quinta-feira, março 31, 2011

Ajuda externa, despojos do pote e limpidez política…

O PR aceitou a demissão do PM, dissolveu o Parlamento e marcou eleições para o dia 5 de Junho.


Entretanto, acrescentou: “Até às legislativas, no entanto, o Executivo de gestão 'não está impedido' de conduzir todos os actos necessários à salvaguarda do interesse nacional, 'tanto no plano interno como no plano externo'”. link


O PR, nesta declaração, alinha pela bitola do PSD que – nos últimos tempos – tem instado o Governo a pedir ajuda externa sabendo que esta questão foi um dos cavalos de batalha do último ano do Governo de Sócrates. Pretende [0 PSD], deste modo, colocar alguns trunfos na mesa. Isto é, afirmar que – mais uma vez - o Governo fracassou nos seus propósitos e, simultaneamente, alienar o ónus de uma medida [que há muito deseja...] mas que sabe poder desencadear gravosas consequências políticas, económicas e sociais. É só olhar para o que se passa na Grécia e na Irlanda.


Quando Miguel Macedo se apressa a afirmar que concorda com o PR tenta inverter a situação. O PSD, nos últimos tempos, quer em afirmações de dirigentes, quer na AR não se cansa de insinuar que o Governo deveria pedir ajuda externa. É, na verdade, um aproveitamento político pouco transparente. É mais uma esperteza saloia do que outra coisa. link


O recurso à ajuda externa deve ser fundamentalmente discutido no plano político longe do marketing eleitoral. Essa ajuda poderá ser necessária [ou, mais concretamente, imposta pelos inefáveis “mercados”] com base em específicas circunstâncias financeiras internas, nomeadamente, a necessidade de garantir, nos próximos meses, o financiamento do País e o serviço da dívida.


Se é verdade que a situação financeira se agrava diariamente as actuais condições políticas – depois da demissão do Governo - são substancialmente diferentes. Exigem, para medidas duradouras e de grande impacto político, uma clarificação e concertação prévia entre as forças partidárias. O Governo em gestão corrente terá de concertar posições com o PR. Mas para dar um passo deste alcance e com essas consequências isso não basta. O tal “entendimento alargado” [mais um slogan para juntar à "magistratura activa"] terá oportunidade de se manifestar [ou não] numa circunstância destas, independentemente, do programado acto eleitoral de 5 de Junho.


Os partidos políticos, em período de interregno da AR, teriam de ser ouvidos. E, como tem sucedido no passado recente, o PSD não poderia andar como o pé no estribo e outro no chão. Teria de expressar publicamente o seu apoio ou a sua recusa. Não bastaria abster-se [como tem feito até aqui]. Assim, do tipo: peçam ajuda que nós – por enquanto – não levantamos ondas. Até tudo começar a correr mal…


É que um Governo não pode ser encostado à parede porque não é considerado competente para gerir a crise e, logo a seguir, passa a ser indispensável para encontrar outros caminhos no sentido de a enfrentar [essa crise], com instrumentos que nunca defendeu até ao presente [solicitar ajuda externa].


De resto, a ajuda externa estava dentro do tal pote que - não vale a pena esconder - foi assaltado. Só Passos Coelho não quer admitir que tropeçou com esta “surpresa!”

Fartar, vilanagem...

DN, hoje

O Farsola

Para mais informações ver -> AQUI

O fim do Serviço Militar Obrigatório

Apesar de quatro anos e quatro dias que a ditadura salazarista me impôs, incluindo 26 meses na ocupação de Moçambique, para impedir o legítimo direito desse País à autodeterminação, sou defensor do Serviço Militar Obrigatório (SMO).

Num mundo que se globaliza, onde a religião perdeu o direito de se impor à força, restam o idioma, o SMO e pouco mais como factores de identidade dos povos. O SMO seria um serviço cívico para jovens dos dois géneros, em quartéis ou outras instituições do Estado, pelo período de um ano, com enorme poupança para o erário público.

Só o PCP se opôs ao fim do SMO. Lamentavelmente, as juventudes partidárias do PS, PSD e CDS, com a estridente vaidade de Paulo Portas a reivindicar o mérito da asneira, foram as grandes responsáveis pela decisão infeliz e altamente dispendiosa.

De todas as forças militares e militarizadas são as Forças Armadas as que assumem o carácter simbólico de representar o País e cumprir missões que um Governo democraticamente eleito entenda confiar-lhes. O SMO impede a transformação na guarda pretoriana em que podem ser convertidas as forças mercenárias; ficam a baixo custo e tornam iguais os deveres de todos os cidadãos perante a Pátria; facultam a rotatividade que impede o envelhecimento dos soldados; e, finalmente, dos Açores a Trás-os-Montes, estabelecem laços que dão coesão ao todo nacional.

O fim do SMO foi um erro clamoroso que nos impede de ter meios para assegurar a identidade nacional através de Forças Armadas com um mínimo de dignidade e de capacidade.

O que pareceu uma medida justa foi apenas um acto demagógico num país que não tem agora dinheiro para mandar cantar um cego. Resta-nos a dívida soberana como factor de identidade.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, março 30, 2011

A frase do dia...


Angela Merkel "vai respirar de alívio quando vir o Governo do PSD"... link





Eurodeputado Paulo Rangel à saída do Conselho Nacional do PSD [29.03.2011]

Religião: O chicote e a cenoura

O Inferno e o Paraíso são a ameaça e a promessa, o horror e as delícias com que os impostores da fé assustam e entusiasmam. Um é o chicote e o outro a cenoura. Com ambos engodam os padres os timoratos e os cobiçosos.

Os milhões de parasitas que as religiões alimentam não precisam de crer nas patranhas que impingem, basta que os incautos acreditem e o poder do Estado proteja o negócio.

A aliança entre a religião e o Estado facilita o charlatanismo religioso, corrói o tecido moral de um país e aduba a superstição e a ignorância com o vírus da fé.
Perseguir a religião, qualquer religião ou corrente filosófica, é um acto de tirania, mas favorecer os trampolineiros da fé, alcoviteiros do dogma e propagandistas dos milagres, é uma cobardia de oportunistas à espera de favores da Igreja.

Deixemos que os beatos se empanturrem em hóstias, se demolhem em água benta e se defumem em incenso. Não lhes causam azia as hóstias nem a água benta lhes desarranja os intestinos. Só o incenso é curto para cobrir os odores que o banho diário eliminaria.

Basta de idolatria, trapaça e fanatismo.

terça-feira, março 29, 2011

Friendly advice...

Bit of friendly advice, Portugal

Sunday March 27 2011


Dear Portugal, this is Ireland here.

I know we don't know each other very well, though I hear some of our developers are down with you riding out the recession. They could be there for a while. Anyway, I don't mean to intrude but I've been reading about you in the papers and it strikes me that I might be able to offer you a bit of advice on where you are at and what lies ahead. As the joke now goes, what's the difference between Portugal and Ireland? Five letters and six months. Anyway, I notice now that you are under pressure to accept a bailout but your politicians are claiming to be determined not to take it. It will, they say, be over their dead bodies. In my experience that means you'll be getting a bailout soon, probably on a Sunday. First let me give you a tip on the nuances of the English language. Given that English is your second language, you may think that the words 'bailout' and 'aid' imply that you will be getting help from our European brethren to get you out of your current difficulties. English is our first language and that's what we thought bailout and aid meant. Allow me to warn you, not only will this bailout, when it is inevit-ably forced on you, not get you out of your current troubles, it will actually prolong your troubles for generations to come. For this you will be expected to be grateful. If you want to look up the proper Portuguese for bailout, I would suggest you get your English-Portuguese dictionary and look up words like: moneylending, usury, subprime mortgage, rip-off. This will give you a more accurate translation of what will be happening you. I see also that you are going to change your government in the next couple of months. You will forgive me that I allowed myself a little smile about that. By all means do put a fresh coat of paint over the subsidence cracks in your economy. And by all means enjoy the smell of fresh paint for a while. We got ourselves a new Government too and it is a nice diversion for a few weeks. What you will find is that the new government will come in amidst a slight euphoria from the people. The new government will have made all kinds of promises during the election campaign about burning bondholders and whatnot and the EU will smile benignly on while all that loose talk goes on. Then, when your government gets in, they will initially go out to Europe and throw some shapes. You might even win a few sports games against your old enemy, whoever that is, and you may attract visits from foreign dignitaries like the Pope and that. There will be a real feel-good vibe in the air as everyone takes refuge in a bit of delusion for a while. And enjoy all that while you can, Portugal. Because reality will be waiting to intrude again when all the fun dies down. The upside of it all is that the price of a game of golf has become very competitive here. Hopefully the same happens down there and we look forward to seeing you then.

Love, Ireland.

Sunday Independent link

Gentil, bem humorada e avisada carta aberta da Irlanda a Portugal onde se explanam uma série de advertências [sobre a "ajuda externa"].


Adenda: tradução inserida em comentário.

Fala a experiência...


O ex-presidente brasileiro Lula da Silva afirmou hoje que "o FMI [Fundo Monetário Internacional] não resolve o problema de Portugal", considerando que, "se quiser, a Europa vai encontrar soluções" para os problemas do país.


E, sublinhou: "O FMI não resolve o problema de Portugal, como não resolveu o problema do Brasil, como não resolveu outros problemas. Toda a vez que o FMI tentou cuidar das dívidas dos países, o FMI criou mais problemas para os países do que soluções"...

Da biografia do novo Conselheiro de Estado

A radical limpeza étnica levada a cabo por Bagão Félix, ao abrir de uma assentada 18 vagas de directores distritais da Segurança Social e igual número de directores - adjuntos, para gáudio de outros tantos cidadãos ansiosos de provarem a sua “identificação com a missão”, pode causar suspeitas de compadrio partidário.

O método faxista (através de fax) de exonerar de forma expedita e em simultâneo todos os dirigentes pode criar a ideia de irreflexão, sem ter em conta a avaliação do mérito individual dos atingidos, ou a suposição de ter agido por vingança para com os protagonistas de um ministério emblemático da gestão socialista.

Com  tantos fiéis à espera dos lugares, a demissão de trinta e seis dirigentes pelo piedoso ministro corre o risco de ser considerada um acto de proselitismo de um cruzado, promovendo um auto de fé em que imolou todos os suspeitos de serem  infiéis.


Com a reputação de independente, o ministro que o Dr. Portas colocou na Segurança Social pode ter ultrapassado em sectarismo alguns homólogos com antecedentes radicais.

Para um cidadão que tão denodadamente se tem batido contra a despenalização do aborto, corre o risco de ter praticado um, de natureza política, como ministro. E o remorso, bem ao jeito da tradição judaico-cristã, pode vir a amargurá-lo no futuro.

De qualquer modo o ministro não parece ter tomado uma decisão a condizer com o nome (feliz – Do lat. felix).

Publicada em 17-10-2002 in «Diário as Beiras»

Entrevista de Passos Coelho ao Jornal de Negócios


Fantástica e reveladora afirmação de um troca-tintas!!!
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segunda-feira, março 28, 2011

Todos no mesmo barco...


Este corte significa que os cinco bancos portugueses (BES, CGD, BPI, Totta e BCP) deixaram de poder financiar-se no mercado monetário internacional... "coisa" que, provavelmente, já estaria a acontecer...

A "clarificação política" está a ficar muito cara ao País, às empresas e às famílias...

Uma ex-freira denuncia o tráfico de crianças

Mercedes Sánchez acusa a ex-directora da casa de Tenerife de adopções ilegais - Revela como operava a rede y como se maltratavam os menores 

NATALIA JUNQUERA / JESÚS DUVA - Madrid - 27/03/2011

EL PAÍS segue com a série sobre este tráfico de crianças e oferece o relato das vítimas e de quem participou nos negócios. Consulta o especial: Vidas robadas. | Participa en Eskup. ¿ Crês que és uma criança roubada ou conheces algum caso? Envia-nos um correio electrónico.

Trabalhou na creche de Tenerife -denunciada por roubo de meninos - desde 16 de Junho de 1963 até 5 de Setembro de 1967. Menos de quatro meses depois, deixou de ser freira. Hoje, aos 73 anos, Mercedes Sánchez García confessa porquê.

Intriga do Público?

Nota: O PR foi um dos maiores responsáveis pela crise que o seu partido abriu.

domingo, março 27, 2011

A "rua" londrina...

F Foto da manifestação de ontem junto ao emblemático Hyde Park. link

Meio milhão de britânicos manifestaram-se, ontem [26.03.2011], em Londres, contra a austeridade.


A candente questão: austeridade versus recessão económica - entrou definitivamente na ordem do dia. Londres - 26.03.2011 - foi tão-somente o derradeiro episódio. Está cada vez mais vivo o debate público, quer no Reino Unido link , quer na Europa.


A manif de Londres não começou, nem encerrou, esta crucial questão. A batata quente está a ser endossada aos Governos, aos partidos políticos, aos parceiros sociais, às organizações da sociedade civil…, na tentativa de encontrar e aplicar alternativas credíveis.

No reino dos habilidosos…

O PSD votou contra o PEC IV, apresentado pelo Governo no Parlamento, por considerar que não ia "suficientemente longe" para resolver o problema da dívida pública, afirmou este sábado Pedro Passos Coelho, em entrevista à agência Reuters. link Bem! Tornou-se absolutamente alucinante a cadência de contradições e de dislates que um putativo candidato a PM é capaz de proferir em tão curto espaço de tempo. Por outro lado, a irresponsabilidade [ou a desfaçatez] exibida é tal que admite, na mesma entrevista, perante uma situação de emergência, José Sócrates poderá pedir ajuda externa ["empréstimo temporário?"]… link

Isto é, pretende continuar a viver na sua torre de marfim, enunciar bitates avulsos, não assumir qualquer tipo de ónus e cozer o PS em “lume brando”… Provavelmente, Pedro Passos Coelho estará convencido que disputará as próximas eleições, sem opositores. Que a chegada ao poder será uma alegre passeata pelas avenidas do improviso, do facilitismo, do diletantismo e do serôdio triunfalismo. O variegado emaranhado de propostas, compromissos e de “soluções” apresentadas, pelo PSD, durante a [ainda] curta vigência desta crise política, desde o aumento do IVA, à aceleração das privatizações [CGD, TAP e CP…], até à espantosa descoberta da “mansidão” do PEC IV, não auguram nada de bom para o País.

sábado, março 26, 2011

Um aviso à navegação…

Paul Krugman, professor de Economia na Universidade de Princeton, prémio Nobel da Ecomonia em 2008 é, também, um colunista de opinião no The New York Times.
Para não dar azo a especulações, politicamente, Krugman define-se como um liberal. Publicou, em 2007, o livro “Consciência de um Liberal” link , uma espécie de cartilha do moderno liberalismo…

Em 24 de Março, quando o Conselho Europeu reunia em Bruxelas para – entre outras coisas – apreciar a crise política portuguesa, Krugman publicou no NYT um artigo de opinião versando as políticas de austeridade, sob o título: The Austerity Delusion [ A ilusão – ou desilusão – da austeridade] link

Um incontornável texto que se encaixa no período de incertezas, dúvidas e de medo que o nosso País, com a actual crise política, está a braços…
Um aviso necessário para entendermos politicamente as propostas [imposições] da UE para a resolução da crise económico-financeira e um alerta acerca dos “deficit hawks” [“falcões do deficit”]…

O primeiro parágrafo do citado artigo é profundamente pedagógico:

“O Governo português acabou de cair numa disputa sobre as propostas de austeridade.
Os juros das obrigações irlandesas superaram pela 1ª. vez os 10% .
E o governo britânico acabou revendo a sua previsão económica em baixa e sua previsão de deficit em alta”
[tradução livre]

Para ler... e reflectir.

Factos & documentos

Filho de Jaime Gama é consultor de Cavaco

João Taborda Gama, o jovem fiscalista filho de Jaime Gama,é o novo consultor do Presidente da República.

João Gama integrou a Comissão Política e a Comissão de Honra da recandidatura de Cavaco.

Albarda-se o burro à vontade do dono [provérbio popular]…

Hoje, em Bruxelas, Angela Merkel, solicitou à Oposição [em Portugal] a apresentação de medidas alternativas ao PEC IV, o que tem a ver com a posição do PSD [que se recusou a apresentá-las].
Tanto o BE, PCP e CDS enunciaram-nas – genericamente – nas suas propostas de rejeição…

Bem, Merkel, não pediu, afirmou que a Oposição [leia-se PSD]… "tem de revelar publicamente - é muito importante que o faça - que medidas propõem para atingir os mesmos objectivos". link

Duas considerações:

- Todos os dias nos [re]lembram que estamos sujeitos às pressões dos credores ou às regras dos promotores de futuros [e necessários] resgates…
Enfim, a crise – as diversas crises – acabaram por hipotecar a nossa soberania.

- Este pedido – que não passa de uma exigência – vem demonstrar que o eixo argumentativo defendido pelo PSD [pela voz de M Ferreira Leite] para a rejeição do PEC IV, i. e., “não interessam as medidas, mas a credibilidade do Governo”, não tem muita sustentabilidade política [interna e externa]. Instada, na sessão parlamentar de 23.03.2011, pelo BE e PCP a comentar algumas das medidas integrantes do PEC em discussão chamou-lhes “politiquices”link

Agora, o PSD dará – estou certo disso! – à Srª. Merkel todas as explicações que negou aos deputados portugueses...
Ou “postará” no seu site oficial uma nova carta a rogo [desta vez em alemão]…

sexta-feira, março 25, 2011

Carmo Chacon, de peito descoberto...

A Ministra da Defesa de Espanha em visita à Marinha...

Apostila: Recebida por e-mail e encontrada aqui 

Apostila 2 - Afinal é montagem como me explicam  os leitores: «Experimente ampliar a foto e verá uma diferença de resolução, uma neblina entre o peito e a camisa e mancha branca à esquerda». «...e a cara do oficial do lado direito de frente para a câmara é colagem também :)

Para memória futura

Aberta a caixa de Pandora…

Tal como pairava no ar, Pedro Passos Coelho, em Bruxelas, num encontro com os seus parceiros do Partido Popular Europeu [Centro-Direita], mete os pés pelas mãos.

Primeiro, afirma não ter um “conhecimento completo da situação financeira…” link pelo que não é capaz de propor medidas concretas.
Por este caminho e como as eleições vão demorar cerca de 3 meses, pensará o dirigente do PSD ser possível “suspender “ o País durante tão dilatado tempo?
Claro que, nos contactos havidos em Bruxelas, terá tido conhecimento que não dispõe desse tempo.
O Estado precisa de financiar-se a curto prazo e são insuportáveis os juros das Obrigações de Tesouro [em todas as “maturidades”]. De facto, as agências de notificação financeira - no seguimento da crise política - começaram a depreciar o rating de Portugal num ritmo inexorável. link

Entretanto, por cá, o PSD exibe as primeiras e insanáveis contradições na gestão da crise.
Confrontado com o agravamento da situação financeira decorrente da crise política, o secretário-geral Miguel Relvas link "ateou o fogo ao palheiro". Admitiu a eventualidade de aumentar o IVA para 25 %, i. e., taxando o consumo, mas como o seu próprio partido reconhece trata-se de um “imposto cego” link que afectará os 10 milhões de portugueses… Ao contrário do que Relvas sugere o aumento do IVA não poupa os mais desfavorecidos, atinge todos e na mesma medida.

Aliás o IVA foi um dos cavalos de batalha do PSD aquando da discussão do OE 2011…

Finalmente, Passos Coelho que se mostrou tão indignado por Sócrates ter negociado o PEC IV em Bruxelas antes de o fazer cá, ontem, andou a distribuir aos seus parceiros europeus do PPE, reunidos na mesma cidade, uma “carta-compromisso” cujo conteúdo os portugueses desconhecem… mas adivinham.
Será o PEC IV revisto e aumentado ou, para não plagiar, o PEC 5-1 = [4]!

Na verdade, o PSD quando decidiu ir ao pote acabou por, inopinadamente, abrir uma caixa de Pandora

quinta-feira, março 24, 2011

Para memória futura

The day after …

Na sequência da rejeição do PEC IV pela AR o XVIII Governo Constitucional apresentou a sua demissão.

Esta a nova realidade política com que estamos confrontados. Não ganharemos nada em dramatizar. A democracia é capaz de resolver problemas desta magnitude. Não vivemos no tempo de Luís XV, pretenso autor da famosa frase "depois de mim, o dilúvio"

Neste momento, a responsabilidade dos partidos políticos perante os cidadãos ficou manifestamente acrescida. É imperativo que os partidos expliquem com rigor, clareza e transparência ao País a complexa situação em que nos encontramos e que sejam capazes de enunciar em termos compreensíveis, directos e frontais soluções para resolvê-la. Com quem, à custa de quem e, necessariamente, contra quem.

Para já, concorde-se - ou não - com o pacote de medidas de austeridade que foi ontem “chumbado”, o dia ficou marcado por um incontornável distanciamento da Europa [que já lembrou que a solidariedade é uma rua com 2 sentidos], onde negociávamos apoios, sem que tenham sido apresentados opções estratégicas alternativas com o mínimo de rigor e detalhe no sentido da consolidação orçamental, do serviço da dívida e do crescimento económico.

Ficamos a saber o que o País – representado na actual AR - não aceita este modelo de austeridade. Já estávamos sujeitos a “ajustamentos”, ditos estruturais, ditados de fora. O “exercício de soberania” de ontem introduziu novas condições a essa situação sem que fossem tiradas todas as ilações. Daqui até às eleições saberemos mais.

O momento político, económico, financeiro e social não se compadece com malabarismos de retórica, tibiezas ou temeridades. Nem perdoará contorcionismos eleitorais baseados em promessas de radiosos amanhãs que nunca chegam. Ao longo destes 2 anos os portugueses tomaram consciência que a situação nacional, na sua globalidade, é gravíssima e que o futuro exigirá pesados sacrifícios, só suportáveis quando moldados num quadro de justiça social. Uma inflexível exigência de equidade tornou-se hoje – e será daqui para a frente - a palavra-chave.

Neste momento, o País necessita[va], também, de um Presidente da República que promova a convocação de eleições legislativas intercalares e, simultaneamente, seja capaz de assegurar os problemas inerentes ao interregno governamental […os mercados não dormem e o País necessita urgentemente de se financiar], de gerar os consensos indispensáveis, num ambiente político-social altamente crispado. Agora, não há espaço para políticos envergonhados ou “não-assumidos”. Esgotamos os tempos da chicana política que proporcionou o inefável discurso de tomada de posse do PR. Até aqui tivemos uma “magistratura silenciosa”…

Múltiplas dificuldades e rígidos critérios de exigência atingem, portanto, todo o “mundo da política” nacional, englobando todas as instituições. Em “tempos de cólera” nada escapará ao escrutínio dos cidadãos.

O essencial é simples de enunciar: não deixar resvalar esta crise política para uma perversão do regime.

Se a política não souber [ou não quiser] assumir a primazia da liderança nacional, se os partidos políticos não apresentarem opções sólidas e solidárias, se os portugueses descurarem os deveres de cidadania, outros “poderes” estão prontos para capturar o Estado que, por ora, publicamente fustigam. Refiro-me, especificamente, ao mundo financeiro.

Este é o grande risco do momento.

Apostila: Entretanto a agência de notação financeira Fitch – quando não são passadas 24 horas sobre o debate parlamentar – cortou o rating de Portugal em dois níveis (de A+ para A-) link

Os países islâmicos despertam

De Marrocos ao Bahrein, do Egipto ao Irão, em todo o mundo árabe e não árabe, subjugado pelo Islão, surgiram exuberantes manifestações democráticas que apanharam de surpresa os Governos locais, as mesquitas, as madraças e os países ocidentais.

As informações que nos chegam mostram uma genuína sede de liberdade em países onde a cultura e a informação entraram através da Internet e das universidades, criando condições para desafiarem regimes obsoletos e uma religião implacavelmente desumana.

Da forma como se esmagam as aspirações populares pudemos dar-nos conta através da intervenção das forças armadas sauditas que afogaram em sangue a entusiástica mobilização popular do Bahrein.

Na Líbia o esmagamento dos manifestantes só não foi total porque uma descoordenada aliança dos EUA, NATO e Europa avançou para uma aventura humanitária que parece não ter previsto até onde podia ir e quando devia terminar. Mais uma vez, a Europa mostrou ser um anão, abrigado sob o guarda-chuva dos EUA e sem uma política externa comum e coerente.

Enquanto o petróleo ameaça atingir preços incomportáveis, agravados pela tragédia japonesa, a ebulição dos países islâmicos não parece encaminhar-se para a criação de estados laicos e democráticos mas para mudar de protagonistas com novas ditaduras sob o olhar atento dos sequazes de Maomé.

As eleições do Egipto, um barómetro dos países islâmicos, parecem encaminhar o país para a reincidência num Estado confessional menos indulgente com as minorias religiosas e o toucinho.

Quando esperávamos afloramentos iluministas, não está garantido o ponto de não regresso às cinco orações diárias obrigatórias e à não discriminação das mulheres. Os arcaísmos teocratas podem barrar o caminho à democracia. A posse das mulheres e o horror à laicidade podem levar as aspirações de liberdade a sucumbir perante banhos de sangue e a frustração de mais uma geração. Os países islâmicos despertaram para a liberdade mas podem regressar ao cemitério da opressão.


Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, março 23, 2011

O PR e o PREC (Processo Reaccionário Em Curso)

Está em curso uma tentativa de contra-revolução constitucional, não uma simples mudança de Governo, nas piores circunstâncias.

Os corifeus da direita não escondem o desamor pela Constituição da República Portuguesa e o apetite que lhes desperta controlarem o Governo, o Presidente da República, o Parlamento, a maioria dos municípios e dos deputados europeus. É o açambarcamento de todos os órgãos de decisão enquanto procuram o domínio de todos os órgãos de comunicação.

É com tristeza e preocupação que vejo a esquerda, à esquerda do PS, fazer parte da tenaz que impediu a governação e, tal como a direita, se recusa a apresentar uma alternativa credível.

Não se pode levar a sério quem exige aumentos de salários, pensões e benefícios sociais sem dizer onde estão os recursos e como se podem obter.

A demagogia tomou conta da política portuguesa. Ninguém fala da crise internacional que nos atingiu como se a mesma fosse fruto da incúria ou incompetência do Governo português.

Os discursos do PR, o da débil vitória eleitoral, o de posse e as declarações posteriores avulsas, revelam um homem ressentido e vingativo que não augura nada de bom. Os portugueses têm o direito de continuar a pedir-lhe esclarecimentos sobre o caso das escutas (aparentemente uma intriga partidária), sobre as acções do BPN e sobre o negócio da casa da Coelha. Não podemos desconfiar do mais alto magistrado da nação que parece ter alinhado o seu discurso e comportamento com os interesses da pior direita.

Uma coisa está obrigado este PR a fazer: respeitar e fazer respeitar a Constituição da República Portuguesa que recentemente jurou. Os portugueses não lhe faltarão com o respeito a que são obrigados mas não podem dedicar-lhe a estima que não souber merecer-lhes.