terça-feira, novembro 30, 2010

Dia Mundial de Luta contra a SIDA

Amanhã, 1º. de Dezembro, é o Dia Mundial de Luta contra a SIDA.

Hoje, decorreram no País vários debates promovidos por Escolas, Autarquias, Sociedades Científicas, meios de comunicação social e muitas ONG’s [evito mencionar para não excluir nenhuma], i. e., um vasto número de organizações empenhadas nesta área, participaram em acções de esclarecimento, de sensibilização e discussão de estratégias de prevenção. Em Portugal, são acompanhados, no SNS, cerca de 22 mil portadores do HIV.

Hoje, também, veio à tona a discórdia sobre o número de infectados e a pouca fiabilidade dos modelos e métodos de colheita dos dados epidemiológicos sobre esta doença [facto que não é exclusivo da SIDA]. Muitas organizações sustentam que os dados epidemiológicos estão sub-avaliados. Haverá necessidade de agilizar as declarações, fiabilizar os registos e trabalhar, com rigor, os dados colhidos.

O balanço da eficácia das medidas preventivas, levadas a cabo no nosso País, revelou limitados avanços [foi relativamente ineficaz], havendo largo consenso sobre a necessidade de reforçar [ou re-desenhar] as campanhas de sensibilização e prevenção.

Como a SIDA é um problema de Saúde Pública, a Directora-Geral da OMS, Margaret Chan, sublinhou, neste dia, uma verdade insofismável:
“Qualquer resposta ao VIH necessita que se garanta o respeito pelos direitos humanos. O direito à saúde é básico para actuar contra o VIH".

Sem tirar nem pôr!... como diz o povo.

Portugal, a crise e a direita

A competição, tal como a alternância, fazem parte da dialéctica política das democracias e os fracassos do Governo, qualquer que ele seja, não podem deixar de ser aproveitados pela oposição. Mas talvez não valha tudo.

Honesto seria, por cada medida errada, explicar qual era a alternativa; por cada atitude tomada, propor a certa; por cada indecisão justificar a resolução a tomar. O que não se afigura correcto é a montagem de uma inquisição que remete para o carácter as críticas que são legítimas e obrigatórias em democracia.

Não se pode, perante um governante que se esforça por transmitir alento à economia e tranquilidade aos investidores, dizer que está a mentir, que as metas não são exequíveis, que há má fé nas afirmações.

Não se pode odiar a Constituição que se jura respeitar e fazer respeitar para a trair e lhe conferir um carácter conjuntural e, muito menos, rejubilar quando os vários organismos estrangeiros têm uma visão mais pessimista sobre Portugal.

Julgar a actual situação económica e financeira, sem ter em conta a crise internacional que se abateu sobre o mundo, e, particularmente, sobre a Europa, é um acto gratuito de chicana política para a luta partidária com consequências nos mercados internacionais.

Há uma direita de rosto humano a deixar envolver-se pela herdeira do salazarismo, uma direita troglodita que pretende exonerar o Estado da sua função social para o colocar ao serviço dos interesses particulares como mero instrumento de repressão sobre as classes mais desfavorecidas.

É o regresso da direita de sempre, a rodopiar na volúpia de um Presidente, uma maioria e um Governo, uma direita que saberá repartir os sacrifícios pelos mais desfavorecidos, que privatizará todos os lucros e nacionalizará os prejuízos. É a direita que prefere a democracia à ditadura a menos que perca o poder.

Portugal tem uma direita que prefere perder o País a perder o Governo.

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segunda-feira, novembro 29, 2010

Preferia o outro anúncio com a menina do gás

Wikileaks, espiões e segurança mundial

Mais de 250.000 documentos reservados, confidenciais ou secretos, difundidos através da Wikileaks, ridicularizam e comprometem os Serviços dos EUA no Exterior que os enviaram ao Departamento de Estado.

Seria candura pensar no carácter benemérito do denunciante e ver um acto de cidadania na acusação, apesar das maldades que várias administrações, especialmente a de Bush, fizeram ao mundo. O Império tem crimes que urge julgar e que a investigação criminal dos EUA apenas quer ocultar e, impotente para os esconder, vingar-se do mensageiro.

Os meios de comunicação cumprem o seu papel mas os autores que revelaram os crimes talvez não possam ser considerados heróis e, muito menos, beneméritos. Resta saber o que os motivou, para correrem riscos pessoais tão graves, sabendo da tempestade que desencadeavam e da alteração da correlação de forças mundiais que podem provocar.

Passada a guerra fria está em curso a definição de uma nova geometria política em que a China corre para a hegemonia que há muitos anos pertence aos EUA, não hesitando em dar cobertura às teocracias do Golfo, verdade seja dita, como tantas vezes foi feito pelos que agora vêem desmascaradas as suas manobras.

Recuso ver apenas vilões de um lado e causa-me perplexidade que este escândalo tenha lugar quando a América tem o mais humanista e menos belicista presidente das últimas décadas.

Dizer que só a verdade é revolucionária é um slogan que pode aliciar muita gente mas, antes, é importante conhecer os objectivos da denúncia, a oportunidade, os beneficiários e saber quem esteve por trás deste escândalo de consequências incalculáveis.

Entre os EUA e a China e entre Obama e Ahmadinejad, prefiro os primeiros.

Presente de fim de ano

Intolerável proselitismo religioso

Dois afegãos convertidos ao cristianismo podem enfrentar a pena de morte por renunciar ao islamismo, segundo a legislação local, num caso que evidencia as contradições de um país que é signatário da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

domingo, novembro 28, 2010

WIKILEAKS storm...

[gráfico publicado na edição "última hora" do El País ]


Foram, hoje, trazidos à luz do dia - através da Wikileaks - mais de 250.000 documentos enviados pelos Serviços no Exterior ao Departamento de Estado dos EUA, até aqui reservados, confidenciais ou secretos.

Os documentos revelam o modus operandi da diplomacia norte-americana e abragem todo o tipo de documentos: espionagem, corrupção, interferência na política interna de Países, vigilância de comportamentos privados de estadistas, etc.
Um manancial de informações que levou a Secretária de Estado americana, Hillary Clinton, a contactar previamente os círculos diplomáticos e governos dos Países visados [muitos deles seus aliados], tentando “deitar água na fervura”.

Os documentos foram facultados pela Wikileaks a diversas publicações europeias e norte-americanas [El País, The Guardian, The New York Times, Le Monde, Der Spiegel, etc.] que vão trabalhá-los no aspecto informativo e na sua divulgação.

Estas revelações – segundo fontes diplomáticas – podem comprometer as relações internacionais dos EUA e, obviamente, vão determinar alterações radiacis no meios e sistemas de comunicação diplomática, militares e dos serviços secretos.

Entretanto, esta divulgação torna possível a cada cidadão ajuizar, per si, o papel [na política externa] que os EUA têm desempenhado por esse Mundo fora.

Bíblico esconderijo no "complexo do alemão"...

Foto: Veja online [ soldado na intervenção desta manhã no Complexo do Alemão] veja

Pode ler-se no 1º. versículo [Salmo 91 - Biblia VT]:
"Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Todo-Poderoso descansará... "

APOSTILA: Nem sempre o Velho Testamento deve ser interpretado "à letra"!

Duas vidas, dois destinos

O "complexo alemão" ou a complexidade da luta contra o narcotráfico...

[madrugada de 28.11.2010 - preparativos para o iníco do assalto ao "Complexo Alemão"]

Começou esta manhã - 09h00 TMG - a ocupação do "Complexo do Alemão" [um conjunto de 15 favelas!] provavelmente a mais conhecida praça forte do narcotráfico no Rio de Janeiro, onde se acoita temido gang "Comando Vermelho".

Uma impressionante acção policial e militar - apoiada pela maioria da população residente - visando repôr a tranquilidade na vida dos cariocas e restituir a autoridade legítima a redutos instalados em focos de uma probreza extrema, onde se implantaram sistemas sociais e de "trabalho", dirigidos por traficantes, sob a bandeira da violência e da coacção.

Todavia, se é verdade que os operacionais da comercialização estão instalados no "Complexo Alemão", ou na famosa "Favela da Rocinha", os cérebros [ocultos] do narcotráfico - aqueles que vestem Versace ou Gucci e calçam Prada - assistem tranquilamente a esta "guerrilha urbana", pela TV, nos seus luxuosos condomínios fechados em Ipanema, no Leblon, ... comentando o uso desproporcionado de forças repressivas, que lhes poderá estragar, nos tempos mais próximos, os "negócios"!

A polícia trava uma difícil batalha. Falta, contudo, ganhar a guerra. Que - como sabemos - não compete às forças policiais e militares...

sábado, novembro 27, 2010

Repulsivo…

Existem personagens que se prestam para tudo. Sonham com um objectivo [de vida] e por ele vendem a mãe [Pátria].

Há muito que conhecemos este espécimes.
São os nossos “Miguéis de Vasconcelos”...
Temos, por aí, muitos vendedores de políticas de rebaixamento, de insolvência intelectual, de adulação...
Esta é uma ocupação pouco recomendável.

Desgraçado do político que aspira alcandorar-se ao Poder sobre os escombros de uma inconfessada descrença na capacidade do seu País resolver os problemas.

Desafortunados são aqueles cujo programa é inane. Resume-se, ao fim e ao cabo, ao empunhar do chicote emprestado por um algoz estrangeiro e, sob a batuta dos carrascos, vergastar os seus concidadãos.
Estes, não são só políticos imaturos, "verdes". Assumem-se, também, como verdugos!

Apostila: Uma coisa é ser compelido [por imperiosas circunstâncias], outra é oferecer-se [antecipadamente]

Serviço Nacional de Religião. Comunicado da Associação Ateísta

À comunicação social:
COMUNICADO

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) vem por este meio alertar para as intenções expressas pela Ministra da Saúde, Ana Jorge, no Encontro Nacional da Pastoral da Saúde que decorre em Fátima. Defende a Sra. Ministra que compete ao Estado garantir a “assistência espiritual” aos doentes atendidos em casa pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS). A AAP opõe-se a tal medida pela ingerência esta-tal em matérias do foro privado, pelo encargo adicional ao SNS, e por ferir o bom senso, um recurso especialmente precioso em tempos difíceis como os que vivemos.

A assistência religiosa, também denominada espiritual por quem assume a existência de espíritos, é um direito individual que a AAP reconhece e defende. Mas é parte integrante da vida das pessoas, e não uma técnica terapêutica. Nenhum médico vai receitar duas doses de Budismo para a garganta inflamada ou uma semana de Cientologia para tratar uma entorse. A quantidade e tipo de religião que cada um toma, se alguma quiser, não é função nem do tratamento nem da doença. Resulta apenas das suas preferências pessoais.
Além disso, qualquer religião que o seja vê no sacerdócio uma vocação e não um serviço remunerado. A assistência religiosa faz parte da relação pessoal entre o crente e a sua comunidade religiosa, e é nesse contexto que deve ser prestada. Assim, a Sra. Ministra propõe a solução errada para um problema que nem sequer existe, pois nada impede que os doentes recebam apoio religioso em suas casas. Afinal, muitas religiões vão a casa das pessoas mesmo quando ninguém lhes pede que o façam. Com certeza também irão a casa ou ao hospital consolar os crentes que o queiram sem que o Estado tenha de pagar a deslocação e o serviço.
É também falsa a afirmação da Sra. Ministra que a assistência religiosa não interfere na assistência médica. É falsa porque os recursos são escassos. Quando um número crescente de portugueses não consegue sequer comprar os medicamentos de que precisa, é óbvio que os ordenados dos sacerdotes nos custam em saúde. Isto tanto para o plano de pagar do erário os serviços religiosos porta-a-porta, como para os sacerdotes que, em hospitais por todo o país, já hoje subtraem o seu ordenado a um orçamento que nem para medicamentos chega.

Finalmente, a religião é um assunto pessoal. Não é à burocracia ministerial que compete decidir que religiões são subsidiadas, quanto cada uma recebe, em que zonas há subsídios para esta ou aquela e assim por diante. A AAP condena este novo plano da Ministra da Saúde, bem como a situação lamentável das capelanias hospitalares, por fingir resolver um problema que não existe, pela intromissão indevida do Estado numa matéria tão pessoal e pelo desperdício inaceitável de recursos escassos.

Associação Ateísta Portuguesa – Odivelas, 27 de Novembro de 2010

Parabéns, Marinho!

A anunciada vitória do Dr. António Marinho Pinto nas eleições para Bastonário da Ordem dos Advogados mostra - para quem está de fora dos meandros da luta corporativa - que estão em incubação profundas mudanças nos grupos sócio-profissionais, nomeadamente em relação à formação, à integração na actividade profissional dos novos membros e na regulação de actividades monopolistas subsidiárias de grandes e/ou "influentes" grupos que dominam "o mercado" da advocacia.
Por outro lado, venceu a concepção de é necessário manter e aprofundar uma grande autonomia [independência] da classe perante a magistratura judicial, assegurar um exercício profissional deontologicamente limpo e transparente, bem como, prosseguir numa frontal e pertinente denúncia dos problemas e vícios que infestam, há dezenas de anos, a Administração da Justiça em Portugal.
Esta vitória foi, também, o triunfo de muitos advogados [na maioria anónimos causídicos da Província sem relevo mediático] que querem mudar, interferir [no bom sentido] e serem protagonistas numa inadiável Reforma do Sistema Judicial no nosso País mas, também, a esperança de sobrevivência dos pequenos grupos de profissionais [ou mesmo profissionais com escritórios individuais] que lutam com dificuldades para levar a cabo uma advocacia qualificada e digna, contra poderosos interesses instalados nesta área que - directa e indirectamente - se envolveram nesta eleição, tentando alterar o curso das reformas iniciadas no anterior mandato do Dr. A. Marinho Pinto.

O Dr. Marinho Pinto e a Ordem dos Advogados têm, neste momento, sobejas razões e toda a legitimidade democrática para prosseguir uma luta iniciada há 3 anos contra o status quo reinante, apesar de todos os bloqueios vindos das áreas mais conservadoras da advocacia.

Declaração de interesses: sou, desde os tempos da Universidade, do ambiente fraterno das velhas "repúblicas", das lutas do movimento estudantil nas décadas de 60/70 e depois no desenvolvimento da vida profissional, um indeflectível amigo, um companheiro, um partilhador de ideais com o generoso, voluntarioso e lúcido "Marinho". Não sou advogado!

sexta-feira, novembro 26, 2010

RIO de JANEIRO: operações de “limpeza” nas favelas...

Vila Cruzeiro

Um antigo refúgio de escravos no séc. XIX, território que ainda é pertença da Igreja, é hoje [ou foi até ontem] um dos quartéis generais do narcotráfico carioca.
Nesta favela vive-se, há 4 dias, um cenário de guerra, devido à reacção dos capos do narcotráfico ao trabalho desenvolvido pela “polícia pacificadora”, em mais de uma dezena de favelas. As autoridades cariocas criaram – nos últimos 2 anos - serviços policiais em 13 favelas para as proteger contra a habitual violência e intimidação que rodeia o tráfico de drogas, bem como para garantir às populações o acesso a serviços básicos.

Esta operação de “limpeza” preventiva, eivada de intensos fenómenos de violência, envolvendo meios reforçados de dissuasão [blindados - na foto], fará parte de um programa de combate à criminalidade, a longo prazo. Recordemos que será no Brasil [Rio de Janeiro incluído] que vai disputar-se o Mundial de Futebol [2014] e os Jogos Olímpicos [2016].
De registar um número de mortes indeterminado mas que pode ser superior a uma centena.

Vassalos de Alberto João Jardim

O PSD vai discutir, internamente, o caso dos quatro deputados da Madeira que quebraram a disciplina de voto e votaram contra o Orçamento do Estado de 2011.
.

Miguel Macedo, líder parlamentar social-democrata, considerou que a questão deve “colocar-se no plano da responsabilidade política”, evitando falar em sanções aos quatro deputados – Guilherme Silva, Hugo Velosa, Correia de Jesus e Vânia Jesus.

New hard times...

BCE e Eurogrupo pressionam Portugal para pedir ajuda internacional… link

BCE quer que Portugal recorra já ao fundo para salvar Espanha… link

Estes são exemplos de 2 cabeçalhos da Imprensa portuguesa de hoje que levantam a ponta do véu sobre o nosso provável [inevitável?] destino no seio da actual crise económica, financeira e social.

Tudo começa, mais uma vez, a partir de Berlim. A edição germânica do Financial Times link sugere que o recurso de Portugal ao Fundo Europeu e ao FMI tornou-se, pelos chamados mecanismos de contágio dos mercados, indispensável para salvar a Espanha – a 4ª. maior economia da UE – de fazer o mesmo, o que seria um resgate pesado [ou difícil] para a Europa.
Segundo este jornal as economias luso-espanholas estão estreitamente ligadas [como um sistema de vasos comunicantes] pelo que o recurso de Portugal aos fundos internacionais, tornou-se imperativo.
Contactado Wolfgang Schauble, Ministro das Finanças alemão, este não quis comentar a notícia, que segundo alguma imprensa europeia terá tido origem no seu gabinete.

Bem. Está montado o cerco. De pouco valeu confrontar os portugueses com pesadas medidas de austeridade, sobrecargas fiscais e cortar nas prestações fiscais. Não conseguimos evitar o pior.
As gravosas medidas que integraram os PEC's e o actual OE foram apontadas pelo Governo como inevitáveis e, mais, como o único caminho para sair da crise e evitar a repetição da situação grega. Vivemos à volta deste diktat um dos mais caricatos folhetins políticos da história política recente que, no essencial, envolveu o Governo, o PS, o PSD, o Presidente da República, o Conselho de Estado, “brigadas” de banqueiros, etc.

Recentemente, caiu a Irlanda, o “exemplar” tigre celta. Continuou a proclamar-se que a nossa situação era diferente...
Esquecemo-nos dos vizinhos. Pior esquecemo-nos da Europa como espaço comunitário. Nunca sonhamos que a Espanha pudesse sucumbir à pressão dos mercados e que a UE – que continua sem uma governação económica eficiente – necessitasse de “sacrificar” mais um País – Portugal, à voragem dos "mercados"... para tentar salvar [?] o Euro.

Na verdade, durante o último ano fizemos pesados e drásticos esforços visando corrigir erros do passado [não vamos chorar sobre o leite derramado]. Sempre com a perspectiva de “salvar” o País da presente crise com os nossos próprios meios, i.e., impondo pesados sacrifícios aos portugueses em nome de “amanhãs risonhos...”.

Toda esta estratégia política – acordada entre o Governo e Bruxelas – está na eminência de implodir. É certo que a responsabilidade não é exclusivamente portuguesa. Fomos “obrigados” a submergir na defesa do défice orçamental e na salvagurda da dívida pública, esquecendo o resto. Vivemos obcecados em produzir sedativos [fiscais, orçamentais, diria, espartanos] para “acalmar” os esfíngicos “mercados financeiros”… . Perdemos a batalha. É doloroso mas é necessário reconhecê-lo. Provavelmente, descuramos a importância estratégica em concertar políticas financeiras e fiscais com ferramentas económicas que conseguissem assegurar um crescimento [sustentável, como os economistas gostam de referir] que gerasse emprego.
Limitamo-nos a acudir ao fogo que nos lambia as botas. Neste momento, estamos a ser informados - pelo BCE e o “Eurogrupo” – que as chamas galgaram a ombreira da porta e instalaram-se na sala de estar.

Os “instrumentos de resgate” [Fundo Europeu de Estabilização Financeira e FMI], quando chegarem a Lisboa, têm o trabalho adiantado. Grande parte do saneamento fiscal, económico e social está planeado, votado e, desde hoje, aprovado. Chama-se OE/2011.
Vão vigiar a sua execução com implacável rigor. Não estarão cá para arcar com as consequências sociais. Sim, porque algum trabalho suplementar vai ser imposto.
O paulatino desmantelamento do Estado Social terá de prosseguir em nome de uma vaga liberalização, da produtividade, da competitvidade, etc.. O código de trabalho terá de ser "reformado" para garantir a mobilidade e a flexibilidade do mercado laboral e incentivar o investimento externo [na prática o agravamento do desemprego] e, culminará com a privatização – através de contratualizações, parcerias, etc. - de sectores fundamentais da Educação, da Saúde, da Segurança Social visando “reformar” sistemas universais de um modelo social que, nem sendo um “pecadilho” português, é [foi?] património político e social da Europa. Começou, noutros tempos [em 1889], também em Berlim, pela mão de Otto von Bismarck, criando o “Seguro Social”…

Na verdade, neste dia 26 de Novembro de 2010, o neoliberalismo, escondido atrás dos “mercados”, ameaça a nossa identidade política, económica, financeira, social e cultural.
Mas, nem tudo é um ruir de esperanças. Os bancos – após o “resgate” - esperam ter possibilidades de financiar-se no exterior para “ajudar” a Economia portuguesa, entretanto, destroçada.

Para qualquer português de bom senso é fácil prever o que se segue: uma profunda convulsão social cuja dimensão e contornos são imprevisíveis.

Até lá, veremos o sistema político nacional ser duramente testado. E a dúvida permanecerá: conseguiremos, afundados na miséria, na pobreza e na fome, "salvar" a Democracia, a UE, o Euro?
Ou vamos passar, como fizemos várias vezes na nossa História, por mais um "sacrifício" inglório?

Adenda
: Gostaria de nunca ter escrito um texto tão pessimista e derrotista. Mas não resisti!

quinta-feira, novembro 25, 2010

COREIA do NORTE: dramas relativos ao culto da personalidade...

O súbito e inesperado ataque militar da Coreia do Norte a um objectivo civil na Coreia do Sul levanta todo o tipo de especulações sobre o que estará a suceder em Pyongyang…

Algo pode estar a correr mal na sucessão de Kim Jong-il. O modelo “clonizante” da dinastia Kim poderá estar a ser questionado pela alta hierarquia militar norte-coreana, onde recentemente – segundo esparsas informações veiculadas para o exterior – teriam começado selectivas depurações, sob a batuta do “indigitado” sucessor, Kim Jong-un, que recentemente ganhou poder na Comissão Militar Central, guarda pretoriana do regime e orgão máximo do poder [desde a morte de Kim il Sung que - por suposta "deferência patriótica" - foi abolido o cargo de Presidente].

Esta inusitada aventura militar norte-coreana poderá ser uma manifestação de força do aparelho militar, autónoma, sem cobertura política, num período de transição entre a incapacidade de Kim Jong-il e a imaturidade de Kim Jong-un.

A Coreia do Norte poderá estar a viver, no seio de um regime fortemente militarizado, um "surdo" interregno político. Esta situação instável é compatível com um quadro evolutivo que pode contemplar 2 soluções: a intromissão directa dos militares no processo sucessório e/ou a [futura e discreta] intervenção da China sob o pretexto de garantir a tranquilidade na região.

O ponto final numa aparente crise político-militar norte-coreana pode muito bem passar pela dispensa dos Kim’s e pelo favorecimento de uma diluição do poder – mais conveniente ao papel hegemónico chinês - substituindo o actual regime dinástico por uma alargada junta governativa [civil e/ou militar].

Dramas do culto da personalidade ou mistérios do Oriente?…

Saúde: o incrível acontece...

Alguém consegue explicar-me esta insana beatice...?

Sugestão:
Não quererá a Ministra também acopular à sua tutela a “extrema-unção”, p. exº., nos cuidados paliativos?
No Ministério deverão abundar experts na matéria...
Na verdade, pouco temos feito para além de ungir [olear] o desleixo que alimenta a neoliberal máquina trituradora do SNS ...

GREVE GERAL [II]: "espantoso" tacto político...

Na sequência da greve geral de ontem, os portugueses tomaram conhecimento [hoje] que o Ministério das Finanças tinha marcado reuniões com os principais banqueiros portugueses [CGD, BCP, BPI e BES].
Por motivos não anunciados [a eminência de uma remodelação governamental?] estas reuniões foram canceladas. Link

A obsessão pelos mercados financeiros que olimpicamente se alheiam das medidas "anti-crise" decididas na AR [OE/2011] continuando tranquilamente a especular, a par de uma incompreensível insensibilidade política e social pelas movimentações dos parceiros sociais, não são o melhor caminho para dirimir conflitos que começam a emergir no tecido social e, assim, entender [numa visão mais largada] os dramáticos problemas do País...

O Governo não pode descurar a eventualidade de uma crise social devastadora. Historicamente, o espectro da fome sempre transportou no seu seio as sementes da revolta.
Pelo que - na sequência da greve geral - deverá definir uma urgência: promover com transparência e decididamente a concertação social.
Caso contrário, sentirá - muito rapidamente - as consequências políticas do isolamento.

Cavaco e as próximas eleições presidenciais

As eleições que se avizinham correm o risco de ser as mais desinteressantes e apáticas do período democrático, quer pelo perfil dos candidatos, quer pelo desassossego geral, quer pelo ar dissimulado com que o recandidato Cavaco parte para a campanha.

Tendo sido o único PR que nunca se insurgiu contra a ditadura, e para cujo fim nada contribuiu, é o mais beneficiado, cultivando uma imagem de isenção que não condiz com o seu percurso cívico ou, melhor dito, com os solavancos do seu oportunismo.

A manifesta falta de cultura e de coragem não lhe tolheu a ambição com que pautou as palavras vagas e os silêncios pesados com que derrubou os adversários. Balsemão foi o primeiro a sucumbir perante a sinuosa marcha da sua avidez. Fernando Nogueira e Santana Lopes vieram a seu tempo, sem nunca desistir de transformar o PSD na correia de transmissão dos seus interesses, adjudicando fidelidades de incondicionais.

Na última segunda-feira, numa conferência com jovens da Universidade Católica, não se coibiu de afirmar que «os mais qualificados colocam-se de fora dos cargos políticos e dão lugar aos menos competentes e, consequentemente, aos menos sérios…». Não foi a auto-crítica pelo nebuloso caso das escutas, cuja invenção partiu de Belém, para colocar em xeque o primeiro-ministro, nem pelas mais-valias das acções da SLN, acções cuja aquisição, forma de pagamento e decisão de venda já devia ter explicado ao País. Foi a habitual suspeição dos demagogos sobre a classe política de que é um lídimo expoente.

Depois de um lastimoso mandato onde se calou perante as diatribes de Jardim e usou de inqualificável grosseria perante a Assembleia da República, no caso do Estatuto dos Açores; em que não teve um módico de dignidade para responder de forma adequada à caçoada de Vaclav Klaus sobre a gestão lusa do défice, em Praga, mas não lhe minguou despudor para presidir à comissão de canonização de Nuno Álvares Pereira, rubricando o milagre da cura do olho esquerdo de uma dona de casa, queimado com óleo de fritar peixe; em que se calou perante as violações cirúrgicas do segredo de justiça, as ameaças dos exóticos sindicatos dos magistrados ao Governo e à AR e o registo de escutas sem relevância penal, demolidoras para a luta partidária, aparece agora a dizer que se recusa a ser “arma de arremesso” de partidos políticos, quando os usa em seu proveito.

Os demagogos e hipócritas começam sempre por imputar aos outros os seus próprios defeitos e reivindicar a isenção de que se julgam ungidos. Os que estão na política são «os menos competentes e os menos sérios». Vão longe os glorioso tempos em que Dias Loureiro, Arlindo de Carvalho, Sousa Lara, Costa Freire e Oliveira e Costa  faziam parte dos mais competentes e sérios, quando não havia deslizes em obras públicas e o Centro Cultural de Belém e os fundos comunitários eram modelos de gestão.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, novembro 24, 2010

GREVE GERAL - 24 Novembro 2010

Assinatura do acordo UGT/CGTP para a convocatória conjunta da greve geral.

No meio desta profunda e arrastada crise o que era suposto acontecer, aconteceu!
A greve geral de hoje é, por assim dizer, o corolário natural da crise económico-financeira e, em relação à crise social, uma inevitabilidade.

De pouco interessa a análise contabilística dos números. Uma greve geral que tem substrato suficiente para unir as duas grandes centrais sindicais portuguesas, tem um significado que ultrapassa as habituais e caricatas “guerras” contabilísticas. A greve foi, antes de mais, um inequívoco sinal de que a intranquilidade, a descrença e o desespero dominam o País.
As duras medidas de austeridade que os PEC’s e, por fim, o OE para 2011, encerram, têm um incomensurável rebate económico e social a que as organizações sindicais não podem ficar indiferentes.

Primeiro, é fácil constatar que o Governo não tem cuidado – como seria necessário durante uma profunda crise – da concertação social, sede própria para tomar o pulso à difícil situação que vivemos e dirimir crescentes tensões.
O Governo tem estado submerso pelos graves problemas financeiros e orçamentais [dívida soberana e défice orçamental]. Mas os portugueses têm a percepção de que existem complexos problemas para além desses.

Desde logo, esta greve geral é uma clara manifestação de que a sociedade portuguesa tomou conhecimento da gravidade dos problemas que nos afectam. O que empurra o movimento sindical para a greve é a imagem de incapacidade dada pelas forças políticas para enfrentar os problemas que surgem emaranhados e em catadupa. O espectáculo oferecido ao País tendo como pano de fundo as negociações à volta do OE 2011 terá sido, talvez, uma das mais degradantes prestações políticas.

Ao movimento sindical - neste momento de crise - interessam, essencialmente, as questões relativas ao crescimento [económico] que tenham repercursões directas no campo social. É nessa vertente que se criam empregos e se estabiliza o mercado do laboral. O crescimento é também uma condição sine qua non para a justa retribuição da riqueza e para a dignificação e valorização do trabalho.

Esta foi uma greve geral contra [todas] as forças políticas partidárias.
Contra o Bloco Central [PS e PSD] que concebeu e acordou o OE 2011, de uma austeridade gravosa para todos os cidadãos [para alguns insuportável], mas de uma inédita agressividade para o Mundo do Trabalho.
Terá sido também a manifestação do descontentamento contra os partidos à Esquerda [do PS] que, perante a dimensão da crise, não apresentaram aos portugueses [ao Governo e à AR] qualquer plano estruturado e abrangente para a resolução da crise, ficando-se por propostas de medidas avulsas, algumas meritórias, mas nitidamente insuficientes [e desconexas] para enfrentar a gigantesca tormenta que se abate sobre Portugal.

Não terá sido uma greve especificamente [cirurgicamente] dirigida contra o Governo. A governação é tão somente uma das partes do desassossego político que grassa pelo País. Teve um objectivo mais vasto. Foi uma drástica forma de luta contra as forças políticas nacionais que, de maneiras diferentes e com graus de responsabilidade díspares, têm-se mostrado incapazes de solucionar os problemas inerentes a uma crise que devasta a Europa e que, os portugueses, por serem um dos elos mais fracos [da Europa “periférica”], vão pagar muito caro.
Enfim, uma manifestação de vontades que pretende ser a bissectriz de uma indignação geral.

Embora a greve não tivesse como objectivo primordial a demissão do Governo, cabe ao Executivo, pelas funções que lhe são inerentes, entender o seu amplo significado e tirar as devidas ilações.
Hoje, no decorrer da greve, continuou [o Governo] a desperdiçar tempo e energias. Esgotou-se em esgrimir e rebater números. Deveria ter mantido a sobriedade e planificado o desenvolvimento, ou se quisermos, a aceleração dos mecanismos de concertação social que perante a diversidade das doutrinas em confronto é uma tarefa difícil, mas que esta jornada de luta mostrou serem indispensáveis.

Porque existe um facto iniludível. Reina a sensação de que a dinâmica do movimento sindical entrou na fase de enchimento, já transbordou para a rua e daí até contagiar largos sectores da sociedade, mobilizando-os e perturbando a aparente "paz social", será um pequeno passo para o processo já em marcha, mas um salto de gigante no caminho da instabilidade política, da recessão económica, do desastre social.

Factos & documentos

Um facto pouco conhecido...
Em causa a salvação da espécie.....

A primeira protecção testicular (coquilha), foi usada no Hockey em 1874, e o primeiro capacete apenas em 1974. Significa isto que o homem levou mais 100 anos a compreender que o cérebro também é importante!...

terça-feira, novembro 23, 2010

No rastreio da crise: o incrível acontece...

Parlamento aprova excepções aos cortes salariais das empresas públicas

"...O PS conseguiu fazer aprovar uma alteração à norma dos cortes salariais para os trabalhadores das empresas públicas ou entidades públicas empresariais.

De acordo com a proposta, “os trabalhadores das empresas públicas de capital exclusiva ou maioritariamente público, das entidades públicas empresariais e das entidades que integram o sector empresarial regional ou municipal” vão sofrer cortes salariais, mas abre-se a porta a “adaptações autorizadas e justificadas pela sua natureza empresarial”..." excepções ...

Numa altura em que todos os trabalhadores da função pública [Estado, Autarquias, Empresas Públicas, ...] e, acrescente-se, os aposentados, vão sofrer cortes salariais [ou "congelamentos" das pensões] qual o significado da insólita expressão "adaptações justificadas". E "autorizadas" por quem, porquê e como?

Quando duras medidas de austeridade [os cortes salariais] são colocadas como inevitáveis porque está em causa um princípio fundamental para a saída da crise - o equilíbrio orçamental público - que tipo de [poderosas] justificações "de natureza empresarial" podem sobrepor-se ao interesse público?

O que se exige ao Parlamento, enquanto orgão representativo dos portugueses e portuguesas, é a consagração da natureza universal e equitativa destas medidas. As excepções admissíveis são de carácter social, i.e., para os cidadãos de rendimentos mais baixos.
Agora, adaptações tendo por base especificidades de natureza empresarial são, por princípio, discriminatórias. E a Lei Orçamental tem de ser fundamentada em princípios sólidos, rigorosos e exigentes. Se não, onde pára a ética republicana?

As adaptações, bem como as improvisações, sempre foram excepções. Mais, portas escancaradas para o arbítrio [que nem sempre é livre!].

PRESIDENTE IRANIANO QUER "CARNE PARA CANHÃO"

Ontem o "Correio da Manhã" noticiava o seguinte:

" O presidente do Irão, Mahmoud Ahmadinejad,exortou as adolescentes iranianas a casarem-se aos 16 anos e os rapazes a formarem família a partir dos 20, divulgou ontem o jornal local 'Jam-e-Jam'. Os argumentos do presidente, cuja política familiar ultraconservadora tem suscitado alguma polémica no país, são claros: a população, cerca de 75 milhões de pessoas, deve duplicar, como "arma" contra as pressões ocidentais."

Não há dúvida que os dirigentes iranianos são pacíficos e desejosos de paz...
E ainda há quem diga que a NATO já não tem razão de existir! É ingenuidade a mais!

Madeira - Um luxo impossível em época de crise

Não sabem o que é ...

segunda-feira, novembro 22, 2010

Fecho de Intermarché no Bombarral..

A crise portuguesa chega às "catedrais do consumo". link
Quem diria?

Baixa no Governo de Berlusconi

Mara Carfagna            
A ministra da Igualdade, Mara Carfagna (na foto) abandona o Governo italiano. A ministra, de 33 anos, era uma das quatro mulheres que integrava um Governo com 21 ministérios. Berlusconi fica cada vez mais isolado.

Dèjá vu...

O "ruído de fundo" alimentado por muitos analistas, economistas, financeiros e políticos sobre a inevitabilidade do recurso aos Fundos Europeus e ao FMI não é inocente.
Contrasta com a posição governamental que ao elaborar o OE 2011 crê que somos capazes de resolver a nossa situação com os próprios meios, num quadro de rigor e exigência.
Mas o aproveitamento [comportamento] dos mercados perante uma situação de debilidade económica e financeira dos Países periféricos da UE podem precipitar a evolução orçamental e da dívida pública portuguesa - repetidamente afirmada como diferente da Grécia e da Irlanda - para situações incomportáveis de financiamento no exterior. Nem haverá tempo para testar o actual Orçamento.

De seguida, esses mesmos "senhores" que a todo o momento predestinam o futuro aparecerão, na primeira linha, a acusar o Governo de rendição, capitulação, etc.
Depois, virá o pudor democrático e os políticos - o PSD em particular - a levantarem a bandeira de que estamos a ser governados por burocratas - BCE e FMI - não eleitos.
Acusarão o Governo de ter perdido a legitimidade e a credibilidade democrática por se ter "rendido" ao Mundo financeiro...

Este cenário não é imaginário.
Será, antes, uma cópia do que se está a passar, já hoje, na Irlanda. lemonde

A única diferença é que as eleições portuguesas - por imperativos constitucionais - terão de ser adiadas lá para a Primavera. Altura em que florescem campos e, esperemos, as ideias.

A Responsabilidade Moral



A notícia caiu como uma bomba:
- O Papa Bento XVI decidiu proclamar que o uso do preservativo é “aceitável em certos casos”, nomeadamente para reduzir o risco de infecção do HIV.

E a “bomba” é tão fantástica, que temo até que venha por aí um dia destes um qualquer esclarecimento, a dizer que não foi bem isso que o Papa disse.

Mas, ainda assim, algumas coisas há a dizer sobre este assunto.
Em primeiro lugar sobre o autêntico desplante do Papa em declarar que “a partir de agora” o preservativo passa a ser “aceitável”.
Mas quem é que este gajo pensa que é, e por quem se toma?
Em que século é que este facínora pensa que vive, ao ponto de pensar que tem o “direito” de proclamar ao mundo isto ou aquilo? Pensará ele que não há mais do que os atrasados mentais que o seguem para todo o lado e o apoiam acriticamente, diga ele uma coisa ou o seu contrário?

Mas o que mais me choca é isto:
Durante décadas a Igreja Católica determinou que o uso do preservativo era proibido, porque contrariava um estúpido e anacrónico dogma bíblico (Génesis, 38).
Durante décadas, entre queimas rituais de preservativos e da persistência desta estúpida proibição, das Filipinas a toda a África sub-saariana morreram milhares de pessoas, numa pandemia que tem sido um autêntico massacre das populações, para não falar dos órfãos da SIDA, tantos deles infectados também por falta de retro-virais adequados.

E afinal tudo em vão, porque pelos vistos o dogma era mesmo estúpido e anacrónico.
A televisão fez sondagens à saída das missas e, espanto dos espantos: agora toda a gente já está de acordo que o preservativo seja “aceitável”.

Sim, “aceitável”, mas apesar de tudo não muito, porque a típica tara sexual do clero católico ainda persiste, e o preservativo passa a ser “aceitável”, mas… só “em certos casos”.

Mais vale tarde que nunca, sim.
Mas não é por isso que as mortes e o sofrimento de tantas e tantas pessoas deixarão de pesar sobre a Igreja Católica, sobre as cabeças deste Papa e dos que o precederam, e até dos católicos sobre quem pesa a responsabilidade moral de ao longo de todos estes anos terem fechado os olhos e os terem apoiado filosófica e moralmente e de, assim, serem isso mesmo: católicos.

Viva a música

 É emocionante ver o velho Dave Brubeck, um ícone do jazz, velhinho, assistindo à nata do jazz atual tocando os seus maiores sucessos.

Um espectáculo!!!

Sentem-se comodamente e desfrutem este vídeo!

domingo, novembro 21, 2010

Fundos Europeus, FMI e a reacção dos mercados...

Ireland Asks for Aid From Europe, Minister Says
[Landon Thomas Jr, The New York Times - Global Bussines - 21.11.2010]

..."While government officials hope that the large commitment of money will calm investors and keep financial fears from spreading to Portugal and even Spain, the fact that Greece’s bond yields are higher now than they were before they received rescue funds is certainly of concern to European officials."...
newyorktimes [O destaque em yellow bold é da minha responsabilidade!]

A pergunta:

Alguém consegue explicar para que serve recorrer aos Fundos Europeus e ao FMI se os mercados financeiros entraram em puro "delírio especulativo"?

Madeira - Reino da irresponsabilidade

HISTORIETAS DA CENSURA SALAZARISTA

É sabido que a Censura à imprensa era uma das principais armas da repressão salazarista, tal como a PIDE e a Legião. Mas os censores eram menos ferozes que os membros destas últimas corporações; eram normalmente uns coronéis reformados, que exerciam burocrática e rotineiramente as suas funções, e com quem se podia falar e sobretudo negociar. Se, por exemplo, cortavam um artigo na íntegra, era por vezes possível conseguir autorização para a sua publicação, mediante a supressão de um ou outro parágrafo, a alteração desta ou daquela frase, a modificação do título, etc..
Fazia assim parte das funções normais dos diretores e redatores dos periódicos ir regularmente à comissão de censura para essas negociações.
Ora a Associação Académica de Coimbra publicava uma revista de periodicidade mensal, chamada Via Latina, cujos textos eram, na sua maioria, redigidos por estudantes. Por volta de 1960, era seu redator António Neto Brandão, então estudante de direito e agora advogado em Aveiro, de cujo distrito foi o primeiro Governador Civil depois do 25 de Abril, sendo atualmente mandatário distrital da candidatura de Manuel Alegre.
Como redator da revista, competia-lhe ir à censura regatear a publicação de alguns escritos liminarmente rejeitados.
Uma vez tratava-se, entre outras coisas, de um poema de cariz surrealista que, apesar de não ter qualquer conteúdo político, tinha sido cortado na íntegra.
Neto Brandão lá foi argumentando que não percebia porque é que o poema tinha sido cortado, pois nada tinha a ver com política, nem religião, nem moral.
Mas de nada lhe valeu. A resposta do censor foi perentória: "Em matéria de poesia, as ordens que tenho são estas: o que não perceber, corto!"

Imagem que vale mil palavras

Se dissesse o contrário, também

No "rescaldo" da CIMEIRA da NATO…


Está encerrada a Cimeira da NATO realizada em Lisboa.

Terá sido uma das mais produtivas em termos de declarações, de proclamações, de manifestos e de intenções. A maior parte desta “produção” refere-se a problemas pendentes há largos anos.

No campo militar, o problema maior, terá sido a Guerra do Afeganistão e a decisão de uma retirada estratégia até 2014 que, eufemísticamente, foi denominada “uma transferência progressiva” do poder militar da NATO para as forças afegãs. Passou-se ao lado das tremendas dificuldades no terreno.

Outros problemas abordados foram [ainda] rescaldos dos tempos da "Guerra Fria", como um novo sistema de defesa anti-mísseis e a renegociação do tratado START II, cujo âmbito já tinha sido acordado em Praga ente os dirigentes americanos e russos mas que, neste momento, pode ter a sua ratificação bloqueada, pela maioria Republicana na Câmara dos Representantes.

A grande inflexão em relação ao passado foi a participação da Rússia e a sua aparente disponibilidade para desenvolver parcerias no domínio da Defesa, nomeadamente, em relação às armas nucleares. Embora Dmitri Medvedev tenha demonstrado uma atitude muito cooperante, falta saber até que ponto Vladimir Putin está decidido a trilhar esse caminho. Moscovo continua a olhar os antigos Países do Leste, como uma sua “área de influência”...

Em relação às novas opções estratégicas pouco se explicitou. Desde declarações como a de Sarkosy que centra a “fonte das ameaças” à NATO no Irão, ao mais olímpico distanciamento do Oriente, onde existem potências nucleares como a China, a India, Pasquistão que, cada vez mais, influenciam os equilíbrios estratégicos mundiais, deixaram-se em aberto, inúmeras "questões quentes".

Em relação a África verificou-se a mais profundo e pungente alheamento. Na verdade menosprezou-se este Continente como um fornecedor de matérias-primas estratégicas, como um domínio que poderá, num futuro próximo, ser um perturbante foco de tensões.

O alargamento das competências da NATO, para além das funções militares, entrando em novas áreas, já do domínio político e social, como a reconstrução dos eventuais países beligerantes, no tempo pós-guerra, serão meras intenções, a verificar a sua operacionalidade e coordenação no futuro. Aliás, o primeiro grande teste será o Afeganistão.
No campo das novas atribuições no terreno da “reconstrução” pairam no ar imensas indefinições já que essas novas “atribuições” chocam, à primeira vista, com as competências de organismos internacionais, como p. exº., a ONU.
Aqui, o espaço interventivo da NATO terá de subordinar-se a funções de complementaridade que, mesmo assim, podem duplicar esforços e investimentos, nomeadamente financeiros, numa época de restrições a todos os níveis – militares, inclusive.

De resto, o "espectáculo" dos bastidores.
As manifestações “anti-NATO” decorreram com contenção, com uma expressão muito limitada e foram facilmente controladas pela blindagem policial desta Cimeira, desde as fronteiras até à dissuasora presença de forças de intervenção nas ruas. Mostraram um certo enfraquecimento do movimento cívico europeu pelo desarmamento.

O bastidor mais movimentado deverá ter sido o político. A presença de múltiplos dirigentes oriundos de diversos Países “ocidentais” permitiu diversos contactos à margem da Cimeira – como é habitual nestes eventos – que versaram o angustiante espectro da crise económico-financeira que varre o “Ocidente”., procurando – na generalidade - compromissos resolutivos que sobressaem pela sua superficialidade e por declarações circunstanciais [politicamente correctas e conciliatórias].

Em resumo: tentou-se virar uma página da História mas persistem bastantes indefinições [relativas], bem como, várias perplexidades.
Em relação à logística & organização diga-se, em abono da verdade, que Portugal mostrou ao Mundo uma elevada capacidade para promover reuniões internacionais deste calibre.

Mas a questão mais importante para o “Ocidente” continua em aberto.
E é simples:
Nesta Cimeira a segurança da Europa consolidou-se?

sábado, novembro 20, 2010

Abraham Serfaty [1926-2010]

De regreso do exílio, com a sua esposa, no jardim de um hotel em Rabat


Abraham Serfaty, morreu. Foi uma figura relevante na luta pela independência de Marrocos.

Mais tarde, conquistada a independência, tornou-se num dos mais respeitados símbolos da oposição à dinastia alaouita que reina em Marrocos desde 1957.

Militou no movimento comunista marroquino e mais tarde viria a fundar o seu próprio movimento Ilal Amam ["Para a Frente", em português] que sofre fortes influências maoístas.

Preso em 1974 – no reinado de Hassan II - foi barbaramente torturado e condenado à prisão perpétua. Permaneceu 15 anos em reclusão...
Libertado em 1991, sob intensa pressão internacional, é expulso de Marrocos e perde a sua nacionalidade [sob o pretexto de que seu pai seria brasileiro], exilando-se em Paris.

É um fascinante lutador por causas. Tornou-se num dos mais conhecidos prisioneiros marroquinos. De origem judaica [como o seu nome sugere] torna-se anti-sionista e um militante da causa palestina.
Foi, também, um indefectível apoiante da luta do povo saharaui contra a anexação marroquina.
Todavia, a sua grande luta - que manteve acesa até ao final da vida - foi pela democratização de Marrocos.

Escrevendo em 1992 sobre a alienação e as características do regime político marroquino sublinhou que este é um encontro de ambições expansionistas de oligarquias tribais [de que o ramo alaouita é parte] e os grandes interesses comerciais empenhados no controlo das rotas trans-saharianas que drenam [drenaram] matérias primas [entre elas o ouro] da África sub sahariana para o Mediterrâneo.
Uma brilhante explicação para o conflito do Sahara Ocidental [território rico em fosfatos].

Em França lecciona no departamento de ciências políticas [é de formação académica engenheiro de minas] da Universidade de Paris-VIII, subordinando a sua actividade lectiva a um actual e pertinente tema: "identidade e da democracia no mundo árabe".

Regressado do exílio e tendo readquirindo a nacionalidade marroquina [Set. 1999], bastante debilitado fisicamente, [ver foto] fixa residência na periferia de Casabranca. Em 2000 solicita, publicamente, a demissão do 1º. Ministro de Marrocos Youssoufi, socialista, seu amigo e confidente, como sinal de protesto contra os ataques à liberdade de expressão que levaram à destruição e ao silenciamento - por todo o reino - de jornais e revistas independentes.

Morreu em Marraquexe [a “cidade vermelha”]… numa altura em que se [re]acende o conflito no Sahara Ocidental. E a monarquia alaouita, embora nominalmente constitucional, reprime autoritariamente o povo berbere e sahraoui.

Política: modelo "Dupond et Dupont"...

O ministro das Obras Públicas, António Mendonça, e o seu secretário de Estado, Paulo Campos, leram o mesmo discurso na abertura e no encerramento do 20º congresso da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações, revela o Expresso.
Da parte da manhã falou o secretário de Estado das Obras Públicas, da parte da tarde foi a vez de o ministro ler o mesmo texto. Das 23 páginas do discurso, 18 foram reproduzidas por António Mendonça.

Questionado sobre este percalço, o Ministro, "esclareceu":
Considerou que a semelhança dos discursos se deve à semelhança da política do Governo. "Há partes comuns do discurso em relação aos resultados obtidos, à caracterização da agenda digital e aos objectivos para o futuro. São esses os números reais e é essa a mensagem do Governo"...
Link

Um governo do tipo Dupond et Dupont...célebre criação de Hergé de especialistas em lapsos e pleonasmos...

A reprodução de um discurso praticamente na integra [18 de 23 páginas, i.e., cerca de 90% !] é um indício da "semelhança da política do Governo"? Que tipo de semelhança política pode existir [dentro de um Ministério] onde há um único responsável político?
Porque não existe a verticalidade de reconhecer que foi um erro das assessorias?
Ou o Senhor Ministro pensa que o incógnito cidadão contribuinte desconhece da existência - na intensa actividade de marketing político - de "ghostwriters"?

Qualquer homem, qualquer organização, qualquer departamento, diria, qualquer Ministério, pode cometer lapsos. Mas a dignidade de, perante a crueza dos factos, reconhecer erros... não pode ser escamoteada à custa da subestimação da inteligência e discernimento dos cidadãos!

Il Cavaliere e a máfia...

O actual primeiro-ministro italiano – Silvio Berlusconi – protagoniza um conturbado fim de ciclo político que se revelou nefasto para a Itália.
Ao que tudo indica a actual coligação deverá ser apeada do Poder o que poderá facilitar a elaboração de uma resenha histórica sobre uma inédita e escabrosa deriva da política italiana, subordinada aos grandes interesses do capital, ao manietar dos meios de comunicação social e, ainda, fruto de uma espúria aliança da demagogia ultra-nacionalista com forças proto-fascistas.

Para além dos permanentes problemas com o fisco, das denúncias de manipulação dos meios de comunicação social [muitos deles controlados directamente pelas suas empresas], dos escândalos sexuais que impressionaram a Itália pela sua frivolidade, da ruptura como seu ex-aliado Fini, parecem estarem reunidas um vasto conjunto de frontais incompatibilidades, inconciliáveis com o exercício do actual cargo político.

Gianfranco Fini, actual presidente da Câmara de Deputados e aliado político de Berlusconi no seio da coligação governamental “Popolo della Libertà", desferiu o golpe de misericórdia na sobrevivência política deste Governo.
Sobre a declarada crise política, económica e financeira [de que a Itália não está a salvo], declarou:
“O actual executivo [dirigido por Berlusconi] está à deriva e apenas faz face a emergências. Perdeu a noção da direcção, do projecto essencial para construir a Itália do amanhã”.

Desde sempre que o Governo Berlusconi é acusado de manter relações com a mafia calabresa. Para fugir a essas responsabilidades usou a sua maioria parlamentar a fim de elaborar uma lei visando a impunidade dos dirigentes da sua coligação que ocupam altas funções no aparelho de Estado - Lei Alfano - diploma que escandalizou as forças democráticas e foi declarada inconstitucional.

O Governo de Silvio Berlusconi sobreviveu a diversas crises internas até que a ruptura protagonizada por Gianfranco Fini, líder Alleanza Nazionale, o colocou definitivamente em causa.

Para culminar esta série de escândalos o senador Marcello Dell'Ultri, braço direito de Berlusconi [co-fundador do partido Forza Italia que precedeu a actual coligação] veio a revelar-se ser o elo de ligação entre o actual presidente do Governo e a Cosa Nostra [máfia siciliana] e tendo sido condenado, por um tribunal de Palermo, pelo crime de associação mafiosa a 7 anos e 1 dia de prisão. elpais

Como corolário de todo este longo, insidioso e vicioso processo de deterioração política, o Governo enfrentará a 14 de Dezembro duas moções de censura [1 no Senado + 1 na Câmara de Deputados].
Até lá, viverá - como sempre viveu - na corda bamba…

O dramático é o Partido Democrata - principal força da Oposição - só conseguir fazer cair Berlusconi com a ajuda de Fini. Logo, dificilmente, será uma alternativa credível na actual situação política italiana.
De qualquer modo, o actual ambiente político em Itália tem, pelo menos, a perspectiva de se tornar mais limpo. O que sendo parco em termos de futuro, não é despiciendo...

Trocadilho?...

"Aznar presume de ser pionero en la defensa del Medio Ambiente"...

Um lapsus linguae!
Queria dizer que foi um dos pioneiros na defesa da mortífera guerra do Médio Oriente [Iraque]...

sexta-feira, novembro 19, 2010

Asia Bibi e o crime medieval da blasfémia

Nos países onde vigoram as teocracias a vida é um detalhe banal perante os zeladores da vontade do deus autóctone. A tara não é exclusiva do islamismo onde a deriva fascista se acentua com a miséria e atraso a que a religião conduz os respectivos povos.

A violência xenófoba das teocracias do Médio Oriente recorda-nos a forma como foram tratados os mouros, em Portugal, nos reinados de D. Afonso Henriques a D. Afonso III, e os judeus até à sua quase extinção.
Cristãos, judeus, livres-pensadores e todos os que não acreditem em Alá e no seu único Profeta, não façam jejum no Ramadão, não rezem cinco orações diárias, não contribuam com as esmolas e, se puderem, não forem a Meca, terão sempre  a vida em perigo, para além de terem de comer, beber e vestir-se de acordo com as indicações que o arcanjo Gabriel ditou, em árabe, ao condutor de camelos, entre Medina e Meca.

Não esqueçamos que a liberdade religiosa só foi aceite pela Igreja católica no início da década de sessenta do século passado, no Concílio Vaticano II, liberdade que o actual pontífice suporta com visível azedume e que começou, de facto, com a Paz de Vestfália, que pôs termo à Guerra dos Trinta Anos, em 1648.
Em Portugal, a blasfémia ainda hoje é punível, por lei, apesar de ninguém admitir que um conceito medieval, que permanece no Código Penal, se sobreponha à liberdade de expressão.

Tal não acontece no Paquistão onde Asia Bibi (na foto), foi impedida de tirar água de um poço por ser infiel, designação que os cristãos mais trogloditas também usam para os crentes das outras religiões.

Sendo Asia Bibi católica, condição que afirmou, logo foi vítima de agressões até acabar por ser condenada à morte por enforcamento, pena que a descrença em Maomé justifica em países onde a lei do deus deles se sobrepõe à liberdade religiosa que só a laicidade dos países civilizados defende.

A eventual execução da católica Asia Bibi não é apenas mais uma morte por sectarismo religioso, é a negação da liberdade, a manutenção da barbárie e a prova da incapacidade mundial para defender os direitos, liberdades e garantias que a Declaração Universal dos Direitos do Homem consagra.

A eventual execução de Asia Bibi é um crime que envergonha o mundo e pesará sobre todos nós.

Ponte Europa / Sorumbático

LISBOA, 19 e 20 de Novembro de 2010...



Barack Obama escreve um artigo de opinião na edição de hoje do The New York Times sob o título:
“Europe and America, Aligned for the Future". nytimes


Trata-se de uma reflexão sobre a próxima Cimeira da NATO em Lisboa.

Significativo é o remate desse artigo. Assim:

“…O mundo mudou e a nossa aliança também, e o resultado é estarmos mais fortes, mais seguros e prósperos.
Essa é a nossa tarefa, em Lisboa - revitalizar mais uma vez a nossa aliança e garantir a nossa segurança e prosperidade para as próximas décadas…”
[tradução livre]

Aparentemente, Obama aparece como um homem distraído em relação à profunda crise que o dito Ocidente atravessa. Mas quando fala em revitalizar terá a noção de que algo está a morrer.
A cimeira de Lisboa pode ser o indício do esboroar da civilização ocidental sob as ruínas de uma Economia em franca decadência. E para nós, o fim de uma Europa, enquanto entidade política comunitária [federada?], dotada de uma força [poder] militar autónoma. Uma Europa com muito passado e pouco futuro.

Desde a era Bush que não estamos mais seguros e nos últimos anos vivemos uma profunda crise economico-financeira - e também militar - que destroçou todas as veleidades acerca de uma futura prosperidade.

Há 60 anos o "Ocidente" elaborou este Tratado, porque o Mundo mudou no pós-II Guerra Mundial. Nunca foi um plano de futuro para o "Ocidente", mas uma coligação [circunstancial]contra o "Leste" [da Europa].
Entretanto, o Mundo voltou a mudar [o Oriente emerge sob o manto da globalização!], mas não tivemos a ousadia nem a audácia de acompanhar a mudança. A estagnação vai trazer-nos, como sucedeu a todas as civilizações, um inevitável período de decadência.

Assim, a Cimeira da NATO em Lisboa, será um dos muitos marcos desse - já indisfarçável - declínio.

quinta-feira, novembro 18, 2010

Juízes do c******

Quando um cabo da GNR, irritado com o facto de não ter conseguido uma troca na escala de serviço, se dirige ao seu superior, dizendo "não dá pra trocar, então prò c...", está a cometer um crime de insubordinação ou apenas a desabafar?

Este debate percorreu o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa e o Tribunal de Instrução Criminal, chegando, a 28 de Outubro deste ano, ao Tribunal da Relação de Lisboa, que encerrou o caso: o cabo não deve ser julgado, porque a expressão utilizada é um "um sinal de mera virilidade verbal".
 In Diário de Notícia, hoje

A Noruega e as mesquitas

Se há conquista de que a Europa se possa orgulhar é a da liberdade religiosa, liberdade que inclui o direito de ter ou não ter religião e a de renegar ou combater qualquer crença pelos meios que pautam as democracias.

Esta conquista deve-se à repressão política sobre o clero e não à vontade das diversas religiões. O secularismo tornou obsoletos os livros ditos sagrados e fez da Declaração Universal dos Direitos do Homem a referência para a acção dos cidadãos que defendem o pluralismo e o livre-pensamento.

Apesar do carácter totalitário e do proselitismo das religiões do livro, hoje com peculiar agressividade do islamismo, apesar da marca xenófoba, racista, violenta, homofóbica e vingativa do deus do Antigo Testamento, onde os três monoteísmos se inspiram, a Europa garante aos crentes – como deve –, a liberdade das suas práticas religiosas.

Talvez tenha sido frouxa na pedagogia contra crenças que põem em perigo a civilização e na vigilância a que deve submeter as homilias que incitam ao ódio e à violência.

Quanto mais tarde os dirigentes políticos acordarem para a prevenção do ódio que lavra entre comunidades religiosas, usando o multiculturalismo como álibi para a passividade, mais difíceis se tornam a inclusão pacífica e a democracia.

Para além das crenças cujo limite deve ser encontrado no respeito pelas leis dos países democráticos, deparamo-nos com o financiamento do proselitismo religioso por países onde é imposta a vontade única do deus autóctone, interpretada pelo clero ou dignitários que detêm o poder.

A Arábia Saudita, onde a tortura, a mutilação, a lapidação, a humilhação da mulher e outras manifestações de barbárie são práticas correntes, para agradar ao profeta que se habituaram a respeitar, é hoje um país de onde saem enormes quantidades de dinheiro para subsidiar a  fé e o terrorismo.

A Noruega, onde os investimentos de determinada dimensão têm de ser autorizados pelo Governo, acaba de dar à Europa uma lição exemplar, ao recusar dezenas de milhões de euros do Governo saudita e de doadores ricos para financiarem a construção de mesquitas, apesar de legalmente aceitável.

O ministro dos Negócios Estrangeiros norueguês não se limitou a recusar a aprovação do financiamento e respondeu ao Centro Islâmico Tawfiiq que seria «paradoxal e contra natura aceitar o financiamento vindo de um país que não aceita a liberdade religiosa».

É este exemplo de dignidade e coerência que se exige de todos os países democráticos para com aqueles onde o estabelecimento de qualquer comunidade diferente da oficial é considerado crime. As ideologias que impedem a concorrência devem ser consideradas totalitárias e  fascistas os países que as impõem.

Ponte Europa / Sorumbático

Momento de poesia


Dissertação sobre o Flamenco...

Queimo os olhos no fogo purificador da dança que te envolve,
os poros iluminados da tua pele filtram o veludo da música
que desliza pelo teu corpo ágil, com movimentos geométricos
de linhas firmes,
a repercutirem-se nas ondulações suaves da curva do teu ventre.
Acerto-me pelos teus passos e pelas transcendências metálicas
das cordas da guitarra, no sapateado frenético sobre as tábuas,
e é aí que exalas todos os odores que eu guardo na memória dos
olfactos, para que nas noites quentes das tuas ausências eu não
os esqueça.
Todas as danças trazem a ancestralidade dos desejos, preâmbulos
lúdicos que rebentam os diques de todas rebeldias heterodoxas
dos corpos tensos e o fogo volta a acender-se nos teus olhos,
no êxtase de todos os movimentos inventados, no momento
da  apoteose da tua dança.

Alexandre de Castro

Lisboa, Novembro de 2010


Nota: Poema escrito a propósito da elevação do “Flamenco” a património imaterial da Humanidade, por decisão da UNESCO.

quarta-feira, novembro 17, 2010

Um inoportuno e demitente “espião”…

A demissão de Jorge Silva Carvalho director do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) pode ser observada, à primeira vista, como um acto de rotina. tv1.rtp.noticias

Mas a sua divulgação - hoje - é desastrosa para o Governo. Estamos nas vésperas de uma importantíssima reunião internacional que envolve minuciosos e complexos esquemas de segurança.

Embora, a sua acção seja essencialmente virada para o exterior, através de diferentes “antenas” colocadas estrategicamente em diferentes países, as informações aí colhidas serão cruciais para organizar a segurança interna e prevenir sobressaltos.

A demissão ocorreu há 1 semana e, conhecendo os efeitos desta decisão, o Governo terá tentado, mas não conseguiu, protelar o anúncio público desta ocorrência para depois da Cimeira da NATO.

Significa isto que o Governo perdeu o pé. Não tem autoridade, nem a complacência tácita dos seus servidores. Neste caso de homens treinados para obedecer e cumprir espinhosas missões na maior discrição.
O anúncio público desta demissão poderá ser observado de vários ângulos, ou apresentado como uma "coincidência", fruto de múltiplas circunstâncias...
Haverá, contudo um motivo que não poderá ser iludido. Jorge Silva Carvalho não se mostrou disponível para colaborar com contenções orçamentais que, em seu entender, colocam em causa a qualidade e a eficiência da sua missão.
Mas não tardará o anúncio de que o encerramento de 7 "antenas" no exterior não afecta a segurança do Estado... O que se fosse verdade seria uma espontânea confissão que desde há pelo menos 2 anos o Governo tem desperdiçado dinheiro na manutenção em actividade dessas antenas, agora, apodadas de “inúteis”…

Estamos em período de austeridade. Todavia, austeridade não significa cortar a eito, cegamente. Muito menos retirar o tapete [colocar num colete de forças orçamental] a quem – segundo os dados curriculares disponíveis – estava a desenvolver um trabalho qualificado e profícuo, na defesa dos interesses nacionais.
Na verdade, para muitos cidadãos um serviço de informações estratégicas poderá parecer um luxo. Mas, não devem restar dúvidas de que a segurança dos cidadãos portugueses deve ser [também] tratada lá fora. Ameaças como o terrorismo internacional, o crime organizado, o tráfico de armas e estupefacientes, os esquemas de corrupção financeira, etc. começam, muitas vezes, lá fora… em “paraísos” para todos os gostos.

É muito mais fácil entender e aceitar um serviço de informações estratégico no exterior do que sistemas de segurança interna [SIS] que não tenham uma fiscalização permanente e efectiva, como acabou por se verificar no[s] caso[s] dos voos da CIA que utilizaram aeroportos portugueses para apoio logístico a transferências de "prisioneiros" de guerra ... à margem do Direito Internacional.
E, finalmente, um serviço de informações interno corre sempre o risco de fazer reviver o anátema histórico [48 anos de ditadura - PVDE, PIDE, DGS...] de uma “viragem”... tornando-se uma muleta de políticas repressivas de um qualquer Governo [o futuro é amanhã], espionando, sem controlo, nem fiscalização, portugueses e portuguesas em pleno exercício dos seus direitos de cidadania …
É por esses motivos [cautelar e histórico] que, nas questões de segurança do Estado, entendo o seguinte:
Serviços de Informação governamentais, não! // Serviços de Informação da República, sim!