quinta-feira, janeiro 27, 2011

Paulo Portas e a “federação conservadora”...

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Paulo Portas apareceu em público a propor uma federação do Centro com a Direita. Concretamente, um “entendimento pré-eleitoral” – tentou contornar a noção de “aliança” - entre o CDS/PP e o PSD para disputar o poder ao actual Governo. Para a orquestração desta estratégia conta com a “magistratura activa” do recém-eleito Presidente da República apelando a este que não abdique dos seu poderes [alusão sub-reptícia à dissolução da AR].

Todo este emaranhado de concepções assemelha-se a uma reedição balofa da nefasta “Confederación Española de Derechas Autónomas” que, em Espanha, no ano de 1933, sob a direcção de Gil-Robles, pretendeu contrariar - sob o manto ideológico da corrente democrata-cristã - as reformas introduzidas pela II República, nomeadamente a laicidade do Estado. O seu programa era preenchido por chavões: "Religião, Família, Pátria, Ordem, Trabalho e Propriedade". Este foi um episódio histórico que teve consequências trágicas. A Espanha acabou por ser "empurrada" para uma guerra civil…

Na Europa, as doutrinas democratas-cristãs sofreram sérios reveses políticos, nomeadamente em Itália e se hoje permanecem em países como a Alemanha é sobre a batuta protestante, politica e economicamente, liberal.
De facto, as doutrinas democratas-cristãs acabaram por aproximar-se dos partidos tradicionalmente designados por conservadores, como o inglês. Economicamente, defendem princípios liberais e dão especial ênfase ao endeusamento do mercado livre e no campo social barricam-se em posições rígidas: opõem-se à prática do aborto, da eutanásia, do casamento homossexual, etc. No campo político centram a sua tónica na defesa intransigente da Lei e da Ordem e na drástica restrição dos poderes do Estado…

Adiante.

Ora, deste arrazoado explanado publicamente por Paulo Portas, depreende-se que a solução para a crise em que estamos mergulhados é, sobretudo, manter o status quo em relação aos "mercados" que, no actual momento, dominam e controlam as situações financeiras e económicas em toda a Europa. No concreto, a proposta é mais do mesmo, executado por uma "federação conservadora" e, claro está, de modo mais inflexível e pragmático. Em suma: neoliberal.

Portanto, não foram princípios orientadores de um futuro governo que Paulo Portas veio, ontem, trazer a público. Não anunciou "novas políticas", nem "novos caminhos". Veio, antes de tudo, exibir os seus apetites pelo Poder. E enumerar métodos e instrumentos políticos [que o ultrapassam] para atingir esse fim. Proclamou: a necessidade de listas conjuntas para um "governo maioritário, mas pequeno". publico.pt
Pequeno em opções, alternativas e ideias. Desmedido em ambições de poder. Do poder pelo poder.

Foi, acima de tudo, um solilóquio.