se à notificação dessa medida cautelar- e o referido periódico abrangido pela providência cautelar entra em circulação- em manifesto desrespeito pela autoridade do tribunal, órgão de soberania. Esses "jornalistas" nem sequer tiveram a hombridade de lutarem de peito aberto pela liberdade de imprensa que invocam- optaram pela porta dos fundos.

Fala-se muito em degradação do Estado de direito democrático em Portugal. E eu concordo- esse jornalismo sensacionalista, voyeur, "impreparado", alcoviteiro, sem escrúpulos, violador da lei e desrespeitador dos órgãos de soberania é uma ameaça para os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos e contribui para a degradação da democracia. É inaceitável que se façam assassinatos de carácter e que se divulgue o que se passa na esfera privada das pessoas, em nome de um duvidoso "interesse público". É inaceitável que os media e os jornalistas possam obter ilegalmente dados confidenciais sob segredo de justiça, divulgá-los em violação da lei, desrespeitando as decisões dos tribunais, e ficarem impunes.

Este auto-de-fé em que os inquisidores se disfarçam de "jornalistas" tem que acabar. Obviamente que o tráfico de influências, a corrupção, e os casos criminais que mais choque social causam têm relevância mediática e há interesse público na sua repressão. Em Itália tal foi feito por magistrados, no respeito da lei e do direito, com espírito de abnegação e por vezes pagando o preço da própria vida, salvaguardando os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. Mil vezes uma república de magistrados que uma república de "jornalistas".

O "interesse público" não é um conceito absoluto- raramente se deve justificar a violação da lei, do segredo de justiça e o desrespeito das decisões dos tribunais- esses sim existindo para proteger direitos, liberdades e garantias. Há que separar o trigo do joio e "jornalismo" de jornalismo- e acabar com a impunidade de jornalistas, funcionários judiciais, advogados, magistrados e juízes que contribuem para a violação do segredo de justiça.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

CARNAVAL NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

Embora com um dia de atraso, a AR, ou mais propriamente a sua Comissão de Ética, associou-se às folias carnavalescas convidando a ir lá depor o impagável Mário Crespo.
Foi pena a TV não ter mostrado a rábula toda, mas o pouco que se viu foi divertidíssimo.
Crespo foi inexcedível. Em vez de ficar sentado e murcho como o seu comparsa José Manuel Fernandes, Crespo passeou-se pela sala, exibindo às câmaras da TV e distribuindo pelos circunstantes fotocópias da sua tristemente célebre crónica que o JN não quis publicar.
Para fechar com chave de ouro, num gesto de prestidigitador, fez sair não sei de onde uma t-shirt ostentando a frase "eu ainda não fui processado pelo Sócrates", que exibiu com ar risonho e ternurento e, não sei se para se assumir publicamente como fetichista, confessou já ter dormido com ela!
Espantado, ainda pensei ter ouvido mal. Mas não. Hoje, na sua edição online, o jornal "i" confirmava: "Além da confissão de Mário Crespo, que exibiu uma t-shirt com a frase "eu ainda não fui processado pelo Sócrates", admitindo já ter dormido com ela."
Ele há cada um!

A Trilogia da(s) Verdade(s)

O 1º. Ministro, José Sócrates, hoje, numa formal comunicação ao País, tentou resumir (....ou reduzir) os últimos tempos de uma surda e larvar crise política a três (3) sucintas verdades:



A 1ª. verdade serviu para sublinhar que, nem ele, nem o Governo, deram qualquer orientação à PT para adquirir órgãos de comunicação pessoal.
Esta subtil distinção entre “ele”, e o Governo, mostra como o desenrolar deste processo de crise poderá ter sido fragmentado e de seguida misturado.
Na verdade, muito do que alguma Imprensa publicou nos últimos tempos, refere-se à actuação pessoal de José Sócrates e de alguns socialistas de um dos seus inner circle's, portanto, ligados por relações pessoais e/ou partidárias, neste caso, com responsabilidades de representação do Estado em empresas onde existem interesses públicos.
O Governo, enquanto órgão colectivo, não foi consistentemente apontado como influenciador da liberdade de Imprensa, através de tentativas de controlo de meios de comunicação social, seja por intermédio da PT, ou de qualquer outro meio de pressão, e muito menos, de qualquer acto condicionador da liberdade de expressão que, na verdade, desfrutamos.
Assim, a transferência de problemas inerentes a Sócrates e/ou a um círculo de socialistas próximos das suas relações pessoais, para a área governativa é, pura e simplesmente, uma escapatória de diversão.
Quando muito este caso é, em primeiro lugar, um problema interno do PS. Neste sentido não foi inocente a mudança de local para a anunciada “comunicação ao País” da antecâmara da reunião com o grupo parlamentar para a residência oficial do 1º. Ministro.

A 2ª. verdade é mais complexa. A considerada (por J Sócrates) falsidade de que, à data da 1º. comunicação pública na AR, sobre seu estádio (ou nível) de informação relativo a uma eventual intenção da PT de adquirir a TVI, parece padecer do vício formal que faz desviar o peso das responsabilidades para ocasionais (ou negligentes) omissões burocráticas. Provavelmente, a PT não comunicou oficialmente ao Governo a intenção de adquirir numa operação de mercado a TVI. Nem sei se tinha de o fazer, pelo menos, no que diz respeito ao Ministério da tutela.
Mas, nunca foi desmentido o que o presidente da PT revelou. Isto é, que na véspera do debate na AR, tinha informado – no decurso de um jantar – que esse “negócio” estava encerrado e não se realizaria.
No dia seguinte, o 1º. Ministro, perante os deputados, declarou, liminarmente, desconhecer esse assunto.
Hoje, pressupõe-se que conhecia as intenções (passadas?) da PT - informalmente, como se tornou óbvio - donde a aposta na chancela de falsidade, pode transformar-se numa figura de retórica.
Todavia, esta é, reconheça-se, a parte visível da sua comunicação que, directamente, envolve a prestação de contas por parte do Governo na AR. Aqui, ao contrário da 1ª. verdade, existe um problema de governação e não uma questão partidária.


A 3º. verdade foi o mero repisar de situações relativas ao Estado de Direito e ao funcionamento da Justiça, onde o “segredo de justiça”, para este caso, como para muitos outros, não funcionou. Foi, podemos dizer, o corroborar das afirmações tecidas sobre estes recorrentes problemas explanadas, há poucos dias, pelo PGR.
Não é o primeiro caso mediático onde observamos aquilo que Sócrates chamou: “a divulgação criminosa de escutas”. Para não ir mais longe bastaria que o indigando 1º. Ministro tivesse visionado, umas semanas atrás, o YouTube…

De qualquer modo, esta comunicação ao País – parte urdida como 1º. Ministro, outra como Secretário-Geral do PS – continua a padecer de alguns pecadilhos: pretendeu ser muito taxativa mas tornou-se pouco clara e, como muita gente vinha afirmando foi, manifestamente, tardia.
E sofreu de uma intolerável inquinação: misturar, no mesmo saco, Governo e PS.

Mas a intenção de comunicar, em inegáveis e convulsivos momentos de crise, é um importante passo para o desanuviamento do clima político, de que tanto necessitamos.

É que na vida (…como diria Guterres) convivemos, a par e passo, com três verdades:
- a minha, a sua e a verdade...