sábado, julho 31, 2010

FIDEL: a "camiseta" verde...


Em política as coincidências não existem. Na política nada acontece por acaso.
La rentrée de Fidel de Castro na cena política cubana é cuidadosamente datada. Cautelosa, por supuesto, a sua “aparição” após 4 anos de doença – ao visitar um centro de investigações – é um inegável facto político, não só para Cuba, mas para a América Latina.

Coincidiu – os acontecimentos políticos podem temporalmente coincidir - com a notícia da libertação de prisioneiros políticos decorrentes dos graves incidentes ocorridos em Cuba no ano de 2005 e que originaram uma repressão massiva, que motivou uma ampla condenação do regime cubano, em todo o Mundo.

Quando, em 2006, Fidel adoeceu gravemente seguiram-se os habituais ajustamentos de poder no interior do sistema. E o regime cubano saído desses ajustes, comandado por Raul de Castro, pouco acrescentou ao passado.
O mais recente sobressalto foi a morte de Orlando Zapata Tamayo, em Fevereiro passado, após 85 dias de greve de fome. Esta situação suscitou um vaga de solidariedade internacional e trouxe ao conhecimento público uma nova greve de fome – a de Guillermo Fariñas - cuja cobertura mediática tornou impossível a ocultação da situação.

Paralelamente, Cuba viverá, no campo económico, um dos piores momentos dos 50 anos de regime castrista. Aparentemente, a crise económica será mais cavada do a que se seguiu ao colapso da URSS e as perspectivas de levantamento do longo e duro embargo económico continuam - apesar de múltiplas simpatias internacionais - ténues.
A agravar os problemas, no campo social, o desemprego [cujos números se desconhece] ameaça infestar e inquinar a sociedade, destruindo os necessários pontos de equilibrio do regime castrista.

As recentes negociações entre Raul de Castro, Miguel Ángel Moratinos [ministro dos Assuntos Exteriores espanhol] e o cardeal Jaime Ortega, conduziram a um acordo para a libertação faseada de 52 dissidentes. No campo humanitário, uma visível abertura de Havana, mas nada de novo no contexto político.

No seguimento destas negociações Moratinos recomendou à UE o “aligeirar” do bloqueio económico o que estando longe de conseguir o consenso europeu, pouco ou nenhum impacto teve no âmbito internacional.

Fidel de Castro, apesar de [aparentemente?] retirado da linha da frente da ribalta política, conserva o cargo de 1º. Secretário do Comité Central do Partido Comunista de Cuba.
Em 26 de Julho passado [foto acima], abandonou o tradicional fato de treino [que usou durante a sua prolongada doença] e apareceu fardado nas comemorações do 57º. aniversário do assalto ao quartel de Moncada. Como a imprensa cubana se apressou a sublinhar: “Su camisa verde olivo de mil batallas"…

Coincidência?

Ou, como no passado, hoje, depois de um período de distensão, que permita à ilha "respirar" economicamente, de um intermezzo semeado por cirúrgicas libertações de dissidentes, Fidel retoma, passo a passo, as rédeas do poder [que nunca terá na totalidade abandonado] …

A favor do fim dos chumbos!

A Ministra da Educação, num acto de coragem e lucidez, vem lançar o debate nacional sobre o valor das reprovações, nos primeiros anos de escolaridade.
Pela minha parte, concordo com o fim das reprovações até ao 9.º ano, altura em que o jovem terá 14 ou 15 anos. É assim no Japão, país onde 90% das pessoas termina um curso de nível superior.
A reprovação em nada beneficia o reprovado, muito menos os colegas dos "matulões". O chumbo, que normalmente se sucede mais uma ou duas vezes, não apresenta qualquer benefício social, nem resultados positivos para a aprendizagem da criança/ adolescente.
Se o aluno tem dificuldades intelectuais, emocionais ou de comportamento precisa de uma de três coisas:
- mais apoio ao estudo;
- apoio social e psicológico;
- medidas sancionatórias eficazes e dissuasoras.

Por outro lado, a partir dos 10 ou 12 anos (deixo aos especialistas o debate) os alunos devem ser canalizados para 3 tipos de ensino diferente (como na Alemanha):
1) o Liceu, que dará acesso à Universidade;
2) a Escola Secundária, que dará acesso ao Ensino Politécnico e similar;
3) Escola técnica, comercial e industrial, que permitirá entrar no mercado de trabalho a partir dos 16 anos.

Aplaudo a Ministra da Educação pela iniciativa e faço votos para que, de uma discussão serena e sem preconceitos, resulte nova luz para o ensino em Portugal.

Vaticano, pudor e ridículo


O Papa, santo por profissão e estado civil, infalível por conveniência e tradição, pudico por questão de imagem e interesse comercial, decidiu que as pessoas fossem impedidas de circular com ombros e pernas à mostra no Vaticano.

Certamente alguma catequista balzaquiana deixou escorregar a mantilha que lhe cobria os ombros e algum soldado americano, de férias do Iraque, mostrou os joelhos quando apreciavam, através do vidro à prova de bala, a Pietá que Miguel Ângelo esculpiu.

Terá assustado o Papa o desassossego das numerosas virgens que decoram a Basílica de S. Pedro, pintadas ou esculpidas, o sobressalto hormonal ou no rubor das faces, perante os joelhos tisnados de um mancebo em pausa na guerra contra os infiéis? Que pesadelos terá sentido com os ombros desnudos de mulheres capazes de excitarem os santos ou de fazerem estalar o mármore que esconde as partes pudendas de Cristos admiravelmente crucificados e escassamente vestidos?

Que fariam os monsenhores a espiarem os ombros nédios de uma catequista em busca de uma aspirina na farmácia, de um selo postal ou de vitualhas no supermercado papal? E se, em vez dos ombros de uma devota, os clérigos que povoam o bairro de sotainas desviassem o olhar lúbrico para os joelhos de um mancebo, a imaginar abominações e a esquecerem o breviário?

Que pensaria o Deus do Papa, no bairro que dele se reclama, perante a lascívia dos seus ministros e os pensamentos pecaminosos que os ombros e as pernas podem provocar em quem não conhece da anatomia outros pedaços mais suculentos e interessantes?

Para evitar tentações do demo, que o especialista em exorcismos descobriu no Vaticano, o Papa, ajudado na decisão pelo Espírito Santo, uma pomba que se julgava extraviada, estendeu as regras que impedem os turistas de entrarem na Basílica de S. Pedro com os ombros e as pernas ao léu aos outros locais da Cidade do Vaticano, como a farmácia, o supermercado e a agência dos correios.

A repressão sexual no Islão

Hamas proíbe peças íntimas em montras de lojas de lingerie

Embora continuem a negar a intenção de impor a lei islâmica (sharia) em Gaza, os líderes do Hamas proibiram esta semana a exibição de roupa íntima “provocante” nas vitrinas das lojas de lingerie.

sexta-feira, julho 30, 2010

Coisas & loisas sobre a dívida …

A dívida pública saiu dos gabinetes ministeriais, dos departamentos do Tesouro, das repartições oficiais, das tertúlias de economistas e homens das finanças e entrou na vida quotidiana dos cidadãos.

As conjecturas sobre a dívida pública são múltiplas. Vão desde o mais insano pessimismo ao mais volúvel cinismo. As diferentes análises sobre a dívida não são “apolíticas” nem “cientificamente neutras”.
Partindo do princípio - algo consensual - de que a dívida pública [nacional] é demasiado elevada em termos globais [182,6 mil milhões de euros?] e em % do PIB - 113,3% do produto interno bruto [dados de 2009] - temos, a partir daí, interpretações para todos os gostos.

Estes astronómicos quantitativos, para quem conta os euros no fim do mês, dado o seu gigantismo, confundem-nos e desligam-nos da realidade.
Têm sido múltiplos os exemplos de contracções de despesas sociais [algumas vezes apresentados como medidas moralizadoras de descontrolos reguladores do Estado] em que o “volume” da dívida é o leitmotiv. Falamos da sustentabilidade da Segurança Social, do Serviço Nacional de Saúde, da Educação Pública, do auxílio aos desempregados, dos rendimentos de reinserção, etc. Enfim, da necessidade de “emagrecer” o Estado. Emagrecer o Estado, significa pura e simplesmente, na gíria neo-liberal, destruir o Estado Social.

No aspecto das responsabilidades políticas regressamos à fábula do cordeiro e do lobo com o habitual chorrilho de acusações sobre quem, primeiro, conspurcou a água. Foram sempre os “outros”…
Depois, vem o apelo “político-sentimentalista” condenando a transmissão de uma pesada dívida às gerações vindouras – filhos, netos, etc, - e, como remate, a possibilidade de asfixiarmos a economia.
Por fim, a ameaça tecnocrata e contabilística. Caso não possamos cumprir o serviço da dívida o Estado perde, no futuro, a capacidade de se financiar.
Uma autêntica cascata de atropelos em direcção ao abismo…

Na verdade, o resumo desta situação é muitas vezes referenciado – relativamente a Portugal - como sendo um País que vive acima das suas possibilidades. Um País que vive a crédito.
Será bem assim? A dívida não deve reflectir também os “activos públicos” [escolas, estradas, hospitais, etc.]. Quando nascemos herdamos uma quota-parte da dívida pública é certo. Mas, de igual modo, herdamos a “nossa” quota-parte do património construído ao longo da nossa história [económica, social, cultural, etc.].
Ou, fazemos contas de merceeiro e achamos que cada português carrega sob os ombros, desde o nascimento, uma dívida de milhares de euros e vive numa cabana?
Ou, ainda, caabaremos convencidos de que os portugueses estão historicamente condenados a carregar [submissos] uma terrível canga … Porquê?

Na verdade, o povo português precisa – urgentemente – que lhe expliquem como estão as finanças públicas do seu País, como está planeado o serviço da dívida a par da redução do deficit orçamental, como é possível concertar um grande esforço de equilíbrio orçamental e, simultaneamente, crescer economicamente de modo substancial [acima do 3%!] para colmatar as brechas sociais [a praga do desemprego, p. exº] e paralelamente ter “folga” para ir saldando a divida externa [crescimento das exportações] e interna [aumento do PIB]…

A sucessão de opiniões desgarradas de economistas, gestores, financeiros – oriundos de múltiplos quadrantes políticos e variadas escolas – de pouco ou nada têm servido. Aliás, esses opinion makers só têm agravado o índice de confiança dos cidadãos e ensombrado o futuro. Sucedem-se inebriantemente os ciclos do “mata-se e esfola-se”. Os pressurosos anúncios de insustentabilidade, de inviabilidade.
A começar pelas opiniões desgarradas [algarviadas] de Aníbal Cavaco e Silva.

É crucial uma informação límpida, transparente e descodificada do tecnocrático “economês” que nos presenteiam.
Se tal não for possível, melhor será guardar um prudente recato…

Precisamos de notícias do nosso País, basta de recados da Comissão Europeia e de reprimendas da Srª. Merckel!

A semana negra do "pós-moderno" conselheiro Acácio…


O presidente do PSD percorre o País e frequenta os antros da política doméstica e ibérica [não ensaiou passos mais longos] debitando sentenças do tipo do queiroziano retratadas na literária e satírica figura do conselheiro Acácio, no que diz respeito ao constante recurso a chavões pejados de um gritante e confragedor vazio.

Mesmo quando a realidade o desmente nada tem a rectificar. Antes, quando se decidiu a sentenciar sobre algum facto, nada disse de substantivo. Portanto, como nada tinha dito, não há nada a acrescentar. Um círculo vicioso num país onde jactâncias “acacianas” são o dia a dia.

Não é fácil perder-se - em cerca de 1 mês - 10.7% das intenções de voto.
link
Mesmo sabendo – como todos os políticos dizem – que uma coisa são sondagens outra serão as urnas eleitorais. Enfim, mais um tirada “acaciana”

Para tal foi preciso:

- Arengar sobre questões constitucionais fora de tempo e do contexto político nacional não conseguindo ocultar a mais rebarbativa ideologia neo-liberal. Tão rebarbativa que assustou inclusive a própria Direita.

- Ir de alegre passeata aos nuestros hermanos para participar - a mando do tio Barroso [?] - ao lado do mano Rajoy nos exorcismos acerca de uso da “gloden share” no problema PT/Tefónica/Vivo. Anunciou à volta de tal facto as mais devastadoras catástrofes…
Perante a saída do impasse encontrada pela Administração da PT e da Telefónica, bem como da oportunidade surgida pela entrada na Oi, acha que será o governo que deve justificar-se. Pelo menos, até ter nova oportunidade de ir aconselhar-se a Madrid…

- Brandir o caso Freeport – e o seu lento arrastar – alimentando em lume brando um dramático desgaste de José Sócrates. Perante o desfecho desta semana, nada teve a acrescentar do que verberar a lentidão da justiça [...que neste caso só favoreceu os desígnios do PSD!].

- Finalmente, ser constrangido a ouvir um breve comunicado da ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social, sobre o famoso caso do jornal de 6ª. feira da TVI que, num ápice transformou uma das bandeiras da sua candidatura à liderança do PSD num conspurcado pañuelo

E fiquemos por aqui…

Associação 25 de Abril - Comunicado

Faleceu o almirante Vasco Almeida e Costa.

Militar de Abril, empenhou-se no processo democrático de corpo inteiro, tendo desempenhado várias funções, daí decorrentes.

O Presidente da República emitiu um comunicado, onde expressa à família enlutada, em seu nome e no de Portugal, as mais sentidas condolências.

Nesse comunicado realça as altas funções de Estado onde Almeida e Costa prestou serviços relevantes à democracia portuguesa. Designadamente como primeiro-ministro interino, ministro da Administração Interna e governador de Macau.

Lamentavelmente, para o Presidente da República não é de destacar o cargo de conselheiro da Revolução, que Almeida e Costa desempenhou entre Novembro de 1975 e Outubro de 1982, pois aí se manteve até ao fim, apesar de entretanto ter sido nomeado governador de Macau.

Como também não é de realçar o cargo de director do STAPE, onde Almeida e Costa foi directamente responsável pela organização do processo eleitoral da Assembleia Constituinte, de que se destaca o recenseamento eleitoral efectuado.

Esta omissão não é inédita, pois no recente falecimento do almirante Rosa Coutinho, por sinal também ele governador de uma antiga colónia, nem sequer houve lugar a qualquer tomada de posição pública.

Que razões levarão o mais alto representante da Nação a omitir factos tão relevantes na história recente do nosso país?

Por nós, lutaremos sempre contra a deturpação dessa nossa história, não permitindo que a reescrevam, como se o 25 de Abril não fosse necessário, para derrubar a ditadura e implantar a democracia em Portugal.

É que, por muito que doa a alguns, foram os militares de Abril a desempenhar o principal papel na libertação dos portugueses e na construção do estado democrático e de direito em Portugal!

Lisboa, 30 de Julho de 2010

O Presidente da Direcção

Vasco Correia Lourenço

Na morte de António Feio

O País perdeu um bom actor, um cómico de excelência e um cidadão de bem. Recordar o artista prematuramente desaparecido, após uma longa e dolorosa doença, é um acto de homenagem devido.

Pensar no que a televisão lhe fez, ela que tanto lhe devia, na forma torpe como exibiu a sua decrepitude inexorável, o seu sofrimento e a sua angústia, reviver a forma obscena como devorou em vida o cadáver que se pressentia, é sentir nojo por quem gosta de exibir a dor e o sofrimento, por quem não olha a meios para provocar as lágrimas e a piedade.

Os amigos servem para acompanhar na dor os que estimam, não exibem em público o seu sofrimento.

Há espectáculos que o pudor e o sentimento deviam evitar. António Feio morreu. Já se esperava. E não foi treta.

quinta-feira, julho 29, 2010

Que pensará o Aníbal ?

O amor entre o Presidente da República e a Primeira-dama resiste ao passar dos anos ANTÓNIO e MARIA CAVACO SILVA mais apaixonados do que nunca.

Nota: Já ninguém se lembra da Vivenda MARIANI (Maria + Aníbal) - um marco do anedotário nacional.

Nem o prémio com o nome do escritor Fernando Namoro [sic] salva a notícia.

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Franco declara guerra a Portugal


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A regionalização e os partidos políticos

Poucos negam a urgência da Regionalização, cinco Regiões que permitam gerir os 308 concelhos e as 4260 freguesias em que se deixou dividir o país.

Antes dos acertos dolorosos e necessários, tendo em conta a necessidade estratégica de manter o interior do país povoado e de reduzir o número de autarquias, é imperioso que os regionalistas dos vários partidos consigam superar os bairrismos onde medram o caciquismo e nascem o tribalismo e as rivalidades pessoais.

O Estatuto dos Açores não pode servir para ajustar contas com Cavaco que tinha razão e a perdeu com a comunicação ao País onde mostrou ressentimento e défice democrático na forma que usou contra a decisão unânime da Assembleia da República. É desejável que a AR tenha em conta o que Cavaco pensa e esqueça a forma desastrada e ofensiva como se exprimiu.

Os órgãos faraónicos das Regiões Autónomas, em número de deputados, membros do Governo e organismos parasitários, são aliados dos adversários da Regionalização. Não podemos admitir que os deputados, com uma visão de curto prazo, facilitem os exageros autonómicos e impeçam, na prática, a autoridade dos Tribunais e órgãos de fiscalização da administração pública. Isso não é regionalização é um convite à impunidade.

É necessário desindexar os vencimentos dos autarcas do do Presidente da República e confiar aos presidentes das futuras Regiões a fixação do número de vereadores que em cada concelho podem exercer funções, bem como a tarefa de extinguir as Empresas Públicas Municipais que se multiplicaram como cogumelos quase sempre sem interesse ou lógica que ultrapassasse uma forma de criar lugares políticos.

A regionalização do Continente, em época de crise financeira, tem de ser a oportunidade para evitar erros cometidos nas Regiões Autónomas e para dimensionar adequadamente os órgãos das futuras regiões. Quem sabe se não servirão de exemplo para os excessos praticados pelos actuais presidentes dos Açores e da Madeira!

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, julho 28, 2010

A perseguição a Sócrates e o caso Freeport

Sócrates não é acusado, arguido ou simples testemunha, nem alguma vez houve razão para o ser. Agora, definitivamente ilibado do que nunca podia ser acusado, é altura de julgar a direita que não se resigna a estar na oposição, mesmo que as urnas a afastem, porque se julga com direito divino para ser poder.

Na pressa de denegrirem o homem, de lhe assassinarem o carácter, de o perturbarem nas funções, nem admitiram que pudesse haver alguém, à espera de extorquir dinheiro, apto a invocar qualquer nome.

Os boatos passaram a verdades e as calúnias a factos. Enlameou-se o primeiro-ministro de Portugal e ninguém se indignou com a devassa da vida privada e as escutas ilegais.

À apreciação do desempenho político, dos méritos e defeitos da governação, preferiram a insinuação, a cabala e a difamação. Até os exóticos sindicatos de magistrados, cuja existência é um perigo para a democracia, revelaram sintonia com a luta política, ao arrepio da independência e neutralidade a que o sistema judicial é obrigado. Os seus representantes sindicais pareciam magistrados dos Tribunais Plenários, agora dispostos a mudarem de campo e a fazerem julgamentos na comunicação social.

A matilha esteve activa e impune nestes cinco anos, sem contraditório, com Crespos, Moura Guedes e quejandos, dedicados à intriga e difamação. Agora, perante a inocência da vítima, permanece o carácter dos carrascos. Do alarido com que acusavam passaram ao silêncio com que aguardam outra carta anónima, outra conspiração, outra denúncia ou a exumação de uma velha patifaria que não resultou.

São assim os biltres do meu país, cobardes quando se trata de defender a liberdade, impiedosos quando se escondem atrás do sigilo profissional ou no anonimato da violação do segredo de justiça para atingirem a honra e a dignidade de quem ocupa o poder pelo sufrágio.

Ninguém pede desculpa a Sócrates, ninguém se retracta, ninguém cumpre a penitência pelas piedosas mentiras engendradas nas catedrais da calúnia.

Catalunha proíbe as touradas

A Catalunha, destacou-se na luta contra a tortura dos animais. O seu Parlamento aboliu as corridas de touros por 68 votos contra 55, divertimento cujo fim ocorrerá em Janeiro de 2012.

É um avanço civilizacional que serve de exemplo e de estímulo a todos aqueles que defendem os direitos dos animais e repudiam a crueldade humana.

Parabéns, Catalunha. Este foi o primeiro passo da longa caminhada onde a violência é uma tradição e a crueldade a herança fascista do torcionário Francisco Franco.

terça-feira, julho 27, 2010

Defraldar expectativas há terça-feira


Guiné Equatorial de fora da CPLP


Carta a Salazar nos 40 anos do seu passamento

Meu velho ditador:

Se pudesses ouvir, claro que não podes, e tu sabias que não havia vida para além da que tiveste, ouvirias o clamor das famílias dos que sofreram em Caxias, Aljube, Peniche, Tarrafal, S. Nicolau ou Timor.

Faz hoje 40 anos que morreste com 40 anos de atraso. Alguns fascistas ainda te evocam com nostalgia. Há sempre alguém que recorda um crápula, os que não têm memória ou os que odeiam a liberdade. Acontece o mesmo com Estaline, Mao, Franco e Mussolini, este mesmo, de quem tinhas uma foto na tua secretária de trabalho.

Tu não tinhas coração, eras um hipócrita abrigado à sombra de uma Igreja que protegeu todos os fascismos, um facínora que se escondia atrás da polícia política que aprendeu a torturar na Alemanha nazi, um demente com horror a eleições, pavor ao progresso e aversão ao povo. A censura era o teu colete anti-bala e as polícias a guarda pretoriana.

Viveste a obsessão dos medíocres e conseguiste tornar-te ainda mais vil com a mania do poder que exerceste com violência, enquanto a PIDE assassinava e os esbirros aturdiam um povo que amordaçaste com a censura, o analfabetismo, os tribunais Plenários e uma multidão de cúmplices de todas as idades e condições.

A guerra colonial foi uma paranóia pessoal que levou a morte a centenas de milhares de pessoas. Ainda hoje não se fala dela, por remorso uns, por vergonha outros, quase todos por um trauma que ficou de 13 anos da guerra injusta, inútil e criminosa.

Há quem deseje minimizar os crimes, dizendo que ignoravas que a PIDE assassinou Humberto Delgado quanto atribuíste o crime ao Partido Comunista, ou José Dias Coelho, abatido na Rua dos Lusíadas, quando puseste a circular que se tratava de ajuste de contas entre membros do seu partido.

Eras um farsante, o tirano que nunca saiu do país, o carrasco do povo a quem negaste o acesso ao ensino e à liberdade. Evocar o 40.º aniversário da tua morte é lamentar que tenhas morrido impune, que tivesses à tua volta a corja de imbecis e cúmplices que iam ao hospital da Cruz Vermelha encenar reuniões do Conselho de Ministros para que pudesses crer que ainda eras o algoz vitalício da pátria que desonraste.

Da tua herança resta o medo e a cobardia, o atraso e o servilismo, o gosto pela delação e a memória dos crimes que cometeste. E a eterna gratidão a uma cadeira.

segunda-feira, julho 26, 2010

Em louvor do Dr. Passos Coelho

Para que nao se diga que este blog é tendencioso ou maniqueísta, hoje venho prestar uma merecida homenagem ao Dr. Passos Coelho, por relevantes serviços prestados ao país.

Há muito tempo se vem discutindo o que é ser de direita ou ser de esquerda no Portugal de hoje, havendo até quem diga que já não há esquerda nem direita, que tudo isso está ultrapassado, etc.

Ora o Dr. Passos Coelho veio esclarecer a questão, fazendo publicar a cartilha oficial da direita: a proposta do PSD para revisão da Constituição. A partir de agora já não há dúvidas: ser de direita é apoiar, declarada ou titubeantemente, essa proposta; ser de esquerda é opor-se frontalmente a ela.

Só por isso merece o Dr. Passos Coelho uma nota de rodapé quando se escrever a historia de Portugal no dealbar do século XXI.

A resposta da esquerda à crise (2)


A resposta da esquerda à crise (1)


Sinalização horizontal em Celas

09.07.2010 (Coimbra)

Os bancos portugueses são sólidos

É pena que as oposições ao Governo, numa atitude patriótica, não destaquem a realidade que desmente as agências que especulam com os empréstimos que Portugal é obrigado a contrair.

Mereceu ao El País mais destaque do que à imprensa portuguesa.

O programa de Pedro Passos Coelho

Nota: Enviada pelo leitor AJBM

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domingo, julho 25, 2010

Algum problema?


Levantai hoje de novo, o esplendor

Senhor da Serra, concelho de Miranda do Corvo, 22.07.2010

Espelho meu (2)

Senhor da Serra, concelho de Miranda do Corvo, 22.07.2010

Espelho meu

Senhor da Serra, concelho de Miranda do Corvo, 22.07.2010

O Jimmy Hendrix de Santa Clara-a-Velha


Quando a sede aperta

Procissão da Rainha Santa Isabel, Coimbra, 08.07.2010

A ICAR e a demagogia

O bispo Carlos Azevedo, em busca da púrpura e do solidéu vermelho, atrai o ridículo e a demagogia para agradar à sua Igreja, favorecida com privilégios que o pudor obrigaria a enjeitar.

Ao desafiar os políticos católicos a abdicarem de 20% do salário a favor de um fundo social que aumentaria os recursos com que a ICAR exerce o seu enorme poder sobre as populações mais desfavorecidas, o Sr. bispo esqueceu os banqueiros católicos que têm a graça de receber o triplo do vencimento do Presidente da República, após alguns anos a cuidar do vil metal em instituições financeiras. Esqueceu igualmente os recursos que vão de Fátima para Roma e os católicos que amontoam reformas como quem acumula indulgências.

Podia o influente prelado sugerir, nesta época de crise por que passamos, a abolição das isenções e benefícios fiscais que a Lei da Liberdade Religiosa concede à Igreja de forma injusta e imoral. Mas a demagogia manda que se ataquem os políticos porque desperta os instintos mais primários que sobreviveram à ditadura salazarista de que a Igreja católica foi cúmplice.

Enquanto persistirem os benefícios fiscais da ICAR e as pessoas obcecadas pelo Paraíso deixarem bens à Igreja, o poder do clero aumenta e a dependência das pessoas em relação às instituições eclesiásticas não deixa de se fazer sentir. Uma sociedade mais laica, fraterna e igualitária é uma exigência ética que dispensa as sugestões dos bispos e a ganância do clero.

Não deve ser neutro...

Factos & documentos


sábado, julho 24, 2010

Vale tudo…?

Juros: Governo dispensou ouvir Comissão de Protecção de Dados

O Governo considerou que a norma que estabelece a obrigatoriedade de os bancos comunicarem ao fisco os juros das contas dos cidadãos dispensava a audição da Comissão Nacional de Protecção de Dados, disse hoje à Lusa o ministro das Finanças.
«Nós entendemos que não havia aqui nenhuma derrogação do sigilo bancário, porque não se trata de ter acesso às contas e aos movimentos. Entendemos que o tipo de informação que estava em causa não justificava isso», adiantou Teixeira dos Santos. link

O ministro Teixeira dos Santos na saga da cobrança de receitas acha que os fins justificam os meios.

É reincidente. Começou com a retroactividade dos aumentos de impostos [neste momento em apreciação pelo Tribunal Constitucional*] e agora ordena – ignorando a necessária fiscalização da CNPD – que, a solicitação dos órgãos cobradores de impostos, sejam comunicados os juros das contas dos cidadãos.
Não seria mais transparente acabar de uma vez por todas com o sigilo bancário?

* Agravante: teria afirmado que qualquer que seja a decisão do TC os contribuintes não serão ressarcidos…

Nota final: O Ministro com a pressão a que tem sido sujeito não estará a precisar de férias?

A crise social e as “revelações” do bispo…

A ICAR apresentou aos portugueses imperiosas e inadiáveis razões para a construção de um pacto social. link

O bispo Carlos Azevedo, presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social, afirmou: “A crise é tão grave que não poderemos superá-la uns contra os outros: empresários contra os sindicatos, sindicatos contra patrões, governam contra a oposição, oposição contra o governo. A vontade de reagir tem de ser concorde, superando divisões e concertando estratégias, com propostas alternativas credíveis”.

Mais à frente, sublinhou que os actuais modelos de “vida e de consumo, de produção e de distribuição” não são sustentáveis: “Repartem mal, carregam sobre outros o pior do esforço, excluem grupos, sublinham uma democracia de carga corporativa e opaca

A igreja católica manifesta, nestas duas constatações [inseridas na mesma apresentação], a profunda contradição que reina no seu seio. Começa pelo apelo divinatório a um modelo de concertação política e social [empresários, sindicatos, governo, oposições, etc.] muito próximo da doutrina corporativa que conhecemos durante 48 anos. É uma receita para a crise baseada no velho conceito de Estado Corporativo que, como sabemos de experiência feita, conduz ao embotamento da consciência social, ao refrear das incontornáveis batalhas sociais [não existem “ofertas” neste campo], verdadeiros motores da consolidação de um Estado Social digno, justo e equitativo.
O apelo do bispo Azevedo defendendo a congeminação de acordos corporativistas conduz exactamente a aquilo que verbera: “uma democracia de carga corporativa e opaca”. Falta só acrescentar: esta concertação quando não conseguida pela via do diálogo deve ser obtida pela via repressiva. É isso que deixa entrever nas entrelinhas ao afirmar em jeito saudosista: “o Estado é muito impotente”…

Bem, a ICAR, sempre que sai dos domínios evangélicos e pastorais [que dizem respeitos aos seus crentes] intrometendo-se na política social [nacional ou global] abusa das proclamações altissonantes, aparentemente doutrinárias mas, socialmente, vazias de conteúdo programático. Não podemos deixar de repisar aquilo que é conhecido à saciedade. A igreja católica historicamente baseia a sua acção social na caridade [misericordiosa]. Não tem respostas globais que, muitas vezes, passam por rupturas. Foge de qualquer espectro de lutas no terreno social, invocando "compaixões", "perdões" e "condescendências" que, ao longo da História da Humanidade, sempre tentaram atar as mãos aos movimentos sociais.

A crise global que vivemos nasce – a igreja escamoteia este facto - no descontrolado e ganancioso mundo financeiro [que fica de fora do diagnóstico do bispo Azevedo] e, a partir daí, na consequente contaminação da economia. Logo de seguida e, com a “sua” coerência pragmática, questiona a necessidade e a utilidade das prestações sociais [actividades “não- produtivas”].
Isto é, lato sensu, o mundo financeiro aposta na alteração global da vivência da maioria dos cidadãos ao sabor dos seus desígnios de sempre [lucros fabulosos].

Enquanto não enfrentarmos a causa remota das coisas [o mercado financeiro] - e a ICAR sabe disso - corremos o risco de qualquer pacto social conseguido virar-se contra os seus promotores.
Será necessário desenvolver, no terreno político, económico e social, políticas que ultrapassem as já proclamadas medidas orçamentais e do controlo da divida pública e privada [os conhecidos PEC’s], medidas que o lobby financeiro já se encarregou de colocar [impôr – com ou sem consenso] na primeira linha de combate à crise, quaisquer que sejam as consequências económicas ou sociais. Ninguém exige – a esse insondável mundo financeiro - medidas que conduzam à aceleração da criação de emprego, à recuperação dos empregos perdidos ou selectivamente destruídos, ao favorecimento da viabilidade ou à reconversão das empresas, etc...

Neste momento, a ICAR satisfaz-se com a paz [podre] resultante da construção de celestiais pactos sociais ou de desenvolvimento que evitem o necessário e inadiável confronto político com o modus operandi [neoliberal] que rege o obscuro mundo financeiro, ainda não arredado do comando da actual crise.
Para o vulgar cidadão, esta “piedosa” visão social não deixa de ser um mistério. Na verdade, a ICAR fundamenta as suas incongruências, as suas insuficiências, as iniquidades históricas, no “mysterium” .
Na suas pastorais, frequentemente, ultrapassa seu aspecto visível e humano, para se deter em miragens “sobrenaturais”.

Foi essa, na essência, a mediática “revelação” do bispo Carlos Azevedo.
Na verdade, para além da dramática crise social [um facto] o preocupante é a liderança [política ?] que a igreja católica pretende assumir no enfrentamento dos graves problemas na área social.
A César o que é de César!

sexta-feira, julho 23, 2010

Estratégias de coping...

A esmagadoura maioria dos bancos da UE [só 7 em 91 foram "reprovados"] passou no test do stress, uma prova de resistência a um cenário de forte degradação da situação macroeconómica e choque no mercado de dívida pública.

Sabemos que o stress das pessoas é diferente do stress das instituições. Assim, nós [os portugueses e as portuguesas] continuaremos a reagir mal às exigâncias do momento. Isto é, para os mais desfavorecidos - o mesmo é dizer para muitos dos cidadãos - o stress continuará presente ou vai agravar-se [ver taxas de incumprimento].

E, apesar da euforia no mundo financeiro europeu e dos sustentados lucros dos bancos, os spreads continuarão a subir...

Adenda: uma certidão que julgávamos proscrita!

Proposta [PSD] sobre o SNS:

Eliminar o princípio do “tendencialmente gratuito”, acrescentando que “em caso algum o acesso pode ser recusado por insuficiência de meios económicos”...

[retirado de opombalinho.blogspot.com/2008_09_17_archive.html]

A escolha é fácil: pobre ou indigente - [para 2 milhões (?) de portugueses] ...

Masturbações constitucionais...


“Foi uma 'prova dura', um 'momento histórico' e o PSD saiu ganhador. Assim foi o Conselho Nacional do PSD, segundo o seu secretário-geral, Miguel Relvas. 'Pela primeira vez o partido leva a conselho nacional uma proposta de revisão constitucional e acabou demonstrada a unidade inabalável do PSD', afirmou ao PÚBLICO. O debate, afirma, assentou no 'princípio da boa-fé' e as alterações aceites foram só 'precisões semânticas'. As críticas, Miguel Relvas guarda-as todas para o PS, por ter tido uma "reacção desproporcionada" vinda de 'alguém que, há um mês, precisou da nossa ajuda para se agarrar ao poder'.
'O PS tem medo da mudança porque sabe que vai com ela' , afirma.
Miguel Relvas in J Público, 23.07.2010, pág. 10 [os sublinhados são da responsabilidade do postador]
link

Um partido proteiforme. Um dia diz que subscreveu o PEC [com o PS] em nome dos superiores interesses do País. Agora aparece o his master voice de Pedro Passos Coelho [Miguel Relvas] a afirmar que, há um mês, “segurou” o PS no poder… Faltou acrescentar – por oportunismo ou vergonha - que o fez em nome do tacticismo eleitoral do PSD, visando um planeado e eminente “assalto” ao poder.

Enfim, um partido com uma agenda política atabalhoada. Voltamos aos velhos tempos de sobrevivência à sombra de factos políticos. Criados ou imaginados.

Este questionamento do regime democrático [não é menos do que isso] através de propostas de revisão constitucional, esta inconcebível deriva sobre as prioridades políticas, estas retorcidas chicanas retóricas com semânticas viciosas, este execrável calculismo na ante-câmara do poder, não abonam nada de bom, quando à credibilidade política e social do PSD.

Mas, infelizmente, não é só no PSD que existem erros quanto ao actual momento político. Haverá [julgo] um grande desacerto de todos os partidos que se consubstancia no destaque dado a este arremedo de facto político. Melhor seria deixá-los a discutir sozinhos...

A revisão constitucional do PSD merecia ter sido recebida com a mais profunda indiferença. Não mereciam qualquer resposta. O País não está obrigado a cumprir o calendário partidário definido no último Congresso do PSD. As questões domésticas não devem influenciar a crise sistémica que o País vive…
São, em termos políticos, meras jactâncias! Uma masturbação constitucional [sem direito a relax!] .

Cata-mel [Vale d'Açor, 22.07.2010]


A mansão deve ser bem comprida...


Monumento aos Viveiristas [Semide, 22.07.2010]


Espinhos [Semide, 22.07.2010]


Momento de poesia


Dissertação sobre as palavras esquecidas…



Fui ler os teus poemas
para ver
se ainda me recordava
de mim
a memória já me falha
e esqueci-me das palavras
que escreveste
e eu já não tenho tempo
para voltar
a decorá-las
agora só me resta
ouvi-las
pelo sopro da tua boca.

Alexandre de Castro

quinta-feira, julho 22, 2010

A Igreja e os supermercados

Se o dogma é um insulto à inteligência mas uma vitória para a fé, se agride a razão mas purifica a alma, se fecha os caminhos difíceis da ciência mas abre as largas avenidas da salvação, como é possível haver quem o enjeite? – O Governo português não.

Como diria o Eça, estava o Ministério, moderadamente jejuado, razoavelmente confessado e melhor comungado quando piedosamente se pronunciou sobre o horário do comércio, não se dissesse que o liberalismo económico encontrara em Portugal terreno fértil. Privatizaram-se as seguradoras e os bancos, é verdade; condescendeu-se com a liberalização dos combustíveis e da energia; as comunicações e os cimentos entregaram-se aos privados, mas o Estado chamou a si o horário das mercearias.

Nos mares, nas estradas e nos ares circula a iniciativa privada mas respeita-se, na compra do sabão amarelo, o horário das repartições. Não tem horário a gasolina mas têm hora marcada a posta de pescada e o quilo de feijão carrapato.

Andou bem o Governo em proibir às grandes superfícies a abertura de portas ao Domingo. Preferiu a santa missa à venda dos legumes; dificultou a aquisição de frescos mas facilitou a divulgação das homilias; alguns bacalhaus ficaram por vender mas promoveu-se a eucaristia, com hóstias sem código de barras, nem prazo de validade, guardadas sem rede de frio nem inspecção sanitária. Folgam as caixas registadoras nas tardes de Domingo mas agitam-se as bandejas na missa do meio dia.

Contrariamente ao que eu supunha, não houve, porém, festa nas sacristias, não rejubilou o patriarcado, não aconteceu um lausperene. Nem uma missa de acção de graças. Nem uma noveninha. Provavelmente algum padre-nosso rezado na clandestinidade ou uma ave-maria balbuciada por uma beata enquanto resistia à tentação da carne e ao assédio do marido. A própria Conferência Episcopal desistiu da pastoral da mercearia.

Talvez por isso, os supermercados acabaram por abrir ao Domingo.

O Islão é demência adquirida

O Islão é uma cópia grosseira do cristianismo sem a influência da cultura helénica e do direito romano. É a crença inspirada no Corão, um livro medonho que a tradição atribui ao arcanjo Gabriel que o ditou em árabe a um pastor analfabeto e rico, entre Medina e Meca, ao longo de duas décadas. Reflexo de sociedades tribais e do domínio patriarcal, o islamismo exerce o poder, todo o poder, em numerosos países, sendo responsável pela violência que aí se pratica e pelos crimes que o clero exerce em nome de Deus, o beneficente, o misericordioso.

O mais implacável monoteísmo só exige crer em Deus, o beneficente, o misericordioso, rezar cinco orações diárias virado para Meca, dar esmolas, fazer jejum no mês do Ramadão e, se possível, ir em peregrinação a Meca, uma vez na vida. Com estes cinco pilares da fé qualquer crente tem o Paraíso garantido.

O fracasso da civilização árabe e a pobreza dos povos submetidos à violência de Deus, o beneficente, o misericordioso, tem exacerbado a fé e aumentado a influência religiosa. A sharia é o reflexo da tragédia dos povos vergados à vontade de Deus, o beneficente, o misericordioso, um arremedo de direito que condiciona todos os momentos e actos das vítimas da crença. Uma muçulmano não tem direito à apostasia, só à pena de morte por abandonar o beneficente, o misericordioso.

Nem todas as patifarias do direito islâmico, de natureza teocrática, resultam do Corão e dos seus versículos. Os interesses políticos podem tornar ainda mais cruel a vontade do Profeta que tem a particularidade de ser o último (o primeiro foi Adão) e de não poder haver outro, depois dele, nem qualquer possibilidade de Deus voltar a falar.

É com esta fé esquizofrénica que vários povos aplicam a sharia. A excisão do clítoris, a amputação de membros, a lapidação de mulheres, chicotadas públicas e outras torturas, são penas habituais onde a forca e a decapitação são as formas mais expeditas e menos cruéis de assassínio legal. O Irão, a Mauritânia, o Sudão, o Iémen, a Arábia Saudita, a Nigéria e a Somália aplicam também a pena de morte à homossexualidade, abominação que os monoteísmos odeiam.

Nas madraças e mesquitas fanatizam-se crianças e instila-se o ódio à modernidade e ao livre-pensamento. Os europeus, que reprimiram o seu clero para poderem ser livres, são benevolentes com a barbárie sob a pretexto do multiculturalismo e o álibi da tradição.

A Europa, secularizada, é vítima do proselitismo religioso de que não sabe defender-se, com uma esquerda demasiado cobarde e incapaz da lucidez para avaliar a malignidade intrínseca das religiões e uma direita xenófoba com a obsessão do mito da identidade nacional.

Espero que as associações ateístas que surgem entre europeus ex-muçulmanos possam ser a chave para a solução dos países infectados pela alienação islâmica. É com elas que devemos aprender a lidar com a intolerância e a combatê-la dentro dos limites do Estado de direito e no respeito pelas liberdades, direitos e garantias dos cidadãos.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, julho 21, 2010

PSD - tortuosos e teatrais estratagemas…

Nas cabeças dos peregrinos “sociais-democratas lusitanos" a proposta de revisão [subversão] constitucional é a modernidade, o futuro, quase, o Éden.
Nasceu-lhes esta ideia [saiu-lhes da mona] no meio da euforia do último Congresso onde pouco havia que discutir [Santana Lopes andava por lá em of site] e, o que realmente era importante ser debatido, i. e., organizar as cerimónias fúnebres do cavaquismo cujo espectro ainda pairava sobre este evento [Congresso] envolto num denso tabu, não teve qualquer chance...

Findo o Congresso adestraram um desocupado [desalojado] banqueiro, um monárquico encafuado, enfim, um homem para toda a Obra que, para não destoar do seu curriculum, gizou o escabroso livrete denominado - proposta de revisão constitucional.

Outros, os operacionais, estorricaram os seus cérebros na pesquisa de uma oportunidade para se mostrarem reformistas e tentaram inscrever o miranbolante documento na agenda política.
A justificação "a crise endémica". Melhor, a progressiva divergência desenvolvimentista com a União Europeia.

Causas?
Fácil! O PS que, nos últimos 15 anos, governou 13!

A verdadeira causa dos problemas nacionais, nascidas da aplicação do ideário e prática financeira neoliberal, aqui e no Mundo, é para mistificar, sonegar, dissimular…
Ou, como se pode ver, para incorporar, para entranhar na nossa Constituição.

É patente que um tão violento retrocesso político e social – tão geometricamente espelhado na proposta de revisão Constitucional – necessita de muitas marionetes e algumas mascarilhas, para ser posto em cena, sem cair no fatal ridículo.

Entretanto, cai o pano, não soam as palmas e, então, aparece na ribalta o contra-regra a anunciar diversas reposições, tantas quantas as necessárias para dobrar a vontade à Esquerda. Dar corpo a um processo baseado no esgotamento dos parceiros e adversários políticos [neste momento com um alargado beneplácito mediático], levando à cena a parábola da água mole em pedra dura…

Finalmente, resta-lhes justificar este petulante desvario, este diletantismo revisionista, esta manobra de diversão, com paralelismos históricos deslocados, invocando um passado distante, necessariamente, diferente.

De qualquer modo, seria indispensável que aonde [ainda] exista a mínima reserva de bom senso, tenha a lucidez de chamar Pedro Passos Coelho à parte e explicar-lhe que a História não se repete ou, então, sussurrar-lhe:
- O menino não é o Dr. Francisco Sá Carneiro!

Melhor, ainda, será acreditar em Luis Filipe Menezes: daqui a 6-7 anos pensamos nisso... Entretanto, muita água correrá sob a Ponte Europa.

Itália - Tráfico de droga ao mais alto nível


Condenado, segunda-feira, 12 de Julho de 2010, a 14 anos de prisão por tráfico de droga, na companhia de 13 oficiais superiores.

S. N. S. - Sob fogo do PSD/PPC

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) está a ser metodicamente destruído de forma sustentada, perante a distracção de um país dado à maledicência, pouco vigilante dos seus interesses e direitos.

Coimbra tem o nome ligado ao SNS através de ilustres cidadãos que estiveram na sua origem – António Arnaut, como ministro, e o seu secretário de Estado, o saudoso Prof. Mário Mendes. Pode orgulhar-se de unidades hospitalares de altíssima categoria, servidas por uma plêiade de médicos sem rival no passado, com meios de que o País pode orgulhar- se.

A cassete neo-liberal encontra eco na cidade onde o bairrismo mostra a sua pior faceta – um provincianismo pacóvio que vocifera contra a co-incineração e se remete ao silêncio perante o desmantelamento do SNS.

Longe vão os tempos em que na Assembleia da República cabia a dois deputados de Coimbra a vigilância cívica perante arremetidas mais benignas do que a actual. Fernando Gomes e João Rui de Almeida, respectivamente pelo PCP e PS, foram a voz de uma cidadania que não se demite, na defesa de interesses colectivos. Sabiam do que falavam e o que diziam.

Aos cidadãos de Coimbra lanço um desafio. Vejam as vantagens da passagem dos SMASC a Empresa pública e digam se, exceptuando os membros do novo Conselho de Administração, alguém ganhou alguma coisa, os munícipes, os funcionários ou a cidade.

Depois deste exercício talvez recordem com amargura o lamento premonitório de um distinto médico e professor da Universidade de Coimbra, H. Carmona da Mota, num artigo publicado em 18 de Janeiro de 2003: «Malfadado SNS de que muitos irão ter saudades e alguns remorsos quando já não houver remédio. Saudades, os que mais precisarem; remorsos, os que mais criticaram».

(Texto de Outubro/2003)

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terça-feira, julho 20, 2010

É isto que os portugueses querem?

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Proposta de revisão constitucional do PSD


Por razões atendíveis não consegui conter o vómito...

Mourinho e o bruxo queniano

O bruxo queniano Mzee Makthub, num excelente golpe publicitário que o fez saltar para a comunicação social internacional, afirmou que o treinador lhe tinha pedido ajuda para triunfar no Real Madrid.

Quem se distinguiu pelo seu trabalho e competência profissional e se tornou celebridade mundial, não pode dar importância a um bruxo. É bem pior processá-lo do que ignorá-lo, pior a emenda do que o soneto.

Mas admitamos que Mourinho é demasiado sensível ao obscurantismo e nutre particular aversão ao mundo esotérico de bruxos, quiromantes e outros primatas de virtude. Nesse caso é natural que processe o impostor para o desmascarar, para o expor ao ridículo dos simples que ele engana e dos crédulos a quem extorque o óbolo.

Mas surpreende que Mourinho, homem inteligente, não se limite a invocar a dignidade profissional posta em causa por uma improvável consulta a um bruxo e acrescente a fé católica como igualmente ferida.

O segundo argumento é claramente contraproducente. Santo Agostinho acreditava que as bruxas eram o produto das uniões proibidas entre sedutores demoníacos de mulheres, os íncubos, tal como a maioria das pessoas da antiguidade clássica ou da Idade Média. *

Nem o facto de as freiras verem, num estado de confusão, semelhanças entre o íncubo e o padre confessor ou o bispo e que ao acordarem se sentiam conspurcadas como se se tivessem misturado com um homem, como escreveu um cronista do século XV, nem isso, levava o Santo Doutor, a pôr em dúvida uma crença que foi comum à maioria das pessoas da antiguidade clássica ou da Idade Média.

Mourinho, para além de ter de provar em tribunal que não foi ao bruxo, o que é fácil, terá de demonstrar que é impossível a um bruxo ajudar um treinador não o sendo a D. Nuno curar o olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus, aos pastorinhos desentrevarem a D. Emília dos Santos, ou à Irmã Lúcia prever a agressão a um homem vestido de branco (ou com vestido branco) – João Paulo II.

Em milagres e premonições, os católicos deviam ser mais prudentes pois falta-lhes autoridade para descrer de bruxas (normalmente, uma especialidade atribuída pela Igreja a mulheres). Se não existissem não teriam sido queimadas pela Santa Inquisição.

* (Carl Sagan, no seu livro «Um mundo infestado de demónios», pág. 126)

Golpe de Estado constitucional

António Arnaut, pai do Serviço Nacional de Saúde, considera que as propostas do PSD para a revisão constitucional são um regresso ao Estado Novo e um «golpe de Estado constitucional».

António Arnaut, pai do Serviço Nacional de Saúde, considera que a proposta de revisão constitucional do PSD, que pretende retirar da Constituição o acesso tendencialmente gratuito para a saúde e educação, é insensata.

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Maternidade Bissaya Barreto: razões "infertéis"…

Ontem, nos noticiários nacionais, ficamos a saber qual a posição do CA dos CHC sobre a crise que assola a Maternidade Bissaya Barreto [MBB]. A Directora Clínica da Maternidade bem como os Directores de Serviço que pediram a exoneração não tiveram tempo de antena. No aspecto informativo a hierarquia funciona.
Todavia, não é necessário ser muito perspicaz para inferir que a questão vertente – a instalação de um centro de procriação medicamente assistida [PMA] no novo Hospital Pediátrico - foi decidida pelo CA dos CHC à revelia de qualquer tipo de auscultação aos responsáveis da Maternidade. Estes [os demissionários], ao tomarem uma posição pública de classificarem a decisão tomada “um desinvestimento” na unidade de Saúde onde prestam serviço, confirmam que o órgão administrativo do Centro Hospitalar exibe uma peregrina visão sobre tipo concertação entre a gestão administrativa e a governação clínica que são essenciais para optimizar os níveis de eficiência dos Serviços hospitalares.
Os contactos que vão ser desenvolvidos pelo CA dos CHC com os médicos da MBB pecam, portanto, por tardios. São tentar remediar o irremediável.
Para qualquer cidadão atento será difícil tentar compatibilizar atitudes, como a do CA do CHC, aparentemente discricionárias, impositivas, e o “nobre” propósito de, com medidas desse tipo, não serem afectados a qualidade dos cuidados prestados.

A justificação da instalação deste novo centro de PMA no novo Hospital Pediátrico com base na existência de 1 espaço vago de 200 m2 levanta previamente a questão do dimensionamento e planeamento desta nova Unidade [H Pediátrico]. Os serviços não se instalam em função da disponibilidade e oferta de espaços fisícos… A sua instalação, como os utentes do SNS sabem - e o CA do CHC também -, deverá ser feita em conformidade com a sua real e objectiva necessidade em termos de prestação de serviços [na área da infertilidade] e em boas condições científicas, técnicas e humanas.
Quando se lê no preambulo do Despacho n.º 10789/2009 do Ministério da Saúde:
“…Na base deste processo, está a ser desenvolvido um Sistema de Informação de apoio à fertilidade e à Procriação Medicamente Assistida — FERTIS — instrumento essencial para conhecer a realidade epidemiológica em termos de infertilidade, monitorizar o processo de acesso às técnicas de procriação medicamente assistida (PMA),…”, levanta-se uma pertinente interrogação.
Centros com esta especificidade [na ausência de Unidade de Medicina da Reprodução] não deverão estar afectos a Serviços Clínicos de Ginecologia e Obstetrícia?
E não deverão, para além do núcleo duro de ginecologistas e obstetras, integrar especialistas em genética médica, endocrinologia, urologia, psicologia, etc.?

Então, porquê, o Hospital Pediátrico?
Só para preencher um espaço devoluto?
Não seria melhor não agredir a inteligência dos utentes do SNS e arranjar uma justificação mais plausível?

segunda-feira, julho 19, 2010

Momento zen de segunda_19-07-2010

João César das Neves (JCN) tem pela Associação para o Planeamento Familiar (APF) o horror que Maomé nutre pelo toucinho e pelas aulas de educação sexual a aversão dos talibãs pelos infiéis. Não reconhece a acção meritória da APF na prevenção de gravidezes indesejadas e de doenças sexualmente transmissíveis.

Por muito que sofra JCN a reprodução humana faz-se pelo método tradicional e está de tal modo popularizado que não é fácil substituí-lo pela inseminação artificial, como se tornou prática corrente na veterinária.

Na sua homilia de hoje «Uma questão de educação», no DN, JCN apelida a APF de “guardiã nacional da ortodoxia erótica” e, mais uma vez se bate, por caminhos ínvios, contra a educação sexual nas escolas. Nem a tragédia da SIDA o demove dos seus conceitos fundamentalistas.

A defesa da família, como única entidade idónea para ministrar a educação sexual, é um álibi para a banir da escola. Para JCN a sexualidade é um erro da natureza que aliou o prazer à prossecução da espécie. O bem-aventurado considera que o pudor devia impor silêncio sobre tudo o que respeite à sexualidade, mas a prudência manda o contrário.

A estranha obsessão de JCN pelo sexo, mantida ao longo dos anos, expõe o militante ao ridículo. Para ele a moral sexual é a que os padres definem e o exemplo a seguir o que é praticado pelo Vaticano, por sinal o único Estado do mundo onde a reprodução é oficialmente proibida.

COIMBRA, ”tout court”

A rede hospitalar em Coimbra - como de resto se verifica em todo o território - sofre de várias aberrações e muitas inconformidades que os tempos de crise vão evidenciar.
É verdade que Coimbra despejada de qualquer tecido industrial, digno desse nome, terá iniciado – há alguns anos - uma viragem para o sector de serviços [o velho sector terciário] , centrada na sua Universidade e no alargado conjunto de infra-estruturas hospitalares que aqui estão sediadas.
Nasce assim a ideia de Coimbra – capital da Saúde e do Conhecimento!

A cidade ao viver subsidiária do sector de serviços enveredou por um rumo, no mínimo, arriscado. Embora as deslocalizações atingem essencialmente os sectores produtivos, o desenvolvimento económico e social, bem como o necessário combate às assimetrias, arrasta – muitas vezes - transferências de serviços. Ver, p. exemplo, caso da Universidade de Aveiro.
Desde logo, a estratégia “Coimbra – capital da Saúde e do Conhecimento”, padece de uma insuficiência basilar. Em devido tempo, devido a insondáveis “tricas político-partidárias”, não se criaram dinâmicas sociais suficientemente fortes para levar avante – como a Constituição prevê - a Regionalização do País.
Pelo contrário, uma autêntica chicana política em que os partidos se dedicaram a espúrias contabilidades eleitorais e, complementarmente, o insistente apelo a seculares medos ancorados em más experiências entrosadas em caciquismos obsoletos e bairrismos balofos, levou à realização de um referendo que, como todos sabemos, “matou” [terá só adiado?] a – sabemos hoje com maior clarividência – Regionalização.

Vem isto a propósito da recente crise que afecta a Maternidade Bissaya Barreto, causadora da demissão da Directora Clínica e de 3 responsáveis por Serviços dessa instituição de Saúde.
Fundamentalmente, o que estará em questão é o desinvestimento nesta unidade do SNS, nomeadamente, o cancelamento do centro de procriação medicamente assistida, as substituições de materiais e a degradação das instalações…
Não basta tranquilizar a população com declarações de circunstância afirmando que as consequências da actual crise “ não vão afectar a qualidade da prestação assistencial…
link

Na verdade, independentemente da reestruturação da rede hospitalar [não só em Coimbra, mas a nível nacional] os cidadãos de Coimbra vivem tempos de desânimo, de frustrações, de incertezas...

É o seu sonho de ser capital da Saúde que é posto em causa, pois sem inovação [e o consequente apetrechamento tecnológico] bem como a mobilização de recursos humanos qualificados, acabará por fenecer à beira da praia.

Um mal nunca vem só. Acresce a estes preocupantes indícios a paralisia de projecto “Metro Mondego” que privará a cidade e concelhos limítrofes [por quanto tempo?] de uma rede de comunicações de superfície, indispensável suporte para a mobilidade das pessoas desta região, uma incontornável alavanca para o desenvolvimento local e regional.

E voltamos ao mesmo. A Regionalização poderá ser o busílis de todas estas questões.
Independentemente dos problemas nacionais sobre modelos de desenvolvimento, onde o princípio da solidariedade deve imperar, Coimbra […a Região Centro] perdeu espaço para definir e desenvolver estratégias regionais. Assim caiu o Metro e, de seguida, vão sucumbir os sonhos na área da Saúde...

Coimbra corre o risco de não ser capital de “ coisa alguma”.
Ficará no mapa – simplesmente - como “Província”… tout court!