sexta-feira, setembro 30, 2011

Em atenção a uma especiosa afirmação do Sr. Presidente da República…

(foto do blog "Memórias Futuras")

1.

Luís Morais Sarmento reagia hoje à divulgação, pelo INE, de um défice de 8,3% no primeiro semestre do ano, dizendo, embora sem especificar, que outras acções terão de ser desenvolvidas ainda em 2011 para o Estado atingir a meta orçamental acordada com a troika. Isto além, das medidas de austeridade do lado da receita já tomadas este ano. link

2.

O secretário de Estado do Orçamento, Luís Morais Sarmento, anunciou hoje que o Governo vai tomar mais medidas de austeridade no seguimento dos números divulgados hoje sobre as contas nacionais do primeiro semestre. link

Não interessa chorar sobre o leite derramado…

No entanto, é impossível ladear uma impertinente pergunta:

- Quem afirmou solenemente perante os representantes do povo que “Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadãos”?link

E, agora, Aníbal?

Curiosidades


quinta-feira, setembro 29, 2011

A. Cristas em águas pouco cristalinas…

…"Este recurso tem de ser devidamente valorizado. As pessoas têm de saber que a água custa dinheiro, a água não é para desperdiçar, a água é para ser usada com todo o cuidado e com toda a parcimónia e associar um preço a água favorece comportamentos mais cuidadosos, mais sustentáveis no que diz respeito ao uso do recurso da água», disse a ministra quando falava da disparidade das tarifas.”…
Declarações da Ministra Assunção Cristas na AR a 27.092011 sobre a privatização das Águas de Portugal. link


Chama-se a isto “meter água” a granel. A gestão privada da distribuição deste recurso natural “não privatizável” (como reconheceu a própria Ministra) acarretará um aumento de preços no consumidor. A tão eficiente gestão privada não é – como todos sabemos - um acto de filantropia. Tem um preço e deve originar lucros. Esta é a causa remota de futuros aumentos que acompanham os transportes, a electricidade e os combustíveis. Outro motivo (oculto) será saldar a dívida acumulada pelos Municípios à companhia Águas de Portugal no valor de 400 milhões de euros. link

Para completar o cerco aos contribuintes faltava aumentar a água. Então, dentro de um quadro da mais saloia hipocrisia política, fala-se de educação comportamental relativamente ao consumo de água. Educação compulsiva usando a chibata do preço. Um exemplar da pedagogia da “porrada”, pelo método do contínuo "esmifranço".



É de supor que dentro deste quadro educativo e preventivo do consumo relativamente a este precioso líquido (indispensável à vida), levado a cabo por esta insuspeitada “grande educadora ambiental”, sempre haverá lugar a um preço especial (reduzido como o IVA) para as regas dos campos de golfe. É que estes são fundamentais para o turismo nacional, um grande vector económico e isso bastará para criar a excepção. A excepção dos negócios em relação às pessoas tornou-se a regra (deste Governo).



De resto, é melhor aguardar por uma criativa taxa sobre o consumo de ar visando poupar oxigénio…e os pulmões!
Tudo continuará assim até ao dia em que os portugueses decidam fechar a torneira...

Para ver as vacas sorrirem...

«Cavaco Silva foi em visita oficial aos Açores e, além da sua mulher, acompanham o Presidente da República mais 30 pessoas, ao longo de cinco dias.

Da lista oficial a que o PÚBLICO teve acesso, constam o chefe da casa civil do Presidente, Nunes Liberato, também acompanhado pela mulher, quatro assessores, dois consultores, um para os assuntos políticos e outro para a comunicação social, e cerca de uma dúzia de elementos do corpo de segurança, entre eles dois sargentos, um tenente-coronel, um subintendente e cinco agentes principais. Mas da comitiva do Presidente fazem parte também dois fotógrafos oficiais, um médico pessoal, uma enfermeira, dois bagageiros e até um mordomo.

 Nota: Esta notícia, publicada em numerosos blogues, revela que a austeridade é só para alguns.

“Neo-prussianismo” ou políticas liberais/belicistas ao serviço de objectivos económicos e financeiros…

A chanceler alemã fez, no último domingo, mais uma das suas polémicas afirmações: os países que não cumprirem os rácios de défice e de dívida pública definidos pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento devem perder parte da sua soberania… link
Na cruzada do eixo franco-alemão contra a uma concertada resposta política económica e financeira que urge urdir na Europa vale tudo. Mesmo esta diatribe da Sra. Merkel contra a dignidade dos Povos e soberania dos Estados.
Mas esta despropositada boutade da Sra Chanceler não surge inopinadamente, nem isoladamente. Há alguns dias um outro dirigente alemão Gunther Oettinger (comissário europeu da Energia) sugeriu que os países endividados devem pôr a bandeira a meia haste nos edifícios da UElink

O facto destas duas declarações partirem de dois actores políticos alemães não deve passar despercebido, nem ser desvalorizado. A Alemanha, no século passado, trouxe a devastação, a fome e a morte (i. e.: a guerra) a um incomensurável número de europeus (os europeus já existiam antes da CEE e da UE) e o Mundo civilizado, que derrotou estas pretensões, não ostracizou a Alemanha.
O povo germânico sabe - de experiência própria - que a humilhação não é um bom caminho político, nem uma via libertadora e não estimula o desenvolvimento. Quando muito esgravata feridas antigas e alimenta ódios ancestrais.


Estas duas declarações indiciam – com cada vez mais clareza - que os actuais dirigentes alemães não estão à altura de assegurar a construção de uma Europa livre e democrática perante as dificuldades que o Mundo vive. E, atitudes como estas, fazem retroceder múltiplas tentativas políticas de estimular e coordenar medidas federalistas apontadas - por muitos políticos e economistas europeus - como a resposta necessária à “crise política e financeira da UE” (e não só da Grécia, Irlanda e Portugal).

São duas declarações bombásticas, irresponsáveis e intoleráveis, mas não surpreendentes. Já há muito que se tornou notória e pública a mensagem de que os défices e os endividamentos – na cabeça de alguns políticos – conduzem à implementação de mecanismos de subordinação política, económica e financeira. Daqui nasce a presente "onda neoliberal" que varre a Europa.

Os dirigentes alemães já esqueceram o “Plano Marshall”… Regressaram a "época prussiana" em que a política servia e sustentava objectivos bélicos...

A Concordata e o esbulho ao estado português

A concordata assinada entre a Santa Sé e a República Portuguesa no dia 18 de Maio de 2004 veio substituir a Concordata de 1940, para renovar as relações entre a Igreja Católica e Portugal e redefinir o estatuto desta religião no Estado Português, um acordo bilateral que privilegia de forma indecorosa os interesses do Estado do Vaticano.

A isenção fiscal do património imobiliário bem como do imposto sobre rendimentos  e bens da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) é uma afronta aos portugueses que diariamente sofrem com as sucessivas medidas de austeridade

Quando o acordo assinado pelo Governo português com a troika prevê um aumento expressivo do imposto sobre o património (IMI) até 2012, é justo isentar a ICAR?

Não repugna que 0,5% do IRS seja destinado às Igrejas pelos contribuintes que afirmem esse desejo na respectiva declaração e que disso beneficie a Igreja católica conforme prevê o art. 27.º da Concordata, mas é intolerável que a Concordata seja tão lesiva dos interesses portugueses.  

A isenção de impostos sobre rendimentos e bens da ICAR é um privilégio que prejudica tanto os católicos, a quem cabe sustentar o culto, como os crentes de outras religiões e os não crentes, todos sacrificados de forma mais pesada com as contribuições exigidas pelo Estado para poder isentar uma confissão religiosa.

Os encargos com capelanias militares, prisionais e hospitalares, tal como a remuneração de professores de Educação Moral e Religiosa Católica, de nomeação discricionária dos bispos, são inaceitáveis num período de recessão e de colossais dificuldades económicas e financeiras com que os portugueses se vêem confrontados.

Sá Carneiro perguntou para que era precisa a Concordata. Hoje precisamos de nos  livrar dela.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, setembro 28, 2011

Ficámos melhor com o actual Governo ?


Um recorte de jornal

As vacas riem com pepso(presi)dente (clique na imagem)

terça-feira, setembro 27, 2011

Equiparação justa (2) . A pedofilia e o aborto vistos por um católico

Por

Pai de Família


Será a pedofilia um crime mais grave do que o homicídio/aborto?

Uma pergunta que julgo pertinente e merecedora de debate sério.

Sem querer, de modo algum, menorizar essa horrível perversão, esse crime nojento que é a pedofilia, eu pergunto: e as criancinhas assassinadas ainda em ventre materno?

Quem se lembra destas criaturas indefesas, destes pequenos seres humanos tão frágeis?

Só levantam vozes contra os alegados abusos praticados pelos Sacerdotes?

E o assassinato legal, e em massa, de tantos milhares de seres humanos?

Mas...

...de Espanha, bons ventos!

A execrável e infame "lei" que permite o homicídio/aborto vai ser revogada, graças a Deus.

Ilumine Deus os nossos actuais governantes (que se dizem de direita; a ver vamos...), e os faça seguir este exemplo vindo de Espanha. Este exemplo que tanta alegria vai trazer aos defensores da Vida.

Haja alguém em Portugal (quero acreditar que há mesmo, e julgo que fora das fronteiras da igreja modernista, mas dentro do Governo...), que nos faça rejubilar de alegria com a revogação de um decreto demoníaco e assassino e nos volte a colocar no caminho da Verdade e da Vida.

Haja alguém que revogue também a autorização legal para o emparelhamento de sodomitas contra-natura, a que os "modernaços" gostam de chamar "casamento".

Haja alguém que corrija o rumo assustador e anti-Vida/Família que Portugal tem seguido nos últimos anos, sem medo de grupos de pressão maçónicos e homossexuais.

Pode ser que a voz destes não chegue ao céu...

Por uma vez - sem exemplo! -, VIVA ESPAÑA!!!

Equiparação justa


A Amnistia Internacional considera que os abusos cometidos na Irlanda contra milhares de crianças que estavam a cargo de instituições controladas pela Igreja católica e pelo Estado equivalem a tortura e violam a legislação internacional sobre direitos humanos.

Essa é uma das conclusões do parecer "A plena vista" elaborado para a Amnistia pela doutora Carole Holohan a partir dos dados oficiais publicados nos últimos anos sobre esses abusos.

segunda-feira, setembro 26, 2011

ESPANHA: eleições gerais.



Através de um decreto real link, determina-se que - sob proposta do Governo - seja dissolvido o Congresso de Deputados e o Senado e convocadas eleições gerais para o dia 20 de Novembro de 2011.

Embora JL Zapatero não seja concorrente ao cargo que agora abandona, nas próximas eleições, é a sua actuação à frente do Executivo espanhol que vai ser julgada.
As duas legislaturas de Zapatero ocorreram em momentos políticos (circunstâncias e desenvolvimentos) substancialmente diferentes.
Nestas eleições não estão em jogo os avanços históricos no campo social (fundamentalmente do 1º. mandato) como foram a questão da memória histórica (tarefa inacabada), da igualdade de géneros, do matrimónio homossexual e da liberdade de imprensa (nomeadamente na TVE).

J L Zapatero (e por arrasto o PSOE) será, prioritariamnete, julgado pelas severas medidas de austeridade que tomou (no 2º. mandato) para enfrentar graves problemas orçamentais e da dívida externa, por uma alta taxa de desemprego e pelo relativo fracasso das negociações com a ETA.

As sondagens apontam para uma vitória de Mariano Rajoy e do PP. Interessa saber (e só o futuro o dirá!) se Rajoy vence por mérito próprio ou se é particularmente favorecido por uma pesada crise política e económica europeia, quiçá, mundial, com devastadores efeitos na terra de Cervantes.

A miranbolante reforma do Poder Local

Documento Verde quer redução de freguesias e nova lei das finanças locais

Lisboa, 26 set (Lusa) - "O Documento Verde da Administração Local hoje divulgado impõe a redução do número de freguesias e de empresas municipais, prevendo também a revisão do modelo de financiamento e incentivos à agregação de municípios.
A proposta hoje apresentada pelo primeiro-ministro estabelece quatro áreas de intervenção para a tutela: o sector empresarial local, a organização do território, a gestão municipal, intermunicipal e o financiamento e a democracia local.
No sector empresarial o governo pretende racionalizar, reduzindo o número de entidades. No que respeita à lei das finanças locais, o Executivo pretende criar um grupo de trabalho que venha a rever o modelo de financiamento
." link

Bem.
No actual contexto político a designação de uma reforma do Poder Local, como “documento verde” faz-nos lembrar o célebre “livro verde” de Kadafi, o que não sendo um crime é um pouco estranho, para não dizer de mau gosto (inoportuno).


Passando à frente, do que me foi dado ouvir hoje no fórum TSF, a proposta do Governo relativa às alterações da lei eleitoral autárquica e quanto ao modelo de funcionamento dos órgãos autárquicos é muito ardilosa.
Os órgãos locais serão eleitos em lista única. O candidato mais votado escolhe – entre os eleitos - o executivo municipal, em princípio coeso, quer dizer, unicolor (tudo do mesmo partido). O que se passar lá dentro fica “em família”.
Adianta a proposta governamental, não há problema, porque a Assembleia Municipal será reforçada nos seus poderes e competências, nomeadamente, na capacidade de fiscalização do executivo. Isto é, uma Assembleia Municipal, maioritariamente da cor do executivo (o sistema eleitoral previsto conduz inevitavelmente a este resultado), a fiscalizar o executivo unicolor. A eterna tentação de desempenhar, em simultâneo, o papel de jogador e árbitro…
Isto é, a democracia local tão elogiada pelas suas características de proximidade, fica entregue às concelhias partidárias (se excluirmos os escassos casos em que vencem listas independentes).
Chama o Governo a “isto” modernizar o poder autárquico passadas que foram quase 4 décadas sobre o 25 de Abril. Eu chamar-lhe-ia partidarizar (porque a presença de outros partidos no executivo incomoda). Sendo assim (como o Governo quer) tudo o que se passar nas Câmaras Municipais ficará no segredo dos deuses. E como sabemos o segredo não é essencial para a democracia. Será, porventura, indispensável para os negócios.


Se com a reforma do Poder Local se pretende fechar as portas (colocar obstáculos) ao controlo democrático dos órgãos autárquicos, estamos conversados.

Na verdade, o impressionante é esta reforma ( ...que necessita de revisão constitucional) anteceder a Regionalização (que já consta da CRP). Infelizmente, a Regionalização não consta do memorando da troika. Se constasse, Pedro Passos Coelho, acolitado por Miguel Relvas, tentariam ir mais além (…como é habitual) e aproveitavam o ensejo, não para regionalizar, mas para “esquartejar” o País.


Haja tino e respeito pela inteligência dos portugueses!

O estado actual do rochedo também conhecido por Madeira

Portugal: A Igreja católica em números

A  Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) é proprietária, em Portugal, de enorme património imobiliário, todo ele isento de IMI, sem contar com os imóveis usados para fins religiosos classificados como monumentos nacionais ou de interesse público, cabendo à ICAR regular todo o uso dos imóveis e ao Estado a sua manutenção.

Estes privilégios resultam da Concordata assinada pela Santa Sé e pela República Portuguesa em 18 de Maio de 2004, concordata que substituiu a de 1940 porque a perda das colónias e a proibição do divórcio, entre outras tolices, a tornaram obsoleta.

A enorme fortuna da Igreja num país cada vez mais pobre é administrada por 55 bispos, 3355 padres, 246 diáconos e numerosos leigos que por interesses vários ou vassalagem assumida se ajoelham perante o poder eclesiástico.

Para publicidade esta multinacional da fé dispõe de 4368 paróquias, 364 centros religiosos (casas de retiro, santuários e reitorias), 539 órgãos da comunicação social, 59 seminários e 165 escolas católicas, além de tempo de antena na televisão pública e de horas de propaganda nas escolas oficiais.

O Vaticano, cuja confiança nas informações bancárias do IOR e nos crimes praticados pelo clero, anda muito abalada, afirma que Portugal tem 9,36 milhões de católicos, uma taxa de 88,3% da população, quando se queixa da diminuição acentuada de baptizados, de casamentos católicos e da baixa frequência do culto por parte da população.

A percentagem deve ser tão verídica como a influência de D. Nuno a curar queimaduras de olhos com óleo de fritar peixe milagre rubricado pelo Papa para o canonizar.

A frieza com que B16 foi recebido na Alemanha natal não deve ser alheia à conduta dos padres em matéria sexual e ao embuste dos milagres, o que exasperou Lutero.

Já dizia o Eça que «quando um povo duvida da virtude dos padres deixa de acreditar no martírio do seu Deus».

Nota: Os números referidos foram retirados do DN  de ontem.

domingo, setembro 25, 2011

Indignados n[d]o Funchal / Finalmente!...

Expresso/Atualidade; 25.09.2011 link

A Madeira sem saldo nas mãos do (ir)responsável

Cartoon de autor desconhecido, enviado por um amigo.

O tandem russo…

Putin e Medvedev estão, aparentemente, unidos nas suas estratégias e nas concepções do futuro político (e económico) da Rússia.


O anúncio da candidatura, em 2012, de Vladimir Putin à presidência da Federação Russa, decorrente do Congresso da formação política “Rússia Unida”, é o exemplo disso. link
A troca de cadeiras no topo da hierarquia política russa há muito que vem sendo preparada. O actual regime político russo nasce - um tanto inopinadamente - em 2000 na sequência da ascensão deste homem oriundo da KGB na estrutura de governo de Boris Ieltsin em franca decomposição política.
Tudo estava meticulosamente acordado. Primeiro, o actual presidente Dmitri Medvedev é proposto por Putin para encabeçar (mesmo sendo o presidente da Federação Russa em exercício) o partido “Rússia Unida” nas eleições parlamentares de Dezembro deste ano sob proposta de Putin. Logo de seguida, Medvedev propôs Putin como candidato, em 2012, à presidência da Federação Russa. E o Congresso da “Rússia Unida”, depois destas formalidades, na prática, terminou.

Raramente a noção de situacionismo (enquanto sinónimo de situação política dominante) pode ser aplicada com tanta propriedade. Facilmente podemos confundir esta “situação” com um teatro de marionetas.

Ora, historicamente, a Rússia sempre olhou para a Europa como uma referência. Tudo o que se passa na Europa é analisado em Moscovo com atenção. E, hoje, a Rússia observa – em primeiro plano - uma Europa desunida e deficitária em lideres políticos carismáticos e competentes. O sistema político europeu contenta-se com managers políticos controláveis por grupos económicos e financeiros. E em relação a managers, a Rússia - desde a queda do regime comunista – sempre os teve em abundância. Com uma substancial diferença. A Federação Russa desde o início da era de Putin (2000) verificou um extraordinário crescimento económico (da ordem dos 7% ao ano, excepto em 2009), a quintuplicação do comércio externo nos 10 anos à custa de um forte aumento das exportações e um aumento do rendimento per capita (2000-2010) de 2.281 para 18. 722 rublos/mês.
Na área social, p. exº., o ordenado mínimo mensal registou a seguinte variabilidade: 132 (em 2000) para 4,330 rublos (2010). link

Perante premissas deste tipo o “situacionismo”, que neste momento se impôs, sobrepõe-se a qualquer modelo de abertura e de debate democrático. A Rússia aparentemente um sistema pluripartidário está submersa pelo poderio hegemónico de um grande partido (“Rússia Unida”) que capturou o Estado.
O alongado “período de transição” permite (ainda) soluções enviesadas (dominadas por oligarquias que descobriram a economia de mercado) como a que foi gizada na Convenção do partido “Rússia Unida”.

Todavia, se a crise for mesmo global (e não exclusivamente europeia), rapidamente, concertações visando a perpetuação do poder por um grupo político, económico e financeiro, tornar-se-ão obsoletas e esta nova nomenklatura (que replicou a antiga) terá os dias contados.
O que se cozinhou nos últimos dias em Moscovo foi um “arranjo”. Qualquer semelhança com um processo democrático livre e transparente é pura coincidência.

Opus Dei e a santidade

Dois membros do grupo católico conservador Opus Dei vão hoje a julgamento num tribunal de Paris, acusados de forçar uma jovem a trabalhar ao longo de mais de uma década sem lhe pagarem ou a pagarem-lhe quantidades irrisórias. Leia mais…

sábado, setembro 24, 2011

Jardins, insularidades e fait divers


A feira de fait divers que Alberto João Jardim tem montado à volta do endividamento excessivo da Região Autónoma da Madeira é caricata para não dizer grotesca.


Interessa saber, em primeiro lugar, se houve ou não “ocultação” de dívidas contraídas ao arrepio do quadro definido pela lei orgânica orçamental facto que segundo julgo está a ser (tardiamente) averiguado pela PGR.


Mas, o País - e os políticos - não parecem dispostos a esperar. Até, porque, o próprio Alberto João Jardim revelou publicamente valores que, à primeira vista, parecem pornográficos (> 5 mil milhões de euros) à luz do PIB regional. Mais, a esta atónita revelação acrescentou a desfaçatez de classificar o astronómico montante como “uma coisinha de nada no meio de todas…link. O “espírito” de que quando se trata de dinheiros públicos não se fazem contas (nem se planeia) tem sido o emblema dos nossos gestores públicos (desde a Monarquia).


A culminar estes permanentes e cansativos desvarios o presidente do Governo Regional da Madeira, ontem, resolveu (voltar a) brandir a ameaça da independência. link Esta é, de facto, uma chantagem que – periodicamente - vem sendo utilizada em relação a uma questão fulcral – a coesão nacional, perante a ignóbil passividade do “Sr. Silva” (como AJJ designa o Presidente da República).
Mas apesar da leviandade como é feita, não deixa de ser uma ameaça “gasta” e descredibilizada. Tem servido para justificar sucessivos perdões de dívidas. Utilizar, neste momento, esta pseudo-argumentação é o espelho do desespero.


De facto, o inevitável serviço da dívida da Madeira (os tempos são outros) põe termo ao modelo jardinista de governo para a Madeira, que durou mais de 30 anos e se baseou no desbragada projecção de obras públicas (algumas supérfluas como têm sido inventariadas link) e na proliferação de empregos no sector público regional.
A campanha eleitoral para as eleições de 9 de Outubro mostra o estertor do protagonista deste “modelo” (nada original).


Jardim, poderá (deverá) resistir ao escrutínio mas estas eleições são o requiem para o modelo populista que tão danosamente alimentou. Daqui a 4 anos é previsível (mais do que certo) que não existarão obras para inaugurar. E, antes disso, com certeza que sairá de cena pela direita baixa… (para usar uma linguagem teatral tão ao gosto do personagem).


Só que o “eclipse” de A J Jardim não liberta os madeirenses de tão pesada dívida. A dívida – não vale a pena espernear – é a pesada herança que Jardim deixa (a obra está lá mas pelos vistos não está paga!). Deixa, sejamos claros, uma pesada dívida não aos madeirenses mas ao País. Porque o problema tem sido posto às avessas. Na verdade, que a actual situação exige – para todos - equidade. E os madeirenses acabam de hipotecar os privilégios inerentes aos propalados “custos de insularidade”, às condições ultra-periféricas e ao parasitismo da sua "imaculada" offshore.


Em resumo, a insularidade dará lugar a austeridade. Quando (...e se) isto suceder não há lugar a reclamações por parte dos madeirenses. Estarão a ser tratados como portugueses de “gema” (até aqui viveram um longo período de excepção). Ponham os olhos no "Continente"...

CONVITE - Associação 25 de Abril - Coimbra

Coimbra, Casa Municipal da Cultura, 24 de Setembro, Sábado
                                                                
24 de Setembro de 1973 – Proclamação da Independência da República da Guiné-Bissau


A LUTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL

E A

INDEPENDÊNCIA DA REPÚBLICA DA GUINÉ-BISSAU


16H00- Debate, assinalando os cinquenta anos do início da luta armada nas ex-colónias e o 38 º aniversário da independência da Guiné-Bissau:

Daniel Gomes - Mestre em História:Evolução do Confronto Estratégico Durante o Conflito na Guiné”.
Incanha Intumbo - Doutorando da FLUC: “O Crioulo como Veículo da Unidade para a Luta Armada”.
Leopoldo Soares - Estudante Universitário:A Independência da Guiné-  Bissau – O olhar de um jovem”.
Duran Clemente - Coronel e Representante do MFA na Guiné-Bissau: “A  Transição para o Reconhecimento da Independência por parte de Portugal”.
Tcherno Djaló - Ex-Ministro da Educação da República da Guiné-Bissau: “A Independência, o Movimento das Forças Armadas e a Formação do Estado da Guiné-Bissau”.

Mostra de música tradicional da Guiné-Bissau.

Organização: Organização de Estudantes da Guiné-Bissau, Casa da Guiné e Associação 25 de Abril-Deleg. Centro

sexta-feira, setembro 23, 2011

Imagem no Público, hoje.

Até as caricaturas se desactualizam

Já ia em 1,8 mil milhões €, até ontem.

quinta-feira, setembro 22, 2011

Terapêutica ainda não aprovada pelo INFARMED

Jardim, a regionalização e o descalabro da Madeira

A necessidade portuguesa de criar 5 regiões continentais foi sempre vítima das asneiras do sátrapa madeirense. Sempre que da Assembleia da República, ou de Belém, vinham apelos ao aprofundamento da regionalização dos Açores e da Madeira, ganhavam força os anti-corpos contra a regionalização.

Portugal não suporta 308 concelhos e 4260 freguesias, mas fazem-lhe falta, além das Regiões Autónomas,  cinco regiões que dêem coerência e coordenem as autarquias que sobrarem de uma profunda reforma administrativa.

A tragédia financeira a que um inconsciente conduziu a Madeira ampliou as dúvidas dos portugueses quanto à bondade da regionalização. O conhecimento do buraco financeiro pelo PR, antes de marcar as eleições, se for verdadeiro, lança uma insuportável suspeita sobre a mais alta magistratura da nação.

A crise internacional, a chantagem dos mercados, as oscilações políticas das instituições europeias e os erros nacionais já bastavam para tornar desesperada a situação que nos espera. Dispensávamos um PR que parece não estar à altura das circunstâncias e um governador da Madeira que, seja qual for o enquadramento legal das suas patifarias, é um aldrabão insensato e chantagista contumaz.

Os portugueses não devem consentir que as leis da República não se apliquem a todo o território nacional e não podem tolerar forais para parcelas onde os caciques cometem toda a série de desmandos.

É urgente revogar as leis, mesmo as constitucionalizadas, que têm permitido ao sátrapa madeirense desrespeitar os órgãos da soberania nacional e dar golpes financeiros que, à semelhança de qualquer gatuno, ocultou das autoridades de fiscalização. Cavalheiros destes têm de ser presos à rédea curta.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, setembro 21, 2011

A tragédia dos portugueses

Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas...'

Guerra Junqueiro, em 1896, in «Pátria»

Até o líder do PSD se envergonha de Jardim

O ex-salazarista caiu em desgraça

terça-feira, setembro 20, 2011

O Islão é pacífico...

Três crianças da Somália, vencedoras de um concurso de recitação do Alcorão, receberam como prémios armas, bombas e livros religiosos, entregues por uma estação de rádio com ligações à al-Qaeda.

O Presidente da República cala-se....

segunda-feira, setembro 19, 2011

Momento zen de segunda_19-09-2011

João César das Neves (JCN) é um dos raros exemplares de crentes que acreditam na sua Igreja e que julgam que é a única verdadeira e santa.

Na sua beata devoção, JCN vê apenas pequenos delitos, frutos da época, nas atrocidades cometidas ao longo da história do catolicismo romano. Para ele, os crimes violentos não passam de «erros, abusos, conflitos, violências e injustiças».

Omite deliberadamente a evangelização e o extermínio dos índios na América do Sul do mesmo modo que esquece o carácter anti-semita do Novo Testamento e os  pogroms, a que não faltaram as bênçãos e a participação activa do clero católico ou os desvarios da contra-reforma. Muito menos lhe ocorre a cumplicidade com Franco, Hitler, Mussolini, Jozef Tiso, Pinochet, Videla, Salazar e outros monstros amigos do papa e da hóstia.  

Queixa-se o bem-aventurado beato do exagero com que os próprios católicos execram «a Inquisição, as Cruzadas, o poder temporal do Papado e, agora, a pedofilia» – únicos erros ou abusos que reconhece –, mas cuja crítica considera «descabida e injusta».

A sua homilia de hoje, no DN, «A santa vergonha» é mais uma reprimenda aos que não se conformam com as barbaridades da sua santa Igreja do que às atrocidades de XX séculos. JCN não é capaz de aceitar a responsabilidade de numerosos papas e da Igreja na espoliação dos países pobres, na escravatura e no atraso dos povos que oprimiram.

JCN admite que «muitos católicos se envergonham hoje da gloriosa história da sua fé» mas atribui o facto, não aos desmandos do clero mas aos ataques de que a Igreja tem sido alvo. A inocente !!!!

Humor...

Um pai compra um robot, detector de mentiras, que dá chapadas nas pessoas quando estas mentem.
- «Filho, onde estiveste hoje?»
- «Na escola pai!» - Pimba, O robot dá uma chapada ao filho! – «Ok, pronto, vi um DVD em casa do Zé, pai!»
- «Que DVD?»
- «Ó pai, o Toy Story, caneco!» - Pimba, o robot dá outro sopapo nofilho.

– «Ok, o DVD era porno.» - Choraminga o filho.
- «O quê?! Quando tinha a tua idade não sabia o que eram essas porcarias, 'tás a ouvir?» - invectiva o pai. Pimba, o robot dá uma lamparina no pai!
A mãe ri-se perdidamente e diz: «Ele é mesmo teu filho!»

- Pimba, o robot prega uma solha na mãe.
 

(acabada de receber por e-mail)

Sabiam e calaram-se ?

domingo, setembro 18, 2011

MADEIRA: uma inacreditável chicana política…ou o mastodonte doméstico?


A “insustentável” link situação de endividamento criada pelo Governo Regional da Madeira e a protecção que os madeirenses (como de resto todos os cidadãos) carecem, perante as duras medidas de austeridade que já chegaram, ou que ameaçam intensificar-se, tem estado na ordem do dia da política nacional.

O Governo de Passos Coelho para justificar a sua actuação drástica em termos de caça à receita (aumento de impostos) e de cortes radicais (por vezes cegos) no Estado Social tem defendido que será necessário ir para além do Memorando da “troika”... link.

Andava o esforçado Passos Coelho nos areópagos europeus vendendo a imagem de “bom aluno”, recebendo rasgados elogios dos euroburocratas e dos gauleiters anglo-saxónicos , quando lhe rebenta no regaço um estrondoso petardo.
Afinal, um feudo conservador (directamente ligado à sua família política) vinha há largos anos “escondendo” a dívida (regional). Tudo parecia à primeira vista inacreditável.

Afinal, as derrapagens da dívida públicas não eram o pergaminho, nem a marca heráldica, da Esquerda, apresentado como esbanjadora e incapaz de gerir com equilíbrio as coisas públicas.
Afinal, lá atrás num recanto do quintal existia um insuspeitado “buraco”.
Não sendo possível endossar este desaire à Esquerda, Passos Coelho refugia-se, atabalhoadamente, na autonomia do PSD-Madeira, como se esta organização política regional fosse um órgão regulador das contas públicas. Na verdade, é uma "máquina" para vencer eleições a qualquer preço.
Confrontado com a gravidade dos factos que representam - numa análise muito sumária - uma machadada na solidariedade nacional (agravada pelos actuais tempos de crise), Passos Coelho foi lesto em sacudir a água do capote e “remeteu para o PSD-Madeira e o eleitorado regional o desafio hoje lançado por António José Seguro para que Pedro Passos Coelho retire a confiança política a Alberto João Jardim, devido à situação das contas na Madeira”. link.

Raramente, os portugueses foram confrontados com tamanha desfaçatez. A Região Autónoma da Madeira é (por enquanto e mau-grado as insinuações de Miguel Sousa Tavares) parte integrante da República Portuguesa. As questões orçamentais e do endividamento dizem respeito ao País. Os titânicos "esforços" – os pesados (insuportáveis) sacrifícios – não têm qualquer selectividade (positiva ou negativa) regional ou local.

Porque razão um descalabro de endividamento, como o da Madeira, vai ser "julgado" nos votos (próximas eleições regionais)?

Não quererá também Passos Coelho submeter ao escrutínio dos portugueses as inevitáveis repercussões do “escândalo madeirense” nos bolsos dos contribuintes?

Começam a ser intoleráveis estas chicanas políticas. É de certo modo o contraponto da infeliz alegoria do aparente “pentelho”, da lavra de Eduardo Catroga, que vem borrar a escrita tão ardilosamente construída para “salvar Portugal”.

Para todos aqueles que viviam obcecados pela procura de esqueletos nos armários, finalmente encontraram um mastodonte instalado na sua própria “quinta” (política), tão corpolento que não cabe no armário...(da nossa democracia)!


PS: Interessante este conceito de “legítima defesa” para defraudar os representantes do povo. link

Cardeal esmagado entre os padres e o Papa

O chefe da comunidade Católica Romana de Viena descartou grandes mudanças exigidas pelos sacerdotes dissidentes e disse que poderia haver “grave conflito” se eles desafiarem o ensinamento da Igreja sobre o celibato ou dar a comunhão aos divorciados novamente casados.

O cardeal de Viena, Christoph Schoenborn, disse que não provocaria um cisma com os líderes do Vaticano ao permitir que os sacerdotes violem regras da Igreja Católica, depois que um grupo de padres emitiu o manifesto “Chamada à Desobediência” para tentar pressionar a reforma.