quarta-feira, junho 30, 2010

PT – a “golden chair”…

A PT poderá vir a ser objecto de todos os bloqueios que o mundo financeiro conseguir imaginar.
Não vale a pena alimentar ilusões!

Mas a utilização da golden chair, por parte do Estado, na assembleia de accionistas da PT de hoje, é a mais dura machadada na epopeia neoliberal nacional [ver reacção da Direita] e, quiçá, europeia [ver reacção da Comissão Europeia].

Quem “obrigou” o Estado a intervir no sector bancário [criando fundos de sustentabilidade] na sequência da falência da Lehman Brothers Holdings, tem pouca autoridade [pouca carga ética] para, neste momento, aparecer a criticar a atitude governamental …

Desde há muito tempo que não tínhamos oportunidade de ver a política [o interesse público] impor-se às manobras bolsistas, no fundo, comandadas pelo mundo financeiro.

De facto, para a maioria dos portugueses, aqueles que não estão envolvidos neste gigantescos negócios, parece claro e transparente que a área das telecomunicações é um inegável sector estratégico, a defender da voracidade dos mercados.

Isto não é – como afirma a CE / UE - um obstáculo à livre circulação dos capitais. É, antes, a propalada regulação dos mercados [sempre citada e prometida] que tarda a concretizar-se. E quando mais tardar mais perigos corremos de termos de voltar a enfrentar [e pagar] “novas bolhas”, geradas pela permanente e perseverante ganância dos investidores e pela crescente onda especulativa que trucida as finanças públicas portuguesas [e da Europa do Sul].

É cada vez mais notório que a saída desta dramática "crise" só será possível pela via do crescimento económico e de uma mais equitativa distribuição da riqueza [também à revelia dos mercados...!].

Na morte de Saramago

PSD-Madeira rejeita voto de pesar pela morte de Saramago na assembleia municipal do Funchal

Esperemos que não seja o Santo Ofício...

... apesar da eficácia comprovada.

O papa Bento XVI vai instituir no Vaticano um órgão para combater a secularização e «reevangelizar» países ricos e desenvolvidos do Ocidente, segundo ele ameaçados pelo «eclipse de um sentido de Deus».

terça-feira, junho 29, 2010

Quando o presente acorda o passado

Já chegámos à Madeira?

A Assembleia Legislativa da Madeira chumbou esta terça-feira um projecto de resolução do CDS/PP-M que pretendia alterar o Regimento do Parlamento, dando mais voz à oposição e exigindo a presença mensal do presidente do Governo Regional.

Comentário: A Madeira tem noções de democracia a que não é alheia a escola salazarista onde se formou Jardim.

segunda-feira, junho 28, 2010

Supremo Tribunal dos EUA recusa confirmar imunidade do Vaticano

O Vaticano poderá vir ser alvo de um processo de responsabilidade civil nos Estados Unidos por causa dos actos de pedofilia cometidos por um padre.

O Supremo Tribunal dos EUA recusou hoje pronunciar-se sobre a questão da imunidade da Santa Sé, o que, na prática, vem confirmar uma decisão anterior de um outro tribunal que tinha levantado essa mesma imunidade.

Berlusconi sem 1.ª dama

Federica Gagliardi, na foto, foi a acompanhante que Berlusconi levou à reunião do G8. Mereceu mais interesse dos jornalistas do que as decepcionantes decisões da reunião.

A nobreza negra do Vaticano

Pessoas do círculo papal estão implicadas nos escândalos de corrupção da Protecção Civil e da Propaganda da fé. Criou-se um sistema misto que mistura o laico e o religioso, a Igreja e o Estado, a Itália e o Vaticano, a Cúria e a elite civil.

Este artigo de El País mostra a ponta do iceberg que os vassalos do Papa escondem. É o mundo opaco e pouco recomendável de sempre, protegido pelas sotainas, ensopado em água benta e com forte odor a incenso, uma mistura beata de devoção e transgressão, a merecer a atenção da polícia e o rigor do Código Penal.

domingo, junho 27, 2010

G-8 / G-20 ou encontros bilaterais ?

As cimeiras G-8 e G-20, convocadas simultaneamente para Toronto, trouxeram algumas novidades mas, fundamentalmente, reforçaram as dúvidas que se vão levantando - em todo o Mundo - sobre a situação política, económica e financeira internacional e os esforços que estão a ser desenvolvidos para a combater.

Em primeiro lugar, as duas cimeiras em simultâneo significam que o G-8 está prestes a diluir-se no G-20, de acordo com as novas opções estratégicas de Washington;

Depois, a concepção que - nestes tempos de crise - o G-20 tem uma melhor capacidade para enfrentar os novos desafios globais é o toque a finados para o G-8 e atinge profundamente a capacidade de liderança europeia no [velho] contexto dos países mais ricos [8];

Os países emergentes que integram o G-20 estão interessados numa efectiva concertação entre os controlos orçamentais [divida externa incluída] e um crescimento sustentado, vital para o seu desenvolvimento;

Esta alteração de formato vem dificultar - ainda mais - a relações entre as diferentes potencias mundiais potenciando os contactos bilaterais - à margem de todos os G's - como são os casos das cimeiras [periódicas] entre os EUA e a China e/ou a Rússia;

O comunicado final da reunião dos G-8 mostra à saciedade profundas discrepâncias sobre as medidas necessárias [indispensáveis] para o debelar da crise, i. e., as taxas sobre os mercados financeiros [sector bancário], onde ficou decidido que cada País fará o que quiser;

De facto, o que o comunicado final evidencia é [também] uma grave crise na liderança internacional que se expande para além da UE [onde tem sido evidente e notória] e, para além disso, já atinge a popularidade e o carisma de Obama, cada vez mais enredado e manietado nas teias da política internacional;

O comunicado final da cimeira ignora, olimpicamente, a crise social subsidiária da crise económica e financeira, deixando em suspenso o drama do desemprego galopante que atinge a maioria dos Países desenvolvidos;

Finalmente, a cimeira trouxe uma romântica novidade. A nova companheira de Berlusconi que, airosamente desceu do Airbus do dirigente italiano, jovem, vestida de branco, ruiva, vaporosa, uma suposta “Barbie”. Um êxito para o septuagenário Il Cavaliere. Nada de importante ou de transcendente para o Mundo... suspenso da G-8 ! .

Post it: A "não convergência" da cimeira não impressiona, nem será relevante. O actual G-8 [anteriormente G-6 e G-7] com 35 anos de existência já aprovou mais de 3.000 acordos. Sem qualquer efeito prático. Portanto, é [foi?] um caminho percorrido, sem honra nem glória...

sábado, junho 26, 2010

A Direita travestida…

O secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, dá hoje uma entrevista ao Jornal Público [pág. 13], onde releva um oculto tacticismo do seu partido, sob a forma de uma ampla generosidade, um ambíguo altruísmo [político], uma paciência oriental, ... link

Partindo de uma recente sondagem da Marktest que atribui ao PSD uma clara vantagem nas intenções de voto [o que lhe permitiria obter uma maioria absoluta], o secretário-geral do PSD, desfia um rol de propósitos tácticos como se fossem grandes e inovadoras opções estratégicas [aparentemente para o País...].
Afirmando que o actual governo [e o seu projecto] estão fora do tempo e começam a ser uma carta fora do baralho não consegue - com a ginástica retórica ensaiada - evitar que passe para fora [para os portugueses] a táctica do “'esturricar' em lume brando” o actual Executivo, para proveito estritamente partidário. De facto, se existe [e fosse verdadeira] esta aparente convicção não se percebem duas "ocorrências":

1.) Porque o PSD não tem pressa em governar [embora exibindo soluções para tudo…] deixa – deste modo "calculista" - agravar-se a situação do País;
2.) Porque – ainda invocando o interesse nacional - o PSD se mostra disponível no apoio às medidas de austeridade do actual Executivo.

Uma insanável contradição está patente nestes altruístas propósitos. A fantasiosa asserção de que o “PSD não está cá só para ser Governo, mas para assumir uma política de reforma” é claramente desmentida à frente, quando afirma que “com Pedro Passos Coelho o partido não quer ser uma mera alternativa igual ao PS, mas construir um projecto não-socialista para Portugal” .
Finalmente[!], Miguel Relvas, fugiu ao grandiloquente discurso sobre um [imaginário] interesse público para regressar ao real confronto [e, aí sim, interesse] partidário.
E, o rumo à construção de um projecto “não-socialista” é, de facto, a evidência de um “não-projecto”. Ou, então, uma Direita envergonhada, escondendo a sua verdadeira ideologia neoliberal [grande responsável pela presente crise que nos assola]. Tacticamente prefere, por isso, manter-se emboscada, travestida, recusando mostrar a verdadeira face.
Cai, assim, mais uma das últimas [e sucessivas] máscaras do PSD – a inefável luta para ser um partido paladino da verdade.
Como faz o povo num tradicional jogo de cartas [sueca]: - na altura em que é indispensável destrunfar, não são permitidas renúncias [aliás, em nenhumas circunstâncias são toleradas]...

Cartoon de Saramago - Humor brasileiro


sexta-feira, junho 25, 2010

Madrid - Manifestação contra a impunidade

La Plataforma Contra la Impunidad del Franquismo convoca este sábado en la Puerta del Sol de Madrid una concentración nocturna (a las 22:30 horas) para llenar esa plaza de velas en recuerdo de los 113.000 desaparecidos y desaparecidas de la dictadura y para que sus familias ejerzan su derecho a la verdad, a la justicia y a la reparación.

Trae tus velas y recuerda que cada vez que reenvíes este mensaje estarás encendiendo por lo menos una.
Ponte Europa associa-se a esta manifestação cívica a favor das famílias das vítimas e contra os crimes do franquismo.

Subsídios para a compreensão da crise - II

SOROS SIEHT DEUTSCHE SPARPOLITIK ALS GEFAHR FÜR EUROPA


US-Investor George Soros erhebt in der ZEIT schwere Vorwürfe gegen die Regierung: Mit ihrer strikten Sparpolitik gefährde sie die Währungsunion – und die Demokratie.

Die Zeit. 23.06.2010. link


SOROS CONSIDERA A POLÍTICA DE AUSTERIDADE ALEMÃ COMO UM PERIGO PARA A EUROPA

George Soros, investidor norte-americano[*], fez à Die Zeit acusações graves contra o governo alemão [da Srª. Merkel].
Disse:
“Com a sua rígida política de austeridade põe em perigo a união monetária e a democracia [na zona euro]…” [tradução livre]

[*] - George Soros, empresário e homem de negócios norte-americano [de origem hungara] tornou-se conhecido em todo o Mundo pelas suas actividades especulativas no mercado cambial, tendo ganho, num só dia, cerca de 1 bilhão de dólares, num cirúrgico "ataque" à libra esterlina [Banco de Inglaterra], em 1992...

Comentário: George Soros saberá do que está a falar...?

A independência dos Tribunais e a dependência dos magistrados

Não sei o que pode levar um obscuro procurador do Ministério Público a cometer um acto ilegal de arrogância e prepotência contra o primeiro-ministro e, sobretudo, que «após insistências» – segundo se lê no DN –, tenha convencido um juiz a despachar o requerimento para a AR (destino errado) para que Sócrates fosse constituído arguido.

Pasma-se com a obstinação do procurador e, a ser verdade o relato do DN, com a falta de ponderação do juiz.

O descalabro do sistema judicial vem de longe, desde o 25 de Abril, quando se permitiu que os magistrados dos Tribunais Plenários, e os que coadjuvaram a PIDE, transitassem para o sistema judicial de um país democrático, sem julgamento, quiçá favorecidos por terem sido cúmplices da ditadura.

O sobressalto cívico, calado por respeito à imensa maioria de impolutos juízes, ocorreu quando um juiz se fez acompanhar de câmaras de televisão para ir prender um deputado à Casa da Democracia, a Assembleia da República, um acto de humilhação ao órgão de soberania que lhe devia merecer respeito e discrição.

O referido deputado não chegou a ser acusado e o juiz foi acusado de ter cometido erros grosseiros, num acórdão da Relação. Acabou classificado com Muito Bom, sem que os erros grosseiros e o débil comportamento democrático fossem objecto de ponderação.

Diariamente vemos os dirigentes dos exóticos sindicatos de magistrados a criticarem o Governo e a emitirem opinião sobre as leis, sem que – e muito bem – os deputados e governantes se pronunciem sobre a instrução dos processos e as sentenças judiciais.

Desta vez, a Comunicação Social omitiu piedosamente os nomes dos responsáveis pelo abuso e pelo descrédito que lançaram sobre a Justiça.

Se os portugueses permitirem a politização dos magistrados e a partidarização dos actos judiciais cai um pilar do Estado de Direito. Os juízes sabem que integram o único órgão que não é sufragado e que, por isso, têm deveres acrescidos de isenção. Em relação ao M. P., é bom que alguém lhe faça ver que tem subordinação hierárquica e que não pode, por ignorância ou má fé, interferir na política.

quinta-feira, junho 24, 2010

A propósito do post anterior

Transcrevo, com a devida vénia, do blog "Câmara Corporativa":

A caminho da república dos juízes procuradores
“O País é governado por uma coligação entre alguns procuradores da República e alguns jornais. Isso é desestruturante. Há valores que foram completamente prostituídos.”Quem o diz é Henrique Granadeiro ao Jornal de Negócios, que acrescenta: “É uma verificação. Sei muito bem como as coisas são cozinhadas.”

(Nota: no original a palavra "juízes"vem riscada, mas eu não sei reproduzir isso)

Incompetência ou ódio?


Magistrado constituiu o primeiro-ministro como arguido sem dar conhecimento superior e arrisca, no mínimo, um processo disciplinar. Caso foi, agora, para o Supremo

As eleições presidenciais e as calúnias torpes

Ainda não começou a campanha eleitoral para as presidenciais e as alfurjas da reacção já bolçam infâmias contra Manuel Alegre.

Não tomei qualquer decisão quanto ao eventual apoio a Alegre mas não deixarei de o defender, tal como fiz com o almirante Rosa Coutinho, com quem não tinha afinidades, indignado com a carta forjada, num português medíocre e numa ética grosseira, que denunciei face às execráveis acusações de que foi alvo, após a montagem em que pedia ao MPLA para matar todos os portugueses residentes em Angola.

O alvo é agora Manuel Alegre a quem atribuem, na cobardia do anonimato, confiantes na falta de sentido crítico dos portugueses, os maiores crimes. De vítima da ditadura que o perseguiu passa a algoz da Pátria que ama. É a mesma direita salazarista que, logo após o 25 de Abril, acusou Mário Soares de homossexualidade, como se fosse crime ou verdade, que espalhou a montagem da PIDE sobre as ofensas à bandeira Portuguesa e outra lama com que pensavam impedir os portugueses de o sufragarem sucessivamente primeiro-ministro e presidente da República.

São os mesmos que assassinaram politicamente Ferro Rodrigues e que combinaram o caso Freeport (conhece-se o local, o nome das pessoas, o autor designado para a carta anónima e os contornos da conspiração urdida) sem consequências para os malfeitores. São os mesmos que, na teimosa e patológica homofobia, voltaram à homossexualidade para ferir Sócrates antes das eleições legislativas. Lembro-me bem da insinuação de Santana, num frente-a-frente televisivo, ao adversário que o trucidaria eleitoralmente.

Em Portugal deixou de se discutir política, substituiu-se a luta de ideias pelo assassínio de carácter e pela suspeição sobre os políticos. Quem leia o que se publica fica com a impressão de que o Governo é exemplar, apenas há suspeitas sobre o carácter do PM.

É mau caminho para a democracia, mas quem pensa que certa direita e alguma esquerda estão interessadas no regime?

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, junho 23, 2010

Cavaco no seu labirinto

(Clique na imagem para ampliar)
In Visão n.º 903 - 24/30-06-2010 (Em Foco)

Subsídios para a compreensão dos primórdios da crise…[2006!]


“There’s class warfare, all right,” Mr. Buffett said, “but it’s my class, the rich class, that’s making war, and we’re winning.” link

"A luta de classes existe, é um facto, mas é a minha, a classe dos ricos, quem conduz esta guerra e vamos vencer"…

Warren E. Buffett *

* - O 3º. homem mais rico do Mundo in revista Forbes. “Patrão” da Berkshire Hathaway, “investidor” na Goldman Sachs, American Express, Bank of America, Wells Fargo, E.U. Bancorp, General Electric, Coca-Cola, Gillete, …


Comentário: Por estes "caminhos" - com toda a certeza!

Factos & documentos

Franco entregou seis mil judeus ao regime nazi

Nunca falo da Guerra Civil de Espanha sem me horrorizar da violência que grassou dos dois lados da barricada, da cumplicidade da Igreja católica com os sediciosos e da onda de anticlericalismo que degenerou em barbaridades inimagináveis.

Depois de derrubado o Governo legal, Franco persistiu em assassinar adversários e nem o clero republicano poupou à fúria sanguinária, sem que lhe faltassem bispos, padres e cardeais a anunciarem que o infame era enviado da Providência.

Houve centenas de milhares de vítimas e raras famílias escaparam à orgia de terror que invadiu o país e ao ódio que está longe de ter desaparecido. Para reavivar feridas, muito contribuíram os dois últimos Papas, canonizando em doses industriais as vítimas de um dos lados.

Quando as vítimas do outro lado reclamaram os corpos dos familiares que perderam ou quiseram averiguar quem foram os pais que lhes assinaram antes de os entregarem para adopção a biltres fascistas, logo a perseguição se virou contra o honrado e corajoso juiz Baltasar Garzón, impedindo a justiça possível para as vítimas humilhadas.

Franco pertence à galeria dos mais frios e cruéis assassinos do século passado e a Igreja católica espanhola carrega o horror e a humilhação pela cumplicidade e entusiasmo com que colaborou. Desde os Reis Católicos que a violência não encontrava tão entusiástica cumplicidade clerical na onda de terror que dilacerou um povo.

Este artigo do Diário de Notícias levanta o véu de mais uma atrocidade escondida pela imensa teia fascista que sobreviveu à democracia – a entrega de uma lista de seis mil judeus, à Gestapo, pelo embaixador de Franco.

O carácter nazi do franquismo não é surpresa mas surpreende o facto de não ter havido um único campo onde a crueldade do regime não tenha chegado. Por isso os guardiões do nazismo espanhol estão tão preocupados com os esqueletos que esconderam.

Ponte Europa / Sorumbatico

terça-feira, junho 22, 2010

Itália - A religião e os negócios


Crescenzio Sepe, arcebispo de Nápoles, é suspeito de ter recebido 2,5 milhões de euros como compensação pela sua participação na venda de um edifício da Igreja a um preço inferior ao seu real valor.

Da grandiosidade ao básico…

O designado “Metro do Mondego”, nome pelo qual é conhecida uma das soluções de ligação ferroviária de superfície entre zonas da cidade de Coimbra e concelhos limítrofes, tem sofrido ao longo dos tempos uma interminável série de vicissitudes, de atropelos, de postergações...

Desde a fase conceptual que remonta – para sermos comedidos – a 1992, seguida de prolongada hibernação até 2006, altura em que o projecto [continuamos a falar de projectos...] sofre uma “reorientação", até à transformação do já centenário ramal da Lousã [em funcionamento desde 1906…] que, no papel, é projectada para ter início em 2007, vai um longo calvário.
Uma segunda fase desta obra pública que compreende as ligações entre a estação de Coimbra B, os HUC/Hospital Pediátrico, a estação de Coimbra-Parque e as redes urbanas programadas, tem sido – sistematicamente [metodicamente?] – protelada...

Trata-se da construção de um sistema de transportes metropolitano [daí o nome da empresa pública que responsável pelo projecto e sua execução] numa cidade com, cada vez maiores, dificuldades de acesso e escoamento do trânsito [afunilamento de rodovias] e com incríveis constrangimentos da circulação urbana [como, p. exº., o atravessamento de uma zona nobre – beira-rio - por comboios “clássicos”...].
A conclusão deste projecto estava prevista para 2010 e sua efectiva entrada em funcionamento para 2011.

Bem, segundo informa o Diário de Coimbra de hoje [22.06.2010] , os condicionamentos resultantes da aplicação do PEC [2010-2013], vieram colocar em causa as já retardadas obras do “Metro do Mondego”. link

Na verdade, mais do que um simples adiamento dos já diferidos investimentos, a suspensão do lançamento de futuros concursos, tem – para o Distrito de Coimbra – importantes condicionantes económicas e sociais.
Provavelmente, a mais importante e a mais visível dessas condicionantes será, remeter para o século passado, os anseios das populações de Coimbra e concelhos limítrofes, em termos de mobilidade e de acessibilidades.
De facto, este investimento público da ordem dos 52 milhões de euros [não resisto em sublinhar] visa [visava] promover uma rede urbana e suburbana articulada e, nesse campo, notórias e inadiaveis ajustamentos ao nível da eficiência e da ecologia nos transportes e, em termos sociais, veicular um tímido [limitado] acesso à modernidade [séc. XXI].

Como sabemos, a actual crise económica e financeira condicionou, na prática, os investimentos públicos. A ideia transmitida para as populações foi de que só os “grandes” investimentos [os grandiosos] poderiam ser afectados e adiados. As pequenas obras públicas prosseguiriam...
Estamos a falar [pensar] de, por exemplo, 4.000 milhões de euros [custo estimado para o novo aeroporto de Lisboa] ou de 1.494 milhões de euros [TGV:troço Poceirão-Caia]…
De recordar que o Estado [outro exemplo] já avalizou - em empréstimos ao Banco Português de Negócios (BPN) - um valor superior a 3000 milhões de euros…
Perante estes valores o custo estimado para o Metro Mondego [52 milhões de €] é – em termos de esforço financeiro – um investimento “leve”, atrevo-me a classificá-lo de “peanuts”.

Mas pesadas [e quiçá ocultas] serão outras [novas?] prioridades que não passam pela província, nem pelo combate às, cada vez mais cavadas, assimetrias entre a grande metrópole urbana [ex-capital do Império] e a pacata e saloia Província.
A rede metropolitana de Coimbra é um investimento estruturante para o desenvolvimento do Distrito de Coimbra. Mais, é uma infra-estrutura básica. Indispensável, logo, inadiável.
A alternativa será, portanto, conformarmo-nos a viver num simulacro do ambiente queirosiano como o descrito na “Cidade e as Serras" [Coimbra e a serra da Lousã]...

É óbvio que muita gente [ainda] julga que a Província pode, pacientemente, esperar. Ao fim e ao cabo, trata-se de “paisagem” [a Província] que, sem a intervenção humana e tecnológica, permanece imutável. Uma imutabilidade que não será mais do que a [politicamente] indispensável diferenciação entre o grandioso e o básico.

Afirmações do patriarca Policarpo

Diz D. José Policarpo que "a existência de crucifixos nas escolas é uma questão que deve ser vista com sentido de respeito pelas comunidades", lembrando que, "ao longo dos tempos, sobretudo no século XX, durante o Estado Novo e depois, nem a igreja nunca exigiu isso, nem o Governo nunca o proibiu", acabando a colocação de crucifixos nas salas de aula "por ser espontânea e sempre um pouco ao nível da decisão da comunidade local".

A mentira é condenável, mesmo num cardeal:

«Em todas as escolas públicas do ensino primário infantil e elementar existirá, por detrás e acima da cadeira do professor, um crucifixo, como símbolo da educação cristã determinada pela Constituição.

O crucifixo será adquirido e colocado pela forma que o Governo, pelo Ministério da Educação Nacional, determinar.» (Lei nº 1:941, de 1936; ver a «Base XIII»)


Ver Mais em República e Laicidade

Morrer pelas ideias, morrer por 25 Francos!

Como dizem os franceses, “forte oportunamente” nesta época de por vezes demagógicos ataques aos salários dos políticos, Alain Garrigou, acaba de publicar, na Les Belles Lettres, o livro « Mourir pour des idées - La Vie posthume d'Alphonse Baudin ».

Trate-se da historia trágica de um dos primeiros defensores em França do pagamento de salários aos políticos. Baudin morreu numa das barricadas de Paris, em 3 de Dezembro de 1851, durante o golpe de Estado de Louis Napoléon Bonaparte ; à época, “et pour cause!”, os parlamentares de direita mas também boa parte dos de esquerda estavam contra o pagamento de « indemnités » (no caso, eufemismo para designar salário pago a político)

Nota: Numa altura de forte ataque aos políticos, vale a pena publicar esta informação que me chega de um amigo - Eduardo Costa Dias.

segunda-feira, junho 21, 2010

CEM MULHERES...

Com a devida vénia, permito-me transcrever um texto publicado no blog "sine die" por Eduardo Maia Costa:

Cem mulheres à procura de um homem
Não é anedota, é mesmo verdade. Cem mulheres portuguesas, muito patriotas e muito tementes a Deus, desiludidas com Cavaco, que pactuou com o inimigo, querem um candidato a PR que seja fiel aos "valores da família". Pensaram em Bagão Félix, mas este deu-lhes com os pés. Agora andam à procura de outro homem, que tarda em aparecer. Que tempos tão difíceis! O défice não é só no orçamento.Mas por que terá de ser um homem? Não pode avançar uma delas?
Publicado por Eduardo Maia Costa (23:13)

Falta de nível ao mais alto nível

1 - O Presidente tinha mais uma justificação para continuar de férias em S. Miguel, apesar da morte de Saramago: a importância que para ele tem a palavra dada. "Todos os portugueses sabem que desde quinta-feira à noite estou nos Açores, em S. Miguel, cumprindo uma promessa que fiz há muito tempo a toda a minha família, filhos e netos, de lhes mostrar as belezas desta região."

2 - Já o presidente da Assembleia, Jaime Gama, segunda figura do Estado, também nos Açores, não foi e optou pelo silêncio.

3 - Institucionalmente, Pedro Passos Coelho, que não foi às cerimónias para estar num almoço do PSD em Leiria, fazendo-se representar por Miguel Relvas, secretário-geral e porta-voz, relativizou a questão. Porque é preciso "pôr de lado algumas dessas polémicas e concentrarmo-nos no que é essencial, num dia em que uma pessoa com a grandeza de José Saramago deixa um vazio na nossa cultura".

Fonte: Texto retirado do Público

Sonhos numa manhã primaveril...

O "Adeus a José Saramago" deu azo a que múltiplas personalidades da vida pública e literária [de todo o Mundo] expressassem, sobre o notável escritor português, os seus profundos sentimentos.
É difícil seleccionar quais as que mais sensibilizaram o coração dos portugueses e das portuguesas que, comovidamente e respeitosamente, assistiam às merecidas homenagens.

Quero, arbitrariamente, seleccionar uma:
" Sonhou com uma terra livre - de opressão, de miséria e de perseguição. Sonhou com um mundo em que os fortes eram mais justos e os justos eram mais fortes. ..."
[Maria Teresa Fernández de la Vega]

CHIP's: do amadorismo, à sede de colectar, aos atropelos…

Hoje poderão ser feitas as reservas dos chips de matrícula automóvel instrumento indispensável para os utilizadores de [algumas] SCUT’s serem "portajados". Atenção, não são ainda os ditos chips mas tão-somente a reserva dos mesmos.
Esta situação faz lembrar uma outra, com certeza mais grave, mas em tudo semelhante e referente aos Países que, desgraçadamente, mantêm no seu ordenamento jurídico a pena de morte, encarregando-se, posteriormente, o Estado de cobrar à família dos executados o custo do fatídico projéctil. É que, sendo a reserva do controverso chip [ainda uma entidade virtual], pressupõe um adiantamento de 25 €, a ser consumido em futuras utilizações [das SCUT’s].
A todo o custo tornou-se necessário começar a facturar a partir de 1 de Julho e não existindo condições técnicas recorre-se a compulsivos empréstimos dos utilizadores/contribuintes, com ameaças de coimas à mistura. Mesmo quando é visível que a entidade cobradora nunca pensou em preparar-se ou apetrechar-se para esse efeito. Transfere-se o ónus dos mecaniosmos dessa cobrança para o utilizador. Isto é, passa a ser cobrada uma taxa de utilização e o contribuinte/utilizador deverá trabalhar no sentido de facilitar á entidade que explora a SCUT utilizada, o fácil, cómodo [sem despesas] arrecadamento da verba estipulada.
Justificação para tal despautério, a crise económica e financeira combatida num quadro de sistémico improviso e o mais puro amadorismo tributário.

Talvez seja oportuno relembrar que as SCUT’s foram lançadas como parte integrante de projectos de desenvolvimento do interior e de zonas menos desenvolvidas, através de leoninas parcerias público-privadas, teoricamente a custo zero para os contribuintes, o que agora – outra vez evocando a crise – é posto em causa.
Mas no que diz respeito à rentabilidade dos parceiros privados [investidores] estão assegurados leoninos retornos. Sendo os utilizadores a pagar haverá um lucro enorme; se não existirem utilizadores a rentabilidade “garantida” é da ordem dos 14% [saí dos bolsos dos contribuintes]. Isto é, o investimento privado onde os riscos são cobertos pelo sector público. Qualquer português estaria disposto a integrar [se tivesse oportunidade e dinheiro] parcerias público-privadas, neste indigno modelo mercantil [predador das finanças públicas].

Finalmente, os atropelos. A legislação que institui os chips vai, esta semana, ser apreciada pela Assembleia da República. Os partidos da oposição parecem decididos a modificá-la invocando que os chips podem configurar situações atentatórias da protecção de dados pessoais...
Espantosa é a atitude [soberba] das entidades cobradoras ao afirmarem – para proteger o sistema de arrecadação virtual inventado – que qualquer que seja a decisão da AR, esta não prejudicará as [virtuais] reservas. É óbvio que não. Pudera, os 25€ já estarão em caixa, sem despesas de cobrança!

Esta a pungente imagem de amadorismo fiscal e tributário vítima de uma incontrolável sede de receitas [com indefinidos critérios de justiça e de equidade social], pejada de atropelos que vão desde o eventual desrespeito pelo Estado de Direito [a protecção de direitos individuais], à extorsão antecipada de prestações ["qualquer que seja a decisão do poder político"…]. Inacreditável…!!!
Um país a saque?
Vale tudo?

Nápoles é notícia…

Arcebispo de Nápoles envolvido em teia corrupta

O cardeal Crescenzio Sepe, de 66 anos, arcebispo de Nápoles, em Itália, viu-se envolvido numa enorme teia de corrupção que está a ser investigada. A polícia suspeita de uma rede criminosa envolvida na preparação de grandes eventos, como a conferência do G8, em L’Áquila.

domingo, junho 20, 2010

Uma "real" pulhice

Falando em Viseu, na sessão de encerramento do XVI Congresso da Causa Real, sem nunca referir o nome de José Saramago, Duarte Pio, disse ser:
"... simbólico que o país neste momento esteja a homenagear como um grande herói nacional um homem que é contra Portugal, que quis que Portugal deixasse de existir como país, que tem um certo ódio até à nossa raiz e que esse seja considerado o símbolo actual do nosso regime..." link

Até amanhã, se eu quiser

Habituei-me há muito a diversificar a forma como saúdo ou me despeço das pessoas com quem convivo. É tão frequente usar um simples aperto de mão, um caloroso abraço ou um pudico beijo, em silêncio, como dizer de forma exuberante: até ao dia tal, se eu puder, se eu quiser ou se nós pudermos.

A beata missionação que corrói a vontade e mina o sentido crítico reduz a língua que falamos à vacuidade litúrgica das frases feitas.

O cumprimento entre pessoas deixou de ser a expressão de um sentimento para se tornar na declamação ritualista que exonera a consciência e exclui os afectos. Não se exprime o pensamento, recorre-se ao bordão que evita ao cérebro o uso de neurónios e à pessoa o incómodo de revelar a sua natureza.

Até os locutores das televisões, incapazes de adicionar ao texto do noticiário que lêem o cumprimento que devem aos ouvintes, se refugiam no «até amanhã, se deus quiser».

As frases inúteis não chegam a ser partículas de realce, são remendos de um pano de pior qualidade no tecido da prosa que debitam.

Quando os vejo com aquele ar ausente, a recitar o «até …, se deus quiser», lembro-me dos relógios parados, com a corda quebrada, que todos os dias estão certos duas vezes. Deus só acerta uma vez na vida.

Homenagem a Fernando Vale

sábado, junho 19, 2010

A morte de Saramago vista do Vaticano

Não se esperava daquele bairro de 44 hectares onde adejam sotainas e reluzem mitras, daquela teocracia que fabrica santos e rubrica milagres, onde o celibato é o estado civil obrigatório e a santidade a profissão do Papa, que a morte de Saramago fosse sentida.

Desta vez, pelo menos, livrou-nos da hipocrisia. O escritor que quis ser incinerado na morte não foi cremado em vida como soía acontecer aos hereges. E, como o respeito é muito bonito, não teve na morte o acompanhamento lúgubre dos funcionários do deus de Bento XVI, nem de outras seitas, que vendem o Paraíso a retalho e ameaçam com o Inferno por atacado.

Quando o Estado do Vaticano afirma, no obituário do jornal oficial, que Saramago era 'populista extremista', manifesta a raiva de quem não perdoa, de quem esquece o próprio passado e os crimes que cometeu e comete.

As Cruzadas, a Inquisição, as perseguições aos judeus, a Reforma e a Evangelização são alguns dos momentos mais cruéis dos dois últimos milénios. A encíclica Syllabus é um monumento de intolerância e perfídia que só um Papa podia ter escrito, ao contrário das páginas de Saramago onde a discutível visão do mundo é um hino à língua portuguesa e uma homenagem amarga aos que são vítimas da tirania.

'L'Osservatore Romano, de hoje, revela-se um pasquim à altura do ódio que medra por entre velas com odor a incenso. É a imagem do que a Igreja católica ainda seria capaz, se mantivesse o poder temporal e se os Estados não tivessem domado a vocação despótica do clero romano.

Saramago é e será uma referência mundial de pensador que, não tendo o monopólio da verdade, procurou contribuir para a justiça social no mundo. Foi um livre-pensador e o notável escritor que sonhou um mundo melhor.

Pelo contrário, o Vaticano tem como Papa um ex-inquisidor que se apoia no Opus Dei, na Legião de Cristo e na Fraternidade Sacerdotal de S. Pio X, movimentos abertamente reaccionários, anti-semitas e de pendor fascista.

Eu não trocava uma página de Saramago pelas obras completas de qualquer Papa.

Apostila - Um texto de José Luis Rodríguez Zapatero, presidente del Gobierno de España.

Associação 25 de Abril - Coimbra - CONVITE

CONVERSAS EM DEMOCRACIA



Democracia, Liberdade, Segurança”

    == A Segurança Interna em várias vertentes ==

    Conferência na Casa Municipal da Cultura em 21 de Junho de 2010 – 21H15

    Participantes:

    Joaquim Gomes Canotilho – Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra; Constitucionalista.

        “Direitos Fundamentais e Segurança

    Luís Eduardo Andrade – Membro da International Police Association.

    Modelos de Policia na Europa: Que modelo para Portugal?”

    António Marinho e Pinto – Bastonário da Ordem dos Advogados.

    “Justiça e Segurança”.

    Augusto Monteiro Valente – Major-General; antigo 2 º Comandante-Geral da GNR.

    “Sociedade, Cidadãos e Forças de Segurança”.

    Moderador:

    Manuel Bastos de MatosAdvogado

    Organização:

Momento de poesia... e de dor


Homenagem a Saramago…

Saramago, tu já partiste

na jangada que inventaste

deixaste-nos órfãos

na cegueira do convento

os pigmeus ficaram…


Alexandre de Castro

Lisboa, Junho de 2010

sexta-feira, junho 18, 2010

O PSD no seu melhor. O Twit da asneira

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA

Por

Amadeu Carvalho Homem*

MEMORIAL REPUBLICANO LIII

LIII - Um livro infame: "O Marquês da Bacalhôa"

As qualidades intelectuais e artísticas que não podiam ser negadas a D. Carlos, notável pintor naturalista e estudioso dos recursos oceanográficos da costa portuguesa, faziam contraste com o seu fundo de carácter, hedonista e sobranceiro. O monarca tratava toda a gente por tu, desde os serviçais do Paço aos chefes dos governos. Era dado aos “prazeres da carne”, estando longe de constituir um modelo de marido exemplar. Coleccionava amantes e rumava frequentemente a Paris, para beber champanhe na companhia de coristas complacentes. Constava que nos regressos ao pátrio torrão, ao cruzar a fronteira, proferia desabafos como este: “Cá regresso eu à piolheira”.

Um dos inúmeros escândalos de costumes do seu reinado teve-o como protagonista. D. Carlos quis ter por perto uma senhora com quem se relacionara intimamente. Por isso, mandou comprar, através da mediação do juiz António Maria da Veiga, espécie de inquisidor-mor das políticas oposicionistas, dois prédios bem próximo do Paço da Ajuda, mais concretamente na zona de Belém, para que as suas visitas fossem mais cómodas e talvez mais frequentes. Mas o caso transpirou para a opinião pública com grande estrondo. O próprio jornal republicano A Luta lhe fez publicidade, declarando em letra redonda que a compra apenas se destinara a encobrir os amores clandestinos do rei. O caso atingiu tais proporções que João Franco teve de destituir das suas funções o juiz Veiga.

Por outro lado, a rainha-mãe, D. Maria Pia, embora bastante popular junto dos mais humildes, dava-se a gastos sumptuários e parecia não ter a mais pequena ideia da situação angustiosa das finanças públicas do Reino. Todos estavam lembrados da avultada quantia de mais de cinquenta contos de réis que D. Maria Pia gastara nas obras do seu guarda-roupa do Palácio da Ajuda. As críticas, por isso, dardejavam com frequência, alvejando a família real e atingindo-a na sua própria dignidade.

* Historiador

Leia mais em LIVRE E HUMANO

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José Saramago - Nobel do nosso contentamento


Com o falecimento de José Saramago desaparece o mais destacado escritor da língua portuguesa.Com ele a língua ganhou um novo fôlego e a literatura um novo patamar.

O prémio Nobel não foi para Saramago o fim de uma tardia e profícua carreira, foi uma fase na vida de um dos mais fecundos e inovadores escritores de todos os tempos, que honrou as letras e trabalhou com elas até ao fim.

De Camões e Gil Vicente, passando por António Vieira e Aquilino, Saramago destacou-se numa plêiade de escritores do século XX e mostrou que a liberdade conquistada com o 25 de Abril trouxe consigo o espírito criativo e a genialidade.

A língua portuguesa deve-lhe a riqueza da sua imaginação e sabedoria e os portugueses o orgulho de o terem como referência estética e cultural, esquecidos já da mediocridade de um Governo de Cavaco, em que figuras menores como Santana Lopes e Sousa Lara, vetaram uma das suas obras emblemáticas – O Evangelho segundo Jesus Cristo.

Com Saramago foi um país Levantado do Chão que aprendeu história e fez a Viagem a Portugal. O escritor a quem o Vaticano, irritado com o Nobel, chamou inveterado ateu, foi um exemplo de dedicação ao trabalho literário a que dedicou as suas últimas forças.

José Saramago ficará para a História como um dos mais notáveis escritores de todos os tempos e como pensador que reflectiu o mundo empenhadamente sem perder a matriz do livre-pensador.

Portugal e a literatura ficam de luto.

Momento de poesia

Dissertação sobre a felação

Olho-te secretamente

enquanto inclinas

o corpo no balcão

e adivinho o equilíbrio

e a solidez

das tuas mamas

imagino-me deitado

a vê-las soltas

enquanto te debruças sobre mim

e a tua boca é já um navio a balouçar,

com o mastro erguido,

no meio da rebentação.

Alexandre de Castro

quinta-feira, junho 17, 2010

COIMBRA - C O N V I T E

COIMBRA CANTA OS PARABÉNS A AUNG SAN SUU KYI NO DIA DO SEU 65º ANIVERSÁRIO

MONUMENTO AO 25 DE ABRIL – SÁBADO 19 DE JUNHO 12H30

Aung San Suu Kyi, Prémio Nobel da Paz, continua detida em sua casa. O Partido que, lidera, Liga Nacional para a Democracia, foi dissolvido pela Ditadura Militar de Myanmar.

No próximo sábado, 19 de Junho, ocorre o seu 65º Aniversário.

Convido-a(o) para uma breve Homenagem a esta Grande Mulher, iniciativa pessoal que, designo “Coimbra Canta os Parabéns a Aang San Suu Kyi no dia do seu 65º Aniversário”, junto ao Monumento ao 25 de Abril, sábado, 19 de Junho, pelas 12h30.

Leve uma foto de Suu Kyi que, pode tirar da Net e flores para, colocar no Monumento. Vamos cantar-lhe os Parabéns.

Divulgue a iniciativa, escreva sobre esta Mulher, anote na sua agenda, participe.

Coimbra Não Esquece! Coimbra É Solidária!

Cidadão José Dias

Coimbra, 14 de Junho 2010

Factos & documentos


A burqa, o niqab e a laicidade

É surpreendente que cidade a cidade, país a país, a tolerante Europa comece a proibir os símbolos identitários que atingem sobretudo as comunidades muçulmanas. Várias vezes discuti o assunto, quando ainda não tinha o actual grau de premência, com o meu velho amigo e condiscípulo no liceu, Vital Moreira.

Os seus argumentos contra a proibição tinham o brilho da inteligência e da convicção e nunca me persuadiu, apesar de ambos defendermos a laicidade como uma exigência da democracia.

É difícil convencer alguém de que os crentes podem ser tolerantes mas as crenças não o são e de que há uma evidente afinidade entre crenças e acção. Os islamitas podem ser pacíficos, e geralmente são, mas não o são o livro que os intoxica nem os pregadores que os fanatizam.

Os cristãos já não queimam judeus mas quando eu frequentei a catequese gostava que eles morressem. Muitas décadas depois de pensar que deus foi uma perigosa invenção dos homens e um instrumento do poder ao serviço das classes dominantes, aprendi que os quatro Evangelhos (Marcos, Lucas, Mateus e João) e os Actos dos Apóstolos têm cerca de 450 versículos abertamente anti-semitas.

O sionismo não seria o que é se não fosse a crença no Armagedão e a demência da fé que devora aqueles crentes com trancinhas que se julgam o povo eleito com uma escritura no notariado celeste que lhes outorga a Palestina.

Quanto ao Corão e aos horrores que Alá reserva aos infiéis basta uma leitura na diagonal para nos apercebermos do fascismo islâmico contido nos versículos que são debitados nas pregações das mesquitas e recitados nas madraças. Não vale a pena esconder que mais de cento e cinquenta versículos do Corão são dedicados à jihad.

As Cruzadas, a Inquisição, a Evangelização, o imperialismo sionista e o terrorismo islâmico não seriam possíveis sem o livro horroroso que Saramago chamou, e bem, manual dos maus costumes.

O facto de hoje os cristãos se comportarem de forma humanista deve-se mais à repressão política sobre as Igrejas, desde o Iluminismo, do que à bondade dos textos sagrados. O Papa actual, tal como o anterior, sente a nostalgia do Concílio de Trento.

Em nome da liberdade defendo a interdição da burka e do niqab, sinais de submissão da mulher e instrumentos de provocação contra a sociedade laica. Por cada mulher que quer usar livremente tais adereços há milhares que são obrigadas.

Provem-me que a Tora, a Bíblia e o Corão só defendem o bem, apesar dos intérpretes encartados que querem convencer-nos, quando lhes convém, que tais livros não afirmam o que lá vem.

Qualquer religião, filosofia ou ideologia política que não respeite a igualdade entre homens e mulheres, não merece a menor consideração. E nenhuma religião respeita.

Ponte Europa / Sorumbático

Momento de poesia


Dissertação sobre o segredo…


Chegaste ao entardecer

cheia de luz

e ainda sabias ao sal

do mar onde te banhavas

eu já te conhecia desde a eternidade

como se tivesse adivinhado

a tua existência

por isso já conhecia o teu segredo.

Alexandre de Castro

quarta-feira, junho 16, 2010

Coragem, cobardia & oportunismos…

O Sr. José Carlos Pinto Coelho [assim por extenso para, nominalmente, o distinguir de José Pinto Coelho, dirigente do Partido Nacional Renovador e especialista em outdoors ultranacionalistas], é presidente da Confederação Nacional de Turismo [CNT] e, nesta qualidade [de parceiro social], esteve em S. Bento, com o 1º. Ministro, para opinar sobre as novas iniciativas [exigências] sugeridas por Bruxelas para combater a “crise portuguesa”.

À saída de S. Bento com a câmara em frente e o microfone à mão não se coibiu de, a par do “esfola-se” oriundo de Bruxelas, pugnar pelo nacional “mata-se”.
Para o citado dirigente associativo da indústria turística, a liberalização legislação laboral, a redução dos salários e outras medidas anti-sociais, são a pedra de toque para a retoma económica.
Nada de novo acrescentou às tradicionais posições vindas das confederações patronais. Só não se percebe [mas a vida surpreendo-nos…] como um cidadão tão apostado em destruir a coesão social passa por um parceiro “social”.

Adiante.
De inovador foi a sua labiríntica linguagem. Acérrimo defensor do “empreendedorismo” [“palavrão” criado pelo economista Joseph Schumpeter para qualificar inovação e criatividade] julga que a geração de riqueza passa [obrigatoriamente] pela desvalorização do "mundo do trabalho".
Até aqui nada de inovador. Eis senão quando, na referida prestação televisiva, revela uma debilidade empresarial anódina. Os empresários sentem, segundo sublinhou, falta de coragem para investir… porque os “papões” dos trabalhadores [com as suas “mordomias” sociais e salariais] os intimidam...

Utilizou, repetidas vezes, a expressão “falta de coragem” para justificar a inação empresarial e a consequente debilidade da nossa economia. E o que faria [aos empreendedores] tornarem-se corajosos?
- … a liberalização legislação laboral [possibilitando os despedimentos “fáceis” e a supressão de indemnizações…], a redução dos salários, etc.

Na verdade a perda de coragem dos empreendedores, perante situações económicas e financeiras mais complexas, revela uma insolente perda de confiança do sector empresarial, na capacidade dos seus próprios associados em desempenhar um papel económico e social.
Revela, ainda, que [o sector empresarial que temos] só é capaz de agir [e reagir] longe dos processos de uma real competitividade que, para o público, tanto apregoa. Prefere conquistar melhores índices de produtividade à custa da desvalorização do “mundo do trabalho”. Não tem “coragem” para outros feitos. E, em Bruxelas, têm quem os entenda.

Shakespeare, escreveu:
“Os cobardes morrem várias vezes antes da sua morte; O homem corajoso experimenta a morte apenas uma vez.”
Na verdade, hoje, na TV assistimos a uma dramática [teatral] representação deste aforismo.

Os trabalhos de Sísifo...

…“Portugal e Espanha precisam de cortes orçamentais adicionais para alcançar o objectivo de redução de défice, evitando por em causa o crescimento e o efeito ‘bola de neve’ nos seus défices, de acordo com um esboço do documento da Comissão Europeia de análise das medidas dos dois países.
As medidas de redução do défice anunciadas por Portugal e Espanha, como parte de um acordo da União Europeia - de 10 de Maio - para criar um pacote de ajuda de 750 mil milhões de euros, não são suficientes, de acordo com o relatório a que a Bloomberg teve acesso.” …
link

Só o recurso à mitologia grega permite-me compreender o permanente duelo entre a actual crise europeia e as exponenciais exigências de Bruxelas.
A constante confrontação entre insaciáveis apetites da Comissão Europeia e a permanente insuficiência da resposta dos países da zona Euro, em mais profunda crise [orçamental e da dívida externa], lembram-me os “trabalhos de Sísifo”.

Sísifo teria desafiado os deuses do olimpo como a Grécia, Portugal, Espanha & outros terão ignorado a sustentabilidade económica e financeira [altos deficits orçamentais e pesadas dívidas externas].
Sísifo foi condenado a uma [eterna] punição algo parecida com as sucessivas previsões [e visões] saídas das reuniões da CE e do Ecofin.
Sisifo teria, segundo reza a mitologia, de empurrar montanha acima um volumoso pedregulho, assim como nós – os do Sul da Europa - já carregamos um pesado fardo de austeridade.
Sísifo ofegante e esgotado ao chegar ao topo via o enorme pedregulho soltar-se e rolar montanha abaixo voltando ao ponto de partida, como cada medida extraordinária adicionada ao Programa de Estabilidade e Crescimento depois de arduamente transportada para Bruxelas, ao subir às altas instâncias europeias, é remetido de volta para Lisboa a fim ser agravada e carregada de novo…
E mesmo sabendo que a sua tarefa era um esforço inútil,
Sísifo, pacientemente, continuava carregando sua pedra até o topo da montanha, até que ela rolasse de volta. Nós [os europeus do Sul] solicitamente vamos aumentando [a um ritmo mensal?] o peso da austeridade, para no mês seguinte recomeçar.

Um suplício eterno ou os contemporaneos trabalhos de Sísifo?

Portugal - Costa do Marfim (0 - 0)


terça-feira, junho 15, 2010

Campanha de Apostasia 2010 – Exposição ao Núncio Apostólico


Exmo. Senhor
Núncio Apostólico Rino Passigato

Nunciatura Apostólica

Avenida Luís Bívar 18
Lisboa 1069-147 LISBOA

Exmo. Senhor Embaixador:

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP), indignada com o abusivo número de crentes que a Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) reivindica e com os privilégios de que goza em Portugal, tomou a iniciativa de lançar, no dia em que o Papa Bento XVI aterrou em Lisboa, uma “Campanha de Apostasia 2010“, a nível nacional, para que todos aqueles que foram baptizados, e que hoje em dia não se consideram católicos, possam agir em conformidade e deixar de ser contabilizados pela ICAR para efeitos estatísticos e usados como instrumento de pressão sobre o poder político.

Sabe-se que apenas cerca de 18 por cento dos portugueses se afirmam como “católicos praticantes”, um número que tem vindo a diminuir de forma consistente ao longo dos anos e que, desde 2007, existem por ano mais casamentos civis do que religiosos.

Esta situação ilustra uma clara e progressiva secularização da sociedade portuguesa, de todo incompa-tível com a encenação pia levada a efeito durante a visita papal e, sobretudo, com os privilégios injustos e injustificáveis usufruídos e reclamados com base em números fictícios.

Correspondendo ao apelo da “Campanha de Apostasia 2010“, os interessados têm acedido ao site oficial da AAP e seguido as instruções lá indicadas na convicção de que neste ano de centenário, todos juntos poderemos contribuir para uma República mais justa, sempre fiel aos seus princípios laicos.

Acontece, porém, que os párocos ignoram ou iludem os pedidos de apostasia recusando certificar que os cidadãos interessados deixaram de pertencer à religião com cujos princípios não se identificam.

Assim, solicitamos a V. Ex.ª que, por intermédio da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) ou pelos canais que julgue mais apropriados, sejam dadas instruções aos párocos para que certifiquem o aver-bamento da apostasia nos registos de baptismo a quem o reclamar.

Pedimos ainda a V. Ex.ª que nos mande informar como proceder no caso de duas ateias baptizadas em países estrangeiros:

a) M. A. F. – Fui baptizada em 1958 em Marrocos – Tetuan (Marrocos Espanhol), por isso numa igreja católica espanhola. A quem me posso dirigir para renunciar ao baptismo?

b) S. C. – Certificado requerido ao Padre Pedro (Paróquia du Sacré-Coeur de Gentilly) que, embora prometendo ir esclarecer as dúvidas que o assaltam, não se coibiu de lhe dizer:
«Actualmente e desde que tem consciência nunca esteve em comunhão com a Igreja, como reconhece. Por isso me pergunto se faz sentido pedir a defecção não havendo nunca antes uma comunhão efectiva e consciente da sua parte», como se o que o senhor pároco pensa tivesse relevância para o que a requerente reclama.

Esperando resposta tão breve quanto possível da parte de V. Excelência,

Apresentamos-lhe os nossos cumprimentos.

Associação Ateísta Portuguesa, 15 de Junho de 2010

Ninguém o mete na ordem

Para que nunca esqueça...

A entrada do campo de Auschwitz II-Birkenau.

A 14 de Junho de 1940, um comboio encaminhou-se lentamente para o Sul da Polónia ocupada. A bordo, 728 prisioneiros políticos polacos comprimiam-se com um calor sufocante em carruagens com janelas fechadas.

Vindos da prisão de Tarnow, os mais velhos reconheceram numa placa, no caminho, escrito em letras góticas, o nome alemão da cidade – Auschwitz.

Continue a ler em «Le Monde»

segunda-feira, junho 14, 2010

O 5 de Outubro e os feriados nacionais - COMUNICADO

No ano do Centenário da República, duas deputadas do PS propuseram que deixasse de ser feriado nacional o dia 5 de Outubro, desafiando o bom senso e fazendo uma provocação que dimana da mais profunda ignorância sobre o seu significado ou do mais reles desprezo pela história e pela cidadania.

Quando se pretende arrancar ao calendário um dia grande da História, o da implantação da República, quer apagar-se a data em que, pela primeira vez, os vassalos foram cidadãos, a legitimidade do povo substituiu a divina e, finalmente, se levou à prática o princípio “todos nascem iguais”, exonerando o poder simbólico da representação do Estado do carácter hereditário e vitalício.

Quando se belisca o 5 de Outubro não está em causa a apreciação das suas virtudes e defeitos, fica à mostra o despudor com que se esquecem os 75% de analfabetos que a monarquia legou e o espírito pedagógico que a república sonhou.

Quando as duas deputadas embrulham o 5 de Outubro de 1910 com feriados religiosos que a laicidade devia pugnar para serem gozados de acordo com as datas e convicções de cada cidadão e não de acordo com as ficções pias de uma religião determinada, não vislumbram o alcance da separação do Estado e das Igrejas que devemos à República e as consequências notáveis dessa decisão republicana.

Quando se não aprecia a laicidade não se compreende o alcance da lei do divórcio que pela primeira vez foi promulgada em Portugal, da lei do Registo Civil obrigatório que transferiu para o Estado a obrigação e o direito indeclinável de registar os nascimentos, casamentos e óbitos como única entidade idónea.

Só quem não sabe o que era o sofrimento das famílias, a vergonha e o desespero de ver o padre a discriminar o enterramento das crianças não baptizadas, dos duelistas, dos suicidas e hereges é que não compreende o avanço civilizacional de um estado que deu direitos iguais na morte aos que dependiam do humor e do poder discricionário do clero ou do exotismo do direito canónico.

Por tudo isto e por tudo o mais que Portugal deve à República, o Movimento Cívico de Coimbra para as Comemorações do Centenário da República rejeita veementemente a exótica proposta de abolição de um dos feriados mais emblemáticos da nossa história, que nem a ditadura teve coragem de suspender, e manifesta publicamente o seu maior repúdio por tão insensata e infeliz proposta.

a) A Comissão Cívica

Perguntem a Paulo Portas


E se procurassem nas 61 mil fotocópias que Paulo Portas "levou para casa" quando abandonou a pasta da Defesa?

O original do contrato dos dois submarinos comprados por Portugal à Alemanha durante o Governo PSD/CDS-PP não terá ido, por engano?

Presidenciais...

Foto: Cavaco condecora Santana Lopes [2010]


A Direita portuguesa:

- real ou virtual?

- piedosa ou pragmática?

- da boa ou da má moeda?

Che


Há 82 anos, nascia em Rosário [Argentina] Che Guevara que, para a geração da segunda metade do séc. XX, foi [simultaneamente] um ídolo e um mito .

domingo, junho 13, 2010

Nasceu há 122 anos


Se, depois de eu morrer...

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas --- a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.

Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as coisas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.
Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso fui o único poeta da Natureza.

Alberto Caeiro

Espanha - A liberdade religiosa

Segundo El País está em curso uma nova lei sobre a liberdade religiosa que garante a neutralidade dos poderes públicos perante as diversas crenças e aprofunda a laicidade do Estado.

De acordo com o projecto, o Estado organizará exclusivamente funerais civis e as cerimónias religiosas só terão lugar a pedido das famílias dos defuntos, de acordo com a crença de cada um.

O que parece um elementar direito dos cidadãos, em democracia, e uma manifestação de respeito por todas as crenças, provoca azedume na Igreja católica com séculos de privilégios e um passado pouco recomendável desde os Reis Católicos até hoje.

Nos países onde a liberdade religiosa existe (não confundir com os que impõem uma fé) não se invoca tolerância, exige-se liberdade. A religião é um direito individual que cabe ao Estado defender sem abdicar da mais estrita neutralidade.

O mundo tem vindo a tornar-se mais perigoso com a onda de proselitismo islâmico, que alastrou após a vitória do Ayatollah Komeiny no Irão, em 1979, com a contaminação do catolicismo romano, sob a égide dos dois últimos pontífices, os desvarios sionistas e o radicalismo do protestantismo evangélico ou do cristianismo ortodoxo.

Por todo o mundo o obscurantismo renasce com a cumplicidade do clero e dos governos que trocam a honra por votos e a segurança por orações.

O exemplo da laicidade, em Espanha, é um bom sintoma da tomada de consciência dos perigos que a politização da fé representa para a paz e a democracia.

Eleições presidenciais - Propaganda pia

Comentário: Uma forma de convencer os portugueses de que há candidatos piores.

sábado, junho 12, 2010

25 anos da CEE. Viva a União Europeia.

Os graves problemas actuais não são fruto da União Europeia, devem-se ao facto de não haver mais Europa.

Ponte Europa continuará a bater-se pelo europeísmo e a defender que a Europa deve aprofundar a coesão económica, social e política.

Os perigos dos directos...

A falta de educação de um ouvinte

Nota: O carácter obsceno da linguagem do ouvinte aconselha a não ouvir.

Como diz, DMA, especialista em comunicação: « Os riscos dos directos. Há sempre um ouvinte muito mal educado à espreita de uma oportunidade. CONDENÁVEL.»

ITÁLIA: "Lei da mordaça"!

O jornal "la Repubblica", na edição de ontem [foto], apareceu nas bancas com a primeira página em branco tendo apenso um post it [em amarelo] com a seguinte nota:

"A 'lei da mordaça' nega aos cidadãos o direito de serem informados".

Esta lei determina que: "as escutas telefónicas não excedam 75 dias, podendo o prazo ser prorrogado de três em três dias, desde que aprovado por um colectivo de três juízes. "

A "Lei da mordaça" é a resposta política do Governo Berlusconi aos sucessivos escândalos de corrupção que detentores de altos cargos na Administração Pública tem sido envolvidos [como é , p. exº., o caso de Guido Bertolaso, petencente ao circulo intimo de Il Cavaliere, acusado de estar envolvido em subornos para "facilitar" adjudicações de contratos públicos].

Esta Lei tem motivado intensos confrontos [políticos e sociais] entre as forças da "santa" aliança governamental, as forças de oposição e associações cívicas e sócio-profissionais.

Angelino Alfano, ministro da Justiça de Berlusconi, defendeu que esta Lei oferece mais protecção aos cidadãos, salientando: "É um óptimo ponto de equilíbrio pela necessidade de garantir privacidade".

Anna Finocchiaro, líder do Partido Democrático (PD), esclareceu: "Querem esconder os vossos negócios, o uso privado de recursos públicos e tutelar a vossa privacidade, porque querem um povo cego..."

Por outro lado, a Federação Nacional de Imprensa Italiana e a Associação Nacional de Magistrados contestam a fundamentação desta Lei.

Finalmente, o International Press Institute (IPI), sediado em Viena [Áustria], condenou a aprovação da Lei, por considerar ser uma "ameaça à liberdade de imprensa".

Berlusconi que governa a Itália como se fosse uma "sua quinta", sabe que o "segredo é a alma do negócio"...
Considera, por isso, a Liberdade um [desnecessário e incómodo] estorvo. Logo, amordaça-a.

sexta-feira, junho 11, 2010

Insustentabilidades políticas, económicas, financeiras, sociais e… eleitorais!

Ontem, no 10 de Junho, uma comemoração com um lastro polémico e sucessivamente adaptada, o Presidente da Republica diagnosticou, para o País, a existência de uma situação insustentável.


Assim:
“…Como avisei na altura devida, chegamos a uma situação insustentável. …”

Este dramático aviso – um dos passos mais marcantes do seu discurso - foi ouvido pelos portugueses com alguma incredibilidade. Isto é, o recurso ao paradigma da incontornável falência da sustentabilidade [económica & financeira] feita por um “actor político” que tem, neste terreno, as mãos manchadas de…inegáveis culpas e desaires.

O aviso, aparentemente, endereçado aos portugueses é vicioso. A crise não nasceu de geração espontânea. Ninguém pode, levianamente, endossá-la aos cidadãos. O poder político poderá – por erros e omissões – tê-la permitido. Mas o eventual contributo dos cidadãos [para esta crise] é a consequência da transmissão [imposição] de uma paradisíacas imagens de amanhãs gloriosos, onde [pelas previsões económicas e financeiras] o desenvolvimento crescia sustentado e a prosperidade não tinha limites. Enfim, o libidinoso e celestial anúncio de uma sociedade de consumo sem fundo e sem limites que “arrastou” os consumidores [incautos] para o caos e a insolvência

A crise económica e financeira é, antes de tudo, o resultado de sucessivos e numerosos percalços [erros] políticos, muitas vezes globais, que geraram inconsistentes avaliações de sustentabilidade [sobre a glorificação ad eternum de idilicas visões consumistas].
Mas, é também [e fundamentalmente] uma crise derivada da ganância e da especulação do “mundo financeiro” que nos rodeia e nos “vende” ilusões, lado a lado, com créditos, acções, obrigações, títulos, etc. …
O Prof. Cavaco Silva, de facto, tinha – há algumas décadas – alertado os portugueses para a volatilidade [insustentabilidade] do mercado financeiro [leia-se bolsista] ao afirmar que transacções de alguns desses títulos configuravam o engano de comprar “gato por lebre”. Previa, nessa boutade, que os mercados estariam inundados de subprimes. Mas não se conhecem propostas ou medidas, da sua lavra, no sentido de regular a voracidade desses mercados. Tanto quanto sabemos hoje – caso BPN - chegou, inclusive, a sentir a sua sedução.

Quando – no mesmo discurso – afirma: “…Quanto mais se pedir ao povo, mais o povo exigirá dos que o governam…”, pela 1ª vez terá sentido o conforto de pôr-se fora da governação. Se é verdade que, neste momento, não governa, também será verdade que, no passado, governou. O povo não esquecerá de lhe imputar as indissociáveis responsabilidades [que carrega às costas].

Enfim, retóricas subsidiárias de pré-campanhas eleitorais [ocultas, sob tabus] permitem todo o tipo de aleivosias.

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA

Por

Amadeu Carvalho Homem *

MEMORIAL REPUBLICANO LII

(Presos políticos no tempo da ditadura de João Franco)

LII - "Uma Ditadura de Sangue e de Suborno"

É imperioso que se sublinhe infatigavelmente esta realidade: a ditadura de João Franco foi favorecida pelo rei D. Carlos, que a desejava ardentemente, apesar dessa manifestação de excepcionalidade legal vir ao arrepio da vontade de todas as formações e sensibilidades políticas. E esta ditadura significou no país a instabilidade, a insegurança, a violência e o atropelo do mais vago vislumbre de constitucionalidade.

A visita que o chefe do governo fez ao Porto, em 17 de Junho de 1907, deu origem a episódios de permanente tumulto. Coimbra recebeu a passagem do comboio oficial mimoseando-o com o arremesso de indizíveis coisas. No regresso a Lisboa, finda a visita, viveram-se momentos de uma previsível contestação, tendo-se imediatamente travado, na estação do Rossio, as mais graves escaramuças entre populares e forças policiais. Houve vítimas mortais entre os civis. O Jornal da Noite, órgão de imprensa do franquismo, logo se apressou a declarar que todos os excessos tinham sido devidos sobretudo ao chefe republicano José Relvas e a José de Alpoim, eminência notória da Dissidência Progressista.

* Historiador

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