segunda-feira, outubro 31, 2011

A face oculta dos (in)sucessos...

Desemprego subiu para 12,5% (link)

Os dados relativos a Setembro divulgados pelo Eurostat - e a tendência de subida parece “sustentada” - vêm, antes da discussão do OE 2012, questionar os valores previstos para o final deste ano (exactamente 12,5%). De Setembro a Dezembro muita água correrá debaixo das pontes...

A projecção feita pelo Governo no OE para 2012 (taxa de desemprego de 13,4%) ao que tudo indica será largamente ultrapassada, tornando o clima social "irrespirável".

Um Governo que não pára de nos surpreender…

Notas soltas: Outubro/2011

Oeiras – A prisão de Isaltino Morais e a libertação no dia seguinte deram um rude golpe na abalada confiança nos Tribunais. O Estado de Direito é cada vez mais uma esperança adiada por sucessivos erros.
Duarte Lima – A sua inocência pode ser convicção minha mas a acusação de assassino, baseada em factos circunstanciais, já condenou perante a opinião pública quem não teve ainda a oportunidade de se defender em tribunal.
A. J. Jardim  – A desfaçatez, má-criação e impunidade do eterno mandarim fê-lo cair em desgraça nas últimas eleições que ainda ganhou. O princípio do fim, sem honra nem glória, veio pôr em xeque a autonomia que a República levou demasiado longe.
Passos Coelho – O silêncio face ao insulto do dirigente do PSD, conselheiro de Estado e presidente do Governo Regional da Madeira, ao ministro do seu Governo, Paulo Portas, apelidado de «moço de recados», revela tibieza e falta de solidariedade.
Pena de morte – São já poucos os países civilizados que mantêm tão bárbara punição e espanta que uma medida que não previne nem reduz os crimes seja decidida por juízes e confirmada por governadores, a quem não treme a mão, perante a incerteza de executarem inocentes.
OE/2012 – O brutal ataque à classe média, sobretudo aos funcionários públicos e pensionistas, põe em causa a sobrevivência de muitas famílias e conduz Portugal à ruína. A SLN, o BCP e as contrapartidas dos submarinos esquecem-se mas as grandes fortunas mantêm-se intocáveis.
Educação  – Enquanto corta recursos ao ensino público, o Governo favorece o privado com apoios generosos. É a forma de ajudar os ricos à custa dos pobres, numa deriva reaccionária mais própria do CDS do que do PSD.
GNR – No último curso de admissão houve 50 recrutas que fizeram o baptismo, o crisma e a comunhão. São cada vez mais as pessoas que chegam à idade adulta sem religião, mas a Igreja vela. Os novos fiéis converteram-se antes de terminarem a recruta. Entre o desemprego e a fé convém ajoelhar.
Assalto sem arma – O confisco dos subsídios (Natal e férias) aos funcionários públicos e aos pensionistas não chega para cobrir os roubos no BPN e o regabofe da Madeira. Salvaram-se os bancários reformados.
Líbia – A morte do cínico ditador não deixa saudades mas a execução, sumária e bárbara, envergonha os carrascos e compromete as forças da NATO sem as quais o tirano não seria substituído por outro.
Primavera árabe – É fácil discutir ideias e difícil abater preconceitos. A queda de déspotas não abre portas à democracia se a liberdade religiosa não for imposta aos devotos que pregam o ódio, à semelhança do que a Revolução Francesa fez na Europa.
ETA – O anúncio do «fim definitivo» da violência terrorista de 43 anos é uma boa notícia, mas o passado exige cautela. A ETA não percebeu que a Espanha já era uma democracia e continuou a comportar-se como se o sanguinário Franco ainda vivesse.
União Europeia – A conluio e egoísmo da Alemanha e França são um insulto ao tratado de Lisboa e um perigo para a estabilidade financeira, económica e social da Europa onde os nacionalismos comprometem a solidariedade, a prosperidade e a paz.
Explosão demográfica  – A Terra terá atingido sete mil milhões de habitantes, o dobro do que pode suportar. A redução da natalidade e o desenvolvimento económico e social são essenciais para evitar guerras pela água, alimentos e outros recursos.
Viagens presidenciais – Com as actuais dificuldades orçamentais, as comitivas faraónicas, de discutível interesse, parecem excursões de dirigentes do terceiro mundo.
Televisão – A obsessão do Governo em privatizar um canal da RTP compromete o sector televisivo e, com a escassez de receitas publicitárias, a independência da comunicação social fica comprometida. Talvez seja esse o objectivo.
Argentina – A vitória de Cristina Kirchner, a primeira mulher reeleita Presidente da República na América Latina, com uma folgada maioria à primeira volta, é um sinal de modernidade que o progresso económico, social e político tornou possível.
Governo – Ninguém devia chegar a primeiro-ministro sem ter passado, pelo menos, por vogal de uma junta de freguesia. Na actual situação, Portugal corre o risco de se tornar um laboratório de experiências neo-liberais do ministro das Finanças, sem qualquer controlo.
Enriquecimento ilícito – Não se aceita que o crime fique impune, este e outros, mas inverter o ónus da prova, ter de ser o arguido a provar a inocência, é um atentado ao Estado de direito que devia envergonhar os deputados populistas.
Brasil – A energia de Dilma Roussef no combate à corrupção, na contenção dos salários faraónicos de altos cargos e na luta pela reforma da Administração, transformou a candidata apoiada por Lula na presidente carismática do povo brasileiro.
Lula da Silva – O cancro na laringe aflige milhões de brasileiros que tirou da miséria e a multidão de fãs do antigo operário metalúrgico, grande democrata e notável presidente. Espera-se o êxito da terapêutica e a sua recuperação rápida e total.

domingo, outubro 30, 2011

PASSOS COELHO: “ajustamentos” anunciados bem longe…

Passos Coelho admite pedir ajustamento do programa com a 'troika' em Novembro
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou este sábado que pretende concertar com o PS um "ajustamento" ao programa de assistência financeira a Portugal que permita "garantir um mais adequado financiamento à economia" portuguesa. link

Passos Coelho, na qualidade de 1º. Ministro de Portugal, resolveu anunciar, no estrangeiro, novos "ajustamentos" ao programa da troika. Registe-se esta profunda desconsideração aos cidadãos nacionais que são os primeiros interessados e o objecto último de qualquer alteração do memorando da “troika”. Alterações essas (quaisquer que sejam) que só podem desestabilizar (ainda mais) o clima político no País. Nada de bom será de esperar dessas “negociações”. O ambiente negocial não nos é favorável para solicitar um reforço do “resgate”. E, de antemão, já conhecemos a receita: “mais reformas estruturais” e “mais austeridade”…

Seria bom, também, recordar que uma das razões invocadas por Passos Coelho para criar a crise política que levou à demissão do XVIII Governo Constitucional foi o não conhecimento prévio do PEC IV (mais tarde saberíamos que esteve na véspera em S. Bento) .
Na altura, como foi assinalado pela imprensa, o referido PEC foi negociado em Bruxelas , “sem o conhecimento prévio do Presidente da República, da Assembleia da República e dos partidos da oposição, em particular do PSD, com quem tinham sido negociados os PEC's anteriores e sem qualquer esclarecimento da opinião pública”. link


A surpreendente “declaração de Assunção (Paraguai)” teve, de facto, uma diferença. Foi anunciada nas mesmas circunstâncias que o PSD reprovou para o PEC IV, só diferindo num pormenor: perante o ar atónito (visível nas imagens transmitidas) do Presidente da República. Quanto à Assembleia da República, às Oposições e à opinião pública, estamos conversados.

Aliás, face a estas revelações que nos chegam de longe, deveríamos fazer mais um sacrifício (já que estamos em maré de...). Deslocar-nos à Portela para receber condignamente o Senhor 1º. Ministro… que, mesmo nos confins do Mundo, não deixa de pensar em nós!

Algumas fotos ao acaso



A crueldade do assassínio esteve ao nível da vítima.

TUNÍSIA 2011: os escolhos da libertação…

Foto: Rachid Ghannouchi

As recentes eleições na Tunísia colocam de novo na ordem do dia a chamada "Primavera Árabe".

O partido Ennahda ("Partido do Renascimento"), que venceu estas eleições teve, desde logo, a preocupação em declarar-se "moderado". Todavia, não teve a transparência suficiente para esclarecer que tipo de regime defende refugiando-se em "clichés" vagos, aparentemente conciliatórios mas, fundamentalmente, pouco explícitos.

Na verdade, quando Moncef Marzouki, um dos referenciados líderes da era pós Ben Ali, dirigente do partido Al Mottamar (“Congresso para a República”), link um partido do centro-esquerda, secular, (o 2º. mais votado nas eleições) afirmou que recusa o uso da religião como forma de ditadura e cuja declaração de princípios (do partido) versa as questões da identidade árabe-muçulmana… à luz da Declaração dos Direitos Humanos (e não do Alcorão) está a alertar-nos para as graves dificuldades da transição tunisina.

A faceta "moderada" de qualquer regime confessional (seja islâmico, cristão, judaico, etc.) poderá ser um refúgio para impor às sociedades doutrinas religiosas, tentando não causar ondas...para mais facilmente assentar arraiais.

Existe - penso eu - um pensamento islâmico "moderado" que rejeita dogmas e tenta conciliar as crenças do Islão com a vida e o progresso. É, todavia, uma corrente académica, artística ou, se quisermos, intelectual, na maior parte das vezes, vivendo a sua diáspora (ou um exílio) junto de outras culturas e civilizações. Raramente tem qualquer influência política nos países de origem. Na verdade, quem em alguma circunstância desfruta do privilégio de viver num regime democrático, logo, laico, perde a "capacidade" de entender (e aceitar) um regime baseado na Bíblia, no Alcorão ou na Tora (para só mencionar as “religiões do livro”).

Os partidos, grupos e facções islâmicas do Norte de África e do Médio Oriente que aderiram às "insurreições" não tiveram a sua génese nestes terrenos do pensamento, da razão e da liberdade e que, muitas vezes, passam por um militante activismo em ONG’s, empenhadas da defesa dos Direitos Humanos. Nasceram no limbo religioso e ganharam força "à boleia" das insurreições internas – muitas delas apoiadas pelo exterior – e cujo leitmotiv (imediato) esteve directamente ligado ao derrube de ditaduras repressivas, sanguinárias e cleptocráticas.

De facto, a subtil diferença que foi ressalvada pelo partido Ennahda afirmando que não é um partido islamita mas… um partido islâmico que “se guia pelos princípios do Alcorão”, à semelhança do partido democrata-cristão alemão (CDU), carece de verificação (diferenciação) na prática, i. e., na política real.


Na verdade, quando Rachid Ghannouchi, líder do Ennahda, regressou à Tunísia (Janeiro 2011), após duas décadas de exílio, a primeira declaração que produziu foi a de que não se apresentaria às eleições, nem haveria candidatos do seu partido… link E, como se pode verificar, acaba de ser o vencedor das primeiras eleições da "era pós Ben Ali"….

Deste modo, a Tunísia continuará a ser uma situação cuja evolução política manter-se-á, para o Mundo, sob rigorosa vigilância. Existem muitas contradições por esclarecer.

Filme vencedor em Cannes (curtissima duração)

Entre no link abaixo e assista ao filme vencedor em Cannes, categoria com duração máxima de três minutos.
 
 http://www.porcelainunicorn.com//

Vaticano - Proselitismo e intolerância

O Papa criticou hoje as uniões conjugais fora do sacramento do matrimónio, a feitiçaria e o tribalismo étnico que ocorrem em Angola e São Tomé e Príncipe, durante a audiência que concedeu no Vaticano a bispos daqueles países.


No discurso revelado pela Sala de Imprensa da Santa Sé, Bento XVI afirmou que o primeiro dos “três escolhos” onde “naufraga a vontade de muitos santomenses e angolanos que aderiram a Cristo” é o “chamado ‘amigamento’, que contradiz o plano de Deus para a geração e a família humana”.

Comentário: Quantos anos terá o plano de Deus? O casamento canónico é anterior ao cristianismo ?

THOMAS JEFFERSON, ...há 200 anos

sábado, outubro 29, 2011

Jornalismo de sarjeta - Correio da Manha

Os ataques diários revelam que ainda não sabem da mudança de Governo

Igreja católica - Há alterações na teologia do látex

A caminho da modernidade

sexta-feira, outubro 28, 2011

Uma questão de equidade

Líbia – A Primavera árabe

O Conselho Nacional de Transição (CNT) líbio informou por meio de seu líder, Mustafa Abdel Jalil qual será a nova base para o governo do país.

Qualquer lei que contradiga a sharia islâmica é nula e vazia, legalmente falando“, informou líder dos rebeldes durante cerimónia realizada para o novo governo declarar a libertação do país, neste último domingo.

Comentário: Os que lutaram pela liberdade serão as primeiras vítimas.

quinta-feira, outubro 27, 2011

Paulo Portas é um visionário

Enviado por um leitor

Da Primavera Árabe ao inverno muçulmano

O júbilo da comunicação social dos países democráticos com a queda das ditaduras do Norte de África pareceu-me sempre exagerado. Não que a queda dos ditadores me deixe triste mas porque, em contexto religioso, pressinto os piedosos facínoras que se seguem.

 Assustou-me a amnésia colectiva em relação à ascensão da Frente Islâmica de Salvação (FIS) na Argélia cujo pavor levou ao golpe de Estado que impediu a segunda volta das eleições em 1992, eleições que, a terem lugar, como estava previsto e era justo, dariam a vitória aos fanáticos religiosos. Não esqueço a onda de euforia que percorreu o Irão após a queda de Xá Reza Pahlavi, um déspota corrupto, com o regresso do exílio do aiatola Khomeini, com cheiro a santidade.

Não esqueço as palavras do infalível Pio IX que considerava o catolicismo incompatível com a democracia e a liberdade, nem as tolices do Corão que nas mesquitas e madraças intoxicam desde a infância as legiões de crentes.

Não conheço nenhuma religião que tenha lutado pela democracia e pela liberdade mas não faltam exemplos de ditaduras apoiadas pela fé e violências cometidas em nome do deus imposto. A vocação totalitária é comum ao cristianismo e ao islamismo mas, enquanto o primeiro foi moldado pela cultura grega, pelo direito romano, pela Reforma e pela pressão secular, o islamismo não conheceu o Iluminismo, a Revolução Francesa e a derrota dos seus próceres. O Papa foi derrotado por Garibaldi, o secularismo sobrepôs-se às sotainas e o pluralismo e a emancipação da mulher criaram a superioridade moral das democracias em relação às teocracias.

A decadência da civilização árabe, a pobreza e o atraso dos povos submetidos ao Corão, fizeram do Islão o mais implacável monoteísmo, uma cópia grosseira do cristianismo que legitima todos os poderes e as atrocidades praticadas nos países árabes e não árabes, nomeadamente no Irão e na Turquia.

Há a tendência de apelidar de moderado o proselitismo islâmico em curso na Turquia onde os pilares da laicidade – os militares e os juízes – vão sendo assassinados ou neutralizados. O legado de Kemal Atatürk vai definhando com o apoio e simpatia dos países europeus e dos Estados Unidos. Nos países islâmicos, até prova em contrário, não está em curso uma Primavera política, assiste-se à queda de ditadores laicos a substituir por ditadores pios. O Iraque, a Tunísia, o Egipto e a Líbia conquistaram a liberdade de votar democraticamente a supressão da democracia.

Como espero enganar-me!!!   E não ouvir falar da sharia como fonte de todos os direitos, isto é, de todas as iniquidades.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, outubro 26, 2011

Passos Coelho: diálogo, paleação ou, não será melhor, entretenimento? …

O primeiro-ministro manifestou-se hoje disponível para ouvir e eventualmente acolher propostas da oposição, em particular do PS, de alteração ao Orçamento do Estado para 2012, mas não quanto às "opções fundamentais" e às "medidas mais polémicas"link

No seguimento desta gozada abertura à conversa (fiada) que tal esta coligação governamental organizar – sob a batuta de Miguel Relvas - um rave party para ouvir o novo disco de Jorge Palma e acolher “com todo o respeitolink todas as diatribes sobre o “empobrecimento” link (nunca suficiente)?

Igreja critica novo romance de José Rodrigues dos Santos

É uma surpresa que uma instituição que sobreviveu dois milénios a um passado pouco recomendável e com um presente pouco auspicioso, caia no erro grosseiro de criticar livros, filmes, músicas, pinturas e outras manifestações culturais ou artísticas.

O novo romance de José Rodrigues dos Santos, «O Último Segredo» não precisava de mais publicidade. O autor tem uma escrita sem a profundeza literária de Saramago mas domina uma prosa escorreita, ágil e agradável de ler. Acresce que se documenta bem e é uma figura mediática, condições para lhe granjearem o sucesso de todos os seus livros.

Não precisava da ajuda da Igreja católica mais conhecida pelas mentiras dos milagres que rubrica do que pela virtude dos seus padres. No entanto, a irritação do crítico de serviço e a ligeireza do ataque ao novo romance constituem um poderoso incentivo à sua leitura.

O padre Tolentino de Mendonça acusa de «uma imitação requentada, superficial e maçuda» a obra do escritor e perde-se em considerações morais inúteis. Um doutorado em teologia bíblica, tal como um especialista em cartomancia ou bruxaria não é um especialista em história da religião nem um mensageiro do deus em que diz acreditar.

Censurar uma obra porque não reconhece a virgindade de Maria, o dogma da Santíssima Trindade ou o local atribuído ao nascimento de Jesus é um atestado de idoneidade passado pelo exótico Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC). José Rodrigues dos Santos está de parabéns pela irritação do padre Tolentino.

O medo de que os últimos crentes sejam sensíveis a «O Último Segredo» levou a ICAR a promover o livro que foi lançado na última quinta-feira e já vai na terceira edição.

A intolerância e a falta de senso viram-se contra os seus autores.

Não se enriquece sem trabalho

Relendo Eça de Queirós...


 Eça de Queirós escreveu em 1872

"Nós estamos num estado comparável apenas à Grécia: a mesma pobreza, a mesma indignidade política, a mesma trapalhada económica, a mesmo baixeza de carácter, a mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se em paralelo, a Grécia e Portugal"
(in As Farpas)

terça-feira, outubro 25, 2011

Como dispersar manifestações

Proposta para adopção de uma nova estratégia para a nossa polícia, que tem que se preparar para as manifestações que aí vêm...

Como dispersar manifestações

(do Almanaque Bertrand de 1908, enviada por F. G.)

Pare, escute e olhe…

We came, we saw, he diedlink

Quase não dá para acreditar!

Pensamento de Mia Couto

"A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos."

Mia Couto

Células Estaminais




segunda-feira, outubro 24, 2011

Não há crise que justifique o populismo

domingo, outubro 23, 2011

Mais três canonizações que saíram à casa...

Bento XVI presidiu hoje no Vaticano ao rito de canonização de três novos santos da Igreja Católica, que apresentou como “exemplos” de “amor aos irmãos”.
(...)
Bento XVI declarou como novos santos dois religiosos italianos e uma religiosa espanhola que viveram entre os séculos XIX e XX: Guido Maria Conforti (1865-1931), arcebispo de Parma (Itália), fundador dos Missionários de São Francisco Xavier; Luigi Guanella (1842-1915), padre e fundador da Congregação dos Servos da Caridade e do instituto das Filhas de Santa Maria da Providência; Bonifacia Rodríguez de Castro (1837-1905), fundadora da Congregação das Servas de São José.

Conselho Europeu: a "recapitalização" dos bancos ou "mais do mesmo"…

Passos Coelho afirmou, hoje, no final de mais uma inconclusiva cimeira dos 27 membros da UE:
“Portugal deu contributo "bastante positivo" para plano para a recapitalização dos bancos…” link

Tratando-se de consolidar a liquidez aos bancos para enfrentarem o eventual perdão de 50% da divida grega, o Governo é pródigo em garantias ao mundo financeiro. Vai capitalizar os bancos sem nada em troca. Vai injectar capitais mas garantiu não se intrometer na vida dos bancos. Não vai “nacionalizar bancos” – como de se pode ouvir nas declarações transmitidas pela RTP link - “antes pelo contrário”... (já sabíamos!)

Esta medida cautelar, na sequência de um iminente incumprimento da Grécia, é mais um remendo nas políticas monetárias europeias que continuam a navegar à vista, sem qualquer estratégia comum.

Continua, em relação ao sistema bancário português (e dos países em dificuldades) em suspenso a questão essencial, i. e., o financiamento dos sectores produtivos da Economia, sem o qual não haverá – para ninguém - saída para a actual crise das dívidas públicas.

Desde 2008 (já lá vão 3 anos!) que observamos, da parte da UE e dos governos europeus, um extremoso cuidado com as debilidades dos sistemas financeiros.
Para as pessoas só têm sobrado pacotes de austeridade uns atrás dos outros...

Não terá chegado a altura de os dirigentes europeus entenderem o carácter sistémico da crise e que sem estímulos ao crescimento económico, ninguém chegará a bom porto?
Ou isso fica para uma próxima cimeira europeia. Por quanto tempo mais os cidadãos (europeus) continuarão a esperar?

E o farsola lá foi ao pote…





PPC não é mentiroso, é mitómano

Pedro Passos Coelho -- Best of 2010-2011

sábado, outubro 22, 2011

Arábia Saudita

A Arábia Saudita foi notícia, ontem, devido ao falecimento do príncipe Sultan.
O principe falecido seria o herdeiro político do actual rei Abdullah (neste momento em convalescença de uma cascata de intervenções cirúrgicas).

Na verdade, só no plano especulativo, já que estaria – desde há alguns anos - física e mentalmente incapacitado para o exercício de qualquer cargo.
Mas a reprodução da dinastia Saud, à frente dos destinos deste reino árido e desértico que tornou-se conhecido do Mundo pelos majestáticos proventos resultantes da exploração petrolífera, está condicionada por rígidos mecanismos familiares e tribais, bem como alianças religiosas (entre facções sunitas e waabitas).

Os membros do “Sudairi clan” grupo fechado que reúne os descendentes do rei Faisal está, neste momento, reduzido a 5 membros e a nomeação do futuro rei (prerrogativa do actual) deverá ser precedida da audição do “Conselho dos Fiéis” (encarregue de obter um consenso no seio de uma vasta "família real" - 34 "ramos").


A desenrolarem-se os mecanismos sucessórios tradicionais, com a morte de Sultan, seria o príncipe Nayef, actual ministro do Interior (na foto), o próximo herdeiro do trono (e do petróleo), um homem politicamente mais conservador do que o actual rei e com ligações profundas aos líderes religiosos waabitas que, como sabemos, ditam para o reino as leis islâmicas.

Na verdade, apesar da “primaveras” árabes, que têm alterado a longa e artificial estabilidade árabe na Região, nada deve mudar nesta medieva e anacrónica monarquia. Este imobilismo, apesar da existência de uma população jovem que manifesta inequívocas vontades de mudança, pode ser o rastilho para a contestação sobre a perpetuação clã Saud no poder.

Mas a "dúvida" permanece: A Arábia Saudita - ao contrário do que o Ocidente deseja - poderá transformar-se no próximo foco de instabilidade na região?

Humor e ironia

Célebre azulejo de Toledo

Momento de Poesia - cinco quadras de António Aleixo

Cinco Quadras de António Aleixo


Acho uma moral ruim

trazer o vulgo enganado:

mandarem fazer assim

e eles fazerem assado.



Sou um dos membros malditos

dessa falsa sociedade

que, baseada nos mitos,

pode roubar à vontade.



Esses por quem não te interessas

produzem quanto consomes:

vivem das tuas promessas

ganhando o pão que tu comes.



Não me dêem mais desgostos

porque sei raciocinar...

Só os burros estão dispostos

a sofrer sem protestar!



Esta mascarada enorme

com que o mundo nos aldraba,

dura enquanto o povo dorme,

quando ele acordar, acaba.


António Aleixo CINCO QUADRAS

Este é o Governo que os portugueses quiseram


sexta-feira, outubro 21, 2011

Manuela Ferreira Leite ensandeceu ?


Há anos, a dilecta do Prof. Cavaco sugeriu a utilidade da suspensão da democracia por seis meses, sem dizer se seriam prorrogáveis.

Ministra das Finanças em 2002, 2003 e 2004 assistiu Durão Barroso até à fuga deste para Bruxelas e ao endosso do Governo a Santana Lopes a cujo elenco um resto de pudor e bom senso a impediu de pertencer.

Se a primeira tolice foi levada à conta de desabafo de quem estava exausta com a pasta que sobraçava, o abandono de Santana Lopes devolveu-lhe alguma respeitabilidade e as suas piores declarações tiveram sempre a tolerante compreensão de quem julgava estar a ouvir o que Cavaco gostaria de dizer.

O inconcebível aconteceu agora, com Manuela Ferreira Leite a defender a suspensão da educação e SMS gratuitos por 3 anos. Saberá a venerável senhora o que são os direitos básicos de um povo e o que é a Constituição? Quem é capaz de fazer propostas destas também pode defender o regresso à ditadura.

A tralha cavaquista tem pessoas honestas (o caso da D. Manuela) e pessoas inteligentes, mas habitualmente as honestas não são inteligentes e as inteligentes não são honestas.